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Mapeamento do Mídia Ninja: uma análise sobre as coletividades emergentes territorializantes no Facebook

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Abstract

A internet proporciona aos cidadãos uma interação mais democrática com a informação, permitindo não apenas um acesso dinâmico a fontes de variadas vertentes, mas a possibilidade de dialogar com e dar maior alcance às que julgue mais apropriadas e de, ainda, atuar na rede também como narrador e divulgador de fatos e pensamentos. Essa característica transforma a rede em face visível das micropolíticas do mundo da segmentação e levanta questões quanto à possibilidade de organização de redes coletivas, sem uma força modularizante, para produção política ou de outras formas de narrativas. O movimento Mídia Ninja apresenta características semelhantes a essa forma de organização coletiva, tornando-se objeto de estudo deste artigo. Para isso, foram analisados a história do movimento, as atividades de sua página oficial no Facebook durante sua explosão na rede e o consequente surgimento de novos focos do movimento, com a emergência de narrativas territorializantes em diferentes cidades e estados do país, extremamente importantes para o entendimento de sua trajetória enquanto consolidação de um modelo de mídia configurada a partir de narrativas independentes. Palavras-chave: mídia ninja, redes sociais, jornadas de junho, protestos. 1. Introdução "Compartilhando dores e esperanças no livre espaço público da internet, conectando-se entre si e concebendo projetos a partir de múltiplas fontes do ser, indivíduos formaram redes, a despeito de suas opiniões pessoais ou filiações organizacionais. Uniram-se" (CASTELLS, 2013, p.11) No momento atual em que o trabalho configura-se não só no ambiente fabril mas inunda todas as outras esferas da sociedade, através do trabalho imaterial, o indivíduo social surge enquanto suas condições e situações relacionais, com o outro, 1 Trabalho apresentado no Grupo de Trabalho Novos Meios e Novas Linguagens, do VIII Simpósio Nacional da ABCiber, realizado pelo ESPM Media Lab, nos dias 03, 04 e 05 de dezembro de 2014, na ESPM, SP.
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Mapeamento do Mídia Ninja: uma análise sobre as coletividades
emergentes territorializantes no Facebook
1
Fábio Malini
2
Priscilla Calmon
3
Jean Maicon Medeiros
4
Nelson Aloysio Reis
5
Luisa Aboudib
6
Resumo
A internet proporciona aos cidadãos uma interação mais democrática com a informação,
permitindo não apenas um acesso dinâmico a fontes de variadas vertentes, mas a possibilidade
de dialogar com e dar maior alcance às que julgue mais apropriadas e de, ainda, atuar na rede
também como narrador e divulgador de fatos e pensamentos. Essa característica transforma a
rede em face visível das micropolíticas do mundo da segmentação e levanta questões quanto à
possibilidade de organização de redes coletivas, sem uma força modularizante, para produção
política ou de outras formas de narrativas. O movimento Mídia Ninja apresenta características
semelhantes a essa forma de organização coletiva, tornando-se objeto de estudo deste artigo.
Para isso, foram analisados a história do movimento, as atividades de sua página oficial no
Facebook durante sua explosão na rede e o consequente surgimento de novos focos do
movimento, com a emergência de narrativas territorializantes em diferentes cidades e estados
do país, extremamente importantes para o entendimento de sua trajetória enquanto consolidação
de um modelo de mídia configurada a partir de narrativas independentes.
Palavras-chave: mídia ninja, redes sociais, jornadas de junho, protestos.
1. Introdução
“Compartilhando dores e esperanças no livre espaço público da internet,
conectando-se entre si e concebendo projetos a partir de múltiplas fontes
do ser, indivíduos formaram redes, a despeito de suas opiniões pessoais
ou filiações organizacionais. Uniram-se” (CASTELLS, 2013, p.11)
No momento atual em que o trabalho configura-se não no ambiente fabril
mas inunda todas as outras esferas da sociedade, através do trabalho imaterial, o
indivíduo social surge enquanto suas condições e situações relacionais, com o outro,
1
Trabalho apresentado no Grupo de Trabalho Novos Meios e Novas Linguagens, do VIII Simpósio Nacional da
ABCiber, realizado pelo ESPM Media Lab, nos dias 03, 04 e 05 de dezembro de 2014, na ESPM, SP.
