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Transferência de tecnologia no cultivo de mandioca – o caso do Projeto Reniva

Authors:

Abstract and Figures

Este estudo de caso, de natureza aplicada com abordagem qualitativa-descritiva, tem por objetivo mostrar a importância de projetos de transferência de tecnologia (TT) na agricultura, em especial o projeto da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), denominado Reniva − rede de multiplicação e transferência de materiais propagativos de mandioca com qualidade genética e fitossanitária. A mandioca é um tubérculo, rico em carboidratos, de grande importância econômica e social no nosso país e no mundo. Sua cadeia produtiva é uma das mais importantes na agricultura familiar, emprega mais de 1 milhão de pessoas e movimenta algo em torno de 10 bilhões de reais por ano no Brasil. Porém sofre muitas perdas com doenças e baixa produtividade. O Projeto Reniva contribui para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do cultivo da mandioca, por meio do melhoramento genético, da seleção de variedades mais produtivas e resistentes, da transferência de tecnologia entre entidades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e agricultores, inovação de processos e transferência de know-how para utilização dessas novas tecnologias, tendo por resultado adoção de novas práticas, mão de obra mais qualificada e a disponibilização de mudas, “manivas-sementes”, geneticamente resistentes às doenças, com maior produtividade e adaptadas às diversas localidades. Muito está sendo feito, porém é preciso verificar os resultados e garantir a continuidade do projeto após o primeiro ciclo.
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Transferência de tecnologia no cul vo de mandioca – o caso do Projeto Reniva
Technology transfer in cassava cul va on − the case of Reniva Project
Transferencia de tecnología en el cul vo de yuca – el caso del Proyecto Reniva
Emanuel Souza1
Ricardo Kalid2
Recebido em: 17/04/2020; revisado e aprovado em: 27/10/2020; aceito em: 1º/04/2021
DOI: h p://dx.doi.org/10.20435/inter.v23i2.3017
Resumo: Este estudo de caso, de natureza aplicada com abordagem qualita va-descri va, tem por obje vo
mostrar a importância de projetos de transferência de tecnologia (TT) na agricultura, em especial o projeto
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), denominado Reniva − rede de mul plicação e
transferência de materiais propaga vos de mandioca com qualidade gené ca e fi tossanitária. A mandioca é
um tubérculo, rico em carboidratos, de grande importância econômica e social no nosso país e no mundo.
Sua cadeia produ va é uma das mais importantes na agricultura familiar, emprega mais de 1 milhão de
pessoas e movimenta algo em torno de 10 bilhões de reais por ano no Brasil. Porém sofre muitas perdas
com doenças e baixa produ vidade. O Projeto Reniva contribui para o desenvolvimento e aperfeiçoamento
do cul vo da mandioca, por meio do melhoramento gené co, da seleção de variedades mais produ vas e
resistentes, da transferência de tecnologia entre en dades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I)
e agricultores, inovação de processos e transferência de know-how para u lização dessas novas tecnologias,
tendo por resultado adoção de novas prá cas, mão de obra mais qualifi cada e a disponibilização de mudas,
“manivas-sementes, gene camente resistentes às doenças, com maior produ vidade e adaptadas às diversas
localidades. Muito está sendo feito, porém é preciso verifi car os resultados e garan r a con nuidade do
projeto após o primeiro ciclo.
Palavras-chave: agricultura familiar; biofábrica; cadeia produ va; Manihot esculenta Crantz.
Abstract: This case study, of applied nature with a qualita ve-descrip ve approach, aims to show the
importance of technology transfer (TT) projects in agriculture, especially the Brazilian Agricultural Research
Corpora on’s (EMPRAPA) project called Reniva – a network for the mul plica on and transfer of propaga ng
materials of gene c and phytosanitary quality. Cassava is a carbohydrate-rich tuber of great economic and
social importance in our country and around the world. Its produc ve chain is one of the most important in
family farming, employs more than 1 million people, and moves around R$ 10 billion a year in Brazil. However,
it suff ers many losses due to pests and low produc vity. The Reniva Project contributes to the development
and improvement of cassava cul va on through gene c improvement, selec on of more produc ve and
resistant varie es, technology transfer between Research, Development, and Innova on (RD&I) en es
and farmers, process innova on, and know-how transfer to use these new technologies, resul ng in more
qualifi ed manpower, adop on of new prac ces, availability of gene cally resistant seedlings, “maniva-seed”,
with higher produc vity and adapted to diff erent loca ons. Much is being done, but it’s necessary to verify
the results and ensure the con nuity of the project a er the fi rst cycle.
Keywords: Family farming; biofactory; produc ve chain; Manihot esculenta Crantz.
Resumen: Este estudio de caso, de carácter aplicado con enfoque cualita vo-descrip vo,  ene como obje vo
mostrar la importancia de los proyectos de transferencia de tecnología (TT) en la agricultura, en especial
al proyecto de la Empresa Brasileña de Pesquisa Agropecuaria (EMBRAPA), denominado Reniva − red de
mul plicación y transferencia de materiales propagantes de mandioca con calidad gené ca y fi tosanitaria.
La mandioca es un tubérculo, rico en carbohidratos, de gran importancia económica y social en nuestro país
y en el mundo. Su cadena produc va es una de las más importantes en la agricultura familiar, emplea a más
de 1 millón de personas y mueve aproximadamente a 10 billones de reales al año en Brasil. Sin embargo,
sufre muchas pérdidas por las plagas y la baja produc vidad. El Proyecto Reniva colabora para el desarrollo
y mejora del cul vo de la mandioca, a través de la mejora gené ca, selección de variedades más produc vas
y resistentes, por medio de la transferencia de tecnología entre en dades de Inves gación, Desarrollo e
Innovación (I+D+I) y agricultores, innovación de procesos y transferencia de know-how para u lización de
estas nuevas tecnologías, teniendo como resultado adopción de nuevas prác cas, mano de obras califi cada
1 Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilhéus, Bahia, Brasil.
2 Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Itabuna, Bahia, Brasil.
INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 23, n. 2, p. 423-439, abr./jun. 2022
Este é um ar go publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Crea ve Commons A ribu on, que permite
uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.
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y la disponibilidad de mudas, “manivas-semillas”, gené camente resistentes a enfermedades, con mayor
produc vidad y adaptadas a diferentes ubicaciones. Mucho se está haciendo, pero es necesario averiguar
los resultados y garan zar la con nuidad del proyecto después del primer ciclo.
Palabras clave: agricultura familiar; biofábrica; cadena produc va; Manihot esculenta Crantz.
1 INTRODÃO
Manihot esculenta Crantz, ou mandioca, tubérculo que em várias regiões do país serve de
base alimentar, tem grande importância econômica e social. De origem brasileira, a mandioca
é um dos principais alimentos básicos e compõe a dieta de mais de meio bilhão de pessoas.
Mais de 100 países tropicais e subtropicais cul vam a mandioca. A cultura pode produzir bons
rendimentos, com poucos insumos ou até mesmo nenhum; é uma planta forte, suporta períodos
de seca e produz mesmo em solos de baixa fer lidade (FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION
[FAO], 2013).
