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Transição para a paternidade no período pré-natal: um estudo qualitativo

Authors:

Abstract

Resumo Tornar-se pai exige um processo de desenvolvimento pessoal, reorientação interior e adaptação ao novo papel. A literatura sobre este processo tem sido parca, desvalorizando o quão desafiante e problemática pode ser a transição de se tornar pai. Este estudo, de caráter qualitativo, exploratório, descritivo, transversal e retrospetivo procurou compreender as vivências dos homens na transição para a paternidade durante o período pré-natal. Incluiu uma amostra de 10 homens a vivenciar, pela primeira vez, a gravidez da parceira. Recurso à entrevista semiestruturada como técnica de coleta de dados. Análise de dados com técnica de análise de conteúdo, com categorização semântica e abordagem indutiva. Como resultados, emergiram 3 temas: “experienciar da transição”, “desenvolvimento da identidade como pai” e “(des)construção de pontes para a transição”. Este estudo aprofunda a compreensão desta transição desenvolvimental e desafia a uma reestruturação dos cuidados pré-natais no sentido da inclusão da figura paterna.
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Transição para a paternidade no período pré-natal:
um estudo qualitativo
Transition to fatherhood in the prenatal period: a qualitative study
Resumo Tornar-se pai exige um processo de
desenvolvimento pessoal, reorientação interior e
adaptação ao novo papel. A literatura sobre este
processo tem sido parca, desvalorizando o quão
desafiante e problemática pode ser a transição de
se tornar pai. Este estudo, de caráter qualitativo,
exploratório, descritivo, transversal e retrospetivo
procurou compreender as vivências dos homens
na transição para a paternidade durante o perío-
do pré-natal. Incluiu uma amostra de 10 homens
a vivenciar, pela primeira vez, a gravidez da par-
ceira. Recurso à entrevista semiestruturada como
técnica de coleta de dados. Análise de dados com
técnica de análise de conteúdo, com categorização
semântica e abordagem indutiva. Como resulta-
dos, emergiram 3 temas: “experienciar da transi-
ção”, “desenvolvimento da identidade como pai” e
“(des)construção de pontes para a transição”. Este
estudo aprofunda a compreensão desta transição
desenvolvimental e desafia a uma reestruturação
dos cuidados pré-natais no sentido da inclusão da
figura paterna.
Palavras-chave Homens, Pais, Gravidez, Enfer-
magem
Abstract Becoming a father requires a process of
personal development, inner reorientation, and
adaptation to a new role. The literature on this
process has been sparse, devaluing how challen-
ging and problematic the transition to becoming
a father can be. This qualitative, exploratory, des-
criptive, cross-sectional and retrospective study
sought to understand the experiences of men in
the transition to fatherhood during the prenatal
period. It included a sample of 10 men experien-
cing, for the first time, a partner’s pregnancy. The
data collection technique used was semi-struc-
tured interviews. The content analysis technique
with semantic categorization and an inductive
approach was used to analyze the data. As a re-
sult, 3 topics emerged: “experiencing the transi-
tion,” “development of the father identity” and
“(de)constructing bridges for the transition”. This
study deepens the understanding of this develo-
pmental transition and challenges the restructu-
ring of prenatal care towards the inclusion of the
father figure.
Key words Men, Fathers, Pregnancy, Nursing
Catarina Silva (https://orcid.org/0000-0002-7597-9343) 1
Cândida Pinto (https://orcid.org/0000-0003-4874-6728) 2
Cristina Martins (https://orcid.org/0000-0003-2047-6607) 3
DOI: 10.1590/1413-81232021262.41072020
1 ACES Alto Ave. Portugal.
R. Francisco Fernandes
Guimarães, Urgezes. 4810-
503 Guimarães Portugal.
catsilva@gmail.com
2 Escola Superior de
Enfermagem do Porto.
Porto Portugal.
3 Escola Superior de
Enfermagem, Universidade
do Minho. Minho Portugal.
ARTIGO ARTICLE
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Silva C et al.
Introdução
Historicamente, os homens têm sido considera-
dos como secundários, e às vezes desnecessários,
no processo de transição para a parentalidade, e
as representações dos mídia disseminam e refor-
çam estas mensagens culturais1. Não obstante,
a literatura evidencia que os homens fornecem
contributos únicos nesta transição2 e influenciam
o crescimento/desenvolvimento e o bem-estar
das crianças3. Na contemporaneidade, assiste-se
a uma paternidade caracterizada por uma mas-
culinidade mais afetuosa, de um pai mais envol-
vido na gravidez e no nascimento, e nos cuidados
e educação aos filhos4. Tais diferenças ressaltam
um cenário de instabilidade face à parentalidade
e às complexidades da vida familiar, e requerem
uma reflexão ampla sobre o que significa ser pai e
mãe no século XXI5.
Tornar-se pai é uma jornada desafiadora
para o homem, um processo transformativo de
metamorfose que começa durante a gravidez6.
A gravidez é um período exigente em termos de
reorganização psicológica do eu7 e é nesse perí-
odo que começa o desejo de ser um bom pai8. O
entusiasmo e a alegria que se experiencia pelo fu-
turo nascimento de um filho é comumente tres-
passado pelo medo de se tornar pai, por sentir-se
despreparado e inseguro face às expectativas da
parceira acerca do seu papel de pai9.
Não estar preparado para esta transição pode
ter implicações importantes no relacionamento
do casal e da díade pai/filho, no desenvolvimen-
to do bebê10 e em toda a família11. A literatura
destaca que o envolvimento dos homens desde
fases precoces da gravidez, além de promover o
seu próprio bem-estar psicológico12, se estende a
todo o agregado familiar11.
A enfermagem tem contribuído para o enten-
dimento do conceito de transição numa perspec-
tiva da vida e da saúde das pessoas, definindo-a
como uma passagem ou movimento de um estado,
condição ou lugar para outro13, implicando que a
pessoa chegue a um período de maior estabilida-
de14. O estudo das transições é particularmente
relevante porque a vulnerabilidade das pessoas
em transição pode repercutir-se na sua saúde e
bem-estar. Na transição desenvolvimental da pa-
ternidade, em particular, além dos riscos que de-
correm do processo de transição (como em qual-
quer outra), acresce a contingência da qualidade
da interação e relação pai/filho poder, desde logo,
ficar comprometida.
Esta investigação surge no contexto de apro-
fundamento deste fenômeno, procurando dar
resposta à questão de investigação Como é viven-
ciado pelo homem o processo de transição parental,
durante o período pré-natal?. Pretende-se com-
preender as vivências da transição para a pater-
nidade, durante o período pré-natal, de pais pela
primeira vez.
Métodos
Estudo exploratório, de carácter descritivo, trans-
versal e retrospectivo, inserido num paradigma
de investigação qualitativo. A pesquisa qualitativa
permite a compreensão dos comportamentos a
partir da perspectiva das pessoas sob investigação
e a recolha de dados ricos em pormenores descri-
tivos relativamente a pessoas, locais e conversas,
possibilitando a acepção à riqueza da experiência
humana15, assumindo aqui o significado de uma
função estruturante16.
O estudo foi desenvolvido com pais que se
encontravam a realizar o Curso de Preparação
para o Parto numa unidade de cuidados da re-
gião norte de Portugal. A escolha desta unidade
de saúde teve subjacente um critério de conve-
niência, pela proximidade geográfica do local
onde desenvolvemos a nossa prática profissional
diária.
