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Linha de Pesquisa: Design: Informação e Interfaces Projeto: Cartografia de materiais Resumo O Projeto Polímeros: Organização, Usabilidade e Produtos está vinculado ao projeto Cartografia dos Materiais e tem como objetivo identificar, mapear, organizar e disponibilizar informações sobre os materiais e seus processos de transformação, bem como promover uma discussão crítico-reflexiva acerca de suas aplicações em produtos e superfícies, para em seguida gerar aplicações desses conteúdos no âmbito do design. Entendendo o plástico como material funcional e versátil, abordamos aqui seus processos produtivos e sua potencialidade para produção de produtos no Brasil. Buscamos realizar uma cartografia da produção de plásticos mais utilizados no design de produtos, considerando seus modos de produção, processos de transformação, utilização e consumo. Palavras-chave: materioteca; polímeros; plásticos. Abstract The Polymers Project: Organization, Usability and Products is linked to the project of Mapping of Materials, and it aims identifying, mapping, organizing, and providing information about the materials and their transformation processes, as well as promoting a critical-reflexive discussion about their applications in products and surfaces, so it can then generate applications of such contents within the scope of the design. Understanding plastic as an extremely functional and versatile material, will prompt us to discuss its implications in the production process, and especially its potential for production of design products in Brazil. We will seek to bring forth a mapping of the production of plastics for design, considering its methods of production, transformation processes, use and consumption, and also broaden the means for developing new methodologies of research and application for design products.
V Congresso de Iniciação Científica | 11 de Agosto de 2010
Centro Universitário Senac
Polímeros: Organização, Usabilidade e Produtos
Raphael Cardoso Mota Pereira1
Prof. Dra. Denise Dantas2
1Estudante do Curso de Design Industrial; Bolsista do Senac;
raphaelcardoso_designer@yahoo.com.br
2Professor do Centro Universitário Senac
dedantas@terra.com.br
Linha de Pesquisa: Design: Informação e Interfaces
Projeto: Cartografia de materiais
Resumo
O Projeto Polímeros: Organização, Usabilidade e Produtos está vinculado ao projeto Cartografia
dos Materiais e tem como objetivo identificar, mapear, organizar e disponibilizar informações
sobre os materiais e seus processos de transformação, bem como promover uma discussão crítico
- reflexiva acerca de suas aplicações em produtos e superfícies, para em seguida gerar aplicações
desses conteúdos no âmbito do design.
Entendendo o plástico como material funcional e versátil, abordamos aqui seus processos
produtivos e sua potencialidade para produção de produtos no Brasil. Buscamos realizar uma
cartografia da produção de plásticos mais utilizados no design de produtos, considerando seus
modos de produção, processos de transformação, utilização e consumo.
Palavras-chave: materioteca; polímeros; plásticos.
Abstract
The Polymers Project: Organization, Usability and Products is linked to the project of Mapping of
Materials, and it aims identifying, mapping, organizing, and providing information about the
materials and their transformation processes, as well as promoting a critical- reflexive discussion
about their applications in products and surfaces, so it can then generate applications of such
contents within the scope of the design.
Understanding plastic as an extremely functional and versatile material, will prompt us to discuss
its implications in the production process, and especially its potential for production of design
products in Brazil. We will seek to bring forth a mapping of the production of plastics for design,
considering its methods of production, transformation processes, use and consumption, and also
broaden the means for developing new methodologies of research and application for design
products.
Key-words: Material Library; polymers; plastics.
1. Introdução
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Centro Universitário Senac
O consumismo contemporâneo exagerado descarta grande parte do que poderia ser substituído
em função de demandas do mercado. Essa característica pejorativa do descarte foi atrelada de
forma errônea ao material plástico devido à sua natureza versátil e de baixo custo para o
desenvolvimento de produtos em larga escala de produção. Os plásticos sintéticos foram
desenvolvidos para durar e permanecer em um ciclo fechado de reaproveitamento e não para
serem descartados na natureza, tendo em vista que a formação de sua matéria prima, o petróleo,
leva milhões de anos.
O plástico é 100% reciclável; do total de plásticos produzidos no Brasil, somente reciclamos
21,2%, média superior a da União Européia, que recicla 18,3% (Plastivida Jornal, 2009). Os
empecilhos para o aumento da reciclagem são a grande variedade de tipos de plásticos
existentes, o que prejudica o processo de separação do lixo, e a deficiência da coleta seletiva, que
somente alcança 7% dos municípios brasileiros (Pesquisa CEMPRE Ciclosoft, 2008). Sabe-se que
hoje o mercado de reciclagem é uma realidade economicamente viável que movimentou em 2007
R$ 1,8 Bilhão de reais, sendo uma prática em ascensão com crescimento médio de 8,2% ao ano
(Plastivida Jornal, 2009).