2
PHD em Comunicação e Cultura, pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor
Adjunto IV na Universidade Federal do Espírito Santo, onde também coordena o Labic (Laboratório de estudos
sobre Imagem e Cibercultura). Email: fabiomalini@labic.net
3
Graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela UFES-ES. Mestranda em Comunicação, Tecnologias da
Comunicação e Estética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Email: priscillacalmon@gmail.com
4
Graduado em Ciência da Computação e Mestrando em Comunicação e territorialidades pela Universidade Federal
do Espírito Santo. Email: jeanmrmedeiros@gmail.com
5
Graduando em Comunicação Social /Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo. Email:
nelsonaloysio@gmail.com
6
Graduanda em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Espírito Santo. Email: luaboudib@gmail.com
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por uma existência em grupo e geradora de subjetividades. Do ambiente seguro do
ciberespaço, como afirma Castells (2013), os indivíduos ganham força para ocupar o
espaço público e reivindicar o direito de fazer história através da ação coletiva. Do
Ocuppy Wall Street, nos Estados Unidos, às Jornadas de Junho de 2013, no Brasil, o
que todos estes movimentos sociais têm em comum é a rejeição pelos partidos políticos,
a desconfiança na mídia, a organização sem liderança e a sustentação online e offline,
em eventos organizados em rede, mas sustentados em assembleias gerais convocadas
pelo trabalho da multidão. E é sob o sistema da “autocomunicação de massas”, proposto
por Manuel Castells, que a multiplicidades de seres em rede configuram “uma
plataforma tecnológica para a construção da autonomia do ator social, seja ele
individual ou coletivo, em relação às instituições da sociedade” (CASTELLS, 2013,
p.16).
Essas novas subjetividades, cunhadas por Rheingold (2004) como “smart
mobs”, Pierry Lévy (1999) como “inteligência coletiva”, Johnson (2001) por “coletivos
inteligentes”, corroboram para a mesma direção: de que existe uma multidão de pessoas
cada vez mais conectadas, em um sistema baseado em redes, no qual o número de
conexões só tende a aumentar e a caminhar para verdadeiras mudanças na sociedade no
que diz respeito aos governos, à democracia e ao agrupamento em torno de causas
diversas. Essas multidões inteligentes reunidas caminham seguindo sua força de
colaboração e seguem derrubando não só a hegemonia de meios de comunicação
tradicional, como também criando novas formas de se narrar um acontecimento, que
perpassam experiências ao invés de discursos.
Para Marx (2011), nossas relações sociais, nossa comunidade, nosso modo de
falar, nossas narrativas e desejos se constituem no campo da mercantilização, na
mercadoria enquanto captura do capitalismo. O intenso uso das tecnologias, a partir do
que seria esta “multidão inteligente”, facilita a inserção do capitalismo em todos os
espaços e tempos sociais. O modo de produção deixa a ideia de um operário
individualizado para a concepção de um trabalho social coletivo, com características
próprias de organizações em rede (distribuído, sem centro, cérebro coletivo). É um
trabalho feito a diversas mãos e mentes, em novas funções sociais do trabalho, quem
produz é toda a sociedade, em uma transição do capitalismo material ao imaterial.
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Essa nova configuração do trabalho vivo provoca um regime micropolítico
intenso, examinado de perto por Deleuze e Guattari (2012), ao afirmarem que “somos
segmentarizados por todos os lados e em todas as direções. O homem é um animal
segmentário. A segmentaridade pertence a todos os estratos que nos compõem
(DELEUZE; GUATTARI, 2012, p.92)”. Ao levantar os segmentos como características
intrínsecas da sociedade os autores abrem caminho para uma visão de uma sociedade
“social” em que a única forma de se pensar é a partir de micropolíticas, com sujeitos
coletivizados e atravessados por diferentes segmentações (binariamente com grandes
oposições duais; circularmente em círculos que se ampliam cada vez mais; e
linearmente, em que cada segmento configura-se enquanto processo, episódio). Porém,
as duas grandes segmentaridades ressaltadas pelos estudiosos é a que perpassa por toda
sociedade/indivíduo, uma molar e outra molecular. Ao mesmo tempo em que se diferem
são também complementares, coexistem, uma passa pela outra. Esse conflito molar x
molecular atravessa todos os segmentos da vida cotidiana, temos por exemplo as
grandes manchetes de jornais (macro) e as pequenas conversas que não recebem
destaque enquanto tais, grandes estruturas de governo (macro) e suas repartições
(micro). Ou seja, o molar remete aos sistemas estratificados ligados aos objetos, sujeitos
e representações, é uma segmentaridade dura com representações estáticas. Por outro
lado, a ordem molecular configura uma segmentaridade flexível, que percorre enquanto
fluxos, devires, virtualidades, intensidades e fases, “as fugas e os movimentos
moleculares não seriam nada se não repassassem pelas organizações moleculares e não
remanejassem seus segmentos, suas distribuições binárias de sexos, de classes e de
partidos” (p.104).
