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Revista Humboldt - Guerra e Carmen, 2021

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Esse artigo aborda erosão e degradação dos solos, geoturismo, geodiversidade e geoconservação, desenvolvidos pelos membros do LAGESOLOS (Laboratório de Geomorfologia Ambiental e Degradação dos Solos), nos últimos 25 anos. Algumas áreas de 10 estados foram pesquisadas, até o momento, levando em consideração diferentes técnicas e metodologias, para investigar erosão dos solos, estações experimentais, uso de estacas, colocadas ao redor das voçorocas, para monitorar o seu recuo e, atualmente, temos usado os VANTs, para monitorar voçorocas e ravinas. Todas essas pesquisas nos levaram a publicar mais de 100 artigos, em periódicos nacionais e internacionais, mais de 20 livros, e mais de 40 capítulos em publicações nacionais e internacionais, além de mais de 100 artigos em Anais de Conferências e Simpósios nacionais e internacionais. Mais recentemente, temos também pesquisado sobre geoturismo, geodiversidade e geoconservação, o que nos tem levado a compreender e contribuir nesse campo de conhecimento, na Geografia; tudo isso em parceria com pesquisadores brasileiros e de outros países. ABSTRACT This paper addresses soil erosion, land degradation, geotourism, geodiversity and geoconservation, carried out by LAGESOLOS members (Laboratory of Environmental Geomorphology and Soils Degradation), in the last 25 years. Some sites within 10 states have been surveyed, so far, taking into consideration different techniques and methodologies, to investigate soil erosion, such as experimental stations, stakes placed around the gullies, to monitor their retreat, and currently we have been using modern techniques, such as VANTs, to monitor gullies and rills. These investigations have led us to publish over 100 papers, in national and international journals, over 20 books and over 40 chapters in national and international publications, besides over 100 papers in Brazilian and International Conference and Symposium proceedings. More recently, we have also been looking at geotourism, geodiversity and geoconservation, which has led us to understand and to contribute towards this new field, within Geography; everything in partnership with Brazilian and oversea researchers. Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da Licença Creative Commons BY-NC-SA 4.0, que permite uso, distribuição e reprodução para fins não comercias, com a citação dos autores e da fonte original e sob a mesma licença.
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ARTIGO
DEGRADAÇÃO DOS SOLOS ABORDAGENS TEÓRICAS E ESTUDOS DE CASOS, AO
LONGO DE 25 ANOS (19942019), NO ÂMBITO DO LAGESOLOS
RESUMO
Esse artigo aborda erosão e degradação dos solos, geoturismo, geodiversidade
e geoconservação, desenvolvidos pelos membros do LAGESOLOS
(Laboratório de Geomorfologia Ambiental e Degradação dos Solos), nos
últimos 25 anos. Algumas áreas de 10 estados foram pesquisadas, até o
momento, levando em consideração diferentes técnicas e metodologias, para
investigar erosão dos solos, estações experimentais, uso de estacas, colocadas
ao redor das voçorocas, para monitorar o seu recuo e, atualmente, temos usado
os VANTs, para monitorar voçorocas e ravinas. Todas essas pesquisas nos
levaram a publicar mais de 100 artigos, em periódicos nacionais e
internacionais, mais de 20 livros, e mais de 40 capítulos em publicações
nacionais e internacionais, além de mais de 100 artigos em Anais de
Conferências e Simpósios nacionais e internacionais. Mais recentemente,
temos também pesquisado sobre geoturismo, geodiversidade e
geoconservação, o que nos tem levado a compreender e contribuir nesse
campo de conhecimento, na Geografia; tudo isso em parceria com
pesquisadores brasileiros e de outros países.
Palavras-Chave: Erosão dos solos. Degradação das terras. Estação
experimental. Geoturismo. Geodiversidade. Geoconservação.
ABSTRACT
This paper addresses soil erosion, land degradation, geotourism, geodiversity
and geoconservation, carried out by LAGESOLOS members (Laboratory of
Environmental Geomorphology and Soils Degradation), in the last 25 years.
Some sites within 10 states have been surveyed, so far, taking into
consideration different techniques and methodologies, to investigate soil
erosion, such as experimental stations, stakes placed around the gullies, to
monitor their retreat, and currently we have been using modern techniques,
such as VANTs, to monitor gullies and rills. These investigations have led us
to publish over 100 papers, in national and international journals, over 20
books and over 40 chapters in national and international publications, besides
over 100 papers in Brazilian and International Conference and Symposium
proceedings. More recently, we have also been looking at geotourism,
geodiversity and geoconservation, which has led us to understand and to
contribute towards this new field, within Geography; everything in partnership
with Brazilian and oversea researchers.
Keywords: Soil erosion. Land degradation. Experimental station.
Geotourism. Geodiversity. Geoconservation.
Antonio Jose Teixeira
Guerra¹
Maria do Carmo Oliveira
Jorge¹
1-Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio
de Janeiro, RJ-Brasil.
Correspondência: antoniotguerra@gmail.com
Recebido em: 17-06-2021
Aprovado em: 15-07-2020
Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os
termos da Licença Creative Commons BY-NC-SA 4.0,
que permite uso, distribuição e reprodução para fins não
comercias, com a citação dos autores e da fonte original
e sob a mesma licença.
Degradação dos solos abordagens teóricas e estudos de
casos, ao longo de 25 anos (1994 2019), no âmbito...
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INTRODUÇÃO
O LAGESOLOS (Laboratório de Geomorfologia Ambiental e Degradação dos
Solos) foi criado em 1994, no Programa de Pós-Graduação em Geografia, da UFRJ, em
cooperação com os mestrandos, nessa época, Antonio Soares da Silva (atualmente
professor da UERJ) e Rosangela Garrido Machado Botelho (atualmente geógrafa do
IBGE) e do doutorando Flavio Gomes de Almeida (atualmente professor da UFF), hoje
todos três são doutores. Atualmente, divido a coordenação do LAGESOLOS (Figura 1),
com o Prof. Dr. Raphael David dos Santos Filho, da Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo da UFRJ. Naquela época éramos poucos e hoje em dia somos mais de 30
membros, incluindo coordenadores, pesquisadores associados, pó-doutorandos,
doutorandos, mestrandos e bolsistas de iniciação cientifica (www.lagesolos.ufrj.br),
com membros em diversos estados brasileiros.
Naquela época, devido ao tipo de pesquisa, que vinha sendo realizada pelos
membros do grupo de pesquisa, desde 1991, denominado Laboratório de
Geomorfologia Experimental e Erosão dos Solos. Isso retratava bem o escopo das
pesquisas desenvolvidas por nós, onde havia destaque para o monitoramento de
estações experimentais, inicialmente em Petrópolis (RJ), e depois em outras unidades da
federação, bem como ênfase em trabalhos relacionados à erosão dos solos.
Ao longo desses 25 anos, mais de 100 artigos foram publicados, em periódicos
nacionais e internacionais, quase sempre por um ou mais membros do LAGESOLOS,
mais de 40 capítulos de livros, 27 livros organizados, coorganizados, em autoria e co-
autoria, versando sobre erosão dos solos, movimentos de massa, gestão ambiental e
recuperação de áreas degradadas e, mais recentemente, temas relacionados ao
geoturismo, geodiversidade e geoconservação.
