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Abstract

A Cartilha aborda de forma bem didática e, ao mesmo tempo, com caráter científico, muito do que se precisa saber sobre os solos, para que tenhamos mais conhecimento e consciência da importância dos solos, para nossa qualidade de vida na Terra. Sendo assim, Maria do Carmo começa explicando desde o processo de formação dos solos, determinando quais os elementos atuantes, mostrando a importância da rocha mãe, organismos vivos, clima, relevo e tempo de formação. Tudo muito bem ilustrado, para facilitar a compreensão dos alunos que vão usar essa Cartilha. A autora apresenta suas explicações, de forma que os leitores possam entender, sem mistério, qual a importância dos solos, no meio ambiente e nas nossas vidas. Para tal, Maria do Carmo aborda, logo de início a importância de se reconhecer os horizontes, que compõem os solos, bem como os perfis, que são analisados pelos pesquisadores. Aborda de forma muito clara os solos antropogênicos, como a Terra Preta de Índio, tão conhecida na Amazônia e outros que foram transformados pelo homem e que ocorrem em países como México e Alemanha. Tudo sempre muito bem ilustrado, o que facilita a compreensão por parte de alunos e professores. O livro é todo apresentado pelo Ginger, que significa gengibre em português, que é o principal produto cultivado no Sítio Recanto da Paz, de Ubatuba, onde começou a inspiração de Maria do Carmo por essa Cartilha.
Laboratório de
Geomorfologia Ambiental
e Degradação dos Solos
Conhecendo sua história
Profa. Dra. Maria do Carmo Oliveira Jorge
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Copyright © 2021 Oficina de Textos
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Portuguesa de 1990, em vigor no Brasil desde 2009.
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Aluízio Borém.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Jorge, Maria do Carmo Oliveira
Solos : conhecendo sua história / Maria do Carmo
Oliveira Jorge. -- 1. ed. -- São Paulo, SP : Oficina
de Textos, 2021.Bibliografia
ISBN 978-65-86235-38-8
1. Geologia 2. Solos - Análise 3. Solos -
Classificação 4. Solos - Composição 5. Solos -
Conservação I. Título.
21-90789 CDD-507
Índices para catálogo sistemático:
1. Ciências naturais : Estudo e ensino 507
Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380
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Prefácio
É uma grande satisfação fazer o prefácio da cartilha sobre solos elabo-
rada pela Professora Doutora Maria do Carmo Oliveira Jorge, através da sua
bolsa de Pós-Doutorado Nota 10 da FAPERJ. O trabalho foi desenvolvido no
Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ, onde Maria do Carmo
também defendeu sua tese, em 2017. Aliás, desde o seu doutorado que
Maria do Carmo vinha pensando em escrever uma cartilha sobre solos que
pudesse atender a crianças e adolescentes.
A experiência que tivemos durante o seu doutorado, em que a autora
defendeu a tese Potencial geoturístico e estratégias de geoconservação em trilhas
situadas na região sul do município de Ubatuba-SP, já evidenciou a necessidade
de termos uma cartilha de solos no Brasil; isso ficou comprovado porque
fizemos oficinas com crianças de escola pública em Ubatuba, com direito a
aulas teóricas e práticas, nas quais os alunos vivenciaram experiências para
determinar textura, infiltração, pH e matéria orgânica dos solos. Tudo isso foi
feito com o apoio de Dona Anne Kamiyama, proprietária do Sítio Recanto da
Paz, que tem sido nossa parceira desde 2013, quando iniciamos os primeiros
experimentos, bem como a coleta de amostras de solo, o monitoramento de
processos erosivos e a elaboração de painéis de geodiversidade, localizados
numa trilha dentro do sítio, com a visita de crianças, adolescentes, profes-
sores, turistas e moradores da comunidade que se interessam pelo tema.
Esta cartilha aborda, de forma bem didática e, ao mesmo tempo, com
caráter científico, muito do que se precisa saber sobre os solos, para que
tenhamos mais conhecimento e consciência de sua importância para nossa
qualidade de vida na Terra.
Maria do Carmo começa explicando desde o processo de formação dos
solos, determinando os elementos atuantes e mostrando a importância
do material de origem, organismos, clima, relevo e tempo de formação.
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Tudomuito bem ilustrado, para facilitar a compreensão de alunos e profes-
sores que vão usar esta cartilha.
A autora apresenta suas explicações de forma que os leitores possam
entender, sem mistérios, a importância dos solos no meio ambiente e nas
nossas vidas. Para tal, logo de início, Maria do Carmo destaca a impor-
tância de se reconhecer os horizontes que compõem os solos, bem como
os perfis analisados pelos pesquisadores. Também aborda de forma muito
clara os solos antropogênicos, como a Terra Preta de Índio, tão conhecida na
Amazônia, e outros que foram transformados pelo homem e ocorrem em
países como México e Alemanha.
O livro é todo apresentado pelo Ginger, que significa gengibre em inglês,
e é o principal produto cultivado no Sítio Recanto da Paz, onde começou a
inspiração de Maria do Carmo para escrever esta cartilha. Assim, além de
deixar o texto mais atraente para os leitores, é uma forma de conversarem com
o personagem, que explica tudo que se passa na sua história. Por exemplo,
quando a autora explica a composição dos solos, apresenta o Ginger com quatro
cores diferentes para caracterizar os minerais, a matéria orgânica, a água e
o ar que os solos contêm, o que torna muito fácil para que as crianças e os
adolescentes entendam sua composição.
Ginger acompanha o livro o tempo todo, atraindo a atenção dos leitores
de forma lúdica, como quando Maria do Carmo explica o papel do cientista
russo Dokuchaev, ressaltando sua importância no trabalho de campo, para
melhor compreendermos a gênese e a composição dos solos.
Esta cartilha aborda praticamente tudo que os alunos precisam saber
sobre o tema, como classificação, fertilidade, pH, principais solos férteis no
Brasil e no mundo, bem como sua biota, destacando o papel das formigas,
das bactérias e dos fungos. Além de todas essas características fundamen-
tais, para que os alunos conheçam os solos em que pisam e que são respon-
sáveis pela produção dos alimentos que eles e suas famílias consomem,
Maria do Carmo aproveita para mostrar o papel da pesquisa científica no
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conhecimento dos solos. Sem a pesquisa, é quase impossível chegar aos
resultados e às conclusões que a autora tão bem apresenta na sua cartilha.
Sendo assim, no final são apresentados fotos e dados sobre a importância
de se conservar os solos, para que sua biodiversidade não seja perdida, o
que comprometeria sua riqueza, e também sobre como identificar feições
erosivas e o que fazer para impedir que elas ocorram. Os painéis que Maria
do Carmo criou para auxiliar no geoturismo, na geodiversidade e na geocon-
servação de trilhas também são apresentados ao final desta cartilha, assim
como é contada a história do Ginger, como ele surgiu e qual é o seu papel no
ensino dos solos para as escolas de Ensino Fundamental e Ensino Médio de
Ubatuba e outros municípios brasileiros. Fica fácil entender por que a FAO
criou, em 2015, o Ano Internacional do Solo, que também é abordado nesta
cartilha.
Parabéns à Professora Maria do Carmo Oliveira Jorge, caiçara, nascida em
Ubatuba, pelo excelente trabalho desenvolvido, e que as escolas e a socie-
dade como um todo aproveitem ao máximo esta cartilha de solos, inédita no
Brasil e, quem sabe, no mundo.
Antonio José Teixeira Guerra
Coordenador do LAGESOLOS – Laboratório de Geomorfologia
Ambiental e Degradação dos Solos
Professor Titular do Departamento de Geografia da UFRJ
Ubatuba, 16 de julho de 2021
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Apresentação
Chamo-me Ginger e a partir de agora vou narrar a
história e a trajetória dos solos no planeta Terra. Formados há
milhões de anos, os solos desempenham inúmeras funções
e fornecem serviços ambientais que possibilitam a vida no
nosso planeta. Estou presente no cotidiano das pessoas, direta
e indiretamente, de diversas formas, mas muitas vezes não
sou valorizado, por desconhecerem a minha importância.
Faço parte da base da infraestrutura humana, do hábitat
dos organismos, do fornecimento de materiais de construção
e artísticos, desde épocas muito remotas, que podem ser
vistas pela herança cultural. Também sou responsável pela
produção de alimentos, fibras e combustíveis, assim como
fonte de recursos energéticos e farmacêuticos. Ajudo a regular
o clima e as enchentes, purifico a água e atuo na ciclagem
dos nutrientes e no sequestro do carbono. Devido aos meus
serviços prestados, fui reconhecido em 2015 no Ano Inter-
nacional do Solo. Sobre o meu nome, Ginger, vou deixar
para contar essa história nas páginas finais desta cartilha.
