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Galinhola - Portugal continental: Resultados do período venatório 2018-2019

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Abstract and Figures

This report concerns the analysis of the data collected during the 2018/2019 Woodcock (Scolopax rusticola) hunting season in mainland Portugal by the National Association of Woodcock Hunters (Associação Nacional de Caçadores de Galinholas). Woodcock hunting was allowed between November 1, 2018 and February 10, 2019. Thirty-one different hunters provided 378 hunting trip reports. 13 of the 18 districts of the Portuguese mainland were represented. The hunting index of abundance (ICA = number of woodcock flushed/hour/hunter) averaged 0.36 (SE=0.02, n=378), an intermedium value among all hunting periods analysed. In t2018/2019, during the beginning of the hunting season, the abundance increased from the first to the second decade of November; after a drop in the third decade of November, abundance raised until a maximum (0.46 ± 0.07 woodcock flushed/hour/hunter) in the second week of December; from the beginning of January until the end of the hunting season, abundance stabilised at low relative values (between 0.34 and 0.37 woodcock flushed/hour/hunter). The abundance was higher in the districts of the southern half of the country. In the 2018/2019 hunting season, 10 different hunters provided wings from 76 woodcock shot on 8 of the 18 Portuguese districts. A small sample. Excluding 38 unsexed birds, 47.37% of the analysed specimens were males (♂: 18; ♀: 20). Among the 10 seasons studied there was no significant variation on this proportion (χ2 = 8.05; d.f. = 9; p = 0.53). The proportion of juveniles was 63.16% (juveniles: 48, adults: 28). According to the moult stage, 61.36% of the juveniles were classified as “precocious”. Body weight varied between hunting seasons (F9;965 = 4.04; p < 0.001); in 2018/2019 the mean weight was 293.9 g (SE = 3.4, n = 48).
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GALINHOLA - PORTUGAL CONTINENTAL
David Gonçalves1,2,3, Tiago M.
Rodrigues2,3, Francisco S. Moreira2, Pedro
Andrade1, André Verde3
1CIBIO-InBIO - Universidade do Porto
2Faculdade de Ciências, Universidade do Porto
3Associação Nacional de Caçadores de Galinholas
março 2020
RESULTADOS DO PERÍODO
VENATÓRIO 2018-2019
Índice
1 - Jornadas de caça - índices cinegéticos de abundância ...................................................................... 1
2 - Asas analisadas - idade e sexo ............................................................................................................ 7
3 - Conclusões ........................................................................................................................................ 13
Agradecimentos .................................................................................................................................... 14
Referências ............................................................................................................................................ 14
Abstract ................................................................................................................................................. 14
Anexo ..................................................................................................................................................... 15
Fotografias na capa da autoria de João Lourenço (cão, arma e galinhola) e Luís Novais (penas do
pintor).
Fotografias na contracapa da autoria de Pedro M. Silva (paisagem; em cima), Venceslau Araújo
(Setter com galinholas; ao centro) e Eduardo Mendes (Setter junto a sobreiro; em baixo).
1
Galinhola - Portugal Continental
GALINHOLA - PORTUGAL CONTINENTAL
RESULTADOS DO PERÍODO VENATÓRIO 2018/2019
O presente relatório diz respeito à análise dos dados recolhidos na caça à galinhola (Scolopax rusticola) durante
o período venatório 2018/2019 em Portugal Continental, pelos associados e colaboradores da Associação
Nacional de Caçadores de Galinholas (ANCG).
1 - Jornadas de caça - índices cinegéticos de abundância
No período venatório 2018/2019 foram recebidas e analisadas 378 jornadas, representando 1257,5 horas de
caça reportadas por 31 caçadores. A distribuição geográfica das jornadas, tendo em conta o distrito em que
decorreram, é apresentada na Tabela 1 e na Figura 1. O número de distritos representados é de 13.
O termo "jornada" é utilizado para denominar uma caçada realizada da parte da manhã ou da tarde, ou ainda
uma caçada iniciada da parte da manhã e terminada da parte da tarde, mas sem paragem para almoço (estas
últimas são bastante raras). Uma vez mais, a maioria das jornadas de caça à galinhola decorreram da parte da
manhã (75,9%, correspondente a 287).