A face visível dessa micropolítica nos dias atuais se dá, por exemplo, na rede, é
nela em que se vê o mundo da segmentação que é o mesmo da fábrica social. A
segmentaridade tem como estrutura organizacional a Internet e é nela que temos como
visualizar toda essa segmentaridade, levantando algumas questões, como: os segmentos
em rede são capazes de produzir cooperativamente política? São capazes de produzir
outras formas narrativas, como eventos, culturas, produção econômica? De que forma
é possível conviver em uma sociedade permeada por seguimentos que possuam sua
dinâmica própria? Seria este um momento em que não teríamos uma força que modula
todas essas segmentações? São estas questões que buscaremos esmiuçar nas páginas
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seguintes a partir do estudo da rede Mídia Ninja no Facebook e a formação de
territorialidades e cooperações políticas com o surgimento da página online.
2. A história do Mídia Ninja
As manifestações populares em junho e julho de 2013 entraram para a história do
Brasil. Milhões de cidadãos ocuparam as ruas em defesa de causas diversas: de
exigências como o fim da corrupção, a melhoria da saúde e da educação, a demandas
mais pontuais e concretas, como a implantação de uma política de transporte público
coletivo não-tarifário pauta defendida principalmente pelo Movimento Passe Livre
(MPL), uma organização social apartidária e autônoma em prol da mobilidade urbana,
atuante desde 2005 na cidade de São Paulo e em outras localidades.
Concomitantemente ao MPL, os protestos foram eclodindo e atraindo um número
exponencial de dissidentes, de variadas territorialidades, nacional e internacionalmente.
Neste cenário, destacam-se três elementos-chave que seriam posteriormente
características marcantes da “Jornada de Junho”, como então foram denominados os
protestos brasileiros: 1) a gradativa violência com que o aparato policial brasileiro
reprimiu as manifestações, com documentadas agressões a e prisões arbitrárias de tanto
civis quanto jornalistas; 2) a emergência da tática black bloc, como via de resistência à
brutalidade policial (face a multiplicação dos relatos de repressão a manifestantes) e,
de maneira mais difusa, de luta anticapitalista (frente a incapacidade das esferas
governamentais de compreender e lidar com movimentos a-centrados e não-
hierárquicos); e 3) a crescente resistência, por parte de diferentes estratos da sociedade,
à cobertura das demonstrações realizada pelos meios de comunicação tradicionais (fator
este ligado a, pelo menos, dois itens: a insistente criminalização/vandalização dos
protestos e de seus atores e a evidente discrepância nos relatos dos dissidentes, quando
comparados aos da mídia tradicional).
É o desdobramento destes elementos, entretanto, que demonstra-se crucial para a
análise proposta: surgem, neste contexto, as chamadas mídias independentes redes de
comunicação estruturadas descentralizada e horizontalmente, responsáveis pela
disseminação de conteúdo baseado no trabalho colaborativo e no compartilhamento
online, cujo público majoritário é o interessado em uma cobertura jornalística livre de,
insubmissa e resistente a interesses corporativistas.
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Destes, um dos coletivos de maior notoriedade é o grupo mídia NINJA acrônimo
para "Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação". Criado em março de 2013,
inicialmente atuando, assim como o MPL, apenas na cidade de São Paulo, o grupo foi
gradualmente ganhando notoriedade e aumentando a sua base de usuários em
simultâneo às demonstrações populares. A partir de redes sociais, sobretudo o Facebook
e o Twitter, os ninjas como denominam-se seus integrantes inovaram ao oferecer
uma visão mais crua e realista dos protestos, transmitidos em meio à multidão, na rua
e em tempo real, através do streaming de vídeo capturado por aparelhos portáteis como
celulares e tablets. Por meio dos próprios canais de distribuição, fez-se possível também
o diálogo entre pessoas que os assistiam online, oferecendo assim um espaço virtual
para a troca de ideias pautadas nos acontecimentos reais e imediatos, vistos
conjuntamente por milhares de usuários.
Com o uso cada vez maior destas tecnologias, notou-se um padrão de
comportamento dos manifestantes de utilizar das mídias sociais como instrumentos de
coordenação, engajamento e repercussão das ações tomadas durante os protestos, de
forma a propagar informações para outras pessoas e grupos a longas distâncias.
