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Plano operativo de prevenção e combate aos incêndios florestais da Rede Amolar

Authors:
Plano operativo de prevenção
e combate aos incêndios
florestais da Rede Amolar
2021
Este é um documento de ordem prático-operacional, para gestão de recursos
humanos, materiais e de apoio para a tomada de decisão no desenvolvimento
de ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
Ele tem como propósito definir, objetivamente, estratégias e medidas eficientes
aplicáveis, anualmente, que minimizem o risco de ocorrência de incêndios
florestais e seus impactos em uma área definida.
O documento está alinhado ao Decreto Nº 15.654, de 15 de abril de 2021.
Corumbá, Mato Grosso do Sul
Setembro de 2021
Versão 1
ELABORAÇÃO
COLABORADORES
EQUIPE TÉCNICA
Angélica Guerra - Instituto Homem Pantaneiro (IHP)
Fábio de Oliveira Roque - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
(UFMS)
Letícia Larcher - Instituto Homem Pantaneiro (IHP)
Ângelo Pacceli Cipriano Rabelo - Instituto Homem Pantaneiro (IHP)
Tiago Shizen Pacheco Toma - Rede Pantanal de Pesquisa/PPBio
Liana Oighenstein Anderson - Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de
Desastres Naturais (Cemaden)
Ana Larissa Freitas - Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de
Desastres Naturais (Cemaden)
João dos Reis - Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres
Naturais (Cemaden)
Renata Libonati - Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA)
Alexandre de Matos Martins Pereira - PrevFogo - IBAMA
André Nunes - Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal (INPP)
Bruno Agueda Ovelha - Brigada Alto Pantanal
Geraldo Wilson Fernandes - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Geraldo Alves Damasceno-Junior - Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul (UFMS)
Danilo Bandini Ribeiro - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
(UFMS)
Renato Roscoe - Instituto Taquari Vivo
APRESENTAÇÃO...................................................................................................01
Complementaridade de sistemas de alertas associados a medidas de
prevenção e combate de incêndio na Rede Amolar......................................17
4.1 Sistema de Previsão Sazonal de Alerta de Probabilidade de fogo.............................19
4.2 Sistema Alarmes: Alerta de área queimada com monitoramento estimado por
satélite...............................................................................................................................22
4.3 Tomadas de decisão baseadas na integração de sistemas de alarmes e alertas........23
Combate ao incêndio.....................................................................................34
7.1 Acionamento................................................................................................................37
7.2 Organização de infraestrutura de apoio ao combate ................................................37
7.3 Apoio Aéreo.................................................................................................................38
7.4 Desmobilização...........................................................................................................39
PRÓXIMOS PASSOS PERSPECTIVAS PARA APRIMORAR O
PLANO.....................................................................................................................40
Caracterização da área..................................................................................02
1.1 Localização da área e acesso.....................................................................................03
1.2 Situação fundiária.......................................................................................................04
1.3 Clima...........................................................................................................................05
1.4 Flora e Fauna.............................................................................................................05
1.5 Uso do solo..................................................................................................................08
1.6 População...................................................................................................................09
01
Histórico da ocorrência de incêndios............................................................10
02
03
04
Áreas prioritárias para prevenção e combate................................................25
05
SUMÁRIO
REFERÊNCIAS........................................................................................................42
Infraestrutura da Rede Amolar.....................................................................14
3.1 Pontos de apoio..........................................................................................................15
3.2 Pistas de pouso...........................................................................................................15
3.3 Meios de comunicação...............................................................................................15
3.4 Acessos........................................................................................................................15
Atividades de Prevenção...............................................................................30
6.1 Estabelecimento de parceria.......................................................................................31
6.2 Campanha educativas.................................................................................................31
6.3 Apoio as atividades de queima controlada.................................................................32
6.4 Sistema de vigilância...................................................................................................32
6.5 Confecção de aceiros e supressão de combustível......................................................33
6.6 Janela de planejamento...............................................................................................33
06
07
Este documento foi elaborado com base nos passos preconizados pelo Roteiro
Metodológico do PrevFogo (2009). O documento está organizado em sete
componentes complementares: 1. Caracterização da área, 2. Histórico da
ocorrência de incêndios, 3. Infraestrutura da Rede Amolar, 4.
Complementaridade de sistemas de alertas associados a medidas de prevenção
e combate de incêndio na Rede Amolar, 5. Áreas prioritárias para prevenção e
combate, 6. Atividades de prevenção, e 7. Combate ao incêndio.
Os componentes 1-5 foram elaborados pela equipe do Instituto Homem
Pantaneiro em colaboração com as redes de pesquisa Rede Pantanal (MCTI) e
PELD Pantanal (CNPq), particularmente pesquisadores da Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), Laboratórios de Satélites Ambientais da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (LASA-UFRJ) e Centro Nacional de Monitoramento e
Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). As etapas 6 e 7 foram elaboradas
com participação de membros do Prevfogo, Bombeiros e ICMBio, e contou
com reuniões com pesquisadores que atuam na região para validação das
propostas. Este Plano deve ser atualizado anualmente, utilizando-se workshops
para fazer atualizações incluindo as perspectivas do que foi positivo e
identificação das limitações. Ele deve ser visto como um documento apenas
orientador das atividades de prevenção e combate.
