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Muitas pesquisas na área da psicolinguística e outras subáreas da linguística envolvem análises de tempo de reação (TR) de seres humanos ao lerem determinadas estruturas linguísticas. Esses TRs são utilizados como indicativos da dificuldade de se processar diferentes unidades linguísticas. Para coletar esse tipo de informação dois métodos são bastante utilizados: o rastreamento ocular (Rayner) e a leitura auto-monitorada (Mitchell (a)). No entanto, os dados obtidos por esses métodos podem conter ruídos que tornam as análises dos resultados mais complexas. Neste trabalho, vamos apresentar uma outra opção de método experimental de leitura que parece mitigar esses ruídos: a tarefa labirinto ou maze task (Forster; et al.). Os proponentes dessa técnica experimental defendem que os dados que ela gera são menos ruidosos pois ela inibe efeitos spill-over, diminui as possibilidades de estratégias de leitura e exige um alto nível de atenção por parte dos participantes. Assim, os dados são encontrados na região esperada e perguntas de compreensão não são necessárias. Descrevemos nesse artigo alguns dos primeiros estudos que utilizaram essa técnica. Os resultados desses trabalhos corroboram o seu potencial metodológico, já que demonstram que a tarefa gerou dados localizados convergentes com efeitos de processamento previamente observados na literatura.
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https://doi.org/10.5007/2175-7968.2020v40nesp2p217
MÉTODOS ON-LINE EM PSICOLINGUÍSTICA: A
TAREFA LABIRINTO (MAZE TASK)
Cândido Samuel Fonseca de Oliveira1,2
1Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Belo Horizonte,
Minas Gerais, Brasil
2Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
Resumo: Muitas pesquisas na área da psicolinguística e outras subáreas da
linguística envolvem análises de tempo de reação (TR) de seres humanos ao
lerem determinadas estruturas linguísticas. Esses TRs são utilizados como
indicativos da dificuldade de se processar diferentes unidades linguísticas.
Para coletar esse tipo de informação dois métodos são bastante utilizados:
o rastreamento ocular (Rayner) e a leitura auto-monitorada (Mitchell (a)).
No entanto, os dados obtidos por esses métodos podem conter ruídos que
tornam as análises dos resultados mais complexas. Neste trabalho, vamos
apresentar uma outra opção de método experimental de leitura que pare-
ce mitigar esses ruídos: a tarefa labirinto ou maze task (Forster; et al.).
Os proponentes dessa técnica experimental defendem que os dados que
ela gera são menos ruidosos pois ela inibe efeitos spill-over, diminui as
possibilidades de estratégias de leitura e exige um alto nível de atenção
por parte dos participantes. Assim, os dados são encontrados na região
esperada e perguntas de compreensão não são necessárias. Descrevemos
nesse artigo alguns dos primeiros estudos que utilizaram essa técnica. Os
resultados desses trabalhos corroboram o seu potencial metodológico, já
que demonstram que a tarefa gerou dados localizados convergentes com
efeitos de processamento previamente observados na literatura.
Palavras-chave: Tarefa Labirinto; Método Experimental; Psicolinguística
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
ONLINE PSYCHOLINGUISTIC METHODS:
THE MAZE TASK
Abstract: Many researches in the field of psycholinguistics and other
sub-areas of linguistics involve analysis of reaction time (RT) of human
beings when reading certain linguistic structures. These RTs are used as
indicative of the difficulty of processing different linguistic units. To col-
lect this type of information, two methods are widely used: eye tracking
(Rayner) and self-paced reading (Mitchel (a)). However, the data obtained
by these methods may contain noise that makes the analysis of the results
more complex. In this paper, we will present another option of an experi-
mental reading method that seems to mitigate these noises: the maze task
(Forster; et al.). Proponents of this experimental technique argue that the
data it generates is less noisy because it inhibits spill-over effects, reduces
the possibilities of reading strategies and requires a high level of attention
from the participants. Thus, the data is found in the expected region and
comprehension questions are not necessary. We describe in this article
some of the first studies that used this technique. The results of these stu-
dies corroborate its methodological potential, since they demonstrate that
the task generated localized data that converged with processing effects
previously observed in the literature.
Keywords: Maze Task; Experimental Method; Psycholinguistics
1. Introdução
A Psicolinguística é o campo da ciência que estuda fatores psi-
cológicos e neurobiológicos responsáveis pela capacidade humana
de adquirir, produzir e compreender a linguagem (cf. Glucksberg;
Deese; Gernsbacher). Mais especificamente, a psicolinguística
busca iluminar como as crianças desenvolvem a linguagem, como
as palavras são armazenadas e acessadas na mente humana; como
informações de natureza distintas são integradas no curso da com-
preensão e produção linguística e, entre outros assuntos, como o
cérebro bilíngue funciona para utilizar de forma eficiente mais de
uma língua. De maneira similar ao que ocorre com grande parte
dos estudos sobre processos da cognição humana, os fenômenos
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Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
investigados na psicolinguística não são diretamente observáveis
ou mensuráveis. Assim, parte do trabalho dos pesquisadores que
atuam nessa área envolve o estabelecimento de conexões fidedignas
e consistentes entre comportamentos observáveis e construtos men-
tais. Ademais, esses pesquisadores desenvolvem e testam métodos
experimentais que são utilizados para coletar dados relacionados ao
comportamento mensurável e observável supracitado com o objeti-
vo de testar hipóteses sobre diferentes construtos cognitivos.
Um número considerável das pesquisas na área da psicolinguís-
tica envolve análises de tempo de reação (TR) de seres humanos
ao lerem determinadas estruturas linguísticas. Esses TRs são uti-
lizados como indicativos da dificuldade de se processar diferentes
tipos de insumos linguísticos. Assim, palavras ou outras unidades
linguísticas que geram TRs maiores do que um determinado padrão
são tipicamente entendidas como estruturas mais difíceis de serem
processadas e palavras ou outras unidades linguísticas que geram
TRs menores são comumente entendidas como estruturas mais fá-
ceis de serem processadas. Para coletar esse tipo de informação
dois métodos são bastante utilizados: o rastreamento ocular (Ray-
ner) e a leitura auto-monitorada (Mitchel (a)), também chamada
de leitura auto-cadenciada. No entanto, os dados obtidos por esses
métodos podem conter ruídos que tornam as análises dos resulta-
dos mais complexas. Neste artigo, vamos apresentar uma terceira
opção de método experimental de leitura que registra os TRs dos
participantes frente a insumos linguísticos e parece mitigar esses
ruídos: a tarefa labirinto ou maze task.
