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Aversão à perda nas decisões de risco

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Abstract

Os estudos de Finanças Comportamentais surgiram numa tentativa de enquadrar os estudos econômicos e financeiros dentro do comportamento humano, levando em consideração a natureza humana e aceitando o fato de que os agentes econômicos estão suscetíveis a erros e a ações irracionais. A base de Finanças Comportamentais está na Teoria da Perspectiva, que, segundo Bernstein (1997), expõe padrões de comportamento nunca reconhecidos antes pelos estudiosos e teóricos de processo decisório. A Teoria da Perspectiva aponta duas deficiências humanas que causam esses padrões. A primeira é o fato de a emoção muitas vezes destruir o autocontrole que é essencial à tomada racional de decisões. A segunda deficiência é o fato de as pessoas na maioria das vezes não entenderem de forma clara com que estão lidando,criando em suas mentes molduras cognitivas. Estes estudos mostraram que a irracionalidade em decisões e escolhas ocorre também entre investidores, executivos e administradores. Com base no estudo de Kahneman e Tversky (1997), este trabalho buscou verificar entre 180 estudantes de administração da Universidade de Brasília, como se dá a evolução do processo decisório destes alunos ao longo do curso, buscando verificar, desta forma, se os estudos de administração interferem nas tomadas de decisões quando estes se deparam com situações de risco. Os resultados encontrados nesta população específica mostraram que os estudantes pesquisados demonstraram pouca inferência de molduras cognitivas, levando a concluir que estes frames não ocorrem de forma generalizada, como afirmado por Kahneman e Tversky (Kahneman e Tversky 1984. apud BERNSTEIN, Peter L. Desafio aos deuses, p. 275).
Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade
www.repec.org.br
v. 1, n. 3, art. 3, p. 45-62
ISSN 1981-8610
set/dez. 2007.
AVERSÃO À PERDA NAS DECISÕES DE RISCO
AVERSION TO LOSS IN RISKY DECISIONS
AVERSIÓN A LA PÉRDIDA EN LAS DECISIONES DE RIESGO
DANIEL ROSA DE ARAUJO
Universidade de Brasília
daniel_adm_si@yahoo.com.br
CÉSAR AUGUSTO TIBÚRCIO SILVA
Universidade de Brasília
cesartiburcio@pq.cnpq.br
RESUMO
Os estudos de Finanças Comportamentais surgiram numa tentativa de enquadrar os es-
tudos econômicos e nanceiros dentro do comportamento humano, levando em consideração
a natureza humana e aceitando o fato de que os agentes econômicos estão suscetíveis a erros
e a ões irracionais. A base de Finanças Comportamentais es na Teoria da Perspectiva, que,
segundo Bernstein (1997), expõe padrões de comportamento nunca reconhecidos antes pelos
estudiosos e teóricos de processo decisório. A Teoria da Perspectiva aponta duas deciências
humanas que causam esses padrões. A primeira é o fato de a emoção muitas vezes destruir
o autocontrole que é essencial à tomada racional de decisões. A segunda decncia é o fato
de as pessoas na maioria das vezes não entenderem de forma clara com que estão lidando,
criando em suas mentes molduras cognitivas. Estes estudos mostraram que a irracionalida-
de em decisões e escolhas ocorre também entre investidores, executivos e administradores.
Com base no estudo de Kahneman e Tversky (1997), este trabalho buscou vericar entre 180
estudantes de administração da Universidade de Bralia, como se a evolução do processo
decisório destes alunos ao longo do curso, buscando vericar, desta forma, se os estudos de
administração interferem nas tomadas de decisões quando estes se deparam com situações
de risco. Os resultados encontrados nesta população especíca mostraram que os estudantes
pesquisados demonstraram pouca inferência de molduras cognitivas, levando a concluir que
estes frames o ocorrem de forma generalizada, como armado por Kahneman e Tversky
(Kahneman e Tversky 1984. apud BERNSTEIN, Peter L. Desao aos deuses, p. 275).
Daniel Rosa de Araújo, César Augusto Tibúrcio Silva
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Palavras-Chave: Finanças Comportamentais, Processo Decisório, Risco.
ABSTRACT
The studies of behaviorism nances had appeared in an attempt to inside t the eco-
nomic and nancial studies of the human behavior, taking in consideration the nature human
being and accepting the fact that the economic agents are susceptible the mistakes and
the irrationals actions. The base of behaviorism nances is in the Theory of the Perspective
that according to Bernstein (1997), displays studious never recognized standards of beha-
vior before for and the theoretical ones to decision process. The theory of the perspective
indicates two human beings of the deciencies that cause these standards. First it is that
the emotions often, destroy the self-control that is essential to take rational decisions. The
second deciency is that the people, in most of the time, do not understand clearly which
they are taking care, creating a cognitive frame in its minds. These studies had demonstra-
ted that irrationality in decisions and options also happens between the investors, the exe-
cutives and the managers. Based in the study of Kahneman and Tversky (1997), this paper
looked for to verify, between a 180 students of business of the university of Brasilia, how are
doing the evolution of the decision process of these students through course, looking for to
verify of such way, if the studies of the business take part with taking from decisions when
these if they are exposed a risk situations. The results found in this specic population had
demonstrated that the looked for students had demonstrated little inference of the cognitive
frames, drive to conclude that these “frames” do not happen of a general way according to
the afrmation for the Kahneman and Tversky (Kahneman and Tversky 1984. BERNSTEIN
of apud, Peter L. Desaos aos deuses. p. 275).
Keywords: Behaviorism Finances, Decision Process, Risk.
RESUMEN
Los estudios de Finanzas Comportamentales surgieron en una tentativa de encua-
drar los estudios económicos y nancieros dentro del comportamiento humano, llevando
en consideración la naturaleza humana y aceptando el hecho de que los agentes econó-
micos son susceptibles a errores y a acciones irracionales. La base de Finanzas Compor-
tamentales esen la Teoría de la Perspectiva, que, según Bernstein (1997), expone tipos
de comportamiento nunca reconocidos antes por los estudiosos y teóricos de proceso
decisorio. La Teoría de la Perspectiva señala dos deciencias humanas que causan esos
tipos de comportamiento. La primera es el hecho de la emoción muchas veces destruir el
autocontrol que es esencial a la toma racional de decisiones. La segunda deciencia es
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el hecho de las personas la mayoría de las veces no entienden de forma clara con que
están tratando, creando en sus mentes marcos cognoscitivos. Estos estudios mostra-
ron que la irracionalidad en decisiones y elecciones ocurre también entre inversionistas,
ejecutivos y administradores. Con base en el estudio de Kahneman y Tversky (1997),
este trabajo buscó vericar entre 180 estudiantes de administración de la Universidad
de Brasilia, como ocurre la evolución del proceso decisorio de estos alumnos a lo largo
del curso, buscando vericar, de esta forma, si los estudios de administración intereren
en las tomas de decisiones cuando éstos se encuentran con situaciones de riesgo. Los
resultados encontrados en esta población especíca mostraron que los estudiantes in-
vestigados demostraron poca inferencia de marcos cognoscitivos, llevando a concluir que
estos frames no ocurren de forma generalizada, como armado por Kahneman y Tversky
(Kahneman y Tversky 1984. apud BERNSTEIN, Peter L. Desafío a los dioses, p. 275).
Palabras-Clave: Finanzas Comportamentales, Proceso Decisorio, Riesgo.
INTRODUÇÃO
Executivos, investidores e administradores estudam em torno de dezesseis anos de
suas vidas para que possam desempenhar suas prossões de forma legítima e eciente.
