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Adriano da Silva Carvalho
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Deus e a felicidade do Epicuro
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ISSN 0104-0073
eISSN 2447-7443
DOI 10.25188/FLT-VoxScript(eISSN2447-7443)vXXVII.n2.p275-290.ASC
Licenciado sob uma Licença Creative Commons
Atribuição – Não Comercial – Sem Derivações 4.0 internacional
DEUS E A FELICIDADE EM EPICURO1
God and happiness in Epicurus
Adriano da Silva Carvalho2
RESUMO
Este artigo visa compreender o significado da frase: “θεοὶ μὲν γὰρ εἰσίν” – “Certamente os
deuses existem” no contexto da chamada carta sobre a felicidade de Epicuro. E, para este
fim, questionará a relação desse enunciado com o programa da “vida abençoada” do filósofo
de Samos. Epicuro estava apresentando sua declaração de fé: Θεοὶ εἰσίν? Provavelmente
não. Mas é verdade que ele usou linguagem teológica quando apresentou seu plano de
felicidade. Por que ele faz isso? Esta é a pergunta que este artigo procurará responder.
Palavras-chave: Deus. Felicidade. Epicuro.
ABSTRACT
This article aims to understand the meaning of the phrase: “Θεοὶ μὲν γὰρ εἰσίν” - “Surely
the gods exist” in the context of the so-called letter about the happiness of Epicurus. And,
1 Artigo recebido em 28 de março de 2019, e aprovado pelo Conselho Editorial em reunião realizada
em 16 de agosto de 2019, com base nas avaliações dos pareceristas ad hoc.
2 Adriano da Silva Carvalho é Mestre em Estudos Hermenêuticos – CPAJ/Universidade Mackenzie-
SP. Professor do departamento de Línguas Clássicas e Vernáculas (Grego/Hebraico) no Instituto
Brasileiro de Educação Integrada – IBEI/RJ e no Seminário Teológico Batista Fluminense –
Campus Mageense - RJ. Escreveu os seguintes livros: A crítica e o texto do Novo Testamento
(Editora Reflexão); Novo Testamento da Crítica da Forma à história do Cânon (Editora Reflexão);
A interpretação nas teorias linguísticas e literárias (Editora Reflexão). Researcher ID: W-8148-
2018. Orcid ID: 0000–0002–6399-3287. E-mail: adriano3656@gmail.com.
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to this purpose, it will question the relationship of this enunciate with the program of the
“Blessed life” of the philosopher of Samos. Epicuro was presenting his declaration of faith:
Θεοὶ εἰσίν? Probably not. But it is true that he used theological language when he presented
his plan of happiness. Why did he do it? This is the question that this article will seek to
answer.
Keywords: God. Happiness. Epicurus.
INTRODUÇÃO
Epicuro é reconhecidamente um filósofo materialista. No entanto ao
escrever uma carta para um de seus discípulos (Meneceu), ele teve que se deter em
uma discussão intrincada sobre os efeitos psicológicos de certas ideias religiosas
como, por exemplo, culpa e condenação etc., na vida das pessoas. Através de
referenciais teóricos, bem como o estudo e tradução do texto grego da chamada
carta sobre a felicidade, buscar-se-á entender os motivos que levaram Epicuro
a se deter brevemente em discussão sobre esses temas na apresentação de um
programa em que declarava que a felicidade não dependia da vontade divina ou da
obediência a qualquer mandamento religioso.
1 EPICURO
1.1 Nascimento
A. E. Taylor3 comentou que Metrodoro se referiu a Epicuro como um
ateniense, filho de Neocles e Chaerestrata (Queréstrata) do município de Gargettus
e da casa dos Philaidae. Mas, embora cidadão ateniense, ele não nasceu em Atenas4.
Seu pai Neocles, sendo mal-provido em casa, viu-se obrigado a emigrar para a
ilha de Samos junto com outros dois mil atenienses indigentes em um programa
3 TAYLOR, A. E. Epicurus. London: Constable & Company LTD, 1911, p. 7.
4 Nossa principal fonte de informação sobre o filósofo Epicuro é Diógenes Laécio em seu
trabalho A vida dos filósofos, cf. TAYLOR, 1911, p. 6. Ver também: FARRINGTON,
Benjamin. The Faith of Epicurus. New York: Basic Books, INC., Publishers, 1967,
p.xii. Epicuro se tornou um cidadão ateniense por ter nascido em uma colônia de Atenas,
ver: BERGSMA, Ad. Happiness in the Garden of Epicurus. In: Journal Happiness
Studies. Fev./2008, p. 399-400.
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assistido pelo Estado5. Foi nessa ilha em 352 a.C., que Epicuro nasceu (onze anos
depois que seus pais haviam chegado ali)6. Ele foi provavelmente o segundo em
uma sequência de quatro irmãos7.
1.1.1 Educação
Alguns autores afirmam que Epicuro começou seu estudo da filosofia
aos 14 anos com o platonista Pamphilus (Pânfilo)8. Mas ao completar dezoito
anos esses estudos foram interrompidos pela obrigação de voltar a Atenas para
cumprir dois anos de treinamento militar9. Após a morte de Alexandre e a expulsão
dos atenienses por Pérdicas, Epicuro seguiu seu pai para a cidade de Cólofon.
