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A entrada na Europa e a expansão inicial do eucalipto em Portugal Continental

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Resumo As primeiras observações e recolhas de eucaliptos ocorreram nas grandes viagens inglesas e francesas ao Pacífico, em particular à Austrália, em finais do século XVIII. O género Eucalyptus L'Hér. foi estabelecido em 1788, e logo nas duas décadas seguintes seriam descritas, por botânicos franceses e ingleses, muitas espécies novas. O primeiro eucalipto cultivado em Inglaterra foi trazido, em 1774, na segunda viagem de James Cook. Em França, a introdução terá sido feita em 1804, no Jardim Botânico de Montpellier, na Alemanha em 1809, no Jardim Botânico de Berlim, e em Itália, em 1813, no Jardim Botânico de Nápoles. Em Portugal, a introdução do eucalipto foi muito posterior a estas datas. Na propriedade do duque de Palmela no Lumiar, foram plantados dois eucaliptos em 1850-1852. No Horto Botânico da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, existia em 1852, pelo menos um espécimen, certamente para uso ou demonstração das suas propriedades terapêuticas. A partir da década de 1860, a expansão foi muito rápida. Em 1869, a companhia real dos caminhos-de-ferro portugueses iniciou a plantação de eucaliptos nas estações, casas de guarda e ao longo da via-férrea. As primeiras plantações em larga escala terão ocorrido na década de 1880 em propriedades perto de Abrantes arrendadas por William T. Tait. Em 1886 estavam já plantados 150 mil eucaliptos. Nesta mesma década começou a plantação, em escala apreciável, de eucaliptos nas Matas Nacionais. Em finais do século XX, tinham sido introduzidas em Portugal cerca de 250 espécies, sendo o Eucalyptus globulus Labill., a espécie largamente dominante. É interessante constatar que tendo sido um dos países europeus que mais tarde introduziu a cultura do eucalipto, Portugal é hoje, a nível mundial, um dos que apresenta maior percentagem da sua área florestal dedicada a esta cultura.Palavras-chave: eucalipto; jardins botânicos; Portugal. Abstract The earliest observations and collections of eucalypts occurred on the great English and French voyages to the Pacific, particularly Australia, in the late 18th century. The genus Eucalyptus L'Hér. was described in 1788, and soon in the following two decades, many species would be described by French and English botanists. The first eucalypt grown in England was brought in 1774 on James Cook's second voyage. In France, the introduction seems to have occurred in 1804, at the Botanical Garden of Montpellier, in Germany in 1809, at the Botanical Garden of Berlin, and in Italy, in 1813, at the Botanical Garden of Naples. In Portugal, the introduction of eucalypts was much later than these dates. In the property of the Duke of Palmela in Lumiar, two eucalypts were planted in 1850-1852. The Botanical Garden of the Medical-Surgical School of Lisbon had in 1852, at least one specimen, certainly for use or demonstration of its therapeutic properties. From the 1860s the expansion was very rapid. In 1869, the royal company of the Portuguese railways began planting eucalypts in the stations, guard houses and along the railroad. The first large-scale plantations occurred in the 1880s in properties near Abrantes leased by William T. Tait. By 1886, 150,000 eucalypts were already planted. In the same decade began the planting, on an appreciable scale, of eucalypts in “Matas Nacionais”. By the end of the 20th century about 250 species had been introduced in Portugal, being Eucalyptus globulus Labill., the species largely dominant. It is interesting to note that Portugal, one of the European countries that later introduced the eucalypt, is today, worldwide, one of the countries with the highest percentage of its forest area dedicated to this culture. Keywords: eucalypt; botanical gardens; Portugal.
http://dx.doi.org/10.23925/2178-2911.2019v20espp18-27
A entrada na Europa e a expansão inicial do eucalipto em Portugal Continental
____________________________________
João Paulo S. Cabral
Resumo
As primeiras observações e recolhas de eucaliptos ocorreram nas grandes viagens inglesas e francesas ao
Pacífico, em particular à Austrália, em finais do século XVIII. O género Eucalyptus L'Hér. foi estabelecido em
1788, e logo nas duas décadas seguintes seriam descritas, por botânicos franceses e ingleses, muitas espécies
novas. O primeiro eucalipto cultivado em Inglaterra foi trazido, em 1774, na segunda viagem de James Cook. Em
França, a introdução terá sido feita em 1804, no Jardim Botânico de Montpellier, na Alemanha em 1809, no
Jardim Botânico de Berlim, e em Itália, em 1813, no Jardim Botânico de Nápoles. Em Portugal, a introdução do
eucalipto foi muito posterior a estas datas. Na propriedade do duque de Palmela no Lumiar, foram plantados dois
eucaliptos em 1850-1852. No Horto Botânico da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, existia em 1852, pelo
menos um espécimen, certamente para uso ou demonstração das suas propriedades terapêuticas. A partir da
década de 1860, a expansão foi muito rápida. Em 1869, a companhia real dos caminhos-de-ferro portugueses
iniciou a plantação de eucaliptos nas estações, casas de guarda e ao longo da via-férrea. As primeiras
plantações em larga escala terão ocorrido na década de 1880 em propriedades perto de Abrantes arrendadas
por William T. Tait. Em 1886 estavam já plantados 150 mil eucaliptos. Nesta mesma década começou a
plantação, em escala apreciável, de eucaliptos nas Matas Nacionais. Em finais do século XX, tinham sido
introduzidas em Portugal cerca de 250 espécies, sendo o Eucalyptus globulus Labill., a espécie largamente
dominante. É interessante constatar que tendo sido um dos países europeus que mais tarde introduziu a cultura
do eucalipto, Portugal é hoje, a nível mundial, um dos que apresenta maior percentagem da sua área florestal
dedicada a esta cultura.
