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Áreas Protegidas e Gestão Territorial. O Caso da Serra da Lousã

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A proteção, conservação e valorização do património natural, cultural e paisagístico configura um dos desígnios de maior relevo no contexto de estratégias e iniciativas internacionais, nacionais, regionais e locais para a gestão e o desenvolvimento sustentável dos territórios e das populações. As áreas protegidas, enquanto eixo nuclear de crescente visibilidade desta temática, revelam uma enorme diversidade de paisagens e sistemas de gestão, refletem uma ampla variedade de estatutos de classificação e estão associadas a um conjunto significativo de valores e funções, com o propósito de conciliar os referidos interesses. Partindo de uma revisão de literatura da especialidade, apresentam-se os resultados de uma investigação aplicada à Serra da Lousã, com o objetivo de fundamentar uma proposta de classificação e induzir um novo modelo de gestão de matriz intermunicipal para esta unidade de paisagem da Cordilheira Central que constitui, cada vez mais, uma referência com contributos inovadores para a afirmação da Região Centro e de Portugal no posicionamento estratégico nacional e internacional no setor do turismo.
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... Protected areas correspond to a significant variety of designations, typologies, geographical environments and management models [62,63] and are increasingly emerging as highly relevant tourist destinations [64,65]. Simultaneously, tourists are looking for personalized activities and experiences of great symbolic value, mostly outdoors, such as hiking, cycling, fauna/flora watching and water activities [66][67][68]. ...
Article
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Based on the scientific literature, this paper emphasises the destination brand experience (DBE) (multidimensional construct and second-order factor) in order to analyse the implications it plays regarding visitors’ satisfaction, their intentions to revisit and their intentions to recommend it. In terms of methodology, a confirmatory factor analysis was used to test the model and the research hypotheses. The sample was composed of 507 tourists who visited the Peneda-Gerês National Park in Northern Portugal. Results showed an acceptable fit. The items of each construct were very strong. Positive significant results were found for all the considered hypotheses, particularly regarding the association of sensory DBE and behavioural DBE (subdimensions of the DBE scale) with satisfaction. The sensory DBE and affective DBE subdimensions of the DBE scale were meaningfully associated with visitors’ intentions to recommend. Satisfaction was a strong mediator for sensory DBE impact on their intention to revisit and to recommend, and a less strong effect was found for satisfaction as a mediator for behavioural DBE impact on intentions to revisit and to recommend. The theoretical contribution of this study aimed to deepen the analysis of the DBE construct in its multidimensional aspect and its relationship with other constructs. The results are discussed in relation to their theoretical and practical relevance.
... O período censitário moderno (com início em 1864), no que diz respeito à população e ao povoamento, permite fixar como principais tendências evolutivas da Serra da Lousã, o crescimento demográfico, com diferente ritmo, até às primeiras décadas ou aos meados do século XX, quando genericamente são alcançados os valores máximos de população residente, ao qual sucede, para a esmagadora maioria dos concelhos (Lousã e Miranda do Corvo são as exceções), com pequenas oscilações intercensitárias, o decréscimo populacional e o envelhecimento acelerado. O declínio da população residente é mais intenso nas freguesias com maior área ou totalmente inseridas na Serra da Lousã: Coentral, Campelo e Espinhal, as quais, tendo registado máximos demográficos em 1911 (com 661, 2024 e 3321 residentes, respetivamente), apresentavam em 2011, pela ordem indicada, 100, 278 e 775 residentes, o que traduz uma diminuição de 85%, 86% e 77% no período de um século(Carvalho e Alves, 2021). ...
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PARTE I) A GEOGRAFIA FÍSICA E OS RISCOS. Interfaces entre as alterações da paisagem e a dinâmica ambiental. PARTE II) A GEOGRAFIA HUMANA, O TURISMO, A EDUCAÇÃO E OS RISCOS. Desafios de uma sociedade em mudança.
