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Entre a técnica e a socialização de conhecimento: aproximações sobre o Óleo de Bicho de Tucumã em uma comunidade quilombola no Marajó-PA.

Authors:
XII REUNIÃO DE ANTROPOLOGIA DO MERCOSUL
22 A 25 DE JULHO DE 2019, PORTO ALEGRE (RS)
GRUPO DE TRABALHO: ARTE, CULTURA MATERIAL, TÉCNICA E
COSMOVISÃO LATINO-AMERICANA
TÍTULO DO TRABALHO: Entre a técnica e a socialização de conhecimento:
aproximações sobre o Óleo de Bicho de Tucumã em uma comunidade
quilombola no Marajó-PA
ISRAEL MARTINS ARAUJO
Universidade Federal do Pará - UFPA
Flávio Bezerra Barros
Universidade Federal do Pará - UFPA
Nelissa Peralta Bezerra
Universidade Federal do Pará - UFPA
1. Introdução
O chamado óleo de bicho é o produto da fritura de uma larva que, além de ser uma
iguaria culinária para populações amazônicas é usado também como remédio para diversas
enfermidades. A comunidade quilombola de Bairro Alto na ilha do Marajó no Pará utiliza
gerações o produto, mantendo e reproduzindo saberes e técnicas para sua produção e consumo.
Apesar de pesquisas como as de Melo (2017) - sobre o universo e as cosmovisões da caça - e
Arêda-Oshai (2017) - sobre percepções sobre saúde e atendimento nas comunidades - citarem
ocasionalmente o óleo de bicho de tucumã, há uma lacuna de pesquisas que tratem do óleo de
bicho em si.
Considerando essa lacuna no conhecimento e, mediante os relatos das pessoas da
comunidade de Bairro Alto, entendemos que a importância desse produto para cultura da
localidade resulta na necessidade de evidenciá-lo nas pesquisas antropológicas. O que levaria a
revelar aspectos interessantes não da sua produção, mas de toda cadeia operatória
(Lemonnier, 2012) e as diferentes técnicas que interagem na elaboração de percepções sobre o
mundo material e como elas podem se relacionar.
“A antropologia das técnicas [...] é a única que não só pergunta se um objeto
é um elemento de um contexto ‘político’, ‘religioso’, ‘econômico’, ‘artístico’
ou outras práticas e representações; mas também pergunta de que forma sua
concepção e sua produção material são características do grupo humano que
o manufatura ou o usa. Como demonstro, prestar atenção à dimensão mais
física de ações ou técnicas é uma forma de revelar informações fundamentais
sobre uma cultura ou sua organização social” [Tradução Nossa]
(LEMONNIER, Pierre. 2012, p. 2).
Ou seja, estudar a técnica em si, a técnica em relação ao seu contexto e o aspecto
simbólico da mesma revela informações sobre a cultura ou organização social do grupo. Antes
de estudar as técnicas seria necessário também estudar o conhecimento enquanto peça basilar
desse processo de produzir o óleo de bicho de tucumã em Bairro Alto. Os objetivos da pesquisa
foram compreender os pressupostos do conhecimento local sobre a produção de óleo de tucumã,
suas práticas de socialização entre as mulheres, (os principais sujeitos envolvidos na prática), o
contexto de produção das técnicas e sua aprendizagem.
2. Bairro Alto e os Quilombos
Bairro Alto é uma comunidade quilombola localizada na Ilha do Marajó, no estado do
Pará. A Ilha do Marajó tem em torno de 49 mil km², 2.500 ilhas e 16 municípios, sendo a maior
ilha fluvio-marítima do mundo (BRASIL, 2007). O principal acesso à ilha se dá pelo Porto da
Balsa em Icoaraci (Belém).
O trajeto dura em torno de quatro horas e, após a viagem, chega-se ao porto do Camará
que é um dos principais portos e forma de entrada na ilha. A cidade de Salvaterra, que é o
primeiro ponto de parada, fica a 30 km do porto, enquanto a comunidade quilombola de Bairro
Alto fica a 12 km de Salvaterra. Em Salvaterra se pega uma condução local para realizar o
deslocamento até a comunidade.
