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5 Minutes of Drawing: Instagram for Scientific, Pedagogical and Artistic Communications in the Covid-19 Era

Authors:

Abstract and Figures

In this article, we present the international event - 5 Minutes of Drawing. Created by a researchers group at the Fine Arts Faculty of the University of Lisbon, the event transforms the model of conferences established within the scientific environment by using a massive social network combined with video, thus providing opportunities to communicate theoretical content about drawing developed not only by academics but also from artists outside the mainstream. This project emerges as a response to the Covid-19 context. The methods chosen make use of Instagram IGTV and Live tools. The event is programmed with a curatorial approach. In this article we highlight and reflect on four case studies selected from the 59 participants. We then conclude the paper with the outcomes (exponential impacts outside the university) and statistics after one successful year, completing 12 series with 117 videos published about drawing, totaling 75.200 views
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5 Minutes of Drawing: Instagram for Scientific,
Pedagogical and Artistic Communications in the
Covid-19 Era
Grazielle Portella, Hugo Passarinho, Mário Linhares
Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Portugal
grazielleportella@edu.ulisboa.pt
hugopassarinho@campus.ul.pt
mrlinhares@campus.ul.pt
Abstract. In this article, we present the international event - 5 Minutes of Drawing.
Created by a researchers group at the Fine Arts Faculty of the University of Lisbon, the
event transforms the model of conferences established within the scientific environment
by using a massive social network combined with video, thus providing opportunities to
communicate theoretical content about drawing developed not only by academics but
also from artists outside the mainstream. This project emerges as a response to the
Covid-19 context. The methods chosen make use of Instagram IGTV and Live tools.
The event is programmed with a curatorial approach. In this article we highlight and
reflect on four case studies selected from the 59 participants. We then conclude the
paper with the outcomes (exponential impacts outside the university) and statistics after
one successful year, completing 12 series with 117 videos published about drawing,
totaling 75.200 views.
Keywords: Drawing, Video, Online event, Instagram, Covid-19
1 Introdução
A ciência tem cada vez maior dificuldade em comunicar seriamente com a
comunidade em geral. (Steiner, 2008, p. 24)
George Steiner procura discutir o quão difícil é para a ciência comunicar
fora dos seus pares. Quanto mais se investiga e descobre, mais difícil é
transmitir esse conhecimento. É assim também no campo artístico. Vejamos a
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exposição de Matisse e seu grupo em Paris, no início do séc. XX, arrasada na
altura pelo crítico Louis Vauxcelles intitulando-os de Fauves (Feras).
Neste artigo, mostramos como o conhecimento em desenho pode chegar à
comunidade geral, para lá da academia, desafiando investigadores a
sintetizarem os seus estudos e artistas a comunicarem a sua obra num
ambiente digital. Criado pelo grupo de investigação em Desenho da Faculdade
de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), o evento 5 Minutos de
Desenho (5MD) nasce no contexto Covid-19, respondendo a impulsos para
além dela. Inspirado no programa de rádio 5 Minutos de Jazz, do radialista
português José Duarte, em emissão desde 1966, este evento mostra como
cinco minutos são suficientes para apresentar temas menos conhecidos ou
aparentemente complexos.
Apresentamos a metodologia de trabalho (participação por convite e open
call); a tecnologia utilizada (vídeos e Lives no Instagram, Webdesign); quatro
casos de estudo; resultados após um ano de projeto; e considerações finais.
Quando questionado sobre a crise da educação, Steiner (2020) refere que,
perante a falta de interesse dos estudantes universitários de Harvard e
Frankfurt no final dos anos 60, por estarem mais interessados em protestar, o
seu método de ensino era simplificar a primeira mensagem:
Pedi ao meu auditório que me concedesse dez segundos antes de começar
a minha lição, e os estudantes ficaram intrigados. Tanto mais que eu continuei
a dizer-lhes que podiam protestar e sair, mas não antes de passados esses
primeiros dez segundos. (p. 147).
Defendemos que o 5MD é um primeiro passo para aproximar a prática do
desenho contemporâneo à comunidade geral através das novas tecnologias,
simplificando a mensagem no primeiro contacto, mas aprofundando o tema
com seriedade e rigor num segundo momento.
1.1 Um modelo para eventos de investigação em arte e desenho hoje?
A investigação em arte promove a interação entre várias disciplinas,
complementando-as e aos seus conhecimentos cada vez mais especializados.