Processo este rapidamente transportado para o “outro lado”, em que as forças policiais
também utilizaram-se da mesma rede social, mas para vigiar e interceptar as
comunicações dos envolvidos nas manifestações, de forma a adiantarem-se
estrategicamente em relação aos dissidentes.
Para Quintana e Tascón (2012), a história do ativismo online não pode ser um
relato cronológico. É um processo caótico: não-linear, sem plano, sem líderes e sem
produto final. Nota-se, entretanto, o quão bem o modelo de midialivrismo do coletivo
NINJA funcionou: atualmente, ele responde como um canal autônomo econômica e
politicamente, com seu próprio feed de notícias (midianinja.org), cujo trabalho continua
a ser fruto conjunto de vários colaboradores, inclusive membros do coletivo Fora do
Eixo
7
e de outros canais de mídia livre no país. Possui também o apoio de órgãos
7
O Fora do Eixo é uma rede colaborativa e descentralizada de trabalho constituída por mais de duas mil
pessoas, cuja existência já data mais de dez anos. Grande parte da estrutura do mídia NINJA remete ao
Fora do Eixo e seus coletivos de cultura, pautados nos princípios da economia solidária, do
associativismo e do cooperativismo, da divulgação, da formação e do intercâmbio entre redes sociais, do
respeito à diversidade, à pluralidade e às identidades culturais, do empoderamento dos sujeitos e alcance
da autonomia quanto às formas de gestão e participação em processos sócio-culturais, do estímulo à
autoralidade, à criatividade, à inovação e à renovação, da democratização quanto ao desenvolvimento,
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nacionais e internacionais, dispostos a apoiar similares iniciativas midialivristas, cujo
objetivo é o empoderamento do povo a partir da sua retomada de controle dos canais
de informação ou da criação de novos meios de comunicação, independentes.
3. O boom da mídia independente: o cenário do Mídia Ninja no Facebook
Entre os dias 17 e 22 de junho de 2013, a página do coletivo Mídia Ninja no
Facebook, criada no dia 27 de março de 2013 com a denominação “NINJA”, recebeu
os primeiros grandes picos de curtidas em suas publicações. Esse período caracteriza o
momento de explosão do movimento nesta rede social, o que foi concomitante com a
Jornada de Junhode 2013. Durante o período analisado, a página publicou 155
postagens a respeito de manifestações que ocorriam em 18 diferentes estados do país.
Embora a página tenha divulgado informações referentes a uma ampla gama de
localidades, predominaram as postagens sobre as manifestações ocorridas em São
Paulo, com 82 postagens, seguidas por Minas Gerais, com 20 postagens, e pelo Distrito
Federal, com 16 postagens. As publicações sobre São Paulo foram também as que mais
receberam curtidas, compartilhamentos ou comentários, em números absolutos,
seguidos pelos que divulgavam as manifestações do Distrito Federal. Entretanto,
analisando a quantidade média dessas interações, a posição se inverte nos dois
territórios. Isso mostra que mesmo havendo cinco vezes menos posts referentes ao
uso e compartilhamento de tecnologias livres aplicadas às expressões culturais e da sustentabilidade
pautada no uso e desenvolvimento de tecnologias sociais.
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Distrito Federal, seu conteúdo em média teve um maior impacto que os posts sobre as
manifestações em São Paulo.
As postagens encontradas foram agrupadas em 7 temáticas gerais, divididas em
15 subtemas, que representavam o assunto mais específico de seus textos como a
reinvindicação do protesto divulgado, por exemplo:
A temática mais recorrente entre os posts foi intitulada “Ocupar as Ruas” com
69 postagens. Essa categoria englobava as mensagens que não focavam o motivo dos
protestos, mas os acontecimentos nos protestos em si. O seu subtema mais recorrente
foi “Território de Manifestação”, pautando os fatos ocorridos nas ruas e a ocupação de
diferentes territórios pela manifestação. Como exemplo, tem-se as muitas postagens em
que a página enaltece a quantidade de pessoas tomando um espaço na cidade, tal como
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ruas e praças. Observa-se, ainda, uma recorrência do subtema “Cobertura das Mídias
Independentes”, que destacava a presença do movimento Mídia Ninja em diferentes
acontecimentos e divulgava seus links de transmissão ao vivo. Menos recorrente, mas
ainda relevante, encontra-se o subtema “Convocação/Mobilização” que trazia posts
convocando a população para participação nas manifestações e divulgando suas datas
e locais, mostrando o caráter desse movimento de não apenas narração dos
acontecimentos, mas de participação ativa em sua construção de um modo geral.
