ArticlePDF Available

O canto da Natividade: a mística do Sul.

Authors:

Abstract

No mundo da romanidade em que o cristianismo antigo se expandiu, a celebração do Natal foi um instrumento de cristianização, re-significando cultos solares muito populares no Império. Mesmo num calendário cristianizado, subsistiram muitos imaginários diferentes que, de forma plástica, se combinaram. Esses sedimentos têm agora uma difícil legibilidade nas nossas sociedades. O tempo liso do mercado parece não dar espaço à narrativa e à genealogia, achatando o espaço social da memória. Como sempre aconteceu, o Natal sobreviveu mudando. Se o paradigma da abundância e do crescimento económico for substancialmente afetado, provavelmente o Natal conhecerá outras metamorfoses.
XXXI (2014/1) COMMUNIO 111-127
O cantO da natividade
A MÍSTICA DO SUL
Al f r e d o Te i x e i r A
Em memória de José Delgado
algum tempo, no meu arquivo de fotografias de infância, encontrei
fotografias alusivas ao Natal de infância. A foto mais antiga transporta-
me a um cenário reconhecível (aí pelo final dos anos 60, ou início dos 70): à
porta das lojas da Baixa lisboeta, montado num burro, estou ao lado de um
Pai Natal. Uma árvore de Natal de cartão serve de cenário. O Pai Natal tem
uma barba falsa, óculos na ponta do nariz, um balão na mão (findo o ins-
tante da foto, talvez tenha passado para a minha posse). Em cima do burro,
a criança fotografada vestia um casaco com botões metálicos. O reflexo do
flash criou acidentalmente uma fonte de brilho intenso, como uma estre-
la. Num brevíssimo exercício de antropologia visual, encontrei alguns dos
principais sedimentos da moderna ritualidade do Natal, no seu contraste
com a genealogia cristã que se descobre na chamada religiosidade popular,
na geografia mediterrânica. Neste breve ensaio, propõe-se uma leitura das
modalidades de declinação, nos cantos tradicionais, da narrativa cristã da
festa do Natal. Sem o objetivo da exaustividade, mas privilegiando a exem-
plaridade, o texto remete para alguns documentos concernentes quer à re-
constituição vocal desta tradição, quer à sua recriação nos idiomas próprios
dos compositores contemporâneos o leitor pode completar este percurso
na discografia existente e nos materiais partilhados na World Wide Web.
112 Alfredo Teixeira
Trata-se de um arquivo etnográfico e musical muito rico. Neste texto, visa-
se modestamente contribuir a aproximação à sua audição teológica.
I
Estas festividades natalícias, como hoje as conhecemos, sofreram am-
plas remodelações em dois momentos históricos, a partir de duas geografias:
refiro-me à Inglaterra vitoriana e à América de Roosevelt. No século XIX,
o Natal incorporou a celebração burguesa das virtudes públicas e o fascínio
pelo sucesso e bem-estar económico das famílias. A reunião da família, a
mesa farta, a circulação das dádivas (as compras de Natal tornar-se-ão uma
das civilidades mais características deste natal moderno), tudo isso faz o
transporte dos valores emergentes. A centralidade das crianças documenta
com clareza esta concentração da festa no espaço doméstico familiar. Elas
permitem a construção simbólica da experiência do dar sem receber, e fa-
cilitam um jogo subtil de trocas entre famílias, ou dentro de cada família,
em que elas são os verdadeiros “passadores” simbólicos. As remodelações da
festa de Natal privatizam os valores comunitários antes preponderantes. A
sociedade do século XIX, atingida pelas mudanças brutais provocadas pelos
processos de industrialização, recolhe-se no lar, reconstruindo aí uma nar-
rativa de harmonia. Nas crónicas londrinas de Charles Dickens, escritas na
cada de 30 do século XIX, encontramos um bom retrato destas contradi-
ções (cf. Dickens, 1987; Golby & Purdue, 1986; Muresianu, 1987).
Neste itinerário cabe também uma característica recomposição das esfe-
ras do público e do privado. Esta celebração privada da harmonia articula-
se com as práticas caritativas na cena pública. Numa sociedade dualista,
cujo crescimento económico era acompanhado da emergência das modernas
bolsas de pobreza e onde crescia também a perceção do r isco e da inseguran-
ça – tenha-se em vista o desenvolvimento de novas formas de criminalidade,
incluindo a criminalidade organizada –, a festa de Natal permitia sinalizar
a necessidade de uma reparação da desordem social.1 Estávamos perante
a moderna trindade que forma às civilidades e ritualidades natalícias:
família, infância, caridade. Se a transformação do Natal numa festividade
familiar é a primeira das características da modernização do Natal, a se-
1 Recorde-se que o período de que estamos a falar inclui a estada de Marx em Lon-
dres, experiência marcante na sua interpretação dos Tempos Modernos.
Canto da Natividade 113
gunda será, certamente, a sua absorção mercantil. O Natal expande-se com
a economia de mercado. Nessa expansão, constitui-se uma iconografia, um
mobiliário, um consenso decorativo – um stock heteróclito que todos, hoje,
conhecemos bem (cf. Connelly, 1999).
Transportado por populações migrantes, nas primeiras décadas do -
culo XIX, e feito herói americano em Nova Iorque, o último «descendente»
de São Nicolau, tornar-se-á, a partir de 1920, uma atração dos grandes ar-
mazéns. Regressou, com o plano Marshall, à Europa. Não sem conflitos.