2. Métodos experimentais em psicolinguística
A investigação sobre o funcionamento da mente humana em
relação à linguagem foi impulsionada pela revolução cogniti-
va do século XX a partir da rejeição da abordagem behaviorista
(Chomsky). Com o surgimento do movimento gerativista, a per-
cepção de falantes sobre gramaticalidade e agramaticalidade de
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Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
estruturas linguísticas passou a ser uma importante fonte de da-
dos para o entendimento da relação entre cognição e linguagem
(Schütze; Ferreira; Myers). A aceitação desse tipo de dado como
evidência científica atingiu patamares extremos, nos quais as aná-
lises eram feitas apenas com o introspeccionismo subjetivista do
próprio proponente das análises sem as devidas problematizações e
cuidados metodológicos (Wasow & Arnold). Em anos mais recen-
tes, a introspecção vem mudando de papel nas investigações sobre
o funcionamento da linguagem, deixando de ser uma ferramenta de
análise linguística e passando a ser o ponto inicial para elaboração
de estudos com técnicas experimentais formais. Assim, diferentes
hipóteses passaram a ser sustentadas não apenas pela análise in-
trospectiva de linguistas, mas principalmente por dados empíricos
advindos de diferentes paradigmas experimentais.
Comumente os métodos experimentais psicolinguísticos envol-
vendo humanos são divididos em dois tipos: on-line e off-line (Lei-
tão; Oliveira & Sá). Métodos como o Julgamento de Aceitabilidade/
Gramaticalidade, Teste Cloze e Teste de Associação de Palavras
são chamados de off-line ou pós-processamento. Os métodos ex-
perimentais off-line são utilizados para coletar dados referentes ao
comportamento dos participantes após terem processado determi-
nado estímulo linguístico. Nesse tipo de tarefa os participantes são
apresentados a estímulos linguísticos como palavras, frases ou ou-
tras unidades linguísticas e, em seguida, executam tarefas como
avaliar, repetir, reformular, completar ou, entre outros, associar
esses estímulos. Assim, os processos mentais envolvidos nessas ta-
refas são analisados a partir das reações aos estímulos que foram
processados. Já tarefas como Leitura Auto-Monitorada, Priming e
Rastreamento Ocular são chamados de on-line. Os métodos experi-
mentais on-line são usados para a obtenção de dados relacionados
ao comportamento dos participantes no momento exato em que
processam um determinado estímulo linguístico. Nesse caso os
participantes são apresentados a estímulos linguísticos e, tipicamente,
a técnica experimental utilizada afere o TR do participante ao ler
uma palavra, frase ou outra unidade linguística em um determinado
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Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
contexto. No entanto, as técnicas on-line não se limitam à mensura-
ção do TR. Há também, por exemplo, métodos fisiológicos, como
o ERP (sigla em inglês para Potenciais Relacionados a Eventos),
que obtém reações fisiológicas, tais como potenciais elétricos, em
decorrência da exposição ao estímulo linguístico.
Paradigmas experimentais on-line se diferem dos off-line no que
tange à informação linguística que eles buscam capturar. Conforme
discutido por Leitão, as técnicas off-line trazem informações acerca
da interpretação dos enunciados, ou seja, trazem informações ad-
vindas de um momento posterior à integração das informações de
todos os níveis linguísticos existentes no estímulo. Os métodos on-
-line, por outro lado, trazem dados sobre os processos que são rea-
lizados durante essa integração de informações de diferentes níveis
linguísticos. Assim, a escolha do método a ser utilizado depende
do tipo de fenômeno psicolinguístico que busca ser compreendido
e muitas vezes métodos on-line e off-line podem ser utilizados de
formas complementares.
A título de ilustração vamos apresentar uma série de estudos
que investigaram o tema influência translinguística. Um assunto
que vem sendo debatido em anos recentes é até que ponto o conhe-
cimento de uma segunda língua (L2) pode modificar ou exercer
influência sobre o conhecimento da primeira língua (L1) (Dussias;
et al.). Souza e Fernández et al. analisaram o comportamento
de falantes bilíngues do par linguístico português brasileiro (PB)
e inglês em comparação com falantes monolíngues do PB frente
a frases que forçavam em PB uma construção de estrutura ar-
gumental licenciada em inglês (1). Em ambos os estudos foram
utilizadas técnicas on-line para investigar o assunto: a leitura auto-
-monitorada e a memorização de sentenças. Os resultados dos dois
estudos indicam que bilíngues com maiores níveis de proficiência
apresentam maior nível de tolerância para as sentenças que força-
vam na L1 estruturas aceitas apenas na L2. Os autores interpretam
que esse comportamento dos bilíngues reflete um efeito de in-
fluência translinguística. Ademais, Fernández et al. sugerem que
esse efeito pode estar por trás de uma possível mudança global na
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Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
representação linguística da L1 de bilíngues com níveis mais altos
de proficiência.
(1) O capitão francês marchou seus soldados até a capital.
Souza, Soares-Silva e Garcia conduziram um estudo muito se-
melhante que também visava à análise do comportamento de bi-
língues do par linguístico PB e inglês frente a dois grupos de sen-
tenças que forçavam na L1 construções de estrutura argumental
licenciada na L2 (2). No entanto, dessa vez os autores utilizaram
uma metodologia off-line: a tarefa de julgamento de aceitabilidade.
Os resultados indicaram que bilíngues e monolíngues não apre-
sentaram diferenças significativas quanto suas percepções sobre a
aceitabilidade dessas construções. Em outras palavras, nessa tarefa
não foi observado um comportamento por parte dos bilíngues que
indicasse maior tolerância a frases agramaticais na L1 que mime-
tizavam estruturas licenciadas pela L2. Os autores interpretam es-
ses resultados como indicativos de que os efeitos de bilinguismo
encontrados nos estudos anteriores são evanescentes e não causam
mudanças profundas na representação linguística global da L1.
(2) a. Carlos trouxe Suzana flores por seu aniversário;
b. A criança voou o pássaro verde para fora da gaiola
A diferença nos resultados de tarefa online e off-line no que tan-
ge o comportamento de bilíngues frente a sentenças que forçam na
L1 construções de estrutura argumental específicas à L2 foi poste-
riormente corroborada por outros estudos (Oliveira et al.). Assim,
podemos observar que tarefas on-line e tarefas off-line parecem ge-
rar dados oriundos de diferentes tipos de conhecimento linguístico.
Portanto, é completamente possível que essas tarefas apresentem
resultados diferentes sem que isso gere uma contradição. Em ver-
dade, isso mostra como tarefas on-line e off-line podem ser com-
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Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
plementares e, em conjunto, têm o potencial de trazer importantes
esclarecimentos sobre o conhecimento linguístico.
Na próxima seção pretendemos apresentar um paradigma ex-
perimental que foi desenvolvido com o intuito de mitigar alguns
problemas presentes em técnicas psicolinguísticas online que ge-
ram dados de TR.
