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PROVENIÊNCIA E BIBLIOTECONOMIA: relato da pesquisa realizada para a elaboração do Glossário Ilustrado de Marcas de Proveniência

Abstract

Apresenta o relato da pesquisa realizada para a elaboração do Glossário Ilustrado de Marcas de Proveniência. O glossário teve como base a revisão bibliográfica e documental em fontes nacionais e estrangeiras. A seleção dos descritores que constituem o seu corpus inicial baseou-se em duas fontes estrangeiras, a saber: a “Liste hiérarchisée de termes relatifs aux marques de provenance portées sur les livres”, elaborada pela associação francesa BiblioPat; e o “T-Pro: Thesaurus der Provenienzbegriffe”, desenvolvido pela Biblioteca Estadual de Berlim, Alemanha. Foram selecionados 122 termos (descritores), os quais apresentam a seguinte estrutura: definição do conceito; ilustração (imagem associada) e nota explicativa; remissivas para termos não descritores (sinônimos); formas equivalentes do termo nos idiomas espanhol, inglês e francês; relações lógicas/ontológicas entre descritores. O Glossário está disponível, em acesso aberto, no endereço http://bit.ly/proveniencia.
~ 179 ~
PROVENIÊNCIA E BIBLIOTECONOMIA:
RELATO DA PESQUISA REALIZADA PARA A
ELABORAÇÃO DO GLOSSÁRIO ILUSTRADO DE
MARCAS DE PROVENIÊNCIA
Marcia Carvalho Rodrigues
Doutora em Memória Social e Patrimônio Cultural.
Líder do GEPIM/FURG
Alissa Esperon Vian
Mariana Briese da Silva
Luise de Oliveira Rodrigues
Andressa Eloany Brito Rebelo
Integrantes do GEPIM/FURG.
presenta o relato da pesquisa realizada para a elaboração
do Glossário Ilustrado de Marcas de Proveniência. O
glossário teve como base a revisão bibliográfica e
documental em fontes nacionais e estrangeiras. A seleção dos
descritores que constituem o seu corpus inicial baseou-se em duas
fontes estrangeiras, a saber: a Liste hiérarchisée de termes relatifs
aux marques de provenance portées sur les livres, elaborada pela
associação francesa BiblioPat; e o T-Pro: Thesaurus der
Provenienzbegriffe, desenvolvido pela Biblioteca Estadual de
Berlim, Alemanha. Foram selecionados 122 termos (descritores),
os quais apresentam a seguinte estrutura: definição do conceito;
ilustração (imagem associada) e nota explicativa; remissivas para
termos não descritores (sinônimos); formas equivalentes do termo
nos idiomas espanhol, inglês e francês; relações
lógicas/ontológicas entre descritores. O Glossário está disponível,
em acesso aberto, no endereço http://bit.ly/proveniencia.
A
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Palavras-chave: Proveniência. Marcas de proveniência. Glossário.
Biblioteconomia. História do livro.
Abstract: This report presents the research carried out to create
the Illustrated Glossary of Provenance Marks. The glossary was
based on a bibliographic and document review in national and
foreign sources. The selection of the descriptors that make up its
initial corpus was based on two foreign sources, namely: the “Liste
hiérarchisée de termes relatifs aux marques de provenance portées
sur les livre”, prepared by the French association BiblioPat; and
the “T-Pro: Thesaurus der Provenienzbegriffe”, developed by the
State Library of Berlin, Germany. A total of 122 terms
(descriptors) were selected, which have the following structure:
definition of the concept; illustration (associated image) and
explanatory note; cross-references to non-descriptor terms
(synonyms); equivalent forms of the term in Spanish, English and
French; logical/ontological relationships between descriptors. The
Glossary is available in open access at http://bit.ly/proveniencia.
Keywords: Provenance. Provenance marks. Glossary.
Librarianship. Book history.
1 INTRODUÇÃO
Muitas bibliotecas institucionais - de universidades,
institutos, órgãos governamentais, entidades privadas etc., m
suas origens em bibliotecas particulares. Um exemplo clássico
disso são os acervos fundadores das bibliotecas de grandes
universidades norte-americanas, como as Universidades de
~ 181 ~
Harvard e de Yale. Situação semelhante ocorre no Brasil - como
exemplos, podemos citar a Biblioteca do Centro de Ciências
Sociais C (Direito), integrante da Rede de Bibliotecas da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Rede SIRIUS/UERJ),
que possui, dentre outras coleções, a coleção Roberto Lyra Filho
21
,
a qual constitui o acervo fundador da biblioteca (BRANDÃO,
2020); ou a Biblioteca Central do Centro Universitário Arthur
Earp Neto e da Faculdade de Medicina de Petrópolis
(UNIFASE/FMP), cujo acervo inicial provém da biblioteca
particular de Nelson de Sá Earp
22
, (CENTRO UNIVERSITÁRIO
ARTHUR EARP NETO, 2022); ou, ainda, a Biblioteca Vice-
Governador Manoel Cabral Machado, localizada no Palácio-
Museu Olímpio Campos, em Aracaju, cujo acervo fundador tem
21
Roberto Lyra Filho (1926-1986) foi um jurista de grande renome no cenário
nacional, atuando tanto na área jurídica, quanto na literatura. Foi formado em
Letras pela Universidade de Cambridge e em Direito pela Faculdade de Direito
do Rio de Janeiro. Atuou tanto na advocacia, quanto na docência,
principalmente nas áreas de Direito Penal, Processo Penal e suas ramificações.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, [2022]).
22
Nelson de Earp (1911-1989) foi médico, político, escritor e poeta.
Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, [...]
Participou da fundação da Faculdade de Medicina de Petrópolis, integrando seu
corpo de professores. Presidiu por três mandatos a Sociedade Médica de
Petrópolis.” (ACADEMIA DE MEDICINA DO ESTADO DO RIO DE
JANEIRO, [2022]).
~ 182 ~
suas origens na biblioteca particular de Manoel Cabral Machado
23
(SERGIPE, 2012).
Bibliotecas particulares refletem os gostos, preferências e
interesses de seus proprietários. A seleção das obras é, muitas
vezes, realizada ao longo de uma vida inteira, o que resulta em
bibliotecas formadas “sob medida”, portanto únicas no que se
refere à coleção reunida. Ao trabalho de seleção, somem-se, ainda,
todos os registros de manifestações do pensamento e das
atividades daqueles que, em algum momento estiveram de posse
de cada um dos itens que compõem a coleção, tais como o seu
último proprietário, comerciantes, dedicadores, entre outros
possíveis envolvidos. Estes registros podem ser encontrados nas
próprias obras, ou em anotações à parte, e constituem um
conjunto de indícios que permite conhecer um pouco mais o
proprietário, a história da formação da coleção, a história de um
exemplar específico, pormenores da vida social e cultural da época
em que foram produzidos.
