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A microestrutura em verbetes da área da Linguística / Microstructure in entries within the field of Linguistics

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Resumo: A Lexicologia, a Lexicografia, a Terminologia e a Terminografia, todas subáreas da Linguística, abarcam os estudos teóricos e a produção de dicionários, de vocabulários e de glossários. Este artigo objetiva o estudo da microestrutura de verbetes de especialidade em dicionários de Linguística e a proposta de um paradigma definicional para os termos linguagem e Linguística Descritiva. Para tanto, definimos o que são as microestruturas conforme as normas da ISO 1087 e as contribuições de Rey-Debove (1971), de Hartmann e James (2002), de Béjoint (2010) e outros. Abordamos as definições de outside matter, middle matter e back matter. Em seguida, exploramos os paradigmas informacional, definicional e pragmático, sem deixar de considerar o paradigma de formas equivalentes para dicionários bilíngues. A seguir, baseamo-nos nas normas ISO 1087 e na teoria de Barbosa (1995, 2001) para definir o que é um dicionário, um vocabulário e um glossário. Depois, fizemos um breve estudo comparativo entre alguns dicionários de especialidade pertencentes à área da Linguística. Nessas obras, fizemos a análise da microestrutura: dos enunciados lexicográficos e dos paradigmas definicionais, focando nos verbetes linguagem e fraseologismos do termo signo, e diferenciamos o que é a microestrutura de um dicionário e a de um glossário. Finalmente, após a exposição dos conceitos e análise das obras, propusemos padrões de microestrutura e definitórios, em diferentes áreas da Linguística, cujo público-alvo seria o alunado leigo dos Cursos de Letras. Palavras-chave: terminologia; terminografia; dicionários de especialidade; macroestrutura; microestrutura. Abstract: Lexicology, Lexicography, Terminology and Terminology, all sub-areas of Linguistics, encompass theoretical studies and the making of dictionaries, vocabularies and glossaries. This article aims to study the microstructure of specialized entries in dictionaries of Linguistics and the proposal of a definitional paradigm for the term language and sign phraseologies. To that end, we defined the microstructures according to ISO 1087 norms and the contributions of Béjoint (2010), Rey-Debove (1971), Hartmann and James (2002) and others. We approach the definitions of outside matter, middle matter and back matter. Next, we explore the informational, definitional and pragmatic paradigms, while considering the paradigm of equivalent forms for bilingual dictionaries. Then, we rely on ISO 1087 and Barbosa’s theory (1995, 2001) to define what a dictionary, a vocabulary and a glossary is. Afterward, we carried out a brief comparative study among some specialty dictionaries in the area of Linguistics. In these works, we analyzed the microstructure: lexicographic statements and definitional paradigms, focusing on the entries language and sign phraseologies, and we distinguished what the microstructure of a dictionary and a glossary is. Finally, after the exposition of the concepts and analysis of the works, we proposed a microstructure and a definition standard for the entries language and descriptive linguistics, in the area of Historical Linguistics, whose target audience would be the freshmen from Language and Literature courses. Keywords: terminology; terminography; specialized dictionaries; microstructure.
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Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
eISSN: 2237-2083
DOI: 10.17851/2237-2083.28.1.205-234
A microestrutura em verbetes da área da Linguística
Microstructure in entries within the eld of Linguistics
Guilherme Fromm
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia, Minas Gerais / Brasil
guifromm@ufu.br
https://orcid.org/0000-0001-5654-0135
Márcio Issamu Yamamoto
Universidade Federal de Goiás, Regional Jataí (UFG/REJ), Jataí, Goiás / Brasil
marcioiy@ufg.br
https://orcid.org/0000-0001-9792-8187
Resumo: A Lexicologia, a Lexicograa, a Terminologia e a Terminograa, todas
subáreas da Linguística, abarcam os estudos teóricos e a produção de dicionários,
de vocabulários e de glossários. Este artigo objetiva o estudo da microestrutura de
verbetes de especialidade em dicionários de Linguística e a proposta de um paradigma
denicional para os termos linguagem e Linguística Descritiva. Para tanto, denimos
o que são as microestruturas conforme as normas da ISO 1087 e as contribuições
de Rey-Debove (1971), de Hartmann e James (2002), de Béjoint (2010) e outros.
Abordamos as denições de outside matter, middle matter e back matter. Em seguida,
exploramos os paradigmas informacional, denicional e pragmático, sem deixar de
considerar o paradigma de formas equivalentes para dicionários bilíngues. A seguir,
baseamo-nos nas normas ISO 1087 e na teoria de Barbosa (1995, 2001) para denir o
que é um dicionário, um vocabulário e um glossário. Depois, zemos um breve estudo
comparativo entre alguns dicionários de especialidade pertencentes à área da Linguística.
Nessas obras, zemos a análise da microestrutura: dos enunciados lexicográcos e dos
paradigmas denicionais, focando nos verbetes linguagem e fraseologismos do termo
signo, e diferenciamos o que é a microestrutura de um dicionário e a de um glossário.
Finalmente, após a exposição dos conceitos e análise das obras, propusemos padrões
de microestrutura e denitórios, em diferentes áreas da Linguística, cujo público-alvo
seria o alunado leigo dos Cursos de Letras.
Palavras-chave: terminologia; terminografia; dicionários de especialidade;
macroestrutura; microestrutura.
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Abstract: Lexicology, Lexicography, Terminology and Terminology, all sub-areas of
Linguistics, encompass theoretical studies and the making of dictionaries, vocabularies
and glossaries. This article aims to study the microstructure of specialized entries
in dictionaries of Linguistics and the proposal of a denitional paradigm for the
term language and sign phraseologies. To that end, we dened the microstructures
according to ISO 1087 norms and the contributions of Béjoint (2010), Rey-Debove
(1971), Hartmann and James (2002) and others. We approach the denitions of
outside matter, middle matter and back matter. Next, we explore the informational,
denitional and pragmatic paradigms, while considering the paradigm of equivalent
forms for bilingual dictionaries. Then, we rely on ISO 1087 and Barbosa’s theory
(1995, 2001) to dene what a dictionary, a vocabulary and a glossary is. Afterward, we
carried out a brief comparative study among some specialty dictionaries in the area of
Linguistics. In these works, we analyzed the microstructure: lexicographic statements
and denitional paradigms, focusing on the entries language and sign phraseologies, and
we distinguished what the microstructure of a dictionary and a glossary is. Finally, after
the exposition of the concepts and analysis of the works, we proposed a microstructure
and a denition standard for the entries language and descriptive linguistics, in the area
of Historical Linguistics, whose target audience would be the freshmen from Language
and Literature courses.
Keywords: terminology; terminography; specialized dictionaries; microstructure.
Recebido em 26 de abril de 2019
Aceito em 30 de outubro de 2019
1. Introdução
O objetivo deste artigo foi estudar a microestrutura de verbetes na
área de Linguística em alguns dicionários/glossários de especialidade e
propor uma microestrutura e um paradigma denicional para uma obra
terminográca na área da Linguística.
O interesse pelo tema surgiu a partir da seguinte pergunta:
podemos distinguir um glossário (ou vocabulário, dependendo da linha
teórica adotada
1
) de um dicionário a partir da microestrutura de seus
verbetes? Encontramos algumas problemáticas quando verificamos
verbetes de dicionários/glossários: a microestrutura de ambos não se
diferencia de obra para obra; a microestrutura varia dentro de uma mesma
obra lexicográca e/ou terminográca. Será que a macroestrutura,
1 Como a divisão tripartite adotada por Barbosa (1995): dicionário, vocabulário e glossário.
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com a quantidade e os tipos de verbetes selecionados, poderia nos indicar
uma diferença entre um e outro? Nossos objetivos são, primeiramente,
analisar como são arquitetadas as macroestruturas dessas obras a partir da
proposta de Hartmann e James (2002). Em segundo lugar, denir o que são
as microestruturas de obras lexicográcas e terminográcas e, através de um
estudo comparativo entre alguns dicionários de especialidade e glossários na
área de Linguística, achar, se possível, o que é especíco numa microestrutura
de dicionário e o que é especíco numa microestrutura de glossário.
A m de embasar nossa proposta, descreveremos as denições da
macro e da microestrutura baseados das seguintes fontes: (i) ISO 1087,
(ii) Rey-Debove (1971), (iii) Hartmann e James (2002) e (iv) Béjoint
(2010). Ademais, tratamos dos tipos de padrões de denição segundo
Bevilacqua e Finatto (2006).
O corpus de análise selecionado enfoca quatro dicionários na
área de Letras, pertencentes à área de Linguística:
(i) o Dicionário de Linguística e Gramática, de Mattoso Camara
Jr. (1986);
(ii) o Dicionário de Linguística e Fonética, de Davis Crystal,
tradução e adaptação de Maria Carmelita Pádua Dias (2000);
(iii) o Dicionário de Linguística, de Dubois et al. (2004); e
(iv) o Dicionário de Linguística da Enunciação, de Valdir do
Nascimento Flores et al. (2009).