3. A tarefa labirinto
A leitura auto-monitorada e o rastreamento ocular são os dois
paradigmas experimentais mais comuns no estudo de efeitos de
processamento gerados por estruturas linguísticas específicas. Es-
ses efeitos aparecem na forma de TRs maiores ou menores do que
um determinado padrão. A título de ilustração, em Souza – apre-
sentado na seção anterior – pode se dizer que os efeitos de bilin-
guismo na L1 eram representados pelos TRs mais curtos dos parti-
cipantes bilíngues na região pós-verbal de (1) ou pode se dizer que
os efeitos de agramaticalidade eram representados pelos TRs mais
longos na mesma região por parte dos monolíngues. No entanto,
em tarefas de leitura auto-monitorada ou de rastreamento ocular
não é possível garantir que o efeito esperado estará localizado na
região alvo. Os efeitos de processamento podem aparecer em regi-
ões subsequentes devido ao fato de a tarefa permitir que os partici-
pantes continuem a ler uma frase sem ter integrado totalmente uma
parte dela que foi lida anteriormente. Em (1) e (2), por exemplo, o
efeito de agramaticalidade por parte dos monolíngues pode apare-
cer na posição de objeto direto – onde o efeito é esperado – ou ela
pode aparecer em uma região subsequente no caso de o participante
ter seguido adiante na sentença, não após ter integrado o objeto
direto, mas durante o processo de integração desse item. Quando
isso acontece dizemos que há um efeito spill-over (Mitchell (b)) e
como esse efeito não é previsível e pode não ser consistente entre
todos os participantes do experimento temos nele uma das possíveis
limitações da leitura auto-monitorada e do rastreamento ocular.
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Outra limitação desses métodos é o fato de os participantes não
adotarem as mesmas estratégias de leitura. Na tarefa de rastrea-
mento ocular os participantes estão livres e, assim, podem se com-
portar diferentemente no que tange a leitura de partes já lidas ou de
partes posteriores ao trecho em leitura. Além disso, é comum que
leitores rápidos, por exemplo, apresentem um número menor de
fixações e um número maior de sacadas (Rayner). Já na tarefa de
leitura auto-monitorada os participantes podem adotar estratégias
como (i) wait-and-see ou “esperar para ver” que se refere ao ato
de pressionar as teclas de forma rápida e uniforme e deixar a com-
preensão da sentença para pontos específicos, como final da frase
ou final de um sintagma, (ii) adotar uma leitura incremental onde
uma palavra só é lida após as anteriores terem sido compreendidas
ou, até mesmo, (iii) combinar essas duas estratégias. Dessa forma,
a não uniformidade nos padrões de leitura também pode afetar ne-
gativamente a leitura auto-monitorada e o rastreamento ocular.
Comumente encontramos perguntas de compreensão após algu-
mas frases nessas duas tarefas. Isso se deve ao fato de que não é
possível ter certeza sobre o quanto cada participante entendeu de
cada sentença lida. Em um momento de distração, por exemplo,
uma sentença pode ter sido visualizada, mas não necessariamen-
te compreendida. Por isso, o índice de acerto nas perguntas de
compreensão é utilizado como métrica de engajamento nas tarefas.
Participantes com baixo índice de acerto em perguntas de com-
preensão têm os dados removidos, já que a falta de engajamento
na tarefa pode gerar dados que não condizem com os efeitos de
processamento de uma leitura com o nível de atenção adequado.
A Tarefa Labirinto ou maze task (Forster; et al.) surge como
uma opção para mitigar esses possíveis ruídos. Essa técnica ex-
perimental é consideravelmente similar à leitura auto-monitorada,
pois em ambas as tarefas os participantes leem sentenças palavra
por palavra (ou parte a parte) e os TRs para trechos específicos são
utilizados como medidas de processamento linguístico. No entan-
to, os dois métodos se diferem um do outro em relação à maneira
como cada palavra é exibida. Enquanto na leitura auto-monitorada
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Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
usualmente cada palavra de uma frase é apresentada em sequência
e de forma isolada, na tarefa labirinto apenas a primeira palavra
da sentença é apresentada de forma isolada, as demais palavras são
apresentadas ao lado de uma opção que não completa corretamente
a frase sendo formada. As figuras abaixo ilustram como a frase
“Samuel visitou um amigo” poderia ser exibida em uma tarefa de
leitura auto-monitorada (Figura 1) e em uma tarefa labirinto (Figu-
ra 2). Há também uma demonstração da tarefa labirinto no seguinte
link http://www.u.arizona.edu/~kforster/MAZE/.
Figura 1 – Representação visual da exibição de uma frase em uma
tarefa de leitura auto-monitorada
.
Fonte: O autor.
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Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
Figura 2 – Representação visual da exibição de uma frase em uma
tarefa labirinto.
Fonte: O autor
Na figura 2, ilustramos diferentes opções incorretas que são pos-
síveis em uma tarefa labirinto. Na primeira tela são apresentadas
duas opções como em todas as outras, todavia, temos uma palavra
e um símbolo como opções. Este é tipicamente representado por
XXX ou ---. Os participantes são orientados a sempre escolherem a
palavra nessa primeira tela. Na segunda tela da Figura 2 temos um
contexto ainda pouco empregado em pesquisas: ambas as opções
na segunda tela podem, do ponto de vista semântico, continuar a
frase iniciada na primeira tela, mas apenas uma das opções con-
corda com a primeira parte da frase. A escolha desse tipo de opção
incorreta pode ser interessante para investigações de fenômenos
que envolvem diferentes tipos de concordância. Na terceira tela
temos um exemplo típico de tarefa labirinto de gramaticalidade,
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Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
Tarefa Labirinto G ou G-Maze (Witzel; et al.), na qual a opção
incorreta é uma sequência agramatical do ponto de vista sintático e
semântico da sentença sendo formada. Por último, na quarta tela,
temos um exemplo típico da tarefa labirinto de lexicalidade, Tarefa
Labirinto-L ou L-Maze (Witzel; et al.), na qual a opção incorreta é
uma palavra que não existe. A escolha do tipo de palavra distratora
a ser utilizada depende do objetivo do estudo que está sendo con-
duzido, mas é importante que esse tipo seja constante ao longo da
tarefa, ao contrário do que acontece com o exemplo na Figura 2,
exibido dessa forma para facilitar a ilustração da tarefa.
A tarefa labirinto apresenta grande flexibilidade e é possível que
outros tipos de opção incorreta sejam mais utilizados à medida que
a técnica for aplicada em diferentes estudos. É possível imaginar,
por exemplo, itens distratores com palavras soletradas incorreta-
mente ou com palavras de outros idiomas. Além disso, é possível
que as opções sejam formadas não por palavras, mas por partes da
sentença sendo formada, como já acontece em tarefas de leitura
auto-monitorada. Assim, podemos ter experimentos cuja apresen-
tação ocorre como na Figura 3. Algumas dessas possibilidades já
foram utilizadas e serão apresentadas nas próximas seções. Inde-
pendentemente do tipo de opção incorreta utilizada, é importante
que os participantes sejam instruídos a formar as frases da forma
mais rápida e precisa possível, principalmente se os dados a serem
extraídos da tarefa labirinto são os TRs.
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Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
Figura 3 – Representação visual da exibição de uma frase em uma
Tarefa Labirinto.
Fonte: O autor
Há dois tipos de dados que ainda parecem ter sido pouco explo-
rados, mas demonstram ter potencial para enriquecer as análises
feitas com a tarefa labirinto. O primeiro deles se refere ao número
de escolhas incorretas na região alvo, ou seja, o número de vezes
que os participantes fizeram a escolha incorreta de palavra na re-
gião alvo. O segundo é o número de vezes que os participantes
violaram o teto temporal de exibição das opções (caso este tenha
sido imposto na tarefa). Ambos os dados parecem ter o potencial
para serem associados à dificuldade de processamento.