Aprendem sobre verdades e mentiras, modelos, pesquisas, estudos, análises, contextos,
enm, tudo padronizado e racional. Dentro de todo este contexto, imaginam-se como seres
racionais, que estarão sempre agindo dentro da cienticidade que aprendem na academia.
Acreditam que fazem tudo da melhor forma possível, levando sempre em consideração
todas as variáveis, sendo melhores em inteligência, destreza, raciocínio etc.
A racionalidade do tomador de decisão foi abordada de forma clara na teoria da
utilidade, que diz que em condições de incerteza as pessoas racionais processam as in-
formações objetivamente; consideram toda informação disponível e respondem a novas
informações com base em um conjunto claramente denido de preferências. Assim, inves-
tidores racionais ao comprarem uma ação ou ativos processam as informações disponíveis
objetivamente, e os erros que cometem na decisão do futuro são aleatórios e não resultan-
tes de uma tendência de otimismo ou pessimismo (BERNSTEIN, 1997).
A teoria dos jogos consolidou a idéia de comportamento econômico racional e da
racionalidade na tomada de decisões econômicas. Nesse contexto, os mercados não po-
deriam ser previstos nem se comportar irracionalmente.
A irrelevância do pagamento de dividendos para o preço das ações foi defendida por
Modigliani e Miller (1961), que defenderam a idéia de o pagamento de dividendos ser irre-
levante para a riqueza total dos acionistas. Ou seja, em um mercado racional, o montante
pago em dividendos não interfere na decisão de compra e venda de ações. Mais tarde,
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Sharpe (1964) formulou um modelo para avaliar ativos em condições de risco: o CAPM
(Capital Asset Princing Model). Este modelo foi baseado na premissa de que o investidor é
racional, avesso ao risco e sempre procura maximizar seu bem-estar.
Segundo Simon (1957), o papel do administrador é tomar decisões. Esse autor retra-
ta como os administradores devem proceder em suas tomadas de decisão, estruturando-as
e sistematizando o processo, agindo de forma extremamente racional, criando embasa-
mentos segundo informações e análises das opções.
Porém, a racionalidade do processo decisório é difícil de ser suportada pelas nossas
experiências diárias. Em diferentes situações em que se faz necessária a tomada de deci-
são, um indivíduo não consegue analisar todas as variáveis. Além disso, nem sempre as
decisões são essencialmente racionais. Conforme arma Shleifer (2000), as pessoas vio-
lam sistematicamente a regra de Bayes e outras máximas da teoria da decisão. Até porque
a maioria das decisões importantes que precisam ser tomadas está em situações de pres-
são, incerteza, com alta complexidade, não estruturadas, e dicilmente tendem a se repetir
da mesma forma. Evidencias psicológicas mostram que os indivíduos não se desviam da
racionalidade de forma aleatória (SHLEIFER, 2000).
Em contrapartida ao modelo de racionalidade do processo decisório, duas teorias
têm-se destacado na área nanceira. A primeira, denominada de neuroeconomics¸ que
não será objeto de discussão nesse texto por ser mais recente em termos do seu impacto
acadêmico, trata da relação entre a medicina e as decisões econômicas dos indivíduos. A
segunda diz respeito às nanças comportamentais
1
.
Kahneman e Tversky (1997) publicaram um dos trabalhos mais importantes que tra-
tavam o comportamento humano em decisões econômicas. Este trabalho buscou por meio
de experimentos, explicar dois vieses nos investidores: a aversão à perda e a contabilidade
mental. O primeiro diz que temos mais medo de perder do que prazer em ganhar. O segun-
do diz que dividimos nossa riqueza em compartimentos mentais, sem analisarmos nosso
patrimônio de forma agregada.
No Brasil, este assunto vem sendo abordado com crescente importância. No traba-
lho desenvolvido por Viana (2005), foi abordado o efeito miopia e a aversão à perda nas de-
cisões de risco. Viana vericou que o nível de aversão ao risco foi alterado ao se controlar
a freqüência com que as pessoas avaliam suas perdas, mesmo com as probabilidades de
ganhos e prejuízos sendo idênticas. Ou seja, a aversão ao risco neste trabalho foi alterada
conforme os indivíduos recebiam informações sobre seus ganhos e perdas, deixando de
lado a decisão racional baseada nas probabilidades.
1 Também tem sido utilizado, em menor grau, o termo behavioriol accounting em contraposição ao
termo behavioral nance. Por estar mais difundido, optou-se por utilizar o termo Finanças Com-
portamentais.
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Estes vieses ou anomalias no processo decisório humano confrontam teorias eco-
nômicas que têm como pressuposto a racionalidade dos investidores, tentando explicar de
forma mais verídica as anomalias e bolhas existentes na realidade dos mercados. Anali-
sando crises nanceiras e os “efeitos bolhas” no mercado de ações, pode-se constatar que
o modelo moderno de nanças não é capaz de explicar essas anomalias irracionais. Os
estudos de Finanças Comportamentais surgiram numa tentativa de enquadrar os estudos
econômicos e nanceiros dentro do comportamento humano, levando em consideração a
natureza humana e aceitando o fato de que os agentes econômicos estão suscetíveis a
erros e a ações irracionais.
Um dos primeiros trabalhos e o mais inuente na área de Finanças Comportamen-
tais foi desenvolvido pelos psicólogos israelenses Daniel Kahneman e Amos Tversky. Na
década de 1960, Kahneman desenvolveu uma pesquisa com os instrutores de vôo do exér-
cito israelense, chegando à conclusão de que o desempenho dos pilotos tende a regredir
sempre ao desempenho médio. Se um piloto obteve um ótimo desempenho em suas três
últimas aterrissagens, a probabilidade da próxima aterrissagem ter um desempenho ruim
é maior. E se um piloto obteve um desempenho ruim em suas três últimas aterrissagens, a
probabilidade da próxima aterrissagem ter um ótimo desempenho é maior. Este estudo pro-
vou o padrão previsto por Francis Galton (1822-1911), que dizia que tudo tende a regredir
a sua média, como se existisse uma força propulsora empurrando para a média, restau-
rando a racionalidade. Foi este padrão de comportamento que baseou alguns dos ditados
conhecidos hoje, como por exemplo: “tudo que sobe tem que descer”, “o orgulho antecede
a queda” e “o que os pais ganham os lhos dissipam”. Os estudos de Galton deram uma
grande contribuição aos estudos sobre administração de riscos e incertezas.
Kahneman e Tversky especularam sobre a possibilidade de existirem outras formas
pelas quais as pessoas erram ao tentarem prever o futuro baseadas em informações do
passado, do que somente ignorar a regressão à média. Mais tarde, eles desenvolveram a
Teoria da Perspectiva, que, segundo Bernstein (1997), expõe padrões de comportamento
nunca reconhecidos antes pelos estudiosos e teoriza sobre o processo decisório. A Teoria
da Perspectiva aponta duas deciências humanas que causam esses padrões. A primeira é
o fato de a emoção muitas vezes destruir o autocontrole que é essencial à tomada racional
de decisões. A segunda deciência é o fato de as pessoas na maioria das vezes não enten-
derem de forma clara com que estão lidando. Criando em suas mentes o que os psicólogos
chamam de frames ou molduras cognitivas.
O principal conceito que as Finanças Comportamentais abordam é o de “aversão
às perdas”. Este conceito diz que as pessoas não têm aversão ao risco e sim à perda. As
pessoas preferem não sofrer a dor da perda do que o prazer de um ganho equivalente,
ou seja, é preferível não perder R$100,00 a ganhar R$100,00. Também assumem riscos
quando estão perdendo, mas são totalmente avessos ao risco quando estão ganhando.