Os participantes obedeceram aos seguintes
critérios de inclusão: homens a vivenciar pela
primeira vez a gravidez da parceira, no último
trimestre de gravidez, em regime de coabitação e
gestação sem patologia materno-fetal, e que acei-
taram participar no estudo.
Participaram no estudo 10 homens, com
idades compreendidas entre os 27 e os 40 anos,
8 casados e 2 a viverem em união de fato, com
profissões diversificadas (2 empresários, 1 pro-
fessor de educação física, 1 enfermeiro, 1 médico,
1 eletricista, 2 agentes imobiliários, 1 vendedor e
1 operário fabril) e grau de escolaridade variou
entre o segundo ano de ensino médio e a licen-
ciatura. As companheiras grávidas tinham idades
gestacionais entre as 33 e 38 semanas, aquando
da coleta de dados.
A representatividade da amostra foi determi-
nada por saturação de dados17.
A entrevista semiestruturada foi a técnica de
coleta de dados selecionada. Permite uma mar-
gem considerável de movimentos dentro de sua
estrutura, tendo o entrevistado liberdade de falar
sobre o assunto e exprimir as suas opiniões18 e o
entrevistador a possibilidade de reconduzir a en-
trevista cada vez que o entrevistado se afaste dos
objetivos preconizados19.
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A pergunta aberta usada para iniciar a entre-
vista foi: “Como tem sido a sua experiência desde
o momento em que soube que seria pai?” Cada
participante foi entrevistado apenas uma vez. As
entrevistas aconteceram durante os meses de fe-
vereiro a abril de 2017, no espaço onde decorria
o Curso de Preparação para o Parto, local sele-
cionado pelos participantes. As conversas foram
gravadas usando um gravador de voz (disposi-
tivo MP3). Concluída cada entrevista, a pesqui-
sadora principal escreveu anotações de campo e
transcreveu a gravação.
As entrevistas foram analisadas pela técnica
de análise de conteúdo segundo Bardin20, com
categorização semântica e abordagem indutiva.
No processo de análise de dados utilizamos o
programa Qualitative Solutions Research (QSR)
NVivo, versão 11.0.
Todos os participantes validaram as entrevis-
tas e a precisão das interpretações. Dois investi-
gadores externos reviram as interpretações e con-
clusões para garantir credibilidade.
Os princípios éticos foram cumpridos, no-
meadamente o consentimento informado, a par-
ticipação voluntária e o direito dos participantes
de desistirem do estudo. A aprovação ética foi
obtida pela Comissão Nacional de Proteção de
Dados e pela Comissão de Ética da Administra-
ção Regional de Saúde do Norte. Para salvaguar-
dar o anonimato dos participantes, bem como a
confidencialidade dos dados obtidos através de-
les, as entrevistas foram codificadas (E1 a E10)
e destruídas após a conclusão desta investigação.
Resultados
“Experienciar da transição”, “Desenvolvimento
da identidade como pai” e “(Des)construção de
pontes para a transição” são os temas que emer-
gem desta investigação, clarificando a transição
desenvolvimental do tornar-se pai. Evidenciam o
período pré-natal como momento chave da tran-
sição para a paternidade, marcado pela enorme
exigência psíquica e emocional e afigurando-se
como motor do desenvolvimento da identida-
de paterna. As categorias que integram cada um
destes temas constam no Quadro 1.
Experienciar da transição
Experienciar da transição é um tema que des-
creve o percurso de organização e adaptação que
o homem atravessa ao longo da gravidez, desde
o período inicial de aceitação da realidade ao seu
efetivo envolvimento na gravidez e ao desenvol-
vimento do sentimento de apego e pertença pelo
feto, numa trajetória marcada por várias mudan-
ças sentidas e respostas emocionais.
As ecografias e a percepção dos movimentos
fetais destacam-se como acontecimentos chave
desta experiência, promotores da aceitação da
realidade, que permitem aos homens posiciona-
rem-se num espaço emocional mais próximo da
gravidez e do feto: Quando o vemos na ecografia,
lá está, temos mais um reforço da realidade e de
que realmente ele está a crescer [...] e se até agora
havia aquela dúvida, com a ecografia é “ele existe
mesmo”. E(4); começamos a sentir os próprios mo-
vimentos do bebê, os pontapés, o fato de colocarmos
a mão na barriga da mãe e começarmos a sentir, eu
acho que esse laço cada vez é mais forte E(2).
Os homens expressam o seu envolvimento
na gestação demonstrando compromisso e res-
ponsabilidade e estando presente: Tenho parti-
cipado 100% na gravidez, sem dúvida nenhuma,
tenho ido às consultas todas. Tenho-me esforçado
por ir a todas [...] porque é o meu filho, eu quero
participar em tudo, eu quero ver tudo, não sei se
num segundo filho será assim, mas neste momento
é assim, eu quero ir e participar em tudo. Tenho
participado nessas experiências todas, umas é para
a coleta de sangue, outras é para as vacinas. E(9).
Procuram zelar pela saúde e bem-estar da grá-
vida, e encaram este cuidar extensível ao ser no
útero: o que eu tento é fazer com que não falte nada
às duas, cuidar da mãe para a filha também estar
bem. E(6).
São várias as mudanças sentidas durante esta
transição, que podem ser encaradas como es-
tratégias preparatórias para o assumir do papel
paterno. Integram mudanças comportamentais,
que se refletem em decisões de cessação tabágica,
condução mais cuidada, atitude mais defensiva
nos desportos radicais ou outros cuidados consi-
go próprios, com o objetivo de assegurarem que
estarão presentes na vida do filho: quando eu digo
mudar comportamentos seja na estrada, seja na
saúde, seja na vida pessoal, vem uma criança que
vai precisar de mim durante muitos anos, de mim
e da mãe, temos de estar lá enquanto a vida nos
permitir. E(8); mudanças emocionais, vendo-se
como mais sensíveis, calmos e felizes, fiquei mais
ponderado e mais calmo porque eu sou uma pessoa
muito estressada e por tudo e por nada começo a
resmungar… fiquei mais ponderado, mais calmi-
nho também. E(3); mudanças físicas, refletidas
em sintomas habitualmente associados à gravi-
dez, como aumento de peso, náuseas, vômitos,
cansaço e azia, Eu antes da gravidez era daque-
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Silva C et al.
les que levantava cedo para ir passear o meu cão
e mesmo à noite, … agora pareço uma grávida,
super cansado E(3); e mudanças que perpassam
a vida social, tendo tradução nos reajustes que
encetam para proporcionarem mais conforto à
grávida ou disporem de mais tempo para estarem
com ela: fui treinador de futebol durante 4 anos,
agora saí porque a minha esposa está grávida, já foi
uma coisa que tive de abdicar para estar mais com
ela se não eram muitos dias fora, chegava sempre
mais tarde E(5). As mudanças expectáveis após o
nascimento do filho também são alvo de reflexão
dos futuros pais, pois acreditam que ela [parcei-
ra] vai ficar mais voltada para a filha do que para
mim, mas é normal que assim seja E(6).
