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Abstract and Figures

The Dynamic Gait Index (DGI) is a useful test to evaluate balance and gait. The objectives of this study were to culturally adjust the DGI to the Portuguese language and to assess its reliability. The method proposed by Guillemin et al. (1993) was used for a cultural adaptation of this tool. A prospective study was performed with 46 patients that were assessed in the cultural adaptation phase. The items that not understood by 20% or more patients were reworded and reapplied. The final Portuguese version of DGI was applied to 35 elderly in order to check intra and interobserver reliability. The Spearman rank coefficient was used to correlate intra and interobserver scores and the Wilcoxon test was applied to compare these scores. Internal consistency was analyzed by the Cronbach alpha coefficient. There were statistically significant correlations among the scores for intra and interobserver assessments for all items (p<0.001), which were classified as good and very strong correlations (ranging from r=0.655 to r=0.951). The DGI demonstrated high internal consistency in intra and interobserver assessments (varying from proportional to or =0.820 to proportional to or = 0.894). The DGI was culturally adjusted to Brazilian Portuguese and proved to be a reliable tool.
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REVISTA BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA 72 (6) NOVEMBRO/DEZEMBRO 2006
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Dynamic Gait Index - Brazilian
Version
Resumo / Summary
O Dynamic Gait Index (DGI) é um teste que avalia
o equilíbrio e marcha do corpo humano. Objetivos: Os
objetivos deste estudo foram adaptar culturalmente o DGI
para o português e avaliar a sua confiabilidade.
Material
e Método: Seguiu-se o método de Guillemin et al. (1993)
para a adaptação cultural do instrumento. Trata-se de estudo
prospectivo em que 46 pacientes foram avaliados na fase
de adaptação cultural e os itens que apresentaram 20% ou
mais de incompreensão foram reformulados e reaplicados. A
versão final do DGI em português foi aplicada em 35 idosos
para examinar a confiabilidade intra e inter-observadores. O
coeficiente de Spearman foi utilizado para correlacionar os
escores inter e intra-observador e o teste de Wilcoxon para
comparar as pontuações. A consistência interna foi analisa-
da pelo coeficiente alfa de Cronbach.
Resultados: Houve
correlações estatisticamente significantes entre os escores
obtidos às avaliações inter e intra-observadores para todos
os itens (p<0,001), classificadas como boa a muito forte
(com de variação de r=0,655 a r=0,951). O DGI mostrou alta
consistência interna entre seus itens nas avaliações inter e
intra-observadores (variação de =0,820 a a=0,894). Con-
clusão: O DGI foi adaptado culturalmente para o português
brasileiro, mostrando-se um instrumento confiável.
Sandra Meirelles De Castro
1
, Monica Rodrigues
Perracini
2
, Fernando Freitas Ganança
3
Versão brasileira do Dynamic
Gait Index
1
Fisioterapeuta. Pós-graduando em Ciências da Reabilitação Neuromotora da UNIBAN.
2
Fisioterapeuta. Doutora em Ciências da Reabilitação pela UNIFESP - EPM. Professora Coordenadora do Mestrado em Fisioterapia da Universidade Cidade de São
Paulo.
3
Médico Otorrinolaringologista, Doutor em Medicina pela UNIFESP - EPM, Professor Afiliado da Disciplina de Otoneurologia da UNIFESP - EPM. Professor do Curso de
Pós-graduação em Ciências da Reabilitação Neuromotora da UNIBAN.
Universidade Bandeirante de São Paulo/ Setor de Reabilitação Vestibular da Disciplina de Otoneurologia da UNIFESP - EPM.
Endereço para correspondência: Fernando F. Ganança - Rua dos Otonis 700 Vila Clementino 045025-002 São Paulo SP.
Tel/Fax: (0xx11) 5083-4654 - E-mail: otoneuro@unifesp.epm.br
Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBORL em 28 de setembro de 2005. Cod. 1463.
Artigo aceito em 15 de maio de 2006.
The Dynamic Gait Index (DGI) is a useful test to evaluate
balance and gait.
Aims: The objectives of this study were
to culturally adjust the DGI to the Portuguese language and
to assess its reliability.
Methods: The method proposed by
Guillemin et al. (1993) was used for a cultural adaptation
of this tool. A prospective study was performed with 46
patients that were assessed in the cultural adaptation phase.
The items that not understood by 20% or more patients
were reworded and reapplied. The final Portuguese version
of DGI was applied to 35 elderly in order to check intra
and interobserver reliability. The Spearman rank coefficient
was used to correlate intra and interobserver scores and the
Wilcoxon test was applied to compare these scores. Internal
consistency was analyzed by the Cronbach alpha coefficient.
Results: There were statistically significant correlations
among the scores for intra and interobserver assessments
for all items (p<0.001), which were classified as good and
very strong correlations (ranging from r=0.655 to r=0.951).
The DGI demonstrated high internal consistency in intra and
interobserver assessments (varying from
=0.820 to =0.894).
Conclusion: The DGI was culturally adjusted to Brazilian
Portuguese and proved to be a reliable tool.
Palavras-chave: equilíbrio, reabilitação avaliação,
reprodutibilidade, vertigem.
Keywords: equilibrium, rehabilitation outcome assessment,
reproducibility of results, dizziness.
ORIGINAL ARTICLE
ARTIGO ORIGINAL
Rev Bras Otorrinolaringol
2006;72(6):817-25.
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INTRODUÇÃO
O Brasil está passando por uma importante tran-
sição demográfica, com um aumento proporcional de
idosos na sua população. Essa transição demográfica está
sendo acompanhada por uma transição epidemiológica,
com uma mudança no perfil de morbi-mortalidade da
população. Atualmente, as principais causas de morte no
nosso país são por doenças crônicas. Portanto, a tendência
é haver um número crescente de idosos que, apesar de
viverem por mais tempo, irão se confrontar com déficits
de funcionalidade física, psíquica e social, aumentando a
demanda por cuidados
1-3
.
Os idosos, particularmente os mais velhos, frequen-
temente apresentam doenças coexistentes, na sua maioria
crônico-degenerativa que se não forem devidamente
tratadas, tendem a apresentar complicações e seqüelas,
podendo levar a um declínio na capacidade funcional
comprometendo a indepenncia e autonomia desta
população
4-6
.
Entre as queixas mais comuns da população idosa
estão as alterações do equilíbrio corporal, clinicamente
caracterizadas como vertigem e outras tonturas, desequilí-
brio, desvio de marcha, náuseas, instabilidade e queda. Os
distúrbios de equilíbrio compõem um dos fatores etiológi-
cos mais importantes de quedas e instabilidade em idosos,
sendo um dos marcadores de fragilidade e podendo levar
à incapacidade funcional e dependência
7-9
.
A prevenção e a reabilitação do declínio do equilí-
brio em idosos requerem o desenvolvimento de protocolos
de pesquisas clínicas adequadas para avaliar e mensurar o
equilíbrio, risco para quedas e a mobilidade nesta popu-
lação, assim como estabelecer programas de reabilitação.
Para identificar problemas de equilíbrio e de mobilidade,
existem vários instrumentos de avaliação funcional, onde
o observador deve escolher o tipo de abordagem mais
indicada à finalidade da investigação.
Tais instrumentos são muito utilizados na prática
clínica e em pesquisa científica, pois avaliam o desem-
penho do indivíduo em tarefas complexas, baseadas nas
atividades de vida diária básica e instrumentais, bem como
características do equilíbrio e da mobilidade
10,11
. A maioria
desses instrumentos foi criada em outro idioma. Portanto,
é um desafio para o profissional que investiga alterações
funcionais em idosos dispor de instrumentos adaptados à
nossa cultura, confiáveis, precisos e sensíveis para iden-
tificar e mensurar todos estes aspectos
12-14
.
Shumway-Cook et al.
15
desenvolveram um instru-
mento de avaliação funcional da mobilidade, o Dynamic
Gait Index (DGI), com o objetivo de avaliar e documentar a
capacidade do paciente de modificar a marcha em resposta
às mudanças nas demandas de determinadas tarefas, em
pacientes idosos com comprometimentos no equilíbrio. O
DGI é constituído de oito tarefas que envolvem a marcha
em diferentes contextos sensoriais, que incluem superfície
plana, mudanças na velocidade da marcha, movimentos
horizontais e verticais da cabeça, passar por cima e con-
tornar obstáculos, giro sobre seu próprio eixo corporal,
subir e descer escadas
15
(Quadro 1).
A versão original do DGI foi criada na língua ingle-
sa, e para que seja utilizada em nosso meio, é necessária
que seja feita a sua adaptação cultural e, em seguida, a
avaliação da confiabilidade desse instrumento.
Os objetivos do presente estudo foram adaptar
culturalmente o DGI para o português brasileiro e avaliar
a sua confiabilidade.
