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Abstract

Seja pela maior dificuldade de manter o isolamento social, o emprego e a renda, seja pelo menor acesso à saúde e ao saneamento básico, há relativo consenso de que o COVID-19 irá afetar desproporcionalmente os mais pobres. Esse breve relatório sugere uma razão adicional para se esperar que os mais vulneráveis sejam mais antigidos pela pandemia: a maior incidência de fatores que elevam o risco de gravidade da doença entre os menos escolarizados. Tais evidências reforçam a necessidade de se desenhar medidas que tratem os desiguais de forma desigual.
COVID-19 e desigualdade: a distribuic¸ ˜
ao dos fatores de
risco no Brasil
Luiza Nassif Pires (Levy Economics Institute)
Laura Carvalho (Universidade de S˜
ao Paulo)
Laura de Lima Xavier (Harvard Medical School)
Resumo. Seja pela maior dificuldade de manter
o isolamento social, o emprego e a renda, seja pelo
menor acesso `
a sa´
ude e ao saneamento b´
asico,
h´
a relativo consenso de que o COVID-19 ir´
a
afetar desproporcionalmente os mais pobres. Esse
breve relat´
orio sugere uma raz˜
ao adicional para se
esperar que os mais vulner´
aveis sejam mais antigi-
dos pela pandemia: a maior incidˆ
encia de fatores
que elevam o risco de gravidade da doenc¸a entre
os menos escolarizados. Tais evidˆ
encias reforc¸am
a necessidade de se desenhar medidas que tratem
os desiguais de forma desigual.
I. MOT IVAC¸˜
AO
A expans˜
ao acelerada do n´
umero de ´
obitos por
COVID-19 e o colapso do sistema funer´
ario na
cidade de Guayaquil no Equador 1acendeu mais
um sinal de alerta sobre os efeitos potenciamente
devastadores da pandemia nos pa´
ıses e regi˜
oes
mais pobres do mundo. S˜
ao v´
arias as dimens˜
oes
que tornam as populac¸ ˜
oes de baixa renda mais ex-
postas `
a contaminac¸ ˜
ao pelo novo coronav´
ırus, tais
como o uso de transporte p´
ublico, o n´
umero maior
de moradores por domic´
ılio, o acesso a saneamento
b´
asico, o acesso `
a sa´
ude e a dificuldade de manter
o isolamento social sem perda excessiva de renda
ou do emprego. Estudos populacionais com dados
de epidemias de infecc¸ ˜
oes respirat´
orias anteriores
(gripe espanhola, H1N1 e SARS) demontraram
que desigualdades sociais s˜
ao determinantes para a
taxa de transmiss˜
ao e severidade dessas doenc¸as2.
1https://oglobo.globo.com/mundo/com-70-dos-casos-do-
coronavirus-no-equador-guayaquil-empilha-cadaveres-nas-ruas-
24346526
2Ver por exemplo Cordoba et al [4], Mamelund et al [8], Tricco
et al [11], Bengtsson [1] e Bucchianeri [2].
A. Vulnerabilidade ao COVID-19 no Brasil
Diante dos n´
ıveis abissais de desigualdade de
renda e de acesso a servic¸os no Brasil, n˜
ao faltam
motivos para esperar um efeito desproporcional do
COVID-19 entre os mais vulner´
aveis no pa´
ıs. O
estudo de Filho et al. [5] sugere, por exemplo, que
a carˆ
encia de infraestrutura domiciliar, principal-
mente nas periferias, oferece um maior risco de
cont´
agio e propagac¸ ˜
ao de infecc¸ ˜
oes respirat´
orias.
O trabalho de Souza [10] mostrou ainda que a mor-
talidade por doenc¸as do aparelho respirat´
orio au-
mentou de forma preocupante em todas as regi˜
oes
do Brasil entre os anos 2000 e 2013.