A informação recolhida sobre as jornadas de caça permite estimar a abundância de galinholas durante o período
venatório, expressa aqui através do número de galinholas levantadas (diferentes) por hora de caça e por
caçador (ICAh).
No período venatório 2018/2019, uma jornada de caça durou em média 3 horas e 20 minutos (3,33 horas; ver
Figura A1, em Anexo). A maioria das jornadas foi realizada por um só caçador (52,1%), seguida das jornadas em
Distrito
Número
%
Viana do Castelo
156
41,3
Évora
106
28,0
Vila Real
42
11,1
Santarém
26
6,9
Lisboa
14
3,7
Leiria
10
2,6
Porto
7
1,9
Setúbal
5
1,3
Castelo Branco
4
1,1
Beja
3
0,8
Bragança
3
0,8
Aveiro
1
0,3
Braga
1
0,3
Total
378
100
Figura 1. Distribuição por distrito das jornadas
recebidas do período venatório 2018/2019.
ANCG & CIBIO
2
2018-2019
que dois caçadores caçam em conjunto (39,7%; ver Figura A2, em Anexo). Na maioria das jornadas (81,6%), foi
utilizado mais do que um e até dois cães por caçador (Figura A3, em Anexo).
Na Figura 2 está representada a variação, por décadas (períodos de dez dias), do valor do índice cinegético de
abundância (ICAh) no período venatório 2018/2019. A variação observada neste índice resultará da
movimentação das galinholas no território continental (fenologia migratória). Durante o início do período
venatório, a abundância de galinhola aumentou entre a primeira e a segunda década de novembro. Após uma
queda na terceira década desse mês, a abundância aumentou e atingiu o valor médio mais elevado de todo o
período venatório (0,46 galinholas levantadas por hora e por caçador) na segunda década de dezembro.
Posteriormente, a abundância diminuiu na terceira década de dezembro e estabilizou nesse nível até ao final do
período venatório (entre 0,34 a 0,37 galinholas levantadas por hora e por caçador).
Figura 2. Variação, por década (período de dez dias), do índice cinegético de abundância (ICAh = número de galinholas
levantadas/hora/caçador) (média ± erro padrão) no período venatório 2018/2019. n = número jornadas.
Na Figura 3 está representada, mais uma vez, a variação temporal do valor do índice cinegético de abundância
em 2018/2019 (linha a vermelho), assim como a variação do valor médio do mesmo índice considerando os oito
períodos venatórios anteriores (linha a negro, a cheio). As linhas a tracejado representam, em termos
estatísticos, os intervalos de confiança a 95%, para a estimativa da média plurianual dos períodos anteriores (a
negro). O perfil de variação da abundância no período venatório 2018/2019 é semelhante ao perfil médio
anterior, com a particularidade da descida observada no final de novembro, observando-se uma variação dentro
do intervalo de confiança a 95%.
Na Tabela 2 são apresentados os valores de abundância (ICAh) para os distritos representados na amostragem
de 2018/2019. Na Figura 4 apresentam-se os mesmos valores, considerando apenas os distritos com 10 ou mais
jornadas. Os níveis de abundância registados nos distritos a sul foram relativamente mais elevados.
3
Galinhola - Portugal Continental
Figura 3. Variação, por década (período de dez dias) do valor médio do índice cinegético de abundância (ICAh = número de
galinholas levantadas/hora/caçador) no período venatório 2018/2019 e no conjunto dos oito períodos venatórios anteriores,
de 2010/2011 a 2017/2018 (ICAh médio ± intervalo de confiança 95%).
Tabela 2. Variação do número de galinholas levantadas (diferentes) por
hora e por caçador (ICAh), pelos distritos amostrados (período venatório:
2018/2019) e ordenados por ordem decrescente de valor da média. Os
distritos a negrito, com 10 ou mais jornadas, estão representados na Figura
4.
