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Abstract

Este artigo analisa se a experiência de exportação dentro do Mercosul afeta a probabilidade de criação de mercado para novos produtos fora da área de comércio, i.e., um efeito spillover para terceiros países. Usando um banco de dados com elevada desagregação (BACI–HS4) e uma estratégia de estimação baseada em modelos probabilísticos, constata-se que as experiências anteriores de exportação estão associadas a uma probabilidade de 1,9% de criação de mercado para novos produtos. Esse efeito, aliado aos resultados de Figueiredo & Loures (2016), indicam que o Mercosul não só contribui para a ampliação da margem extensiva de comércio dentro do bloco, como também constitui um primeiro passo para que um produto se consolide na exploração de novos mercados internacionais.
Economia Aplicada, v. 23, n. 4, 2019, pp. 79-92
MERCOSUL E O EFEITO
SPILLOVER
NA CRIAÇÃO
DE COMÉRCIO*
Alexandre Loures
Erik Figueiredo
Lucas Mariano §
Resumo
Este artigo analisa se a experiência de exportação dentro do Mercosul
afeta a probabilidade de criação de mercado para novos produtos fora da
área de comércio, i.e., um efeito spillover para terceiros países. Usando
um banco de dados com elevada desagregação (BACI–HS4) e uma estra-
tégia de estimação baseada em modelos probabilísticos, constata-se que
as experiências anteriores de exportação estão associadas a uma probabi-
lidade de 1,9% de criação de mercado para novos produtos. Esse efeito,
aliado aos resultados de Figueiredo & Loures (2016), indicam que o Mer-
cosul não só contribui para a ampliação da margem extensiva de comércio
dentro do bloco, como também constitui um primeiro passo para que um
produto se consolide na exploração de novos mercados internacionais.
Palavras-chave: Mercosul, comércio internacional, efeito spillover.
Abstract
This paper analyzes whether export experience within Mercosur af-
fects the likelihood of market creation for new non-marketed products,
i.e. a spillover eect for third countries. Using a highly disaggregated
database (BACI-HS4) and an estimation strategy based on probabilistic
models, it is found that previous export experiences are associated with a
1.9% market-creation probability for new products. This eect, coupled
with the results of Figueiredo & Loures (2016), indicates that Mercosur
not only contributes to the expansion of the extensive trade margin within
the bloc, but also constitutes a first step for a product to consolidate itself
in the exploration of new international markets.
Keywords: Mercosur, international trade, spillover eect.
JEL classification: C33, C55, F14, F15.
DOI: http://dx.doi.org/10.11606/1980-5330/ea150797
*Os autores são gratos ao suporte do CNPq por meio do projeto 400216/2017-5.
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Brasil. Email: alexandre.loures@ymail.com
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Brasil. Email: eafigueiredo@gmail.com
§Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Brasil. Email: lucasmariano1905@gmail.com
Recebido em 03 de outubro de 2018 . Aceito em 11 de outubro de 2019.
80 Loures, Figueiredo e Mariano Economia Aplicada, v.23, n.4
1 Introdução
Na segunda metade da década de 2000, o Inter-American Development Bank
promoveu uma série de discussões relacionadas ao futuro do Mercosul. O
esforço dos diversos participantes resultou em uma coletânea de artigos sinte-
tizadas no livro “Deepening Integration in Mercosur: Dealing with Disparities
organizado por Blyde et al. (2008). O tema central do debate era como um
acordo regional poderia sobreviver a disparidades institucionais e de política
macroeconômica apresentadas por seus países fundadores. Em meio a tantas
dúvidas, alguns pesquisadores mostravam-se otimistas quanto ao sucesso da
integração desses países. Galvão Jr (2008, p. 255), por exemplo, classificava
o Mercosul como sendo um “young and highly asymmetric integration eort” e,
como um acordo ‘jovem’, ele teria “time to solve or at least accommodate, within
the integration framework, most of its numerous problems”.
Em oposição às previsões otimistas, estudos como os de Olarreaga & So-
loaga (1998), Azevedo (2008) e Reis et al. (2014) alertavam para os possíveis
desvios de comércio gerados pelo bloco.1Em outras palavras, dividindo o co-
mércio em duas partes, a intra-bloco – entre os países signatários – e a extra-
bloco – entre os signatários e parceiros fora do Mercosul –, observou-se que as
exportações extra-bloco foram reduzidas devido à preferência dada em expor-
tar para dentro do bloco, o que colocava em dúvida o efeito líquido da criação
de novas exportações.
Hoje, quase trinta anos depois de sua fundação, pode-se dizer que as pre-
visões otimistas, como as de Galvão Jr (2008), têm prevalecido. De uma forma
geral, as evidências empíricas têm indicado diversos benefícios econômicos
do Mercosul sobre os seus países membros. Os exemplos são diversos, Yeats
(1997), pioneiramente, indentificou um crescimento expressivo no comércio
intra-bloco principalmente em produtos nos quais o bloco não era competitivo
internacionalmente. Cordeiro & Rodrigues Jr (2016) chegam a conclusões si-
milares, porém, apontando indícios de desvio de exportações industriais em
direção do bloco (“trade diversion”). Usando uma abordagem estrutural, Lou-
res & Figueiredo (2017) sugerem que o acordo gera um impacto positivo sobre
o bem-estar econômico dos países membros. Os mesmos autores, Figueiredo
& Loures (2016), também demonstram que o bloco promove a entrada de no-
vos produtos no mercado, comprovando seu efeito sobre a margem extensiva
de comércio.2
Diante disso, este artigo pretende testar uma hipótese ainda pouco explo-
rada pela literatura relacionada aos efeitos dos “Regional Trade Agreements
(RTAs), qual seja: que esses acordos são capazes de gerar externalidades positi-
vas na pauta de exportação (efeitos de spillover). Mais especificamente, busca-
se averiguar se o Mercosul não só promove a entrada de novos produtos no
setor exportador, como constitui o primeiro passo para que esses produtos
sejam ofertados no mercado internacional posteriormente.