Nessa cidade ele estaria próximo de Teos, a casa na época do filósofo atomista
Nausífanes10. Estudar a teoria atomista era crucial para Epicuro11. Em Teos, como
observou Farrington Benjamin12, ele teria acesso aos textos dos atomistas e poderia
ouvi-los expostos por um dos principais professores daquela escola. Farrington
ainda comentou:
É verdade que ele brigou muito tempo com seu novo professor. Sua
razão era interessante. Epicuro ficou encantado com a magnífica síntese
de duzentos anos de especulação sobre a natureza das coisas que havia
sido alcançada por Demócrito; mas ele não podia encontrar no atomismo
uma base para a ética. Esse parece ter sido o sentimento de condenação de
Nausífanes, a quem ele chamou de “um homem mau, hábil nas coisas pelas
quais não se pode alcançar a sabedoria”.13
Epicuro ficou algum tempo em Teos, depois retornou a Atenas no ano
de Anaxicratos14.
5 Samos havia se tornado uma área agrícola, ver: TAYLOR, 1911, p.7.
6 FARRINGTON, 1967, p. 4-5.
7 FARRINGTON, 1967, p. 4-5.
8 FARRINGTON, 1967, p. 5.
9 FARRINGTON, 1967, p. 5.
10 FARRINGTON, 1967, p. 6.
11 FARRINGTON, 1967, p. 6.
12 FARRINGTON, 1967, p. 7.
13 FARRINGTON, 1967, p. 7.
14 TAYLOR, 1911, p. 7.
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1.1.2 O jardim
Epicuro também residiu por um período de tempo em Mytilene
(Lesbos) e em Lampsacus15. Mas entre os anos 307 e 305 retorna novamente para
Atenas16. Ele comprou uma casa com um grande jardim murado, onde ensinou e
pode formar com seus seguidores uma comunidade17. Sua escola ficou conhecida
pelo nome do Jardim - Kêpos18. O filósofo do jardim ficou em Atenas até sua
morte em 271, aos 72 anos de idade19.
1.1.3 Obra
Acredita-se que a produção literária de Epicuro tenha sido volumosa.20
Mas infelizmente não chegou até nós a maior parte de seus textos. Sobraram
apenas fragmentos dispersos preservados em citações de autores posteriores. No
entanto, possuímos duas cartas indubitavelmente genuínas da sua autoria, uma que
foi endereçada a Heródoto, que discorria sobre os princípios gerais do atomismo,
e outra destinada a Meneceu que continha um resumo do seu ensino ético, ambos
os documentos estão inseridos em Diógenes21.
1.1.4 Esquecimento
Após a sua morte, suas ideias continuaram a florescer como um
movimento filosófico22. Comunidades de epicuristas surgiram em todo o mundo
helenístico, e celebrações foram realizadas em sua memória23. Mas à medida que
a igreja se tornava mais poderosa e dogmática, acabou entrando em conflito com
15 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
16 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
17 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
18 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
19 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
20 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
21 TAYLOR, 1911, p. 25.
22 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
23 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
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o ensino de Epicuro24. Por essa razão, em meados do quarto século, o pensamento
epicurista já havia caído em completo esquecimento, a ponto de o Imperador
Juliano (360-363 d.C.) se vangloriar do fato de que quase todos os livros de Epicuro
não estavem mais em circulação25. E, como comentou Taylor26 “no final desse
século, Agostinho declarou que mesmo nas escolas pagãs de retórica, as opiniões
de Epicuro haviam sido esquecidas”. Porém, no Renascimento um interesse sério
no epicurismo foi revivido27.
1.1.5 Filosofia
A característica distintiva do pensamento filosófico de Epicuro era que
visava a um fim exclusivamente prático28. Daí sua escola ser nomeada como a
dos pragmatistas da antiguidade: Epicuro costumava dizer que a filosofia é uma
atividade que por meio do raciocínio e discussão produz uma vida feliz29. Ele
também dizia que não devemos fazer uma mera pretensão da filosofia, mas ser
verdadeiros filósofos: “o discurso dos filósofos pelos quais nenhuma das nossas
paixões é curada é apenas ocioso”30. Talvez por isso ele tenha desprezado a
história, a matemática e o cultivo literário com base no fato de que eles não agem
sobre a conduta31. Taylor32 comentou que em um fragmento existente de uma carta,
Epicuro ressaltou com grande explosão de linguagem “(...) navegue e fuja de toda
a ‘cultura’; e, em outro, ‘felicito-o por ter chegado à filosofia sem mácula por
qualquer cultura’”33.