APRESENTAÇÃO
01
Caracterização da área
01
1.1 Localização da área e acesso
A Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (RPCSA ou Rede do
Amolar) surge a partir da parceria entre IHP, Instituto Acaia Pantanal, Fazenda
Santa Tereza, Fundação Ecotrópica e Parque Nacional do Pantanal Mato-
grossense/Instituto Chico Medes e Policia Militar Ambiental, como uma
parceria entre organizações proprietárias de terras destinadas a ações
conservacionistas e sócio educativas ao longo do eixo do Rio Paraguai, nos
estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Com uma área de 276.000
hectares, sendo que 201.000 hectares legalmente protegidos, a Rede do Amolar
engloba áreas classificadas pelo Ministério do Meio Ambiente como áreas
prioritárias para a conservação da biodiversidade e sua importância é
classificada como “extremamente alta”. No Pantanal, Rede do Amolar, sob
gestão do IHP, representa hoje, a principal instituição de conservação, criando
articulações incorporadas à conservação, de forma a maximizar os meios e
otimizar os recursos financeiros, técnicos e logísticos em prol da conservação
do Pantanal. Além de parceiro membro, o IHP atua como gestor da RPCSA e
como articulador político-institucional junto aos poderes municipal, estadual e
federal.
A Rede Amolar está localizada no complexo de Áreas Protegidas, formado
pelo Parque Nacional do Pantanal e pelas Reservas Acurizal, Penha, Dorochê,
Rumo Oeste, Eliezer Batista e pelas fazendas Santa Teresa, Jatobazinho, Vale
do Paraíso, São Gonçalo, Santa Rosa, Morro Alegre e Sítio Serra Negra
(Figura 1). Essas áreas representam uma excelente e ímpar estratégia de
conservação por englobar em uma região uma elevada quantidade de
biodiversidade, diversidade cultural e paisagens conectadas do Pantanal.
03
04
Figura 1. Localização da Rede Amolar.
A região é formada pela planície pantaneira e a Serra do Amolar (979 metros de
altitude) na divisa dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, junto à
fronteira com a Bolívia, e compõem um dos maiores patrimônios de diversidade
biológica do Brasil. A Serra fica a 180 km do município de Corumbá, e o acesso
é realizado somente com avião (40 minutos) ou barco ( 5:30 horas)
1.2 Situação Fundiária
Essas áreas foram transformadas em RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio
Natural) por meio de Portaria Federal do IBAMA, formando, juntamente com o
Parque Nacional, o Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal, distinguido
pela UNESCO com o título de Sítio do Patrimônio Natural Mundial e Área
Núcleo da Reserva da Biosfera.
A descrição dos responsáveis por cada área estão descritos na Figura 1.
1.3 Clima
O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é descrito
homogeneamente como tropical de savana (AW), em alguns pontos chegando
no limite entre úmido e semi-árido (PCBAP, 1997). É marcado por verões
muito quentes e úmidos, com chuvas abundantes entre outubro e março. Isso
ocorre devido ao fato de que nessa época a planície do Pantanal é uma das
áreas mais quentes da América do Sul, e por esse motivo, forma um núcleo de
baixa pressão que atrai os ventos úmidos, conhecidos como os alísios do
nordeste. A chegada destes ventos predetermina as fortes chuvas que caem. As
temperaturas máximas podem chegar a 40 °C e as médias mensais ficam em
torno de 27 °C.
O inverno é seco, com média de 21°C. O trimestre mais seco ocorre nos meses
de junho a agosto, sendo que entre maio e junho a temperatura é sujeita a
baixas bruscas em respostas às frentes frias vindas da Antártida. A média das
temperaturas mínimas fica abaixo de 20 °C e as mínimas absolutas em 0 °C.
De acordo com o sistema de classificação de Köppen, apresenta clima do tipo
Aw, ou seja, tropical megatérmico (temperatura média do mês mais frio é
superior a 18º C), com inverno seco e verão chuvoso, com média anual de
precipitação de 1.070 mm (Soriano, 1997).
05
1.4 Flora e Fauna
A região merece destaque por apresentar uma fauna e flora de beleza
exuberante e um cenário paisagístico único (Figura 2). As águas do Pantanal
formam extensas áreas inundadas utilizadas como abrigo, sítio de alimentação
e berçário de muitos animais, como peixes, aves, ariranhas e jacarés (ANA,
2005; Resende, 2008). Os diferentes tipos vegetacionais (Damasceno-Junior et
al., in press) e a elevada produtividade propiciam altas densidades de animais
por quilômetro quadrado (Junk et al., 2006), fenômeno raro em outros
ecossistemas.
06
Os principais tipos de vegetação na região são principalmente savânicos como:
Campos inundáveis com formações monodominantes de Oryza ssp., Leersia
hexandra, Hymenachne amplexicaulis, entremeados com áreas que passam a
maior parte do ano cobertas com vegetação exclusivamente aquática como
Victoria amazonica, Eichhornia spp., Pontederia rotundifolia e Paspalum
repens. Merecem destaque também as áreas ao redor das grandes baias onde se
formam os baceiros que são formações flutuantes com histossolo formado
principalmente por Cyperus blepharoleptos dentre outras espécies (Bertazzoni
& Damasceno-Junior 2011; Aoki et al. 2017). Nas ocasiões de seca do
Pantanal esse conjunto de ambientes se torna bastante inflamável por conta da
grande quantidade de biomassa que essas espécies podem acumular.
As florestas estacionais semideciduais aluviais também são importantes na
região e formam extensos cordōes de vegetação que marcam o curso do rio
Paraguai e sua extensa rede de pequenos canais secundários. São formações
com resistência variável ao fogo, sobretudo as áreas que permanecem menos
tempo inundadas (ver Arruda et al. 2016).
Nos morros a vegetação predominante é também de savana onde se destacam
os cerrados rupestres que são decíduos com espécies de herbáceas que também
acumulam biomassa como Bulbostylis conifera, Axonopus spp. e Aristida
riparia. Alguns morros são cobertos por Floresta Estacional decidual que
também acumula bastante biomassa por ocasião da estação seca. Merecem
destaque ainda as extensas áreas de campo limpo e campo rupestre que cobrem
os topos de vários morros com espécies como Vellozia variabilis nas partes
mais altas. Esses campos acumulam bastante biomassa e são, provavelmente as
áreas mais inflamáveis da morraria.