A mandiocultura é uma das mais importantes entre as culturas da agricultura familiar.
A mandioca é um dos principais alimentos energé cos para cerca de 500 milhões de pessoas.
(FREITAS; FARIAS; VILPOUX, 2011 p. 30).
O Brasil já foi o maior produtor mundial de mandioca, mas perdeu a liderança para países
africanos e asiá cos. A Nigéria lidera a produção mundial, com 20 % do total mundial, segundo
a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, 2013). A produção
brasileira, como mostram dados do sistema SIDRA, do Ins tuto Brasileiro de Geogra a e Esta s ca
(IBGE, 2020), apresentou uma estabilidade no período de 2013 a 2016 em torno de 22 milhões
de toneladas, porém, desde 2017, quando não alcançou a marca dos 19 milhões de toneladas,
a produção vem apresentando quedas sucessivas ano após ano.
No Brasil, es ma-se que as a vidades relacionadas ao cul vo da mandioca e seus derivados
geram quase 1 milhão de empregos no País, sendo 450.000 diretos e 500.000 indiretos (ALVES;
JÚNIOR; CAMPOS, 2010). Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o
Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária relacionada à mandioca foi de R$ 13,9 bilhões em
2017, R$ 10,5 bilhões em 2018 e R$ 8,6 bilhões em 2019 (BRASIL, 2020). Esses dados revelam
a importância da cultura da mandioca para o Brasil. Por isso, pesquisas e projetos de Pesquisa,
Desenvolvimento e Inovação (PD&I) se mostram tão importantes, pois buscam a regeneração e
a renovação da cadeia produ va desta cultura tão relevante para o país.
Contudo a cultura da mandioca apresenta problemas com doenças, patógenos e baixa
produtividade (SILVEIRA; CARDOSO, 2013). Para superar esses problemas relacionados e
impulsionar novamente a cultura da mandioca no país, a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (EMBRAPA) criou o Projeto Reniva (rede de mul plicação e transferência de
manivas-sementes de mandioca com qualidade gené ca e tossanitária), projeto de transferência
de tecnologia, foco deste trabalho que distribuiu, por meio de parceiros como o Ins tuto
Biofábrica da Bahia, mais de 148 mil mudas de mandioca, para os estados da Bahia, Ceará, Minas
Gerais e Rio de Janeiro.
1.1 Obje vo
Apresentar o Projeto Reniva da EMBRAPA, importante inicia va, fonte de conhecimento
e de tecnologias para reestruturação da cadeia produ va da mandioca.
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1.2 Descrição das seções deste ar go
O presente artigo foi dividido nas seguintes seções: (I) Resumo, (II) Introdução,
(III) Transferência de Tecnologia, (IV) Agricultura Familiar e Mandiocultura, (V) Projeto Reniva e
(VI) Considerações Finais, nesta ordem de apresentação. Na terceira seção, são apresentados o
conceito, as mo vações e os pos de Transferência de Tecnologia. Na seção Agricultura Familiar
e Mandiocultura, fi ca evidenciada a importância desse segmento da agricultura e do cul vo da
mandioca para o país, alguns problemas que a cultura enfrenta e os avanços que a transferência
de tecnologia tem proporcionado para o desenvolvimento das a vidades rurais. Na seção sobre
o Projeto Reniva, a inicia va da EMBRAPA é apresentada como um caminho que se u liza da
transferência de tecnologia e de know-how para superar os problemas e aumentar a produ vidade
da mandiocultura. Nas Considerações Finais, salienta-se que a adoção de novas tecnologias e
técnicas, por meio do Projeto Reniva, pode contribuir para melhorar o desempenho da agricultura
familiar e da mandiocultura, e são propostos temas para con nuidade desta pesquisa.
2 TRANSFENCIA DE TECNOLOGIA
Antes de defi nir transferência de tecnologia, é importante defi nir tecnologia, pois, sendo
um termo polissêmico, existem várias possibilidades de signifi cados para este fenômeno,
dependendo do olhar lançado sobre ele. Para este trabalho, trazemos em foco, de acordo com
o Silva, Miranda e Simon (2009), primeiramente, a origem da palavra, vem do grego e que deve
ser separada em duas partes: téchnē, que pode ser defi nido como conjuntos de conhecimentos
e habilidades, saber fazer e logia, do grego logus, razão, efetuando a junção os termos temos a
razão do saber fazer; e também a defi nição de tecnologia como: “Conjunto das técnicas, processos
e métodos específi cos de uma ciência, o cio, indústria etc.; ciência que trata dos métodos e do
desenvolvimento das artes industriais” (AULETE DIGITAL, 2019).
O Ins tuto Nacional da Propriedade Industrial (INPI, 2013) defi ne transferência de tecnologia
como processo de tornar disponível para indivíduos, empresas ou governos as habilidades, os
conhecimentos, as tecnologias, os todos de manufatura, pos de manufatura e outras
facilidades. Bozeman (2000) defi ne transferência de tecnologia como a passagem de know-how,
conhecimento técnico ou tecnologia de uma organização para outra. Também, segundo o INPI,
esse processo tem como obje vo assegurar que o desenvolvimento cien co e tecnológico seja
acessível para uma gama maior de usuários que podem desenvolver e explorar a tecnologia em
novos produtos, processos, aplicações, serviços e materiais.
Além dos obje vos descritos pelo INPI, Reisman (2004) elenca seis mo vações principais
para a transferência de tecnologia:
Fatores Econômicos – Aumento na taxa de vendas; aumento na lucra vidade; economias de
custo; crescimento econômico; geração de exportação; aumento na base de conhecimentos.
Fatores Operacionais – Mudanças na escala de produção ou serviço; aumento da capacidade
de inovação; acesso a novos mercados; melhoria nas habilidades de trabalho; uso mais efi -
ciente do capital e do trabalho; diminuição no tempo de realização do trabalho; melhoria na
PD&I; ganhos de produ vidade.
Fatores Sociais – Melhoria da qualidade de vida; aumento de empregos; avanço da sociedade;
elevação do status polí co e social; enriquecimento e evolução cultural; melhoria do ambiente
por meio de novas tecnologias sociais.
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Fatores Estratégicos Entrada em mercados internacionais; melhoria da qualidade do produto
ou serviço; gestão tecnológica; melhoria da exibilidade gerencial e produ va; incremento da
inovação de produto; serviços baseados na internet.
Fatores Pessoais Bene cios de aprendizado; aumento das habilidades empreendedoras;
melhoria do status da disciplina ou profi ssão; aumento de rendimento fi nanceiro.
Assafi m (2010) dá ênfase aos atores envolvidos no processo e conceitua transferência de
tecnologia como intercâmbio ou a transmissão de conhecimentos técnicos entre dois ou mais
sujeitos. De um lado, um gestor da tecnologia (concedente) e, de outro, um dependente (receptor
ou adquirente) que precisa da tecnologia. Nessa abordagem, o requisito fundamental é haver
intercâmbio ou transmissão de conhecimentos técnicos entre dois ou mais atores.
