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Ensino-aprendizagem em tempos de pandemia por Covid-19: desafios e facilidades enfrentadas pelos estudantes / Teaching-learning in times of pandemic by Covid-19: challenges and facilities faced by student students

Authors:
Brazilian Journal of Health Review
ISSN: 2595-6825
18342
Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.4, p.18342-18351 jul./aug. 2021
Ensino-aprendizagem em tempos de pandemia por Covid-19: desafios
e facilidades enfrentadas pelos estudantes
Teaching-learning in times of pandemic by Covid-19: challenges and
facilities faced by student students
DOI:10.34119/bjhrv4n4-305
Recebimento dos originais: 30/07/2021
Aceitação para publicação: 30/08/2021
Natália Borges da Costa Irineu
Discente do curso Técnico em Enfermagem do Instituto Federal do Paraná. Campus
Londrina. Londrina, Paraná, Brasil.
E-mail: nathborges1703@gmail.com
Adriana Martins Gallo
Enfermeira. Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Sagrado Coração. Doutoranda
em Enfermagem pela Universidade Estadual de Maringá- UEM. Docente Instituto
Federal do Paraná Campus Avançado Astorga, Paraná, Brasil.
E-mail: adriana.gallo@ifpr.edu.br
Rejane Kiyomi Furuya
Enfermeira. Doutora em Enfermagem em Saúde Pública pela Escola de Enfermagem de
Ribeirão Preto - USP. Docente do Colegiado de enfermagem do Instituto Federal do
Paraná Campus Londrina. Londrina, Paraná, Brasil.
E-mail: rejane.furuya@ifpr.edu.br
Denise Albieri Jodas Salvagioni
Enfermeira. Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Londrina- UEL.
Docente do Colegiado de enfermagem do Instituto Federal do Paraná Campus
Londrina. Londrina, Paraná, Brasil.
E-mail: denise.salvagioni@ifpr.edu.br
Simone Roecker
Enfermeira. Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual Paulista "Julio de
Mesquita Filho" - UNESP/Botucatu/SP. Docente do Colegiado de enfermagem do
Instituto Federal do Paraná Campus Londrina. Londrina, Paraná, Brasil.
E-mail: simone.roecker@ifpr.edu.br
Juliane Pagliari Araujo
Enfermeira. Mestre em Biociências e Saúde pela Universidade Estadual do Oeste do
Paraná. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade de Londrina. Docente do
Colegiado de enfermagem do Instituto Federal do Paraná Campus Londrina.
Londrina, Paraná, Brasil
E-mail: juliane.pagliari@ifpr.edu.br
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RESUMO
Objetivo: Conhecer os fatores desafiadores e facilitadores enfrentados pelos estudantes
do curso técnico em enfermagem de uma instituição pública federal de ensino, nas aulas
remotas, durante a pandemia de Covid-19. Método: Trata-se de estudo descritivo, de
caráter qualitativo, realizado com 25 estudantes que cursaram componentes curriculares
de maneira remota no período de 03 de agosto a 22 de dezembro de 2020, utilizando
computadores, e/ou celulares, conforme a disponibilidade de cada estudante. Para a coleta
de dados foi elaborado, durante o mês de março de 2021, um questionário
semiestruturado, por meio da plataforma Google Forms®, gerando um link de convite e
acesso para responder o formulário eletrônico, o qual foi encaminhado aos participantes
por meio aplicativo whatsapp® e e-mail. Após o envio dos questionários pelos
respondentes, os dados foram organizados e analisados de forma qualitativa e em seguida
contrastados com a literatura atual sobre o tema. Resultados: Dos 25 participantes, três
eram do sexo masculino e 22 do sexo feminino, a idade média foi de 34,6 anos. Um terço
dos discentes (32%) era do primeiro ano e 68% era do segundo ano do curso. Do total,
28% não trabalhavam e 72% dos estudantes trabalhavam e estudavam. Com relação à
experiência em realizar as atividades remotas no ano de 2020, 64% dos discentes
relataram que foi positiva. Alguns discentes destacaram que a adaptação foi necessária,
devido aos riscos que a pandemia de Covid-19 apresenta para toda a sociedade. Falta de
concentração foi a principal dificuldade referida pelos estudantes. Conclusão: Conclui-se
que apesar das dificuldades e adaptações, o novo método de ensino foi suficientemente
adequado às necessidades pedagógicas para a formação de profissionais qualificados.