Segundo Taylor34, a única ciência a que Epicuro atribuiu valor foi a
física (a teoria geral da constituição do universo). E, ele valorizou essa ciência
24 TAYLOR, 1911, p. 34.
25 TAYLOR, 1911, p. 34.
26 TAYLOR, 1911, p. 34.
27 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
28 TAYLOR, 1911, p. 35-36.
29 TAYLOR, 1911, p. 35-36.
30 TAYLOR, 1911, p. 35-36.
31 TAYLOR, 1911, p. 35-36.
32 TAYLOR, 1911, p. 35-36.
33 TAYLOR, 1911, p. 35-36.
34 TAYLOR, 1911, p. 36.
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simplesmente por seu efeito moral35. Em outras palavras, a física libertaria de toda
crença na ação de Deus ou dos deuses, e assim livraria os homens do pavor dos
julgamentos divinos, e do esforço ansioso para ganhar seu favor36.
Epicuro rejeitou toda a ciência especulativa e sinalizou como inútil a
lógica silogística da Academia e de Aristóteles37. Das três divisões da Filosofia como
fixadas por Xenócrates, a Lógica, a Física e a Ética: as doutrinas do discurso, da
natureza, da conduta, Epicuro dispensou totalmente a primeira, e reteve a segunda
simplesmente como uma introdução necessária à terceira38. Ele confinou a lógica
à epistemologia - kanônika - que permitia distinguir proposições verdadeiras
das falsas39. Para o filósofo, o principal critério da verdade vinha dos sentidos.
Podia-se obter conhecimento através deles desde que usados adequadamente40.
Mas os sentimentos - pâthe - também forneciam critérios para a verdade, serviam
como critérios para valores41. Ele também identificou a prolépsis como critério42:
“uma compreensão genérica instintivamente adquirida de sua natureza”. Essa
compreensão genérica incluía: Deus, seres humanos e corpo43.
A física epicurista estava baseada nas evidências das experiências
sensoriais e nas concepções genéricas naturais44. Ela era materialista e mecanicista.
Bergsma45 argumentou que Epicuro se apropriou de grande parte da mecânica
de seu antecessor, o atomista Demócrito, mas introduziu um elemento de
espontaneidade. Ainda segundo Bergsma46, Epicuro acreditava que os constituintes
básicos do mundo eram átomos em movimento no vazio e que os objetos comuns
são conglomerados desses átomos. Desse modo, as propriedades dos corpos
macroscópicos e todos os eventos que vemos podem ser explicados em termos de
35 TAYLOR, 1911, p. 36.
36 TAYLOR, 1911, p. 36-37.
37 TAYLOR, 1911, p. 37-38.
38 TAYLOR, 1911, p. 37-38.
39 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
40 BERGSMA, 2008, p. 399-400.
41 BERGSMA, 2008, p. 400.
42 BERGSMA, 2008, p. 400.
43 BERGSMA, 2008, p. 400.
44 BERGSMA, 2008, p. 400.
45 BERGSMA, 2008, p. 400.
46 BERGSMA, 2008, p. 400.
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coalizões, repercussão e emaranhamento de átomos47. As ideias de Epicuro sobre
ética foram baseadas em sua visão da física e da lógica: “no domínio da ética,
devemos confiar em nossos sentimentos de prazer e dor. Prazer- hêdone - é a
única coisa que é intrinsecamente valiosa e deve ser considerada como o principal
critério para todas as ações”48.
Bergsma49 argumentou que para Epicuro o prazer e a dor são
conjuntamente exaustivos: a ausência de dor é em si mesma um prazer. Isso
implica que não há estado intermediário, pois só precisamos sentir prazer quando
estamos com dor e, quando não estamos com dor, não precisamos mais de prazer50.
“E, é por isso, que se diz que o prazer é o ponto de partida e o objetivo de vivermos
felizes”51.
Para o filósofo do jardim, a liberdade da dor é em si mesma um estado
agradável porque consiste na falta de dor no corpo - aponia. A ausência de dor
no corpo e de distúrbios na alma produzia um estado que Epicuro chamava de
ataraxia52. Essa condição era também chamada de prazer estático, porque se
pensava que ela surgia da estrutura atômica estável de nossas almas53.
Benjamin Farrington54 comentou que apesar de Epicuro ter escrito
trinta e sete livros sobre física, ele não era um cientista original. Seu objetivo com
a filosofia natural era dissipar a aflição da mente que a ignorância dos deuses, a
ignorância da natureza, e a ignorância da alma podiam produzir55.
1.1.6 Sobre o prazer
Para Epicuro a busca do luxo não aumentava o prazer56. O que ela
pode fazer é aumentar os desejos levando a pessoa a se tornar dependente e mais
47 BERGSMA, 2008, p. 400.
48 BERGSMA, 2008, p. 400.
49 BERGSMA, 2008, p. 400.
50 BERGSMA, 2008, p. 400.
51 BERGSMA, 2008, p. 400.
52 BERGSMA, 2008, p. 400.
53 BERGSMA, 2008, p. 400.
54 FARRINGTON, 1967, p. 93.
55 FARRINGTON, 1967, p. 93.
56 BERGSMA, 2008, p. 400.
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vulnerável aos caprichos da fortuna57. Daí o filósofo ensinar que às vezes é preciso
ignorar prazeres menores para se poder obter um prazer maior58. E, nesse caso, é
preciso calcular os papéis relativos dos prazeres corporais e mentais, estáticos e
cinéticos59.