MÉTODO
Este trabalho foi realizado na linha de pesquisa em
reabilitação vestibular do Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Reabilitação Neuromotora da Universidade
Bandeirante de São Paulo, aprovado pelo comitê de ética
desta instituição, protocolo nº 016/2004.
Foram incluídos 71 pacientes idosos provenientes
dos Ambulatórios de Otoneurologia e de Geriatria da UNI-
FESP/EPM, com 65 anos ou mais e dos gêneros masculino
ou feminino, que se submeteram à aplicação do DGI. A
amostra submeteu-se à avaliação de cognição por meio do
Mini-Exame do Estado Mental
16
(MEEM). Todos pacientes
concordaram em participar da pesquisa e assinaram o
termo de consentimento livre e esclarecido.
Seguiu-se o método de Guillemin et al. (1993) para
a adaptação cultural do instrumento. O DGI foi traduzido
individualmente por três professores da língua inglesa,
fluentes e cientes dos objetivos do trabalho. A partir da
versão original em inglês foram geradas três traduções
iniciais para a língua portuguesa.
O comitê revisor foi constituído por duas fisiotera-
peutas e um médico, todos brasileiros e fluentes na língua
inglesa. Este comitê de especialistas produziu uma primeira
versão do instrumento no português brasileiro, a partir das
três traduções iniciais, comparando-as entre si, reduzindo
as diferenças, escolhendo as melhores palavras e expres-
sões para o contexto cultural da população brasileira, com
preservação dos conceitos originais do instrumento.
Esta primeira versão na língua portuguesa foi sub-
metida a duas novas versões em inglês - Back-Translation
- realizadas por outros dois tradutores bilíngües, indepen-
dentes, que não se conheciam, cuja língua materna é a
inglesa, sem conhecimento prévio da versão original em
inglês, bem como dos objetivos do estudo.
As duas versões em inglês foram submetidas à
apreciação do mesmo grupo revisor, que as comparam à
versão original em inglês para detecção de possíveis erros
de tradução. O comitê rediscutiu todos os itens da versão
inicial em português, as divergências foram analisadas
substituindo-se por palavras e expressões mais adequadas
para que a segunda versão em português fosse clara e
equivalente ao original em inglês.
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DYNAMIC GAIT INDEX
1. Gait level surface ____
Instructions: Walk at your normal speed from here to the next mark (20´)
Grading: Mark the lowest category which applies.
(3) Normal: Walks 20’, no assistive devices, good speed, no evidence for imbalance, normal gait pattern
(2) Mild impairment: Walks 20’, uses assistive devices, slower speed, mild gait deviations.
(1) Moderate impairment: Walks 20’, slow speed, abnormal gait pattern, evidence for imbalance.
(0) Severe impairment: Cannot walk 20’ without assistance, severe gait deviations, or imbalance.
2. Change in gait speed____
Instructions: Begin walking at your normal pace (for 5´), when I tell you “go”, walk as fast as you can (for 5´).When I tell You “slow”, walk as
slowly as you can (for 5´).
Grading: Mark the lowest category that applies.
(3) Normal: Able to smoothly change walking speed without loss of balance or gait deviation. Shows a significant difference in walking
speeds between normal, fast, and slow speeds.
(2) Mild impairment: Is able to change speed but demonstrates mild gait deviations, or no gait deviations but unable to achieve a significant
change in velocity, or uses an assistive device.
(1) Moderate impairment: Makes only minor adjustments to walking speed, or accomplishes a change in speed with significant gait de-
viations, or changes speed but loses significant gait deviations, or changes speed but loses balance but is able to recover and continue
walking.
(0) Severe impairment: Cannot change speeds, or loses balance and has to reach for wall or be caught.
3. Gait with horizontal head turns____
Instructions: Begin walking at your normal pace. When I tell you to “look right”, keep walking straight, but turn your head to the right. Keep
looking to the right until I tell you, “look left”, then keep walking straight and turn your head to the left. Keep your head to the left until I tell
you, “look straight,” then keep walking straight, but return your head to the center.
Grading: mark the lowest category which applies.
(3) Normal: Performs head turns smoothly with no change in gait
(2) Mild impairment: Performs head turns smoothly with slight change in gait velocity, i.e., minor disruption to smooth gait path or uses
walking aid.
(1) Moderate impairment: Performs head turns with moderate change in gait velocity, slows down, staggers but recovers, can continue to
walk.
(0) Severe impairment: Performs task with severe disruption of gait, i.e., staggers outside 15” path, loses balance, stops, reaches for wall.
4.Gait witch vertical head turns____
Instructions: Begin walking at your normal pace. When I tell you to “look up” keep walking straight, but tip your head and look up. Keep
looking up until I tell you,” look down”. Then keep walking straight and turn your head down. Keep looking down until I tell you “look strai-
ght” then keep walking straight, but return your head to the center
Grading: Mark the lowest category with applies.
(3)Normal: Performs head turns with no change in gait.
(2) Mild impairment: Performs task with slight change in gait velocity i.e, minor disruption to smooth gait path or uses walking aid.
(1) Moderate impairment: Performs task with moderate change in gait velocity, slows down, staggers but recovers, can continue to walk.
(0) Severe impairment: Performs task with severe disruption of gait, i.e., staggers outside 15” path, loses balance, stops, reaches for wall.
5. Gait and pivot turn____
Instructions: Begin walking at your normal pace. When I tell you, “turn and stop”, turn as quickly as you can to face the opposite direction
and stop.
Grading: Mark the lowest category that applies.
(3) Normal: Pivot turns safely within 3 seconds and stops quickly with no loss of balance.
(2) Mild impairment: Pivot turns safely in >3 seconds and stops with no loss of balance.
(1) Moderate impairment: Turns slowly, requires verbal cueing, requires several small steps to catch balance following turn and stop.
(0) Severe impairment: Cannot turn safely, requires assistance to turn and stop.
6. Step over obstacle____.
Instructions: Begin walking at your normal speed. When you come to the shoe box, step over it, not around it, and keep walking.
Grading: Mark the lowest category that applies.
(3) Normal: Is able to step over box without changing gait speed; no evidence for imbalance.
(2) Mild impairment: Is able to step over box, but must slow down and adjust steps to clear box safely.
(1) Moderate impairment: Is able to step over box but must stop, then stop over. May require verbal cuing.
(0) Severe impairment: Cannot perform without assistance.
Quadro 1. Versão original em inglês do DGI
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7. Step around obstacles____
Instructions: Begin walking at your normal speed. When you come to the first cone (about 6’away), walk around the right side of it. When
you come to the second cone (6’ past first cone), walk around it to the left.
Grading: Mark the lowest category that applies.
(3) Normal: Is able to walk around cones safely without changing gait speed; no evidence of imbalance.
(2) Mild impairment: Is able to step around both cones, but must slow down and adjust steps to clear cones.
(1) Moderate impairment: Is able to clear cones but must significantly slow, speed to accomplish task, or requires verbal cueing.
(0) Severe impairment: Unable to clear cones, walks into one or both cones, or requires physical assistance.
8. Steps____
Instructions: Walk up these stairs as you would at home (i.e., using the rail if necessary. At the top, turn around and walk down.
Grading: Mark the lowest category that applies.
(3) Normal: Alternating feet, no rail.
(2) Mild impairment: Alternating feet, must use rail.
(1) Moderate impairment: Two feet to a stair; must use rail.
(0) Severe impairment: Cannot do safely
Quadro 1. continuação.
A versão em português foi aplicada quantas vezes
necessárias até que todos os itens fossem bem compre-
endidos pelos pacientes para estabelecer a equivalência
cultural.
Para avaliar o nível de compreensão dos itens pelo
paciente, acrescentou-se ao instrumento um questionário.
Ao avaliador foi requisitado que, após a leitura das instru-
ções, classificasse o grau de compreensão dos pacientes
em 4 categorias: 1 “Compreende”; 2 “Necessita repetir o
comando ou parte dele”; 3 “Necessita demonstrar parte ou
toda a tarefa”; 4 “Não compreende”. Considerou-se “não
compreende” qualquer dúvida em relação à instrução ver-
bal dada e os dados foram anotados. O item considerado
não compreendido foi lido novamente, e se necessário,
as palavras e ou expressões foram esclarecidas, até que o
paciente compreendesse totalmente a instrução. Nos casos
em que, após explicar o item, o paciente permaneceu
com dúvidas, a tarefa foi demonstrada pelo pesquisador
e executada pelo paciente. As questões que apresentaram
dificuldade de compreensão para 20% dos pacientes ou
mais foram reformuladas.
Para testar a confiabilidade inter e intra-observa-
dores da versão final brasileira do DGI, o instrumento foi
aplicado três vezes em uma mesma amostra de pacientes
idosos. As duas primeiras avaliações foram aplicadas no
mesmo dia, por dois observadores (Obs 1 e Obs 2), para
a avaliação inter-observadores, com um intervalo de apro-
ximadamente 30 minutos entre a primeira e a segunda
aplicação do instrumento, sendo que a primeira avaliação
de cada paciente foi realizada alternando-se a ordem dos
pesquisadores.