Para analisar a microestrutura, decidimos trabalhar com dois
verbetes, um substantivo comum em todos eles: linguagem e fraseologias
envolvendo o termo signo. Acreditamos, por experiência na área, que
essa classe gramatical, a dos substantivos, seja a mais comum, recorrente
em obras terminográcas, dado registrado também pela literatura na
área de Terminologia (SILVA, 2006). Analisamos fraseologias do termo
signo considerando a armação de Aubert (2001, p. 66), a partir da qual
entendemos que termos compostos por mais de uma unidade lexical são
mais frequentes na terminologia que na Lexicograa.2
2 “Com efeito, diferentemente do que ocorre na descrição lexicográca (vide Cap. I, item
2.2), em que a grande maioria dos verbetes é composta de unidades monovocabulares,
as designações descritas pela terminologia abarcam, com extrema freqüência (não raro
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2. Dicionário, Vocabulário e Glossário
O primeiro passo foi a diferenciação dos conceitos relaciona-
dos aos trabalhos terminográcos. Dentre as obras que fazem parte do
corpus, encontramos quatro títulos, todos denominados dicionários
(aqui englobando os dicionários de especialidade nas áreas de Lin-
guística, Fonética e Linguística da Enunciação).
Adiante, discutiremos neste artigo as denições de (i) dicionário,
(ii) vocabulário e (iii) glossário. Para tanto, apresentaremos dois modelos
teóricos: um pertencente à norma ISO 1087 (AUBERT, 2001, p. 41) e
o outro proposto por Barbosa (1995, 2001).
A normal ISO 1087 dene dicionário da seguinte forma:
“6.2.1 dicionário: coleção estruturada de unidades lexicais
com informações linguísticas acerca de cada item.” (tradução nossa).3
a denição de um dicionário terminológico (ou técnico)
apresenta-se conforme exposto abaixo:
“6.2.1.1 dicionário terminológico (termo admitido: dicionário
técnico): Dicionário (6.2.1) no qual há dados terminológicos (6.1.5) de
um ou mais campos cientícos especícos (2.2).”4
As denições previamente expostas são distintas daquela para
vocabulário:
“6.2.1.1.1 vocabulário (termo admitido: glossário): dicionário
terminológico (6.2.1.1) no qual há a terminologia (5.1) de uma área
especíca (2.2) ou de áreas de temas relacionados (2.2) e baseado em
trabalho terminológico (8.2).”5
acima de 50% do inventário total), formas compostas de duas, três ou mais palavras”
(AUBERT, 2001, p. 66).
3 6.2.1 dictionary: Structured collection of lexical units with linguistic information
about each item ISO 1087, p.10 (essa e as duas próximas denições).
4 6.2.1.1 terminological dictionary (admitted term: technical dictionary): Dictionary
(6.2.1) containing terminological data (6.1.5) from one or more specic subject elds (2.2).
5vocabulary (admitted term glossary): terminological dictionary (6.2.1.1) containing
the terminology (5.1) of a specic eld (2.2) or of related subject elds (2.2) and
based on terminology work (8.2)”
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De acordo com a NORMA ISO 1087, é possível observar
uma objetividade na forma de denir dicionário. Contudo, ao denir
o dicionário técnico ou terminológico e o vocabulário ou glossário, a
norma não distingue os limites claramente. Observamos que o diferencial
entre o dicionário técnico e o vocabulário é que este é concebido a partir
de um processo terminológico. Diante do exposto, os questionamentos
que permanecem são: para a concepção de um dicionário técnico também
não se faz necessário um trabalho terminológico prévio? Em realidade,
as obras glossário e vocabulário são distintas ou não (neste contexto
concebidas como sinônimos6)?
Tendo em vista essas dúvidas e os títulos dos dicionários
analisados, resolvemos trabalhar com o modelo proposto por Barbosa
(1995, 2001), o qual consideramos mais coerente.7
Barbosa (1995, 2001) enquadra as obras lexicográficas e
terminográcas de acordo com os diferentes níveis de atualização da
língua. As obras que lidam com o léxico manifestado nos lexemas, ao
nível do sistema, são os dicionários. Aquelas cujo objeto são os conjuntos
vocabulários (ou terminológicos), manifestados nos vocábulos ou termos,
e abrangem o nível da norma são os vocabulários (técnico-cientícos e
especializados). Por m, as obras que respondem pelo conjunto de itens
provenientes de um texto especíco, manifestados pelas palavras no nível
da fala são os glossários. Essas informações estão melhor apresentadas
no Quadro 1.
Podemos esquematizar essas e outras informações apresentadas
pela autora no Quadro 1:
6 Pelo menos na entrada em inglês da norma, o que parece não se repetir na versão
em francês.
7 De um modo geral, a maioria dos autores não se preocupa em inserir seus
trabalhos dentro de alguma concepção teórica de tipologia das obras lexicográcas
ou terminográcas. Eles costumam classicar seus trabalhos como glossários ou
dicionários especializados, mas não indicam o padrão que estão seguindo e nem porque
os nomearam desta ou daquela maneira.
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QUADRO 1 – Diferença entre obras que trabalham com o léxico
Dicionário Vocabulário Glossário
Nível do sistema Nível da norma Nível da fala
Engloba o léxico
disponível de forma geral
Engloba conjuntos pertencentes
a uma área de especialidade
Engloba itens extraídos de um
texto especíco
Unidade: lexema
(signicado abrangente;
frequência regular)
Unidade: vocábulos/termos
(signicado restrito; alta
frequência)
Unidade: palavras (signicado
particular; aparição única)
Apresenta todas
(teoricamente) acepções
de um mesmo verbete
Apresenta todas as acepções de
um verbete dentro de uma área
de especialidade
Apresenta uma única acepção
do verbete (dentro de um
contexto determinado)
Fonte: sistematizado e adaptado a partir de Barbosa (FROMM, 2002).
3. Estruturas das obras e verbetes
É importante sabermos igualmente como se constituem
estruturalmente as obras lexicográcas e/ou terminográcas. De um modo
geral, essa estrutura está dividida em duas grandes partes: a macro e a
microestruturas. Expomos, a seguir, suas características.
3.1 A macroestrutura
A macroestrutura representa a estruturação geral das obras
lexicográcas ou terminográcas. Segundo Rey-Debove (1971, p. 21),
esta macroestrutura também pode ser denominada “nomenclatura”. Já de
acordo com a denição de Hartmann e James (2002), a macroestrutura
de um dicionário é a estrutura generalizada de acesso a uma obra de
consulta dicionarística. Isto implica em como as entradas são organizadas,
geralmente na forma alfabética. Além dessa forma, os autores mencionam
as entradas organizadas por campos semânticos, por dados cronológicos
ou pela frequência. Hartmann e James (2002) trazem uma descrição mais
detalhada para denir os componentes de uma macroestrutura. Ela seria
constituída de três componentes:
(i) outside matter (front matter), constituindo-se do prefácio,
o guia do usuário, a página como dados bibliográcos, os
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agradecimentos e a dedicatória, a lista de colaboradores, a lista de
abreviações e as ilustrações. Simplicando, poderíamos chamar
este primeiro componente da introdução de um dicionário;
(ii) middle matter, cuja composição seria de painéis, páginas
ilustrativas, mapas, diagramas, esquemas, dados enciclopédicos,
classicação de termos gramaticais, imagens e campos semânticos;
e
(iii) back matter, composta pela lista de nomes próprios, dados
geográficos, classes militares, tabelas de pesos e medidas,
abreviaturas, tabela de elementos químicos, fraseologias, notas
musicais etc. Resumindo, a parte nal de uma obra lexicográca.
À junção desses três componentes: a front/outside matter, a middle
matter e a back matter, os autores dão o nome de megaestrutura. Para
Béjoint (2010) a macroestrutura, também chamada de lista de palavras,
representa “o grupo de entradas sistematizado em ordem especíca,
utilizado parcialmente para uma leitura vertical, quando da busca por
informações especícas por parte dos consulentes”, equivalente ao termo
inglês word-list. Essa estrutura corresponde ao conjunto de itens lexicais
presentes na mente dos consulentes de forma virtual.
Resumindo, podemos dizer que, no dicionário, a macroestrutura é
composta pelo inventário lexical de uma língua determinada. Na próxima
seção descrevemos a composição da microestrutura.
3.2 A microestrutura
A microestrutura, para a norma ISO 1087, é a “organização de
dados de cada entrada de um dicionário”.8 Ela disponibiliza dados sobre
as entradas e é composta de um número especíco de informações ou
campos que podem ser alterados, de acordo com a tipologia do dicionário,
trazendo dados como: pronúncia, etimologia, sinônimos, ortograa etc.,
ou seja, ao nos referimos à microestrutura, estamos considerando o verbete
per se e os dados sobre ele (BÉJOINT, 2010, p. 13).
