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Artigo Original Mimosa L. (Fabaceae) em Cachoeira dos Índios, Paraíba, Brasil

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Resumo Mimosa é um gênero Neotropical, com grande representatividade na Caatinga, domínio onde está inserido o município de Cachoeira dos Índios. Na área de estudo, os representantes do gênero foram coletados no período de dezembro/2018 a janeiro/2020. Foram levantadas nove espécies de Mimosa: (M. arenosa (Willd.) Poir., M. camporum Benth., M. candollei R. Grether, M. debilis Humb. & Bonpl. ex Willd., M. invisa Mart. ex Colla, M. paraibana Barneby, M. sensitiva L., M. tenuiflora (Willd.) Poir. e M. ursina Mart.), destas, M. camporum, M. invisa e M. ursina são novos registros para o estado e M. paraibana, um táxon endêmico do Nordeste brasileiro. Sendo assim, evidencia-se a relevância deste ambiente, pois além de ampliar a distribuição geográfica do gênero na Paraíba, traz contribuições taxonômicas do grupo para flora da região. Palavras-chave: Caatinga, Caesalpinioideae sensu lato, Flora, Leguminosae. Mimosa L. (Fabaceae) in Cachoeira dos Índios, Paraíba, Brazil Abstract Mimosa is a Neotropical genus with great representation in the Caatinga, a domain where the municipality of Cachoeira dos Índios is located. In the study area, representatives of the genus were collected from December/2018 to January/2020. Nine species of Mimosa were identified: (M. arenosa (Willd.) Poir., M. camporum Benth., M. candollei R. Grether, M. debilis Humb. & Bonpl. ex Willd., M. invisa Mart. ex Colla, M. paraibana Barneby, M. sensitiva L., M. tenuiflora (Willd.) Poir. e M. ursina Mart.). Out of these, M. camporum, M. invisa, M. sensitiva and M. ursina are new records for the state and M. paraibana is an endemic taxon in Northeast Brazil. Thus, the relevance of this environment is evidenced, because in addition to expanding the geographic distribution of the genus in Paraíba, it brings taxonomic contributions from the group to the region's flora.
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Acta Brasiliensis 5(1): 35-43, 2021
Acta Brasiliensis 5
(1): 35-43, 2020
Artigo Original
http://revistas.ufcg.edu.br/ActaBra
http://dx.doi.org/10.22571/2526-4338334
Mimosa L. (Fabaceae) em Cachoeira dos Índios, Paraíba, Brasil
Emanuel Evaristo de Sousa
a
, Rubens Teixeira de Queiroz
b
, Maria do Socorro Pereira
a*
a
Universidade Federal de Campina Grande, Cajazeiras, 58900-000, Paraíba, Brasil. *emanuel09692@gmail.com
b
Programa de Pós-Graduação em
Mestrado Profissional em Ensino de Biologia, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa,
58051-900, Paraíba, Brasil.
Recebido: 7 abril 2020 / Aceito: 12 junho 2020 / Publicado online: 27 janeiro 2021
Resumo
Mimosa é um gênero Neotropical, com grande representatividade na Caatinga, domínio onde está inserido o município de
Cachoeira dos Índios. Na área de estudo, os representantes do gênero foram coletados no período de dezembro/2018 a
janeiro/2020. Foram levantadas nove espécies de Mimosa: (M. arenosa (Willd.) Poir., M. camporum Benth., M. candollei R.
Grether, M. debilis Humb. & Bonpl. ex Willd., M. invisa Mart. ex Colla, M. paraibana Barneby, M. sensitiva L., M. tenuiflora
(Willd.) Poir. e M. ursina Mart.), destas, M. camporum, M. invisa e M. ursina são novos registros para o estado e M. paraibana,
um táxon endêmico do Nordeste brasileiro. Sendo assim, evidencia-se a relevância deste ambiente, pois além de ampliar a
distribuição geográfica do gênero na Paraíba, traz contribuições taxonômicas do grupo para flora da região.
Palavras-chave: Caatinga, Caesalpinioideae sensu lato, Flora, Leguminosae.
Mimosa
L. (Fabaceae) in Cachoeira dos Índios, Paraíba, Brazil
Abstract
Mimosa is a Neotropical genus with great representation in the Caatinga, a domain where the municipality of Cachoeira dos
Índios is located. In the study area, representatives of the genus were collected from December/2018 to January/2020. Nine
species of Mimosa were identified: (M. arenosa (Willd.) Poir., M. camporum Benth., M. candollei R. Grether, M. debilis Humb.
& Bonpl. ex Willd., M. invisa Mart. ex Colla, M. paraibana Barneby, M. sensitiva L., M. tenuiflora (Willd.) Poir. e M. ursina
Mart.). Out of these, M. camporum, M. invisa, M. sensitiva and M. ursina are new records for the state and M. paraibana is an
endemic taxon in Northeast Brazil. Thus, the relevance of this environment is evidenced, because in addition to expanding the
geographic distribution of the genus in Paraíba, it brings taxonomic contributions from the group to the region's flora.
Keywords: Caatinga, Caesalpinioideae sensu lato, Flora, Leguminosae.
Introdução
Mimosa L. abrange cerca de 540 espécies, com maioria de
distribuição Neotropical e 40 nativas do Velho Mundo. O
grupo ocorre em vários tipos de habitats, especialmente em
áreas mais abertas de florestas, savanas, campos, caatingas,
desertos ou antropizadas. Os principais centros de diversidade
são México, Paraguai, Uruguai, Argentina. No Brasil, são
encontradas 368 espécies, sendo 268 endêmicas do país. Para
o Nordeste, são relatadas 88 espécies, das quais 14 já foram
apontadas para o estado da Paraíba. É o gênero de Fabaceae
mais representativo na Caatinga com 57 táxons registrados até
o momento (Barneby, 1991; Queiroz, 2009; Simon et al., 2011;
Santos-Silva; Simon & Tozzi, 2015; Flora do Brasil em
construção, 2020).
O gênero diferencia-se dos demais da família por
apresentar frutos do tipo craspédio, com margens persistentes
constituindo o replo, valvas segmentadas em artículos
monospérmicos ou menos frequentemente inteiras, flores
isostêmones ou diplostêmones, anteras sem glândulas apicais e
ausência de nectários foliares, exceto em alguns membros de
Mimosa sect. Mimadenia (Queiroz, 2009). Na classificação
infragenérica, proposta por Barneby (1991), Mimosa
constitui cinco seções: M. sect. Mimadenia Barneby, M. sect.
Batocaulon, M. sect. Calothamnos, M. sect. Habbasia e M.
sect. Mimosa.
O grupo é ecologicamente importante nas regiões
semiáridas, tanto por seus táxons de crescimento rápido e
alta capacidade de regeneração, que contribuem para a
colonização e recuperação de ambientes degradados, quanto
por fornecerem recursos florais, como pólen e néctar, que
servem de alimento para vários tipos de insetos,
especialmente abelhas (Maia-Silva, Silva, Hrncir, Queiroz &
Imperatriz-Fonseca, 2012; Döhler & Pina, 2017).
Apesar de sua importância, trabalhos que abordam
especificamente Mimosa em áreas de Caatinga, como os de
Silva & Sales (2008) e Dourado, Conceição e Santos-Silva
(2013), ainda são escassos, sendo o gênero citado
principalmente em levantamentos florísticos regionais.
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Ostroski, et al. Mimosa (Fabaceae) na Paraíba, Brasil
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Dentre estes, podem ser citados os estudos de Queiroz (2009),
na Caatinga, Matos, Melo e Santos-Silva (2019), no
Pernambuco, Silva & Melo (2013), Ferreira, Trovão & Melo
(2015), Rodrigues (2018) e Farias, Lacerda, Gomes, Barbosa
& Dornelas (2017), na Paraíba. Em virtude disto, este estudo
foi proposto, para catalogar e caracterizar as espécies do gênero
ocorrentes no município de Cachoeira dos Índios, Paraíba,
Brasil, visando assim, o conhecimento da flora em ambientes
nunca investigados, que apesar das constantes ações
antrópicas, ainda guardam remanescentes de vegetação nativa,
que podem trazer novas informações sobre a distribuição,
diversidade e riqueza destes táxons no estado.