Segundo Salles (1971), um dos maiores intérpretes da presença negra na Amazônia,
existe um mito da ausência das populações negras na Amazônia. O autor desmistifica essa ideia
e aponta como a população negra esteve presente principalmente no passado agroextrativista
da região. Salles indica que a ocupação da Ilha do Marajó pela população negra teve origem a
partir do movimento da Cabanagem1 - um dos motivadores da migração e da constituição da
população quilombola na ilha, que havia sido, anteriormente, colonizada por jesuítas e que
abriga comunidades quilombolas que datam de 1850. Com o tempo tem-se o aparecimento e
o crescimento constante de comunidades de fugitivos que escapando do domínio senhorial
buscavam, entre outros instrumentos de resistência, o quilombo ou mocambo” (BARROS,
2015, p. 4).
A comunidade de Bairro Alto faz parte desse conjunto histórico de comunidades que
ocupam a ilha, as quais também construíram sua cultura e suas trajetórias de lutas em torno da
floresta e de tudo o que ela oferece. Segundo a Fundação Cultural Palmares (2017) existem 16
comunidades no município de Salvaterra, enquanto segundo Areda-Oshai (2017) esse número
salta para 18 comunidades identificadas na região.
1 Ver Salles (1971) para compreensão da Revolução Cabana.
(Figura 01 Mapa do Território Quilombola no Marajó. Fonte: Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia
Série: Movimentos sociais, identidade coletiva e conflitos; Fascículo 7: Quilombolas da Ilha de Marajó/jan. 2006)
A comunidade tem sua origem, segundo Melo (2017), com a chegada de um homem
escravizado e depois liberto chamado Joaquim Marinho dos Santos. Esse senhor recobra as
terras para si e as repassa a seus descendentes - de geração em geração até a terra se ramifica
em outras famílias. Segundo a Associação dos Remanescentes de Quilombos do Bairro Alto
(ARQBA), a comunidade abriga em torno de 130 famílias, o que totaliza por volta de 350
pessoas.
A comunidade é dividida em pequenos “bairros” (em tradução urbana), que Melo (2017)
nomeia como sítios2 e que Cardoso (2008) vai chamar de unidades sociais. No total, contam-se
2“Estes sítios que são heranças da memória local são grupamentos humanos ligados, frequentemente, por laços de
parentesco, vizinhança, casamento e relações de troca [...] a comunidade, de modo amplo, conhecida como
Comunidade Quilombola Bairro Alto, representa a unidade política e jurídica, mas a unidade afetiva está
representada pelos nomes dos sítios e vilas”. (MELO, 2016, p. 25).
oito unidades em Bairro Alto: Vila Galvão, Marinquara, Sítio São Luiz, Santa Maria, Vista
Alegre, Bairro Alto, Valentim e Ilha Cocal.
É recomendado não encarar esses territórios como lugares separados, mas sim como
divisões internas da comunidade que facilitam, inclusive, a geolocalização de algumas famílias,
por exemplo, talvez família A seja tradicionalmente conhecida por morar em Santa Maria,
assim como família B seja conhecida por morar no Valentim (este último inclusive sendo local
de algumas festividades famosas da comunidade). Bairro Alto é uma comunidade-exemplo de
um povo que fixou suas raízes na mata e lá criou sua história, suas lendas, seus conhecimentos
e suas vivências.
3. Metodologia e procedimentos metodológicos
Esta pesquisa resulta de um trabalho de conclusão de curso e desenvolvida no ano de
2017 por um dos autores (I. Araújo). Contudo, ela compõe uma pesquisa maior dentro do
PAPIM3 (Programa de Apoio a Projeto de Intervenção Metodológica) vinculada ao Grupo de
Estudos Interdisciplinares sobre Biodiversidade, Sociedade e Educação na Amazônia (BiOSE),
coordenado professor doutor Flávio Bezerra Barros da UFPA.
Após as primeiras viagens a campo com o grupo de pesquisa, o interesse pelo tema da
produção óleo de bicho surgiu. Assim, tornou-se o tema do trabalho de concussão de curso do
primeiro autor. A pesquisa se deu na comunidade de Bairro Alto, após as primeiras
aproximações no campo. A estadia na casa da professora da comunidade quilombola me deu
oportunidade de conviver com as produtoras do óleo.
Sendo assim, quatro mulheres e quatro narrativas foram selecionadas para acompanhar
o processo de produção do óleo: Carmen, Edna, Iraneide e Maria Benedita aceitaram
compartilhar comigo um pouco de sua experiência e sabedoria, contudo não foi possível
participar de coleta com todas. O presente artigo trata do recorte de apenas uma narrativa da
senhora Iraneide, ou Dona Preta, cuja experiência nos possibilitou produzir maior riqueza de
detalhes. Dona Preta, ou Iraneide Santos, tem 50 anos e mora com seu pai já idoso e duas filhas.