Claude Lévi-Strauss, em Les Temps Modernes (1952), escreveu acerca de um
episódio ocorrido em Dijon: Le Père Noël supplicié. O antropólogo disserta
sobre a encenação de um sacrifício do Pai Natal, num contexto de reivindi-
cação da autenticidade cristã do Natal. Ou seja, algumas culturas cristãs
europeias resistiam a esta metamorfose americana dos signos e práticas do
Natal. Mas o Pai Natal sobreviveu a este suplício, revivendo na continuada
celebração da nova religião do mercado, do crescimento e da abundância (cf.
Haines, 1988).
II
A Europa do sul, periférica em relação à centralidade deste mercado,
resistiu a este Natal moderno durante mais tempo. Quando revisitamos o
arquivo de cantos da Natividade, recolhidos um pouco por todo o território
nacional, descobrimos um Natal com cenários e protagonistas diferentes. A
narrativa cristã tem aí uma particular transcrição – mesmo se a legibilida-
de dessa genealogia foi muito afetada, nas últimas décadas, pelos processos
globais de destradicionalização. Mesmo não tendo a possibilidade documen-
tal de determinar com precisão as conexões entre os diversos substratos
históricos das ritualidades natalícias e a poesia oral, parece necessário, no
entanto, ter em conta esse mosaico de fluxos culturais para compreender o
bricolage simbólico que se descobre no arquivo dos cantos tradicionais.
Cruzando a narrativa cristã e as festividades do solstício, na geografia
indo-europeia, descobrem-se duas tradições paradoxais: por um lado, ritu-
ais cíclicos que traduzem a representação do tempo como “eterno retorno”,
por outro, a celebração judaica e cristã da história (em sentido próprio, por
isso irreversível), habitada por uma promessa. O solstício (sol, stare) traduz
114 Alfredo Teixeira
essa experiência dos dias que veem o seu tempo solar dilatar-se – a estrela
pára no seu movimento de retração para iniciar um ciclo de renascimento.
Esta transição astronómica está ligada a medos ancestrais e terá favorecido
a emergência de cultos solares no âmbito de certas correntes da Histó-
ria das Religiões, alguns viram aí um substrato dos monoteísmos. James
Frazer, por exemplo, aproximou-se desta tese. Arnold Van Gennep criticara
esta assimilação, chamando a atenção para descoincidência de calendários
(entre 21 e 25 de Dezembro). Esta descoincidência repete-se nas festividades
do São João, festa correspondente para o tempo estival – ambas são festas
do fogo. Mircea Eliade incluiu estes ciclos festivos no terreno hermenêutico
dos ritos de regeneração do tempo (Perrot, 2000: 24-26).
Na primeira metade do século VI, mesmo se o reconhecimento do Deus
único cristão se está a instalar, subsistem em Roma cultos muito diversos,
favorecendo a emergência de formas sincréticas (cf. Cullmann, 1993). Entre
esses rituais, destaca-se o culto solar, em razão do favorecimento que mere-
ceu por parte da religião imperial. Compreende-se que a Igreja de Roma te-
nha procurado instalar aí a rememoração do nascimento de Jesus o messias
que Malaquias tinha anunciado como “sol de justiça” (3,30), “luz do mundo”
segundo Isaías (14,2). Este tópico está, aliás, presente na parenética cristã:
Agostinho, nos seus sermões, exorta a que os cristãos não adorem o Sol, mas
antes aquele que o criou. Ambrósio de Milão comenta o nascimento de Jesus
como o aparecimento do “novo sol”. A recorrência deste tópico de pregação é
um rasto inequívoco da popularidade destes cultos, e a necessidade, para os
cristãos, de os reorientar através de um processo de re-significação. Neste
sentido, o Natal é também um acontecimento de linguagem.
Este substrato cósmico na poesia oral dos cantos portugueses da Nati-
vidade subsiste nos reportórios onde é possível entrever os traços de uma
mais clara ancestralidade. No seu trabalho composicional sobre a música
tradicional, Eurico Carrapatoso inclui no seu ciclo “Três natais góticos”, um
exemplar pleno de interesse – o trabalho de recriação sublinhou harmónica
e ritmicamente os vestígios de uma ancestralidade telúrica:
Deus vos salva [salve] sol brilhante!
Que ao mundo alumiais.
Em louvor da religião,
Sempre louvado sejais! 2
2 CD A cappella – Eurico Carrapatoso, Numérica 1135.
Canto da Natividade 115
Importa ter em conta um outro substrato. Encontramos diversos teste-
munhos, incluindo na Índia védica, acerca de práticas de ritualização num
período de 12 dias. Esse período era celebrado como uma espécie de ano
solar concentrado (12 dias - 12 meses). A esta concentração correspondia
a suspensão de conjunto de amplo de normas e interditos, um interregno
de excessos e isenções várias (talvez próximo do espírito da “passagem de
ano”). Esse período englobará, no calendário cristão, o Natal e a Epifania.
No Natal medieval, sobreviverão, na semana que se segue à comemoração
do Natal, um conjunto de práticas rituais, jogos, encenações do grotesco, que
dão testemunho deste substrato persistente.
