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O acesso ao espaço público urbano como indicador de inclusão e equidade social Access to public space as an indicator of social inclusion and equity

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Este ensaio visa uma abordagem analítica da provisão e acesso aos espaços livres de domínio público (parques, jardins, praças, ruas, etc.) ao mesmo tempo que questiona e avalia aspetos socioculturais, técnico-urbanísticos, ecológicos, económicos, e de política urbana. Os espaços públicos estão no cerne de diversas disciplinas, o que adiciona uma visão transversal à discussão sobre as suas caracte-rísticas, funções, benefícios e significados. Os sistemas político-sociais e o modelo de produção de cidades em diversos países têm por resultado uma enorme desigualdade social que também se reflete em aspetos de acessibilidade, convivialidade e agrada-bilidade dos espaços públicos. Ao observar a relação destes com o contexto onde estão inseridos levanta-se a hipóteses sobre o uso destes espaços como um indicador da qualidade de vida e da sua representatividade como manifestação da segregação espacial e da iniquidade em meio urbano. Embora os espaços públicos formem um con-junto essencial do património urbano, sejam um forte elemento no desenho, na morfologia e na estética urbana, em muitas cidades este património está mal cuidado, inexplorado ou é inexistente. Eles podem, porém, ser um elemento distintivo de uma cidade ou bairro, desempenhar um papel educacional e cultural importante para o desenvolvimento da comunidade, exercendo uma grande influência na qualidade de vida urbana. Este trabalho discute o espaço público além de ser somente espaço físico, bem ou mal desenhado, com bons ou maus equipamentos,mas como um possibilitador da interação social, já que é aqui que a comunidade se enche de vida, onde se fortalecem os laços entre vizinhos e onde se fomenta o sentido de permanência ao ar livre.
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Benefícios e desafios na cocriação de espaço público aberto com apoio das ferramentas digitais. As experiências dos projetos CyberParks e C3Places As tecnologias de informação e comunicação (TIC) podem ser ferramentas inovadoras para a interação com e entre os utilizadores do espaço público. Por um lado, as ferramentas digitais (smartphones, relógios inteligentes, tablets, portáteis etc.) colaboram para intermediar a criação de contextos socioespaciais interativos; por outro, as TIC podem ser consideradas como recurso instigador de processos de planeamento mais colaborativos e participativos. O artigo discute alguns benefícios e desafios que as TIC apresentam no âmbito do aperfeiçoar o conhecimento sobre a relação entre espaço público aberto, pessoas e práticas sociais e no que respeita à mediação e ao fomento de processos participativos na produção do espaço através do recurso às dinâmicas de cocriação. Para o desenvolvimento desta reflexão, realiza-se uma abordagem teórica e enquadradora a partir de perspetivas etnográficas e de planeamento e recorre-se ao conhecimento adquirido e experiências protagonizadas nos projetos CyberParks e C3Places. Vantaggi e sfide nella co-creazione di spazi pubblici aperti con il supporto di strumenti digitali. Le esperienze dei progetti CyberParks e C3Places Le tecnologie dell'informazione e della comunicazione (ICT) e i loro dispositivi offrono strumenti innovativi per interagire con gli utenti dello spazio pubblico. Da un lato, gli strumenti digitali (smartphone, smartwatch, tablet, laptop ecc.) consentono l'emergere di contesti socio-spaziali interattivi, mentre d'altro le ICT possono essere considerate una risorsa stimolante nei processi di pianificazione più collaborativi e partecipativi. L'articolo affronta i vantaggi e le sfide che le ICT rappresentano per migliorare la conoscenza delle relazioni tra spazio pubblico aperto, persone e pratiche sociali e il ruolo di mediazione degli strumenti ICT negli approcci partecipativi e nei processi di co-creazione di spazi pubblici. Per sviluppare questa riflessione, viene intrapresa una revisione dei concetti teorici dal punto di vista dell'etnografia e della pianificazione, nonché delle conoscenze e delle esperienze acquisite nei progetti CyberParks e C3Places. Benefits and Challenges in co-creating Open Public Space supported by Digital Tools. The Experiences of the CyberParks and C3Places Projects Information and Communication Technologies (ICT) and their devices offer innovative tools for interacting with public space users. On the one hand, digital tools (smartphones, smart watches, tablets, laptops, etc.) enable the emergence of interactive socio-spatial contexts. On the other hand, ICT can be regarded as an instigating resource for more collaborative and participatory planning processes. The paper addresses benefits and challenges that ICT pose for improving knowledge about the relationship between public open space, people and social practices, and the mediating role of ICT tools in par-ticipatory approaches and in co-creation processes of public spaces. To base this reflection, a review of theoretical concepts from ethnographic and planning perspectives is undertaken, as well as the knowledge and experiences gained in the projects CyberParks and C3Places. Palavras-chave: espaço público aumentado/híbrido, mediação, cocriação na produção do espaço público, perspetivas etno-gráficas e de planeamento urbano, participação social Parole chiave: spazio pubblico mediato/ibrido, mediazione, co-creazione dello spazio pubblico, prospettive etnografiche e di pianificazione urbana, partecipazione sociale
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Public-space quality is attracting considerable attention. The number of new spaces has greatly expanded. At the same time, people are using existing and new public spaces in increasing numbers. As a result, the relationship of public spaces such as parks, plazas, and streets to the quality of urban life has attracted intense interest on the part of public officials, researchers, designers, and cit izens (Hiss, 1987; Levine, 1984).