O presente artigo aborda, portanto, a produção científica do LAGESOLOS,
levando-se em conta diferentes abordagens e estudos de casos, em diversos estados
brasileiros. Diversas são as contribuições teóricas, conceituais e metodológicas do
LAGESOLOS, resultantes do trabalho em conjunto com graduandos, mestrandos,
doutorandos e professores. Dentre elas podemos destacar algumas como o
monitoramento de processos erosivos, usando estacas e estações experimentais,
recuperação de áreas degradadas, usando geotêxteis com fibras vegetais, como buriti,
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em São Luís (Maranhão) e folha de bananeira, em Macaé (Rio de Janeiro), avanços no
campo da geomorfologia urbana, geomorfologia ambiental, geomorfologia aplicada ao
turismo, geoturismo, geodiversidade e geoconservação. O uso de VANTs, para
monitorar processos erosivos, é mais um avanço técnico e metodológico, que temos
usado, no município de Rio Claro (RJ) (Garritano et al., 2018; 2019a; 2019b).
A interação com colegas de diversas universidades brasileiras e estrangeiras, de
órgãos como IBGE, EMBRAPA e PROMATA (Associação de Moradores para a
Recuperação e Preservação da Mata Atlântica, em Ubatuba-SP), que são nossos
parceiros, e que têm trabalhado em conjunto, no sentido de podermos avançar nos
estudos relacionados à degradação dos solos, tema principal do LAGESOLOS, mas não
o único. Sem a ajuda desses pesquisadores, nossa trajetória teria sido bem mais difícil.
Figura 1. Logotipo do LAGESOLOS.
Degradação dos solos no Brasil: papel dos estudos do LAGESOLOS
Esse item aborda erosão dos solos no Brasil, que é um dos focos dos trabalhos
desenvolvidos pelo LAGESOLOS, no entanto, como temos pesquisado sobre
movimentos de massa, em especial, em regiões serranas, o mesmo será também aqui
abordado, no que se refere à degradação dos solos. As publicações da EMBRAPA e do
IBGE, principalmente os Manuais Técnicos do IBGE (2009, 2012 e 2015), têm sido
fundamentais para nossos avanços teórico-metodológicos e aplicados, ao longo de mais
de 25 anos, já que apesar do LAGESOLOS ter sido criado em 1994, os trabalhos
começaram a ser desenvolvidos, desde 1990 (Guerra, 1990 e 1994).
Degradação dos solos abordagens teóricas e estudos de
casos, ao longo de 25 anos (1994 2019), no âmbito...
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A falta de planejamento ambiental, tanto em áreas urbanas, como rurais, é um
dos fatores determinantes no surgimento e evolução de processos erosivos. A propósito
disso, Guerra (2018) destaca que muitas atividades afetam, direta ou indiretamente,
características da superfície terrestre, através da remoção da cobertura vegetal, por
exemplo, podendo dar origem à formação de ravinas e voçorocas.
Erosão e degradação dos solos são problemas mundiais, que causam grandes
transtornos ao Brasil. Os efeitos, tanto urbanos, como rurais, se extendem por quase
todo território nacional. Por sua vez, esses problemas provocam impactos ambientais e
socio-econômicos nas bacias hidrográficas (Jorge e Guerra, 2020). Dessa forma, é
importante que os solos sejam conservados para o presente e para gerações futuras
(Fullen e Catt, 2004; Morgan, 2005; Goudie e Boardman, 2010; Guerra, et al., 2017;
Guerra, 2018). Nos últimos 25 anos foram 33 monografias de graduação, 31
dissertações de mestrado e 28 teses de doutorado concluídas, no âmbito do
LAGESOLOS, sendo quase todas versando sobre erosão dos solos e movimentos de
massa. A lista dos municípios onde esses trabalhos foram desenvolvidos (Figura 2) é:
Rio de Janeiro, Macaé, Nova Friburgo, Petrópolis, Volta Redonda, Angra dos Reis, Rio
Claro e Paraty (RJ), São Luís e Açailândia (MA), Natal e Parnamirim (RN), Cáceres e
Sorriso (MT), Palmas (TO), Manaus e Coari (AM), Crato e Vale do Acaraú (CE),
Recife (PE), Castanhal (PA), Ubatuba (SP).
Embora erosão dos solos seja um fenômeno natural, geralmente a ação humana
acelera o processo, em quase todo Brasil (EMBRAPA, 2002; Botelho, 2011; Guerra et
al., 2014; Guerra, 2016; Guerra et al., 2017). Erosão por voçorocas tem sido
reconhecida como uma das principais formas de degradação e, em muitos casos, é
relacionada ao uso não sustentável da terra (Castillo e Gomes, 2016). Dessa forma,
desde o início do século XX, um número crescente de trabalhos tem descrito a erosão
por voçorocas, em termos da sua importância, fatores controladores, processos
geomorfológicos associados e seus impactos ambientais (Fullen e Catt, 2004; Poesen,
2011; Castillo e Gómes, 2016; Goudie, 2019).
Segundo Goudie (2019), desde a década de 1960, a Geomorfologia vem
passando por uma Revolução Quantitativa, e tem visto o desenvolvimento de estudos de
processos. Isto levou ao acúmulo de dados sobre taxas dos processos de erosão, os quais
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permitem comparação entre ambientes, com e sem atividade humana, e o papel das
mudanças do uso da terra e da sua cobertura vegetal. As bacias hidrográficas vêm
sofrendo toda sorte de impactos ambientais, em especial com o Antropoceno. Segundo
Goudie (2019), esse conceito ainda não foi aceito como unidade geológica oficial, como
um nome para uma nova época, na história da Terra. Uma época quando as atividades
humanas se tornaram profundas e transformadoras, ou excederam as forças da Natureza,
ao influenciarem o sistema terrestre.
Voçorocas estão presentes na maioria dos países, possuindo características
específicas em cada um deles. Dessa forma, esses países usam nomes diferentes, para
designar essa forma erosiva. Consequentemente, denomina-se voçoroca no Brasil,
cárcava, na Espanha, ravine, na França, lavaka, em Madagascar, wadi, nos países
Árabes, donga, na África do Sul, barranco, na Argentina e gully, nos países de língua
inglesa (Castillo e Gómes, 2016).
Erosão dos solos agrícolas dos Estados Unidos causa uma perda de 30 toneladas,
por hectare, por ano, aproximadamente oito vezes maior do que a taxa de formação de
solos. Levantamento feito pela EMBRAPA (2002) sugere que a situação no Brasil é
ainda pior, alcançando, em algumas áreas, 60 toneladas, por hectare, por ano.
A erosão dos solos apresentada nesse artigo, deve-se, em grande parte, aos
estudos e levantamentos feitos por membros do LAGESOLOS (Figura 2) e, também,
aos colegas de outras universidades brasileiras, do IBGE e da EMBRAPA, com quem
temos compartilhado ideias, conversas, reuniões, projetos, trabalhos de campo,
encontros em congessos, simpósios, workshops e publicações. Contatos e parcerias
internacionais, com colegas da Universidade de Oxford (professores John Boardman e
David Favis-Mortlock) e Wolverhamtpon (professor Michael Augustine Fullen), na
Inglaterra, Universidade de Leuven (professor Jean Poesen), na Bélgica e Universidade
de Quebec (professor Daniel Germain e professora Anne Latendresse), no Canadá,
através de intercâmbios e projetos, com visitas a esses países, e com vindas de
pesquisadores dessas Universidades ao Brasil, têm possibilitado trabalhos em
colaboração e, consequentemente, publicações em conjunto também, como pode ser
visto nesse artigo.
