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O CONSTRUCIONISMO COMO PROPOSTA DE INOVAÇÃO PEDAGÓGICA CONSTRUCTIONISM AS A PROPOSAL FOR PEDAGOGICAL INNOVATION EL CONSTRUCCIONISMO COMO PROPUESTA DE INNOVACIÓN PEDAGÓGICA

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RESUMO: O paradigma newtoniano-cartesiano apresenta uma visão reducionista do conhecimento. Numa ruptura paradigmática o construtivismo surge como explicação teórica afirmando que o conhecimento é construído na interação do sujeito com o objeto de estudo, numa relação dialógica, com a mediação do educador. No presente estudo, 'o construcionismo apresenta-se como proposta de inovação pedagógica'. A presente pesquisa teve como objetivo saber se o uso das tecnologias educativas numa concepção construcionista promovem ou não inovação pedagógica na disciplina matemática, numa turma de nono ano do ensino médio. Constatamos que o construcionismo propõe o desenvolvimento cognitivo dos aprendizes tornando-os aptos para novas aprendizagens, com ou sem o uso das tecnologias educativas. Defendemos a concepção construcionista como inovação pedagógica, com o foco nas práticas pedagógicas, visando a construção de conhecimento significativo e funcional para a vida. Palavras-chave: Instrucionismo. Construcionismo. Inovação Pedagógica. ABSTRACT: The Newtonian-Cartesian paradigm presents a reductionist view of knowledge. In a paradigmatic break, constructivism emerges as a theoretical explanation stating that knowledge is constructed in the interaction of the subject with the object of study, in a dialogical relationship, with the mediation of the educator. In the present study, 'constructionism presents itself as a proposal for pedagogical innovation'. The present research had as objective to know if the use of the educational technologies in a constructionist conception promote or not pedagogical innovation in the mathematical discipline, in a class of ninth year of the high school. We found that constructionism proposes the cognitive development of apprentices making them apt for new learning, with or without the use of educational technologies. We defend the constructionist concept as pedagogical innovation, with a focus on pedagogical practices, aiming at the construction of meaningful and functional knowledge for life. RESUMEN: El paradigma newtoniano-cartesiano presenta una visión reduccionista del conocimiento. En una ruptura paradigmática, el constructivismo emerge como una explicación teórica que afirma que el conocimiento se construye en la interacción del sujeto con el objeto de estudio, en una relación dialógica, con la mediación del educador. En el presente estudio, "el construccionismo se presenta como una propuesta
O construcionismo como proposta de inovação pedagógica
EDUCA – Revista Multidisciplinar em Educação, Porto Velho, v. 08, p. 1-20, jan./dez., 2021. e-ISSN: 2359-2087
DOI: 10.26568/2359-2087.2021.6131
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O CONSTRUCIONISMO COMO PROPOSTA DE INOVAÇÃO PEDAGÓGICA
CONSTRUCTIONISM AS A PROPOSAL FOR PEDAGOGICAL INNOVATION
EL CONSTRUCCIONISMO COMO PROPUESTA DE INNOVACIÓN
PEDAGÓGICA
Maria do Carmo SOUSA
1
Paulo BRAZÃO
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RESUMO: O paradigma newtoniano-cartesiano apresenta uma visão reducionista do
conhecimento. Numa ruptura paradigmática o construtivismo surge como explicação
teórica afirmando que o conhecimento é construído na interação do sujeito com o objeto
de estudo, numa relação dialógica, com a mediação do educador. No presente estudo, ‘o
construcionismo apresenta-se como proposta de inovação pedagógica’. A presente
pesquisa teve como objetivo saber se o uso das tecnologias educativas numa concepção
construcionista promovem ou não inovação pedagógica na disciplina matemática, numa
turma de nono ano do ensino médio. Constatamos que o construcionismo propõe o
desenvolvimento cognitivo dos aprendizes tornando-os aptos para novas aprendizagens,
com ou sem o uso das tecnologias educativas. Defendemos a concepção construcionista
como inovação pedagógica, com o foco nas práticas pedagógicas, visando a construção
de conhecimento significativo e funcional para a vida.
Palavras-chave: Instrucionismo. Construcionismo. Inovação Pedagógica.
ABSTRACT: The Newtonian-Cartesian paradigm presents a reductionist view of
knowledge. In a paradigmatic break, constructivism emerges as a theoretical
explanation stating that knowledge is constructed in the interaction of the subject with
the object of study, in a dialogical relationship, with the mediation of the educator. In
the present study, ‘constructionism presents itself as a proposal for pedagogical
innovation’. The present research had as objective to know if the use of the educational
technologies in a constructionist conception promote or not pedagogical innovation in
the mathematical discipline, in a class of ninth year of the high school. We found that
constructionism proposes the cognitive development of apprentices making them apt for
new learning, with or without the use of educational technologies. We defend the
constructionist concept as pedagogical innovation, with a focus on pedagogical
practices, aiming at the construction of meaningful and functional knowledge for life.
Keywords: Instructionism. Constructionism. Pedagogical Innovation.
RESUMEN: El paradigma newtoniano-cartesiano presenta una visión reduccionista
del conocimiento. En una ruptura paradigmática, el constructivismo emerge como una
explicación teórica que afirma que el conocimiento se construye en la interacción del
sujeto con el objeto de estudio, en una relación dialógica, con la mediación del
educador. En el presente estudio, "el construccionismo se presenta como una propuesta
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Doutora em Educação, Especialidade Inovação Pedagógica. Universidade da Madeira, Funchal,
Portugal. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6217-2305. E-mail: carminha.rone@gmail.com
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Doutor em Educação, Especialidade Inovação Pedagógica. Universidade da Madeira, Funchal, Portugal.
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3575-4366. E-mail: jbrazao@staff.uma.pt
Maria do Carmo SOUSA, Paulo BRAZÃO
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de innovación pedagógica". La presente investigación tuvo como objetivo conocer si el
uso de las tecnologías educativas en una concepción construccionista promueve o no la
innovación pedagógica en la disciplina matemática, en una promoción de noveno año
de secundaria. Encontramos que el construccionismo propone el desarrollo cognitivo
de los aprendices haciéndolos aptos para nuevos aprendizajes, con o sin el uso de
tecnologías educativas. Defendemos el concepto construccionista como innovación
pedagógica, con foco en las prácticas pedagógicas, apuntando a la construcción de
conocimientos significativos y funcionales para la vida.
Palabras clave: Instruccionismo. Constructivismo. Innovación Pedagógica.
