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O conjunto artefactual do Neolítico Médio da Sala do Ricardo, Lapa da Bugalheira (Almonda, Torres Novas)

Authors:

Abstract and Figures

This paper presents the votive artefacts from the surficial burial context identified at Sala do Ricardo, Lapa da Bugalheira, mostly composed of polished stone tools, a «Montbolo» vessel, knapped stone tools, and Glycymeris sp. bracelets. Coupled with the radiocarbon ages obtained on the associated human bone remains, this composition is consistent with funerary useage of the space during the 4037-3528 cal BC interval. Comparable, coeval burial contexts exist in the caves of the Central Limestone Massif of Estremadura.
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estudos &
memórias
Terra e Sal
Das antigas sociedades
camponesas ao fim dos
tempos modernos
estudos oferecidos a
carlos tavares da silva
Victor S. Gonçalves (ed.)
CENTRO DE ARQUEOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
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6
Terra e Sal
Das antigas sociedades
camponesas ao fim dos
tempos modernos
estudos oferecidos a
carlos tavares da silva
Victor S. Gonçalves (ed.)
Victor S. Gonçalves (ed.)
Terra e Sal
Das antigas sociedades
camponesas ao fim dos
tempos modernos
estudos oferecidos a
carlos tavares da silva
estudos & memórias
Série de publicações da UNIARQ
(Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa)
Direcção: Ana Catarina Sousa
Série fundada por Victor S. Gonçalves (1985)
16.
GONÇALVES, V. S.., ed. (2021) – Terra e Sal. Das antigas
sociedades camponesas ao fim dos tempos modernos.
Estudos oferecidos a Carlos Tavares da Silva. estudos &
memórias 16. Lisboa: UNIARQ/FL-UL. Workgroup on Ancient
Peasant Societies (WAPS). 448 p.
Capa: Victor S. Gonçalves e TVM designers. Garvão,
detalhe de Deusa do século 3.º a.n.e. Foto: Rosa Nunes.
Contracapa: 2013. Carlos Tavares da Silva em Monsaraz.
Foto Joaquina Soares.
Paginação e artes finais: TVM designers
Impressão: AGIR, Produções Gráficas
300 exemplares
ISBN: 978-989-53453-1-1 / Depósito Legal: 493591/21
DOI: https://doi.org/10.51427/10451/50508
Copyright textos e imagens ©, 2021, os autores.
O cumprimento do acordo ortográfico de 1990 foi livre
opção de cada autor. Os autores são responsáveis pelos
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e não sendo responsável por quaisquer elementos que,
de alguma forma, possam prejudicar terceiros.
Lisboa, 2021.
Volumes anteriores de esta série:
LEISNER, G. e LEISNER, V. (1985) – Antas do Concelho de
Reguengos de Monsaraz. (estudos & memórias 1) Lisboa:
Uniarch/ INIC. 321 p.
GONÇALVES, V. S. (1989) – Megalitismo e Metalurgia no Alto
Algarve Oriental. Uma aproximação integrada. 2 Volumes.
(estudos & memórias 2). Lisboa: CAH/Uniarch/INIC. 566+333 p.
VIEGAS, C. (2011) – A ocupação romana do Algarve. Estudo
do povoamento e economia do Algarve central e oriental no
período romano. (estudos & memórias 3). Lisboa: UNIARQ.
670 p. 978-989-95653-4-0open
QUARESMA, J. C. (2012) – Economia antiga a partir de um
centro de consumo lusitano. Terra sigillata e cerâmica africana
de cozinha em Chãos Salgados (Mirobriga?). (estudos &
memórias, 4). Lisboa: UNIARQ. 488 p. 978-989-95653-7-1
ARRUDA, A. M., ed. (2013) – Fenícios e púnicos, por terra e mar,
1. Actas do VI Congresso Internacional de Estudos Fenícios
e Púnicos (estudos & memórias 5). Lisboa: UNIARQ. 506 p.
978-989-95653-9-5
ARRUDA, A. M., ed. (2014) – Fenícios e púnicos, por terra e mar,
2. Actas do VI Congresso Internacional de Estudos Fenícios
e Púnicos. (estudos & memórias 6). Lisboa: UNIARQ. 698 p.
978-989-95653-9-5
SOUSA, E. (2014) – A ocupação pré-romana da foz do estuário
do Tejo. (estudos & memórias 7). Lisboa: UNIARQ. 449 p.
978-989-99146-0-5
GONÇALVES, V. S.; DINIZ, M.; SOUSA, A. C., eds. (2015) –
5.º Congresso do Neolítico Peninsular. Actas. (estudos &
memórias, 8). Lisboa: UNIARQ/ FL-UL. 661 p. 978-989-99146-1-2
SOUSA, A. C.; CARVALHO, A.; VIEGAS, C., eds. (2016) –
Terra e Água. Escolher sementes, invocar a Deusa. Estudos em
Homenagem a Victor S. Gonçalves. (estudos & memórias 9).