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Figura 2. Localização das áreas de estudo, onde foram desenvolvidas monografias de graduação,
dissertações de mestrado e teses de doutorado, entre 1994 e 2019.
Em um desses projetos, trabalhamos por quatro anos, entre 2005 e 2008, em
conjunto com outros nove países (Inglaterra, Bélgica, Hungria, Lituânia, África do Sul,
Gâmbia, Tailândia, China e Vietnam), sob a coordenação do prof. Mike Fullen, da
Universidade de Wolverhampton, no Projeto Borassus, financiado pela União Europeia.
Durante esses quatro anos aconteceram reuniões semestrais nesses países e uma foi
orgnizada no Rio de Janeiro, em 2007, levando uma equipe de 30 pesquisadores
estrangeiros, para conhecerem nossa área de trabalho em São Luís (Maranhão). A partir
desse projeto de pesquisa e de extensão, voçorocas foram monitoradas e recuperadas em
São Luís, com a participação de professores e alunos de graduação, mestrado e
doutorado, da UFRJ, UEMA e UFMA. Houve também a participação efetiva de
residentes das comunidades carentes, onde desenvolvemos esses projetos, tanto na
produção dos geotêxteis, com fibra de buriti, como na aplicação dessas telas, e em
projetos de educação ambiental. A partir dessa experiência, quatro monografias de
graduação foram orientadas, bem como três dissertações de mestrado e duas teses de
doutorado (Guerra, 2017); todas versando sobre erosão dos solos.
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Ao longo desse projeto, e posterior a ele, foram elaborados inúmeros trabalhos,
podendo ser destacados os seguintes; Utilizing biological geotextiles: introduction to the
Borassus Project and global perspectives (2011); Biological geotextiles as a tool for soil
moisture conservation (2011); Evaluation of geotextiles for reducing runoff and soil loss
under various environmental conditions using laboratory and field plot data (2011);
Effectiveness of biological geotextiles on soil and water conservation in different agro-
environments (2011). Todos os quatro artigos foram publicados pelo periódico Land
Degradation and Development. Em 2015 foi publicado mais um artigo, dessa vez no
Natural Hazards, intitulado The effects of biological geotextiles on gully stabilization in
São Luís, Brazil (Guerra, et al., 2015), como resultado do projeto Borassus, onde
membros do LAGESOLOS foram autores, em conjunto com parceiros de países
europeus, asiáticos e africanos. Esse projeto foi fundamental para o avanço das
pesquisas relacionadas à erosão dos solos no LAGESOLOS, por que além de
proporcionar o intercâmbio com pesquisadores de todos os países que participaram
desse projeto, foi possível aumentar nosso entendimento sobre tal processo em ambiente
tropical, bem como suas relações com o uso e manejo da terra, quando não se leva em
conta práticas conservacionistas. A partir desses estudos foi possível também passarmos
a desenvolver recuperação de áreas degradadas, usando técnicas de bioengenharia.
A partir de nossas parcerias com colegas de outras universidades brasileiras, tem
sido possível analisar erosão em várias partes do território nacional, como
particularmente aquelas que ocorrem em seis diferentes áreas: noroeste do estado do
Paraná, Planalto Central, Oeste de São Paulo, vale do Paraíba do Sul, no estado do Rio
de Janeiro, Campanha Gaúcha, e Triângulo Mineiro (EMBRAPA, 2002; Guerra et al.,
2014; Guerra et al., 2018).
Segundo Goudie e Boardman (2010), a maior parte das áreas afetadas por
erosão, estão associadas à ação conjunta dos seres humanos e das forças da natureza.
Boardman (2006) propõe que os seguintes países e regiões podem ser considerados
hotspots, em termos de erosão: Platô do Loess, na China; Etiópia; Suazilândia; Lesoto;
Cadeia dos Andes; Sul e Leste da Ásia; Bacia Mediterrânea; Islândia; Madagascar;
Himalaia; Caribe e América Central. Nós propomos também, que seja incluído o Brasil,
dentre esses hotspots de erosão (Guerra et al., 2014 e 2017).
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O Brasil é caracterizado por uma grande variedade de solos, correspondendo a
sua grande diversidade de formas de relevo, climas, materiais de origem e cobertura
vegetal. Os processos pedogenéticos facilitam a origem de múltiplos tipos de solos.
Relacionado a essa grande diversidade, o país tem potencialidades e limitações, em
termos de uso da terra. Isso é enfatizado pelas diferenças regionais, em termos de
ocupação, uso e manejo da terra, que podem causar diferentes processos erosivos,
incluindo erosão por voçoroca, que é um dos processos responsáveis pela degradação
dos solos (EMBRAPA, 2002; Guerra et al., 2014, 2017 e 2018).
Selby (1993) classifica erosão dos solos, como um processo geomorfológico,
que ocorre nas encostas, desenvolvido pela água que escoa e pelo salpicamento (splash).
O referido autor destaca o papel da água em remover e transportar sedimentos, o qual
ele descreve como “wash”, um termo adotado por muitos autores (Gerrard, 1992;
Evans, 1993; Goudie e Viles, 1997; Poesen et al., 2006; Goudie e Boardman, 2010;
Guerra et al., 2014; 2015; 2017; 2018).
Embora, tanto erosão dos solos, como movimentos de massa sejam duas formas
de degradação de terras, e os seres humanos têm papel importante nesses processos
geomorfológicos, eles apresentam diferentes formas de ocorrência e diversas feições
morfológicas e, consequentemente, várias formas de serem monitorados (Varnes, 1978;
Gerrard, 1992; Evans, 1993; Selby, 1993; Goudie e Viles, 1997; Fullen e Catt, 2004;
Morgan, 2005; Goudie e Boardman, 2010; Guerra et al., 2015; Guerra et al., 2017;
Goudie, 2019). No entanto, a melhor forma de se evitar ambas formas de degradação
dos solos é agindo preventivamente, o que significa entender os riscos de erosão e/ou de
movimentos de massa, com o objetivo de evitá-los (Guerra et al., 2017; Goudie, 2019).
Análise da degradação dos solos no Brasil mostra que erosão por voçorocas e
movimentos de massa são os principais processos geomorfológicos, influenciados por
diferenres tipos de clima, relevo, processos pedogenéticos e uso e manejo da terra.
Trabalhos de diversos pesquisadores brasileiros, ilustram essas feições. Relacionado à
essa grande diversidade, o Brasil tem potencialidades e limitações, em termos de uso da
terra, apresentando essas feições, ao longo das cinco regiões existentes.
A região Norte é caracterizada por planícies e alguns planaltos, clima tropical,
elevadas temperaturas, alta umidade, solos profundos bastante intemperizados, com
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elevada acidez e baixa fertilidade natural. Esses solos possuem, muitas vezes, baixa
produtividade, em especial quando são pobremente manejados (EMBRAPA, 2002;
Guerra et al., 2018).