1Há também discussões relacionadas aos problemas de formação/consolidação do bloco.
Preusse (2001, p. 21), por exemplo, destaca as tensões existentes: (...) some important obstacles
have to be removed: first, there are strong vested interests in the leading economies of the region which
try heavily to avoid rigorous structural adjustment to the world market. This adjustment, however, is
indispensable if Mercosur is to become an open region after a long period of import substitution”.
2Margem extensiva caracteriza-se como sendo o número de produtos comercializados, en-
quanto margem intensiva é a média do valor dos produtos já comercializados no mercado inter-
nacional (Baldwin & Di Nino 2008, Santos Silva et al. 2014).
Mercosul e o Efeito Spillover na Criação de Comércio 81
Essa hipótese está ancorada em desenvolvimentos teóricos recentes e seus
mecanismos causais podem ser classificados em três efeitos distintos: i) a exis-
tência de economias de escala na produção,3ii) a presença de experiência
adquirida nas exportações para países membros do acordo4– “learning by ex-
porting” – e, iii) a ocorrência de economias de escala na exportação para paí-
ses não-membros do RTA.5Conforme Krugman (1980), quando um acordo é
formado, as firmas conseguem distribuir os custos para um mercado maior,
ou seja, para um maior número de consumidores, o que acaba favorecendo o
aumento do comércio considerando uma situação em que as firmas têm econo-
mias de escala na produção e, assim, aumentando a posssibilidade de exportar
para terceiros países. Ademais, após a promulgação de um RTA, as firmas fi-
cam expostas a um maior mercado exportador, o que poderia aumentar sua
produtividade, reduzindo seus custos e permitindo que elas consigam expor-
tar para mercados fora do bloco cujos custos transacionais inviabilizavam os
fluxos bilaterais de comércio anteriormente.
Para este artigo, define-se um novo produto, k, como sendo aquele produto
para o qual não houve exportação em qualquer um dos anos anteriores à pro-
mulgação do Mercosul (1991). Em seguida, verifica-se se esse novo produto
foi comercializado primeiramente entre os membros do Mercosul para, só de-
pois, fazer parte da pauta exportadora dos membros e não-membros. Em caso
afirmativo, tem-se uma evidência preliminar de que o Mercosul age como um
primeiro passo para a consolidação de um produto no mercado internacional.
Para fundamentar econometricamente a hipótese do efeito spillover, este es-
tudo adotará uma estratégia similar à de Molina (2010). Nesse sentido, busca-
se analisar o impacto do acordo de livre comércio para os países do Mercosul
sobre a probabilidade das exportações de novos produtos para terceiros países.
Será considerada uma série de especificações econométricas visando controlar
por fatores não-observados e correlacionados com a variável de interesse. Os
resultados inciais serão baseados em um modelo binário, logit, sem inclusão
de efeitos fixos, dado o conhecido problema de “parâmetros incidentais” as-
sociados a essa classe de estimadores (Neyman & Scott 1948). Modelos com
efeitos fixos e variantes no tempo serão abordados a partir de uma estrutura
de probabilidade linear, estimada como uma análise de robustez.
A organização deste artigo tem a seguinte forma. Além dessa seção, encontra-
se apresentada na Seção 2 a especificação econométrica utilizada para as análi-
ses. Já na Seção 3 apresentam-se os resultados e discussões. Por fim, na Seção
4 são feitas as considerações finais.
3Conforme Moore (1959) economia de escala caracteriza-se como sendo a vantagem de custo
que a empresa obtém devido sua escala de operação em que o custo por unidade de produto
diminui com o aumento da escala.
4Para Molina (2010) a exposição das firmas aos mercados internacionais pode contribuir para
que possam ter acesso a novas tecnologias e expertises, contribuindo para melhorar seu processo
de produção e, assim, reduzindo seus custos de produção.
5Destaca-se a existência de um custo de entrada no mercado internacional associado com o
estabelecimento de canais de distribuição, mas uma vez estabelecidos esses canais, o custo médio
de exportar o mesmo produto para destinos adicionais deve ser menor (Borchert 2007).
82 Loures, Figueiredo e Mariano Economia Aplicada, v.23, n.4
2 Dados e especificação empírica
2.1 Dados
Fluxo de comércio bilateral: a principal fonte de dados é constituída por in-
formações relativas ao comércio bilateral positivo (ausência de zeros) entre os
países de origem e destino, respectivamente, iej. Considerou-se a desagrega-
ção do Sistema Harmonizado de quatro dígitos (HS4), que abrange o maior nú-
mero de países possível, totalizando, em média, 1.241 setores para cada país.
Os dados são fornecidos pelo Centre D’Estudes Prospectives Et D’Informations
Internationales (CEPII), Base pour l’Analyse du Commerce International (BACI);6
Regional Trade Agreements - RTAs: os dados sobre os RTAs foram obti-
das da base Mario Larch’s Trade Agreements Database;7
Demais variáveis de controle: outra fonte de informação foi a The Data-
base Penn World Table version 9.0, de onde foram obtidos dados sobre o Produto
Interno Bruto (PIB), taxa de câmbio real e sobre o PIB per capita;8
Período de análise e definição do Mercosul: a análise compreende o pe-
ríodo amostral 1989-2010, sendo a amostra composta pelos membros plenos
do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai como países de origem e
183 países como destino,9totalizando 338.822 observações. Destaca-se que,
uma vez que a Venezuela atualmente encontra-se suspensa do acordo bem
como se tornou membro pleno do Mercosul10 somente em 2012 e o período
amostral termina em 2010, este artigo optou por não incluir essa economia
como um país de origem na análise e;
Fluxos comerciais iguais a zero: convém ressaltar que a base BACI, uti-
lizada neste estudo, não reporta a ausência de comércio, ou seja, o fluxo de
comércio bilateral igual a zero. Dessa forma, o presente estudo realizou um
procedimento de expansão da base de tal modo que esse fluxo fosse compu-
tado na base.