... Com efeito, o valor cultural relevante da Serra da Lousã é evidente sobretudo em algumas das suas pequenas aldeias 2 (fot. 1), as quais, com uma trajetória singular, em que o isolamento e a escassez de recursos materiais condicionaram a modelação da paisagem, revelam na atualidade uma sequência harmoniosa de marcas estruturais de ocupação e utilização do solo, desde a forma dos aglomerados, a arquitetura das estruturas edificadas ou a organização dos antigos campos de cultivo e das parcelas de floresta autóctone na proximidade desses povoados(Carvalho e Alves, 2021). Completam esta tela, porquanto acrescentam valor sem comprometer a continuidade espacial do conjunto a delimitar -de outra forma, a inclusão de espaços isolados/ descontínuos, com o inevitável arrastamento de outras áreas sem valor para o conjunto, confundindo-se o excecional com o banal, levaria a uma geografia artificial da área protegida -, o castelo da Lousã (com origem na segunda metade do século XI e classificado como Monumento Nacional em 23/06/1910); as ermidas da Senhora da Piedade (com ...
Chapter
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No quadro normativo e orientador atual, as paisagens culturais configuram uma das tipologias de classificação ou proteção patrimonial, o que releva o papel da geografia para captar e descodificar a sua linguagem de estruturação e os seus ativos territoriais diferenciadores. É neste contexto que se situa o presente trabalho, o qual pretende, por um lado, com base em revisão de literatura da especialidade, analisar o conceito de paisagem cultural à luz dos referidos estatutos e, por outro, através de um caso de estudo, suportado em investigação de campo, explicitar os atributos da paisagem cultural da Serra da Lousã e o correspondente potencial para a sua classificação e inclusão na Rede Nacional de Áreas Protegidas.
Article
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En las últimas tres décadas la Península Ibérica ha conocido una expansión sin precedentes de sus espacios naturales protegidos, con unas consecuencias ecológicas, territoriales y socioeconómicas extraordinarias. En el presente trabajo se analiza la forma en que España y Portugal han desarrollado tal intervención protectora, atendiendo a los objetivos y criterios seguidos en la selección, planificación y gestión de sus respectivas áreas protegidas. A nuestro juicio, el estudio del caso ibérico permite comprender los procesos de configuración y ordenación de las redes de áreas protegidas en estados limítrofes de la Unión Europea, así como los contrastes existentes entre ellos y la necesidad de lograr una mayor armonización interterritorial.
Conference Paper
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A relevância dos ambientes florestais para a prossecução de objetivos de educação ambiental, conservação e valorização patrimonial, utilização recreativa ou turística, apresenta-se como elemento indissociável da sociedade pós-moderna e da ruralidade pós-produtivista. Em Portugal, sobretudo na sequência dos efeitos devastadores dos incêndios florestais que ocorreram no período de junho a outubro de 2017, esta temática assume ainda uma maior visibilidade. No caso da Mata do Sobral (espaço florestal integrado na Rede Natura 2000), no âmbito de uma candidatura ao POSEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos), fixaram-se como principais desafios, por um lado, detetar, controlar, erradicar e prevenir a flora exótica invasora e, por outro, definir ações de conservação e valorização do património florestal biótico, designadamente de educação ambiental, de que resulta, para efeito desta comunicação, a apresentação de resultados preliminares de acordo com os referidos eixos estratégicos. Quanto às espécies exóticas invasoras, as evidências que decorrem de metodologias de instalação de parcelas experimentais, corroboradas com a observação in loco do conjunto em estudo, apontam para o crescimento do número de exemplares e sua difusão espacial face à situação anterior ao incêndio de outubro de 2017 (que consumiu cerca de 95% da área total da Mata do Sobral). Em relação ao segundo domínio, estão em curso no território ações concretas como a instalação de uma rede planeada de geocaching, segundo um traçado que pode ser utilizado nas ações de educação ambiental a desenvolver no território, o que permitirá acompanhar a evolução da renovação da Mata (germinação; rebentação; ações de controlo/erradicação de plantas invasoras; plantações de novas parcelas com plantas nativas; observação e compreensão da importância da floresta nativa na propagação dos incêndios florestais, através da incursão nas parcelas não queimadas, composta maioritariamente por Quercus suber), com distintos públicos-alvo.