07
Figura 2. Vista geral da Serra do Amolar, fronteira com a Bolívia. Fonte:
Instituto Homem Pantaneiro, 2008.
Ainda, pela proximidade geográfica com a Bolívia, a área também apresenta
influência das formações da ecorregião do Bosque Seco Chiquitano (Vides-
Almonacid et al., 2007; Pott & Pott, 2009). Mais informações sobre a
vegetação da região forma produzidas em cursos de campo realizados pela
UFMS ( ver Cunha et al. 2012, Catian et al. 2012, Aoki et al. 2017, Bao et al.
2017). Mesmo com essas novas informações a região ainda carece de mais
estudos sistematizados sobre a flora e a fauna (Pott et al. 1997; IHP 2011).
Contudo, a associação da riqueza de espécies e dos processos ecológicos entre
a planície pantaneira e a Serra do Amolar faz desta uma região estratégica para
a conservação do Pantanal, por formar um corredor biológico e geográfico
importante, inclusive no contexto de mudanças climáticas pois apresenta
variações altitudinais e latitudinais significativas (Fundação Ecotrópica, 2003).
1.5 Uso do solo
Segundo o MapBiomas (2019), a Rede Amolar apresenta 32,8% de sua área
como Campo Alagado e Área Pantanosa, 25,2% como Formação Florestal,
20,7% de Água (rios, lagoas, lagos), 17,7% de Formação Campestre, 2,9% de
Formação Savânica e apenas 0,7% de pastagem exótica (Figura 3).
08
Figura 3. Classes de uso do solo na Rede Amolar. Fonte: MapBiomas (2019).
09
1.6 População
Ao longo do entorno das áreas que compõem a Rede Amolar foram
identificados três grupos de moradores (populações ribeirinhas) que ali
habitam: Amolar, Chané/Bonfim e Barra do São Lourenço. Segundo dados do
censo do IBGE (2007) os moradores das localidades denominadas Vila
Amolar, Chané e Canal do Bonfim fazem parte do Distrito do Amolar. O
distrito é dividido em três setores, sendo a definição de setor a menor área de
divulgação do IBGE. O setor 01 é o da vila do Amolar e que engloba
Chané/Bonfim. O setor 3 é a aldeia que compõem a terra indígena Guató, e o
setor 02 engloba o resto do distrito, inclusive o Quartel de Porto Índio (17°
Batalhão de Fronteira).
Histórico da ocorrência
de incêndios
02
Com base em dados fornecidos pelo LASA/UFRJ para o período de 2001-2020
e sintetizados nas figuras abaixo, a região da Rede Amolar é marcada por
ocorrência de fogo com regularidade quase anual, particularmente no período
de estiagem. O histórico de área queimada demonstra que os incêndios não são
homogeneamente distribuídos na região e se concentram na Serra do Amolar e
porção norte da Rede Amolar. O histórico de regime de fogo da região também
mostra que os incêndios de 2020 foram superiores às médias anuais dos
últimos 20 anos.
Os mapas a seguir sintetizam informações sobre o regime de fogo na região,
mas devem ser interpretados com um conjunto de informações básicas para a
caracterização da região (Figura 4). Especificamente a Figura 4a representa a
recorrência anual de 2001-2020, enquanto que a Figura 4b indica o número de
anos sem detecção de fogo desde 2001 e a Figura 4c sumariza informações
sobre o padrão de fogo na região, nomeadamente: área total da região, média
anual de AQ no período 2001-2020, AQ em 2020, Razão entre a AQ em 2020
e a média do período histórico, proporção da AQ em 2020 com baixa
recorrência (<2 anos no período 2001-2019) e proporção da AQ em 2020 que
nunca havia queimada desde 2001. O padrão da variabilidade interanual do
fogo durante a época seca (definida de junho a outubro) na região é
apresentado na Figura 5.
Para efeitos práticos de planejamento anual, entendemos que a equipe de
gestão deve regularmente acessar as bases de dados disponíveis no sistema de
monitoramento de queimadas do LASA: https://lasa.ufrj.br/alarmes
11
12
Figura 4. Histórico de área queimada (AQ) na Rede Amolar. a) Recorrência
anual de AQ no período de 2001 a 2020. b) Número de anos sem detecção de
fogo desde 2001. c) Estatísticas: área total da região, média anual de AQ no
período 2001-2020, AQ em 2020, Razão entre a AQ em 2020 e a média do
período histórico, proporção da AQ em 2020 com baixa recorrência (<2 anos
no período 2001-2019) e proporção da AQ em 2020 que nunca havia
queimada desde 2001.
13
Figura 5. Variabilidade interanual da área queimada (ha) na estação seca
(JJASO) na Rede Amolar, no período de 2001 a 2020. O acrônimo JJASO se
refere aos meses de junho, julho, agosto, setembro e outubro.
Infraestrutura da Rede Amolar
03
15
3.1 Pontos de Apoio
Para o combate aos incêndios, é fundamental que existam pontos de apoio por
todo o território, oferecendo aos brigadistas abrigo e alimentação.
Pincipalmente na área da Rede Amolar, por sua ampla extensão. A Brigada
Alto Pantanal conta com pontos de apoio na área da Rede e no seu entorno
(Figura 6).
3.2 Pistas de pouso
A Rede Amolar possui quatro pistas de pouso, uma na RPPN Engenheiro
Eliezer Batista (Porto São Pedro), uma na RPPN Acurizal, uma no sítio Serra
Negra e duas na Fazenda Santa Tereza (Escola Jatobazinho e Sede) (Figura 6).
3.3 Meios de comunicação
O meio de comunicação utilizado na Unidade para comunicação externa é
somente via Internet e rádios. A área possui seis antenas de internet (Figura 6).