Arlander (2016) refere que a experimentação e o jogar com alternativas da
investigação em arte enquanto prática especulativa, valorizam-na cada vez
mais no contexto da academia e da sociedade em geral (p. 3). Para a autora,
não há uma só forma de investigação em arte, mas várias, muito em parte
devido ao desenvolvimento que teve em diferentes correntes culturais e
institucionais (Arlander, 2016, p. 3).
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Assumindo a disciplina do desenho enquanto base da formação artística
universitária, existem três modos de conhecimento que se cruzam: o técnico,
o teórico e o estético (cf. Solé, 1999, p. 54). Se a transmissão estética é
atualmente o modo dominante sobre o que se constitui a tradição, também é
certo que o desenho transmite teoria e técnica a par do conteúdo estético, pelo
que estamos diante de três modos de conhecimento coexistente.
1.2 Paradigmas na mudança
A realidade de um mundo em pandemia tornou urgente a comunicação
académica utilizando dispositivos digitais, uma tendência que ocorria também
por razões ambientais: They found that nearly 860,000 people (...) generated
upwards of 2 million tons of CO2 attending these conferences between 2016
and 2020 (Olena, 2020, pará. 11).
Presenciamos hoje um fenómeno onde os atores sociais e cidadãos do
mundo usam as capacidades das Social Network Services (SNS) para avançar
os seus projetos, defender os seus interesses e afirmar os seus valores. O
sociólogo Manuel Castells (2013) já previa este comportamento ao constatar
que estamos crescentemente conscientes do papel crucial dos novos sistemas
de multimédia e as suas instituições regulatórias na cultura e política da
sociedade (p. 57). Destaca que a vantagem do uso das SNS é a de permitirem
um maior leque de intercâmbio de documentos como textos, áudios, vídeos…
literalmente tudo o que puder ser digitalizado (p. 64). Isto permite uma
divulgação mais abrangente de conteúdos e uma interação menos
hierarquizada e unidirecional, especialmente quando se trata de comunicações
académicas.
Como tal, as plataformas de videoconferência, que eram sobretudo de
adoção empresarial, passaram a ser utilizadas pelo público geral, e o ensino
artístico não foi exceção. Destacamos dois casos:
a) desenhar online, aulas ou encontros virtuais de desenho, como é o caso
das sessões David Hockney online organizadas pelo London Drawing Group
(2021);
b) conversa online, onde artistas apresentam o seu trabalho em modo open
house por iniciativa própria ou convidados por museus e/ou galerias, como por
exemplo a Gallery Platform em Los Angeles (2021).
2 Metodologia
2.1 Comunicar em vídeo no Instagram, organizar e aprofundar na Web
Se a Covid-19 cancelou todos os eventos presenciais de 2020, tal efeito gerou
uma oportunidade para os eventos académicos se repensarem, sobretudo no
seu modo de comunicar. Emergindo deste contexto, as SNS tornaram-se
ambientes de comunicação amplamente utilizados pelas instituições como
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espaços de convergência de pessoas, informação, conteúdo e inovação,
delimitando assim um campo ubíquo e acessível de possibilidades de
interação.
Com base no relatório fornecido por We Are Social e Data Reportal do início
de 2021, existem hoje 4,2 mil milhões de active users nas redes sociais (Kemp,
2021, slide 8) e, destes, 92,6% acedem à internet desde dispositivos móveis
(Slide 23). O aumento de utilizadores nas redes foi de 13,2% (490 milhões de
new users) em relação a janeiro de 2020 (Slide 9). Entre as plataformas SNS,
o Instagram é atualmente a rede baseada em imagem mais proeminente
(Kocak et al., 2019, p. 1), ocupando o quinto lugar como plataforma de social
media mais usada globalmente (Slide 50), e o terceiro lugar por tempo gasto,
com uma média de 10,3h/mês por pessoa (Slide 94).
Observando o espaço que a plataforma oferece, quatro doutorandos do
Grupo de Investigação em Desenho da FBAUL viram no Instagram a
oportunidade de materializar a criação de um evento de caráter artístico-
científico com alcance além dos estudantes e investigadores. Assim, surge o
projeto 5MD. Além do facto desta plataforma contar com a funcionalidade de
publicação de vídeos no IGTV, a possibilidade de realização de Lives foi
crucial, uma vez que permitiu a realização de uma conversa pública desde um
dispositivo móvel, sem a necessidade de inscrição prévia ou acesso através
de um link. No Instagram, os seguidores de um perfil são notificados
automaticamente quando a Live ocorre, e uma vez terminado, continuam a ter
acesso ao conteúdo, garantindo a continuidade do debate mesmo após
concluída uma série ou uma conversa, através de comentários.