Epicuro era um asceta irrepreensível que ensinava que prazer genuíno
não era o prazer dos libertinos, mas sim a simples satisfação de uma mente e de
um corpo em paz60. Por isso, para ele a filosofia não devia ser perseguida como um
conhecimento por si só, mas para trazer a paz da mente e do corpo61.
2 A PROLÉPSIS - ΠΡΟΛΗΨΕΙΣ
Na famosa carta sobre a felicidade emerge uma inquietante prolépsis:
“θεοὶ μὲν γὰρ εἰσίν” – “pois certamente os deuses existem”62. Essa afirmação
do conhecimento prévio acerca da existência dos deuses feita pelo filósofo de
Samos costuma ser ignorada, e às vezes, nem sequer é percebida por alguns de
seus leitores. Mas o que podemos inferir dessa declaração? Podemos dizer que
a locução θεοί εἰσίν os deuses existem deve ser tomada como uma confissão
da crença de Epicuro? Não, ele não poderia ir tão longe, não tinha fé para tanto.
Na verdade, sua opinião acerca da divindade destoava daquela sustentada pela
57 BERGSMA, 2008, p. 400.
58 BERGSMA, 2008, p. 400.
59 BERGSMA, 2008, p. 400.
60 BERGSMA, 2008, p. 400-401.
61 BERGSMA, 2008, p. 403.
62 O texto interlinear da carta de Epicuro sobre a felicidade em Grego/inglês se encontra
em: SAINT-ANDRE, Peter. Letter to Menoikos. (Monadnock.net), 2011. Disponível
em: http://monadnock.net/epicurus/letter.html#n0. Acesso em: 07 jan. 2019.
também uma tradução para o inglês, ver: HICKS, Robert Drew. Letter to Menoeceus
– how to live a Happy (Eudaimon) life by Epicurus. Disponível em: http://www.
epicuros.gr/pages/en_texts_L_MENOIKEAS.htm. Acesso em: 07 jan. 2019. Em
português temos uma excelente tradução do texto grego, a saber: LORENCINI, Álvaro;
CARROTORE, Enzo Del. EPICURO: Carta sobre a Felicidade. São Paulo: Editora
UNESP, 2002. Embora exista uma discussão robusta sobre o que prolépsis significa
na semântica epicurista, para Cícero esse termo foi criado por Epicuro para descrever
a imortalidade e bem-aventurança dos deuses, ver: GLIDDEN, David. Epicurean
Prolepsis. Binghamton University. Disponível em: https://orb.binghamton.edu/cgi/
viewcontent.cgi?article=1108&context=sagp. Acesso em: 01 jan. 2019.
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maioria dos homens religiosos do seu tempo, como veremos a seguir.
2.1 Sua teologia
Epicuro deve ter escandalizado a muitos ao dizer que os deuses não
se preocupavam com o gênero humano. E, em certos momentos deve tê-los
feito sorrir com declarações que eram tão óbvias como, por exemplo, “os deuses
são felizes, imortais, indestrutíveis e abençoados”63. Sua opinião sobre a morte
também deve ter soado como uma heresia. Ele costumava dizer que a morte não
representava nada para os seres humanos, pois “todo bem e mal consistia na
experiência sensorial e a morte é a privação dessa experiência”64. Quando uma
pessoa morre: “sua alma deixava de existir, porque era composta de átomos suaves
que são dispersos se o corpo não os mantém unidos”65. Para Epicuro quando
alguém está morto não pode lidar com a morte, e quando está vivo não precisa se
preocupar com ela, já que a morte ainda não está presente66. “Não há vida após a
morte: (...) A morte não é relevante nem para os vivos nem para os mortos, pois
não afeta ao primeiro e o segundo não existe”67.
2.2 Não existe providência
Epicuro não acreditava na providência divina. Para ele os deuses estão
em estado de beatitude e se ocupam apenas com a continuação da própria felicidade
deles68. Portanto, quando ele fala em aceitar “o mito dos deuses” – “θεῶν μύθῳ” o
faz tão somente em relação à crença no destino, pois para ele era melhor acreditar
nos deuses do que no destino:
