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Vamos te levar no ponto mais alto daqui”: conhecendo ações da terapia ocupacional com crianças

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Este ensaio fotográfico propõe pensarmos as práticas com as crianças nos mais diversos territórios, em diálogos constantes com suas realidades e contextos. Descrição da imagem: é trazida uma imagem de duas crianças numa comunidade urbana e a interlocução com a terapeuta ocupacional, em que mostram seus espaços de significado e de sentidos, em meio ao território, e nos fazem repensar, juntamente com as demais imagens ao longo do texto, as ações territoriais e práticas com crianças a partir e em diálogo com suas realidades e a produção das imagens por elas como apropriação do espaço.
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Rev. Interinst. Bras. Ter. Ocup., 4(5), 475-483, 2021. DOI: 10.47222/2526-3544.rbto44499
Interinstitutional Brazilian Journal of Occupational Therapy
Pastore, M. D. (2021). “Vamos te levar no ponto mais alto daqui”: conhecendo ações da
Terapia Ocupacional com crianças. Rev. Interinst. Bras. Ter. Ocup., 4(5), 475-483. DOI:
10.47222/2526-3544.rbto44499
“VAMOS TE LEVAR NO PONTO MAIS ALTO DAQUI”:
CONHECENDO AÇÕES DA TERAPIA OCUPACIONAL COM
CRIANÇAS
"We'll take you to the highest point here": knowing occupational
therapy actions with children
"Te llevaremos al punto más alto aquí": conocer las acciones de
terapia ocupacional con los niños y niñas
Marina Di Napoli Pastore
https://orcid.org/0000-0002-5924-8719
Instituto Superior de Ciências de Saúde,
Maputo, Moçambique
Imagem de capa
Abstract
Objective: this photo essay proposes to think about the practices with children in the most
diverse territories, in constant dialogues with their realities and contexts. Image description:
An image of two children in an urban community is brought and the dialogue with the
occupational therapist, in which they show their spaces of meaning and meanings in the middle
of the territory and make us rethink, together with the other images throughout the text, the
territorial and practical actions with children from and in dialogue with their realities and the
production of images by them as appropriation of space.
Keywords: Children. Photography. Occupational Therapy
Resumen
Objetivo: este ensayo fotográfico propone pensar las prácticas con los niños en los más diversos
territorios, en diálogos constantes con sus realidades y contextos. Descripción de la imagen: se
trae una imagen de dos niños en una comunidad urbana y el diálogo con el terapeuta ocupacional,
en el que muestran sus espacios de significado y significados en medio del territorio y nos hacen
repensar, junto con las otras imágenes a lo largo del texto, las acciones territoriales y prácticas
con los niños desde y en diálogo con sus realidades y la producción de imágenes por ellos como
apropiación del espacio.
Palabras clave: Niños y niñas. Fotografía. Terapia Ocupacional
Resumo
Objetivo: Este ensaio fotográfico propõe pensarmos as práticas com as crianças nos mais diversos
territórios, em diálogos constantes com suas realidades e contextos. Descrição da imagem: é
trazida uma imagem de duas crianças numa comunidade urbana e a interlocução com a terapeuta
ocupacional, em que mostram seus espaços de significado e de sentidos, em meio ao território, e
nos fazem repensar, juntamente com as demais imagens ao longo do texto, as ações territoriais e
práticas com crianças a partir e em diálogo com suas realidades e a produção das imagens por
elas como apropriação do espaço.
Palavras-chave: Crianças. Fotografia. Terapia Ocupacional
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1. Introdução: uma breve apresentação
Ao longo dos anos de pesquisas e práticas com crianças em Moçambique, aprendi que era preciso eu me
apaixonar pelas situações vividas para elas ganharem vida e, assim, virarem narrativas. Produzir essas
narrativas e relatos teórico-metodológicos, pelos quais me apaixonei, aprendi e produzi, fizeram-me
compreender a importância de ganharem vida e de serem, também, um ato político: há muita vivência,
potência, criatividade, transformação e possibilidades que o das crianças, em relações, e que nós,
terapeutas ocupacionais, devemos atravessar. Há fronteiras e limitações colocadas na universidade, nas
instituições e nas teorias existentes que é preciso ultrapassar para, então, (re)construir conhecimentos
e memórias, dos quais as crianças também fazem parte (Barros, 2004; Pastore, 2020).
