ArticlePDF Available

Abstract

Objetivo: O artigo tem por objetivo analisar o processo de desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbano e turístico do município, por meio da análise do seu Plano Diretor. Método: A pesquisa caracteriza-se por ser um estudo de caso analisado a partir de pesquisas exploratórias e descritivas, de abordagem qualitativa, utilizando-se do modelo Sistêmico Territorial Turístico de Anjos (2004), que aborda temas como os sistemas fixos construídos e naturais, além de fluxos sociais e econômicos do destino.Originalidade/Relevância: Esta pesquisa se justifica pela ausência de estudos analisando o Plano Diretor e sua relação com o planejamento urbano e turístico. No contexto do turismo brasileiro, Foz do Iguaçu é um destino turístico importante, que mais recebe turistas internacionais, onde a compreensão dos efeitos do Plano Diretor nos resultados de desenvolvimento turístico podem indicar caminhos para uma revisão/atualização do próprio Plano Diretor.Resultados: Através da análise dos dados coletados, podem ser observados dois setores econômicos fundamentais para o processo de desenvolvimento do destino turístico de Foz do Iguaçu. Por um lado a exploração turística do Parque Nacional do Iguaçu, e por outro a exploração turística da hidrelétrica de Itaipu, responsável pela geração de energia elétrica. Ainda é possível notar o fortalecimento de áreas de caráter turístico por iniciativa da esfera pública, através da definição de zonas específicas para o desenvolvimento turístico pelo Plano Diretor Municipal.Contribuições teóricas/metodológicas: A pesquisa evidencia a relação entre urbanismo e turismo através da análise do Plano Diretor de Foz do Iguaçu, demonstrando a importância do planejamento urbano estar vinculado e integrado ao planejamento turístico, como forma de desenvolver a cidade como um todo.
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
1
e-ISSN: 2316-932X
DOI: https://doi.org/10.5585/podium.v9i1.17480
Recebido: 18 ago. 2018 - Aprovado: 26 fev. 2020
Editor Chefe: Benny Kramer Costa
Processo de Avaliação: Double Blind Review
O DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DE FOZ DO IGUAÇU A PARTIR
DOS PROCESSOS DE PLANEJAMENTO URBANOS E TURÍSTICOS
Thays Cristina Domareski Ruiz
Universidade Federal do Paraná. Curitiba
thaysdomareski@gmail.com
Eduardo Baptista Lopes
Universidade do Vale do Itajaí. Balneário Camboriú
edulhs@gmail.com
Francisco Antonio dos Anjos
Universidade do Vale do Itajaí. Balneário Camboriú
fsanjos@terra.com.br
Resumo
Objetivo: O artigo tem por objetivo analisar o processo de desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos
processos de planejamento urbano e turístico do município, por meio da análise do seu Plano Diretor.
Método: A pesquisa caracteriza-se por ser um estudo de caso analisado a partir de pesquisas exploratórias e descritivas,
de abordagem qualitativa, utilizando-se do modelo Sistêmico Territorial Turístico de Anjos (2004), que aborda temas
como os sistemas fixos construídos e naturais, além de fluxos sociais e econômicos do destino.
Originalidade/Relevância: Esta pesquisa se justifica pela ausência de estudos analisando o Plano Diretor e sua relação
com o planejamento urbano e turístico. No contexto do turismo brasileiro, Foz do Iguaçu é um destino turístico
importante, que mais recebe turistas internacionais, onde a compreensão dos efeitos do Plano Diretor nos resultados de
desenvolvimento turístico podem indicar caminhos para uma revisão/atualização do próprio Plano Diretor.
Resultados: Através da análise dos dados coletados, podem ser observados dois setores econômicos fundamentais
para o processo de desenvolvimento do destino turístico de Foz do Iguaçu. Por um lado a exploração turística do Parque
Nacional do Iguaçu, e por outro a exploração turística da hidrelétrica de Itaipu, responsável pela geração de energia
elétrica. Ainda é possível notar o fortalecimento de áreas de caráter turístico por iniciativa da esfera pública, através da
definição de zonas específicas para o desenvolvimento turístico pelo Plano Diretor Municipal.
Contribuições teóricas/metodológicas: A pesquisa evidencia a relação entre urbanismo e turismo através da análise
do Plano Diretor de Foz do Iguaçu, demonstrando a importância do planejamento urbano estar vinculado e integrado
ao planejamento turístico, como forma de desenvolver a cidade como um todo.
Palavras-Chave: Turismo. Planejamento. Plano Diretor. Foz do Iguaçu.
Cite como
American Psychological Association (APA)
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020). O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a
partir dos processos de planejamento urbanos e turísticos. PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review, São Paulo,
9(1), 1-20. https://doi.org/10.5585/podium.v9i1.17480.
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
2
THE TOURISM DEVELOPMENT OF FOZ DO IGUAÇU FROM URBAN AND
TOURISM PLANNING PROCESSES
Abstract
Objective: The paper aims to analyze the tourism development process of Foz do Iguaçu from
the urban and tourism planning processes of the municipality, through the analysis of its Master
Plan.
Methodology/ Approach: The research is characterized by being a case study analyzed from
exploratory and descriptive research, with a qualitative approach, using the Anjos Turistic
Systemic Territorial model (2004), which addresses themes such as the built and natural fixed
systems, in addition to destination's social and economic flows.
Originality/ Relevance: This research is justified by the absence of studies analyzing the
Master Plan and its relationship with urban and tourism planning. In the context of Brazilian
tourism, Foz do Iguaçu is an important tourist destination, which receives more international
tourists, where the understanding of the effects of the Master Plan on tourism development
results may indicate ways for a review / update of the Master Plan itself.
Main Results: Through the analysis of the collected data, two fundamental economic sectors
for the development process of the tourist destination of Foz do Iguaçu can be observed. On the
one hand, the touristic exploration of the Iguaçu National Park, and on the other, the touristic
exploration of the Itaipu hydroelectric plant, responsible for the generation of electric energy.
It is still possible to note the strengthening of areas of a tourist nature by initiative of the public
sphere, through the definition of specific zones for tourism development by the Municipal
Master Plan.
Theoretical/ Methodological contributions: The research highlights the relationship between
urbanism and tourism through the analysis of the Foz do Iguaçu Master Plan, demonstrating the
importance of urban planning being linked and integrated with tourism planning, as a way to
develop the city as a whole.
Key-Words: Tourism. Planning. Master plan. Foz do Iguaçu.
EL DESARROLLO TURÍSTICO DE FOZ DO IGUAÇU DESDE LOS PROCESOS DE
PLANIFICACIÓN URBANA Y TURÍSTICA
Resumen
Proposito del estudio: El artículo tiene como objetivo analizar el proceso de desarrollo
turístico de Foz de Iguazú a partir de los procesos de planificación urbana y turística del
municipio, a través del análisis de su Plan Maestro.
Metodología/ enfoque: La investigación se caracteriza por ser un estudio de caso analizado a
partir de investigación exploratoria y descriptiva, con un enfoque cualitativo, utilizando el
modelo territorial sistémico turístico Anjos (2004), que aborda temas como los sistemas fijos
construidos y naturales, además de flujos sociales y económicos del destino.
O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbanos e
turísticos
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
3
Originalidad/ Relevancia: Esta investigación se justifica por la ausencia de estudios que
analicen el Plan Maestro y su relación con la planificación urbana y turística. En el contexto del
turismo brasileño, Foz do Iguaçu es un importante destino turístico, que recibe más turistas
internacionales, donde la comprensión de los efectos del Plan Maestro en los resultados del
desarrollo turístico puede indicar formas de una revisión / actualización del Plan Maestro en sí.
Resultados Principales: A través del análisis de los datos recopilados, se pueden observar dos
sectores económicos fundamentales para el proceso de desarrollo del destino turístico de Foz
de Iguazú. Por un lado, la exploración turística del Parque Nacional Iguazú, y por otro, la
exploración turística de la central hidroeléctrica de Itaipú, responsable de la generación de
energía eléctrica. Todavía es posible notar el fortalecimiento de áreas de naturaleza turística por
iniciativa de la esfera pública, a través de la definición de zonas específicas para el desarrollo
turístico por parte del Plan Maestro Municipal.
Contribuiciones teóricas/ metodológicas: La investigación destaca la relación entre
urbanismo y turismo a través del análisis del Plan Maestro de Foz do Iguaçu, demostrando la
importancia de que la planificación urbana esté vinculada e integrada con la planificación
turística, como una forma de desarrollar la ciudad en su conjunto.
Palavras-clave: Turismo. Planificación. Plan Maestro. Foz do Iguaçu.