Sua principal forma de sustento é a sua roça de mandioca, mas tira um complemento à sua renda
do óleo de bicho.
Contudo, eventualmente as demais entrevistadas serão evocadas neste trabalho, seja
para apontar divergências de narrativas.
3 Atualmente já concluída.
A pesquisa se desenvolveu na comunidade por duas semanas - tempo que considerei
pouco, mas que possibilitou conhecer o processo de feitura do óleo de bicho e seus usos.
Na pesquisa desenvolvida se optou pelas formas mais clássicas de investigação na
antropologia: estadias em campo com registro em diário e elaboração de etnografia,
reconhecendo seus limites (Geertz, 2008) e considerando-a um estudo de determinada prática
social, no contexto em que ela está e quais são seus desdobramentos em um esforço de produzir
uma “tradução” de um mundo e suas linguagens para outro mundo.
A pesquisa também contou com registros em áudio de entrevistas semiestruturadas, que
segundo Manzini (1990) estão geralmente concentradas em um objetivo, que perpassa por
alguma espécie de roteiro com perguntas centrais, complementadas ou não por circunstâncias
e acontecimentos durante a entrevista.
4. Analisando e pensando a coleta do óleo de bicho
A coleta do óleo de bicho de tucumã parece à primeira vista um processo comum e
talvez muito semelhante a outras atividades extrativistas da região. Contudo, peculiaridades
explicitadas acima como o uso da larva e do caroço para diferentes tipos de produtos como
alimentício, remédio e até como artefato religioso são alguns dos fatores que fazem a coleta do
material para a produção do óleo de bicho ganhar destaque no exercício de se pensar como o
conhecimento é socializado por gerações, como as técnicas são desenvolvidas e os aspectos
sociais e econômicos da coleta.
A árvore de tucumã - ou tucumanzeiro - é uma árvore de grande porte, com cobertura
vegetal baixa e que aparece predominantemente em áreas de terra firme. Ela tem por nome
científico de Astocaryum vulgare Mart e seu nome popular é “tucumã-do-pará”. A espécie pode
ser encontrada praticamente em toda a região norte. A planta é de crescimento agressivo e
resistente, vide os espinhos que se formam ao longo dela.
As técnicas sensoriais e materiais para coleta do caroço abrangem desde “sentir um
cheiro” específico, até observar algum sinal da presença de larva no caroço do tucumã. Essa
variedade aparece nas narrativas de algumas das mulheres que entrevistei e junto às quais
coletei e produzi óleo. Considerando que Ingold (2010) entende a forma de aprendizagem como
um processo de redescobrimento no aspecto que é o ato de “mostrar” algo a alguém e criar um
contexto para aquela informação, pensa-se desta forma, que diferentes técnicas presentes em
diferentes narrativas reflete a diversidade do processo de aprendizagem per se.
(Figura 02 Árvore de Tucumã, ou Tucumanzeiro. Fonte: Israel Araujo, pesquisa de campo/setembro de 2017)
“Na passagem das gerações humanas, a contribuição de cada uma para a
cognoscibilidade da seguinte não se dá pela entrega de um corpo de
informação desincorporada e contexto-independente, mas pela criação,
através de suas atividades, de contextos ambientais dentro dos quais as
sucessoras desenvolvem suas próprias habilidades incorporadas de percepção
e ação” (INGOLD, 2010, p. 21).
Ou seja, contextos diferentes geram aproximações diferentes a um mesmo produto,
como afirma o autor supracitado. Parafraseando Ingold, as diferentes técnicas, habilidades,
aprendizagem e conhecimento se tratam mais de “trazer as coisas de volta à vida”, ou seja que
essas coisas não residem “nas relações entre estruturas no mundo e estruturas na mente, mas
são imanentes à vida e consciência do conhecedor” (INGOLD, 2010), do que representações
sobre o seu próprio mundo ou algum aspecto seu.
Pode se perceber a riqueza de detalhes e formas diferentes de se aproximar do campo e
da coleta no quadro abaixo que elenca as diversas utilidades atribuídas ao óleo, formas de
localizar bons caroços, formas de quebrar os caroços, formas de preparar o óleo, o quanto ele
rende e a quanto ele pode ser vendido não só para pessoas da comunidade como para pessoas
fora da comunidade.
Para analisar a produção do óleo utilizaremos do paradigma ecológico de Ingold e as
noções de aprendizagem situada de Lave e Wenger, mergulhando na narrativa específica da
coleta com a Dona Preta. Divergências em localização dos caroços, coleta, transporte, preparo
e usos serão eventualmente apontados, considerando que os mesmos podem ser verificados no
quadro acima.
