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APRESENTAÇÃO -DOSSIÊ POLÍTICAS EDUCACIONAIS, CULTURA E CURRÍCULO: ALTERNATIVAS TEÓRICO-METODOLÓGICAS PARA UM CENÁRIO PÓS-PANDEMIA

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Abstract

É diante de um paradoxo de prazer e tristeza que apresentamos o Dossiê Políticas Educacionais, Cultura e Currículo: Alternativas Teórico-metodológicas para um Cenário Pós-Pandemia. O prazer, é claro, se justifica pela possibilidade concretizada que a Revista EDUCA-Revista Multidisciplinar em Educação (UNIR) abriu no sentido de veicular estudos que tenham se dedicado a investigação desse tema tão atual, caro, e necessário a todos e todas, envolvidos e envolvidas com a causa da Educação. A tristeza, por outro lado, é reflexo da necessidade de tratarmos desse tema.
Apresentação - Dossiê Políticas Educacionais, Cultura e Currículo
Alternativas Teórico-Metodológicas para um Cenário Pós-Pandemia
EDUCA – Revista Multidisciplinar em Educação, Porto Velho, v. 08, p. 01-06, jan./dez., 2021. e-ISSN: 2359-2087
DOI: 10.26568/2359-2087.2021.6453
1
APRESENTAÇÃO - DOSSIÊ POLÍTICAS EDUCACIONAIS, CULTURA E
CURRÍCULO: ALTERNATIVAS TEÓRICO-METODOLÓGICAS PARA UM
CENÁRIO PÓS-PANDEMIA
PRESENTATION - EDUCATIONAL POLICIES, CULTURE AND CURRICULUM
DOSSIER: THEORETICAL-METHODOLOGICAL ALTERNATIVES FOR A POST-
PANDEMIC SCENARIO
PRESENTACIÓN - DOSSIER DE POLÍTICAS EDUCATIVAS, CULTURA Y
CURRÍCULO: ALTERNATIVAS TEÓRICO-METODOLÓGICAS PARA UN
ESCENARIO POST-PANDÉMICO
Ivanderson Pereira da SILVA
1
José Paulo BRAZÃO
2
Valmir HECKLER
3
É diante de um paradoxo de prazer e tristeza que apresentamos o Dossiê
Políticas Educacionais, Cultura e Currículo: Alternativas Teórico-metodológicas
para um Cenário Pós-Pandemia.
O prazer, é claro, se justifica pela possibilidade concretizada que a Revista
EDUCA Revista Multidisciplinar em Educação (UNIR) abriu no sentido de veicular
estudos que tenham se dedicado a investigação desse tema tão atual, caro, e necessário a
todos e todas, envolvidos e envolvidas com a causa da Educação.
A tristeza, por outro lado, é reflexo da necessidade de tratarmos desse tema.
Hoje, no dia em lançamos este Dossiê, o Brasil contabiliza mais de 480mil
pessoas mortas pela COVID-19 (segundo o site do Governo Federal
http://covid.saude.gov.br). Tratam-se de mais de 480 mil famílias devastadas pelo que o
Filófoso Cararonês Achille Mbembe, baseado na obra o francês Michel Foucault,
chamou de Necropolítica.
As múltiplas formas de mortes provocadas pelo descaso com a prevenção, o
tratamento e o luto das pessoas vitimadas, bem como das famílias dessas pessoa que
foram vitimadas pelo COVID-19, têm produzido chagas na sociedade que somente as
próximas gerações poderão descrever com precisão.
1
Doutor em Educação. Universidade Federal de Alagoas, Arapiraca, Brasil. ORCID:
http://orcid.org/0000-0001-9565-8785. E-mail: ivanderson@gmail.com
2
Doutor em Inovação Pedagógica. Universidade da Madeira, Ilha da Madeira - Portugal, ORCID:
http://orcid.org/0000-0003-3575-4366. E-mail: jbrazao@staff.uma.pt
3
Doutor em Educação em Ciências. Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, Brasil. ORCID:
http://orcid.org/0000-0002-3838-3903. E-mail: prof.valmir@hotmail.com
Ivanderson Pereira da SILVA, José Paulo Gomes BRAZÃO; Valmir HECKLER
EDUCA – Revista Multidisciplinar em Educação, Porto Velho, v. 08, p. 01-06, jan./dez., 2021. e-ISSN: 2359-2087
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Assoma-se às formas de morte, o aprofundamento das desigualdades sociais
produzidas pela política neoliberal que foi implementada em plena Pandemia,
sobremaneira nos países de geopolítica periférica. No caso brasileiro, a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-Contínua do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística) evidencia que no primeiro trimestre do ano de 2021
possuíamos cerca de 14,5 milhões de desempregados e cerca de 6 milhões de
desalentados.
