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Exercício físico em pessoas com diabetes: revisão sistemática de literatura

Authors:
  • Luz Saúde

Abstract

Introdução: A Diabetes mellitus é caraterizada como um conjunto de alterações metabólicas, manifestada por hiperglicemia crónica. A atividade física surge neste contexto como uma estratégia positiva no processo terapêutico da diabetes. Objetivo: Avaliar os efeitos do exercício físico em pessoas com diabetes. Método: Revisão Sistemática da Literatura através do método PICO com a seguinte questão de pesquisa: Quais os benefícios do exercício físico na pessoa com diabetes? A pesquisa foi realizada com recurso a plataformas de bases de dados eletrónicas EBSCOhost, Medline e BVS tendo identificado, selecionado e avaliado a qualidade metodológica, incluindo artigos em acordo com as recomendações do PRISMA. Resultados: Foram incluídos 9 estudos que cumpriam os critérios de elegibilidade e qualidade metodológica definidos para esta revisão. O exercício físico traz benefícios para a pessoa com diabetes nomeadamente a nível da redução da glicose plasmática em jejum e dos valores da hemoglobina glicada, assim como, melhoria da qualidade de vida. Conclusões: A prescrição de exercícios físico em pessoas com diabetes pode ser um adjuvante no tratamento desta condição com benefícios no controlo metabólico e qualidade de vida.
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EXERCÍCIO FÍSICO EM PESSOAS COM DIABETES: REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA
EJERCICIO FÍSICO EN PERSONAS CON DIABETES: REVISIÓN SISTEMÁTICA DE LITERATURA
PHYSICAL EXERCISE IN PEOPLE WITH DIABETES: SYSTEMATIC REVIEW OF LITERATURE
DOI 10.33194/rper.2019.v2.n1.03.4564 | Submetido 05.03.2019 | Aprovado 27.06.2019
Lénia Alexandra Ramos Loureiro (ORCID: 0000-0001-7427-0335)1
Maria Isabel Vaz Afonso (ORCID: 0000-0001-9764-5259)2
Patrícia da Silva Ribeiro (ORCID: 0000-0002-9702-3174)3
Ana Cristina Nunes Mesquita (ORCID: 0000-0002-0004-8691)4
Helena Castelão Figueira Carlos Pestana (ORCID:0000-0001-7804-2989)4
Luís Manuel Mota de Sousa (ORCID: 0000-0002-9708-5690)5
1 - Unidade de Cuidados Continuados na ASFE Saúde, Portugal; 2- Centro hospitalar Lisboa Ocidental, Hospital Egas Moniz,
Portugal; 3 Centro Hospitalar Lisboa Norte, Hospital Santa Maria, Lisboa, Portugal; 4- . Escola Superior de saúde Atlântica,
Barcarena, Portugal; 5 Universidade de Évora, Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus, Évora, Portugal
RESUMO
Introdução: A Diabetes mellitus é caraterizada como um conjunto de alterações metabólicas, manifestada por
hiperglicemia crónica. A atividade física surge neste contexto como uma estratégia positiva no processo terapêutico
da diabetes.
Objetivo: Avaliar os efeitos do exercício físico em pessoas com diabetes.
Método: Revisão Sistemática da Literatura através do método PICO com a seguinte questão de pesquisa: Quais os
benefícios do exercício físico na pessoa com diabetes? A pesquisa foi realizada com recurso a plataformas de bases
de dados eletrónicas EBSCOhost, Medline e BVS tendo identificado, selecionado e avaliado a qualidade metodológica,
incluindo artigos em acordo com as recomendações do PRISMA.
Resultados: Foram incluídos 9 estudos que cumpriam os critérios de elegibilidade e qualidade metodológica definidos
para esta revisão. O exercício físico traz benefícios para a pessoa com diabetes nomeadamente a nível da redução da
glicose plasmática em jejum e dos valores da hemoglobina glicada, assim como, melhoria da qualidade de vida.
Conclusões: A prescrição de exercícios físico em pessoas com diabetes pode ser um adjuvante no tratamento desta
condição com benefícios no controlo metabólico e qualidade de vida.