No que tange `
a desigualdade no acesso `
a sa´
ude,
os dados da Pesquisa Nacional de Sa´
ude de
2013 indicam que entre os 20% mais pobres da
populac¸ ˜
ao, 94,4% n˜
ao tˆ
em plano de sa´
ude e 10,9%
se autoavaliam com sa´
ude regular, ruim ou muito
ruim, mas n˜
ao consultaram um m´
edico no ´
ultimo
ano. Entre os 20% mais ricos, esses ´
ındices s˜
ao
de apenas 35,7% e 2,2%, respectivamente. Para
piorar, o n´
umero dispon´
ıvel de leitos de Unidade
de Tratamento Intensivo (UTI) ´
e quase cinco vezes
inferior para os usu´
arios do Sistema ´
Unico de
Sa´
ude – SUS (1,04 leito por 10 mil habitantes,
ou menos ainda em estados do Norte e Nordeste)
do que para quem tem acesso `
a rede privada (4,84
leitos por 10 mil habitantes)3.
B. Desigualdade e COVID-19 nos EUA
Os dados coletados pelo Departamento de Sa´
ude
da cidade de Nova York publicados no dia 2 de
abril pelo jornal The New York Times4deixaram
3https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/sus-
nos-estados-nao-tem-leitos-de-uti-contra-o-coronavirus.shtml
4https://www.nytimes.com/interactive/2020/world/coronavirus-
maps.html
claro que os bairros de baixa renda est˜
ao sendo
muito mais atingidos pela epidemia do COVID-19
naquela cidade. Ao que parece, n˜
ao se trata apenas
de um n´
umero mais alto de casos confirmados, mas
tamb´
em de um ´
ındice maior de severidade desses
casos. Em outras palavras, para al´
em de estarem
mais sujeitos `
a contaminac¸ ˜
ao, os mais pobres est˜
ao
desenvolvendo quadros mais graves da doenc¸a. O
estudo publicado por Nassif-Pires et al [9] sugere
que uma das explicac¸ ˜
oes para essa desproporc¸ ˜
ao ´
e
a maior incidˆ
encia de doenc¸as crˆ
onicas associadas
aos casos mais graves do COVID-19 entre os mais
pobres nos EUA.
II. FATOR ES DE R ISCO N O BRASIL
Em estudo realizado nos Estados Unidos com
dados para 7162 pessoas diagnosticadas com
COVID-19[3], a taxa de hospitalizac¸˜
ao entre aque-
les que n˜
ao apresentavam nenhuma pr´
e-condic¸ ˜
ao
foi de 7%, sendo 2% em UTI. Esses n´
umeros
aumentam para 30% e 15%, respectivamente, para
pessoas com pr´
e-condic¸ ˜
oes reportadas5. Algumas
doenc¸as levaram a uma taxa de hospitalizac¸˜
ao
ainda mais alta. Os infectados que possu´
ıam
doenc¸a crˆ
onica renal e diabetes apresentaram taxas
de internac¸ ˜
ao em UTI 11 e 8,5 vezes maiores,
respectivamente, do que os que estavam fora
de grupo de risco. Pessoas com doenc¸as pul-
monares crˆ
onicas como bronquite e asma tiveram
um n´
umero 3,4 vezes maior de internac¸ ˜
oes e 6,5
vezes maior de transferˆ
encia para UTI. Ademais,
a taxa de hospitalizac¸ ˜
ao e internac¸ ˜
ao em UTI para
aqueles acima de 65 anos foi o dobro do total da
populac¸ ˜
ao estudada, mesmo entre os idosos sem
nenhuma condic¸ ˜
ao m´
edica reportada.
A partir dos dados da Pesquisa Nacional de
Sa´
ude (PNS) do IBGE realizada em 2013, ´
e
poss´
ıvel ter uma estimativa da proporc¸ ˜
ao de
brasileiros que se enquadra no grupo considerado
de risco para o COVID-19. Se considerarmos como
fatores de risco ter acima de 60 anos, ter sido
diagnosticado com diabetes, hipertens˜
ao arterial,
asma, doenc¸a pulmonar, doenc¸a card´
ıaca ou insu-
5As pr´
e-condic¸ ˜
oes incluem diabetes, doenc¸as cardiovasculares,
doenc¸as cr ˆ
onicas pulmonares, hipertens˜
ao, doenc¸as cr ˆ
onicas renais,
imunodeficiˆ
encia e doenc¸as neurol ´
ogicas.