Article
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International agreements mandate the expansion of Earth’s protected-area network as a bulwark against the continued extinction of wild populations, species, and ecosystems. Yet many protected areas are underfunded, poorly managed, and ecologically damaged; the conundrum is how to increase their coverage and effectiveness simultaneously. Innova- tive restoration and rewilding programmes in Costa Rica’s Área de Conservación Guanacaste and Mozambique’s Parque Nacional da Gorongosa highlight how degraded ecosystems can be rehabilitated, expanded, and woven into the cultural fabric of human societies. Worldwide, enormous potential for biodiversity conservation can be realized by upgrading existing nature reserves while harmonizing them with the needs and aspirations of their constituencies.
Chapter
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O artigo pretende analisar a relevância da criatividade e da inovação nas atividades de animação turística em contexto rural. A estrutura e os conteúdos da narrativa refletem, por um lado, uma concetualização teórica com vista a apresentar o estado da arte no que concerne aos conceitos matriciais da reflexão (desenvolvimento rural; animação; criatividade; inovação; turismo), e por outro, um estudo de caso centrado no produto turístico Aldeias do Xisto, com o propósito de explicitar os eventos que decorreram nos seus territórios, entre 2014 e 2016, tendo como base a agenda divulgada através da página oficial das Aldeias do Xisto na internet. A metodologia utilizada na investigação tem como suporte a revisão e discussão de literatura científica da especialidade sobre a temática em estudo, a recolha e tratamento de informação estatística (análise descritiva) e ainda o trabalho de campo (observação direta) que foi fundamental na análise dos dados. Como principais resultados, referem-se o crescimento e a diversificação das atividades de animação turística, e a relevância (número e diversidade) dos eventos culturais e das atividades com ligação à natureza e ao património natural, os quais configuram também elementos de valorização e diferenciação do destino turístico Aldeias do Xisto.
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Os territórios montanhosos, devido às fragilidades estruturais, desequilíbrios e situações de marginalidade, suscitam preocupações prioritárias de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, a sua reconversão e reorientação funcionais são indissociáveis da emergência de um novo sistema social de valores e de práticas turísticas e recreativas. A nossa proposta de reflexão sobre as trajectórias e as perspectivas de desenvolvimento destes territórios, centrada no contexto da União Europeia e em Portugal, é orientada segundo três eixos de análise: a ligação da montanha à problemática do ordenamento/desenvolvimento territorial; as políticas, os instrumentos e as iniciativas de promoção do desenvolvimento para os territórios montanhosos; as dinâmicas territoriais recentes e a (re)construção da imagem da montanha.
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Protected area managers need a wide range of skills to manage the complexities of protected area systems. The IUCN Best Practice Guidelines Series aims to address these needs, including sharing experience drawn from good practices around the world. Many protected areas are managed for tourism and visitation as one component of achieving their purpose, involving a wide range of stakeholders, including the private sector. The rapidly expanding demand for tourism development associated with protected areas emphasizes the need to provide clear guidance that will contribute towards sustainable tourism consistent with the primary conservation objectives of protected areas. The legal, political, economic and social contexts for tourism in and around protected areas vary widely across the globe, yet there are many common elements and a diversity of experiences that can enrich the understanding of those involved. These guidelines are an initiative of the IUCN WCPA Tourism and Protected Areas Specialist (TAPAS) Group. One of several voluntary groups convened under IUCN WCPA, the TAPAS Group is a network of over 500 volunteers who are committed to promoting sustainable tourism in protected areas as a tool in achieving the long-term conservation of nature and associated ecosystem and cultural values. The TAPAS Group’s work includes disseminating knowledge, case studies and best practices on tourism and protected areas. This is the third edition on the subject of tourism in IUCN WCPA’s Best Practice Guidelines series, and builds on the foundations created by these guidelines published in 1992 (McNeely, et al., 1992) and in 2002 (Eagles, et al., 2002).