Mt. Auburn Associates (1995) estra ca a Transferência de Tecnologia (TT) em duas formas
dis ntas. Uma refere-se ao desenvolvimento da tecnologia; neste processo de inovação, os
paradigmas tecnológicos são transformados e atualizados pelo processo de inovação. O outro
po tem como base a difusão tecnológica, que compreende a adoção de tecnologias de produtos
e processos disponíveis comercialmente e o uso de informações técnicas, procedentes de fontes
externas, para a solução de problemas, a par r de padrões tecnológicos existentes.
O INPI (2013) prevê 13 pos de contratos de transferência de tecnologia: (I) Licença de
Uso de Marca; (II) Cessão de Marca; (III) Licença para Exploração de Patentes; (IV) Cessão de
Patente; (V) Licença Compulsória de Patente; (VI) Licença para Exploração de Desenho Industrial;
VII) Cessão de Desenho Industrial; (VIII) Licença de Topografi a de Circuito Integrado; (IX) Cessão
de Topogra a de Circuito Integrado; (X) Licença Compulsória de Topografi a de Circuito Integrado;
(XI) Fornecimento de Tecnologia; (XII) Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Cien ca;
(XIII) Franquia.
O Projeto Reniva pode ser classificado como (XI) Fornecimento de Tecnologia ou
fornecimento de know-how e, por esse mo vo, essa modalidade será tratada de forma mais
detalhada. Os contratos dessa natureza, segundo publicações do INPI, visam à aquisição de
conhecimentos ou técnicas não patenteáveis para a fabricação de produtos, prestação de serviços
ou aperfeiçoamento de produtos existentes.
Magnin (1974) defi ne o know-how como a “arte da reprodução”, não a reprodução de
bens materiais, mas a reprodução das condições do aparelhamento empresarial que favorece a
produção dos bens materiais. Esta expressão em inglês, também conhecida na língua francesa
como savoir-faire, signifi ca, em uma tradução livre, “saber-fazer”. E esse conhecimento é
considerado por várias empresas um dos mais valiosos pos de tecnologia, uma vez que é
o acúmulo de muitos anos de experiência”, segundo pesquisa do Estado Americano junto a
mul nacionais, em 1979 (EUA, 1979, p. 206).
O know-how representa, muitas vezes, o diferencial de uma empresa ou organização das
suas concorrentes em relação ao mercado. O Projeto Reniva traz consigo esses bene cios do
“saber-fazer” em relação às modifi cações gené cas das mudas de mandioca mais resistentes e
mais produ vas e de técnicas de cul vo mais efi cientes em relação à adoção de boas prá cas
na mandiocultura, além da distribuição de mudas de mandioca a “maniveiros” que, por sua
vez, realizarão a mul plicação e distribuição de manivas saudáveis para os agricultores de suas
respec vas áreas (ROCHA et al., 2014). É um projeto de aprimoramento da produção de mandioca
e difusão tecnológica que distribui mudas melhoradas e transferência de know-how sobre como
plantar mandioca de forma mais efi ciente no Brasil.
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3 AGRICULTURA FAMILIAR E A MANDIOCULTURA
A agricultura familiar faz parte das a vidades produ vas do país desde o início do processo
de ocupação do território brasileiro (MATTEI, 2014). Segundo dados do Censo Agropecuário 2017,
a agricultura familiar no Brasil é responsável por 23% de toda a produção agropecuária nacional,
o que corresponde a 107 bilhões de reais e ocupa 67% de todo o pessoal na agropecuária do
país, cerca de 10,1 milhões de pessoas (IBGE, 2017).
O Brasil avançou consideravelmente, nos úl mos anos, em relação a uma melhor defi nição
e entendimento das caracterís cas e do signifi cado do grupo social denominado agricultura
familiar. O principal avanço concerne ao reconhecimento da enorme pluralidade econômica
e diversidade social desse grupo social, formado por pequenos proprietários de terra que
trabalham com o auxílio do uso da força de trabalho dos seus familiares, produzindo tanto para
sua subsistência como para a comercialização e vivendo em pequenas comunidades ou povoados
rurais (SCHNEIDER; CASSOL, 2014, p. 227-63).
Apesar da importante par cipação da agricultura familiar na segurança alimentar da
população, a polí ca agrícola favoreceu, durante o processo da modernização da agricultura
brasileira (décadas de 1960 e 1970), e favorece, nos dias atuais, os setores mais providos de capital
e a parcela produ va das commodi es voltadas para o mercado internacional e produzidas nas
grandes propriedades. Para a agricultura familiar, o resultado dessas polí cas foi e é nega vo,
uma vez que boa parte desse segmento fi cou à margem dos bene cios oferecidos pela polí ca
agrícola, sobretudo nos itens rela vos ao crédito rural, à polí ca de preços mínimos e ao seguro
da produção. A despeito da criação, em 1996, do Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar (PRONAF), que representa o reconhecimento do Estado brasileiro de uma
nova categoria social, os agricultores familiares (MATTEI, 2014), e de algumas outras inicia vas
desenvolvidas ao longo dos anos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o
plano Safra e projetos da EMBRAPA, como o Silvania e o Reniva, os recursos disponibilizados para
projetos da agricultura familiar ainda representam uma fa a pouco signifi cante do agronegócio no
país, mesmo com a geração de empregos e a distribuição de renda atreladas à agricultura familiar.
O desenvolvimento rural tem sido associado à modernização da agricultura e, em decorrência
da u lização ou da incorporação de novas tecnologias, ao processo produ vo (GASTAL, 1997).
Estudos mostram que, desde a década de 1960, a inovação tecnológica aplicada à agricultura
refl e u em mudanças profundas no setor, que saiu da estagnação, beirando o desabastecimento
para ganhos elevados de produ vidade (FILHO; VIEIRA, 2013).
Algumas dessas inicia vas são direcionadas à transferência de tecnologia, com obje vo
de desenvolver as a vidades rurais, melhorar a situação econômica dos produtores e minimizar
as imperfeições do mercado, no que tange ao acesso de assistência técnica e extensão rural de
qualidade, frequente e con nuada − problemas de transferência de tecnologia que puderam ser
verifi cados no Censo Agro de 2006 (ALVES; SILVA, 2013).
Zoby, Xavier e Gastal (2003) defendem que, no contexto da agricultura familiar, em que
a renda está ligada à produção agrícola, o aumento do desenvolvimento depende da adoção
de mecanismos e procedimentos que possibilitem maior efi ciência e maior rentabilidade nas
unidades de produção. É de grande importância a aplicação de procedimentos e processos que
permitam gerar e distribuir renda.
Segundo Alves e Silva (2013), estudos da Embrapa realizados nos úl mos anos pelas áreas
de economia de produção e transferência de tecnologia mostram que organizar a produção e a
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infraestrutura de produção com a par cipação coopera va dos setores público e privado requer
equipes de transferência de tecnologia próximas e acessíveis para atendimento dos produtores
e para o desenvolvimento de redes de inovação.