Mais vale aceitar o mito dos deuses, do que ser escravo do destino dos
naturalistas: o mito pelo menos nos oferece a esperança do perdão dos
deuses através das homenagens que lhes prestamos ao passo que o destino
63 BERGSMA, 2008, p. 401.
64 BERGSMA, 2008, p. 402.
65 BERGSMA, 2008, p. 402.
66 BERGSMA, 2008, p. 402.
67 BERGSMA, 2008, p. 402.
68 BERGSMA, 2008, p. 402.
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é uma necessidade inexorável. 69
No entanto é importante destacar que, ao descrever – as coisas que
“produzem a felicidade” “ποιοῦντα τὴνεὐδαιμονίαν”, Epicuro incluiu ali
uma discussão sobre a origem das falsas opiniões sobre os deuses. Para ele,
um dos remédios contra a infelicidade era corrigir essas falsas opiniões. Vamos
compreender isso melhor mais à frente, mas agora, vamos ao texto grego onde a
famosa προλήψεις (prolépsis) objeto desta pesquisa emerge70:
Primeiro, acredite que Deus é um ser imortal e feliz, como é comumente
aceito. Não atribua a Deus nada que seja inconsistente com a imortalidade
e a bem-aventurança; em vez disso, acredite em tudo o que pode apoiar
a imortalidade e a bem-aventurança em Deus. Os deuses existem: nosso
conhecimento deles é claro. No entanto, eles não são como a maioria
das pessoas acredita; na verdade, a maioria das pessoas nem sequer é
consistente naquilo em que acreditam. Não é ímpio negar os deuses que a
maioria das pessoas acredita, mas atribuir aos deuses o que a maioria das
pessoas acredita. As coisas que a maioria das pessoas diz sobre os deuses
são baseadas em falsas suposições, não uma compreensão firme dos fatos,
porque dizem que os maiores bens e os maiores danos vêm dos deuses.
Pois desde que eles estão em casa com o que é melhor sobre si mesmos,
eles aceitam aquilo que é similar e consideram estranho o que é diferente.71
69 Para o texto grego e traduções ao inglês e português, ver: SAINT-ANDRE, Peter. Letter
to Menoikos. (Monadnock.net), 2011. Disponível em: http://monadnock.net/epicurus/
letter.html#n0. Acesso em: 07 jan. 2019. Ver também a: LORENCINI; CARROTORE,
2002, p. 48-49.
70 O texto interlinear da carta de Epicuro sobre a felicidade em grego/inglês se encontra
em: SAINT-ANDRE, Peter. Letter to Menoikos. (Monadnock.net), 2011. Disponível
em: http://monadnock.net/epicurus/letter.html#n0. Acesso em: 07 jan. 2019.
71 Tradução livre e adaptada, ver: SAINT-ANDRE, Peter. Letter to Menoikos.
(Monadnock.net), 2011. Disponível em: http://monadnock.net/epicurus/letter.html#n0.
Acesso em: 07 jan. 2019. “πρῶτον μὲν τὸν θεὸν ζῷον ἄφθαρτον καὶ μακάριον νομίζων,
ὡς ἡ κοινὴ τοῦ θεοῦ νόησις ὑπεγράφη, μηθὲν μήτε τῆς ἀφθαρσίας ἀλλότριον μήτε τῆς
μακαριότητος ἀνοίκειον αὐτῷ πρόσαπτε πᾶν δὲ τὸ φυλάττειν αὐτοῦ δυνάμενον τὴν μετὰ
ἀφθαρσίας μακαριότητα περὶ αὐτὸν δόξαζε. θεοὶ μὲν γὰρ εἰσίν ἐναργὴς γὰρ αὐτῶν ἐστιν
ἡ γνῶσις οἵους δ’ αὐτοὺς <οἱ> πολλοὶ νομίζουσιν, οὐκ εἰσιν οὐ γὰρ φυλάττουσιν αὐτοὺς
οἵους νομίζουσιν. ἀσεβὴς δὲ οὐχ ὁ τοὺς τῶν πολλῶν θεοὺς ἀναιρῶν, ἀλλ’ ὁ τὰς τῶν
πολλῶν δόξας θεοῖς προσάπτων. οὐ γὰρ προλήψεις εἰσίν ἀλλ’ ὑπολήψεις ψευδεῖς αἱ τῶν
πολλῶν ὑπὲρ θεῶν ἀποφάσεις. ἒνθεν αἱ μέγισται βλάβαι ἐκ θεῶν ἐπάγονται καὶ ὠφέλειαι.
ταῖς γὰρ ἰδίαις οἰκειούμενοι διὰ παντὸς ἀρεταῖς τοὺς ὁμοίους ἀποδέχονται, πᾶν τὸ μὴ
τοιοῦτον ὡς ἀλλότριον νομίζοντες.”
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Mas por que o filósofo resolve tratar das falsas opiniões sobre os deuses
em uma correspondência cujo objetivo é apontar os caminhos para a felicidade? A
resposta será dada a seguir.
2.3 Deus não pode ser ignorado
Deus tem sempre lugar na vida das pessoas, isso é verdadeiro para
aqueles que o confessam e para aqueles que o negam. Assim, qualquer que seja
o lado aqui, Deus precisa ser enfrentado. Além disso, os conceitos de culpa e
condenação estão sempre presentes no inconsciente coletivo. Epicuro sabia
muito bem disso. Por essa razão, não pode deixar de tratar de certas concepções
teológicas que poderiam colocar em risco seu programa sobre a felicidade. Para
não ver comprometido seu projeto, Epicuro procurou explicar que os deuses não
interferem na vida dos homens. Também se esforçou para ensinar que não existe
vida após a morte, tencionado assim eliminar o temor de um juízo divino e de uma
condenação eterna. Assim, por um breve momento o filósofo materialista teve que
se voltar para questões de natureza metafísica e teológica.