Boa leitura!
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Sumário
Conceitos ..................................................................................................................... 11
O processo de formação ........................................................................................ 12
Intemperismo químico e físico ............................................................................. 13
Elementos atuantes no processo de formação dos solos – liquens ........14
Os elementos atuantes no processo de formação dos solos .....................15
Perfil do solo ............................................................................................................. 16
Solos modificados pelo homem – solo antropogênico ................................17
Solos modificados pelo homem – as chinampas..........................................18
Solos modificados pelo homem – os geoglifos ..............................................19
Solos modificados pelo homem – Terra Preta de Índio ..............................20
Sobre o tempo e a idade dos solos ......................................................................21
Composição dos solos ............................................................................................22
Principais constituintes minerais do solo ......................................................... 23
Granulometria .......................................................................................................... 24
Textura ......................................................................................................................... 25
Textura e classe textural ....................................................................................... 26
Argilas ..........................................................................................................................27
Cores ............................................................................................................................ 28
Porosidade .................................................................................................................29
Os solos e os primeiros experimentos – alquimia ......................................... 30
Os solos e os primeiros experimentos – laboratório .....................................31
Os solos e os primeiros experimentos – trabalho de campo .....................32
Classificação dos solos .......................................................................................... 33
Os solos e os primeiros agrupamentos humanos ......................................... 34
Fertilidade .................................................................................................................. 35
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Carbono – importância do reservatório nos solos ........................................ 37
Fertilidade dos solos e pH ......................................................................................38
Exemplos de alguns solos conhecidos como férteis .....................................39
Você conhece o solo por onde pisa? .................................................................... 41
Biota dos solos ...........................................................................................................42
Importância do papel das formigas nos solos ................................................43
Bactérias e fungos na descontaminação e biorremediação dos solos .. 44
A biodiversidade do solo é necessária para nossa saúde ...........................45
População humana e produção de alimentos ............................................... 46
Importância dos solos e segurança alimentar ...............................................47
Principais causas da perda da biodiversidade dos solos ........................... 48
Perda de solos causada pela erosão ..................................................................49
Exemplos de perda de solos causada pela erosão –
erosão em trilhas ......................................................................................................50
Perda de solos causada pela erosão – ravinas ...............................................51
Exemplos da perda de solos causada pela erosão – oçorocas ............... 52
Perda de solos causada pela erosão ..................................................................53
Solos urbanos ............................................................................................................54
Ano Internacional dos Solos – 2015 ................................................................... 55
Ginger, sobre minha história..................................................................................56
Ginger, sobre minha história – estação experimental ..................................58
Ginger, sobre minha história – perfil de um solo ............................................59
Ginger, sobre minha história – painéis interpretativos ................................ 60
Considerações finais ................................................................................................ 61
Bibliografia consultada ..........................................................................................62
Sites ...............................................................................................................................62
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11
Conceitos
Antes de iniciar esta trajetória, gostaria de chamar a
atenção sobre o conceito de solos, que se origina do latim
solum (suporte, superfície, base). Confesso que não é uma
tarefa fácil, pois vai depender do observador e de seu conhe-
cimento e respectiva utilização.
Seu estudo constitui a base de diversos ramos da ciência,
a Ciência do Solo, que se refere ao solo como um recurso
natural, considerando sua formação, classificação, bem como
seus atributos físicos, químicos, mineralógicos, biológicos,
morfológicos, fertilidade, uso e manejo.
Para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(EMBRAPA), o solo consiste em uma “coleção de corpos
naturais constituídos por parte sólida, líquida e gasosa, tridi-
mensionais, dinâmicos, formados por materiais minerais e
orgânicos, que ocupam a maior parte do manto superficial
das extensões continentais”.
No senso comum, o solo é chamado de terra por muitas
pessoas em seu cotidiano, porém, para o engenheiro
florestal, o agrônomo e o ecólogo, o solo é visto como
uma porção do ambiente condicionada por organismos
vivos, assim como para o agricultor, para quem o solo é
o meio necessário para o desenvolvimento das plantas.
Para o geólogo, o solo é visto como o produto da alteração
das rochas na superfície do planeta, assim como para se
entender a sequência de eventos geológicos, como o ciclo
geológico. Já para o engenheiro civil, é o material que serve
como base de obras de infraestrutura, e, para o engenheiro
de minas, trata-se de um material superficial que cobre
os minérios e que precisa ser removido, enquanto para
o engenheiro de obras serve como matéria-prima para
construções de aterros, estradas etc. Para o arqueólogo,
é o material necessário para suas pesquisas, por servir
de registro histórico. Dessa forma, observa-se que esses
conceitos servem ao propósito de cada objetivo. E para você,
o que define o solo?
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12
O processo de formação
Para entendermos a formação dos solos e a importância
que eles exercem sobre a vida no planeta Terra, começo
minha jornada trazendo um importante conceito sobre a
pedogênese (pedo: solo + gênese: origem), responsável
pelo processo de origem ou formação dos solos e que ocorre
principalmente em razão da ação do intemperismo , respon-
sável pela decomposição de uma rocha-mãe (rocha matriz) e
pela sua gradativa transformação em materiais residuais e
sedimentos que irão originar os solos.
Material de origem
Organismos vivos
Relevo
Clima
Tempo
O tempo de formação
dos solos, a sua
profundidade e a sua
estrutura estarão
relacionadas com os
elementos
atuantes nesse processo
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13
Intemperismo químico e físico
É importante destacar o papel do intemperismo e a
relação entre rocha e solos. Intemperismo é o conjunto de
processos químicos, físicos, bioquímicos e biofísicos que
atuam nas rochas, modificando suas características físicas
e químicas, transformando-as em fragmentos menores e
solubilizando alguns de seus minerais constituintes.
As dissoluções e/ou
alterações químicas
modificam a constituição
dos minerais, produzindo
argila e sais, sendo que parte
desses sais pode ser retida ao
redor das argilas, enquanto o
restante é dissolvido e levado
para o lençol freático e para
cursos d’água
As fragmentações alteram o
tamanho dos minerais
Rochas intemperizadas por
Alteração
química
Fragmentação mecânica
Cascalhos, areias
Minerais secundários Soluções
dissolvidas
Solução
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14
Elementos atuantes no processo de formação
dos solos – liquens
Eu não poderia deixar de falar da importância dos liquens
nessa trajetória! Os liquens têm importância desde a
formação dos solos primitivos, pois produzem uma espécie
de ácido capaz de dissolver pequenas porções da rocha. Ao
acelerarem o efeito de intempérie nas rochas, os liquens
liberam nutrientes no solo, tornando-o mais fértil e abrindo
caminho para que outras formas de vida penetrem no solo.
Rocha com liquens
`Os liquens provavelmente são um
dos organismos mais antigos do
nosso planeta.
`Na atualidade, existem
aproximadamente 20 mil espécies
catalogadas, que variam em
forma, tamanho e hábitat.
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15
Os elementos atuantes no processo de
formação dos solos
Material
de origem
Organismos vivos Relevo
Clima
Tempo
Tempo (0) Tempo (milhões de anos)
Rocha em processo de
decomposição
Presença de material
orgânico
Formação inicial dos
horizontes do solo
Rocha-mãe Rocha-mãe Rocha-mãe
Horizonte A
Húmus
Rocha-mãe
Horizonte O
Horizonte A
Horizonte B
Horizonte C
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16
Solo constituído
Rocha-mãe
Horizonte O
Horizonte A
Horizonte C
Horizonte B
Perfil do solo
Uma característica que os solos apresentam é o desenvol-
vimento em diferentes camadas aproximadamente horizon-
tais, denominadas horizontes . Distinguir as diferentes
camadas nem sempre é tarefa fácil; alguns são mais percep-
tíveis aos olhos, outros nem tanto, mas é através deles que
muitas informações sobre nossa história são extraídas.
O conjunto de horizontes é denominado perfil do solo .
Esses perfis, além de serem voltados aos estudos dos solos,
também têm sido usados para outras práticas, como a
educação ambiental.
É a camada orgânica superficial dos solos. É constituído por detritos vegetais e animais e
humus acumulados na superfície. É bem visível em áreas de floresta e fácil de distinguir pela
coloração escura.
É o primeiro horizonte mineral e geralmente tem cor escura, pelo acúmulo de matéria orgânica.