Lisboa: UNIARQ/ FL-UL. 623 p. 978-989-99146-2-9
GONÇALVES, V. S., ed. (2017) – Sinos e Taças. Junto ao oceano
e mais longe. Aspectos da presença campaniforme na
Península Ibérica. (estudos & memórias 10). Lisboa: UNIARQ /
FL-UL. 370 p. 978-989-99146-5-0
GONÇALVES, V. S., SOUSA, A. C. (2018) – Casas Novas, numa
curva do Sorraia (no 6.º milénio a.n.e. e a seguir) (estudos &
memórias, 11). Lisboa: UNIARQ/ FL-UL, 280 p. 978-989-99146-6-7
MORÁN HERNÁNDEZ, M. E. (2018) – El Asentamiento
Prehistórico de Alcalar (Portimão, Portugal). La organización
del territorio y el proceso de formación de un estado prístino en la
Bahía de Lagos en el Tercer Milenio A.N.E (estudos & memórias,
12 UNIARQ). Lisboa: UNIARQ/ FL-UL, 312 p. 978-989-99146-7-4
ARRUDA, A. M.; FERREIRA, D.; SOUSA, E. (2020) – Cerâmicas
Gregas do Castelo de Castro Marim. (estudos & memórias, 13
UNIARQ). Lisboa: UNIARQ/ FL-UL, 113 p.
SOUSA, A. C.; BRAGANÇA, F.; TORQUATO, F.; KUNST, M.
(2020) – Georg e Vera Leisner e o estudo do Megalitismo no
Ocidente da Península Ibérica. Contributos para a história
da investigação arqueológica luso-alemã através do Arquivo
Leisner (1909-1972). / Georg und Vera Leisner und die
Megalithgräberforschung im Westen der Iberischen Halbinsel.
Beiträge zur portugiesisch-deutschen Forschungsgeschichte der
Archäologie im Spiegel des Leisner-Archivs (1909-1972) (estudos
& memórias, 14 UNIARQ). Lisboa: UNIARQ/ IAA / DGPC, 704 p.
PEREIRA, Carlos; ALBUQUERQUE, Pedro; MORILLO, Angel;
FABIÃO, Carlos; CHAVES, Francisca, eds. (2021) – De Ilipa
a Munda. Guerra e conflito no Sul da Hispânia. estudos &
memórias, 15. Lisboa: UNIARQ/FL-UL. 338 p.
Esta publicação é financiada por fundos nacionais através da FCT –
Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito dos projectos
UIDB/00698/2020 e UIDP/00698/2020.
A TORRADA E O PIRES. ALGUMAS COISAS QUE EU SEI E OUTRAS
QUE NÃO POSSO CONTAR (E, POR ISSO, NÃO CONTO) 9
victor s. gonçalves
PARA A HISTÓRIA DE UM PERCURSO 15
ana catarina sousa
Carlos Tavares da Silva conversa com Ana Catarina Sousa 15
Bibliografia 25
Algumas imagens de um percurso 41
lista de contributos
UM PRELÚDIO
O Vale de Muge no contexto do Mesolítico atlântico 59
da Península Ibérica
nuno bicho · célia gonçalves · joão cascalheira
cláudia umbelino, ricardo miguel godinho · cláudia costa
AS ANTIGAS SOCIEDADES CAMPONESAS
E depois da Revolução...(Neolítica)? Materialismo e materiais 75
do Ocidente Peninsular, em debate
mariana diniz
Fossas rituais, não funerárias, em aldeia do V milénio A. C. 89
(Castelo Belinho, Portimão, Algarve)
mário varela gomes
Economia Agro-Marítima em tempos neolíticos 107
na fachada atlântica Portuguesa. Breve Balanço
joaquina soares
índice
NEOLÍTICO MÉDIO?