As respostas emocionais reportadas são in-
tensas e diversificadas, tornando a gravidez um
período complexo e exigente do ponto de vista
psicoemocional. Oscilam entre reações emocio-
nais positivas, como alegria e felicidade, saber que
ela estava grávida foi uma alegria, foi uma emo-
ção bastante grande. E(7), e respostas emocionais
negativas, como medo, ansiedade, insegurança
e preocupação, A preocupação que me consome
é mesmo a saúde da bebê, só quero que ela este-
ja bem. E(10). A metáfora “montanha russa de
emoções” é bastante expressiva do quão forte,
ambivalentes e intensas são as emoções experien-
ciadas pelos homens durante a gravidez: É uma
montanha russa de emoções, temos umas emoções
em que estamos muito felizes porque estamos com o
bebê, e sabemos que está grávida e ao mesmo tem-
po estamos sempre com medo que aconteça alguma
coisa. E(9). Da panóplia de respostas emocionais
que se situam no domínio negativo, as que mais
ganham terreno na experiência dos homens é o
medo de falhar enquanto pai e a ansiedade re-
lacionada com a responsabilidade face a um ser
dependente e o desejo de ter o filho nos braços e
constatar que é saudável.
Desenvolvimento da identidade como pai
O tema desenvolvimento da identidade como
pai captura a essência da jornada de desenvolvi-
mento pessoal que o homem empreende ao lon-
go da gravidez e que lhe vai permitir preparar-se
para assumir novos papéis e novas responsabili-
dades. Neste processo, o homem faz uma avalia-
ção de si mesmo, das suas experiências enquanto
filho, e das suas responsabilidades e prioridades,
abrindo a possibilidade para mudanças de valo-
res e objetivos, incluindo os valores da vida pro-
fissional. Posiciona-se num espaço psicológico
e social que lhe permite perspectivar a vida de
uma forma diferente e encetar uma redefinição
de valores e prioridades pessoais no contexto de
ser pai, acho que começamos a olhar a nossa vida
de um modo diferente, se calhar a dar prioridade a
outras coisas que antes da gravidez não dávamos,
nomeadamente no trabalho, às vezes focamos mui-
to no trabalho e depois, quando sabemos que va-
mos ser pais, acho que começamos a pensar naquilo
que temos de alterar na nossa vida E(2). O foco
passa a ser a família e o bebê que está prestes a
fazer parte da sua vida.
Quadro 1. Temas e categorias resultantes da análise de dados.
Temas Categorias
Experienciar da transição Aceitação da realidade
Envolvimento na gravidez
Mudanças sentidas
Respostas emocionais
Desenvolvimento da identidade como pai Redefinição de valores e prioridades
Significado do papel paterno
Sentido de responsabilidade
Reflexão sobre as experiências enquanto filho
Sentir-se pai
(Des)construção de pontes para a transição Suporte recebido
Procura de informação
Experiência prévia com bebês
Sentir-se preparado para ser pai
Filho um objetivo de vida
Significado atribuído à transição
Exclusão da figura paterna
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Quanto ao significado de papel paterno, so-
bressai uma acepção fortemente marcada pela
atribuição de apoio à grávida e ao filho no útero,
espelhando uma construção social em transfor-
mação: Eu acho que o homem tem de deixar de
pensar que é aquela pessoa que só serve para ga-
nhar dinheiro e para colocar dinheiro em casa mas
eu acho que o homem tem que tentar perceber que
é um elemento chave na experiência de uma gravi-
dez e, portanto, deve estar muito próximo de todo
este processo, inclusive no apoio da mãe e nos afetos
à mãe e bebê. E(2). Destaca-se a representação de
uma figura paterna muito presente na vida coti-
diana da criança, ser pai é ser pai a tempo inteiro
E(8), no educar, no amar e no afeto manifestado.
A gravidez despoleta o amadurecimento
psicológico e o sentido de responsabilidade, eu
sinto isso, mas é uma responsabilidade boa porque
eu sempre quis ser pai E(1), e instiga o homem a
uma reflexão sobre as experiências enquanto fi-
lho, tendo como premissa a construção cognitiva
do modelo parental que deseja para o futuro. A
construção da identidade enquanto pai é per-
meada pela história individual de cada homem
e seus padrões familiares, seja para negá-los,
confrontá-los ou confirmá-los: Penso muito nis-
so, penso na educação, penso no que foi a minha
educação e naquilo que poderia ter sido diferente,
e digamos que posso tentar evitar alguns erros, al-
guma coisa que podia ter sido melhor na minha e
tentar agora fazer melhor para ele E(4). O desejo
de uma experiência parental singular permanece,
contudo, sempre presente.
Para alguns homens, o sentir-se pai emerge
com a confirmação da gravidez, o primeiro tes-
te, quando fizemos o primeiro teste senti ser pai,
senti que há algo ali, é um ser ali. E(8), mas, para
outros, apenas o parto, que ainda não aconteceu,
mas está próximo, permitirá a fundação identi-
tária, eu se calhar só me vou sentir completamente
pai no dia em que a minha filha nascer. E(10).
(Des)construção de pontes para a transição
A (des)construção de pontes para a transição
é um tema que procura explicitar as condições
que favorecem ou, contrariamente, inibem a vi-
vência de uma experiência de transição positiva
pelos homens, ao longo do caminho para a pa-
ternidade.
A maioria dos homens do estudo reporta su-
porte recebido ao longo da gravidez e destaca, em
primeiro lugar, o cônjuge como fonte de suporte:
Sim, tenho recebido muito apoio da minha esposa
e tenho dado apoio também. Isto é mútuo E(1). A
família ganha também destaque no discurso dos
homens tenho um círculo familiar que graças a
Deus é muito forte [...] É um apoio mais emocio-
nal, aquele apoio que eu vou recebendo muitas ve-
zes em tom de brincadeira até para descomprimir,
temos até brincado com isso e até tem sido muito
saudável essas brincadeiras porque, parece que não,
mas nós vamos interiorizando. E(9), assim como
os amigos que se preocupam com o bem-estar
nesta transição: Os amigos também fazem parte
desse leque de pessoas que se preocupam, tenho
amigos que até todas as semanas enviam mensa-
gem [...] são muito importantes, nesta caminhada
que a gente está a percorrer E(5).
No sentido de se prepararem para a paterni-
dade, os futuros pais investem na busca de co-
nhecimento. Procuram informação na internet,
Realmente senti necessidade de procurar informa-
ção na internet sobre a sexualidade na gravidez.
Se podemos, se devemos ou não, os cuidados a ter.
Sim, senti necessidade de procurar informação, tive
dúvidas sim. E(4); em livros, eu já estou a ler des-
de que sei que vou ser pai, há coisas que eu estou
a ouvir aqui que sei [...] talvez por estar a ler al-
guns livros não sinto falta de informação porque
já a tenho do outro lado, talvez isso. E(6), e tam-
bém buscam informação junto dos amigos que
já são pais, permitindo-lhes antecipar mudanças
que irão acontecer e tornar a vivência da gravi-
dez mais tranquila: Tenho alguns amigos que já
são pais e outros são da área da saúde e com eles
tento retirar o máximo de informação [...] isso vai
nos ajudando para que o caminho da gravidez seja
visto de uma forma mais calma, se não procuramos
informação, se não nos preocupamos com nada e se
acontece alguma coisa vemo-nos entre a espada e a
parede e é assustador. E(9).
A maioria dos homens refere ter alguma ex-
periência prévias com bebês, não só em termos
de interação, mas também de prestação de cui-
dados diretos, e esse conhecimento experiencial
fá-los sentirem-se mais capacitados para o de-
sempenho do papel de pai: eu como tive sempre
sobrinhos que frequentaram a casa dos meus pais
[...] e fazia-lhes tudo, desde mudar a fralda, dar-
lhes a papa, dar-lhes mamadeiras e passeá-los [...]