A imagem representada na capa deste dossiê narra uma vivência significativa com crianças, ao Sul de
Moçambique, que reverberam na modulação de uma escrita que permite valorizar crianças e infâncias,
em suas reflexões e narrativas, dentro de seus diversos contextos, bem como englobar as ações, saberes
e práticas de todo um contexto, em que as crianças estão inseridas.
Foi na vivência com as crianças e seus familiares, em comunidades urbanas e rurais, ao Sul de
Moçambique, que compreendi a vida para além textos e teorias; foi, a partir das diversas experiências,
que compreendi e acessei outras linguagens; foi, nas trocas culturais, que me vi e entendi diferente; foi,
vivendo, que aprendi a sonhar. Estar conectado com práticas e demandas reais possibilitam que nós,
terapeutas ocupacionais, possamos agir, através de encontros possíveis, pela presença, pelos vínculos,
por um fazer sensível da prática, de um olhar para o outro e com o outro, nas diferenças, semelhanças
e ambiguidades, nos quais as potências se fazem presentes.
Essa imagem encontra este dossiê numa tentativa de uma linguagem de um horizonte que, embora
utópico, existe, resiste, insiste. No outro, pelo outro. Na vida. Em práticas, ações e saberes, que busquem
formas não estigmatizantes de atuar e que produzam conhecimento, práticas e novos dilemas, reflexões
e transformações de mundos possíveis.
2. A construção da imagem e a fotografia como atividade significativa com as crianças
Os estudos atuais sobre as infâncias se atentam em dois principais pontos: a voz e a participação das
crianças em seus processos, principalmente nas pesquisas que se debruçam a trabalhar com/sobre/para
crianças e atualidades (Punch, 2019). Ao buscar compreender aquilo que as crianças fazem e suas ações,
tem se lidado com as mais diversas situações e pluralidades, numa contextualização de suas realidades.
Mas, ao pensar sobre o dar voz às crianças, o que dizemos com isso? Será que fazemos isso em nossas
práticas?
Ao buscar essas respostas, a fotografia aparece como recurso metodológico de vinculação e de produção
de dados pelas crianças. Através de seus olhares, ações e modos de compreender seus contextos e suas
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atividades, em seus mais diversos espaços e relações, as crianças percorreram diferentes cenários e
paisagens, mostrando as sutilezas e inteligências presentes em seus cotidianos, valorizando a pluralidade
de vozes e modos de elocução possíveis.
Figura 1 Na machamba
Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora. Foto tirada por Felix, 2018
Ao pensar a produção do material fotográfico, Guran (2000) elenca dois tipos: as fotografias para
descobrir e entender e as fotografias para contar. Por fotografia para descobrir, Guran conceitua a
fotografia durante o momento de observação, no qual o pesquisador está se familiarizando ao estudo,
ao objeto e à cultura; a fotografia para contar diz do momento que o pesquisador compreende sua
pesquisa, sua produção e a análise fotográfica passa a ser as reflexões, a partir das evidências que a
foto pode apontar. De igual modo, o autor ressalta que “o mais importante na utilização da fotografia, a
meu ver, é que ela pode ser ao mesmo tempo o ponto de partida e o resultado final (Guran, 2000, p.
136).
Para Pinheiro (2000), a fotografia pode ser entendida como uma possibilidade privilegiada de:
confluência entre arte e ciência, entre arte e antropologia, não só porque desde seu nascimento
traz em si, impregnada, esta vocação, mas porque, portadora de uma carga intensa de
ambiguidades e subjetividade, gera inúmeras possibilidades de leituras, de diálogo, de troca. (p.