Assim, ao adquirir uma biblioteca particular, as instituições
não adquirem apenas um conjunto de materiais bibliográficos, mas
23
Manoel Cabral Machado (1916-2009) foi advogado, escritor e político. “Foi
deputado estadual, um dos fundadores do Tribunal de Contas do Estado de
Sergipe, conselheiro na UFS - Universidade Federal de Sergipe e contribuiu para
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uma coleção, um conglomerado de obras que é o resultado de uma
construção intencional, fruto dos interesses do seu criador, cuja
composição é o testemunho de uma importante parcela de sua
vida, quer seja a sua trajetória profissional e/ou acadêmica, quer
sejam as suas preferências enquanto colecionador, leitor ou
estudioso de um tema especial.
Estudar estes indícios, ou evidências, faz parte da pesquisa
de proveniência, ramo de estudo da Biblioteconomia que se
relaciona, intrinsecamente, com a História do livro, a Bibliofilia e a
Bibliografia material.
Pesquisar evidências relativas à proveniência
de uma obra/coleção bibliográfica contribui
para elucidar a maneira como estes materiais
foram usados ao longo da história: como
foram lidos, quem foram seus leitores, como
se deu a sua circulação enquanto bens de
consumo. (RODRIGUES, 2020).
A respeito das evidências de proveniência de um item,
Reed (2017), divide-as em dois grandes grupos, a saber:
a) as evidências internas, tais como as marcas de todo o tipo:
anotações, carimbos, etiquetas, encadernações, manchas, rabiscos,
enfim, elementos físicos intrínsecos ao exemplar, assim como
fundação de quatro faculdades no Estado: Ciências Econômicas, Filosofia,
Direito e Serviço Social.” (SERGIPE, 2012).
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materiais apostos intencionalmente dentro de um item, como
marcadores, recortes de jornais/revistas, papeis avulsos, cartões-
postais, cartas, bilhetes, recibos etc.;
b) as evidências externas, ou seja, fontes que apresentam
informação relevante sobre a história dos livros, especialmente os
repertórios bibliográficos, catálogos de editores, catálogos de
livreiros, de bibliotecas, de revendedores e de casas de leilão.
Relevante destacar que estas fontes são,
muitas vezes, imprescindíveis para estudos
sobre redes e circulação de conhecimento,
possibilitando descobrir quem comprou qual
livro, quem vendeu qual livro, que livros um
pesquisador poderia adquirir na época de
publicação do catálogo, quais eram os livros
mais vendidos/procurados, entre outras
informações. Na pesquisa por evidências
externas, observam-se, especialmente,
elementos que documentam os locais e
condições de fabricação dos exemplares,
condições de negociação, proprietários e
coleções. (REED, 2010; MUHLSCHLEGEL,
2019 apud RODRIGUES; VIAN;
RODRIGUES; SILVA, 2022).
Este capítulo apresenta os resultados de uma pesquisa
empreendida pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Informação e
Memória (GEPIM), da Universidade Federal do Rio Grande
(FURG), realizada entre os anos de 2020 e 2021. Tal pesquisa
~ 185 ~
debruçou-se sobre o primeiro grupo de evidências destacado: as
marcas de proveniência.
Tendo em vista a ampla variedade de tipos de marcas de
proveniência presentes em materiais bibliográficos, bem como a
escassez de recursos, em língua portuguesa, sobre o tema, propôs-
se a elaboração de um glossário tipológico ilustrado multilíngue de
marcas de proveniência bibliográfica.
As seções seguintes apresentam a revisão de literatura
sobre o tema, a metodologia, os resultados e os desdobramentos
do estudo.
2 A IMPORTÂNCIA DOS ESTUDOS DE
PROVENIÊNCIA NO CONTEXTO DA
BIBLIOTECONOMIA
Informações relativas à proveniência de um livro atraem o
interesse de colecionadores, bibliófilos e comerciantes desde os
primórdios do comércio livreiro antiquário. Estas informações são
utilizadas, muitas vezes, como estratégia de marketing por livreiros e
leiloeiros, em especial para valorizar um determinado item posto à
venda.
[...] a proveniência de um documento tem
sido algumas vezes considerada um pedigree, no
~ 186 ~
sentido de que uma linha de proprietários
possibilita certificar a origem e raridade do
documento, aumentando assim seu preço no
mercado de arte. Os catálogos de venda de
livros antigos são, nesse aspecto, significativos
porque identificam bibliotecas privadas pouco
antes de sua dispersão, destacando a
personalidade de um colecionador. (HOCH,
2001 apud JOSSERAND, 2016, p. 15,
tradução nossa).
Na Biblioteconomia, o interesse pela proveniência possui
propósitos diferentes, não necessariamente pautados em interesses
econômicos e financeiros sobre as coleções das bibliotecas, mas
muito mais sobre os aspectos históricos, sociais e culturais
agregados à coleção, os quais podem determinar o seu valor
patrimonial.
Para Poulain (2015, p. 176, tradução nossa),
As informações de proveniência são essenciais
para entender as coleções da biblioteca. […]
No entanto, apesar da preocupação dos
responsáveis pelos fundos patrimoniais,
infelizmente não é incomum as bibliotecas
ignorarem como essa coleção, esse
documento, chegou a ela. Como entender essa
negligência, enquanto as informações a serem
registradas no momento da transmissão são
mínimas? Analisadas, elas formam a base da
história das coleções e do vínculo da
biblioteca com seu tecido social. […]
~ 187 ~
Perdendo a memória da origem dos textos,
também se perde a dos homens que a ela se
apegam.
Além do conhecimento sobre a origem e a formação das
coleções, as informações de proveniência contribuem para o
conhecimento da história das próprias bibliotecas, podendo tais
informações ser utilizadas como recurso estratégico para a
promoção das instituições ao público e para a obtenção de
recursos visando à salvaguarda dos acervos. Ainda, as informações
de proveniência ampliam o leque de possibilidades de pesquisa
junto ao acervo, o que também pode ser utilizado como recurso
para a ampliação da visibilidade das coleções e instituições.
(JOSSERAND, 2016).
Pearson (1998, p. 2, tradução nossa), destaca que a
pesquisa de proveniência permite:
[...] avaliar o tamanho e o conteúdo de
bibliotecas particulares e comparar com
outras coleções de seu tempo. Permite-nos
construir imagens mais amplas dos padrões de
propriedade de livros ao longo dos séculos e
ver como esses padrões mudam em termos de
tamanho, composição, idioma, assunto ou
origem.
~ 188 ~
Mas, enfim, o que é a proveniência? A Wikipedia define
proveniência como “[...] a cronologia de propriedade, custódia ou
localização de um objeto histórico” (PROVENANCE, 2022b,
tradução nossa), e observa que o termo foi utilizado, inicialmente,
no campo das Artes para comprovar a procedência de um objeto
de arte, servindo como um atestado de autenticidade do mesmo.
Ainda, segundo a Wikipedia, o termo proveniência, no campo das
Artes, equivale, conceitualmente, ao termo legal “cadeia de
custódia”. Dependendo da proveniência do objeto, este poderá ter
os seus valores artístico, cultural e financeiro bastante ampliados.