54%
28%
34%
0.0
0.2
0.4
Fundamental Médio Superior ou mais
Curso mais elevado frequentado
Proporção da população em risco
Fatores de risco
1
2
3 ou mais
Fig. 1. Proporc¸˜
ao da populac¸˜
ao em risco por grau de escolaridade
ficiˆ
encia renal crˆ
onica6, a PNS sugere que 42% da
populac¸ ˜
ao se encontra em algum grupo de risco7.
No entanto, os fatores de risco tampouco parecem
estar distribu´
ıdos igualmente na populac¸ ˜
ao.
Conforme mostra a Figura 1, a proporc¸ ˜
ao de
pessoas com um ou mais fatores de risco ´
e de 54%
para os que declararam ter frequentado apenas o
ensino fundamental, ante 28% para os que frequen-
taram o ensino m´
edio e 34% para os que chegaram
a cursar o ensino superior ou p´
os-graduac¸ ˜
ao. Esta
diferenc¸a ´
e ainda maior quando se considera quem
tem mais de um fator de risco, sendo a presenc¸a de
dois ou mais fatores de risco trˆ
es vezes maior entre
aqueles que frequentaram apenas o ensino funda-
mental do que entre aqueles que frequentaram o
ensino m´
edio.
Esses ´
ındices causam ainda mais preocupac¸ ˜
ao
quando levamos em conta as evidˆ
encias apresen-
tadas em Gao, Q. et al [6] de que a taxa de
hospitalizac¸ ˜
ao na prov´
ıncia de Hubei na China foi
1,8 vezes maior para pacientes com uma comor-
bidade e 2,6 vezes maior para aqueles com duas
ou mais comorbidades.
Na Figura 2, observamos que n˜
ao ´
e apenas o fa-
tor idade que explica a desproporc¸ ˜
ao na incidˆ
encia
6A PNS n˜
ao possui dados relativos `
a incidˆ
encia de imunod-
eficiˆ
encia ou doenc¸as neurol ´
ogicas, ambos reportadamente correla-
cionados com complicacc˜
oes em caso de infecc¸˜
ao por COVID-19.
7https://www.kff.org/global-health-policy/issue-brief/how-many-
adults-are-at-risk-of-serious-illness-if-infected-with-coronavirus/
0.0
0.1
0.2
0.3
0.4
Fundamental Médio Superior ou mais
Curso mais elevado frequentado
Proporção da população em risco
Fatores de risco
60 anos ou mais
Comorbidades
Fig. 2. Proporc¸˜
ao de pessoas acima de 60 anos e com alguma
comorbidade por grau de escolaridade
de fatores de risco entre os menos escolarizados.
A incidˆ
encia de comorbidades (doenc¸as crˆ
onicas
associadas aos casos mais graves de COVID-198)
´
e muito maior entre os brasileiros que s´
o frequen-
taram o ensino fundamental do que nos demais
grupos: 42%, ante 33% na m´
edia da populac¸ ˜
ao.
Tais achados est˜
ao em linha com estudos ante-
riores, que encontraram, por exemplo, uma maior
incidˆ
encia de diabetes entre os mais pobres no
Brasil ([7]) e no mundo9. De forma mais geral,
cerca de 80% das mortes por doenc¸as crˆ
onicas
ocorrem em pa´
ıses de baixa ou m´
edia renda (World
Health Organization [12]).