Quadro 1.1 Diferença de técnicas entre as interlocutoras
Interlocutoras
Período de
Coleta
Material
para
Coleta
Seleção
Material para
extração do
óleo
Preço
Apropriações
do óleo
Carmen
Maio à
setembro
ou outubro
Terçado;
Botas;
Sacas.
Furo no
caroço
Frigideira;
Fogão à lenha;
Coador.
Vidro
pequeno: 2 a
5 reais
Garrafa de
1L: 120 reais.
Combater
inflamações
internas e
externas;
Óleo de
cozinha;
Mistura do
que a larva
deixa ao
comer o
caroço com o
óleo para
ajudar a
dormir.
Edna
Julho à
Agosto, as
vezes
Setembro
Terçado;
Sacas.
Furo no
caroço;
Maré
Alta.
Frigideira;
Fogão à lenha;
Liquidificador;
Coador.
Garrafinha:
25 reais
Garrafa de
1L: 120 reais
___________
Iraneide
Julho e
Setembro
Terçado;
Sacas;
Bicicleta.
Furo no
caroço
____________
Garrafa de
1L: 120 reais
Qualquer
inflamação;
Com sebo de
carneiro para
dar forças nas
pernas;
Dar forças
em geral.
Maria
Benedita
Julho e
Agosto
Terçado;
Sacas;
Barco;
Bicicleta.
Furo no
caroço;
Cheiro;
Frigideira;
Fogão à lenha;
Liquidificador;
Coador.
Garrafa de
250
mililitros: 20
reais.
Contra
câncer;
Inflamação
dentária;
Fortalecer o
corpo;
Para dormir.
(Figura 03 Rose e Dona Iraneide. Fonte: Israel Araujo, pesquisa de campo/setembro de 2017)
Em vias de regra, a produção do óleo de bicho abarca as etapas de coletar os caroços
apropriados, abri-los, retirar as larvas que se instalam lá dentro e as fritar até produzir o óleo.
Contudo, as nuances dessa coleta são os pontos que nos interessam.
As formas de identificar que caroço contém larva para fazer o óleo de bicho é através
de um pequeno furo localizado no caroço, que é um sinal de que a larva estaria ali dentro. Essa
técnica de identificação é geral para as outras entrevistadas, com uma pequena diferença de
Dona Dita que também diz que a presença de muitos caroços com larva emite um certo “cheiro”.
A coleta do caroço possui dinâmica e planejamento que começam bem antes do processo
de coleta em si. Dona Preta, durante a manhã da coleta, me informa que sua nora, Rose, iria se
juntar a nós na coleta e nos informa do plano para suas filhas se posicionarem em um ponto de
fácil acesso com bicicleta, enquanto nós (eu, ela e sua nora Rose) iríamos por dentro da mata
mais fechada.
(Figura 04 Furo no caroço. Fonte: Israel Araujo, pesquisa de campo/setembro de 2017)
Durante nossa ida, Dona Preta ia avisando Rose sobre as flores da árvore de bacuri que
já nasciam, dizendo: “não demora já vai dar”, e, assim ambas iam comentando sobre diferentes
plantas e árvores, sobre seus períodos e épocas, construindo e expandindo seu universo de
conhecimento sobre os ciclos das plantas. A melhor época de coleta do óleo de bicho é entre
julho e setembro, contudo os caroços coletados entre junho e agosto estão com as larvas que
desprendem mais óleo. Aparentemente as observações de Dona Preta feitas à nora sobre as
características das plantas naquela época de coleta poderia servir posteriormente como chave
de identificação para futuras coletas, independentes do calendário.
Quando encontramos com suas filhas após nossa pequena caminhada, começamos o
caminho até o tucumanzal onde coletamos os caroços. Seguimos por pequenos caminhos que
logo elas me contaram que se tratavam das “varridas”, que Melo (2017) identificou (em sua
dissertação sobre a caça na mesma comunidade) como técnicas de zoneamento da mata. Técnica
essa que as mulheres que coletam na mata utilizam para se deslocarem.