1 Introdução
O turismo como uma das indústrias de desenvolvimento mais rápido do mundo obriga
as organizações de gestão de destino a buscar estratégias e soluções ambiciosas para atrair uma
parcela cada vez maior de turistas para seu destino (Hankinson, 2010).
Neste sentido, o setor de turismo desempenha uma importante função enquanto motor
de desenvolvimento, alcançando benefícios consideráveis para o país, estado ou região,
transformando-se em um dos mais importantes campos de estudo frente ao fenômeno da
globalização, reunindo dimensões econômicas, políticas, sociais e ambientais. O crescimento
do interesse no planejamento e na gestão de destinos turísticos reflete uma preocupação não só
pelo desenvolvimento do turismo, mas também pela necessidade de gerenciá-lo para garantir
que os destinos sejam sustentáveis e competitivos (Pearce & Schänzel, 2013; Pearce, 2016).
Abordagens contemporâneas têm reconhecido que o sucesso de qualquer destino
turístico é alcançado quando as perspectivas da comunidade local são consideradas no processo
de planejamento, e essa relação se tornou um elemento chave no planejamento turístico. Por
outro lado, as políticas e o planejamento para destinos turísticos foram amplamente
fundamentados teoricamente em modelos evolutivos dos anos 70 e 80, o que direciona o
gerenciamento do destino turístico (Chen, Thapa, Kim & Yi, 2017).
Nos estudos de turismo, o destino turístico pode ser analisado sob diversas perspectivas
(Saraniemi & Kylanen, 2011). O turismo se caracteriza por sua grande complexidade, não só
pela grande quantidade de elementos e atores envolvidos, mas também pelos diferentes setores
econômicos do seu desenvolvimento (Saraniemi & Kylanen, 2011; Organização Mundial de
Turismo [OMT], 2015) e representa um visível impacto econômico no destino turístico,
podendo se caracterizar como parte do desenvolvimento tanto no nível local, como nacional,
que se planejado, pode ser realizado de forma sustentável (Dias, 2003).
O planejamento pode ser entendido como um processo atuante de tomada de decisão,
baseado no passado e presente (Hall, 2001), evidencia-se a necessidade de atuar com o processo
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
4
de planejamento no destino turístico, onde se presume que um processo dirigido da forma
correta deve resultar na ampliação dos aspectos positivos e minimização dos aspectos
negativos.
Neste estudo será abordado o destino turístico de Foz do Iguaçu, sob as temáticas do
planejamento e gestão do turismo. A cidade de Foz do Iguaçu está estrategicamente localizada
no extremo oeste do estado do Paraná, na fronteira natural entre Brasil, Argentina (Puerto
Iguazu) e o Paraguai (Ciudad del Este), sendo a cidade com maior população de fronteira do
Brasil com 263.915 habitantes Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2016).
Foz do Iguaçu é ainda reconhecida como um destino importante para o turismo no Brasil,
configurando-se historicamente como um dos principais portões de entrada de turistas no país,
principalmente internacionais (Foz Do Iguaçu, 2017).
Observando Foz do Iguaçu, como destino turístico tem-se uma caracterização passível
de discutir o sistema turístico do destino internacional, norteado por dois atrativos principais
(Cataratas do Iguaçu e a Itaipu Binacional) que compõe a oferta e toda história da cidade, assim
como, oferecem elementos sobre a complexidade do processo de desenvolvimento instalado no
destino a ser abordado (Domareski, 2011). O artigo tem por objetivo analisar o processo de
desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de Planejamento Urbanos e
Turísticos do Município.
2 Planejamento e gestão do destino turístico
O turismo é apresentado como um setor capaz de promover a aceleração econômica e o
incremento nas áreas social, cultural e ambiental. No entanto, a opção pelo desenvolvimento
por meio do turismo é mais complexa do que parece, pois, além de ser uma atividade
multissetorial, que envolve diversos atores, traz, com o seu desenvolvimento, diversos
impactos, positivos e negativos (Crouch & Ritchie, 1999), necessitando, assim, de
planejamento para que se sustente ao longo do tempo.
O planejamento é um instrumento importante de ação dos governos em todos os níveis,
para promover o desenvolvimento econômico, dentro de uma lógica sustentável. Faz parte das
principais atividades econômicas mundiais, como etapa fundamental do processo de
desenvolvimento de uma localidade. Um planejamento estratégico baseado em
desenvolvimento sustentável é uma forma de minimizar os impactos negativos e ajudar a uma
distribuição social e econômica dos benefícios gerados (Ruschmann, 1997; Hall, 2004;
Mccartney, 2008).
Desta maneira, é possível afirmar que o planejamento surge como forma de administrar
os recursos do Estado e da iniciativa privada para alcançar objetivos e metas, estabelecidos
previamente de forma mais simples, e consequentemente para gerar bem-estar à comunidade.
O planejamento, portanto, está envolvido em todas as esferas, seja numa simples decisão até as
mais complexas e segue como um meio de observação de variáveis que em análise traduzem a
possibilidade de desenvolvimento e crescimento de uma localidade.
O planejamento é a identificação de fatores competitivos de mercado e potencial interno,
para atingir metas e planos de ação que resultem em vantagem competitiva para o destino
turístico, e pode ser considerada uma ferramenta de gestão de destinos turísticos. A gestão
eficiente do destino turístico, a partir de uma abordagem mais holística, de acordo com as
especificidades locais, se torna mais dinâmica e ágil (Pearce, 2015). Onde sem este instrumento,
os objetivos, metas e diretrizes de desenvolvimento não estão claros, podendo levar o projeto à
total inviabilidade (Lohmann & Netto, 2008) da prática da atividade turística, não alcançando
os objetivos inicialmente propostos. O planejamento turístico pode ser realizado de diversas
O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbanos e
turísticos
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
5
maneiras, podendo ser aplicado por múltiplas teorias, pois é uma prática que visa à organização
e/ou ordenação, no caso do turismo para chegar ao crescimento desejado de forma satisfatória.
Antes de ser uma ação técnica, o planejamento é uma ação política. Assim, as relações
de poder existentes devem ser bem analisadas, uma vez que suas consequências no processo de
planejamento podem ser decisivas. Como forma de atingir metas determinadas, o planejamento
é uma ação que resulta na formulação de objetivos e propostas de forma concreta, constante e
permanente, e que deve ser considerado como um elemento crítico para se garantir o
desenvolvimento dos destinos turísticos (Hall, 2004).
Neste contexto, o plano diretor, no planejamento de uma cidade turística, é um elemento
essencial para a construção do planejamento turístico. O Estatuto da cidade define o plano como
um conjunto de princípios e regras orientadoras da ação dos agentes que constroem e utilizam
o espaço urbano (Brasil, 2002, p. 40). Ele organiza o crescimento e o funcionamento do
município. No que tange o plano diretor, adota-se o conceito de que se constitui em um [...]
conjunto de normas obrigatórias, elaborado por lei municipal específica, integrando o processo
de planejamento municipal, que regula as atividades e empreendimentos do próprio Poder
Público Municipal e das pessoas físicas ou jurídicas, de direito privado ou público, a serem
levadas a efeito no território municipal (Machado, 2012, p. 380).
Os princípios que norteiam o plano diretor estão contidos no Estatuto da Cidade, onde
esse plano está definido como instrumento básico para orientar a política de desenvolvimento
e de ordenamento da expansão urbana do município. É obrigatório para os municípios: com
mais de 20 mil habitantes; integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas; com
áreas de especial interesse turístico; situados em áreas de influência de empreendimentos ou
atividades com significativo impacto ambiental na região ou no país. O plano diretor se
apresenta como um instrumento básico do planejamento urbano nacional. A sua valorização,
observada nos anos 1990 e 2000 têm norteado uma política urbana nacional (Rezende &
Ultramari, 2007).
Como afirma Vieira (2011, p. 20), cabe ao Estado primar pelo planejamento e por todos
os outros fatores essenciais ao desenvolvimento do turismo, em cooperação com a iniciativa
privada com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável das atividades turísticas.
Segundo Hall (2004), para que haja desenvolvimento sustentável do turismo, é preciso avaliar
e monitorar as ações. Anjos (2004) ainda ressalta que o planejamento precisa ser flexível o
suficiente para garantir que a gestão de cada processo aconteça de forma contínua e sistêmica,
resultando em estratégias eficientes e eficazes, social, ecológica e economicamente, onde a
avaliação e monitoramento são imprescindíveis.
Dessa forma, é fundamental para o processo de planejamento buscar a sustentabilidade
em modelos de gestão, bem como políticas públicas coordenadas e integradas, como meio de
aumentar a capacidade socioeconômica, ambiental e cultural da atividade. Além disso, é
importante ressaltar que a utilização de conceitos, modelos, técnicas e instrumentos
cientificamente fundamentados e adaptados ao que se vai planejar têm traduzido resultados
evidentes e compensadores (Gandin, 2001, p. 82). Por consequência, ainda considera-se como
uma ferramenta indispensável na gestão de destinos turísticos.