Aves levantadas / hora / caçador
Distritos
Nº de
jornadas
Média
Erro
padrão
Mínimo
Mediana
Máximo
Beja
3
0,68
0,17
0,40
0,65
1,00
Castelo Branco
4
0,59
0,20
0,33
0,43
1,17
Évora
106
0,51
0,04
0,00
0,44
2,46
Leiria
10
0,49
0,13
0,00
0,50
1,20
Setúbal
5
0,46
0,10
0,22
0,50
0,67
Santarém
26
0,34
0,06
0,00
0,28
1,00
Braga
1
0,33
0,33
0,33
0,33
Lisboa
14
0,31
0,08
0,00
0,26
0,86
Vila Real
42
0,29
0,04
0,00
0,28
1,00
Aveiro
1
0,27
0,27
0,27
0,27
Bragança
3
0,26
0,04
0,18
0,27
0,33
Viana do Castelo
156
0,20
0,02
0,00
0,08
1,43
Porto
7
0,14
0,07
0,00
0,00
0,40
Figura 4. Variação, por distrito, do número
de galinholas levantadas por hora e por
caçador (ICAh) no período venatório
2018/2019. foram considerados os
distritos com 10 ou mais jornadas (ver
Tabela 2).
ANCG & CIBIO
4
2018-2019
Na Figura 5 são apresentados os valores de abundância estimados para os períodos venatórios estudados,
considerando a totalidade de cada um deles. A abundância variou significativamente entre períodos (Kruskal-
Wallis H(9, N=3 804) = 77,189; g.l.= 9; p < 0,001). O período venatório 2016/2017 continua a ser aquele em que se
registou o valor mais elevado, mas que não difere de forma significativa das abundâncias observadas em
2009/2010 (z = 1,18; p = 1,000), 2012/2013 (z = 2,734; p = 0,281) e 2013/2014 (z = -3,113; p = 0,083).
Na Figura 6 apresentam-se os valores médios de abundância registados em cada período venatório considerando
apenas a fase de migração (da primeira década de novembro até à segunda década de dezembro). A abundância
durante esta fase variou significativamente entre períodos venatórios (Kruskal-Wallis H(9, N=1922) = 78,774; g.l.= 9;
p < 0,001): 2011/2012 apresentou valores mais baixos do que 2012/2013 (z = 5,57; p < 0,001), 2013/2014 (z =
5,57; p < 0,001), 2015/2016 (z = 4,40; p < 0,001), 2016/2017 (z = 7,08; p < 0,001), 2017/2018 (z = 4,86; p < 0,001)
e 2018/2019 (z = 3,64; p = 0,012). 2014/2015 apresentou valores mais baixos do que 2012/2013 (z = 3,71; p =
0,009), 2013/2014 (z = 3,64; p = 0,012) e 2016/2017 (z = 4,94; p < 0,001).
Na Figura 7 apresentam-se os valores médios de abundância registados em cada período venatório considerando
apenas a fase de invernada (da terceira década de dezembro até à primeira década de fevereiro). Nesta fase,
registou-se uma variação significativa (Kruskal-Wallis H(9, N=1808) = 26,531; g.l.= 9; p < 0,01) entre períodos
venatórios: a abundância no período venatório 2016/2017 foi das mais elevadas, diferindo significativamente
das observadas nos períodos 2010/2011 (z = 3,49; p = 0,021), 2014/2015 (z = 4,15; p = 0,002) e 2015/2016 (z =
3,89; p = 0,04).
Portanto, a magnitude da variação da abundância entre períodos venatórios é muito maior na fase de migração,
o que é expectável. Durante o período de invernada, salvo exceções pontuais, a abundância tem sido bastante
estável.
Os valores do índice cinegético de abundância podem ser relativizados à jornada, considerando uma jornada de
referência, ou padrão, de 3,5 horas de duração. Na prática considera-se o número de galinholas levantadas por
hora e por caçador (ICAh) e estimam-se os respetivos valores para 3,5 horas. Na tabela 3 são apresentados os
valores estimados de abundância, número de galinholas (diferentes) levantadas por jornada padrão (3,5 h) e por
caçador (ICA1), para os períodos venatórios estudados, considerando a totalidade de cada período venatório.
