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Slow Drawing: As relação do desenho de observação e a meditação transcendental no contexto do mundo pós-moderno

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Abstract

Resumo Este estudo investiga as relações entre o desenho e a meditação, duas disciplinas que buscam uma presença e tomada de consciência. Os primeiros resultados deste trabalho sugerem que, assim como na ideia de slow food ou slow looking, a noção de slow drawing ou desenho lento é uma prática que contribui para um modo de vida sustentável. Esta prática de observação activa requer uma consciência para viver o tempo presente num contexto de um mundo onde cada vez mais a ideia de tempo-espaço é reduzida e distorcida (Harvey). Assim, o próprio acto de desenhar um modelo vincula-se à ideia de mantra, ao qual o desenhador volta repetidamente a sua atenção. Artistas como Cézanne, Matisse, Kandinsky e Pape ressaltam a importância de um olhar meditativo no acto de criar. Reflecte-se sobre autores que abordam os conceitos de experiência e sentir (Dewey, Perniola), duração e percepção (Bergson), relacionando-os com o desenho (Molina, Tavares), meditação transcendental e espiritualidade (Mahesh Yogi, Patanjali).
SLOW DRAWING: AS RELAÇÕES DO DESENHO DE OBSERVAÇÃO E A
MEDITAÇÃO TRANSCENDENTAL NO CONTEXTO DO MUNDO PÓS-
MODERNO
Grazielle Portella
Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes
(CIEBA), Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal
Resumo
Este estudo investiga as relações entre o desenho e a meditação, duas disciplinas que buscam uma presença
e tomada de consciência. Os primeiros resultados deste trabalho sugerem que, assim como na ideia de slow
food ou slow looking, a noção de slow drawing ou desenho lento é uma prática que contribui para um modo
de vida sustentável. Esta prática de observação activa requer uma consciência para viver o tempo presente
num contexto de um mundo onde cada vez mais a ideia de tempo-espaço é reduzida e distorcida (Harvey).
Assim, o próprio acto de desenhar um modelo vincula-se à ideia de mantra, ao qual o desenhador volta
repetidamente a sua atenção. Artistas como Cézanne, Matisse, Kandinsky e Pape ressaltam a importância
de um olhar meditativo no acto de criar. Reflecte-se sobre autores que abordam os conceitos de experiência
e sentir (Dewey, Perniola), duração e percepção (Bergson), relacionando-os com o desenho (Molina,
Tavares), meditação transcendental e espiritualidade (Mahesh Yogi, Patanjali).
Palavras-chave: Desenho lento, meditação, condição pós-moderna, contemplação, espiritualidade.
Abstract
The aim of this study is to investigate the relationship between drawing and meditation, two disciplines that
aim for a higher presence and awareness. Early results of this research suggest that, as with the idea of slow
food or slow looking, the notion of slow drawing is a practice that contributes to a sustainable way of life.
This practice of active observation requires an awareness to live the present moment in the context of a
world where the idea of time-space is increasingly reduced and distorted (Harvey). Thus, the very act of
drawing a model is linked to the idea of mantra, to which the artist repeatedly turns his attention. Cézanne,
Matisse, Kandinsky and Pape are some of the artists who approach contemplation and meditation as keys
in the act of creating. This investigation is reflected based on authors who discuss the concepts of experience
and feeling (Dewey, Perniola), duration and perception (Bergson), relating them to drawing (Molina,
Tavares), transcendental meditation and spirituality (Yogi, Patanjali).
Keywords: Slow drawing, meditation, postmodern condition, contemplation, spirituality.
"A fotografia é uma reacção imediata, o desenho é uma meditação."
1
(Cartier-Bresson & L. Sand, 1999, p. 45)
Partindo da premissa de Cartier-Bresson (1908-2004) de que existe uma relação do
desenho como uma forma de meditação, e da fotografia como uma tecnologia que proporciona
uma 'reacção imediata', transpõe-se este debate ao contexto da sociedade pós-moderna, onde as
tecnologias sobretudo as digitais potencializaram substancialmente este efeito imediato. Diante
deste cenário, propõe-se especular e estabelecer as relações entre o desenho, disciplina
primordial nas artes visuais, e a meditação, que disciplina-nos a ter atenção plena à experiência
presente.