130)
Fazendo coabitar domínios da razão e da emoção, colocando em evidência o papel da arte no fazer
sensível.
As crianças, ao fotografarem seus espaços e nos permitirem conhecer os lugares pelos seus olhares,
observações e inquietações, abrem uma relação de pertencimento e, ao mesmo tempo, de
horizontalidade, junto ao terapeuta ocupacional, num caminho que pode construir “uma ideia de mundo,
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ou de objeto de pesquisa, constitui um olhar que interpreta e que conta a sua história, a sua cultura, a
sua emoção” (Pastore, 2020, p. 236).
Figura 2: Ocupando as ruas, brincando
Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora. Foto tirada por Januar, 2017.
Para Barthes, “a fotografia é uma evidência intensificada, carregada, como se caracterizasse não a figura
do que ela representa (e é exatamente o contrário), mas sua própria existência” (Barthes, 1984, p. 169).
Ao pensarmos as ações com crianças e a criação de outras formas de validar o seu processo, a fotografia
pode formalizar a entrada em diferentes realidades de mundos, em suas diferentes singularidades, que
só podem ser acessadas pelos terapeutas ocupacionais através das crianças, numa troca de saberes e
de papéis, em diálogos culturais e sociais.
As fotografias permitiram “tecer redes de significados, modos de compreensão e estilos, a fim de
apreender o plausível e os possíveis das situações humanas” (Barros & Mariano, 2019, p. 10), permitindo
uma abertura para outras possibilidades criativas, das quais as crianças foram as principais produtoras:
em contexto, na relação com os adultos, com os ambientes, com os materiais, com histórias, com a
espiritualidade, com as diversas formas de existir e de estar.
Trabalhar com crianças em espaços das comunidades é compreender que formações culturais e
significativas dos seus cotidianos, que só são vividos nas experiências e que, a partir das fotos por elas
produzidas, podem ser trazidas para a cena acadêmica como dados a serem analisados, bem como os
ambientes e suas múltiplas formas. Abre-se, portanto, um caleidoscópio de espaços dentro do próprio
território: os espaços do brincar, os escolares, os que as crianças acessam, os que são destinados
aos adultos, os religiosos, os comunitários... Cada um deles possui sua importância, com suas dinâmicas
cotidianas presentes em cena, em perspectivas outras, nas quais as demonstrações dos fenômenos
sociais, junto ao processo de fotografar, permitem a coexistência das estruturas sociais junto aos
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territórios, não excluindo a voz, ou o olhar e o clique das crianças nas fotografias (Morris, 2004; James,
2007; Punch, 2019).
As fotografias, compreendidas como ação e produto das crianças sobre o território, permitem outras
leituras de realidades, de aproximações e de fazer junto. Há uma sensibilidade no uso da foto, enquanto
método sensorial, que permite uma ampliação de sentidos que, numa aproximação com a discussão da
arte, pode “encapsular formas de existir e estar no mundo e permitir a ‘imaginação de um novo mundo
em que se possa habitar em suas múltiplas corporificações’” (Matebeni, 2017 apud Barros & Mariano,
2019, p. 3).
Figura 3: Atividades pelas ruas
Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora. Foto tirada por Basílio, 2018.
Salgado & ller (2015, p. 11) compreendem que “a interpretação dos dados é influenciada pelas
reflexões do pesquisador durante todo o processo de pesquisa, mas também pelas crianças e a forma
como refletem sobre as experiências que tiveram e como foram compartilhadas”. Se as possibilidades
de leitura das infâncias e dos dados são, ou deveriam ser, diversas, a partir do modo como se relacionam
também com as crianças e seus territórios, por que não exploramos a ideia das artes nos nossos
processos?