Claro, aí tenho outra bagagem, tenho outra prepa-
ração nesse sentido, preparação que muitas pessoas
não têm. E(3). Experiências muito limitadas ou
a ausência de experiências do cuidar de crianças
também são descritas por alguns participantes,
despertando ansiedade na transição para a pa-
ternidade: Realmente não tenho essa experiência
de tomar conta de bebês, de ficar a meu encargo.
A relação que tenho é de ficar um bocadinho, mas
470
Silva C et al.
não ficar responsável por eles e realmente, pronto,
provoca mais ansiedade por causa disso. E(4).
O fato de se tratar de uma primeira gravidez
não favorece que os homens se sintam prepara-
dos para serem pais, pois ninguém está preparado
para ser pai, pelo menos pela primeira vez acho
que ninguém está, ninguém sabe o que é que é, a
gente só sabe aquilo que nos dizem E(6). Perspec-
tivar o filho como um objetivo de vida, ou seja,
fruto do desejo e planejamento da gravidez pro-
picia a construção de pontes para a transição e
impulsiona motivação para a superar. O signi-
ficado atribuído à transição é indubitavelmente
positivo; o adjetivo que mais caracteriza a tran-
sição para a paternidade é “bom”: um pedaço de
mim vai nascer e eu acredito mesmo que ter uma
filha será muito bom, apesar das dificuldades que
acredito que também terei. E(1), o que favorece a
fundação de expectativas positivas acerca do pro-
cesso de tornar-se pai.
A experiência dos homens durante as consul-
tas de vigilância pré-natal é descrita pelos partici-
pantes como sendo de exclusão da figura paterna.
Realçam um discurso profissional voltado para a
mulher, sendo o homem deixado de parte: acho
que faz parte também, um bocadinho, aos médicos
darem um discurso um bocadinho centrado tam-
bém para os pais, e não fazem isso. Realmente há
pais que não têm noção do que é ter um filho ou o
que poderá vir a ser [...] Claro que tem de haver
sempre alguma coisa para o pai, acho eu, mas nem
sempre há. E(3).
A distância sentida face aos profissionais de
saúde e cuidados que prestam faz com que o
homem se caracterize como a “personagem” se-
cundária da história: sinto que estou ali a fazer
o meu papel de pai, e que olham para mim como
alguém que está ao lado da mãe apenas, não te-
nho outro tipo de participação [...] na prática nós
somos mesmo a personagem secundária da história
E(7). Apresentam, por isso, algumas sugestões
de melhoria para se poderem sentir efetivamen-
te envolvidos na vigilância pré-natal. Uma das
mais importantes prende-se com os horários
das consultas, reconhecendo que não favorecem
a presença masculina, mesmo que haja vontade
de participação: Mais uma vez é os horários, ou é
de manhã ou durante a manhã, ou durante a tar-
de [...] Gostava, claro que gostava, mas não dá, e
depois ela lá me vai passando as informações e eu
gosto de a ouvir E(8).
Discussão
Este estudo destaca o período pré-natal como um
propulsor do desenvolvimento da identidade pa-
terna. Durante a gravidez os futuros pais empre-
endem um exercício reflexivo no que se reporta
ao modelo parental que desejam para o futuro.
A experiência de infância incita-os a seguir o
modelo educacional de seus pais quando percep-
cionam que a educação recebida foi positiva mas,
sobretudo, os homens desejam ser diferentes e
melhores para o filho do que os seus próprios pais
tinham sido para eles. A literatura confirma que a
construção da identidade paterna é influenciada
pelas experiências da infância e pela presença ou
ausência de figuras paternas na vida da criança21.
A percepção de uma experiência inadequada ou
insatisfatória com o seu próprio pai impulsiona
o homem a adoptar um relacionamento mais
próximo com o seu próprio filho22. Esta reflexão
sobre a infância constitui uma reação normal
face à paternidade iminente e permite solidificar
a autoimagem mental do tipo de pai que o ho-
mem pretende vir a ser6. Favorece o ajuste psico-
lógico ao papel paterno e irá influenciar o estilo
parental futuro23-25. A construção da identidade
enquanto pai envolve um complexo trabalho
subjetivo, consciente e inconsciente, de elaborar
as heranças recebidas dos próprios pais e decidir
se as transmitirá aos filhos25,26.
No desenvolvimento da identidade pater-
na, testemunhamos a reformulação de valores e
prioridades dos homens, o que também encontra
reflexo noutras pesquisas6,27. Questionam a pró-
pria definição de paternidade e abrem a possibili-
dade a uma nova concepção e forma de vivenciar
a paternidade, com maior intensidade afetiva. Os
afetos foram transversais aos relatos dos entrevis-
tados, sendo expectável que possam ocupar, no
exercício parental, um lugar mais confortável na
esfera domiciliar, outrora ocupada apenas pela
mulher/mãe. No que se reporta ao incremento da
responsabilidade e amadurecimento psicológico
em resposta à paternidade iminente, a literatura
destaca que a percepção do significado da pater-
nidade pode desempenhar um papel fundamen-
tal no desempenho das responsabilidades pater-
nas28 e que o amadurecimento é motivado pela
dependência que filho terá na satisfação das suas
necessidades29.
As ecografias e os movimentos fetais foram
destacadas pelos homens como experiências po-
derosas na confirmação e aceitação da gravidez.
Em particular, a ecografia permite uma percep-
ção rica da realidade do bebê e estimula a rápida
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Ciência & Saúde Coletiva, 26(2):465-474, 2021
expansão de pensamentos e sentimentos sobre
como se tornar num pai30. Isto representa uma
mudança transicional significativa, em que os
homens se movem de um espaço emocionalmen-
te distante e passam a se sentir mais envolvidos
na gravidez31, sendo esses momentos considera-
dos, pelo autor, como eventos chave na transição
para a paternidade.
O desejo de envolvimento na gravidez, de-
monstrado no presente estudo, vai ao encontro
dos achados de Kaye et al.32, no qual os homens
elencam as características de um pai ideal no
contexto da gravidez e do parto. Descrevem-no
como acessível (presente, disponível) e responsá-
vel (preocupado com a mulher, cuidador e pro-
tetor), um pai que espera e quer se envolver, se
preocupa com a gravidez e com o futuro filho,
e quer ser apoiado pelo sistema de saúde para
cumprir o seu papel.
Este estudo corrobora, também, a gravidez
como um período complexo e exigente do ponto
de vista psicoemocional33. As reações emocio-
nais reportadas foram intensas e ambivalentes,
achados consistentes com outras investigações,
que evidenciam vivências masculinas da gravidez
caracterizadas por sentimentos mistos de admi-
ração, descrença, ansiedade, medo e insegurança,
além de sentimentos de felicidade, emoção, ale-
gria e orgulho28,34,35. A ansiedade cresce à medida
que o nascimento se aproxima. Níveis elevados
de ansiedade e sintomas depressivos durante a
gravidez são os preditores mais significativos de
depressão em homens no período pós-natal36,
destacando a necessidade de maior apoio aos ho-
mens no período pré e pós-natal. Convém, con-
tudo, ressalvar que os homens são socializados
para não pedirem ajuda e o quão difícil poderá
ser fazê-lo durante um período em que acreditam
que precisam apoiar e prover a sua parceira. A li-
teratura é unânime ao salientar que os homens
sofrem dificuldades psicológicas no período pe-
rinatal, mas internamente questionam a legiti-
midade das suas experiências, apresentando-se,
muitas vezes, relutantes em expressar as suas ne-
cessidades de suporte ou procurar ajuda face às
suas preocupações. Receiam que esse fato possa
prejudicar a satisfação das necessidades das suas
parceiras por parte dos profissionais de saúde37.