O Neolítico Médio no Maciço Calcário Estremenho. 133
Cronoestratigrafia e povoamento
antónio faustino carvalho
O conjunto artefactual do Neolítico médio da Sala do Ricardo, 153
Lapa da Bugalheira (Almonda, Torres Novas)
filipa rodrigues · joão zilhão
O 3.º MILÉNIO E O QUE VEM IMEDIATAMENTE ANTES
A propósito de algumas placas votivas da Anta Grande da Comenda 167
da Igreja (Montemor-o-Novo, Alentejo médio): breves leituras,
esperando outras, mais extensas e sistemáticas
victor s. gonçalves · marco andrade
Cloak and Dagger: a problemática das grandes pontas bifaciais 199
no Maciço Calcário Estremenho
daniel van calker
A morte à espreita: a possível estrutura funerária calcolítica 207
da Ota (Alenquer)
andré texugo
O lingote de cobre calcolítico da Folha do Ouro 1 (Serpa) – 219
análise química, microestrutural e isotópica
antónio m. monge soares · pedro valério
antónio carlos valera
Um bom Tipo: questões em torno às tipologias das formas cerâmicas 233
do 3.º milénio a.n.e. do Sul de Portugal:
catarina costeira · rui mataloto
Coleccionadores de fósseis: os dentes de tubarão miocénicos 249
das estações pré-históricas portuguesas
joão luís cardoso
OS FENÍCIOS E A IDADE DO FERRO EM PORTUGAL
Alcácer do Sal e os fenícios no baixo Sado 273
ana margarida arruda
Algumas notas sobre as ânforas da Idade do Ferro no estuário do Sado 287
elisa sousa
A mão, o fuso e o tear: notas sobre o contexto e a organização 301
da produção têxtil na Idade do Ferro do Sul de Portugal
francisco b. gomes
Uma conta vidrada proto-histórica da Gruta do Caldeirão 313
(Tomar, Portugal)
joão zilhão · antónio p. gonçalves · luís c. alves
antónio m. monge soares
Em torno da estela do Telhado (Fundão): 325
um ensaio de arqueologia micro-regional
raquel vilaça
A OCUPAÇÃO ROMANA E A ROMANIZAÇÃO DO SUL
DO TERRITÓRIO HOJE PORTUGUÊS
De Chibanes a Monte dos Castelinhos: uma leitura 345
sobre os primórdios da produção anfórica na Lusitânia
joão pimenta
Contributos de Carlos Tavares da Silva sobre a ocupação 359
romana-republicana da foz do Sado
carlos pereira
O monumento epigráfico de Palmares (Lagos) 371
amílcar guerra · tiago nunes
A ocupação romana e Zooarqueologia na região de Setúbal: 381
cinco séculos de restos de animais
cleia detry
Revisitando as ânforas de São Bartolomeu de Castro Marim. 391
Velhos e novos dados sobre a primeira publicação de ânforas
da Lusitânia
rui roberto de almeida · catarina viegas · antónio carvalho
NOS TEMPOS MEDIEVAIS E MODERNOS
Pesca sazonal, no século xii, na costa ocidental do Algarve – 425
O caso da Ponta do Castelo (Carrapateira, Aljezur)
rosa varela gomes
A Península de Setúbal na Idade Moderna. 437
Identidade, Comércio e Globalização (1495-1809)
tânia manuel casimiro
terra e sal. das antigas sociedades camponesas ao fim dos tempos modernos ∙ estudos oferecidos a carlos tavares da silva 153
O CONJUNTO ARTEFACTUAL DO NEOLÍTICO MÉDIO
DA SALA DO RICARDO, LAPA DA BUGALHEIRA
(ALMONDA, TORRES NOVAS)
filipa rodrigues1
joão zilhão2
resumo
Apresenta-se o espólio votivo recolhido na necrópole superficial identificada na Sala
do Ricardo, Lapa da Bugalheira, composto sobretudo por pedra polida, um vaso «tipo
Montbolo», pedra lascada e braceletes em Glycymeris sp. Conjugadas com um conjunto
de datações absolutas, estas características artefactuais atestam a utilização do espaço
funerário entre 4037 e 3528 cal BC, com paralelos em grutas-necrópole coevas da região
central do Maciço Calcário Estremenho.
palavras-chave: Montbolo, Radiocarbono, Maciço Calcário Estremenho.
abstract
This paper presents the votive artefacts from the surficial burial context identified
at Sala do Ricardo, Lapa da Bugalheira, mostly composed of polished stone tools, a
«Montbolo» vessel, knapped stone tools, and Glycymeris sp. bracelets. Coupled with the
radiocarbon ages obtained on the associated human bone remains, this composition is
consistent with funerary useage of the space during the 4037-3528 cal BC interval. Com-
parable, coeval burial contexts exist in the caves of the Central Limestone Massif of
Estremadura.
keywords: Montbolo, Radiocarbon, Central Limestone Massif.