3 Metodologia
Este estudo se caracteriza como exploratório de abordagem qualitativa, configurado em
um estudo de caso. Como a pesquisa exploratória tem por finalidade conhecer ou aprofundar
conhecimentos e discussões (Barros & Lehfeld, 2000; Malhotra, 2006), o presente estudo
explorou problemas específicos de um destino turístico, a partir de critérios de análise dos fixos
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
6
e fluxos do Sistema Territorial Turístico (Anjos, 2004), permitindo uma maior compreensão do
tema investigado.
O caráter qualitativo da pesquisa permitiu a apreensão e registro de fatos e fenômenos
identificados no ambiente, tendo o pesquisador como elemento chave no processo, valorizando
o contato do mesmo com os processos presentes no meio, descrevendo os fatos para
compreensão das complexidades relativas ao tema e objeto analisados (Godoy, 1995).
O estudo de caso  uma investigação empírica que estuda o como e o porquê de
fenômenos contemporâneos. O estudo de caso ainda se constitui uma estratégia de pesquisa que
requer múltiplos métodos e fontes para explorar, descrever e explicar um fenômeno em seu
contexto (Yin, 2005), e justifica sua importância por reunir informações numerosas e detalhadas
que possibilitem apreender a totalidade de uma situação (Bruyne, Herman & Schoutheete, 1977;
Yin, 2005).
Nesse sentido, este estudo foi conduzido em duas etapas (Quadro 1):
Quadro 1- Coleta de dados
Etapas
Descrição
Fonte
Etapa 01
- Levantamento de dados econômicos, demográficos, ambientais, espaciais
e sociais de Foz do Iguaçu;
Dados do
IBGE;
Plano Diretor;
Relatórios da
Secretaria de
Turismo;
Relatórios do
Iguassu
Convention &
Visitors
Bureaux;
- Levantamento de informações do Plano Diretor de 20061;
- Os dados levantados foram enquadrados nas categorias do modelo de
análise: fluxos sociais e econômicos; fixos naturais e construídos, pelo
Sistema Territorial Turístico (Anjos, 2004);
- Reconhecimentos dos Sub-Sistemas territoriais Turísticos de Foz do
Iguaçu;
Etapa 02
- Identificação das principais metas projetadas, implantadas e gerenciadas
pelo poder público municipal entre 2006 e 2018;
- Análise da relação das metas do plano diretor com as Zonas Urbanas da
Cidade e a Formação dos Sub-sistemas Turísticos;
Fonte: Elaboração própria, 2019.
Para esta análise será utilizado o Sistema Territorial Turístico (Anjos, 2004). O sistema
turístico de um destino pode ser dividido em dois grupos de usuários, ou tambm podemos
chamar de dois grandes grupos scio-territoriais, que são seus os principais constituintes: os
turistas e os residentes, e tambm pelas dimensões de sua estrutura, em quatro subsistemas, dois
materializados (fixos) e dois imateriais (fluxos): ambiente natural, ambiente construído,
dinâmicas sociais e dinâmicas econômicas (Anjos, Anjos & Oliveira, 2013).
Anjos (2004) afirma que, para a compreensão do sistema territorial turístico, devem ser
consideradas as especificidades territoriais de dois subsistemas sociais que o constituem: o
subsistema relacionado com os residentes e o subsistema relacionado com os turistas. Cada
subsistema tem alguns interesses convergentes e outros antagônicos. Assim, cada subsistema
deve ser analisado em sua particularidade e em suas relações, buscando reconhecer as
especificidades, dinâmicas e sobreposições (de escalas espaciais e temporais) entre os dois
subsistemas (Figura 01). E para, de fato compreender essa relação entre fixos e fluxos,
residentes e turistas é necessário analisá-los no contexto amplo do planejamento, buscando o
equilíbrio dessas relações. Ao observar a figura, é possível perceber que a análise do espaço
turístico para o planejamento, precisa, em determinado momento, unir os subsistemas de fixos
e dos fluxos.
1
Até a revisão final deste estudo, ainda não havia sido lançado o novo Plano Diretor do município.
O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbanos e
turísticos
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
7
Figura 1 - Sistema Territorial Turístico
Fonte: Anjos, 2004.
O subsistema de fixos naturais é composto pelos elementos naturais, cujas dinâmicas
são resultantes de processos ecológicos integrantes do sistema natural, e controlados por
dinâmicas não humanas, e os fixos construídos são resultantes das ações humanas sobre os
espaços. Já o subsistema dos fluxos compreende as dinâmicas socioculturais, que envolvem a
relação do homem com os sistemas ecológicos, econômicos e o próprio sistema social, bem
como as dinâmicas econômicas, que são compostas por dinâmicas relacionadas à produção,
distribuição, consumo e acumulação do capital. Esse subsistema é formado por um conjunto de
organizações que atuam, para atender, ora o residente, ora o próprio turista (Anjos, 2004).
Evidencia-se ainda, que os elementos fixos permitem relações que modifiquem o próprio lugar
e os fluxos recriam as condições ambientais, sociais e redefinem cada lugar (Santos, 1997).
Na organização da pesquisa foi realizada a identificação e o reconhecimento dos
sistemas ecológicos, espaciais, sociais e econômicos do destino turístico. Na sequência, a
identificação das principais metas projetadas, implantadas e gerenciadas, através do Plano
Diretor que contribuíram para o processo de planejamento turístico de Foz do Iguaçu. Depois
de identificados, ocorreu a etapa de análise de indicadores sociais, econômicos, espaciais
(infraestrutura), político-institucionais e ecológicos do município de Foz do Iguaçu.
Dessa forma, o planejamento e a gestão precisam fundamentar as novas perspectivas do
destino turístico: ambientais, econômicas, políticas e sociais, onde a visão sistêmica do
planejamento territorial  um instrumento eficiente para a implantação de um sistema proposto,
visando buscar a solução para problemas prioritários, relacionados com o desenvolvimento de
um determinado espaço (Anjos, Anjos & Oliveira, 2013).
4 Resultados: Sistema Turístico de Foz do Iguaçu
A necessidade de compreender o sistema turístico de Foz do Iguaçu surge da
complexidade que envolve o destino turístico, assim sendo, fez-se esta delimitação em
subsistemas para melhor compreender e analisar a gestão do destino.
A região turística da tríplice fronteira, onde Foz do Iguaçu está inserida é composta por
mais duas cidades, Ciudad Del Este (Paraguai) e Puerto Iguazu (Argentina) e concentra uma
população de aproximadamente setecentos mil habitantes (Domareski, 2011; Foz Do Iguaçu,
2015). A localização estratégica de Foz do Iguaçu é fator de primordial importância neste
contexto. Se observado num contexto regional mais amplo, identificam-se três subsistemas,
cada qual representado por um município, e que apresentam relações de interdependência.
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
8
Porém, este trabalho abordará apenas o sistema turístico de Foz do Iguaçu, que apresenta a
atividade turística mais consolidada. Considerando o sistema turístico de Foz do Iguaçu, podem
ser observados dois subsistemas, que serão denominados de Subsistema Turismo-Compras e
de Subsistema Turismo-Cataratas. É necessário entender que o sistema pode ser
compreendido como um conjunto de elementos que interagem entre si, no ambiente interno ou
externo, a exigência é que eles funcionem por conta própria.
Este recorte foi determinado a partir do ponto de vista socioeconômico, no contexto do
destino turístico. Do ponto de vista social, onde foi levado em consideração o perfil do turista,
e econômico, por se tratar de uma região representativa financeiramente. Neste sistema, serão
analisadas as vertentes: social, econômica, e ambiental do território de Foz do Iguaçu Paraná
Brasil.