De acordo com Andrade (2000), a microestrutura de um verbete
seria composta, basicamente, por: artigo + enunciado lexicográco. A
composição desse enunciado se dá em quatro possíveis níveis:
8 “6.2.2 Microstructure: Organization of data in each entry (6.2.2.2) of a dictionary (6.2.1)”.
(ISO 1087).
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Paradigma Informacional (PI): englobando
abreviaturas, categoria gramatical, gênero, número,
pronúncia, conjugação, homônimos etc.;
Paradigma Denicional (PD): composto pelos semas
ou unidades de sentido;
Paradigma Pragmático (PP): disponibiliza dados
provenientes de contextos reais de língua (como
corpora) ou literários (abonações).
Paradigma de Formas Equivalentes (PFE):
basicamente, a tradução da entrada.
Exceto pelo Paradigma Definicional, consensualmente
considerado como essencial na composição de uma microestrutura, os
outros podem apresentar uma composição variável, de acordo com a linha
teórica adotada, o público-alvo, as diretrizes de publicação da obra etc.
Uma possibilidade de microestrutura básica se apresentaria, portanto,
da seguinte maneira:
Artigo= {+ entrada9 + enunciado lexicográco (+ denição)}10
Poderíamos, porém, criar um verbete com a seguinte
microestrutura:
Artigo= {+ entrada + enunciado lexicográco (+/- PI
1
+ PD +/- PP)}
Como em qualquer obra lexicográca ou terminográca, uma
pesquisa com o público-alvo é o que indica a forma de elaboração das
estruturas (macro e micro) do trabalho. Sem um estudo prévio desse
público-alvo, a obra de referência pode “falhar” em sua proposta. Campos
(1994) já chamava a atenção para esta questão: “...o problema da clareza
da denição está diretamente ligado a um questionamento anterior: quem
é o público-alvo do dicionário”.11 Ele destaca o trabalho de elaboração
do dicionário Cobuild, com uma microestrutura diferenciada:
A
rtigo= {+ entrada + enunciado lexicográco (+ PP [+ entrada] + PD)}
9 O verbete, ou a entrada do dicionário/glossário.
10 Onde o sinal + representa a obrigatoriedade e o sinal +/- a opcionalidade.
11 “El problema de la claridad de la denición está estrechamente ligado con una cuestión
previa: a quién está dirigido el diccionario”.
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Fica claro, na estrutura acima, que a entrada aparece duas vezes
no artigo: como entrada em si e repetida dentro da microestrutura,
entre o paradigma pragmático e o denicional. Campos (1994) também
cita a preocupação dos autores da obra no uso de um vocabulário o
mais básico possível na construção da denição, facilitando sua leitura
e evitando a circularidade dentro do dicionário.
Continuando com noções sobre a microestrutura, Hartmann e
James (2002) dizem que ela está relacionada ao formato dos verbetes,
em como os paradigmas denicionais são apresentados, e qual é o seu
nível de adequação, levando-se em consideração o seu público-alvo.
Outro aspecto a se considerar na microestrutura é como a organização
dos signicados dos verbetes é construída. A microestrutura disponibiliza
dados especícos e pormenorizados sobre o verbete, especicando traços
semânticos e estruturais citados previamente tais quais, a pronúncia, a
classe gramatical, a ortograa, a etimologia etc. Nos casos em que
mais de uma acepção para um dado verbete, diferentes denições são
concebidas para cada uma delas.
A exemplicação de uma microestrutura com seus componentes
é feita por Hartmann e James (2002), como mostra a Figura 1 a seguir.
FIGURA 1 – Uma microestrutura segundo a proposta de Hartmann e James (2002)
Na estrutura presente na Figura 1, observamos que há o verbete,
a entrada ou o lema (headword/lemma); em seguida, são apresentados os
dados referentes à ortograa, à pronúncia e à gramática; na sequência,
encontramos a denição propriamente dita, com as acepções possíveis,
separadas por ponto e vírgula, a etimologia e o possível uso do lema,
neste caso como arcaísmo linguístico.
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Além da estrutura apresentada na Figura 1, os autores propõem
que à microestrutura também podem se juntar a entrada ou o verbete, o
conceito pertencente aquele termo, o registro da primeira aparição ou uso
(em geral acompanhado da denição em uma obra de referência). Além
desses dados, há a possibilidade de se estabelecer as correspondências
entre o termo e seu conceito.
Béjoint (2004) é outro autor que trata da microestrutura, denindo-a
como o conjunto de dados disposto horizontalmente nas obras lexicográcas
e/ou terminográcas. Na microestrutura podemos encontrar as denições,
as classicações gramaticais dos termos, as informações enciclopédicas,
os exemplos etc. Em um dicionário ou vocabulário, é esperado que essa
estrutura seja recorrente para que o manuseio da obra, pelo usuário, seja
facilitado. Outra razão para tal recorrência estrutural é a necessidade de
padronização, e também o fato de revelar os traços identitários da obra.
Diante disso, há a expectativa de que os dicionários modernos tragam em
sua elaboração, constituição e apresentação a uniformidade de suas entradas
em termos de conteúdo, organização e formatação.
3.3 Microestrutura x Macroestrutura
Ao compararmos as propostas de estruturas levantadas
por Hartmann e James (2002) e Béjoint (2004), constatamos que a
macroestrutura é um componente constituído de certa maleabilidade,
o que signica que é possível adicionar ou subtrair um verbete de um
dicionário sem prejudicar a qualidade da mesma. De igual modo, não
se pode conceber uma obra lexicográca sem sua macroestrutura; na
ausência de tal componente, a obra falha em ser classicada como um
dicionário. O que identica um dicionário é a interação que entre
a macro e a microestrutura: todos os verbetes fazem parte de uma
macroestrutura e, consequentemente, apresentam uma microestrutura,
e todos os itens lexicais constitutivos da microestrutura devem, em
geral, ser contemplados na macroestrutura, isto é, os dicionários são
estruturas “fechadas” (BÉJOINT, 2004, p. 12, 13).
O aspecto fechado de uma obra lexicográca é em partes diferente
do que encontraremos em obras terminográcas. Segundo Bevilacqua e
Finatto (2006), o fazer lexicográco, por objetivar o registro do léxico
de uma língua, em geral privilegia o princípio da frequência para o
registro das unidades lexicais. Em contrapartida, as obras terminográcas
tenderão a partir do princípio da relevância do termo para uma área
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especíca a m de decidir pelo seu registro ou não. Como analisamos
obras intituladas Dicionários, esse paradigma norteador será considerado
para o enquadramento da obra como sendo de caráter mais lexicográco
ou terminográco.
4. Elaboração da denição
O terceiro passo que detalhamos aqui, para a análise das obras, é
a construção da denição. Existem três grandes paradigmas de denições
usados para a organização dos conceitos em uma obra: (i) a denição
enciclopédica, (ii) a denição lexicográca e a (iii) terminológica,
denidas a seguir.
A definição enciclopédica é mais detalhada e abrangente,
reunindo em si informações sobre o referente e sobre a descrição de
coisas; a denição lexicográca disponibiliza predominantemente as
informações linguísticas dos verbetes/palavras; e, nalmente, a denição
terminológica, disponibiliza dados formais sobre “coisas” ou fenômenos
(FINATTO, 1998, p. 2).
Além desses padrões, as informações podem ser organizadas
de acordo com o padrão GPDE (também denominado aristotélico),
gênero próximo, diferenças especícas (FINATTO, 2001). Esse padrão
estabelece que as informações usadas para construção da denição do
termo sejam hierarquizadas, partindo-se da relação de hiperonímia para
a de hiponímia dos elementos usados na construção da denição nal.
No próximo item, apresentamos o corpus usado para análise das
micro e macroestruturas e sua descrição.
5. Dados analisados – microestrutura
São apresentadas, no Quadro 2, as estruturações dos verbetes
(por uma questão de espaço, descreveremos apenas o Enunciado
Lexicográco; suas versões na íntegra se encontram no anexo) do termo
linguagem e de fraseologismos12 para o termo signo dentro de cada obra,
a m de analisarmos suas respectivas microestruturas.
12 Entendemos por fraseologismo unidades lexicais constituídas pela polilexicalidade
(combinações de duas ou mais UL, formando um sentido único), a fixação e a
convencionalidade (proveniente do uso repetitivo), como proposto por Monteiro-Plantin
(2014).