Franck, M. (1992). Henri Cartier-Bresson Drawing His Self-Portrait. [Impressão de prata coloidal].
Recuperado em 17 de janeiro de 2019 em https://www.moma.org/collection/works/130813.
Actualmente vivemos uma onda de aceleração impulsionada pelo sistema financeiro
internacional, onde somos exaustivamente estimulados com imagens, informações e
acontecimentos, não só no âmbito da nossa presença física, mas sobretudo numa persistente
'telepresença' através dos meios digitais. Frente a um paradoxo de estímulos, sentimos, "por um
lado, falta de energia e aumento das tensões e pressões exteriores, e por outro, o tempo rápido da
vida moderna não nos permite de viver um momento de silêncio real" (Yogi, 1963, p. 2440).
Harvey (1935-) analisa o conceito da produtividade incessante da sociedade pós-moderna,
argumentando que esta experiência é dominada por um fenômeno atual que ele chama de
'compressão tempo-espaço' (1992, p. 7).
1
"Photography is an immediate reaction, drawing is a meditation."
Em resposta à incursão desta indústria de produção acelerada, surgem movimentos como
o slow food
2
, que valoriza a lentidão tanto na produção como no consumo de alimentos. Do modo
similar, surge recentemente o conceito de slow looking como uma forma de atenção plena e,
como tal, um antídoto para a distração. Este olhar propõe que o entorno ou mesmo uma obra de
arte sejam observados de maneira lenta e contemplativa, permitindo que as formas e cores
expostas entrem em nosso espaço pessoal por acréscimo e, assim, alterem nossos modos de ver o
mundo (Lubin, 2017). É uma forma de valorizar o que é local (aquilo imediatamente à nossa
frente) sobre o global (tudo o que nos leva a outro lugar, a 'telepresença').
Poderíamos, então, falar também de 'slow drawing' ou 'desenho lento' como um potencial
emancipatório do desconectar dos algoritmos por algumas horas, e representar o mundo de
maneira mais contemplativa e atenta?
A artista Susan Morris reforça que os desenhos feitos usando meios digitais têm-se
esforçado para ganhar reconhecimento em um contexto artístico. As fotografias e desenhos
'analógicos' são impressões - de luz ou de pressão manual - e, portanto, têm uma conexão directa
com seu objecto. Uma das seduções do desenho tem sido sua relação privilegiada com a mão do
artista - e, por extensão, com sua imaginação criativa, sentimento interior e processo de
pensamento. A mídia digital, por outro lado, traduz sinais em uma vasta sequência de zeros e
uns, e não compartilham mais esse relacionamento directo com objectos e processos físicos
(2012).
O slow drawing apresenta-se então, não como uma fuga à instantaneidade, mas como
modo de acentuar a experiência com o nosso entorno presente, com o objectivo de expandir a
noção de tempo-espaço.
Um desenho deixa sinais desta relação com o tempo, não apenas através da representação
da realidade mas, também na dedicação ao fixar um traço em uma superfície e do estado de
espírito de quem o traça. Neste sentido, um desenho lento leva-nos a uma relação directa com
conceitos advindos da meditação, de um silenciar a mente.
Segundo os Yoga Sutras de Patanjali, meditação significa "morar no Ser sem se desviar
da própria natureza real. Ela é realizada a partir da tomada de consciência e observação da mente
no momento presente, podendo esta fase preliminar, demorar de meia hora e três quartos de hora
2
O movimento slow food começou na Itália nos anos 80, em resposta à incursão da indústria de fast-food em uma terra que se
orgulhava não apenas de sua grande arte, mas também de sua excelente culinária. A premissa era que as coisas boas levam tempo
para amadurecer: afinal de contas, Roma não foi construída em um dia (Lubin, 2017).