A terceira avaliação foi realizada após 7 dias pelo
observador 1 (Obs 1 re-teste) para avaliação intra-obser-
vador após a investigação de mudanças no estado geral
do paciente e nos medicamentos neste período. Os pa-
cientes que apresentaram mudanças do estado geral ou
na utilização de medicamentos que pudessem alterar o
desempenho nas tarefas foram excluídos.
Para a adaptação cultural, o instrumento foi aplica-
do em 46 pacientes idosos e no estudo de confiabilidade
intra e inter-observadores foram avaliados 35 pacientes,
sendo que 10 destes indivíduos também participaram da
adaptação cultural.
Para aplicação da versão final do DGI foram ne-
cessários dois cones de borracha de 0,50 cm de altura e
1 caixa de sapatos com 40 cm de comprimento, 20 cm de
largura e 15 cm de altura.
Cada paciente foi avaliado por meio de escala
ordinal com 4 categorias e pontuado de acordo com o
seu desempenho em cada tarefa: 3 = Marcha normal, 2 =
comprometimento leve, 1 = comprometimento moderado
e 0 = comprometimento grave. A pontuação máxima é
de 24 pontos e um escore de 19 pontos ou menos prediz
risco para quedas
15,17
.
Para analisar a correlação das pontuações intra e
inter-observadores utilizou-se também o coeficiente de
correlação de Spearman. Para comparar os valores dos
escores inter e intra-observador foi utilizado o teste de
Wilcoxon para dados pareados ou relacionados.
Para medir a consistência interna da versão final
brasileira do DGI utilizou-se o coeficiente alfa de Cron-
bach. Valores acima de 0,70 indicam alta consistência do
instrumento. Utilizou-se o coeficiente de correlação de
Spearman para correlacionar cada um dos 8 itens com o
escore total do DGI, segundo os escores dados pelos Obs
1, Obs 2 e Obs 1 re-teste.
O nível de significância adotado para os testes
estatísticos foi de 5% (p<0,05).
Para toda a análise estatística utilizou-se o programa
computacional The SAS (Statistical Analysis System) for
Windows, versão 6.12.
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RESULTADOS
A versão original do DGI gerou três traduções deste
instrumento na língua portuguesa que contribuíram para
a formulação da versão brasileira inicial do DGI pelo
grupo revisor.
As traduções para o inglês (back-translation) da
versão inicial do DGI na língua portuguesa produziram 2
documentos que foram equivalentes à versão original do
DGI e a partir dessas versões gerou-se a segunda versão
do DGI na língua portuguesa.
Os itens 1, 2, 3, 4, 6 e 8 foram compreendidos por
mais de 80% da população avaliada; no entanto, as ins-
truções dos itens 3 e 4, foram reformuladas pelo comitê
revisor, por possuírem sentenças consideradas longas
com expressões e palavras repetitivas, optando-se por
eliminá-las, deixando o texto mais objetivo com sentenças
mais curtas. Os itens 5 e 7 apresentaram vários problemas
de interpretação; as dificuldades foram registradas e as
instruções foram discutidas e modificadas pelo comitê de
especialistas.
Após as modificações necessárias para melhorar a
compreensão das instruções dos itens, criou-se a terceira
versão que foi aplicada em outros 10 pacientes. Os itens
3 e 4 não apresentaram problemas de compreensão,
porém os itens 5 e 7 foram novamente considerados não
compreendidos por mais de 20% dos pacientes. O item 5
(marcha e giro sobre o próprio eixo corporal) apresentou
à terceira versão as instruções “Comece andando no seu
passo normal. Quando eu disser vire-se e pare, vire-se o
mais rápido que puder para direção oposta e pare” suscita-
ram várias dúvidas como “Qual direção devo parar? Devo
virar para a frente? Ou o paciente girava apenas o tronco,
sem mover os pés do chão ou então se virava completa-
mente para um dos lados e parava. A expressão “virar-se
para a direção oposta” não foi bem compreendida, e o
item teve que ser modificado, acrescentando-se palavras
que pudessem melhor explicar a expressão. A instrução
foi substituída por “Comece andando no seu passo nor-
mal, quando eu disser vire-se e pare, vire-se para trás em
direção ao seu ponto de partida e pare, o mais rápido
que puder”. Novamente, surgiram as mesmas dúvidas,
e, após analisar o item e as questões apresentadas pelos
pacientes, o comitê decidiu acrescentar ao texto expres-
sões e pistas verbais como a expressão “este ponto”, para
indicar a direção que se deveria virar o corpo e parar, com
o objetivo de deixar a instrução o mais clara possível. As
instruções foram substituídas por “Comece andando no
seu passo normal. Quando eu disser vire-se e pare, vire o
mais rápido que puder para direção oposta e permaneça
parado de frente para (este ponto), seu ponto de partida
(Quarta versão brasileira)”.
As instruções do Item 7 (Contornar obstáculos) “Co-
mece andando na sua velocidade normal. Quando chegar
no primeiro cone (cerca de 1,8 metros), contorne-o pela
direita. Quando chegar no segundo cone (cerca de 1,8m
depois do primeiro), contorne-o pela esquerda” apresen
-
taram vários problemas de interpretação, em que os pa-
cientes relataram dúvidas quanto à lateralidade, sendo que
a maioria errava o lado em que deveriam contorná-lo em
primeiro lugar. Para solucionar o problema, acrescentou-se
um novo comando à instrução, como “passe pelo meio
dos cones e continue andando”. A palavra “contornar”
deu margem a problemas de interpretação, sendo que os
pacientes andaram em círculo ao redor de cada cone ou
deram uma volta completa ao redor dos dois cones, sem
passar no meio deles.
O comitê revisor decidiu acrescentar ao item 7 a
expressão “contorne os cones” na primeira sentença, para
que o paciente entendesse o objetivo da tarefa no início
da leitura da instrução, evitando a dispersão e esqueci-
mento de dados importantes. Quanto ao erro de trocar os
lados do contorno dos cones, decidiu-se em não alterar
o texto, visto que este fato não altera o objetivo da tarefa
e nem interfere no desempenho do paciente. O item foi
modificado para “Comece andando na sua velocidade
normal e contorne os cones. Quando chegar no primeiro
cone (cerca de 1,80 m), contorne-o pela direita, passe pelo
meio deles, continue andando, e ao chegar no segundo
cone (cerca de 1,80 m depois do primeiro), contorne-o
pela esquerda”.
Uma quarta e última versão brasileira do DGI (Qua-
dro 2) foi criada pelo comitê revisor, que substitui algumas
palavras por outras com o mesmo sentido, e acrescentou
novas palavras e expressões para detalhar melhor os
comandos. A quarta versão foi aplicada em outros seis
idosos e, desta vez, os itens 5 e 7 foram compreendidos
por 100% dos pacientes, sendo considerada a versão final
do DGI em português.
Houve correlação estatisticamente significante
entre os escores inter-observadores para todos os itens e
também para o escore total do instrumento (p<0,001). Os
valores obtidos pela análise de correlação para os itens
individualmente variaram de r=0,655 a r=0,951, indicando
que a correlação entre as pontuações inter-observadores
foi de boa a muito forte. Obteve-se forte correlação inter-
observadores para o escore total do DGI (r=0,893).
Ao comparar as pontuações entre os observadores 1
e 2, houve diferença estatisticamente significante de pon-
tuação apenas para o item 6 (Z=-2,12; p=0,034), indicando
maiores escores para o Obs 2. Para os demais itens e para
o escore total do instrumento não houve diferença signi-
ficante inter-observador. Os valores obtidos para os itens
individualmente variaram de Z=-2,12; p=0,034 a Z=0,58;
p=0,564 e foi de Z=-0,62; p=0,535 para o total do DGI.
Houve correlação estatisticamente significante entre
os escores intra-observador para todos os itens e também
para o escore total do instrumento (p<0,001). Os valores
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DGI - QUARTA VERSÃO BRASILEIRA
1- Marcha em superfície plana___
Instruções: Ande em sua velocidade normal, daqui até a próxima marca (6 metros).
Classificação: Marque a menor categoria que se aplica
(3) Normal: Anda 6 metros, sem dispositivos de auxílio, em boa velocidade, sem evidência de desequilíbrio, marcha em padrão normal.
(2) Comprometimento leve: Anda 6 metros, velocidade lenta, marcha com mínimos desvios, ou utiliza dispositivos de auxílio à marcha.
(1) Comprometimento moderado: Anda 6 metros, velocidade lenta, marcha em padrão anormal, evidência de desequilíbrio.
(0) Comprometimento grave: Não conseguem andar 6 metros sem auxílio, grandes desvios da marcha ou desequilíbrio.