Como deriva do ICAh, as diferenças no ICA1 são as observadas anteriormente.
Tabela 3. Estatística sobre o número de galinholas (diferentes) levantadas por jornada padrão
(3,5 horas) e por caçador (ICA1), nos nove períodos venatórios estudados, considerando a
totalidade de cada período venatório; n=número de jornadas.
Período venatório
Galinholas levantadas / jornada / caçador
Média
Erro padrão
Mínimo
Mediana
Máximo
2009/2010 (n=71)
1,30
0,15
0,00
1,00
5,83
2010/2011 (n=270)
1,09
0,07
0,00
0,88
7,00
2011/2012 (n=600)
1,00
0,05
0,00
0,70
8,17
2012/2013 (n=338)
1,22
0,07
0,00
1,00
7,78
2013/2014 (n=524)
1,37
0,08
0,00
1,00
21,00
2014/2015 (n=349)
1,00
0,07
0,00
0,63
8,75
2015/2016 (n=360)
1,10
0,06
0,00
0,88
5,25
2016/2017 (n=474)
1,60
0,07
0,0
1,17
9,80
2017/2018 (n=440)
1,33
0,08
0,00
0,97
18,48
2018/2019 (n=378)
1,15
0,06
0,00
1,00
8,62
5
Galinhola - Portugal Continental
Figura 5. Variação do número de galinholas (diferentes) levantadas por hora e por caçador (ICAh; média ± erro padrão) nos
dez períodos venatórios, considerando a totalidade de cada período venatório. n = número de jornadas.
Figura 6. Variação do número de galinholas (diferentes) levantadas por hora e por caçador (ICAh; média ± erro padrão) nos
dez períodos venatórios considerando apenas a fase de migração (da primeira década de novembro até à segunda década
de dezembro). n = número de jornadas.
Figura 7. Variação do número de galinholas (diferentes) levantadas por hora e por caçador (ICAh; média ± erro padrão) nos
dez períodos venatórios, considerando apenas a fase de invernada (da terceira década de dezembro até à primeira década
de fevereiro). n = número de jornadas.
ANCG & CIBIO
6
2018-2019
Na Figura 8 são apresentados os valores do número de galinholas abatidas por hora e por caçador, nos dez
períodos venatórios estudados. Este parâmetro constitui um outro índice cinegético de abundância (ICAh2),
estando limitado, no caso de Portugal continental, pelo número máximo de exemplares que cada caçador pode
abater por dia de caça (três exemplares). Por este motivo e pelo facto de depender de outras variáveis (como a
eficácia do caçador), para a avaliação da abundância é preferível o ICAh. Tal como se verificou com os valores
de ICAh, entre períodos venatórios também se observaram diferenças significativas nos valores de ICAh2
(Kruskal-Wallis H(9, N= 3804) = 58,650; g.l.= 9; p < 0,001): o valor de ICAh2 no período venatório 2016/2017 foi dos
mais elevados entre todos os períodos venatórios estudados, tendo diferido significativamente dos registados
nos períodos venatórios 2011/2012 (z = 4,68; p < 0,001), 2014/2015 (z = 4,40; p < 0,001) e 2015/2016 (z = 4,35;
p < 0,001).
Figura 8. Variação do número de galinholas abatidas por hora e por caçador (ICAh2; média ± erro padrão), nos dez períodos
venatórios, considerando a totalidade de cada período venatório. n=número de jornadas.
7
Galinhola - Portugal Continental
2 - Asas analisadas - idade e sexo
No último período venatório foram analisadas 76 asas, enviadas por 10 caçadores. A amostra diminuiu
novamente, para o valor mais baixo de sempre (Figura 9). Obviamente, o número de caçadores que enviaram
asas também voltou a descer (Figura 10).
Figura 9. Variação, entre períodos venatórios, do número de asas recebidas.
Figura 10. Variação, entre períodos venatórios, do número de caçadores que enviaram asas.