Palavras-Chave: Ensino-Aprendizagem, Ensino Remoto, Enfermagem, COVID-19.
ABSTRACT
Objective: To know the challenging and facilitating factors faced by students of a
technical course in nursing at a public federal educational institution, in remote classes,
during the Covid-19 pandemic. Método: Trata-se de estudo descritivo, de caráter
qualitativo, realizado com 25 estudantes que cursaram componentes curriculares de
maneira remota no período de 03 de agosto a 22 de dezembro de 2020, utilizando
computadores, e/ou celulares, conforme a disponibilidade de cada estudante. For data
collection, a semi-structured questionnaire was prepared, during the month of March
2021, through the Google Forms® platform, generating an invitation and access link to
answer the electronic form, which was sent to the participants through whatsapp®
application and e-mail. After the questionnaires were sent by the respondents, the data
were organized and analyzed qualitatively and then contrasted with the current literature
on the subject. Results: Of the 25 participants, three were male and 22 were female, the
mean age was 34.6 years. One third of the students (32%) were first year and 68% were
second year students. Of the total, 28% did not work, and 72% of the students worked
and studied. Regarding the experience of doing the remote activities in 2020, 64% of the
students reported that it was positive. Some students highlighted that adaptation was
necessary due to the risks that the Covid-19 pandemic presents to the whole society. Lack
of concentration was the main difficulty reported by the students. Conclusion: We
conclude that despite the difficulties and adaptations, the new teaching method was
sufficiently adequate to the pedagogical needs for the formation of qualified
professionals.
Keywords: Teaching-Learning, Remote Teaching, Nursing, COVID-19.
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1 INTRODUÇÃO
Em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan China, foi identificado pela primeira
vez o vírus da síndrome respiratória aguda grave (Sars-CoV-2) causador da Covid-19,
uma doença infecciosa com sintomas comuns como febre, cansaço, tosse seca, dores no
corpo, congestão nasal, dor de cabeça, conjuntivite, dor de garganta, diarreia, perda de
paladar ou olfato, erupção cutânea na pele e/ou descoloração dos dedos das mãos ou dos
pés (OPAS, 2021).
Com a pandemia de Covid-19 emergente, o isolamento foi uma das medidas
adotadas pelo Brasil e pelo mundo para prevenção, controle e contenção das infecções
humanas (FERREIRA et al., 2020; MOREIRA, HENRIQUES, BARROS et al., 2020,
WILDER-SMITH; FREEDMAN, 2020).
Assim, em março de 2020, houve necessidade do isolamento, e, por esse motivo,
aulas presenciais tiveram que ser suspensas, dando espaço para a tecnologia online de
ensino. Iniciaram-se, assim, aulas remotas como medida de proteção à toda a comunidade
acadêmica (JESUS et al., 2020).
As instituições de ensino foram fechadas em mais de 190 países. Os governos
implementaram medidas para continuar o ensino por meio de plataformas digitais,
televisão e rádio, no que consistiu no experimento de maior alcance na história da
educação (BOZKURT; SHARMA, 2020). No Brasil, o contexto fez com que o ensino
remoto virasse realidade nacional dando seguimento a educação enquanto as instituições
estavam fechadas, respeitando o distanciamento social (BEHAR, 2020). Desta maneira,
o ensino online foi introduzido de forma emergencial sendo um desafio para discentes e
docentes, como uma alternativa, a fim de diminuir as perdas nas aprendizagens durante a
crise pandêmica.
Houve uma compreensão por parte dos estudantes sobre a necessidade da
modalidade de ensino remoto, porém também houve a preocupação com a saúde das
pessoas, pois as atividades remotas contribuíram para o aumento de ansiedade (JESUS et
al., 2020).