A literatura reforça que as mudanças com-
portamentais, emocionais, físicas e sociais expe-
rienciadas pelos homens em resposta à gravidez
da parceira sinalizam a compreensão da sua res-
ponsabilidade e um compromisso precoce para
com o bem-estar da sua família38-41. A rede de
apoio familiar, da parceira e dos amigos, como
provedores de suporte emocional, informativo e
tangível41,42, torna-se assim crucial na facilitação
deste processo transicional43.
Durante o processo gravídico, os homens as-
sumem uma postura pró-ativa e tentam envol-
ver-se, mas encontram obstáculos e não pontes
para a sua transição. A atitude que permeia os
serviços pré-natais é, na perspectiva dos futuros
pais, uma prática pouco inclusiva da figura pa-
terna. Sentem-se excluídos pelos profissionais de
saúde, que concentram os seus cuidados na mu-
lher e no feto, não os reconhecendo como parcei-
ros iguais em transição, tal como se comprova em
outras pesquisas44-47.
Homens que são reconhecidos na sua nova
posição de futuros pais e experienciam apoio
emocional durante a gravidez apresentam me-
lhor saúde física e psicológica12. O envolvimento
ativo dos homens na gravidez está associado a
benefícios a longo prazo, quer a nível da saúde,
quer social para a mãe, o bebê e a família33,48,49, e
está fortemente correlacionado com um envolvi-
mento direto dos homens nos cuidados infantis
no pós-parto50. Responder às necessidades dos
homens durante a gravidez pode funcionar como
uma intervenção precoce para o sistema familiar
e de redução do custo financeiro para os serviços
de saúde a longo prazo6.
Pese embora seja clara a evidência dos ga-
nhos, a vários níveis, do envolvimento precoce do
homem no pré-natal, a sua transferibilidade para
a prática clínica dos profissionais de saúde não
se confirma, perpetuando os homens invisíveis
nos cuidados pré-natais. Aquilo que se exige ao
homem moderno – uma maior sensibilidade e o
exercício de uma paternidade mais responsável e
participativa – não encontra reflexo nas práticas
clínicas, que continuam a criar linhas de fragili-
zação no exercício da paternidade. A lente este-
reotipada com que é encarado traduz-se numa
prática baseada no gênero, com discriminação
masculina51.
À luz da teoria das transições14, as práticas
clínicas que excluem a figura paterna podem ser
perspectivadas como fatores inibidores da tran-
sição para a paternidade, podendo afetar a per-
cepção de segurança para a assunção das funções
de pai. Em contrapartida, práticas inclusivas têm
o potencial de aumentar a confiança, diminuir o
medo e aumentar a resiliência dos futuros pais
face à incerteza e à adversidade, sendo, assim,
promotoras de uma transição mais positiva. Fa-
mílias saudáveis, e os papéis paternos desempe-
nhados dentro das mesmas, não acontecem por
acaso, mas dependem de habilidades relacionais,
472
Silva C et al.
maturação psicológica, modelos adequados e
ambientes estimulantes, que podem e devem de-
senvolver-se ao longo da gravidez.
Os profissionais de saúde podem ser elos
promotores de uma transição para a paterni-
dade mais positiva. Como muitas das respostas
emocionais experienciadas pelos homens são
delicadas e constrangedoras, os profissionais de-
verão dispor de sensibilidade e de um conjunto
de competências e habilidades comunicacionais
e interpessoais para conseguirem apoiar efeti-
vamente os homens em transição. No âmbito
dos cuidados de saúde, há que incluir o homem
como foco de atenção.
Como limitações do estudo, importa salva-
guardar que seu cariz qualitativo não permite
a generalização dos resultados, remetendo-nos
para uma realidade contextual. O fato de a amos-
tra ser constituída apenas por pais cujas com-
panheiras frequentaram o Cuso de Preparação
para a Parto não nos permite saber se os pais
com companheiras que não o frequentem têm as
mesmas vivências, pelo que, a título de sugestão,
seria pertinente alargar o estudo a esta população
de pais. Estudos comparativos com pais pela pri-
meira vez e pais com experiência poderiam ser
também desenvolvidos, assim como poderia ser
alargada a investigação a outros estádios do pro-
cesso de transição para a paternidade, numa ló-
gica longitudinal. Outra linha de pesquisa futura
poderia explorar, na perspectiva dos profissionais
de saúde, os motivos da exclusão da figura pater-
na do período pré-natal.
Colaboradores
C Silva trabalhou na concepção, análise, interpre-
tação dos dados e redação do artigo, e C Pinto e
C Martins trabalharam na concepção, análise, in-
terpretação dos dados, redação do artigo e apro-
vação da versão a ser publicada.
473
Ciência & Saúde Coletiva, 26(2):465-474, 2021
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Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons
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Artigo apresentado em 03/04/2020
Aprovado em 15/05/2020
Versão final apresentada em 17/05/2020
Editores chefes: Maria Cecília de Souza Minayo, Romeu
Gomes, Antônio Augusto Moura da Silva
... Neglecting this care and not being prepared or experiencing adjustment difficulties may result in negative consequences for the infant's cognitive, social, and emotional development (Bawadi et al., 2016;Edward et al., 2015;Sethna et al., 2015), the father's mental health and well-being, and the relationship between the parents and the child and between partners, as well as on the family as a whole (Silva et al., 2021). ...
... Specifically, the process itself of men transitioning into first-time fatherhood has not been as researched in terms of men's own experiences or needs during this period (Charles et al., 2018;van Vulpen et al., 2021). In this context, previous grounded theory studies have focused on pregnancy (Sansiriphun et al., 2015;Silva et al., 2021), stages of labor, delivery, and family beginning (Sansiriphun et al., 2010), lacking a broader approach from men's perspective. ...
Article
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Becoming a first-time father is an important transition period in men's lives that is frequently accompanied by joy and happiness. Engaging fathers has a broader impact on family and community and on fathers’ own well-being. This study explores the process of men becoming first-time fathers and the experiences and challenges involved. Seventeen interviews with men in different stages of pregnancy, childbirth, and the postpartum period were carried out. Through a grounded theory design, a novel four-stage theoretical model emerged that represents the journey into first-time fatherhood. These stages are beginning the journey, fatherhood in limbo, facing reality, and settling down. Participants suggested that achieving a new normality was the final stage wherein they finally felt located with a sense of mastering in their fatherhood journey. The novel theoretical approach of addressing the process of men allowed access to their perspectives in a more complete way. Men's needs are different at every phase of the transition to fatherhood, and the use of these findings can help care providers care for every man according to the stage he is facing. This article is protected by copyright. All rights reserved.
... The transition to first-time or subsequent fatherhood during the perinatal period is considered one of the most significant changes experienced during a man's life (Nešporová, 2019), and it is influenced by social context, personal characteristics and relationship quality (Torche & Rauf, 2020). This transition is a process of personal development and reorientation of self in terms of emotions, intimate relationships and responsibilities (Kowlessar et al., 2014;Silva et al., 2021). There is increasing emphasis on the necessity to include fathers and men across the reproductive life span. ...