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Contrariando conceitos econômicos que dizem que investidores devem arriscar quando
estão ganhando e for avesso ao risco quando estão perdendo. Anal de contas, “o primeiro
prejuízo é sempre o melhor prejuízo”.
Baseado no conceito de “aversão às perdas”, pode-se observar também que o
medo da perda faz com que pessoas tomem decisões de forma irracional, criando mol-
duras cognitivas que as deixam cegas aos dados históricos e principalmente às probabi-
lidades estatísticas. Como exemplo desta armação, pode-se citar aquelas pessoas que
têm medo de viajar de avião, preferindo viajar de carro. Se for observada a estatística,
constata-se que a viagem de avião é inúmeras vezes mais segura que uma viagem de
carro, mas o simples fato de a pessoa imaginar que o avião poderá cair, causando um
desastre, faz com que ela prera viajar de carro. Outro exemplo seria o fato de investi-
dores preferirem comprar ações que tem tido altas recentemente, na expectativa de que
continuem em alta. Mas analisando do ponto de vista de que tudo tende a regredir à mé-
dia, segundo Galton, a probabilidade de uma ão como esta continuar subindo é muito
pequena. Em um último exemplo, podemos citar o fato de investidores, ao verem suas
ações despencarem no mercado, hesitarem em vendê-las, esperando que em algum dia
elas possam voltar a subir, correndo riscos maiores. Tudo isso para evitar a sensação de
perder dinheiro, quando venderem suasões por preços menores do que comprou.
Concentrando-se ainda no conceito de “aversão a perdas”, pode-se observar que a
irracionalidade em decisões e escolhas ocorre entre os indivíduos. Estes grupos de pesso-
as estudam teorias, conceitos, fórmulas e estatísticas, sempre procurando embasar suas
decisões, mas, como todo ser humano, se deixam levar por emoções e conceitos errôneos
em situações de incertezas e riscos.
Se as pessoas que estudam para tomar decisão acabam não tomando de forma
racional, então se tem uma situação bastante contraditória. Estudar modelos, cálculos, es-
tatísticas e teorias deveria fazer com que as percepções de valores e riscos fossem altera-
das. Ao longo de um curso de graduação o aluno deveria adquirir capacidade de perceber
probabilidades e compará-las perante situações de riscos. Deveria também expandir suas
janelas cognitivas, percebendo um número maior de variáveis.
É importante ressaltar que, se observado sobre uma perspectiva holística, o curso
tem como objetivo formar um prossional preparado para lidar com situações complexas e
inter -relacionadas entre si, contendo incertezas e riscos de ganhos e perdas. Desta forma,
torna-se interessante analisar se quanto mais um aluno estuda a ciência administrativa,
mais preparado estará para tomar decisões em sua vida prossional.
Diante do exposto tem-se a seguinte questão de pesquisa: Um estudante de gradu-
ação muda a sua racionalidade no processo decisório ao longo de seus estudos?
Tomando como base a pesquisa realizada pelos psicólogos israelenses, Kahneman
e Tversky (1997), este trabalho replica parte da pesquisa deles, utilizando estudantes de
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graduação. O objetivo é vericar a percepção de valor e comportamento perante riscos e
incertezas dos mesmos. Analisando a evolução das percepções de valores do estudan-
te, cumpre também abordar objetivos de pesquisas mais especícos, como por exemplo:
comparar a pesquisa com os resultados obtidos por Kahneman e Tversky; vericar se os
estudantes abordados tentam prever incertezas; se os estudantes consideram as probabi-
lidades em situações de risco; e vericar se os estudantes preferem arriscar em situações
de perdas e não arriscar em situações de ganho.
Como resultado de pesquisa, este trabalho visa compreender melhor como estudan-
tes agem em situações de risco, delimitando suas percepções de valores e a consideração
de probabilidades perante incertezas.
O trabalho expõe 6 partes, além desta introdução. O próximo capítulo trata de um
breve referencial teórico. O capítulo três apresenta a metodologia utilizada. Após, analisam-
se as questões e os resultados obtidos. A parte cinco faz uma análise cruzada das respos-
tas. O trabalho naliza com a conclusão e recomendações.
REFERENCIAL TEÓRICO
As Finanças Comportamentais têm como principal objetivo identicar e compreender
os frames, ilusões cognitivas que fazem com que pessoas cometam erros sistemáticos de
avaliação de valores, probabilidades e riscos. As Finanças Comportamentais consideram
que executivos, administradores, empresários e investidores nem sempre agem racional-
mente, pois estão propensos aos efeitos das ilusões cognitivas.
No artigo de Kahneman e Tversky (1997), os autores discorreram sobre contextos
cognitivos e psicológicos determinantes de escolhas com e sem riscos. Abordando o va-
lor psicológico que induz a aversão ao risco quando existem ganhos e a busca por riscos
quando existem perdas, Kahneman e Tversky aplicaram algumas pesquisas que provaram
o fato de as pessoas preferirem não perder algo em detrimento de um ganho equivalente.
Esta assimetria entre o modo das decisões envolvendo ganhos e o modo das decisões
envolvendo perdas é intensamente demonstrada em seus estudos, sendo a conclusão
mais útil da Teoria da Perspectiva. Uma das razões para explicar este fato poderia ser que
as pessoas são mais sensíveis a estímulos negativos, como diz Tversky (Tversky apud
BERNSTEIN, 1997, p. 274):
Provavelmente, a característica mais signicativa e dominante da máquina
de prazer humana é o fat.o de que as pessoas são muito mais sensíveis
a estímulos negativos do que positivos... Pense sobre quão bem você se
sente hoje e, depois, tente imaginar quão melhor você poderia se sentir...
Existem algumas coisas que o fariam sentir-se melhor, mas o número de
coisas que o fariam sentir-se pior é ilimitado.
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O processo de contabilidade mental também é abordado por Kahneman e Tversky
(1997), explicando como as pessoas organizam as contas e transações em suas mentes,
deixando transparecer anomalias psicológicas. O modo como se percebem ganhos e perdas
tem um grande poder de inuência em decisões.
Simon (1957), um dos pioneiros nos estudos sobre processo decisório e também
referência nesta área, escreveu sobre a psicologia nas decisões administrativas. Esse
autor aborda a racionalidade na tomada de decisões, deixando claras as imperfeições do
conhecimento que afetam o raciocínio humano. Segundo Simon (1957 p. 84),
a racionalidade requer um conhecimento completo e inalcançável das con-
seqüências exatas de cada escolha. Na verdade o ser humano possui ape-
nas um conhecimento fragmentado das condições que cercam sua ação,
e ligeira percepção das regularidades dos fenômenos e das leis que lhe
permitiriam gerar futuras conseqüências com base no conhecimento das
circunstâncias atuais.
Para Simon o ser humano age na maioria das vezes sob condições de racionali-
dade limitada, pois, como os humanos têm diculdades de considerar e avaliar todas as
informações e variáveis envolvidas em um processo de decisão, é feita escolha de apenas
algumas variáveis para tomar a decisão necessária.
Simon (1960) deixa claro que o papel do gestor é tomar decisões. O exercício des-
te papel não se resume apenas ao atonal da escolha entre as alternativas disponíveis,
mas todo o processo, o qual inclui: descobrir as ocasiões em que deve ser tomada a de-
cisão, identicar os possíveis cursos de ão e decidir-se entre um deles. Simon (1960)
ainda aborda instrumentos matemáticos que podem ser utilizados em decisões programa-
das, com o objetivo de tornar quantitativas situações em que não existem mensurações.
Estes e rios outros modelos matemáticos são abordados nas escolas de negócios e
em cursos como de contabilidade, administração ou economia, tanto de graduação como
de pós-graduação. O que deixa evidente a importância da tomada de decisão racional no
ambiente organizacional.