A crise sanitária mundial provocou inovações sobre as mais diversas práticas
humanas em todo o mundo. No Brasil, houve um impacto muito grande nas práticas de
ensino, que gerou reflexões sobre o preparo dos profissionais, estudantes e o reflexo direto
no aprendizado. Nesse sentido, novos parâmetros para o ensino-aprendizagem foram
surgindo, em todas as áreas da educação, incluindo a área da saúde, transformando a
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forma de se construir o conhecimento, a relação e interação com os alunos, assim como
a metodologia do ensino (BEZERRA, 2020).
Em caráter emergencial, devido à pandemia de Covid-19, as instituições de ensino
precisaram se (re)inventar gerando mudanças nas formas de promover o ensino, assim
como, com o compromisso de manter a qualidade. Nesse sentido, o Instituto Federal do
Paraná, por meio da Portaria nº 108, de 27 de maio de 2020, autorizou, em caráter
excepcional, a realização de atividades pedagógicas não presenciais durante o período de
suspensão do calendário acadêmico como medida de prevenção e enfrentamento à
disseminação da Covid-19 nos cursos presenciais do IFPR Campus Londrina. Em
setembro, foi assinada a Resolução no 29 de 28 de setembro de 2020, instituiu o Regime
Didático Emergencial, o qual constituiu de conjunto de normas referentes à retomada do
calendário acadêmico. Assim, em agosto de 2020, iniciaram as atividades acadêmicas de
forma remota, incluindo os cursos da área da saúde, incluindo o curso técnico em
enfermagem. Nesse sentido, esse estudo teve como objetivo conhecer os fatores
desafiadores e facilitadores enfrentados pelos estudantes do curso técnico em
enfermagem de uma instituição pública federal de ensino, nas aulas remotas, durante a
pandemia de Covid-19
2 MÉTODO
Trata-se de um estudo descritivo, qualitativo, sobre os fatores desafiadores e
facilitadores enfrentados pelos estudantes nas aulas remotas do curso técnico em
enfermagem durante a pandemia Covid-19.
Os integrantes desse estudo foram estudantes matriculados no curso Técnico em
Enfermagem do Instituto Federal Para Campus Londrina e que participaram dos
componentes curriculares ofertados na modalidade remota, sendo: Saúde Mental, Saúde
Coletiva ll, Clínica Cirúrgico, Clínica Médica, Anatomia e Fisiologia, Introdução à
Enfermagem, Atendimento Pré-Hospitalar e Biossegurança nos serviços de saúde, no
período de 03 de agosto a 22 de dezembro de 2020. O Instituto Federal do Paraná
formalizou o ensino remoto por meio da Resolução no 29 de 28 de setembro de 2020, a
qual instituiu o Regime Didático Emergencial.
Para participar das aulas nessa modalidade online os estudantes precisavam ter
acesso à internet por meio de computadores e/ou celulares conforme a disponibilidade de
cada um.
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Para a coleta de dados foi elaborado durante o mês de março de 2021, um
questionário semiestruturado, por meio da plataforma Google Forms®, gerado um link
de convite e acesso para responder o formulário eletrônico e foi enviado aos participantes
do estudo via aplicativo whatsapp® e e-mail.
O questionário continha duas partes: a primeira, referente à caracterização dos
estudantes e a segunda, as seguintes questões norteadoras: Como foi sua experiência em
realizar as atividades remotas no ano de 2020? Como você sente que está sendo sua
formação em técnico em enfermagem? Quais as dificuldades em realizar as aulas de
maneira remota? Quais as facilidades em realizar as atividades de maneira remota?
Os critérios de inclusão na pesquisa foram estar vinculado ao curso Técnico em
Enfermagem no Instituto Federal do Paraná - Campus Londrina por meio de matrícula
ativa e ter cursado pelo menos um dos componentes curriculares previamente elencados,
na modalidade remota.
Houve assinatura eletrônica de termo de consentimento livre e esclarecido. Os
discentes foram orientados que não seriam identificados, que não haveria custo e nem
benefício em sua participação no estudo e ainda, que poderiam desistir de participar a
qualquer momento.
Após o envio dos questionários pelos respondentes, os dados foram organizados
e analisados de forma qualitativa e em seguida contrastados com a literatura atual sobre
o tema.