Após termos apresentado a tarefa labirinto, vamos voltar ao as-
sunto do potencial da tarefa labirinto em mitigar alguns dos ruídos
presentes em tarefas como a leitura auto-monitorada e o rastrea-
mento ocular. Os efeitos spill-over dificilmente ocorrem na tarefa
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
labirinto. A precisão local dos custos de processamento em uma sen-
tença labirinto são oriundas da necessidade de escolhas corretas em
cada parte da sentença. Para fazer a escolha correta, os participantes
devem integrar a opção escolhida à frase sendo formada antes de
considerar o restante da sentença. Consequentemente, há uma forte
relação entre o TR de uma palavra e o seu custo de processamento.
Witzel et al. realizaram um estudo para analisar dois tipos de
tarefas labirinto, a tarefa labirinto de gramaticalidade e a tarefa labi-
rinto de lexicalidade, em comparação com a leitura auto-monitorada
e o rastreamento ocular. Os autores investigaram a capacidade des-
ses métodos em indicar as distinções no processamento de sentenças
contendo ambiguidades temporárias. Mais importante, os autores
analisaram a eficiência desses métodos na identificação local dos
efeitos de processamento. Foram analisados 32 falantes nativos do
inglês em relação a orações relativas similares a (3) - (5). Havia 24
itens para cada um dos três tipos de sentenças experimentais. As
duas versões de cada tipo foram contrabalanceadas em duas listas.
Cada participante participou de apenas um dos 4 experimentos e só
viu uma das listas. Todos os paradigmas experimentais utilizados
revelaram os efeitos de processamento previstos para as estruturas
ilustradas em (3) e (4), mas apenas o rastreador ocular produziu re-
sultados consistentes com os efeitos previstos para a estrutura ilustra-
da em (5). No entanto, apenas os dois tipos de tarefa labirinto foram
capazes de mostrar, nas regiões críticas, as diferenças de TR espe-
radas. Na leitura auto-monitorada e no rastreamento ocular parece
ter havido um efeito spill-over e, assim, alguns dos efeitos esperados
foram encontrados apenas nas regiões subsequentes às regiões críti-
cas. Portanto, este estudo corroborou a eficiência da tarefa labirinto
em identificar os efeitos do processamento localmente.
(3) The son of the actress who shot herself/himself on the set was
under investigation.
“O filho da atriz que atirou nela mesmo/ nele mesmo no set
de gravação estava sob investigação”
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Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
(4) Jack will meet the friend he phoned yesterday/tomorrow.
“Jack vai encontrar o amigo (para o qual) ele telefonou
ontem/ amanhã”.
(5) The nurse examined the mother (,) and the child played
quietly in the corner.
A enfermeira examinou a mãe (,) e a criança brincava
quietamente no canto.
Outra vantagem da tarefa labirinto é o fato de haver pouca va-
riação entre os leitores em termos de estratégia de leitura, uma vez
que eles não podem se mover livremente através das frases e têm
que adotar uma estratégia de processamento incremental a fim de
fazer a escolha correta em cada parte das frases. É improvável que
os participantes avancem de maneira rápida e uniforme por uma
frase para entendê-la apenas após ter visto todas as palavras, como
pode ocorrer nas outras tarefas psicométricas que mencionamos.
Por último, não há necessidade de usar questões de compreensão
durante uma tarefa labirinto porque os participantes dificilmente
conseguirão percorrer o caminho correto de cada sentença sem ter
entendido minimamente cada parte. Assim, basta eliminar das aná-
lises os participantes com baixo índice de acerto ao longo da tarefa.
A imposição de escolhas em cada parte de uma sentença traz
grandes vantagens para o paradigma da tarefa labirinto. Ela não
apenas inibe as possibilidades de efeito spill-over, mas também
diminui os tipos de estratégia de leitura que podem ser empregadas
na tarefa e exige um alto nível de atenção por parte dos partici-
pantes. Assim, a tarefa labirinto traz dados menos ruidosos do que
aqueles advindos de tarefas de rastreamento ocular e leitura auto-
-monitorada e dispensa o uso de perguntas de compreensão e de
análises de regiões posteriores a região alvo.
A maior desvantagem da tarefa labirinto parece estar em sua
validade ecológica. Segundo Brewer validade ecológica se refere
à proximidade entre o mundo real e os métodos, materiais e situ-
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Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
ações de um estudo. O tipo de leitura realizada pelos participantes
de uma tarefa labirinto é claramente distinta dos tipos de leitura
vivenciados no mundo real. Assim, entendemos que a tarefa labi-
rinto é uma ferramenta com pouco potencial para investigar assun-
tos relacionados aos tipos de leitura padrão. Para esses estudos, o
rastreamento ocular oferece dados mais confiáveis. No entanto,
também entendemos que se o assunto investigado não tem relação
direta com a leitura natural, a precisão local da tarefa labirinto
pode ter um peso maior do que a validade ecológica. Obviamente,
esse é um assunto que deve ser observado caso a caso.
4. Primeiros estudos sobre processamento linguístico com a
tarefa labirinto
A tarefa labirinto ainda é pouco utilizada em comparação com a
leitura auto-monitorada e o rastreamento ocular. No entanto, pouco
a pouco ela tem ganhado espaço e já há registro de estudos sobre
processamento linguístico que utilizaram a tarefa labirinto. Abaixo
vamos apresentar alguns desses estudos e ilustrar as estruturas que
foram testadas.
O estudo de Forster et al., até onde vai o nosso conhecimento,
é o primeiro artigo que adota a tarefa labirinto e tem por objetivo
principal mostrar que efeitos tipicamente encontrados em tarefas
como a leitura auto-monitorada e o rastreamento ocular podem ser
encontrados na tarefa labirinto de forma localizada. Em todos os
experimentos os autores utilizaram o software DMDX (Forster &
Forster) para rodar e registrar os dados a tarefa labirinto. No ex-
perimento I, os autores buscaram replicar resultados anteriores que
demonstraram que orações relativas de sujeito são processadas mais
rapidamente do que orações relativas de objeto em inglês. Os re-
sultados indicaram as diferenças esperadas e mostraram a precisão
local da tarefa labirinto. Enquanto em estudos anteriores com outros
paradigmas experimentais a diferença de custo de processamento
era percebida com TRs diferentes distribuídos ao longo das orações
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
relativas, na tarefa labirinto o efeito foi percebido já no determi-
nante, que era a primeira palavra da oração relativa. Segundo os
autores, esse efeito localizado apenas faz sentido se o processador
humano (ou parser) tem algum viés que favorece as orações relati-
vas de sujeito. Na Figura 4 apresenta-se exemplos de orações rela-
tivas de sujeito (acima) e as orações relativas de objeto (abaixo) do
estudo, acompanhadas de suas respectivas traduções. Em cada uma
das ilustrações a opção à esquerda corresponde à opção correta.
Figura 4 –Exemplo e tradução de frases em uma tarefa labirinto de
gramaticalidade no estudo de Forster et al.