4.1 Sistema dos Fixos Naturais
Os sistemas territoriais em estudo, o destino turístico de Foz do Iguaçu, serão
apresentados seguindo o modelo de Anjos (2004), dessa forma, centrados nos recursos naturais
que compõe o sistema de fixos naturais que compreendem os elementos naturais que interagem
no sistema do destino turístico, sendo caracterizados o relevo, fauna, vegetação, hidrografia e
clima. Foz do Iguaçu está localizada no extremo oeste do Estado do Paraná, no terceiro planalto
paranaense, na fronteira com a Argentina (Puerto Iguazu) e o Paraguai (Ciudad Del Este). Seu
relevo apresenta encostas levemente onduladas com altitude média de 192 metros, com solos
de textura argilosa, de origem eruptiva, profundos e ricos em matéria orgânica. A oeste do
município corre o rio Paraná, ao sul o rio Iguaçu, ao norte fica o Lago de Itaipu e a sudeste o
Parque Nacional do Iguaçu
2
, uma das últimas reservas de mata nativa intacta que existem no
Paraná. No sudoeste de Foz os Rios Iguaçu e Paraná se unem formando a tríplice fronteira entre
Brasil, Argentina e Paraguai. O destino turístico de Foz do Iguaçu, através do PNI, abriga
grande diversidade de espécies animais sob proteção da legislação federal, muitas delas
vulneráveis ou ameaçadas de extinção. O município é limitado pelos dois maiores rios do
Estado: Paraná
3
e Iguaçu
4
, que fazem parte da Bacia do Prata. Os rios Iguaçu e Paraná
desempenham, paralelamente, importantes papéis no desenvolvimento municipal, o rio Iguaçu
5
,
pelo elevado interesse turístico, e o Paraná
6
, pelo seu potencial hidrelétrico (Foz Do Iguaçu,
2015). A cidade de Foz do Iguaçu está estrategicamente inserida num contexto geográfico onde
suas potencialidades naturais, como a presença do Rio Paraná e do Rio Iguaçu e a presença das
Cataratas são exploradas sobremaneira. O destino se aproveita da presença dessas formações
geográficas para desenvolver a geração de energia (Itaipu) e para visitação (Itaipu e Cataratas).
É reconhecido e caracterizado internacionalmente pelas Cataratas do Iguaçu. É
importante, neste contexto, ponderar que apesar de cumprir a função bem definida, a construção
da Usina Hidrelétrica de Itaipu, trouxe efeitos decorrentes de uma construção desta magnitude.
No passado era citada pelo notável salto no crescimento econômico. Atualmente é apontada
2
Parque Nacional do Iguaçu será referenciado como PNI.
3
O rio Paraná possui cerca de 4.900 km² de extensão, sendo o segundo em comprimento da América do Sul. Representa trecho
da fronteira entre Brasil e Paraguai, onde foi implantada a usina hidrelétrica Itaipu Binacional e posteriormente, faz fronteira
entre o Paraguai e a Argentina.
4
O rio Iguaçu é o maior rio totalmente paranaense. Nasce próximo da Serra do Mar, na junção dos dois rios Ivaí e Palmital, no
limite dos municípios de Pinhais, São José dos Pinhais e Curitiba. Depois de chegar às Cataratas, o rio Iguaçu segue seu rumo
até sua foz ao encontrar o rio Paraná, formando a tríplice fronteira.
5
Onde está localizada as Cataratas do Iguaçu.
6
Onde está localizada a Itaipu Binacional.
O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbanos e
turísticos
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
9
como o segundo atrativo turístico no destino de Foz do Iguaçu pela estrutura turística que
oferece. Do ponto de vista dos estudos do turismo é preciso ressaltar os subprodutos turísticos
criados pela Itaipu Binacional: Centro de Recepção dos Visitantes, Ecomuseu de Itaipu,
Refúgio Biológico Bela Vista e a Iluminação Monumental de Itaipu, todos os espaços
administrados diretamente pela entidade (Foz Do Iguaçu, 2015).
4.2 Sistema de Fixos Construídos
Os elementos que constituem o sistema de fixos construídos são aqueles elementos
construídos pelo homem, como os equipamentos e toda a infraestrutura urbana e de acesso,
representados pela rede viária, rede de água, esgoto, energia elétrica, equipamentos construídos
e espaços de lazer.
O acesso a Foz do Iguaçu pode ser efetuado pelo Brasil, pelo Paraguai e pela Argentina,
devido à sua localização favorável, na tríplice fronteira. O acesso brasileiro pode ser feito de
duas maneiras: pela BR-277 ou pelo Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. A BR-277 foi
inaugurada em março de 1969, e tem 730 km de extensão, com início no Porto de Paranaguá e
término na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu.
No caso do acesso pelo aeroporto, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária
INFRAERO é a administradora do aeroporto desde 1974. Em 1986, fez um plano de
ampliação que foi concluído em 03 de maio de 1989, dentro dos modernos padrões de operações
e funcionalidade. O Aeroporto
7
Internacional de Foz do Iguaçu está localizado na BR 469, km
16,5 Rodovia das Cataratas. Durante o período de 2012 ao primeiro semestre de 2014, o
Terminal de Passageiros do aeroporto passou por obras de reforma e ampliação. Foram
ampliadas as salas de embarque, desembarque, saguão, check-in e estacionamento de veículos,
além da implantação de novos sistemas de climatização, monitoramento eletrônico de
segurança, som, informações de voos e contra incêndio. O sistema de funcionamento do
aeroporto é 24 horas e dispõe de voos com destino aos principais pontos do Brasil. De acordo
com os dados da Infraero (2019), operam 26 voos das cias aéreas: Azul, Gol, Latam, Avianca,
Passaredo, Air Canada, Alitalia, Ethiopian Airlines, South African Airways, Tap Portugal e
United Airlines.
O acesso pela Argentina pode ser feito pela Ponte Tancredo Neves que liga o Brasil à
Argentina e pelo Aeropuerto Internacional del Cataratas del Iguazú, localizado na cidade
fronteiriça de Puerto Iguazú. Ele se encontra a 7 km das Cataratas do Iguaçu e 20 km de Puerto
Iguazú. Oferece vôos de Buenos Aires, Córdoba e Salta.
O acesso pelo Paraguai pode ser feito pela Ponte da Amizade, através da Rodovia BR-
277 e pelo Aeropuerto de Ciudad del Este Guaraní Internacional. É o segundo aeroporto mais
importante do Paraguai. Está localizado na cidade contígua à Ciudad del Este, Minga Guazú, à
26 km do centro de Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu.
O sistema de atrativos turísticos pode ser considerado o mais representativo do destino
turístico. Em Foz do Iguaçu, o principal atrativo turístico são as Cataratas do Iguaçu, localizadas
no PNI
8
. Além disso, com outros produtos turísticos inseridos no PNI, é possível fazer esportes
como o rafting, tirolesa, rapel, arvorismo, passeios de jipe e de barco. Está localizada no Sul da
cidade de Foz do Iguaçu, e é acessada pela BR-469 (Rodovia das Cataratas).
7
Está à 13 km do centro da cidade, 12 km das Cataratas do Iguaçu, 10 km da Ponte Tancredo Neves (Argentina), 20 km da
Ponte da Amizade (Paraguai) e 30 km da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
8
Em 1986, foi tombado pela UNESCO como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade, constituindo-se em uma das maiores
reservas florestais da América do Sul.
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
10
A Usina Hidrelétrica de Itaipu
9
, também possui um centro de recepção de visitantes
onde é permitida uma visita panorâmica à usina, o Ecomuseu de Itaipu que conta a história da
construção da usina e o Refúgio Biológico Bela Vista que é uma unidade de conservação que
abriga os animais desalojados na formação do reservatório da usina, que completam o
Complexo Turístico de Itaipu. Localiza-se no extremo norte da cidade, e pode ser acessado pela
Avenida Tancredo Neves, que a liga diretamente ao centro da cidade.
Além disso, Foz do Iguaçu abriga um parque particular, chamado Parque das Aves,
criado em 1994 e que conta atualmente com 17 hectares de mata nativa, situado próximo ao
PNI. O parque abriga cerca de 1.000 aves de 150 espécies brasileiras, além de outros exemplares
exóticos, sendo portanto o maior parque de aves da América Latina.
No Marco das Três Fronteiras, os rios Iguaçu e Paraná se encontram, construído na
fronteira da Argentina, Brasil e Paraguai. O perfil cosmopolita e multicultural da cidade se
representa em vários atrativos turísticos religiosos como o Templo Budista, a Mesquita
Muçulmana e a Igreja Matriz.
E ainda, o comércio que foi estabelecido entre as duas cidades, Foz do Iguaçu e Ciudad
Del Este, que não pode ser esquecido nesta configuração de desenvolvimento local, o “Turismo
de Compras”
10
que teve seu marco de 1980 à 1995. E em um segundo momento, o comércio
com a cidade de Puerto Iguazu que se fortaleceu ao longo do tempo, destacando-se os
restaurantes típicos e o comércio local, além do Duty Free (shopping com isenção de impostos),
localizado ao lado da aduana argentina.
Como forma de suporte aos atrativos turísticos e consolidação do destino, aparecem os
serviços de hospedagem. Considerando os hotéis mais representativos
11
e seus centros de
eventos, evidencia-se que sua lógica de localização obedece às infraestruturas existentes ou
proximidade com os destinos turísticos. Uma aglomeração é relacionada a presença do PNI e
da Rodovia das Cataratas e do aeroporto de Foz do Iguaçu (infraestruturas de acesso) onde os
maiores hotéis com infraestrutura de lazer e de eventos abrigam-se. Um segundo aglomerado
surge ao longo da BR-277 (infraestrutura de acesso), com grandes hotéis e centros de eventos.