Composto essencialmente por frações minerais, tem baixa quantidade de matéria orgânica. É
formado pela acumulação de argila e, também, de oxi-hidróxidos de ferro e alumínio.
É a zona de transição entre o solo e a sua rocha formadora, sendo chamado também de
saprolito.
A rocha-mãe é o horizonte composto pelo material rochoso que não sofreu qualquer alteração
física ou química relevante.
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17
Solos modificados pelo homem –
solo antropogênico
Analisando todo o processo de formação e observando os
perfis de solos, pesquisadores perceberam, ao longo do tempo,
que alguns horizontes, camadas superficiais ou subsuperfi-
ciais continham adições de materiais orgânicos e minerais
resultantes de alterações antpicas .
No sistema de classificação mundial de solos, esses solos
são classificados como anthrosols e são comumente encon-
trados onde a agricultura é praticada há séculos. Temos
alguns exemplos conhecidos no mundo, como:
Perfil Terra Preta de Índio com presença
de artefatos
Foto: Wenceslau Teixeira
Aterros
Geoglifos
Sambaquis
Terras Pretas de Índio
Chinampas
Para refletir...
Além da agricultura,
de que forma nós,
seres humanos,
podemos alterar
os solos?
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18
Para refletir...
Você conhece outras
formas de agricultura
sustentável?
Solos modificados pelo homem – as chinampas
As chinampas (em náhuatl, chinamitl: muro ou cerca de
juncos e apam: terreno plano) são ilhas artificiais criadas pelo
povo Nahua, do México, na América pré-hispânica. Trata-se
de um canteiro flutuante sobre áreas lacustres que constitui
um dos primeiros sistemas de agricultura sustenvel .
Além de sustentável, essa tecnologia também se mostrou
altamente produtiva para alimentar a maior parte da
população sob domínio asteca.
A riqueza dos solos era resultante da acumulação de
camadas sucessivas de diferentes materiais (lama, sedimentos
e matéria orgânica) que permitiam a percolação da água, que
facilitava a decomposição da matéria orgânica.
Para montar uma chinampa, os Nahua delimitavam
um espaço, formando canteiros longos e estreitos
cercados com vime. Depois, preenchiam o espaço
com lama, sedimentos e matéria orgânica até que
ultrapassasse o nível de água. A lama do próprio lago
era utilizada para preencher os canteiros. Para evitar
que os canteiros fossem levados pela água, eram
plantadas árvores em sua volta, de forma que as raízes
impedissem o deslizamento da terra.
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19
Solos modificados pelo homem – os geoglifos
Geoglifos são estruturas de terras escavadas no solo,
caracterizados por valas e muretas, e que variam de forma.
Acredita-se que essas estruturas datam do período pré-colom-
biano e foram descobertos na década de 1970. A maioria dos
geoglifos identificados – mais de 500 – encontra-se no Acre,
mas foram encontrados em Rondônia e no sul do Amazonas.
As diferentes formas geométricas vistas nos solos são
constiuídas por trincheiras que variam em diâmetro, profun-
didade e largura. Essa arquitetura é uma verdadeira obra de
engenharia, com muretas externas compostas pela deposição
do solo escavado, sendo necessária a remoção de um grande
volume do solo. Por causa das dimensões enormes, a visua-
lização do tamanho e da forma dos geoglifos por inteiro, a
nível do solo, só é possível através de voos.
Os geoglifos são parte do patrimônio histórico-social
amazônico.
Geoglifos são valetas escavadas no
solo, de maneira a formar desenhos
geométricos que variam em formas
de linhas, quadrados, círculos,
hexágonos, com dimensões
variadas
Exemplos de geoglifos situados no Acre
Imagem: Google Earth, 2021
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20
Solos modificados pelo homem –
Terra Preta de Índio
A famosa denominação regional Terra Preta de Índio é
um tipo de solo situado na região amazônica, cujas caracterís-
ticas estão relacionadas aos horizontes superficiais escuros,
por conta do acúmulo de matéria orgânica e da elevada
fertilidade , com disponibilidade de nutrientes como cálcio,
magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono.
A partir de análises mais detalhadas desses solos, pesqui-
sadores encontraram ossos, excreções humanas e animais,
resíduos de alimentos e uma alta proporção de carvão. Eles
concluíram que os habitantes primitivos da floresta utili-
zaram esses elementos para aumentar a produtividade de
solos naturalmente muito pobres em nutrientes.
Estima-se que esse
tipo de solo tenha sido
produzido há mais
de 4 mil anos, na era
pré-colombiana. Os
índios queimavam os
resíduos orgânicos
– caça, agricultura
e alimentação – e
depositavam a matéria
carbonizada no solo.
Essa terra enriquecida
em carbono durante
muitos séculos formou
um solo fértil e profundo.
Perfil característico Solo Preto de Índio
Foto: Wenceslau Teixeira
Terra Preta
Camada profunda rica em
nutrientes formada por
matéria orgânica, cinzas,
carvão vegetal e traços de
cerâmica
Solos de coloração amarelada
A maioria dos solos da
região amazônica apresenta
coloração amarelada e baixa
fertilidade
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21
A taxa de formação dos
solos está relacionada
à velocidade em que o
intemperismo ocorre.
Dependendo do local,
um centímetro de solo
pode demorar entre 100
e 1.000 anos para se
formar.
Sobre o tempo e a idade dos solos
Tempo...
Quanto mais antigo o solo, mais desenvolvido ele tende a
ser, especialmente nas condições tropicais de altas tempera-
turas e pluviosidade.
Idade...
Os solos mais antigos formaram-se há cerca de cinco
milhões de anos ou mesmo antes disso, porém a maior parte
dos solos originou-se em período mais recente, com idades
inferiores a 1,5 milhão de anos.
Neossolos Litólicos e
Latossolos podem ser
considerados exemplos
de solos extremos
Neossolos Litólicos são
mais jovens na classificação
brasileira, enquanto os
Latossolos, ao contrário, são
os mais antigos
Neossolos
Litólicos
Latossolos
0,5 m
1 milhão 2 milhões 3 milhões 4 milhões 5 milhões
Latossolo
Neossolo
Litólico
Rocha
0,001 m
Anos
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22
Composição dos solos
Solos são misturas complexas de minerais, matéria
orgânica, água e ar, e mudam constantemente.
Matéria orgânica (5%)
Minerais (45%)
Ar (25%)
Água (25%)
Matéria orgânica (5%)
Minerais (45%) O solo é constituído
por três fases: sólida,
líquida e gasosa
Minerais
Derivados da rocha que
deram origem ao solo
Ar
Preenche os espaços
vazios do ambiente em
que o solo se estabelece
Matéria orgânica
Resultado da
decomposição de
vegetais e animais
Água
Fica retida nos
poros do solo
Um solo saudável terá, em média:
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Principais constituintes minerais do solo
Os minerais presentes nos solos podem ser herdados ou
se originar a partir dos constituintes minerais das rochas
pela ação dos fatores de formação do solo, ao longo do tempo
(intemperismo).
A composição mineralógica do solo irá depender dos
fatores que estão associados e do grau de intemperização a
que esteve submetido.
Elementos químicos encontrados em maiores quantidades nos solos
Oxigênio lcio Silício Possio
Ferro
Alumínio Sódio M
agnésio
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Minerais
Derivados da rocha que
deram origem ao solo
Matéria orgânica
Resultado da
decomposição de
vegetais e animais
Granulometria
Anteriormente, vimos que os solos são constituídos por
três fases: sólida, líquida e gasosa. A fase sólida é composta
de uma fração mineral e uma fração orgânica. É dessa fase
que iremos falar, a que envolve o tamanho das partículas
(granulometria) e a textura.
Granulometria refere-se ao tamanho das partículas
presentes nos solos. As dimensões das partículas de um
solo variam bastante, desde partículas extremamente finas,
coloidais, até cascalho com vários centímetros.
O intemperismo físico , que reduz a rocha a fragmentos
menores, sem qualquer alteração química dos materiais, dá
origem às partículas geralmente quartzosas que constituem
as areias e outras frações de minerais, pedregulhos.
O intemperismo químico caracteriza-se pela ação de
agentes, como a água, que atacam a rocha, modificando sua
constituição mineralógica ou química. Minerais como felds-
patos e algumas espécies de mica, presentes numa rocha
submetida à intemperização química, podem se transformar
em argilominerais, partículas de dimensões muito pequenas
(< 2 mícrons) presentes nos solos argilosos e responsáveis por
suas propriedades.