Descritores: Diabetes; Exercício Físico; Glicémia; Enfermagem em Reabilitação.
RESUMEN
Introducción: La diabetes mellitus es caracterizada como un conjunto de alteraciones metabólicas, manifestada por
hiperglucemia crónica. La actividad física surge en este contexto como una estrategia positiva en el proceso
terapéutico de la diabetes.
Objetivo: Evaluar los efectos del ejercicio físico en las personas con diabetes.
Método: Revisión Sistemática de la Literatura. Se utilizó el método PICO con la siguiente pregunta de investigación:
¿Cuáles son los beneficios del ejercicio físico en la persona con diabetes? La pesquisa se realizó utilizando plataformas
de bases de datos electrónicas EBSCOhost, Medline y BVS, identificando, seleccionando y evaluando la calidad
metodológica, incluyendo artículos de acuerdo con las recomendaciones del PRISMA.
Resultados: Se incluyeron 9 estudios que cumplían los criterios de elegibilidad y calidad metodológica definidos para
esta revisión. El ejercicio físico trae beneficios para la persona con diabetes, especialmente en la reducción de la
glucosa plasmática en ayuno y de los valores de la hemoglobina glucosa, así como la mejora de la calidad de vida.
Conclusiones: La prescripción de ejercicios físicos en personas con diabetes puede ser un adyuvante en el tratamiento
de esta condición con beneficios en el control metabólico y calidad de vida.
Descriptores: Diabetes; Ejercicio físico; Glucemia; Enfermería en Rehabilitación.
ABSTRACT
Background: Diabetes mellitus is characterized as group of metabolic alterations manifested by chronic
hyperglycemia. Physical exercise emerges in this context as a positive strategy in the diabetes therapeutic process.
Objective: Access physical exercise effects on people with diabetes.
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Methods: Systematic Review of Literature through the PICO method with the following research question: Which are
the benefits of physical exercise in a diabetic person? The research was carried out using the electronic database
platforms: EBSCOhost, Medline and BVS, having identified, selected, evaluated the methodological quality and
included the articles that take into account the PRISMA recommendations.
Results: 9 studies were included that fulfilled the eligibility and methodological quality criteria.
Conclusion: The physical exercise prescription in people with diabetes can be an adjuvant in the treatment of that
condition with metabolic control benefits and increase of life quality.
Keywords: Diabetes; Physical Exercise; Glycemia; Rehabilitation Nursing.
INTRODUÇÃO
A diabetes mellitus é definida como um conjunto de
alterações metabólicas caracterizadas por
hiperglicemia crónica, que ocorrem devido à destruição
das células beta do pâncreas, resistência à ação e/ou
distúrbios da secreção da insulina(1).
A diabetes mellitus pode ser classificada nas seguintes
categorias: diabetes tipo 1, diabetes tipo 2, diabetes
mellitus gestacional e diabetes com origem noutras
causas especificas(2-3). Contudo, o estudo vai centrar-se
na diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2.
A diabetes mellitus tipo 1 surge quando destruição
das células beta, levando a uma produção deficiente de
insulina no organismo. A causa para este tipo de
diabetes ainda não é conhecida. Os sintomas incluem:
sede excessiva, micções frequentes, fome, perda de
peso, alterações na visão e fadiga(2-3).
A diabetes mellitus tipo 2 ocorre devido a uma
alteração na secreção de insulina levando a uma
resistência à insulina pelo organismo. Este tipo de
diabetes é um dos mais frequentes e os sintomas são
muito semelhantes à diabetes mellitus tipo I mas
geralmente menos evidentes ou até mesmo ausentes(2-
3).
O diabetes mellitus tem-se tornado num dos mais
importantes desafios de saúde pública do século XXI.
Até a última década, foi subestimada, atualmente é
vista como uma ameaça à saúde publica global (4).
Em 2014, a nível mundial, estimou-se que 422 milhões
de pessoas adultas tinham diabetes, verificando-se um
aumento relativamente a 1980 que apresentava uma
prevalência de 108 milhões de pessoas. A prevalência
global (padronizada por idade) de diabetes aumentou
para quase o dobro desde 1980, passando de 4,7% para
8,5% nas pessoas adultas. Este aumento está associado
a fatores de risco, como excesso de peso ou
obesidade(3).