Por fim, um terceiro aglomerado, localizado no centro, com hotéis menores, mas de caráter de
negócios, por vezes de cadeias internacionais, como o Mercure.
Em síntese, em 1990, os atrativos bases eram as Cataratas do Iguaçu e compras no
Paraguai, e com o desenvolvimento do destino turístico, outros segmentos foram ocupando
espaço na localidade. Em 1995, o turismo de compras atinge seu auge, colaborando com as
exportações diretamente no setor econômico da cidade. Em 2000, surge a necessidade de inovar
e trazer novos atrativos ao destino, além de reformas e revitalizações nos atrativos turísticos já
existentes. De 2005 à 2019 novos produtos e subprodutos turísticos dentro dos atrativos foram
criados a fim de oferecer mais opções aos visitantes e aumentar a taxa de permanência no
destino.
Em 2014 chega em Foz do Iguaçu o Grupo Dreamland, que inaugura o Museu de Cera
e na sequência foi trazendo outras atrações, como o Vale dos Dinossauros, Maravilhas do
Mundo e o Dreams Ice Bar.
No final de 2016, é concluída a primeira etapa da revitalização do Marcos das Três
Fronteiras, onde o projeto Marco das Américas assenta no conceito de integração entre povos
e culturas. O objetivo constituir uma área de entretenimento histórico-cultural, superando a
ideia de um parque turístico tradicional. Para tanto, o complexo celebra a convergência cultural
da região fazendo alusão às Reduções Jesuítico-Guaranis, processo que marca a formação
9
É a maior hidrelétrica do mundo em produção de energia.
10
“Turismo de Compras”, termo adotado para classificar o fluxo de visitantes com foco exclusivo de compras de produtos
importados em Ciudad Del Este no Paraguai, sem sua compreensão dentro do fenômeno turístico.
11
Hotéis com preços a partir de R$51,00, que representam a grande maioria de leitos do destino.
O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbanos e
turísticos
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
11
social, política e cultural da região. Além da revitalização, o espaço foi ampliado, foram
realizadas instalações cenográficas históricas que celebram a arquitetura dos antigos povos
indígenas, agregando valor cultural ao destino turístico.
Figura 2 - Sistema de Fixos Construídos
Organização: Eduardo Baptista Lopes; Thays Domareski Ruiz; Elaboração: Eduardo Baptista Lopes.
O sistema de fixos construídos da cidade de Foz do Iguaçu apresenta a diversidade de
atrativos que a cidade disponibiliza, além de sua capacidade de acesso considerável, feita por
meios rodoviários e aéreos. A exploração dos fixos naturais representados pelos Rios Paraná e
Iguaçu através da construção de uma Usina Hidrelétrica (Itaipu) e a criação do PNI evidencia a
importância da gestão. No caso da Itaipu a exploração turística surge em segundo plano e se
torna juntamente ao PNI os atrativos turísticos mais visitados e mais representativos da cidade.
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
12
Paralelamente, criou-se uma infraestrutura de acesso e serviços de hospedagem para suportar
tais atividades.
4.3 Sistema dos fluxos socioeconômicos
Os fluxos sociais são estabelecidos pelas dinâmicas socioculturais como: trabalho, lazer,
escolaridade, organização política e comportamento social. Os fluxos econômicos
compreendem renda, produção, distribuição, consumo e acumulação. Dessa forma, neste
capítulo será feita a contextualização do sistema turístico de Foz do Iguaçu sob à ótica dos
fluxos socioeconômicos.
De acordo com as estimativas do IBGE (2015), o destino de Foz do Iguaçu conta
aproximadamente com uma população de 263.782 habitantes. O quadro de evolução do número
de habitantes no município indica que houve um acentuado aumento populacional de 1970 à
2008.
Quadro 2 Evolução populacional
Data
Período Econômico
1870-1970
Extração Madeira/Erva-Mate
1970-1980
Construção Itaipu Binacional
1980-1995
Turismo de Compras
1995-2008
Comércio, Turismo de Compras e Eventos
Fonte: Inventário de Foz do Iguaçu, 2014.
Uma análise preliminar desses números permite observar que os grandes responsáveis
pela configuração atual da população é consequência dos três últimos ciclos econômicos
(Construção de Itaipu, Turismo de Compras e Comércio, Turismo de Compras e Eventos),
responsáveis pela migração de uma parcela em massa, principalmente evidenciada nos ciclos
da construção da Itaipu e do turismo de compras.
Com uma população composta de migrantes, vindos do Brasil e do exterior, Foz do
Iguaçu, destaca-se como uma cidade multicultural por abrigar atualmente mais de 70 grupos
étnicos, onde a diversidade cultural é um ícone referencial. É considerada uma das cidades mais
cosmopolitas do Brasil, dentre os principais grupos étnicos da cidade estão italianos, alemães,
argentinos, paraguaios, chineses, japoneses e libaneses, configurando características
cosmopolitas ao município.
A cidade de Foz do Iguaçu tem sua economia baseada sobretudo no turismo e na geração
de energia elétrica, por meio da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, iniciada na década
de 1970, que impactou toda a região, aumentando consideravelmente a população do município
e impactando diretamente no crescimento e desenvolvimento da cidade como um todo. Por
outro lado, a exploração do PNI também trouxe investimentos para a cidade, se caracterizando
como principal atrativo turístico do destino.
No contexto dos serviços turísticos, o número de agências de turismo, no destino de Foz
do Iguaçu é bastante relevante, atualmente com 146 estabelecimentos, que oferecem serviços
dos mais diferenciados, desde o receptivo, guias de turismo que falam diversos idiomas e
motoristas.
O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbanos e
turísticos
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
13
Quanto ao sistema de hospedagem, a cidade conta com o quarto maior parque hoteleiro
12
do Brasil e dessa forma, oferece opções para todo perfil de turista, dispõe de estabelecimentos
para todas as necessidades e expectativas dos visitantes. Há hotéis com moderna estrutura para
eventos e resorts para atividades de lazer e negócios.
Foz do Iguaçu possui também um sistema exclusivo de informações turísticas, que é o
TELETUR
13
, que funciona diariamente das 07h00 às 23h30, e dispõe de informações sobre
hospedagem, alimentação e opções de atrativos turísticos da cidade, onde o atendimento é feito
em inglês ou espanhol. Além dos cinco postos de informações espalhados pela cidade.
Tabela 1 Fluxo de Visitantes dos principais atrativos turísticos
Atrativo/Data
1995
2000
2005
2010
2015
2016
2017
2018
2019
Cataratas
do Iguaçu
884.338
767.157
1.084.239
1.265.765
1.642.093
1.560.792
1.788.922
1.895.508
2.020.358
Itaipu
Binacional
472.823
459.469
670.380
496.134
822.982
955.397
979.932
1.024.667
1.028.225
Fonte: IBAMA / ICMBio, Itaipu Binacional, 2019.
Em 2005, as Cataratas do Iguaçu, o principal atrativo turístico do destino, se consolida
e atinge pela primeira vez o marco de 1 milhão de turistas. Em 2006, ocorre uma leve queda
para 954 mil e a partir de 2007 até 2018 atingem seguidamente a marca de mais de 1 milhão de
visitantes no ano. Em 2019 atingem 2 milhões de visitantes, garantindo uma visibilidade e
posicionamento maior ao destino. Em 2018, a Itaipu Binacional também atinge a marca de 1
milhão de visitantes. Esses dados são referentes a visitação na margem direita e esquerda,
contemplando todas as visitas realizadas pela Itaipu Binacional e os Complexos Turísticos.
O setor turístico de Foz do Iguaçu está bem estruturado com várias entidades do ramo
que auxiliam no planejamento e na tomada de decisão de planejamento. Estas instituições
colaboram para o desenvolvimento local e regional da tríplice fronteira. No quadro 03, estas
instituições foram classificadas em categorias: Binacional, Federal, Regional e Municipal, o
que evidencia uma articulação favorável ao desenvolvimento do turismo.
12
Foz do Iguaçu já ocupou a posição de 4° maior parque hoteleiro do Brasil em 2011.
13
Ligação é gratuita, 0800 45 15 16.