Na implementação do evento estabeleceram-se dois formatos de
participação: a) convites diretos - o que permitiu compreender e confirmar o
interesse geral; b) open call - criando igualdade de oportunidades de
participação. Assim, o 5MD assenta em dois momentos (Fig. 1):
Etapa 1. Criação de um vídeo com cerca de cinco minutos sobre um tópico
de investigação em desenho. O vídeo, legendado posteriormente em Inglês, é
acompanhado por um artigo escrito, sendo este material disponibilizado no
Instagram da FBAUL e no website do evento.
Etapa 2. Conversa ao vivo (Live), no Instagram, entre o autor e um
investigador da Faculdade, cujo objetivo é aprofundar a temática proposta,
possibilitando a visualização e participação da comunidade geral.
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Figura 1. Vídeo de cinco minutos com respetivos comentários (etapa 1) e lives (etapa
2) dos autores Joana Mosi, Richard Briggs, Hollis Hammonds e Sam Winston. Fonte:
instagram.com/fbaul.
A etapa da criação do vídeo estimulou os autores a pensarem outro modo
de pensar o desenho, uma vez que a produção de um elemento digital (vídeo)
sobre um outro material (desenho) permite uma nova liberdade expressiva,
acrescentando camadas, palavras, imagens, sons, desenhos e outras
matérias. Este facto ajudou a transfigurar as habituais comunicações de texto
ou slideshow. Além disso, a possibilidade de os vídeos poderem ser gravados
com um smartphone democratizou a produção do vídeo pelo autor. Isto
enriqueceu inquestionavelmente o evento, já que a narrativa criada por cada
autor e o modo de gravação não obedeciam a um script específico além do
tempo (cinco minutos) e tema (desenho).
Uma fonte para a diversidade é a variedade de influências culturais sobre o
desenvolvimento da investigação em desenho. Algumas das correntes que
contribuem para a aceitação da investigação em arte incluem o crescente
reconhecimento do valor e da importância do conhecimento prático ou
conhecimento tácito (Arlander, 2016, p. 5) e, portanto, também daquele que os
artistas têm e não apenas o dos investigadores. Esta foi a chave que motivou
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a expansão do evento para fora do perfil habitual da academia, dando voz,
através dos meios digitais, à prática de artistas que não seguem
necessariamente a metodologia de investigação, possibilitando a articulação
de conteúdos interdisciplinares sobre o desenho.
Isto levou a um interesse alargado de participação no evento, o que tornou
necessário estabelecer uma curadoria mensal do conteúdo, procurando
temáticas comuns e uma cronologia de apresentação dos vídeos e das
conversas. A curadoria albergava temas como: desenhar pelo natural; banda
desenhada; desenho digital; ilustração; desenho de reportagem; educação e
teoria; desenho etnográfico; e territórios híbridos com a fotografia, pintura,
design, escultura, arquitetura e campo expandido.
Uma série mensal é composta por cinco vídeos, publicados na primeira
semana de cada mês, e por cinco conversas, realizadas na semana seguinte.
Tudo fica disponibilizado na conta da Faculdade e as séries temáticas são
destacadas nas Stories e nos Highlights do perfil (Fig. 2).
De modo a criar uma plataforma para uma participação variada, era
fundamental que os autores tivessem um perfil ativo no Instagram para
interagir com os seguidores da conta, fazendo like e dando resposta a
comentários nos posts.
Figura 2. Perfil do Instagram do evento 5MD. Fonte: instagram.com/fbaul.
Sendo o Instagram uma SNS, tem limitações quanto à organização da
informação disponível, pelo que foi necessário criar um website (Fig. 3). O
website reforça o caráter institucional do evento e disponibiliza um repositório
das comunicações com as seguintes secções:
- Landing Page: apresentação do evento;
- Program: comunicações organizadas cronologicamente. Cada página de
conteúdo concebido pelo autor conta com o texto e biografia além dos vídeos
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de cinco minutos e da conversa live. Os vídeos são embed em código html,
permitindo a contabilização das visualizações por um único algoritmo.
- Open Call: regras de submissão de propostas;
- Team: apresentação da organização;
- Search: ferramenta de pesquisa por keywords.