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QUADRO 2 – Microestrutura – Enunciados lexicográcos
DICIONÁRIO TERMOS
Linguagem Fraseologismos terminológicos
com signo
Dicionário de
Linguística e
Gramática
{[PD + PP]}
Unidades sintagmáticas
Signo linguístico: acepção de dêixis
[PD]
Dicionário de
Linguística e Fonética
[PD + PP]
Unidades sintagmáticas [PD]
Signo linguístico: acepção de signo
[ PI + PD]
Dicionário de
Linguística [PD + PI] signo-símbolo
[PD]
Dicionário de
Linguística da
Enunciação
{[PI (categoria gramatical +
autor) + PD]}
[PP (Outras denominações)]
[PD]
[PP (Fonte da denição +
Nota explicativa + Fonte da
nota + Leitura recomendada +
Termos relacionados) ]
Signo ideológico
{[PI (categoria gramatical + autor)
+ PD]}
[PP (Fonte da denição + Nota
explicativa + Fonte da nota +
Leitura recomendada + Termos
relacionados)]
Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dicionários selecionados
No caso do Dicionário de Linguística e Gramática (MATTOSO
CAMARA JR., 1986), primeiramente observamos que a obra não
dispõe de um paradigma informacional: não traz informações como
classicação gramatical dos termos, o gênero, o número, a pronúncia
etc. (tanto para o termo em si quanto para o fraseologismo). Em segundo
lugar, o paradigma pragmático aparece apenas no termo linguagem, mas
não no fraseologismo terminológico (doravante FT) signo linguístico;
o paradigma informacional não aparece em nenhum momento. O autor
marca as remissivas de duas formas diferentes: (1) verbete em caixa alta
ou (2) com a letra v entre parênteses: (v.). Finalmente, constatamos, a
partir dos exemplos, que há uma circularidade na obra como um todo.
Por exemplo, para denir o termo signo, o autor recorre às remissivas
símbolo e dêixis. Na entrada símbolo o autor dene o termo signo e
na entrada dêixis ele dene o FT signo linguístico (que é denido no
217
Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
formato de acepção13). Dentro deste PD, o autor insere a denição de
signo linguístico por meio de um contexto explicativo, no qual o signo
é marcado por dois constituintes: o símbolo e o sinal.
No Dicionário de Linguística e Fonética (CRYSTAL, 2000),
para o termo linguagem encontramos os paradigmas denicional e
o pragmático. A palavra ver introduz o paradigma pragmático e, na
sequência, há a citação das referências: o autor e o ano, dois pontos
e o capítulo sugerido para leitura. Ex.: Ver Robins (1979, Cap. 1).
Encontramos o FT signo linguístico como elemento constituinte da
microestrutura do termo signo, ou seja, ele não é apresentado como um
verbete à parte e sim como acepção. O paradigma denicional de signo
linguístico é construído de forma explicativa, no qual o autor o contrapõe
às outras categorias do signo.
Na obra Dicionário de Linguística (DUBOIS et al., 2004), o
verbete linguagem apresenta os paradigmas denicional e pragmático;
o paradigma informacional disponibiliza dados como: etimologia e
classicação gramatical para alguns verbetes de forma não padronizada.
Os autores explicam os conceitos de signos a partir da perspectiva da
Semiótica. Dessa forma, eles associam o conceito de signo aos conceitos
pré-existentes da Semiótica; essa é a razão pela qual os FT signo-indício,
signo-sinal, signo-símbolo e signo(s) linguístico(s) fazem parte do
paradigma denicional do verbete signo. Escolhemos o FT signo-símbolo
para fazermos a análise de seu paradigma denicional. Primeiramente,
Dubois et al. (2004) associam o signo ao conceito de símbolo, ressaltando
sua predominância na forma visual gurativa. Depois, os autores denem
o FT e ressaltam o traço semântico abstrato existente entre o signo-
símbolo e sua representação, exemplicado pela ideia de justiça associada
à balança (DUBOIS et al., 2004, p. 541).
No Dicionário de Linguística da Enunciação (FLORES et al.,
2009), a macro e a microestrutura disponibilizam um padrão mais atual
de denições ao usuário, no qual há campos diferentes para as estruturas.
Nestes campos, como no termo linguagem, há a (1) classificação
gramatical, o (2) autor, (3) outras classicações (termos e FT), o (4)
padrão denicional conciso e objetivo (padrão GPDE com oração única),
13 Neste caso o FT signo linguístico não aparece no formato tradicional de entrada, mas
sim como acepção (também num formato não tradicional). De um modo geral, a obra
de Mattoso apresenta o problema de circularidade.
Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
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a (5) fonte da denição, a (6) fonte das notas, as (7) notas explicativas,
os (8) termos remissivos e a (9) sugestão de leitura. Nesta obra, o FT
signo ideológico é apresentado, seguindo a padronização da obra, com
o PI, o PD e o PP. No PI, os autores trazem a categoria gramatical
(s.m.) e o autor a partir do qual o conceito para denição foi extraído.
Em seguida, há o PD, de perl terminológico, seguido pelo PP, no qual
consta a fonte da denição, a nota explicativa, de caráter enciclopédico,
a fonte da nota (BAK95b), as leituras recomendadas (BAK95b; CLA98;
FAR03) e, nalmente, os termos relacionados (remissivas) acento de
valor, refração e sinal.
Na próxima seção apresentaremos a análise dos paradigmas
denicionais de cada obra. Posteriormente, faremos a análise desses
paradigmas, considerando o padrão GPDE.
6. Análise dos paradigmas denicionais
A seguir, apresentamos a descrição dos paradigmas denicionais
das obras analisadas, como os autores construíram esses paradigmas, os
itens que os compuseram, e se enquadraram mais nos padrões de denição
lexicográca, enciclopédica ou terminográca.
No Dicionário de Linguística e Gramática de Mattoso Camara
Jr. (1986), o autor constrói um paradigma denicional com acepções
sucintas, além de referenciar e conceituar o termo a partir da perspectiva
de outros autores (cita o autor e ano da obra). Essa organização dos
conceitos é sistematizada em forma de itens. Para os verbetes, observamos
a existência de um paradigma denicional parcialmente lexicográco,
enciclopédico e terminológico. Mattoso Camara Jr. inicia a denição
seguindo o padrão GPDE; depois observamos uma certa circularidade
na construção, retomando informações previamente registradas.
Faculdade que tem o homem de exprimir seus estados mentais
por meio de um sistema de sons vocais chamado língua (v.), que
os organiza numa REPRESENTAÇÃO compreensiva em face
do mundo exterior objetivo e do mundo subjetivo interior. [...]
A linguagem se realiza, em princípio, numa espécie de drama
entre o FALANTE (a pessoa que a transmite) e o OUVINTE (a
pessoa a quem ela se dirige) na base de um ASSUNTO (a parcela
de representação mental que nela se consubstancia), mas na
manifestação psíquica o ouvinte não é levado diretamente em
conta. (MATTOSO CAMARA JR., 1986, p. 158 – grifo nosso).
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Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
É possível observar a circularidade de ideias na denição anterior,
perl que difere da denição terminográca, mais concisa e objetiva.
No Dicionário de Linguística e Fonética (CRYSTAL, 2000),
observamos uma microestrutura unicada, na qual grande parte dos
verbetes são denidos com: termo utilizado/usado por/na etc. Como
na obra de Mattoso Camara Jr. (1986), as microestruturas são de cunho
enciclopédico, terminológico e lexicográco. O paradigma denicional traz
diagramas e esquemas para ilustrar os conceitos, além de indicar autores e
obras por meio de remissivas. Se os verbetes existentes no dicionário são
encontrados na obra, eles são grafados com letras maiúsculas, sinalizando
aos consulentes que há a possibilidade de explorá-los na obra como uma
remissiva. A segunda opção de encontrar as remissivas é a marcação em
(cf. REMISSIVA). Nesse dicionário notamos o padrão GPDE com um
paradigma de caráter não só denicional, mas também explicativo. Este
perl explicativo torna as denições mais longas e foge do perl mais
sucinto proposto pelo padrão da denição terminológica. Ademais, o
autor se preocupou em fornecer dados sociolinguísticos do uso do termo,
tendendo mais ao padrão enciclopédico: “A aplicação popular do termo
se concentra nos modos de comunicação que não são fala ou escrita (a
“linguagem do corpo”, a “linguagem dos olhos”). Pode ser aplicado
ocasionalmente à comunidade animal natural [...]. Pode ser igualmente
usado para indicar a “língua” ou o “dialeto”. Finalmente, observamos que
no paradigma denicional, o autor insere várias remissivas, destacadas
no texto, escritas com letras maiúsculas.
O Dicionário de Linguística, de Dubois et al. (2004),
disponibiliza os paradigmas denicionais de cunho enciclopédico,
lexicográco e terminológico. Podemos observar que a denição de
caráter enciclopédico é prevalente neste dicionário, de forma que o padrão
GPDE é usado para construir as denições do termo (sublinhadas no
excerto). Os autores partem de um dos conceitos usados nessas denições
e buscam denir esse segundo termo; isso gera a explicação de um
termo segundo dentro do paradigma denicional de um termo primeiro:
“Linguagem é a capacidade especíca à espécie humana de comunicar por
meio de um sistema de signos vocais (ou língua*), [...] Esse sistema de
signos vocais utilizado por um grupo social (ou comunidade linguística)
determinado constitui uma língua particular (DUBOIS et al., 2004,
p. 387). Em suma, podemos dizer que um conjunto de denições,
dentro do mesmo paradigma denicional, o que pode confundir o leitor,
dependendo de seu nível de conhecimento na área da Linguística.
Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
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No Dicionário de Linguística da Enunciação (FLORES et
al., 2009), constatamos que a presença dos padrões denitórios de
caráter lexicográco e enciclopédico nas notas explicativas, e o de caráter
terminológico nas denições. Nas denições, há a prevalência de uma
oração inicial e nal com a denição de cunho terminológico da entrada.
Observamos também a preocupação em padronizar a apresentação dos
verbetes e paradigmas denicionais de forma acessível aos leigos. Nesse
dicionário, o padrão GPDE é usado para as denições de forma objetiva,
segundo cada autor especíco (Bally, Benveniste, Culioli, Jakobson):
“conjunto dos sistemas estrutural e de uso da língua.” Além de seguir o
padrão GPDE, os autores usam o padrão terminológico para construção
do paradigma denicional. Este perl adotado pelos atores difere das
obras anteriores, já que nelas observamos denições longas, marcadas
pela circularidade, às vezes enciclopédicas, outras lexicográcas.
7. Por uma proposta de microestrutura
Nesta seção, a partir do apanhado geral da microestrutura e dos
PDs das obras analisadas, apresentamos uma proposta de construção
de microestrutura que atenda ao público de estudantes de Linguística
e Letras.
Considerando que, em geral, as obras terminológicas objetivam
a comunicação especializada entre um grupo de especialistas para um
grupo de aprendizes, a estrutura apresentada pela maioria das obras falha
em atender a esse objetivo. Isto acontece porque as estruturas escolhidas
pelos autores exigem um conhecimento prévio da Linguística, o que
impede que a maioria das obras analisadas sirva ao propósito de capacitar
o aprendiz quanto à terminologia e conceitos da área da Linguística. Para
que este objetivo seja atingido, a proposta feita por Flores et al. (2009)
pode ser um modelo a ser seguido. Sua denição objetiva e concisa,
seguindo o padrão GPDE e com um viés terminológico, auxilia o leitor
a entender melhor os conceitos linguísticos e as notas explicativas
(com um caráter mais enciclopédico) ajudam aqueles que buscam um
aprofundamento na especicidade dessa área.
Após a análise dessas estruturas, propomos padrões de
microestrutura e denitórios para um vocabulário de Linguística, que
apresentem estruturas semelhante àquelas do Dicionário de Linguística
da Enunciação. Buscamos construir uma denição alinhada ao padrão
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Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
terminológico, com informações de caráter lexicográco e enciclopédico
registradas em um campo denominado NOTA. O público alvo a ser
atendido seriam alunos iniciantes de Curso de Letras e estudantes de
Linguística em geral. Apresentamos, a seguir, dois esboços para os
padrões discutidos, em formato bilíngue (português/inglês):14
QUADRO 3 – Verbete “linguagem/language”
linguagem. Linguística Histórica. s.f.s. sistema de sinais, escrito ou falado,
usado pela humanidade para comunicação de ideias, marcado pela variabilidade,
considerado uma ciência moral e histórica. Nota: forma de expressão linguística
do pensamento, de nível consciente e abstrato. Ex.: Para Coutinho (1938: 16), a
“Glotologia” (“denominação italiana”), “Linguística” (“termo preferido pelos
franceses”) ou “Glótica” (“termo da escola alemã”) é a “ciência que estuda
a origem e o desenvolvimento da linguagem. Sinônimos: ciência histórica e
moral. Hipônimo de: humanidade; ideias; pensamentos; espírito; criação social;
Glotologia. Hiperônimo de: sinais; sincronia; diacronia; sistemas linguísticos;
vocábulos; linguagem escrita; linguagem falada. Veja Também: analogia, léxico.
Córpus: Posição na Ordem de Frequência: (210); Nº de Ocorrências do termo:
(439). Informações Enciclopédicas: Linguagem pode se referir tanto à capacidade
especicamente humana para aquisição e utilização de sistemas complexos de
comunicação, quanto à uma instância especíca de um sistema de comunicação
complexo. Em: Linguagem – Wikipédia.
language. Historical Linguistics. n.m/f.s. system used to produce meaning, reference, naming
and used by different groups of people for communication. Note: types of language comprise
philosophical, sacral, baby, hunters’, legal, children’s, thieves’ and wooers’. Ex.: (Thieves
using lchmans were popularly called anglers; -man, more often -mans, was a Common
sufx in thieves’ language: H. Webster [1943:232].). Hypernym of: words; language; term.
See Also: lexicon. Corpus: Frequency order position: (29); Term number of occurrences:
(2686). Encyclopedic Information: any means of expressing or communicating, as gestures,
signs, or animal sounds: body language. In: Language – Wikipedia.
Fonte: elaborado pelos autores.
14 Importante notar, aqui, que as versões em português e inglês não são exatamente
as mesmas. Como nossa proposta se baseia na elaboração das estruturas a partir dos
exemplos selecionados em corpora equivalentes (textos sobre a mesma área, mas não
necessariamente originais/traduções), exemplos e denições variam entre as línguas.
Nesta proposta, temos dois vocabulários monolíngues em contraste; o que os une é a
macroestrutura, onde a equivalência conceitual é a chave para unir os termos.
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Como pode ser observado no Quadro 3, listamos o termo, a
subárea a qual ele pertence, sua classicação gramatical, a denição
terminográca, a nota, os exemplos de co-texto no qual se insere, as
relações de sinonímia, hiponímia, hiperonímia (caso existam no corpus),
os termos remissivos, os dados no corpus e as informações enciclopédicas
(ligadas por link à Wikipédia). No Quadro 4, apresentamos uma proposta
de denição de fraseologismos terminológicas na área da Linguística.
QUADRO 4 – Verbete “linguística descritiva/descriptive linguistics”
l
inguística descritiva. Linguística. m.s. subárea da Linguística, de método
sincrônico, que documenta e analisa as línguas do mundo, fundamentada em dados
concretos cujo intuito é compreender o processo estrutural da língua. Ex.: Os
linguistas nunca deixaram de armar a importância do aspecto histórico das línguas.
Dentre estes, destacamos Maurer Jr. que concebeu a linguística composta em dois
setores: a linguística descritiva (sincrônica) e a linguística histórica (diacrônica).
Segundo o autor, a LH “constitui um complemento imprescindível para que essa
ciência seja completa, pois interpreta e explica os fatos que a primeira (sincronia)
colige.” (MAURER JR., 1967, p. 40). Co-hipônimos: Linguística Aplicada;
Linguística Histórica; Linguística Estrutural; Linguística Histórica-Comparatista;
Linguística Contrastiva. Veja Também: linguística. Córpus: Posição na Ordem
de Frequência: (66); Nº de Ocorrências do termo: (7434). Nº de Ocorrências do
fraseologismo: (18). Informações Enciclopédicas: estudo do mecanismo pelo
qual uma dada língua funciona, como meio de comunicação entre seus falantes.
Em: Linguística Descritiva – Linguística em foco.
descriptive linguistics. Linguistics. n.m./f.s. subarea of Linguistics that
describes languages grounded in systematic empirical observation, rejecting
the normative prescription of one specic style. Ex.: In this way, tone interval
theory greatly increases the phonetic transparency of the description of English
intonation as compared to the paradigmatic framework. That theory, by contrast,
treated signicant turning points with inconsistency, even when we assumed that
its input-output relations operated as they have been presumed to in descriptive
linguistics. In contrast, tone interval theory formalizes a relationship between
phonology and phonetics such that every signicant turning point is assumed to
arise from a tone. Hyponym of: discipline. Hypernym of: American structuralism;
intonation; phonetics; phonology; language; grammarians; lexicographers. See
Also: linguistics. Corpus: Frequency order position: (5924); Term number of
occurrencies: (113). Phraseologism number of occurrences: (20). Encyclopedic
Information: the work of objectively analyzing and describing how language is
actually used (or how it was used in the past) by a group of people in a speech
community. em: Linguistic descriptionWikipedia.
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A microestrutura do termo Linguística Descritiva/Descriptive
Linguistics, retratada no Quadro 4, é semelhante àquela do Quadro 3,
portanto, salientamos as diferenças presentes neste último se comparado
ao anterior. A primeira diferença é que no Quadro 4 não há Notas, pois o
corpus não trouxe informações sucientes para tal informação adicional.
Neste padrão encontramos co-hipônimos (Linguística Aplicada;
Linguística Histórica; Linguística Estrutural; Linguística Histórica-
Comparatista; Linguística Contrastiva). Finalmente, a outra distinção é
quanto ao número de ocorrências do termo e do fraseologismo no corpus.