Article
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The aim of this study was to explore fathers’ perceptions and experiences of support in the perinatal period. Change in society has seen the increased visibility of fathers being involved during pregnancy and engaging in their infants’ lives and the expectation and benefits of men playing an equal and direct role in caring for their children. However, less is known about the nature of support that fathers require to facilitate this role transition. A scoping review was conducted in accordance with Arksey and O’Malley’s six‐step scoping review framework and the PRISMA‐ScR guidelines. A systematic search of CINAHL Plus, MEDLINE, the Cochrane Library, PsycARTICLES, PsycINFO, Psychology, Soc INDEX and Behavioural Sciences Collections databases for qualitative or mixed methods studies with qualitative data was undertaken. Qualitative data were extracted from original studies for coding and theme generation. Thematic synthesis was employed for the final stages of analysis. Overall, 23 papers were included. Men desired to fulfil their rite of passage to be an involved father to their child. This transitional process commenced with men articulating their commitment to creating a role as an involved father and to be a role model for their children. Becoming a father is seen as having a significant status in society which contributes to their self‐efficacy as fathers. Fathers require support from all levels of the ‘ecosystem’ including policy, socio‐cultural and workplace changes as well as recognition and support from partners, family, peers and in particular from health service providers. Developing the parenting partnership requires a co‐production approach and commitment at macro, meso and micro levels. Supporting men to be engaged fathers requires policy, socio‐cultural and workplace changes; however, maternity services and particularly midwives have an important role in this change.
... Vista a isso, a identidade paterna é despertada, e o homem como futuro pai, tende a realizar várias mudanças, as quais podem ser sentidas durante a identificação paterna, que podem ser encaradas como estratégias preparatórias para assumir o papel paterno. Assim, integram mudanças comportamentais: cessação de tabagismo, condução cuidadosa, atitude mais defensiva nos desportos radicais ou outros cuidados consigo próprios, com o objetivo de assegurar que estará presentes na vida do filho (Silva, Pinto & Martins, 2021). ...
Article
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O presente estudo teve como objetivo descrever os benefícios da participação paterna no ciclo gravídico puerperal para a consolidação do trinômio pai-mãe-filho. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, onde o levantamento do estudo foi realizado entre julho e agosto de 2021, através da BVS, com auxílio das bases de dados LILACS, BEDENF e Biblioteca Virtual SCIELO, utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Pré-Natal; Relações Pai-Filho; e Período Pós-Parto. Após os critérios de inclusão e exclusão, 16 estudos forram selecionados para compor o presente estudo. Os resultados observados nos estudos mostram que a participação do homem deve ocorrer durante todo ciclo gravídico-puerperal, e deve estar em sintonia e de acordo com a companheira, e que durante esse ciclo o acompanhamento do homem/pai pode contribuir para a minimização do medo, anseios e ansiedade durante o pré-natal e outros sentimentos durante o período parturitivo, além de estabelecer um maior vínculo com a mãe e o futuro filho. No entanto, faz-se necessário que os profissionais da saúde durante o acompanhamento da gestante no pré-natal incentivem a participação da figura paterna no acompanhamento da sua parceira para a realização das consultas, tornando possível o vínculo da tríade mãe-pai-filho, a qual pode fortalecer melhor o relacionamento conjugal e familiar.
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O envolvimento paterno no pré-natal é muito importante para as gestantes, o que torna necessário investigar os obstáculos causados pela ausência do parceiro nessa fase. O objetivo do estudo é analisar as dificuldades da inserção paterna no acompanhamento pré-natal, verificando o posicionamento da equipe de saúde, o que leva a essa omissão por parte dos parceiros e a percepção da gestante quanto a essa ausência. Trata-se de uma pesquisa exploratória de finalidade básica, com abordagem qualitativa e quantitativa realizada em 06 unidades de saúde de Vitória da Conquista-Bahia, com duração de 06 meses, no período de agosto a setembro. Os dados qualitativos coletados foram dispostos conforme a análise de dados de Bardin 2016, já os quantitativos, por meio de tabelas realizadas no Excel divididas em dados obtidos. Os resultados do presente estudo relatam a falta de interesse dos pais em comparecer ao pré-natal e como as gestantes estão conformadas com a situação mesmo se sentindo inseguras nesse momento, bem como a falta de incentivo por parte dos profissionais. O presente estudo demonstrou a total falta de interesse tanto dos pais em participar do pré-natal bem como dos profissionais de saúde em incentivá-los nesse momento visto que não possuem preparo e conhecimento suficiente. Apontando a necessidade de novos programas educativos que possam contribuir com a inserção dos pais, promovendo conhecimento e interesse dos mesmos, bem como, proporcionar a qualificação dos profissionais de enfermagem com investimentos na saúde e no conhecimento, ampliando o acesso aos cuidados com a educação permanente e continuada.
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É importante destacar as dificuldades enfrentadas por gestantes e profissionais de saúde na inserção do pai no pré-natal. O estudo objetivou analisar a participação paterna no pré-natal, trata-se de uma revisão integrativa. A pesquisa se desenvolveu a partir da elaboração da questão norteadora: “Qual é a importância da participação paterna no pré-natal?”. A coleta de dados ocorreu em julho de 2022 e foram utilizados na seleção dos artigos o banco de dados: Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE∕PUBMED). Na busca dos artigos nas respectivas bases de dados foi utilizada os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Pai”, “Pré-natal” e “Paternidade”. Para o cruzamento dos termos utilizou-se os operadores booleanos “OR” e “AND”. Após uma leitura minuciosa selecionou-se, ao todo, 16 artigos. Existem dificuldades enfrentadas por gestantes e profissionais de saúde na inserção do pai no período do pré-natal e nascimento dos filhos. O enfermeiro tem papel fundamental nesse cenário, pois deve orientar e estimular as gestantes sobre a importância da presença do companheiro no pré-natal, sem impedi-lo de participar, mas ouvindo as expectativas do casal sobre a paternidade /maternidade.
Chapter
This chapter will explore the topic of engaging individual fathers, beginning with a brief overview of the evolution of research on individual father engagement. Drawing on life course and developmental theories, with particular attention to racial, ethnic, and other intersectional identities, it will also address engagement across the lifespan. In addition, this chapter will draw on family systems theory to explore changes in family structure over time and how such changes have influenced ways of engaging fathers. Specific subgroups of fathers are explored in more detail, including teen fathers, first-time fathers, fathers with multiple partners and households, and grandfathers. This chapter concludes by discussing strategies for engaging diverse fathers that are part of many different family structures and relationships.KeywordsFather engagement Developmental perspectives Life course perspectives Family systems theory
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Objetivo: investigar as contribuições da participação do pai no pré-natal/parto e os fatores que podem interferir neste processo. Métodos: Estudo descritivo-exploratório com abordagem qualitativa e corte transversal realizado entre agosto e setembro de 2017, no setor obstétrico de um hospital público do município de Parnaíba-PI. A amostra constou de 15 pais entrevistados. Os dados foram analisados conforme a análise de conteúdo de Bardin, surgindo três categorias temáticas. Resultados: foi possível perceber que os pais partilham da gestação, proporcionando amparo emocional e afetivo, estando ao lado de suas companheiras, sobretudo, nas consultas de pré-natal. A participação nas consultas foi reconhecida como importante pelos pesquisados visto que segundo eles é uma oportunidade para obter informações sobre a saúde da companheira e de seu filho. O parto foi referido pelos participantes como um momento difícil para mãe, sendo fundamental a presença do homem/pai para oferecer suporte a esta, embora nem todos tenham participado deste momento. Conclusão: Os resultados apontam uma tendência de um homem/pai mais presente/participante da gestação e do parto de suas companheiras, e as contribuições positivas desta para o relacionamento do casal e espera do filho.