De acordo com Silveira e Cardoso (2013), a mandiocultura se destaca na Região Nordeste
por sua resistência à seca. Mas ainda existem três grandes problemas com essa cultura. O
primeiro esrelacionado com a pouca disponibilidade de “manivas-sementes” de boa qualidade
gené ca e tossanitária para o plan o, devido a sua caracterís ca natural em relação à baixa taxa
de proliferação, que é um empecilho à sua produção em maior escala. O próximo entrave está
relacionado com a baixa produ vidade da cultura, pela u lização de espécies pouco produ vas
e, também, infl uenciada pela ocorrência de topatógenos. O terceiro obstáculo está ligado à
falta de adoção das tecnologias geradas e à falta de conhecimento dos produtores em relação às
boas prá cas para seleção de material de boa qualidade para o plan o. Além desses problemas,
pode-se citar ainda o fato da cultura das queimadas, que ocorrem frequentemente no Nordeste,
prá ca que, com o passar do tempo, deixa o solo pobre e infér l, mesmo para uma cultura tão
resistente.
Segundo Júnior e Alves (2014), o melhoramento gené co da mandioca é necessário para
selecionar as variedades mais produ vas e adaptadas a determinada localidade, associando a
produção de raízes com qualidade nutricional e caracterís cas que sejam interessantes para a
obtenção dos diferentes produtos que são gerados.
4 O PROJETO RENIVA
Silveira e Cardoso (2013) relatam que, após a iden cação dos problemas apresentados na
seção 2 (pouca disponibilidade de manivas-semente de boa qualidade; baixa produ vidade da
cultura; falta de adoção das tecnologias geradas; solo pobre e infér l) e com obje vo de suplantá-
los, potencializar e agrupar esforços dos agentes da cadeia de produção, foi elaborado no ano
de 2011, no estado da Bahia, pela EMBRAPA Mandioca e Fru cultura, um projeto que propõe o
aperfeiçoamento da cadeia produ va da mandioca, por meio da criação e do desenvolvimento
de uma rede de mul plicação de manivas-semente com qualidades gené ca e tossanitária
comprovadas. Em maio de 2012, foi assinado, na cidade de Vitória da Conquista, o termo
de cooperação técnica entre a EMBRAPA e o Governo do Estado da Bahia, o que deu início e
colocou em prá ca o projeto, considerado estratégico para o estado e que, posteriormente, foi
encampado pelo governo federal e passou a fazer parte do Programa Brasil sem Miséria (PBSM),
Reniva – Rede de Mul plicação e Transferência de Materiais Propaga vos de Mandioca com
Qualidade Gené ca e Fitossanitária, que estabelece:
i) iden cação e u lização de variedades tradicionais consagradas e oriundas de pesquisas mais
produ vas e resistentes a pragas;
ii) a indexação de plantas matrizes, par ndo da seleção visual de plantas sadias;
iii) o uso de técnicas de micropropagação in vitro e de mul plicação rápida para incrementar a
taxa de mul plicação;
iv) a criação do produtor profi ssional de material propaga vo, o “maniveiro”, suportado inicial-
mente pelo projeto;
v) a distribuição assis da do material produzido;
vi) a par cipação dos agricultores benefi ciários na observação das boas prá cas de produção e
seleção de material propaga vo adequadas à sua realidade;
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vii) e a retroalimentação do processo com informações oriundas das trocas de saberes, nas quais
cada ins tuição parceira do projeto dinamiza as a vidades no seu ambiente de atuação.
Para o Reniva funcionar, é necessária a ar culação dos seguintes atores:
a) Uma ins tuição de ciência e tecnologia (ICT), no caso a EMBRAPA responsável pela pesquisa
de novos cul vares mais resistentes e produ vos;
b) Uma ins tuição para produção das “manivas-sementes, no caso o Ins tuto Biofábrica da Bahia
– responsável pela produção das mudas a par r das sementes gene camente selecionadas
pela EMBRAPA;
c) Os maniveiros, que produzem as manivas a par r das sementes fornecidas pela Biofábrica,
mul plicando e distribuindo aos agricultores as mudas de mandioca resistentes às principais
doenças;
d) Os agricultores que produzirão a mandioca e selecionarão espécimes candidatos a serem
novas matrizes que devem ser encaminhadas à EMBRAPA.
E o ciclo virtuoso é estabelecido.
Para sinte zar e organizar melhor as etapas do projeto, foram elaborados a Figura 1 e o
Quadro 1. A primeira mostra as etapas e o uxo do projeto, o segundo descreve o passo a passo,
as ações e os obje vos inerentes a cada etapa. Informações mais detalhadas e completas podem
ser encontradas na Car lha da EMBRAPA produzida por Rocha et al. (2014).
Figura 1 – Etapas do Projeto Reniva
Fonte: Adaptado de Silveira e Cardoso (2013), Rocha et al. (2014) e Embrapa (2018).
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Quadro 1 – Detalhamento das Etapas do Projeto Reniva
Etapa Ações/itens importantes Obje vo
Iden cação e
coleta de campo
das plantas
candidatas a
matrizes
Na cultura da mandioca, existe uma forte relação
entre genó po x ambiente, que faz com que existam
variedades adaptadas para cada local. Faz-se necessário
testar as variedades lançadas pelo programa de
melhoramento gené co e selecionar o material
gené co.
Selecionar variedades
adaptadas que se comportam
de maneira sa sfatória
em relação à produção e
produ vidade.
Análises de
indexação
As análises de indexação das plantas para fi toplasma e
viroses são baseadas em testes Elisa e PCR. Os testes de indexação
permitem atestar a sanidade
das mudas.
Micropropagação
in vitro
Processo ocorre nas biofábricas credenciadas. De
posse das plantas matrizes, inicia-se o processo de
mul plicação e produção das mudas clonadas.
A par r de uma gema,
pode-se alcançar taxas
de mul plicação de até
1 : 25000.
Micropropagação
rápida
Processo acontece nas unidades de mul plicação
ou campos de produção dos “maniveiros”. As
mudas provenientes das biofábricas, livres de
pragas e doenças, são mul plicadas por maniveiros
tecnicamente qualifi cados e assis dos por técnicos.
Mul plicação e distribuição
de material de qualidade
e adaptado para cada
localidade.
Pré-requisitos para
o recebimento
das mudas
micropropagadas
Seleção das variedades a serem plantadas;
Seleção e treinamento de pessoal a ser encarregado
da condução do campo de produção de manivas
(maniveiro);
Correção do solo para a manutenção de um pH neutro;
Deve haver um sistema de irrigação em perfeito
funcionamento com água perene;
Deve haver isca para o controle de formigas cortadeiras.
Espalhar armadilhas ao redor do plan o com telhas
sobre as iscas.
Seleção das variedades e
preparação dos maniveiros
e do solo para que 1 hectare
(he) de campo de produção
de manivas (maniveiro)
produza, ao fi nal de 1 ano,
um volume o sufi ciente
para o atendimento de 260
famílias com 500 manivas-
sementes cada uma.