O segundo tema mais recorrente entre as postagens foi a “Mobilidade Urbana”.
Este foi o tema que, em termos absolutos, mais recebeu curtidas, compartilhamentos ou
comentários no período, demonstrando um número muito maior de interações na rede
que o tema “Ocupar as Ruas”. O subtema “Redução de Tarifas”, pertencente à essa
categoria, foi também o segundo mais recorrente e o que mais provocou interações na
rede. Sabe-se que a redução do preço das passagens do transporte público,
principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, é considerada por muitos como a
pauta propulsora dos primeiros protestos de junho de 2013, que desencadearam uma
onda de manifestações por todo o país com diferentes reinvindicações. De fato, os dados
analisados corroboram essa tese, mostrando o impacto gerado nas redes por esta
temática no período da disseminação dos protestos.
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Ainda incluído na temática de “Mobilidade Urbana”, o subtema “Transporte
Público”, englobando reinvindicações ligadas a melhorias no transporte público e no
trânsito pelas cidades de um modo geral, obteve a maior quantidade média de curtidas,
compartilhamentos ou comentários. Observou-se que as postagens com esse assunto
foram, em sua maioria, referentes aos protestos realizados no Distrito Federal, nos quais
os manifestantes ocuparam o Congresso Nacional e cujas imagens foram amplamente
compartilhadas na rede, ressaltando a simbologia do ato.
No entanto, foi a categoria “Direitos Humanos” que recebeu a maior quantidade
média de curtidas, compartilhamentos ou comentários, dentre as temáticas gerais
identificadas. Isso se deve à grande interação na rede provocada pelas postagens com
subtema “Direitos LGBT”. Tais postagens são referentes aos protestos ocorridos em
São Paulo e em Minas Gerais decorrentes da aprovação da proposta então conhecida
como “Cura gay” aprovada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal no
dia 18 de junho.
A postagem que recebeu tanto o maior número de curtidas, quanto o maior
número de compartilhamentos e o maior número de comentários, dentre todas as
publicadas no período estudado, pertence a esse subtema. Trata-se de uma foto em um
protesto em São Paulo de uma criança acompanhada de duas mulheres, segurando um
cartaz com os dizeres: “Minhas mães não precisam de cura! #Feliciano você o
representa a minha família!”. O impacto e repercussão na rede dessa imagem, que
representa a insatisfação dos manifestantes em relação à proposta citada, evidencia o
papel dos narradores independentes numa conjuntura de mobilização social. Estes,
inseridos num contexto em que não são meros descritores do movimento, mas também
escritores, trazem à tona o detalhe, também fundamental para a compreensão dos fatos
e a sensibilização das multidões.
Destaca-se, ainda, a temática “Violência” que foi a terceira mais frequente entre
as postagens, subdivididas nos subtemas “Repressão policial”, “Vigilância Policial” e
“Violência dos manifestantes”. Essa última, englobando mensagens que retratavam atos
violentos por parte dos manifestantes, compreendeu os posts com a maior quantidade
média de comentários, evidenciando o caráter controverso desse contexto, que divide
opiniões e permite amplas discussões na rede. Da mesma forma, o subtema “Direitos
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LGBT” obteve a segunda maior quantidade média de comentários, demonstrando
também seu caráter polêmico.
Além das temáticas apresentadas, as postagens do período compreenderam
ainda as categorias “Copa do Mundo”, representando protestos contra os gastos
públicos com a Copa e a sua realização, “Reforma Política”, narrando protestos contra
a corrupção, “Direitos Sociais”, com a presença de protestos reivindicando melhorias
na educação, saúde e segurança públicas.
Assim, entende-se que a consolidação desse modelo de mídia configurada a
partir de narrativas independentes, ocorre enquanto o movimento pauta as
manifestações e suas reinvindicações de um ponto de vista participante dos
acontecimentos, fazendo um contraponto às mídias tradicionais que eram meras
expectadoras. O detalhe e a autenticidade desse tipo de narrativa permitiram que a
trajetória da “Jornada de Junho” fosse não apenas descrita, mas escrita de forma
singular, uma vez que seu impacto na rede conseguiu influenciar a opinião pública e
angariar adeptos aos protestos e às narrativas independentes em todo o país.