O Nordeste possui diferentes tipos de clima, que variam dos úmidos e quentes,
próximos à costa, ao semi-árido (quente e seco), no interior. Existe uma transição semi-
úmida, entre essas duas zonas, que é conhecida por Agreste. De um modo geral, os
solos possuem de média à elevada fertilidade, e são, muitas vezes, rasos, devido às
baixas taxas de intemperismo (EMBRAPA, 2002; Guerra et al., 2014; Guerra et al.,
2018).
A região Centro-Oeste consiste principalmente de um vasto planalto,
denominado Planalto Central Brasileiro, formado por extenos processos erosivos, ao
longo da sua história geológica. Características regionais incluem o clima tropical, com
duas estações distintas; uma úmida e outra seca, com aproximadamente seis meses,
cada, com extensas áreas com solos profundos, bem drenados, ácidos, e de baixa
fertilidade natural. No entanto, esses solos possuem alto potencial, e podem ser
melhorados, com aplicação de calcário moído e outros fertilizantes químicos e
orgânicos. Uma vez que esses tratamentos tenham sido adequadamente feitos, a região
possui, de forma geral, um relevo que favorece a agricultura mecanizada. Mas, mesmo
assim, processos erosivos acelerados têm ocorrido, quando o manejo do solo não é
adequado (EMBRAPA, 2002; Guerra et al., 2018).
A região Sudeste é caracterizada por planaltos e cadeias montanhosas, que
chegam a mais de 2.000 m de altitude. O clima dominante é o tropical, com alguns
verões quentes, nas áreas mais baixas, e mais amenas, nas mais elevadas. Os solos são
geralmente profundos, tendo fertilidade natural baixa (EMBRAPA, 2002; Guerra et al.,
2014; Guerra et al., 2018).
A região Sul possui muitos tipos de solos, desenvolvidos em materiais parentais
variados, incluindo rochas básicas, metamórficas e uma grande variedade de rochas
sedimentares. Dessa forma, as paisagens são bem diversas. O princpal tipo de clima é o
sub-tropical, com estações bem definidas. Os solos, predominantemente férteis,
possuem alto potencial para uso agro-pastoril (EMBRAPA, 2002; Guerra et al., 2014).
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Ao longo desses 25 anos de existência, o LAGESOLOS vem estudando
degradação dos solos, dentre outros temas, no território nacional, sendo mais acentuado
em algumas áreas, como veremos a seguir.
MONITORAMENTO DE VOÇOROCAS
No Centro Oeste, onde tivemos oportunidade de analisar voçorocas em Cáceres
e Sorriso (Figueiredo, 1996; Almeida, 1997) ambas no estado de Mato Grosso, os solos
com alto teor de areia, chuvas concentradas em poucos meses, durante o verão, bem
como uso e manejo da terra, em especial onde a soja é cultivada, em grandes áreas, nem
sempre com plantio direto, essas feições (Figura 3) surgem e se espalham pelas
chapadas. No caso de Cáceres, os solos possuem texura muito semelhante aos de
Sorriso, com duas estações bem definidas, uma úmida e outra seca, mas o principal uso
da terra é a pecuária extensiva, que auxilia na compactação dos solos, provocando o
surgimento de ravinas e voçorocas.
Figura 3. Monitoramento de voçoroca no município de Sorriso.
Fonte: Antonio Jose Texeira Guerra
Na região Sudeste, nossos trabalhos se iniciaram no município de Petrópolis,
onde diversas dissertações, artigos e capítulos de livro foram desenvolvidos (Silva e
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Botelho, 2014). Além de Petrópolis, temos trabalhado também nos municípios de
Macaé, Rio Claro, Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba, com a perspectiva de
compreender os processos geomorfológicos relacionados à erosão dos solos e
movimentos de massa, que vêm ocorrendo há décadas. O monitoramento dos processos
erosivos, principalmente das voçorocas, tem sido desenvolvido pelo LAGESOLOS,
tendo se iniciado desde a década de 1990, com uso de estações experimentais, bem
como de estacas para determinar o avanço dessas feições erosivas, como é o caso do
trabalho desenvolvido por Loureiro (2013) (Figuras 4a e b), no município de Macaé
(RJ). Mais recentemente temos utilizado drones (Garritano et al., 2019ab), para
monitorar voçorocas, no município de Rio Claro (RJ), onde a precisão é maior, e o
tempo de monitoramento é bem menor (Figura 5). Encostas inclinadas, contato solo-
rocha abrupto, chuvas intensas, em especial nos meses de verão, bem como uso e
ocupação desordenada do solo, em áreas urbanas e rurais, tem sido os principais
causadores desses danos ambientais, muitas vezes, com perdas de vidas humanas
(Botelho, 1996; Soares da Silva, 1997; Garcia, 2005; Silva, 2005a; Silva, 2005b; Santos
Filho, 2007; Loureiro, 2013; Rangel, 2014; Pereira, 2015 e 2019; Rodrigues, 2016;
Santos, 2017). Em áreas urbanas montanhosas, da região Sudeste, a ocupação
desordenada tem causado movimentos de massa (Figura 6), com a morte de milhares de
pessoas, nas últimas três décadas, bem como perdas de bens materiais (Botelho, 1996;
Santos Filho, 2007; Graeff et al., 2012).
Figura 4a. Colocação de estaca para monitoramento do recuo da voçoroca.
Fonte: Maria do Carmo Oliveira Jorge (2011).
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Figura 4b. Monitoramento da distância, entre a estaca e a borda voçoroca.
Fonte: Hugo Alves S. Loureiro (2011).
Figura 5. Voçoroca, em área de pasto, no município de Rio Claro (RJ). Pode-se notar semelhança de
forma, entre a cicatriz da voçoroca e o material depositado à jusante.
Fonte: Fabrizio Garritano (capturada com VANT)
Guerra e Jorge
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Figura 6. Cicatriz de movimento de massa, abaixo de uma casa condenada pela Defesa Civil, no bairro do
Quitandinha, Petrópolis, Rio de Janeiro.
Fonte: Antonio José Teixeira Guerra.
Ainda na região Sudeste, no município de Ubatuba (São Paulo), na costa norte,
também tem ocorrido movimentos de massa e erosão de solos (Figura 7). Isso se deve,
principalmente, ao uso da terra, bem como ao desmatamento, ao longo da sua história
(Jorge, 2014 e 2017). O ambiente natural é muito frágil e, dessa forma, a ocupação das
encostas possui restrições, que nem sempre são seguidas, resultando nesses danos
ambientais.
Degradação dos solos abordagens teóricas e estudos de
casos, ao longo de 25 anos (1994 2019), no âmbito...
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Figura 7. Erosão por voçoroca, em solo franco-arenoso, no município de Ubatuba.