Palavras-chave: eucalipto; jardins botânicos; Portugal.
Abstract
The earliest observations and collections of eucalypts occurred on the great English and French voyages to the
Pacific, particularly Australia, in the late 18th century. The genus Eucalyptus L'Hér. was described in 1788, and
soon in the following two decades, many species would be described by French and English botanists. The first
eucalypt grown in England was brought in 1774 on James Cook's second voyage. In France, the introduction
seems to have occurred in 1804, at the Botanical Garden of Montpellier, in Germany in 1809, at the Botanical
Garden of Berlin, and in Italy, in 1813, at the Botanical Garden of Naples. In Portugal, the introduction of
eucalypts was much later than these dates. In the property of the Duke of Palmela in Lumiar, two eucalypts were
planted in 1850-1852. The Botanical Garden of the Medical-Surgical School of Lisbon had in 1852, at least one
specimen, certainly for use or demonstration of its therapeutic properties. From the 1860s the expansion was
very rapid. In 1869, the royal company of the Portuguese railways began planting eucalypts in the stations, guard
houses and along the railroad. The first large-scale plantations occurred in the 1880s in properties near Abrantes
leased by William T. Tait. By 1886, 150,000 eucalypts were already planted. In the same decade began the
planting, on an appreciable scale, of eucalypts in “Matas Nacionais”. By the end of the 20th century about 250
species had been introduced in Portugal, being Eucalyptus globulus Labill., the species largely dominant. It is
interesting to note that Portugal, one of the European countries that later introduced the eucalypt, is today,
worldwide, one of the countries with the highest percentage of its forest area dedicated to this culture.
Keywords: eucalypt; botanical gardens; Portugal.
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Volume 20 especial, 2019 – pp. 1-6
1. A EXPLORAÇÃO DO PACÍFICO E DO CONTINENTE AUSTRALIANO
Em finais do século XVIII, o domínio do Pacífico estava na mira das três principais potências
marítimas Inglaterra, França e Espanha. Buscavam-se novos pontos de aprovisionamento para os
navios que atravessavam este oceano e, se possível, novas bases para o estabelecimento de
intercâmbio ou domínio comercial. A gigantesca dimensão deste oceano
1
, o medo dos navegantes em
penetrar nas águas calmas do seu interior, a terrível ameaça do escorbuto que dizimava tripulações
inteiras, a imprecisão na determinação da longitude (que podia atingir 5-10°, equivalentes a 500-1.000
quilómetros), levavam a uma pervivência das rotas tradicionais e ao medo em empreender novas
aventuras
2
.
As três grandes viagens comandadas por James Cook (1728-1779) direcionadas para o
reconhecimento do Pacífico, despertaram um enorme interesse na comunidade científica e nas
potências europeias marítimas. Na primeira viagem, iniciada em 1768, Cook cartografou as costas da
Nova Zelândia, atravessou o Mar da Tasmânia e a Grande Barreira de Coral, chegando à costa
sudeste da Austrália a 19 de Abril de 1770. Joseph Banks (1743-1820) e Daniel Solander (1733-1782)
recolheram plantas na Botany Bay, na costa leste australiana. Na segunda missão, entre 1772 e 1775,
Cook descobriu e localizou várias ilhas do Pacífico e no Atlântico Sul. Johann Reinhold Forster (1729-
1798), J. George A. Forster (1754-1794) e Anders Sparrman (1748-1820) recolheram plantas na
Adventure Bay (Tasmânia). Na terceira viagem, que partiu de Inglaterra em 1776, Cook confirmou que
não existe uma passagem viável entre o Pacífico e o Atlântico, à volta do Canadá e do Alasca, ou à
volta da Sibéria. David Nelson (?-1789) e William Anderson (1750-1778) recolheram plantas na
Tasmânia
3
. Os materiais recolhidos durante as três viagens de Cook foram distribuídos entre
académicos e instituições, sob a coordenação de J. Banks. J. R. Forster enviou alguns materiais para
Oxford, A. Sparrman para a Academia Sueca de Ciências, James Patten
4
, para o Trinity College de
Dublin, e John Webber (1751-1793) para o Museu de Berna
5
.
1
Se imaginarmos um triângulo cujos vértices estão na Austrália, na Ilha de Páscoa e nas ilhas
Havai, o seu lado teria cerca de 7 mil quilómetros (A. Lafuente, Las expediciones cientificas del
Setecientos y la nueva relacion del cientifico con el Estado” Revista de Indias, 47 (1987): 376.
2
Ibid.
3
P. Grimal, dir., Dictionnaire des Biographies, vols. 1 e 2 (Paris: Presses Universitaires de Prance,
1958), 364-365; E. C. Nelson, “The locations of collection and collectors of specimens described by
La Billardière in Novae Hollandiae Plantarum Specimen. Additional notes.” Papers and Proceedings
of the Royal Society of Tasmania 108 (1974): 159-170; Jacques Brosse, Great Voyages of
Discovery. Circumnavigators and scientists, 1764-1843 (New York: Facts On File Publications,
1983), 63-74.
4
Em 1772 era cirurgião a bordo do navio Resolution.
5
C. E. Harrison, “Projections of the revolutionary nation: French expeditions in the Pacific, 1791-
1803” Osiris 24 (2009): 33-52.