ANCG & CIBIO
8
2018-2019
A distribuição geográfica das asas (por distrito onde as aves foram caçadas) está descrita na Tabela 4 e Figura 11.
O número de distritos amostrados foi de oito. Apenas se analisaram 10 ou mais aves nos distritos de Viana do
Castelo, Braga e Vila Real.
Tabela 4. Distribuição, por distrito, das asas de
galinholas recebidas (2018/2019); distritos
ordenados por ordem decrescente do número
de asas recebidas.
Distritos
n
%
Évora
40
52,63
Viana do Castelo
14
18,42
Vila Real
12
15,79
Santarém
4
5,26
Leiria
3
3,95
Beja
1
1,32
Braga
1
1,32
Bragança
1
1,32
Total
76
100,00
Como é habitual, para cada ave abatida foi solicitado aos caçadores que determinassem i) o peso corporal (em
gramas) e ii) o sexo, depois de abrirem a ave, por observação das gónadas (testículos ou ovário). Estas
informações deveriam ser indicadas na frente do envelope, com a respetiva asa no interior.
A idade das aves foi determinada pela análise da plumagem das asas recebidas. A descrição desta metodologia
pode ser encontrada na página da ANCG (http://www.galinhola.com). Assim, durante o período venatório, é
possível classificar as aves em três classes de idade (ver também Ferrand & Gossmann, 2009a,b):
- adultos (com mais de um ano de idade), com a plumagem totalmente renovada;
- jovens precoces, nascidos na primeira metade do período de reprodução (ex: abril a maio), em
que a totalidade das coberturas secundárias superiores foi substituída/mudada antes da migração
pós-nupcial/outonal;
- jovens tardios, provenientes de posturas de Junho, Julho ou Agosto, que não tiveram tempo de
completar a sua muda; uma parte ou a totalidade das coberturas secundárias ficaram por mudar.
Uma nota para referir que, em alguns anos, após o fecho do relatório, chega-nos informação relativa a mais
algumas aves abatidas (poucas), não consideradas, portanto, no relatório específico desse período venatório.
Embora esta informação seja residual, decidimos que seria de a incluir na base de dados e considerá-la nos
relatórios seguintes. Esta é a razão para eventuais diferenças no tamanho da amostra entre relatórios, para
determinado período venatório.
Figura 11. Distribuição, por distrito, das asas de
galinholas recebidas (2018/2019).
9
Galinhola - Portugal Continental
Na Tabela 5 resumem-se os resultados em termos de frequências das classes de sexo/idade. A percentagem de
galinholas com sexo determinado foi de 72,6%.
Tabela 5. Frequências das classes de sexo/idade entre as aves analisadas (2018/2019).
Idade
Adultos
Jovens
Total
Fêmeas
8
12
20
Sexo
Machos
9
9
18
Indeterminado
11
27
38
Total
28
48
76
Os resultados relativos às frequências de sexos (percentagem de machos e fêmeas) e classes de idade
(percentagem de jovens e adultos) entre as aves amostradas em cada período venatório são apresentados nas
Figuras 12 e 13, respetivamente. Não houve diferenças estatisticamente significativas entre períodos na
proporção de machos e fêmeas (χ2 = 8,05; g.l. = 9; p = 0,53), o que é indicativo de uma razão entre sexos estável
e semelhante a um (Figura 12). Ao longo dos dez períodos venatórios estudados, a proporção de jovens e adultos
(Figura 13) variou significativamente (χ2 = 42,13; g.l. = 9; p < 0,001), o que, naturalmente, se deverá, entre outras
causas, ao êxito reprodutivo que terá variado entre anos. No período venatório 2018/2019 a percentagem de
jovens foi de 63,2%, valor mais próximo dos que mais frequentemente foram obtidos.
Figura 12. Variação das frequências (percentagens) dos sexos nos períodos venatórios estudados. n = número de aves
analisadas.
ANCG & CIBIO
10
2018-2019
Figura 13. Variação das frequências (percentagens) de adultos e jovens nos períodos venatórios estudados. n =
número de aves analisadas.