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Objectives: To describe the discourse of men about participation in prenatal care and childbirth/birth of their children from the contributions made by nurses. Methods: This is an exploratory study, with a qualitative approach, carried out in the wards of a public hospital/maternity hospital in a city in the Northeast, Brazil. Fifty men participated in the study. Data collection with an individual interview, guided by semi-structured script. The data were recorded, transcribed in full, systematized, categorized, and organized by the Collective Subject Discourse method analyzed under the framework of Gender and Masculinities. Results: It was evident in the collective discourse of men that how fatherhood is understood is in transformation, and that the father's participation in the pregnancy and parturition context is under construction. The study showed the change in behavior of men, as well as the expression of new models of masculinities, about the exercise of assisted parenthood motivated by nurses. Conclusions: Nurses' contributions represented necessary elements for greater adherence and male involvement and revealed a possibility to re-signify male identity from the reconstruction of the idea of fatherhood, in the context of pregnancy and parturition.
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Objective: This study aims to illuminate expectant first-time fathers’ experiences of participation during pregnancy in three Nordic countries. Background: Fathers’ participation in pregnancy is associated with improved health for the family as a whole. Research so far has primarily explored fathers’ participation in pregnancy within health care settings. It is important to know more about how fathers today engage in all aspects of pregnancy. Methods: Content analysis was used to analyse semi-structured interviews with 31 first time fathers from Denmark, Finland and Sweden. Interviews were undertaken when their partner was pregnant 30 weeks or more. Results: Data analysis resulted in the main category ‘Willingness to participate’ and the two generic categories: ‘Being beside the “bump”’ and ‘Cementing the partnership’. ‘Being beside the “bump”’ was supported by the subcategories: ‘Visualising the unborn child’, ‘Being included in the rites of motherhood,’ ‘Lacking full control’, ‘Compensating for lack of embodiment’ and ‘Adopting an active father role’. ‘Cementing the partnership’ encompassed the subcategories: ‘Strengthening the partner relationship’, ‘Meeting the professionals, ‘Sharing experiences with peers’ and ‘Protecting their child and their partner’. Conclusion: Fathers wanted to participate and be responsible from the beginning of pregnancy. Fathers’ participation in pregnancy involves a wide range of activities and strategies both within the domestic and the professional care-giving sphere. Health care professional’s approaches to the father-to-be can enhance or reduce experiences of inclusion in antenatal care.
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Background: The transition to parenthood is an overwhelming life event. From a theoretical perspective, transition to parenthood is a developmental transition that contains certain phases and patterns. Aim: This study aim was twofold (i) discover, describe and comprehend transitional conditions that parents perceive as facilitating and inhibiting during transition to parenthood and to (ii) use that knowledge to develop recommendations for professional interventions that support and facilitate transition to parenthood. Design: Meleis transition theory framed the study's deductive qualitative approach - from planning to analysis. Methods: In a secondary analysis, data were analysed (as per Meleis transition theory) from two studies that implemented interviews with 60 parents in Sweden between 2013 and 2014. Interview questions dealt with parents' experiences of the transition to parenthood - in relation to experiences with parent-education groups, professional support and continuity after childbirth. Ethical issues: A university research ethics board has approved the research. Results: These factors facilitated transition to parenthood: perceiving parenthood as a normal part of life; enjoying the child's growth; being prepared and having knowledge; experiencing social support; receiving professional support, receiving information about resources within the health care; participating in well-functioning parent-education groups; and hearing professionals comment on gender differences as being complementary. These factors inhibited transition to parenthood: having unrealistic expectations; feeling stress and loss of control; experiencing breastfeeding demands and lack of sleep; facing a judgmental attitude about breastfeeding; being unprepared for reality; lacking information about reality; lacking professional support and information; lacking healthcare resources; participating in parent-education groups that did not function optimally; and hearing professionals accentuate gender differences in a problematic way. Conclusion: Transition theory is appropriate for helping professionals understand and identify practices that might support parents during transition to parenthood. The study led to certain recommendations that are important for professionals to consider.
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Background The prevalence of fathers’ depression and anxiety in the perinatal period (i.e. from conception to 1 year after birth) is approximately 5–10%, and 5–15%, respectively; their children face increased risk of adverse emotional and behavioural outcomes, independent of maternal mental health. Critically, fathers can be protective against the development of maternal perinatal mental health problems and their effects on child outcomes. Preventing and treating paternal mental health problems and promoting paternal psychological wellbeing may therefore benefit the family as a whole. This study examined fathers’ views and direct experiences of paternal perinatal mental health. Methods Men in the Born and Bred in Yorkshire (BaBY) epidemiological prospective cohort who met eligibility criteria (baby born <12 months; completed Mental Health and Wellbeing [MHWB] questionnaires) were invited to participate. Those expressing interest (n = 42) were purposively sampled to ensure diversity of MHWB scores. In-depth interviews were conducted at 5–10 months postpartum with 19 men aged 25–44 years. The majority were first-time fathers and UK born; all lived with their partner. Data were analysed using thematic analysis. ResultsFour themes were identified: ‘legitimacy of paternal stress and entitlement to health professionals’ support’, ‘protecting the partnership’, ‘navigating fatherhood’, and, ‘diversity of men’s support networks’. Men largely described their ‘stress’ with reference to exhaustion, poor concentration and irritability. Despite feeling excluded by maternity services, fathers questioned their entitlement to support, noting that services are pressured and ‘should’ be focused on mothers. Men emphasised the need to support their partner and protect their partnership as central to the successfully navigation of fatherhood; they used existing support networks where available but noted the paucity of tailored support for fathers. Conclusions Fathers experience psychological distress in the perinatal period but question the legitimacy of their experiences. Men may thus be reluctant to express their support needs or seek help amid concerns that to do so would detract from their partner’s needs. Resources are needed that are tailored to men, framed around fatherhood, rather than mental health or mental illness, and align men’s self-care with their role as supporter and protector. Further research is needed to inform how best to identify and manage both parents’ mental health needs and promote their psychological wellbeing, in the context of achievable models of service delivery.
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First-time fathers begin to develop their identity during their transition to fatherhood. The new standard for father involvement during this transition hinges on the dual expectation of fathers as caregivers and financial providers, influencing first time fathers’ identity development. By analyzing data collected from six focus groups (N = 47 fathers), this qualitative study details men’s desires and motivation to become good fathers, and the related challenges. The findings support a conceptualization of first-time fatherhood as a “developmental engine” ignited during the prenatal period. Additionally, the findings suggest that differences in fathers’ identity construction fall across social location. Suggestions for future research examining the relationship between first-time fathers’ attitudes about their identities and their uptake of care giving and provider tasks are offered in the context of fathers’ social location and macro-level factors.