Em algumas regiões da Europa apelidava-se este conjunto de ritual e
teatral de “Festa dos Loucos”. No século XII encontramos o rasto de paró-
dias da missa; na encenação de uma procissão, dita dos Profetas, o centro
da cena era um burro – o animal que transportou Maria para o Egipto;
ou ainda, o “ofício dos pastores” que encenava de forma burlesca o anúncio
evangélico aos pastores, reportório teatral em que uma criança passava por
bispo, durante um dia. O concílio de Basileia interditou estas festividades,
em 1431. Mas só os acontecimentos da Reforma e da Contrarreforma torna-
rão progressivamente inviáveis estas práticas (cf. Van Gennep, 1987, 1988).
Tendo em conta estes substratos de longo curso, não nos espantará a
descoberta, entre o arquivo, dos cantos da Natividade, do registo folião e da
paródia poética de índole vária. Nas suas cantadas de Natal (sobre cantos
da Natividade), Fernando Lopes Graça recolhe e recria alguns exemplares.
Eco de rituais de passagem – recordem-se as “festas dos rapazes” – a escuta
do nº 8 da Primeira Cantata de Natal, sob a figura de um “cantar ao desafio”,
pode ser um veículo privilegiado para o contacto com a memória deste Natal
extrovertido:
Trá lá lá! Trá lá lá!
Olé, rapazes pimpões,
Cantemos à desgarrada
Para alegrar o Menino,
Maila sua Mãe sagrada.3
Assim, na memória do Natal transcreve-se a própria construção histórica
da cristandade ocidental. A partir de Constantino, o Natal cristão tornou-se
3 CD Fernando Lopes-Graça – Obra coral a cappella, vol. II, Numérica 1238.
116 Alfredo Teixeira
um instrumento de conquista de terreno ao “paganismo”. Inicialmente, as
estratégias oscilaram entre o combate explícito das práticas não cristãs e
a sua remodelação. Por exemplo, Agostinho de Cantuária, enviado a Ingla-
terra por Gregório Magno, em 597, recebeu a recomendação explícita para
respeitar os cultos locais e de converter os ritos do solstício em celebração do
nascimento de Jesus. Nas igrejas orientais, uma outra festa deste ciclo me-
recia o mesmo protagonismo: a Epifania a 6 de Janeiro. A cristandade oci-
dental e oriental conheceu sempre alguma complementaridade e concorrên-
cia entre estas duas celebrações: o Natal e a Epifania; as duas celebrações
são instrumentos de inclusão, lugares de acolhimento, no universo cristão,
do pluriverso pagão (cf. Cullmann, 1993).
III
Um traço particular do cristianismo, a humanização de Deus, permi-
tiu que as representações do divino facilmente se ancorassem na escala do
humano, doméstico e social, abrindo o campo do simbólico à permanente
possibilidade de aliança entre a história santa e o drama humano, da dor
à alegria mais expressiva (cf. Teixeira, 2008: 330). O presépio é o emble-
ma mais evidente desta transcrição miniatural da narrativa cristã. Para
se compreender o universo narrativo e imagético deste reportório temos de
nos reorientar para outros substratos das festividades do Natal, dando uma
particular atenção à história de cristianização do mediterrânico e aos dife-
rentes processos de aculturação.
Esta aliança conduz a narrativa cristã para registo do quotidiano cam-
ponês, marcado pelos seus ritmos sociais e pelas diversas analogias que dão
corpo a uma teodiceia que no mundo uma particular transparência so-
brenatural. Em muitos casos, a literatura oral transporta-nos a esse mundo
num enredo ingénuo e anacrónico:
Nossa Senhora se foi confessar
Numa manhã ao domingo
Não era por ter pecados
Nem por ter prometido.
Foi só para guardar preceito
Canto da Natividade 117
Desse seu angélico filho.
Anda cá padre da missa
Confissão me vais ouvir
Que eu venho embaraçada
Em dias de cá não vir
O padre que se assentava
Donzela que ajoelhava
E o ventre que ela levava
Céu e terra alumiava.4
Ao sul continental subsiste uma apropriação das representações das fes-
tas natalícias, que tem merecido a atenção da etnologia portuguesa. Fala-
mos do Natal algarvio – o exemplar citado no parágrafo anterior faz parte
deste arquivo regional. José Cunha Duarte defendeu que os elementos cons-
tituintes do Natal nesta região do país apresentam uma relão muito estri-
ta com o movimento devocional alimentado a partir da Provença francesa,
durante o século XVIII (cf. Duarte, 2002; 2003). No início do século XVII,
a Congregação do Oratório levou para a Provença um conjunto diverso de
práticas devocionais com suportes imagéticos e plásticos próprios. Particu-
larmente, o Menino ostentando uma esfera (o mundo) na mão, colocado no
altar. Ao lado, “searinhas” de trigo e laranjas miniaturizavam o mundo da
subsistência, solicitando a bênção divina. As falias de maiores rendimen-
tos tinham um oratório de madeira, cujo centro era ocupado pelo Menino
Jesus, composto com outros “quadros”. Diante da composição fazia-se a no-
vena do Deus Menino. É posterior a prática de montagem de presépios com
figuras diversas, cultivando o anacronismo aculturante, miniaturizando a
própria sociedade setecentista à economia anterior sucede a proliferação
figurativa, que chegará até aos nossos dias, em que a Sagrada Família se
veste das mais variadas culturas.