4. O pós Mídia Ninja: a emergência de redes coletivas territorializantes
O boom do Mídia Ninja e sua consolidação enquanto mídia indepentente
estruturada sobre o trabalho colaborativo e o compartilhamento livre nos fornecem
importantes informações acerca da consolidação do que seria este modelo de coletivo
desencadeador de ação coletiva em rede, com a emergência de narrativas
territorializantes em diferentes cidades do país que desembocam em diferentes focos de
movimentos, que pautados por reivindicações gerais, como já apontado neste trabalho,
também possuem suas particularidades. Aqui, destacaremos suscintamente as 5
principais páginas (com maior número de curtidas) de coletivos Ninjas emergentes da
Mídia Ninja após o boom das manifestações de junho de 2013 e após a dominação da
narrativa ninja nos movimentos. Para falarmos sobre essas páginas foram feitas coletas
de posts de cada uma delas desde sua criação até o último dia do fatídico ano de 2013.
Entretanto, necessário lembrar que a coleta foi realizada entre os dias 03 a 06 de outubro
de 2014, podendo assim haver alguma discrepância em relação a exclusão de páginas
ou postagens. As análises foram feitas em cima dos conteúdos dos posts e das
estatísticas das páginas. Esses conteúdos são analisados após serem filtrados através de
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métricas pré-estabelecidas por um script programado em nosso laboratório, Labic. Esse
script cria estatísticas atráves de métricas criadas a partir das possíveis informações que
o app Netvizz (Data Mining de Facebook) fornece em sua coleta, no caso, a coleta
focou-se nos posts de páginas.
4.1.1. Página: Mídia Ninja SP Brazil (5.251 likes)
A página “Mídia Ninja SP Brazil”, com mais de 5.200
likes, ativa no dia 27 de julho, teve como seu primeiro post
uma imagem de convocação para união entre paulistas e
cariocas a favor do direito de protestar e contra a repressão
policial nos protestos. Pode ser visto na figura, diversas
imagens icônicas como os calçadões das cidades e
monumentos turísticos de ambas formando essa aliança.
Com uma média de mais de 10 posts por dia, a página em
questão teve mais de 56% de posts com imagem, utilizando-
as para chamar atenção de seus usuários e expor seu conteúdo visualmente. Além das
imagens, o ano de 2013 contou com 25% de posts feitos de links, ou seja, isso comprova
utilização de material externo, de que a página pode também ser categorizada como
uma agregadora de conteúdos provenientes de diversos lugares da web.
4.1.2. Página: Mídia Ninja (16.097 likes)
A coleta feita desta página resultou em apenas 15 posts, sendo todos eles no
mesmo dia (1º de julho) e em um intervalo de aproximadamente 1h40. Criada no dia 1º
de julho, ela obteve desde sua criação mais de 16.000 likes. Diante do resultado da
coleta, podemos concluir que esta página serviu para disseminar conteúdo de mídia
ninja como fotos e também serviu como forma de contato entre manifestantes e
“ninjas”, pois deixa claro que a página serve para tal no seguinte post:
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4.1.3. Página: Mídia Ninja VIX (3.664 likes)
Analisando os poucos posts coletados nesta página, vemos que a ideia inicial
era de uma página com a intenção de divulgar imagens ao vivo das manifestações de
Vitória-ES. Porém ao longo dos posts, ela divulga mais massivamente as imagens dos
protestos que aconteceram no Rio de Janeiro, através de links da plataforma de
streaming ao vivo, Twitcasting. Isso pode ser visualizado no gráfico ao lado que diz o
número de vezes que as urls foram postadas. A página foi criada no dia 18 de julho e se
manteve ativa até o dia 31 de julho, data do seu último post.
4.1.4. Página: Mídia Ninja PE (2.283 likes)
A página, até hoje
ativa, possui mais de 250
vezes no ano de 2013, desde a
sua criação em 29 de julho.
Nota-se a intenção principal
de divulgar e convocar para
eventos que se realizariam no
estado, mais especificamente
na capital, Recife.
Podemos conferir no gráfico representativo acima que as interações eram
proporcionalmente maiores quando o conteúdo do post era visual, seja em vídeo ou,
principalmente, em foto. Percebemos que a mídia mais impactante, no quesito de
compartilhamentos, é o post com imagem, com uma porcentagem de 95% dos
compartilhamentos feitos pelos usuários da página.
4.1.5. Página: Mídia Ninja RN (2.283 likes)
Esta página, criada no dia 2 de agosto, teve, no ano de
2013, o total de 71 posts. Analisando seus posts, podemos ver
as funções da página: a divulgação e a transmissão de
movimentos de seu estado, além da divulgação do trabalho de
outras Mídias Ninjas ao redor do Brasil. No gráfico ao lado
podemos perceber que a maior porcentagem de posts feitos
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pela página é em forma de Status, ou seja, um texto simples e meramente informativo.