Você já ouiu aquele ditado
“água mole em pedra dura,
tanto bate até que fura”?
Classificação Diâmetro dos grãos
Argila menor que 0,002 mm
Silte entre 0,002 mm e
0,06mm
Areia entre 0,06 mm e 2,0 mm
Cascalho entre 2,0 mm e 60,0 mm
Escala granulométrica brasileira (ABNT)
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25
Para observar em
campo
No campo, a textura
pode ser percebida pelo
manuseio de amostras.
Umedecendo-se
uma porção do solo,
trabalha-se com
ela entre os dedos
atentando-se para a
sensação tátil.
Solos arenosos
São aqueles em que a areia
predomina, cujos grãos podem
ser grossos, médios ou finos,
mas todos visíveis a olho nu.
Como característica principal,
a areia não tem coesão, ou
seja, seus grãos são facilmente
separáveis uns dos outros.
Solos arenosos têm grande
permeabilidade, ou seja, a água
circula com grande facilidade.
No material em que predomina
a areia, a sensação é de uma
massa áspera, com a qual não
se consegue fazer pequenos
rolos alongados.
Textura
Solos argilosos
Em termos de comportamento,
a argila é o oposto da areia.
Caracteriza-se pelos grãos
microscópicos e de alta
impermeabilidade.
Devido à sua plasticidade e
capacidade de aglutinação,
o solo argiloso é usado há
milhares de anos como
argamassa nas construções de
casas, por exemplo.
Quando há predomínio da
fração argila, a sensação é de
plasticidade e pegajosidade,
moldando-se rolos que
podem ser manuseados com
facilidade, formando argolas
sem que se quebrem.
Solos siltosos
É um solo que apresenta baixa
ou nenhuma plasticidade e que
tem pouca resistência quando
seco ao ar.
O silte é facilmente
transportado pela água e
pode ser carregado a longas
distâncias pelo ar como poeira.
No predomínio da fração
siltosa, a sensação tátil é de um
material sedoso, semelhante
ao talco, que pode formar rolos
alongados que, no entanto,
quebram-se facilmente.
Textura refere-se à
porcentagem de areia,
silte e argila em uma
amostra de Terra Fina
Seca ao Ar (TFSA).
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26
Vamos tentar outras
combinações? Peça ajuda
ao(à) professor(a) ou a
um colega para realizar a
atividade.
Textura e classe textural
Raramente se encontra um solo constituído de uma só
fração granulométrica. O que ocorre é a combinação das
frações areia, silte e argila, cujas proporções são determi-
nadas pela análise granulométrica. Sabendo-se os valores das
frações areia, silte e argila de uma amostra de solo, obtidas
em experimentos em laboratório e colocando esses valores
no triângulo textural, pode-se determinar a classe de textura
do solo.
Assim, solos arenosos , de textura grosseira,
apresentarão classe textural arenosa, areia
franca e francoarenosa.
Solos francos de textura média apresentarão
classe textural franco, francossiltosa e siltosa, e
os de textura moderadamente fina apresentarão
classe textural franco-argiloarenosa, franco-ar-
gilossiltosa e francoargilosa.
Solos argilosos , de textura fina, apresen-
tarão classe textural argiloarenosa, argilossil-
tosa e argilosa e muito argilosa.
Agora é com você!
ual é a classe textural
encontrada na combinação de
27% de areia, 40% de silte e
33% de argila?
A nossa combinação resultou numa classe
textural francoargilosa
Areia
27% Silte
40% Argila
33%
Triângulo textural
26
textural francoargilosa
Triângulo textural
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27
Argila
Argilas
As argilas possuem tamanha relevância no comporta-
mento dos solos que existe uma área específica no estudo
dos solos que trata dos argilominerais. Por conta de sua
grande atividade físico-química, o uso das argilas na fabri-
cação de artefatos é milenar e, na atualidade, seus inúmeros
usos têm se estendido a setores como indústria, metalurgia
e medicina.
Existem vários argilominerais, como caulinitas, ilitas,
vermiculitas, cloritas e esmectitas, entre outros. No Brasil,
por conta do clima tropical úmido, que favorece o intempe-
rismo químico, a caulinita é o tipo mais comum.
Peças e utensílios de barro sempre fizeram parte da vida das
pessoas e, por serem tão presentes, poucos se perguntam sobre
a verdadeira origem desses utensílios. Culturas muito antigas,
como as do Oriente Médio, utilizavam o barro para fazer blocos
para escrita e construir casas, assim como as jarras e os potes de
barro, que eram essenciais para guardar alimentos e produtos. Os
chineses fabricam jarras e potes de barro desde 100 a.C., e os mais
conhecidos para decoração são os da Dinastia Ming, datados do
final de 1300 d.C. A cerâmica chinesa é feita de caulinita, feldspato
e quartzo.
Caulinita
O nome é derivado do chinês
Gao-ling, que quer dizer colina
alta, da cidade de Jingdezhen, na
província de Jiangxi, China.
É um argilomineral formado pelo
intemperismo de minerais como os
feldspatos potássicos e que pouco se
expande quando molhado.
É utilizado na produção de
cerâmicas, porcelanas, cremes
dentais, medicamentos cosméticos,
entre muitas outras aplicações.
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28
Cores
Dos atributos do solo, a cor se destaca por ser a primeira
característica que pode ser facilmente observada.
A cor de um solo resulta principalmente da quantidade
de minerais de Fe (ferro), Mn (manganês) e matéria orgânica
presentes.
Exemplos de solos e suas respectivas cores
E aí, você já viu
solos de cores diferentes?
Tente se lembrar
de onde estava e como era
a paisagem.
Os principais mecanismos que
proporcionam a diferenciação das
cores são também fundamentais na
gênese dos solos:
`acumulação de matéria orgânica;
`translocação de materiais;
`drenagem;
`alteração das rochas;
`ambientes oxidantes ou redutores.
As cores são tão variadas que os cientistas criaram uma
carta de cores para ajudar na identificação. É uma forma
acessível de avaliar os tipos de solo de uma determinada área.
Chernossolo Argissolo ou Nitossolo,
antiga Terra Roxa
Latossolo Amarelo Latossolo Vermelho
Carta de Cores de Munsell
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29
Os microporos e macroporos estão ligados à porosidade dos solos, que é a
relação entre o volume de vazios e o volume total. Tais poros estão sempre
preenchidos, às vezes por água e, quando não, estão cheios de ar. A diferença
entre microporos e macroporos é o seu tamanho. Macroporos são os poros
maiores, nos quais é possível que a água escoe pela força da gravidade; já os
microporos são os poros menores, com maior agregação dos sólidos.
Porosidade
Microporos
Macroporos
Solo argiloso
Possui capacidade maior de reter água, diferente-
mente do solo arenoso. Como é menos permeável,
a água tem maior dificuldade para passar sobre ele
e por isso acaba ficando armazenada. Nesse tipo de
solo existe uma grande concentração de óxidos e
hidróxidos de alumínio e de ferro.
Solo arenoso
Possui uma textura leve e granular, sendo
composto, em grande parte, por areia (70%) e, em
menor parte, por argila (15%) e/ou silte (15%).
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30
Os solos e os primeiros experimentos –
alquimia
Falando da evolução do conhecimento sobre os solos, não
podemos deixar de mencionar que os alquimistas , além
de procurarem o elixir da vida eterna e da pedra filosofal, e
influenciados pela ideia da existência dos quatro elementos
que formam o universo – a terra, a água, o ar e o fogo –,
também demonstraram interesse na busca pelo entendi-
mento do espírito da vegetação, como o que faziam as plantas
crescerem.
Van Helmont (1580-1664)
De origem belga, fez experimentos com uma estaca de
salgueiro, que cultiou durante cinco anos num aso
contendo somente solo e água da chua. Concluiu
que toda matéria egetal era originária imediata e
materialmente da água do solo.
James Woodward (1665-1728)
Em contrapartida, o naturalista inglês James Woodward
queria erificar se a água cumpria esse papel decisivo.
Colocou ervilhas em frascos contendo água da chua, água
do rio Tâmisa e água de uma poça lamacenta de seu jardim.
As ervilhas não se desenvolveram bem na água da chuva,
mas tiveram bom desenvolvimento nas demais águas; assim,
concluiu que o espírito da vegetação deveria ser a terra.
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31
Se o elemento químico mínimo for o potássio, a
produtiidade da planta não será maior, mesmo se
a quantidade dos demais elementos nutrientes for
aumentada. Somente com a aplicação do potássio
é que haerá possibilidade de respostas dos demais
nutrientes.