Entre as aves jovens, a proporção relativa de jovens precoces (nascidos na primeira metade do período de
reprodução) e tardios (provenientes de posturas realizadas na segunda metade do período de reprodução), não
variou significativamente entre períodos venatórios (χ2 = 14,85; g.l. = 8; p = 0,062). A Figura 14 ilustra esta
variação. A proporção de jovens tardios foi relativamente elevada em 2012/2013 e 2013/2014.
Figura 14. Variação por período venatório da percentagem de jovens precoces e tardios. n=número de aves jovens
analisadas em cada período venatório.
Na Tabela 6 apresentam-se os valores relativos ao peso corporal das aves analisadas em 2018/2019, por classe
de sexo/idade e para o total (incluindo aves sem sexo determinado). Recorda-se que o peso é determinado pelos
caçadores, pelo que a precisão dos valores obtidos dependerá do tipo de balança que cada um utiliza. Assim, é
necessária alguma precaução na interpretação destes resultados. Em 2018/2019 não se observaram diferenças
significativas no peso entre sexos (F1;51 = 0,66; p = 0,42) e entre classes etárias (F1;51 = 1,75; p = 0,19). Os pesos
mínimo e máximo registados foram de 220 g e 396 g, respetivamente.
11
Galinhola - Portugal Continental
Tabela 6. Estatística sobre o peso corporal das aves por classe de sexo/idade e para o total (que inclui
aves sem sexo determinado; 2018/2019); n = número de aves pesadas.
Peso (g)
Média
Erro padrão
Mínimo
Mediana
Máximo
Machos adultos (n=6)
290,5
7,2
258,0
292,5
310,0
Machos jovens (n=9)
292,2
6,2
266,0
295,0
319,0
Fêmeas adultas (n=6)
309,2
5,4
295,0
305,0
330,0
Fêmeas jovens (n=9)
296,3
9,0
250,0
300,0
350,0
Total (n=48)
293,9
3,4
250,0
295,0
350,0
Considerando todas as galinholas analisadas em cada período venatório, não se detetaram diferenças
significativas no peso entre sexos (F1;966 = 0,18; p = 0,67), mas sim entre classes etárias (F1;966 = 4,04; p = 0,045).
A variação do peso entre períodos foi significativa (F9;966 = 35,50; p < 0,001). Na Figura 15 apresenta-se a variação
do peso corporal de todas as aves (independentemente da classe sexo/idade) entre períodos venatórios. No
último período venatório, o valor médio parece ter descido para o nível de 2012/2013, mas a amostra é reduzida
e poderá ser menos representativa.
Figura 15. Variação do peso corporal (média ± erro padrão) de todas as aves entre períodos venatórios. n = número de aves
pesadas.
O número de jovens e adultos analisados por distrito, assim como a sua respetiva percentagem, estão
representados na Tabela 7. Estão representados oito distritos, e em apenas três deles (Vila Real, Évora e Viana
do Castelo) a amostra é igual ou superior a 10 indivíduos. Na Figura 16 são representados os valores percentuais
destes três distritos.
ANCG & CIBIO
12
2018-2019
Tabela 7. Número de jovens e adultos e percentagem de jovens e adultos, por
distrito amostrado em 2018/2019. Os distritos com 10 ou mais aves analisadas
estão ordenados por ordem decrescente de percentagem de jovens.
Distrito
Jovens
Adultos
Total
% Jovens
% Adultos
Vila Real
9
3
12
75,0
25,0
Évora
24
16
40
60,0
40,0
Viana do Castelo
6
8
14
42,9
57,1
Leiria
3
3
Santarém
4
4
Beja
1
1
Braga
1
1
Bragança
1
1
Total
28
48
76
Figura 16. Distribuição, por distrito, da percentagem de jovens (2018/2019). Só
foram representados os distritos com 10 ou mais aves analisadas.
13
Galinhola - Portugal Continental
3 - Conclusões
O número de jornadas de caça reportadas no período venatório 2018/2019 foi de 378. Esta informação foi
enviada por 31 caçadores. Os locais de realização das jornadas de caça englobaram 13 distritos, o que significa
uma diminuição em relação ao período venatório anterior (2017/2018), em que estavam representados 17
distritos.