Assim, podemos concluir que comunicação da página era feita de uma forma mais
direta. E em segundo lugar, os links que levavam os usuários para as transmissões e
outras informações externas da web.
4.2. Análise final: páginas emergentes territoriais
Pode-se concluir que essas páginas foram criadas em apoio à essa narrative Ninja
nos movimentos de junho de 2013. Em sua maioria, como nos exemplos citados, as
páginas foram inicialmente criadas para apoio à divulgação de notícias referents a
protestos de suas cidades e estados, porém com o passar do tempo, e com o crescer dos
likes, as páginas também divulgavam assuntos nacionais ou até de outros estados.
A sobrevivência dessas páginas, sendo que várias delas continuaram ativas até
hoje, se dá na divulgação de notícias polêmicas e que chamam atenção pra uma
manifestação de revolta e o desejo de mudanças e reformas políticas que refletem o
desejo de uma parcela da sociedade ávida por transformações. Ou seja, em um
configuração de mídia indepentente, alternativa à tradicional, que mostre o outro lado
oculto pelas grandes corporações midiáticas no poder.
5. Considerações finais
A internet permitiu às pessoas que compartilhem informações sem os
mediadores tradicionais. As novas tecnologias abriram o caminho para novos espaços,
nos quais pessoas não apenas passivamente absorvem informação, como a produzem e
disseminam. É neste novo cenário de redes conectadas nas ruas que emergem os
ciberativistas: cidadãos capazes de tomar e compartilhar suas opiniões neste mundo
virtual, de “utilizarem a internet (...) para difundir um discurso e colocar à disposição
pública ferramentas que devolvam às pessoas o poder e a visibilidade que hoje são
monopolizadas pelas intituições (...). Só podem aproveitar as redes distribuídas aqueles
que crêem em um mundo de poder distribuído" (UGARTE, 2008).
Assistimos, portanto, durante as manifestações que se desdobram desde de
junho de 2013, a emergência de uma outra dinâmica comunicacional dentro dos
movimentos políticos brasileiros. Antoun e Malini (2013) observam que a construção
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COMUNICAÇÃO E CULTURA NA ERA DE TECNOLOGIAS
MIDIÁTICAS ONIPRESENTES E ONISCIENTES
ESPM-SP 3 a 5 de dezembro de 2014
de uma narrativa colaborativa por meio do uso das novas tecnologias fortalece a
constituição de redes de ação coletiva e modifica substancialmente as perspectivas da
produção de informação e, logo, da luta política na contemporaneidade. “A narrativa
colaborativa… é uma expressão de uma nova cultura de indiferenciação do consumo e
da produção da informação, cujo traço peculiar é a instataneidade em fluxo contínuo de
uma conversa… Ela marca o engajamento do sujeito naquilo que escreve e na ação
coletiva à qual ele se vincula.” (ANTOUN; MALINI, 2013, p. 214)
Assim, os protestos adquiriram uma nova camada de luta, que resultou na
apropriação do ciberespaço tanto pelos interessados no fim das manifestações, quanto
por aqueles que buscavam romper o “monopólio da fala” das corporações midiáticas,
para utilizar uma expressão de Muniz Sodré (1977). Nesse sentido, uma verdadeira
guerra em rede passa a ser travada em uma dimensão capaz de imbricar redes e ruas,
tornando difícil a distinção radical objeto de crítica de Pierre Levy em Cibercultura
(1999) entre o “virtual” e o “real”. Segundo Castells (2013) os movimentos sociais
do que ele chama “sociedade em rede” são construídos de forma híbrida, em uma
construção entre as redes da internet e o espaço urbano ocupado, constituindo assim,
“comunidades instantâneas de prática transformadora’ (CASTELLS, 2013, p. 20). E
neste espaço, a comunicação se constrói de forma autômata, para além dos regimes de
poder, como o Estado e os veículos de comunicação.
A geração que caminha nas ruas é, como afirma Bentes (2013), uma multidão
de desorganizados e o desafio daqui pra frente será fazer política com essas novas
subjetividades, cada vez mais constituído por suas singularidades e territorialidades. A
construção desse cenário se dá, segundo a autora, a partir de práticas descentralizadas
de comunicação advindas com a Internet, que tem o potencial de criar ambientes de
trabalho, de educação, de lazer, colaborativos e participativos, rompendo com velhas
formas de hierarquização e de aprendizagem unidirecionados e/ou centralizados,
estimulando processos de ampla conectividade em rede, coletivos (Bentes, 2009, p.71).