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Além da Inglaterra, também a França levou a cabo grandes expedições destinadas a explorar
o oceano Pacífico
6
. A primeira partiu em 1785, comandada por Jean-François de Galaup de La
Pérouse (1741-1788) e terminará tragicamente em 1788 nas ilhas Salomão com o naufrágio dos dois
navios
7
. O facto de os navios não terem regressado a França dentro do prazo previsto, nem se
conhecer o seu paradeiro, levou à organização de uma nova expedição. Esta missão foi chefiada por
Antoine Reymond Bruny d’Entrecasteaux (1737-1793), tendo partido de França em 1791. Comandava
duas fragatas que exploraram os rios da Nova-Zelândia, a Nova-Caledónia, as ilhas Tonga e as costas
da Austrália e da Tasmânia. A bordo da fragata La Recherche seguiu o botânico Jacques-Julien Houtou
de La Billardière (1755-1834). Seria o primeiro francês a chegar à Austrália e à Tasmânia e a descrever
a sua história natural. Terá também um desfecho trágico, tendo d’Entrecasteaux morrido em julho de
1793 no oceano Pacífico, entre a Tasmânia e Java. Parte da tripulação foi depois capturada pelos
Holandeses em Java e, de seguida, presa pelos Ingleses. Os materiais de história natural foram
confiscados e enviados para Inglaterra, tendo, no entanto, La Billardière conservado os seus
manuscritos de viagem. Regressado a França em 1796, La Billardière pediu a Joseph Banks a
devolução das suas coleções, em particular o seu herbário com cerca de quatro milhares de plantas, o
que se concretizou
8
.
A terceira expedição francesa ao Pacífico decorreu entre 1800 e 1804, e foi comandada por
Nicolas Thomas Baudin (1754-1803). Foi explorada a Geographe Bay e a Shark Bay, na Austrália,
tendo depois rumado a Timor. Regressou à Austrália ocidental, recolhendo material em King George
Sound. Uma parte da coleção de história natural recolhida em Geographe Bay e Shark Bay foi logo
enviada para França em 1803 a bordo da fragata Le Naturaliste. A segunda embarcação Le
Géographe, regressou em 1804 e trouxe os restantes materiais de história natural, nomeadamente a
coleção recolhida em King George Sound. A viagem foi também trágica e atribulada. N. T. Baudin
morreu na viagem de regresso, na ilha Maurícia. J.-B. Leschenault de la Tour (1773-1826) adoeceu e
desembarcou em Koepang (Timor ocidental), só regressando a França em 1807. De um total de 16
académicos que seguiram na viagem, só cinco regressaram a França, sendo Guichenot, jardineiro
horticultor, o único botânico a regressar. O relato da viagem, incluindo as cartas, foi redigido por Péron
e depois da sua morte, por Freycinet
9
.
6
Ao contrário das expedições inglesas, nas quais os interesses científicos iam a par dos
geoestratégicos e comerciais, as expedições francesas eram patrocinadas pela coroa e os objetivos
eram prioritariamente de índole científica. Todos os resultados das expedições francesas eram
propriedade do Estado. As instituições parisienses eram o primeiro destino dos objetos trazidos de
além-mar, ao contrário do que ocorria com as viagens inglesas, nas quais os exemplares eram
distribuídos por académicos e instituições, muitas das quais eram estrangeiras (Ibid.).
7
Brosse, Great Voyages of Discovery, 75-83.
8
Harrison, Projections of the revolutionary nation.
9
Ibid.
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2. PRIMEIRAS OBSERVAÇÕES E ESTUDOS DOS EUCALIPTOS
Foi numa ilha da Espérance Bay, na costa sudoeste da Austrália que La Billardière observou,
estudou e recolheu espécimenes de várias espécies de eucaliptos
10
. La Billardière apresentaria os
seus resultados de taxonomia botânica nas obras Relation du Voyage
11
e Novae Hollandiae Plantarum
Specimen
12
. Descreveria 265 plantas australianas, da Nova Holanda, estando 77 indicadas como tendo
sido recolhidas na Austrália ocidental “Terra van-Leuwin”, sendo 54 endémicas desta região
13
. Para
este trabalho de taxonomia botânica, recorreu a material de história natural da sua expedição bem
como da expedição seguinte, de N. T. Baudin
14
.
Antes de La Billardière, já Charles Louis L'Héritier de Brutelle (1746-1800), na obra Sertum
Anglicum
15
, tinha estabelecido o género Eucalyptus L'Hér. e a espécie Eucalyptus obliqua L'Hér. Logo
depois, outros botânicos de várias nacionalidades, como James Edward Smith (1759-1828), A. J.
Cavanilles (1745-1804) e James Donn (1758-1813), descreveram mais espécies novas de eucaliptos
16
.
3. OS PRIMEIROS EUCALIPTOS CULTIVADOS EM JARDINS BOTÂNICOS EUROPEUS
10
Conhecem-se atualmente largas centenas de espécies do género Eucalyptus L’Hér., quase todas
endémicas da Austrália e Tasmânia, com exceção de seis, das quais se salientam, Eucalyptus alba
Reinw. ex Blume que ocorre também nas ilhas de Sunda e Nova Guiné e Eucalyptus urophylla S.T.
Blake que ocorre nas ilhas de Sunda. Somente cerca de uma dezena de espécies tiveram grande
expansão fora da sua área de distribuição nativa. Destas destaca-se o Eucalyptus globulus Labill., a
espécie mais importante nos climas temperados e o Eucalyptus camaldulensis Dehnh., a espécie
com maior expansão a nível mundial. Na Austrália e na Tasmânia, cerca de 80% das florestas
naturais são constituídas por eucaliptos. Estas formações naturais apresentam uma ou várias
espécies de eucaliptos, com um sub-bosque normalmente de acácias. O crescimento dos eucaliptos
na Austrália é cerca de 3-4 vezes inferior ao que se observa nos países onde foi introduzido, em
consequência das muitas pragas e doenças que o afetam na sua área de distribuição nativa (E.
Goes, Os Eucaliptos (Ecologia, cultura, produções e rentabilidade) (s.l.: Portucel, 1977)).
11
J. J. H. de La Billardière, Relation du voyage à la recherche de La Pérouse, vols. 1, 2 e Atlas
(Paris: H. J. Jansen, 1800).