O processo completo da produção do óleo, especialmente nas fases de preparação,
planejamento, coleta e preparação, será analisado a partir do conceito de cadeia operatória de
Pierre Lemonnier:
“O termo cadeia operatória (a série de operações a ser performada) designa o
processo geral de transformação que vai do estado de matéria-prima até o seu
produto final. Normalmente, não existe nada que indique onde uma cadeia
operatória começa ou termina. Porque separar o sentimento das árvores, da
manufatura da enxó que faz esse processo ser possível; ou o processo de
feitura do tambor confeccionado em relação ao pedaço de madeira sendo
cortado? Essas divisões arbitrárias dependem da pergunta feita.” [Tradução
Nossa] (LEMONNIER, Pierre. 2012, p. 2)
Para o autor, estudar as técnicas de um processo em uma sociedade é estudar algum
aspecto dela, e como este se relaciona com outras dimensões da vida social. Para efeitos dessa
pesquisa, nosso foco está na produção de conhecimento e aprendizagem, mas revelando
também aspectos do comércio, saúde, religião.
Lemmonier enxerga interação entre as diferentes técnicas nas etapas da produção de um
mesmo produto com aquelas de produtos completamente diferentes, como é o caso das varridas
usadas para coleta de caroços de tucumã. O autor destaca, assim, níveis de interação: o primeiro
que se dá da interação entre técnicas de um único processo, o segundo que seria interação entre
técnicas de diferentes processos (o exemplo das varridas) e o terceiro que é como cada técnica
e objeto é concebido, usado ou trocado um sistema técnico: práticas e sistemas de
pensamentos que vão muito além da simples eficácia material. Um sistema técnico é, portanto,
sempre parte do todo sociocultural que o inclui” (LEMONNIER, 2012, p. 6).
Voltando para onde paramos no processo, após encontrarmos com suas filhas e
chegarmos ao tucumanzal, Dona Preta me orienta que os caroços com mais casca e mais leves,
além do fato de terem o furo, são os mais prováveis de ter o “bicho”. Elas me relembram que é
bom procurar caroços assim e evitar os que tem o furo muito grande, pois, provavelmente, a
“catorra”4 já teria sido formada e saído do caroço e não sobraria mais nada ali.
(Figura 05 A catorra no tronco de quebrar de caroço. Fonte: Israel Araujo, pesquisa de campo/setembro de
2017)
Quando discute e pensa a temporalidade da paisagem e a construção do conhecimento,
Ingold (2010) reflete que o mesmo depende profundamente da imersão dos seres na tessitura
4Um besouro de nome científico Speciomerus ruficornis Germar (MENEZES, A. J. E. A. de; HOMMA, A. K.
O.; OLIVEIRA, M. E. C.; MATOS, G. B. de. 2012, p. 1)
dos fenômenos no mundo e como somos influenciados pelos traços e movimentos que são
incorporados na paisagem por diferentes atores, principalmente atores não humanos como o
clima, animais, plantas e espíritos.
O seu conceito de taskscape (tarefagem), elaborado em oposição ao conceito
corrente de landscape, tem sido um recurso para incluir a história e a cultura
em seu paradigma ecológico. Ao habitar o mundo, somos envolvidos pelos
múltiplos traços históricos e culturais que foram incorporados na paisagem.
Estes traços, no entanto, não são uma prerrogativa dos humanos, mas de todos
os seres e objetos que habitam o mundo.”. (CARVALHO; STEIL, 2012, p.
239-240).
A ideia da agência de diferentes partes na concepção do conhecimento é uma ideia
discutida também por Mura (2011), ao comentar a visão sobre elementos da vida social que
atribui o posto de “sujeitos” aos humanos e “objetos” aos outros seres. Ao contrário, o autor
sugere a proposta de “sujeitos da ação” e de “objetos da ação” onde todos os seres podem tomar
diferentes postos, dependendo da sua participação na construção de certo conhecimento. A
catorra seria um sujeito da ação, influenciando a produção do conhecimento, tendo em vista
que sem elas realizando sua reprodução, muito dificilmente existiria o óleo de bicho.
As outras filhas iam coletando com mais destreza, se aventurando mais na mata entre
outros tucumanzeiros e todas pareciam empolgadas. Aquela coleta era também a primeira vez
de uma de suas filhas coletando naquela região chamada “Malato”. Talvez por isso demonstrava
um certo medo e receio durante a coleta, diferente da outra filha e da nora de Dona Preta, que
eram bem mais habilidosas na coleta.
O costume de andar pela mata, que Dona Preta aprendeu com sua mãe (com quem
também aprendeu a coletar e produzir óleo de bicho) cria também uma noção e percepção de
espaço e localização. As suas duas filhas mais novas sempre eram mais receosas de irem à
frente andando na mata, mas Dona Preta sempre as encorajava a seguir em frente, Aqui
ninguém se perde. [...] Vai, vai na frente tu sabe por onde é, tu veio por aqui. Não tem como tu
te perder”.