O Algarve, mercê do seu isolamento, conservou a tradição medieval de
armar o presépio com o Menino Jesus num altar. A atividade produtiva de
figuras centrou-se, por isso, na imagem do Deus Menino. Santa Catarina de
Fonte do Bispo tornou-se o maior centro de “pinta-santos”. A figura algarvia
aproxima-se das figuras similares, em cera, da Provença – o Menino está de
pé, colocado em cima de uma pequeno pedestal, com a mão direita levantada
4 CD Cramol – Vozes de nós, Ed. Ocarina.
118 Alfredo Teixeira
(o algarvio gosta de lhe colocar uma ramalhete de flores azuis); a outra mão
tem um mundo pintado de azul.
As crenças que se exprimem na sintaxe festiva do Natal expõem uma re-
ligiosidade de índole doméstica, atualizadora de uma linhagem crente cujo
lugar de identificação é a família. O Natal carrega os significados da reli-
gião do “lar”. A miniaturização da história santa e a humanização do divino
são as operações simbólicas mais determinantes nesta transação entre o
religioso universalista e administrado e o religioso doméstico transmitido.
Num quadro de socialidades organizadas segundo o modo da tradição, a co-
munidade aldeã prolonga as solidariedades familiares primárias. No Natal
algarvio, descobrem-se também os vestígios do comportamento comunitário
festivo. O corpo é o mediador da experiência do corpo social, no canto e na
dança (prática muito presente até ao século XIX) – a “charola” consiste, pre-
cisamente, numa forma de peregrinação de casa em casa para cantar versos
ao Menino. Os grupos faziam-se acompanhar do “balaio” (pequeno cesto de
empreita) ou de uma caixa de madeira com o Menino Jesus, suprindo a falta
do presépio armado em algumas casas (cf. Duarte, 2003: 82).
Estas práticas festivas dão corpo a uma particular transação entre o lar
(família) a rua e as casas (a comunidade social) e o espaço sagrado (o altar,
a igreja). Fernando Lopes Graça explorou com frequência estes trânsitos
promovendo, por via de um específico trabalho composicional, uma íntima
relação entre os aspetos mais rústicos dos escimes musica is e a sua inscri-
ção nas tradições de canto litúrgico. Um dos números da Segunda Cantada
de Natal – contando-se entre os mais conhecidos – recria de forma eficaz um
diálogo entre estes diversos mundos expressivos:
Ó Jesus Menino,
Mal agasalhado,
Tremendo com frio,
Em palhas deitado.
Bendito e louvado seja
O Menino de Deus
Na sua igreja.5
As raízes medievais podem encontrar-se, também, nas regiões insulares,
nas sobrevivências de recomposições cerimoniais que herdaram o espírito
5 CD Fernando Lopes-Graça – Obra coral a cappella, vol. II, Numérica 1238.
Canto da Natividade 119
da solenidade da festa da Senhora do Ó, xada no calendário litúrgico no
dia 17 de Dezembro, representada sob figura de uma Senhora explicitamen-
te grávida – da qual encontramos vários testemunhos nas artes plásticas,
provenientes de diversas regiões de Portugal e de épocas distintas. Sob o
ponto de vista da sintaxe do calendário cristão, a solenidade inscreveu-se na
tendência para, de forma multímoda, se desenvolverem pequenos ciclos de
preparação das grandes festas cristãs – em particular, as novenas tornar-
se-ão um recurso com muito sucesso. O Padre António Vieira, num sermão
de 1640, ensaia uma interpretação clássica da figuração geométrica do “Ó”,
o círculo da perfeão (cf. Vieira, 1959: 204). No entanto, não podemos perder
de vista uma explicação mais pragmática, uma vez que no dia 17 de Dezem-
bro, até dia 23, se iniciava a recitação ou o canto vespertino das célebres
antífonas do “Ó”, expressão enfática da expectativa messiânica que o cânone
do canto romano veio a sublinhar com o extraordinário desenvolvimento
melismático sobre esse monossílabo: “Ó Sabedoria do Altíssimo”; “Ó Chefe
da casa de Israel”; “Ó Rebento da raiz de Jessé”; “Ó Chave da casa de David”;
“Ó Sol nascente”; “Ó Rei das nações”; “Ó Emanuel”.6 Na Madeira, a novena
eucarística de preparação, entre o dia 16 e o dia 24 de Dezembro, toma
corpo nas nove “missas do parto” em honra da Virgem Maria, evocando o
seu “parto divino” – contexto privilegiado de criatividade popular, de que a
criação musical testemunho. Este ciclo, na linguagem corrente, toma o
nome de “Festa”, por antonomásia (cf. Franco, 1999: 345). No dia da festa de
Nossa Senhora do Ó, aconselha-se a “matança do porco”. O sacrifício domés-
tico alimenta as redes de solidariedade, e a comensalidade festiva acolhe o
significado “agápico” dos ritos eucarísticos cristãos.
João Arnaldo Rufino da Silva coligiu um vasto espólio de cantos religio-
sos madeirenses (cf. 1998). Uma parte significativa tem origem no reportó-
rio das “missas do parto”. A piedade, que se desvela no contexto devocional
destas celebrações, verte-se frequentemente numa mística de contemplação
da “Senhora Virgem do Parto”. Trata-se de uma espiritualidade em que a
beleza feminina, do nome e da figura, se apresenta como um dos mais deci-
sivos veículos da transparência do sobrenatural:
6 Assim se traduz o incipit de cada uma das antiphonae majores na atual versão por-
tuguesa, em uso na liturgia romana: cf. Liber usualis, 1957, 340-342. A criação
musical europeia apresenta testemunhos diversos do interesse por estas antífonas,
que traduzem de forma concentrada a leitura cristã da esperança messiânica. A
retrogradação das iniciais dos títulos bíblico-messiânicos (Emmanuel, Rex gentium,
Oriens, Clavis David, Radiz Jesse, Adonai, Sapientia) foi lida, com frequência, como
um enigma revelador: “ERO CRAS”, “estarei amanhã” (cf. Santos, 1991: 6).