Material e Métodos
Área de Estudo
O município de Cachoeira dos Índios está situado no
extremo oeste do estado da Paraíba (38°40’26” de longitude
oeste e 06°55’37” de latitude sul), compreendendo 193,6 km²
de extensão (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
[IBGE], 2018), os solos são do tipo Argissolos, podendo haver
porções restritas de Latossolos e Neossolos (Embrapa Solos,
2018).
O clima é Semiárido, com temperaturas variando entre 23
e 30 °C e precipitação média de 913,2 mm/ano. O município
se insere na Bacia Hidrográfica do Rio Piranhas, Sub-Bacia do
Rio do Peixe, com cursos hídricos intermitentes, além de
açudes. As fitofisionomias são típicas de Caatinga,
predominando formações arbustivo-arbóreas abertas, de
pequeno a médio porte.
As coletas foram realizadas de dezembro/2018 a
janeiro/2020, em 10 pontos de coletas (Tabela 1).
Tabela 1. Localização dos pontos de coleta de material
botanico em Cachoeira dos Índios, Paraíba, Brasil.
Estação
Coordenadas
Latitude
Longitude
P1 - Sítio Redondo
6°56’09.42”S
38°39’18.03”O
P1 - Sítio Redondo
6°56’46.56”S
38°38’51.71”O
P2 - Sítio Baixa Grande
7°01’26.07”S
38°40’46.48”O
P3 - Distrito de São José
de Marimbas
6°59’06.08”S
38°39’36.19”O
P4 - Distrito de Tambor
6°54’48.46”S
38°42’06.71”O
P5 - Serrote do Quati
6°59’51.86”S
38°40’08.92”O
P6 - Sítio Angical
6°53’44.47”S
38°39’28.15”O
P7 - Sítio Lagoa do Mato
6°58’33.73”S
38°39’21.04”O
P8 - Sítio Larges
6°53’56.43”S
38°40’00.93”O
P9 - Sítio Pedras Pretas
7°01’01.03”S
38°40’10.15”O
P10 - Sítio São Joaquim
6°56’09.42”S
38°39’18.03”O
Estudo Taxonômico
As amostras coletadas foram herborizadas conforme a
metodologia de Gadelha-Neto et al. (2013), para depósito no
Herbário Lauro Pires Xavier (JPB), cadastrado na rede do
SpeciesLink Network. As descrições morfológicas foram feitas
no Laboratório de Botânica da Universidade Federal de
Campina Grande, Campus Cajazeiras, com base nos espécimes
exclusivamente da área de estudo, seguindo a circunscrição
adotada pelo The Legume Phylogheny Working Group
(LPWG, 2017). A morfologia foi baseada em Vidal e Vidal
(2003), Gonçalves e Lorenzi (2011), Souza, Flores e Lorenzi
(2013).
As identificações seguem Barneby (1991), Silva e Sales
(2008), Queiroz (2009), Dourado et al., (2013), Silva e Melo
(2013), Santos-Silva et al., (2015), Tozzi et al. (2016),
Mattos et al. (2018), além de análise das coleções-tipo em
herbários virtuais (INCT-HVFF, SpeciesLink Network,
REFLORA-JBRJ) e por fim, confirmadas por especialistas.
As abreviaturas dos nomes dos autores estão de acordo com
a Flora do Brasil 2020 (Flora do Brasil em construção, 2020).
A distribuição geográfica das espécies segue o disposto
na Flora do Brasil 2020 e/ou com demais referenciais
teóricos consultados (Burkart, 1979; Barneby, 1991;
Queiroz, 2009; BFG, 2015; Santos-Silva et al., 2015; Tozzi
et al., 2016; Mattos et al., 2018). O mapa de localização da
área de estudo foi confeccionado a partir do programa QGis
2.18.28. Os percentuais dos hábitos foram obtidos através de
cálculos simples de regra de três.
Resultados e Discussão
Foram encontradas nove espécies de Mimosa (Mimosa
arenosa (Willd.) Poir., M. camporum Benth., M. candollei
R. Grether, M. debilis Humb. & Bonpl. ex Willd., M. invisa
Mart. ex Colla, M. paraibana Barneby, M. sensitiva L., M.
tenuiflora (Willd.) Poir. e M. ursina Mart.), o que
corresponde a 64% dos táxons do gênero constatados na
Paraíba, distribuídas nas seguintes seções: Mimosa sect.
Batocaulon (Mimosa arenosa (Willd.) Poir., M. candollei R.
Grether, M. invisa Mart. ex Colla, M. paraibana Barneby e
M. tenuiflora (Willd.) Poir.), Mimosa sect. Mimosa (Mimosa
debilis Humb. & Bonpl. ex Willd., M. sensitiva L. e M.
ursina Mart.) e Mimosa sect. Habbasia (M. camporum
Benth.).
Destas, predominam espécies subarbustivas (44,4%),
seguidas por arbustivas (33,3%), lianas (22,2%) e arvoretas
(11,1%). Mimosa camporum, M. invisa e M. ursina são aqui
apontadas como novos registros para o estado da Paraíba.
Mimosa paraibana é uma espécie endêmica do Nordeste
brasileiro, ocorrendo, principalmente, na cobertura vegetal
nativa de Caatinga (Queiroz, 2009).
Na Bahia, Dourado et al., (2013), apontaram 11 espécies
para a Área de Preservação Ambiental Serra Branca/Raso da
Catarina. no Pernambuco, Silva & Sales (2008),
registraram a ocorrência de 11 táxons para a microrregião do
Vale do Ipanema. Em ambos, Mimosa sect. Batocaulon
destaca-se como a seção mais representativa, o que está em
consonância com os resultados constatados no presente
estudo.
Dentre os levantamentos florísticos realizados em regiões
de Caatinga Paraibana que incluem Mimosa (Silva & Melo
(2013); Ferreira et al. (2015); Farias et al. (2017) e Rodrigues
(2018)), o primeiro foi o que relatou o maior número de
representantes do gênero (5 spp.).
Mimosa L., Sp. Pl. 1: 516.1753
Arvoretas, arbustos, lianas ou subarbustos. Ramos
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Acta Brasiliensis 5(1): 35-43, 2021
Ostroski, et al. Mimosa (Fabaceae) na Paraíba, Brasil
cilíndricos, tetrangulares ou costados, armados, acúleos retos
ou retrorsos, infranodais, internodais ou seriados. Tricomas
simples, glandulares ou setosos. Folhas palmadas, bipinadas,
paripinadas, uni-multijuga; estípulas persistentes ou caducas;
pecíolos cilíndricos ou quadrangulares; movimentos
tigmonásticos presentes ou ausentes; espículas interpinais
presentes ou ausentes; parafilídios presentes. Inflorescências
espigas ou glomérulos, solitárias ou 23-fasciculadas, axilares
ou em pseudorracemos terminais. Flores sésseis; cálice
campanulado ou tubuloso, 45-lobado; corola campanulada ou
tubulosa, 45-mera, branca ou rósea; androceu isostêmone
ou diplostêmone, filetes brancos ou róseos, anteras oblongas
ou ovoides, rimosas; ovário oblongo, séssil ou subséssil,
estilete filiforme. Fruto craspédio, séssil ou estipitado, plano-
compresso, plano-corrugado ou quadrangular, armado ou
inerme; replo reto ou sinuoso. Sementes elipsoides, oblongas
ou ovoides, castanhas, cinzas, marrons ou pretas.