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
14
Quadro 3 Instituições de Foz do Iguaçu
Instituições
Categoria
PTI - Fundação Parque Tecnológico de Itaipu
Binacional
SEBRAE - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
Federal
PRTUR - Paraná Turismo
Regional
PÓLO IGUASSU - Instituto Pólo Internacional Iguassu
Regional
SMTU - Secretaria Municipal de Turismo
Municipal
ICVB - Iguassu Convention & Visitors Bureau
Municipal
FUNDAÇÃO CULTURAL DE FOZ DO IGUAÇU Fundação Cultural
Municipal
COMTUR - Conselho Municipal de Turismo
Municipal
ATRIFI - Associação do Receptivo Internacional de Foz do Iguaçu
Municipal
SHRBS - Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu
Municipal
SINDETUR - Sindicatos das Empresas de Turismo de Foz do Iguaçu
Municipal
SINGTUR - Sindicato dos Guias de Turismo de Foz do Iguaçu
Municipal
AGETURFI - Associação de Agências de Viagens e Turismo Receptivo de Foz do Iguaçu
Municipal
SECHSFI - Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade de Foz do Iguaçu
Municipal
Fonte: Inventário de Foz do Iguaçu, 2019;
Em Foz do Iguaçu, o crescimento urbano e as diretrizes do planejamento são
regulamentadas por um Plano Diretor. O plano diretor
14
é um instrumento da política urbana
instituído pela Constituição Federal de 1988, que o define como instrumento básico da política
de desenvolvimento e de expansão urbana, e é regulamentado pela Lei Federal n.º10.257/01,
mais conhecida como Estatuto da Cidade, pelo Código Florestal (Lei n.º4.771/65) e pela Lei de
Parcelamento do Solo Urbano (Lei n.º 6.766/79).
O plano diretor é um documento que sintetiza e torna explícitos os objetivos
estabelecendo diretrizes e normas a serem utilizadas como base para que as decisões dos atores
envolvidos no processo de desenvolvimento urbano, sejam implementadas no município
(Saboya, 2007).
Em Foz do Iguaçu, o Plano Diretor analisado foi o de 2006
15
. O Estatuto da Cidade
prevê a reformulação do plano em períodos máximos de 10 em 10 anos.
Através da implementação do Plano Diretor de 2006, a prefeitura de Foz do Iguaçu
buscou medidas que valorizassem o turismo da cidade, por meio de diretrizes e zoneamento
específico, como o incentivo para a implantação de equipamentos voltados ao desenvolvimento
turístico, ou que possam responder a essa lógica, como comércios, restaurantes e atividades
culturais. Além disso, criou diretrizes que visam a manutenção do patrimônio histórico, a
produção artesanal, o desenvolvimento de cooperativas e a capacitação da mão-de-obra voltada
ao turismo.
As empresas hoteleiras também receberam incentivos para a implantação de novas
unidades em zonas turísticas, bem como no setor de pequenos e grandes eventos, como feiras,
seminários, congressos, que podem ser realizados nos espaços dos hotéis.
Com esta proposta, a cidade foi dividida em zonas, dentre elas quatro específicas para o
turismo:
- Zona Turística 01 (ZT 01): Essa área localiza-se na Avenida das Cataratas, no trecho
consolidado com forte presença de hotéis. Incentiva as atividades de lazer, como jogos,
recreação e cultura, além da inserção de novos serviços de hospedagem com restauração, e
espaço para eventos. Esta zona turística corresponde ao Subsistema Turismo-Cataratas,
conectando o Centro ao PNI. Durante a vigência do Plano Diretor, entre 2006 e 2016, pode-se
14
Obrigatório para municípios com mais de 20 mil habitantes.
O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbanos e
turísticos
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
15
constatar a implantação de novos hotéis, como por exemplo o Hotel Viale, os centros de eventos
Espaço Marias, Quinta das Marias e Espaço Papillon, o Shopping Catuaí Palladium e o
complexo Dreamland;
- Zona Turística 02 (ZT 02): A Zona Turística 02 representa o outro trecho da Avenida
das Cataratas, ainda não consolidado. Tem as mesmas características de uso do solo que a ZT
01, porém é mais permissível em relação aos índices de ocupação. Apesar do incentivo a
implantação de novos hotéis, a zona recebeu poucos investimentos no setor hoteleiro;
- Zona Turística 03 (ZT 03): A área engloba a antiga zona verde residencial, nas áreas
nobres das margens do rio Paraná e do rio Iguaçu. Incentiva atividades voltadas ao turismo,
como serviços de hospedagem, espaços de eventos, serviços de restauração e atividades
culturais, desde que não comprometam a imagem da paisagem e garantam a proteção ambiental,
já que corresponde a uma zona frágil. Mesmo com legislação permissível, constatou-se poucos
investimentos no setor turístico da área;
- Zona Turística 04 (ZT 04): Está localizada em áreas nobres nas margens do rio
Iguaçu, possuindo mesmas permissões e restrições quanto ao uso que a ZT 03, contudo com
índices de ocupação inferiores.
Além das quatro zonas específicas para o turismo, o Plano Diretor prevê outras quatro
zonas que se relacionam diretamente com os subsistemas turísticos:
- Zona de Comércio Central (ZCC): É uma zona de serviços de pequeno a médio
porte, ao longo das Avenidas JK, Brasil e Almirante Barroso, e limitadas pelas Avenidas
República Argentina e Jorge Schimmelpfeng. É uma área que incentiva o recebimento de
investimentos que beneficiem a paisagem urbana, para que tanto moradores quanto turistas
vivenciem uma melhor experiência no espaço público. Permite, além disso, verticalização
acentuada; Ao longo da vigência do Plano Diretor, esta área central da cidade recebeu diversos
investimentos privados, sobremaneira em franquias de alimentação e de comércio, e a
implantação do shopping JL Cataratas, em 2007;
- Zona de Comércio de Exportação (ZCE): A Zona de Comércio de Exportação está
diretamente ligada ao sistema Turismo Compras, uma vez que engloba áreas da região da
Vila Portes e Jardim Jupira, onde o foco comercial é voltado principalmente para produtos de
exportação pela proximidade com a Ponte da Amizade, que faz a ligação Brasil Paraguai. A
aduana entre os dois países, localizada nessa zona, foi revitalizada no ano de 2013. Além disso,
a ponte recebeu melhorias de segurança aduaneira, em 2015;
- Zona de Comércio e Serviços 01 (ZCS1): Compreende trechos ao longo da BR-277
e da Avenida Tancredo Neves, e além dos usos pesados, como mecânicas e borracharias,
incentiva a inserção de comércios e serviços de alimentação, diversão, cultura e lazer, além de
serviços de hospedagem com restauração. Apesar da expansão do Rafain Palace Hotel, nenhum
outro equipamento foi implantado na Zona;
- Zona Especial de Proteção (ZEP): Zona de grandes restrições pelo seu caráter
ambiental, incentiva o uso controlado para turismo rural.
Além disso, entre 2006 e 2016 diversas ações e melhorias foram executadas no
Município, que influenciaram diretamente no desenvolvimento tanto econômico quanto
turístico de Foz do Iguaçu.
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
16
Quadro 4 - Ações de impacto direto ao turismo
Ação
Local
Ano do
Projeto
Conclusão da
Obra
Reforma do Aeroporto
Internacional de Foz do
Iguaçu
Imóvel Cataratas Gleba 3
2005
2006
Revitalização da Área
Aduaneira Brasil Paraguai
Zona primária da Receita
Federal (etapa 1)
2005
2006
Feira de Ambulantes
Vila Portes
2005
2005
Revitalização da Área
Aduaneira Brasil Argentina
Zona primária da Receita
Federal
2006
2006
Revitalização da Área
Aduaneira Brasil Paraguai
Zona primária da Receita
Federal (etapa 2)
2007
2013
Reforma do Aeroporto
Internacional de Foz do
Iguaçu
Imóvel Cataratas Gleba 3
2012
Outubro/2014
Construção do viaduto na BR-
277 com a Avenida Paraná
Vila A
2013
Agosto/2015
Revitalização da Ponte da
Amizade (BR-277/PR)
Ponte da Amizade
Outubro/2014
2015
Prolongamento da Avenida
Andradina
Jardim Lancaster II
Janeiro/2016
Não concluído
Construção de 14 km de
ciclovias e pavimentação
asfáltica de ruas, em 35
bairros da cidade
Vila Carimã
Loteamento Bubas
Profilurb
Jardim Tropical
Parque Residencial Ouro Verde
Jardim Bourbon
Jardim Residencial São Roque
Loteamento Cataratas
Loteamento Sohab
Jardim Central
Jardim Polo Centro
Parque Presidente I
Portal da Foz
Loteamento Campos do Iguaçu
Jardim Terra e Lar
Jardim Manaus
Jardim Panorama
Jardim Maracanã
Jardim Claudia
Jardim São Paulo
Jardim Acaray
Conjunto Residencial Libra
Parque Residencial Morumbi
Vila Borges
Vila C Velha
Vila São Sebastião
Abril/2016
Não concluído
Fonte: Material elaborado com base nas informações disponibilizadas pela Secretaria de Planejamento
Urbano e de Turismo de Foz do Iguaçu, 2015.