2.2 Definições: novos produtos e
spillover
Considere a identificação de um novo produto, k, na pauta de exportação do
país i, no tempo t. Assuma ainda que ele não era exportado por ino período
tn. Algebricamente, tal situação pode ser representada da seguinte forma:
NewPik,t =
1 se xik,t >0 e xik ,t= 0 para t< t
0 caso contrário (1)
em que xik ,t representa o valor exportado do produto kdo país de origem ino
período t.
6Disponível em: http://www.cepii.fr/CEPII/en/bdd_modele/presentation.
asp?id=1.
7Obtida no endereço: http://www.ewf.uni-bayreuth.de/en/research/RTA-data/
index.html.
8Essa base encontra-se em: https://www.rug.nl/ggdc/productivity/pwt/.
9A lista de todos os países de destino encontra-se na Tabela 3 do Apêndice A-1.
10O Mercosul é composto por cinco membros plenos (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e
Venezuela – atualmente suspensa), cinco membros associados (Bolívia, Chile, Colômbia, Equador
e Peru) e dois estados observadores (Nova Zelândia e México).
Mercosul e o Efeito Spillover na Criação de Comércio 83
Conforme Molina (2010), essa delimitação para novos produtos se faz ne-
cessária para identificar onde a experiência pregressa da exportação ocorreu.
Sendo assim, a fim de determinar se a experiência foi adquirida no comér-
cio intra-bloco ou fora do bloco, extraem-se dois subconjuntos do conjunto
dado na Condição 1. A seguir, tem-se o subconjunto para as experiências ad-
quiridas através do fluxo bilateral de comércio com os países não-membros,
representados por j:
NewPij k,t =
1 se xij k,t >0 e xi j k,t = 0 para t< t
0 caso contrário (2)
Por sua vez, o subconjunto para as experiências adquiridas por meio do
comércio entre os membros do Mercosul, representados por m, é dado por:
NewPimk,t =
1 se ximk,t >0 e ximk ,t= 0 para t< t
0 caso contrário (3)
Diante disso, no contexto do presente estudo, define-se a variável que irá
capturar o efeito das experiências anteriores entre os membros do Mercosul
por:
insideijk ,t =
1 se xij k,t >0jet[t2; t1]
0 caso contrário (4)
Importante salientar que a construção para a variável que irá capturar as
experiências anteriores entre membros e não-membros, outsidei jk,t , é idêntica
a da insideijk ,t e, por brevidade, não será mostrada aqui. Ademais, a variável
que irá capturar o efeito spillover caracteriza-se como sendo uma interação
entre uma dummy que assume valor igual a um se o par de países i, origem, e
j, destino, são membros do Mercosul e zero caso contrário, capturando o efeito
do Mercosul – denotada por mercosurij,t - e a variável explicativa insideijk ,t .
Definidas as variáveis centrais do estudo, a subseção seguinte discute a
especificação econométrica adotada para a mensuração do efeito spillover.
2.3 Especificação empírica
Como já ressaltado, a base de dados utilizada para a construção da variável
dependente deste estudo não reporta os fluxos de comércio bilateral iguais a
zero. Portanto, o primeiro passo será o da expansão da base BACI, de modo
a reportar os setores inexistentes na pauta de exportação com valores iguais
a zero. Por exemplo, suponha que o Brasil não tenha exportado soja para os
Estados Unidos nos anos de 2000 e 2001, o que não será reportado na BACI,
mas ao expandir essa base, essa ausência de comércio na commodity soja entre
Brasil e Estados Unidos será gerada e reportada com valor zero. Em seguida,
cria-se uma variável indicadora que assume valor 1, se o valor exportado do
setor é positivo e zero caso contrário.
Para identificar o fluxo de novos produtos nos diferentes mercados, serão
necessárias duas definições prévias relativas aos novos produtos e os grupos
84 Loures, Figueiredo e Mariano Economia Aplicada, v.23, n.4
de destino desses produtos. Em primeiro lugar, um novo produto será aquele
que nunca fez parte da pauta de exportação dos países exportadores no pe-
ríodo antes da promulgação do Mercosul. Esse novo produto poderá ser des-
tinado a dois grupos distintos de importadores: a) os países membros do Mer-
cosul e; b) para os países não-membros do Mercosul (por vezes chamados de
terceiros países). Dito isso, mesmo que um produto kjá tenha sido exportado
para o grupo “a”, sua primeira aparição na pauta do grupo “b” será definida
como “nova”. Usando uma definição mais concreta: observa-se da base de da-
dos deste estudo, que os produtos classificados no grupo HS4 igual a 630811
só passaram a fazer parte da pauta exportadora no ano de 1992, no comércio
entre Paraguai e Alemanha. Ou seja, esse produto não havia sido exportado
nos anos 1989,1990 e 1991 e, por isso, é definido como um novo produto.
Para avaliar se a promulgação do Mercosul é capaz de criar mercado para
novos produtos para terceiros países deve-se ter o cuidado de trabalhar so-
mente com produtos que não faziam parte do fluxo de comércio bilateral an-
tes da entrada em vigor do Mercosul (em t2 e t1).12 Assim, o segundo filtro
a ser aplicado na base trata-se da exclusão daqueles produtos para os quais já
existia comércio antes da promulgação do Mercosul, nos anos de 1989 e 1990.