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6. Referências
BENTES, Ivana. Novas formas de lutas pós mídias digitais. Lugar Comum (UFRJ), v. 28, p.
33-38, 2009.
BENTES, Ivana. Curta! nas ruas com você | Ivana Bentes. Canal Curta. YouTube, 19
jul.2013.
CASTELLS, Manuel. Redes de Indignação e Esperança: movimentos sociais na era da
internet. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs Vol. 3: capitalismo e esquizofrenia.
Editora 34: 2ª edição, 2012.
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface Como o computador transforma nossa maneira de
criar e comunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Ed.34, 1999.
MALINI, Fábio. Biopoder e a fábrica social. Online, 2011. Disponível em <
http://fabiomalini.com/dossie-negri-e-foucault/biopoder-e-a-fabrica-social/>. Acesso em 08
out 2014.
MALINI, Fábio; ANTOUN, Henrique. A internet e as ruas: ciberativismo e mobilização nas
redes sociais. Editora Sulina, 2013.
MARX, Karl. Capital fixo e o desenvolvimento das forças produtivas da sociedade. In:
Grundrisse: Manuscritos econômicos de 1857-1858: Esboços da crítica da economia política.
São Paulo: Boitempo Editorial, 2011.
QUINTANA, Yolanda; TASCÓN, Mario. Ciberactivismo las nuevas revoluciones de las
multitudes conectadas. Espanha: Catarata, 2012.
RHEINGOLD, Howard. Multitudes inteligentes. Barcelona: Gedisa editorial, 2004.
SODRÉ, Muniz. O Monopólio da Fala. Petrópolis, RJ: Vozes, 1977.
UGARTE, David de. O poder das redes: manual ilustrado para pessoas, organizações e
empresas, chamadas a praticar o ciberativismo. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.
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Book
Hoje, numa Internet 2.0, um novo ciclo de lutas renasce a partir das ocupações e dos protestos de rua no Brasil e no mundo. As pessoas acampam em praças, acampam em ruas, acampam em assembleias legislativas, ao mesmo tempo tuítam, filmam, postam tais atos, gerando comoção e emoção nos seus seguidores e amigos nas redes sociais. Os protestos no Brasil e no mundo permitiram que a hipótese central deste livro se confirmasse: rua e rede se interpenetram e fazem emergir uma política colaborativa, direta e em tempo real. E possui relação intrínseca com as práticas de compartilhamento peer-to-peer, abertas pelas gerações ciberativistas das comunidades virtuais e grupos de discussão dos anos 80; pela radical cultura hacker do vazamento de códigos e informações que amplia o livre fluxo da informação; e pelas teias das páginas públicas virtuais da WWW. Se a globalidade se definia como a submissão de uma totalidade aberta e irrefreável às regulações conservadoras da preservação e do consenso, a participação e o compartilhamento revelam os novos fundamentos para a construção de uma mundialização ativa e afirmativa das singularidades de sua vasta multidão. A essas mutações - política e midiática - que este livro se dedica.
Curta! nas ruas com você | Ivana Bentes. Canal Curta. YouTube
  • Ivana Bentes
BENTES, Ivana. Curta! nas ruas com você | Ivana Bentes. Canal Curta. YouTube, 19 jul.2013.
O poder das redes: manual ilustrado para pessoas, organizações e empresas, chamadas a praticar o ciberativismo
  • David Ugarte
  • De
UGARTE, David de. O poder das redes: manual ilustrado para pessoas, organizações e empresas, chamadas a praticar o ciberativismo. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.
Redes de Indignação e Esperança: movimentos sociais na era da internet
  • Manuel Castells
CASTELLS, Manuel. Redes de Indignação e Esperança: movimentos sociais na era da internet. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
Cultura da Interface -Como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar
  • Steven Johnson
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface -Como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
Biopoder e a fábrica social. Online
  • Fábio Malini
MALINI, Fábio. Biopoder e a fábrica social. Online, 2011. Disponível em < http://fabiomalini.com/dossie-negri-e-foucault/biopoder-e-a-fabrica-social/>. Acesso em 08 out 2014.
Capital fixo e o desenvolvimento das forças produtivas da sociedade
  • Karl Marx
MARX, Karl. Capital fixo e o desenvolvimento das forças produtivas da sociedade. In: Grundrisse: Manuscritos econômicos de 1857-1858: Esboços da crítica da economia política. São Paulo: Boitempo Editorial, 2011.