2. Mudança de velocidade da marcha____
Instruções: Comece andando no seu passo normal (1,5 metros), quando eu falar “rápido”, ande o mais rápido que você puder (1,5 me-
tros). Quando eu falar “devagar”, ande o mais devagar que você puder (1,5 metros). Classificação: Marque a menor categoria que se apli-
ca
(3) Normal: É capaz de alterar a velocidade da marcha sem perda de equilíbrio ou desvios. Mostra diferença significativa na marcha entre
as velocidades normal, rápido e devagar.
(2) Comprometimento leve: É capaz de mudar de velocidade mas apresenta discretos desvios da marcha, ou não tem desvios mas não
consegue mudar significativamente a velocidade da marcha, ou utiliza um dispositivo de auxílio à marcha.
(1) Comprometimento moderado: Só realiza pequenos ajustes na velocidade da marcha, ou consegue mudar a velocidade com importan-
tes desvios na marcha, ou muda de velocidade e perde o equilíbrio, mas consegue recuperá-lo e continuar andando.
(0) Comprometimento grave: Não consegue mudar de velocidade, ou perde o equilíbrio e procura apoio na parede, ou necessita ser am-
parado
3. Marcha com movimentos horizontais (rotação) da cabeça____
Instruções: Comece andando no seu passo normal. Quando eu disser “olhe para a direita”, vire a cabeça para o lado direito e continue
andando para frente até que eu diga “olhe para a esquerda”, então vire a cabeça para o lado esquerdo e continue andando. Quando eu
disser “olhe para frente”, continue andando e volte a olhar para frente. Classificação: Marque a menor categoria que se aplica
(3) Normal: Realiza as rotações da cabeça suavemente, sem alteração da marcha.
(2) Comprometimento leve: Realiza as rotações da cabeça suavemente, com leve alteração da velocidade da marcha, ou seja, com mínima
alteração da progressão da marcha, ou utiliza dispositivo de auxílio à marcha.
(1) Comprometimento moderado: Realiza as rotações da cabeça com moderada alteração da velocidade da marcha, diminui a velocidade,
ou cambaleia mas se recupera e consegue continuar a andar.
(0) Comprometimento grave: Realiza a tarefa com grave distúrbio da marcha, ou seja, cambaleando para fora do trajeto (cerca de 38cm),
perde o equilíbrio, pára, procura apoio na parede, ou precisa ser amparado.
4. Marcha com movimentos verticais (rotação) da cabeça ____
Instruções: Comece andando no seu passo normal. Quando eu disser “olhe para cima”, levante a cabeça e olhe para cima. Continue an-
dando para frente até que eu diga “olhe para baixo” então incline a cabeça para baixo e continue andando. Quando eu disser “olhe para
frente”, continue andando e volte a olhar para frente.
Classificação: Marque a menor categoria que se aplica
(3) Normal: Realiza as rotações da cabeça sem alteração da marcha.
(2) Comprometimento leve: Realiza a tarefa com leve alteração da velocidade da marcha, ou seja, com mínima alteração da progressão da
marcha, ou utiliza dispositivo de auxílio à marcha.
(1) Comprometimento moderado: Realiza a tarefa com moderada alteração da velocidade da marcha, diminui a velocidade, ou cambaleia
mas se recupera e consegue continuar a andar.
(0) Comprometimento grave: Realiza a tarefa com grave distúrbio da marcha, ou seja, cambaleando para fora do trajeto (cerca de 38cm),
perde o equilíbrio, pára, procura apoio na parede, ou precisa ser amparado.
5. Marcha e giro sobre o próprio eixo corporal (pivô)____
Instruções: Comece andando no seu passo normal. Quando eu disser “vire-se e pare”, vire-se o mais rápido que puder para a direção
oposta e permaneça parado de frente para (este ponto) seu ponto de partida”.
Classificação: Marque a menor categoria que se aplica
(3) Normal: Gira o corpo com segurança em até 3 segundos e pára rapidamente sem perder o equilíbrio.
(2) Comprometimento leve: Gira o corpo com segurança em um tempo maior que 3 segundos e pára sem perder o equilíbrio.
(1) Comprometimento moderado: Gira lentamente, precisa dar vários passos pequenos até recuperar o equilíbrio após girar o corpo e
parar, ou precisa de dicas verbais.
(0) Comprometimento grave: Não consegue girar o corpo com segurança, perde o equilíbrio, precisa de ajuda para virar-se e parar.
6. Passar por cima de obstáculo____
Instruções: Comece andando em sua velocidade normal. Quando chegar à caixa de sapatos, passe por cima dela, não a contorne, e conti-
nue andando. Classificação: Marque a menor pontuação que se aplica
(3) Normal: É capaz de passar por cima da caixa sem alterar a velocidade da marcha, não há evidência de desequilíbrio.
(2) Comprometimento leve: É capaz de passar por cima da caixa, mas precisa diminuir a velocidade da marcha e ajustar os passos para
Quadro 2. Versão Brasileira final do DGI
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conseguir ultrapassar a caixa com segurança.
(1) Comprometimento moderado: É capaz de passar por cima da caixa, mas precisa parar e depois transpor o obstáculo. Pode precisar de
dicas verbais.
(0) Comprometimento grave: Não consegue realizar a tarefa sem ajuda.
7. Contornar obstáculos___
Instruções: Comece andando na sua velocidade normal e contorne os cones. Quando chegar no primeiro cone (cerca de 1,8 metros),
contorne-o pela direita, continue andando e passe pelo meio deles, ao chegar no segundo cone (cerca de 1.8 m depois do primeiro),
contorne-o pela esquerda.
Classificação: Marque a menor categoria que se aplica
(3) Normal: É capaz de contornar os cones com segurança, sem alteração da velocidade da marcha. Não há evidência de desequilíbrio.
(2) Comprometimento leve: É capaz de contornar ambos os cones, mas precisa diminuir o ritmo da marcha e ajustar os passos para não
bater nos cones.
(1) Comprometimento moderado: É capaz de contornar os cones sem bater neles, mas precisa diminuir significativamente a velocidade da
marcha para realizar a tarefa, ou precisa de dicas verbais.
(0) Comprometimento grave: É incapaz de contornar os cones; bate em um deles ou em ambos, ou precisa ser amparado.
8. Subir e descer degraus____
Instruções: Suba estas escadas como você faria em sua casa (ou seja, usando o corrimão, se necessário). Quando chegar ao topo, vire-se
e desça.
Classificação: Marque a menor categoria que se aplica
(3) Normal: Alterna os pés, não usa o corrimão.
(2) Comprometimento leve: Alterna os pés, mas precisa usar o corrimão.
(1) Comprometimento moderado: Coloca os dois pés em cada degrau; precisa usar o corrimão.
(0) Comprometimento grave: Não consegue realizar a tarefa com segurança.
Quadro 2. continuação
obtidos pela análise de correlação para os itens indivi-
dualmente variaram de r=0,646 a r=0,930, indicando que
a correlação intra-observador foi de boa a muito forte.
Obteve-se correlação muito forte intra-observador para o
escore total do DGI (r=0,919).
Ao comparar as pontuações intra-observador, houve
diferença estatisticamente significante de pontuação entre
o teste e re-teste (Obs1) para os itens 3 e 6 e para o total
do DGI com valores Z=-2,33; p=0,020, Z=-2,2,24; p=0,025 e
Z=-2,06; p=0,040, respectivamente. Estes valores revelaram
maiores escores no re-teste. Para os demais itens do instru-
mento não houve diferença significante intra-observador.
Os valores obtidos para os itens individualmente variaram
de Z=-2,33; p=0,020 a Z=0,58; p=0,564.
Houve alta consistência interna do instrumento DGI
na versão final na língua portuguesa brasileira, para os
Obs 1, Obs 2 e Obs 1 re-teste com os valores a =0,847;
a=0,820 e a=0,894, respectivamente. O item 5 foi o de
menor correlação com o DGI total.
Notou-se que houve correlação significativa para
todos os itens (p=0,0001), exceto o item 5, com fraca cor-
relação para os valores do Obs 1 (r=0,312; p=0,672) e Obs
2 (r=0,435; p=0,008). A correlação dos demais itens com
o escore total variou para o Obs1 de boa a forte (r=0,649
a r=0,859), para o Obs 2 a correlação foi de moderada a
forte (r=0,506 a r=0,841) e para o Obs 1 re-teste a corre-
lação foi de boa a forte (r=0,637 a r=0,836).
A média de idade dos pacientes avaliados foi de
75,54 ± 6,99 anos, com variação entre 65 a 91 anos, com a
maior parte dos pacientes na faixa etária entre 70 a 74 anos
(28,1%). À avaliação cognitiva, a maioria pontuou acima
da nota de corte (24 pontos) no Mini-Exame do Estado
Mental (85,9%), com o escore médio de 26,31 ± 2,73.