Introdução
A globalização e a presença das tecnologias da comunicação e da informação
tornou o mundo um todo, o conhecimento uma riqueza incontestável, este cenário
impôs redimensionamento das ciências e consequentemente da educação escolar.
A educação atual não atende as exigências presentes e futuras. Faz-se necessário
pensar de forma prospectiva para conhecer as necessidades da sociedade do amanhã.
Preparando as escolas e professores para treinar e estimular urgentemente estratégias
inovadoras, conscientizar professores e gestores para possíveis mudanças e desafios
(SOUSA, 2001).
Piaget (1997) destaca que, no construtivismo existem trocas constantes,
interações contínuas, contribuições mútuas, entre o sujeito e o mundo. Ressaltamos as
interdependências precisam ser compreendidas para que aquilo que temos a informar
aos educandos seja passível de interpretações significativas, numa perspectiva de
facilitar o processo de assimilação e de acomodação.
Outra característica do construtivismo é a valorização dos conhecimentos
prévios dos educandos, para defender essa conceção traremos no texto o autor Vygotsky
(2010), afirmando que o aprendizado inicia antes dos aprendizes chegarem à escola.
Ressaltando que os aprendizes têm um aprendizado prévio, desde o pré-escolar já sabem
lidar com as operações de adição, subtração e divisão.
O nosso objeto de estudo foi ‘o construcionismo como inovação pedagógica’.
Apresentamos os principais autores tais como: Piaget (1964), Vygotsky (1988),
Freire (2009), Sousa (2000), Papert (2008), Fino (2009), (2011), Morin (2002), Toffler
(1970), entre outros. Na perspectiva de fazer um levantamento bibliográfico
direcionado, construímos o objetivo geral da pesquisa: aprofundar os principais
conceitos de construcionismo e de inovação pedagógica, relacionando esses conceitos.
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A presente pesquisa teve como objetivo geral: investigar se o uso das
tecnologias numa conceção construcionista promovem inovação pedagógica na
disciplina matemática no nono ano A do Colégio Municipal Dom Mota.
E como objetivos espefícicos: identificar se os professores do Colégio Municipal
Dom Mota utilizam as TIC nas aulas de matemática; analisar se as TIC são utilizadas na
concepção instrucionista ou construcionistas; analisar se a utilização das TIC facilitam a
compreensão dos conteúdos formais da matemática.
De acordo com Papert, a Teoria Construcionista amplia as concepções
defendudas pelo construvismo, afirmando que: “o construcionismo é construído sobre
suposição de que as crianças farão o melhor descobrindo por si mesmas o conhecimento
específico de que precisam” (PAPERT, 2008, p.135). Enfatizando que é preciso
vivenciar a matética para possibilitar ao educando uma aprendizagem útil a vida.
Portanto, acreditamos que desenvolvendo o cognitivo o próprio sujeito busque cada dia
mais novos conhecimentos, partindo do princípio fundamental que é desenvolver a
cognição para tornar o indivíduo capaz de buscar novos horizontes, novas descobertas.
Este princípio é comum entre as duas teorias abordas no texto. Confirmamos com Fino
(2006) que o mais importante na educação é desenvolver as mentes. Por isso que é
fundamental para a sustentabilidade da escola a inovação pedagógica.
A inovação pedagógica deve acontecer de dentro para fora, nesse sentido
precisamos internalizar as conceções para depois colocá-las em prática. Dessa forma,
ser inovador é ser reflexivo, criativo, pesquisador, avaliador da sua prática pedagógica
(FINO, 2011). Nesse contexto, as tecnologias na Educação Matemática, devem ser
utilizadas para facilitar a compreensão de conceitos matemáticos, principalmente os
mais abstratos. Por isso, sair da instrução para a construção.
A pesquisa foi aplicada na turma do 9 ano A, na qual a professora trabalhou por
um período de 2 meses em forma de oficinas utilizando as tecnologias disponíveis na
escola, por exemplo: usamos os computadores para construir tabelas e gráficos da
própria pesquisa realizada pela professora sobre as tecnologias; trabalhamos com a
calculadora do celular nos conteúdos, porcentagem; utilizamos o Geogebra para
revisar uns conteúdos da geometria; o celular na produção de vídeos; a internet para
pesquisas sobre a importância das TIC; Os computadores na preparação dos slides para
culminância-apresentação dos resultados da pesquisa.
Maria do Carmo SOUSA, Paulo BRAZÃO
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O construcionismo numa perspectiva de inovação pedagógica
Reflexões Paradigmáticas X Construtivismo
Faremos algumas considerações a cerca da historicidade da educação
contemporânea. Iniciaremos refletindo sobre os paradigmas que caracterizaram o século
XX e sobre a projeção das mudanças paradigmáticas no século XXI.
O paradigma cartesiano teve sua origem histórica em Galileu Galilei, que
introduziu a descrição matemática da natureza reconhecendo a relevância das
propriedades quantificáveis da matéria (forma, tamanho, número, posição e quantidade
de movimento). Contaminado por esses estudos, Descartes (1596-1650), propôs o
“Discurso do Método” com os seguintes pressupostos: jamais acolher alguma coisa
como verdade, sem evidência concreta; dividir cada um dos conceitos em tantas
parcelas quanto possível, para resolvê-las; partir da ordem dos conceitos simples, para
os mais complexos, para conduzir, degrau a degrau, o conhecimento e buscar em toda
parte enumerações tão completas e revisões tão gerais, que provocassem a certeza de
nada omitir (BEHRENS, 1999, p.19).
Aliada ao pensamento cartesiano houve a influência da proposição de Isaac
Newton, com a obra “Princípios matemáticos da filosofia natural”, propondo a mais
completa sistematização matemática da concepção mecanicista da natureza. Newton
apresentou o universo e o ser humano como máquina, dividindo e mostrando o ser
humano em compartimentos, era entendido pela razão. Esta obra apresentava uma
síntese baseada nas obras de Copérnico, Kepler, Bacon, Galileu e Descartes
(BEHRENS, 1999).
Apresentamos as conceções de escola para atender as necessidades da sociedade,
naquele período industrial a mesma era submetida a um controle rígido, com um
sistema dogmático e autoritário. Com as conceções de currículo visando a produtividade
e eficácia exigida no mundo industrial.