3.4 Acessos
Além do acesso pelos rios e por terra, a Brigada Alto Pantanal construiu,
estrategicamente, acessos como trilhas, rotas e pontes que permitem a passagem
por áreas sem acesso anteriormente (Figura 6).
Mapas de pistas de pouso, acessos e pontos de apoio foram produzidos pela
equipe do IHP considerando informações do combate no ano de 2020,
juntamente com informações do corpo de bombeiro e mapeamento em campo
de trilhas realizado pela equipe do IHP.
16
Figura 6. Localização dos pontos de apoio, pistas de pouso, antenas de
internet e acesso da Rede Amolar.
Complementaridade de sistemas
de alertas associados a medidas
de prevenção e combate de
incêndio na Rede Amolar
04
18
Está sendo co-desenvolvido junto com a Rede Amolar, a utilização de um
sistema integrado de previsão de alertas e monitoramento de incêndios (Figura
7). Para medidas e organização de prevenção, a equipe consultará,
mensalmente, a previsão sazonal de alerta de probabilidade de fogo
(Cemaden). No contexto de monitoramento de queimadas em tempo quase
real, existe o Sistema Alarmes do LASA/UFRJ, onde também ficará disponível
a previsão de probabilidade do fogo do Cemaden.
Figura 7. Comparativo dos dois sistemas.
19
Vale destacar que o uso complementar das informações é uma estratégia
inovadora no Brasil e está sendo testada/desenvolvida como parte do projeto
Rede Pantanal de Pesquisa/PPBio
(MCTI/FINEP/UFMG/UFMS/Cemaden/ICMBio).
Durante os anos de 2021-2022, será desenvolvida uma proposta de
comunicação e tomada de decisão a partir dos dados gerados pelos sistemas,
alinhada às demandas locais e com participação das instituições e pessoas
interessadas.
4.1 Sistema de Previsão Sazonal de Alerta de Probabilidade de
fogo
Como parte deste Plano operativo será adotado o sistema de análise da
previsão da probabilidade da ocorrência de queimadas e incêndios, utilizando-
se uma análise integrada entre os fatores antrópicos, como o padrão do uso do
fogo acoplado a previsão para o trimestre de chuvas abaixo da média e
temperaturas acima da média, que podem transformar o uso controlado do
fogo em grandes incêndios. Esta previsão da probabilidade do fogo é
desenvolvida pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de
Desastres) e apresenta uma atualização mensal. No momento, os dados são
gerados no formato de cinco níveis de alertas para a probabilidade do fogo
para todas as áreas protegidas da América do Sul.
Apresenta-se aqui uma breve descrição das variáveis utilizadas para o cálculo
da previsão de probabilidade de fogo. A tendência temporal e o acumulado
trimestral de focos de calor é primeiramente calculado para cada período,
utilizando-se como linha de base o intervalo entre os anos de 2017 e 2020
visando capturar as dinâmicas atuais do uso do fogo localmente. Estes dados
são integrados com as condições climatológicas, definidas aqui como a
probabilidade da temperatura estar acima e a precipitação estar abaixo da
média climatológica para o período em questão.
20
O momento da estação seca para cada região e período também é agregado ao
modelo: a maior probabilidade de queimadas é atribuída aos locais identificados
como sendo no último mês da estação seca ou primeiro mês da estação chuvosa,
seguido por locais que estão no início da estação seca e, finalmente, baixa
probabilidade os locais que apresentam-se dentro do período da estação
chuvosa.
Os Alertas de previsão de probabilidade do fogo são classificados em cinco
categorias: Alerta Máximo, Alerta, Atenção, Observação e Baixa Probabilidade.
Estas categorias referem-se ao nível de probabilidade de ocorrência de eventos
de queimadas e incêndios florestais, de acordo com o número de variáveis
associadas ao aumento da probabilidade de queimadas. A descrição de cada
categoria é apresentada a seguir, sendo as cinco variáveis: (1) a análise da
tendência de focos de queimadas; (2) o acumulado de focos no período de
dezembro a fevereiro; previsões de (3) precipitação, e (4) temperatura; e (5) a
análise do pico e duração da estação seca.
Como exemplo, apresentamos na Figura 8 a previsão da probabilidade do fogo
para o trimestre Agosto-Setembro-Outubro de 2021. Esta previsão é realizada
para o período do trimestre, com atualizações mensais, visando fornecer
subsídios para o planejamento de medidas e ações de mitigação frente à
possibilidade da ocorrência de incêndios.
Outro dado de interesse para a estruturação de ações de planejamento frente à
ameaça de grandes incêndios florestais refere-se ao Índice Integrado de Seca,
previsão de chuvas e de níveis dos rios. Todos estes dados são disponibilizados
pelo Cemaden, e todo o início de mês é realizada uma apresentação pública dos
resultados (Reunião de Impactos), que em seguida são disponibilizados para a
sociedade (veja na próxima página como participar).
21
Figura 8. Previsão subsazonal de probabilidade de fogo em Áreas de Proteção.
Sugestão:
Os interessados em receber os dados públicos do Cemadem devem enviar
um email para fabiani.bender@cemaden.gov.br solicitando para ser
incluído na lista desta reunião. Assim, mensalmente será enviado um link
com a data e hora da reunião, em que os dados e produtos são
apresentados, podendo-se esclarecer dúvidas sobre os mesmos, e em
seguida o boletim com os dados apresentados é disponibilizado no
website institucional.