Em Portugal, existe uma diferença estatisticamente
significativa na prevalência da Diabetes entre os
homens (15,9%) e as mulheres (10,9%), assim como a
existência de um forte aumento da prevalência da
diabetes com a idade (mais de um quarto das pessoas
entre os 60-79 anos tem Diabetes) (5).
De entre os vários tipos diabetes, a diabete mellitus
tipo 2 é a mais comum representando cerca de 90-95 %
dos casos(6). Alguns fatores de risco para este tipo de
diabetes são: a genética, etnia, idade (fatores não
modificáveis), o excesso de peso ou obesidade, dieta
não saudável, atividade física insuficiente e tabagismo
(fatores modificáveis por meio de alterações
comportamentais e ambientais)(3).
A atividade física regular é importante para todos, mas
é especialmente relevante para pessoas com diabetes
sendo considerado como adjuvante na prevenção e no
tratamento(7).
A atividade física inclui todos os movimentos que
resultam num gasto de energia acima do nível de
repouso. o exercício físico é um tipo de atividade
que consiste em movimentos corporais programados,
estruturados e sistematicamente repetitivos que têm
como objetivo melhorar a preparação física(6).
O exercício físico, para além de hábitos alimentares
saudáveis, é uma das primeiras estratégias
aconselhadas para pessoas recém-diagnosticadas com
diabetes mellitus tipo 2, trazendo benefícios no que diz
respeito à redução do risco de diabetes e do aumento
da glicose no sangue(3) sendo essencial para a redução
do risco cardiovascular, a perda ou controle de peso e
bem-estar geral. O exercício físico, seja aeróbico ou de
resistência ou uma combinação, facilita a regulação da
glicose. O exercício intervalado de alta intensidade é
eficaz e tem como vantagem de ser muito eficiente em
termos de tempo(7).
O exercício físico regular traz ainda consideráveis
benefícios para a saúde das pessoas com diabetes
mellitus tipo 1 especificamente, a nível cardiovascular,
força muscular e sensibilidade á insulina.(6).
O exercício aeróbio consiste num tipo de exercício que
engloba movimentos contínuos e rítmicos de grandes
grupos musculares, como caminhar, correr e andar de
bicicleta. (8) Este tem impacto a nível do aumento da
densidade mitocondrial, sensibilidade à insulina,
enzimas oxidativas, reatividade dos vasos sanguíneos,
função pulmonar, função imunitária e débito cardíaco.
Na diabetes mellitus tipo 1, o exercício aeróbio
aumenta a aptidão cardiorrespiratória, diminui a
resistência à insulina e melhora os níveis lipídicos e a
função endotelial(6), já em pessoas com diabetes
mellitus tipo 2, melhora o controlo da glicémia,
sensibilidade à insulina, capacidade oxidativa e
importantes parâmetros metabólicos relacionados(8).
O exercício de resistência é sinónimo de treino de força
e engloba movimentos com recurso a pesos livres,
aparelhos de musculação, exercícios de peso corporal
ou bandas de resistência elástica(8). A nível da diebetes
mellitus tipo 1 o exercício de resistência no controle da
glicémia capilaro está bem definido, no entanto
pode ajudar a minimizar o risco de hipoglicémia
induzida pelo exercício físico(6). Nas pessoas com
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diabetes mellitus tipo 2 o exercício de resistência traz
ganhos nomeadamente a nível da força, densidade
mineral óssea, pressão arterial, perfil lipídico, saúde
cardiovascular, sensibilidade à insulina e massa
muscular(8).
Em relação aos exercícios de mobilidade e equilíbrio
estes têm maior relevância em idosos com diabetes. A
mobilidade articular limitada que frequentemente se
observa nesta população, resulta em parte da formação
de produtos finais de glicosilação avançada, que se
acumulam durante o envelhecimento normal e são
acelerados pela hiperglicemia(6).
Os exercícios de alongamento contribuem para o
aumento da mobilidade, mas não afetam o controle
glicémico, enquanto que exercícios de equilíbrio podem
reduzir o risco de quedas(6).