Para manter o anonimato dos participantes utilizou-se a letra A (aluno), seguido
da ordem das respostas.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Estavam matriculados no curso, 45 estudantes do primeiro e segundo ano,
atendendo aos critérios de participação, e 25 estudantes participaram do estudo,
respondendo ao questionário. Três participantes eram do sexo masculino e 22 eram do
sexo feminino, com a idade variando entre 19 e 54 anos. A média de idade foi 34,6 anos.
Um terço dos discentes (32%) eram do primeiro ano e 68% eram do segundo ano. Em
relação à ocupação profissional, 28% não trabalham e 72% dos estudantes trabalham e
estudam. Dos que trabalham, 61,1% trabalhavam antes da pandemia e 38,9%
começaram a trabalhar durante a pandemia. Dos que trabalhavam antes da pandemia,
21,4% perderam o emprego durante a pandemia.
No contexto da pandemia de Covid-19, intervenções de distanciamento social,
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como o fechamento prolongado de escolas e o afastamento do local de trabalho, foram
medidas adotadas por muitos governos. Essas medidas mudaram a vida da população e
provocaram alterações na economia dos países, nos aspectos sociais, no cotidiano de
todos (BEZERRA, 2020), bem como, nos processos educacionais e o modo como as
pessoas estão utilizando a tecnologia.
Não diferente do que o mundo vivenciava no momento, os estudantes do curso
técnico em enfermagem também tiveram que iniciar sua adaptação para dar continuidade
aos estudos sem comprometer sua saúde e nem colocar em risco seus familiares e
conviventes, para isso, adotando o sistema de ensino remoto. Destaca-se algumas falas
dos estudantes que demonstram esses momentos:
Tive bastante dificuldade, bastante falta de tempo, mas consegui
concluir com sucesso. Foi satisfatório! (A06).
Foi tenso. Mas como todos do curso, tivemos que nos adaptar ao
novo normal (A12).
Ainda existem algumas dificuldades, mas muito aprendizado
também (A15).
No começo achei que não iria dar conta, não conseguia focar,
chegava a chorar, mas agora já consegui me adaptar! (A20).
Uma experiência nova, todos tiveram que se adaptar ao novo
meio de ensino (A22).
Foi um pouco difícil no começo, mas logo peguei o jeito (A23).
Para alguns discentes, foi fácil adaptar-se ao sistema online e para outras, foi como
ter que descortinar um mundo novo e tecnológico. Nesse repentino processo de
adequação, revela-se a imprescindibilidade do processo de capacitação para utilização
dos ambientes virtuais, resultante do entendimento limitado sobre o ensino online
(BASTOS et al.,2020).
Com relação a experiência em realizar as atividades remotas no ano de 2020,
alguns dos discentes relataram que a experiência foi positiva.
Tranquila, gostei até (A03).
Para mim foi boa, aprendi bastante, mas nada como uma aula presencial (A05).
Tranquilo, os professores apesar de não estarem presentes fisicamente, são
prestativos a todo tempo (A18).
O trabalho no ensino remoto exige dos professores, além da criatividade, atenção
aos horários, dedicação, elaboração de vídeos, postura profissional para essa interação e
adequação do ambiente familiar (BASTOS et al., 2020). Da mesma forma, os estudantes
precisam dessas adequações para que o processo seja efetivo.
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No entanto, alguns discentes apontaram dificuldades nesse processo de ensino,
conforme relatado a seguir.
Foi difícil o aprendizado, por falta de concentração (A04).
Foi difícil, a sensação que tenho é de não estar aprendendo o suficiente,
embora as notas sejam boas, fico com uma sensação de não ser 100%
(A08).
Péssima, sinto que não aprendi nada (A09).
Pecou em qualidade. Ensino remoto e estudos por computador não instiga
maior aprendizado possível para mim (A10).
Sem muito aproveitamento, sem dúvida nenhuma, a falta do professor
muda completamente a maneira de ensino e aprendizado (A19).
Destaca-se que uma sala de aula online deve ser um espaço ativo e dinâmico e não
um repositório de conteúdos digitais. Os estudantes devem receber as informações sobre
os conteúdos e as atividades que irão realizar, dentro e fora da plataforma,
individualmente ou em grupo, exatamente como num ambiente de sala de aula física
(MOREIRA, CRUZ, SALES, 2020). O estudante deve continuar sendo o ator principal
do processo ensino-aprendizagem.