Chave de identificação das espécies de Mimosa em Cachoeira dos Índios, Paraíba, Brasil
1. Folhas palmadas, raque ausente, 1 par de pinas ............................................................................................... 2
2. Foliólulos 4-5 pares, oblongos................................................................................................ 9. Mimosa ursina
2’. Foliólulos 2 pares, obovado ou falcado .......................................................................................................... 3
3. Liana, foliólulos falcados, estípulas 3.45.5 mm compr....................................................... 7. Mimosa sensitiva
3’. Subarbusto decumbente, foliólulos obovados, estípulas 3.4–5.5 mm compr. ......................... 4. Mimosa debilis
1’. Folhas pinadas, raque presente, 2 ou mais pares de pina ................................................................................. 4
4. Liana....................................................................................................................................... 5. Mimosa invisa
4’ Subarbusto, arbusto ou arvoreta ...................................................................................................................... 5
5. Subarbusto com ramos híspidos ou pilosos ...................................................................................................... 6
6. Ramos cilíndricos, híspidos, acúleos retos, craspédio inerme............................................ 2. Mimosa camporum
6’. Ramos tetrangulares, pilosos, acúleos retrorsos, craspédio armado .................................... 3. Mimosa candollei
5’. Arbusto ou arvoreta com ramos tomentosos ou pubescentes .......................................................................... 6
7. Ramos estriados, inflorescência glomérulo, flores róseas, craspédio 23 cm larg.............. 6. Mimosa paraibana
7’. Ramos lisos, inflorescência espiga, flores alvas, craspédio 0.4 0.7 mm larg.................................................. 8
8. Ramos verdes ou cinzas, folha sem pontuações glandulares na face abaxial, craspédio plano-
compresso…………………………………………………………………………………………………1. Mimosa arenosa
8’. Ramos marrons ou vináceos, folha com pontuações glandulares na face abaxial, craspédio plano-
corrugado…………………………………………………………………………………....…………..8. Mimosa tenuiflora
1. Mimosa arenosa (Willd.) Poir., Encycl. Suppl. 1: 66.1810.
(Figura 2A-B)
Arbusto 2,54,0 m alt. Ramos verdes ou cinzas, cilíndricos,
lisos, aculeados, tomentosos, lenticelados, tricomas simples e
glandulares. Acúleos 2,04,0 mm comp., internodais,
retrorsos. Estípulas 2,34,7 × 0,20,5 mm, lineares a
estreitamente triangulares, velutinas a pubescentes, tricomas
simples. Folhas pinadas, 48 pares de pinas; pecíolos 0,91,7
cm comp, cilíndrico, sulcado, tomentoso, tricomas simples e
glandulares; raque 1,810 × 24,7 cm, cilíndrica, sulcada,
tomentosa, tricomas simples e glandulares; movimentos
tigmonásticos ausentes; espículas interpinais triangulares;
parafilídios cônicos; pinas 1,04,0 × 0,30,6 cm, oblongas;
foliólulos 2,05,0 × 1,0 mm, oblongos, ápice mucronado, base
oblíqua, margem inteira, ambas as faces pubescentes, sem
pontuações glandulares na face abaxial, nervação acródroma.
Espigas 2,56,5 × 0,71,8 cm, cilíndricas, axilares, solitárias,
23-fasciculadas ou agrupadas em pseudorracemos terminais;
pedúnculos 4,09,0 mm comp., cilíndricos, tomentosos,
tricomas simples e glandulares; brácteas 1,31,4 mm comp.,
lanceoladas, verdes, glabras. Flores 0,41,0 × 0,10,4 cm,
subsésseis; cálice 0,50,6 × 0,30,5 mm, campanulado,
branco, glabro; corola 2,03,0 × 1,02,0 mm, tetrâmera,
campanulada, lacínias eretas, branca, glabra; androceu
diplostêmone, filetes 3,87,9 mm comp., livres, brancos,
anteras oblongas a ovoides, amarelas; ovário ca. 1,0 mm
comp., curtamente estipitado, glabro, estilete ca. 7,0 mm
comp. glabro. Craspédios 3,06,2 × 0,40,5 cm, lineares, 3
8 articulados, marrons, estipitados, cartáceos, plano-
compressos, ápice mucronado, base atenuada, glabros;
estípite 5,010 mm comp.; artículos quadrangulares; replo
reto, glabro. Sementes 3,43,6 × 2,82,9 mm, 38, ovoides,
marrom-claras.
Material examinado: Sítio Baixa Grande, 04 maio 2019,
fl., E. E. Sousa 99 (JPB); 02 jun 2019, fr., E. E. Sousa 107
(JPB); 05 ago 2019, fr., E. E. Sousa 126 (JPB).
Distribuição geográfica: Pode ser encontrada nas áreas
secas de Porto Rico, Venezuela e no Brasil. Neste último, é
referida em toda região Nordeste, estendendo-se até Minas
Gerais e cultivada no estado de São Paulo. Registrada na
Caatinga como espécie invasora de áreas antropizadas,
ocorrendo em solos arenosos com ou sem afloramentos
rochosos e em áreas susceptíveis a inundações (Queiroz,
2009; Santos-Silva et al., 2015; Flora do Brasil em
construção, 2020). Coletada na área de estudo em ambientes
mais abertos e próximo a açudes. Nos locais onde foi
encontrada, o extrato mais desenvolvido era o arbustivo-
arbóreo, onde a espécie figurava como uma das mais
frequentes, juntamente com M. tenuiflora, Piptadenia
Ostroski, et al. Mimosa (Fabaceae) na Paraíba, Brasil
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stipulacea (Benth.) Ducke (Fabaceae), Combretum leprosum
Mart. (Combretaceae), Croton sonderianus Muell. Arg.
(Euphorbiaceae), Mesosphaerum suaveolens (L.) Kuntze
(Lamiaceae) e Ziziphus joazeiro Mart. (Rhamnaceae). Abelhas
foram visualizadas polinizando a espécie.
Notas taxonômicas: Entre as espécies da área a mais
próxima de M. arenosa é M. tenuiflora, pois ambas
compartilham características como indumento com tricomas
simples e glandulares, folhas com múltiplos pares de pinas e
inflorescência em espiga com flores alvas. Porém, M. arenosa
tem ramos verdes a cinzas, lenticelados, acúleos retrorsos,
folíolos sem pontuações glandulares na face abaxial e
craspédio plano-compresso, não inflado na altura da semente,
glabro (vs. ramos marrons a vináceos, sem lenticelas, acúleos
retos, folíolos com pontuações glandulares na face abaxial e
craspédio plano-corrugado, inflado na altura da semente,
puberulento em M. tenuiflora). Floresce em maio e frutifica de
junho a agosto. Conhecida popularmente como calumbi.
2. Mimosa camporum Benth. J. Bot. (Hooker) 2(11): 130.
1840. (Figura 2C-D)
Subarbustos eretos, 0,51,0 m alt. Ramos cilíndricos,
verdes, aculeados, híspidos, tricomas simples. Acúleos 1,03,0
mm comp., longo-subulados, distribuídos esparsamente pelos
ramos. Estípulas 0,51,1 × 0,1 cm, lanceoladas, verdes,
margem ciliada, tricomas simples. Folhas pinadas, 26 pares
de pinas; pecíolos 0,62,0 cm comp., cilíndricos, aculeados,
híspidos, tricomas simples; raque 0,64,5 cm comp., cilíndrica,
aculeada, híspida, tricomas simples; espículas interpinais
triangulares; parafilídios cônicos; movimentos tigmonásticos
presentes; pinas 1,14,7 × 0,30,6 cm, oblongas; foliólulos
0,20,7 × 0,10,2 cm, sésseis, oblongos, membranáceos, base
oblíqua, margem longamente ciliada, ápice mucronado,
glabros em ambas as faces, tricomas simples, nervação
actinódroma. Glomérulos 0,30,8 cm diâm., globosos,
solitários, axilares; pedúnculos 0,40,8 cm comp., cilíndricos,
híspidos, tricomas simples; brácteas 2,03,0 mm comp.,
lanceoladas, verdes, margens ciliadas. Flores 5,06,0 × 1,0
mm, sésseis; cálice 0,5 × 0,5 mm, campanulado, branco,
glabro; corola 1,52,0 × 0,81,0 mm, tetrâmera, campanulada,
lacínias eretas, branca, glabra; androceu diplostêmone, filetes
3,04,0 mm comp., livres, róseos; anteras oblongas, amarelas;
ovário ca. 0,5 mm comp., oblongo, denso-seríceo, tricomas
simples, estilete 4,05,0 mm comp., seríceo, tricomas simples.
Craspédios 0,91,2 × 0,40,5 cm, oblongos, verdes, sésseis,
cartáceos, 23 articulados, ápice arredondado, base aguda,
híspidos, tricomas simples; artículos quadrangulares; replo
reto, adpresso, híspido, tricomas simples. Sementes não
observadas.
Material examinado: Sítio Baixa Grande, 07 abr 2019, fl.,
fr., E. E. Sousa 78 (JPB).