Escolha da área
Para a escolha da melhor área para o plan o, deve-se
atentar para os seguintes itens:
Disponibilidade de água de boa qualidade para a
irrigação (CE de no máximo 1,0 dS/m2*);
A fonte de água deve ser perene;
Selecionar áreas bem ven ladas, com solos
bem drenados e não encharcados, para evitar o
aparecimento de doenças;
Evitar o plan o em áreas anteriormente cul vadas
com mandioca, para evitar o aparecimento de doenças
bacterianas e de patógenos habitantes do solo;
O plan o da área de mandioca para re rada de
manivas-sementes deve estar localizado, no mínimo,
a 50 metros de distância de outra área de cul vo de
mandioca. Dessa forma, evita-se o contato com água de
enxurrada de outras áreas, diminuindo a transmissão de
patógenos presentes no solo;
A declividade deve ser de até 12%, para facilitar a
aplicação dos tratos culturais.
Conservar a estrutura dos
solos, permi r o melhor
desenvolvimento vegeta vo
das plantas e evitar a
incidência de doenças e
pragas além das viroses,
haja vista que não se trata
de um plan o normal,
mas sim de uma área de
produção de material
propaga vo com origem
gené ca. Como consequência
ao atendimento dessas
especifi cações, as áreas
de maniveiros tendem
a perpetuar-se por um
longo período, mantendo a
necessária isenção de pragas
e doenças nas manivas-
sementes em produção.
Preparo do solo e
plan o
Limpeza do local com a re rada da vegetação
espontânea, deve ser feito por meio de roçagem
e destoca manual. Em hipótese alguma deverá ser
u lizado o fogo para eliminação dessa vegetação;
Após ter o terreno limpo, será necessário realizar
análise química do solo (60 dias antes do plan o).
Devendo ser evitados, pontos próximos a formigueiros,
benfeitorias, vias de acesso, currais, locais de
compostagem e pilhas de estrume de animais;
Após o resultado da análise química do solo, a primeira
prá ca, se necessária, é a correção da acidez;
O principal fruto da mandioca
são as raízes.
E, para o melhor
desenvolvimento delas, a
mandioca precisa de solos
profundos e “soltos”; por esse
mo vo, os solos arenosos ou
de textura média são os ideais,
pois facilitam o crescimento
das raízes, pela boa drenagem
e colheita facilitada.
INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 23, n. 2, p. 423-439, abr./jun. 2022
431Transferência de tecnologia no cul vo de mandioca – o caso do Projeto Reniva
Etapa Ações/itens importantes Obje vo
Preparo do solo e
plan o
Em seguida, passa-se a adubação nitrogenada,
fosfatada e potássica;
Após a adubação química, deve ser empregada a
adubação orgânica;
Para o plan o em 1 he, cada maniveiro recebe em torno
de 13 mil mudas, já prevendo a reposição de eventuais
falhas.
O preparo do solo, além de
controlar plantas daninhas,
tem por obje vo melhorar
as condições  sicas para
a brotação das manivas,
crescimento das raízes e das
partes vegeta vas.
Manejo da irrigação
A irrigação deve ser feita por microaspersão, para
reduzir a perda de água e evitar o aparecimento de
algumas doenças devido ao encharcamento localizado;
Para auxiliar no adequado manejo da irrigação,
recomenda-se a u lização de sensores de umidade do
solo de fácil manuseio, tais como os tensiômetros.
A mandiocultura não
demanda grandes
quan dades de água, porém,
nos primeiros cinco meses,
é muito importante manter
o solo úmido para o bom
desenvolvimento da planta.
Cuidados com as
ferramentas de
trabalho
A principal operação manual com o uso de ferramenta
a ser empregada durante a produção de hastes pelo
maniveiro será a capina nas entrelinhas.
É muito importante que se tome o máximo cuidado
possível para não causar ferimentos com a enxada nos
troncos das plantas;
Recomenda-se que sejam des nadas novas enxadas
somente para u lização dentro da área do maniveiro;
Antes e após a u lização para as capinas, essas lâminas
deverão ser lavadas em água de torneira com esponja
e sabão ou detergente domés co para a re rada da
sujeira;
É importante que se implemente, logo de início, um
pedilúvio na entrada da área, para a desinfestação de
possíveis propágulos de patógenos, nos solados dos
calçados de quaisquer empregados transitando de fora
para o interior da área.
A disseminação de doenças
na mandiocultura ocorre
principalmente por
transmissão mecânica e por
materiais infectados.
Por isso a importância dos
cuidados com as ferramentas
des nadas ao uso no
maniveiro.
Manejo de plantas
daninhas e doenças
Na eventualidade da ocorrência de plantas com sintomas
de bacteriose (folhas, hastes e pecíolo) ou quaisquer
outros, como mosaico das folhas ou das nervuras ou
murcha, essas deverão ser destruídas, por meio da
re rada e eliminação da planta inteira.
Em caso da ocorrência de doenças que afetem poucas
folhas, pequenas porções de haste ou pecíolo, deve-se
realizar a re rada manual do tecido afetado e eliminação
dessas partes.
As seguintes doenças devem ser monitoradas
constantemente:
Antracnose;
Bacteriose;
Couro de sapo;
Mosaico comum;
Mosaico das nervuras;
Podridão de raízes;
Superalongamento;
Superbrotamento.
A interferência das plantas
daninhas tem uma relação
direta sobre a produ vidade
e qualidade das manivas.
Portanto, é necessário
controlar as plantas daninhas,
pelo menos durante o
período crí co (primeiros
cinco meses de implantação
da cultura).
Manejo de
insetos-praga
Deve-se realizar o monitoramento da área, a cada sete
dias, no intuito de iden car eventuais focos de pragas
e proceder o manejo ou a eliminação dessas.
Por se tratar de um plan o
irrigado e bem nutrido, as
plantas serão bastante vistosas
e atra vas aos insetos-pragas
ao longo de todo o ano de
cul vo, e, apesar de não
transmi rem viroses, poderão
comprometer a qualidade
nal das manivas-sementes.
INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 23, n. 2, p. 423-439, abr./jun. 2022
432 Emanuel SOUZA; Ricardo KALID
Etapa Ações/itens importantes Obje vo
Colheita das hastes
Deve-se sempre tomar o cuidado de realizar a colheita
de plantas sadias, sem sintomas de ataques de pragas e
doenças;
O corte das plantas pode ser realizado com auxílio de
um facão ou u lizando uma serra circular;
As hastes colhidas deverão ser armazenadas durante
um período de 8 a 12 dias, sob condições de sombra
e temperaturas amenas, para diminuir a umidade,
evitando, assim, o apodrecimento por ocasião do
plan o;
Após o corte, deve-se preparar os feixes com as hastes,
amarrando-os com fi lhos ou barbantes. Os feixes
devem ser colocados em local fresco, sombreado e
protegido de ventos quentes e secos, até o transporte e
a distribuição das manivas-sementes;
O ideal é que as hastes sejam cortadas para entrega
imediata aos agricultores. As hastes deverão ser
cortadas em pedaços de 10-15 cm e entregues em
feixes devidamente iden cados com os nomes de cada
variedade;
Após a colheita, os restos culturais devem ser re rados
da área, para evitar a incidência de pragas e doenças.