A escola era planejada para atender as necessidades da época, de acordo com
Sousa e Fino (2003, p. 4):
Desenharam-na segundo um modelo inspirado literalmente nas
fábricas de forma que os alunos, quando nela entrassem, passassem a
respirar uma atmosfera carregada de elementos e de significações que
se revelaram ser mais importantes e decisivos que as meras
orientações inscritas no brevíssimo currículo oficial da escola pública.
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Nessa concepção a escola apresentava um ambiente fechado, estratificado por
níveis de ensino, a organização dos alunos era por idades, o professor tinha a autoridade
máxima e mantinha uma relação de indiferença, compartimentando os saberes. Não
existia nenhuma relação afetiva entre os envolvidos. Infelizmente assistimos a esta
escola na era pós-contemporânea.
O sistema social típico da sociedade industrial e a escola mantiveram-se
inalterados e com poucos sobressaltos até meados do século XX, porém, alguns
acontecimentos históricos como podemos citar: a guerra fria, a corrida espacial, a II
guerra mundial, as tecnologias e principalmente o despertar crítico da humanidade,
causaram transformações e inquietações tanto na comunidade científica quanto na
sociedade.
As insatisfações continuaram nos anos seguintes e com estudos e discussões
entre os teóricos da educação, acreditavam que tudo se resolveria se melhorasse o
sistema de controle e a avaliação escolar. Tais discussões os levam já nos anos oitenta
criar um sistema burocrático de avaliação denominado de ‘pedagogia por objetivos’. A
crise curricular que abalou os Estados Unidos, em 1957, multiplicou os sinais da
senilidade do paradigma fabril. Tornava-se percetível a grande dicotomia de um lado a
evolução tecnológica fazia precipitar o futuro com uma aceleração cada vez mais
exponencial, enquanto a escola continuava a ver aumentar a distância que vinha
separando da realidade autêntica, que se desenrola no exterior dos seus muros
anquilosados (FINO, 2001).
Enfatizamos a sociedade caracterizada no século XX como “Sociedade de
Produção em Massa” passando no final do século a ser designada como “Sociedade do
Conhecimento” (TOFFLER, 1970).
Considerações de Toffler (1970) sobre as escolas fabris, destacando que nessas
escolas se instalaram as idiossincrasias temporais impostas pela industrialização,
exigindo do homem condições que o mesmo nunca tinha vivido, precisava devotar
bastantes energias para compreender o que acontecia no presente. Todavia o próprio
foco da educação começou a mudar, vagarosamente do passado para o presente.
O conceito de paradigma segundo Khun (1996, p.225) constitui “a constelação
de crenças, valores e técnicas partilhadas pelos membros de uma comunidade científica,
que dar forma a uma visão particular da realidade, a qual constitui a base da maneira
como a comunidade se organiza.” Nesse entendimento é uma forma de pensar naquele
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determinado momento histórico científico que envolve teorias e linhas de pensamentos,
mas que serão substituídos com a evolução científica para um novo modelo quando
necessário.
De acordo com Fino (2008), o construtivismo indica o sujeito como construtor
ativo e argumenta contra modelos passivos de aprendizagem, um ponto de vista
construcionista avança um pouco mais, ao enfatizar as construções particulares do
indivíduo, que são externas e partilhadas. Nesse entendimento, o aprendiz é visto como
sujeito ativo que aprende pela descoberta, com liberdade, participando ativamente dos
momentos de aprendizagem e agindo por iniciativa própria. Destacando que essas
construções feitas por estes aprendizes são particulares e se realizam melhor aos pares,
daí a importância do trabalho em grupos que favoreça a troca de experiência e saberes.
As tecnologias numa concepção construcionista
As tecnologias e a globalização provocaram mudanças e transformações nos
diversos setores da sociedade: econômico, social, cultural, educacional, político, entre
outros. Exigindo que a educação se posicione de forma positiva diante desse novo
cenário informatizado. “As mudanças na sociedade têm haver, entre outros fatores, com
a globalização, aceleração de conhecimento, exploração da sociedade da informação, e a
crescente diversidade cultural, etc.” (SOUSA, 2001).
Considerando Fino (2009), a tecnologia deve decorrer à luz de um modelo de
intervenção pedagógica baseado em pressupostos que rompam com as rotinas e as
crenças estruturantes na escola do tempo das tecnologias tradicionais.
Segundo Papert (1986), embora a tecnologia desempenhe um papel essencial na
realização de minha visão sobre o futuro da educação, meu foco central não é máquina,
mas, a mente e, particularmente, a forma em que movimentos intelectuais e culturais se
auto-definem e crescem. Na verdade, o papel que atribuo ao computador é o de um
portador de “germes” ou “sementes” culturais cujos produtos intelectuais não precisarão
de apoio tecnológicos uma vez enraizados numa mente que cresce ativamente.
O autor referenciado faz uma defesa importantíssima quando afirma que na
educação o essencial é instigar os aprendizes com situações bem planejadas para
provocar o desenvolvimento cognitivo dos mesmos. Ressalta que através do uso do
computador facilitará a progressão mais fácil e rapidamente das aprendizagens se as
crianças já possuírem o bom desenvolvimento mental.
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As mudanças na educação escolar acontecem a passos lentos, por isso temos um
atraso de décadas, quando nos reportamos a Toffler em 1970 já afirma que:
A tecnologia do amanhã requer não milhões de homens levemente
alfabetizados, prontos para trabalhar em uníssono em tarefas
infinitamente repetitivas, nem homens que recebem ordens sem piscar,
conscientes de que o pão se consegue com a submissão mecânica à
autoridade, mas sim de homens que posam fazer julgamentos críticos,
que possam abrir caminho através dos ambientes novos, que sejam
rápidos na identificação de novos relacionamentos numa sociedade em
rápida mutação (TOFFLER, 1970. p. 323).
Diante do exposto percebe-se que a educação não poderia continuar atrelada ao
paradigma tradicional porque o futuro impulsionaria a escola a mudar para lidar com os
seres pensantes, criativos, que buscariam conhecimentos para superar os desafios e
entraves da sua era. Mas percebemos que existem algumas escolas e educadores que se
mantem atrelados ao passado causando a desadequação da escola.
Nesse sentido, a sociedade das tecnologias digitais, dos computadores e da
telemática, da globalização e da pulverização das culturas locais, do genoma
sequenciado, já não se compadece em esperar por uma instituição que para prosseguir,
tem que mudar de paradigma (FINO, 2001). Baseado nas concepções apresentadas pelo
autor, as instituições de ensino não evoluíram no mesmo ritmo das ocorridas nas
ciências, nem nas tecnologias. Os avanços tecnológicos impulsionaram exigindo
mudanças de paradigma, portanto, a escola precisa avançar ou se tornará obsoleta.