Em um sentido geral, a palavra
"proveniência" significa o local de origem
ou a história mais antiga conhecida de
algo. No entanto, a palavra também tem
um significado mais técnico, relevante
para a coleção de todos os tipos de
objetos históricos, obras de arte e
antiguidades. Quando falamos da
proveniência de um objeto, nesse sentido,
referimo-nos ao seu registro de
propriedade. (SWEETNAM, [2020],
tradução nossa).
Diversos campos do saber utilizam o termo proveniência
com sentido semelhante ao das Artes. Josserand (2016), destaca
~ 189 ~
que na Biblioteconomia o termo é tratado sob dois aspectos
diferentes: a) como sinônimo de propriedade, associando a
proveniência à história do pertencimento do livro (entendimento
britânico do termo); b) como sinônimo de “marca de
proveniência” (acepção francesa).
Ostdick (2017), observa que, apensar de haver divergências
na definição de proveniência,
[...] a definição mais comumente aceita refere-
se ao registro de propriedade de um livro ou
manuscrito. Isso também pode incluir a
jornada que um livro ou manuscrito
empreendeu ao longo de sua vida, passando
de proprietário para proprietário,
colecionador para colecionador ou mesmo
autor renomado para autor renomado.
Essencialmente, a proveniência é um registro
histórico de um determinado volume em
termos de sua custódia, que pode ser
documentado e autenticado de várias
maneiras. (OSTDICK, 2017, tradução nossa).
A Independent Online Booksellers Association (IOBA),
compreende a proveniência como sendo a:
Evidência da história da propriedade de um
determinado livro (por exemplo: registros de
leilão, registros de livreiros, ex-líbris, etc.). O
livro pode ser importante por causa de quem
~ 190 ~
o possuía - talvez um presidente ou
importante livreiro, colecionador, realeza, ou
alguém que possa estar relacionado ao livro de
alguma forma. Importante no estabelecimento
da propriedade de itens especialmente raros.
(PROVENANCE, 2022a, tradução nossa).
Para Faria e Pericão (2008, p. 1015), procedência é
sinônimo de proveniência, que, por sua vez, significa:
Informação acerca da transmissão de
propriedade de um manuscrito ou impresso;
uma encadernação especial com super libros,
ex libris, carimbo, selo branco ou qualquer
inscrição de anteriores possuidores pode
indicar a proveniência da espécie na qual
aparece; reveste particular importância numa
biblioteca, etc., quando o exemplar em
questão pertenceu a uma personalidade
conhecida que, eventualmente, terá
consignado os seus comentários. Pertence.
Marca de posse. Origem. [...]
Um livro viaja um longo trajeto ao longo de sua vida útil,
desde quando sai das mãos do autor, passando pelo impressor,
gravador, encadernador, até chegar aos seus destinos
intermediários: vendedores e livrarias; e finais: o proprietário da
cópia (colecionador, bibliófilo, leitor). Nesta jornada, a obra
começa a ganhar personalidade, passando a ser única, deixando de
ser uma cópia padrão. Até mesmo um erro engraçado de
~ 191 ~
impressão pode tornar um item, a princípio definido como
“comum”, um exemplar cobiçado, o que acaba por aumentar a sua
procura e, obviamente, o seu valor de mercado.
Estudar a origem, a procedência de um livro, permite
aprender sobre como as pessoas interagiram com essa obra no
decorrer da história, descobrir a influência, ou o impacto, que
determinada obra causou na sociedade escrita, social e intelectual,
desvendando quais eram as inquietudes e interesses em
determinada época. Além disso, pode auxiliar indivíduos na busca
de dados sobre suas famílias e desvendar padrões e predisposições
na história de usuários e amantes dos livros.
Karen Bucky, da Clark Art Institute Library, elaborou um
guia de pesquisa para proveniência, com ênfase na Segunda
Grande Guerra, e comenta neste guia o objetivo do trabalho de
proveniência em bibliotecas e museus: [...] documentar todos os
proprietários da obra e, se aplicável, qualquer custódia ou
localização da obra quando não estava nas mãos de um
proprietário. (BUCKY, 2020, tradução nossa). A autora afirma,
ainda, que a pesquisa de proveniência colabora para - estabelecer
a autenticidade de uma obra; - estabelecer o legítimo proprietário
de uma obra de arte; - entender a história do objeto para fins de
~ 192 ~
exibição, conservação e importância cultural. (BUCKY, 2020,
tradução nossa).
Por meio do resgate destas marcas históricas, pode-se,
também, reconstruir coleções que pertenceram a figuras de
destaque, que fizeram parte da história e tiveram suas bibliotecas
perdidas, pilhadas ou desfeitas com o passar do tempo, além de
desvendar a história das próprias coleções e de como se dava a sua
organização, tanto no que se refere às bibliotecas particulares,
quanto as institucionais.
Assim, no contexto da Biblioteconomia, podemos
compreender a proveniência, ou procedência de uma obra, como
qualquer vestígio encontrado dentro ou fora dela, que forneça
evidências contextuais e circunstanciais de sua produção e permita
traçar, tanto quanto possível, sua história, em particular as
sequências de sua apropriação formal (posse e uso).
(JOSSERAND, 2016; LEUNG, 2016).
Para Ostdick (2017), a importância da proveniência se dá a
partir das várias formas que esta pode assumir, as quais incluem:
Propriedade de um autor famoso. Imagine
por um momento se George Washington
possuísse uma cópia de um determinado livro
e essa propriedade pudesse ser autenticada e
verificada. Independentemente do título ou
~ 193 ~
assunto do livro, o fato de ser de propriedade
do próprio Washington pode aumentar
significativamente o valor e a raridade do
volume.
Lugar de origem. Um determinado livro foi
impresso em um lugar histórico no mundo
literário? Em um momento crítico ou
histórico? O livro fazia parte de uma coleção
interessante em uma biblioteca importante ou
famosa? Esses elementos também influenciam
a proveniência de um livro e como o volume
é visto ou avaliado pelos colecionadores.
Importância histórica. Alguns livros, como
manifestos ou outros escritos políticos,
provêm simplesmente de sua importância
para certos eventos, períodos ou movimentos
historicamente significativos. Por exemplo, os
escritos sociais ou políticos de Thomas
Jefferson têm grande [valor de] proveniência,
não apenas devido à posição de Jefferson na
fundação dos Estados Unidos, mas também
por causa do impacto que seus escritos
tiveram sobre os governos tanto nos EUA
quanto no exterior. (OSTDICK, 2017, grifo
do autor, tradução nossa).
Segundo Gilbert (1996, tradução nossa), toda a cadeia de
proveniência do livro, na medida em que possa ser determinada,
faz parte do interesse único de cada exemplar de cada livro,
expresso em marcas de propriedade e notas de estudo”.