1 Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (UNIARQ), Faculdade de Letras de Lisboa, Universidade de Lisboa, Alameda da
Universidade, 1600-214 Lisboa, Portugal. afrodrigues@letras.ulisboa.pt
2 Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (UNIARQ), Faculdade de Letras de Lisboa, Universidade de Lisboa, Alameda da
Universidade, 1600-214 Lisboa, Portugal; Institució Catalana de Recerca i Estudis Avançats (ICREA), Passeig Lluís Companys 23,
08010 Barcelona, Spain; Universitat de Barcelona, Departament d’Història i Arqueologia, Facultat de Geografia i Història, c/
Montalegre 6, 08001 Barcelona, Spain. joao.zilhao@ub.edu.
terra e sal. das antigas sociedades camponesas ao fim dos tempos modernos ∙ estudos oferecidos a carlos tavares da silva
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1. introdução
A Lapa da Bugalheira (Zibreira, Torres Novas) localiza -se no limite Sul do Maciço Calcário Estreme-
nho, mais concretamente numa escarpa de falha com cerca de 75 m de altura, localmente conhe-
cida como «Arrife do Almonda».
Afonso do Paço dirigiu o primeiros trabalhos arqueológicos nesta cavidade, na década de ‘40
do século xx, onde reconheceu ocupações do período «Eneolítico» (Paço, 1941; Paço et al., 1971).
A Sala do Ricardo foi identificada na sequência de uma desobstrução espeleológica realizada
pela Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia (STEA), com o objectivo de descobrir o acesso
às chamadas «Galerias Oeste» do sistema cársico associado à nascente do Rio Almonda.
A remoção dos blocos expostos na base da escavação de Afonso do Paço, junto à parede da gruta,
revelou uma passagem estreita que permitiu aceder a outra área da cavidade, na qual se observavam
restos humanos associados a um amplo conjunto artefactual, distribuídos por uma superfície com
cerca de 40 m2. Esta nova área da Lapa da Bugalheira foi designada por Sala do Ricardo, em tributo
ao membro da equipa que fez a primeira exploração (Maurício, 1987; Zilhão, 1987).
Se uma primeira leitura da cavidade sugere a existência de dois espaços distintos – a sala esca-
vada por Afonso do Paço e a Sala do Ricardo – a topografia da gruta aliada aos trabalhos de escava-
ção arqueológica que se realizam no local desde 2019 permitem afirmar que, do ponto de vista da
espeleogénese, ambos os espaços correspondem a uma só galeria (ver figura 1). A aparente divisão
deve -se a um episódio de queda de blocos e à formação de espeleotemas (mantos e lâminas de cal-
cite) que estrangularam a galeria numa zona de meandro e, consequentemente, provocaram a sua
colmatação por sedimentos.
FIG. 1. Lapa da Bugalheira: planta com a indicação da área escavada por Afonso do Paço, a área desobstruída pela STEA
e a Sala do Ricardo (Planta: J. A. Crispim e P. Marote, SPE)
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o conjunto artefactual do neolítico médio da sala do ricardo, lapa da bugalheira (almonda, torres novas) ∙ filipa rodrigues I joão zilhão
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Os dados obtidos até ao momento indicam que a Sala do Ricardo está fechada desde o Neolí-
tico Médio, não havendo elementos que apontem para ocupações mais recentes naquela área da
cavidade. Até à data, não foram realizadas escavações arqueológicas na Sala do Ricardo, esperando-
-se executar essa tarefa no âmbito do projeto ARQEVO – Arqueologia e Evolução dos primeiros huma-
nos na fachada atlântica da Península Ibérica.
2. datações absolutas
A uma primeira datação absoluta, publicada em meados da década de ‘90 do século xx, juntam -se
agora três novas datações, obtidas a partir de restos humanos recolhidos à superfície da galeria, em
três áreas bem diferenciadas.
tabela 1. datações de radicarbono
código do
laboratório amostra contexto datação bp cal bc (2σ)
ICEN ‑739* Osso Homo Recolha Superfície 5090 ± 60 4037 ‑ 3711
VERA ‑7231** LpBug_SR2
Fémur humano Recolha Superfície 4910 ± 40 3775 ‑ 3637
VERA ‑7232** LpBug_SR3
Fémur humano Recolha Superfície 4767 ± 35 3638 ‑ 3382
VERA ‑7233**LpBug_SR3
Fémur humano Recolha Superfície 4857 ± 41 3710 ‑ 3528
* Zilhão e Carvalho, 1996; ** Inédita. Calibração com a curva IntCal20 e o programa Calib 8.1.0 (Reimer et al., 2020; Stuiver e Reimer, 1993)
3. cultura material
Durante o processo de desobstrução da Sala do Ricardo, a STEA recolheu vários artefactos que apon-
tam para a utilização da cavidade em diferentes momentos dentro da diacronia neolítica e calcolí-
tica, conforme tinha sido já atestado pela intervenção de Afonso do Paço. Algumas dessas peças –
tais como o ídolo almeriense, o lagomorfo, ou o conjunto de lâminas em sílex de grandes dimensões
– deverão estar relacionadas com os contextos escavados na década de ‘40 do século xx (Maurício,
1987).3
Os artefactos abaixo analisados correspondem aos que foram seguramente recolhidos no inte-
rior da Sala do Ricardo, estando, assim, associados aos restos humanos datados.