Segundo Papert (1986), o futuro da educação deve ser projetado:
Eu tenho me apresentado como um utópico educacional- não projetei
um futuro da educação em que as crianças estarão rodeadas por alta
tecnologia, mas porque acredito que certos usos da poderosa
tecnologia computacional e das idéias computacionais podem prover
as crianças com novas possibilidades de aprender, pensar e crescer
tanto emocional como cognitivamente (p. 34).
O autor referenciado no texto defende que se utilizarmos as tecnologias de forma
correta, as mesmas possibilitarão aos aprendizes uma maior aprendizagem. Afirmando
que se desenvolvermos o pensar, iremos também crescer tanto emocional como
cognitivamente.
O construcionismo é fundamentado nos princípios do construtivismo, enfatiza
que a aprendizagem deve ser significativa para o aluno, valoriza o trabalho colaborativo,
colocando neste rol professores e alunos construindo artefatos. Uma particularidade do
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construcionismo é a importância dada às construções individuais do sujeito que podem
ser partilhadas e externalizadas (PAPERT, 2008).
Para aderirmos ao uso das tecnologias na educação, precisamos estudos teóricos
que fundamentem a mudança de prática, incluindo a formação de professores. “[...]
contribuírem de forma eficiente com um trabalho que integre a questão da
aprendizagem, enquanto promotora de desenvolvimento cognitivo dos alunos com os
instrumentos tecnológicos como o computador e a internet. (FREITAS, 2009, p. 9).
O professor é responsável para criar um ambiente que estimule o pensar, numa
perpectiva que desafie o estudante a aprender e construir conhecimento individual ou
em parceria com os colegas, o que promove o desenvolvimento da auto-estima, do
senso crítico, criatividade, entre outro. E a utilização das ferramentas tecnológicas pode
diminuir a distância entre o mundo tecnológico e a escola (ALMEIDA, 2003).
Segundo Perrenoud (2000, p. 128):
Formar para as novas tecnologias é formar o julgamento, o senso
crítico, o pensamento dedutivo, as faculdades de observação e de
pesquisa, a imaginação, a capacidade de memorizar e classificar, a
leitura e a análise de textos e de imagens, a representação em rede,
de procedimentos e de estratégias de comunicação.
Nesses pressupostos para estarmos hábeis a incluir as tecnologias no ambiente
educativo não basta equipar as escolas com computadores, internet, data show, é
essencial que os professores se integrem criticamente no processo de informatização,
entendendo as mudanças que as tecnologias podem propiciar a sua prática pedagógica,
enfatizando a coerência que deve existir entre a prática pedagógica e a base teórica,
favorecendo mais segurança nos procedimentos e estratégias utilizadas nas situações
didáticas. Possibilitando a criatividade, o raciocínio lógico, as habilidades de resolver
problemas, a leitura, a interpretação de diferentes textos e imagens.
Na presente pesquisa, queríamos confrontar os teóricos, situações de
aprendizagens aplicadas pela professora de Matemática e os relatos dos educandos, no
sentido de mostrar a funcionalidade das tecnologias como facilitadoras de aprendizagem
na referida disciplina.
O paradigma da inovação pedagógica
Como estar na era contemporânea, no entanto, atrelados ao passado, às
concepções arcaicas e obsoletas? Precisamos de uma educação escolar que proporcione
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uma aprendizagem que liberte preparando os indivíduos para o mundo do trabalho e
para vida. É nessa concepção que Fino afirma que: “o kit de sobrevivência requer novas
habilidades obrigatórias, como autonomia, criatividade, pensamento crítico, capacidade
de absorver a mudança, lidar com o inesperado, aprender de forma permanente” (FINO,
2011, p.104).
Segundo Piaget (1975, p. 351):
[...] o conhecimento não pode ser uma cópia, visto que é sempre um
relacionamento entre o objeto e o sujeito [...] o objeto só existe para o
conhecimento nas suas relações com o sujeito e, se o espírito avança
sempre e cada vez mais à conquista das coisas, é porque organiza a
experiência de um modo cada vez mais ativo, em vez de imitar de fora
uma realidade toda feita: o objeto não é um dado, mas o resultado de
uma construção.
Segundo esta concepção, o conhecimento acontece na interação sujeito x objeto,
não como uma imposição considerando um mais importante do que o outro, mas por
meio da interação de ambos tendo como base os esquemas mentais já existentes.
Queremos destacar no texto as concepções de Vygotsky (2009), identificando
que existem dois níveis de desenvolvimento cognitivo que são: nível de
desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. O nível de
desenvolvimento real que pode ser entendido como as conquistas que estão
consolidadas na criança, aquelas funções ou capacidades que a mesma aprendeu e
domina. Enquanto que o nível de desenvolvimento potencial também se refere aquilo é
capaz de fazer, só mediante ajuda de outras pessoas mais experientes.
Destacamos a importância da mudança de prática com Freire, defensor da teoria
construtivista de Piaget, quando enfatiza que: “saber que ensinar não é transferir
conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua
construção” (FREIRE, 2009, p. 47). Salientamos que a teoria construtivista de Piaget
era centrada nos estudos das inteligências e não no estudo de como adviria o processo
de ensino e aprendizagem.
Dando continuidade às discussões sobre as teorias educacionais, em especial as
concepções de inovação pedagógica, Fino (2006), reflete que a primeira etapa de
qualquer processo de inovação terá de coincidir com uma tomada de consciência dos
constrangimentos existentes contra ela. Destacando que o invariante cultural, as
concepções conformistas do ensino tradicional deve ser o primeiro constrangimento a
ser desmontado. Inicialmente em cada um de nós. Assim depois dessa superação, o
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professor inovador estará apto a imaginar uma instituição (ou nenhuma instituição)
educativa diferente.
Corroborando com Fino (V Colóquio CIE-UMa), a inovação pedagógica não é
uma questão que pode ser colocada em termos estritamente quantitativos ou de mera
incorporação das tecnologias. Nesse entendimento a inovação não está diretamente
vinculada as TIC ou na ampliação dos equipamentos tecnológicos no ambiente escolar,
mas admitimos que a sua utilização pode tornar as atividades escolares mais atrativas e
dinâmicas, facilitando a aprendizagem de conteúdos abstratos que exigem um maior
desenvolvimento cognitivo.