Figura 3. Website do evento 5MD. Fonte: http://5md.belasartes.ulisboa.pt/.
3 Resultados e impacto
Após doze séries concluídas, referimos algumas aprendizagens:
a) O facto de o evento ser liderado por investigadores académicos ajudou
a que as participações de artistas com metodologias de trabalho
diferentes encontrassem voz e lugar dentro do âmbito universitário;
b) Após as primeiras séries de lives, decidiu-se padronizar um modelo de
script para os debates ao vivo (três a quatro temas de conversa com o
autor; perguntas da audiência; apresentação de desenhos em direto;
e indicação de bibliografia);
c) Foi criado um manual com recomendações técnicas (luz, som e wifi)
que serviu de formação aos autores;
d) Foi criada a hashtag #5MD que, em conjunto com outras sobre
desenho e o nome do artista, expandiu a divulgação do evento a novos
utilizadores do Instagram;
e) Continuando no mesmo ritmo e interesse de participação, a
organização em séries de cinco comunicações mensais tem conteúdo
programado por mais sete meses;
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f) Os investigadores habituados a comunicar com artigos escritos estão
ainda num período de adaptação às transformações geradas pela
Covid-19, pelo que talvez isso justifique o equilíbrio entre convites
diretos e candidaturas espontâneas até ao momento.
Quanto aos resultados, em julho de 2021, o projeto contou com
participações de 59 autores de oito países (Portugal, Brasil, Estados Unidos,
Reino Unido, Ucrânia, Singapura, Argentina e Austrália). Entre os vídeos de
cinco minutos e as lives, foram contabilizados 117 vídeos que geraram 75.200
visualizações (média de 642 visualizações por vídeo) e 6.005 likes. Já o
website do projeto contabilizou 14.560 pageviews e o acesso de 4.378
utilizadores, dentre eles, 53% de Portugal, 12% dos EUA e 5% do Brasil, que
permaneceram, em média, 1:52 minutos no website.
Contamos com uma audiência variada de profissionais, professores,
estudantes, investigadores e simpatizantes da arte. Como feedback,
recebemos mensagens positivas pelo chat do Instagram, e-mails de
professores divulgando o evento em sala de aula, e também de pessoas
inspiradas pelo evento.
O perfil do Instagram da Faculdade contava, no início do evento, com 3.311
seguidores. Hoje, são 6.101, um crescimento de 84% da conta. Verificamos
que, após chegar aos 5.000 seguidores, as lives puderam durar mais de 60
minutos e a plataforma evoluiu para permitir até quatro participantes em
conversa simultânea por vídeo. Isso abriu novas camadas de riqueza nas
conversas, alargando o debate.
Apresentamos, de seguida, quatro estudos de caso.
3.1 Joana Mosi: entre o cinema e a banda desenhada
Destacamos o trabalho da portuguesa Joana Mosi pela originalidade que o seu
vídeo estabelece com o seu trabalho em desenho. A narrativa visual mostra a
construção e desconstrução de peças Lego enquanto o discurso contextualiza
o seu percurso na banda desenhada e no cinema. Mosi (2021) coloca-nos
numa dimensão intimista surpreendente expondo o seu processo de trabalho
e convidando o observador a associar as duas dimensões narradas:
Quando estou a trabalhar, existe um constante medir de forças. Sinto que
há um conflito interior que se espelha de alguma forma naquilo que faço, sejam
coisas mais simples e improvisadas ou em projetos de maior envergadura. No
final do dia, sou sempre a minha maior adversária. (min. 0:08-0:22).
No texto publicado, acrescenta:
Agora reconheço que, no meu trabalho, geralmente opero através de
comparações. Isto porque uso o desenho, a banda desenhada, como forma de
pensar, processar ideias, uma tentativa de expor um problema ou um conflito.
(Mosi, 2021, pará. 23).
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Na live do Instagram, abordando a fase inicial do seu processo criativo,
afirma:
Sempre que faço um trabalho novo, tenho um método novo. O meu trabalho
não é o que vemos (...), mas sim uma materialização desse processo. Quando
estou a trabalhar de novo, estou a trabalhar na novidade do método. (Mosi,
2021, min. 6:39-6:59).
Por aqui, se percebe também como o convite para participar no evento 5MD
cativou a sua atenção, já que se tratava de uma nova metodologia para
comunicar o seu trabalho.