Os solos e os primeiros experimentos –
laboratório
O químico alemão Justus von Liebig (1803-1873) e sua
equipe trabalharam com experimentos de como as plantas
se nutriam de solos, e suas descobertas impactaram o meio
científico, pois o pensamento até então sobre nutrição de
plantas se apoiava na teoria do húmus, segundo a qual as
plantas nutriam-se do húmus, e não dos sais. Suas pesquisas
popularizaram a teoria dos minerais e quebraram paradigmas
na nutrição vegetal.
Seu legado e contribuição para os estudos de fertilidade
dos solos foi muito importante, num momento em que ocorria
aumento muito grande da população e da necessidade de
alimentos. Von Liebig é considerado o pai da agricultura
moderna .
A teoria da lei do mínimo mostrou a importância dos
nutrientes, afirmando que o crescimento das plantas não
é determinado pelo total de nutrientes à disposição, mas
limitado por aquele que estiver menos disponível.
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32
Atividade coletiva:
Converse com seu(sua)
professor(a) e colegas e elabore
um roteiro de trabalho de campo
próximo à escola para observar
diferentes tipos de solo.
Os solos e os primeiros experimentos –
trabalho de campo
Como vimos, experimentos em laboratórios foram
eficientes e revolucionaram o pensamento sobre solos, ferti-
lidade e sua relação com as plantas, mas um outro cientista
viria mudar os rumos das pesquisas sobre solos. Sua inovação
foi a observação dos solos no campo em questões relacionadas
à sua gênese e formação, análises que iriam além das funções
agrícolas. Vasily Dokuchaev, geógrafo russo, desenvolveu as
bases desses estudos e é considerado o pai da Ciência do Solo.
Suas observações vieram de estudos realizados a propó-
sito de uma grande seca ocorrida nas estepes na Ucrânia, de
clima frio e relativamente seco, e em florestas da taiga, região
de Gorki, na Rússia, local de clima mais quente e úmido.
Comparando os solos das duas áreas, o geógrafo identificou
diferenças, mesmo quando esses solos eram desenvolvidos
sobre rochas idênticas, e destacou a importância do clima.
Também observou diferenças entre os solos ao descrever uma
sucessão de camadas quase horizontais da superfície até a
rocha subjacente, e a essas camadas denominou horizontes.
A partir dessas análises, as variações geográficas dos solos
passaram a ser entendidas como a relação entre fatores
geológicos, climáticos, topográficos e tempo. Chernozem é um
tipo de solo que foi muito estudado por Dokuchaev.
Vasily Dokuchaev (1846-1903)
Foto: Michael Fullen
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33
Classificação dos solos
Vimos, dessa forma, que as pesquisas sobre solos evoluíram
muito, e com todas as informações obtidas a partir de dados no
laboratório e no campo foi possível chegar à classificação dos
solos, que se deve à diversidade de tipos de solos existentes
no mundo, cada qual com suas características próprias.
Para se realizar a classificação de um solo é necessária
uma avaliação a partir de dados físicos, químicos, morfoló-
gicos, biológicos e mineralógicos de cada horizonte do perfil
que o representa, assim como as características do local do
perfil, como clima, vegetação, relevo, rocha matriz, condi-
ções hídricas e características externas ao solo e relações
solo-paisagem.
De acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de
Solos, da EMBRAPA, o Brasil possui 13 classes de solos.
ARGISSOLOS
CAMBISSOLOS
CHERNOSSOLOS
ESPODOSSOLOS
GLEISSOLOS
LATOSSOLOS
LUVISSOLOS
NEOSSOLOS
NITOSSOLOS
ORGANOSSOLOS
PLANOSSOLOS
PLINTOSSOLOS
VERTISSOLOS
Vimos que os solos possuem nomes;
os Neossolos, por exemplo, contêm
o prefixo “neo”, que deriva da língua
grega e significa “novo”.
Os Neossolos, portanto, são solos
jovens, ou seja, em estágio inicial
de desenvolvimento e geralmente
pouco profundos.
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34
Sobre os solos e a relação com a produção de alimentos,
voltemos aos primeiros agrupamentos humanos, formados
por caçadores e coletores, que sobreviviam da caça e da coleta
de vegetais e não tinham nenhum conhecimento sobre solos
e produção de alimentos.
Porém, à medida que aprenderam a domesticar animais e
plantas, deixaram de ser nômades e passaram a se fixar em
um território e a formar aldeias. Essa transição de estilo de
vida data do período Neolítico, cerca de 10.000 a.C., e é conhe-
cido como a primeira revolução agrícola .
O uso do arado puxado por animais e de novas técnicas
de adubação e irrigação do solo possibilitou o aumento da
produção de alimentos e, concomitantemente, do entendi-
mento da qualidade e importância dos solos na organização
da sociedade.
Ao longo da história, percebemos que as transformações
de pequenas aldeias para grandes cidades tiveram relação
com solos férteis. Às margens de rios que pudessem fornecer
água potável e irrigar lavouras, temos muitos exemplos de
cidades, como as que se desenvolveram nos vales dos rios
Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia (região que hoje abriga
Síria, Iraque e Egito), e às margens do rio Nilo, formando
o chamado Crescente Fértil. Assim, podemos dizer que
as primeiras civilizações são caracterizadas pelo modo
de produção e desenvolvimento da agricultura irrigada
nas terras cultiváveis, à margem dos grandes rios, como
o rio Amarelo, na China, e na planície Indo-Ganges, hoje
Paquistão, Índia e Bangladesh.
Os solos e os primeiros agrupamentos
humanos
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ual é a importância da
fertilidade dos solos para a
nossa sobreiência?
Fertilidade
A história nos mostra que grandes civilizações se desen-
volveram nas margens de rios importantes; ter solos férteis
e que pudessem prover segurança alimentar à população
sempre foi uma preocupação da sociedade. Um solo fértil é
um solo com grande capacidade de fornecer nutrientes para
as plantas e, consequentemente, estar apto à produção de
alimentos.
Cada solo tem uma capacidade diferente de fornecer
nutrientes para as plantas, em função de suas características
químicas, físicas e biológicas. Vários elementos químicos são
necessários para a nutrição das plantas e para que se desen-
volvam, e a maior parte deles é fornecida pelo solo.
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Elementos químicos essenciais às plantas
Macronutrientes Micronutrientes
Extraídos do ar na forma
de gás carbônico e água Extraídos do solo
Carbono
Hidrogênio
Oxigênio
Nitrogênio
Fósforo
Potássio
Cálcio
Magnésio
Enxofre
Ferro
Manganês
Boro
Sódio
Cloro
Zinco
Molibdênio
Níquel
Cobre
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37
Carbono – importância do reservatório
nos solos
Sobre os elementos químicos dos solos, destaco a impor-
tância do carbono orgânico do solo, que tem sido a chave
para a mitigação de mudanças climáticas, tanto que, em
2017, houve um encontro científico, o Simpósio Global sobre
Carbono Orgânico do Solo, organizado pela Organização das
Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O Simpósio teve como objetivo revisar o papel dos solos
e do carbono orgânico dos solos, como a preservação do
carbono orgânico do solo, além de dar suporte ao relatório do
Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e a
outros painéis intergovernamentais, bem como aos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A Rede Internacional de Solos Pretos (Black Soil) foi lançada
nesse Simpósio, também visando apoiar a manutenção de
estoques de carbono orgânico dos solos produtivos do mundo
e colaborar com esse propósito.
Atmosfera
Vegetão
Solo
0-30 cm
Solo – 100 cm
Maior
concentração
de carbono
O reservatório de carbono nos solos
é formado diretamente pela biota e
matéria orgânica do solo.
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38
Fertilidade dos solos e pH
O pH do solo é a medida da acidez de uma solução aquosa
formada com uma amostra do solo. Ele é importante porque
influencia o crescimento dos vegetais e, na agricultura, pode
interferir na sua produtividade.
É importante saber se o solo é ácido ou básico porque é fator
determinante para o desenvolvimento de determinadas plantas.
Um solo muito ácido gera problemas de nutrientes para
a maioria das plantas. Porém, algumas requerem um solo
ácido para se desenvolver, como a mandioca e a erva-mate.
Existem vários fatores que podem interferir no pH do solo,
como as rochas, a matéria orgânica, o clima e os organismos
presentes nos solos.
No Brasil, a maioria dos solos é considerada fortemente
ácida (pH entre 4,5 e 5,5).