Cerca de 10 a 12 meses após
o plan o, as plantas estarão
com maturação fi siológica
adequada à coleta das hastes
para a distribuição das
manivas-sementes.
Distribuição das
manivas
Os produtores contemplados deverão ter recebido
instruções técnicas simplifi cadas acerca dos cuidados
com esse novo  po de material propaga vo, de forma a
evitar a recontaminação com viroses;
Haver disponibilidade de manivas-sementes para a
entrega no início da estação chuvosa;
Ter havido uma visita prévia às áreas de plan o pelo
pessoal da assistência técnica, para checar as condições
mínimas necessárias ao plan o das manivas;
Disponibilizar o transporte para a entrega das manivas-
sementes aos produtores localizados nas proximidades
dos maniveiros.
Os critérios devem ser
obedecidos para um melhor
aproveitamento da produção
e u lização correta das
manivas.
Fonte: Adaptado de Silveira e Cardoso (2013), Rocha et al. (2014) e Embrapa (2018).
O papel da Embrapa no Reniva
O melhoramento gené co está relacionado às metas (I), (II) e (III) do Projeto Reniva; na
meta (I), as comunidades de agricultores trabalham juntamente aos técnicos dos parceiros
regionais do Reniva na seleção do material gené co de algumas espécies adaptadas à
localidade, que passam, então, por análises de indexação. As sementes indexadas, livres
de doenças e pragas, são enviadas para biofábricas de mudas que, em laboratório, fazem a
mul plicação in vitro (micropropagação vegetal) e a aclima zação de grandes quan dades de
mudas (EMBRAPA, 2018).
Almeida et al. (2015) descrevem quão cuidadoso é o início do processo de mul plicação,
que se entre bisturis e tubos de ensaio. Após o processo de indexação, as manivas são cortadas
em segmentos de 15 cm e, posteriormente, plantadas em posição ver cal em tubetes de PVC
e man das em casas de vegetação. Assim que os brotos a ngem cerca de 2 cm, são colhidos,
desinfetados, e as gemas laterais são extraídas e cul vadas em câmara de uxo laminar. Quando
verem em um tamanho entre 1,0 cm e 1,5 cm, após 15 a 20 dias do início da incubação,
são transferidos para o meio de cultura e enraizamento, uma espécie de gel que vai servir de
solo. Ao a ngirem a altura em torno de 12 cm, as plantas são levadas para aclima zação, em
INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 23, n. 2, p. 423-439, abr./jun. 2022
433Transferência de tecnologia no cul vo de mandioca – o caso do Projeto Reniva
que permanecem por 15 dias. Após a aclima zação, as mudas são transferidas para uma casa
de vegetação até alcançarem um tamanho de 25 cm, quando são repassadas aos parceiros
responsáveis pela mul plicação rápida e pelo repasse aos agricultores das manivas.
Ambas as técnicas de mul plicação in vitro e de mul plicação rápida possibilitam a clonagem
de materiais livres de viroses e outras doenças (EMBRAPA, 2018), o que resulta em plantas mais
resistentes e mais produ vas.
Além do processo inicial de pesquisa em ambiente laboratorial, a EMBRAPA atua na
transferência dessa tecnologia para os produtores, por meio de um processo importan ssimo
de transferência de know-how, que conta com palestras, cursos teóricos e prá cos, além de
diversos folhetos e publicações, entre eles: Manual do Maniveiro (TRINDADE et al., 2017);
Recomendações Técnicas para a Produção de Manivas-Semente de Mandioca a Par r de Mudas
Micropropagadas. O Papel do “Maniveiro” − Projeto Reniva (ROCHA et al., 2014); e Cultura da
Mandioca (MODESTO; ALVES, 2014) − todos editados pela própria EMBRAPA.
O papel do Ins tuto Biofábrica da Bahia no Reniva
O Ins tuto Biofábrica da Bahia (Biofábrica) é responsável pela produção e mul plicação de
genó pos (clones) resistentes a enfermidades e de alta produ vidade. Possui a maior área de
viveiro em campo aberto do mundo, com 40 mil metros quadrados e capacidade para armazenar
4,8 milhões de plantas. Em 2019, a Biofábrica da Bahia cul vou mais de 100 variedades de
mandioca.
O protocolo de produção em larga escala descrito no tópico anterior foi uma inovação
tecnológica do Ins tuto Biofábrica da Bahia, reconhecido pela EMBRAPA como responsável
pela propagação dos materiais e localizado no município de Ilhéus BA (ALMEIDA et al.,
2015). A Biofábrica aplica técnicas de melhoramento gené co, desenvolve novos protocolos
de produção e fornece material melhorado e pronto para o plan o. Além disso, conta com um
dos mais modernos laboratórios de micropropagação vegetal do país, capaz de produzir cerca
de 5 milhões de mudas por ano, pela técnica do cul vo in vitro. Segundo dados da Biofábrica
(INSTITUTO BIOFÁBRICA DA BAHIA, 2019), no período de 2014 a 2018, foram distribuídas mais
de 195 mil mudas de mandioca, para os estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e Rio de Janeiro,
conforme a Figura 2.
INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 23, n. 2, p. 423-439, abr./jun. 2022
434 Emanuel SOUZA; Ricardo KALID
Figura 2 – Entregas de cul vares pelo Ins tuto Biofábrica da Bahia; dados da produção
de jan./2014 a ago./2019
Fonte: Ins tuto Biofábrica da Bahia (2019).
O PAPEL DOS “MANIVEIROS” NO RENIVA
Após todo o processo de produção e desenvolvimento das manivas-sementes resistentes
a pragas e mais produ vas, o fl uxo natural do projeto chega à sua caracterís ca IV (criação do
produtor profi ssional de material propaga vo, o “maniveiro”, suportado inicialmente pelo projeto),
que dá suporte às demais caracterís cas do projeto, sendo uma das mais importantes, pois trata
da criação de um novo profi ssional, responsável pela mediação entre o projeto e os demais
produtores, pela disseminação e distribuição das manivas de qualidade e adequadas à região,
fruto do desenvolvimento e do aprimoramento gené co feitos nos laboratórios e, também, pelo
compar lhamento e pela transferência das boas prá cas de produção.
A maniva é imprescindível para a mandiocultura, pois é o principal insumo agrícola para
sustentação, alcance de melhores níveis de produção e manutenibilidade da cultura (ROCHA
et al., 2014). Os “maniveiros” têm papel essencial sobre esse insumo, pois serão os principais
fornecedores para os demais produtores. Para tanto, esses produtores devem ser devidamente
treinados e acompanhados por técnicos qualifi cados.