DISCUSSÃO
Na fase de equivalência cultural, os itens 5 e 7
apresentaram vários problemas de compreensão nas suas
instruções.
Instrões do item 5 “comece andando no seu passo
normal, quando eu disser vire-se e pare, vire-se o mais rá-
pido que puder para a direção oposta e pare” geraram nos
pacientes as duas dúvidas mais freqüentes, com relação às
expressões “vire-se” e “direção oposta”. Muitos pacientes
giravam o corpo para um dos lados, ou viravam apenas o
tronco para direção oposta, sem mover os pés. Todos os
sujeitos que apresentaram dificuldade de compreensão do
item o entenderam após repetir o comando ou em último
caso quando houve demonstração da tarefa. O item foi
bem compreendido após ter sido modificado indicando-se
manualmente o ponto que deveriam virar-se.
O item 7 despertou problemas de interpretação e
compreensão das instruções. O objetivo principal da tarefa
é contornar obstáculos compostos por dois cones, com
distância de aproximadamente 1,80m de um para o outro.
Vários pacientes apresentaram dificuldades em reconhe-
cer o lado correto para contornar o cone; outra dúvida
freqüente foi com relação à palavra contornar, que para
alguns foi interpretada como dar uma volta completa ao
redor do cone. Para que as instruções ficassem mais claras
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e compreensíveis, acrescentou-se ao texto a expressão
“passe pelo meio deles” e “contorne estes cones”, para
fornecer mais detalhes sobre a tarefa.
Reconheceu-se que é difícil para o paciente enten-
der e assimilar todas as informações a serem seguidas, de
tarefas mais complexas, somente lendo o texto uma vez.
Fornecer pistas verbais ou corporais seria interessante, pois
melhoraria a compreensão e facilitaria a interpretação das
instruções. Tal fato foi observado quando o item foi repe-
tido dando-se pistas ou quando a tarefa foi demonstrada,
em que as instruções foram executadas corretamente.
Por parte dos avaliadores também surgiram dúvi-
das, em relação à pontuação entre um escore ou outro,
devido aos itens 5 e 6 apresentarem entre suas categorias
semelhanças nas descrições de desempenho ou porque
não havia descrição da habilidade apresentada durante a
execução da tarefa.
No item 5, muitos pacientes ao girarem o corpo
rapidamente em até 3 segundos apresentaram instabilidade
após a parada. No entanto, não havia opção de graduação
para este resultado. Caso o observador não fique atento, ou
não leve em consideração a instabilidade apresentada pelo
paciente e atenha-se apenas ao tempo, pode superestimar
o escore, e comprometer o resultado final.
No item 6, muitos dos pacientes apresentaram
instabilidade postural após ultrapassarem a caixa, mas se
recuperaram e continuaram a andar. Outra alteração apre-
sentada por alguns pacientes foi de esbarrar ou tropeçar na
caixa com o sem desequilíbrio, mas todos se recuperaram
e continuaram a andar. No entanto, não nenhum escore
com essas alterações descritas. Desta forma, aconselha-se
que na utilização do DGI o especialista esteja familiarizado
ao instrumento e que todas as possibilidades de avaliação
estejam previstas e padronizadas.
Os critérios metodológicos utilizados no presente
trabalho foram rigorosamente seguidos. Durante o pro-
cesso de tradução, foi possível observar que a utilização
de critérios bem estabelecidos facilita a tradução e ade-
quação do instrumento à língua portuguesa. Do mesmo
modo, a sua equivalência conceitual pode ser obtida por
meio de um consenso com o auxílio de especialistas e
também dos pacientes, registrando suas dificuldades e
opiniões. A participação de pacientes nesse processo, por
sua vez, aumentou a probabilidade de sua adequação à
população alvo.
A ausência de um método adequado para o pro-
cesso de tradução e adaptação cultural pode introduzir
uma série de tendenciosidades e problemas. Cabe aos
pesquisadores relatar todas as etapas de tradução, detalhar
os resultados da aplicação do teste nos pacientes, assim
como os detalhes da adaptação cultural e, principalmente,
se preocupar com as propriedades psicométricas, como a
confiabilidade intra e inter-observadores e a consistência
interna do instrumento
12,14
.
Comparando os valores dos escores inter-observa
-
dores notou-se que houve diferença significativa entre eles
para o item 6, com maiores escores para o Obs 2. Estas
diferenças podem ter ocorrido devido aos critérios para
pontuação de um escore ou outro, no caso do desempenho
do paciente não se caracterizar em nenhuma das opções,
ou opções com descrições muito semelhantes, gerando
dúvida na hora da pontuação. Os critérios de avaliação
do Obs 1 neste caso foram mais rigorosos. O ideal é que
estas opções de avaliação tivessem sido aventadas e pa-
dronizadas previamente à aplicação do estudo.
Obteve-se confiabilidade intra e inter-observadores
diferentes dos obtidos por Shumway-Cook et al.
11
(0,96
e 0,98), Wrisley et al.
18
(0,95), McConvey et al.
19
(0,93 e
0,98), respectivamente. A pontuação realizada por esses
autores ao mesmo tempo em um mesmo paciente, além
de eliminar a variabilidade de desempenho detectados
em diferentes momentos de avaliações no mesmo sujeito,
pode explicar os valores maiores de confiabilidade encon-
trados nos seus estudos. Deve-se levar em consideração
que as tarefas do DGI medem habilidades em diferentes
contextos com características dinâmicas e o desempenho
de cada paciente pode variar a cada avaliação. Os itens 3,
4 e 5 possuem tarefas mais complexas, sendo considera-
das mais difíceis para executar, em que o paciente deve
fazer rotações da cabeça enquanto anda e andar e girar
o corpo rapidamente, podendo apresentar variações de
desempenho em testes subseqüentes.
Outros pontos relevantes na pontuação são a au-
sência de instruções operacionais para aplicação do ins-
trumento e de pontuação dos escores, ausência de padro-
nização das medidas dos materiais e ambiente utilizados.
Um bom exemplo é o tamanho da caixa de sapato; quanto
maior a caixa, maior a dificuldade para execução da tarefa.
Outros exemplos são as variações no tamanho da sala, na
iluminação e ruídos do ambiente, nas características do
assoalho e quantidades de degraus da escada.
O DGI tem um formato simples, com definições
para pontuação de acordo com o desempenho em cada
tarefa. No entanto, não foram publicadas instruções adi-
cionais contendo critérios para sua administração, ou nor-
mas para tomada de decisão para pontuação. Os escores
possuem descrições de desempenho, que na maioria dos
itens são compostas por adjetivos. Na nossa opinião, estas
definições se tornam subjetivas quando surgem dúvidas
durante a pontuação. A confiabilidade e a acurácia do
instrumento poderiam aumentar se os itens apresentassem
mensurações quantitativas, além de instruções para admi-
nistração e critérios melhores definidos para graduação
de cada item. Sugerimos, como um próximo passo desta
pesquisa, uma reformulação das opções de resposta e
padronização da sua aplicação.
Verificou-se alta consistência interna para o ins-
trumento. O item 5 foi o de menor consistência interna
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e menor correlação com o total, porém não demonstrou
viés significativo, mantendo a estabilidade do instrumento
Relacionando os resultados da consistência interna aos
dados observados no atual estudo, a maioria dos pacientes
obteve pontuação alta no Item 5 tanto para os Obs 1 e
Obs 2 e como no re-teste. Os dados mostraram um efeito
teto para este item. A tarefa consiste em girar o corpo em
até três segundos e uma limitação foi não ter contado o
tempo com cronômetro ou relógio, e isso pode ter leva-
do a erros de pontuação; outra observação importante
mencionada nesta discussão foi a ausência da opção de
graduação para os pacientes que viraram o corpo em até
três segundos com evidência de desequilíbrio.
Na literatura internacional publicações do DGI
envolvendo o estudo de confiabilidade, porém sem os
critérios metodológicos do presente estudo
11,18,19
. Sabe-
se que um instrumento de medida é muito útil quando
ele possui confiabilidade e acurácia bem estabelecidos,
sendo que uma boa consistência interna é um indicador
de confiabilidade da medida. A confiabilidade inter e
intra-observador e a consistência interna são proprieda-
des de suma importância em avaliações que mensuram
habilidades, principalmente os instrumentos que contém
vários itens, que são clinicamente resumidos por meio da
composição dos escores
20
.
Com relação às características da amostra, optou-se
por incluir idosos com idade de 65 anos ou mais prove-
nientes de ambulatórios de Otoneurologia ou de Geriatria,
pelo fato que a versão original do instrumento foi criada
para avaliar idosos com problemas de equilíbrio.