III. CONCLUS ˜
AO
A hip´
otese aqui sugerida de que a base da
pirˆ
amide tem maior probabilidade de precisar de
internac¸ ˜
ao no caso de contaminac¸ ˜
ao pelo COVID-
19 vem somar-se a outros fatores que tornam as
populac¸ ˜
oes de baixa renda mais vulner´
aveis `
a crise
de sa´
ude p´
ublica e ao colapso econˆ
omico associa-
dos `
a atual pandemia. N˜
ao basta, portanto, dedicar
esforc¸os maiores para evitar a contaminac¸ ˜
ao de
idosos pelo COVID-19: para evitar o colapso do
sistema de sa´
ude e a progress˜
ao acelerada do
n´
umero de ´
obitos, as medidas desenhadas tamb´
em
8Nesse caso, n˜
ao incluiu-se a idade entre os fatores considerados.
9https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/diabetes-preocupa-
em-paises-pobres-em-desenvolvimento-4548374
devem destinar-se a proteger os mais pobres, seja
por meio de pol´
ıticas de preservac¸ ˜
ao da renda que
permitam o isolamento social, seja pela ampliac¸ ˜
ao
do n´
umero de leitos dispon´
ıveis no SUS.
REFERENCES
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Mortality in Sweden During the 1918 Influenza Pandemic.
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men,Hubei,China. doi: 10.1101/2020.03.07.20031393.
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encia de diabetes mellitus
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for Den norske legeforening. 2017. Dispon´
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em:http://dx.doi.org/10.4045/tidsskr.17.0273
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and gender sensitive policies to fight the COVID-19 cri-
sis. Multiplier effect, The Levy Economics Institute Blog.
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and-gender-sensitive-policies-to-fight-the-covid-19-crisis/.
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review. PLoS One. 2012 Jun 25;7(6):e39437.
[12] World Health Organization (2011) Global Status Report on
Noncommunicable Diseases 2010.
... During the SARS-CoV-2 (COVID-19) pandemic, social and economic factors shown evidence for national and global social disparities (6)(7)(8). Lower-income populations suffered most from the systems employed for combating the pandemic, e.g., difficulties in maintaining social lockdowns due to employment and income factors, and less access to health care and basic sanitation (9). ...
Article
Full-text available
On May 10, 2021, Brazil ranked second in the world in COVID-19 deaths. Understanding risk factors, or social and ethnic inequality in health care according to a given city population and political or economic weakness is of paramount importance. Brazil had a seriousness COVID-19 outbreak in light of social and economic factors and its complex racial demographics. The objective of this study was to verify the odds of mortality of hospitalized patients during COVID-19 infection based on their economic, social, and epidemiological characteristics. We found that odds of death are greater among patients with comorbidities, neurological (1.99) and renal diseases (1.97), and immunodeficiency disorders (1.69). While the relative income (2.45) indicates that social factors have greater influence on mortality than the comorbidities studied. Patients living in the Northern macro-region of Brazil face greater chance of mortality compared to those in Central-South Brazil. We conclude that, during the studied period, the chances of mortality for COVID-19 in Brazil were more strongly influenced by socioeconomic poverty conditions than by natural comorbidities (neurological, renal, and immunodeficiency disorders), which were also very relevant. Regional factors are relevant in mortality rates given more individuals being vulnerable to poverty conditions.
... Such impacts were predicted by several scholars at the beginning of the pandemic (e.g. Carvalho et al., 2020;Demenech et al., 2020). ...
Technical Report
Full-text available
This report examines the social determinants related to social vulnerability to modern slave labour. It assesses both the individual attributes and the social processes that make residents of marginalized areas of global cities more likely to work in conditions analogous to slavery. A case study on the favelas of Rio de Janeiro, a scenario little explored in the literature regarding modern slave labour, this research scrutinises the social determinants of vulnerability to the citizens of Morro da Providência, one of the first favelas in Brazil.