Este conjunto artefactual foi subdividido em quatro categorias de acordo com as suas carac-
terísticas tecnológicas: i) cerâmica; ii) pedra lascada; iii) pedra polida e iv) adornos.
3 Por lapso, um trabalho realizado no âmbito da formação académica do autor, considerou que o espólio recolhido pela STEA
provinha todo do interior da Sala do Ricardo (Nunes, 2011). O inventário correcto é o que se oferece no presente trabalho.
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o conjunto artefactual do neolítico médio da sala do ricardo, lapa da bugalheira (almonda, torres novas) ∙ filipa rodrigues I joão zilhão
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3.1. cerâmica
A componente cerâmica da Sala do Ricardo resume -se a um vaso inteiro, recolhido num nicho
da galeria com c. de 5 m2 de área.
Trata -se de um exemplar «tipo Montbolo», de forma globular e boca elíptica, com duas asas
de perfuração vertical; os elementos de preensão são uma das características definidoras deste
grupo tipológico. As superfícies do vaso não têm qualquer decoração e observa -se a aplicação de
almagre na superfície externa.
No bordo, o comprimento é de 114,20 mm e a largura é de 95,06 mm. A profundidade não ultra-
passa os 140,64 mm.
FIG. 2. 1) Vaso «tipo Montbolo»; 2) Lâminas; 3) Braceletes em Glycymeris sp. (Fotos: Pedro Souto, STEA)
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3.2. pedra lascada
Foram recolhidas três lâminas em sílex, duas inteiras e outra sem a parte distal, fracturada por
flexão.
As lâminas são de pequenas dimensões, com uma largura média de 11,88 mm e comprimento
de 84,82 mm.
A largura dos talões (inferior à largura média do corpo), os bolbos salientes com ondulações
visíveis, e os bordos e nervuras regulares, parecem atestar a utilização da percussão indirecta como
método de debitagem. A ausência de córtex, assim como as secções trapezoidais, indica extracção
na fase plena de debitagem.
Apenas um exemplar apresenta retoque invasor, observando -se no bordo direito um brilho
intenso comummente designado como «lustre de cereal». Não foi ainda possível averiguar se a peça
foi utilizada como elemento de foice ou se esta característica tem outra causa.
O tratamento térmico está ausente.
3.3. pedra polida
O conjunto artefactual da pedra polida é composto por 31 elementos, distribuídos por três cate-
gorias tecno -tipológicas: machados (17), enxós (11) e goiva (uma). Incluídas neste conjunto estão duas
peças com as superfícies polidas, de tipologia «indeterminada».
3.3.1. Machados
A análise macroscópica da matéria -prima utilizada na elaboração dos machados permite a
sua integração no grupo das rochas anfibolíticas.
À excepção de um machado fracturado no gume, todos os exemplares recolhidos na Sala do
Ricardo estão inteiros e não apresentam qualquer marca de utilização ou de fixação.
O polimento total dos machados foi aplicado apenas a duas peças, estando presente, na maio-
ria dos casos (10), apenas no gume. Reconhecem -se outras variantes de polimento das superfícies,
que incluem, além do gume, os bordos e os flancos (5).
Do ponto de vista tipológico, verifica -se o predomínio das secções transversais rectangulares
ou sub -rectangulares (12). No que respeita às secções longitudinais, oito machados são convergen-
tes no gume, sendo os restantes nove biconvexos. Em termos de dimensões e considerando apenas
os comprimentos, verifica -se que grande parte do conjunto não ultrapassa os 15 cm (13), dois exem-
plares situam -se nos 15 - 20 cm, havendo dois machados longos com mais de 20 cm. As larguras
variam entre os 4 cm e os 7 cm.
4.3.2. Enxós
As enxós presentes neste conjunto foram executadas com recurso a rochas anfibolíticas e
xistos esverdeados.
Todos os exemplares estão inteiros e nenhum apresenta marcas de fixação.
O polimento total foi registado em cinco casos. Três estão polidas apenas no gume; as restan-
tes, no gume e flancos (duas), e no gume, flanco e bordos (uma).
Tipologicamente, oito apresentam secção transversal retangular, observando -se ainda secções
trapezoidais (uma), quadrangulares (uma), e elípticas (uma). No que concerne às secções longitudinais,
predominam as peças convergentes no gume (cinco), estando ainda presentes secções convergentes
no talão (três), biconvexas (duas), e com flancos paralelos (uma). As dimensões destas peças não ultra-
passam os 15 cm de comprimento, havendo quatro peças com menos de 10 cm, entre as quais se inclui
uma pequena enxó com ca. de 5 cm. As larguras estão compreendidas entre os 3 cm e os 6 cm.