4.2 Sistema Alarmes: Alerta de área queimada com
monitoramento estimado por satélite
O LASA (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais) da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, no âmbito do Projeto Andura, financiado pelo
CNPQ-PREVFOGO, e em conjunto com o Instituto Dom Luiz da Universidade
de Lisboa, desenvolveu um protótipo que permite estimar em tempo quase-real
a área queimada. O Sistema ALARMES (Alerta de Área Queimada com
Monitoramento Estimado por Satélite) foi implementado inicialmente para
Portugal e é o primeiro deste tipo no Brasil. O ALARMES foi desenvolvido
para servir como ferramenta de alerta rápido e ágil sobre o avanço da extensão
da área afetada pelo fogo de forma a apoiar os órgãos ambientais nas ações de
combate ao fogo. O sistema combina imagens de satélites da NASA, focos de
calor e inteligência artificial para identificar novas áreas atingidas pelo fogo,
monitorando diariamente a localização e extensão das áreas queimadas,
permitindo, por exemplo, entender a velocidade de aumento dessas áreas
afetadas, o que pode auxiliar no planejamento do combate ao fogo.
Dentre as funcionalidades do sistema está disponível um recorte específico para
obtenção de dados de área queimada em tempo quase-real para a Rede Amolar.
Os dados podem ser acessados em: https://alarmes.lasa.ufrj.br
22
Figura 9. Captura de tela do site do Sitema Alarmes.
23
4.3 Tomadas de decisão baseadas na integração de sistemas de
alarmes e alertas
Para cada nível de alerta, é importante identificar as ações e atribuições de
responsabilidades de cada parte interessada na gestão do risco e probabilidade
do fogo para esta área de interesse. A integração entre os sistemas está sendo
desenvolvido em parceria com a Rede Pantanal de Pesquisa/PPBio (MCTI) e
deverá ser completamente desenhada para 2022. Na Figura 10 apresentamos
uma versão preliminar desenvolvida em 2021.
Vale ressaltar que, identificadas áreas com alertas em nível “Alerta Máximo” e
“Alerta”, é recomendada a articulação entre o Corpo de Bombeiros, o
PrevFogo, e o IHP, assim como a emissão de alertas à população. Recomenda-
se que estas instituições articulem-se de forma a estarem preparadas para
eventuais ações de combate, e que consultem o Sistema Alarmes
constantemente/com maior frequência .
24
Figura 10. Níveis de alerta e as ações que devem ser tomadas, com indicação
de responsáveis pela articulação nos níveis Alerta e Alerta máximo e do
coordenador da Brigada Alto Pantanal.
Áreas prioritárias para
prevenção e combate
05
26
Formação Florestal
Formação Savânica
Formação Campestre
Campo alagado e área pantanosa
Pastagem exótica
Água
Para o planejamento territorial visando prevenção e combate usamos
informações de três fontes complementares: mapas de combustível (Figura 11)
produzidos pela equipe do Prevfogo, mapa de acessos, pistas de pouso e
pontos de apoio (Figura 6, Capítulo "Infraestrutura da Rede Amolar"), e mapas
de áreas prioritárias para proteção e combate (Figura 12).
Os mapas de combustível foram elaborados com base no método do
Ibama/PREVFogo. Importante notar que os mapas de combustível devem ser
constantemente atualizados, pois as decisões sobre prevenção devem ser
pautadas em informações atualizadas da região. Portanto, neste documento o
mapa de março de 2021 deve ser visto apenas como um exemplo.
Para definição das áreas prioritárias para combate aos incêndios foram
considerados os tipos de uso do solo da região de acordo com o MapBiomas
2019:
27
Sistemas de Comunicação
Infraestrutura residencial
Infraestrutura de gestão
Áreas estáveis de floresta
Formação Florestal
Campo alagado e área pantanosa
Formação Savânica
Formação Campestre
Pastagem exótica
Água
Além disso, incluímos informações sobre "Áreas de floresta estáveis", que
representam as áreas com formação florestal no período de 2006-2016. A
distribuição e priorização de proteção dessas áreas é fundamental para o
manejo territorial integrado da região com vistas em negociações de créditos
de carbono.
Além das classes de uso do solo, foram mapeados os sistemas de comunicação
(como torres de internet e fiação), infraestrutura residencial e infraestrutura de
gestão.
Após este levantamento, pesquisadores e especialistas locais foram orientados
a responder um questionário atribuindo pesos (sendo 0 menos prioritário para
proteção contra incêndios e 10 mais prioritário para proteção contra incêndios)
aos diversos fatores levantados acima. Após obtermos as respostas dos
questionários, fizemos a média dos pesos atribuídos pelos pesquisadores para
cada fator, e ordenamos os fatores de acordo com a prioridade ao combate
(Figura 12):
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
28
Figura 11. Carga de combustível da região do Amolar.
29
Figura 12. Áreas prioritárias para proteção contra incêndios na região do Amolar.
Atividades de Prevenção
06
31
6.1 Estabelecimento de parceiras
Parcerias entre os diferentes atores e instituições devem ser estimuladas,
priorizando-se aquelas relativas à mitigação das que contribuem como ameaças
para ocorrer queimadas e incêndios florestais, principalmente as áreas de
gestão compartilhada (Hamilton et al. 2019).
6.2 Campanhas educativas - IHP
Em todas as incursões a campo, tem sido feita educação ambiental não formal
junto aos ribeirinhos, com a entrega de um panfleto com informações mínimas
sobre legislação, alternativas para utilização do fogo e indicativo de contato
para eventuais incêndios florestais. Uma outra forma de engajamento das
comunidades refere-se a participação em campanhas nacionais, como a do
Cemaden Educação #aprenderparaprevinir. A campanha para o ano de 2021
iniciou-se em Agosto e tem as inscrições abertas até o mês de Outubro. Para
conhecer mais sobre a campanha e como participar, visite o website:
http://educacao.cemaden.gov.br/aprenderparaprevenir2021
Este ano, as equipes das diferentes instituições e comunidades locais que
contribuíram para este plano pretendem participar da campanha como um
grupo coletivo, e o material coletado será utilizado como repositório para
outras atividades educativas na região.