~ 194 ~
Para o Museum of the Bible (2022), a pesquisa de
proveniência reflete sua importância na possibilidade de
compreensão do passado:
Objetos em museus nos contam histórias sobre
o passado. A proveniência de um artefato é a
história de sua propriedade e localização, desde
a sua criação ou local de descoberta moderna
até o presente. Esse histórico ajuda a verificar a
autenticidade e a importância de um artefato.
Também contribui para a nossa compreensão
de como um objeto foi usado ao longo do
tempo. Um objeto com uma proveniência bem
documentada nos ensina muito mais sobre o
passado do que um [objeto] sem uma história
confirmada. (MUSEUM OF THE BIBLE,
2022, tradução nossa).
Ostdick (2017), ressalta, também, a importância da
proveniência para a valorização do item, em termos financeiros:
É impossível definir proveniência sem discutir
quanto valor ela pode agregar a um livro.
Dada a quão variada a proveniência pode ser,
e quantos fatores desempenham um papel na
determinação da proveniência de um livro,
colocar um valor exato em dólares em
qualquer título é enganoso. Mas é seguro dizer
que a proveniência pode elevar um título no
valor de US $100 ou US $200 a US $50.000
ou US $60.000 se a proveniência correta
~ 195 ~
puder ser verificada. (OSTDICK, 2017,
tradução nossa).
Pearson (1998), observa que informações sobre
associação
24
de uma determinada cópia a uma personalidade ilustre
é algo muito explorado pelos livreiros, no entanto uma
diferença entre venerar um livro apenas como uma relíquia e
utilizar uma informação de associação para compreender
fenômenos sociais, históricos ou culturais da sociedade.
Ostdick (2017), reitera que existem fatores e elementos que
compõem a proveniência e que ajudam colecionadores, bibliófilos
e livreiros a determinar o valor de um livro, tais como:
a) Associação com autor ou assunto: apenas o fato de determinada
obra ter pertencido a alguém de renome, é o suficiente para
aumentar o seu valor.
b) Assinaturas e inscrições: a presença de assinatura, especialmente
do autor da obra, é, também, um elemento a ser considerado tanto
na pesquisa de proveniência quanto na valoração do item. Da
mesma forma, anotações e inscrições como dedicatórias e
24
Cópia de associação: “[...] livro que já foi de propriedade de alguém associado
ao livro, como o autor ou o editor. O termo se expandiu para incluir livros de
propriedade de pessoas notáveis. (GALBRAITH; SMITH, 2012, p. 41,
tradução nossa).
~ 196 ~
autógrafos realizados por pessoa ilustre tendem a ampliar o valor
de mercado do item.
c) Propriedade anterior: a comprovação de que determinado item
fez parte da coleção particular de uma pessoa famosa ou
importante para uma área, certamente irá aumentar
significativamente o valor e a procura por esse item.
Os indícios de proveniência ajudam a contar a história de
vida de uma obra: por quem passou, por que lugares circulou, em
que época, como foi interpretado. A natureza destes indícios se
modifica com o passar dos anos e acaba por cobrir uma grande
variedade de formas, estilos, técnicas, materiais e suportes. Para a
University of Adelaide (2018, tradução nossa),
Várias formas iniciais de proveniência, muitas
vezes, refletem a escassez de papel para uso
geral, mostrada no uso de espaços em branco
em livros usados para a prática de caligrafia ou
anotações. Os ex-líbris e etiquetas de livros
aumentaram em popularidade e complexidade
entre os ricos o suficiente para pagar por
grandes bibliotecas pessoais e, mais tarde,
tornaram-se um item mais por vaidade do que
por indicação de propriedade.
Com o tempo veio a mudança de atitudes em
relação à marcação ou descaracterização
dos livros. Agora é, muitas vezes, considerado
“tabu” escrever em livros, e os livros
impressos hoje, muitas vezes, não duram
~ 197 ~
tanto quanto os livros impressos 300 anos
atrás. A proveniência agora assume,
principalmente, as formas de anotação ou
destaque em livros usados para pesquisa.
O Livro de Kells, evangeliário manuscrito irlandês
produzido por volta do século 806 d.C., apresenta seções em
branco entre os fólios, as quais foram usadas para registrar a
compra e a venda de terras dentro e ao redor de Kells, como pode
ser observado na Figura 1.
Figura 1 Transações de terras detalhadas, em irlandês, escritas no
verso de uma das tabelas canônicas do Livro de Kells
Fonte: Trinity College Dublin (2022).
~ 198 ~
Seria somente a falta de papel a principal razão para a
realização dessas anotações em livros tão ricamente decorados, a
exemplo do Livro de Kells? Ou será que o uso de bíblias e livros
iluminados servia como uma espécie de garantia, uma vez que
essas obras eram consideradas de alto padrão, pois sua fabricação
não era acessível a qualquer pessoa (cara e demorada, a produção
de um livro era, normalmente, financiada por reis, nobres ou
ordens religiosas, por meio de doações realizadas por fiéis, e
conferia status ao seu proprietário). Assim, o registro de tais
transações nestes itens serviria como uma garantia de que o
negócio seria honrado.
Também se pode pensar que naqueles dias não existia
papel disponível como nos dias atuais, e que poucos eram os
alfabetizados - a maior parte das pessoas alfabetizadas da época
pertenciam a ordens religiosas, então parece razoável fazer esses
registros em livros sagrados como uma forma de torná-los válidos.
Assim como as bíblias familiares se tornaram um
instrumento de memória permanente, como um legado que passa
de geração em geração, trazendo os registros de nascimentos,
mortes, casamentos e outros fatos importantes para a família,
outros tipos de livros também parecem carregar certas memórias.
~ 199 ~
Hoje, isso seria visto como vandalismo, mas
naquela época a prova de propriedade da terra
era reforçada se transcrita em “manuscritos
antigos, cópias [de manuscritos antigos] e
pergaminhos”. É provável que a natureza
sagrada do livro também tenha ajudado a
fortalecer o vínculo jurídico. (TRINITY
COLLEGE DUBLIN, [2022], tradução
nossa).
O ato de escrever às margens do livro é antigo. Sabe-se,
por exemplo, que os copistas que trabalhavam nos scriptorium na
Irlanda tinham que superar alguns desafios para confeccionar
livros, trabalhando em ambientes onde não havia luz artificial
(portanto, precisariam de janelas grandes o suficiente para iluminar
o ambiente, o que nem sempre era possível), em lugares frios e
fazendo uso, muitas vezes, de materiais de qualidade. As
marcas de proveniência por eles deixadas, permitem conhecer
certas particularidades do seu dia a dia.
Não era incomum que os escribas irlandeses
fizessem uma pausa na cópia de textos para
fazer comentários sobre seus materiais,
desculpar a qualidade de seu trabalho ou
fazer referência aos eventos que aconteciam
ao seu redor. (TRINITY COLLEGE
DUBLIN, [2022], tradução nossa).
~ 200 ~
Exemplos desse tipo podem ser observados em diferentes
manuscritos irlandeses: O vento cortante está forte esta noite,
levanta as mechas brancas do mar; em tal tempestade de inverno
selvagem, nenhum medo de vikings selvagens me incomoda.