O número do termo é referente ao termo-base, neste caso linguística, e
o número de fraseologismos, relacionado a quantas vezes a fraseologia
aparece no corpus. Neste exemplo, temos o termo linguística recorrendo
7434 vezes no corpus em português e 113 vezes no corpus de inglês.
Os termos fraseológicos linguística descritiva e descriptive linguistics
recorrem 18 e 20 vezes, respectivamente.
Esses modelos são apenas dois, dentre vários possíveis, na
construção de uma microestrutura terminológica. Como já citado
anteriormente, essa microestrutura deve levar sempre em conta o
público-alvo desejado. Tendo esta questão em mente, a elaboração da
denição, por exemplo, deveria ser pensada a partir de uma pesquisa
com esse público-alvo, para que ele decida qual tipo de denição é a
mais apropriada para seu entendimento.
8. Conclusão
Neste artigo denimos os conceitos de dicionário, glossário e
vocabulário a partir da perspectiva da Terminologia, e desenvolvemos um
estudo analítico da macro e microestrutura de verbetes de especialidade
em dicionários de Linguística, de Fonética e Linguística da Enunciação.
Na análise da microestrutura de dicionários, denimos outside matter,
middle matter e back matter. Exploramos os paradigmas informacional,
denicional, pragmático e de formas equivalentes (obras bilíngues)
e propusemos um padrão de microestrutura para um vocabulário de
Linguística, direcionado para alunos iniciantes do Curso de Letras como
público-alvo.
Como resultado da análise dos dicionários, observamos que as
obras não compartilham de um mesmo padrão quanto à microestrutura
nem quanto aos paradigmas denicionais. obras com perl mais
enciclopédicos e outra de cunho mais terminológico, revelando que o
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nível de estrutura das informações, às vezes, é de obras que comunicam
de especialista para especialista (Dicionário de Linguística e Gramática
Mattoso Camara Jr., Dicionário de Linguística e Fonética David
Crystal, Dicionário de Linguística – Dubois et al., 2004).
Obras de autores mais antigos da área da Linguística parecem
nos mostrar que não havia uma preocupação pormenorizada com a
taxonomia da área. Atualmente, é possível observar que as obras
são mais especícas, concebidas a partir de um olhar proveniente de
subáreas da Linguística, como o Dicionário da Linguística e Fonética e
da Linguística da Enunciação.
Concluímos que há algumas obras no mercado que buscam servir
como dicionários ou vocabulários de Linguística, mas reconhecemos que
a maioria delas não atende a necessidade dos alunos leigos, no que tange
à denição dos termos linguísticos. Logo, ressaltamos essa necessidade e
buscamos trazer uma alternativa de obra que possa atender esse público-
alvo, aproximando-os da linguagem de especialidade, do conhecimento
técnico, responsável pelo processo de denominação, nominalização
e padronização dos termos. Propusemos uma microestrutura mais
completa e, especicamente, um paradigma denicional dentro do
padrão GPDE, de perfil terminológico, direcionado para alunos
iniciantes como público-alvo.
Esperamos ter contribuído para despertar a discussão entre
prossionais da área de Linguística, bem como estabelecer possíveis
padrões que podem ser adotados na pesquisa terminográca no contexto
de falantes de língua portuguesa e inglesa.
Declaração de autoria
Este artigo foi produzido de maneira colaborativa pelos autores: Guilherme
Fromm e Márcio Issamu Yamamoto. Primeiramente, a introdução foi
elaborada por ambos. Em segundo lugar, a seleção das obras analisadas
constitui parte do doutorado em andamento, intitulado Vocabulário
bilíngue de Linguística, conduzido por Yamamoto, sob a orientação de
Fromm. Em seguida, o item 2, de Dicionário, Vocabulário e Glossário foi
um aprimoramento dos conceitos apontados por Fromm em sua tese de
doutorado; a fundamentação teórica da macro e microestrutura foi redigida
por Yamamoto. Finalmente, a seção de Dados analisados, da microestrutura
e dos paradigmas denicionais foram elaborados pelos autores, bem como
a proposta de microestrutura, a conclusão e as referências.
225
Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
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227
Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
ANEXOS
DICIONÁRIOS DE ESPECIALIDADE
DICIONÁRIO TERMOS
Dicionário de
Linguística e
Gramática
LINGUAGEM - Faculdade que tem o homem de exprimir seus
estados mentais por meio de um sistema de sons vocais chamado
língua (v.), que os organiza numa REPRESENTAÇÃO1 compreensiva
em face do mundo exterior objetivo e do mundo subjetivo interior.
Pela atividade da linguagem ou FALA, - 1) faz-se a comunicação
entre os homens – a) para transmissão de conhecimentos (função
de informação), ou b) numa atuação de inuenciamento psíquico
de uns sobre outros (função de apelo); ou - 2) dá-se a exteriorização
das paixões humanas sem intento direto de comunicação (função de
exteriorização ou manifestação psíquica) (cf. Camara, 1959, 13s). A
função da informação cria a linguagem intelectiva pura, enquanto as
do apelo e manifestação psíquica utilizam a representação linguística
para a expressão do que se chama, em sentido lato, os “afetos” em
contraste com a atividade de compreensão mental ou inteligência,
criando a LINGUAGEM AFETIVA (cf. Bally, 1926).
A linguagem se realiza, em princípio, numa espécie de drama entre o
FALANTE (a pessoa que a transmite) e o OUVINTE (a pessoa a quem
ela se dirige) na base de um ASSUNTO (a parcela de representação
mental que nela se consubstancia), mas na manifestação psíquica o
ouvinte não é levado diretamente em conta. Por outro lado, falante
e ouvinte coincidem na mesma pessoa na atividade de linguagem
chamada solilóquio (v.).
A linguagem é uma faculdade imensamente antiga da espécie humana
e deve ter precedido os elementos mais rudimentares da cultura
material (Sapir, 1954, 23).
LINGUAGEM AFETIVA [...]
LINGUAGEM ESCRITA [...]
LINGUAGEM INTELECTIVA [...]
LINGUAGEM ORAL [...]
LINGUAGEM SILENCIOSA [...]
SIGNO – v. símbolo; dêixis.
SÍMBOLO – [...] SIGNO, que é a essência da linguagem e
corresponde à signicação (v.) de formas linguísticas.
DÊIXIS – [...] Podemos dizer que o signo linguístico se apresenta em
dois tipos – o SÍMBOLO, em que um conjunto sônico, representa ou
simboliza, e o SINAL, em que o conjunto sônico indica ou mostra (v.
símbolo). [...]
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228
ANEXO
DICIONÁRIOS DE ESPECIALIDADE1
DICIONÁRIO TERMOS
Dicionário de
Linguística e
Gramática
LINGUAGEM - Faculdade que tem o homem de exprimir seus estados
mentais por meio de um sistema de sons vocais chamado língua (v.),
que os organiza numa REPRESENTAÇÃO15 compreensiva em face do
mundo exterior objetivo e do mundo subjetivo interior. Pela atividade da
linguagem ou FALA, – 1) faz-se a comunicação entre os homens – a)
para transmissão de conhecimentos (função de informação), ou b) numa
atuação de inuenciamento psíquico de uns sobre outros (função de apelo);
ou 2) dá-se a exteriorização das paixões humanas sem intento direto
de comunicação (função de exteriorização ou manifestação psíquica)
(cf. Camara, 1959, 13s). A função da informação cria a linguagem
intelectiva pura, enquanto as do apelo e manifestação psíquica utilizam
a representação linguística para a expressão do que se chama, em sentido
lato, os “afetos” em contraste com a atividade de compreensão mental ou
inteligência, criando a LINGUAGEM AFETIVA (cf. Bally, 1926).
A linguagem se realiza, em princípio, numa espécie de drama entre o
FALANTE (a pessoa que a transmite) e o OUVINTE (a pessoa a quem ela
se dirige) na base de um ASSUNTO (a parcela de representação mental
que nela se consubstancia), mas na manifestação psíquica o ouvinte não é
levado diretamente em conta. Por outro lado, falante e ouvinte coincidem
na mesma pessoa na atividade de linguagem chamada solilóquio (v.).
A linguagem é uma faculdade imensamente antiga da espécie humana e
deve ter precedido os elementos mais rudimentares da cultura material
(Sapir, 1954, 23).
LINGUAGEM AFETIVA [...]
LINGUAGEM ESCRITA [...]
LINGUAGEM INTELECTIVA [...]
LINGUAGEM ORAL [...]
LINGUAGEM SILENCIOSA [...]
SIGNO – v. símbolo; dêixis.
SÍMBOLO – [...] SIGNO, que é a essência da linguagem e corresponde à
signicação (v.) de formas linguísticas.
DÊIXIS – [...] Podemos dizer que o signo linguístico se apresenta em dois
tipos – o SÍMBOLO, em que um conjunto sônico, representa ou simboliza,
e o SINAL, em que o conjunto sônico indica ou mostra (v. símbolo). [...]