Fonte: Maria do Carmo Oliveira Jorge
Na região Nordeste, problemas relacionados à degradação dos solos ocorrem nos
seus diversos ambientes, quer seja nas áreas costeiras, como no interior, em situações de
clima tropical úmido, como no semiárido. Nessas áreas Correa et al. (2014) têm
estudado há muitos anos, destacando os riscos da ocorrência de processos erosivos,
onde as voçorocas, geralmente não atingem grandes profundidades, devido aos solos
rasos. Como em outros trechos do território brasileiro, os referidos autores chamam
atenção que os solos com alto teor de areia fina e silte, somado ao desmatamento e mau
uso da terra, tem causado o desenvolvimento de processos erosivos, como ravinas e
voçorocas.
Além de parceiros que têm colaborado conosco, como Correa et al., (2014), o
LAGESOLOS vem desenvolvendo pesquisas em diversos estados do Nordeste, no
Guerra e Jorge
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sentido de compreender os processos erosivos acelerados, que ocorrem em diversos
locais, quase sempre associados ao uso e manejo inadequados do solo (Marçal, 2000;
Ribeiro 2004; Girão 2007; Bezerra, 2011). Em São Luís, o LAGESOLOS vem
monitorando voçorocas, desde 1999, tendo continuado esses estudos, com o Projeto
Borassus (2005-2008), onde diversos artigos, duas teses de doutorado e uma
dissertação de mestrado foram concluídas (Mendonça, 2006; Sathler, 2010; Bezerra,
2011; Guerra et al., 2010; Guerra et al., 2015).
Em São Luís, onde o LAGESOLOS vem atuando, desde o final de década de
1990, os solos resultantes do intemperismo da Formação Barreiras, possuem alta
erodibilidade, principalmente em função dos elevados teores de silte e areia fina
(Bezerra, 2011). Foram monitoradas, durante vários anos, nove voçorocas (Figura 8),
todas com textura semelhante, qual seja, que favorecem processos erosivos acelerados
(Bezzera e Guerra, 2007; Bezerra; 2011).
Figura 8. Paredes da voçoroca na bacia do rio Bacanga, dentro do sítio urbano de São Luís. A textura
predominante é a franco-arenosa
Fonte: José Fernando Rodrigues Bezerra.
Esses solos são bastante friáveis, sendo facilmente erodidos, durante a estação
chuvosa, que é concentrada, nos meses de verão. A atuação da erosão por salpicamento
(splash) rompe os agregados, provocando formação de crostas, que dificultam o
escoamento superficial, explicando o recuo das cabeceiras, das voçorocas (Bezerra,
2011; Guerra et al., 2018). O desmatamento indiscriminado, em conjunto com
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urbanização, sem levar em conta obras de saneamento, galerias pluviais e, muitas vezes,
ruas sem calçamento, provocam danos difíceis de serem revertidos, chegando a erodir
completamente algumas vias de acesso a certos bairros periféricos, no município de São
Luís (Bezerra e Guerra, 2007; Bezerra, 2011; Guerra et al., 2018). O que piora ainda
mais essa situação, é a exploração de forma indiscriminada de areia, silte e argila, das
paredes de algumas voçorocas. Esse material é explorado de forma incipiente,
provocando colapso de algumas paredes de voçorocas, tendo já causado morte de
pessoas, que trabalham com esse tipo de atividade (Bezerra, 2011).
Outra região em que temos trabalhado, ao longo desses 25 anos é a Região
Norte, tanto no estado do Amazonas, como no Pará. Em ambos os casos, a fragilidade
dos solos, com alto teor de areia fina e silte, aliado às chuvas concentradas e
abundantes, além do desmatamento e da urbanização desordenada, têm sido os
responsáveis, pelo surgimento de ravinas e grandes voçorocas, em diversos pontos da
região (Figura 9). Existe necessidade urgente de melhoria das práticas de uso e manejo
dos solos, para manutenção dos mecanismos hidrogeomorfológicos, através das
intervenções humanas. Essas práticas incluem: tipo de corte em tálus, para construção
de casas, ruas e estradas; áreas de extração de material de empréstimo, como as
saibreiras; bem como necessidade de se encontrar áreas seguras, do ponto de vista
geomorfológico, para expansão urbana.
Figura 9. Erosão por voçoroca, em área de sítio arqueológico, no bairro Nova Cidade, no município de
Manaus.
Fonte: Fábio Sabbá Guimarães Vieira.
Guerra e Jorge
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ESTAÇÕES EXPERIMENTAIS
Estações experimentais vêm sendo monitoradas várias décadas, em diversas
partes do mundo. Elas foram fundamentais na determinação da Equação Universal de
Perda de Solos, nos Estados Unidos. Centenas de estações foram criadas, para esse fim,
com milhares de dados, ao longo de décadas. A propósito disso, Mutchler e Young
(1975) mostraram que em parcelas de 4,5 metros de comprimento, mais de 80% dos
sedimentos são transportados em ravinas.
Estudos realizados em estações experimentais, em vários países, têm
demonstrado a importância de se conhecer a dinâmica da formação de ravinas e sua
capacidade de transporte de material (Guerra, 2017). Parte desses sedimentos deriva-se
de áreas situadas entre as ravinas (interrrill areas), e é transportada dentro das ravinas,
pelo escoamento superficial e pelo splash.
Nesse sentido, o LAGESOLOS vem dando sua contribuição teórica,
metodológica e aplicada, através do monitoramento de estações experimentais, em
alguns estados brasileiros. Mas o começo da adoção dessa metodologia, se deu no final
da década de 1980 e início da década de 1990, durante a tese de doutorado desenvolvida
por Guerra (1991), na Inglaterra.
No Brasil, o LAGESOLOS iniciou a aplicação dessa metodologia, no município
de Petrópolis (RJ), onde uma estação experimental foi montada, em 1992, na localidade
de Corrêas (Figura 10), tendo sido monitorada por toda a década de 1990, tendo
resultado em alguns trabalhos acadêmicos, como Dios (1999) e Garcia (2001). Esses
foram os primeiros, que nos estimularam a seguir em frente, em outras partes do
território nacional.
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Figura 10. Estação experimental montada na Fazenda Marambaia, Petrópolis (RJ), para monitorar perda
de solo e água.
Fonte: Simone Garcia.
Na década de 2000, mais precisamente entre os anos 2009 e 2011, Bezerra (2011
e 2013) montou e monitorou estação experimental (Figura 11), no campus da
Universidade Federal do Maranhão, na bacia do rio Bacanga (São Luís), com quatro
parcelas, de 1 m x 10 m (10 m2), contendo duas parcelas com solo exposto e duas
parcelas com cobertura de geotêxteis, produzidos com fibra de buriti (Mauritia
Flexuosa). Os resultados obtidos com essa estação foram fundamentais, para o
desenvolvimento do Projeto Borassus, apoiado pela União Europeia, onde foi
monitorada uma voçoroca urbana, em São Luís, e recuperada com geotêxteis
produzidos a partir de fibra de buriti, que é abundante na região.
Guerra e Jorge
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Figura 11. Estação experimental situada na bacia do rio Bacanga, no campus da Universidade Federal do
Maranhão.
Fonte: Fernando Bezerra.