É possível perceber o fortalecimento de todos os serviços turísticos ao longo da Avenida
das Cataratas, local onde o plano diretor prevê o desenvolvimento de áreas ainda não
consolidadas, mas que possuem potencial de desenvolvimento turístico. A Avenida das
Cataratas possui infraestrutura específica, e desenvolveu mais alguns atrativos ao longo de seu
percurso. Porém, a população cobra sua duplicação e melhorias na sinalização e paisagismo,
O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbanos e
turísticos
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
17
por ser o corredor turístico do destino. O Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu teve obras
de revitalização em 2013, porém, não foram suficientes para acompanhar o aumento de fluxo
de turistas no destino. Desde 2018, o terminal do aeroporto passa por obras de expansão e
revitalização nas áreas de check-in, salas de embarque e saguão, além da instalação de quatro
pontes de embarque e desembarque. A reforma também prevê alteração do layout do aeroporto
e a criação de novos pontos comerciais e de publicidade, realizados pelo Fundo Iguassu em
parceria com a Infraero.
Essas características reforçam o caráter de sua área parcialmente ocupada, que também
pode receber investimentos para sua consolidação. Além disso, a revitalização de zonas
consolidadas, como em bairros comerciais e de serviços, busca melhorar a imagem da cidade
enquanto destino turístico, uma vez que cria espaços públicos mais agradáveis e convidativos
tanto para moradores quanto para turistas. Essas ações da esfera pública demonstram suas claras
intenções em incentivar o turismo no destino.
A ampliação do aeroporto internacional, além da reforma na área existente oferece
maior conforto e uma gama mais ampla de serviços aos usuários.
A revitalização do entorno da Ponte Internacional da Amizade, que proporciona maior
conforto e segurança, uma vez que organiza e agiliza o fluxo na ponte, bem como melhora a
imagem das cidades tanto para moradores quanto para visitantes. Dentre as obras, a construção
de novos centros de recepção de visitantes e pistas exclusivas. Outra intervenção importante foi
a revitalização da área aduaneira Brasil-Argentina, através de projetos paisagísticos que
ordenam o fluxo e aumentam a segurança em relação ao contrabando de mercadorias.
Não menos importante, as ações de aprimoramento no sistema viário fortalecem a
mobilidade tanto de turistas quanto de residentes, apresentando impacto direto no turismo.
5 Considerações finais
O turismo no destino de Foz do Iguaçu deve ser analisado como fator de
desenvolvimento e crescimento da cidade. É possível observar que o setor econômico da
geração de energia elétrica e o do turismo foram fundamentais no processo de desenvolvimento
local. Os dois setores desempenharam papéis determinantes, sejam sociais, econômicos,
culturais e ambientais, sem necessariamente uma igualdade em efeitos. No entanto, se
observados isoladamente, são perceptíveis os impactos em todas essas ordens (Domareski,
2011). Neste sentido, as políticas são determinadas pelo setor público e devem estar
condicionadas por características econômicas, sociais e culturais da sociedade local, bem como
pelas estruturas formais do governo e do sistema político (Montejano, 1999; Hall, 2004;
Lickorish e Jenkins, 1997; Beni, 2006; Rabahy, 2003).
É necessário evidenciar que um eixo que ordena os impactos do desenvolvimento
econômico de Foz do Iguaçu, baseado nos recursos naturais, devidamente centrados na
exploração do PNI
16
, onde são localizadas as Cataratas do Iguaçu e demais atrativos turísticos
que se formaram na visão “mercadolgica” do PNI, além da própria exploração turística na
Hidrelétrica de Itaipu. Todo esse processo resultou em um aumento de fluxo turístico no local,
que como consequência, provocou uma gestão e administração mais eficaz dos fixos naturais,
além de incentivos específicos nos fixos construídos.
Além disso, a revitalização de zonas consolidadas da cidade busca a melhora da
imagem da cidade enquanto destino turístico, demonstrando o cuidado do Estado em apresentar
a cidade e incentivar o turismo de compras.
16
Tombado como Patrimônio Natural da Humanidade e onde estão localizadas as Cataratas do Iguaçu.
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
18
Os impactos positivos do turismo sobre o desenvolvimento econômico podem ser
observados através do aumento da renda do lugar visitado via entrada de divisas, onde
estímulo nos investimentos, que acabam por gerar empregos e auxiliam na redistribuição de
renda. Com essa realidade, as mudanças mencionadas anteriormente nas percepções públicas
do turismo como um setor principal da economia do destino, levaram a atividade turística ao
centro das atenções globais (Domareski-Ruiz & Anjos; 2013).
As políticas públicas, observadas no plano diretor, para o processo de produção do
espaço turístico da cidade evidenciam o crescimento de equipamentos voltados ao turismo, ou
que possam responder a essa lógica, como comércios, restaurantes e atividades culturais.
Diversas zonas tem como foco principal a regulação das atividades turísticas, através da
atribuição de áreas próprias para implantação de equipamentos de hospedagem, restauração e
lazer. Os investimentos e equipamentos turísticos tem um reflexo direto no aumento do fluxo
turístico local, que vem a beneficiar toda a região da tríplice fronteira.
O Plano Diretor de Foz do Iguaçu é fundamental para o desenvolvimento do turismo na
cidade, sobretudo da Avenida das Cataratas. Entende-se, contudo, que a continuidade desse
desenvolvimento perpassa pela manutenção ou até mesmo pela ampliação dos incentivos
públicos, através de índices mais permissíveis, ou de ações conjuntas do Planejamento Urbano
e do Planejamento Turístico do município.
A pesquisa também demonstrou projetos pontuais que contribuíram diretamente na
venda da imagem das cidades que compõem a tríplice fronteira, como as revitalizações nas
áreas aduaneiras de Brasil Argentina e de Brasil Paraguai, que beneficiam a articulação e
organização dos fluxos e também promovem o aumento da segurança, estimulando o
crescimento das trocas sociais.
No caso de Foz do Iguaçu, o Plano Diretor evidenciou áreas e zonas de interesse para o
turismo, contribuindo diretamente para o gerenciamento do Subsistema Turismo-Compras e de
Subsistema Turismo-Cataratas na ampliação de atrativos turísticos da cidade, configurando o
desenvolvimento do turismo na cidade.
Referências
Anjos, F. A. dos. (2004). Processo de Planejamento e Gestão de Territórios Turísticos: uma
proposta sistêmica. (Tese de Doutorado, apresentado ao programa de pós-graduação em
Engenharia de Produção). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, SC.
Anjos, F. A. dos.; Anjos, S. J. G. dos.; Oliveira, J. P. (2013). A abordagem sistêmica no
processo de planejamento e gestão de territórios urbanos turísticos. Rosa dos Ventos -
Turismo e Hospitalidade, 5(3).
Barros, A. J. S.; Lehfeld, N. A. S. (2000). Fundamentos de Metodologia: Um Guia para a
Iniciação Científica. 2 Ed. São Paulo, SP: Makron Books.
Beni, M. C. (2006). Política e Planejamento de Turismo no Brasil. São Paulo, SP: Aleph.
Brasil. (2002). Estatuto da Cidade: guia para implementação pelos municípios e cidadãos. 2
ed. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações.
Bruyne, P.; Herman, J.; Schoutheete, M. (1977). Dinâmica da pesquisa em ciências sociais:
os pólos da prática metodológica. Rio de Janeiro: F. Alves, 251 p.
O desenvolvimento turístico de Foz do Iguaçu a partir dos processos de planejamento urbanos e
turísticos
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
19
Cervo, A. L.; Bervian, P. A.; Silva, R. da. (2007). Metodologia Científica. 6. ed. São Paulo,
SP: Person Prentice Hall.
Chen, L.; Thapa, B.; Kim, J.; Yi, L. (2017). Landscape Optimization in a Highly Urbanized
Tourism Destination: An Integrated Approach in Nanjing, China. Sustainability. (9), 1-20.
Crouch, G. I.; Ritchie, J. R. B. (1999). Tourism, Competitiveness, and Societal Prosperity.
Journal of Business Research, 44, (3), 137-152.
Cruz, R. C. (2000). Política de Turismo e Território. São Paulo, SP: Contexto.
Dias, R. (2003). Planejamento do Turismo: Política e Desenvolvimento do Turismo no Brasil.
São Paulo, SP: Atlas.
Domareski-Ruiz, T. C. (2011). A Competitividade das Destinações Turísticas: O Caso de Foz
do Iguaçu (Pr), Brasil. (Dissertação apresentada no Mestrado em Turismo e Hotelaria).
Universidade do Vale do Itajaí. Balneário Camboriú, SC.
Domareski-Ruiz, T. C.; Anjos, F. A. dos.; Anjos, S. J. G. dos. (2013). Competitividad de
Destinos Turísticos. Estudio de Caso de Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil). Cuadernos de
Turismo, 31, 83-103.