Na nossa opinião, os idosos incluídos neste trabalho
foram na sua maioria independentes funcionalmente, to-
mavam suas próprias decisões, deambulavam e utilizavam
transportes públicos para comparecer às consultas mar-
cadas, sem evidências de prejuízo cognitivo. Os escores
baixos apresentados no MEEM por alguns pacientes podem
ser explicados pela baixa escolaridade destes pacientes. No
presente estudo, o resultados obtidos no MEEM (média de
26,31) não diferiram de estudos conduzidos para idosos
com baixa escolaridade
21-23
.
A adaptação cultural e a avaliação da confiabilidade
do DGI realizadas no atual estudo poderão contribuir para
a comunidade científica brasileira, tanto para sua utilização
na prática clínica quanto para futuras pesquisas relaciona-
das ao estudo do equilíbrio corporal e mobilidade.
CONCLUSÃO
O DGI foi adaptado culturalmente para o português
brasileiro, mostrando-se um instrumento confiável.
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quiatr 1999;11:7.
... Antes de iniciar as avaliações todos os voluntários assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Posteriormente, os pacientes foram submetidos a uma entrevista individual para coleta de dados pessoais, como nome completo, data de nascimento, profissão, escolaridade, religião, entre outros e foi realizada avaliação utilizando-se as escalas Dynamic Gait Index (DGI) [14], Inventário de Depressão de Beck (BDI) [15], Escala de Depressão Geriátrica (EDG) [16] e CRE breve (CREb) [17] que estão descritas abaixo. ; baixa (1,51 a 2,5); média (2,51 a 3,5); alta (3,51 a 4,5); altíssima (4,51 s 5,0), e quanto maior seu valor, maior é a utilização do CREp. ...
... A pontuação total é obtida pela soma dos resultados de cada item, sendo a pontuação máxima de 24 pontos. Um escore de 19 pontos ou menos prediz risco para quedas em idosos [14]. ...
Article
Full-text available
Introdução: A relação entre a espiritualidade/religiosidade e as doenças está cada vez mais em evidência, dessa forma a prática da religião em hospitais tem sido associada a um menor risco de depressão, o que pode favorecer um melhor enfrentamento das dificuldades da doença através do coping religioso e/ou espiritual (CRE). Objetivo: Correlacionar o coping religioso e/ou espiritual com a capacidade funcional e a depressão de hemiparéticos e parkinsonianos submetidos a fisioterapia em grupo no formato de circuito de treinamento. Métodos: Foram analisados 28 indivíduos, participantes de um programa de circuito de treinamento T. Para a avaliação foram utilizadas as escalas Dynamic Gait Index, Inventário de Depressão de Beck, Escala de Depressão Geriátrica e CRE breve (CREb). Resultados: O score médio atingido na Inventário de Depressão de Beck e Escala de Depressão Geriátrica apontou uma depressão leve no grupo hemiparético, já no grupo de Parkinson não apresentou índices de depressão. O Dynamic Gait Index acusou risco de queda no grupo hemiparético, obtendo uma diferença significativa quando comparado ao grupo de Parkinson (p<0,05). Ambos os grupos tiveram índice CRE positivo moderado. Conclusão: Pode-se afirmar que as doenças incapacitantes apresentam maior relação com a espiritualidade/religiosidade que as doenças neurológicas progressivas em atendimento de circuito de treinamento.Palavras-chave: espiritualidade, depressão, doença de Parkinson, paresia, exercícios em circuitos.
... The mDGI assesses the individual's ability to change gait in response to changes in the demands of 8 tasks, and the scoring system assesses 3 correlated aspects of the performance of this activity: gait pattern, assistance level, and time. The total score ranges from 0 (severe gait impairment) to 64 (no gait impairment) (De Castro et al., 2006). ...
Article
Background: Postural instability with an excessive body sway is a disabling manifestation in spinocerebellar ataxia type 3. Whether the larger body sway reflects distinct movement strategies for postural control remains uncertain. This study compared the control of postural stability of people with spinocerebellar ataxia type 3 with healthy subjects using body sway and movement strategy analyses derived from bi- and three-dimensional posturography. Methods: Twenty-three patients (7 men, 16 women, 47 ± 11 years) and 102 healthy participants (34 men, 68 women; 44 ± 22 years) underwent posturography while standing with eyes open/closed tasks. Postural stability was assessed using elliptical area and average velocity of body sway. Spatial patterns (single-, double-, or multi-centered) were derived from the number of high-density regions in the three-dimensional statokinesigram. Findings: Repeated measures two-way analysis-of-variance showed a vision-by-group interaction effect for area (F1,122 = 28.831, P < 0.001, η2 = 0.037) and velocity (F1,123 = 59.367, P < 0.001, η2 = 0.073); sway area and velocity were higher in spinocerebellar ataxia type 3 and increased under eyes-closed condition, with a higher increase in the spinocerebellar ataxia type 3. A main effect for group (F1,123 = 11.702, P < 0.001, η2 = 0.061) but not vision (F1,123 = 2.257, P = 0.136, η2 = 0.005) was found for the number of high-density regions. Spatial patterns were different between groups under trials with eyes closed (χ22,125 = 7.46, P = 0.023) but not open (χ22,125 = 2.026, P = 0.363), with a shift from single- to double- or multi-centered spatial patterns. Interpretation: Compared to healthy subjects, a larger body displacement and velocity in spinocerebellar ataxia type 3, mainly under visual constraints, are not related to the predominance of either ankle or hip movement strategies.
... Among the most widely used clinical tests to assess body balance in older adults are the Berg Balance Scale (BSE), 32 the Performance Oriented Mobility Assessment (POMA) Tinetti Balance Test, 33 the Dynamic Gait Index (DGI), 34 Sensory Interaction and Balance (CTSIB), 35 and Timed Up and Go (TUG), 36 applied in the gait pattern evaluation (auxiliary data to estimate the risk of falling). Each test is able to evaluate distinct facets of body balance, which implies that joint application of two or more tests is necessary. ...
Article
Full-text available
OBJECTIVE: To evaluate the performance of sensory regulation of static and dynamic balance in older women, and to verify the sensitivity and specificity levels of the Body Balance Test (Teste de Equilíbrio Corporal, TEC) in relation to its reference standard, determining the best cutoff point for identifying risk of falling. METHODS: 74 women (age 67.59 ± 5.26 years) participated in the study, divided into fallers (n = 18) and non-fallers (n = 56). RESULTS: Comparatively, non-fallers had higher performance scores on static balance exteroceptive regulation (SBER), dynamic balance exteroceptive regulation (DBER), and dynamic balance interoceptive regulation (DBIR). Statistically significant differences were found in DBER (p = ≤0.001) and DBIR (p = 0.031). The area under the ROC curve was 0.73 (95%CI 0.58-0.88; p = 0.003), with a sensitivity level of 42.30% and specificity of 84.80%. CONCLUSIONS: The greatest chance of falling was found for dynamic balance in situations of exteroceptive and interoceptive regulation for older women with and without a history of falls. Deficits in sensory regulation of body balance are common in older women, both fallers and non-fallers.
... All patients were tested for fasting blood glucose and responded to different balance assessment instruments, commonly used to assess various aspects of balance in diabetics 7 , namely: Falls Efficacy Scale -International (FES-I) 16 , Gait evaluation and Tinetti's performance-oriented mobility assessment (POMA) 17 , Berg balance scale (BBS) 18 , Dynamic Gait index (DGI) 19 , as detailed in Box 1. ...
Article
Full-text available
Test sensitiveness and specificity were assessed by a transversal study of 120 people with diabetes 2, to diagnose alterations on body equilibrium, with or without a history of falls. Berg Balance Scale, Tinetti Balance and Gait Evaluation, Dynamics Gait Index and Falls Efficacy Scale-International were employed. The Falls Efficacy Scale-International had the largest area below the curve when analyzed alone for the alteration of body balance. When analyzed together with the other tests, Tinetti ś tool had the greatest area under the curve. Results were similar with regard to sensitiveness: Berg Balance Scale had the lowest specificity for the sample, followed by Dynamics Gait Index. Thus, when the instruments were individually analyzed, they were similarly sensitive. However, when analyzed simultanously, Tinetti ś scale was more discriminating, in spite of lack of significant difference among the tools. It may be suggested that, in the case of people with diabetes, the best cutoff points seemed to be distinct from those in the literature.
... The instruments used for body balance, gait, mobility, lower limb strength and functionality were respectively Berg Balance Scale (BBS) [5], Timed Up and Go (TUG) test [6], Dynamic Gait Index (DGI) [7] and sitting and standing [8,9] Test. ...