Escala de pH
A escala de pH, na temperatura de 25 °C, aria de 0 a 14. A solução será ácida se os alores de pH
forem menores que 7,0; neutra se o pH for igual a 7,0; e básica se o pH for maior do que 7,0.
Geralmente, no caso dos solos, o pH aria entre 3,0 e 9,0.
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39
Exemplos de alguns solos
conhecidos como férteis
Fertilidade é a capacidade do solo de fornecer nutrientes
para as plantas, lembrando que estamos falando da fertili-
dade decorrente do processo de formação do solo: material
de origem + ambiente + organismos + tempo, pois, com o uso
inadequado, sem práticas conservacionistas, mesmo solos
conhecidos pela fertilidade natural já apresentam empobre-
cimento em determinadas áreas, tornando-se inférteis.
Chernossolo
Considerado o solo mais fértil do mundo, caracteriza-se por ser
escuro, rico em matéria orgânica e alto teor de cálcio, sendo
classificado em função do seu horizonte A. O horizonte A é bem
profundo e apresenta uma coloração mais escura, devido ao
grande acúmulo de matéria orgânica, principalmente húmus,
que garante ao solo uma alta fertilidade. Encontra-se presente
nas estepes da Ucrânia, na Europa Central, nas pradarias do
Canadá e dos Estados Unidos, nos pampas argentinos e em
pequenas manchas do território brasileiro.
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Loess
Forma-se a partir do acúmulo de sedimentos, depositados pelo
vento. Possui coloração amarelada, que se deve à presença de
óxido de ferro. É encontrado em parte da Europa (França e Países
Baixos), em planícies fluviais e glaciais, nos pampas argentinos e
uruguaios e principalmente na China.
Argissolo ou Nitossolo – antiga Terra Roxa
É um tipo de solo de cor avermelhada muito fértil. O nome “terra roxa” surgiu por causa de
imigrantes vindos da Itália, que vieram ao Brasil para trabalhar em lavouras de café. Eles
chamavam a terra de “rossa”, que significa “vermelha”, em italiano. A palavra era entendida como
“roxa” entre os brasileiros. Ocorre em parte do Rio Grande do Sul, nas porções ocidentais de Santa
Catarina, Paraná, São Paulo, sul e sudoeste de Minas Gerais, além do sul e leste de Mato Grosso do
Sul. Também existe na Argentina.
Massapê
É um tipo de solo de cor bem escura, quase preta, encontrado
na região litorânea do Nordeste brasileiro. É muito fértil e tem,
em sua composição, elevada porcentagem de argila. Uma
característica desse tipo de solo é que, na época de chuvas, o
massapê apresenta consistência pegajosa e, no período de seca,
enrijece.
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41
Os solos são o hábitat de grande
parte da biodiversidade (diversidade
biológica) na superfície terrestre,
equivalente a mais ou menos ¼ da
biodiversidade global.
Você conhece o solo por onde pisa?
Os solos são cruciais para a vida na Terra, com grande
influência sobre o meio ambiente, a economia, a alimentação
e a base para os assentamentos humanos.
Os serviços dos ecossistemas prestados pela biodiversi-
dade do solo são o de suporte na decomposição, ciclagem
de nutrientes, formação do solo e da água; de regulagem do
clima, da água, das doenças, das pragas, da erosão; de provi-
sionamento de alimentos, combustíveis, madeiras, remédios
e recursos energéticos, além do cultural, estético, espiritual,
educacional e recreativo.
Mesmo sendo essenciais para a vida no planeta, muitas
vezes os solos passam despercebidos em suas funções. Uma
simples caminhada por uma trilha pode ser um excelente
exercício de observação e reflexão sobre os solos à nossa
volta e sob os nossos pés.
Trilha Sítio Lama Mole – Ubatuba-SP
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42
Biota dos solos
Mas como é composta a biodiversidade dos solos, também
conhecida como biota dos solos?
Os engenheiros químicos são formados por micro-orga-
nismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica
vegetal em nutrientes disponíveis para plantas e animais.
Os reguladores biológicos representam uma variedade
de pequenos invertebrados, como nematoides e ácaros, que
regulam a dinâmica do solo no espaço e tempo.
Os engenheiros do ecossistema , formados pelas
minhocas, formigas e cupins, manipulam, ingerem e excretam
material do solo, formando microagregados e construindo
poros. Ajudam na infiltração e distribuição de água no solo,
através da criação de agregados e espaços porosos.
Centopeia
Fungos Bactérias Formigas
Lesma Orelha-de-pau
Tatuzinho
Caramujo Milípede
Larva de
besouro
Minhoca A biota do solo pode ser dividida em micro, meso e macro-
-organismos, tanto de fauna como flora, e a quantidade desses
grupos de organismos irá variar em função de características
edáficas e climáticas específicas de cada ambiente. Também
podemos chamá-los de reguladores biológicos, engenheiros
químicos e engenheiros do ecossistema.
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43
Importância do papel das formigas nos solos
Sobre os engenheiros do ecossistema , eu não poderia
deixar de destacar o papel desempenhado pelas formigas.
As formigas representam a maior população de insetos do
planeta; existem cerca de 13.000 espécies. Possuem papel
fundamental nos ecossistemas, pois desempenham uma
função essencial de regeneração. Servem de alimento para
diversos animais; acumulam a função de serem dissemina-
doras de sementes, controlarem a produção de alguns insetos
e reduzirem pragas em ambientes urbanos. Nos solos, ao
fazer os ninhos, deixa-os ricos em matéria orgânica e férteis
para o plantio.
As formigas vivem em colônias muito bem organi-
zadas, e cada indivíduo tem uma função específica. Para
manter tudo em ordem, elas trabalham incessantemente.
A população dos formigueiros é dividida em castas, organi-
zadas em torno de uma rainha, que passa a vida colocando
ovos que darão origem aos seus súditos.
Entre as espécies conhecidas, as saúvas (gênero Atta) e
as quenquéns (gênero Acromyrmex) formam as sociedades
mais evoluídas.
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44
Bactérias e fungos na descontaminação e
biorremediação dos solos
Lembram-se dos organismos chamados de engenheiros
químicos ? Entre tantas outras funções, chamo atenção sobre
a importância do papel na biorremediação dos solos.
A biorremediação (bio: vida + remediação: ação de
remediar) é entendida como um processo que envolve degra-
dação de produtos tóxicos, transformando-os em produtos
não tóxicos. Ao acumularem poluentes em seus corpos, os
fungos e as bactérias os transformam em moléculas menores
não tóxicas. É uma opção de baixo custo, capaz de destruir
uma ampla variedade de poluentes sem deixar resíduos
tóxicos.
Esse processo biológico pode regenerar os ecossistemas
originais de forma equilibrada.
Onde se aplica biorremediação?
Acidentes com derramamento
de petróleo
Tratamento de resíduos
Remoção e/ou recuperação de
metais pesados
Degradação de compostos
químicos
uais são as situações comuns de
desastres ambientais ocasionados por
atividades humanas?
Derramamento de petróleo no
mar ou em rios
Vazamentos em postos de
combustíveis que atingem o
lençol freático
Contaminação dos solos e das
águas por substâncias tóxicas
Ocorrência de esgotos e lixões
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45
Ilha de Páscoa, Chile
A biodiversidade do solo é necessária
para nossa saúde
Sabemos que os fungos e as bactérias são habitantes
naturais dos solos e podem atuar de forma benéfica, ou não,
ao cultivo. Também foi descoberto que fungos podem ser
benéficos à nossa saúde.
Um exemplo é uma substância contida nos solos, a rapami-
cina. Ao analisar amostras da bactéria Streptomyces hygrosco-
picus encontradas no solo da Ilha de Páscoa, pesquisadores
isolaram um composto que batizaram de rapamicina (em
homenagem ao nome antigo da ilha, chamada de Rapa Nui).
Essa substância inaugurou uma nova era para pacientes
submetidos a transplante de órgão, pois trata-se de um
imunossupressor que ajuda a prevenir a rejeição aos órgãos
transplantados, além de inibir o crescimento de alguns
tumores.
As pesquisas científicas sobre a rapamicina se iniciaram a partir
de observações de pesquisadores ao notarem que os nativos da
Ilha de Páscoa não sofriam de tétano, embora caminhassem
descalços em uma terra em condições propícias para infecção.
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46
População humana e produção de alimentos
A história nos mostra que, no ano 10 mil a.C., a população
estimada da Terra era de 1 milhão de pessoas; porém, com o
advento das técnicas de plantio, atingiu 170 milhões no ano
1 d.C.