(anotação manuscrita encontrada no St. Gallen Cod. Sang. 904, p.
112, Cópia do século IX de Institutiones grammaticae, de Prisciano)
(TRINITY COLLEGE DUBLIN, [2022], tradução nossa). Nesta
anotação, podemos perceber que o copista, ao ver o mar revolto e
uma tempestade se aproximando, sabe que pelo menos naquele dia
estarão a salvo de um ataque viking.
as anotações a seguir, demonstram sentimentos dos
copistas em relação ao seu trabalho:
a) “o pergaminho está com defeito, e a escrita” (St. Gallen Cod.
Sang. 904, p. 195, Cópia do século IX de Institutiones grammaticae, de
Prisciano). (TRINITY COLLEGE DUBLIN, [2022], tradução
nossa);
b) “Deus abençoe minhas mãos hoje” (Cassiodorus in Psalmos, Laon
MS 26 f18v). (TRINITY COLLEGE DUBLIN, [2022], tradução
nossa);
c) Que Deus perdoe Edmund por ter dado cor a este livro na
véspera do domingo.” (Oxford, Bodleian, MS Laud. 610, fol. 116r,
~ 201 ~
miscelânea histórica). (TRINITY COLLEGE DUBLIN, [2022],
tradução nossa).
Inúmeros e variados comentários são encontrados em
manuscritos irlandeses, em sua maioria escritos em vernáculo
irlandês. registros de bebedeiras, anotações sobre o
desaparecimento de animais de estimação e sobre as condições de
saúde do copista (TRINITY COLLEGE DUBLIN, [2022]).
Enfim, um sem número de informações paralelas ao conteúdo
informacional da obra, que possibilitam conhecer aspectos da vida
e do cotidiano das pessoas, muitas vezes não registrados
formalmente na literatura.
Christel Force, curadora associada de pesquisa do
Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque, salienta outro aspecto
de suma importância para os estudos de proveniência: a
possibilidade de colaborar no resgate de obras exportadas
ilegalmente, e destaca a apropriação ilegal de obras e coleções
pertencentes aos judeus, durante o Holocausto (FORCE, 2018):
Nas décadas de 1930 e 1940, a perseguição
sistemática aos judeus e a apropriação ilegal de
suas propriedades pelos nazistas levaram à
perda de inúmeras coleções. Deve-se
identificar tais desapropriações para que os
bens pertinentes sejam restituídos aos
herdeiros das vítimas. Para isso, é
~ 202 ~
fundamental reconstruir as histórias das obras
e de seus donos a partir dos registros dos
marchands (livros, memorandos,
correspondências, álbuns fotográficos, etc.),
bem como dos arquivos pessoais de
colecionadores, curadores e estudiosos. Em
alguns casos, também requer a análise dos
registros mantidos pelas forças de ocupação
alemãs e sua força-tarefa de saques de arte, os
das unidades de inteligência e recuperação dos
Aliados e os relativos a pedidos de restituição
e compensação pós-guerra. (FORCE, 2018,
tradução nossa).
O Museum of the Bible adotou, a partir de 2016, uma política
de aquisição que visa a combater o tráfico de artefatos. O museu
disponibiliza uma listagem de fontes de informação por eles
consultadas, a fim de conferir a proveniência de um item
comprado ou doado à instituição. As fontes de informação para
pesquisa de proveniência citadas pelo Museum incluem:
Registros curatoriais e do museu
Documentação fornecida por vendedores,
proprietários e colecionadores anteriores
Histórico de publicação de itens
significativos
História da exposição
Contato com proprietários ou vendedores
anteriores sempre que possível
Catálogos de leilões
~ 203 ~
Pesquisa em coleções particulares
significativas e seus catálogos
Licenças de exportação e outros
documentos alfandegários do país de origem
Documentação de importação
Publicações de estudiosos, tanto aqueles
ligados como fora do Museum of the Bible
Análise científica, como datação por
carbono-14 e análise de tinta
Assinaturas de proprietários anteriores, ex-
líbris e outras informações de identificação
sobre o próprio objeto
Análise estilística indicando o período de
tempo provável ou a localização da criação
de um objeto. (MUSEUM OF THE BIBLE,
2022, tradução nossa).
Podemos adaptar a pesquisa de proveniência em qualquer
biblioteca. No entanto, é visível a longa caminhada a ser percorrida
pelo pesquisador de proveniência: não é uma tarefa fácil, ou rápida
de ser realizada. Isso nos leva a refletir sobre a documentação
necessária para desvendar a proveniência de um livro. A esse
respeito, o Museum of the Bible (2022, tradução nossa), observa que:
Durante séculos, o comércio de livros raros
rastreou com pouca frequência as
informações de proveniência. Mesmo os
incunábulos (livros impressos antes de 1501),
são frequentemente comprados e vendidos
~ 204 ~
sem que o histórico de propriedade seja
passado adiante.
Dentre os documentos necessários para uma melhor
compreensão acerca da história da formação de coleções de
bibliotecas, estão o histórico de compras e o registro das doações.
Essas informações podem ser pesquisadas nos livros de registros
e/ou nos catálogos. Daí a importância do registro detalhando
desse tipo de informação quando da elaboração do registro da
obra no acervo.
Este trabalho buscou apresentar uma reflexão acerca da
pesquisa de proveniência no âmbito da Biblioteconomia,
destacando a sua importância para o conhecimento da história do
livro e das bibliotecas. No que se refere aos indícios, ou vestígios
de proveniência, nesta pesquisa iremos nos ater às marcas, cujo
estudo mostra-se primordial para a compreensão do tema e para o
estabelecimento de uma terminologia em língua portuguesa.
2.1 As marcas de proveniência: vestígios tangíveis de uma
trajetória
A história de um livro e suas viagens são
registradas de várias maneiras em
assinaturas e inscrições, lemas e marcações,
defeitos e melhorias que deixam um rastro de
evidências para refletirmos. O valor de um
~ 205 ~
livro pode depender inteiramente de quem o
possui, e entender e avaliar evidências de
proveniência é fascinante. Autógrafos,
dedicatórias, notas manuscritas, ex-bris e
encadernações podem nos dizer onde um
livro esteve e em que mãos ele está. Essas
marcações e exemplos de evidências
bibliográficas estão repletos de anedotas e de
interesse humano, conectando-nos às pessoas
e seus livros. (FOLGER SHAKESPEARE
LIBRARY, 2021, tradução nossa).
Ao adentrar o universo da pesquisa de proveniência,
especialmente por meio da observação das marcas de
proveniência, fica-se extasiado com a quantidade de tipologias
possíveis de identificar. Para a University of Adelaide (2018, tradução
nossa), as marcas de proveniência podem ser representadas por:
- notas manuscritas (ms), que às vezes podem
ser abundantes e aparentemente aleatórias
- inscrições
- receitas manuscritas
- marginalia - notas e anotações escritas nas
margens dos textos
- genealogias escritas em Bíblias de família e
hinários
- anotações e comentários sobre o texto
- breves declarações de propriedade, muitas
vezes na forma de assinaturas ou ex-líbris.