A abundância atingiu o pico mais elevado (0,46 galinholas levantadas por hora e por caçador) na segunda década
de dezembro, o que é habitual. Após uma diminuição para a década seguinte, os valores estabilizaram até ao
final do período venatório (entre 0,34 a 0,37 galinholas levantadas por hora e por caçador). Entre os distritos
representados, a abundância foi mais elevada nos que estão localizados na parte sul do país.
Entre períodos venatórios, tendo em conta as duas fases que o período venatório engloba, continua a observar-
se um padrão característico: a magnitude da variação da abundância é muito maior na fase de migração; o
período de invernada apresenta-se com valores relativamente estáveis.
No último período venatório, e tendo em conta a sua totalidade, a abundância de galinholas atingiu um valor
médio intermédio entre todos os períodos venatórios estudados: 0,33 galinholas levantadas por hora e por
caçador (ICAh).
O número de asas recebidas foi o mais baixo de sempre, 76. A baixa colaboração no envio de asas, apenas 10
caçadores, só permitiu incluir oito distritos quanto às variáveis demográficas, sendo que só em três o número de
amostras recolhidas foi igual ou superior a 10 aves: Évora, Viana do Castelo e Vila Real. Esta amostra reduzida
limita a confiança na representatividade dos resultados obtidos. No período venatório 2018/2019 a percentagem
de aves jovens foi de 63,2%, valor mais próximo dos que mais frequentemente foram obtidos. As aves jovens
continuaram a ser na sua maioria aves “precoces”: 61,4%. A percentagem de machos foi de 47,4% e a variação
na proporção de sexos ao longo dos vários períodos venatórios continua a não ser significativa. O peso corporal
das aves parece ter diminuído em relação ao período venatório anterior.
ANCG & CIBIO
14
2018-2019
Agradecimentos
Gostaríamos de deixar um grande agradecimento a todos os caçadores que colaboraram na recolha e envio de
informação. A lista completa dos caçadores (33) que disponibilizaram informação relativa ao período venatório
2018/2019:
Albertino Esteves
António André Lopes Verde
Bruno Rodrigues
César Manuel Amorim de Araújo
Diogo Filipe Garcia Mateus Ribeiro
Eduardo Jorge Pina Mendes
Filipe Azevedo Silva
Hugo Alexandre S. Alves
Hugo Manuel Meira Nogueira
João Maria de Andrade e Sousa Mègre Pires
João Nuno Lourenço
João Pedro Meira da Costa Oliveira
Joaquim Manuel Galapito Cardoso
Joaquim Miguel Gato Quadrado
Joaquim Quadrado
José Manuel Gomes Amorim
José Carlos Pires
José Garelha
Leonel Marques
Luís Miguel Novais
Manuel Russo
Miguel Domingues Mendes
Nuno Filipe Serpa Miguens
Nuno Henrique Rebelo Cacais Castro Calado
Óscar Luis Pereira Neto
Pedro Meira Oliveira
Ricardo Filipe da Costa Lima Barbosa Martins
Ricardo Filipe Martins de Carvalho
Rui Jorge Ferreira Carlos
Sérgio Alexandre Farias Pereira
Sérgio Oliveira
Tiago José Balico Lopes
Venceslau Joaquim Barbosa Lima Araújo
Referências
Ferrand, Y. & Gossmann, F. (2009a). Ageing and sexing series 5: Ageing and sexing the Eurasian Woodcock
Scolopax rusticola. Wader Study Group Bull. 116(2):75-79.
Ferrand, Y. & Gossmann, F. (2009b). La bécasse des bois. Histoire naturelle. Effet de lisière.
ANCG & CIBIO
14
2018-2019
Abstract
This report concerns the analysis of the data collected during the 2018/2019 Woodcock (Scolopax rusticola)
hunting season in mainland Portugal by the National Association of Woodcock Hunters (Associação Nacional de
Caçadores de Galinholas). Woodcock hunting was allowed between November 1, 2018 and February 10, 2019.