Percebe-se então que o plástico não é o vilão da relação MATERIAL x SUSTENTABILIDADE e sim o
ciclo de vida do produto, inadequado para um consumo sustentável. A concepção racional do
produto é vital para o reaproveitamento da matéria prima. No caso de filmes plásticos, pratinhos
de isopor, sacolas plásticas, entre outros produtos descartáveis, a dificuldade para se recuperar a
matéria prima é ainda maior, pois o contato direto com alimentos e o alto risco de perda nos
grandes lixões é imensa.
Atualmente temos o biopolímero como alternativa sustentável. Propriedades como
biodegradabilidade e biocompatibilidade o tornam uma solução eficiente frente ao plástico
sintético, principalmente nos produtos plásticos descartáveis, onde seu ciclo de vida é
comprometido, estando sua matéria prima impossibilitada de ser reciclada.
Diante de toda a complexidade no desenvolvimento de produtos e da imensa oferta de novos
materiais, percebe-se a dificuldade do designer compreender a matéria prima em todos os seus
aspectos possíveis, técnicos e sensoriais. Esta realidade tem sacrificado e trazido problemas de
primeira ordem para o meio ambiente, pois muitos materiais, como os compostosi, muitas vezes
não podem ser reciclados ou reutilizados, pois tem o processo de reciclagem de custo
economicamente inviável, por isso a necessidade de se perceber o uso adequado de certos
materiais.
2. Objeto da pesquisa
Realizar pesquisas bibliográficas sobre polímeros, considerando: processos de manufatura do
plástico e o plástico no meio ambiente, assim como uma superficial análise do plástico na cultura
industrial do Brasil. Visitar empresas para coleta de mostruário e informações técnicas. Organizar
as informações e disponibilizar no banco de dados.
3. Metodologia
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Para o desenvolvimento desta pesquisa foram realizadas leituras orientadas para identificação dos
possíveis meios de classificação dos polímeros, através de bibliografia especializada que incluiu
Brydson (1999) , Lima (2006), Harada (2005), Penteado (2002) Manzini (1986). Foi também
consultada a base de dados especializada “Material Conexxion”. Também foram realizadas
consultas aos seguintes materiais de associações, sindicatos e entidades representantes do
plástico: ABIPET-Associação Brasileira da Indústria do PET, ABIPLAST-Associação Brasileira da
Indústria do Plástico, ABIQUIM-Associação Brasileira da Indústria Química, ABMACO-Associação
Brasileira de Materiais Compósitos, ABRE-Associação Brasileira de Embalagens, AFIPOL-
Associação Brasileira dos Produtores de Fibras Poliolefínicas, ABPOL-Associação Brasileira de
Polímeros, INP-Instituto Nacional do Plástico, SINDIPLAST-Sindicato da Indústria de Material
Plástico do Estado de São Paulo, Plastivida Instituto Socio-Ambiental dos Plásticos, ABNT –
Associação Brasileira de Normas Técnicas e American Chemistre. Foram realizadas visitas técnicas
em instituições e empresas do setor, com o intuído de se obter informações in loco, registradas
fotográfica e videograficamente. As visitas técnicas incluíram: Quattor PP2, ABPOL Associação
Brasileira de Polímeros, ABIQUIM - Associação Brasileira da Indústria Química, SENAI Mario
Amato IPT- Instituto de Pesquisas Tecnológicas e Centro de Tecnologia de Processos E Produtos -
LPP - Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas. Este último atua na área de
pesquisa de biopolímeros e nanotecnologia.
Foram feitos contatos diretos com indústrias para solicitação de catálogos e amostras de matéria
prima mas os resultados foram modestos.
As atividades foram concluídas com relatórios finais, que buscavam fazer da experiência uma
observação crítica e reflexiva sobre o conhecimento adquirido do universo dos materiais plásticos.
4. Resultados e discussão
A classificação dos polímeros é possível de três formas:
-nomenclatura: normatizada internacionalmente pela ISO, BS, ASTM e DIN (Brydson, 1999),
-análise molecular (Lima, 2006): entendendo sua estrutura química, cadeia polimérica e
comportamento mecânico
- análise de mercado (American Chemistry Council, 2007): define se o plástico pode ser
considerado um commodities3.
Utilizando-se destas ferramentas é possível classificar todas as famílias de plásticos sintéticos.