Rocha et al. (2014) descrevem como se o processo de transferência de tecnologia
entre a EMBRAPA, o “maniveiro” e os demais produtores da região de atuação do projeto. O
“maniveiro” deve des nar uma ou mais áreas de 1 hectare para serem campos de produção, e
essas áreas devem ser dotadas de sistema de irrigação. Além dos campos de produção, nas áreas
dos maniveiros, serão montadas câmaras de brotação com mesas e estrutura para produção de
mudas com sistema de irrigação por nebulização são as unidades de mul plicação pida (UMR).
Desta forma, as mudas produzidas são livres dos principais vírus que agridem a mandiocultura no
Brasil, entre eles, o rus do mosaico das nervuras (CsVMV) e o vírus do mosaico comum (CsCMV).
A par r da escolha dos “maniveiros”, o defi nidas várias etapas de transferência de
tecnologia para a con nuação do desenvolvimento do projeto que seguirá para a distribuição
INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 23, n. 2, p. 423-439, abr./jun. 2022
435Transferência de tecnologia no cul vo de mandioca – o caso do Projeto Reniva
assis da do material, requalifi cação da mão de obra por meio de treinamentos de manejo e boas
prá cas e a retroalimentação do ciclo, fortalecendo os par cipantes da rede.
A Embrapa disponibiliza periodicamente e de forma gratuita, cursos on-line através da
plataforma e-Campo, um deles é o “RENIVA - Introdução às estratégias de produção de materiais
de plan o de mandioca”, que tem em seu cronograma os seguintes módulos: (I) Produção de
materiais de plan o; II) Alterna vas cnicas de mul plicação de material de plan o de mandioca.;
(III) Sanidade e manejo agronômico na cultura da mandioca; (IV) Estruturação da rede Reniva.
Casos de sucesso.
O papel dos agricultores familiares no Reniva
Os demais agricultores da região são benefi ciados e recebem dos maniveiros” hastes ou
“manivas-sementes” com qualidade gené ca e fi tossanitária, sendo encorajados a desenvolver
em suas lavouras os cuidados e as boas prá cas de produção, para que a qualidade do material
não se perca e as doenças não voltem.
A manipueira
Todavia, é importante salientar, ainda, que existem outros problemas relacionados ao
cul vo da mandiocultura que devem ser enfrentados paralelamente. Um exemplo é o manejo
inadequado da “manipueira” ou “água da mandioca”. A manipueira, subproduto da mandioca,
é extraída desta quando prensada para a fabricação de farinha e goma. É um líquido de aspecto
leitoso, cor amarelo-claro, e contém um composto químico venenoso e nocivo à alimentação
humana e animal, chamado ácido cianídrico (HCN) (MAGALHÃES, 1993). O problema está no
processo produ vo das casas de farinha, em que muitos produtores despejam a manipueira a
céu aberto, poluindo o meio ambiente e desperdiçando o líquido, que pode ser u lizado para
múl plos fi ns: fabricação de  jolos ecológicos; fabricação do melaço da manipueira; fabricação
da rapadura da manipueira; fabricação de vinagre; fabricação de sabão; alimentação de bovinos;
adubo; fer lização do solo; pes cida, entre outros (ALMEIDA, 2005). Desde 2006, o Banco do
Nordeste tem publicada a “Car lha da Manipueira” (PONTE, 2006) e, ainda em 2019, ocorreu
o descarte de forma errônea desse subproduto, que pode ser aproveitado como matéria-prima
para outros produtos, mas que, ao contrário disso, contribui para prejudicar o meio ambiente,
pelo envenenamento dos solos.
5 CONSIDERÕES FINAIS
Na primeira seção deste trabalho, foi exposta a situação da mandiocultura no país. A
cultura é uma das mais importantes da agricultura familiar e vem sofrendo perdas importantes na
produção interna. E, como consequência, o Brasil perdeu o status de maior produtor mundial da
cultura. As prá cas tradicionais da cultura da mandioca pa nam em decorrência de caracterís cas
da própria planta e, muitas vezes, falta de conhecimento dos produtores.
Como visto nas seções 2 e 3, a modernização da agricultura, por meio da adoção de
novas tecnologias e novas técnicas, contribui para o melhor desempenho e desenvolvimento
da agricultura. Após o detalhamento das caracterís cas e etapas do Projeto Reniva, na seção 4,
pôde-se verifi car a importância dos processos de transferência de tecnologia nos diversos estágios:
INTERAÇÕES, Campo Grande, MS, v. 23, n. 2, p. 423-439, abr./jun. 2022
436 Emanuel SOUZA; Ricardo KALID
desde as caracterís cas para a escolha do local; o recebimento de tecnologia em forma de mudas,
treinamento dos maniveiros para cul vo dessas mudas; cuidados com as ferramentas e com a
higiene para evitar a contaminação da área do maniveiro; escolha das melhores manivas e a
distribuição do material apropriado, “manivas-sementes”, para os demais produtores da região.
Nesse contexto, para reascender e expandir a produção, fazem-se necessários esforços
em PD&I e TT. As pesquisas gené cas realizadas pela EMBRAPA trouxeram bene cios e buscam
resolver as limitações da cultura, aumentando a proliferação, a produção e livrando a mandioca de
pragas que anteriormente poderiam acabar com uma plantação inteira. Mas esse conhecimento
não deve car nos laboratórios e, para isso, é preciso ampliar o alcance da tecnologia. Com esse
intuito, está em execução o Projeto Reniva (seção 4).
A par r da inicia va, trabalho de pesquisa e transferência de tecnologia da EMBRAPA com
apoio de parceiros públicos e privados, o projeto entregou mais de 320 mil mudas melhoradas,
transformou-se em uma grande rede de mul plicação e tem se espalhado por vários estados
de diversas regiões do país, compar lhando informações e levando tecnologia aos pequenos,
médios e grandes produtores de mandioca, indis ntamente (seção 4.2).
O Reniva busca trazer uma nova realidade aos produtores de mandioca e de vários
assentamentos e pré-assentamentos atendidos pelo projeto, além de ser um instrumento de
proteção à biodiversidade. Ainda há muito a ser feito, mas, a cada região que recebe o projeto,
conhecimentos são agregados e melhorias serão alcançadas. Projetos e exemplos como esse
mostram que o Brasil tem potencial para voltar a ser o líder mundial na produção dessa cultura
que movimenta bilhões de dólares e envolve milhares de famílias na sua cadeia produ va (seções
4.3 e 4.4).
Contudo, é preciso olhar criteriosamente para projetos como o Reniva, no sen do de veri car
os efeitos e a con nuidade do projeto após o seu período de implantação. É preciso saber se o ciclo
foi concluído e se ocorreu a retroalimentação de novos ciclos, pois, se não ocorrer, os obje vos
não serão alcançados. Além do fator de con nuidade, outros esforços precisam ser empreendidos
para o aprimoramento da mandiocultura, como o aproveitamento da manipueira (seção 4.5).
Para prosseguimento da pesquisa sugere-se a avaliação social, econômica e ambiental
associadas ao Projeto Reniva.