A miséria, associada ao ócio e a desesperança em horizontes melhores, rodeados
pela morte em seu sentido literal, seja pela asfixia da fome ou da COVID-19, aprofunda
as violências seja na esfera pública ou privada. Tem sido quase que constante
presenciarmos nos noticiários jornalísticos o aumento da violência contra a mulher e,
com efeito, contra a população dissidente das normas de gênero, raça e classe. Uma
violência impingida, seja pelo próprio povo que, oprimido, passa a oprimir; violentado,
passa a violentar; seja pelo Estado Capitalista Neoliberal, que, como um vampiro às
claras, suga até a última gota de sangue da classe trabalhadora.
A gota de sangue primeira, posta de bom grado no nosso ser pelo ventre materno
não é suficiente para a manutenção da vida em plenitude. Para desfrutarmos do que a
humanidade produziu de melhor precisamos de uma sociedade que não esteja
atravessada pelo dinheiro. Que o sujeito com fome tenha direito a comer, sem que pra
isso esteja na relação mediado pelo dinheiro. Que o sujeito que precisa morar tenha
direito a um lugar digno para viver. Que todos e todas tenham o direito de elevar seu
espírito aos mais altos níveis de humanidade. Para isso, a Educação é fundamental.
Educar e ser educado/a em tempos necropolíticos é um ato de resistência contra
o Estado Neoliberal.
Assim, felizes por contribuir com a provocação à elevação do espírito humano,
honrados por veicular neste periódico textos que instiguem aos/às leitores/as reflexões e
ações capazes de contribuir para a produção de uma sociedade igualitária, mas
lamentando não podermos ainda produzir o levante necessário para esse fim,
socializamos esses escritos.
Assumimos que a estruturação desse Dossiê aconteceu em um cenário que
apresenta enormes desafios, inclusive para nós, organizadores. Somos humanos e
testemunhamos a morte, a dor, o luto em nossas famílias, entre nossos/as amigos/as, em
pessoas conhecidas e também em companheiros e companheiras que não tivemos a
oportunidade de conhecer.
Apresentação - Dossiê Políticas Educacionais, Cultura e Currículo
Alternativas Teórico-Metodológicas para um Cenário Pós-Pandemia
EDUCA – Revista Multidisciplinar em Educação, Porto Velho, v. 08, p. 01-06, jan./dez., 2021. e-ISSN: 2359-2087
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Assim, é urgente e necessário pensar uma Educação, pública, gratuita, de
qualidade, socialmente referenciada e fundamentada na emancipação humana, voltada
para a universalização dos processos formativos. Foi por este fim que envidamos os
esforços em torno da produção deste Dossiê.
Aqui o/a leitor/a encontrará os resultados das investigações de pesquisadores e
pesquisadoras do campo da Educação, e áreas afins, que debateram alternativas teórico-
metodológicas para essas questões contemporâneas que se apresentam no campo das
políticas educacionais, da cultura e do currículo.
Ressalta-se que os textos foram produzidos no momento que o país atravessa
uma grave crise econômica, política, social e sanitária potencializada pela Pandemia do
novo coronavírus (Sars-Cov-2)) que assola o planeta. Nessa conjuntura, a educação
formal é diretamente afetada porque o ensino, da forma como hegemonicamente se
realizava, não consegue se sustentar em momentos singulares como esse, uma vez que o
distanciamento social se apresenta como uma das mais necessárias alternativas para o
atraso na disseminação do vírus.
Em face da necessidade de reconduzir e encaminhar alternativas de ensino que
favoreçam o desenvolvimento dos sujeitos, necessita-se, no campo das ideias e das
práticas, de novos saberes e fazeres docentes que apontem direções alternativas para a
vida e para o cenário Pós-Pandemia.