Essas marcas, que definem a posse ou a propriedade de
alguém (pessoa ou instituição), culminam em uma representação
~ 206 ~
da sociedade por meio de símbolos carregados de história,
conhecimento e emoção. Assumem as mais diversas formas:
etiquetas, desenhos, carimbos, selos, etc.; fazem uso dos mais
diversos materiais: grafite, tinta, sebo, etc.; e são produzidas a
partir das mais diversas técnicas: manuscritos, impressão, gravura,
estampa etc.
A partir da revisão de literatura e da observação das
diferentes tipologias, propõe-se o agrupamento das marcas de
proveniência em quatro categorias distintas, a saber: 1) Marcas de
manufatura; 2) Marcas de uso; 3) Marcas de posse; e 4) Marcas de
propriedade. Cada uma dessas categorias apresenta peculiaridades
que explicam possíveis origens ou antigos proprietários de um
determinado item.
As marcas de manufatura [...] são as marcas produzidas
por pessoas físicas ou jurídicas envolvidas na confecção do livro,
tais como tipógrafos, encadernadores, ilustradores, gravadores,
impressores, entre outros.” (RODRIGUES; VIAN;
RODRIGUES; SILVA, 2022). Quem confecciona um livro,
normalmente, deixa alguma marca nele, como a encadernão de
uma edição, ou as alegorias, vinhetas e marcas de tipógrafos nas
impressões de um livro. Essas marcas explicam muito sobre o
processo de fabricação da obra e as páginas de rosto são um rico
~ 207 ~
exemplo de informações dentro da obra literária, não pela bela
aparência que podem ter, mas também historicamente falando.
As marcas de uso “[...] são as marcas produzidas pelos
leitores, consulentes, pesquisadores, ao consultar uma obra.”
(RODRIGUES; VIAN; RODRIGUES; SILVA, 2022). Os
frequentadores da biblioteca, por exemplo, podem deixar nas
obras algumas marcas quando trabalham com o material: eventuais
rabiscos, notas manuscritas na própria obra, papeizinhos contendo
anotações inseridos nas suas páginas, marcações e destaques
podem ser feitos por eles. Essas particularidades poderão ser
encontradas por futuros pesquisadores ou outros usuários, no
meio dos livros, e comprovarão os usos desses materiais.
As marcas de posse “[...] são as marcas deixadas por
pessoas físicas ou jurídicas que estiveram, em algum momento da
história desse objeto, de posse do mesmo, e que muitas vezes não
são, necessariamente, seus proprietários.” (RODRIGUES; VIAN;
RODRIGUES; SILVA, 2022). Como exemplos desse tipo de
marca, podemos citar as dedicatórias, anotações feitas por
vendedores (sebos, leiloeiros, livrarias etc.), censores, entre outros.
As marcas de propriedade “[...] são as marcas deixadas
pelos proprietários (pessoas, instituições, famílias) de uma obra,
cuja finalidade consiste em atestar a sua propriedade sobre a
~ 208 ~
mesma.” (RODRIGUES; VIAN; RODRIGUES; SILVA, 2022).
Os antigos proprietários de um determinado item (instituição
pública, privada, núcleo familiar, pessoa física etc.), deixam marcas
que nos permitem identificar, no futuro, quem eram esses
proprietários. Etiquetas, carimbos, assinaturas são exemplos desta
categoria.
Um exemplo bastante conhecido de marca de propriedade
é o ex-líbris: “[...] Marca ou etiqueta, gravada ou impressa,
colocada em livros para identificar a quem pertencem(CUNHA;
CAVALCANTI, 2008, p. 162).
Vian (2019), em pesquisa realizada junto ao acervo raro da
Biblioteca Rio-Grandense (localizada em Rio Grande, Rio Grande
do Sul), identificou ex-líbris e carimbos presentes nos livros
pertencentes à Coleção de Obras Raras da instituição. Dentre os
itens pesquisados, destaca-se o número de exemplares que
pertenceram ao advogado Solidonio Attico Leite. As Figuras 2 e 3
apresentam, respectivamente, o ex-líbris e o carimbo utilizados
pelo proprietário para identificar as obras de sua biblioteca.
~ 209 ~
Figura 2 - Ex-líbris de Solidonio Leite
Em Flores de España, excelências de Portugal, de Antonio de Sousa de Macedo
(Coimbra, 1737).
Fonte: VIAN (2019, p. 132).
~ 210 ~
Figura 3 - Carimbo de Solidonio Leite
Em Epitome da vida do illustris. e excelentis. senhor D. Luiz Carlos Ignacio
Xavier de Menezes, Primeiro Marquez de Louriçal, ..., de Jozé Barbosa (Lisboa, 1743).
Fonte: VIAN (2019, p. 120).
Solidonio Attico Leite (1867-1930), natural de
Pernambuco, era advogado por profissão, tendo atuado,
principalmente, na área do Direito comercial em Minas Gerais e
no Rio de Janeiro. Considerado um grande intelectual e um dos
homens mais cultos da sua época, exerceu cargos executivos
importantes, como a presidência da Caixa Econômica Federal. Foi
patrono de uma cadeira da Academia Brasileira de Filologia, da
cadeira 27 da Academia Serratalhadense de Letras e sócio do
~ 211 ~
Instituto da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro.
(SOLIDÔNIO LEITE, 2021; BLAKE, 1900).
Solidonio Leite foi autor das seguintes obras: Tempos
acadêmicos (1892); Questões jurídicas: ligeiros estudos (1898); Reforma da
lei sobre fallencias (1900); Desapropriação por utilidade publica (1903);
Projecto do codigo civil (1906); Direito de raclamo: extensão e limitações
(1908); Classicos esquecidos (1912); Classicos portuguezes (1915); A
auctoria da Arte de furtar (1917); O Dr. Antonio de Sousa de Macedo e a
Arte de furtar (1917); Do nome comercial e suas garantias (1919); Erros
imperdoáveis (1920); A língua portuguesa no Brasil (1922); A revista do
Supremo tribunal e o seu supposto contrato, discursos (1924); Notas e
contribuições de um biblióphilo (1925); O petróleo e o dever do Brasil (1927).
(SOLIDÔNIO LEITE, 2021; BLAKE, 1902; BIBLIOTECA
NACIONAL DE PORTUGAL, [2022]; BIBLIOTECA
NACIONAL (Brasil), [2022]).
Solidonio colaborou, ainda, na elaboração do Código Civil
brasileiro de 1916, junto com Clóvis Beviláqua, de quem foi aluno
e amigo (SOLIDÔNIO LEITE, 2021).
A pesquisa realizada por Vian (2019), visou a identificação
das marcas de propriedade dos tipos ex-líbris e carimbos na
Biblioteca Rio-Grandense, e permitiu desvendar parte da história
da formação do acervo local, colaborando para o conhecimento da
~ 212 ~
história da própria instituição, marcada por inúmeras lacunas,
tendo em vista a escassa documentação disponível.