12
J. J. H. de La Billardière, Novae Hollandiae plantarum specimen, vols. 1 e 2 (Parisiis: Huzard,
1804-1806).
13
As espécies novas de Eucalyptus observadas na Austrália, descritas por La Billardière no volume I
da Relation du Voyage e no volume II da sua obra Novae Hollandiae Plantarum Specimen,
apresentando desenhos ilustrativos, foram as seguintes: Eucalyptus amygdalina Labill.; Eucalypus
cordata Labill.; Eucalyptus cornuta Labill.; Eucalyptus globulus Labill.; Eucalyptus incrassata Labill.;
Eucalyptus ovata Labill.; Eucalyptus viminalis Labill. La Billardière faz referência a uma espécie
existente: Eucalyptus resinifera Sm., descrita poucos anos antes descrita por James Edward Smith
na sua obra Journal of a Voyage to New South Wales, publicada em 1790.
14
A. Chevalier, Un grand voyageur naturaliste normand: J.-J. La Billardière (1755-1834)Revue
internationale de botanique appliquée et d'agriculture tropicale, 33 (1953): 97-124; E. C. Nelson,
“The Collectors and Type Locations of Some of Labillardière's "terra van-Leuwin" (Western
Australia) Specimens.” Taxon 24 (1975): 319-336; S. G. M. Carr &. D. J. Carr, “La contribution de
la France à la découverte de l’Australie et de sa flora.” Endeavour, Edition française, 35 (1976):
21-26.
15
Neste trabalho publicado em 1788, L'Héritier descreve plantas raras que existiam em jardins da
região de Londres.
16
Eucalyptus botryoides Sm.; Eucalyptus capitellata Sm.; Eucalyptus corymbosa Sm.; Eucalyptus
haemastoma Sm.; Eucalyptus paniculata Sm.; Eucalyptus pilularis Sm.; Eucalyptus piperita Sm.;
Eucalyptus robusta Sm.; Eucalyptus saligna Sm.; Eucalyptus tereticornis Sm.; Eucalyptus rostrata
Cav.; Eucalyptus marginata Donn ex Sm.
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Cerca de duas décadas de exploração do continente australiano tinham resultado na
observação, estudo, caracterização e descrição de várias dezenas de espécies de eucaliptos. Em
inícios do século XIX, os eucaliptos não eram, de forma alguma, plantas desconhecidas, de um ponto
de vista de taxonomia botânica. Quanto tempo demorou para que eucaliptos fossem trazidos para a
Europa e cultivados em parques privados e em jardins botânicos? Muito pouco tempo!
17
O primeiro
eucalipto cultivado em Inglaterra foi trazido em 1774 pelo capitão Tobias Furneaux (1735-1781), que
comandou a fragata Adventure, na segunda viagem de J. Cook
18
. Em princípios do século XIX, o
eucalipto já crescia em vários jardins botânicos europeus. Em França, a introdução parece ter sido feita
em 1804, no Jardim Botânico de Montpellier
19
, na Alemanha em 1809, no Jardim Botânico de Berlim
20
,
em Itália, em 1813, no Jardim Botânico de Nápoles
21
e no Jardim Botânico de Monza
22
, e na Holanda
em 1818 no Jardim Botânico de Leiden
23
. Em alguns jardins botânicos, nomeadamente no de Paris,
sob a direção de Desfontaines, e no de Berlim com a direção de J. F. Link, faz-se investigação sobre a
taxonomia deste género, com a descrição de espécies novas.
O Jardim Camaldulensis de Nápoles foi criado em 1816 por Francesco Ricciardi, conde de
Camaldoli. O primeiro catálogo do jardim foi publicado em 1829, por Friedrich Dehnhardt. Na extensa e
excecional lista de plantas em cultura são mencionadas seis espécies de eucaliptos, das quais uma era
uma espécie nova - Eucalyptus elata Dehnh.
24
. Três anos depois, o número de espécies e variedades
de Eucalyptus L’Hér. em cultura no jardim era já de doze, das quais quatro espécies e uma variedade
eram novas: Eucalyptus camaldulensis Dehnh.; Eucalyptus gigantea Dehnh.; Eucalyptus linearis
Dehnh.; Eucalyptus procera Dehnh.; Eucalyptus pulverulenta var. ovatifolia Dehnh.
25
. Neste catálogo de
1832 era apresentado um mapa topográfico do jardim com indicação da localização das “Das plantas
mais raras de climas mais quentesaclimatadas “no jardim camaldulense, distribuídas em famílias ou
17
Através da consulta das listas de plantas em cultura em parques privados e jardins botânicos é
possível seguir, com assinalável pormenor, a cronologia da entrada do eucalipto na Europa, da qual
apresentamos no presente trabalho, um resumo. Trata-se de um tema interessante para ser
abordado no âmbito do ensino avançado da História da Botânica.
18
R. A. Salisbury & W. Hooker, The Paradisus Londinensis: containing plants cultivated in the
vicinity of the metropolis, vol. I, part I (London: D. N. Shury, 1806); W. T. Aiton, Hortus Kewensis,
or a Catalogue of the Plants Cultivated in the Royal Botanic Garden at Kew, 2.a ed., vol. 3 (London:
Longman, Hurst, Rees, Orme, and Brown, 1811), 192-194.
19
P.-M.-A. Broussonet, Elenchus Plantarum Horti Botanici Monspeliensis. Anno 1804 (Monspelii: Ex.
Officina Augusti Ricard, 1805).
20
C. L. Willdenow, Enumeratio Plantarum Horti Regii Botanici Berolinensis (Berolini: In Taberna
Libraria Scholae Realis, 1809), 515.