120 Alfredo Teixeira
Nome de Maria,
Que tão lindo é!
Salvai a minha alma
Que ela vossa é.7
O Natal madeirense concentra a memória de um passado marcado pela
luta pela domesticação do habitat natural, para que se tornasse viável a
sobrevivência social. Tais circunstâncias permitiram o desenvolvimento de
laços de base e solidariedades interclassistas.8 José Eduardo Franco, par-
tindo de estudos já realizados na década de 50 do século XX, sublinhou a
importância da proximidade entre as práticas tradicionais madeirenses e o
que se descreve na criação de Gil Vicente, como o Auto da Visitação e o Auto
Pastoril Castelhano (cf. Franco, 1999: 339-342). Em ambos os testemunhos,
os pastores são protagonistas da ação natalícia. Mesmo nada tendo, não
querem visitar o Menino deos vazias.o eles os agentes da festa, reuni-
dos em caminho até ao adro da igreja, com os seus instrumentos musicais –
machetes, rajões, braguinhas, rebeca e gaita –, sem esquecer o assobio para
o Menino Jesus. A celebração da maternidade de Nossa Senhora e do nasci-
mento do Menino Jesus constitui-se como um polo anual de aglutinação de
expectativas, dinamizando as necessárias práticas de entesouramento.
De facto, tal como nas narrativas evangélicas canónicas, os pastores são
protagonistas das civilidades e ritualidades do Natal, em diversos contextos
regionais. Este é talvez um dos mais importantes traços de união. Tenha-
se em conta que os «pastores» são figuras facilitadoras das possibilidades
de identificação destas comunidades com a própria memória fundadora do
Natal cristão. Os pastores eram vítimas de estereótipos negativos tanto no
mundo palestinense como no meio grego. A sua deambulação fora do terri-
tório urbano favorecia a fama de salteadores e de invasores da propriedade
alheia (cf. Légasse, 2006: 43s). A piedade popular permaneceu particular-
mente sensível a este «lado B» da história humana: face à a recusa da «cida-
de», os pastores são os protagonistas de uma hospitalidade inesperada. Os
exemplos abundam no arquivo dos cantos da Natividade:
7 Pode encontrar-se na ligação que se indica a seguir a gravação doméstica da recria-
ção de uma das versões deste canto, realizadas pelo autor deste artigo. A obra foi
estreada pelo Coro de Câmara da Escola Superior de Música de Lisboa: [URL]
<https://www.youtube.com/watch?v=e3dcxyOWYjc>
8 A obra de Jorge de Freitas Branco continua a ser uma referência fundamental para
o conhecimento da construção histórica da comunidade madeirense (cf. 1986).
Canto da Natividade 121
Entrai pastores, entrai,
por este portal sagrado
Vinde ver o Deus menino
Entre palhinhas deitado
Li ai li ai li ai lé,
Jesus, Maria José
Entre os portais de Belém
está uma árvore de Jassé,
com três letrinhas que dizem:
Jesus Maria José
Li ai li ai li ai lé,
Jesus, Maria José.9
Na “Primeira Cantata de Natal”, Fernando Lopes Graça dá uma especial
atenção a este tópico narrativo:
Os pastores em Belém
Todos juntos vão à lenha
Pr’aquecer o Deus menino
Que nasceu na noite boina
Vamos a Belém,
A Belém, a Belenzinho
Vamos a Belém,
Adorar o Deus Menino.10
Persiste, também, no Natal madeirense, um dos traços mais identifica-
dores das crenças e práticas natalícias: a miniaturização do nascimento do
Deus infante. Multiplicam-se as “lapinhas” e as “escadinhas”, presépios de-
corados com elementos vegetais característicos da Madeira, numa organi-
zação piramidal cujo cume é o Deus-criança, fonte das bênçãos procuradas.
A partir do século XIX desenvolveu-se uma prática paralela, o presépio de
rochinha, que exibe mais ainda os traços da orologia e da flora da ilha (cf.
Franco, 1999: 347). A devoção ao “Meu Menino” é o cerne desta mística na-
talícia ao sul.
9 CD Cramol – Vozes de nós, Ed. Ocarina.
10 CD Fernando Lopes-Graça – Obra coral a cappella, vol. II, Numérica 1238.
122 Alfredo Teixeira
IV
Certamente em razão de um processo de cristianização intersticial, é
interessante verificar uma certa analogia entre alguns dos tópicos da pa-
renética patrística e a poesia oral que subsiste no arquivo das recolhas de
cantos tradicionais da Natividade. Antes de mais pelo júbilo que descreve
parte dessa poética. Quando lemos os seres para o Natal de S. Lo Mag-
no, compreendemos que a linguagem da alegria é o suporte de um otimismo
cristão perante o mistério da “vida a nascer”. A alegria, tomando o lugar da
indiferença, transcreve-se na metáfora da noite iluminada. É, por isso, uma
noite de espanto.11 Os cantos tradicionais dão espessura a esta sensibilidade
numa poética do maravilhoso.