A partir do estudo da proveniência no contexto da
Biblioteconomia e da identificação de uma ampla variedade de
marcas de proveniência, idealizou-se a criação de um glossário
documental, disponível em acesso aberto.
2.2 O Glossário Ilustrado de Marcas de Proveniência
Os glossários nascem, na Antiguidade, como uma das
primeiras formas escritas que conhecemos sobre a linguagem,
utilizando listas de palavras como uma função mnemônica
(AUROUX, 2006).
Para Nunes (2006, p. 47), “esses tipos de listas constituem
sem dúvida os mais antigos instrumentos pedagógicos da
humanidade”, e tiveram o auge da sua propagação na Idade Média,
com a [...] prática de decodificação e interpretação de textos
gregos e latinos na escola”. O autor destaca que os glossários
podiam estar no meio, ou à margem do texto, mas sempre
vinculados ao texto, e tinham o intuito de explicar palavras
difíceis” ao leitor.
~ 213 ~
Medeiros (2012, p. 25), destaca que “[...] os glossários
nasceram presos ao texto, serviram à leitura [...], e que,
cronologicamente falando, As listas de palavras deram origem aos
glossários que, por sua vez, resultaram em dicionários
(MEDEIROS, 2012, p. 25).
Glossário, entende-se, neste trabalho, como uma lista de
termos e palavras que constituem o jargão específico de uma
ciência ou arte e sua respectiva explicação; vocabulário
(MICHAELIS, 2022).
Faria e Pericão (2008, p. 594), por sua vez, definem
glossário documental como um "dicionário de indexação, termos e
definições, dispostos por ordem alfabética e compreendendo
remissivas do tipo Ver e Ver tb. [Ver também]".
O Glossário Ilustrado de Marcas de Proveniência traz, em
sua essência, essas características: trata-se de uma lista de termos
(descritores e não descritores) que constituem o jargão específico
da área da Proveniência no contexto da Biblioteconomia e da
história do livro, com suas respectivas explicações e relações
(remissivas), acrescido de ilustrações que exemplificam as
definições dadas e os equivalentes dos termos nos idiomas inglês,
francês e espanhol.
~ 214 ~
3 METODOLOGIA
A elaboração do Glossário Ilustrado de Marcas de
Proveniência tem como sustentáculo teórico a revisão bibliográfica
e documental em fontes nacionais e estrangeiras. A seleção inicial
dos conceitos baseou-se em dois documentos considerados
referências para a área de estudos, a saber: a "Liste hiérarchisée de
termes relatifs aux marques de provenance portées sur les livres"
("Lista hierárquica de termos relativos a marcas de proveniência
em livros"), elaborada pela associação francesa BiblioPat; e o "T-
Pro: Thesaurus der Provenienzbegriffe" ("T-Pro: tesauro de
termos de proveniência"), desenvolvido pela Biblioteca Estadual
de Berlim, Alemanha.
A metodologia adotada para a elaboração do glossário
incluiu as seguintes etapas: a) planejamento do trabalho; b)
reconhecimento terminológico e preparação inicial; c) listagem de
termos; d) registro dos dados; e) revisão (KRIEGER; FINATTO,
2004 apud SILVA; SILVA, 2014).
O projeto foi dividido em duas fases. A primeira fase
ocorreu de janeiro a junho de 2021 e teve como metas: 1) elaborar
a listagem inicial de descritores, a partir dos documentos de
referência mencionados; 2) identificar as fontes para construção
~ 215 ~
dos conceitos; 3) estruturar o glossário; e, 4) dar início à criação
dos registros.
A listagem inicial incluiu 60 descritores. A estrutura dos
registros foi definida da seguinte forma:
a) conceito: apresentar o conceito, a partir de revisão nas fontes
selecionadas;
b) equivalentes do termo (descritor): apresentar os equivalentes do
termo selecionado em língua inglesa, espanhola e francesa;
c) relações entre os termos: estabelecer relações entre os
descritores e os não descritores;
d) imagem associada ao termo: buscar, na Internet, fotografias
digitais em acesso aberto que exemplifiquem o descritor;
e) descrição da imagem: indicar a fonte consultada para a obtenção
da imagem associada ao termo;
f) fontes consultadas: especificar a(s) fonte(s) consultada(s) para a
elaboração do conceito.
O glossário foi estruturado em documento de texto
compartilhado entre as pesquisadoras e deu-se início à elaboração
dos registros.
A segunda fase do projeto foi planejada de modo a dar
continuidade à pesquisa. Essa fase teve início em julho de 2021 e
deverá se estender até o mês de agosto de 2022. As metas dessa
~ 216 ~
fase incluíram: 1) a ampliação do corpus inicial; 2) a finalização dos
registros dos dados; 3) a abertura do glossário para consulta
pública, em acesso aberto; e, 4) a identificação de descritores
potenciais para incorporar ao glossário.
4 RESULTADOS
O projeto foi idealizado no ano de 2020, e tem suas
origens nos debates empreendidos pelos integrantes do
GEPIM/FURG envolvidos com pesquisas sobre a temática da
proveniência, a partir dos quais evidenciou-se a necessidade de
esclarecer termos específicos da área de pesquisa, em especial a
ampla variedade de tipos de marcas de proveniência que se pode
encontrar nos materiais bibliográficos.
Do mesmo modo, percebeu-se a importância da realização
de um trabalho que pudesse contribuir na consolidação da
terminologia especializada, tendo em vista a escassa bibliografia
sobre o tema disponível em língua portuguesa. Assim, no último
trimestre de 2020, elaborou-se um projeto de criação de um
instrumento de controle terminológico sobre marcas de
proveniência, no formato de um glossário, o qual foi submetido e
~ 217 ~
aprovado na instituição, tendo seu início previsto para janeiro de
2021.
A primeira fase da proposta ocorreu de janeiro a junho de
2021. Nessa fase, identificou-se as principais fontes que seriam
utilizadas para a obtenção das definições dos termos selecionados;
selecionou-se o corpus inicial (composto por 60 descritores);
planejou-se a distribuição de tarefas entre os membros da equipe e
deu-se início à criação dos registros em um documento de texto
compartilhado em nuvem entre as pesquisadoras. A listagem das
fontes utilizadas para a construção dos conceitos pode ser
verificada no Apêndice A deste capítulo.
A partir da conclusão da primeira fase da pesquisa e do
estabelecimento das relações entre os termos, tornou-se evidente a
necessidade de ampliação do corpus inicial.
A segunda fase teve início em julho de 2021 e deverá se
encerrar no mês de agosto de 2022. As metas para essa fase
incluíram: 1) ampliar o corpus inicial; 2) finalizar os registros dos
dados; 3) tornar o glossário público (disponível para consulta, em
acesso aberto); 4) selecionar mais termos para incorporar ao
glossário.