21
M. Tenore, Ad Catalogum Plantarum Horti Regii Neapolitani Anno 1813 editum. Appendix Prima
(Neapoli: Ex Typographia Amuliana, 1815), 8.
22
Catalogus plantarum existentium in Hortis Regiae Villae prope Modoetiam (Modoetiae: Typis L.
Corbetta, 1813), 29.
23
S. J. Brugmans, Elenchus Plantarum quae in Horto Lugdano-Batavo coluntur (s.l., s.ed., 1818,
1819).
24
F. Dehnhardt, Catalogus Plantarum Horti Camaldulensis (s.l., s.ed., 1829).
25
F. Dehnhardt, Catalogus Plantarum Horti Camaldulensis 2.ª ed. (s.l., s.ed., 1832).
23
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colocadas isoladamente de acordo com a necessidade de sua posição mais ou menos quente”
26
. Os
eucaliptos encontravam-se essencialmente distribuídos em duas zonas do jardim. É também dada
indicação da idade, altura e diâmetro dos eucaliptos. A idade das árvores variava entre 15 e 5 anos.
Tendo o jardim sido criado em 1816, existiam portanto eucaliptos que foram plantados praticamente
logo no início deste estabelecimento. As espécies e a variedade nova tinham sido plantadas nos
seguintes anos: Eucalyptus camaldulensis Dehnh. 1822; Eucalyptus elata Dehnh. 1817; Eucalyptus
gigantea Dehnh. 1826; Eucalyptus linearis Dehnh. 1827; Eucalyptus procera Dehnh. 1827;
Eucalyptus pulverulenta var. ovatifolia Dehnh. 1824.
4. ENTRADA E PROGRESSÃO INICIAL DOS EUCALIPTOS EM PORTUGAL
Em Portugal a introdução do eucalipto foi tardia, muito posterior à que ocorreu em Inglaterra,
França e Itália. Em 1828, quando morreu, F. A. Brotero deixou uma lista das plantas em cultura no
Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa, não sendo mencionada qualquer espécie de eucalipto
27
. Pedro
José de Noronha de Albuquerque Moniz e Sousa (1716-1788), 3.º marquês de Angeja, tinha na sua
grande propriedade ao Lumiar
28
, uma coleção de plantas exóticas e notáveis, à qual Domingos Vandelli
terá dado orientação e apoio
29
. Estando já a propriedade na posse do duque de Palmela, foram
plantados, em 1850-1852, dois eucaliptos
30
que, em 1858, apresentavam mais de 10 metros de altura e
quase um metro de circunferência do tronco
31
. Em 1877-1880, António Ricardo da Cunha, colector de
plantas da Escola Politécnica de Lisboa, preparou folhas de herbário de 97 espécies de plantas
lenhosas
32
. Permanece material de herbário de três espécies de eucaliptos: Eucalyptus diversicolor F.
Muell., Eucalyptus robusta Sm. e Eucalyptus stuartiana F. Muell. ex Miq. Quando em 1877 foram
recolhidas as amostras, eram árvores relativamente jovens, tendo 7, 18 e 4 metros de altura e 0,16,
26
Ibid., 25.
27
F. A. Brotero, “Historia Natural. Botanica. Continuação do Catalogo G eral de todas as Plantas do
Nacional e Real Jardim Botanico d’Ajuda.” Jornal da Sociedade Pharmaceutica de Lisboa 1 (1836-
1837): 445-452.
28
Esta propriedade constituiu-se por compras sucessivas a vários proprietários. Foi transmitida
dentro da casa Angeja até 1840 quando foi vendida a Domingos de Sousa Holstein Beck (1818-
1864), 1.° marquês de Faial e 2.° duque de Palmela. Permaneceu na família Palmela até 1976
quando foi comprada pelo Estado Português para instalar o Museu do Teatro e do Traje, que
continuam a funcionar (B. A. Alves, “Plantas florestaes e de ornamento naturalisadas na Quinta do
Lumiar.” O Archivo Rural, Jornal de Agricultura Artes e Sciencias Correlativas 1.° anno (1858):
323-325).
29
L. F. C. F. A. Lara, Parque do Monteiro-Mor. Inventário das árvores, arbustos e plantas
herbáceas do Parque do Monteiro-Mor (Lisboa: Museu Nacional do Traje, 1987).
30
Eucalyptus globulus Labill. e possivelmente de Eucalyptus falcata Turcz (Alves, Plantas
florestaes, 324)
31
Ibid., 324.
32
Herbário atualmente no Instituto Superior de Agronomia (Lisboa).
24
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0,40 e 0,12 metros de diâmetro, respetivamente
33
. Teriam sido plantadas depois dos dois espécimenes
colocados na terra em 1850-1852.
Também em Lisboa, no Horto Botânico da Escola Médico-Cirúrgica, existia em 1852 pelo
menos um espécimen de Eucalyptus robusta Sm.
34
, certamente para uso ou demonstração das suas
propriedades terapêuticas. Num trabalho dedicado a espécies florestais exóticas com interesse
económico para o nosso país, Edmond Goeze (1871) referia a utilidade das folhas e da casca de
eucalipto para “tractar seriamente as febres intermittentes e mesmo a gota”, e ainda “para o fabrico do
papel”, apresentando uma lista das espécies mais recomendada para esta última finalidade. As
palavras seguintes de E. Goeze relevam claramente que o eucalipto era uma novidade em Portugal:
“Ha pouco o Jardim Botânico de Coimbra recebeu do sábio director do estabelecimento botânico de
Melbourne uma porção de semente do Eucalyptus marginata, o celebre “Mahagony” da Austrália, e em
verdade, pela sua madeira preciosa, que resiste a toda a influencia da agua do mar, esta espécie nào
tem rival entre as suas congéneres”
35
. Em 1873, E. Goeze referia que o Jardim Botânico de Coimbra
tinha recebido do Jardim Botânico de Melbourne sementes de duas espécies de eucaliptos
“inteiramente desconhecidas n’este paiz”: Eucalyptus macrocarpa Hook e Eucalyptus citriodora Hook,
plantas que são descritas por Goeze neste trabalho
36
. Terminava referindo que tinha distribuído
“indivíduos d’estas duas espécies a alguns amadores”, e esperava “que as primeiras experiencias
tenham bom resultado para assim enriquecer a nossa Flora d’arvores exoticas”
37
.