3.2 Richard Briggs: desenho efémero na cidade
O artista australiano Richard Briggs participou na série temática sobre o grande
formato. O seu trabalho destaca-se pelo caráter efémero, tratando-se de um
território híbrido entre o desenho de observação e a instalação pública feita
apenas com fita cola de papel azul. No vídeo, é explorada a relação entre os
bairros antigos de Sydney e a parte moderna da cidade, chamando a atenção
para a descaracterização urbana.
No seu texto, refere: The temporal nature of this application means that once
that the tape drawing is completed, it becomes the property of the city. (Briggs,
2021, pará. 3), o que levou a uma inevitável ligação às obras Land Art do artista
escocês Andy Goldsworthy.
Na live, quando questionado sobre esta eventual relação, Briggs (2021)
referiu o contraste entre o controlo total sobre a obra quando está a ser feita e
a completa ausência de controlo assim que a mesma fica em espaço público:
The moment when I decide that it is sort of finished, that’s when the artwork is
the most alive. (min. 10:40-11:00).
Por último, refere-se o feedback do autor quanto à participação no 5MD,
para o qual a realização de um vídeo o levou a refletir, aprofundar e encontrar
alicerces teóricos sobre a sua obra. As questões colocadas durante a conversa
levaram-no também a redescobrir o seu trabalho, na medida em que foi
interpretado e debatido de um ponto de vista académico.
3.3 Hollis Hammons: desenho com mensagem ambiental
No caso da Hollis Hammonds, americana, professora universitária e artista, o
seu trabalho transporta o desenho das duas para as três dimensões,
apropriando-se de objectos familiares e de temas sobre o aquecimento global,
especificamente as suas catástrofes. No seu vídeo, refere que a sua casa
ardeu quando era jovem e o impacto que isso teve na leitura das alterações
climáticas e de um prospecto futuro apocalíptico. O seu trabalho colaborativo
com a poetisa Sacha West emerge da profundidade narrativa que esta imprime
depois no desenho:
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SIGraDi 2021 | Designing Possibilities | Ubiquitous Conference
Mirroring the intensity of her words, I wanted to capture the almost frantic
process of marking, coating, scratching, scrubbing and washing, revealing an
image that reflects my own anxiety around the current state of the environment.
(Hammonds, 2021, pará. 4).
Na conversa ao vivo, Hammonds menciona como o desenho enquanto
objeto pode transformar a sociedade, mas também ser uma mensagem de
alerta para o futuro. Destacou ainda o processo de trabalho, procurando aceder
ao subconsciente, sentir as palavras e traduzi-las em desenho, algo que se
reflete até no bater da ferramenta de desenho sobre a folha de papel.
A participação no 5MD foi uma experiência tão positiva que decidiu
recomendar outros artistas.
3.4 Sam Winston: entre o desenho e a performance
O que significa desenhar quando não podemos ver? O artista e designer inglês
Sam Winston coloca esta questão em A Delicate Sight, uma video-performance
realizada em 2019 e re-editada exclusivamente para o 5MD. Debruçado
durante um mês no escuro do seu estúdio, Winston constrói, ao longo de 672
horas, desenhos em grande escala que, uma vez de volta à luz, tenta
reconstruir a partir de gravações de voz.
Realizar a live neste mesmo estúdio permitiu a Winston oferecer uma
abordagem inédita e intimista da sua prática, durante a qual interveio
diretamente num dos seus desenhos para esclarecer a metodologia descrita
no vídeo. Debateu-se a relação entre o desenho, a escrita e o design, a
influência da meditação Zen ou de figuras como John Cage no seu processo
criativo, e a capacidade latente do desenho como motor para concentração,
criatividade e resolução de problemas.
Já habituado ao uso das redes sociais, Winston foi um dos muitos artistas
que publicou excertos da conversa também no seu perfil do Instagram,
expandindo o debate entre os seus seguidores que não haviam acompanhado
a live dando, como consequência, maior visibilidade internacional ao evento.
4 Considerações finais
En la nueva condición del «arte-en-general» en las sociedades pós-industriales
e informatizadas, el dibujo ocupa un lugar importante: como sustrato común
que unifica la diversidad que caracteriza la condición pós-moderna, como
aglutinante de técnicas procedentes de la indústria y de las nuevas
tecnologías. (Solé, 1999, p. 51)
O propósito do evento 5MD originado em contexto pandémico, perante a
realidade da era digital procurou responder à necessidade de encontrar um
espaço comum de diálogo qualitativo sobre desenho entre artistas,
investigadores e a comunidade geral. Ao utilizar uma social network como o
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Instagram para tal efeito, garante-se também a manutenção de um espírito de
investigação e de invenção, o que é uma das principais funções da
universidade (Solé, 1999, p. 51). Como observa Arlander (2016), a
investigação em arte pode idealmente proporcionar um espaço para confrontos
e combinações inesperadas, criando assim novas possibilidades de
compreensão e de conhecimento (p. 26).