Segundo Bernstein (1997), as nanças modernas prevêem que as expectativas de
investidores racionais serão equilibradas: um investidor racional superestimará uma parte
do tempo e subestimará outra parte do tempo, mas não superestimará ou subestimará o
tempo todo. Desta forma, os investidores racionais não estão entre as pessoas que sempre
vêem o copo metade vazio ou metade cheia. Mas os investidores devem esperar perder
ocasionalmente nos riscos que assumem, pois seria tolo não pensar nisto. Como a perda
nos causa repulsa, tentamos sempre encontrar proteções contra surpresas desagradáveis,
deixando de lado a análise de variáveis e principalmente a análise de probabilidades de
uma perda realmente acontecer.
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METODOLOGIA
Conforme armado anteriormente, este trabalho teve como intuito replicar parte dos
trabalhos de Daniel Kahneman e Amos Tversky (1997), mas diferentemente deles a popu-
lação abordada foi alunos de graduação de uma universidade federal. Com isso foi possível
analisar se os estudos nesta universidade mudam a racionalidade em decisões perante
riscos e incerteza, como deveria acontecer segundo Simon (1960). Abordando a mesma
metodologia de Kahneman e Tversky, também foi possível realizar análises comparativas
deste trabalho com o trabalho desses autores, o que trouxe conclusões interessantes a
respeito de Finanças Comportamentais.
A população escolhida foi dividida em três grupos. O primeiro grupo foi composto de
alunos que estavam cursando o primeiro, segundo ou terceiro semestre, ou seja, alunos
que estavam iniciando o curso. O segundo grupo foi composto de alunos que estavam cur-
sando o quarto, quinto ou sexto semestre, ou seja, alunos que estavam no meio do curso.
E nalmente o terceiro grupo foi composto por alunos que estavam cursando o sétimo,
oitavo ou nono semestre, ou seja, alunos que estavam terminando seu curso. Com esta
segmentação da amostra, foi possível confrontar as respostas dos três grupos, analisando
a evolução na decisão racional em situações que envolvem riscos e incertezas.
É importante destacar que a amostra foi retirada de um curso de graduação que
possui na sua estrutura curricular conteúdo de processo decisório. Em pelo menos duas
disciplinas obrigatórias a abordagem da racionalidade econômica de Simon é assunto de
programa. Além disso, também faz parte da estrutura curricular conhecimentos de estatís-
tica, mas especicamente de valor esperado. Isso signica dizer que parcela dos respon-
dentes estaria apta a “acertarem” as perguntas formuladas.
O levantamento de dados primários foi feito por meio de aplicação de questionários
nos três grupos da amostra. Os questionários continham a maioria das perguntas aplicadas
nos trabalhos de Kahneman e Tversky, sendo divididos em questionários “Tipo A” e “Tipo
B”. O questionário “Tipo B” foi um espelho do questionário “Tipo A”, ou seja, se no ques-
tionário “Tipo A” uma determinada pergunta enfatizou um ganho, no questionário “Tipo B”
a mesma pergunta enfatizou uma perda. Desta forma foi possível comparar questões que
envolvem perdas com questões que envolvem ganhos.
A quantidade de questionários aplicados em cada um dos grupos foi de 60 (ses-
senta) questionários, sendo 30 questionários Tipo Ae 30 questionários “Tipo B”. Isso
totaliza 180 questionários. Os questionários foram construídos para que pudessem ser
respondidos em poucos minutos pelos alunos, evitando assim problemas relacionados
existentes em questionários longos. O total de questionários obtidos corresponde a uma
amostra expressiva da população de alunos do curso dessa instituição de ensino, a sa-
ber, 17% do total de alunos.
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Os questionários foram aplicados em salas de aula, onde os alunos responderam
voluntariamente, sem conhecer o objetivo nem o tema da pesquisa. A data de aplicação foi
entre os dias 21 de setembro de 2005 a 17 de outubro de 2005.
As respostas dos questionários foram tabuladas e analisadas por meio do sof-
tware SPSS (Statistical Package for the Social Sciences). Os questionários Tipo A
foram tabulados separadamente dos questionários “Tipo B”, pois tratam de questio-
nários diferentes e desta forma possibilitou-se uma análise de comparão de par.
Nesta análise foram comparadas respostas de indivíduos de características iguais em
relação ao objetivo da pesquisa (curso e semestre), mas que responderam a questio-
nários espelhos.
Também foram analisadas as respostas dos indivíduos em relação a sua posição no
uxo do curso, o que permitiu vericar se, à medida que o aluno evolui em seus estudos,
isto inuencia suas decisões perante riscos e incertezas. A análise dos questionários tam-
bém permitiu vericar se existem diferenças nas decisões entre os sexos desta população.
Analisaram-se, assim, as respostas masculinas e respostas femininas em questões que
envolvem perdas, ganhos, riscos e incertezas.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
As questões foram analisadas vericando o valor matemático das alternativas e
comparando os resultados com os resultados obtidos por Kahneman e Tverky (1997); desta
forma foi possível diagnosticar como os respondentes se comportaram quanto à aversão a
perdas e à falta de invariância
2
.
Questão 1 (N =180) Qual dos dois investimentos é o melhor para você?
A) 85% de chance de ganhar R$ 1000,00 e 15% de chance de nada ganhar (48%)
B) Certeza de ganhar R$ 800,00 (52%)
Nesta questão, o valor esperado da alternativa “A” é de R$ 850,00 (85% x
1000,00) e o valor esperado da alternativa “B” é de R$ 800,00 (100% x 800,00). A escolha
matematicamente correta
3
seria a alternativa “A”, com uma diferença de R$ 50,00. Mas
como se pode vericar, a resposta cou muito próxima ao empate.
2 Os valores em percentuais após cada questão dizem respeito ao número de respondentes para
cada alternativa.
3 Uma outra possível resposta poderia ser considerada a partir da teoria do matemático do século
XVIII Daniel Bernoulli e de John Kelly. Esses autores consideram que a média geométrica é mais
representativa para a determinação do valor esperado (POUNDSTONE, 2005, 190). Nesse caso, a
resposta correta seria a alternativa “B”. Entretanto como essa alternativa não é objeto de estudos
por parte dos alunos de graduação, não foi considerada como “correta” para ns desse estudo.
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Diferentemente dos resultados encontrados nos trabalhos de Kahneman e Tversky
(1997), em que a pesquisa demonstrou uma forte tenncia à avero ao risco quando um ganho
é enfatizado, nesta amostra podemos constatar que não foi encontrado o mesmo padrão. No
entanto deve-se ressaltar que cerca de metade da populão respondeu de formaincorreta”.
Questão 2 – Questionário “Tipo A” (N = 90)
Imagine que uma nova doença atingiu a população da cidade onde você reside.
Um grupo de cientistas trabalha para conter a epidemia. Eles esperam que no
mínimo 600 pessoas morram por causa da doença. Duas soluções para combater
a doença foram encontradas: Solução “A” e Solução “B”.
Se a Solução “A” for aplicada, 200 pessoas serão salvas. (48%)
Se a Solução “B” for aplicada, 1/3 de probabilidade que 600 pessoas serão
salvas e 2/3 de probabilidade de ninguém ser salvo. (52%)
Qual das duas soluções você escolheria?
Nesta queso, a solução “Ae a solão “B” o matematicamente iguais. Seja qual for
a solução adotada, duzentas pessoas seo salvas e quatrocentas pessoas morrerão. (1/3 x
600 = 200 e 2/3 x 600 = 400). Mas a questão foi formulada enfatizando o ganho, ou seja, pesso-
as sendo salvas. Semelhantemente à queso 1, os resultados tamm foram quase empates,
o obtendo um pado de prefencia em relação ao risco, quando se enfatiza um ganho.