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Resumo Introdução: Estima-se que a população idosa está associada a distúrbios do equilíbrio, limitação nas atividades e isolamento social. Objetivo: Avaliar o equilíbrio corporal de idosos longevos. Método: Estudo transversal, analítico, em idosos com idade igual ou superior a 80 anos, dos sexos masculino e feminino, avaliados clinicamente e através dos testes: Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), Dynamic Gait Index (DGI), teste Timed Up and Go (TUG) e Teste de Sentar-Levantar. Análises descritivas simples e os testes de Mann-Whitney and Kruskal-Wallis, pós teste de Dunn e coeficiente de alpha de Spearman < 0,05. Resultados: Houve associação significante entre BBS e as variáveis: medo de cair (p = 0,029), uso de dispositivo de auxílio à marcha (p = 0,001), atividade física (p < 0,001), episódio de AVC (p = 0,007), doenças musculoesqueléticas (p = 0,027) e dor (p = 0,045). Houve correlação significativa entre EEB e as variáveis, como idade (ρ = - 0,316, p < 0,001), número de doenças (ρ = -0,26663, p = 0,0062), número de quedas (ρ = -0,214, p = 0,0279), DGI (ρ = 0,713, p < 0,0001), Teste de Sentar-Levantar (ρ = -0,418, p < 0,001) e TUG (ρ = -0,658, p < 0,001). Conclusão: O equilíbrio corporal em idosos fica mais comprometido com a idade, maior número de doenças, mais quedas, pior desempenho da marcha, diminuição na força de membros inferiores e mobilidade, presença de AVC e as doenças do sistema musculoesquelético, queixa de dor, uso de dispositivo de auxílio à marcha, medo de cair e não realização de atividade física.
... O instrumento Dynamic Gait Index (DGI) 25 No primeiro modelo ajustado construído apenas para marcha sob tarefa simples (TUGs), o MEEM, a FV-Categoria e a FV-Troca previram significativamente o déficit da velocidade (p<0,001). Os resultados explicaram a variância em 36,4%, 25,7% e 23,7%, respectivamente. ...
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Objetivos: examinar as funções executiva (FE) de idosas fisicamente ativas, determinando sua influência sobre o desempenho em testes de marcha e equilíbrio corporal. Material e Métodos: Trata-se de um estudo observacional exploratório com delineamento transversal. Participaram 74 indivíduos do sexo feminino (66,80±6,73 anos), praticantes regulares de exercícios físicos. Os instrumentos utilizados foram um questionário para incidência de comorbidades, o Miniexame do Estado Mental de Saúde (MEEM), Teste de Fluência Verbal (FV), teste Time Up and Go, versão simples (TUGs), versão motora (TUGm) e versão cognitiva (TUGc), Dynamic Gait Index (DGI) e o Teste de Equilíbrio Corporal (TEC). Resultados: A análise dos dados demonstrou influência das FE sobre o processamento neural, necessário aos ajustes do controle da marcha e do equilíbrio corporal. Da mesma forma, que o déficit nas FE aumenta a probabilidade de queda de mulheres idosas praticantes regulares de exercícios físicos, especialmente, aquelas com baixa escolaridade e em idade superior a 75 anos. A análise de regressão linear múltipla explicou a probabilidade de queda causada pela interferência do déficit cognitivo sobre os testes TUGs (R2=0,497, p
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Background Low-back pain is one of the most common health conditions worldwide. It is defined as pain below the costal margin and above the inferior gluteal folds. Current guidelines recommend management of chronic health (e.g., low back pain) conditions in older people at primary health care settings using active strategies (e.g., exercise). In non-specific low back pain, high quality evidence supports active strategies for general population. However, the management of non-specific low back pain in the older people has been overlooked and evidence is limited to a small number of low powered randomized controlled trials with high risk of bias. Methods This is a prospectively registered, open, two-arm randomised controlled trial comparing the group-based exercise and waiting list in pain intensity (11-item Pain Numerical Rating Scale) and disability (Roland Morris questionnaire) of older people (i.e., 60 years old or over) with chronic non-specific low back pain. One hundred and twenty patients will be recruited from Diamantina, Brazil. Follow-ups will be conducted in post-treatment (8 week) and 6- and 12-months post-randomisation. Discussion Our hypothesis is that group-based exercise will be better than waiting list in reducing pain intensity and disability in older people with chronic non-specific low back pain. Impact The practice of individualized exercise has been studied for the management of chronic non-specific low back pain in older people. However, the group exercise, even showing high quality evidence for the improvement of several important outcomes in this population, has been ignored until now. Thus, the results of this study have the potential to indicate a viable and accessible strategy for managing chronic non-specific low back pain in the older people. Trial registration The study was prospectively registered at www.ensaiosclinicos.gov.br (RBR-9j5pqs). Date-11/18/2020.
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Objective: To evaluate the performance of elderly women who regularly practice the Pilates method in gait and body balance tests, as well as the perception of fear of falling and confidence in balance, in addition to estimating the risk of falling of the assessed population. Methodology: This is a descriptive observational cross-sectional study, developed with 254 women (67.35 ± 5.20 years), regular Pilates practitioners, with and without a history of falls. Mental Health Status Examination (MMSE), Falls Efficacy Scale (FES), Balance Confidence Scale (ABC), Body Balance Test (TEC), Dynamic Gait Index (DGI), Time Up and Go (TUG), including its motor (TUGm) and cognitive (TUGc) versions. Results: Sexagenarians and septuagenarians showed satisfactory performance in gait assessment in the simple condition (p<0.01) and TUGc (p<0.01) and functional DGI tasks (p<0.01). The TEC classified the performance of the sexagenarian balance as good (p<0.01) and weak for the septuagenarians, between 75-70 years (p<0.01). There was no fear of falling in the evaluated population (p≥0.05). Elderly ≥75 years indicated greater confidence in the balance (p≥0.05), suggesting less attentive behavior for the risks of falling. The model of multiple linear regression analysis was significant [F (1,71)= 5,358; p= 0.024; R2= 0.449], the variables Labyrinthitis and Confidence in Balance were shown to predict the risk of falling by 86% and 55%, respectively. Conclusion: The regular practice of Pilates has been shown to be effective in preventing the risk of falling of sexagenarian and septuagenarian women.
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Objetivo. Comparar os aspectos clínicos e funcionais dos pacientes com Doença de Parkinson (DP) com e sem camptocormia e Síndro­me de Pisa. Método. Trata-se de estudo transversal constituído de 16 pacientes com DP, Hoehn & Yahr entre 1 e 4, os quais foram divididos em grupo com alterações posturais (GAP) e grupo controle (GC). Foram avaliadas as variáveis epidemiológicas e clínicas por meio de Questionário, parte III da Unified Parkinson’s Disease Rating Sca­le (UPDRS-III), Escala de Schwab & England e Dynamic Gait Index (DGI). Resultados. O tempo de diagnóstico da DP foi menor no GC em comparação ao GAP (GAP 13,75±3 anos; GC: 5,67±2 anos; p=0,0001). GAP obteve maior pontuação no item postura (p=0,029) e bradicinesia (p=0,050) da UPDRS e no item “Marcha em Superfície Plana” do DGI (p=0,028), além de maior incidência de queda. Não houve diferença na pontuação da Escala de Schwab & England entre os grupos. Ambos os grupos apresentaram pontuação média no DGI inferior a 19 (GAP= 15,00±6; GC= 19,33±2) indicando maior risco de queda. Conclusão. GAP apresenta maior prejuízo motor e his­tórico de queda, porém são funcionalmente independentes ou semi­-independentes. Todos os pacientes com DP mostraram instabilidade postural dinâmica e maior risco de quedas.
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Background: Pain is a common symptom in Parkinson's disease (PD). Objectives: to analyze the relationship between pain and motor dysfunction in PD individuals. Methods: 54 PD individuals were screened [Hoehn & Yahr=2.5(1-4); [median(min-max)], 66(44-85) years of age in the ON period of the anti-Parkinson medication. Pain (King's Parkinson's disease pain scale-KPPS and Brief Pain Inventory-BPI); performance in routine activities and motor function (Unified Parkinson Disease Rating Scale UPDRS II and III); gait (Dynamic gait index), and balance (Mini-BESTest) were accessed. Results: 38 participants (70.3%) reported mild to moderate pain. It was found a positive correlation between the total KPPS score and performance in general activities (UPDRS II) (rho=0.29, p=0.04); a negative correlation between pain intensity (BPI intensity) and motor function (UPDRS III; rho=-0.28, p=0.04), and a negative correlation between pain intensity (BPI intensity) and bradykinesia subscore of the UPDRS III (rho=-0.29, p=0.04). There was no correlation between pain and gait performance or balance. The musculoskeletal pain was the predominant type (81.5%), followed by nocturnal pain (52.6%) and fluctuation-related pain (47.3%). The most painful areas were lower limbs (33.0%) and shoulders/cervical (31.0%). Twenty-one (55.3%) out of 38 participants reported pain interference in their working, walking ability and general activities. Conclusions: Pain was weakly correlated with the performance in general activities and with bradykinesia but was not correlated with the remaining classic motor PD symptoms neither with gait or balance performance. Pain was a prevalent symptom in the present sample and the individuals reported its interference on functionality. This article is protected by copyright. All rights reserved.