A região da Rede Amolar também está sendo contemplada pelas campanhas de
prevenção de incêndios do Comitê do Fogo/MS
(https://www.comitedofogo.ms.gov.br):
De janeiro a abril de 2021 foram atendidos ribeirinhos das comunidades,
aproximadamente 70 pessoas: Domingos Ramos, California, Jatobazinho,
Paraguai Mirim, Amolar, Barra do São Lourenço.
32
6.3 Apoio às atividades de queima controlada
A atividade de queima controlada será feita pela Brigada Alto Pantanal, e
coordenada pelo PREVFogo, que possui resolução e regulamentação
adequadas para a tomada de decisão, avaliando as informações disponíveis no
planejamento territorial (i.e, mapa de carga, áreas prioritárias e nível de risco
de incêndios para cada caso).
6.4 Sistema de Vigilância e Comunicação
Atualmente, o sistema de vigilância na área depende de sistema de rádio e
internet, por isso os sistemas de comunicação e seus acessos têm alto grau de
prioridade.
Em 2020 uma rede de instituições e pessoas iniciaram diálogos e estratégias
sobre formas de melhorar os sistemas de vigilância e comunicação.
Atualmente, a comunicação visando combate tem se dado por redes de
whatsapp e contatos diretos entre moradores da região, ONGs, brigadas,
bombeiros e outros envolvidos. Importante destacar que as redes de pesquisa
atuantes no Pantanal em colaboração com vários atores locais estão iniciando
diálogos para, a partir de 2022, lançarem um sistema único de vigilância,
contemplando divulgações sobre alertas de risco e alertas de fogo de forma
efetiva, integrada, de fácil acesso, e com linguagem adequada.
33
6.5 Confecção de aceiros e supressão de combustível
A antecipação dos aceiros garante o acesso às áreas de combate direto,
proporcionando também uma rota de fuga para fauna, antevendo o impacto do
fogo na biodiversidade. Atualmente, os aceiros estão sendo feitos em trilhas
existentes, que também são utilizadas pela fauna.
Rota de acesso para áreas de combate direto, possibilitando o transporte de
insumos e equipamentos de combate, também estão sendo consideradas.
As atividades em 2021, tem aumentado a largura de trilhas existentes (de 1
para 4m), possibilitando o acesso de veículos (tabela em anexo).
6.6 Janela de Planejamento
Todas as atividades aqui descritas precisam ser avaliadas com uma janela de
tempo de planejamento, para que os preparativos estejam prontos quando
houver a necessidade de combate. No caso de 2021, as atividades estão sendo
realizadas desde janeiro/2021.
Combate ao incêndio
07
A prevenção é a primeira linha de defesa contra os incêndios florestais. Se a
ocorrência de incêndios em áreas florestadas ou reflorestadas pudesse ser
totalmente prevenida, todos os danos produzidos pelo fogo, além dos custos de
combate, seriam evitados. Afinal, um incêndio prevenido não precisa ser
combatido e não causa nenhum dano ao meio ambiente, à saúde humana e
também a economia. Entretanto, mesmo se adotando as melhores técnicas de
prevenção, alguns incêndios fatalmente ocorrerão, necessitando de uma rápida
e decidida ação de combate.
Antes, porém de se iniciar o combate propriamente dito, deve-se tomar
conhecimento da existência e localização do incêndio. Consequentemente, a
detecção ou descobrimento do fogo é o primeiro passo a ser dado no combate
ao incêndio. Na verdade, a operação de combate ou supressão de um incêndio
envolve seis etapas distintas, ilustradas na Figura 13.
Cada uma das etapas envolvidas no processo de combate a um incêndio pode
ser executada com maior velocidade e eficiência se existirem meios materiais
adequados, planejamento eficaz e pessoal treinado. O objetivo central de todos
os serviços de controle de incêndios é reduzir ao mínimo possível o intervalo
de tempo compreendido entre o início do fogo e sua total eliminação.
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36
Figura 13. Etapas de uma operação de combate ou supressão de um incêndio,
desde a detecção até o combate.
37
colaboradores e funcionários que residem na área da Rede Amolar
comunicam a sede do IHP sobre a presença ou vestígios de fogo;
a base do IHP consulta os sistemas online – LASA, Cemaden,
Firemap e BD Queimadas;
havendo a confirmação da ocorrência de focos, aciona o sistema de
combate, de acordo com o nível de alerta definido (Figura 10).
diariamente a equipe do IHP consulta os sistemas online citados
acima para verificar a presença de focos na área;
caso ocorram, o acionamento do sistema de combate, de acordo
com o nível de alerta definido (Figura 10).
7.1 Acionamento
Há duas formas de acionamento para combate:
1. Via colaborador in loco
2. Múltiplas fontes:
7.2 Organização de infraestrutura de apoio ao combate
A Brigada Alto Pantanal conta com equipamentos para combate ao fogo
distribuídos em diferentes locais da Rede Amolar (Tabela 1).
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Tabela 1. Relação de equipamentos para combate ao fogoda Brigada Alto Pantanal
Aeronaves: Ibama, Marinha, Força Aérea Brasileira (FAB), Polícia
Militar (PM-MS) e Exército Brasileiro;
Air Tractor: Corpo de Bombeiros e Serrana Aviação Agrícola.
7.3 Apoio aéreo
O apoio aéreo para combate aos incêndios da Rede Amolar compreendem:
A Marinha possui duas aeronaves esquilo no município de Ladário, local
mais próximo da Rede Amolar. O acionamento ocorre através de solicitação
de apoio pelo setor de operações do 6°DN.
Estas aeronaves são alugadas pelo Governo do estado e pelo ICMBio,
quando necessário.