Distribuição geográfica: Mimosa camporum ocorre na
Argentina, Bolívia, Paraguai e Brasil. No Brasil, é citada para
as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Encontrada em
áreas de vegetação de transição, ou antropizadas (Barneby,
1991; BFG, 2015; Mattos et al., 2018, Flora do Brasil em
construção, 2020). Aqui, é apontada como novo registro para a
Paraíba, coletada em Cachoeira dos Índios, crescendo em áreas
mais abertas, onde predominava o extrato herbáceo. A espécie
estava associada a outros táxons de Fabaceae (M. candollei, M.
debilis, Stylosanthes humilis Kunth.), de Lamiaceae (M.
suaveolens) e Poaceae. Visitantes florais não foram
observados.
Notas taxonômicas: Mimosa camporum pode ser
distinguida das demais na área de estudo pelos acúleos
longo-subulados, esparsos nos ramos, sendo estes híspidos,
gineceu denso-seríceo e craspédios com replo adpresso,
híspido. Compartilha o hábito subarbustivo com Mimosa
ursina, mas são facilmente distintas pela presença de 1 par
de folíolos em M. ursina (vs. 37 pares em M. camporum).
Observada em floração e frutificação em abril.
3. Mimosa candollei R. Grether, Novon 10: 34. 2000.
(Figura 2E-F)
Subarbusto escandente ou prostrado, ca. 1 m alt. Ramos
tetragonais, verdes, costados, pilosos, aculeados, tricomas
simples e glandulares. Acúleos 0,42,1 mm comp., retrorsos,
seriados. Estípulas 2,73,7 × 0,10,2 mm, lanceoladas a
aciculadas, verdes, pilosas, tricomas simples. Folhas
pinadas, (1)23 pares de pinas; pecíolos 2,25,4 cm comp.,
tetrangulares, aculeados, pilosos, tricomas simples e
glandulares; raque 8,518,5 mm comp., tetrangular,
aculeada, pilosa, tricomas simples e glandulares; espículas
interpinais filiformes, parafilídios ovais; pinas 2,35,5 × 0,8
2,4 cm, oblongas; foliólulos 1319 pares, 2,714 × 1,33,0
mm, oblongos, membranáceos, ápice mucronado, base
oblíqua, margem ciliada, face adaxial glabra, face abaxial
estrigosa no primeiro par de folíolos e puberulenta nos
demais, nervação hifódroma, tricomas simples. Glomérulos
2,47,1 mm diâm., globosos, solitários ou 2-fasciculados,
axilares; pedúnculos ca. 1,5 mm comp., cilíndricos,
pubescentes; brácteas 1,82,7 × 0,2 mm, lanceoladas, verdes,
pubescentes. Flores 2,03,7 × 1,12,0 mm, sésseis; cálice 0,4
× 0,2 mm, campanulado, rosa, glabro; corola 0,8 × 0,91,2
mm, tetrâmera ou pentâmera, campanulada, lacínias eretas,
rosa, glabra; androceu diplostêmone, filetes 2,74,7 mm
compr., livres, róseos, anteras oblongas, amarelas; ovário ca.
0,7 mm comp., séssil, oblongo, glabro, estilete ca. 0,4 mm
comp., glabro. Craspédios 8,011,5 × 0,20,4 cm, lineares,
tetragonais, planos, pardos, cartáceos, estriados, não
articulados, aculeados, puberulentos, ápice estreitamente
atenuado formando um rostro, base aguda, tricomas
glandulares; replo reto, espesso, aculeado, puberulento,
tricomas glandulares. Sementes 3,04,8 × 2,12,8 mm,
oblongas a elipsoides, pretas.
Material examinado: Sítio Baixa Grande, 16 mar 2019,
fl., fr., E. E. Sousa 65 (JPB); 07 abr 2019, fl., fr., E. E. Sousa
79 (JPB); Sítio Redondo, 05 ago 2019, fl., fr., E. E. Sousa
132,133 (JPB).
Distribuição geográfica: Mimosa candollei apresenta ampla
distribuição pelo continente Americano, ocorrendo do sul
dos Estados Unidos até a Argentina. No Brasil, tem registros
no Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul. Encontrada
em áreas de Caatinga, Cerrado, Mata Ciliar, Floresta
Estacional Semidecidual e Restinga, crescendo em solos
úmidos e campos arenosos, além de ambientes antropizados
(Burkart, 1979; Tozzi et al., 2016; Flora do Brasil em
construção, 2020). Coletada na área de estudo em serrotes ou
próximo a açudes. Nos locais onde foi encontrada,
predominava o extrato herbáceo, com apenas alguns arbustos
39
Acta Brasiliensis 5(1): 35-43, 2021
Ostroski, et al. Mimosa (Fabaceae) na Paraíba, Brasil
esparsos, onde a espécie encontrava-se associada a
representantes do mesmo gênero e da mesma família
(Desmodium glabrum (Mill.) DC., Mimosa camporum, M.
debilis, M. tenuiflora, Rynchosia minima (L.) DC., S. humilis),
assim como de Combretaceae (C. leprosum), Lamiaceae (M.
suaveolens) e Poaceae. Visitantes florais não foram
visualizados.
Notas taxonômicas: Mimosa candollei pode ser
diagnosticada pelo hábito subarbustivo prostrado ou
escandente, ramos tetragonais com acúleos seriados, flores
com corolas em sua maioria pentâmeras, craspédios lineares,
tetragonais em seção transversal, não articulados, ápice
estreitamente atenuado formando um rostro e replo largo,
aculeado. Facilmente reconhecida das demais pelos frutos
lineares. Ocorre em ambientes arenosos. Floresce e frutifica de
março a agosto. Popularmente conhecida como malissa.
Figura 2. A-B. Mimosa arenosa A. Espigas; B. Craspédios;
C-D. Mimosa camporum C. Glomérulo; D. Craspédios; E-F.
Mimosa candollei E. Glomérulo; F. Craspédios.
4. Mimosa debilis Humb. & Bonpl. ex Willd. Sp. pl. 4(2):
1029. 1806. (Figura 3A-B)
Subarbusto decumbente, ca. 3050 cm alt. Ramos
cilíndricos, verdes, híspidos, aculeados. Acúleos ca. 0,2 mm
comp., retrorsos, com base larga, internodais. Estípulas 1,41,9
× 0,20,4 mm, lanceoladas, estriadas, verdes, híspidas,
margens ciliadas. Folhas palmadas, 1 par de pinas; pecíolos
1,45,5 cm comp., cilíndricos, híspidos; raque ausente,
movimentos tigmonásticos presentes, espículas interpinais
ausentes, parafilídios lineares a lanceolados; pinas 2,24,0 ×
0,83,4 cm; foliólulos 2 pares, 0,53,3 × 0,21,6 cm, o par
basal com um de seus foliólulos atrofiado, membranáceos,
obovados, ápice acuminado, margem estrigosa, base oblíqua,
face adaxial glabra, face abaxial estrigosa, nervação
broquidódroma, tricomas simples. Glomérulos 0,20,4 cm
diâm., globosos, solitários ou 2fasciculados, axilares;
pedúnculos 0,51,1 cm comp., cilíndricos, glabros; brácteas
1,82,0 mm comp., lineares, verdes, margens ciliadas. Flores
2,04,0 × 0,50,8 mm, sésseis; cálice 0,5 × 0,4 mm,
tubuloso, irregularmente denteado, branco, glabro; corola
1,0 × 0,7 mm, tubulosa, pentâmera ou tetrâmera, lacínios
eretos a encurvados, branca, glabra; androceu isostêmone,
filetes 2,03,0 mm comp., livres, róseos, anteras oblongas,
brancas; ovário ca. 1,0 mm comp., oblongo, séssil, glabro,
estilete 2,03,0 mm comp., glabro. Craspédios 1,41,9 ×
0,20,4 cm, oblongos, verdes, plano-compressos, cartáceos,
23 articulados, ápice mucronado, base arredondada,
híspidos, artículos quadrangulares, tricomas simples; replo
reto, híspido, tricomas simples. Sementes não observadas.
Material examinado: Serra do Quati, 26 fev 2019, fl., E. E.
Sousa 43, 44, 45, 46, 47 (JPB). Sítio Baixa Grande, 07 abr
2019, fl., fr., E. E. Sousa 81 (JPB).