Fonte: Adaptado de Forster et al. (166)
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
No Experimento II, os participantes replicaram o experimento
I utilizando a tarefa labirinto de lexicalidade. Dessa forma, para as
opções incorretas de cada parte da sentença (ilustradas do lado di-
reito de cada um dos quadros da Figura 4) em vez de utilizar pala-
vras que não continuavam corretamente as sentenças sendo forma-
das, os autores utilizaram não-palavras lícitas no inglês, tais como
chis, nailpay, waren, denant, hor e blung. Os autores utilizaram as
frases-alvo na ordem correta e também fora de ordem para ver o
efeito de gramaticalidade na identificação das palavras. Os resulta-
dos indicam que a média dos TRs para as palavras nas frases-alvo
foram menores do que a médias dos TRs das mesmas palavras em
frases fora de ordem, o que indica que o sistema de decisão leva
em consideração a possibilidade de a palavra ser integrada ao con-
texto anterior. Em seguida, os autores passaram para a comparação
entre orações relativas de sujeito e orações relativas de objeto. Os
resultados novamente mostraram que os determinantes das orações
relativas de sujeito foram processados mais rapidamente que os
determinantes das orações relativas de objeto.
No experimento III, os autores replicaram com a tarefa labirin-
to o experimento com rastreamento ocular de Dopkins et al. que
investigava o efeito do contexto na interpretação de uma palavra
ambígua. Ambos estudos apresentam resultados similares indi-
cando que uma palavra ambígua e uma palavra subsequente com
função desambiguadora são lidas mais rapidamente em contextos
positivos, ou seja, um contexto que torna a interpretação da palavra
ambígua mais previsível. Alguns dos resultados da tarefa labirinto
se assemelharam mais aos resultados de tempo total das leituras
no rastreamento ocular do que com tempo de duração da primeira
fixação. Segundo os autores, no experimento com rastreamento
ocular os participantes parecem não ter percebido a palavra desam-
biguadora nos contextos não positivos e, mais adiante na sentença,
após a percepção de erro de interpretação, eles retornaram para a
palavra desambiguadora, conseguindo assim a interpretação corre-
ta. Na tarefa labirinto, por outro lado, o erro foi descoberto logo
que os participantes chegaram na palavra desambiguadora, o que
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
corrobora o argumento de que a tarefa labirinto força o processa-
mento incremental.
No experimento IV, os autores testaram se o contexto de uma
sentença poderia reduzir o tamanho do efeito de frequência lexi-
cal. Para isso, os autores compararam o tempo de leitura de uma
palavra frequente com o de uma palavra menos frequente em duas
tarefas. Na primeira, os participantes leram essas palavras em con-
textos favoráveis à interpretação de ambas em uma tarefa labirin-
to. Na segunda, utilizando procedimento similar a de uma tarefa
labirinto, os participantes leram essas palavras fora de contexto
em uma tarefa de decisão lexical. Os resultados demonstraram que
o efeito de frequência foi maior nas sentenças contextualizadas.
Os autores interpretam esses resultados como evidência de que as
palavras com baixa frequência não apenas demoram para ser reco-
nhecidas, mas também para serem integradas ao contexto.
Outro estudo que utilizou a tarefa labirinto como método ex-
perimental para uma investigação psicolinguística foi Qiao et al.
Os autores conduziram um experimento para lançar luz sobre a
discussão relacionada à diferença entre processamento de orações
relativas de sujeito e orações relativas de objeto em Chinês. Os au-
tores conduziram um experimento com a tarefa labirinto de lexica-
lidade e um experimento com a tarefa labirinto de gramaticalidade,
ambos com o software DMDX. Ambas as tarefas demonstraram
que os verbos das orações relativas de objeto eram processados
mais rapidamente do que os verbos das orações relativas de sujei-
to. Os autores interpretam que os verbos das orações relativas de
sujeito são mais difíceis de serem processados devido à sua posição
na sentença (diferente da posição do verbo da oração relativa de
objeto) que faz com que os participantes tenham mais dificuldade
de estabelecer o seu papel gramatical. As frases (6) e (7) ilustram
as estruturas desses dois tipos de orações relativas em Chinês e
a Figura 5 ilustra como as sentenças foram apresentadas na tare-
fa labirinto de gramaticalidade e suas respectivas traduções1. Ao
1 As traduções foram elaboradas a partir das traduções em inglês apresentadas em
Qiao et al. (616)
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
contrário dos exemplos anteriores as opções certas e erradas são
apresentadas aleatoriamente do lado direito e do lado esquerdo.
(6) Orações relativas de sujeito:
Obviamente-provocou-editor-que-escritor-encontrou-
problemas.
“Obviamente o escritor que provocou o editor encontrou
problemas.”
(7) Orações relativas de objeto:
Obviamente-editor-provocou-que-escritor-encontrou-
problemeas.
“Obviamente o escritor que o editor provocou encontrou
problemas.”
Figura 5 – Exemplo e tradução de frases em uma tarefa labirinto
no estudo de Qiao et al.
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
Fonte: Qiao et al. (616)
Além disso, os dados trouxeram informações interessantes sobre
possíveis diferenças entre a tarefa labirinto de gramaticalidade e a
tarefa labirinto de lexicalidade. Na tarefa labirinto de gramaticalida-
de, a oração relativa de objeto foi processada mais rapidamente que
a oração relativa de sujeito, mas ao chegar na quarta tela, na qual
o relativizador deveria ser escolhido, houve um efeito reverso. Os
autores interpretam que esse resultado indica que os participantes es-
tavam esperando pelo relativizador na oração relativa de sujeito, mas
não na oração relativa de objeto. No entanto, essa diferença não foi
percebida na tarefa labirinto de lexicalidade. Os autores sugerem que
isso ocorreu devido à falta de antecipação por parte dos sujeitos na
tarefa labirinto de lexicalidade, o que mitiga os efeitos de surprisal.
Dessa forma, parece que estratégias do tipo wait-and-see são mais
prováveis na tarefa labirinto de lexicalidade do que na de gramati-
calidade, já que na primeira a simples identificação de uma palavra
possibilita que o participante siga adiante na tarefa. Portanto, a tarefa
labirinto de gramaticalidade parece ser mais confiável para estudos
onde se espera efeitos de processamento incremental.
237
Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
Wang conduziu um estudo para analisar o custo de processa-
mento da mudança de código em uma tarefa de compreensão. Para
isso, o autor conduziu um experimento com a tarefa labirinto a
partir do software DMDX e comparou o desempenho de 50 bilín-
gues do par linguístico inglês e chinês ao ler sentenças totalmente
em inglês e ao ler sentenças que continham uma palavra do chinês.
Metade dos participantes tinham o chinês como língua dominante
e a outra metade tinham o inglês como língua dominante. Os re-
sultados indicaram custos de processamento da mudança de código
em ambos os grupos. O autor sugere que esse efeito parece ter sido
modulado por ativação lexical e controle inibitório e, além disso,
interpreta que o efeito de ativação lexical, mas não o de controle
inibitório, foi modulado pela dominância linguística. A Figura 6
ilustra como as mesmas frases foram apresentadas nas duas condi-
ções (com e sem mudança de código). As regiões 2 e 3 foram ana-
lisadas em ambos os contextos. Ao lado direito acrescentamos uma
tradução para o português. As palavras corretas são apresentadas a
esquerda enquanto as palavras erradas são apresentadas a direita.