Contudo, após esse segundo filtro o regressando será composto tanto por
produtos que começaram a ser comercializados após a instituição do Mercosul
bem como por produtos que mesmo após a entrada em vigor desse acordo
não foram incluídos na pauta de exportação. Sendo assim, o terceiro filtro
aplicado à variável dependente foi a exclusão desses produtos que mesmo
após a criação do Mercosul não passaram a ser exportados.
Assim, utilizando o modelo de escolha binária logit, o efeito do Mercosul
sobre a probabilidade da criação de um novo mercado para o produto kpode
ser medido pela seguinte expressão:
Pr(newpij k,t) = β1lgdpi,t +β2lg dpj,t +β3lxri ,t +β4insi d ei j k,t +
+β5outsideij k ,t +β6mer cosuri j ,t +β7spilloveri jk,t +
+β8lmoduleij ,t +γt+ǫijk ,t ;
(5)
em que Pr(newpij k,t) assume valor 1 se um novo produto kfor exportado pelo
país i, membro do Mercosul, para um país jfora do acordo comercial pela
primeira vez no período t;lgdpi,t caracteriza-se como sendo o logaritmo do
Produto Interno Bruto (PIB) do país de origem enquanto que lg dpj,t o loga-
ritmo do PIB do país de destino; lxri ,t representa o logaritmo da taxa de
câmbio real do país de origem; insideij k,t 13 caracteriza-se como sendo uma
dummy que assume valor igual a um se o produto kera exportado, antes da
promulgação do Mercosul (no caso em análise os anos de 1989 e 1990), ape-
nas para países membros do acordo e zero caso contrário, outsideij k,t13 é uma
dummy que assume um se o produto kera comercializado apenas entre mem-
bros e não-membros em qualquer dos dois anos anteriores a promulgação do
11Compreendendo: têxteis, sortidos de tecidos e fios, com ou sem acessórios, para confecção de
tapetes, tapeçarias, bordados, guardanapos e semelhantes, em embalagens para venda a retalho.
12Em que trepresenta o ano da entrada em vigor do Mercosul, 1991.
13Note que um novo produto exportado para um terceiro país pode apresentar uma experi-
ência anterior para um país membro ou para outro mercado não-membro ou para ambos, bem
como não possuir nehuma experiência anterior.
Mercosul e o Efeito Spillover na Criação de Comércio 85
Mercosul, ou seja, nos anos de 1989 e 1990, e zero em caso contrário; por sua
vez mercosurij,t representa uma dummy que assume um se o país exportador
ifazia parte do acordo de comércio e zero caso contrário; caracterizando o
módulo da diferença entre os PIBs per capita do país de origem e de destino
tem-se lmodul ei j ,t , sendo uma proxy para a similaridade entre os países com
o intuito de capturar a proximidade de gostos e preferências dos consumido-
res. O coeficiente β7é de maior interesse já que representa o efeito do termo
de interação entre insidei jk,t emercosurij ,t 14 que determina a ocorrência do
spillover do Mercosul. A variável γtdenota os efeitos fixos de tempo e ǫi jk,t o
termo de erro não-observável.
Salienta-se que a inclusão das variáveis lgdpi ,t elgdpj,t no modelo econo-
métrico tem como finalidade observar se acordos comerciais com países de-
senvolvidos possuem uma maior probabilidade de exportação para terceiros
países. Quanto à inclusão do regressor l xri,t , justifica-se, uma vez que apreci-
ações (depreciações) reais do câmbio poderiam diminuir (aumentar) a proba-
bilidade de exportar um novo produto. Portanto, essa variável controla para
qualquer mudança na competitividade dos exportadores. Por sua vez, as va-
riáveis insid ei j k,t eoutsideij k,t objetivam capturar, respectivamente, os efeitos
de uma experiência anterior dentro e fora do Mercosul. Ou seja, se experi-
ências anteriores possuem efeitos positivos sobre a probabilidade de se criar
mercado para esses mesmos produtos, confirmando ou rejeitando a hipótese
da existência de um mecanismo de aprendizagem – “learning by exporting” –
ou de uma economia de escala na exportação, respectivamente.
Para determinar a existência do efeito spillover do Mercosul, inclui-se a
variável de interação spilloveri j k,t na especificação econométrica. Importante
salientar que se o parâmetro dessa variável reportar um sinal positivo, signi-
fica que a experiência anterior dos membros do Mercosul possui um efeito
adicional para a criação de mercado para novos produtos exportados para os
não-membros. A Tabela 1 apresenta as principais variáveis incluídas no mo-
delo e uma síntese dos sinais esperados.
Destaca-se, ainda, que neste tipo de análise existe o risco da sobreposi-
ção de efeitos dos acordos comerciais assinados e, sendo assim, o intervalo de
tempo entre cada “Regional Trade Agreement” é de fundamental importância
para a identifição do efeito spillover “puro” do acordo em análise, i.e., indepen-
dente de quaisquer efeitos de outros acordos. Nesse sentido, Molina (2010)
destaca que adotar uma janela de setes anos (três anos antes, t3, e três anos
depois, t+ 3), centrada em torno da data da entrada em vigor do Mercosul –
assim t, neste estudo, corresponde ao ano de 1991 – parece ser razoável para
contornar o problema da sobreposição. Dessa forma, uma vez que o Mercosul
foi o único acordo assinado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai dentro
desse intervalo temporal (janela de sete anos), pode-se dizer que os resulta-
dos reportados por este artigo não apresentam o problema da sobreposição de
efeitos.
Além disso, objetivando filtrar para outros efeitos,15 este artigo considera
a criação de mercado para novos produtos para terceiros países como sendo
apenas aqueles produtos que passaram a ser exportados nos cinco anos seguin-
14Essa interação dá origem à variável denominada de spi lloverij k,t .
15Conforme Molina (2010, p. 85), “os produtos exportados para não-membros em t+ 6 ou
mais períodos não podem ser observados, mas aumentar o lapso temporal poderá capturar outros
efeitos de demanda ou oferta”.