Para os biopolímeros, entretanto, tem a origem de seu monômero em fontes renováveis como
soja, milho, cana-de-açúcar, celulose, quitina, quitosana, entre outros. Por esse motivo, é
necessário um tratamento diferenciado da análise molecular, pois questões como degradabilidade
aeróbica e anaeróbica, biocompatibilidade exigem uma classificação diferenciada. Sua
nomenclatura obedece as normas internacionais e por ser um produto com produção ainda
modesta, não pode ser considerado um commodities, o que dificulta sua análise de mercado.
Manzini (1986) afirma que a oferta e o acelerado desenvolvimento de novos materiais fazem com
que o designer “compreenda cada vez menos a matéria-prima em todos os seus aspectos
possíveis, técnicos e sensoriais.” É importante ressaltar, para o uso dos designer, não só as
propriedades técnicas mas propomos considerar também o uso comum, a descrição sensorial, o
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risco ecológico e o parecer sócio-econômico. A busca pelo uso comum dos plásticos define sua
aplicação principal como embalagens, brinquedos, eletroeletrônicos. A busca sensorial auxilia o
designer a encontrar o material mais adequado por meio de características que tenha ligação
direta com a percepção de seu produto. A busca por risco ecológico define a origem da matéria
prima. Um exemplo que podemos citar é o caso do monômero de etileno: pode ter origem no
petróleo (matéria prima fóssil) ou através da cana-de-açúcar (através de monocultura
latifundiária). A busca pelo parecer sócio-econômico indica o modelo extrativista da matéria
prima: utilização de mão-de-obra de comunidades cooperativadas, agroextrativismo, entre outros,
sempre citando a região do país, desta forma dando possibilidade critica e reflexiva ao designer de
decidir sobre a origem do material.
5. Conclusões
A estreita relação do design com a materialidade traz a necessidade de uma abordagem múltipla
pois o design é uma área de conhecimento onde os estudos estão no limiar do conhecimento
exato e humano. O plástico é uma matéria prima que está em constante evolução e vem
permitindo que a sociedade desfrute de um conforto que não seria possível sem a sua existência.
A utilização combinada dos 3 sistemas de classificação citados possibilita melhor busca e mais
informações adequadas aos projetos de design. As classificações por análise molecular, oriundas
da área de engenharia, não atende sozinha às necessidades de informações do designer. A
inclusão de elementos sensoriais é essencial para qualificar as escolhas de materiais feitas no
processo projetual.
As pesquisas com biopolímeros ainda precisam evoluir para que possamos aplicar os mesmos
critérios utilizados para a classificação dos polímeros sintéticos. O risco ecológico e o parecer
sócio-econômico são dados de difícil obtenção, o que pode dificultar a sua aplicação em um
sistema de classificação e catalogação de materiais.
6. Notas
1 Compostos: materiais que utilizam diferentes matérias primas em sua composição, sendo estas
fundidas, coladas ou processadas de modo que se torna difícil sua separação para reciclagem.
2 Indústria de 1ª e 2ª geração na produção de etileno e propileno, visita técnica monitorada pelo
Eng. Gustavo Lusa ao pólo petroquímico de Máua-SP.
3 Commoditie aqui utilizado como plástico produzido por diversas empresas, de composição
conhecida e com múltiplos fornecedores, tendo seu uso disseminado em diversos setores
7. Referências
Brydson, J. Plastics Materials. 7th. edition. Oxford: Butterworth-Heinemann, 1999.
CEMPRE Ciclosoft. Compromisso Empresarial para Reciclagem: 2008. Pesquisa Ciclosoft.
Disponível em http://www.cempre.org.br/ciclosoft_2008.php [Acesso em 2 de abril de 2010]
Harada, J. Plásticos de Engenharia: Tecologia e Aplicações. São Paulo: Artliber Editora, 2005.
Lima, M. A. Introdução aos Materiais e Processos para Designers. Rio de Janeiro: Editora
Ciência Moderna., 2006.
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Centro Universitário Senac
Manzini, E. A matéria da invenção. Porto: Centro Portugues de Design, 1986.
Plastivida Jornal. (Janeiro/Fevereiro/Março de 2009). Cresce reciclagem no país. Plastivida
Jornal , p. 3.
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Introdução aos Materiais e Processos para Designers. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna
  • M A Lima
Lima, M. A. Introdução aos Materiais e Processos para Designers. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna., 2006.
Porto: Centro Portugues de Design
  • E Manzini
  • Matéria Da Invenção
Manzini, E. A matéria da invenção. Porto: Centro Portugues de Design, 1986. Plastivida Jornal. (Janeiro/Fevereiro/Março de 2009). Cresce reciclagem no país. Plastivida Jornal, p. 3.