Este resultado diverge em muito do resultado divulgado por Kahneman e Tversky
(1997), em que 72% escolheram a solução “A” e apenas 28% escolheram a solução “B”,
demonstrando uma clara aversão ao risco da amostra pesquisada pelos autores, quando
se enfatiza um ganho. Entretanto, é importante destacar a diferença com o resultado obtido
no Questionário “Tipo B”, conforme será feito a seguir.
Questão 2 – Questionário “Tipo B” (N = 90)
Imagine que uma nova doença atingiu a população da cidade onde você reside.
Um grupo de cientistas trabalha para conter a epidemia. Eles esperam que no
mínimo 600 pessoas morram por causa da doença. Duas soluções para combater
a doença foram encontradas: Solução “A” e Solução “B”.
Se a Solução “A” for aplicada, 400 pessoas morrerão. (32%)
Se a Solução “B” for aplicada, 1/3 de probabilidade de que ninguém
morrerá e 2/3 de probabilidade de 600 pessoas morrerem. (68%)
Qual das duas soluções você escolheria?
Nesta questão, a solução “A” e a solução “B” são matematicamente iguais. Seja qual
for a solução adotada, quatrocentas pessoas morrerão e duzentas pessoas serão salvas
Daniel Rosa de Araújo, César Augusto Tibúrcio Silva
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(1/3 x 0 = 200 e 2/3 x 600 = 400). Mas a questão foi formulada enfatizando perda, ou seja,
“pessoas morrerão”. Comparando as respostas da questão 2 entre os questionários “Tipo
A” e “Tipo B”, pode-se constatar que os resultados demonstraram que os respondentes têm
uma propensão ao risco quando percebem uma perda. Pois nos dois questionários, 400
pessoas morrerão, independentes da solução escolhida. Mas como se pode vericar, no
questionário “Tipo B”, onde foi enfatizada uma perda, 68% preferiram arriscar. Este resultado
é semelhante ao resultado divulgado por Kahneman e Tversky (1997), em que apenas
22% escolheram a solução “A” e 78% escolheram a solução “B”, demonstrando uma clara
propensão ao risco da amostra pesquisada pelos autores, quando se enfatiza uma perda.
Questão 3 (N = 180). Imagine que todos os seus colegas de sala deverão
escolher um número de 0 a 100. O objetivo é acertar o número que seria a
metade da média de todos os números escolhidos.
Que número você escolheria?
Nesta questão o objetivo de todos foi acertar a metade da média de todos os
números escolhidos. Esse é um problema que foi aplicado aos leitores do Financial
Times por Thaler (2001) Isto exige que os respondentes tentem adivinhar qual seria o
número que seu colega escolheria, pois a partir destes números ter-se-ia a metade da
média. Ou seja, se todos responderem números aleatórios, a média tenderia para 50,
então a resposta correta seria em torno de 25. Mas se todos pensarem desta forma e
responder 25, a média das respostas tenderia para 25, então a resposta correta seria
em torno de 12,5. Se boa parte dos respondentes escolherem o mero 12,5, eno a
média cairia para próximo ao número 15, então a resposta correta estaria próxima ao
número 7. Seguindo este raciocínio, a resposta mais racional seria o mais próximo
possível de 0 (zero). Pois quanto mais o respondente raciocina na questão, mais sua
resposta tende a 0 (zero). Analisando os resultados, cerca de 70% escolheram um
número menor ou igual a 35. Mas a moda foi 25, com 40,55% dos casos. O que
permite concluir que os respondentes empenharam racionio superficial ao responder
a queso.
Questão 4 – Questionário “Tipo A” (N = 90). Escolha entre:
A) Certeza de ganhar R$ 240,00 (46%)
B) 25% de chance de ganhar R$ 1000,00 e 75% de chance de ganhar nada.
(54%)
Nesta questão, a resposta matematicamente correta é a opção “B”, pois seu valor
esperado é de R$ 250,00 (25% x 1000,00 = 250 + 75% x 0,00 = 0). Diferentemente dos
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resultados obtidos por Kahneman e Tversky (1997), em que a opção “B” registrou apenas
16% (dezesseis por cento), nesta questão a maioria dos respondentes optou pela opção
“B”, deixando uma leve propensão ao risco quando se enfatiza o ganho. Mas não se pode
desconsiderar o peso que se obteve na opção “A”, quase a metade. Isto reete certa
ausência de polaridade quando a amostra pesquisada é colocada diante de situações de
risco e há ganhos como ênfase.
Questão 4 – Questionário “Tipo B” (N = 90). Escolha entre:
A) Certeza de perder R$ 750,00. (21%)
B) 75% de chance de perder R$ 1000,00 e 25% de chance de perder nada.
(79%)
Nesta questão, as duas opções são matematicamente iguais (75% x 1000,00 =
750,00 + 25% x 0,00 = 0,00), no entanto uma quantidade expressiva de respondentes
preferiu a opção “B”, demonstrando uma forte propensão ao risco quando deparados por
uma situação em se enfatizam perdas. Pois na Questão 4 do Questionário “Tipo A”, em
que foi enfatizado um ganho, mesmo a opção “A” tendo um valor equivalente menor, quase
metade dos respondentes preferiu escolhê-la. Este resultado foi muito semelhante ao
encontrado por Kahneman e Tversky, em que 87% dos respondentes preferiram a opção
“B” quando enfatizado uma perda.
Questão 5 Questionário “Tipo A” (N = 90) Imagine que você decidiu ir ao
teatro e comprou um ingresso por R$ 30,00. Quando chegou ao teatro, você
descobre que perdeu o ingresso.
Você compraria outro ingresso?
A) Sim (54%)
B) Não (46%)
Nesta questão, a maioria preferiu comprar outro ingresso, demonstrando leve
estimativa de valor para com o ingresso. Diferentemente dos resultados encontrados por
Kahneman e Tversky (1997), em que a maioria preferiu não comprar outro ingresso (54%),
foi encontrada novamente uma falta de polaridade, haja vista que quase metade dos
respondentes preferiu não comprar o ingresso.
Questão 5 Questionário “Tipo B” (N = 90). Imagine que você decidiu ir a
um teatro no qual o ingresso custa R$ 30,00. Quando chegou ao teatro, você
descobre que perdeu R$ 30,00.
Você ainda gastaria R$ 30,00 para comprar outro ingresso?
A) Sim (73%)
B) Não (27%)
Daniel Rosa de Araújo, César Augusto Tibúrcio Silva
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Nesta questão, diferentemente dos resultados encontrados na Questão 5 do
Questionário “Tipo A”, a maioria preferiu comprar outro ingresso, demonstrando pouca
estimativa de valor para com o dinheiro. Os resultados encontrados por Kahneman e
Tversky foram muito semelhantes ao da amostra aqui pesquisada, demonstrando que
os respondentes realmente percebem pouco valor na quantia necessária para comprar
o ingresso.
Fazendo uma análise comparativa entre questões, vericou-se que na questão 2 dos
questionários “Tipo A”, em que houve ênfase no ganhos (pessoas serão salvas), os resulta-
dos caram bem distribuídos. E na questão 2 dos questionários “Tipo B”, houve ênfase nas
perdas (pessoas morrerão), e os resultados mostraram que a maioria absoluta preferiu ar-
riscar. Estes resultados mostram que não houve uma falta de invariância dos respondentes,
pois quando enfatizado ganhos em situações de risco, quase metade dos respondentes
preferiram arriscar e, quando enfatizado perdas, uma quantidade maior de respondentes
também preferiu arriscar.