Na narrativa cristã, esta vinda de Deus ao mundo não acontece sob o
signo do juízo – não vem para julgar e condenar –, mas sob o signo da hospi-
talidade. Deus, renunciando a encerrar-se no “unicamente” Deus, habitou a
nossa casa. O criador aceita a condição de criatura. Renuncia à condição de
indecifrável, separado, monstruoso. O Deus revelado no mistério do Natal
não engole a humanidade (numa lógica sacrificial), antes se dá nela. O ima-
ginário devocional português mostra-se muito sensível à poética do Deus
que aceita a condição de recém-nascido. Desde modo se canta a humanidade
como berço de Deus – esse canto só pode ser um embalo.
O Natal transforma as linguagens sobre Deus. Das palavras da grandeza
de Deus passamos à imagem do seu “abaixamento”. Da imagem da imutabi-
lidade de Deus, passamos à narrativa de um Deus que “se faz” humanidade.
Das sentenças acerca do Deus absoluto, passamos à cantilena de um Deus
frágil. Na criação popular, esta humanização de Deus figura-se particular-
mente na invenção de um quotidiano do Menino Jesus com Maria e José,
com formas inesperadas de divisão doméstica de tarefas, mas também com
emergências que sinalizam uma dor pascal – as dores de parto e as dores da
“Senhora da Piedade” penetram-se num mesmo significado pascal.
O exemplar que escolhi para esta rubrica é um testemunho marcante
desta mística do embalo de Deus. A canção, de recorte silábico, faz parte do
arquivo de Giacometti e Lopes Graça:
11 Pode consultar-se a coletânea: S. Leão Magno, Sermões para o Natal, trad. António
Fazenda, Lisboa, São Paulo: Verbo, 1974.
Canto da Natividade 123
Oh! Bento airoso
Mistério Divino
Encontrei a Maria
À beira do rio
E lavando os cueiros
Do bendito filho
Maria lavava
S. José estendia
E o Menino chorava
Com o frio que fazia
Calai meu Menino
Calai meu amor
É que as vossas verdades
Me matam com dor
Recolhida em Paradela, em 1960, pertencendo ao vasto reportório do po-
eta e cantador mirandês Francisco Domingues, a canção amplia um mo-
tivo muito disseminado no embalo popular: Maria lavava, José estendia”
(distribuição de tarefas pouco habitual no espaço doméstico campesino, na
primeira metade do século XX), descrição do prosaico que aqui se deixa pe-
netrar pelo maravilhoso (“Ó Bento airoso, Mistério divino”, “É qu’as vossas
verdades me matam com dor”). Eurico Carrapatoso integrou uma recriação
deste embalo no seu ciclo “Natal profano”, estreado em Curitiba, no Brasil,
em outubro de 1997, pelo Coro de Câmara de Lisboa, dirigido por Teresita
Gutier rez Ma rques ao mesmo ag rupamento vocal per tence a primeira gra-
vação em CD (1998).12 Nesta gravação, os intérpretes sublinham de forma
muito vincada a alternância da divisão binária e ternária, quase dançante,
da melodia. Na gravação de 2011, pelo Coro Gulbenkian, com a direção de
Jorge Matta, sublinha-se com mais evidência o legato indicado pelo com-
positor, em detrimento daquela evidência rítmica.13 Todo este ciclo coral,
“Natal profano”, foi integrado, sob a forma de tropo numa das obras mais
12 CD Coro de Câmara de Lisboa – Canções Populares Portuguesas, Numérica 1073.
13 [URL] <http://www.musica.gulbenkian.pt/cgi-bin/wnp_db_dynamic_record.pl?dn=db
_musica_press&sn=all&orn=1323>
124 Alfredo Teixeira
celebradas do Eurico Carrapatoso: o “Magnificat em talha dourada”.14 Aí a
obra ganha uma amplitude diferente, com a presença de uma voz de soprano
solo. Em “Natal profano”, a canção é recriada para coro de vozes masculinas
(a 4), num espaço sonoro de intimidade e serenidade serrana. O resultado
transporta-nos para uma geografia climática. Esta é, a meu ver, uma das
características idiomáticas do trabalho do Eurico Carrapatoso sobre música
tradicional: ao espaço-tempo sonoro corresponde, com muita evidência, uma
materialidade visual. Seja a brandura do monte alentejano ou o ímpeto da
serrania transmontana.
Os recursos usados primam pela transparência (renuncia-se a qualquer
pantomima composicional). O primeiro Tenor traz-nos o canto. O segundo
Tenor redobra a melodia, com um recorte próximo de formas harmónicas
populares (lembrando o gymel). O segundo Baixo é o protagonista de uma
subtil exploração das ambiguidades modais deste canto de embalo. Ao pri-
meiro Baixo cabe, em boa parte da obra, a sustentação de uma nota pedal
interior, que aprofunda a nossa experiência do tempo. Esta prática pode
evocar sedimentos diversos: seja o arquétipo das sonoridades de instrumen-
tos tradicionais, como a sanfona, onde o voo melódico se lança sobre bordões
sustentados; seja o apelo a processos de improvisação religiosa e litúrgica,
onde a entoação melódica se desenha sobre um eixo sonoro imóvel, criando
um tempo extático, favorável à contemplação (recordo, na música bizantina,
a prática do ison). A memória litúrgica irrompe, aliás, de forma explícita na
linha do segundo Tenor, quando o choro do menino se desdobra num delica-
do “Puer [natus est nobis]”, evocando o introito da missa do dia de Natal, na
liturgia romana (é necesria uma audão atenta para descobrir esta subti-
lidade). A imbricação de materiais com origens diversas é um dos processos
mais valorizados pelo ofício composicional do Eurico Carrapatoso – destaco
aqui a composição de sequências em que materiais litúrgicos e outros, com
origem na piedade popular, se aproximam em sintaxes novas.