Aproximar esta metodologia de pesquisa e de ação prática junto às crianças possibilita uma
transformação de paisagens e de si mesmas, a partir de um acúmulo histórico e geográfico, que
transforma e é transformado a partir das vivências e, assim, criando imagens. As ações da terapia
ocupacional com crianças em territórios permitem, também, ampliar os saberes e trocas possíveis.
3.Saberes em paisagem: repensando práticas com crianças na Terapia Ocupacional
O trabalho com as fotos permite uma ampliação de visão e noções de mundos outros, existentes e reais,
da qual o resultado busca a ser um trabalho de epistemologia e de história das representações das
crianças e de seus fazeres, que foi levantado durante a pesquisa (Luginhuhl, 1997). As fotografias trazem
em si todo um sistema de representações, que está ligado às origens e contemporaneidades, difundidas
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junto a corpos sociais e daquele tempo, abertas ao diálogo e novas representações, que nos convidam
a pensar outros recortes e imagens, retratos e paisagens para se repensar as infâncias, as crianças, os
estudos, práticas e teorias.
As paisagens e imagens, ou paisagens enquanto imagens, se confrontam com a vida cotidiana, e
trazem a realidade material da natureza das populações. Nos textos escritos e descritivos, entre
a imagem e a paisagem, há uma ocultação dos atores, que são moldados ambos de acordo com
aspirações, interesses ou fantasias dos pesquisadores. Para Luginhuhl (1997, p. 22), a relação
entre paisagem e imagem tem também um poder “heurístico inegável: as imagens constituem
assim uma leitura do social, desde que a natureza e a paisagem tenham um significado
deliberadamente aberto” das sociedades a que se propõem estudar (Pastore, 2020, p. 241).
Se compreendermos que os saberes não são adquiridos, mas são gerados em relação e na experiência,
podemos pensar que as várias competências surgem dentro de processos diversificados e distintos que
envolvem as crianças e seu desenvolvimento, em relações e relacionamentos, a partir da vivência e
experiência, continuamente transformados e regenerados nos contextos em que estão inseridas e com
os quais se relacionam.
Os diferentes ambientes proporcionam às crianças capacidades e raciocínios diversos e distintos para
lidar com as situações. Personificar os espaços é um dos modos que as crianças criam de estabelecer
uma relação com aquilo que os ambientes e paisagens ofertam, com as dimensões materiais, emocionais,
simbólicas e humanas ou não-humanas, a partir de uma abertura ao outro e ao desconhecido, abrindo
espaço para questionamentos que envolvem as ações e intervenções contextualizadas, em território,
promovendo participação e reconhecimento dos locais aos quais as crianças se encontram, seja na área
urbana ou na rural.
Figura 4: Fazer tapete construção coletiva
Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora. Foto tirada por Gina, 2014
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Aoki et al. (2006) apontam para um diálogo, a partir e através de espaços abertos e existentes nos
espaços partilhados, que possibilita as percepções e vivências das crianças de acordo com suas
realidades. Quando as crianças estão em seus territórios ou mesmo explorando outros, em espaços
abertos e da natureza, outras vivências e experiências são possíveis, como a relação com o medo e
noções de risco e perigo. Axline (1981, p. 54) aponta que “quando a liberdade de iniciativas se abre para
um indivíduo, sua escolha recai sobre as atividades em que se sente mais seguro”.
Pensar processos terapêuticos em ambientes e paisagens é ampliar o debate sobre atividades que
passam a estar inseridas nas realidades das crianças e em diálogo com o território e os contextos em
que elas estão, numa relação com a natureza, trilhando um caminho que parta de e para um
desenvolvimento para a vida coletiva, tanto em ações que proporcionem experiências significativas e
positivas, quanto as que podem apresentar riscos e tensões que envolvem não apenas as vivências a
partir das experiências, como a vida e as contradições existentes (Pastore, 2020).