2.4 A falsa teologia
Falsas ideias sobre Deus podem realmente produzir tormento mental
e espiritual no ser humano. E, em um estado assim, quem pode ser feliz? Para
Epicuro, o caminho em direção à felicidade passava pela demolição dessas falsas
ideias. Mas, sua motivação aqui foi materialista, e, não necessariamente teológica.
Ele desejava remover todos os obstáculos do caminho do seu programa sobre a
felicidade. Seu materialismo não deixou nenhum espaço para o espiritual. Ele
reduziu toda experiência humana ao aparelho sensorial “todo bem e mal consiste
na experiência sensorial”72. Para ele isso era importante, pois conseguiria destruir
os conceitos religiosos de culpa e punição, obstáculos, segundo seu ponto de vista,
para a felicidade humana73. John Fredy Castaño comentou sobre isso:
A culpa estava localizada naquele corpus de crenças míticas e teológicas
72 BERGSMA, 2008, p. 402.
73 CASTAÑO, John Fredy Lenis. Ética del placer. Culpa y felicidad en Epicuro. In: Praxis
Filosófica Nueva serie, no 42, Jan.-Jun./2016, p. 159.
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que atribuíam aos deuses às funções de punição ou recompensa, tornando-
se parte de uma linguagem de alienação de consciência, bem como em
um dos primeiros e mais importantes controladores ideológicos da vida
individual e coletiva.74
Uma vez superada essa linguagem de alienação, Epicuro poderia propor
um mundo sem punição, sem culpa, mas não sem justiça75.
3 A VIDA BEM-AVENTURADA
Como vimos, para Epicuro, a remoção do medo da punição eterna
e da culpa tornava possível uma “vida bem-aventurada” – “μακαρίως ζῆν”.
Mas, o caminho em direção a essa conquista exigia que o homem refletisse
cuidadosamente sobre as causas de todas as suas escolhas, e, em seguida, deveria
se livrar de todas as opiniões falsas responsáveis em causar perturbações sobre o
seu espírito76. A remoção dessas falsas opiniões incluía o que era dito acerca dos
deuses. As escolhas envolviam a aceitação das quatro (tetrapharmakon) verdades
básicas do epicurismo:
Não tenha medo dos deuses
Não se preocupe com a morte
O que é bom é fácil de obter
O que é terrível é fácil de suportar77
3.1 Sabedoria prática
No programa filosófico de Epicuro, a liberdade individual alcançou
seu clímax e a “prudência”- “φρόνησις” foi eleita como a primeira e melhor das
virtudes, mais importante inclusive do que a própria filosofia “τούτων δὲ πάντων
ἀρχὴ καὶ τὸ μέγιστον ἀγαθὸν φρόνησις. διὸ καὶ φιλοσοφίας τιμιώτερον ὑπάρχει
74 CASTAÑO, 2016, p. 160.
75 CASTAÑO, 2016, p. 160-161.
76 Tradução livre e adaptada, ver: SAINT-ANDRE, Peter. Letter to Menoikos.
(Monadnock.net), 2011. Disponível em: http://monadnock.net/epicurus/letter.html#n0.
Acesso em: 07 jan. 2019.
77 BERGSMA, 2008, p. 401.
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φρόνησις”. Para o filósofo do jardim a sabedoria prática era a responsável pela
felicidade78. Mas o que era essa felicidade pregada por Epicuro?
3.2 A felicidade
Desde os primeiros filósofos gregos até os estudiosos da atualidade
tem havido muitas discussões acerca da natureza da felicidade. No entanto,
poucos trabalhos empíricos examinaram seu significado79. Mas “dada a energia
que os humanos investem na busca da felicidade o significado desta merecia
uma investigação científica mais profunda”80. A partir dos filósofos gregos e
de pesquisas atuais podemos ter uma noção do significado da felicidade, como
veremos a seguir.
3.2.1 Εὐδαιμονίας
O substantivo feminino grego εὐδαιμονίας é geralmente traduzido
em português por felicidade, que não é tão ruim81. No entanto, literalmente essa
palavra significa bom demônio – vem de ευ, bom e δαιμον, demônio. Mas é claro
que tem sido usada em um sentido mais amplo82. É um termo abrangente para
78 Peter Saint-Andre traduziu φρόνησις como sabedoria prática, ver: SAINT-ANDRE, Peter.
Letter to Menoikos. (Monadnock.net), 2011. Disponível em: http://monadnock.net/
epicurus/letter.html#n0. Acesso em: 07 jan. 2019. Outros traduziram φρόνησις como
prudência, ver: LORENCINI; CARROTORE, 2002, p. 44-45. No entanto, no Novo
Testamento φρόνησις pode aparecer tanto como sabedoria prática quanto prudência,
na verdade esses dois termos podem ser considerados sinônimos, ver: ROBINSON,
Edward. Léxico Grego do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 967-968.
79 KAMVAR, Sep; MOGILNER, Cassie; AAKER, Jennifer. The meaning(s) of Happiness.
In: Research Paper Series – Stanford – Graduate School of Business (Reasearch Paper
nº. 2026), 2009. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/46479630_
The_Meanings_of_Happiness. Acesso em: 03 jan. 2019.