86 Loures, Figueiredo e Mariano Economia Aplicada, v.23, n.4
Tabela 1: Descrição das variáveis independentes
Variáveis Sinal
esperado Efeito sobre a variável dependente
lg d pi ,t > 0 Impacto do PIB do país exportador
lg d pj ,t > 0 Impacto do PIB do país importador
lxri,t < 0 Controlar mudanças de competitividade
do exportador
insideij k,t > 0
Indica se a experiência de exportação pré-
via para países membros afeta a exportação
de novos produtos
outsid ei jk,t > 0
Controlar o efeito de haver exportação para
um país não-membro antes do acordo co-
mercial
mercosuri j ,t > 0
Denota a influência de fazer parte do
acordo sobre as exportações para países
não membros
spilloverij k,t > 0 Indica a existência do spillover devido ao
acordo comercial
lmodu l ei j,t < 0 Expressa o efeito da similaridade de renda
dos países do fluxo de comércio
tes à promulgação do Mercosul (t+ 5).16 Contudo, como um teste de robus-
tez, este artigo adotou um intervalo temporal maior entre a promulgação do
Mercosul e a exportação de novos produtos para países não-membros, ou seja,
considerou como novos produtos exportados para terceiros países aqueles que
passaram a ser exportados ao longo de todo o período amostral após a imple-
mentação do Mercosul (t+19). Sendo assim, este artigo estimou dois modelos
distintos em que, primeiramente, analisou o efeito spillover do Mercosul con-
siderando apenas a criação de mercado para novos produtos durante os cincos
anos posteriores (t+ 5) à implementação do Mercosul, definido como Modelo
Restrito, e, posteriormente, realizou-se uma outra estimação considerando a
criação de mercado para novos produtos ao longo de todo o período após a
constituição do Mercosul (t+ 19), denominado de Modelo Irrestrito.
Por fim, torna-se fundamental destacar uma importante limitação associ-
ada à estimação do Modelo (5) via logit (e/ou probit), qual seja: modelos de
dados em painel não-lineares com efeitos fixos podem gerar estimativas vicia-
das devido ao problema de “parâmetros incidentais”, i.e., a teoria assintótica
desses modelos demonstra que o número de “nuisance parameters” cresce com
a amostra.17 Diante disso, e visando controlar por fatores que são particulares
ao par de países, ij, porém invariantes no tempo, optou-se pela estimação do
Modelo 6 por meio de um modelo de probabilidade linear (MPL):
16O que corresponde aos anos de 1992,1993,1994,1995 e 1996.
17Esse problema foi estabelecido no estudo de Neyman & Scott (1948). Para uma discussão
recente, ver Fernández-Val & Weidner (2016).
Mercosul e o Efeito Spillover na Criação de Comércio 87
Pr(newpij k,t) = β1lgdpi,t +β2lg dpj,t +β3lxri ,t +β4insi d ei j k,t +
+β5outsideij k ,t +β6mer cosuri j ,t +β7spilloveri jk,t +
+β8lmoduleij ,t +γt+ηij +ǫij k,t ;
(6)
em que ηij denota os efeitos fixos por pares de países. Sabe-se que o MPL
possui uma limitação associada à possibilidade de gerar valores ajustados
para a variável dependente fora do intervalo (0,1). Logo, esse modelo será
incluído como um teste de robustez, uma vez que ele controla por fatores não-
observados associados ao par ij e invariantes no tempo.
3 Resultados e Discussões
A Tabela 2 sintetiza os principais resultados do estudo. Na primeira coluna de
cada modelo, Restrito e Irrestrito, apresentam-se os resultados para os parâ-
metros e seus desvios padrões. A segunda coluna destina-se a expor os efeitos
marginais. De uma forma geral, não há diferença expressiva entre os dois
modelos apresentados.18 Contudo, essa similaridade é justificável, dado que
o Mercosul estabelece um compromisso entre os Estados signatários que os
proíbe de negociarem acordos bilaterais de livre-comércio de forma indepen-
dente, sem os outros membros do bloco. Em outras palavras, estabelece o
compromisso dos membros do Mercosul de negociarem de forma conjunta os
acordos comerciais que incluem preferências tarifárias com terceiros países.
Sendo assim, e ciente de que a diferença principal entre os modelos restrito
e irrestrito se dá no intervalo temporal considerado para observar um novo
produto, é natural que os resultados sejam próximos.
Via de regra, todos os coeficientes estimados apresentaram os sinais es-
perados e significância estatística. Os sinais positivos para lg d pi ,t elgdpj ,t ,
Tabela 2, sugerem que países participantes de acordos com economias de-
senvolvidas possuem uma maior probabilidade de exportarem para terceiros
países. Já para a variável lxri ,t o sinal negativo implica que quanto menos
apreciado estiver o câmbio maior a probalidade de se exportar para um país
fora da área do Mercosul. As experiências anteriores dentro da área do Mer-
cosul, insideijk ,t , reportaram um sinal positivo, porém, não significativo.
a variável outsidei jk,t , foi positiva e estatisticamente diferente de zero, de-
monstrando que experiências anteriores fora da área do Mercosul possuem
um efeito positivo sobre a probabilidade de exportação desse mesmo produto
para não-membros. Esse último resultado ratifica a hipótese da existência de
uma economia de escala na exportação.
Focando no efeito spillover, ambos os modelos reportam coeficientes posi-
tivos e significativos. Nota-se ainda que, quanto maior a similaridade entre
as duas economias (lmoduleij ,t ), maior será a probabilidade de criação de mer-
cado para novos produtos para terceiros países. Dito isso, nota-se que, após
controlar para outros fatores que possam impactar sobre a probabilidade da
criação de mercado para novos produtos para não-membros, a variável de inte-
resse spi l loverijk ,t possui um efeito positivo e estatisticamente significante so-
bre essa probabilidade, sendo que experiências anteriores de exportação para
18Por brevidade não foram reportados na Tabela 2 os valores para os coeficientes dos efeitos
fixos ano.