Em práticas que consigamos juntar a arte feita pelas crianças, como as fotografias, em território, abrimos
caminhos para experiências e vivências construídas também com outras perspectivas, envolvendo
noções e conceitos de ética, arte, cidadania, sensibilidade e natureza, numa diversificação de atividades
e de espaços. Relacionar a criatividade das crianças com seus territórios é estar mais próximos das
dinâmicas estabelecidas com aquilo que permeia o dia a dia e realidade das crianças, com trocas afetivas
e coletivas guiadas também pelas crianças.
Apesar dos processos crescentes da urbanização, a pluralidade de significados e experiências se torna
aberta e, assim, contínua, em ações territoriais, na qual a terapia ocupacional “inscreve sua ação
mediadora e criativa, e reedifica a noção mesma de atividade e o lugar de um campo de saber que vai
além de um espaço profissional, nas disputas corporativas” (Galvani et al., 2016, p. 867).
Atuar com crianças nos territórios é também estar em espaços em que a ambiguidade e as contradições
estão presentes e que possam ser pensadas pelos terapeutas ocupacionais, numa possibilidade também
de reformulação do setting terapêutico em setting social, a partir da estrutura do macro, com questões
políticas e sociais, mas também do micro, em que os interesses das crianças encontram formas criativas
de lidar com as situações do dia a dia, e de trazer significado para si.
Referências
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Contribuição da autora: Elaboração, coleta de dados, formatação, análise dos dados, revisão do texto,
fotografia
Recebido em: 18/06/2021
Aceito em: 21/08/2021
Publicado em: 09/11/2021
Editor(a): Beatriz Prado Pereira
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Thesis
Full-text available
Based on the understanding of children as sociocultural beings and active agents in the productions of the world around them, this study aims productions of the world around them, the present work aims to understand the play and the relationships that precede, mediate and succeed them, as a meaningful activity of children and possibility of transformations and rereading of possible worlds, from three Mozambican communities located in the south of the country. The longitudinal fieldwork carried out from 2014 to 2018 covered three main data collection periods: six months during 2014, 2017 and 2018 in the communities of Mabotine (urban area of the capital of Maputo ), Matola A (peri-urban area of the city of Matola) and Nhandlovo (rural area in the city of Massinga, Inhambane), with children aged 3 years to 17 years. The places where the ethnographic research happened permeated the places where the children were, especially those in the community, such as the streets, the backyards, the “secret” spaces, the river, the houses, the schools, among others considered significant for them. With the ethnography, other methods have also been employed in seeking a greater understanding of play: photography, drawing, video, unstructured interviews, semi-structured interviews, and informal conversations. From the data collected and analyzed, four main points were worked on: the idea of being a child from the perspective of children and adults themselves; the playing and construction of toys from discarding material; play and the relationship with nature and landscapes; images of play and the use of photography. The aspect is brought, analyzed and discussed in chapters that follow the present thesis, considering its relationship with occupational therapy, its practices and theories. The results point to a kaleidoscope of diversity and language used by children in play, understood as a way of being in the world and from their spatiotemporal relations. Finally, questions are raised about the potentialities of future development in African and childhood studies, pointing to the coexistence of childhood and child pluriverses, as well as possible research methods.
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O processo de entrecruzamento de perspectivas e análises de duas pesquisadoras é o foco da discussão deste texto. Nele são discutidas as inquietações e questionamentos diante de solicitações experimentadas durante o trabalho etnográfico caracterizado pela longa duração tanto entre os Dogon (no Mali) como entre os Tsonga (no sul de Moçambique). Nas experiências aqui retrabalhadas são indicadas nuances de apreensão de experiências ligadas à loucura, à incapacidade reprodutiva, à migração e a um conjunto de dinâmicas de saberes endógenos em situações de crise e sofrimento individual e social. Na análise, as autoras atentam para o movimento do imaginário e da criatividade, assumindo, de modo complementar, uma releitura reflexiva como maneira de cumprir travessias epistemológicas para o entendimento de questões densas de sentido e de ambiguidades que emergiram em estudos de campo. Tornou-se relevante para ambas as pesquisadoras o recurso a estratégias sensíveis para acesso ao mundo imaginal – desenho, fotografia e construção fílmica –, inscrevendo produções expressivas na interpretação antropológica como possibilidades interculturais no contexto do trabalho etnográfico. As referências culturais e epistêmicas geram percepções contrastantes, por vezes ininteligíveis, demandando recurso a linguagens não lineares no que concerne a noções ligadas aos domínios do não visível e a formas de elaboração da mobilidade em meio às sombras lançadas nas construções intersubjetivas.