Entre os anos de 2013 e 2018 Pereira (2019) monitorou estação experimental
(Figura 12) na bacia do rio Maranduba, onde foram estabelecidas três parcelas, sem
cobertura vegetal, para monitorar escoamento superficial e perda de solo. Além disso,
foi monitorado, nesse período, o teor de umidade no solo, através do uso de
tensiômetros. Com os resultados obtidos, foi possível aprofundarmos na compreensão
dos processos erosivos, em encostas de área tropicais, como o exemplo obtido no
município de Ubatuba (SP). Esse é mais um estudo de caso, onde as estações
experimentais têm papel fundamental na compreensão dos processos erosivos.
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Figura 12. Estação experimental, situada na bacia do rio Maranduba, Ubatuba (SP).
Fonte: Leonardo dos Santos Pereira.
TENDÊNCIAS ATUAIS DO LAGESOLOS: GEOTURISMO, GEODIVERSIDADE E
GEOCONSERVAÇÃO
A partir de 2013, o LAGESOLOS passou a trabalhar, além de projetos
relacionados à erosão dos solos, que vem desenvolvendo, desde a sua criação, agora
também, com geoturismo, geodiversidade e geoconservação. Quatro teses de doutorado
foram desenvolvidas, nesse período (Jorge, 2017; Espírito Santo, 2018; Rangel, 2018;
Pereira, 2019), além de diversos capítulos de livros (Guerra, 2018; Jorge, 2018) e
artigos, em periódicos nacionais e internacionais (Jorge e Guerra, 2016; Jorge et al.,
2016; Rangel et al., 2019). Essa é uma linha de pesquisa relativamente recente no país
e, para seguí-la, os membros do LAGESOLOS, além da sua produção própria, têm
contado com a colaboração de autores como: Mansur (2010 e 2018); Hose (2012); Gray
(2013); Brilha (2016), Costa e Oliveira (2018), dentre outros.
Quando falamos em geoturismo, geodiversidade e geoconservação, um ponto
comum entre essas três áreas de conhecimento, é a erosão que é causada em diversas
trilhas, e esse tema de pesquisa tem aparecido em diversos trabalhos desenvolvidos pelo
LAGESOLOS, nesses últimos anos (Jorge et al., 2016; Jorge e Guerra, 2016; Jorge,
2017; Espírito Santo, 2018; Guerra, 2018; Rangel, 2018; Pereira, 2019; Rangel et al.,
Guerra e Jorge
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2019). Essas feições aparecem com frequência, em diversas trilhas que temos estudado,
tanto em Ubatuba SP (Figura 13), como em Paraty-RJ (Figura 14), e no Amapá.
Sob essa perspectiva, são inúmeros os aspectos que temos abordado, levando em
conta essa nova linha de pesquisa adotada no LAGESOLOS, como o patrimônio
geológico e geomorfológico, a importância das comunidades locais, bem como os
desafios para a sustentabilidade ambiental, os impactos causados nas trilhas e, em
especial, o que faz uma ligação com a essência do LAGEOLOS, desde a sua criação,
que é o estudo da erosão dos solos e dos movimentos de massa, presentes nos estudos
que temos desenvolvido sobre geoturismo, geodiversidade e geoconservação (Jorge et
al., 2016; Jorge, 2017; Espírito Santo, 2018; Guerra, 2018; Rangel, 2018; Pereira, 2019;
Rangel et al., 2019).
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Figura 13. Ravina situada em trecho da Trilha Sete Praias, Ubatuba-SP.
Foto. Maria do Carmo Oliveira Jorge.
Guerra e Jorge
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Figura 14. Ravina no leito da trilha até a Praia do Sono na Reserva Ecológica da Juatinga, município de
Paraty. É possível observar o processo de bifurcação, típico da evolução de ravinas.
Fonte: Luana de Almeida Rangel.
CONCLUSÕES
Com esse artigo, procuramos abordar uma parte do que o LAGESOLOS vem
desenvolvndo ao longo dos últimos 25 anos, desde sua criação em 1994. O leitor pode
ter acesso a muito mais, através do site: www.lagesolos.ufrj.br, onde poderá encontrar
todas as dissertações e teses defendidas, nesse período, bem como artigos publicados,
projetos desenvolvidos, estações experimentais monitoradas, fotos de várias áreas do
país, onde o Laboratório vem atuando.
Apesar de continuarmos investigando degradação dos solos, que envolve
processos erosivos e movimentos de massa, nos últimos anos temos também atuado em
projetos de recuperação de áreas degradadas, como pode ser visto por nossas
publicações, bem como por obras que fomos chamados a colaborar, para que fossem
recuperadas áreas degradadas, devido ao mau uso do solo. Nossa experiência com
projetos acadêmicos tem sido fundamental, para o sucesso desse novo tipo de atuação.
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Mais recentemente, além de todas as atividades, que temos desenvolvido, ao
longo de 25 anos, temos também trabalhado com geoturismo, geodiversidade e
geoconsevação, temas que possuem um caráter altamente geográfico, e que o
LAGESOLOS vem abraçando, em conjunto com parciros da própria UFRJ, bem como
de outras universidades brasileiras, e internacionais. Mais uma vez, além dos aspectos
importantes, relacionados a esses três temas, levamos em conta a degradação dos solos,
que acontece, em espcial nas trilhas, por onde turistas e moradores passam, nos
geoparques e áreas onde o geoturismo é explorado.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a bolsa de Produtividade em Pesquisa do CNPq, bem como a
bolsa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ e a bolsa Pós-doutorado Nota 10 da
FAPERJ.
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Article
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Este texto tem por objetivo chamar atenção para a importância dos solos, não só na sobrevivência dos seres humanos, mas também dos ecossistemas e da vida, na superfície terrestre. Bem como para o geoturismo, geodiversidade e geoconservação. Leonardo da Vinci se questionava o porquê do ser humano conhecer mais dos distantes planetas, do que sobre o chão abaixo dos nossos pés. Por isso, em 2015, a ONU decidiu criar o Ano Internacional dos Solos. Figura 1. Ano Internacional dos Solos. No entanto, os solos continuam sendo degradados pelo mundo, em especial nos países de clima tropical, onde o manejo inadequado em diversas áreas, tem causado sua degradação. Sendo assim, a FAO criou o seguinte slogan de sua campanha, como carro chefe: healthy soils for a healthy life (solos saudáveis para uma vida saudável). Ainda como parte da campanha, destacamos que os solos são os hospedeiros de pelo menos 25% da biodiversidade mundial, aqui incluímos também o seu papel sobre a geodiversidade, que infelizmente, não é abordada pela FAO nessa campanha de 2015. Cabe também chamar atenção que os solos têm papel importante no manejo das águas e na resiliência às enchentes e secas. Ou seja, não vivemos sem solos!!! As trilhas possuem papel fundamental em áreas onde existe elevada geodiversidade, com fins ao aproveitamento do geoturismo, levando-se em conta a geoconservação.