Assim, são dez os estudos que fazem parte deste Dossiê, destacam-se a seguir os
textos, seus autores e aspectos comunicados ao leitor.
Amar, Silva e Novaes apresentam o texto O que você aprendeu? uma
narrativa sobre o ensino a distância durante o covid-19: do currículo às
tecnologias. Para conhecer e compreender a realidade colocada pelo Covid 19 partilham
a palavra com um estudante do ensino primário de Espanha e constatam a solidão de um
modelo formativo que se tornou distante. O ensino à distância tornou-se um pesadelo
para o jovem estudante. Os autores partilham as suas incertezas com o leitor.
Lira, Voss e Vieira no texto Período letivo excepcional uma iniciativa de
inserção do ensino híbrido refletem sobre as características do desenvolvimento desta
modalidade de ensino, evidenciadas nas aulas não presenciais, numa experiência
desenvolvida numa universidade federal. Para isso, utilizam a etnografia virtual como
possibilidade curricular para iniciação à pesquisa e ao ensino nos espaços virtuais. Por
fim, as autoras relatam o êxito das metodologias/estratégias utilizadas, bem como a
Ivanderson Pereira da SILVA, José Paulo Gomes BRAZÃO; Valmir HECKLER
EDUCA – Revista Multidisciplinar em Educação, Porto Velho, v. 08, p. 01-06, jan./dez., 2021. e-ISSN: 2359-2087
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verificação do engajamento e participação ativa dos/as estudantes nas aulas síncronas e
assíncronas.
O trabalho de Paz e Silva com o título Uma proposta de produto educacional
para o ensino remoto de geometria espacial resulta dos esforços em apresentar uma
Webquest que potencializasse os fazeres docentes no ensino de geometria espacial.
Trata-se dos resultados de uma pesquisa desenvolvida em nível de Mestrado
Profissional em Ensino de Ciências e Matemática no nordeste brasileiro. Como
resultados foram gerados: a) uma Webquest intitulada “Matemática em Foco”, que está
disponível online no formato de blog; e b) um Guia Didático para professores que
desejam construir suas próprias Webquests, disponível no repositório Educapes. Os
autores afirmam que estes produtos educacionais podem contribuir para uma formação
de qualidade e aproximar os sujeitos por meio das interfaces da internet.
Rosa, Silva e Soares apresentam o texto Utilização da ferramenta web
powtoon para o desenvolvimento de animações didáticas no ensino de química.
Neste estudo questionam “de que forma o uso de ferramentas didáticas dinâmicas pode
contribuir como proposta pedagógica para o ensino de ciências, em sala de aula e no
desenvolvimento de habilidades cognitivas?”. O autor e as coautoras utilizaram um
objeto de aprendizagem criado através da ferramenta online PowToon, apoiado numa
abordagem construtivista, para despertar nos alunos uma consciência crítica que
proporcione a problematização de questões relacionadas com a abordagem da ciência,
da tecnologia e da sociedade (CTS).
Sousa e Brazão no texto O construcionismo como proposta de inovação
pedagógica apresentam uma pesquisa que teve como objetivo saber se o uso das
tecnologias educativas, numa concepção construcionista, promove ou não Inovação
Pedagógica, na disciplina de Matemática, numa turma de nono ano do ensino médio, em
Portugal. Como resultados, constataram que o construcionismo propõe o
desenvolvimento cognitivo dos aprendizes tornando-os aptos para novas aprendizagens,
com ou sem o uso das tecnologias educativas. Defendem assim a concepção
construcionista como inovação pedagógica, com o foco nas práticas pedagógicas
Fazio, Ruas e Araújo no artigo Ensino de Física na formação online de
professores de Ciências destacam compreensões sobre como os modelos explicativos
sobre fenômenos físicos são construídos na modalidade a distância. Abrange a análise
de registros de uma interdisciplina intitulada Fenômenos da Natureza V ofertada no
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) Moodle. A modelagem é apresentada como
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Alternativas Teórico-Metodológicas para um Cenário Pós-Pandemia
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um resultado da produção coletiva, viabilizada pelo espaço de formação online
associada à transposição didática na explicação dos fenômenos.