A população seguiu crescendo e alcançou a marca de
1bilhão de pessoas em 1800. Com o passar do tempo e as
evoluções científicas e tecnológicas, a população mundial
continuou aumentando, chegando a 7 bilhões em 2011 e,
em julho de 2021, a 7,9 bilhões. A estimativa é que o planeta
chegue a 11 bilhões de pessoas em 2100.
Os solos são essenciais para os sistemas alimentares.
Solos saudáveis permitem um cultivo rico, com variedade
de vegetais e plantas necessários para uma boa nutrição
humana.
Onde a comida começa
Plantação de gengibre
orgânico e horta no Sítio
Recanto da Paz
em Ubatuba-SP
Horta
Plantação de gengibre
Teremos solos saudáveis
e produção de alimentos
suficientes para toda a
população no mundo?
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47
O solo é um recurso finito,
limitado e não renovável, em face
das suas taxas de degradação
potencialmente rápidas. Precisamos
urgentemente de medidas que
promovam a conscientização
sobre sua importância, bem como
segurança alimentar.
“A necessidade urgente, em todos os níveis, de aumentar a consciencialização e a
promoção da sustentabilidade dos recursos limitados de solo, utilizando a melhor
informação científica disponível e tomando como base todas as dimensões do
desenvolvimento sustentável.”
“A sustentabilidade dos solos é fundamental
para enfrentar as pressões de uma
população em crescimento, e, assim, a
gestão sustentável pode contribuir para
solos saudáveis para a segurança da
produção de alimento a nível mundial e para
os ecossistemas estáveis e sua utilização de
forma sustentável.”
“Os solos são fundamentais para a sustentação da vida na Terra, pois
constituem a base para o desenvolvimento agrícola, as funções dos
ecossistemas essenciais e a segurança alimentar.”
“A boa gestão dos solos tem importância econômica e social
determinante para a biodiversidade, agricultura sustentável e segurança
alimentar, erradicação da pobreza, capacitação das mulheres, combate
às alterações climáticas, melhoria da disponibilidade de água,
salientando que a desertificação, a degradação dos solos e a seca são
desafios de dimensão mundial, que continuam a representar sérios
entraves para o desenvolvimento sustentável de todos os países, em
especial os países em desenvolvimento.”
Importância dos solos e segurança alimentar
O dia 5 de dezembro foi instituído pela Assembleia Geral
das Nações Unidas como o Dia Mundial do Solo, através da
Resolução nº 68/232, de 20 de dezembro de 2013. A base do
documento é formada pelos seguintes princípios:
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Você consegue pensar
em outros impactos
que podem causar perda de
biodiversidade dos solos?
De que forma podemos reduzir
esses impactos?
Principais causas da perda
da biodiversidade dos solos
Apesar da importância de cada organismo vivo, obser-
vamos um crescente aumento na destruição da biodiversi-
dade.
As causas são as mais variadas, porém, na maioria das
vezes, o homem apresenta grande influência no processo.
Agricultura
Pecuária
Poluição Salinização Erosão dos solos Mudança climática ueimadas
ImpermeabilizaçãoDesertificação Mudança no uso
da terra
Compactação
dos solos
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Perda de solos causada pela erosão
A FAO alerta para o aumento da degradação dos solos, a
nível mundial, devido às práticas inadequadas de manuseio
da terra, com aproximadamente 33% dos solos globais degra-
dados.
Relatórios da FAO apontam que a degradação do solo afeta
pelo menos 3,2 bilhões de pessoas, ou 40% da população
mundial. Além disso, a FAO afirma que o manejo sustentável
do solo é vital para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS).
Vimos que o processo de formação
dos solos é muito lento, porém, a
cada 5 segundos, o mundo perde
uma quantidade de solo equivalente
a um campo de futebol. Essa perda
dos solos ano a ano criou um alerta
da Organização das Nações Unidas
para a Alimentação e a Agricultura
(FAO), assim como foi criado o Dia
Internacional dos Solos em 2015.
“Pare a erosão do
solo, salve nosso
futuro.”
“Mantenha o solo
vivo, proteja a
biodiversidade
do solo.
Seres humanos “dependem
e continuarão a depender
dos serviços ecossistêmicos
fornecidos pelos solos.
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Exemplos de perda de solos causada pela
erosão – erosão em trilhas
Antes de falarmos sobre os tipos de erosão, é importante
enfatizar a erosão enquanto processo natural.
A erosão do solo é um processo em que partículas são trans-
portadas para outro local, por meio da ação de algum agente,
como a água e o vento. Trata-se de um processo natural e que
ocorre mesmo em áreas planas, tanto que a própria formação
do solo e das paisagens que conhecemos hoje em dia foi e
continua sendo oriunda de uma série de fatores que incluem
a erosão do solo. Entretanto, as atividades antrópicas, ou
seja, desenvolvidas por nós, têm o potencial de acelerar os
processos erosivos em níveis cada vez mais preocupantes.
A primeira fase da ocorrência da erosão do solo é a desagre-
gação proporcionada pelo impacto da gota de água da chuva,
processo que é intensificado em solos sem cobertura vegetal.
Durante as chuvas, se a sua intensidade superar a veloci-
dade de infiltração de água no solo, ocorre o escoamento
superficial, que acabará transportando grandes quantidades
de partículas de solo em suspensão.
a. Erosão
Exemplo de incisão no leito da
trilha formado por escoamento
superficial na trilha
b. Erosão em ravinas
Exemplo de quando a água se
concentra em incisões lineares
e provoca formação de ravinas
Exemplos de processos erosivos em trilhas
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Perda de solos causada pela erosão – ravinas
Com relação às ravinas, é muito comum, nesse processo de
erosão, ocorrer o que chamamos de rede de ravinas. Abaixo
temos dois exemplos, um acontecendo numa região fria, de
clima temperado, e o outro numa região quente e de clima
tropical.
Rede de ravinas na região das Highlands, na Escócia. Um fator
limitante para a formação de voçorocas nessas encostas é o fato de os
solos serem muito rasos
Foto: Maria do Carmo Oliveira Jorge
Rede de ravinas em talude, em corte de estrada, no município de
Açailândia, no Estado do Maranhão
Foto: Antonio Jose Teixeira Guerra
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Voçoroca em
área urbana,
São Luís-MA
Foto: Fernando
Bezerra, 2004
Voçoroca em
área rural,
Rio Claro-RJ
Foto: Fabrízio
Garritano, 2019
Exemplos da perda de solos causada
pela erosão – oçorocas
Um outro tipo de erosão dos solos é denominado voçoroca,
que é um estágio mais avançado do processo erosivo e pode
se formar pelo aprofundamento e alargamento das ravinas e/
ou por escoamento subsuperficial.
O aparecimento de voçorocas, atualmente, está muito ligado
à interferência antrópica, quer pela expansão horizontal do
espaço rural e/ou urbano, quer pelo manejo inadequado em
determinadas áreas.
Nas últimas décadas, a degradação do solo por meio da
erosão tem causado transtornos às populações localizadas,
tanto em áreas rurais quanto em áreas urbanas.
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Solo com estrutura preservada, poroso,
permeável ao ar, água e raízes
Solo com estrutura degradada deficiente em
porosidade, compactado, com baixa permeabilidade
ao ar, água e raízes
Perda de solos causada pela erosão
Várias são as propriedades do solo que afetam a erosão,
sendo que essas propriedades não são estáticas, pois evoluem
no tempo e no espaço, transformando alguns solos mais
suscetíveis aos processos erosivos.
Embora a olho nu possamos observar algumas caracte-
rísticas dos solos, é somente com análises laboratoriais que
podemos chegar a dados e parâmetros que poderão mostrar
se um determinado tipo de solo está saudável ou não.
Propriedades dos solos
Textura
Estabilidade dos agregados
Densidade dos solos
Teor de matéria orgânica
Porosidade
pH
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Solos urbanos
Devido ao rápido processo de urbanização, é recorrente
a remoção do solo superficial para instalar fundações das
construções que ali irão se erguer. Processos de asfaltamento,
calçamento de ruas e calçadas, construções, cimentação de
quintais e jardins etc. são exemplos de impermeabilização do
solo, que impede que a água seja absorvida.
A impermeabilização proporciona um forte impacto no solo
e diminui as suas funções, pois consiste na perda da capaci-
dade de absorção da água pelo solo. Em termos práticos e de
forma direta, é o que acontece quando uma região com solo e
vegetação dá lugar ao cimento e outras formas de cobertura
utilizadas em construções, e que são comuns nos centros
urbanos.