Estes vários elementos informativos corroboram a conclusão apresentada por A. X. Pereira
Coutinho, no seu Curso de Silvicultura publicado em 1886-1887, que aponta a introdução do eucalipto
em Portugal na década de 1850, estando então sobretudo restringido ao Eucalyptus globulus Labill.
38
Depois da entrada inicial, como progrediu a cultura do eucalipto em Portugal durante o século
XIX? Rapidamente! Carlos Augusto de Sousa Pimentel (?-1912), silvicultor dos serviços florestais, e
Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927) foram dos mais activos divulgadores e promotores da cultura do
Eucalyptus globulus Labill. em Portugal. Várias características desta planta justificavam o interesse e a
rapidíssima expansão: o crescimento “excepcionalmente” rápido; vegetam em terrenos “improductivos”;
a madeira “é muito rija, resistente, e offerece grande duração, podendo ser usada na construção civil,
de obras publicas e náutica; a casca pode ser usada na indústria dos curtumes; das folhas extraem-se
33
J. A. Franco & M. L. M. R. Afonso, “Relação das árvores e arbustos mais notáveis do Parque do
Monteiro-Mor” in Parque do Monteiro-Mor. Inventário das árvores, arbustos e plantas herbáceas do
Parque do Monteiro-Mor (Lisboa: Museu Nacional do Traje, 1987) 30.
34
B. A. Gomes & C. M. F. S. Beirão, Catalogus Plantarum Horti Botanici Medico-Cirurgicae Scholae
Olisiponensis. Anno MDCCCLII (Olisipone: Typographia Nationali, 1852), 58.
35
E. Goeze, “Excursão botanica e horticola.Jornal de Horticultura Prática 2 (1871): 144-147.
36
E. Goeze, “Duas novas especies de Eucalyptus.” Jornal de Horticultura Prática 4 (1873): 29-30.
37
Ibid.
38
A. X. Pereira Coutinho, Curso de silvicultura, vols. 1 e 2 (Lisboa: Typographia da Academia Real
das Sciencias, 1886 e 1887), 404 e 161, respetivamente.
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produtos de aplicação medicinal; podem ser usados para secar zonas alagadas e pantanosas
39
. C. A.
de Sousa Pimentel publica, em 1876, uma monografia de divulgação que é premiada na Exposição
Hortícola Internacional do Porto de 1877. Em 1884 publica um trabalho mais aprofundado destinado a
divulgar a cultura do eucalipto no país
40
. Por seu lado, Oliveira Júnior publica em 1870, na Typographia
Lusitana do Porto, um folheto de divulgação Breve noticia sobre o Eucalyptus globulus e a utilidade
da sua cultura.
As primeiras plantações de eucaliptos começaram por volta de 1860 com árvores para
ornamentação, tendo sido iniciada, no final desta década, a plantação de pequenas matas
41
. Na
década de 1870, existiam plantações com milhares de árvores em vários locais, como a quinta da
Foja, próxima de Montemor-o-Velho, no choupal e na mata de Vale de Canas, na região da Figueira da
Foz, no Monte das Flores, perto de Évora, propriedade de José Maria Eugénio de Almeida, na mata
nacional de Valverde, no concelho de Alcácer do Sal
42
. Em 1869, a companhia real dos caminhos-de-
ferro portugueses iniciou a plantação de eucaliptos nas estações, casas de guarda e ao longo da via-
férrea. Em 1876, eram mais de 40 mil as árvores plantadas por esta empresa
43
. No concelho de
Alenquer, na Serra Galega, Graciano Franco Monteiro, iniciou, em 1871, a plantação de eucaliptos que,
alguns anos depois, já atingiam as 20 mil árvores
44
. O barão de Viamonte, numa propriedade na região
de Leiria tinha, na década de 1870, os exemplares mais altos do país com 14 anos tinham atingido
30-36 metros de altura!
45
. Na cada de 1880, o eucalipto começava a ter um “logar importante na
silvicultura portugueza”
46
.
As vantagens desta cultura era tais que William C. Tait, numa propriedade de 200 hectares
“de terreno inculto” perto de Abrantes (freguesia da Bemposta), que sugestivamente designa de “Nova
Tasmania”, arrendada em 1880, decide mandar plantar largos milhares de eucaliptos. Em 1886,
estavam já plantadas 150 mil árvores
47
, e constituía, segundo Tait “a maior [plantação] que existe em
Portugal, e provavelmente na Europa”
48
. Eucalyptus globulus Labill. era a espécie dominante, mas
tinham também sido plantadas outras dezenas de espécies deste género: “Há tambem muitos
Eucalyptus rostrata (Gommeiro vermelho), resinifera, colossea, marginata, sideroxylon, polyanthemos,
39
S. Pimentel, Eucalypto globulus. Descripção, Cultura e Aproveitamento d’esta arvore. 2.a ed.
(Lisboa: Typographia Universal, 1884).
40
Ibid.
41
Ibid., 12.
42
Ibid., 13-14.
43
Ibid., 15.
44
Ibid., 16.
45
Ibid., 17.
46
Ibid., 12.