AGRADECIMENTOS
À Biofábrica da Bahia, na pessoa da D. Sc. Kaleandra Freitas Sena, pela atenção e pelas
informações. Ao Me. Helton Fleck da Silveira, analista, engenheiro agrônomo e chefe de
transferência de tecnologia da EMBRAPA, pelas importantes contribuições. À Universidade Estadual
de Santa Cruz e ao Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência
de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT), seu corpo docente, direção e administração, pela
oportunidade.
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Sobre os autores:
Emanuel Souza: Mestre em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a
Inovação pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Especialista em Sistemas Embarcados
para Aquisição de Dados Remotos e graduado em Ciências da Computação pela UESC. Analista
e gerente de desenvolvimento de sistemas da UESC, na Bahia. E-mail: emanuelss@gmail.com,
Orcid: h ps://orcid.org/0000-0001-5005-1250
Ricardo Kalid: Doutor em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre
e graduado em Engenharia Química pela Escola Politécnica da Universidade Federal da
Bahia (UFBA). Professor associado IV, líder do Grupo de Pesquisa TECLIM-UFSB, professor
permanente dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia Industrial da UFBA e Programa
de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia na Universidade
Estadual de Santa Cruz (UESC). Pesquisador emérito do CNPq. E-mail: kalid@ufsb.edu.br, Orcid:
h ps://orcid.org/0000-0001-9265-5263
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Research
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Artigo analisa o papel da Agricultura Familiar no desenvolvimento rural do Brasil
Technical Report
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A inovação tecnológica no Brasil se consolidou, ao longo das últimas décadas, como um importante fator para garantir o crescimento econômico. Desde o nal da década de 1980, o governo federal procurou denir políticas públicas com a oferta de incentivos scais que pudessem fomentar a inovação e o desenvolvimento tecnológico na economia. O conhecimento se transformou em variável estratégica do desenvolvimento tecnológico, deixando de ser apenas um atributo incorporado aos produtos. A articulação entre ciência e conhecimento foi considerada o principal ativo da economia global – denominada de economia do conhecimento. Ao mesmo tempo, a garantia da propriedade intelectual se rmou como pilar institucional do desenvolvimento de novos conhecimentos (Ávila, 2008). O marco regulatório brasileiro só foi deenido na metade da década de 1990, logo após a assinatura, na Organização Mundial do Comércio (OMC), do acordo internacional Trade Related Aspects of Intellectual Rights Including Trade in Counterfeit Goods (TRIPs). As resoluções aprovadas neste acordo entraram em vigor somente em 1995, com prazo de onze anos para serem totalmente implementadas. Pela Lei n o 9.279/1996, Lei de Propriedade Intelectual (Brasil, 1996), foram regulados os direitos e as obrigações relativos à propriedade intelectual no Brasil. Posteriormente, conforme a Lei n o 9.456/1997 (Brasil, 1997), criou-se a Lei de Proteção de Cultivares (LPC), que introduziu uma política de proteção intelectual especííca para a agricultura. Em 1999, foram deenidos os fundos setoriais, instrumentos de nanciamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A criação dos fundos setoriais representou um novo mecanismo de nanciamento e promoção da inovação, fortalecendo o sistema de ciência e tecnologia nacional e promovendo maior sinergia entre universidades, centros de pesquisa e setores produtivos.
Book
Estudo da dinâmica da agricultura brasileira e seus fatos marcantes com ênfase na influência da pesquisa da Embrapa..
Article
My purpose is to review, synthesize and criticize the voluminous, multidisciplinary literature on technology transfer. To reduce the literature to manageable proportions, I focus chiefly (not exclusively) on recent literature on domestic technology transfer from universities and government laboratories. I begin by examining a set of fundamental conceptual issues, especially the ways in which the analytical ambiguities surrounding technology transfer concepts affect research and theory. My literature review follows and I emphasize technology transfer's impact and effectiveness. I employ a “Contingent Effectiveness Model of Technology Transfer” to organize the literature. As the model's name implies, it assumes that technology effectiveness can take a variety of forms. In addition to examining the more traditional effectiveness criteria- those rooted in market impacts- the model considers a number of alternative effectiveness criteria, including political effectiveness, capacity-building.
Produção de Mudas Micropropagadas de Mandioca (Manihot Esculenta Crantz) em larga escala: uma inovação tecnológica
  • M Almeida N
  • G P Junior R
  • O Cézar J
  • A Gonçalves H
  • S Rocha H
  • S Souza A
ALMEIDA N. M.; JUNIOR R. G. P.; CÉZAR J. O.; GONÇALVES H. A.; ROCHA H. S.; SOUZA A. S. Produção de Mudas Micropropagadas de Mandioca (Manihot Esculenta Crantz) em larga escala: uma inovação tecnológica. In: 16° BRASILEIRO DE MANDIOCA, 16.; CONGRESSO LATINO-AMERICANO E
Diagnós co da cadeia produ va da mandioca, no bioma Mata Atlân ca
  • P B L Almeida
  • De
ALMEIDA, P. B. L. de. Diagnós co da cadeia produ va da mandioca, no bioma Mata Atlân ca, Itabuna, BA. Relatório interno da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. [EBDA]. Governo da Bahia. Secretaria da Agricultura, 2005. [Não publicado].
Potencialidades da cultura da mandioca para a agricultura familiar do Pará
  • R N B Alves
  • M S M Junior
  • E M Campos
ALVES, R. N. B.; JUNIOR, M. S. M.; CAMPOS, E. M. Potencialidades da cultura da mandioca para a agricultura familiar do Pará. Belém, PA. Embrapa Amazônia Oriental, 2010. Disponível em: h ps://www.infoteca.cnp a. embrapa.br/bitstream/doc/882846/1/ PotencialidadesCulturaMandioca.pdf. Acesso em: 12 nov. 2020.
A transferência de tecnologia no Brasil: aspectos contratuais e concorrenciais da propriedade industrial
  • H M L Assafim
ASSAFIM, H. M. L. A transferência de tecnologia no Brasil: aspectos contratuais e concorrenciais da propriedade industrial. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2010.
Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP). Brasília, DF: MAPA
  • Brasil
  • Ministério Da Agricultura
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP). Brasília, DF: MAPA, 2020. Disponível em: h p://www.agricultura.gov.br/assuntos/poli ca-agricola/ valor-bruto-da-producao-agropecuariavbp. Acesso em: 13 nov. 2020.
RENIVA -Introdução às estratégias de produção de materiais de plan o de mandioca. Ambiente Virtual de Aprendizagem
  • Embrapa. E-Campo -Vitrine De Capacitações Online Da Embrapa -Curso
EMBRAPA. e-Campo -Vitrine de capacitações online da Embrapa -Curso: RENIVA -Introdução às estratégias de produção de materiais de plan o de mandioca. Ambiente Virtual de Aprendizagem. Disponível em: h ps://www.embrapa.br/e-campo/reniva. Acesso em: 06 jul. 2022.