15 No Dicionário de Linguística e Gramática, as remissivas são marcadas com verbetes
em caixa alta.
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Dicionário de
Linguística e
Fonética
Linguagem Termo de sentido abstrato que se refere à faculdade
biológica que possibilita aos indivíduos aprender a usar a sua
LÍNGUA – uma capacidade implícita na noção de “dispositivo de
AQUISIÇÃO da linguagem” da PSICOLINGUÍSTICA. Ainda em
nível abstrato, a “linguagem” é uma característica do comportamento
humano – as propriedades UNIVERSAIS de todos os sistemas de
fala/escrita, especialmente quando caracterizadas por “traços do
esquema” (como PRODUTIVIDADE, DUALIDADE, CAPACIDADE
DE APRENDIZADO) ou “universais da língua” (FORMAIS,
SUBSTANTIVOS, etc.). A aplicação popular do termo se concentra nos
modos de comunicação que não são fala ou escrita (a “linguagem do
corpo”, a “linguagem dos olhos”). Pode ser aplicado ocasionalmente à
comunidade animal natural (cf. ZOOSEMIÓTICA). Pode ser igualmente
usado para indicar a “língua” ou o “dialeto” usado por uma comunidade
especíca, como sinônimo de jargão: “linguagem cientíca”, “linguagem
médica”, “linguagem médica”, “linguagem econômica”, etc. Ver Robins
1979: Cap. 1; Bolinger e Sears 1981: Cap. 1
Linguagem de assobios [...]
Linguagem formulaica [...]
Linguagem telegráca[...]
SIGNO (signicante, signicado) Diversas aplicações restritas do termo
geral são encontradas nos estudos LINGUÍSTICOS e losócos da
SIGNIFICAÇÃO. A losoa discute especialmente os tipos de contrastes
possíveis que existem nas noções como “signos”, “símbolos”, “sintomas”
e “sinais”. Às vezes, “signo” é usado em sentido abrangente, como
quando se diz que a SEMIÓTICA é a “ciência dos signos”. Na discussão
linguística, no sentido mais difundido, as expressões linguísticas
(PALAVRAS, SENTENÇAS, etc.) são consideradas “signos” das
entidades, dos acontecimentos, etc. a que remetem (ou frequentemente,
dos conceitos envolvidos). Esta relação entre signo e coisa, ou signo e
conceito, é tradicionalmente conhecida como signicação. A expressão
signo linguístico é usada quando se faz necessária uma distinção
com outras categorias do signo (visual, táctil, etc.). O linguista suíço
Ferdinand de SAUSSURE introduziu uma distinção terminológica que
exerceu considerável inuência sobre a subsequente discussão linguística:
signicante (ou “signicans”) se opunha a signicado (ou “signicatum”)
e ele enfatizava a ARBITRARIEDADE da relação entre a FORMA e a
SIGNIFICAÇÃO dos signos. Ver Lyons 1977b:Cap. 4.
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Dicionário de
Linguística
Linguagem
Linguagem é a capacidade especíca à espécie humana de comunicar
por meio de um sistema de signos vocais (ou língua*), que coloca em
jogo uma técnica corporal complexa e supõe a existência de uma função
simbólica e de centros nervosos geneticamente especializados. Esse
sistema de signos vocais utilizado por um grupo social (ou comunidade
linguística) determinado constitui uma língua particular. Pelos problemas
que apresenta, a linguagem é o objeto de análises muito diversas, que
implicam relações múltiplas: a relação entre o sujeito e a linguagem, que
é o domínio da psicolinguística; entre a linguagem e a sociedade, que
é o domínio da sociolinguística; entre a função simbólica e o sistema
que constitui a língua; entre a língua como um todo e as partes que a
constituem; entre a língua como sistema universal e as línguas que são
suas formas particulares; entre a língua particular como forma comum
a um grupo social e as diversas realizações dessa língua pelos falantes,
sendo tudo isso o domínio da linguística. Esses diversos domínios são
necessária e estreitamente ligados uns aos outros.
A melhor denição que se pode dar da linguística como ciência da
linguagem (englobando, então, psicolinguística e sociolinguística) e
ciência da língua e das línguas, ao mesmo tempo em seu funcionamento
e desenvolvimento (ou transformação), é fornecida pela lista dos verbetes
mais importantes contidos neste dicionário. [...]
Signo
O signo, no sentido mais geral, designa, assim como o símbolo, o índice,
ou o sinal, um elemento A – de natureza diversa – substituto de um
elemento B.
1. Signo, inicialmente, pode ser um equivalente de índice; o índice* – ou
o signo – é um fenômeno mais frequentemente natural, imediatamente
perceptível, que nos faz conhecer qualquer coisa em relação a um
fenômeno não imediatamente perceptível: por exemplo, a cor sombria
do céu é um signo – ou o indício – de uma tempestade iminente; [...]
2. Em segundo lugar, o signo pode ser um equivalente de sinal. Neste
sentido, o signo – ou sinal faz parte da categoria dos indícios; ele
possui as características do signo-indício (como o signo-indício, o
signo-sinal é um fato imediatamente perceptível que permite conhecer
qualquer coisa em relação a outro fato não imediatamente perceptível);
mas duas condições são necessárias para que um signo seja considerado
como sinal:
a) é necessário que o signo tenha sido produzido para servir de
índice. Portanto, ele não é fortuito, mas produzido com uma
intenção deliberada;
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Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
b) é necessário, por outro lado, que aquele a quem é destinada a
indicação contida no sinal possa reconhecê-la. Um signo-sinal é,
portanto, voluntário, convencional e explícito. Combinado com
outros sinais da mesma natureza, ele forma um sistema de signos
ou código. Num mesmo código, os signos podem ter diferentes
formas:
̶ forma gráca: letras, cifras, [...]
̶ forma sonora: sons emitidos pelo aparelho vocal [...]
̶ forma visual: sinais gestuais, [...]
3. Signo, enm, pode ser um equivalente de símbolo*. O signo-símbolo
é mais frequentemente uma forma visual (e mesmo gráca) gurativa.
O signo-símbolo é o signo gurativo de uma coisa que tem aquele
sentido; por exemplo, o signo gurativo que representa uma balança é
o signo-símbolo da ideia abstrata de justiça.
4. No Curso de Linguística Geral de F. de Saussure, o termo signo adquiriu
outra acepção: a de signo linguístico. F. de Saussure faz distinção entre
símbolo e signo (tomado agora com o sentido de signo linguístico):
ele pensa, [...], que existem inconvenientes em admitir que se possa
utilizar a palavra símbolo para designar o signo linguístico. O símbolo,
ao contrário do signo, tem por característica jamais ser arbitrário, isto é,
existe um laço rudimentar entre signicante e signicado. [...] Com F.
de Saussure, o signo linguístico foi instaurado como unidade de língua.
Passa a ser a unidade mínima da frase, susceptível de ser reconhecido
como idêntico num contexto diferente, ou de ser substituído por uma
unidade diferente num contexto idêntico.
5. Os signos linguísticos, essencialmente psíquicos, não são abstrações.
O signo – ou unidade – linguístico é uma entidade dupla, produto
da aproximação de dois termos, ambos psíquicos e unidos pelo laço
de associação. Une, com efeito, não uma coisa a um nome, mas um
conceito a uma imagem acústica. [...] O signo linguístico, é, portanto, o
que F. de Saussure denomina uma entidade de duas faces, a combinação
indissolúvel, no interior do cérebro humano, do signicado e do
signicante. [...]
6. O signo linguístico, tal como o deniu F. de Saussure, apresenta certo
número de características essenciais:
a) Arbitrariedade do signo. [...]
b) Carácter linear do signicante. [...]
c) Imutabilidade do signo. [...]
d) Mutabilidade do signo. [...]
7. [...]
8. Com o nascimento da teoria da comunicação e a inuência direta
desta sobre as pesquisas linguísticas, o signo linguístico adquire nova
dimensão: ele se torna sinal, integrando o código de sinais que é a
língua, considerada daí por diante como um sistema de comunicação.
Os signos deste código linguístico são os fonemas ̶ [...]
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Dicionário de
Linguística da
Enunciação
linguagem (1) s.f. Bally
Outras denominações: linguagem natural.
Denição: conjunto dos sistemas estrutural e de uso da língua.
Fonte da denição: BAL51; BAL65; BAL67
Nota explicativa: A linguagem é o conjunto formado pela união do
sistema de símbolos linguísticos e pelo sistema de unidades expressivas. O
primeiro conjunto é constituído por associações e oposições de elementos
na consciência dos sujeitos. Como os símbolos dicilmente correspondem
às unidades de pensamento, os sujeitos, em seu meio social especíco,
criam o sistema expressivo, de fatos de expressão, isto é, um grupo
de unidades que têm relação com a afetividade e com a subjetividade,
atualizando-o constantemente a partir do uso. O termo linguagem está
estreitamente ligado ao uso da língua e consta na primeira fase da obra de
Bally, a Estilística. [...]