47
D. Oliveira Júnior, “Eucalyptus globulus.” Jornal de Horticultura Prática 17 (1886): 110-112.
48
W. Tait, “Cultura de acacias.” Jornal de Horticultura Pratica 16 (1885): 246-248.
26
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bicolor, amygadalina e cerca de quarenta outras espécies de Eucalyptus
49
. Satisfeito com a solução,
Tait, numa carta dirigida ao abade de Miragaia, Pedro Augusto Ferreira, datada de 9 de Março de 1886,
contrapunha a nova floresta à esterilidade do passado: “Ali só havia matto, ao qual se lançava o fogo
de vez em quando, para com as cinzas estimular a nascença da pouca herva que servia de pasto a
algumas cabras”
50
. Conforme refere nesta carta dirigida ao abade de Miragaia - Pedro Augusto
Ferreira, datada de 9 de Março de 1886, W. Tait tinha em mente a produção de madeira: “O que levou
a escolher esta localidade, foi não só a sua posição vantajosa para a conducção das madeiras, por ser
perto da margem do rio Tejo e do caminho-de-ferro para Portugal e Hespanha”
51
. O crescimento
rapidíssimo dos eucaliptos não escapou à observação de W. Tait que, ainda nesta carta, o quantificava:
“um Eucalyptus globulus plantado em Outubro de 1880 media [quando escreve a carta seis anos
depois] 52 centimetros de circumferencia a 1 metro do solo, e teria approximadamente 12 metros de
altura”
52
.
Em 1886, na mesma revista e na sequência do artigo de Tait, Duarte de Oliveira Júnior
transcrevia as cartas trocadas entre Pedro Augusto Ferreira, abade de Miragaia, no Porto, e W. C. Tait.
Este clérigo tinha um elevado apreço por esta novel espécie florestal, sugerindo que fosse promovida a
sua cultura pelos “grandes proprietarios d’esta província (Beira Baixa) e da do Alemtejo,
nomeadamente [pelos] donos das grandes herdades nuas e de charneca medonha”. Pedro Augusto
Ferreira já se teria apercebido da capacidade do eucalipto em retirar água do solo dado que o indicava
em especial para “terrenos em que predominam as febres intermittentes
53
, como são os campos de
Coimbra, Leiria e Riba-Tejo, e o Alto Douro, nomeadamente a Barca d’Alva, medonho foco de sezões”.
“Quanto não lucraria a hygiene, se os nossos arrozaes fossem cultivados de Eucalyptus?”.
As primeiras plantações de eucaliptos em muito grande escala foram feitas em 1880-1885,
por W. C. Tait perto de Abrantes, como já foi referido. Nesta época eram as maiores do país. Uma das
propriedades foi plantada principalmente com Eucalyptus globulus Labill., com sub-bosque de acácias
(Acacia mollissima Willd., Acacia pycnantha Benth. e Acacia dealbata Link), tendo a outra sido
arborizada essencialmente com Eucalyptus globulus Labill. e Eucalyptus camaldulensis Dehnh. Em
ambas existia uma coleção diversificada de espécies
54
.
As plantações de eucaliptos nas Matas Nacionais começaram aproximadamente ao mesmo
tempo que nas propriedades privadas. Nos pinhais nacionais de Leiria e da Foja começaram a ser
plantados eucaliptos em 1879, por iniciativa de João Maria de Magalhães, tendo depois sido
49
Oliveira Júnior, Eucalyptus globulus, 111.
50
Ibid., 111.
51
Ibid., 111.
52
Ibid., 111.
53
Duarte de Oliveira Júnior estaria a referir-se ao paludismo.
54
Goes, Os Eucaliptos, 25-26.
27
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continuados por Sousa Pimentel. O Eucalyptus globulus Labill. começou a ser plantado em escala
apreciável em 1883, nas Matas de Valverde, Gaio e Leiria. Em 1906, os serviços florestais plantaram
na Mata Nacional das Virtudes, perto de Azambuja, um arboreto com mais de meia centena de
espécies. As plantações na Mata Nacional do Escaroupim, perto de Muge, e na Mata Nacional do Urso,
na região da Figueira da Foz, começaram em 1910
55
.
Em finais do culo XX tinham sido introduzidas em Portugal cerca de 250 espécies, sendo
Eucalyptus globulus Labill., a espécie largamente dominante, seguido de Eucalyptus camaldulensis
Dehnh. (Baixo Alentejo) e Eucalyptus maidenii F. Muell. (Alentejo). As restantes espécies estavam
restringidas a jardins, parques, povoamentos experimentais, arboretos
56
. Segundo Ernesto Goes, em
1977, a Mata Nacional de Escaroupim tinha cerca de 125 espécies, a Mata Nacional das Virtudes, mais
de 60, as propriedades que foram de W. C. Tait perto de Abrantes, cerca de 40, a Quinta de São
Francisco no Eixo, próxima de Aveiro, cerca de 70
57
.
Como comentário final, não deixa de ser interessante constatar que tendo sido um dos países
europeus que mais tarde introduziu a cultura do eucalipto, Portugal seja hoje, a nível mundial, um dos
que apresenta maior percentagem da sua área florestal com esta cultura
58
!
SOBRE OS AUTORES:
João Paulo S. Cabral
Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (Portugal)
jpcabral@fc.up.pt; jpscabral@hotmail.com
55
Ibid., 26-27.
56
Ibid.
57
Ibid., 7-8.
58
Ibid.
Article
Em Portugal, os eucaliptos são espécies exóticas. Eucalyptus globulus Labill. subsp. globulus, a espécie mais plantada, apresenta boa capacidade reprodutiva, mas baixa capacidade dispersiva e competitiva, o que resulta em regeneração natural muito limitada, principalmente em habitats perturbados, dentro ou ao redor das plantações. A limitada dispersão de sementes a longa distância e a redução da viabilidade das plântulas em habitats naturais, levam a que a espécie não apresente um comportamento invasor, mas antes deva ser vista como naturalizada. A regeneração natural apesar de localizada, pode ser amplamente potenciada por fatores como os fogos e requer por isso medidas de controlo e gestão que minimizem a sua ocorrência. As medidas de gestão ativa que contribuam para a redução do risco de incêndios florestais levarão também à redução da regeneração observada nesta espécie. Este artigo corresponde uma revisão sobre o conhecimento disponível da regeneração natural do eucalipto em Portugal.