Figura 6 – Exemplo de exibição de frases em uma tarefa labirinto
no estudo de Wang.
Fonte: adaptado de Wang (6)
Outros estudos que também utilizaram a tarefa labirinto foram
Kizach et al.; O’Bryan et al.; Nyvad et al.; Witzel e Witzel; Li et
al.; Sikos et al.; Hilpert e Saavedra; Mansbridge e Tamaoka; Su-
zuki e Sunada. Na próxima seção iremos descrever os estudos com
a tarefa labirinto que foram produzidos no Brasil.
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
5. Primeiros estudos sobre processamento linguístico com a
tarefa labirinto no Brasil
No Brasil, tarefa do labirinto vem ganhando terreno entre al-
guns linguistas também. Apresentaremos a seguir quatro estudos
que foram conduzidos com a utilização desse paradigma experi-
mental para investigações psicolinguísticas.
Souza et al. investigaram, com uma tarefa labirinto conduzida
através do software DMDX, as diferenças de processamento entre
sujeitos pré-verbais e pós-verbais em verbos monoargumentais ina-
cusativos, que é uma opcionalidade observada em PB. Mais espe-
cificamente eles testaram a diferença entre sentenças semelhantes,
tais como (8) e (9). Os autores também analisaram o efeito de ani-
macidade na posição de sujeito medindo, para isso, os TRs para o
núcleo dos sujeitos nas diferentes condições de posição do sujeito e
de animacidade. Os resultados indicam que, em sentenças com ver-
bos inacusativos, sujeitos pós-verbais geram um custo de processa-
mento menor do que os sujeitos pré-verbais e os sujeitos animados
são menos custosos que os sujeitos inanimados. Os autores inter-
pretam esses achados como evidência de que tanto as operações
sintáticas quanto as operações semânticas têm papel importante na
escolha da estrutura de frases com verbos inacusativos. A Figura 7
ilustra como as frases dos autores parecem ter sido apresentadas2.
(8) hoje alunos novatos chegaram na aula inaugural
(9) hoje chegaram alunos novatos na aula inaugural
2 As opções incorretas não foram disponibilizadas pelos autores, assim
acrescentamos opções erradas para fim de ilustração.
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Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
Figura 7 – Simulação da exibição de frases na tarefa labirinto no
estudo de Souza et al.
Fonte: Souza et al.
Oliveira et al. conduziram um experimento com a tarefa labi-
rinto, também a partir do software DMDX, para investigar efeitos
da L2 na L1. Mais especificamente, os autores analisaram se bi-
língues do par linguístico PB e inglês imersos na L1 processavam
sentenças que forçavam, em PB, a construção resultativa (10) do
inglês mais rapidamente do que os monolíngues do PB. Os autores
compararam os TRs de bilíngues e monolíngues para os APs, que
não são licenciados em PB com a leitura resultativa. Havia também
um grupo controle formado por sentenças com a mesma estrutura,
porém com um AP licenciado (11). Os monolíngues apresentaram
TRs médios cinquenta por cento maior do que os TRs médios dos
bilíngues, o que gerou uma diferença significativa entre os dois
grupos. Este estudo foi posteriormente replicado com bilíngues
imersos na L2 e resultados semelhantes foram encontrados (Souza
& Oliveira). Em conformidade com as hipóteses dos autores, os
resultados sugerem que existe influência do conhecimento da L2
nas rotinas de processamento da L1. Do ponto de vista metodoló-
gico, este estudo traz dois aspectos interessantes. Primeiramente,
as sentenças-alvo não são licenciadas e é exatamente a palavra que
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
causa a agramaticalidade que é mensurada. Além disso, algumas
das partes das sentenças são apresentadas em unidades maiores do
que palavras, conforme ilustrado na Figura 8. Assim, parece que o
fato de a tarefa labirinto forçar o processamento incremental pode
ser útil para investigação do processamento de estruturas não licen-
ciadas e, ainda, a tarefa se mostra flexível quanto à distribuição das
sentenças em cada tela da tarefa.
(10) A motorista molhou o carro e o esfregou limpo.
(11) A águia pegou o peixe e o comeu vivo.
Figura 8 – Simulação da exibição de frases na tarefa labirinto no
estudo de Oliveira et al.
Fonte: Oliveira et al.
Marcilese et al. utilizaram a tarefa labirinto para esclarecer
qual o papel desempenhado pela distância linear entre sujeito e
verbo no processamento da concordância entre esses dois ele-
mentos. Além disso, as autoras analisaram a função da marcação
morfológica nesse processo e testaram diferentes frases em con-
textos similares à (12). Ao contrário dos experimentos descri-
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Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
tos anteriormente, as autoras utilizaram o software Linger3 para
conduzir o experimento. Elas observaram o comportamento dos
participantes nestas diferentes condições de concordância e dis-
tância, medindo os TRs para o verbo de cada condição. Os re-
sultados indicaram que os participantes exibiram TRs mais curtos
sob condições de maior distância, independentemente do status da
concordância. Além disso, os resultados sugerem que os partici-
pantes foram mais sensíveis a violações quando o sujeito estava
no plural. Segundo as autoras, a representação do número plu-
ral na posição do sujeito parece ser mais persistente na memória
e, assim, impõe restrições mais fortes. Nesse estudo também há
sentenças não licenciadas – as sentenças em que não há concor-
dância entre sujeito e verbo – e também há unidades maiores que
palavras em algumas partes das sentenças, conforme ilustrado na
Figura 9. Além disso, as autoras apresentam apenas uma opção
para última frase de cada sentença e apresentam, como opções
incorretas, palavras e expressões que não são agramaticais, mas
sim opções ruins para completar a frase do ponto de vista prag-
mático. No entanto, no trecho-alvo, o distrator era sempre de
outra categoria, o que o tornava agramatical.
(12) a. O aluno/Os alunos no início da aula atentamente
escutaram a professora.
b. O aluno/Os alunos atentamente escutaram a professora.
c. O aluno/Os alunos escutaram a professora.
d. O aluno/Os alunos no início da aula atentamente escutou
a professora.
e. O aluno/Os alunos atentamente escutou a professora.
f. O aluno/Os alunos escutou a professora.
3 Segundo as autoras, o software Linger é uma plataforma que pode ser utilizado
para conduzir diferentes experimentos sobre processamento da linguagem.
O Linger foi desenvolvido no laboratório de Ted Gibson e pode ser utilizado
gratuitamente através do link (<http://tedlab.mit.edu/~dr/Linger/>).
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Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
Figura 9 – Simulação da exibição de frases na tarefa labirinto no
estudo de Marcilese et al.