Fonte da nota: BAL51; BAL65; BAL67.
Leitura recomendada: CH185; DUR98; MED85.
Termos relacionados: língua (1), sujeito falante (1).
linguagem (2) s.f. Benveniste
Denição: faculdade de simbolizar inerente à condição humana.
Fonte da denição: BEN95: 27
Nota explicativa: assim entendida, a linguagem está diretamente ligada
à intersubjetividade uma vez que, como uma faculdade de simbolizar, ela
é a condição de existência do homem e como tal é sempre referida ao
outro. A linguagem é constitutiva do homem na justa medida em que a
intersubjetividade lhe é inerente. Dessa forma, pode-se considerar que a
vinculação entre linguagem e intersubjetividade constitui uma espécie de
a priori da teoria benvenistiana. Em testemunho disso, cabe lembrar o
texto “Da subjetividade na linguagem”, de 1958, em que Benveniste diz
que “Não atingimos jamais o homem reduzido a si mesmo e procurando
conceber a existência do outro. É um homem falando que encontramos no
mundo, um homem falando com outro homem. E a linguagem ensina a
própria denição do homem” (BEN95:285).
[...]
Fonte da nota: BEN89; BEN95; FLO07.
Leitura recomendada: FLO07.
Termos relacionados: língua (2), língua-discurso.
linguagem (3) s.f. Culioli
Denição: capacidade humana de construção de representação,
referenciação e regulação passível de ser apreendida na diversidade das
línguas.
Fonte da denição: FRA98.
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Rev. Estud. Ling., Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 205-234, 2020
Nota explicativa: A linguagem, como uma atividade cognitiva de
construção e reconhecimento de formas, é responsável pela constituição
dos enunciados e pela construção da signicação. Por ser cognitiva, essa
atividade somente pode ser apreendida a partir daquilo que produz, ou
seja, dos enunciados, partindo-se deles e a eles retornando. O conceito
culioliano de linguagem pressupõe, portanto, uma contínua atividade
epilinguística (atividade metalinguística não-consciente) que supõe a
relação entre um modelo (competência) e a sua realização (performance).
Desse modo, Culioli, cuja teoria tem por objeto de estudo a relação entre a
linguagem e as línguas, toma por objeto de análise aquilo que é acessível
ao linguista e passível de observação, ou seja, os enunciados e seus
valores interpretativos. Desse modo, a linguagem, atividade signicante
de representação, referenciação e regulação, somente é acessível através
dos textos, isto é, dos arranjos de marcadores.
Fonte da nota: FRA98.
Leitura recomendada: FRA98; FUC75; FUC84.
Termos relacionados: enunciação (5), enunciador (4), linguística.
linguagem (4) s.f. Jakobson
Denição: sistema de signos linguísticos que tem seu funcionamento
baseado nos processos de seleção e combinação.
Fonte da denição: JAK69b.
Nota explicativa: Em Jakobson, linguagem é sinônimo de funcionamento.
Segundo o autor, “falar implica a seleção de certas entidades linguísticas
e sua combinação em unidades linguísticas de mais alto grau de
complexidade” (1969: 37). Essa possibilidade de arranjo se dá através
da metáfora (seleção) e da metonímia (combinação). Tendo em vista
que a linguagem é operacionalizada dessa forma, o autor apresenta suas
diferentes funções (fática, conativa, metalinguística, referencial, emotiva
e poética), que se fazem presentes de maneira hierárquica na fala do
interlocutor, dependendo de fatores externos. Ou seja, “a diversidade de
interlocutores e sua mútua adaptabilidade constituem fator de importância
decisiva na multiplicação e diferenciação de subcódigos no âmbito de
uma comunidade de fala e dentro da competência verbal de seus membros
individuais” (1970: 27). [...]
Fonte da nota: EJA06; JAK69b; JAK70.
Leitura recomendada: JAK69b; JAK70.
Termos relacionados: língua (3), metáfora, metonímia.
Linguagem natural s.f. Bally
V. linguagem (1)
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Signo ideológico s.m. Bakhtin
Denição: forma variável e exível da comunicação discursiva.
Fonte da denição: BAK95b: 93.
Nota explicativa: O signo ideológico não só existe como parte de uma
realidade, mas também reete a refrata uma realidade que lhe é exterior,
apreendendo-a de um ponto de vista especíco. Na relação signo/
ideologia, pode-se dizer que sem signos não ideologia. Todo signo é
considerado ideológico e está sujeito a critérios de avaliação (verdadeiro,
falso, correto, justicado, bom etc.), o que permite armar que não existe
signo neutro. [...]
Fonte da nota: BAK95b; 31-32, 34-36, 93.
Leitura recomendada: BAK95b; CLA98; FAR03.
Termos relacionados: acento de valor, refração, sinal.
Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dicionários selecionados.
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Article
Full-text available
Este trabalho faz considerações sobre a natureza e o funcionamento do trabalho terminográfico, contrapondo-o à produção lexicográfica. Partindo de experiências com a elaboração de dicionários terminológicos da área jurídico-ambiental, pondera-se que há, nos dois tipos de trabalho, duas perspectivas bastante distintas para o enfoque do léxico.
Article
This paper concerns the apprehension conditions of the nature and functioning of the terminologicaldefinition (TD) viewed beyond the genus proximum and differentia specifica categories. In this way, it suggestsperspectives to investigate the possible similarities between lexicographic and encyclopaedic definitions whichare presumably manifested on TDs. Drawing from the tendencies observed on environmental legal TDs, andfrom the features observed on definition samples collected from lexicographic, encyclopaedic and terminologicalworks, it discusses the application of the encyclopaedic tradition to the formulation of terminological definitions.
Article
Examina-se, neste trabalho, de um lado, certas questões referentes à caracterização de tipos de dicionários e, de outro, as relações de dependência que se estabelecem entre cada tipo de obra lexicográfica e a organização de sua macroestrutura, microestrutura e sistema de remissivas. Descrevem-se, assim, tais componentes nos dicionários de língua, nos vocabulários técnico-científicos/especializados e nos glossários. Para tanto, utilizam-se determinados modelos e critérios propostos por Ch. Muller, B. Pottier, E. Coseriu, J. Rey-Debove, A.J. Greimas, A. Camlong e C.T. Pais, levando em conta, entre outros elementos, os níveis de atualização e de abstração da linguagem verbal (sistema, normas, falar), os patamares dos percursos gerativos de enunciação de codificação e de decodificação; são estudados os conjuntos de unidades lexicais do sistema (universo léxico), normas (conjuntos vocabulares), do falar concreto (conjuntos palavras-ocorrência) e também as unidades-padrão desses conjuntos: o lexema, unidade-padrão do universo léxico; o vocábulo, unidade-padrão dos vocabulários técnico-científicos; a palavra, unidade-padrão dos glossários. Traça o perfil semântico-sintático dessas diferentes unidades, considerando as variações diacrônicas, diatópicas, diastráticas e diafásicas. Enfim, propõe-se um modelo de macroestrutura, microestrutura e sistema de remissivas para cada tipo de obra lexicográfica examinado.
Dicionário de Linguística da Enunciação
  • V Flores
  • N Do
FLORES, V. do N. et al. Dicionário de Linguística da Enunciação. São Paulo: Contexto, 2009.
Fraseologia: era uma vez um patinho feio no ensino de língua materna
  • Rosemeire Selma
ISO 1087. Terminology -Vocabulary. ISO: Genebra, 1990. ISO 1087. Norm 704: Terminology -Vocabulary. ISO: Genebra, 2009. MONTEIRO-PLANTIN, Rosemeire Selma. Fraseologia: era uma vez um patinho feio no ensino de língua materna. Fortaleza: Imprensa Universitária;
(org.). A construção de dicionários e de bases de conhecimento lexical
  • M C P Silva
SILVA, M. C. P. Lexicografia bilíngue: uma verificação dos substantivos mais frequentes em dicionários bilíngues francês-português e português-francês. In: LONGO, B. N. de O.; SILVA, B. C. (org.). A construção de dicionários e de bases de conhecimento lexical. Araraquara: Ed. Cultura Acadêmica, 2006. p. 13-44. Doi: https://doi.org/10.11606/d.8.2009.tde-03022010-095516
Conceituação/definição em dicionários da língua geral e em dicionários de linguagens de especialidades
  • M M Andrade
  • De
ANDRADE, M. M. de. Conceituação/definição em dicionários da língua geral e em dicionários de linguagens de especialidades. In: CONGRESSO NACIONAL DE LINGUÍSTICA E FILOLOGIA: EM HOMENAGEM A ANTONIO HOUAISS, IV, 2000, Rio de Janeiro. Anais do CNFL [...].