Article
Cultural landscapes are valued for their landscape character and cultural heritage. Yet, these often low-intensity, multifunctional landscapes are at risk of disappearance. Understanding how cultural landscapes might change under alternative futures is important for identifying where to target actions towards persistence of cultural landscapes. This study therefore aims to identify past and future land use changes in the European Union's (EU's) cultural landscapes. To do so, we overlay past and projected plausible future land change trajectories with the spatial distribution of cultural landscapes in the EU. Our results highlight a clear co-occurrence of specific land change trajectories and cultural landscape types. Past and future urbanization and agricultural abandonment are the land use change processes most strongly affecting small-scale, low-intensity agricultural landscapes that are valued by society. De-intensification is overrepresented in landscapes with a low management intensity. Past intensification was overrepresented in small-scale landscapes with a high value to society, while future intensification might concentrate on landscapes with a low intensity. Typical cultural landscapes show a strong variation of changes under different scenario conditions in terms of future landscape change. Scenario analysis revealed that some of the threats to cultural landscapes are related to agricultural policies, nature policies and other spatial restrictions. At the same time, these policies may also alleviate these threats when properly designed and targeted by accounting for the impacts they may have on cultural landscapes. Considering cultural landscapes more directly in decisions to be made for the post-2020 Common Agricultural Policy period is needed, and could be achieved by a focus on landscape quality beyond the current focus on specific greening measures.
Thesis
A biodiversidade, ao longo do tempo, tem vindo a ser alvo de várias ameaças diretas e indiretas que a afetam e prejudicam, com custos irreversíveis a diferentes níveis. Nesse contexto, várias medidas, práticas e políticas têm sido criadas com o intuito de a conservar, a nível local, nacional e mundial. Uma das principais ameaças à biodiversidade é a invasão por espécies exóticas que promovem impactes a nível ambiental, social e económico. A eficácia da implementação de estratégias de conservação da biodiversidade e especialmente de gestão de plantas invasoras, é geralmente influenciada pela aceitação dessas estratégias por parte dos cidadãos. Nesse contexto, com o intuito de analisar a perceção sobre biodiversidade e plantas invasoras dos cidadãos, foi definida uma área de estudo, o percurso pedestre PR1 GOI na Serra da Lousã e dois públicos-alvo: pedestrianistas (que têm um contacto superior com estas duas temáticas ao realizar o percurso) e público em geral. A escolha da área de estudo prendeu-se, sobretudo, pelo facto da Serra da Lousã possuir ainda património natural relevante, mas que está ameaçado por plantas invasoras, entre outros. Para tal foi caracterizada a área de estudo tendo em conta a “experiência visual” dos utilizadores do percurso pedestre. Realizando a caracterização das manchas de vegetação dominante arbustiva e arbórea e das espécies invasoras e potencialmente invasoras, os resultados mostraram que estão presentes neste território, maioritariamente, plantações de pinheiro e eucalipto, e matos, observando-se, ainda, uma área relevante da planta invasora mimosa. No que se refere à perceção sobre biodiversidade e plantas invasoras os públicos analisados demonstraram conhecer os termos biodiversidade e plantas invasoras, mas têm mais perceção sobre o primeiro tema. De forma geral estes públicos têm um maior conhecimento e preferência por espécies arbóreas e paisagens nativas. Porém o gosto pessoal poderá ter influenciado as respostas dos inquiridos quanto ao que consideram ser necessário fazer às espécies selecionadas previamente, especialmente invasoras. No geral, tanto os pedestrianistas como o público em geral possivelmente apoiariam planos de conservação da biodiversidade e gestão de plantas invasoras, contudo ainda é importante apostar na criação de mais estratégias para educar e sensibilizar os cidadãos para diferentes questões ambientais.