Distribuição Geográfica: A espécie pode ser encontrada
na América Tropical, ocorrendo na Argentina, Bolívia,
Colômbia, Venezuela, Paraguai e Brasil. No Brasil, tem
ampla distribuição com registros em todas as regiões do país
e está associada ao Cerrado, Capoeira, Mata Ciliar e
ambientes antrópicos, crescendo em solos arenosos ou
pedregosos, em altitudes de até 600 metros (Tozzi et al.,
2016; Flora do Brasil em construção, 2020). Coletada em
Cachoeira dos Índios em região serrana e áreas abertas, com
predominância do extrato herbáceo, sendo uma espécie
frequente, associada a outros representantes de Fabaceae
(Indigofera blanchetiana Benth., Mimosa camporum, M.
ursina, S. humilis) e também de Lamiaceae e Poaceae. Não
foram observados visitantes florais.
Notas taxonômicas: Mimosa debilis faz parte de um
complexo de espécies crípticas (Tozzi et al., 2016), no qual
também está inserida Mimosa sensitiva, outro táxon
observado em Cachoeira dos Índios. Essas duas espécies
compartilham as folhas com apenas um par de pinas.
Entretanto, M. debilis apresenta hábito subarbustivo
decumbente e foliólulos obovados (vs. hábito lianescente e
folíolos falcados em M. sensitiva). Floresce de fevereiro a
abril e frutifica em abril.
5. Mimosa invisa Mart. ex Colla, Herb. Pedem 2: 255. 1834.
(Figura 3C-D)
Lianas, 2,53,0 m alt. Ramos verdes, costados,
aculeados, tomentosos, tricomas simples e glandulares.
Acúleos ca. 0,1 cm comp., retrorsos, seriados. Estípulas 0,2
0,3 × 0,1 cm, subuladas, verdes, tomentosas, tricomas
simples. Folhas pinadas, 310 pares de pinas; pecíolos 2,4
3,8 cm comp., cilíndricos, aculeados; raque 2,05,2 cm
comp., cilíndrica, aculeada; movimentos tigmonásticos
presentes; espículas interpinais lanceoladas a triangulares;
parafilídios ovais; pinas 1,34,0 × 0,20,4 cm, oblongas;
foliólulos 0,20,4 × 0,1 cm, sésseis, oblongos, cartáceos,
ápice arredondado a obtuso, base oblíqua, margem inteira,
tomentosos em ambas as faces, nervação hifódroma. Espigas
4,66,4 × 0,20,5 cm, cilíndricas, solitárias ou 2-
fasciculadas, axilares ou dispostas em pseudorracemos
terminais; pedúnculos 1,01,8 cm comp., cilíndricos,
aculeados, tomentosos, tricomas simples; brácteas ca. 0,5
A
B
C
D
E
F
Ostroski, et al. Mimosa (Fabaceae) na Paraíba, Brasil
40
mm comp., oblanceoladas, verdes, margens ciliadas, tricomas
simples. Flores 4,06,0 × 1,0 mm, sésseis; cálice 0,5 × 0,5 mm,
tubuloso, rosa, puberulento, tricomas simples; corola 0,81,0 ×
0,21,0 mm, campanulada, tetrâmera a pentâmera, rosa, vilosa,
lacínias eretas, tricomas simples; androceu diplostêmone,
filetes 4,05,0 mm comp., livres, róseos, anteras oblongas,
amarelas; ovário ca. 0,1 mm comp., oblongo, curto-estipitado,
tomentoso, tricomas simples. Craspédios 1,47,0 × 0,61,0
cm, oblongos, 312 articulados, marrons, estipitados, plano-
compressos, cartáceos, ápice mucronado, base arredondada a
cuneada, vilosos, tricomas simples; estípite 2,04,0 mm comp.;
artículos quadrangulares a retangulares; replo reto, viloso, com
acúleos esparsos, tricomas simples. Sementes 3,05,0 × 2,0
3,0 mm, ovais a oblongas, marrons.
Material examinado: Sítio Baixa Grande, 21 abr 2019, fl.,
E. E. Sousa 87, 88 (JPB); Serra do Quati, 17 ago 2019, fr., E.
E. Sousa 140 (JPB).
Distribuição geográfica: Mimosa invisa distribui-se na
Colômbia, Venezuela, Paraguai e Brasil. No Brasil, é
encontrada nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, associada a
diversos tipos de ambientes, como Caatinga, Cerrado, Floresta
Ombrófila, Floresta Estacional Decidual, Carrasco, Campo
Rupestre, Campo de Altitude, Mata Ciliar e Capoeira, assim
como em áreas antropizadas (Tozzi et al., 2016; Flora do Brasil
em construção, 2020). Em Cachoeira dos Índios foi coletada
em áreas serranas, sendo uma nova ocorrência para a Paraíba.
Verificou-se que, nos ambientes de coleta, o extrato
predominante era o arbustivo-arbóreo, tendo M. invisa como
uma das espécies mais frequentes, associada a táxons da
mesma família (Bauhinia pulchella Benth., Pityrocarpa
moniliformis (Benth.) Luckow & R. W. Jobs., Senna trachypus
(Mart. ex Benth.) H. S. Irwin & Barneby, de Combretaceae (C.
leprosum), Euphorbiaceae (C. sonderianus) e Lamiaceae (M.
suaveolens). Também foram vistas trepadeiras herbáceas da
família Convolvulaceae. Foi visitada por abelhas durante sua
floração.
Notas taxonômicas: Mimosa invisa compartilha com M.
arenosa e M. tenuiflora folhas multijugas e inflorescência
espiciforme. No entanto, M. invisa tem hábito lianescente e
flores róseas (vs. hábito arbustivo e flores alvas em M. arenosa
e M. tenuiflora). Diferencia-se das demais espécies da família
em Cachoeira dos Índios pelo hábito lianescente, acúleos
seriados dispostos sobre as costelas dos ramos, pecíolos, raque
foliar e pedúnculo, espigas com flores róseas e craspédios com
replo provido de acúleos esparsos. Observada em floração em
abril e frutificação em agosto.
6. Mimosa paraibana Barneby, Mem. New York Bot. Gard.
65: 171. 1991. (Figura 3E-F)
Arbustos 2,04,0 m alt. Ramos cilíndricos, estriados,
verdes, aculeados, tomentosos, tricomas simples e glandulares.
Acúleos ca. 1,0 mm comp., retrorsos, internodais. Estípulas
0,40,7 × 0,1 cm, lineares, verdes, tomentosas, tricomas
simples. Folhas pinadas, 37 pares de pinas; pecíolos 1,73,5
cm comp., cilíndricos, aculeados, tomentosos; raque 2,24,8
cm comp., aculeada, tomentosa; movimentos tigmonásticos
ausentes; espículas interpinais lanceoladas, parafilídios
subulados; pinas 2,56,4 × 0,71,7 cm, oblongas; foliólulos
0,21,0 × 0,10,4 cm, oblongos a obovados, cartáceos, ápice
arredondado a mucronado, margem inteira, ciliada, base
oblíqua, ambas as faces pubescentes, nervação trinérvea.
Glomérulos 1,11,5 cm diâm., globosos, agrupados em
pseudorracemos terminais longos; pedúnculos 1,01,5 cm
comp., cilíndricos, tomentosos, tricomas simples; brácteas
ca. 1,0 mm comp., lanceoladas, verdes, pubescentes,
tricomas simples. Flores 2,05,0 × 1,01,8 mm, sésseis;
cálice 0,50,8 × 0,5 mm, campanulado, curtamente
denticulado, róseo, glabro; corola 1,01,2 × 1,0 mm,
campanulada, lacínias eretas a ligeiramente reflexas,
tetrâmera, rósea, glabra; androceu diplostêmone, filetes 3,5
5,0 mm comp., livres, róseos, anteras ovoides, nigrescentes;
ovário ca. 1,0 mm comp., oblongo, curto-estipitado,
puberulento, estilete 3,04,0 mm comp., glabro. Craspédios
4,16,3 × 2,03,0 cm, oblongos, 79 articulados, curto-
estipitados, nigrescentes, plano-compressos, cartáceos, ápice
mucronado, base aguda, glabros; estípite 0,30,4 cm comp.;
artículos retangulares; replo reto, espesso, glabro. Sementes
6,08,0 × 3,05,0 mm, oblongas, cinzas.
Material examinado: Sítio Redondo, 04 fev 2019, fl., E.