Comparando a questão 4 entre os dois questionários, percebe-se também que,
quando enfatizado um ganho (questionário “Tipo A”), a maioria absoluta dos respon-
dentes preferiu arriscar. E, quando enfatizado uma perda (questionário Tipo B), a
maioria também preferiu arriscar. Mais uma vez não foi encontrado uma falta de inva-
rncia dos respondentes.
Nestes dois últimos casos citados, percebe-se apenas que, quando enfatizada uma
perda, o número de respondentes que preferem arriscar, é no mínimo duas vezes maior
que o número de respondentes que preferem não arriscar. Isto mostra que os responden-
tes, mesmo não apresentando falta de invariância, estão suscetíveis à aversão à perda.
ANÁLISE DOS CRUZAMENTOS
Com o intuito de analisar se o grau de aprendizado possui relação com a percepção
de valor e a propensão ao risco do aluno, foram realizados cruzamentos comparando-se o
semestre com as respostas dos questionários.
Na primeira questão abordada nos questionários, onde é colocada uma situação de
risco enfatizando-se um ganho, não foi encontrado nenhum padrão de respostas que pu-
desse estar relacionada com a posição no uxo do aluno no curso.
Nos questionários “Tipo A”, onde foram enfatizados ganhos, como nas questões 2 e
4, as respostas também não obedeceram a nenhum padrão quanto ao semestre. Mas na
questão 5, onde foi colocada uma situação em que se perde um ingresso para o teatro, e
quando perguntado se o aluno compraria outro ingresso, os resultados dos três grupos de
semestres tiveram respostas semelhantes entre si e muito semelhantes ao do resultado ob-
tido por Kahneman e Tversky (1997) (Tabela 1).
Aversão à perda nas decisões de risco
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Semestre Questão 5 Tipo A Questão 5 Tipo B
Sim Não Sim Não
Do 1.º ao 3.º 56,70% 43,30% 53,30% 46,70%
Do 4.º ao 6.º 53,30% 46,70% 80,00% 20,00%
Do 7.º ao 9.º 53,30% 46,70% 86,70% 13,30%
Total 54,40% 45,60% 73,30% 26,70%
Tabela 1 – Relação entre a Questão 5 Tipo A e o semestre
Fonte: Elaboração Própria
Nos questionários “Tipo B”, nas questões 2 e 4, foram colocadas situações de risco
enfatizando-se perdas. Nestas questões também não foram encontrados padrões de res-
postas relacionados aos grupos de semestre. Apenas na questão 5 (cinco), onde foi colo-
cada uma situação em que se perde R$ 30,00 ao ir para o teatro e pergunta-se se o aluno
ainda gastaria R$ 30,00 para comprar outro ingresso, existiu um alto grau de correlação
entre as respostas e a posição no uxo do aluno no curso. Nesta questão, à medida que
os respondentes avançam no curso, tendem a responder a opção “A”, ou seja, sim, ainda
gastariam R$ 30,00 para comprar o ingresso (segunda parte da Tabela 1).
Com o intuito de analisar se o sexo do respondente possui relação com a percepção
de valor e a propensão ao risco, foram realizados cruzamentos comparando-se o sexo com as
respostas dos questiorios. Entre os cruzamentos realizados, foi encontrada correlação apenas
na primeira questão abordada no questionário “Tipo B”, onde é colocada uma situação de risco
enfatizando-se um ganho. Os respondentes do sexo feminino escolheram em sua grande maioria
a oão B”, deixando claro uma aversão ao risco quando enfatizado um ganho (Tabela 2).
Sexo A B Tabela 2 – Relação entre o sexo e aversão ao risco Fonte: Elaboração Própria
Masculino 65,40% 34,60%
Feminino 28,90% 71,10%
Total 50,00% 50,00%
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
O principal conceito que Finanças Comportamentais aborda é o de “aversão a per-
das”. Este conceito diz que as pessoas não têm aversão ao risco e sim à perda. Baseado no
conceito de aversão a perdas, pode-se observar também que o medo da perda faz com que
pessoas tomem decisões de forma irracional, criando molduras cognitivas que as deixam
cegas aos dados históricos e principalmente às probabilidades estatísticas.
Daniel Rosa de Araújo, César Augusto Tibúrcio Silva
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Ao longo de um curso de graduação voltado para negócios, o aluno deveria adquirir
capacidade de perceber probabilidades e compará-las perante situações de riscos. Pois
estudar modelos, cálculos, estatísticas e teorias, deveria fazer com que as percepções de
valores e riscos fossem alteradas.
Entre as questões analisadas da pesquisa, quando se enfatizou um ganho diante
de uma situação de risco, os respondentes comportaram-se sem denir uma polaridade,
não apresentando uma aversão ao risco, tampouco uma propensão. Tais constatações
divergem dos estudos de Kahneman e Tversky (1997), nos quais se apresentam uma forte
aversão ao risco nestas mesmas ocasiões.
Porém, quando foi enfatizada perda em questões de risco para com a amostra es-
tudada, os resultados foram muito semelhantes aos encontrados por Kahneman e Tversky
(1997), revelando uma forte propensão ao risco em situações de perdas.
Comparando os estudantes pesquisados com uma população qualquer estudada
por Kahneman e Tversky, vericou-se que existe uma divergência apenas em situações
em que um ganho é percebido. Estes resultados mostram que não existe uma falta de in-
variância entre os pesquisados quando se enfatiza um ganho. O que leva esta pesquisa a
ir de encontro com a seguinte armação dos autores Kahneman e Tversky (Kahneman e
Tversky 1984. Apud BERNSTEIN, Peter L. Desao aos deuses, p. 275):
A falta de invariância é generalizada e rme. Ela é comum entre respon-
dentes sosticados, bem como entre ingênuos [...] (grifo nosso). Os res-
pondentes, confrontados com suas respostas conitantes, costumam car
intrigados. Mesmo depois de reler os problemas, eles continuam avessos
ao risco na versão das “vidas salvas”, embora procurem o risco na versão
das “vidas perdidas”; e eles também querem obedecer à invariância e dar
respostas coerentes a ambas as versões [...] A moral desses resultados é
perturbadora. A invariância é normativamente essencial (o que deveríamos
fazer), intuitivamente irresistível e psicologicamente inviável.
Entre as questões analisadas, quando se enfatizou uma perda diante de uma situa-
ção de risco, os respondentes comportaram-se semelhantemente aos estudos de Kahne-
man e Tversky (1997), apontando uma forte propensão ao risco, conrmando a armação
de Tversky (1990 p. 75; apud BERNSTEIN, Peter L. Desao aos deuses. p. 273) de que
“a principal força propulsora é a aversão à perda [...] Não se trata tanto de que as pessoas
odeiam a incerteza – mas, pelo contrário, de que odeiam perder”.
Nas questões 5 dos questionários “Tipo A” e “Tipo B”, foram abordadas questões que
procuram vericar a “contabilidade mental” dos respondentes. Nos questionários “Tipo A”,
os respondentes deparavam com a situação em que iam ao teatro e no caminho perdiam
o ingresso, tendo que decidir se comprariam ou não outro ingresso. na questão 5 dos
questionários “Tipo B”, a situação colocada foi que os respondentes perdiam os R$ 30,00
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que gastariam para comprar o ingresso. Nas duas situações colocadas, quer tenha per-
dido o ingresso, quer tenha perdido os R$ 30,00, se você decidisse ir ao teatro, teria que
se privar de R$ 60,00 e, se decidisse não ir ao teatro, teria que privar-se de R$ 30,00. Na
pesquisa feita por Kahneman e Tversky (1997), a maioria dos respondentes preferiu não
comprar outro ingresso, mas quando perguntado se ainda estariam dispostos a comprar o
ingresso, depois da perda do dinheiro para o mesmo, a maioria dos respondentes disseram
que sim, ainda gastariam dinheiro para comprar o ingresso. Segundo Bernstein (1996), este
fato levou os autores a vericar uma falta de invariância entre os pesquisados. Era como se
no primeiro caso, quando se perde o ingresso, a conta do teatro seria duas vezes maior se
o respondente comprasse outro ingresso. Mas no segundo caso, quando se perde o dinhei-
ro para comprar o ingresso, a conta do teatro continuaria a mesma se o respondente ainda
comprasse o ingresso. E o dinheiro gasto a mais, sairia de outras contas no futuro distante,
como, por exemplo, um almoço ou uma programação de lazer futura.