Em continuidade, é possível perceber no estudo Interdisciplinaridade nos
projetos pedagógicos dos cursos de licenciatura em Física a distância que em alguns
currículos a interdisciplinaridade ainda se mostra como um conceito sem uma
significação clara e articulada com outros princípios das organizações curriculares. No
referido texto as autoras Hauschild e Araújo apontam que o conceito em tela já faz parte
de eixos epistemológicos ou estruturantes e princípios organizadores dos projetos
pedagógicos dos cursos analisados na modalidade Educação a Distância.
A autora Esquinsani discute a política curricular institucionalizada em curso a
nível federal e problematiza a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) partir das
reflexões oriundas do Estado de Exceção provocado pela Pandemia o COVID-19. No
texto Entre a aparência e a essência: a protocolização dos currículos escolares e o
debate pós-pandemia, a autora indica a legitimidade da atual política curricular, mas
problematiza seu caráter protocolar, priorizando a aparência (roteiros) em razão da
essência (contextualizações).
Os autores Silveira e Fonseca apresentam o estudo sobre o Educar na
Cibercultura a partir de uma rede de conversação. Eles abrangem o debate e a
comunicação de compreensões dos professores em relação ao uso das tecnologias
digitais no processo formativo no Ensino Superior. Apontam que a recursividade da
formação permanente e do conversar sobre o operar das tecnologias digitais, como ação
para reconstruir e recriar as práticas docentes, são possibilidades para encontrar
caminhos e maneiras para trabalhar e criar conceitos, procedimentos e atitudes em que a
ação de ensinar se configure em uma ação de coensinar.
Por fim, Honorato e Paraguaçu desenvolvem o artigo Em direção a uma
reflexão conceitual para a elaboração de uma gamificação na perspectiva
sociointeracionista. Incluem a referida perspectiva como uma abordagem possível para
promoção da aprendizagem no cenário educativo, com o potencial de promover a
integração entre educação, tecnologias e sociedade contemporânea.
Lamentavelmente, os artigos que socializamos neste Dossiê não poderão ser
lidos pelas mais de 480 mil pessoas vitimadas pela COVID-19.
Provavelmente também não poderão ser lidos, tão cedo, por seus entes queridos.
O luto os/s impedirá.
Ivanderson Pereira da SILVA, José Paulo Gomes BRAZÃO; Valmir HECKLER
EDUCA – Revista Multidisciplinar em Educação, Porto Velho, v. 08, p. 01-06, jan./dez., 2021. e-ISSN: 2359-2087
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Mas não poderíamos deixar de dizer que é porque defendemos a vida, em seu
sentido mais amplo, que investimos nossas energias em produzir esse Dossiê.
Dedicamos essa energia investida e o produto gerado a todos e todas que
conosco lutam pela vida. Dedicamos em especial aos/às que lutaram pela vida (pela sua
e pela dos outros) mas que foram vitimados/as por este Necropolítica, que matou e mata
mundo afora.
A potência do vírus é exponencialmente proporcional a potência das
necropolíticas do Estado Neoliberal. Talvez, o patógeno tenha a potência que tem,
em função de tais políticas.
Assim, registramos aqui nossa homenagem àqueles/as que lutaram por suas
vidas e pelas vidas dos outros. Para representar a toda essa multidão, gostaríamos de
fazer uma homenagem especial a uma parceria na vida acadêmica e uma mulher
guerreira na luta por uma Educação de qualidade. Gostaríamos de prestar nossas
homenagens todos e todas que lutam pela vida, seja pela vida do corpo ou pela vida da
alma. Dentre essas pessoas destacamos para representa-las, a Dra. Maria do Socôrro
Dias de Oliveira, Técnica em Assuntos Educacionais da Universidade Federal de
Alagoas, Pedagoga, viúva de Genival, mãe do Caio e da Camila, mulher, amiga, uma
guerreira que lutou pela vida, que contribuiu para a transformação de muitas vidas e
que, sem a qual, esse Dossiê jamais teria vida. Muito obrigado Socorro!
Fica aqui o nosso desejo de uma ótima leitura a todos e todas. Que a leitura
desse material possa inspirar a vida e gerar novos estudos, novas jornadas acadêmicas.
Enviado em: 10/10/2021
Aceito em: 10/10/2021
Publicado em: 10/10/2021
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