Os alunos
no início da aula
atentamente
escutou
a professora
de geograa
XXX
durante o desmatamento
velozmente
cadernos
estudaram
XXX
Fonte: Marcilese et al. (1311)
Barreto et al. (2018) apresentaram uma pesquisa sobre o pro-
cessamento de expressões idiomáticas. Mais especificamente, as
autoras conduziram uma tarefa labirinto a partir do software Linger
para verificar os efeitos de grau de idiomaticidade (transparentes
versus opacas), contexto (mais informativos versus menos infor-
mativos) e familiaridade (familiares versus raras) no processamen-
to linguístico de expressões idiomáticas. Os resultados apontam
que todas essas variáveis produziram efeitos significativos no pro-
cessamento. Interessantemente, a autora não analisou apenas os
TRs, mas também as médias de reposta-alvo. Conforme, podemos
ver na Figura 10 as autoras utilizaram um padrão de distribuição
de sentenças similar ao de Marcilese et al. No entanto, as autoras
incluíram no trecho alvo das sentenças duas opções possíveis para
a resposta: uma sequência idiomática e uma sequência literal. As
autoras destacam que os resultados das médias de resposta-alvo
foram convergentes com os resultados de TR com exceção para
comparação de expressões opacas e expressões transparentes. As-
sim, os resultados do estudo sugerem que a média de resposta-alvo
pode ser informativa nas investigações psicolinguísticas.
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Métodos on-line em psicolinguística: a tarefa labirinto (maze task)
Figura 10 – Simulação da exibição de frases na tarefa labirinto no
estudo de Barretos et al.
No discurso
no jogo de baralho
o melão
frente à platéia
abriu
a porta
XXX
XXX
durante a colação de grau
a Suely
longe dos mosquitos
descascamos
o coração
espontaneamente.
Fonte: Barretos et al. (126)
Percebe-se, portanto, que a tarefa labirinto já está sendo utili-
zada pelos pesquisadores do campo da psicolinguística no Brasil
e trouxe contribuições relevantes para investigações de diversos
assuntos psicolinguísticos. Além disso, a flexibilidade da tarefa
permitiu que as pesquisas realizadas no Brasil explorassem estrutu-
rações e dados que ainda não haviam sido examinados. Finalmente,
bem como os estudos apresentados na seção anterior, os trabalhos
desenvolvidos no Brasil corroboraram as vantagens metodológicas
da tarefa labirinto: os efeitos de processamento foram encontrados
localmente e não houve necessidade de perguntas de compreensão.
6. Conclusão
O presente artigo teve por objetivo apresentar à comunidade
psicolinguística brasileira um método experimental on-line introdu-
zido por Forster et al. que apenas em anos mais recentes começou
a ser utilizado no Brasil. Os estudos que descrevemos nesse artigo
corroboram os argumentos dos proponentes da tarefa labirinto em
relação ao seu potencial metodológico. Mais especificamente, ob-
servamos que a tarefa labirinto foi sensível à complexidade sintática
e gerou dados convergentes com efeitos de processamento previa-
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Cad. Trad., Florianópolis, v. 40, nº esp. 2, p. 217-248, set-dez, 2020.
Cândido Samuel Fonseca de Oliveira
mente observados na literatura. Além disso, os estudos enfatizaram
o poder que a tarefa tem em gerar efeitos de processamento onde
eles são esperados e não em partes posteriores. Como todo novo
método experimental, a tarefa labirinto ainda precisa ser muito es-
tudada. As suas verdadeiras vantagens e desvantagens serão mais
claras a partir do momento que ela for mais amplamente empre-
gada em diferentes estudos. Um fator que pode contribuir para o
maior uso da tarefa é a sua condução via internet, o que permitiria
que os estudos contassem com participantes mais diversificados e
em maior número. Duas versões foram recentemente apresentadas
à comunidade científica: Oliveira et al., in press e Boyce et al.,
2020. Assim, esperamos que esse artigo sirva de motivação para
pesquisadores se sentirem encorajados a utilizar a tarefa labirinto
em pesquisas para as quais ela se mostre adequada.
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Recebido em: 10/08/2020
Aceito em: 03/11/2020
Publicado em dezembro de 2020
Cândido Samuel Fonseca de Oliveira. E-mail: coliveira@cefetmg.br. ORCID:
https://orcid.org/0000-0001-7578-6288.
Chapter
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Neste capítulo apresentaremos um tema muito debatido e estudado por pesquisadores de diferentes linhas teóricas com interesse no fenômeno do bilinguismo: as estruturas linguísticas cognitivamente desafiadoras no processo de aquisição de segunda língua (L2). Primeiramente, faremos uma breve descrição de duas áreas que têm esse tópico como um dos seus pontos de interseção: a Aquisição de Segunda Língua (ASL) e a Psicolinguística ou, mais especificamente, sua subárea chamada de Psicolinguística do Bilinguismo. Em seguida, detalharemos quatro hipóteses que propõe quais estruturas tendem a impor dificuldades no processo de aquisição de L2: o Princípio do Subconjunto (Subset Principle), a Hipótese da Evidência Negativa (Negative Evidence Hypothesis), a Hipótese das Interfaces (Interface Hypothesis) e a Hipótese do Gargalo (Bottleneck Hypothesis). Citaremos alguns estudos empíricos que corroboram essas hipóteses e ilustram as estruturas estudadas em cada uma delas. Por último, faremos nossas considerações finais mencionando outras hipóteses e apontando aspectos que precisam ser aprofundados para avançar no conhecimento desse tópico.
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O livro Psicolinguística em Minas Gerais visa apresentar pesquisas psicolinguísticas conduzidas por professores doutores vinculados a oito instituições de ensino do estado de Minas Gerais. Ao longo de 15 capítulos, o leitor fará uma revisão de importantes teorias linguísticas e psicolinguística, enquanto é apresentado às pesquisas desenvolvidas em território mineiro que refletem e investigam a realidade cognitiva de tais teorias.
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This paper aims to explore the maze task as a pedagogical tool to enhance learners’ knowledge of the L2. Recent evidence suggests that linguistic training can modify linguistic knowledge (Wells et al., 2009; Enkin; Forster, 2014, Fraundorf; Jager, 2016, Hopp, 2016, 2020). We analyzed the behavior of Brazilian learners of English with respect to the double-object construction after they performed an online maze task training by comparing the results from a pretest and a posttest, in which we measured acceptability ratings and reaction times. The results suggest improvement in both measures. However, the improvement rate was not significant compared to that in a control group trained on other structures and that in a third group that watched a short lecture on English structures.
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This chapter discusses recent findings that demonstrate how variability in the linguistic experiences of bilingual speakers and in the ability of bilingual speakers to learn from these experiences, might impact bilingual language processing. It shows that linguistic experience and the interactional contexts in which bilinguals find themselves serve an influential role in second language (L2) speaker language processing. The chapter also discusses several illustrative studies that demonstrate how the first language system of speakers adapts to L2 input, and the influence of the L2 on the first language (L1). It reviews a particular case of bilingual speech – code switching – to illustrate how adaptation to different interactional contexts modulates the processing of code‐switched language. The chapter presents studies that have employed electrophysiological recording methods, and additionally discusses studies that have used behavioural methods of sentence processing (i.e. reaction time and eye‐tracking), especially when neuroscience evidence is not available to illustrate a particular point.