Esse momento da coleta conversa muito com a principal teoria de Tim Ingold (e,
provavelmente, o grande ponto da pesquisa) que confirma que a aprendizagem e a produção de
saberes se dão na prática. Segundo Ingold (2010) o conhecer não se dá por estruturas ou
representações repassadas de geração para geração, mas sim por uma “educação da atenção”,
ou seja, na prática. Ingold situa a experiência num espaço organizado, que gera efeitos, assim
como as outras pessoas, para “educar a atenção”, ou direcionar e sintonizar percepções e ações
para as coisas mais relevantes” (SAUTCHUK, 2015, p. 122).
Considerando a produção do óleo de bicho sendo analisada aqui pela perspectiva de
Ingold de que nada está somente pré-concebido e que o conhecimento se dá durante a execução
da atividade, ou seja, que em vez:
de estruturas que representam aspectos do mundo, os seres humanos
emergem como um centro de atenção e agência cujos processos ressoam com
os de seu ambiente. O conhecer, então, não reside nas relações entre estruturas
no mundo e estruturas na mente, mas é imanente à vida e consciência do
conhecedor, pois desabrocha dentro do campo de prática a taskscape
estabelecido através de sua presença enquanto ser-no-mundo”. (INGOLD,
Timothy. 2010, p. 22)
(Figura 06 Fritura do bicho e início da retirada do óleo. Fonte: Israel Araujo, pesquisa de campo,
setembro de 2017)
O paradigma ecológico e a educação da atenção de Ingold são chaves para compreender
e entender como se dá a produção do óleo. Mas parte dessa produção que será tratada a seguir.
Após a coleta e a volta, a quebra dos caroços e o processo de fazer o óleo é marcado
para mais tarde naquele mesmo dia. Ao final da tarde, por volta das 16:30 me dirijo à casa de
Dona Preta, que começa a quebra e me ensina como quebrar, mostrando como realizar o
processo de quebrar e retirar a larva de dentro: ajustando o caroço no tronco e na forquilha e
preparando o terçado para partir os caroços - quando geralmente sai uma pequena quantidade
de terra de dentro do caroço, junto com o “bicho” propriamente.
Após coletar vários bichos do caroço de tucumã, rumou-se para fritar o bicho que era
uma etapa que eu havia presenciado com Dona Carmen previamente. Durante o processo de
fritura várias pessoas se agrupam, não para aprender como se fritar, como para esperar o
bicho frito que é um dos aperitivos favoritos das crianças, principalmente.
(Figura 06 Bicho do Tucumã. Fonte: Israel Araujo, pesquisa de campo/ setembro de 2017)
Um conceito que também vai na mesma linha de pensamento sobre o conhecimento que
se dá na prática, é a “aprendizagem situada”, apresentada por Lave & Wenger (1991). Os
autores refletem sobre a participação periférica dos aprendizes na prática da aprendizagem, ou
seja, estar presente no processo de construção de algo em uma sociedade diz muito além sobre
o ato de estar lá, envolve imersão, integração e capacidade de performar novas tarefas e
perceber novas habilidades.
Os autores supracitados, portanto, consideram pensar aprendizagem como uma
participação periférica legítima significa que aprender não é meramente uma condição para
participação, mas é em si mesmo uma forma evoluída de participar”. (LAVE; WENGER, 1991,
p. 53. Tradução Nossa).
Para Sautchuk (2015) que também explora o conceito, seria expurgar uma ideia
biologizante ou não relacional da construção do conhecimento por outra, onde aprendizes
possuem participação ativa nessa construção. Assim evita-se a ideia de uma posição passiva
do aprendiz, que assume então um papel ativo e criativo, e também é afastada a concepção da
aprendizagem enquanto processo separado da vida ordinária, vendo-o enquanto constitutivo
dela, situado” (SAUTCHUK, 2015, p. 120).
“Como um aspecto da prática social, aprender envolve a pessoa por inteiro;
implica uma relação com atividades específicas, mas uma relação com a
comunidade social implica se tornar um participante, um membro, um certo
tipo de pessoa. Nessa perspectiva, aprender parcialmente e geralmente
aliás significa se tornar capaz de desenvolver novas atividades, performar
novas tarefas e funções, a se tornar proficiente em novos pensamentos.
Atividades, tarefas, funções e pensamentos não existem em isolamento.