O canto, na secção central da obra, adensa-se: “Calai meu Menino, calai
meu amor, é que’as Vossas verdades me matam com dor”. Modulante, ins-
tável, o canto expõe-se de forma coral, em austera homofonia, exprimindo
uma tensão frequente nos cantos de embalo. Por vezes, esta poesia oral fala
do canto das mães como substituto do choro. A maternidade como dor é um
14 CD Magnificat em Talha Dourada – Eurico Carrapatoso, Dargil 2005.
Canto da Natividade 125
tema recorrente, com uma particular transcrição na narrativa cristã, uma
vez que a mãe que embala e lava no rio é também a mãe dolorosa do filho
crucificado.
À contemplação deste mistério de “humanização de Deus” corresponde
um canto celebrativo da condição criatural – por isso encontramos algumas
transcrições do género sálmico na poesia oral que se exprime nestes cantos.
Deus não temeu a matéria, aproximou-se na criação e no tempo. A palavra
de Deus foi totalmente pronunciada dentro do mundo (cf. Boff, 1976: 7-21).
A chamada cultura popular parece particularmente disponível para tra-
duzir esta necessidade de a história e o cosmos se tornarem um lugar de
hospitalidade para Deus. Esse arquivo português dos cantos da Natividade
dá testemunho desta operação em que o mundo se torna parábola de Deus.
Verdadeiro sumário evangélico, o canto que a seguir se transcreve, narra o
Natal como a revelação de um Menino Deus, escondido nove meses no ventre
de Maria, nascido, batizado, crucificado, e para sempre louvado. Fernando
Lopes Graça integrou este canto transmontano na sua “Segunda Cantata
de Natal”. Na diafonia composicional dos versos estróficos e na verticalidade
da harmonização do estribilho, Lopes Graça confere a este documento oral
uma particular serenidade e solenidade:
Bendito e louvado seja
O Menino de Deus nascido!
No ventre da Virgem Maria
Nove meses andêve escondido.
Bendito e louvado seja
O Menino nascido em Belém,
Batizado no rio Jordão
e crucificado em Jerusalém.
Em Belém nascido e adorado,
Para sempre seja louvado! 15
No mundo da romanidade em que o cristianismo antigo se expandiu, a
celebração do Natal foi um instrumento de cristianização, re-significando
cultos solares muito populares no Império. Mesmo num calendário cristia-
nizado, subsistiram muitos imaginários diferentes que, de forma plástica,
15 CD Fernando Lopes-Graça – Obra coral a cappella, vol. II, Numérica 1238.
126 Alfredo Teixeira
se combinaram. Esses sedimentos têm agora uma difícil legibilidade nas
nossas sociedades. O tempo liso do mercado parece não dar espaço à nar-
rativa e à genealogia, achatando o espaço social da memória. Como sempre
aconteceu, o Natal sobreviveu mudando. Se o paradigma da abundância e
do crescimento económico for substancialmente afetado, provavelmente o
Natal conhecerá outras metamorfoses.
Bi B l i o g r A f i A
Bo f f , Leonardo (1976) – Encarnação: a humanidade e jovialidade do nosso Deus. Pe-
trópolis: Vozes.
Br A n c o , Jorge de Freitas (1986) – Camponeses da Madeira: as bases materiais do quo-
tidiano no arquipélago (1750-1900). Lisboa: D. Quixote.
cA r r i e r , James (1995) – Gifts and Commodities: Exchange in Western Capitalism since
1700. London: Routlege.
co n n e l l y , Mark (1999) – Christmas: A Social History. London, New York: Tauris.
cu l l m A n n , Oscar (1993) – La Nativité et l’arbre de Noël: les origines historiques. Paris :
Ed. du Cerf.
di c k e n s , Charles (2003) Retratos londrinos. Tradução de Marcello Rollemberg. Rio
de Janeiro: Record.
du A r T e , José Cunha (2002) – Natal no Algarve: raízes medievais. Lisboa: Colibri.
— (2003) – “A tradição do Algarve e sua celebração no Algarve”. Communio, 20:1, 75-
82.
fr A n c o , José Eduardo (1999) – “Festa: liturgia natalícia popular na cultura madeiren-
se”. In: Piedade popular: sociabilidades, representações, espiritualidades. Actas do
Colóquio Internacional, 20-23 de Novembro de 1998. Lisboa: Terramar, Centro de
História e Cultura/História das Ideias da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
da Universidade Nova de Lisboa, 335-349.
go l B y , J. m. & A. W. Pu r d u e (1986) – The Making of Modern Christmas. Athens Uni-
versity of Georgia Press.
HA i n e s , David W. (1988) – “Ritual or Ritual? Dinnertimes and Christmas among some
Ordinary American Families”. Semiotica, 68:1-2, 7-88.
lé g A s s e , Simon (2006) – Les Fêtes de l’année: fondements scripturaires. Paris : Ed. du
Cerf & Médiaspaul.
le v i -sT r A u s s , Claude (1952) – Le Père Noël supplicié”. Les Temps Modernes, Mars,
1573-1590.