E. Sousa 17 (JPB); 04 ago 2019, fr., E. E. Sousa 131 (JPB).
Distribuição geográfica: Endêmica da região Nordeste do
Brasil, ocorrendo nos estados do Ceará, Maranhão, Paraíba,
Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, associada a
ambientes de Caatinga e Floresta Estacional Semidecidual,
sobre solos arenosos e pedregosos (Barneby, 1991; Queiroz,
2009; Flora do Brasil em construção, 2020). Em Cachoeira
dos Índios, foi coletada em áreas de serrote, associada
principalmente a táxons arbustivo-arbóreos, como outras
Fabaceae dos gêneros Mimosa, Bauhinia, Cenostigma,
Chloroleucon, Lonchocarpus, Senegalia, como também
representantes de outros grupos de Angiospermas típicos de
Caatinga (Bromeliaceae, Cactaceae, Cochlospermaceae,
Euphorbiaceae). Foram observadas abelhas visitando a
espécie no período da floração.
Notas taxonômicas: Mimosa paraibana é facilmente
diferenciada das demais espécies na área pelos foliólulos
oblongos a obovados, relativamente largos, trinérveos,
glomérulos agrupados em pseudorracemos terminais longos,
anteras nigrescentes e craspédios com 2.03.0 cm largura,
artículos e replo glabros, nigrescentes. Floresce em fevereiro
e frutifica em agosto.
7. Mimosa sensitiva L., Sp. Pl.: 518. 1753. (Figura 4A-B)
Liana, 1,02,0 m alt. Ramos costados, estriados, verdes,
aculeados, estrigosos a pilosos, tricomas simples. Acúleos
0,52,4 mm, fortemente retrorsos, seriados. Estípulas 3,4
5,5 × 0,61,2 mm, lanceoladas, verdes, pilosas, estriadas,
ciliadas, tricomas simples. Folhas palmadas, 1 par de pinas;
pecíolos 1,98,1 cm comp., cilíndricos, aculeados, estrigosos
a pilosos, tricomas simples; raque ausente; movimentos
tigmonásticos presentes e rápidos; espículas interpinais
presentes; parafilídios subulados; pinas 3,76,9 × 2,65,0
cm; foliólulos 2 pares, 0,76,0 × 0,42,4 cm, foliólulo
interno do par basal atrofiado, falcados, membranáceos,
ápice cuneado-mucronado, margem ciliada, base oblíqua,
face adaxial glabra, face abaxial estrigosa, tricomas simples,
nervação broquidódroma. Glomérulos 6,07,0 mm diâm.,
globosos, solitários a 3-fasciculados, axilares ou agrupados
em pseudorracemos terminais curtos; pedúnculos 1,32,1 cm
41
Acta Brasiliensis 5(1): 35-43, 2021
Ostroski, et al. Mimosa (Fabaceae) na Paraíba, Brasil
comp., cilíndricos, aculeados, estrigosos a pilosos, tricomas
simples; brácteas 2,04,0 mm comp., lineares a oblanceoladas,
glabras, ápice ciliado. Flores 2,44,0 × 0,60,7 mm, sésseis;
cálice 0,31,0 × 0,30,4 mm, campanulado, setoso, paleáceo,
verde, glabro; corola 1,52,4 × 0,91,0 mm, campanulada,
tetrâmera, branca, externamente puberulenta, lacínias eretas a
ligeiramente encurvadas, tricomas simples e glandulares;
androceu isostêmone, filetes 1,02,0 mm comp., livres, róseos,
anteras oblongas, verde-amareladas; ovário 0,51,0 mm
comp., séssil, oblongo, esverdeado, glabro, estilete 0,51,5 mm
comp., glabro. Craspédios 2,03,7 × 0,51,2 cm, oblongos,
marrom-amarelados, sésseis, cartáceos, plano-compressos, 3
5 articulados, ápice acuminado, base arredondada, estrigosos,
tricomas simples; artículos quadrangulares; replo reto, viloso,
com setas compridas e rígidas. Sementes 3,04,0 × 2,03,0
mm, ovais, castanhas.
Figura 3. A-B. Mimosa debilis A. Glomérulo; B. Craspédios;
C-D. Mimosa invisa C. Espiga; D. Craspédios; E-F. Mimosa
paraibana E. Glomérulo; F. Craspédios.
Material examinado: Sítio Redondo, 04 ago 2019, fl., fr., E.
E. Sousa 129 (JPB).
Distribuição geográfica: Exclusiva da América do Sul,
ocorre na Venezuela, Guianas e no Brasil, em todas as regiões
do país. Observada em áreas de Caatinga, Campo Rupestre,
Cerrado, Floresta de Terra Firme, Floresta Estacional
Semidecidual, Floresta Ombrófila e Restinga (Barneby, 1991;
Tozzi et al., 2016; Flora do Brasil em construção, 2020).
Coletada em Cachoeira dos Índios em serrotes, estando
associada principalmente a componentes do extrato arbustivo-
arbóreo, como outras espécies da mesma família (Mimosa
paraibana, M. tenuiflora, Senegalia polyphylla (DC.) Britton
& Rose, S. tenuifolia (L.) Britton & Rose), além de membros
de Bromeliaceae, Bignoniaceae, Cactaceae,
Cochlospermaceae, Chrysobalanaceae, Euphorbiaceae e
Lamiaceae. Abelhas foram verificadas como visitantes
florais.
Notas taxonômicas: Mimosa sensitiva pode ser
confundida com Mimosa debilis por compartilharem folhas
com 1 par de pinas, cada pina com apenas 4 foliólulos, sendo
o foliólulo interno do par basal atrofiado. No entanto, M.
sensitiva apresenta acúleos seriados, foliólulos falcados,
flores com corola exclusivamente tetrâmera e cálice setoso
(vs. acúleos internodais, foliólulos obovados, flores com
corola tetrâmera ou pentâmera e cálice denteado em M.
debilis). Floresce e frutifica na área de estudo em agosto.
8. Mimosa tenuiflora (Wild.) Poir. Encycl. Suppl.1:
82.1810. (Figura 4C-D)
Arvoretas ou arbustos, 2,05,0 m alt. Ramos marrons a
vináceos, cilíndricos, aculeados, pubescentes, tricomas
simples esbranquiçados e/ou glandulares enegrecidos.
Acúleos 0,4-1,8 cm comp., retos, internodais, agudos, com
base mamilar. Estípulas 1,73,4 × 0,10,2 mm, estreitamente
triangulares, ciliadas, tricomas simples. Folhas pinadas, 37
pares de pinas, imparipinadas; pecíolos 79 mm comp.,
cilíndricos, puberulentos, tricomas simples e glandulares;
raque 1,15,6 cm comp., cilíndrica, puberulenta, tricomas
simples e glandulares; espículas interpinais subuladas;
parafilídios cônicos; movimentos tigmonásticos ausentes;
pinas 1,16,1 × 0,81,6 cm., oblongas; foliólulos 47 × 1,5
mm, sésseis, oblongos, cartáceos, ápice arredondado, base
oblíqua, margem discretamente ciliada, puberulentos, com
pontuações glandulares na face abaxial, tricomas simples,
nervação hifódroma. Espigas 5,17,6 × 0,91,5 cm,
cilíndricas, solitárias, axilares; pedúnculo 4,38,8 mm
comp., cilíndrico, puberulento, tricomas simples e
glandulares; brácteas 11,2 mm comp., obovadas a
oblanceoladas, verdes, margens ciliadas, tricomas simples.
Flores 2,34,1 × 1,11,4 mm, sésseis; cálice 0,80,9 × 0,4
0,7 mm, campanulado, 4angulado por nervuras
proeminentes e recurvadas, branco-esverdeado, puberulento,
tricomas simples; corola 1,21,5 × 11,1 mm, campanulada,
tetrâmera, branca, glabra, lacínios encurvados a ligeiramente
reflexas; androceu diplostêmone, filetes 56,4 mm comp.,
livres, brancos; anteras oblongas, amarelas; ovário ca. 1,4
mm comp., séssil, oblongo, puberulento; estilete ca. 5,0 mm
compr., glabro. Craspédios 2,35,4 × 5,37,8 mm, oblongos,
marrons, estipitados, cartáceos, plano-corrugados, 36
articulados, ápice mucronado, base atenuada, puberulentos,
tricomas simples e glandulares; estípite 2,75 mm comp.,
artículos quadrangulares, inflados na região das sementes;
replo ligeiramente ondulado, puberulento, tricomas simples
e glandulares. Sementes 3,94,5× 2,83,8 mm, ovoides,
marrom-escuras.