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Because the Japanese language does not have a robust plural morpheme system, it is morphologically incongruent with English. As such, L1 Japanese learners of L2 English are argued to be unable to fully acquire English plural morphemes. While previous studies have revealed limitations in L2 processing, recent studies have revealed that advanced-learners are sensitive to incongruent morphology. However, these studies have largely investigated processing within English as a second language context. As such, the present study investigated the sensitivity to inflectional number agreement in English by Japanese learners of English in Japan using the Lexical Maze Task. The results revealed that these learners were sensitive to violations in number agreement for both plural (this *dogs) and null (these *cat) morphemes. However, further analysis revealed that this was modulated by English proficiency. While participants with higher English ability were found to reveal greater sensitivity to ungrammatical morphemes, it was found that this was only the case for the ungrammatical plural (this *dogs). The ungrammatical null (these *cat) was instead revealed to evoke longer responses times by low proficiency learners, and high proficiency learners showed no sensitivity. This might be explained by a greater lexical variability among more advanced learners. Accordingly, this study demonstrates that despite morphological incongruence, non-advanced Japanese learners of English in Japan can acquire the English plural -S morpheme.
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Expressões idiomáticas são comumente caracterizadas como combinações fixas e não-composicionais nas quais o sentido figurado não constitui uma função da soma das partes; seu grau de composicionalidade, entretanto, é variável. Este artigo investiga a compreensão de expressões idiomáticas do tipo verbo-complemento no português brasileiro (ex. “pintar o sete”, “passar a bola”). Buscamos avaliar em que medida propriedades internas e externas das expressões podem influenciar no processamento das mesmas. Reportamos os resultados de um experimento de leitura automonitorada (conduzido por meio de uma maze task), no qual o segmento crítico corresponde à complementação do verbo: idiomático vs. literal (ex. abrir o coração/ a porta). Os resultados revelaram efeitos estatisticamente significativos das três variáveis investigadas, sugerindo que o grau de idiomaticidade, a familiaridade do falante com a expressão e a informação prévia afetam o processamento das expressões e, portanto, devem ser considerados num modelo que busque explicitar a representação, o acesso e a compreensão dessas estruturas.
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This paper investigates the role of linear distance between subject and verb and of morphological number marking for the processing of variable subject-verb agreement in Brazilian Portuguese (e.g. Policiais Militares, após denúncia, prendeØ/ prendem traficante). On the basis of studies regarding agreement processing-based on the comprehension and production of the so-called attraction errors (E.g. O tecido das cortinas rasgaram)-and the findings from research on Variationist Sociolinguistics, we conducted a reading experiment by means of a maze task. The results suggest that distance has an impact on the computation of the number features in the verb: significantly shorter reaction times were registered under long distance conditions. In addition, subject (singular/plural) and verb number marking also proved to be relevant. Plural subjects appear to be more robustly maintained in the speaker's memory and to impose greater restrictions on agreement computation, as compared to singular subjects, even in the context of speakers exposed to linguistic variation in which non-redundant marking is found.
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Estudos experimentais em Linguística apoiam-se em dados oriundos de desempenho de participantes em tarefas linguísticas. Portanto, a compreensão dos construtos abordados por tais tarefas é fundamental para a interpretação dos resultados gerados pelo trabalho experimental. Neste estudo, explora-se questões trazidas por um estudo previamente publicado baseado em uma tarefa de julgamento de gramaticalidade temporizada que não replicou evidências anteriormente relatadas acerca de efeitos de interações translinguísticas no processamento bilíngue de construções de estrutura argumental que não fazem parte do repertório construcional da L1 dos bilíngues. Apesar da tarefa de julgamento de gramaticalidade temporizada ter sido defendida como uma medida válida de conhecimento linguístico implícito, resenha-se estudos psicométricos recentes que põem este pressuposto em dúvida, ao mostrar que tal tarefa ou não captura conhecimento implícito, ou não o captura tão completamente quanto o fazem tarefas psicolinguísticas de processamento online. Neste estudo, conduz-se dois experimentos com a mesma amostra de sujeitos. Um dos experimentos empregou uma tarefa de processamento online, e o outro empregou uma tarefa de julgamento de gramaticalidade temporizada. Nessas tarefas, sentenças em português do Brasil que emulavam o comportamento linguístico da construção resultativa do inglês constituíram os itens alvo. Relata-se resultados que mostram a discrepância de observações geradas pelos dois tipos de tarefa, com somente a tarefa de processamento online revelando os aparentes efeitos da L2 sobre o desempenho linguístico da L1. Interpreta-se os resultados como sugestivos de que o local das interações translinguísticas de bilíngues é majoritariamente nos processos implícitos.
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It has long been considered that the Mandarin possessive reflexive zijide can be either locally bound or long distance bound, leading to ambiguity where it fails to exclusively refer back to either long distance binding NP or the local NP. In addition to syntactic factors such as the local versus long distance division, the present study examined the potential influence of general world knowledge on the interpretation of zijide. Three experiments, two offline sentence evaluation tasks and one online sentence reading task, found that zijide could be either facilitated or impeded by world knowledge carried in the NPs of the sentence. The results showed that in some cases, zijide was considered exclusively referring back to the long distance NP. These findings seemed to support the notion of subject orientation effect and demonstrated the influence of world knowledge on the processing of Mandarin possessive reflexive zijide.
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Behavioral measures of incremental language comprehension difficulty form a crucial part of the empirical basis of psycholinguistics. The two most common methods for obtaining these measures have significant limitations: eye tracking studies are resource-intensive, and self-paced reading can yield noisy data with poor localization. These limitations are even more severe for web-based crowdsourcing studies, where eye tracking is infeasible and self-paced reading is vulnerable to inattentive participants. Here we make a case for broader adoption of the Maze task, involving sequential forced choice between each successive word in a sentence and a contextually inappropriate distractor. We leverage natural language processing technology to automate the most researcher-laborious part of Maze – generating distractor materials – and show that the resulting A(uto)-Maze method has dramatically superior statistical power and localization for well-established syntactic ambiguity resolution phenomena. We make our code freely available online for widespread adoption of A-maze by the psycholinguistics community.
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Why is semantic change in grammaticalization typically unidirectional? It is a well-established finding that in grammaticalizing constructions, more concrete meanings tend to evolve into more schematic meanings. Jäger & Rosenbach (2008) appeal to the psychological phenomenon of asymmetric priming in order to explain this tendency. This article aims to evaluate their proposal on the basis of experimental psycholinguistic evidence. Asymmetric priming is a pattern of cognitive association in which one idea strongly evokes another (i.e. paddle strongly evokes water ), while that second idea does not evoke the first one with the same force ( water only weakly evokes paddle ). Asymmetric priming would elegantly explain why semantic change in grammaticalization tends to be unidirectional, as in the case of English be going to , which has evolved out of the lexical verb go . As yet, empirical engagement with Jäger & Rosenbach's hypothesis has been limited. We present experimental evidence from a maze task (Forster et al. 2009), in which we test whether asymmetric priming obtains between lexical forms (such as go ) and their grammaticalized counterparts ( be going to ). On the asymmetric priming hypothesis, the former should prime the latter, but not vice versa. Contrary to the hypothesis, we observe a negative priming effect: speakers who have recently been exposed to a lexical element are significantly slower to process its grammaticalized variant. We interpret this observation as a horror aequi phenomenon (Rohdenburg & Mondorf 2003).