(Silva, 2007, p. 84). É um processo lento. A mente fica, então, pronta para permanecer sem
pensamentos, vazia, e realizar a integração da Alma. Acontece, então, a verdadeira meditação,
um "estado de ser contemplativo que surge, espontaneamente, em qualquer lugar e tempo"
(Silva, 2007, p. 84).
Para Cézanne (1839-1906), durante o processo de criação, "a natureza é sempre a mesma,
mas nada do que nos aparece se mantém. A arte deve fazer-nos saborear o eterno. [...] Mas se eu
tiver a menor distração, se pensar enquanto pinto, se intervier, está tudo perdido. [...] Toda a
vontade do artista deve ser de silêncio, de fazer calar dentro dele as vozes de preconceitos,
esquecer, ser um eco perfeito. Nessa altura toda a paisagem se inscreverá na sua placa sensível, a
tela…" (Gasquet, 2012, pp. 61-62).
Cézanne, P. (1902-1906). Mont Sainte-Victoire. [Aguarela e lápis sobre papel]. Recuperado em 17 de
janeiro de 2019 em https://www.moma.org/collection/works/34092.
Um desenho meditativo, portanto, propõe uma relação atenta com o que se apresenta do
mundo ao redor, desviando a mente de pensamentos errantes ao retomar a consciência para esta
contemplação. Segundo Molina (1947-2007), o desenho marca a intenção mais radical do
homem para superar a necessidade dos acontecimentos, o desejo de voltar a fazer presente por
meio da imagem da ideia que temos dela mesma. Apreendendo o objecto para tentar
compreender o nosso ser e as relações que mantemos e o meio ambiente que nos rodeia. (1995,
p. 23).
Para Dewey (1859-1952), uma experiência estética ocorre justamente na incorporação
entre o ser humano e o meio ao seu redor. Como a arte é um reflexo da vida, é necessário
entendermos que a “vida se dá em meio ambiente; não apenas nele, mas por causa dele, pela
interação com ele” (Dewey, 2010, p. 74). A experiência tem uma extensão elástica e não é
delimitada por um meio e um fim, e necessita de dedicação para acontecer. É um processo onde
não há divisão entre acto e material, coisa e pensamento, sujeito e objecto, mas contém ambos
em uma totalidade" (Dewey, 1958, p. 8).
A experiência estética implica, portanto, todos os nossos sentidos. Porém, Perniola
(1941-2018) defende que, desde os anos 60, o nosso sentir tem se dado através de uma
experiência anónima e de um emocional impessoal, que implica numa sensologia onde tudo
aparece como um 'já sentido' (1993, p. 110). O filósofo contemporâneo propõe então
recuperarmos o conceito de Platão de 'experiência cósmica', um viver em coerência com a
natureza que implica uma extrema atenção e escuta, face ao mundo e ao seu devir, não o
fechamento em nós próprios numa cega e surda impassibilidade (1993, p. 111).
Quem se dedica a este modo de experiência de sentir vive, "uma liberdade completa do
preenchimento do seu Ser e, ao mesmo tempo, a experiência com o objecto muito mais profunda
e plena do que antes" (Yogi, 1963, p. 1524).
Pape (1927-2004) aborda esta incorporação totalizada da experiência em na sua obra.
Segundo ela, "tudo está ligado. Não existe obra como um objecto acabado e resolvido, mas
alguma coisa sempre presente, permanente no interior das pessoas" (2003, p. 86).
Pape, L. (1953). Tecelar. [Impressão em xilogravura sobre papel japonês]. Recuperado em 17 de janeiro
de 2019 em https://www.artic.edu/artworks/238522/weaving-tecelar.
Como é natural, o processo de sentir (e de transmitir este sentir ao desenho), se dá através
do corpo, como meio de perceber o entorno, e de desenvolver o que Bergson (1859-1941) chama
de 'percepção pura' (1896, pp. 75-76). Ela recorta, dentro do campo de possíveis estímulos no
nosso entorno, onde o corpo age. Para o filósofo, o corpo é o centro de ação, que recebe imagens
do exterior e responde a estas imagens devolvendo movimento ao mundo. O presente consiste
então na consciência que se tem do próprio corpo (Bergson, 1896, pp. 162-163).