Essa tendência do uso de tecnologias educacionais, não deve ser utilizada em
qualquer lugar na qual o discente aprende a qualquer momento, e com qualquer
dispositivo tecnológico. As tecnologias devem ser como ambientes ou meios adequados
para a aprendizagem aberta, colaborativa, flexível e contextualizada. O ambiente de
aprendizagem deve permitir a construção social do conhecimento, formal e informal,
respeitando a concepção pedagógica e didática a ser implementada (LIRA et al., 2020).
Esse aspecto pôde ser observado a partir dos seguintes relatos dos estudantes:
Diferente, desafiador por não saber nada de tecnologia eletrônica, mas aprendi
o básico (risos) estou amando, me sinto segura de não precisar sair de casa me
colocar em risco pegar esses ônibus superlotados (A02).
Diferente. Resumindo. Buscando me adaptar. Mas estamos indo (risos) (A04).
Apesar dos transtornos do atraso, acredito estar aprendendo sem pressa, em
outro ritmo, que para mim absolvo muito mais os conteúdos (A11).
Tem-se que é de fundamental importância a criação de uma boa estrutura de
comunicação para gerar uma autêntica comunidade virtual de aprendizagem, na qual o
estudante se sinta conectado e motivado. Nesse processo, a comunicação com o estudante
deve ser clara e com regularidade, para que eles sintam a presença do professor e seus
pares (MOREIRA, CRUZ, SALES, 2020).
Assim, em meio às adversidades, cabe aos professores, estudantes, instituições de
ensino e poder público, criar estratégias sustentáveis e inclusivas a todos, que assegurem
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qualidade técnica e promovam a formação profissional de qualidade e não provoque
possíveis reveses justificados por um contexto atípico.
A maioria dos alunos e professores tinham pouca prática de utilização de
tecnologias digitais. Os professores vivenciaram a necessidade de realizar cursos de
inovação em ensino remoto com intuito de alcançar novas formas de ensinar e aprender,
além de melhorar o uso das ferramentas que conheciam para utilizar em sua prática
pedagógica.
Esses dispositivos revelam a necessidade de diversidade e flexibilização para o
momento, para que o processo de ensino tivesse continuidade e maior adesão pelos
discentes. Quando isso não acontece, ou quando não disposição para essa busca ou
aperfeiçoamento para utilização dessas novas ferramentas, o processo tende a ficar falho.
Quando perguntados sobre como se sentem em relação à sua formação em técnico
em enfermagem, em decorrência da pandemia de Covid-19, alguns discentes afirmam que
estão preparados.
Até o momento tranquilo (A06).
Está sendo boa (A13).
Eu sinto que a formação vai ser boa porque esse é o caminho mais seguro agora
(A16).
Alguns estudantes discorreram sobre a dificuldade e que não se sentem preparados
para o mundo do trabalho.
Muito ruim, não me sinto preparada para exercer a função de técnica em
enfermagem pois não aprendi muita coisa na aula remota, e por já ter se
passado um ano desde as aulas presenciais não lembro do que aprendi nas
outras matérias que foram ministradas antes da pandemia. Mal lembro e não
sei termos técnicos, banho no leito, cálculo de medicação, punção venosa e
parâmetros vitais (A01).
Média. Se fosse presencial seria melhor (A07).
Sinto falta do prático, só o teórico dificulta (A08).
Difícil, sinto que não estou aprendendo como deveria (A09).
Acredito sim que os estudantes foram impactados de forma negativa uma vez
que esse processo de aprendizado foi praticamente interrompido, mas quem
não foi (A12).
Precisamos da prática, porém cientes da pandemia (A14).
Destaca-se que os estudantes participantes dessa pesquisa estavam no primeiro e
terceiro semestres do curso técnico, ou seja, ainda em processo de construção do
conhecimento técnico. Ressalta-se, ainda, que as atividades práticas em laboratório e os
estágios em ambientes de saúde foram postergados, sendo ministrados apenas conteúdos
teóricos, para manter o distanciamento social necessário.