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FIG. 3. Pedra Polida: 1. Machados; 2. Enxós; 3. Goiva (Fotos: Pedro Souto, STEA)
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4.4.3. Goiva
O polimento total do único exemplar desta categoria não permitiu, através da observação
macroscópica, a correcta identificação da matéria -prima utilizada na sua elaboração.
Esta peça encontra -se intacta, tendo 114, 60 mm de comprimento.
Não se observam marcas de uso.
3.4. adornos
Na categoria dos adornos, integram -se duas braceletes em Glycymeris sp., uma inteira e outra
fragmentada pela metade.
Não obstante, foi possível determinar os diâmetros internos e externos do exemplar fractu-
rado: 76,27 mm e 86,55 mm, respetivamente. Este exemplar apresenta uma espessura máxima de
4,61 mm e uma largura máxima de 9,16 mm. As suas superfícies são irregulares, observando -se pon-
tualmente marcas de abrasão e polimento quer no bordo externo quer no bordo interno.
Situação contraria é a do exemplar inteiro, cujas superfícies estão bem regularizadas por abra-
são e polimento. Este exemplar tem diâmetro interno de 43,72 mm e externo de 56,84 mm. A sua
espessura máxima é de 5,23 mm e a largura máxima de 7,65 mm.
4. primeira leituras
As quatro datações absolutas disponíveis para a Sala do Ricardo asseguram a utilização daquele
espaço como necrópole na primeira metade do quarto milénio (4000 - 3500) cal BC, ou seja, durante
o Neolítico Médio.
Este intervalo de tempo é compatível com as características do espólio em análise, confir-
mando que aquela área da cavidade não foi reutilizada durante o Neolítico Final e o Calcolítico.
Aceitando que as inumações escavadas por Afonso do Paço ocorreram no final do 4.º/ início do
3milénio cal BC, como indica o espólio publicado, o episódio de queda de blocos que cerrou o
meandro que antecede a Sala do Ricardo pode ter acontecido durante a segunda metade do
4.º milénio cal BC.
O quadro cronométrico agora existente sugere duas fases de uso da Sala do Ricardo: o primeiro
está representado pelas amostras ICEN -739 e VERA -7231, (4037 - 3637 cal BC); o segundo está repre-
sentado pela amostra VERA -7232 (3638 - 3382 cal BC).
Esta divisão reflecte -se na cultura material exumada, designadamente na componente cerâ-
mica. Com efeito, a presença do vaso de «tipo Montbolo» ajusta -se bem à datação ICEN-739, uma
vez que, na Catalunha, esta tipologia está documentada até ao primeiro quartel do 4milénio cal
BC (Edo et al., 2003).
A aceitação desta leitura implica admitir a inexistência da deposição de cerâmicas na segunda
fase de utilização da Sala do Ricardo. Por oposição, a pedra polida dominaria de forma maciça o espó-
lio votivo desta época.
Este padrão – ausência/ raridade do aparelho cerâmico vs abundância de pedra polida – foi já
registado para a fase plena do Neolítico Médio, na região central do Maciço Calcário Estremenho.
Embora se admita que o conjunto artefactual em análise possa estar truncado devido à natureza da
recolha (refira -se, por exemplo, a ausência de micrólitos geométricos e de contas de colar), a colec-
ção apresenta, no cômputo geral, características comuns às grutas -necrópole coevas, localizadas na
área regional em apreço, a saber: camada D da Gruta do Cadaval, Tomar (Oosterbeek, 1995); Algar do
Barrão, Alcanena (Carvalho et al., 2003; Carvalho e Cardoso, 2015); Gruta do Lugar do Canto,
terra e sal. das antigas sociedades camponesas ao fim dos tempos modernos ∙ estudos oferecidos a carlos tavares da silva
o conjunto artefactual do neolítico médio da sala do ricardo, lapa da bugalheira (almonda, torres novas) ∙ filipa rodrigues I joão zilhão
160
Alcanede (Leitão et al., 1987; Cardoso e Carvalho, 2008); Gruta das Alcobertas, Rio Maior (Cardoso,
2020); camada 3 da Gruta da Feteira, Lourinhã (Zilhão, 1984,1995); Algar do Bom Santo, Alenquer
(Carvalho, 2014) (ver Tabela 2).
tabela 2. quadro síntese do espólio recolhido nas grutas ‑necrópole
do neolítico médio, da área central do maciço calcário estremenho
(principais categorias artefactuais comuns)
sítios
sala do ricardo
3990‑3510 cal bc
cadaval
(camada d)
4350‑3340 cal bc
barrão
3782‑3102 cal bc
lugar do canto
3948‑3370 cal bc
alcobertas
3770‑3510 cal bc
feteira
(camada 3)
3510‑3042 cal bc
bom santo
3800‑2918 cal bc
artefactos
cerâmica
Lisa 1 10 2 1 3 3
Decorada – 3 – – – – 1
pedra lascada
Núcleos –––4–––
produtos
alongados
Lâmina 3
n.d.