Basta dizer então que quem desenha desenha-se, dá o corpo ao desenho. Introduz nele as
suas experiências, gestos, vida. Nas palavras de Le Corbusier (1887-1965), é necessário desenhar
para levar ao nosso interior aquilo que foi visto e que ficará então inscrito na nossa memória para
toda a vida. Temos com o desenho uma relação de simbiose: damos e ele dá-nos (Tavares, 2009,
p. 17). Assim, quanto mais durável uma experiência for, tanto mais sólida será a apreensão que
nos proporcionará da matéria (Bergson, 1896, pp. 206-207).
Le Corbusier. (1902-1911). Excertos do diário gráfico do arquitecto na Europa. [Aguarela e lápis sobre
papel]. Recuperado em 17 de janeiro de 2019 em www.archdaily.com/784616/drawing-on-the-road-the-
story-of-a-young-le-corbusiers-travels-through-europe.
Kandinsky (1866-1944) e Johannes Itten (1888-1967), no curso de suas vidas artísticas e
práticas pedagógicas na Bauhaus, exerceram com apuro os preceitos da Meditação e da Yoga
para a tomada de consciência do corpo e da mente, como uma ponte para expressão através do
desenho e de desenvolvimento da intuição.
Itten, J. (1917). Female Nude (Weiblicher Akt) [Carvão e lápis sobre papel]. Recuperado em 17 de janeiro
de 2019 em https://www.moma.org/collection/works/37497.
Itten defendia que o treino do corpo como um instrumento da mente é importante para
manter-nos criativos: "Como uma mão pode expressar um sentimento característico em uma
linha quando o braço está rígido? Uma respiração profunda, lenta e silenciosa é a maneira de
atingir sucesso na vida. Aqueles que estão com falta de ar são apressados e gananciosos em seus
pensamentos e ações"
3
(Itten, 1975, p. 9).
A meditação começa com a disciplina de dirigir a mente num único foco no corpo ou
objecto, porém, será sempre no sentido de deixar a mente vazia através desta concentração
(Silva, 2007, p. 39). Influenciado por isto, Kandinsky estabeleceu princípios de arte (linha, ponto
e plano) a partir das relações corpo-mente, conceitos ligados às práticas de Yoga como
Pranayama (Controle da Respiração) e Asana (Postura) (1947, pp. 12, 25-27, 108, 134).
3
"How can a hand express a characteristic feeling in a line when the hand and arm are cramped? [...] People who have
achieved great success in their lives always breath quietly, slowly, and deeply. Those who are short of breath are hasty and
greedy in their thoughts and actions.
Kandinsky, W. (1913). Watercolor No. 14 (Aquarell No. 14). [Aguarela e tinta sobre papel]. Recuperado
em 17 de janeiro de 2019 em https://www.moma.org/collection/works/34914.
Para além destas práticas corporais de Yoga, existem outras duas práticas que servem
para limpar a mente focando a atenção em energias presentes em ambiente exterior ao corpo: os
mandalas e os mantras. Um mantra tem como objectivo silenciar a mente a partir de um som ou
observação de uma forma. A meditação transcendental dá-se na repetição contínua e generosa de
um mantra, levando a mente a penetrar no seu significado, neutralizando as demais ideias e
evitando os movimentos automáticos da mente, sempre inclinada a passar os novos objectos ou
objectivos. Os mantras levam à contemplação e harmonizam os veículos inferiores da
consciência, tornando-os sensíveis às vibrações mais subtis, elevando-os até à fusão da
Consciência Superior (Silva, 2007, pp. 71-72).
Para Matisse (1869-1954), desenhar é a expressão de possessão dos objectos (Flam,
1995, p. 156). Neste sentido, ele enfatiza que quando conhecemos um objecto no detalhe, somos
capazes de representá-lo através de um contorno que o define inteiramente (Flam, 1995, p. 131).