[grifo nosso] Eles são parte de um sistema maior de relações nas quais eles
tem sentidos próprios” (LAVE; WENGER, 1991, p. 53)
É interessante considerar o que os autores compreendem sobre técnica, prática e
aprendizagem por contemplar com muita precisão o que se passa durante a produção do óleo
de bicho; estar implicado na sua produção é estar implicado em diferentes conversas da
comunidade, diferentes habilidades e diferentes cosmovisões sobre o próprio óleo de bicho.
Essa é uma conversa que após a produção com cada uma das mulheres, geralmente, vem à tona:
sobre as utilidades do óleo.
Como especificado acima no Quadro 1, as utilidades são variadas, principalmente para
inflamações externas ou “internas”. Mas o óleo também pode ser usado para “dar força” ou até
para ajudar a dormir. Dona Preta nos relatou um exemplo de quando fez uso medicinal do óleo
alguns meses após o óbito de sua mãe: “quando ela morreu eu tava fraca. Não comia nada. Eu
passava óleo de bicho nas pernas, no braço, na cabeça, para fortalecer”. A terra que sai de dentro
do caroço ao quebrar é o que sobra depois da larva comer e crescer (até se tornar a catorra).
Esta, misturada com óleo é colocada nas têmporas e tem propriedades soníferas e calmantes,
como contam as interlocutoras.
(Figura 11 Óleo de Dona Carmen à esquerda e de Dona Dina à direita. Fonte: Israel Araujo, pesquisa
de campo/setembro de 2017)
Um último ponto a ser considerado também durante as discussões sobre a finalidade do
óleo de bicho está na troca. Além da possibilidade de vender, algumas interlocutoras relataram
uma relação de troca do óleo de bicho por favores ou até retornos “divinos”. Quando as
mulheres dizem: “não [se pode] vender o que é da terra” ou também “dar, porque Deus dá de
volta” essas percepções podem ser analisadas sob a perspectiva do conceito de Dádiva
elaborado por Marcel Mauss.
“ ‘dar e receber’ implica não só uma troca material, mas também uma troca
espiritual, uma comunicação entre almas [...] Ao dar, dou sempre algo de mim
mesmo. Ao aceitar, o recebedor aceita algo do doador. Ele deixa, ainda que
momentaneamente, de ser um outro; a dádiva aproxima-os, torna-os
semelhantes” (LANNA, Marcos. 2000, p. 175-176).
Em termos de análise do óleo de bicho, pode-se verificar como a forma de entender
conhecimento como algo que todos os seres têm prerrogativa na construção, que está na esfera
da prática social, do relacional e conversacional entre mais experientes e menos experientes,
(Ingold, 2010; Lave & Wenger, 1991). Ir à coleta, fritar e vender ou trocar é se permitir entrar
em processos de aprendizado na comunidade. É aprender na prática, aspectos da vida na
comunidade quilombola como remédios, utilidades dos produtos e também técnicas corporais
não só de explorar a mata, como de se comportar nela.
Então, considerando a trajetória dos povos que foram escravizados, sua história vai para
além desse fato, sem desconsiderá-lo. Por serem um povo que foi menosprezado durante vários
momentos na história, tiveram também suas necessidades e, principalmente, seus
conhecimentos ignorados ou até descartados como válidos. Essa contraposição do
conhecimento “científico” ao conhecimento “tradicional” é algo que Santos (2009) vai explorar
brilhantemente em sua obra sobre as Epistemologias do Sul, onde ele categoriza o pensamento
vigente e limitante de “pensamento abissal”, que estabelece um limite dos pensamentos “daqui”
e pensamentos “do lado de lá”, ou seja qualquer pensamento não ocidental ou não hegemônico.
Para o autor, o pensamento abissal vai desacreditar ou invalidar o que ele chama de
pensamentos “do outro lado da linha”.
“Refiro-me aos conhecimentos populares, leigos, plebeus, camponeses, ou
indígenas do outro lado da linha. Eles desaparecem como conhecimentos
relevantes ou comensuráveis por se encontrarem para além do universo do
verdadeiro e falso. [...] Do outro lado da linha, não conhecimento real;
existem crenças, opiniões, magia, idolatria, entendimentos intuitivos ou
subjectivos, que, na melhor das hipóteses, podem tornar-se objectos ou
matéria-prima para a inquirição cientifica” (SANTOS, 2009, p. 25)
Os conhecimentos sobre o óleo de bicho de tucumã também enfrentam invariavelmente
o grande júri da ciência e medicina ocidental quando se trata de suas utilidades. Santos (2009)
vai propor o que ele também chama de contra-epistemologia e que reconheça a variedade de
epistemologias e formas de conhecer e saber no mundo, que é o que ele chama eventualmente
de uma Ecologia de Saberes e que nos permite compreender as diferentes formas de saber em
uma “ecologia”, ou coexistência.