Três, das quatro metas estabelecidas, foram alcançadas: 1)
a composição do corpus do glossário passou de 60 para 122 termos
~ 218 ~
(descritores); 2) os registros dos descritores foram finalizados e
revisados entre os meses de setembro e outubro de 2021; 3) em 22
de outubro de 2021, o Glossário Ilustrado de Marcas de
Proveniência foi disponibilizado ao público, em acesso aberto, no
seguinte endereço: https://bit.ly/proveniencia.
A partir da segunda fase, o GEPIM/FURG passou a
adotar o software Thesauro Semântico Aplicado - Thesa
25
para a
descrição do conteúdo. Assim, os conteúdos do Glossário que,
anteriormente, vinham sendo registrados em documento de texto
compartilhado, foram migrados para o espaço virtual do Thesa.
Importante destacar que esse conteúdo se encontrava,
inicialmente, restrito às pesquisadoras, e se tornou acessível ao
público a partir da finalização do trabalho de revisão dos registros,
no mês de outubro de 2021.
A Figura 4 ilustra a estrutura final de um dos termos
descritos no Glossário.
~ 219 ~
Figura 4 - Descritor Anotação” no Glossário Ilustrado de Marcas de
Proveniência
Fonte: Rodrigues, Vian, Rodrigues e Silva (2022).
O exemplo indicado na Figura 4 possibilita visualizar a
estrutura padronizada dos descritores, e apresenta as seguintes
informações:
25
THESA é um software livre de código fonte aberto desenvolvido por
pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), está
disponível em https://www.ufrgs.br/tesauros/index.php/thesa.
~ 220 ~
a) Definição do conceito: apresenta a definição do descritor, ou
seja, do termo escolhido/selecionado para representar um
conceito. Na definição do termo, consta apenas o nome abreviado
da obra consultada, seguido da indicação da(s) página(s) de onde
foi extraído o texto (quando este apresenta paginação). A lista
completa das fontes consultadas para a elaboração dos conceitos
está disponível na página inicial do Glossário, em
http://bit.ly/proveniência (neste capítulo, a lista encontra-se
disponível no Apêndice A).
b) UP traduzido por): apresenta as formas equivalentes do
termo em um dos três idiomas escolhidos, a saber: inglês, espanhol
e francês.
c) As relações hierárquicas entre os termos são representadas pelas
seguintes designações:
- TG - Termo Geral: apresenta o termo genérico, ou seja, nesse
campo apresenta-se o descritor que representa o termo com o
conceito mais abrangente;
- TE - Termo Específico: indica o(s) termo(s) subordinado(s) ao
descritor na cadeia hierárquica;
- TR - Termo Relacionado: indica o(s) termo(s) relacionado(s) ao
descritor, mas que não formam uma hierarquia.
~ 221 ~
d) UP (hidden): apresenta um não descritor, ou seja, um termo que,
embora descreva o mesmo conceito que o descritor, não está
autorizado na indexação (termos sinônimos, por exemplo).
e) Imagem associada ao termo: para cada descritor uma
imagem, que traz um exemplo do conceito dado. A maioria das
imagens utilizadas no Glossário foi retirada da Internet, de fontes
de acesso aberto; as fotografias utilizadas para exemplificar alguns
descritores que não estão disponíveis na Internet, foram obtidas
mediante contato com pesquisadores, colecionadores,
bibliotecários e artistas que, gentilmente, concederam o direito de
uso das mesmas.
f) Nota de exemplo: contém a descrição da imagem associada ao
termo e a respectiva fonte consultada para a obtenção da imagem.
g) Árvore hierárquica: imagem gerada pelo próprio software, com
base nas relações estabelecidas entre os termos.
A Figura 5 apresenta a listagem completa dos 122
descritores, dispostos conforme o mapa conceitual das suas
relações.
~ 222 ~
Figura 5 Mapa conceitual do Glossário Ilustrado de Marcas de
Proveniência
Fonte: Rodrigues, Vian, Rodrigues e Silva (2022).
~ 223 ~
O software Thesa permite, ainda, a exportação do glossário
em diferentes formatos de arquivo (.xml, .csv, .txt, .rdf, .json,
.skos, .pdf), visando tanto a impressão como o compartilhamento
de informações. O formato pdf torna acessível o recurso de
impressão, e apresenta os termos (descritores e não descritores)
ordenados sob diferentes arranjos: Apresentação sistemática
(índice hierárquico), Glossário (relação dos termos e remissivas),
Mapa conceitual, Apresentação alfabética e Ficha terminológica
para coleta dos termos. A Figura 6 apresenta a visualização, em
formato pdf, do descritor “Dedicatória manuscrita”, segundo o
arranjo “Ficha terminológica para coleta dos termos”.
Figura 6 Ficha terminológica do descritor “Dedicatória
manuscrita”, em formato pdf
Fonte: Rodrigues, Vian, Rodrigues e Silva (2022).
~ 224 ~
Desde outubro de 2021, o grupo tem trabalhado na
identificação de descritores potenciais para incorporar ao glossário.
Almeja-se, também, migrar o Glossário Ilustrado de Marcas de
Proveniência para servidor local, a partir da fase 3 da pesquisa.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As pesquisas de proveniência, no âmbito da
Biblioteconomia, colaboram para o conhecimento da história do
livro e do seu uso ao longo do tempo, bem como para a
reconstrução da história da formação das coleções de uma
biblioteca. Tais pesquisas envolvem, entre outros aspectos, a
identificação e a descrição de marcas deixadas nas obras por
sujeitos e/ou instituições que tiveram contato com estas ao longo
de sua trajetória histórica: antigos proprietários, leitores, censores,
encadernadores, bibliotecas e comerciantes, entre outros. Assim, as
marcas deixadas em uma obra podem ter sido produzidas por
diferentes pessoas, em diferentes circunstâncias, para cumprir
diferentes propósitos.
Em razão da ampla variedade de tipos de marcas de
proveniência, bem como da escassez de recursos, em língua
portuguesa, sobre o tema, criou-se o Glossário Ilustrado de
~ 225 ~
Marcas de Proveniência. Com uma base inicial de 122 descritores,
os quais, no conjunto de ruas relações, alcançam cerca de 750
termos, o Glossário es disponível em acesso aberto desde
outubro de 2021. Desde então, o grupo vem trabalhando na
ampliação da base, identificando e selecionando novos termos para
incorporar ao glossário. Destaca-se, ainda, que a criação de um
glossário de marcas de proveniência no contexto da
Biblioteconomia é uma iniciativa inédita no país.
Além da criação do produto, a proposta de pesquisa
teve como objetivo contribuir na difusão e ampliação da discussão
sobre o tema no âmbito da Biblioteconomia brasileira, o que
entende-se estar sendo cumprido satisfatoriamente, tendo em vista
a publicização do produto gerado e a participação dos
pesquisadores envolvidos em eventos, lives, oficinas e publicações
científicas da área, abordando a proveniência no contexto da
Biblioteconomia.
~ 226 ~
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