Mas nos resultados encontrados nesta pesquisa, encontra se uma divergência em
relação à pesquisa de Kahneman e Tversky (1997). Nas duas situações abordadas os res-
pondentes disseram “sim”, comprariam outro ingresso. E “sim”, ainda gastariam R$ 30,00
para comprar o ingresso. Não demonstrando, desta forma, a falta de invariância encontrada
por Kahneman e Tversky.
Vericando os resultados da pesquisa em relação ao sexo dos respondentes, foi
encontrada uma forte “Correlação de Pearson” signicativa (0,360) na questão 1 (um) do
questionário “Tipo B”, onde os respondentes do sexo feminino foram extremamente aves-
sos ao risco, mesmo quando a outra opção mostrava um maior valor esperado, enquanto
os respondentes do sexo masculino foram extremamente propensos ao risco. Nas outras
questões, quando se analisa o resultado em relação ao sexo, tem-se uma leve aversão ao
risco dos respondentes do sexo feminino. O que leva a concluir que os respondentes do
sexo feminino aqui pesquisados possuem uma aversão a perdas um pouco mais aguçada
que os do sexo masculino.
Analisando os resultados da pesquisa em relação ao semestre cursado pelos res-
pondentes, pôde-se vericar que não existe correlação suciente para armar que os estu-
dos interferem no raciocínio do indivíduo em situações de risco. Não foi encontrada, entre
as questões da pesquisa, uma falta de invariância ou um padrão de respostas entre os
grupos de semestres analisados. O que leva a concluir que os estudantes pesquisados
não mudam sua racionalidade no processo decisório ao longo de seus estudos. Esta con-
clusão se faz perceber algo intrigante dentro da ciência administrativa. Os estudantes aqui
pesquisados estudam metodologias desenvolvidas por Simon entre outros autores de pro-
cesso decisório, aprendem a usar ferramentas como árvore de decisão, estudam análise
de investimentos, entre outros. Mas todos estes estudos não interferem em seu raciocínio
quando se vê diante de uma situação de risco.
Daniel Rosa de Araújo, César Augusto Tibúrcio Silva
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Os resultados aqui concluídos com esta pesquisa demonstram quão vasto e promissor é
o estudo em Finanças Comportamentais. Os autores Daniel Kahneman e As Tversky deram
uma grande contribuição nesta área, mas, como podemos ver, seus estudos foram apenas um
elemento deagrador para grandes descobertas envolvendo a psicologia, naas e risco.
REFERÊNCIAS
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pus: Rio de Janeiro, 1997.
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MODIGLIANI F.; MILLER Merton H. Dividend Policy, Growth and the Valuation of
Shares, Journal of Business, 34:411-433, Outubro de 1961.
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SHLEIFER, Andrei. Inefcient Markets. Oxford: Oxford University, 2000.
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THALER, Richard. Dando aos mercados uma dimensão humana. Dominando Finanças.
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VIANA, Ricardo J. A. L. O efeito da miopia e a aversão à perda nas decisões de risco. Dis-
sertação (Mestrado em Economia) Departamento de Economia, Universidade de Brasília,
Brasília, 2005.
... We found that the results obtained in this study are closer to those obtained in the United States (Kahneman and Tversky, 1984) than to those in Brazil (Araujo and Silva, 2007). ...
... The results for Questions 2 and 3 obtained by Kahneman and Tversky (1984) are more conservative than those found in the present study. In turn, the results obtained in Brazil by Araujo and Silva (2007) show that the Brazilians prefer risk taking behaviour to the certainty effect. The analysis of Questions 4 and 5 of Table 5 shows that Mozambicans exhibit far less risk taking than Americans and Brazilians, with Americans being the least reluctant to accept losses. ...
Article
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This paper seeks to analyse how behavioural factors influence the financial decisions of young Mozambican investors. The standard theory of finance assumes investors make rational financial decisions, seeking to minimise risk and maximise their expected utility. However, several studies have been conducted criticizing the assumption that investors are rational, opening the way to behavioural finance theory. According to the behavioural finance approach, financial decisions made by individuals are not based on rational thinking and their risk taking behaviour depends on their beliefs or feelings. Our analysis reveals that young Mozambicans are risk averse towards certain gains and risk lovers when faced with certain losses; they are excessively optimistic about the future; they use the information available as an anchor for their estimates; and they are so overconfident that they believe estimates in uncertain situations to be more accurate than they really are.
... Embora os modelos racionais geralmente prescrevam uma resposta consistente, muitas vezes as decisões são inconsistentes com as informações fornecidas aos tomadores de decisão (Keller & Wang, 2016;Wang, Feng & Keller, 2013). Ao tomar uma decisão os indivíduos não conseguem analisar todas as variáveis e nem sempre as decisões são tomadas de maneira racional (Araújo & Silva, 2007), visto que decisões importantes estão em contextos de pressão e incerteza. Assim, os tomadores de decisão comumente elaboram atalhos mentais ou as chamadas heurísticas de decisão para agilizar o processo decisório, o que interfere em sua racionalidade. ...
Article
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Este estudo tem como objetivo verificar a presença do efeito incerteza nas decisões financeiras tomadas por alunos dos cursos de ciências contábeis e administração, analisando a influência do gênero no nível de aversão à incerteza. Foi aplicado questionário com base no estudo de Gneezy, List e Wu (2006) para 115 alunos dos cursos de contabilidade e administração de empresas em uma universidade pública do Nordeste do país. As evidências indicam a presença do efeito incerteza no comportamento da decisão dos estudantes da amostra. Contudo, não foram encontradas evidências de que o gênero exerce influência significativa no nível de aversão à incerteza. O estudo aponta que podem haver outros efeitos em geral não tratados nos testes que envolvem estudantes.
... In another study, Araújo et Silva (2007) also verified whether study time influences risk aversion and aversion to loss. The comparatives involved only students, also divided into three distinct groups per phase. ...
Article
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p>The modern theory of finance presupposes efficiency of the markets, rationality of its agents and search for the maximization of utility. Behavioral finances challenge these assumptions, claiming that human beings are risk averse in tems of gain situations; however, individuals assume risk when dealing with losses, which is a loss aversion. The objective of this study is to verify whether there are differences regarding the degree of risk aversion and loss as a function of study time and gender. The prospects of Kahneman and Tversky were replicated to 396 students and 31 professors of the administration course of a university center of the state of Santa Catarina, Brazil. The data were analyzed in two steps: in the first, an analysis of the frequencies of the answers was made; In the second, the results were analyzed by groupings between teachers and students and by the gender of the respondents. The chi-square test was used to verify differences in responses. The results indicate that study time does not influence risk and loss aversion. In the comparative by gender, it was verified that this can affect the aversion to the risk, but not the losses. Women have shown greater risk aversion, but both are equally averse to loss.</p
... Entretanto, Kahneman e Tversky (1979) questionam a racionalidade nos investimentos, e sugerem que todos os investidores carregam características psicológicas e limitações que interferem nas suas decisões. No Brasil, por exemplo, Araújo e Silva (2007) verificam empiricamente que, como diversas decisões estão permeadas por incertezas e complexidades, os agentes de sua amostra não conseguem avaliar todas as variáveis contidas no processo. Cappellozza e Sanchez (2011) também evidenciam dissonâncias em decisões do setor de tecnologia. ...