O enfermeiro especialista em enfermagem de
reabilitação possui conhecimentos e competências
especializadas, intervindo de forma individual e
singular, tendo em conta as necessidades,
características, capacidades e tolerância de cada
pessoa(9).
Tem também como competência monitorizar e
implementar programas de reabilitação, avaliando e
efetuando os ajustes necessários no processo de
prestação de cuidados. Desta forma possibilita
melhorar a qualidade de vida, através da melhoria da
funcionalidade e da autonomia, envolvendo dimensão
física social e emocional(9). Com esta revisão
sistemática da literatura pretende-se identificar:
“Quais os benefícios do Exercício Físico na Pessoa com
Diabetes?”. Foi escolhido pela sua prevalência atual
que lhe confere especial importância na área de
atuação do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de
Reabilitação.
Assim, a presente revisão sistemática da literatura
(RSL) tem como objetivo avaliar os efeitos do exercício
físico em pessoas com diabetes.
MATERIAL E MÉTODOS
A Investigação em Enfermagem é um método
sistemático, científico e rigoroso que busca o
desenvolvimento e aprofundamento do conhecimento
nesta área, procurando responder a questões ou
soluções para problemas em prol do benefício da
pessoa, família e comunidade(10).
As investigações científicas na área da enfermagem têm
vindo a aumentar, especialmente as pesquisas clínicas,
com métodos bem delineados e forte grau de evidência,
a fim de sustentar a prática baseada na evidência
(PBE)(11).
A RSL é uma metodologia científica que possibilita
identificar, avaliar e abreviar os estudos realizados por
investigadores, académicos e profissionais de saúde. O
ponto de partida é uma questão bem delineada e
formulada recorrendo a métodos sistemáticos e claros,
permitindo também recolher e analisar os dados dos
estudos que se incluíram na revisão (12-13). Para uma
análise de toda a evidencia disponível é fundamental
seguir as seguintes etapas: definir de forma clara os
objetivos tendo em conta os critérios de elegibilidade;
metodologia explícita e reprodutível, pesquisa
sistemática que evidencie que todos os estudos
cumpram os critérios de elegibilidade; avaliação da
autenticidade dos resultados dos estudos incluídos (12-
13).
A questão de investigação deste estudo foi conduzida
através do método PICO Participant (Tipo de
Participantes); Intervention (Tipo de Intervenção);
Comparasion (comparação); Outcomes (Tipo de
Resultados), como se pode verificar na tabela nº1.
Participantes (P)
Pessoa com Diabetes
Intervenção (I)
Exercício físico
Comparação (C)
Pessoas com diabetes que não
praticam exercício físico
Resultados (O)
Benefícios para a saúde (ex.
bem-estar, qualidade de vida…)
Tabela nº1 todo PICO
Posto isto, definiu-se para a presente Revisão
Sistemática da Literatura, a seguinte questão de
investigação: Quais os benefícios do Exercício Físico
na Pessoa com Diabetes?.
A pesquisa para a revisão sistemática da literatura
definiu-se em função da questão de investigação, dos
descritores relacionados com cada uma das
componentes da estratégia PICO e palavras chave
conforme tabela 2. Os descritores foram validados
previamente na plataforma Descritores em Ciências da
Saúde e Medical Subject Headings.
Critérios
Descritores
Palavras Chave
Participantes
(P)
Diabetes
Intervenção
(I)
Exercício
Físico
Enfermagem
Reabilitação
Frequência do
exercício,
Intensidade,
Duração,
Modalidade,
Tipo Exercício
Comparação
(C)
Resultados
(O)
Glicemia
Qualidade
de vida
Tabela 2 Método PICO, Descritores e Palavras Chave
A investigação decorreu no mês de novembro 2018
através de duas pesquisas independentes. Tendo como
base os descritores já referidos realizou-se a pesquisa
nas plataformas de bases de dados eletrónicas: EBESCO
host, Medline e Biblioteca Virtual em Saúde.