... Afinal, não é a primeira vez que os países atravessam crises sanitárias e tampouco é a primeira vez que se chama atenção para a perversa relação entre a difusão de doenças e as desigualdades e determinantes sociais. Em outros contextos históricos, já se defendeu a tese de que as desigualdades sociais determinam não apenas a taxa e a velocidade de transmissão de doenças (como nos casos da H1N1, também conhecida como gripe suína e da Síndrome Respiratória Aguda Grave -SARS), como também a severidade dos casos (Pires;Xavier, 2020), afetando diferentes grupos populacionais e diferentes territórios de maneiras bastante distintas. Um exemplo paradigmático, no caso brasileiro, é o da tuberculose, um problema público de saúde associado a baixos níveis socioeconômicos e à baixa escolaridade, que atinge, principalmente, grupos expostos a diferentes privações físicas, sociais ou emocionais: uma 'calamidade negligenciada' e tradicionalmente considerada "de pobres" (Guimarães et al., 2012, p. 516;Figueiredo et al., 2009). ...
Technical Report
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Por meio de uma extensa base de dados municipais, Janaina Lopes Pereira Peres e coautoras encontram seis clusters de municípios espalhados de forma nada trivial pelo território brasileiro. As autoras criaram o termo comorbidade social para designar o “acúmulo de patologias sociais em um determinado território”, o que serviu de base teórica para seu trabalho. A pesquisa mostra evidências de que vários municípios das regiões Norte e Nordeste apresentavam grande quantidade de comorbidades sociais e também um desempenho ruim na pandemia (em termos de casos e óbitos por Covid-19).
... (Cepaluni et al., 2020). Carvalho, Pires, and Xavier (2020) concluded that low-income populations are more vulnerable to complications and need to be hospitalized if the coronavirus contaminates them. Ribeiro et al. (2021), in a study with data from the city of São Paulo on social inequality and mortality by Covid-19, came to a similar conclusion, showing that the heterogeneity of morbidity from Covid-19 is often associated with country health structures and social inequality within a country. ...
Conference Paper
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The Covid-19 pandemic has been challenging governments and their public policies in virtually every country worldwide (Ren, 2020). The various studies that have appeared have supported an explicit multi-causal nature of the pandemic and its relationships with different contexts, showing that the phenomenon goes far beyond medical and biological issues. Other studies analyzed the impact of political regimes, especially democracy and authoritarianism, in combating the Covid-19 pandemic. The present research focused on how democratic states dealt with Covid-19, seeking to understand how the differences between these democracies affected the containment of infections and deaths caused by the coronavirus. While we recognize that the direction of the relationship between democracy and the Covid-19 pandemic fight goes both ways, in this article, we focus on how democratic states affected the Covid-19 outcomes. This work starts from the hypothesis that the relationship between democracy and the results of Covid-19 is more complex than a direct relationship. Inequality has played an essential role in Covid-19’s containment capacity in different countries. Factors such as GDP per capita, urbanization, and life expectancy, whose impacts can be seen in the effects of the pandemic, are related to internal (difference between socio-economic classes within a country) and external inequality (differences from one country to another). From an international point of view, developed countries had more access to tests, treatments, and vaccines. Post-colonial countries, the state’s capacity to respond to the pandemic is limited (Seekings & Nattrass, 2020). Our arguments that the relationship between democracy and Covid-19 results depends on different country contexts. It shows both the direct relationship that democracy can have with Covid-19 results and the relationship dependent on democracy with urbanization, life expectancy, inequalities, and the Covid-19 effects. The dataset comprises 150 countries based on the availability of data on Covid-19 from the Tracker of the University of John Hopkins. The results show a relevant interaction effect between democracy and the level of urbanization, and the Covid-19 outcomes measured as Covid-19 confirmed infections, total deaths, and deaths per 100’000 habitants. Life expectancy is statistically significant when it comes to case fatality. The regressions show that the democracy and Covid-19 outcomes in terms of Covid-19 infections and Covid-19 deaths per 100’000 habitants are moderated by access to basic public services such as security, primary education, and clean water and healthcare. General arguments that try to establish a correlation or even a relationship between democracy and Covid-19 outcomes are misleading. We believe that the claimed relationship depends on the estimation model, which kind of interaction variables in terms of the country context is utilized, and how Covid-19 outcomes are operationalized. Moreover, inequality plays an additional important role when it comes to assessing the Covid-19 outcomes.