Material examinado: Sítio Baixa Grande, 26 dez 2018,
fr., E. E. Sousa 01 (JPB); 08 jul 2019, fl., fr., E. E. Sousa 119
(JPB); 31 jul 2019, fl., fr., E. E. Sousa 125 (JPB); 09 jan
2020, fl., E. E. Sousa 147 (JPB).
Distribuição geográfica: Mimosa tenuiflora é referida
para Venezuela, Colômbia, México, Honduras, El Salvador
e Brasil. No Brasil, forma grandes populações em áreas
susceptíveis a secas periódicas, com ocorrência na região
Nordeste, estendendo-se ao estado de Minas Gerais e
A
B
C
D
E
F
Ostroski, et al. Mimosa (Fabaceae) na Paraíba, Brasil
42
também cultivada no Pará (Barneby, 1991; Santos-Silva et al.,
2015, Flora do Brasil em Construção, 2020). A espécie foi
coletada, em Cachoeira dos Índios, em áreas mais abertas, onde
estava associada a vários componentes do extrato
predominante, o herbáceo, como táxons de outros gêneros de
Fabaceae (Centrosema, Chamaecrista, Crotalaria,
Desmodium, Indigofera, Senna), e membros de
Amaranthaceae, Asteraceae, Euphorbiaceae, Malvaceae,
Poaceae e Rubiaceae. Das espécies arbustivas ou arbóreas, M.
tenuiflora foi observada como a mais frequente e também
foram vistos, esparsamente, outros representantes de Fabaceae
(Bauhinia cheilanta (Bong.) Steud., Libidibia ferrea (Mart. ex
Tul.) L. P. Queiroz, Luetzelburgia sp., M. arenosa), bem como
de Anacardiaceae, Bignoniaceae, Cactaceae, Combretaceae,
Euphorbiaceae). Foram visualizadas abelhas como visitantes
florais.
Notas taxonômicas: Mimosa tenuiflora é facilmente
distinguida das demais espécies estudadas pelos ramos
marrons a vináceos, pontuações glandulares escuras na face
abaxial dos foliólulos, cálice 4-angulado com costelas
proeminentes e encurvadas, ovário puberulento e craspédios
plano-corrugados com artículos inflados na região das
sementes. Floresce em janeiro e julho e frutifica nos meses de
julho e dezembro. Conhecida popularmente como jurema
preta.
9. Mimosa ursina Mart. Flora 21: 56. 1838. (Figura 4E-F)
Subarbusto ereto, ca. 30 cm alt. Ramos cilíndricos, verdes,
aculeados, híspidos, tricomas simples. Acúleos 0,20,4 cm
comp., retos, longos, frágeis, infranodais. Estípulas 0,30,7 ×
0,1 cm, lanceoladas, verdes, ciliadas, tricomas simples. Folhas
palmadas, 1 par de pinas; pecíolos 1,34,0 cm comp.,
cilíndricos, híspidos; raque ausente; movimentos
tigmonásticos presentes; espículas interpinais presentes;
parafilídios subulados; pinas 1,32,0 × 0,72,0 cm, oblongas,
articuladas por tecido contrátil em cada par de foliólulos 45
pares; foliólulos 0,91,2 × 0,40,5 cm, oblongos, verdes,
bicolores, glaucos, ápice arredondado a apiculado, margem
ciliada, base oblíqua, ambas as faces glabras, tricomas simples,
nervação actinódroma. Glomérulos 2,03,0 mm diâm.,
globosos, solitários, axilares; pedúnculos 1,03,2 cm comp.,
cilíndricos, híspidos, tricomas simples; brácteas 1,0 × 0,30,5
mm comp., oblanceoladas, margens ciliadas, verdes, tricomas
simples. Flores 2,04,0 × 0,50,8 mm, sésseis; cálice 0,40,5
× 0,40,5 mm, campanulado, verde, glabro; corola 1,21,3 ×
0,8 mm, campanulada, tetrâmera, lacínias eretas, rosa, glabra;
androceu isostêmone, filetes 1,52,0 mm comp., livres, róseos,
anteras oblongas, amarelas; ovário 0,50,8 mm comp.,
oblongo, séssil, puberulento, estilete 1,02,0 mm comp, glabro.
Craspédios 1,22,0 × 0,40,7 cm, oblongos, 23 articulados,
sésseis, marrons, planos, cartáceos, ápice mucronado, base
arredondada, armados com espinhos cônicos, vilosos, tricomas
simples e glandulares; artículos quadrangulares; replo sinuoso,
híspido, tricomas setosos. Sementes 4,05,0 × 3,04,0 mm,
ovais, castanhas.
Material examinado: Sítio São Joaquim, 04 fev 2019, fl.,
fr., E. E. Sousa 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32 (JPB); Sítio Baixa
Grande, 21 abr 2019, fr., E. E. Sousa 96, 97, 98 (JPB).
Distribuição geográfica: Nativa do Brasil, com registros até
o momento principalmente no Nordeste (BA, CE, MA, PE, PI,
RN), em vegetações de Caatinga e Cerrado. Na Caatinga,
cresce sobre solos arenosos a altitudes de 120 a 400 metros
(Queiroz, 2009; Flora do Brasil em construção, 2020). É aqui
apontada como nova ocorrência para o estado da Paraíba,
coletada exclusivamente em ambientes serranos de
Cachoeira dos Índios. Nestas áreas do município, a espécie
estava associada a componentes do extrato herbáceo e
subarbustivo típico de Caatinga, como outros representantes
de Fabaceae (Chamaecrista pilosa var. Luxurians (Benth.)
H. S. Irwin & Barneby, Centrosema brasilianum (L.) Benth.,
Macroptilium martii Benth.), além de táxons de Poaceae,
Euphorbiaceae, Asteraceae e Malvaceae. Visitantes florais
não foram vistos.
Notas taxonômicas: Mimosa ursina pode ser
diagnosticada pelas folhas palmadas com apenas um par de
pina, característica compartilhada com M. debilis e M.
sensitiva, sendo M. ursina com 45 pares de foliólulos (vs. 2
pares de foliólulos em M. debilis e M. sensitiva). Floresce em
fevereiro e frutifica de fevereiro a abril.
Figura 4. A-B. Mimosa sensitiva A. folha 1 par de pinas; B.
Glomérulos; C-D. Mimosa tenuiflora C. Espiga; D.
Craspédios; E-F. Mimosa ursina E. Glomérulo; F. Folhas e
Craspédios.
Conclusões
A diversidade e a riqueza de Mimosa em Cachoeira dos
Índios são consideradas altas, uma vez que, o número de
espécies do gênero catalogadas no município foi aproximado
ou maior, quando comparado aos resultados encontrados em
áreas de Caatinga correlatas e também correspondeu a mais
da metade dos táxons deste grupo já registrados para o estado
da Paraíba, alguns deles formando densas populações nos
pontos onde foram coletados. Ademais, destacam-se os
novos registros na Paraíba e táxons endêmicos do Nordeste
brasileiro elencados, ampliando assim, os dados da
A
B
C
D
E
F
43
Acta Brasiliensis 5(1): 35-43, 2021
Ostroski, et al. Mimosa (Fabaceae) na Paraíba, Brasil
distribuição geográfica do grupo, bem como,
complementações taxonômicas para futuros estudos das
Fabaceae na região.
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Resumo Este trabalho consiste em um estudo florístico-taxonômico do clado Mimosoide (Leguminosae - Caesalpinioideae) realizado no Parque Estadual Mata da Pimenteira, primeira Unidade de Conservação em caatinga do estado de Pernambuco, localizado no município de Serra Talhada. As coletas mensais foram realizadas no período compreendido entre março de 2015 e março de 2016. Foram identificadas 14 espécies (nove gêneros): Anadenanthera colubrina, Chloroleucon dumosum, Desmanthus pernambucanus, Enterolobium timbouva, Mimosa arenosa var. arenosa, M. candollei, M. ophthalmocentra, M. modesta var. ursinoides, M. pigra var. pigra, M. tenuiflora, Neptunia plena, Parapiptadenia zehntneri, Piptadenia stipulacea e Senegalia tenuifolia. Características como número de folíolos, forma e localização de nectários, tipo de inflorescência, morfologia dos frutos e sementes foram essenciais para identificação dos táxons. São apresentados chave de identificação, descrições, comentários de distribuição geográfica e de afinidades taxonômicas das espécies.