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Com relação às facilidades do ensino remoto, os estudantes destacaram realizar as
atividades e poder se organizar com os horários, não precisar sair de casa e poder assistir
várias vezes o conteúdo ministrado. Um estudante destacou que não vê nenhuma
facilidade.
Quando questionados sobre as dificuldades apresentadas em realizar as atividades
de modo remoto, os estudantes destacaram a falta de concentração como a maior
dificuldade no processo ensino-aprendizagem durante as atividades remotas. Destacaram
também algumas dificuldades de interação com os professores, falta de tempo, e trabalhar
nos horários das aulas síncronas.
Salienta-se que a educação online não deve ser compreendida exclusivamente
pelas tecnologias digitais, ela deve ser amparada pela interatividade, afetividade,
colaboração, aprendizagem significativa, avaliação adequada, mediação docente,
encontros síncronos e assíncrono, pois o aprendizado ocorre qualitativamente nas trocas
e nas construções conjuntas (COUTO et al., 2020). Ressalta-se que as estratégias de
ensino bem elaboradas e desenvolvidas de acordo com a turma traz grandes resultados no
processo ensino-aprendizagem. Faz-se necessário que os estudantes sejam incentivados a
exporem suas ideias, suas estratégias de raciocínio e descubram sua própria maneira de
aprender.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a pandemia de Covid-19 houve a necessidade de novas formas de ensino que
evitassem o contato pessoal, sem que houvesse prejuízo no ensino-aprendizagem; então,
destaca-se a necessidade de novas formas de ensino remoto e também a necessidade de
adaptação a elas. A falta de interesse em aprimorar os conhecimentos e/ou aprender a
utilizar as novas ferramentas são fatores associados com o prejuízo na aprendizagem.
Com essa pesquisa concluiu-se que os estudantes do curso de Técnico de
Enfermagem, apesar das dificuldades, conseguiram, em sua maioria, alcançar os objetivos
das disciplinas. No entanto, esse método de ensino precisa avançar ainda mais, criando
rotinas, metas, prazos, diretrizes, ambiente de estudo adequado, motivações, participação
efetiva, inclusão, assiduidade e, em longo prazo, a necessidade de novos estudos para
avaliar a efetividade dessa nova metodologia.
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Objective: To discuss the challenges and perspectives of nursing education in times of the COVID-19 pandemic. Methods: Reflection study, with theoretical approach based on national and international publications, allied to the experience of researchers in the area of nursing education. Results: Four sections are identified: Nursing education: current affairs and perspectives; Education and technologies in time of pandemic: acceleration, alteration and paralysis; Difference between emergency, intentional and remote teaching; the return to the “new normality”: new structuring axes and legal norms. Final considerations: The conclusion is that longstanding challenges have emerged with the pandemic, and the processes of acceleration, change and paralysis have marked education in these times. Moreover, epidemiological, technological and psychological aspects should be more valued in the return to activities.
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Emergency remote teaching in a time of global crisis due to CoronaVirus pandemic “Sometimes it takes a natural disaster to reveal a social disaster” Jim Wallis
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No contexto da Cibercultura e da pandemia da Covid-19, o objetivo do artigo é analisar maneiras como o isolamento social é vivido e abala os brasileiros, sobretudo, no campo da educação. Por meio de uma pesquisa bibliográfica, acrescida do uso de várias reportagens na imprensa nacional e internacional, o principal argumento desenvolvido é que pessoas amparadas financeiramente e com amplo acesso à Internet vivem um isolamento social criativo. Enquanto, as que sobrevivem em situação de vulnerabilidade social e exclusão digital têm muito mais dificuldades para viver o recolhimento e se proteger do contágio de um vírus para o qual ainda não se tem vacina e nem medicamentos. O artigo conclui que as experiências Ciberculturais, especialmente, aquelas de uma educação on-line, alcançam uma parcela restrita de pessoas e aponta que os desafios para educar com tecnologias digitais ainda são imensos e precisam ser democratizados.