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Componente de alerta – período de risco baixo,
Componente de campo resposta em solo sobre o andamento do
combate
7.4 Desmobilização
Deve ser levado em consideração dois componentes:
O PrevFogo tem a tomada de decisão seguindo a recomendação do grupo e
sala de controle, levando em consideração as questões climatológicas e de
combate.
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Cabe salientar que este é um documento com estratégias adaptativas, e deve
ser complementado, reavaliado e melhorado com informações que agreguem o
entendimento e identificação das diferentes variáveis que contribuem para as
vulnerabilidades locais, como as vulnerabilidades das diferentes comunidades,
frente às suas capacidade de lidar com a ameaça, o monitoramento, a
prevenção e o combate aos incêndios. Posto que a cada ano as equipes de
resposta, assim como o desenvolvimento científico e tecnológico avançam no
conhecimento e entendimento dos processos associados a este tipo de desastre,
recomendamos que o plano seja revisto durante o início de cada ano (antes do
período de estiagem), preferivelmente com membros de todas as equipes que
compõem os eixos necessários para que o plano seja efetivo: pesquisadores,
representantes de comunidades, brigadistas, órgãos locais e federais, e
comunicadores, etc.
Esta primeira aproximação apresenta tópicos que estão em fase de pesquisa e
desenvolvimento, como, por exemplo, a integração de sistemas de alertas e
sistemas de acionamento/comunicação de combate. O fortalecimento das redes
de pesquisa e envolvimento de instituições e moradores locais será
fundamental para que estas ferramentas sejam úteis para auxiliar o
planejamento e a tomada de decisão.
PRÓXIMOS PASSOS –
PERSPECTIVAS PARA
APRIMORAR O PLANO
41
Nesta primeira versão de setembro de 2021, alguns itens ainda não foram
profundamente desenvolvidos no contexto do manejo integrado de fogo. As
próximas versões devem conter mais informações sobre controle de
combustível e também custo-benefício de diferentes estratégias de manejo.
Esperamos que este documento possa servir como orientador de ações de
prevenção e combate aos incêndios nos próximos anos e componha uma
estratégia ampla, integrada e de longo prazo de manejo de fogo na Rede
Amolar, com vistas, não apenas em perspectives de mitigação de impactos,
mas também de adaptação a cenários de mudanças climáticas.
Além disso, o IHP, em parceria com o Cemaden e LASA, iniciará o projeto
"Mitigação dos efeitos dos incêndios de 2020 e prevenção contra novos
incêndios na Serra do Amolar, Pantanal", aprovado no Projeto GEF Terrestre
do FUNBIO. Este projeto prevê a restauração de 30ha da RPPN Engenheiro
Eliezer Batista. Portanto, a próxima versão do plano trará informações sobre
restauração ecológica na Rede Amolar.
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integrated management of the pantanal and the upper paraguay river basin final
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Article
Full-text available
Resumo. É apresentada uma breve revisão sobre aspectos fitogeográficos e dinâmicos da vegetação do Pantanal. Houve avanço no conhecimento nas últimas três décadas, mas ainda há muito a pesquisar. Quanto às espécies arbóreas, o maior contingente é o de ampla distribuição, seguido por Cerrado, Floresta Estacional, Chaco, Amazônia, Floresta Atlântica e Bacia Paraná-Paraguai, além de grupos combinados que não são exclusivamente de uma única província fitogeográfica. Espécies lenhosas parecem agrupar-se de acordo com sua fitogeografia, por exemplo, os conjuntos de Floresta Estacional/Amazônia, Amazônia, Amazônia/Floresta Atlântica e Chaco/Amazônia tendem a crescer em vegetação ripária e áreas inundáveis. Em terreno não inundável ocorrem árvores similares às do cerradão de solos melhores. Entender a dinâmica da vegetação é essencial para manejo e conservação da biodiversidade do Pantanal, condicionada por ciclos hidrológicos sazonais e plurianuais, e por fatores de manejo tais como pastejo e fogo, principalmente mudanças induzidas por causas antrópicas externas, por assoreamento. A fitogeografia interna do Pantanal ainda é pouco documentada. São necessárias pesquisas de longo prazo sobre a dinâmica e o manejo de plantas lenhosas e de campos naturais, em função de flutuações hidrológicas. A diversidade de vegetação do Pantanal é única e justifica a conservação. Abstract. Vegetation of the Pantanal wetland: phytogeography and dynamics. -A brief revision on phytogeographical and dynamical aspects of the Pantanal wetland vegetation is presented. Knowledge advanced during the last three decades, though there is plenty to study. For trees, the highest contingent has wide distribution, followed by Cerrado, Seasonal Dry Forest, Chaco, Amazon Forest, Atlantic Forest and Paraná-Paraguai Basin. Woody species seem to group themselves according to their phytogeography, e.g. the sets of Seasonal Dry Forest/Amazonia, Amazonia, Amazonia/Atlantic Forest, and Chaco/Amazônia tend to grow in riparian vegetation and floodable habitats. On flood free ground occur trees similar to those of mesotrophic Cerrado woodland. To understand vegetation dynamics is essential for management and conservation of biodiversity of the Pantanal, ruled by seasonal and pluriannual cycles, and by management factors such as grazing and fire, mainly changes induced by external anthropic causes, by silting. The internal phytogeography of the Pantanal is still little recorded. Long term research is needed upon dynamics and management of woody plants and natural grasslands under hydrological fluctuations. The vegetation diversity of the Pantanal is unique and justifies conservation.