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Atendendo à especificidade do tema e ao grande
número de estudos/artigos encontrados foi necessário
definir critérios de inclusão e exclusão (tabela nº3) de
forma a ajudar na seleção dos estudos/artigos
relevantes para o desenvolvimento da temática em
questão.
Critérios
Elegibilidade
Critérios Inclusão
Critérios Exclusão
Participantes
(P)
Pessoa com
diabetes
Pessoa com outra
patologia
Intervenção
(I)
Exercício Físico
Desenho do(s)
Estudo(s)
Estudo
experimental
aleatório
controlado
Revisão Sistemática
Literatura, Outros
estudos quantitativos
e estudos Qualitativos
Período de
Publicação
Artigo publicado
entre 2014 e 2018
Língua em que
está publicado
Artigo publicado
em Português,
Inglês e Espanhol
Disponibilidade
do Artigo
Artigo Completo e
de acesso livre
Artigo Incompleto ou
que implique custos
Tabela 3 - Critérios de Elegibilidade
Do processo de pesquisa bibliográfica realizada, com
esta metodologia, obtivemos 1039 artigos para a
seleção inicial. Destes, 910 foram rejeitados pelo título
ou pelo assunto e 30 pelo resumo. Dos 18 resultantes, 7
foram excluídos após análise do texto integral, dado
não cumprirem os critérios de inclusão definidos, tendo
sido o resultado final de 10 artigos incluídos que
preencheram os critérios de inclusão.
A Tabela 4 descreve o processo de conjugação dos
descritores e palavras-chave para a pesquisa nas bases
de dados. A Figura 1 ilustra o fluxograma
PRISMA(14)correspondente à identificação, análise,
seleção e inclusão dos artigos.
Conjugação booleana
Medline
BVS
EBSCOhost
((exercise)OR(physical
activity))AND(diabetes)
605
67
((Physical activity) OR (Exercise))
AND (Diabetes)
369
Total de artigos
1039
Tabela 4 - Conjugação booleana
Figura 1 Identificação, análise e seleção dos artigos.(14)
Os artigos selecionados para leitura completa foram
avaliados por dois investigadores de forma
independente, tendo em consideração os critérios de
qualidade metodológica, propostos pelo JBI,
Assessment and Review of Information, (15) tendo sido
selecionados os artigos com mais de 75% dos critérios.
Foi extraida informação dos artigos sobre autores, ano,
país, amostra, dados sobre o exercício físico
(modalidade, frequência, intensidade, volume e
duração), conclusões e nível de evidência. Os níveis de
evidência dos estudos incluídos foram classificados de
acordo com os critérios da Registered Nurses
Association of Ontario como se pode ver seguidamente:
Ib-Evidência determinada a partir de pelo menos um
estudo aleatório controlado(16-17) .
RESULTADOS
Nesta RSL foram publicados 9 artigos nos seguintes
anos: 2014(20-21,23), 2015(19), 2016(24) e 2017(18,22,25-26). A
amostra de pessoas com diabetes que foi sujeita a
intervenção variou entre 12(18) e 536(26). O grupo de
controlo variou entre 5(18) e 149(26). Todos os estudos
incluídos (Tabela 5) são estudos experimentais, com
nível de evidência Ib isto é, evidência obtida a partir de
um estudo bem desenhado e através de pelo menos um
estudo aleatório controlado(15) sendo portanto uma mais
valia para esta RSL.
Referências identificadas
EBSCO(369)+Medline(605)
+BVS (67)
Resumos avaliados
N= 62
Texto completo
N= 18
Estudos selecionados
N= 9
Amostra
N=9 artigos
Excluídos pelo título
por PICO
N=910
Excluídos pelo resumo
por PICO
N=30
Excluídos face aos
critérios de inclusão e
exclusão
N= 3
Excluídos critérios do
JBI
N= 6
Identificação
Seleção
Elegibilidade
Incluídos
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22
Autor,
ano, país
Participantes
Objetivo
Intervenção
Resultados
Nível de
evidência
Asuako,Benjami
m; et al (18)
2017
Gana
12 pessoas com
diabetes atendidos
na unidade diabética
do KATH com
diagnóstico de
diabetes há menos
de cinquenta anos,
estado ambulatorial
/ idade de 20 a 68
anos, sedentários e
livres de
complicações.