Article
O eucalipto tornou-se uma das espécies incontornáveis da floresta portuguesa. Nos últimos anos, a ocorrência de grandes incêndios tem vindo a aumentar (onde os ocorridos em junho e outubro de 2017 foram particularmente significativos), acentuando a polémica em torno do efeito das plantações de eucalipto na propagação do fogo. Do protagonismo socioeconómico, aumento de área plantada e relação com o fogo resultam discussões apaixonadas, mas nem sempre fundamentadas no conhecimento existente. A informação disponível permite esclarecer dúvidas e recentrar o problema nos fatores que têm realmente influência nos regimes de fogo: as dinâmicas demográficas e de uso do solo que ocorreram no último século e a necessidade de encarar a floresta para além da árvore, como um sistema complexo. É a estrutura dos povoamentos, mais do que as espécies, que condiciona a propagação dos incêndios. Embora o problema dos incêndios, grandes e pequenos, seja territorial e não apenas do sector florestal, a solução passa pela gestão do uso do solo e do espaço rural, incluindo a floresta. Ao nível do ordenamento do território, a diversificação da paisagem e a redução da área florestal nalgumas zonas, quebrando a continuidade da vegetação, são algumas das soluções possíveis. À escala da árvore e da propriedade, a gestão florestal é a única ferramenta que permite conviver com o fogo e minimizar os danos causados pelos incêndios. É possível fazer melhor com os recursos disponíveis, adequando as opções de gestão às condições locais, numa perspectiva integrada à escala da paisagem, que considera as suas múltiplas dimensões: social, ambiental e económica. Este artigo faz parte do Caderno Técnico da Silva Lusitana sobre Eucalipto em Portugal. Tem como ponto de partida a obra "O Eucaliptal em Portugal. Impactes Ambientais e Investigação Científica" publicada em 2007 e procura dar visibilidade a algum do conhecimento científico desenvolvido nos últimos 10-15 anos sobre plantações de eucalipto e o fogo.
Excursão botanica e horticola
  • E Goeze
E. Goeze, "Excursão botanica e horticola." Jornal de Horticultura Prática 2 (1871): 144-147.
Duas novas especies de Eucalyptus
  • E Goeze
E. Goeze, "Duas novas especies de Eucalyptus." Jornal de Horticultura Prática 4 (1873): 29-30.
404 e 161, respetivamente. 30-36 metros de altura! 45 . Na década de 1880
  • A X Pereira Coutinho
A. X. Pereira Coutinho, Curso de silvicultura, vols. 1 e 2 (Lisboa: Typographia da Academia Real das Sciencias, 1886 e 1887), 404 e 161, respetivamente. 30-36 metros de altura! 45. Na década de 1880, o eucalipto começava a ter um "logar importante na silvicultura portugueza" 46.
48 . Eucalyptus globulus Labill. era a espécie dominante, mas tinham também sido plantadas outras dezenas de espécies deste género
  • E Portugal
  • Europa
Portugal, e provavelmente na Europa" 48. Eucalyptus globulus Labill. era a espécie dominante, mas tinham também sido plantadas outras dezenas de espécies deste género: "Há tambem muitos Eucalyptus rostrata (Gommeiro vermelho), resinifera, colossea, marginata, sideroxylon, polyanthemos,
Hortus Kewensis, or a Catalogue of the Plants Cultivated in the Royal Botanic Garden at Kew, 2
  • W T Aiton
W. T. Aiton, Hortus Kewensis, or a Catalogue of the Plants Cultivated in the Royal Botanic Garden at Kew, 2. a ed., vol. 3 (London: Longman, Hurst, Rees, Orme, and Brown, 1811), 192-194.
Elenchus Plantarum quae in Horto Lugdano-Batavo coluntur (s.l., s
  • S J Brugmans
S. J. Brugmans, Elenchus Plantarum quae in Horto Lugdano-Batavo coluntur (s.l., s.ed., 1818, 1819).
Catalogus Plantarum Horti Camaldulensis (s.l., s
  • F Dehnhardt
F. Dehnhardt, Catalogus Plantarum Horti Camaldulensis (s.l., s.ed., 1829).
seu Curso de Silvicultura publicado em 1886-1887, que aponta a introdução do eucalipto em Portugal na década de 1850, estando então sobretudo restringido ao Eucalyptus globulus Labill
  • Coutinho
Coutinho, no seu Curso de Silvicultura publicado em 1886-1887, que aponta a introdução do eucalipto em Portugal na década de 1850, estando então sobretudo restringido ao Eucalyptus globulus Labill. 38
1848-1927) foram dos mais activos divulgadores e promotores da cultura do Eucalyptus globulus Labill. em Portugal. Várias características desta planta justificavam o interesse e a rapidíssima expansão: o crescimento "excepcionalmente" rápido
  • Oliveira Duarte De
  • Júnior
Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927) foram dos mais activos divulgadores e promotores da cultura do Eucalyptus globulus Labill. em Portugal. Várias características desta planta justificavam o interesse e a rapidíssima expansão: o crescimento "excepcionalmente" rápido; vegetam em terrenos "improductivos";
Curso de silvicultura, vols
  • A X Pereira Coutinho
A. X. Pereira Coutinho, Curso de silvicultura, vols. 1 e 2 (Lisboa: Typographia da Academia Real das Sciencias, 1886 e 1887), 404 e 161, respetivamente.