Thirty-one different hunters provided 378 hunting trip reports. 13 of the 18 districts of the Portuguese mainland
were represented. The hunting index of abundance (ICA = number of woodcock flushed/hour/hunter) averaged
0.36 (SE=0.02, n=378), an intermedium value among all hunting periods analysed. In t2018/2019, during the
beginning of the hunting season, the abundance increased from the first to the second decade of November;
after a drop in the third decade of November, abundance raised until a maximum (0.46 ± 0.07 woodcock
flushed/hour/hunter) in the second week of December; from the beginning of January until the end of the
hunting season, abundance stabilised at low relative values (between 0.34 and 0.37 woodcock
flushed/hour/hunter). The abundance was higher in the districts of the southern half of the country.
In the 2018/2019 hunting season, 10 different hunters provided wings from 76 woodcock shot on 8 of the 18
Portuguese districts. A small sample. Excluding 38 unsexed birds, 47.37% of the analysed specimens were males
(: 18; : 20). Among the 10 seasons studied there was no significant variation on this proportion (χ2 = 8.05;
d.f. = 9; p = 0.53). The proportion of juveniles was 63.16% (juveniles: 48, adults: 28). According to the moult
stage, 61.36% of the juveniles were classified as “precocious”. Body weight varied between hunting seasons
(F9;965 = 4.04; p < 0.001); in 2018/2019 the mean weight was 293.9 g (SE = 3.4, n = 48).
15
Galinhola - Portugal Continental
Anexo
Figura A1. Variação do valor médio (± erro padrão) da duração das jornadas de caça (horas), nos dez períodos venatórios
estudados. n = número de jornadas.
Figura A2. Variação da percentagem das jornadas de caça de acordo com o número de caçadores participantes, nos dez
períodos venatórios estudados. n = número de jornadas.
Figura A3. Variação da percentagem das jornadas de caça de acordo com o número de cães utilizados por caçador e por
jornada, nos sete períodos venatórios estudados. n = número jornadas.
Associação Nacional de Caçadores de Galinholas
Largo das Tílias, nº 4, 4900-012 Afife
Tel: 962 651 257
e-mail: ancgcientifica@gmail.com
Centro de Investigação em Biodiversidade e
Recursos Genéticos (CIBIO-Univ. do Porto)
Campus Agrário de Vairão, Rua Padre Armando
Quintas, 4485-661 Vairão
Tel: 252 660 411 - Fax: 252 661 780
e-mail: cibio.up@cibio.up.pt
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Ageing and sexing series 5: Ageing and sexing the Eurasian Woodcock Scolopax rusticola
  • Y Ferrand
  • F Gossmann
Ferrand, Y. & Gossmann, F. (2009a). Ageing and sexing series 5: Ageing and sexing the Eurasian Woodcock Scolopax rusticola. Wader Study Group Bull. 116(2):75-79.
Thirty-one different hunters provided 378 hunting trip reports. 13 of the 18 districts of the Portuguese mainland were represented. The hunting index of abundance (ICA = number of woodcock flushed/hour/hunter) averaged 0.36 (SE=0.02, n=378), an intermedium value among all hunting periods analysed
  • Y Ferrand
  • F Gossmann
Ferrand, Y. & Gossmann, F. (2009b). La bécasse des bois. Histoire naturelle. Effet de lisière. Abstract This report concerns the analysis of the data collected during the 2018/2019 Woodcock (Scolopax rusticola) hunting season in mainland Portugal by the National Association of Woodcock Hunters (Associação Nacional de Caçadores de Galinholas). Woodcock hunting was allowed between November 1, 2018 and February 10, 2019. Thirty-one different hunters provided 378 hunting trip reports. 13 of the 18 districts of the Portuguese mainland were represented. The hunting index of abundance (ICA = number of woodcock flushed/hour/hunter) averaged 0.36 (SE=0.02, n=378), an intermedium value among all hunting periods analysed. In t2018/2019, during the beginning of the hunting season, the abundance increased from the first to the second decade of November;