A inovação pedagógica deve ser compreendida como transformação total das
concepções fabris, mesmo que essa transformação aconteça em espaços micros, nos
quais acontece um trabalho diferenciado que movimenta os/as educandos/as em
construção assessorados por educadores/as que se empenham em mediá-la. No Brasil
estamos conscientes que estão acontecendo inovações nos mais variados espaços:
escolas e organizações, graças às pesquisas etnográficas em educação, oportunizadas
pela Universidade da Madeira. A meta é: “o máximo de aprendizagem com o mínimo
de ensino” (PAPERT,2008).
Nesse contexto:
Inovar [...] não se trata de procurar soluções paliativas para uma
instituição (ou para o sistema educacional) a beira do declínio. Trata-
se de olhar para além dela, imaginando outra, deixando de se ter os
pés tolhidos pelas forças que conduzem inexoravelmente em direcção
ao passado (FINO, 2006, p.14).
Nessa concepção defendida pelo autor, a inovação constitui-se um
desprendimento das práticas tradicionais, pois não podemos fazer de conta que
inovamos buscando soluções para o momento, pois a inovação pedagógica representa
uma ruptura de natureza cultural. Destacando a superação das práticas tradicionais e a
abertura para culturas novas, é perder o medo se lançar em busca do novo, sem ficar
presos às velhas concepções.
Nesse contexto, Fino (2008), defende que a inovação pedagógica implica
mudanças qualitativas nas práticas pedagógicas e essas mudanças envolvem sempre um
posicionamento crítico, explícito ou implícito, face às mudanças pedagógicas
tradicionais. Portanto é certo que existem fatores que encorajam, fundamentam ou
suportam mudanças, mas a inovação, ainda que se possa apoiar nesses fatores, não é
neles que reside, ainda que possa ser encontrada na maneira como são utilizados.
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Metodologia da pesquisa
As metodologias de investigação qualitativas são as mais adequadas à
compreensão dos fenômenos que se desenvolvem no interior das escolas, e a etnografia,
numa perspectiva crítica, seria a mais adequada à sondagem das dinâmicas de natureza
social e cultural que as perpassam com o objetivo último de transformá-las (FINO,
2011).
Na investigação qualitativa o investigador encontra-se com os sujeitos, passando
mais tempo juntos no ambiente deles, na escola ou em outros locais frequentados por
eles. “Trata-se de locais onde os sujeitos se entregam às suas tarefas quotidianas, sendo
estes ambientes naturais, por excelência, o objeto de estudo dos investigadores”
(BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 113). Enfatizamos que à medida que vamos
convivendo com os sujeitos a relação entre os membros tornam-se mais formal,
permitindo ao investigador após essa conquista e encorajamento dos sujeitos que eles
sintam-se mais a vontade para falar sobre suas experiências, fazer confidências, etc.
À luz do paradigma da complexidade, podemos crescer e aprender na (inter)ação
com os outros. Morin (2004, p.89) afirma que “ é preciso substituir um pensamento que
isola e separa por um pensamento que distingue e une”. Nesse contexto, é preciso,
também valorizar a pesquisa como ferramenta para ampliar o nosso conhecimento,
aprender a arte da intercomunicação, do conviver, do trocar experiências e romper com
a hierarquização das áreas do conhecimento humano.
Macedo (2010), afirma que “a pesquisa qualitativa necessita de usuários
igualmente qualificados para torná-la válida e reconhecida em sua utilidade individual
social e ecológica”. Destacando que não adianta fazermos pesquisa qualitativa sem
utilizarmos seus achados em prol de mudanças e transformações no ambiente
pesquisado.
A abordagem qualitativa quebra a hegemonia das formas tradicionais de se
praticar pesquisa. Não mais buscando dar explicações fora do contexto de vida dos seres
humanos, mas considerando a historicidade, as marcas que trazemos da nossa cultura, a
formação social da qual fazemos parte, os aspectos afetivos e ideológicos (SOUSA,
2000). Enfatizando que o investigador qualitativo deve ter “a consciência dos efeitos do
seu envolvimento na investigação. Não deve esquecer que pertence ao ambiente, que é
simultaneamente autor e parte do objeto estudado” (idem, p. 38).
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Nesse contexto, os autores Bogdan e Biklen (1994), relatam que conduzir uma
investigação qualitativa assemelha-se mais ao estabelecimento de uma amizade do que
um contrato. Destacando que os sujeitos têm uma relação dialógica com o pesquisador,
podem dar sugestões e tomar decisões constantes relativamente a sua participação.
A pesquisa foi aplicada na turma do 9 ano A, na qual a professora trabalhou
com sequências didáticas por um período de 2 meses, no primeiro momento foi aplicada
uma avaliação diagnóstica com conteúdos já estudados nas séries do Ensino
Fundamental; selecionados os conteúdos que os educandos apresentavam dificuldades,
foram elaboradas sequências didáticas em forma de oficinas utilizando as tecnologias
disponíveis na escola: usamos os computadores para construir tabelas e gráficos da
própria pesquisa realizada pela professora sobre as tecnologias; realizamos uma
pesquisa de campo em grupos em 4 lojas de eletrodomésticos da cidade, pesquisa de
preços à vista e a prazo: TV 22 polegadas, ventilador Arno de 30 cm, ferro elétrico
comum Arno, Geladeira de 410 litros Consul, fogão de 4 bocas Consul, Sanduicheira
Mundial simples, liquidificador Wallita, gela água Esmaltec, máquina de lavar de 10 kg
Brastemp. Concluída esta etapa as equipes organizaram seu material e com a
calculadora do celular terminaram o percentual de aumento dos produtos nas compras a
prazo. Utilizamos o Geogebra para revisar uns conteúdos da geometria; utilizamos o
celular na produção de vídeos; pesquisa na internet sobre a importância das TIC; Os
computadores na preparação dos slides para culminância-apresentação dos resultados da
pesquisa.
Locus e sujeitos da pesquisa
Os sujeitos da pesquisa foram os educandos do 9 ano A, do Ensino Fundamental
anos finais especificamente na disciplina Matemática, do Colégio Municipal Dom
Mota, no município de Nazaré da Mata-Pernambuco. A escola supracitada atende 240
alunos e oferece as seguintes modalidades de ensino: Ensino Fundamental (anos iniciais
e finais) e Educação de Jovens e Adultos (EJA). A instituição é composta pelos os
seguintes profissionais: 12 professores de Ensino Fundamental, 3 merendeiras, 3
funcionários de serviços gerais, 2 porteiro, 2 vigilantes, 1 diretora, 1 secretária, 3
supervisoras pedagógicas. A escola possui um amplo espaço físico, com biblioteca,
refeitório, laboratório de informática, com 14 salas de aula, auditório, 1 secretaria, etc.