Liber usualis missae et officii pro Dominicis et Festis cum cantu gregoriano ex editione
vaticana adamussim excerpto. Parisiis: Desclée & Socii, 1957.
mu r e s i A n u , S. A. (1987) – The History of the Victorian Christmas Book. London: Gar-
land Publishing Inc.
Pe r r o T , Martyne (2000) Ethnologie de Noël: une fête paradoxale. Paris: Bernard
Grasset.
Canto da Natividade 127
sA n T o s , António Ferreira dos (1991) – “As Antífonas do Ó”. Boletim de Música Litúrgi-
ca, 93, 6.
si l v A , João Arnaldo Rufino da (1998) – Cânticos religiosos do Natal madeirense. Fun-
chal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais.
Te i x e i r A , Alfredo (2008) – “Matrizes das crenças em Portugal”. In: Mário F. Lages
& Artur Teodoro de Matos (coord.), Portugal, percursos de interculturalidade: III.
Matrizes e configurações. Lisboa: Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo In-
tercultural, 299-378.
vA n ge n n e P , Arnold (1987) Manuel de folklore français contemporain: 1. Cycle des
douze jours: Noël. Paris: Picard.
— (1988) – Manuel de folklore français contemporaine: 2. Cycle des douze jours: de Noël
aux Rois. Paris: Picard.
vi e i r A , Pe. António (1959) – Sermões I. Porto: Lello & Irmão.
Al f r e d o Te i x e i r A (1965) é Doutor em Antropologia Política (ISCTE-IUL) e Mestre em
Teologia Sistemática (UCP). Atualmente é Director do Instituto Universitário de Ciên-
cias Religiosas e Coordenador Executivo do Centro de Estudos de Religiões e Culturas
(Universidade Católica Portuguesa). Fez os seus estudos musicais na Escola de Música
do Conservatório Nacional, na classe de Órgão do professor Simões da Hora e na classe
do professor Rui Paiva, formação completada com os estudos de canto com a professora
Manuela de Sá, Música de Câmara com Fernando Eldoro, e Composição com Jorge Pei-
xinho e Eurico Carrapatoso. Após a sua formação curricular continuou a estudar Com-
posição com Jorge Peixinho, até data da morte do compositor. Estudou direção coral sob
a orientação de Lászlo Heltay e Erwin List. A sua obra “O Menino Jesus numa estória
aos quadradinhos” venceu a edição de 2013 do Prémio Internacional de Composição
Fernando Lopes Graça. Membro da Redacção da Communio.
ResearchGate has not been able to resolve any citations for this publication.
Article
Three hundred years ago people made most of what they used, or got it in trade from their neighbours. Now, no one seems to make anything, and we buy what we need from shops. "Gifts and Commodities" describes the cultural and historical process of these changes and looks at the rise of consumer society in Britain and the United States. It investigates the ways that people think about and relate to objects in 20th century culture, at how those relationships have developed, and the social meanings they have for relations with others. Using aspects of anthropology and sociology to describe the importance of shopping and gift-giving in our lives and in western economies, this work traces the development of shopping and retailing practices, and the emergence of modern notions of objects and the self. It brings together a wealth of information on the history of the retail trade and examines the reality of the distinctions we draw between the impersonal economic sphere and personal social sphere and is an interdisciplinary study of the links we forge between ourselves, our social groups and the commodities we buy and give.
Camponeses da Madeira: as bases materiais do quotidiano no arquipélago (1750-1900)
  • Jorge Branco
  • De Freitas
BrAnco, Jorge de Freitas (1986) -Camponeses da Madeira: as bases materiais do quotidiano no arquipélago (1750-1900). lisboa: d. Quixote.
Retratos londrinos. tradução de Marcello Rollemberg
  • Charles Dickens
dickens, Charles (2003) -Retratos londrinos. tradução de Marcello Rollemberg. Rio de Janeiro: Record.
Festa: liturgia natalícia popular na cultura madeirense
  • José Franco
  • Eduardo
frAnco, José Eduardo (1999) -"Festa: liturgia natalícia popular na cultura madeirense". In: Piedade popular: sociabilidades, representações, espiritualidades. actas do Colóquio Internacional, 20-23 de Novembro de 1998. lisboa: terramar, Centro de História e Cultura/História das Ideias da Faculdade de Ciências sociais e Humanas da Universidade Nova de lisboa, 335-349.
Cânticos religiosos do Natal madeirense. Funchal: direcção Regional dos assuntos Culturais
  • João Silva
  • Arnaldo Rufino
  • Da
silvA, João arnaldo Rufino da (1998) -Cânticos religiosos do Natal madeirense. Funchal: direcção Regional dos assuntos Culturais.
Matrizes das crenças em Portugal
  • Alfredo Teixeira
TeixeirA, alfredo (2008) -"Matrizes das crenças em Portugal". In: Mário F. lages & artur teodoro de Matos (coord.), Portugal, percursos de interculturalidade: III. Matrizes e configurações. lisboa: alto Comissariado para a Imigração e diálogo Intercultural, 299-378.
Manuel de folklore français contemporain: 1. Cycle des douze jours: Noël
  • Van Gennep
  • Arnold
vAn genneP, arnold (1987) -Manuel de folklore français contemporain: 1. Cycle des douze jours: Noël. Paris: Picard.