– 11
30
4
37
Lamela – 8
geométrico
Segmento – – – 1 – – 5
Trapézio – 2 – 33 1 3 23
Triângulo – – – 1 – – 2
pedra polida
Machado 17 1 1 12 2 3 7
Enxó 11 1 3 16 5 2 14
Goiva 1 1 – 1 1 – –
furador
Produtos
Alongados – – 1 – 1 –
Osso 1 9 3 – 11
adornos
contas
colar
Concha
n.d.
– 79 – 1 70
Pedra 1 – – 9
bracelete
Concha 2 – 1 4 – – 2
Pedra – – – 1* – – –
terra e sal. das antigas sociedades camponesas ao fim dos tempos modernos ∙ estudos oferecidos a carlos tavares da silva
o conjunto artefactual do neolítico médio da sala do ricardo, lapa da bugalheira (almonda, torres novas) ∙ filipa rodrigues I joão zilhão
161
A homogeneidade dos espólios votivos verificada nos sítios supramencionados é reveladora
de uma padronização do comportamento simbólico das sociedades do Neolítico Médio, associada
ao arranque, por volta de 3700 cal BC (Neves, 2015), do megalitismo funerário (aqui entendido como
«[...] a funerary phenomenon that occurred roughly between the 4th and 3rd millennia BCE, corres-
ponding to a complex set of magical and religious rules related to death and was not strictly a type
of funerary architecture» (Boaventura, 2011)). Se, por um lado, trabalhos de investigação recentes
contribuíram para a definição cronológica e cultural desta etapa do Neolítico (Boaventura, 2011;
Carvalho, 2014; Neves, 2015), a pergunta sobre quais os mecanismos que terão desencadeado este
fenómeno permanece ainda sem resposta.
agradecimentos
À equipa da STEA que, na década de 80 do século xx, desobstruiu a Sala do Ricardo: Ricardo Rodrigo,
Pedro Souto, Pedro Henriques e António Clara.
Ao Pedro Souto, pela indicação da proveniência dos materiais arqueológicos recolhidos na Sala
do Ricardo e pelo apoio incondicional nesta nova fase dos trabalhos arqueológicos.
Os trabalhos na Lapa da Bugalheira são realizados no âmbito do projecto ARQEVO, financiado
pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) (PTDC/HAR -ARQ/30413/2017), e têm o apoio do
Município de Torres Novas e da Renova – Fábrica de Papel do Almonda, S.A.
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Tese apresentada à Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa para obter o grau de Doutor
no ramo de História, especialidade de Pré-História. 2
vols (policopiado).
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Article
Full-text available
Radiocarbon (C) ages cannot provide absolutely dated chronologies for archaeological or paleoenvironmental studies directly but must be converted to calendar age equivalents using a calibration curve compensating for fluctuations in atmospheric C concentration. Although calibration curves are constructed from independently dated archives, they invariably require revision as new data become available and our understanding of the Earth system improves. In this volume the international C calibration curves for both the Northern and Southern Hemispheres, as well as for the ocean surface layer, have been updated to include a wealth of new data and extended to 55,000 cal BP. Based on tree rings, IntCal20 now extends as a fully atmospheric record to ca. 13,900 cal BP. For the older part of the timescale, IntCal20 comprises statistically integrated evidence from floating tree-ring chronologies, lacustrine and marine sediments, speleothems, and corals. We utilized improved evaluation of the timescales and location variable C offsets from the atmosphere (reservoir age, dead carbon fraction) for each dataset. New statistical methods have refined the structure of the calibration curves while maintaining a robust treatment of uncertainties in the C ages, the calendar ages and other corrections. The inclusion of modeled marine reservoir ages derived from a three-dimensional ocean circulation model has allowed us to apply more appropriate reservoir corrections to the marine C data rather than the previous use of constant regional offsets from the atmosphere. Here we provide an overview of the new and revised datasets and the associated methods used for the construction of the IntCal20 curve and explore potential regional offsets for tree-ring data. We discuss the main differences with respect to the previous calibration curve, IntCal13, and some of the implications for archaeology and geosciences ranging from the recent past to the time of the extinction of the Neanderthals.