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Este artigo parte do contexto sul-africano para repensar a produção de conhecimento sobre relações de gênero e sexualidade. Lidando com a violência brutal e o assassinato de mulheres lésbicas blacks em particular, sigo as maneiras como aquilo que venho chamando de “virada queer” contribuiu simultaneamente com o avanço e a invisibilização de determinadas lutas. Com base na experiência do movimento #RhodesMustFall e algumas produções artísticas e culturais, argumento pela reimaginação queer não apenas em relação a identidades de gênero ou sexuais, mas também como uma forma de desestabilizar noções de pertencimento articuladas pelo racista e heteronormativo projeto neocolonial.
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Ethnographic exercises are discussed - as proposed by the Metuia Project/ USP between 2007 and 2013 - as an activity able to enhance the recognition of the compound, plural and sometimes contradictory knowledge, but produced creatively in the intellectual and social do, in the interaction among students, occupational therapists, researchers and homeless people. It starts from the need to develop an understanding of the significant activities of artists working in the public spaces in São Paulo, as it persists as a plurality of meanings that the street acquires amid disputes of interests and cultural tensions, but also interconnections and creativity. The itinerant life and social areas’ characteristics, combined with reflections of urban anthropology and ethnographic research favored the theoretical and practical teaching in dialogic territorial shares of social occupational therapy. This article is the result of reflections built from the research Circuits and religious practices in life trajectories of adult homeless people in city of São Paulo, associated with university extension project linked to Metuia Project/USP, called Point meeting and culture: social networks, culture and social occupational therapy. In conclusion, on the one hand, there is need for renewed reflection about the occupational therapist’s place, considering the asymmetries of the relations in the construction of knowledge. On the other hand, it indicates that the produced activities, necessarily, in dialogical relations, only share meanings when inserted into the experience of the difference in consistent proposals with its own plasticity and in the middle of specific social and cultural contexts.
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Resumo O artigo busca conexões entre os estudos clássicos das Ciências Sociais, sobretudo da Antropologia, e estudos contemporâneos da infância como possibilidades de investigação da agência das crianças. Ao encontro do quadro teórico, apresenta a Etnografia Sensorial (MITCHELL, 2011; PINK, 2009), como possibilidade de construção de novos meios metodológicos e tecnológicos para captar formas de expressividade das crianças. O artigo apresenta um exemplo de uma investigação que previu formas de participação alternativas das crianças, envolvendo fotografias, sons e vídeos. Este tipo de abordagem é extensiva a outras crianças, que não somente às participantes deste estudo, também consideradas como agentes. Palavras-chave: Agência. Infância. Etnografias Sensoriais. Metodologia. Abstract The article seeks connections between the Social Sciences classical studies, particularly Anthropology, and contemporary Childhood Studies as a possibility of research on children's agency. Meeting the theoretical framework, the article suggests the Sensory Ethnography (MITCHELL, 2011; PINK, 2009), as a way of building new methodological and technological means to capture children's forms of expression. The article presents an example that incorporate alternative forms of children's participation, involving production of photographs, sounds and videos. This approach is extended to other children, not only the participants of this study, who are also considered as agents.