88 Loures, Figueiredo e Mariano Economia Aplicada, v.23, n.4
Tabela 2: Probabiliade de criação de novos mercados para não-
membros
Variável Modelo Restrito Modelo Irrestrito
Coeficiente Efeito Marginal Coeficiente Efeito Marginal
lg dpi ,t 0,0950a(0,0062) 0,0097a(0,0006) 0,0955a(0,0061) 0,0098a(0,0006)
lg dpj ,t 0,0793a(0,0031) 0,0081a(0,0003) 0,0788a(0,0030) 0,0081a(0,0003)
lxri ,t 0,0259a(0,0025) 0,0027a(0,0030) 0,0257a(0,0025) 0,0026a(0,0003)
insi deij k,t 0,0022 (0,0146) 0,0002 (0,0015) 0,0101 (0,0144) 0,0010 (0,0015)
out sidei jk ,t 0,3481a(0,0257) 0,0318a(0,0021) 0,3329a(0,0254) 0,0306a(0,0021)
mercosu ri j,t 0,8029a(0,0218) 0,1002a(0,0032) 0,7703a(0,0215) 0,0955a(0,0031)
spilloverij k,t 0,1757a(0,0261) 0,0190a(0,0030) 0,1847a(0,0256) 0,0204a(0,0029)
lmod ul ei j,t 0,0620a(0,0047) 0,0064a(0,0005) 0,0621a(0,0046) 0,0064a(0,0005)
Amostra 328.140 338.822
Notas: Erros padrões entre parênteses. Significância estatística: a1%, b5% e c10%.
o produto kdentro da área do Mercosul implicaria em uma probabilidade de
1,9% desse mesmo produto ser exportado para países fora da área desse bloco.
Embora não configure um impacto expressivo, pode-se entender esse re-
sultado como um efeito ignorado pela literatura pregressa. De uma forma
geral, os estudos concentram-se no impacto direto do Mercosul sobre as ex-
portações. A variável mercosuri j,t, por exemplo, mensura o efeito do bloco
sobre a margem extensiva (novos produtos) – em média 10%. Esse resultado é
similar ao reportado por Figueiredo & Loures (2016). Contudo, também deve-
se considerar os efeitos sobre o grupo de países não-tratados. Nesse sentido,
pode-se dizer que o Mercosul está associado a uma probabilidade de aproxi-
madamente 12% de criação de margem extensiva de comércio.
Convém ressaltar que, embora divirjam na magnitude, os resultados lista-
dos na Tabela 2 corroboram os achados da literatura em relação aos efeitos
dos RTAs sobre a margem extensiva do comércio. O estudo Molina (2010),
por exemplo, encontra um efeito spillover das RTAs muito próximo aos aqui
reportados. Com um foco específico no Mercosul, Nicita et al. (2003) sugerem
que o acordo serve como uma plataforma de acesso para terceiros mercados
das exportações do Paraguai. O efeito dos RTAs nas exportações para terceiros
países também é demonstrado em Borchert (2007), que encontra uma expan-
são dos produtos mexicanos para países fora do NAFTA, especificamente para
a América Latina e Central.
3.1 Teste de Robustez
Como mencionado na Subseção 2.3, as estimativas logit (probit) não são ro-
bustas à inclusão de efeitos fixos. Nesse sentido, a estimação do Modelo (5)
requer a consideração de estruturas lineares, tal como o MPL. Sendo assim,
será possível incluir os efeitos fixos considerados pela literatura. A Tabela 3
apresenta três especificações: i) coluna 2, com o modelo com efeito fixo por
ano; ii) coluna 3, com efeitos por pares de países e; iii) coluna 4, com efeitos
fixos de ano e pares de países. Regra geral, as magnitudes dos resultados não
se alteram de forma expressiva quando comparadas com as estimativas logit
apresentadas na seção anterior. Observam-se a manutenção dos sinais espe-
rados, com duas exceções: os sinais para lxri ,t elmodulei j,t no modelo MPL2
que reportaram sinais positivos e significativos.
Assim como para a especificação baseline do artigo, Modelo (5), os regresso-
res lg dpi,t elgdpj ,t reportaram sinais positivos e significância estatística para
Mercosul e o Efeito Spillover na Criação de Comércio 89
Tabela 3: Resultados para os Modelos de Probabilidade Linear (MPL)
Variável MPL1MPL2MPL3
lg d pi ,t 0,0114a(0,0007) 0,2320a(0,0054) 0,0520a(0,0111)
lg d pj ,t 0,0080a(0,0003) 0,1040a(0,0041) 0,0237a(0,0047)
lxri,t 0,0018a(0,0002) 0,0072a(0,0005) 0,0008 (0,0007)
insideij k,t 0,0015 (0,0014) 0,0011 (0,0015) 0,0013 (0,0014)
outsid ei jk,t 0,0380a(0,0026) 0,0373a(0,0030) 0,0373a(0,0030)
mercosuri j ,t 0,1040a(0,0026) 0,0902a(0,0052) 0,0963a(0,0055)
spilloverij k,t 0,0240a(0,0032) 0,0431a(0,0034) 0,0418a(0,0034)
lmodu l ei j,t 0,0075a(0,0005) 0,0004a(0,0013) 0,0008 (0,0013)
Amostra 338.822
Efeito fixo ano Sim Não Sim
Efeito fixo par de países Não Sim Sim
Notas: Erros padrões entre parênteses. Significância estatística: a1%, b5% e c10%.
os três modelos de robustez19, sinalizando a propensão de acordos com eco-
nomias desenvolvidas de exportarem para terceiros países. Por sua vez, para
a variável lxri ,t , os sinais foram negativo no modelo MPL1e, ao contrário do
modelo baseline, positivo nos modelos MPL2e MPL3, porém significativo ape-
nas naquele. Já para as variáveis explicativas insidei jk,t eoutsidei jk,t os si-
nais reportados nos três modelos foram positivos, porém, com significância
estatística somente para outsi d ei j k,t . Sendo assim, experiências anteriores à
promulgação do Mercosul, entre países membros e não-membros desse RTA,
impactam positivamente sobre a probabilidade de exportar o mesmo produto
para não-membros, mesmo resultado obtido no Modelo (5).