Article
Full-text available
Studies on Neotropical aquatic macrophytes have increased in recent decades, however species richness in wetlands of South America is far from being fully known. In addition, studies having an ecological approach are scarce in the Pantanal. Rapid assessments are essential for gaining knowledge of the biodiversity in the region. This study was performed in five sites of the Baía do Castelo, the western border of the Brazilian Pantanal, which included wild-rice patches, floating mats and floating meadows. At each site, plots of 0.5 × 0.5 m were set (n = 137), species of aquatic macrophytes were identified, their coverage was measured and the plot depth was estimated. We recorded 57 species in 26 families, of which Poaceae was the richest. The most frequent and abundant species was Commelina schomburgkiana; the second most frequent was Oryza latifolia,followed by Leersia hexandra, Enydra radicans and Pityrogramma calomelanos. The latter species was second in cover, followed by Pontederia rotundifolia, Eichhornia azurea, E. crassipes and Enydra radicans. These five species and C. schomburgkiana (the most abundant) together represent more than half of the coverage on the lake. Pontederia rotundifolia, Ludwigia helminthorrhiza, Pistia stratiotes, E. azurea, E. crassipes, Enydra radicans and Panicum elephantipes were strongly associated with deeper areas, while Oryza latifolia, Leersia hexandra and Salvinia auriculata were prevalent in shallow areas. Pityrogramma calomelanos, Ludwigia nervosa, Ipomoea alba, Cayaponia podantha, Polygonum acuminatum, Rhynchanthera novemnervia and Ludwigia leptocarpa were highly correlated with floating meadows. The structure of the habitat, natural dynamics and zonation of aquatic vegetation in the Baía do Castelo seems to be influenced by a variation in water levels, which promotes spatial segregation, most likely due to competition and/habitat preference.
Article
Full-text available
The Pantanal of Mato Grosso, Brazil, is famous for its luxurious plant and animal life. We combine a literature review with recent work and show that species diversity is large but that most major plant and animal groups contain a large number of not wetland-specific species that depend on permanently terrestrial habitats within the Pantanal, or are restricted to dry areas during the low water period. These species occur also in the neighbouring biomes of Cerrado, Amazon Forest or Chaco. Until now, very few endemic species have been described, however, there are large populations of species in the Pantanal that are considered rare or endangered in South America. The number of trees adapted to long term flooding is low in comparison with the Amazon River floodplain. We hypothesize that the reason for the lack of local endemisms and the occurrence of a large number of species with a large ecological amplitude is the climatic instability of the region of the Pantanal, which suffered severe drought during glacial periods. The instability of the actual climate, which is characterized by multi-annual wet and dry periods, has a strong impact on distribution, community structure and population size of many plant and animal species and hinders spatial segregation of populations. The dependence of the system on the flood pulse makes the Pantanal very vulnerable to human induced changes in hydrology and the predicted changes in global climate.
Article
Large wildfire events (e.g. >100 square km) highlight the importance of governance systems that address wildfire risk at landscape scales and among multiple land owners and institutions. A growing body of empirical work demonstrates that environmental governance outcomes depend upon how well patterns of interaction among actors align with patterns of ecological connectivity, such as wildfire transmission. However, the factors that facilitate or inhibit this alignment remain poorly understood. It is crucial to improve understanding of the conditions under which actors establish or maintain linkages with other actors with whom they are interdependent because of ecological linkages. To this end, we introduce the concept of “risk interdependence archetypes” based on the spatial configurations by which one actor (i.e. a particular organization) is exposed to risk via the actions of another actor. We then develop a set of hypotheses to explore how different sets of conditions associated with each spatial configurations of risk interdependence may shape the likelihood that an actor coordinates with another actor in ways that promote social-ecological alignment. We test these hypotheses using network analysis of a wildfire transmission network developed through simulation of wildfires over several thousand fire seasons and a governance network created from interviews with 154 representatives of 87 organizations involved in efforts to mitigate wildfire risk in the Eastern Cascades Ecoregion, USA. Results indicate that social-ecological alignment is more likely when actors have opportunities to influence forest management practices on ignition-prone lands that they do not manage themselves, and when actors bear greater responsibility for averting losses from wildfires that spread to lands they manage independently. Importantly, not all forms of risk interdependence increase the likelihood of alignment, implying that organizations have limited capacity for interaction and may prioritize certain risk mitigation partnerships over others. While the performance of risk governance systems may hinge on the alignment of social and ecological networks, our results suggest that alignment in turn may depend on actor-level strategies for interaction with other actors.
Strategic action program of the integrated management of the pantanal and the upper paraguay river basin -final report
  • Ana -Agência Nacional Das Águas
ANA -Agência Nacional das Águas. 2005. Strategic action program of the integrated management of the pantanal and the upper paraguay river basin -final report. Brasília. 320 p.
Aspectos da Biologia e Fenologia de Oryza latifolia Desv. (Poaceae) no Pantanal sul-mato-grossense
  • E C Bertazzoni
  • G A Damasceno-Junior
BERTAZZONI, E. C. ; DAMASCENO-JUNIOR, G. A. 2011. Aspectos da Biologia e Fenologia de Oryza latifolia Desv. (Poaceae) no Pantanal sul-mato-grossense.
Flora and Vegetation of the Pantanal Wetland
  • G A Damasceno-Junior
  • A Pott
DAMASCENO-JUNIOR, G.A., POTT, A. (in press) Flora and Vegetation of the Pantanal Wetland. Springer.
Plano de Manejo das RPPN`S Acurizal, Penha e Dorochê, Fundação de Apoio à Vida nos Trópicos
  • Fundação Ecotrópica
FUNDAÇÃO ECOTRÓPICA. 2003. Plano de Manejo das RPPN`S Acurizal, Penha e Dorochê, Fundação de Apoio à Vida nos Trópicos, Cuiabá -MT.
Plano de manejo da RPPN Engenheiro Eliezer Batista
  • Instituto
  • Pantaneiro
INSTITUTO HOMEM PANTANEIRO. 2008. Plano de manejo da RPPN Engenheiro Eliezer Batista, Corumbá -MS.