O construcionismo como proposta de inovação pedagógica
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Análise da entrevista com os educandos do 9 ano A
As questões da entrevista foram direcionadas pelos objetivos da pesquisa,
destacando o objetivo geral: investigar se o uso das tecnologias numa conceção
construcionista promovem inovação pedagógica, as perguntas foram específicas para
atingir esse fim. Sabemos que os estudantes tinham acesso aos diversos recursos
tecnológicos, porém informalmente, para a utilização de jogos, vídeos, filmes, etc.,
salientando que o olhar do pesquisador era diferente, ou seja, abordar as TIC como
facilitadora de aprendizagem da Matemática, tendo os mesmos como autores principais
no binômio (ensino-aprendizagem). Destacando que estes estudantes estavam
concluindo o Ensini Fuandamental de 9 anos, deveriam ter um desenvolvimento
cognitivo/armazenado conceitos básicos, principalmente na geometria e álgebra.
Questão: Você considera importante o uso das tecnologias na escola? Porquê?
Quadro 1 - Importância do uso das tecnologias na escola
Pesquisando Resposta
A Sim, porque facilita a fazer os trabalhos, pesquisas, etc.
B Sim, além da tecnologia ser rápida facilita muitas coisas.
C Sim, seria muito bom mais fácil para ajudar os professores tirar
nossas dúvidas e aprendermos melhor sobre os assuntos.
D Sim, as tecnologias hoje em dia estão em todo lugar, seria bom
que os alunos si integrasse mais com isso.
E Sim, porque despertaria interesse nos alunos eles iriam aprender
mais rápido.
F Sim, os alunos se esforçam mais para aprender.
G Sim, porque a tecnologia avançada ajuda na aprendizagem.
H Sim, porque nós aprendíamos muito mais.
I Sim, porque com a tecnologia nós podemos aprender melhor.
J Sim, porque assim mais facilidade dos alunos se
interessarem mais pelos estudos.
Fonte: Elaboração dos autores (2021).
Averiguando as respostas apresentadas mostram que os educandos reconhecem
que o uso das TIC melhorou o ensino-aprendizagem da matemática, porque despertou o
interesse, a compreensão, o entendimento de conceitos abstratos, entre outros.
Abordamos os conteúdos do eixo Geometria. Ressaltamos que utilizamos vários
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instrumentos tecnológicos, tais como: computadores, celulares, Datashow, vídeos, tele
aulas, calculadoras, TV, materiais diversos. Porém sabemos que as TIC, são
consideradas inovação pedagógica quando utilizadas numa concepção construcionista,
ou seja, para potencializar o ensino - aprendizagem, nesse novo cenário, o professor
utilizando-as para aumentar o seu poder de ensinar, o educando utilizando-as como
ferramentas de aprendizagem. Corroborando com essa prática, Papert (2008) afirma que
diante do paradigma construcionista, o aprendiz possui grande autonomia e o professor
assume o papel mais periférico, servindo de assistente, recurso, guia, agente
metacognitivo, muito mais do que um transmissor de informações.
Questão: Você já teve acesso a várias mídias no seu cotidiano, acha que a
utilização delas no ambiente de sala de aula, melhora o entendimento nos conteúdos
matemáticos? Por quê ?
Quadro 2 - A utilização de mídias na sala de aula e a compreensão dos
conteúdos matemáticos
Pesquisando Resposta
A Sim, porque nos ajudam entender melhor, a calcular melhor.
B Sim, porque dessa forma aumentaria a aprendizagem e traria isso
para nossa vida atual.
C Sim, porque ajuda os vídeos aula e muitos outros, facilitaria muito
nossa aprendizagem.
D Sim, pois si os alunos se interessassem da pra aprender muitos
outros conteúdos matemáticos através das mídias.
E Sim, ficaria mais fácil entender os conteúdos matemáticos.
F Sim, melhorariam mas nem todos focariam em aprender por esse
método.
G Sim, porque teremos mais para avançar.
H Sim, nós aprendemos mais com as mídias na aula.
I Sim, porque com essas utilizações podia facilitar mais para a gente
aprender.
J Sim, porque isso ajudaria a despertar o interesse dos alunos nas
aulas.
Fonte: Elaboração dos autores (2021).
As respostas dadas, nas quais eles afirmam que o uso das TIC melhorou o
entendimento deles nos conteúdos matemáticos e citaram: ajudam a entender melhor,
desperta o interesse, ajuda a calcular melhor, etc. Portanto está confirmado que as
tecnologias numa perspectiva construcionista facilitam a compreensão dos educandos
na disciplina matemática. Na visão construcionista, “o ensino seja reduzido ao máximo,
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ao mesmo tempo em que se pretende maximizar as possibilidades de aprendizagem,
mediante a criação dos tais nutrientes cognitivos” (GOUVEIA, 2016, p. 39).
Destacamos que essa abordagem visa desenvolver a autonomia dos educandos
assumindo o papel de protagonistas do processo de ensino-aprendizagem, enquanto o
professor fica no papel periférico, mas ressaltando que não é de mero transmissor.
Questão: A metodologia que a professora de Matemática é um facilitador da
aprendizagem?
Quadro 3 - Metodologia utilizada pela professora de Matemática enquanto facilitador
da aprendizagem dos estudantes
Pesquisando Resposta
A Sim, porque ensina a medir, a formar coisas.
B Sim, porque além dela trabalhar com a tecnologia que facilita a
nossa aprendizagem.
C Sim, porque aprendemos fazendo é mais fácil aprender.
D Sim, porque aprendemos além do que a professora quer passar.
E Sim, porque a forma que ela trabalha, entendo facilmente.
F Sim, porque os alunos se interessam muito.
G Sim, porque dessa forma aprendemos mais rápida a matemática.
H Sim.
I É bom, porque com essas oficinas a gente aprendeu muitas
coisas que não sabíamos.
J Sim, porque ela nos ajuda o quanto pode.
Fonte: Elaboração dos autores (2021).
As respostas dadas pelos educandos, evidenciam que a professora tem uma
metodologia de trabalho que contribui para aprendizagem significativa da Matemática.