Article
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Esse artigo tem como objetivo investigar o papel da Geomorfologia e outras ciências, no planejamento ambiental. Dessa forma, diversos artigos, capítulos de livros e teses de doutorado foram pesquisados, para apresentar uma revisão da literatura, como apoio aos conceitos e aplicações relacionados a esse assunto. O planejamento ambiental é fundamental, porque é quase impossível atingir desenvolvimento urbano sustentável, sem levar em conta a paisagem e os recursos naturais. A partir do momento que a Geomorfologia está preocupada com o estudo das formas de relevo, solos, rochas e os processos que originaram as formas de relevo, é fundamental que os planejadores considerem esses aspectos, quando se quer implementar políticas públicas para o crescimento urbano. Além disso, a Geomorfologia tem sido inserida em novos conceitos que tem emergido nas geociências como geodiversidade, geoconservação e geoturismo. Outras áreas onde a Geomorfologia tem papel fundamental, estão relacionadas ao turismo, exploração de recursos minerais, produção de energia hidrelétrica, saneamento básico, Unidades de Conservação, áreas costeiras, bacias hidrográficas, Estudos de Impactos Ambientais (EIAs), avaliação de áreas degradadas, estudos de movimentos de massa e erosão dos solos, e recuperação de áreas degradadas.
Article
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Soil erosion is a natural phenomenon that has been accelerated by inadequately human activities, resulting in soil degradation and its multiple functions. In this sense, the objective of this research work is to assess the environmental status of the drainage basin of Pequeno river, Paraty Municipality, Rio de Janeiro State, with emphasis on soil erosion. The methodological procedures involved bibliographical and documentary surveys, fieldwork, analysis of soil attributes and thematic mappings. The results show that the relief characteristics contribute to geomorphological processes acceleration and, despite the limitations, soils showed low erodibility. However, changes in vegetation cover and inadequate use and management have an influence on the supply of organic matter into the soil, which may affect its attributes and increase its erodibility over time. Keywords: Erodibility. Environmental Assessment. Conservation Units.
Thesis
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A presente tese tem como temática central a conservação dos elementos geomorfológicos de uma paisagem. Trata-se de uma temática que atualmente tem se difundido entre os pesquisadores de geociências em âmbito nacional e internacional. Aliada à temática central, buscou-se a partir do potencial aos processos erosivos fazer uma contribuição metodológica a análise e avaliação numérica da geodiversidade. Para isso o objetivo geral foi identificar o potencial erosivo em geomorfossítios e propor uma adaptação à sua metodologia de avaliação a partir da inserção do “Valor de Conservação do Solo” na quantificação de geomorfossítios localizados no médio curso do rio Araguari, estado do Amapá. Por sua vez, estabeleceu-se como objetivos específicos: I - Identificar o principal instrumento de conservação no médio curso do rio Araguari; II - Analisar a potencialidade a erosão do solo nos geomorfossítios no médio curso do rio Araguari; e III - Incluir o “Valor de Conservação do Solo” como indicador na metodologia de quantificação dos geomorfossítios no médio curso do rio Araguari. Para alcançar os objetivos definidos os procedimentos metodológicos constaram de: I - Análise do referencial teórico, metodológico e documental; II - Trabalhos de campo que ocorreram entre os anos de 2015 e 2017, para a coleta de amostras de solo, registro fotográfico, observação e levantamento de dados para a construção do inventário dos geomorfossítios; III – Análises das propriedades físicas (granulometria, densidade aparente e porosidade) e químicas (pH e matéria orgânica) dos solos. As análises foram realizadas no laboratório de solos da EMBRAPA-Amapá e o tratamento estatístico e tabulação dos dados foi feito no programa “Excel”; IV – A avaliação dos geomorfossítios foi feita por meio da sua caracterização, seleção, inventariação, adaptação da metodologia e quantificação. Os resultados mostraram que quanto maior a pressão por atividades degradatórias e sem um adequado planejamento maior é o obstáculo à geoconservação. Os dados sobre erosão mostram que o geomorfossítio com maior potencial aos processos erosivos é o que tem maior diversidade de atividades. Quando o “Valor de Conservação do Solo” foi considerado na avaliação, a ordem de prioridade para a gestão mudou. Sendo assim, o geomorfossítio que havia ficado em segundo lugar na ordem de prioridade para a gestão, mas que apresentou maior integridade em seu estado de conservação, passou para o primeiro lugar. Conclui-se que ter dados mensuráveis sobre a degradação do meio abiótico pode trazer uma interpretação mais acurada da realidade, o que é importante considerar na liberação ou restrição de atividades, podendo ser uma estratégia de geoconservação. Palavras-chave: Geodiversidade; erosão do solo; conservação do solo; geomorfossítios; rio Araguari.
Chapter
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Soil erosion and land degradation are global problems and pose major problems in Brazil, which is characterized by a great diversity of soil types. This chapter discusses gully erosion and land degradation in Brazil, outlining a case study from São Luis City, Maranhão State. This diversity is related to a wide variety of landforms, climates, parent materials, vegetation cover and biota and is influenced by land use and management. Therefore, a brief description of different types of land degradation, mainly gully erosion and mass movements, is presented, and illustrative photographs are presented. These hazards affect both urban and rural areas within the extensive national territory (8,547,403 km²). Consequently, these problems have serious environmental impacts and pose socio-economic challenges.
Thesis
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Protected Areas (PA) are natural areas delimited by laws that aim to preserve natural resources and biodiversity. In this sense, geotourism becomes relevant within the PA, because is a type of tourism that aims to value and to promote the conservation of geological and geomorphological features, providing the approach and understanding of Geosite visited. The geotouristic attractions can be related to areas of environmental fragility, to the use of water resources for leisure and may be located in areas of difficult access, and it is necessary to open trails. Therefore, geotourism activity can be a way of conserving the natural environment. However, the use of geotourism trails can have impacts when there is no adequate planning and management for its implementation and use. This research aims to analyze the importance of the incentive to geotourism, suggesting mechanisms that aim to disseminate knowledge about the local physical environment, in order to promote the geoconservation of the Piscina Natural do Caixa D'Aço (PNCA), located on the coast of Serra da Bocaina National Park (SBNP). Allied to this, it is intended to carry out the evaluation of the impact of the use of two trails (the Praia do Meio-Praia Caixa D'Aço trail and the Caixa D'Aço-Piscina Natural trail) that allow access to the PNCA. In order to evaluate soil quality in the trails, physical properties (aggregate stability, texture, density, porosity) and chemical (pH and organic matter) of the soils of the trails were analyzed. In addition, soil microtopography - using the erosion bridges method - and soil compaction - through the use of penetrometer, were evaluated. Several field studies were carried out between 2014 and 2017, where soil samples were collected at depths of 0-10cm and 10-20cm; the geotourism potential, the impacts of public use and changes in the environment of the trails were also observed and evaluated by using a Rapid Assessment Protocol for Mountain Trails (RAP-MT). From this, it was possible to observe that the two trails are suffering from the impact of trampling, intensive use and degradation of management structures. In addition, there are several conflicts between the managers of the Park and the local population, because, several activities that are developed, are in disagreement with the precepts of a restrictive UC. Based on the potential geotouristic of the PNSB coast, it is concluded that the PNCA need strategies for its conservation. In addition, it is necessary to invest in the dissemination of the importance of geological and geomorphological heritage. In addition, through the analysis of the impacted areas of the trails, it was possible to guide planning, management, and suggest ways of recovering the degraded areas in the trails and their surroundings, aiming at the conservation of protected areas.