Você consegue observar
as mudanças que ocorrem
nos solos urbanos e quais são
os possíveis impactos para o
ambiente e para
as pessoas?
Nas cidades, de modo geral, é
importante que canteiros, praças,
jardins e outras áreas de vegetação,
como árvores e arbustos nas
calçadas, sejam mantidos.
Nas cidades, os solos são produzidos pelo
processo de urbanização. Grande parte
dos solos das áreas urbanas já sofreu
modificações, que resultaram em muitas
formas de degradação
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55
Ano Internacional dos Solos – 2015
A declaração do Ano Internacional dos Solos é um ponto
de partida e mostra o grande desafio para a sociedade e a
futura Agenda 2030, sobre sustentabilidade.
Para tornar nosso planeta mais sustentável, atitudes devem
ser tomadas por governantes pensando que os recursos
renováveis são finitos e podem se esgotar em longo prazo,
como os solos.
A sociedade deve ser mobilizada para a importância dos
solos como parte fundamental do meio ambiente e sobre os
perigos que envolvem a sua degradação em todo o mundo.
Devem-se destacar os benefícios dos solos para a socie-
dade, que envolvem a segurança alimentar e a redução da
pobreza.
É preciso inverter a atual taxa de degradação decorrente
do crescimento das cidades, do desmatamento, do uso inade-
quado e da falta de práticas de gestão, assim como da poluição,
do sobrepastoreio e das mudanças climáticas.
Declaração do Ano Internacional dos
Solos realizada pela Organização das
Nações Unidas para a Alimentação e a
Agricultura (FAO)
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Ginger, sobre minha história
Minha história tem relação com o Sítio Gengibre de
Ubatuba, também conhecido como Sítio Recanto da Paz. Esse
sítio é conhecido pelo cultivo de gengibre desde a década de
1980 e esteve voltado para a exportação até a década de 1990.
A partir da década de 1990, teve início a cultura do não uso
de agrotóxicos e, em 2011, a plantação de gengibre orgânico
obteve o certificado IBD da Associação de Certificação Insti-
tuto Biodinâmico, uma organização que desenvolve ativi-
dades de certificação de produtos orgânicos e biodinâmicos.
Em 2005, o sítio começou a produzir artesanalmente doces,
compotas e outros derivados, passando a divulgar a cultura
do gengibre na região. Em 2015, aderiu ao turismo rural e ao
ecoturismo.
Bem, sobre meu apelido, ele surgiu em uma oficina com
crianças que faziam o teste sobre textura dos solos através
do tato, o famoso teste da cobrinha, que, no meu caso, acabou
se tornando um boneco de nome Ginger, em homenagem
a toda a história que o gengibre representa na área. Dadas
as minhas características plástica e pegajosa, meu molde,
depois de umedecido e seco, continuou intacto.
Vista a partir do belvedere do sítio.
O tracejado em laranja é o local da
plantação de gengibre e onde são
realizadas as atividades experimentais
Plantação de gengibre
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57
Ginger, sobre minha história
Como eu disse, o Sítio Recanto da Paz também tem sido
usado para a prática do ecoturismo, do turismo rural e, mais
recentemente, do geoturismo, além de atividades voltadas à
educação ambiental e a pesquisas.
É a partir da trilha principal que se encontra uma estação
experimental de erosão dos solos; ao longo da trilha, estão
dispostos painéis interpretativos sobre a importância dos solos.
Sobre a trilha, esta se inicia a partir da sede do sítio,
situada a 19 m de altitude, e segue até o belvedere, a 180 m
de altitude. A trilha tem aproximadamente 950 m de compri-
mento. Está localizada na Mata Atlântica, com presença de
muitas espécies nativas, como palmito, xaxim e árvores
de grande porte. A partir do belvedere se avista a praia da
Maranduba e o entorno.
Perfil topográfico da trilha
Sítio Recanto da Paz 0 75 150 225 300 375 450 525 600 675 750 825 915
m
182
150
125
100
75
50
19
0
(m)
Distância
Altitude
Ponto de coleta do solo
Sobre as características do ponto
de coleta, o solo foi coletado numa
área de barranco, com muitas
raízes expostas e serrapilheira,
o que contribuiu para uma alta
concentração de matéria orgânica,
de 7,72%, que juntamente com um
baixo valor de densidade do solo, de
0,88 g/cm³, e porosidade elevada, de
65,03%, indica que o solo não está
compactado.
O pH de 4,45 indica um solo ácido,
típico de área tropical, submetido
a condições de alta temperatura e
intensidade de chuvas.
Os dados da textura se distribuem em
36,9% de areia grossa, 8,5% de areia
fina, 30,15% de argila e 20,15% de
silte, e definem a classe textural como
francoargilosa.
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58
Ginger, sobre minha história – estação
experimental
Estão instaladas na estação três parcelas de erosão sem
cobertura vegetal, cada uma com 10 m de comprimento e
1m de largura (10 m² cada parcela) para quantificar o total
de solo e água perdidos através do escoamento superficial.
A estação possui um pluviógrafo automático capaz de
aferir o total de chuva a cada 10 minutos para entender a sua
intensidade, além de uma bateria de sensores de umidade
de solo automático, nas três parcelas, em três profundidades
(15cm, 30 cm e 90 cm), para relacionar a influência da hidro-
logia do solo com o escoamento.
Estação experimental
Foto: Leonardo Santos Pereira
A estação experimental é uma
importante ferramenta de análise
para entender os fatores e os
processos atuantes nos solos da área
e, também, o nível de resistência do
solo e a sua capacidade de resiliência.
Além de gerar dados para a pesquisa
sobre os solos da área numa escala
local de detalhes, representando
um diagnóstico ambiental próximo
à realidade, também serve como
ferramenta de aprendizagem
para difundir conhecimento para
estudantes das escolas locais e
pessoas interessadas no tema.
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59
A abertura de um perfil
de solo no sítio permitiu
observar e conhecer sua
morfologia, sua espessura
e a transição entre os
horizontes e identificar a
textura, a cor, a presença
de raízes e os organismos,
entre outros elementos.
O perfil, além de servir
à pesquisa, é uma
ferramenta didática e
educativa que permite
trabalhar as diferentes
características dos solos e
contextualizar o conteúdo
escolar com a observação
em campo.
Ginger, sobre minha história –
perfil de um solo
No campo, é possível observar que a textura e a consis-
tência do solo podem ser identificadas a partir da utilização
do tato e da maceração dos torrões de solo, e, com isso, tecer
considerações sobre as potencialidades e as limitações que
tais características proporcionam ao sistema solo.
Perfil de um Latossolo, tipo de solo
predominante no sítio
Fonte: Leonardo Santos Pereira
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Ginger, sobre minha história – painéis
interpretativos
A utilização de uma trilha interpretativa tem possibilitado
o aprendizado e a conscientização sobre a importância dos
recursos naturais, no caso do sítio, com ênfase nos solos e em
suas relações na natureza.
No painel 1 inicia-se uma caminhada até o Mirante Sítio
Recanto da Paz, percurso de aproximadamente 1 km de
extensão, e são apresentadas algumas características
da trilha, enfatizando a importância dos solos e suas
relações com a paisagem.
No painel 2 apresentam-se algumas considerações
reflexivas: Você conhece o solo por onde anda? Quais
são os fatores responsáveis pela formação dos solos?
No painel 3 existem vários parâmetros para
entendermos as características dos solos, como os
físicos, químicos, biológicos e mineralógicos. Quais são
as características dos solos dessa trilha?
No painel 4, após as observações nos painéis anteriores,
propõe-se um exercício de reflexão sobre a leitura da
paisagem que se descortina no belvedere. Quais são as
relações possíveis de se observar?
Painéis interpretativos ao longo da trilha
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61
Considerações finais
Bem, aqui encerro minha breve história! Espero ter contri-
buído para uma nova forma de se pensar sobre solos e suas
relações no cotidiano. Parecemos invisíveis em muitos
momentos, mas somos essenciais nos serviços ecossistê-
micos prestados; sem solos, não haveria vida no planeta.
Somos considerados um recurso insubstituível, pois levamos
de centenas de anos a muitos milênios para sermos formados.
Precisamos urgentemente que a sociedade nos coloque em
suas pautas, nos debates de políticas públicas e no ensino
escolar. Acredito que a educação seja a base e o fio condutor
nessa jornada.
Ginger
Após a leitura desta
cartilha, produza um texto
com os pontos que mais
chamaram sua atenção.
Se necessário, converse com
seu(sua) professor(a) e
colegas para tirar dúvidas.
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62
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