Destacamos que tecnologias não apenas as que utilizam mídias, existem recursos
simples que também são vistos como técnicas. Jonassen (2000) reflete que devemos
utilizar as ferramentas cognitivas e que as mesmas representam uma abordagem
construtivista da utilização de computadores, ou qualquer outra tecnologia, ambiente ou
atividade, que estimule os educandos na reflexão, manipulação e representação sobre o
que sabem, ao invés de reproduzir o que alguém lhe repassa sem entendimento da ação.
Questão: A Abordagem do ensino da Matemática, através de jogos, oficinas, maquetes,
softwares, planilhas facilita a aprendizagem?
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Quadro 4 - Abordagem do ensino da Matemática, através de jogos, oficinas, maquetes,
softwares e planilhas
Pesquisando Resposta
A Sim, porque é uma maneira mais prática de aprender.
B Sim, porque aprendemos a matemática de outra forma e mais prática.
C Sim, porque essa oficina ela é bastante divertida e aprendemos
brincando.
D Sim, porque acabamos interagindo mais.
E Sim, porque é mais fácil aprender na prática do que na teoria.
F Sim, pois construindo as nossas próprias questões, o que fica e legal.
G Sim, porque dá mais vontade de aprender a matemática dessa forma.
H Sim, porque através de jogos fica mais fácil.
I Sim, com essas oficinas que aconteceu tinha gente que não sabia de
nada, mas depois a maioria aprendeu bastante.
J Sim, torna as aulas mais práticas e divertidas.
Fonte: Elaboração dos autores (2021).
Analisando as respostas dadas pelos educandos, confirmamos que a
aprendizagem tornou-se mais significativa quando colocamos os aprendizes como
construtores ativos no processo de ensino-aprendizagem. Ressaltamos a utilização da
tecnologia no ensino da matemática numa perspectiva construcionista, assim
corroborando da ideia defendida por Papert, como premissa para o uso do computador,
afirmando que o mesmo pode contribuir para o desenvolvimento dos processos mentais,
não somente como instrumento, mas essencialmente, de maneira conceptual,
influenciando o pensamento. Isto porque são portadores de inúmeras ideias e de
sementes de mudança cultural, que podem ajudar na formação de novas relações com o
conhecimento, de maneira a atravessar as tradicionais barreiras que separam a ciência
dos seres humanos e os conhecimentos que cada indivíduo tem de si mesmo (PAPERT,
1986).
Quadro 5 - Situações cotidianas sobre a funcionalidade da Matemática
Pesquisando
Resposta
A Jogos, contar dinheiro, olhando a hora, nas formas.
B No ambiente quando vemos as formas, na ida a uma loja,
supermercado etc.
C Nos mercados, nas horas, troco, numa receita.
D Precisamos muito da matemática porque utilizamos em tudo.
E Nos mercados quando vamos comprar algo, nos relógios.
F Em quase tudo, em um troco, contando, subtraindo etc.
G Na hora, nas medidas, nos preços e várias outras coisas.
H Vejo a matemática em tudo quanto chego.
I A matemática é tudo pra a gente, porque em tudo a gente faz tem
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envolver a matemática.
J A matemática é sempre utilizada no nosso dia a dia na sala de aula, no
supermercado, etc.
Fonte: Elaboração dos autores (2021).
Averiguando as respostas dadas pelos educandos, eles conhecem a função de
matemática e a reconhece nos diversos locais, como citaram: supermercado, nas horas,
na mercado, receitas domésticas, entre outros. Esta perspectiva da aprendizagem está
vinculada a sua funcionalidade, Coll (2002) acrescenta, quanto mais complexas e
numerosas forem as conexões estabelecidas entre o novo material de aprendizagem e os
elementos presentes na estrutura cognitiva, quanto mais profunda for a sua
assimilação, em suma, quanto maior for o grau de significância da aprendizagem
realizada, tanto maior será também a sua funcionalidade (p.128).
Considerações finais
Constatamos que o paradigma fabril não conseguiu atender as exigências da era
da informação e da comunicação. Essa prática mantinha o ensino instrucionista, no qual
o aprendiz reproduzia as informações sem questionar, intervir, agindo de forma passiva
e acrítica. Enquanto que o construtivismo se contrapõe aos paradigmas conservadores,
partindo do pressuposto que o conhecimento é construído na interação do sujeito com o
objeto de forma dialógica e participativa.
Defendemos a utilização das tecnologias não como mudança no ambiente
escolar, nem de instrumentos tecnológicos, mas como mudança do paradigma
instrucionista e adesão ao construcionismo, numa concepção mais ampla que o
construtivismo que proporciona aprender conteúdos que antes eram considerados
difíceis, hoje de forma dinâmica e prazerosa.
Confirmamos com Papert (2008) o ensino tradicional codifica dando as
informações que acha que os cidadãos precisam, enquanto que o construcionismo parte
da suposição de que as crianças devem buscar os conhecimentos específicos que
precisam. Nessa concepção, como educador devemos parar de dar o peixe, e sim ensinar
os/as educandos/as a pescarem.
Ressaltamos que a inovação é uma mudança individual do educador, que está
consciente da importância da mesma para a sustentabilidade da escola, portanto, a
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inovação possibilita aos educandos superarem a consciência ingênua e aderirem a
consciência crítica que os colocarão como corresponsáveis na construção de uma
sociedade menos excludente e mais voltada para o desenvolvimento humano. Cientes
que aprendemos a todo o momento e nos diversos ambientes, por isso, a escola precisa
estar atenta a essas mudanças, para não perder a sua funcionalidade.
Ressaltamos como resultados positivos as mudanças no comportamento dos
educandos, passaram a apreender os conteúdos de forma significativa e prazerosa,
tornaram-se autônomos, críticos, questionadores, despertaram o senso de
responsabilidade no processo de aprendizagem, afirmando perceberem a função social
da Matemática.
A inovação pedagógica representa uma mudança qualitativa nas práticas
pedagógicas, que acontecerá em primeiro lugar, internamente em cada educador, nas
suas concepções, no seu modo de pensar e agir, uma ruptura paradigmática. Essas
transformações proporcionarão ao mesmo tornar-se mediador na construção de
conhecimento estruturado, com autonomia, com criticidade, preparando o aprendiz para
atuar no mundo como protagonista (FINO, 2008).