Foz do Iguaçu, Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu. (2015). Disponível em:
<http://www.fozdoiguacu.pr.gov.br>.
Gandin, D. (2001). Posição do planejamento participativo entre as ferramentas de intervenção
na realidade. Currículo sem Fronteira, 1, (1), 81-95.
Godoy, A. S. (1995). Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de
Administração de Empresas, 35, (2), 57-63.
Hall, C. M. (2001). Planejamento Turístico: políticas, processos e planejamentos, São Paulo,
SP: Contexto.
Hankinson, G. (2010). Place branding research: A cross-disciplinary agenda and the views of
practitioners, Place Branding and Public Diplomacy, Vol. 6, 4, pp. 300-315.
IBGE. (n.d.). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em:
<http://www.ibge.gov.br>.
Lickorish, L. J.; Jenkins, C. L. (2000). Introdução ao Turismo. Trad. Fabíola de Carvalho S.
Vasconcellos. Rio de Janeiro, RJ: Campus.
Lohmann, G.; Panosso Netto, A. (2008). Teoria do Turismo: Conceitos, modelos e sistemas
(pp. 121-144). São Paulo, SP: Aleph.
Machado, P. A. L. (2012). Direito ambiental brasileiro. 20 ed. São Paulo, SP: Malheiros.
Domareski-Ruiz, T, C., Lopes, E. B., & Anjos, F. A dos. (2020)
PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review | São Paulo | v. 9 | n. 1 | p. 1-20 | jan./abr. 2020
20
Mccartney, G. (2008). The CAT (casino tourism) and the MICE (meetings, incentives,
conventions, exhibitions): Key development considerations for the convention and
exhibition industry in Macao. Journal of Convention & Event Tourism, 9, (4), 293-308.
Malhotra, N. K. (2006). Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. 4. ed. Porto
Alegre, RS: Bookman.
Montejano, J. M. (1999). Estructura del mercado turístico: gestión turística. Madrid: Síntesis.
Munhoz, D. G. (1989). Economia Aplicada. Técnicas de pesquisa e Análise Econômica.
Brasília, DF: Editora de Brasília.
OMT. (2015). Organização Mundial do Turismo. Disponível em:
<http://www.unwto.org/facts/eng/vision.htm>.
Pearce, D. G. (2016). Modelos de Gestión de Destinos. Estudios y Perspectivas en Turismo,
15, 1-16.
PDMFOZ. Plano Municipal de Foz do Iguaçu. Prefeitura Municipal de foz do Iguaçu, 2006.
Rabahy. W. A. (2003). Turismo e desenvolvimento: estudos econômicos e estatísticos no
planejamento. 1. ed. Barueri, SP: Manole.
Rezende, D. A.; Ultramari, C. (2007). Plano diretor e planejamento estratégico municipal:
introdução teórico-conceitual. Revista de Administração Pública, 41, (2), 255-271.
Richardson, R. J. (1999). Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. São Paulo, SP: Atlas.
Ruschmann, D. (1997). Turismo e desenvolvimento sustentável: a proteção do meio ambiente.
Campinas, SP: Papirus.
Saboya, R. (2007). Concepção de um sistema de suporte à elaboração de planos diretores
participativos. (Tese de Doutorado apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Engenharia
Civil). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. SC.
Pearce, D. G.; Schänzel, H. A. (2013). Destination management: The tourists’ perspective.
Journal of Destination Marketing & Management, 2, (3), 137-145.
Saraniemi, S.; Kylanen, M. (2011). Problematizing the concept of tourism destination: An
analysis of different theoretical approaches. Journal of Travel Research. 50, (2), 133-143.
Santos, M. (1997). A natureza do espaço. 2.ed. São Paulo, SP: Hucitec.
Vieira, A. R. M. (2011). Planejamento e políticas públicas de turismo: análise dos módulos
operacionais do Programa de Regionalização do Turismo no Polo São Luís-MA.
(Dissertação apresentada ao Mestrado de Turismo) Universidade de Brasília, Brasília, DF.
Yin. R. K. (2005). Estudo de caso: planejamento e mtodos. 3 ed. Porto Alegre: Bookman.
ResearchGate has not been able to resolve any citations for this publication.
Article
Full-text available
Planning and developing urban tourism destinations must encompass landscape optimization to achieve healthy urban ecosystems, as well as for evolution sustainability. This study explored sustainable landscape planning by examining the optimization of landscape spatial distribution in an urban tourism destination-Nanjing, China-using an integrated approach that included remote sensing (RS), geographic information system (GIS), and landscape metrics in the context of an urban tourism destination evolution model. Least-cost modeling in GIS was also used to optimize decision-making from an ecological perspective. The results indicated that landscapes were more homogenous, fragmented, and less connected. Except for the eastern area, the landscape evolution showed characteristics of both degeneration and growth. A complete greenway network including sources, greenways, and nodes were constructed, and an increase in natural landscapes was strongly recommended. The findings provide geographic insights for sustainable urban tourism planning and development via comprehensive methodological applications.
Article
Full-text available
In 2006, Macao became the world's leading gaming destination in terms of gaming revenue and by mid 2008 had surpassed the gaming revenues of Las Vegas and Atlantic City combined. Casino tourism (CAT) in Macao continues to grow, but with the opening of The Venetian, the first integrated resort on the Cotai Strip, convention and exhibition-based tourism is beginning to emerge. Due to its lure of being a high-yield tourism sector, MICE (meetings, incentives, conventions, exhibitions) tourism has been increasingly introduced at destinations, including gaming jurisdictions such as Las Vegas. Yet, Macao's gaming industry for the greater part remains divorced from the need for a convention product in terms of revenue creation at present, with two models of gaming development emerging. It is a key aim of the Macao Government to develop Macao into a major leisure and entertainment center, widening and expanding its tourism market segment beyond gaming. The MICE sector has therefore become an increasingly important focus and direction of resources for the Macao Government. Macao, though, is faced with the challenge of changing traveler perceptions of the destination from being solely a gaming destination to that of additionally being an attractive convention and exhibition destination image. Macao is also entering a regional market with mature and leading MICE destinations. This article examines strategic planning and management considerations for Macao as it attempts to reposition itself to develop the MICE industry in the world's most lucrative gaming market. Highlighted are the challenges in re-branding and repositioning Macao, economic justification, and tourism policy considerations on issues such as infrastructure development to support this vision of the Macao Government and those of the newly integrated resorts emerging on Macao's Cotai Strip.
Article
After years of separate development, there has recently been a convergence between the academic domains of urban policy, tourism and mainstream branding resulting in the emergence of a new domain of place branding. This convergence has, in part, been assisted by developments in the mainstream branding domain associated with corporate and services brands. At the same time, at least one book and several articles have been published, setting out agendas for future research. However, these might be regarded as deficient in two ways. First, they take no account of the conceptual development of mainstream branding theory, and second they take no account of the views of practitioners. In both these cases, further opportunities for research might be identified. This article addresses these deficiencies by supplementing the recently published research agendas with a thematic review of the mainstream branding and place branding literatures, and field interviews with 25 senior managers in place branding organisations. The identified themes are compared with recently published place branding research agendas and a cross-disciplinary agenda for future research is discussed.
Article
Although tourists are frequently cited as the central focus of much destination management activity little is known about how they regard destination management. Through a series of focus groups with guests at youth hostels in three locations in New Zealand, this study provides empirical evidence as to whether tourists consider destinations need to be managed, why destination management is needed, what it should involve and what differentiates good destinations from poor ones. The tourists’ responses endorse the need for destination management and show a broad appreciation of why destinations should be managed. The participants see a need for destination marketing, value the provision of information and acknowledge the importance of visitor management. However they strongly expressed the view that destinations should not be over-managed, raising the question of where the boundaries lie between effective destination management and over-management. The factors which differentiate good destinations from poor ones might be grouped under two broad themes: those associated with tourists’ motivations and expectations and those related to a range of destination attributes.
Article
A tourism destination is one of the key concepts of institutionalized tourism, but researchers and practitioners still disagree on how it should be defined. When building a destination-wide brand, constructing local geographies, or promoting cooperation among entrepreneurs within a region, we must understand the nature of tourism destinations. We wish to take earlier categorization of destination concepts further by highlighting the assumptions and values that define the rather distinct ideas. Informed by a cultural approach to marketing and an interdisciplinary agenda combining tourism, marketing, and organization studies, we suggest a holistic and grounded approach to multiperspective destination discussion. We therefore identify four different approaches to tourism destinations: (1) economic geography—oriented, (2) marketing management—oriented, (3) customer-oriented, and (4) cultural.We define destination as a set of institutions and actors located in a physical or a virtual space where marketing-related transactions and activities take place challenging the traditional production—consumption dichotomy.