Quanto à variável de controle para RTA, mer cosuri j ,t, essa reportou o sinal
esperado, além de ser estatisticamente significante e, sendo assim, indicando
que participar do acordo aumenta a probabilidade de criação de mercado para
novos produtos para terceiros países. Para a variável de interesse, spill overi jk,t ,
os sinais reportados nos três modelos ratificam os resultados do modelo base-
line, evidenciando que experiências anteriores no comércio bilateral para o
produto kentre os Estados membros do Mercosul resultaria em uma maior
probabilidade de exportar o mesmo produto para países não-membros. A
similaridade entre as duas economias, lmoduleij,t , assim como no modelo ba-
seline, apresentou sinal negativo no modelo MPL1, significando que, quanto
maior a similaridade entre os países, maior a probabilidade da criação de co-
mércio para terceiros países. Porém, os modelos MPL2e MPL3reportaram
sinal positivo, sendo significativo apenas no MPL2.
4 Considerações finais
Este artigo se concentrou em uma área ainda pouco explorada pela literatura
empírica de economia internacional, qual seja, a captação dos efeitos indiretos
dos Acordos Regionais de Comércio (Regional Trade Agreements). Para tanto,
definiu-se efeito spillover como a capacidade de criação de mercado para novos
produtos fora do bloco comercial. Concentrando-se no Mercosul, observou-se
que o seu efeito direto – criação de mercado para novos produtos dentro do
bloco – situa-se próximo de 10%. Adicionalmente, seu efeito spillover foi de
19MPL1, MPL2e MPL3.
90 Loures, Figueiredo e Mariano Economia Aplicada, v.23, n.4
cerca de 2%. A captação desse efeito adicional constitui a principal contri-
buição deste artigo, abrindo espaço para investigacões futuras voltadas para
mensurações mais precisas envolvendo o efeito do Mercosul e indicadores de
crescimento e bem-estar dos países membros.
Por fim, e seguindo as orientações contidas em Preusse (2001), ressalta-se
que os benefícios do efeito spillover do Mercosul podem ser potencializados a
partir de uma maior coordenação das políticas adotadas entre os países mem-
bros de forma a estabilizar o sistema de incentivos para investidores intra-
bloco. Além disso, o autor recomenda uma maior flexibilização da obrigato-
riedade dos países membros adotarem um política comercial comum contra
não-membros, o que estimularia o comércio com terceiros países. Ademais,
assim como em Bean (1992) e Galvão Jr (2008), propõe-se a resolução de con-
flitos das políticas comerciais nos setores mais sensíveis do bloco.
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92 Loures, Figueiredo e Mariano Economia Aplicada, v.23, n.4
Apêndice A-1
Tabela 4: Lista dos países de destino
África do Sul Croácia Islândia Quênia
Albânia Cuba Israel Reino Unido
Alemanha Dijibuti Itália Rep. Centro-Africana
Andorra Dinamarca Jamaica Rep. Checa
Angola Dominica Japão Rep. Dominicana
Antígua e Barbuda Egito Jordânia Rep. Quirguiz
Antilhas Holandesas El Salvador Kuwait Ruanda
Arábia Saudita Emirados Árabes Reunidos Laos Rússia
Argélia Equador Letônia Samoa
Argentina* Eritreia Líbano Santa Helena
Armênia Eslováquia, Rep. Libéria Santa Lúcia
Aruba Eslovênia Líbia São Cristóvão e Nevis
Austrália Espanha Lituânia São Tomé e Príncipe
Áustria Estados Unidos Macau São Vicente e Granadinas
Azerbaijão Estônia Macedônia, FYR Seicheles
Bahamas Etiópia Madagascar Senegal
Bangladesh Fiji Malásia Serra Leoa
Barbados Filipinas Malaui Singapura
Barém Finlândia Maldivas Síria
Belize França Mali Sri Lanka
Benin Gabão Malta Sudão
Bermudas Gâmbia Marrocos Suécia
Bielorrússia Gana Maurício Suíça
Bolívia Geórgia Mauritânia Suriname
Bósnia e Herzegovina Gibraltar México Tailândia
Brasil* Granada Moçambique Taiwan
Brunei Darussalam Grécia Moldávia Tajiquistão
Bulgária Guatemala Mongólia Tanzânia
Burquina Faso Guiana Montserrat Togo
Burúndi Guiné Myanmar Tonga
Butão Guiné-Bissau Nepal Trinidad e Tobago
Cabo Verde Guiné Equatorial Nicarágua Tunísia
Camarões Haiti Níger Turquemenistão
Camboja Honduras Nigéria Turquia
Canadá Hong Kong Noruega Ucrânia
Catar Hungria Nova Caledônia Uganda
Cazaquistão Iêmen Nova Zelândia Uruguai*
Chile Ilhas Cayman Omã Vanuatu
China Ilhas Malvinas Países Baixos Venezuela
Chipre Ilhas Marianas do Norte Panamá Vietnã
Colômbia Ilhas Marshall Papua-Nova Guiné Zâmbia
Comores Ilhas Virgens Britânicas Paquistão Zimbábue
Congo, Rep. Dem. do Índia Paraguai*
Coreia, Rep. da Indonésia Peru
Coreia do Norte Irã, Rep. Islâmica do Polinésia Francesa
Costa do Marfim Iraque Polônia
Costa Rica Irlanda Portugal
Nota: O símbolo de asterisco indica os países de origem, i, mas que também são
destino, j.