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Introduction: The Corona virus (COVID-19) pandemic caused, among others, the need for colleges and universities managers around the world to reinvent new ways of providing education preserving its good quality at the same time. With the new ordinances of the Ministry of Education and Health, all courses can use remote methodologies for the continuity on the current school year. With new challenges and paradigms emerging from this methodological proposal: provide for the user the feeling of immersion, of being in the class room, from the navigation and interaction in this virtual environment, at the same time that the educator, respecting the educational principles and the pedagogical approach that he believes, does not transform this moment into a simple distance education. Objective: to describe the state of the art on nursing education and the challenges of using remote technologies in the time of Corona virus pandemic. Methods: this is a reflective study based on secondary sources of literature relevant to the theme, considering articles from national and international journals and recent productions on education, health training, remote technologies, COVId-19 and public health. Results: it is evident that experiencing the effects of the corona virus pandemic (COVID-19) in the health educational sector, especially in the field of nursing, goes beyond a structural reorganization of courses. It implies change attitude of managers, teachers and students to reformulate educational practices (sometimes with traditional tools), with innovative practices preserving a methodology that provides to the student criticality reflection, dialogue, bonding and interaction; elements that are part of a training aimed at transformation, empowerment and not just the transmission of knowledge. In this context, the COVID-19 pandemic caused paradigm shifts perhaps not yet overcome by health science institutions , because when they perceived themselves within a reality that generated changes in the political, economic, cultural and social aspects at a global level, they had to reinvent and insert new ways of teaching in their work process; they had to discuss different educational approaches and, given the needs to readjust health teaching methods, they inserted remote technologies as essential tools to meet the real need for continuity of classes in non-face-to-face model. For many, it is a challenge, as it currently permeates a reflection on the attention of distance learning in the field of nursing and other courses in the health area. However, as it opened up to discussions about new ways of teaching mediated by innovation, it can be said that this will be one of the greatest impact of the pandemic in benefit the education: the contribution of new information and communication technologies in the teaching-learning process for training in health, as well as the reflection on distance education and its concepts, differentiating it from the concepts of remote methodology and the use of technologies. Conclusion: In nursing education, the discussion related to the use of remote technologies in the classroom has always been a point of debate. However, with the need to include these tools for the continuity of classes in the non-face-to-face model resulting from the social isolation strategy motivated by the pandemic of COVID-19, it can provide an opportunity to have a new look on the subject and perhaps there is an opportunity to expand the debate on the use of remote methodologies in health education, seeking a reflection on their interaction with the other teaching methods already implemented.
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Public health measures were decisive in controlling the SARS epidemic in 2003. Isolation is the separation of ill persons from non-infected persons. Quarantine is movement restriction, often with fever surveillance, of contacts when it is not evident whether they have been infected but are not yet symptomatic or have not been infected. Community containment includes measures that range from increasing social distancing to community-wide quarantine. Whether these measures will be sufficient to control 2019-nCoV depends on addressing some unanswered questions.
Ensino remoto emergencial na graduação em Enfermagem: relato de experiência na Covid-19. REME -Rev Min Enferm. 2020[citado em 15 de
  • M C Bastos
  • D A Canavarro
  • L M Campos
  • R S Schulz
  • J B Santos
  • C F Santos
Bastos, M.C., Canavarro, D.A., Campos, L.M., Schulz, R.S., Santos, J.B., Santos, C.F. Ensino remoto emergencial na graduação em Enfermagem: relato de experiência na Covid-19. REME -Rev Min Enferm. 2020[citado em 15 de jun 2021];24:e-1335. doi: 10.5935/1415.2762.20200072
Educação em saúde em período de pandemia: Um relato de experiência. SIPSE Anais do III Simpósio Internacional do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem: repercussões da Covid-19 na saúde global
  • Lfc Jesus
  • Acb Serra
  • L S Menes
  • Aaf Gravena
Jesus LFC, Serra ACB, Menes LS, Gravena AAF. Educação em saúde em período de pandemia: Um relato de experiência. SIPSE Anais do III Simpósio Internacional do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem: repercussões da Covid-19 na saúde global. p.97-98Maringá: UEM/DEN/PSE, 2020. Acesso em 10 fev 2021. Disponível em: https://sites.google.com/view/sipse2020/anais