80 KAMVAR; MOGILNER; AAKER, 2009.
81 Para uma perspectiva mais profunda da visão aristotélica sobre a felicidade,
recomendamos: ARCAYA, Oscar Godoy. La felicidad Aristotélica: pasado y presente.
In: Estudios Públicos. 1995. Um ótimo texto explicativo sobre o significado de
felicidade desde Aristóteles até autores mais modernos é: HAYBRON, Daniel M. Two
Philosophical problems in the study of happiness. In: Journal of Happiness Studies,
Fev./ 2000.
82 ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985,
p. 13.
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tudo o que é bom. E, nesse caso é frequentemente usado de forma intercambiável
com termos como bem-estar ou qualidade de vida, e denota tanto o bem-estar
individual quanto social83.
Todavia, como já antecipamos, desde os primeiros filósofos gregos
tem havido muitas divergências quanto à definição do significado desse termo84.
Para Jack J Bauer85 em Aristóteles εὐδαιμονίας consistia basicamente em prazer
e virtude. Ainda segundo esse autor, os psicólogos reenquadraram a fórmula de
Aristóteles sobre a felicidade em termos de prazer e significado psicossocial,
o que ficou conhecido como bem-estar eudaimônico86: “às vezes, o ‘bem-estar
eudaimônico’ e ‘a boa vida’ são equacionados, e às vezes não são, mas em ambos
os casos, os dois compartilham uma relação próxima”. O bem-estar eudaimônico
já foi contrastado com o bem-estar hedônico87. De fato, esse último envolve
principalmente o prazer, tende a ser mais individualista88. É importante destacar
que quando Epicuro falava sobre felicidade, pensava em algo como “a ausência
de sofrimento no corpo e de perturbações na alma” – “ἀλγεῖν κατὰσῶμα μήτε
ταράττεσθαι κατὰψυχήν”89.
Os estudiosos da atualidade costumam dizer que condições subjetivas e
objetivas como, por exemplo, a saúde física e o dinheiro trabalham a favor e contra
a felicidade de inúmeras maneiras90. Algumas pesquisas também afirmaram que
o significado da felicidade muda à medida que as pessoas envelhecem91. Pessoas
mais jovens associam a felicidade a excitação, enquanto as mais velhas associam
a sensação de paz92. Mas em uma mesma sociedade, a concepção de felicidade
83 VEENHOVEN, Ruut. Concept of Happiness. Disponível em: <https://
worlddatabaseofhappiness.eur.nl/hap_quer/introtext_measures2.pdf>. Acesso em: 11
jan. 2019.
84 ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985,
p. 3.
85 BAUER, Jack J.; MCADAMS, Dan P.; PALS, Jennifer L. Narrative identity and
eudaimonic well-being. In: Jornal of Happiness Studies, Jan./2008, p. 82.
86 BAUER; MCADAMS; PALS, 2008, p. 82.
87 BAUER; MCADAMS; PALS, 2008, p. 82.
88 BAUER; MCADAMS; PALS, 2008, p. 82.
89 LORENCINI; CARROTORE, 2002, p. 42.
90 BAUER; MCADAMS; PALS, 2008. p. 81.
91 KAMVAR; MOGILNER; AAKER, 2009.
92 Um experimento, feito com jovens e adultos parece confirmar isso, ver: KAMVAR;
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muda de acordo com a classe social: uma pessoa da classe média baixa pode ter
uma ideia de felicidade, enquanto um cidadão da classe média alta, outra93.
CONCLUSÃO
Nesta pesquisa buscou-se alcançar o significado da frase “θεοὶ μὲν γὰρ
εἰσίν” no contexto da chamada carta sobre a felicidade de Epicuro. À medida
que essa busca se aprofundou foi possível perceber que o sucesso do programa
apresentado por Epicuro dependia da desconstrução de alguns conceitos religiosos
vigentes em seus dias. Pois esses conceitos tinham o potencial para produzir
desassossego psicológico e criar obstáculos em direção a experimentação de uma
vida bem-aventurada. É nessa conjuntura que a frase “θεοὶ μὲν γὰρ εἰσίν” deve ser
entendida: ela funcionou como um artifício retórico a partir do qual Epicuro iniciou
a demolição desses conceitos religiosos. E, o filósofo foi muito habilidoso aqui.
Ele procurou demonstrar que os deuses não se interessam, nem se ocupam com
os dilemas humanos, e, portanto, não podem ser responsáveis pela felicidade ou
infelicidade de qualquer pessoa. Igualmente, defendeu que a morte é o fim de toda
experiência sensível, e, assim, os homens não precisavam temer um juízo ou uma
condenação além-túmulo. Vencidos esses conceitos, Epicuro buscou enfatizar que
o sucesso ou o fracasso dependia tão somente do modo de vida de cada um. Nesse
momento, exaltou a liberdade individual e argumentou que uma vida dirigida pela
prudência teria chances reais de encontrar a felicidade94. O filósofo acreditava que,
se libertado da linguagem de alienação, o homem poderia trabalhar na construção
da sua felicidade livre de perturbações em sua alma.