Article
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This study aims to identify the existence of a statistical relationship between rational choice and academic performance of undergraduate university students, based on Grinblatt, Keloharju and Linnainmaa (2011). With the use of questionnaires to collect data and logit regressions, the results show that Academic Performance (AP) has a direct relationship with the rationality of choices and alters cognitive biases in decision making. In this sense, students with higher AP made more rational choices than students with lower AP, which means a lower susceptibility to cognitive biases.
Article
Neste artigo, buscou-se replicar o estudo seminal de Kahneman e Tversky (1979), denominado “teoria do prospecto”, a fim de entender como os alunos que estão concluindo os cursos de Economia e de Administração de uma universidade federal brasileira tomam decisões financeiras em condições de risco e incerteza. As finanças comportamentais são uma área recente das finanças, cuja base é a teoria do prospecto, a qual objetiva explicar decisões “irracionais” dos investidores causadas por fatores emocionais que a moderna teoria de finanças, por vezes, não é capaz de resolver. Por meio de uma pesquisa de campo, avaliou-se um inquérito com 27 questões para aferir a tomada de decisão em diferentes condições. A análise dos resultados foi conduzida comparando os resultados da atual pesquisa com a pesquisa seminal. Os resultados corroboram a existência dos efeitos propostos na teoria do prospecto, bem como a interferência dos vieses cognitivos. Concluiu-se ainda que os alunos ao final dos cursos tomam decisões enviesadas independentemente de contarem com maior grau de instrução.
Article
O estudo das finanças comportamentais é fundamental para a complementação da teoria moderna de finanças, pois fatores comportamentais exercem influência nas decisões de investimento. Diante disso, este trabalho teve como objetivo analisar a aversão ao risco de profissionais do setor financeiro, verificando as diferenças existentes entre indivíduos que efetivamente investem seus recursos e os que gostariam de investir, segregando os resultados conforme gênero, escolaridade, idade, tempo de trabalho e número de dependentes. Os resultados obtidos baseiam-se em dados coletados por meio de questionários, elaborados de acordo com a metodologia proposta por Kahneman e Tversky em 1979 e aplicados a funcionários de 18 agências de quatro instituições financeiras de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Concluiu-se que os respondentes do sexo masculino são mais propensos ao risco e que o aumento do número de dependentes aumenta a aversão ao risco. Percebeu-se, também, um perfil fortemente avesso ao risco, em que poucos respondentes se aventuram em investimentos que não são livres de risco. Verificou-se, ainda, que, embora exista a intenção de realizar investimentos mais arriscados, os respondentes de fato não o fazem, o que pode estar ligado ao medo de reportarem seus erros.
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Estudos que avaliem percepções distintas entre grupos na área contábil possuem relevância, tanto prática como teórica, pois possibilitam novos entendimentos e metodologias para o processo de avaliação de desempenho organizacional. O objetivo deste artigo foi avaliar se grupos de indivíduos possuem percepções distintas quanto à relevância de indicadores financeiros e não-financeiros. Para isso, o estudo contou com uma amostra formada por 59 discentes de cursos de pós-graduação da cidade de Salvador-BA, sendo desconsideradas as informações atípicas. Diante disso, a presente amostra foi agrupada considerando-se três critérios: um de natureza cognitiva (formação em contabilidade); outro de natureza biológica (gênero); e por último o de natureza social (tempo de graduado). Para a obtenção dos dados, os participantes responderam um questionário, elaborado a partir de questões presentes na literatura. O tratamento por meio de ferramenta estatística contemplou Testes de Significância para o estabelecimento de diferenças entre as respostas inter-grupos. Os resultados revelaram que: não existem diferenças significativas na escolha de indicadores entre contadores e outros profissionais; não existem diferenças na opção por indicadores entre homens e mulheres; e que existem diferenças significativas na escolha de indicadores não-financeiros entre indivíduos com mais de cinco anos de formação e aqueles com menor tempo. Assim, comprovou-se a hipótese geral estabelecida na pesquisa de que existem grupos de indivíduos que possuem percepções distintas quanto à relevância de indicadores de desempenho não-financeiros. Portanto, demonstrando que as avaliações gerenciais se modificam de acordo com critérios subjetivos, que podem ser identificados por meio de agrupamentos específicos.
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Resumo O registro e divulgação das informações contábeis da empresa, atribuição do profissional de contabilidade, é de suma importância para o processo de tomada de decisão. Com a harmonização da contabilidade brasileira junto às Normas Internacionais de Contabilidade, a contabilidade passa a ser baseada em princípios A necessidade tanto visionária quanto de conhecimento chega a todos esses profissionais que devem estar aptos a estruturar, analisar e explanar o significado dos dados das demonstrações influenciando diretamente na tomada das decisões estratégicas das empresas. Assim, através da Teoria dos Prospectos e de seus efeitos Certeza e Framing busca-se entender de que forma esses profissionais estão analisando e produzindo informações. Nessa pesquisa foi aplicado questionário estruturado e não disfarçado a profissionais da área de Contabilidade, objetivando a verificação da forma que os efeitos Framing e Certeza poderiam moldar uma tomada de decisão dentro do ambiente contábil. A fim de utilizar campos diferentes (ganho e perda) foi aplicado um questionário dividido em dois tipos (I e II). Os resultados foram ponderados através da análise de frequência das alternativas de cada questão e aplicou-se testes de diferença de proporções. Frente aos resultados, atesta-se que a forma de transmitir a informação influencia a decisão a ser tomada onde no campo dos ganhos os respondentes tendem a buscar a opção mais provável de ocorrer e no campo das perdas a mais arriscada, identificando-se a presença dos Efeitos Framing e Certeza. Cabe destacar que a alteração na probabilidade de ocorrência de um evento mostra-se significativo na mudança de padrão de resposta. Busca-se assim contribuir na conscientização dos profissionais de contabilidade de que seus julgamentos são passivos de desvios. Palavras-chave: Teoria dos Prospectos. Efeito Certeza. Efeito Framing. Tomada de decisão.
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In the hope that it may help to overcome these obstacles to effective empirical testing, this paper will attempt to fill the existing gap in the theoretical literature on valuation. We shall begin, in Section I , by examining the effects the effects of differences in dividend policy on the current price of shares in an ideal economy characterized by perfect capital markets, rational behavior, and perfect certainty. Still within this convenient analytical framework we shall go on in Section II and III to consider certain closely related issues that appear to have been responsible for considerable misunderstanding of the role of dividend policy. In particular, Section II will focus on the longstanding debate about what investors "really" capitalize when they buy shares; and Section III on the much mooted relations between price, the rate of growth of profits, and the rate of dividends per share. Once these fundamentals have been established, we shall proceed in Section IV to drop the assumption of certainty and to see the extent to which the earlier conclusions about dividend policy must be modified. Finally, in Section V , we shall briefly examine the implications for the dividend policy problem of certain kinds of market imperfections.
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Até 1200 : os primórdios -- 1200-1700 : mil fatos notáveis -- 1700-1900 : medições ilimitadas -- 1900-1960 : nuvens de incerteza e a exigência de precisão -- Graus de crença : explorando a incerteza En cub: FUNENSEG
A capacidade de decisão e de liderança
  • Herbert Alexander
SIMON, Herbert Alexander. A capacidade de decisão e de liderança. Editora Fundo de Cultura: Rio de Janeiro, 1960.