Atualmente discutimos a possibilidade de realizar um upgrade no 5MD. A
criação de um podcast, exposições, publicação das comunicações escritas,
estabelecimento de uma network com centros de investigação, ou um projeto
em videoart a partir do material já apresentado são algumas das
possibilidades.
Finalmente, verifica-se que a difusão periódica no Instagram despertou um
crescente interesse do público em geral pela temática do desenho,
provocando, como consequência, um contributo na democratização e
alargamento dos conhecimentos de carácter artístico, científico e académico
além das salas da universidade ou de encontros fechados em plataformas que
implicam a inscrição prévia ou o envio de um link.
Desenhar um novo mundo após esta pandemia é ver, neste evento, uma
oportunidade de estabelecermos uma relação cada vez mais ubíqua e fluída
entre as tecnologias, a academia, as artes visuais e a comunidade geral.
Agradecimentos. Agradecemos ao Centro de Investigação e de Estudos em Belas-
Artes (CIEBA), à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL) e
aos colaboradores do Grupo de Investigação em Desenho da FBAUL pelo apoio na
realização do projeto. Agradecemos também aos autores Joana Mosi, Richard Briggs,
Hollis Hammonds e Sam Winston pela colaboração nos estudos de caso e a todos os
demais participantes que apresentaram comunicações no evento.
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Formar profesionajes significa mirar hacia salidas politécnicas, atendiendo a la polivalencia de los estudiantes y al aprendizaje de técnicas socialmente valorizadas. El dibujo ocupa un lugar prioritario en nuestra sociedad. El dibujo debiera ofrecer un amplio campo de estudio y de ejercicios. No se trata de transmitir un saber especializado en el primer ciclo, sino de entrenar al alumno a afrontar opciones diversas. Conviene limitarse a lo indispensable. En general, podemos pensar en el dibujo «a partir del modelo» o Dibujo del natural como una formación de base indispensable en el marco de una pedagogía moderna. El dibujo debe aportar conocimientos teóricos, técnicos y estéticos. De este modo se realiza un «aprendizaje integral», que se efectúa gradualmente. Conviene que el aprendizaje estético se realice sobre una base teórica y técnica bien sólida. Así se fomenta el espíritu de investigación e invención.
Article
Purpose Social networking sites (SNS) have become extensively used communication environments as a result of the advancements in online technologies, and among various SNS platforms, Instagram is currently the most prominent image-based network. Since usage motives for alternative SNS environments with different outstanding benefits are expected to vary, this study has focused mainly on extracting the key context-specific usage motives of Instagram. Another purpose of this study is to figure out personality traits differences among Instagram user segments. Design/methodology/approach An online survey was designed, and a total of 690 fully completed questionnaires was collected, and 507 of the respondents were Instagram users. After conducting factor analysis, six main usage motive categories have been revealed and named as self-expression, recording, socialization, recreation, creativity, and prying. Findings Instagram users have been clustered as passionate, distant, and spectator users based on their usage motives. Ultimately, personality differences among these clusters have been explored using the Big Five Inventory (BFI) and two additional traits, social interaction anxiety, and fear of negative evaluation. Openness to experience, social interaction anxiety, and fear of negative evaluation were found to be significantly different among these clusters. Originality/value Discovering the motives of SNS usage, segmenting users based on these motives, and then portraying the personality traits of each segment gives important clues about how SNSs can better design their interfaces and generate content for attracting users in different segments.
Investigação em Arte e/como Interdisciplinaridade
  • A Arlander
Arlander, A. (2016). Investigação em Arte e/como Interdisciplinaridade. Artistic Research Does, 1(1), 1-27. https://i2ads.up.pt/blog/publications/artistic-researchdoes-1-investigacao-em-arte-ecomo-interdisciplinaridade
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  • R Briggs
Briggs, R. (2021). Richard Briggs: Tape Drawings. 5 Minutos de Desenho. Retrieved Jun 25, 2021, from http://5md.belasartes.ulisboa.pt/2021/01/04/richard-briggs
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