Esta definição colocaria o artista como um observador que possui um objecto, no sentido de o
absorvê-lo e contemplá-lo como um mantra, representando-o em uma superfície a partir de uma
percepção totalizada.
Matisse também nos sugere a importância da atenção a partir da observação e ao não
enclausuramento a modelos mentais. "Nada é mais difícil a um verdadeiro pintor do que pintar
uma rosa, porque, para isso, precisa primeiro esquecer todas as rosas pintadas. É um primeiro
passo para a criação ver todas as coisas na sua verdade, e isto supõe um esforço contínuo”
(Matisse, 2007, p. 307).
Matisse, H. (1946). Vase d'Anémones. [Óleo e pastel preto sobre tela]. Recuperado em 17 de janeiro de
2019 em https://www.sothebys.com/en/auctions/ecatalogue/2019/impressionist-modern-art-evening-sale-
l19006/lot.6.html.
Desenhar de maneira meditativa é um esforço que requer prática. A prática "aumenta a
habilidade da mente de manter a sua natureza essencial enquanto experimenta os objectos através
dos sentidos. Quando isso acontece, a mente e a sua natureza essencial, o estado de
transcendência do Ser, tornam-se uma só, e a mente é capaz de reter sua essência de Ser
enquanto pensa, fala ou age" (Yogi, 1963, pp. 618-642). Ou desenha.
Assim como na prática da meditação, o desenho pode também ser um processo que busca
por uma essência interior, e o conduz pela "arte de viver" (Yogi, 1963, p. 966). Portanto, não
deve ser concebido como algo finalizado, em um sentido produtivo, mas como um caminho, de
contemplação do presente, percorrido através da mão, levando o artista à auto-realização.
E como conclui Molina, quando o desenho se converte em obra final, em um objecto
artístico em si, perde grande parte do grande valor de conhecimento que esta acção de desenhar
teve ao longo da história, da cultura e da construção de conhecimento
4
(2015, p. 205).
Dispositivos que 'economizam' tempo, como computadores e smartphones, nos
transformaram em seres apressados em uma linha de montagem de informações que se
movimenta a uma velocidade vertiginosa. Em um sentido mais amplo sobre o impacto das
tecnologias, Stephen Hawking (1942-2018) expressou preocupações sobre como a inteligência
artificial poderia igualar ou exceder a inteligência do ser humano (Cellan-Jones, 2014). O
4
"Cuando el dibujo se convierte en obra final, en un objeto artístico en sí, pierde gran parte del gran valor de conocimiento que
esa acción de dibujar ha tenido a lo largo de la historia, de la cultura y de la construcción del conocimiento."
cientista ressalta que a virtude o ser humano precisa desenvolver para sobreviver ao futuro é a
empatia, qualidade que une as pessoas e torna o mundo mais pacífico (Clark, 2015).
Os primeiros resultados desta investigação sugerem que, tal como na ideia de slow food
ou slow looking, a prática de slow drawing contribui para um modo de vida sustentável. O
desenho lento requer uma consciência para viver o tempo presente num contexto de mundo
acelerado, onde cada vez mais a noção de tempo-espaço é reduzida e distorcida, sobretudo no
âmbito da 'telepresença'. Assim, o próprio acto de desenhar a partir da contemplação vincula-se à
noção de mantra, ao qual o artista volta repetidamente a sua atenção, se relacionando de uma
maneira mais empática com o mundo e intuitiva com o papel. Ao serem silenciados seus
pensamentos errantes, o artista adentraria uma experiência do sentir cósmica, em coerência com
a natureza e conectado à sua verdadeira essência.
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This paper aims to present the exercise of drawing as basic and functional tool in the design methodology, visual arts, and also architecture, analysing it as a thinking and physical process. From sketching (free hand) tradition until digital, from the acquisition of drawing skills and its applications, we will approach its contribution in the conception and development of products and art, from the idea to concept sketches, from the analysis to object (solution). We also analyse the structural importance of drawing during education, based on its universality.
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