Article
This manuscript investigates the unsuccessful case of the fiscal decentralization policy implemented by the Brazilian central government to help municipalities fight COVID‐19. Based on quantitative analyses of data available on governmental websites, we identified that the transfer policy had ignored municipalities' risk patterns and income changes. It benefited municipalities regardless of their vulnerability and population infection risks, and many municipalities reduced healthcare expenditures funded by their revenues during the pandemic. Hence, some municipalities made a “pandemic surplus” in 2020 – a municipal electoral year. Indeed, COVID‐19 killed 663,694 people in Brazil until 4 May 2022. Lessons from an unsuccessful case of response to COVID‐19 help develop resilience for other crises by emerging market economies and developing countries. The findings have implications for policymakers and literature since they represent inadequate vertical coordination that followed a path dependence on traditional decentralization policies and took place in a year of municipal elections without clear spending and accountability rules.
Chapter
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Em decorrência da crise humanitária da COVID-19 e da necessidade de fortalecer a agenda de discussão sobre os impactos sociais e econômicos inerentes à pandemia, este capítulo visa discutir as estratégias de mitigação dos efeitos econômicos e sociais adotadas no Brasil. Muito se tem debatido sobre as possibilidades de retorno das atividades econômicas, no entanto, flexibilizar as medidas de distanciamento sem a existência de terapias efetivas ou acesso ampliado às vacinas específicas para o controle da doença, além de colocar em risco vidas humanas, desencadeará um colapso no sistema de saúde. Na tentativa de minimizar os danos inerentes a esta pandemia, algumas estratégias econômicas foram adotadas no Brasil. Embora a extensão futura dos impactos sociais e econômicos não seja previsível, é fundamental discutir as medidas adotadas para o enfrentamento da crise e suas possíveis repercussões a médio e longo prazo. A análise crítica conduzida ao longo do texto buscará refletir principalmente as ações desenvolvidas para grupos em situação de vulnerabilidade social. A pandemia se interioriza no país, escancarando as Impactos sociais e econômicos da COVID-19 Construção de conhecimento no curso da pandemia de COVID-19 iniquidades sociais e as diferenças econômicas entre as classes. As pessoas em situação de pobreza, ou com algum tipo de insegurança financeira, são aquelas que estão na informalidade, e que na maioria das vezes precisam sair de casa para garantir seu sustento; são aquelas que residem em moradias superlotadas, locais altamente suscetíveis à infecção por COVID-19. Logo, a governança de enfrentamento deve ser uma gestão reativa e corretiva que vise à redução de riscos, não se restringindo apenas às ações do setor saúde
Chapter
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A pandemia causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), agente responsável pela COVID-19, afetou os países de maneira bastante diferenciada. A análise das respostas governamentais ao surto é essencial para identificar sucessos e falhas nas ações de controle da epidemia, bem como para identificar fortalezas, fragilidades e pontos de vulnerabilidade dos sistemas de saúde. Neste ensaio, apresenta-se uma breve descrição da trajetória e respostas de governos e sistemas de saúde à COVID-19 em países da Ásia, Europa Ocidental e Américas, buscando identificar fatores que contribuíram para a qualidade dos resultados no controle da pandemia. Em seguida, utilizaram-se as categorias de análise propostas pelo “COVID-19 Health System Response Monitor” para realizar uma análise geral da atuação do sistema de saúde brasileiro na resposta à pandemia, buscando sistematizar fortalezas, fragilidades e problemas conjunturais vividos pelo Sistema Único de Saúde. Ao final, elencam-se seis principais desafios que devem ser enfrentados numa agenda orientada ao fortalecimento do sistema de saúde brasileiro e ao aprimoramento da capacidade de resposta a Emergências de Saúde Pública no país.