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Trata-se de relato sobre desenvolvimento de grupo de atividades ludicas com criancas (entre 5 e 14 anos) realizado no espaco de uma rua, em bairro periferico do municipio de Sao Paulo. O grupo foi coordenado por equipe (um terapeuta ocupacional e dois estudantes de terapia ocupacional) vinculada a projeto docente assistencial da universidade e unidade basica de saude entre abril de 2004 e julho de 2005. A partir de registros de atividades assistenciais e discussoes coletivas entre equipe e profissionais do projeto recuperou-se a trajetoria da experiencia. A equipe se deslocava para a rua e durante duas horas realizava atividades ludicas, jogos e conversas. A compreensao da dinâmica das criancas na rua e a promocao de convivencia pautada em experiencias de aprendizagem e solidariedade foram eixos norteadores dos encontros grupais. No contato com as criancas na rua observaram-se embates na utilizacao do espaco publico e demandas individuais. Foram percebidas relacoes interpessoais conflituosas entre criancas, que exigiam mediacao dos adultos e a necessidade de contato com pais. Foram entrevistadas 10 familias (com total de 17 criancas participantes) para conhecer a constituicao familiar, o rendimento das criancas na escola, as atividades que realizavam no tempo livre, as brincadeiras preferidas e atividades de lazer da familia. Houve significativa adesao e reconhecimento positivo da experiencia por parte das criancas e a equipe pode compreender a complexidade das condicoes vividas pelas criancas da area de abrangencia de uma unidade de saude, fomentando discussao sobre a criacao de outras alternativas assistenciais no servico e sobre direitos.
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It is a social occupational therapy theoric analysis by two perspectives. The first one understands illness as a social and individual, medical and existential phenomenon with several meanings. This perspective is also a critical way to see - that was created since the 80s of the XX century - the dichotomies between individual-society, men-nature, men-culture. These dichotomies make us think the individual totally discontinued, out of the society and out of the environment. It seems like outstanding parts or parts linked in a mechanic way to the whole. The second part discusses the necessity to think the way to Occupational Therapy become able to be a conflict mediator an also to be a place of cultural negociation.
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Originally published. in France in 1980 (and translated. into English in 1984), Michel de Certeau's The Practice of Everyday Life has assumed. the status of an ur-text for many cultural studies academics and students. In particular, his chapter on ‘Walking in the City' is often cited. as a blueprint for understanding key terms in the cultural studies repertoire such as ‘power' and ‘resistance'. This article revisits ‘Walking in the City' in order to supplement some of the established. understandings of his work circulating in the field of cultural studies, as well as the intersecting fields of cultural geography and urban studies. The paper begins by suggesting ways in which established. understandings of Certeau's work might be usefully rethought and extended. through a consideration of differentiated. instances of walking. Critiquing the account of body-subject relations posited. by Certeau through reference to the writings of Marcel Mauss on techniques of the body and self, the author calls, in particular, for a greater consideration of the role of assemblages and affect in understanding everyday urban practices. By the conclusion of the article, the author arrives at a more nuanced. understanding of the feedback loop between the body-subject and the city, and suggests ways in which Certeau's writing on walking remains productive for those strains of cultural studies interested. in the practices of an increasingly virtualized. urban space.
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In this article, I explore the lessons that the anthropological debates of the 1980s about writing culture might have for contemporary childhood research within anthropology and the social sciences more generally. I argue that the current rhetoric about “giving voice to children,” commonplace both inside and outside the academy, poses a threat to the future of childhood research because it masks a number of important conceptual and epistemological problems. In particular, these relate to questions of representation, issues of authenticity, the diversity of children's experiences, and children's participation in research, all of which need to be addressed by anthropologists in their own research practices with children. Unless anthropologists do so, childhood research risks becoming marginalized once more and will fail to provide an arena within which children are seen as social actors who can provide a unique perspective on the social world about matters that concern them as children.
Dibs: em busca de si mesmo
  • V M Axline
Axline, V. M. (1973). Dibs: em busca de si mesmo. Tradução: Célia Soares Linhares. 3. ed. Rio de Janeiro: Agir. "VAMOS TE LEVAR NO PONTO MAIS ALTO DAQUI" 482