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Objective: The aim of this systematic review was to identify and synthesize the best available evidence on first time fathers' experiences and needs in relation to their mental health and wellbeing during their transition to fatherhood. Introduction: Men's mental health and wellbeing during their transition to fatherhood is an important public health issue that is currently under-researched from a qualitative perspective and poorly understood. Inclusion criteria: Resident first time fathers (biological and non-biological) of healthy babies born with no identified terminal or long-term conditions were included. The phenomena of interest were their experiences and needs in relation to mental health and wellbeing during their transition to fatherhood, from commencement of pregnancy until one year after birth. Studies based on qualitative data, including, but not limited to, designs within phenomenology, grounded theory, ethnography and action research were included. Methods: A three-step search strategy was used. The search strategy explored published and unpublished qualitative studies from 1960 to September 2017. All included studies were assessed by two independent reviewers and any disagreements were resolved by consensus or with a third reviewer. The recommended Joanna Briggs Institute (JBI) approach to critical appraisal, study selection, data extraction and data synthesis was used. Results: Twenty-two studies met the eligibility criteria and were included in the review, which were then assessed to be of moderate to high quality (scores 5-10) based on the JBI Critical Appraisal Checklist for Qualitative Research. The studies were published between 1990 and 2017, and all used qualitative methodologies to accomplish the overall aim of investigating the experiences of expectant or new fathers. Nine studies were from the UK, three from Sweden, three from Australia, two from Canada, two from the USA, one from Japan, one from Taiwan and one from Singapore. The total number of first-time fathers included in the studies was 351.One hundred and forty-four findings were extracted from the included studies. Of these, 141 supported findings were aggregated into 23 categories and seven synthesized findings: 1) New fatherhood identity, 2) Competing challenges of new fatherhood, 3) Negative feelings and fears, 4) Stress and coping, 5) Lack of support, 6) What new fathers want, and 7) Positive aspects of fatherhood. Conclusions: Based on the synthesized findings, three main factors that affect first-time fathers' mental health and wellbeing during their transition to fatherhood were identified: the formation of the fatherhood identity, competing challenges of the new fatherhood role and negative feelings and fears relating to it. The role restrictions and changes in lifestyle often resulted in feelings of stress, for which fathers used denial or escape activities, such as smoking, working longer hours or listening to music, as coping techniques. Fathers wanted more guidance and support around the preparation for fatherhood, and partner relationship changes. Barriers to accessing support included lack of tailored information resources and acknowledgment from health professionals. Better preparation for fatherhood, and support for couple relationships during the transition to parenthood could facilitate better experiences for new fathers, and contribute to better adjustments and mental wellbeing in new fathers.This is an open access article distributed under the Creative Commons Attribution License 4.0 (CCBY), which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited. http://creativecommons.org/licenses/by/4.0. Full article can be accessed from: https://journals.lww.com/jbisrir/Fulltext/2018/11000/Mental_health_and_wellbeing_during_the_transition.10.aspx
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Family dynamics and parenting styles are influential on children's wellbeing [Walsh, F. (2016). Strengthening family resilience (3rd ed.). New York: Guilford Press]. Additionally, childhood experiences and how an individual experienced being parented can impact on how individuals as mothers and fathers choose to parent their own children [Herland, M. D., Hauge, M.-I., & Helegland, I. M. (2015). Balancing fatherhood: Experiences of fatherhood among men with a difficult past. Qualitative Social Work, 14(2), 242–258]. However, growing up in a home with an absent parent may create challenges associated with parenting for individuals, due to not having these experiences themselves. Therefore, the article reports findings on men who grew up in a father-absent household and how their experiences influenced their understanding of fatherhood and becoming a father. Twenty-one men participated in this qualitative study. Findings revealed that although men felt unprepared for fatherhood they attempted to learn to be a father and expressed the importance of not wanting their children to experience father absence. The study findings provide important insights in the provision of support for fathers who have experienced father absence.
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Background: despite the evidence that fatherhood has a long-term positive and protective effect on men's health, there is also evidence that fatherhood in the perinatal period can be complex and demanding. Due to the potential increase in stressors in the perinatal period, there is reason to hypothesise that it is a time of increased stress for fathers. However, it is not clear how significant a problem stress is for fathers during this stage of life. This is in part, due to the fact that the available research has not been systematically reviewed. Purpose: the purpose of this systematic review was to critically appraise the empirical evidence that examined stress in fathers in the perinatal period. Design: systematic review. Methods: a systematic review protocol was developed and registered with PROSPERO (Reference number: CRD42016035821). The review was guided by the PRISMA reporting process. Electronic databases Medline, CINAHL, the Cochrane Library, PsycARTICLES, PsycINFO, Psychology and Behavioural Sciences Collections were searched to identify studies that met the inclusion criteria. Studies that researched fathers in the perinatal period were included if stress was the principal focus of the research, if stress was in the title and/or aim of the study or if stress was an outcome or dependent variable. Data were extracted and presented in narrative form including tables and figures. Findings: eighteen studies met the inclusion criteria. The findings indicate that fathers experience stress in the perinatal period, particularly at the time of birth. Stress levels were found to increase from the antenatal period to the time of birth, with a decrease in stress levels from the time of birth to the later postnatal period. There are a number of factors that contribute to stress in fathers in the perinatal period and these included negative feelings about the pregnancy, role restrictions related to becoming a father, fear of childbirth and feelings of incompetence related to infant care. The review found that stress has a negative impact on fathers, with higher stress levels contributing to mental health issues such as anxiety, depression, psychological distress and fatigue. Key conclusion: during the perinatal period fathers experience stress and face unique stressors that can impact negatively on their health and social relationships.
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Pregnancy gives the father the opportunity to experience the unknown, review his roles and to adapt himself to the new cycle that begins. Thus, this article aims to describe on how men experience the pregnancy of their first child besides finding out how they consider their roles as father during the period of gestation. Took part in this qualitative research five fathers in whose wives were pregnant, distributed on the three gestational trimesters. Was performed a semi-structured interview in which the answers were analyzed according to Bardin content analysis (1977). Results showed that men are involved in several ways with their pregnant woman and the baby, excluding material and emotional support. However , some of them still cannot overcome this period easily, which points to the fact that pregnancy is yet a time where men are seeking for new ways to learn about themselves and to explore it, as it does not take place in their own bodies.
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A meta-analysis was undertaken, including 34 studies, to determine whether fathers play a unique role in parenting that is different from mothers. Statistical analyses were done to determine the extent to which the effects of fathering children were distinct from that of mothering. In addition to examining this phenomena overall, the meta-analysis also specifically examined social measurements, psychological indicators, and academic achievement. The possible unique effects of fatherhood were also examined in relation to the age and gender of the child. The results indicate that there were consistent statistically significant effects that emerged for the unique role that fathers have. This association between fathering and the outcome variables held across social measurements, psychological indicators, and academic achievement. This relationship also held for both boys and girls and across age groups. The effects of the unique role of fathering yielded effect sizes of about .14-.23 of a standard deviation unit.
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Contemporary ideologies of fatherhood reflect the importance of instrumental support of breadwinning men; however, there has been an increased emphasis on the expressive and nurturing aspects of fathers. This content analysis explores popular portrayals of fatherhood as conceptualized in articles (N = 50) from five American parenting magazines. Depictions of fathers fell into categories supportive of hegemonic masculinity that emphasized men’s breadwinning identities over their roles as parents. Men were often cast in ambiguous situations where they struggled to establish their parental legitimacy. Many articles revolved around men’s pathways to fatherhood. Fathers who internalize these portrayals of fatherhood from popular media may not view themselves as true parents if they do not see themselves positively represented in generalist parenting depictions.