Article
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On March 11, 2020, the World Health Organization declared Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) a pandemic (1). As of March 28, 2020, a total of 571,678 confirmed COVID-19 cases and 26,494 deaths have been reported worldwide (2). Reports from China and Italy suggest that risk factors for severe disease include older age and the presence of at least one of several underlying health conditions (3,4). U.S. older adults, including those aged ≥65 years and particularly those aged ≥85 years, also appear to be at higher risk for severe COVID-19-associated outcomes; however, data describing underlying health conditions among U.S. COVID-19 patients have not yet been reported (5). As of March 28, 2020, U.S. states and territories have reported 122,653 U.S. COVID-19 cases to CDC, including 7,162 (5.8%) for whom data on underlying health conditions and other known risk factors for severe outcomes from respiratory infections were reported. Among these 7,162 cases, 2,692 (37.6%) patients had one or more underlying health condition or risk factor, and 4,470 (62.4%) had none of these conditions reported. The percentage of COVID-19 patients with at least one underlying health condition or risk factor was higher among those requiring intensive care unit (ICU) admission (358 of 457, 78%) and those requiring hospitalization without ICU admission (732 of 1,037, 71%) than that among those who were not hospitalized (1,388 of 5,143, 27%). The most commonly reported conditions were diabetes mellitus, chronic lung disease, and cardiovascular disease. These preliminary findings suggest that in the United States, persons with underlying health conditions or other recognized risk factors for severe outcomes from respiratory infections appear to be at a higher risk for severe disease from COVID-19 than are persons without these conditions.
Article
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Reducing social inequality in health is at the core of international health work, but does not form part of the discussionon international preparedness plans for pandemic influenza. This is surprising given that influenza pandemic mortality rates are highest among those with the lowest socioeconomic status. This is not conducive to achieving the international goals of reducing social inequality in health and ensuring good health for all by 2030.
Article
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Social determinants-such as education, race/ethnicity, socioeconomic status, access to health care services and vaccination, neighborhood-level stressors, and workplace or school policies-can impact influenza illness and outbreaks in the United States. To reduce transmission and disparities in influenza infection, policies should focus on removing existing vaccination barriers and supporting equitable social policies. ©2016 by the North Carolina Institute of Medicine and The Duke Endowment. All rights reserved.
Article
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The burden of H1N1 among socially disadvantaged populations is unclear. We aimed to synthesize hospitalization, severe illness, and mortality data associated with pandemic A/H1N1/2009 among socially disadvantaged populations. Studies were identified through searching MEDLINE, EMBASE, scanning reference lists, and contacting experts. Studies reporting hospitalization, severe illness, and mortality attributable to laboratory-confirmed 2009 H1N1 pandemic among socially disadvantaged populations (e.g., ethnic minorities, low-income or lower-middle-income economy countries [LIC/LMIC]) were included. Two independent reviewers conducted screening, data abstraction, and quality appraisal (Newcastle Ottawa Scale). Random effects meta-analysis was conducted using SAS and Review Manager. Sixty-two studies including 44,777 patients were included after screening 787 citations and 164 full-text articles. The prevalence of hospitalization for H1N1 ranged from 17-87% in high-income economy countries (HIC) and 11-45% in LIC/LMIC. Of those hospitalized, the prevalence of intensive care unit (ICU) admission and mortality was 6-76% and 1-25% in HIC; and 30% and 8-15%, in LIC/LMIC, respectively. There were significantly more hospitalizations among ethnic minorities versus non-ethnic minorities in two studies conducted in North America (1,313 patients, OR 2.26 [95% CI: 1.53-3.32]). There were no differences in ICU admissions (n = 8 studies, 15,352 patients, OR 0.84 [0.69-1.02]) or deaths (n = 6 studies, 14,757 patients, OR 0.85 [95% CI: 0.73-1.01]) among hospitalized patients in HIC. Sub-group analysis indicated that the meta-analysis results were not likely affected by confounding. Overall, the prevalence of hospitalization, severe illness, and mortality due to H1N1 was high for ethnic minorities in HIC and individuals from LIC/LMIC. However, our results suggest that there were little differences in the proportion of hospitalization, severe illness, and mortality between ethnic minorities and non-ethnic minorities living in HIC.