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Resumo Este estudo apresenta o tratamento florístico dos táxons de Leguminosae registrados na vegetação de canga da Serra dos Carajás, estado do Pará. Foram inventariados na área de estudo 74 táxons específicos/infraespecíficos, incluindo tanto as espécies nativas como as adventícias já estabelecidas, pertencentes a 34 gêneros, sendo os mais representativos: Mimosa (11 espécies), Chamaecrista (7), Aeschynomene (5) e Senna (5). Mimosa skinneri var. carajarum é considerado o único táxon endêmico das formações rupestres ferríferas dos complexos montanhosos da Serra dos Carajás. São fornecidas chaves para identificação de gêneros e espécies/infraespécies, descrições morfológicas, ilustrações, além de distribuição geográfica, habitat e comentários sobre os táxons tratados. Dados sobre nodulação e potencial de uso em áreas alteradas pela atividade de mineração foram incluídos nos comentários dos táxons ou na introdução dos gêneros.
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Mimosa caesalpiniifolia, conhecida como sabiá, está distribuída por todo nordeste brasileiro e possui grande importância econômica, ecológica e ornamental. É considerada uma planta apícola por produzir grande quantidade de pólen e néctar e visitada, principalmente, por abelhas, que são consideras agentes polinizadores de suma relevância para diversas espécies de plantas. Este estudo teve por objetivo identificar as abelhas visitantes florais do sabiazerio localizados em um fragmento de Mata Atlântica no Extremo Sul da Bahia (Teixeira de Freitas). As coletas foram realizadas entre os meses de abril e maio de 2015, entre 06:00h e 18:00 h. totalizando 108 horas. A técnica utilizada foi coleta ativa, com auxílio de rede entomológica. Foram obtidas 232 abelhas, distribuídas em 11 espécies. As espécies mais abundantes foram Trigona spinipes e Apis mellifera que foram classificadas como constantes e dominantes, as demais foram consideradas acessórias e acidentais. Os horários de maiores visitações ocorreram entre 6h e 10h. A árvore sabiá apresentou maior pico de floração entre abril/maio e demonstra potencial para ser usada como fonte de recursos alimentares (em especial pólen). Por isso, a utilização racional da árvore sabiá poderá auxiliar na conservação e manutenção da comunidade de abelhas neste bioma.
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Decorrente dos elevados níveis de fertilidade, as matas ciliares da Região Semiárida brasileira vêm sendo constantemente degradadas. Objetivou-se com este trabalho identificar a composição florística de um sistema ecológico ciliar conservado no Cariri paraibano. A pesquisa realizou-se no Riacho da Umburana, Município de Sumé, Cariri Ocidental da Paraíba. As coletas da vegetação arbustivo-arbórea foram realizadas quinzenalmente de forma assistemática. A classificação e identificação dos exemplares coletados foram realizadas através de consultas a especialistas e por meio de morfologia comparada, usando bibliografia especializada. As espécies foram organizadas por família, incluindo-se informações sobre o hábito. Foram registradas 57 espécies, distribuídas em 22 famílias e 42 gêneros. O componente predominante foi o arbóreo com 37 espécies. As Famílias Fabaceae, Euphorbiaceae, Anacardiaceae e Cactaceae se destacaram como as de maior riqueza, representando 49% da amostra. Portanto, a frequência de espécies destas famílias na área, revela-se como subsídios para a elaboração de novos conceitos e estratégias para ocupar áreas do conhecimento lacunares, na compreensão de modelos de conservação e recuperação dos recursos vegetais em ecossistemas ciliares do semiárido.
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The classification of the legume family proposed here addresses the long-known non-monophyly of the traditionally recognised subfamily Caesalpinioideae, by recognising six robustly supported monophyletic subfamilies. This new classification uses as its framework the most comprehensive phylogenetic analyses of legumes to date, based on plastid matK gene sequences, and including near-complete sampling of genera (698 of the currently recognised 765 genera) and ca. 20% (3696) of known species. The matK gene region has been the most widely sequenced across the legumes, and in most legume lineages, this gene region is sufficiently variable to yield well-supported clades. This analysis resolves the same major clades as in other phylogenies of whole plastid and nuclear gene sets (with much sparser taxon sampling). Our analysis improves upon previous studies that have used large phylogenies of the Leguminosae for addressing evolutionary questions, because it maximises generic sampling and provides a phylogenetic tree that is based on a fully curated set of sequences that are vouchered and taxonomically validated. The phylogenetic trees obtained and the underlying data are available to browse and download, facilitating subsequent analyses that require evolutionary trees. Here we propose a new community-endorsed classification of the family that reflects the phylogenetic structure that is consistently resolved and recognises six subfamilies in Leguminosae: a recircumscribed Caesalpinioideae DC., Cercidoideae Legume Phylogeny Working Group (stat. nov.), Detarioideae Burmeist., Dialioideae Legume Phylogeny Working Group (stat. nov.), Duparquetioideae Legume Phylogeny Working Group (stat. nov.), and Papilionoideae DC. The traditionally recognised subfamily Mimosoideae is a distinct clade nested within the recircumscribed Caesalpinioideae and is referred to informally as the mimosoid clade pending a forthcoming formal tribal and/or cladebased classification of the new Caesalpinioideae. We provide a key for subfamily identification, descriptions with diagnostic charactertistics for the subfamilies, figures illustrating their floral and fruit diversity, and lists of genera by subfamily. This new classification of Leguminosae represents a consensus view of the international legume systematics community; it invokes both compromise and practicality of use.
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An updated inventory of Brazilian seed plants is presented and offers important insights into the country’s biodiversity. This work started in 2010, with the publication of the Plants and Fungi Catalogue, and has been updated since by more than 430 specialists working online. Brazil is home to 32,086 native Angiosperms and 23 native Gymnosperms, showing an increase of 3% in its species richness in relation to 2010. The Amazon Rainforest is the richest Brazilian biome for Gymnosperms, while the Atlantic Rainforest is the richest one for Angiosperms. There was a considerable increment in the number of species and endemism rates for biomes, except for the Amazon that showed a decrease of 2.5% of recorded endemics. However, well over half of Brazillian seed plant species (57.4%) is endemic to this territory. The proportion of life-forms varies among different biomes: trees are more expressive in the Amazon and Atlantic Rainforest biomes while herbs predominate in the Pampa, and lianas are more expressive in the Amazon, Atlantic Rainforest, and Pantanal. This compilation serves not only to quantify Brazilian biodiversity, but also to highlight areas where there information is lacking and to provide a framework for the challenge faced in conserving Brazils unique and diverse flora.
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Leguminosae Juss. é uma família amplamente distribuída, sendo dominante em alguns ecossistemas, como na Caatinga. Este trabalho trata do levantamento taxonômico de Leguminosae na Área de Proteção Ambiental (APA) do Cariri, semiárido paraibano, nordeste do Brasil. Foram encontradas ao todo 31 espécies, 22,6 % das quais acreditadas como endêmicas da Caatinga. O gênero mais diverso taxonomicamente foi Senna, com cinco espécies. Sete espécies foram referidas pela primeira vez para o Estado da Paraíba (C. belemii var. belemii, D. violacea, I. blanchetiana, P. microphilla, V. halophila, Z. echinocarpa e Z. myriadena). O hábito arbustivo foi o mais representativo, com 45,2% do total de espécies registradas, seguido pelos hábitos herbáceo e arbóreo, com 22,6 e 16,1% respectivamente. As trepadeiras e lianas perfizeram respectivamente 9,7 e 6,5% das espécies. O tratamento taxonômico inclui chaves de identificação para subfamílias e respectivas espécies, dados de distribuição geográfica e ilustrações.
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http://dx.doi.org/10.5007/2175-7925.2013v26n4p23 Este artigo reporta o levantamento taxonômico de Leguminosae Juss. em dois afloramentos rochosos no município de Puxinanã, Paraíba, Brasil. Foram registradas 29 espécies e 17 gêneros, distribuídos nas seguintes subfamílias: Caesalpinoideae (9 espécies, 5 gêneros), Mimosoideae (10 espécies, 4 gêneros) e Papilionoideae (10 espécies, 8 gêneros). O hábito arbustivo foi observado com maior frequência, englobando 48% das espécies. São apresentadas chaves para a identificação de subfamílias e respectivas espécies, descrições, comentários e dados sobre a distribuição geográfica das espécies.