Considerar o pensamento de Boaventura de Sousa Santos, aliado aos outros autores
acima, nos faz perceber nuances, detalhes e similitudes não só na prática da produção do óleo
de bicho, como com outros conhecimentos e com formas de se aprender até a própria coleta do
óleo de bicho. Para além disso, faz-se perceber como as comunidades são espaços de história,
luta e produtoras de técnicas, aprendizados sobre tecnologia, saúde, culinária e sociabilidades
e como esta perspectiva perpassada pelos estudos das técnicas, aprendizado e conhecimento se
mostra um horizonte de aparentemente infinitas possibilidades.
5. Aspectos Conclusivos
Ainda que em uma pequena aproximação e pequena parte de um trabalho maior, pode-
se considerar que o trabalho conclui sua proposta de oferecer aproximações e vislumbres sobre
a pesquisa da produção do óleo de bicho. Ela, contudo, vale para pensar como a trajetória de
um povo escravizado no Brasil, levou ao momento atual onde a comunidade estabeleceu fortes
laços com a mata, principalmente por causa de movimentos de revolta, como a Cabanagem.
A pesquisa com Bairro Alto não se conclui exatamente como esperado, ou desejado.
Assume-se inclusive que uma pesquisa com mais tempo e com mais detalhe e entrevistas
poderia cobrir aspectos que foram pouco tocados ou explorados como o aspecto da
culinária/alimentação e, também, os aspectos de gênero concernentes à pesquisa.
Pensar sob os conceitos dos autores apresentados foi uma forma de encontrar um ponto
que explorasse com o máximo de lucidez possível a complexidade de uma prática social que
envolve a concepção de técnicas e conhecimentos; considerando também como a história e
temporalidade das coisas “naturais” não são separadas da história e temporalidade das coisas
“sociais”, de fato, segundo Ingold (2010) essa separação é inexistente e pelo contrário cada
um dos seres vivos e não vivos interagem e interferem na história um do outro.
À guisa de conclusão, a produção do óleo não tem um preparo de início, em uma
espécie de concentração, verificando os materiais necessários, as estratégias para coleta e
carregamento dos caroços de volta, bem como a coleta em si, escolher bem os caroços, e
também produzir o óleo, lavar as larvas, fritar elas e separar o bicho frito para quem estiver
por perto, e por fim utilizar o óleo para uma variedade de finalidades, bem como o vender ou
trocar. A coleta do óleo de bicho revela muito sobre aprendizagem, socializar conhecimento
e sobre aprender sobre os saberes de sua família, que é manter uma memória viva.
A coleta do óleo de bicho começa sempre a desabrochar cada vez mais em cada vez que
os dados e reflexões sobre campo são revisitados e se pode pensar que estudar o óleo de bicho
é apenas o início de uma infinidade de relações entre os conceitos que talvez mais intriguem
a pesquisa hoje: conhecimento, aprendizagem e técnica.
6. Referências Bibliográficas
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Este artigo analisa a obra clássica de M. Mauss, Ensaio sobre a dádiva, à luz de desenvolvimentos recentes da Antropologia. Salienta como contribuição de Mauss o entendimento da dimensão política da troca de dádivas, assim como a sugestão de sua universalidade, posteriormente demonstrada por Lévi-Strauss, constituir-se em princípio formal-abstrato, e não num fato empírico-concreto. A partir desse princípio, avalia a tese segundo a qual a dádiva é fundamento de toda sociabilidade e comunicação humanas, assim como sua presença e sua diferente institucionalização em várias sociedades analisadas por Mauss, capitalistas e não-capitalistas.
Não é só médico que cura, não é só a Medicina que cura": perspectivas sobre saúde entre Coletivos Quilombolas no Marajó
  • Referências Bibliográficas
  • Cristina Maria
Referências Bibliográficas ARÊDA-OSHAI, Cristina Maria. "Não é só médico que cura, não é só a Medicina que cura": perspectivas sobre saúde entre Coletivos Quilombolas no Marajó -Pará/Brasil;
Comunidades Tradicionais em Luta pela Terra: A Comunidade Remanescente Quilombola de Gurupá, na Ilha do Marajó
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