Thesis
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This dissertation has investigated soil erosion caused by water on the slopes, by conducting field and laboratory experiments on an active gully and some of the surrounding slopes. As objectives, two types of gully monitoring were adopted and some soil analyses were carried out to assess land degradation and could start the recovery of a little area, testing in it the effectiveness of geotextiles made from banana´s fibers. Bibliographic references about the theme were searched all over the course period, to give the research bases needed. Some important maps were used to compose the study area characterization as a whole, the São Pedro´s river basin, at the north State of Rio de Janeiro. A lot of field trips were conducted, firstly to find a compatible area and then to make the monitoring procedures and the recovery tests. Laboratory analysis allowed verifying soil erodibility of the study area, and most of the results pointed out sandy loam soils to deeper layers and sandy clay loam soils to more superficial layers. It demonstrates that silt contents are greatest in subsurface, especially added to high fine sand contents, which gives this materials a high erodibility level and turns greater its erosion susceptibility, when exposed to erosive agents. Monitoring with erosion pegs and pins showed to have a complementary potential. Through these procedures it was achieved an erosion rate of 2.49 tons of soil mass loss during approximately a year of investigations. Considering only the little gully of the area, the erosion could reach 100 t.ha-1. Integrating these factors to the lower contents of organic matter and organic carbon, commonly below of 3.5% and 2.0%, respectively; the acidity of the soils, although not in critical rates; soil compaction, always close to 1.50 g/cm³ or higher, and porosity below 45%; the diagnosis showed alarming levels of land degradation on the study area, clearly noticed by the marked presence of cattle trampling terracetes and rapidly expanding gullies. The recuperation was successful with the unpublished use of banana´s fibers to manufacture biological geotextiles. The vegetation cover has developed and established in a few months with geotextiles help, exposing the aptitude of the geotextiles made from Banana´s materials to recover this degraded land. In addition to these conclusions, it is claimed the need for more important elements to be considered, in order to increase the diagnosis results, so the techniques could be improved and help with sustainability. Esta dissertação estudou a erosão dos solos causada pela ação da água sobre as encostas, através da condução de experimentos de campo e laboratório sobre uma voçoroca em atividade e algumas encostas de seu entorno. Como objetivos, foram realizados dois tipos de monitoramento dessa feição erosiva e análises do solo da área, para diagnosticar a degradação e dar início à recuperação de parte da área degradada, testando a eficiência de geotêxteis de fibras de bananeira. Para a realização da pesquisa foi levantada a bibliografia referente ao tema, durante todo o período de realização do curso. Os devidos mapas foram utilizados para compor a caracterização da área de estudos como um todo, a bacia hidrográfica do rio São Pedro, norte fluminense. Foram realizados diversos trabalhos de campo, desde a procura por uma área compatível, até os monitoramentos e recuperação realizados. As análises laboratoriais permitiram verificar a erodibilidade dos solos. A maioria dos resultados apontou solos de textura franco arenosos para camadas mais profundas, e franco argilo arenosos, para camadas mais superficiais. Isso demonstrou que os teores de silte são mais elevados em subsuperfície, principalmente somados aos altos teores de areia fina, conferindo alta erodibilidade a esses materiais, e maior suscetibilidade em caso de serem expostos aos agentes erosivos. Os monitoramentos das bordas e dos pinos de erosão se mostraram potencialmente complementares. Por estes, chegou-se a taxas de erosão de 2,49 toneladas de massa de solo, algo em torno de um ano de estudos. Considerando o tamanho da área a que se referem tais taxas, que foram mensuradas na menor voçoroca da área, a erosão poderia chegar a 100 toneladas por hectare. Integrando estes fatores, aos baixos teores de matéria orgânica e carbono orgânico, comumente abaixo de 3,5% e 2,0%, respectivamente; à acidez apresentada pelos solos, embora não crítica; à compactação apresentada pelos solos, sempre com valores próximos a 1,50 g/cm³, ou mais elevados e à porosidade abaixo de 45%; o diagnóstico aponta níveis preocupantes de degradação da área estudada, visivelmente percebida pela presença marcante de terracetes de pisoteio do gado e de voçorocas em expansão rápida. O início de recuperação foi bem sucedido com a utilização inédita das fibras de bananeira para a confecção de geotêxteis biodegradáveis. A cobertura vegetal se desenvolveu e estabeleceu em poucos meses, com o auxílio dos geotêxteis, expondo a aptidão das telas feitas com materiais da bananeira para a recuperação da área. Além dessas conclusões, afirma-se a necessidade de melhorar o diagnóstico, agregando elementos não considerados aqui, para o melhor aproveitamento das técnicas empregadas e a sua sustentabilidade.
Article
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This paper reviews slope processes associated with mass movements and soil erosion and contributory factors, including physical and human agents. Acting together, these cause diverse geomorphological features. Slope processes are illustrated by reference to case studies from Brazil and the UK. The causes and impacts of erosion are discussed, along with appropriate remedial bioengineering methods and the potential of measures to prevent these types of environmental degradation. Key Words: Mass movements, soil erosion, land degradation, hazards, risks, soil recuperation.
Article
Geotourism is a growing activity in Brazil, mainly in Conservation Units, where trails are used by both visitors and local people to access geotourist attractions. The use of these trails can have negative impacts when there is inadequate planning and management. This research investigated two geotourist trails: Caixa D'Aço natural pool trail in Serra da Bocaina National Park (Rio de Janeiro State) and Água Branca waterfall trail in Serra do Mar State Park (São Paulo State). Geodiversity values were assessed at both geosites, adopting the methods of Gray (2004, 2013). Soil quality analysis was also conducted, with physico-chemical analyses of soils from 0 to 10 cm depth. The dominant soil texture on Caixa D'Aço natural pool trail is sandy clay loam, and on Água Branca trail, all samples were coarse sandy loams. Soils on Caixa D'Aco natural pool trail were compact, with a mean bulk density of 1.41 g/cm 3 , whereas on Água Branca trail, the mean value was 1.19 g/cm 3. The geodiversity values at both sites were similar, except for supporting services, where Caixa D'Aço natural pool had a medium value, whereas Água Branca waterfall had a high value. This paper stresses the importance of geoconservation studies in publicizing the geoheritage of Brazilian Conservation Units.
Article
Concern with the human impact in Geomorphology has a long history. What is new is that since 1969 a number of developments have taken place that have led to an increasing realisation of its importance. These developments are in four main areas: (i) intellectual and policy-related; (ii) technological developments that alter geomorphological processes; (iii) demographic trends; and (iv) the proliferation of techniques for the study of landform and process change. There has been a realisation of the role of humans in landscape transformation in ancient times. The human impact has developed through time, but particularly notable are the potential early effects of fire, extinctions and deforestation on geomorphological processes. The spread of European agriculture, particularly in the nineteenth century, transformed erosion and sedimentation rates in many parts of the world. Notwithstanding the importance of some of these changes in prehistoric and historic times, recent researches have demonstrated that humans have become an increasingly important agent of geomorphological change during the period of the Great Acceleration of the past five or six decades. The interest in global warming that has developed since the early 1980s has created considerable interest in its consequences for a range of geomorphological phenomena. It is also becoming apparent that anthropogenic geomorphological change is having an impact on the Earth System as a whole. Finally, Geomorphologists have taken an increasing interest in how they can make an impact in the field of landscape conservation.