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Este estudo discute a relação entre as tecnologias de mídia digital e a sua utilização no espaço público. Uma relação que não é nova, mas está crescendo a um ritmo acelerado e se transformando em um desafio para os especialistas em informática, paisagistas e arquitetos e cientistas sociais. Ao apresentarmos e discutirmos alguns exemplos levantamos questões sobre o desenvolvimento urbano, agora sob a luz das novas tecnologias de mídia digital. A questão central é qual o contributo dessas tecnologias para transformar nossas cidades em ambientes mais sociais, em vez de apenas mais high-tech. Apresentamos e discutimos aqui uma análise de como as TICs interferem no uso do espaço público, com que resultados e riscos, e como elas se integram no novo conceito de sociedade virtual.
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O presente trabalho traz a conceituação dos chamados kleingärten, um sistema de jardins arrendados, presentes nas cidades alemãs, e enfoca o seu relevante caráter social, bem como o seu potencial na integração à infraestrutura de espaços verdes, como uma alternativa para melhorar a qualidade do ambiente urbano. Esses espaços, que poderíamos chamar de pulmões verdes, pertencem, na maioria dos casos, às prefeituras, que os arrendam a associações de pessoas que queiram plantar verduras, árvores frutíferas e flores. O movimento para a implementação desses jardins, sustentado por uma estrutura institucional, surgiu inicialmente para melhorar a qualidade de vida dos operários nas grandes cidades industriais. Hoje, quase 150 anos mais tarde, o movimento se transformou em uma manifestação cultural, por oferecer uma opção de lazer e recreação ao ar livre para uma boa parte da população e por ser um elemento marcante da paisagem urbana na Alemanha. Isso faz com que os kleingärten, pela sua natureza utilitária, seu interesse paisagístico e urbanístico e sua força política, justifiquem um estudo mais aprofundado.
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Resumo O Urbanismo é um campo do conhecimento, ora considerado como ciência ora como técnica, que tem a cidade como principal objeto de estudo e intervenção. Surge como campo do conhecimento, no final do século XIX, na Europa, período pós-revolução industrial, em busca de transformações necessárias à realidade caótica das cidades. No entanto uma maior maturidade teórica só foi alcançada no século XX. Observa-se hoje que ainda conserva-se um conceito tradicional sobre o mesmo, como preso a aspectos estético-funcionais. Porém o Urbanismo ultrapassou largamente esta visão, não se limitando a uma simples técnica do engenheiro ou do arquiteto para intervir no espaço urbano, pois abrange o campo da comunidade, da planificação social. Por isto é necessária uma abordagem sobre sua epistemologia, de forma mais crítica e ampla, rompendo paradigmas. O estudo sobre a realidade do espaço urbano (e regional) e suas manifestações concretas, para intervir na busca de uma melhor qualidade de vida constitui na essência do urbanismo, sendo que este espaço sofre transformações permanentes.O texto busca uma reflexão crítica sobre o Urbanismo, desde quando surgiu como suposta ciência que estuda a cidade e intervêm nos seus espaços, utilizando uma revisão bibliográfica de vários autores que abordam o seu conceito.
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In this study of a sample of 148 teenagers from metropolitan Toronto, home range is found to be smaller in the city, in lower social classes, and-in the suburbs only-for girls and younger teenagers. Home range is the spatial manifestation of exploring the "fourth environment," which is globally defined as the environment outside the home, playground, and specifically child-oriented institutions. The significance of this fourth environment in the process of growing up is discussed, and some findings are presented that indicate that home range may be related to use and knowledge of the environment. It is suggested that the local neighbor-hood continues to be an important developmental context for young people, and common interests of other population groups are recognized as enhancing the potential for planning that is responsive to children's needs.