Preprint
Background: Some articles have reported the epidemiological and clinical characteristics of coronavirus disease (COVID-19) in Wuhan, but other cities have rarely been reported. This study explored the epidemiology of COVID-19 in Jingmen. Methods: All confirmed cases of COVID-19 in the First People′s Hospital of Jingmen are included from January 12 to February 14,2020. Cases were analyzed for epidemiological data and were confirmed by real-time PCR. Findings: Of the 213 cases (108 men and 105 women) , 88 (41%) had exposure to Wuhan. The median age was 48 years ( range,2-88 years;IQR,35-58.5). Thirty-three severe patients with a median age of 66 years(range,33-82 years,IQR, 57-76) were treated in intensive care units; out of these patients, 66.7 %(22) were men and 19 (57.5%) had chronic diseases, including hypertension, diabetes, heart failure, stroke, and renal insufficiency. Under the controlled measures, the number of new patients gradually decreased and nearly disappeared after 20 days. Interpretation: All people are susceptible to the COVID-19, but older males and those with comorbid conditions are more likely to have severe symptoms. Even though COVID-19 is highly contagious, control measures have proven to be very effective.
Article
There is no consensus in the literature about the role of socioeconomic factors on influenza mortality during the 1918 pandemic. While some scholars have found that social factors were important, others have not. In this study, we analyzed differences in excess mortality by social class in Sweden during the 1918 pandemic. We analyzed individual-level mortality of the entire population aged 30-59, by combining information from death records with census data on occupation. Social class was measured by an occupation-based class scheme. Excess mortality during the pandemic was measured as mortality relative to the same month the year before. Social class differences in mortality were modeled using a complementary log-log model, adjusting for potential confounding at the family, the residential (urban/rural) and the county levels. Our findings indicated notable class differences in excess mortality but no perfect class gradient. Class differences were somewhat larger for men than for women.
Article
This paper investigates the link between various risk factors, including socioeconomic status (SES), and the spread of Severe Acute Respiratory Syndrome (SARS) in Hong Kong in 2003. A comprehensive data set compiled by the author shows a negative and significant correlation between SARS incidence and various measures of income, but not years of education, unlike previous studies on other health conditions. The income-SARS gradient can be accounted for by controlling for pre-SARS housing values but not an array of measurable living conditions. Areas with more white-collar workers experienced a higher incidence rate, largely driven by the share of service and sales workers, after controlling for SES. These results have implications for the understanding of the SES-health link in the context of a contagious disease, the potential causality of the SES-SARS relationship and for future SARS containment strategies.
Forum for Health Economics Policy
Vol. 13, Forum for Health Economics Policy. 2010. Available from: http://dx.doi.org/10.2202/1558-9544.1209
Infeces Respiratrias de Importncia Clnica: uma Reviso Sistemtica
  • E B Filho
  • S Da
Filho, E. B. da S. et al. (2017) Infeces Respiratrias de Importncia Clnica: uma Reviso Sistemtica, REVISTA FIMCA, pp. 716. doi: 10.37157/fimca.v4i1.5.
We need class, race, and gender sensitive policies to fight the COVID-19 crisis. Multiplier effect, The Levy Economics Institute Blog
  • L Nassif-Pires
  • L Lima Xavier
  • T Masterson
  • M Nikiforos
  • T Rios-Avila
Nassif-Pires, L.; Lima Xavier, L.; Masterson, T.; Nikiforos, M.; Rios-Avila, T. (2020) We need class, race, and gender sensitive policies to fight the COVID-19 crisis. Multiplier effect, The Levy Economics Institute Blog. Disponível em:http://multiplier-effect.org/we-need-class-raceand-gender-sensitive-policies-to-fight-the-covid-19-crisis/.