Retomando os objetivos da pesquisa: o objetivo geral que era investigar se o uso
das tecnologias numa conceção construcionista promovem inovação pedagógica na
disciplina Matemática no 9 ano A do Colégio Municipal Dom Mota, podemos afirmar
que foi alcançado, porque na presente pesquisa, queríamos confrontar os teóricos,
situações de aprendizagens aplicadas pela professora de Matemática e os relatos dos
educandos, no sentido de mostrar a funcionalidade das tecnologias como facilitadoras
de aprendizagem na referida disciplina e isso é uma das principais característica da
inovação pedagógica.
Com relação aos objetivos, 1. identificar se os professores do Colégio
Municipal Dom Mota utilizam as TIC nas aulas de Matemática, concluímos que não, a
maioria dos professores não utilizavam as TIC, por diversos motivos, uns não sabiam,
outros não consideravam importante a sua utilização na sala de aula; 2. analisar se as
TIC são utilizadas na concepção instrucionista ou construcionistas, a pesquisa mostrou
que são utilizadas nas duas concepções, porque muitos professores não conhecem a
teoria construcionista, utilizavam as TIC para realizavam de pesquisas, jogos, etc.; 3.
analisar se a utilização das TIC facilitam a compreensão dos conteúdos formais da
Matemática, o estudo comprovou que sim, pois conceitos abordados em outras séries e
que não tínham sido apreendidos pelos estudantes, foram construídos sem dificuldades.
O construcionismo como proposta de inovação pedagógica
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Enviado em: 22/02/2021.
Aceito em: 23/03/2021.
Publicado em: 10/06/2021.
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Os avanços e a disseminação do uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) descortinam novas perspectivas para a educação a distância com suporte em ambientes digitais de aprendizagem acessados via internet. Considerando-se que a distância geográfica e o uso de múltiplas mídias são características inerentes à educação a distância, mas não suficientes para definirem a concepção educacional, discute-se a educação a distância (EaD) não como uma solução paliativa para atender alunos situados distantes geograficamente das instituições educacionais nem apenas como a simples transposição de conteúdos e métodos de ensino presencial para outros meios e com suporte em distintas tecnologias. Os programas de EaD podem ter o nível de diálogo priorizado ou não segundo a concepção epistemológica, tecnologias de suporte e respectiva abordagem pedagógica. Este artigo pretende discutir as abordagens usuais da educação a distância, destacando o uso das TIC para o desenvolvimento de um processo educacional interativo que propicia a produção de conhecimento individual e grupal em processos colaborativos favorecidos pelo uso de ambientes digitais e interativos de aprendizagem, os quais permitem romper com as distâncias espaço-temporais e viabilizam a recursividade, múltiplas interferências, conexões e trajetórias, não se restringindo à disseminação de informações e tarefas inteiramente definidas a priori.
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A experiência vivenciada com professores universitários preocupados em buscar paradigmas inovadores para suas práticas pedagógicas levou a desenvolver uma pesquisa-ação. Esta investigação contemplou uma reflexão individual e coletiva dos docentes. Seu objetivo era oferecer subsídios metodológicos para que ultrapassassem o paradigma cartesiano que vinha caracterizando suas ações docentes conservadoras. Com o intuito de superar a reprodução do conhecimento, desencadeou-se um processo de posicionamento crítico sobre a docência. As leituras, as discussões e os posicionamentos levaram a construir a caracterização de um paradigma inovador na sala de aula. O paradigma denominado como emergente foi proposto como uma aliança entre uma abordagem progressista com uma visão holística e o ensino com pesquisa. Embora apresentadas separadamente, os professores tiveram a clareza que elas se interconectam e que tinham como pressupostos essenciais a visão do todo e a transformação da realidade. Palavras-chave: prática pedagógica; formação de docente; paradigma emergente; metodologias inovadoras; produção do conhecimento; docência universitária. Abstract The experience acquired with higher educators concerned with the search of innovative paradigms for their pedagogical practices assisted the development of a research-action. This investigation contemplated both an individual and a collective reflection by the teachers. Its objective was to offer a methodological assistance in surpassing the Cartesian paradigm that has been characterizing their conservative teaching actions. With the aim of overcoming the knowledge reproduction, a process of critical positioning about teaching was unchained. The readings, discussions and positions conducted in building up the characterization of an innovative paradigm for the classroom. The paradigm entitled as emergent was proposed as an alliance among a progressive approach with a holistic view and the teaching with research. Although separately presented, the teachers had the clarity that they were interconnected and had, as essential assumptions, the whole view and the reality transformation. Keywords: pedagogical practice; teacher formation; emergent paradigm; innovative methodologies; knowledge production; university teaching.
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2000) 10 Novas Competências para Ensinar, Artmed. Competências Competências mais específicas a trabalhar em formação contínua 1. Organizar e dirigir situa-ções de aprendizagem i. Conhecer, para determinada disciplina, os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objectivos de aprendizagem. ii. Trabalhar a partir das representações dos alunos. iii. Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos à aprendizagem. iv. Construir e planear dispositivos e sequências didácticas. v. Envolver os alunos em actividades de pesquisa, em projectos de conhecimento 2. Administrar a progressão das aprendizagens i. Conceber e administrar situações-problema ajustadas ao nível e às possibilidades dos alunos. ii. Adquirir uma visão longitudinal dos objectivos do ensino. iii. Estabelecer laços com as teorias subjacentes às actividades de aprendizagem. iv. Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem, de acordo com uma abordagem formativa. v. Fazer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão. 3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação i. Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma. ii. Abrir, ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto. iii. Fornecer apoio integrado, trabalhar com alunos portadores de grandes dificuldades. iv. Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mútuo. 4. Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu traba-lho i. Suscitar o desejo de aprender, explicitar a relação com o saber, o sentido do trabalho escolar e desenvolver na criança a capacidade de auto-avaliação. ii. Instituir um conselho de alunos e negociar com eles diversos tipos de regras e de contratos. iii. Oferecer actividades opcionais de formação, à la carte. iv. Favorecer a definição de um projecto pessoal do aluno. 5. Trabalhar em equipa i. Elaborar um projecto em equipe, representações comuns. ii. Dirigir um grupo de trabalho, conduzir reuniões. iii. Formar e renovar uma equipe pedagógica. iv. Enfrentar e analisar em conjunto situações complexas, práticas e problemas profissionais. v. Administrar crises ou conflitos interpessoais.
Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos
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BOGDAN, R. BIKLEN, S. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto Editora, LDA. (1994).
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Inovação e invariante cultural
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Um novo paradigma (para a escola) precisa-se". Funchal: FORUMajornal do grupo de Estados Clássicos da Universidade da Madeira
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