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Dizziness is frequent in elderly people. To evaluate the Quality of Life (QoL) in elderly subjects with dizziness, relate it with gender and age. A prospective study comprising 120 elderly patients with dizziness evaluated with Brazilian versions of the Whoqol-bref and the dizziness handicap inventory (DHI). The factor analysis (FA), the Mann Whitney and Kruskal Wallis tests, and the Spearman correlation were applied to study the results. The most compromised domains were the DHI physical domain and the Whoqol-bref physical and environment domains. FA resulted in 3 factors in the DHI and 5 factors in the Whoqol-bref. There was a moderate correlation (-0.596) in the total scores of both instruments. Males had a better QoL in the "environment perception and introspectivity" and "health perception" factors of the Whoqol-bref test. Females had a better QoL in the "functionality perception" factor of the Whoqol-bref test. There were no significant age differences. Elderly patients with dizziness have a worse QoL. Elderly females with dizziness have worse QoL scores in "environment perception and introspectivity" and "health perception" and better QoL in the "functionality perception" factor compared to elderly males.
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Com o envelhecimento populacional, temos um aumento da prevalência de doenças crônicas e incapacitantes e uma mudança de paradigma na saúde pública. As doenças diagnosticadas num indivíduo idoso geralmente não admitem cura e, se não forem devidamente tratadas e acompanhadas ao longo dos anos, tendem a apresentar complicações e seqüelas que comprometem a independência e a autonomia do paciente. A saúde não é mais medida pela presença ou não de doenças, e sim pelo grau de preservação da capacidade funcional. Quais os fatores que determinam um envelhecimento saudável, com boa capacidade funcional, e quais os fatores que aumentam o risco de morte e incapacidade são questões que terão que ser respondidas por inquéritos longitudinais que incluam a população idosa residente na comunidade. Este artigo apresenta dados do primeiro inquérito populacional de seguimento com idosos na comunidade no Brasil - Projeto Epidoso, em curso desde 1991 na cidade de São Paulo. São discutidas as características sócio-demográficas, clínicas e funcionais de uma coorte de idosos, com análise de risco para morte e incapacidade e considerações sobre as implicações para o planejamento em saúde.
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O aumento da população idosa exige dos gestores da área da saúde mudanças nos modelos assistenciais, em decorrência da significativa ampliação dos respectivos custos. Este artigo discute uma proposta de fluxo de acesso e definição de prioridades em uma rede ambulatorial. Utilizou-se um questionário breve, com oito perguntas objetivas, visando à captação e ordenação de idosos em risco de admissão hospitalar repetida, tomada como proxy de fragilização. Em uma amostra de 360 indivíduos, evidenciou-se que 75,8% dos idosos apresentavam baixo risco de adoecer. Cerca de 11% da amostra, contudo, apresentou risco de médio a alto de adoecer, utilizando de forma intensiva os serviços de saúde. Os achados corroboram a utilidade do procedimento proposto a fim de classificar idosos em diferentes grupos de risco de fragilização, possibilitando a hierarquização dos riscos nessa população e contribuindo para um sistema de saúde mais eficaz e resolutivo. Sugere-se testar a validade do método em um estudo prospectivo.
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OBJETIVO; Investigar a influência de fatores socioeconômicos e demográficos relativos à saúde, bem como os fatores ligados às atividades sociais e à avaliação subjetiva da saúde sobre a capacidade funcional dos idosos. MÉTODOS: Estudo transversal, integrante de estudo multicêntrico, em amostra representativa do município de São Paulo, realizado em 1989. A capacidade funcional foi avaliada através da escala de atividades da vida diária pessoal e instrumental e investigada como variável dicotômica: ausência de dependência - incapacidade/dificuldade em nenhuma das atividades versus presença de dependência moderada/grave - incapacidade/dificuldade em 4 ou mais atividades. Análise de regressão logística múltipla foi aplicada aos fatores hierarquicamente agrupados. RESULTADOS: As características que se associaram com a dependência moderada/grave foram analfabetismo, ser aposentado, ser pensionista, ser dona de casa, não ser proprietário da moradia, ter mais de 65 anos, ter composição familiar multigeracional, ter sido internado nos últimos 6 meses, ser "caso" no rastreamento de saúde mental, não visitar amigos, ter problemas de visão, ter história de derrame, não visitar parentes e ter avaliação pessimista da saúde ao se comparar com seus pares. CONCLUSÕES: As características identificadas que se associaram à dependência moderada/grave sugerem uma complexa rede causal do declínio da capacidade funcional. Pode-se supor, entretanto, que ações preventivas especificamente voltadas para certos fatores podem propiciar benefícios para o prolongamento do bem estar da população idosa.
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OBJETIVO: Identificar fatores associados a quedas e a quedas recorrentes em idosos vivendo na comunidade, determinando o risco relativo de cada fator como preditor para quedas. MÉTODOS: Trata-se de um estudo de seguimento de dois anos, por meio de duas ondas de inquéritos multidimensionais domiciliares (1991/92 e 1994/95) com uma coorte de 1.667 idosos de 65 anos ou mais residentes na comunidade, município de São Paulo, SP. O instrumento utilizado foi um questionário estruturado, versão brasileira do OARS: Brazilian Multidimensional Functional Assessment Questionnaire (BOMFAQ). Foi realizada uma análise de regressão logística, passo a passo, com p<0,05 e IC de 95%. RESULTADOS: Cerca de 31% dos idosos disseram ter caído no ano anterior ao primeiro inquérito; cerca de 11% afirmaram ter sofrido duas ou mais quedas. Durante o seguimento, 53,4% dos idosos não referiram quedas, 32,7% afirmaram ter sofrido queda em pelo menos um dos inquéritos e 13,9% relataram quedas em ambos os inquéritos. O modelo preditivo de quedas recorrentes foi composto das variáveis: ausência de cônjuge (OR=1,6 95% IC 1,00-2,52), não ter o hábito de ler (OR=1,5 95% IC 1,03-2,37), história de fratura (OR=4,6 95% CI 2,23-9,69), dificuldade em uma a três atividades de vida diária (OR=2,37 95% CI 1,49-3,78), dificuldade em quatro ou mais atividades de vida diária (OR=3,31 95% CI 1,58-6,93) e entre aqueles idosos com visão mais comprometida (OR=1,53 95% CI 1,00-2,34). CONCLUSÕES: O envelhecimento populacional e o aumento da expectativa de vida demandam ações preventivas e reabilitadoras no sentido de diminuir os fatores de risco para quedas, como o comprometimento da capacidade funcional, a visão deficiente e a falta de estimulação cognitiva.
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O diagnóstico de demência tem como base a presença de declínio da memória e de outras funções cognitivas. Diversos instrumentos foram desenvolvidos durante os últimos anos com o objetivo de auxiliar na investigação de possíveis déficits cognitivos em indivíduos de risco, como é o caso dos idosos. O Mini-Exame do Estado Mental (MMSE) é a escala de avaliação cognitiva mais amplamente utilizada com essa finalidade. Apesar disso, o MMSE ainda não foi adequadamente validado para o diagnóstico específico de demência no Brasil. Este estudo foi desenhado com os seguintes objetivos: (1) investigar o melhor ponto de corte do MMSE para o diagnóstico de demência em uma amostra de idosos atendidos em um ambulatório de saúde mental; e (2) estudar o impacto da idade e escolaridade sobre o escore total final da escala. Duzentos e onze pacientes com mais de 60 anos de idade que buscaram tratamento junto à Unidade de Idosos do ambulatório de saúde mental da Santa Casa de São Paulo entre fevereiro de 1997 e fevereiro de 1998 foram incluídos no estudo. Eles foram avaliados de forma sistemática com o SRQ-20, MMSE e entrevista clínica para realização do diagnóstico clínico de acordo com a CID-10. Setenta (33,2%) pacientes receberam o diagnóstico de demência. Os escores do MMSE foram comparados no grupo de pacientes sem e com demência. O ponto de corte 23/24 (caso/não caso) revelou índices de sensibilidade e especificidade de 84,3% e 60,3% respectivamente. O escore total do MMSE correlacionou-se de forma significativa com a idade (r= -0,41; p
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This review focuses on how new insights into sensorimotor control of posture are being applied to the clinical assessment of patients with balance disorders. Clinical balance assessments can be divided into three main approaches: a functional assessment, a systems assessment and quantitative posturography. A functional approach to assessment is used to identify whether or not a balance problem exists in order to assess risk of a fall, whereas a systems approach is used to determine the underlying cause of the balance problem in order to custom design a treatment program. Different types of posturography can be used either to assess balance function or to identify the underlying cause. A systems approach to clinical assessment of balance seeks to identify the constraints or disordered subcomponents underlying control of balance related to biomechanics, motor coordination and sensory organization. Clinicians also need to try to differentiate primary constraints on balance control from the compensatory strategies patients use to accomplish the goals of posture.