Thesis
Full-text available
The main goal of this thesis is to define a specific phase of Western Iberia’s Prehistory: the Middle Neolithic. Chronologically, this study is bounded from the end of the Early Neolithic until the end of the Middle Neolithic, that is, from the beginning of the second half of the 5th millennium until the third quarter of the 4th millennium cal BC. Taking into account the empirical data available and the detailed study of Middle Neolithic occupations at the site of Moita do Ourives (Benavente), this study aims to characterize the spaces of habitat associated with this chrono-cultural period, incorporating them in the larger dynamics of the Neolithisation process in the center and south of today’s Portuguese territory. Simultaneously, it seeks to detect changes and/or continuities between this phase and the behavior of earlier Neolithic groups, in terms of their society, material culture, economy, settlement strategies and symbolic behavior. In contrast with the dynamics of the first stages of the Neolithisation process – where cultural identities are well established –, the Middle Neolithic in Western Iberia seems to be characterized by an enlarged “social coherence”. This is shown by the uniformity of domestic and grave goods material culture, which is the same throughout an enlarged territory. The Middle Neolithic human groups explore distinct geomorphological contexts and ecosystems within settlements based on strong circulation dynamics, adapting their agro-pastoralist and hunting-gathering subsistence strategies to the functional typology of distinct domestic spaces that are typically of short duration.
Article
Full-text available
Lugar do Canto Cave is one of the most relevant Neolithic burial caves in Portugal given not only its extraordinary preservation conditions at the time of discovery but also the quality of the field record obtained during excavation. Its material culture immediately pointed to a Middle Neolithic cemetery but recent radiocarbon determinations also allowed the recognition of an apparent two step phasing of its use within the period (ca. 4000-3400 cal BC): an older one characterized by a single burial and a later reoccupation as a collective necropolis. Comparisons with other well-dated cave cemeteries in Southern Portugal permitted the recognition of changing funerary practices and strategies of cemetery use during the later stages of the Neolithic and the Chalcolithic: 1) ca. 3800 cal BC as the possible turning point from the practice of individual to collective burials; 2) alternating periods of intensive use and deliberate abandonment of cemeteries (evidenced by their intentional closure). Research avenues to investigate the social organization and ideological context underlying these aspects of the Neolithic communities in greater depth are tentatively pointed out in this paper.
Article
The Age Calibration Program, CALIB, published in 1986 and amended in 1987 is here amended anew. The program is available on a floppy disk in this publication. The new calibration data set covers nearly 22 000 Cal yr (approx 18 400 14C yr) and represents a 6 yr timescale calibration effort by several laboratories. The data are described and the program outlined. -K.Clayton
El largo fin del Neolítico Antigo en Cataluña
  • M Edo
  • M J Villalba
  • A Blasco
EDO, M.; VILLALBA, M. J.; BLASCO, A. (2003) -Cardial, epicardial y postcardial en Can Sadurní (Begues, Baix Llobregat). El largo fin del Neolítico Antigo en Cataluña. In Actas III Congresso del Neolítico de la Península Ibérica, pp. 867 -877, Santander, Universidad de Cantábria.
A gruta pré -histórica do Lugar do Canto
  • M Leitão
  • C T North
  • J Norton
  • O Ferreira
  • V Da
  • G Zbyszewski
LEITÃO, M.; NORTH, C. T.; NORTON, J.; FERREIRA, O. da V.; ZBYSZEWSKI, G. (1987) -A gruta pré -histórica do Lugar do Canto, Valverde (Alcanede),
O Neolítico e o Calcolítico na região do Vale do Nabão (Tomar)
  • L Oosterbeek
OOSTERBEEK, L. (1995) -O Neolítico e o Calcolítico na região do Vale do Nabão (Tomar), In KUNST, M., ed. -Origens, estruturas e relações das culturas calcolíticas da Península Ibérica. Actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras. Lisboa, Instituto do Património Arquitetónico e Arqueológico (Trabalhos de Arqueologia, 7), pp. 101 -107.
Nota sobre a Lapa da Bugalheira
  • A Paço
  • Do
PAÇO, A. do (1941) -Nota sobre a Lapa da Bugalheira, In Trabalhos de Arqueologia de Afonso do Paço (1929 -1968), Volume II, Associação dos Arqueólogos Portugueses, pp. 275 -279.
Resultado das escavações na Lapa da Bugalheira (Torres Novas)
  • G Zbyszewski
  • O Ferreira
  • V Da
ZBYSZEWSKI, G.; FERREIRA, O. da V. (1971) -Resultado das escavações na Lapa da Bugalheira (Torres Novas). In Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal. Lisboa. 55, pp. 23 -48.