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Este artigo analisa o impacto do Mercosul sobre o bem-estar de seus países-membros e não-membros e a existência de criação ou desvio de comércio, utilizando o modelo de equilíbrio geral computável (EGC)-Global Trade Analysis Project (GTAP). As simulações buscam estimar os efeitos da formação do bloco, entre 1991 e 1995, separando-os da liberalização unilateral, que ocorreu simultaneamente; buscam, também, avaliar o provável impacto da implementação plena da tarifa externa comum (TEC). Os resultados mostram que o efeito líquido do Mercosul sobre o bem-estar parece ser muito menor do que os trabalhos anteriores haviam estimado. Essa disparidade pode ser explicada pelo fato de que as simulações feitas anteriormente parecem ter atribuído ao Mercosul benefícios proporcionados pela liberalização unilateral.
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This paper investigates the impact of international trade on the economic growth of a group of developing countries. For this, the structural model proposed by Anderson et al. (2014) is used. The results indicate that growth is stimulated by bilateral trade. Counterfactual exercises suggest that trade liberalization, whether it results from reduced NAFTA costs or a hyperglobalization process, has a significant and positive impact on social welfare for some of the countries analyzed. In the case of Brazil, the improvement in welfare is 0.25% and 9.13%, respectively. Overall, the results demonstrate that international trade can be used as a tool to leverage GDP growth and the welfare of countries.
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This article uses a database with a high level of disaggregation in order to measure the impact of Mercosur on the improvement of the new business relationships. So that, it will consider the extensive margin definition of trade developed by Baldwin & Di Nino (2008), namely: the number of products that did not belong to export products before signing the bilateral agreement. The results indicate that Mercosur has a positive impact on the probability of a new class of product to be traded (around 1.87%). It was also noted that Paraguay and Uruguay were the most benefit countries with the agreement.
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A partir de 1990 ocorreu um “boom” na formação de blocos econômicos no mundo, e este trabalho procurou identificar se o regionalismo propiciou criação ou desvio de comércio. Para isto, utilizou-se o modelo gravitacional com dados em painel para o período de 1990 a 2009. Os resultados sugerem que houve criação de comércio e desvio de exportação no Mercosul. Além disso, percebe-se o efeito antecipação sobre os fluxos de comércio intrazona e sinais de criação de comércio com a formação do NAFTA. De forma distinta, há indícios de que o Asean e o PAFTA desviaram comércio. Por fim, a forma como evoluíram os fluxos de comércio intrazona (ex ante e ex post) decorrentes da constituição dos blocos analisados foi diferente não somente em termos de volume, mas também na velocidade em que eles responderam a sua formação.
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Understanding and quantifying the determinants of the number of sectors or firms exporting in a given country is of relevance for the assessment of trade policies. Estimation of models for the number of exporting sectors, however, poses a challenge because the dependent variable has both a lower and an upper bound, implying that the partial effects of the explanatory variables on the conditional mean of the dependent variable cannot be constant. We argue that ignoring these bounds can lead to erroneous conclusions and propose a flexible specification that accounts for the doubly-bounded nature of the dependent variable. We empirically investigate the problem and the proposed solution, finding significant differences between estimates obtained with the proposed estimator and those obtained with standard approaches.
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We derive fixed effects estimators of parameters and average partial effects in (possibly dynamic) nonlinear panel data models with individual and time effects. They cover logit, probit, ordered probit, Poisson and Tobit models that are important for many empirical applications in micro and macroeconomics. Our estimators use analytical and jackknife bias corrections to deal with the incidental parameter problem, and are asymptotically unbiased under asymptotic sequences where $N/T$ converges to a constant. We develop inference methods and show that they perform well in numerical examples.
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I. Statement of the problem, 232. — II. The evidence from some previous studies, 233. — III. The “.6 factor” rule and its application, 234. — IV. Specific evidence in a selection of metal processing and chemical industries, 236. — V. Studies of selected mineral industries, 239. — VI. Conclusions, 242.
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In this paper, the authors discuss the deepening of MERCOSUL's integration in the context of enhancing regional competitiveness. The paper focuses on regional policies related to the trade flows, creating a united area for investment and common competitiveness policies, and regional cohesion funds for MERCOSUL. The authors argue that the road to a common market appears appears only after abiding by a strong comprehensive strategy and implementation.
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On 26 March, 1991, the presidents of Argentina, Brazil, Paraguay and Uruguay signed the Treaty of Asunción (TOA) proclaiming the formation of the 'Mercado Común del Sur' or 'Mercado Común do Sul' (Mercosur). In 1994, the TOA was supplemented by the 'Protócolo de Ouro Preto'. The implementation period started with a schedule of progressive trade liberalisation between 1991 and 1994 followed by the foundation of a Customs Union (CU). Presently, the completion of the Customs Union and the formation of a truly common market with free trade and free flows of factors of production (excluding labour migration explicitly) for the entire region and a system of harmonised macroeconomic and sectoral policies is under discussion. Despite this seemingly progressive evolution of Mercosur there is evidence that the process of economic integration has slowed down in recent years.1 The explanations of this development are ambiguous. Some Latin American analysts claim that international turmoil has caused this change of speed. They point to the Russian moratorium of August 1998 to date the end of an 'entirely successful stage of an original project to create and consolidate a commercial block made up of economies that are not fully developed',2 and presume 'a new phase in relations' between the member states of Mercosur. This new phase might bring even more turbulences but will most certainly end with the successful completion of the common market.