MOGILNER; AAKER, 2009.
93 MARGOT, Jean Paul. La Felicidad. In: Praxis Filosófica, nº 25, 2007, p. 58.
94 Mas, o programa de Epicuro poderia ter dado certo? Bergsma comparou os conselhos de
Epicuro sobre a felicidade (adaptado à situação do tempo do filósofo) com as condições
de felicidades observadas pela sociedade atual. Nessa comparação, o autor destacou
algumas falhas no programa oferecido pelo filósofo como, por exemplo, a criação de
uma comunidade onde a liberdade de escolha de seus membros era limitada. Bergsma
ainda ressaltou que para que seja constatada a felicidade é preciso haver uma avaliação
positiva da vida como um todo, mas quando essa vida se passa em uma comunidade,
como aquela em que Epicuro vivia com seus discípulos, essa avaliação se tornar
impossível. Cf., BERGSMA, 2008, p. 406-407.
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REFERÊNCIAS
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worlddatabaseofhappiness.eur.nl/hap_quer/introtext_measures2.pdf. Acesso em: 11 jan.
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El objetivo de este artículo es mostrar la actualidad de la crítica epicúreaa las supersticiones morales, específicamente aquellas relacionadas conla culpabilidad y, con esta, la depuración de algunos obstáculos paralograr la felicidad terrena. Para ello se hace el análisis de varios aspectosclaves de la ética de Epicuro: Ethos y physis; Ética del deseo; Culpa ycorporeidad; Resistencia in situ; Moral de la amistad; Política y justicia;Culpa y temporalidad. La metodología es fundamentalmente hermenéuticay genealógica (Foucault) dado el análisis textual y la mirada crítica quebusca recuperar la resistencia epicúrea como perspectiva fecunda para laelaboración de una ética anti-capitalista en el contexto moderno.
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Narrative identity refers to the internal, dynamic life story that an individual constructs to make sense of his or her life. We argue that narrative identity is closely tied to the subjective interpretation of oneself as happy. We present a view of eudaimonic well-being that extends beyond the sense of having pleasure and meaning in one’s life (measured as self-report well-being) to include higher degrees of psychosocial integration in that meaning (measured as ego development). This combination of qualities is characteristic of the good life, or eudaimonia, in a tradition dating to Aristotle. We then describe research showing how several patterns of narrative identity correspond to this extended notion of eudaimonic well-being. First, people at high levels of eudaimonic well-being tend to emphasize personal growth in their life stories, with different kinds of personal growth corresponding to different facets of eudaimonic well-being. Second, these people also tend to frame difficult life experiences as transformative experiences wherein they suffered deep pain but gained new insights about the self. Third, charting the move from suffering to an enhanced status or state, their stories often follow a culturally-shaped script of redemption, which in American society is often conceived as upward social mobility, liberation, recovery, atonement, or the full actualization of the inner self.
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In this paper two philosophical issues are discussed that hold special interest for empirical researchers studying happiness. The first issue concerns the question of how the psychological notion(s) of happiness invoked in empirical research relates to those traditionally employed by philosophers. The second concerns the question of how we ought to conceive of happiness, understood as a purely psychological phenomenon. With respect to the first, I argue that 'happiness', as used in the philosophical literature, has three importantly different senses that are often confused. Empirical research on happiness concerns only one of these senses, and serious misunderstandings about the significance of empirical results can arise from such confusion. I then argue that the second question is indeed philosophical and that, in order to understand the nature of (what I call) psychological happiness, we need first to determine what a theory of happiness is supposed to do: what are our theoretical and practical interests in the notion of happiness? I sketch an example of how such an inquiry might proceed, and argue that this approach can shed more light on the nature and significance of happiness (and related mental states) than traditional philosophical methods.
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Disponível em: <https:// worlddatabaseofhappiness.eur.nl/hap_quer/introtext_measures2.pdf>. Acesso em
  • Ruut Veenhoven
VEENHOVEN, Ruut. Concept of Happiness. Disponível em: <https:// worlddatabaseofhappiness.eur.nl/hap_quer/introtext_measures2.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2019.
La felicidad Aristotélica: pasado y presente
  • Oscar Referências Arcaya
  • Godoy
REFERÊNCIAS ARCAYA, Oscar Godoy. La felicidad Aristotélica: pasado y presente. In: Estudios Públicos. 1995.
BERGSMA, Ad. Happiness in the Garden of Epicurus
ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985. BERGSMA, Ad. Happiness in the Garden of Epicurus. In: Journal Happiness Studies. Fev./2008.
Letter to Menoeceus -how to live a Happy (Eudaimon) life by Epicurus
  • Robert Hicks
  • Drew
HICKS, Robert Drew. Letter to Menoeceus -how to live a Happy (Eudaimon) life by Epicurus. Disponível em: http://www.epicuros.gr/pages/en_texts_L_MENOIKEAS. htm. Acesso em: 07 jan. 2019.