7 pessoas no grupo
de intervenção (GI)
5 pessoas no grupo
controle (GC)
Avaliar os efeitos do
exercício físico
aeróbico sobre a
glicose plasmática
em jejum e perfis
lipídicos (FPG / LP)
de pessoas com
diabetes
Oito semanas de treinamento aeróbico entre
agosto de 2015 e março de 2016
Durante 8 semanas: entre agosto de 2015 e março
de 2016
Modalidade: Caminhada sem recurso a passadeira
Tipo Exercício: aeróbico
Frequência do exercício:3 vezes/ semana
Intensidade: moderada
Volume exercício: Não definido
Duração:45 min
Grupo Controlo: não desenvolveram nenhuma
atividade física
- Perda de peso corporal de 4,85 kg (7,0%)
- Redução de 4,08kg / m 2 (7,3%) no IMC A
FPG reduziu em 43,5% (5,28mmol / l) após
oito semanas de treino com exercícios
aeróbicos comparativamente com o grupo
controle
- Descida de valores nos perfis de LDL-C
(0,33mmol / l, 11,9%), CT (0,47mmol / l,
5,3%) e T (0,48mmol / l, 29,4%) dos
pacientes do IG e aumento do HDL- CC
(0,16mmol / l, 7,1%)
Nivel Ib
Estudo
aleatório e
controlado
Parra-Sánchez,
J; et al (19)
(2015)
Espanha
100 participantes
com diabetes tipo 2
Idade entre os 65 e
80 anos, sedentários
50% grupo controle
(GI) e 50% grupo
intervenção (GC).
Analisar se um
programa de
exercícios pode
modificar a
hemoglobina glicada
(HbA1c), pressão
arterial (PA), índice
de massa corporal
(IMC), lipídios, perfil
de risco
cardiovascular (RVC),
autopercepção do
estado de saúde
(SHS) e gasto
farmacêutico (EP ).
Durante 3mesesAtenção Primária: 2 áreas rurais de
saúde. Área de Saúde de Navalmoral. Cáceres.
Extremadura. Espanha
Modalidade: Não definido
Tipo exercício: aeróbico controlado
Frequência do exercício: 2 vezes / semana
Intensidade: Não definido
Volume exercício: Não definido
Duração: 50 min
Grupo Controlo: não desenvolveram nenhuma
atividade física
Diminuição significativa em;
HbA1c: 0,2 ± 0,4% (IC 95%: 0,1 a 0,3);
PA sistólica: 11,8 ± 8,5 mmHg (IC 95%: 5,1
a 11,9), IMC: 0,5 ± 1 (IC 95%: 0,2 a 0,8);
Colesterol total : 14 ± 28,2mg / dl (IC 95%:
5,9 a 22,2);
LDL: 18,3 ± 28,2mg / dl IC 95%: 10,2 a
26,3),
RVC: 6,7 ± 7,7% (IC 95%: 4,5 a 8,9),
EP: 3,9 ± 10,2 € (IC 95%: 0,9 a 6,8) e
Aumento de SHS: 4,7 ± 5,7 (IC 95%: 3 a
6,3).
Nível Ib
Estudo
aleatório e
controlado,
cego.
Dixit,Shenil ;et
al(20)
2014
India
87 Pessoas com
diabetes tipo 2 com
neuropatia diabética
47 pessoas no grupo
controle com idade
média de 59.45 anos
40 pessoas no grupo
intervenção com
idade média de 54,4
anos
Avaliar o efeito do
exercício aeróbio de
intensidade
moderada de 8
semanas (40-60% da
frequência cardíaca)
sobre a qualidade de
vida da neuropatia
no diabetes tipo 2.
O estudo foi realizado em um ambiente terciário
em Karnataka, Índia, de outubro de 2009 a
dezembro de 201
Durante 8 semanas: entre outubro de 2009 e
dezembro de 2012
Modalidade: passadeira
Tipo de exercício: aeróbio
Intensidade: moderada
Frequência do exercício: 5 a 6 dias /semana
Volume: Não definido
Duração: mínimo 150min/semana e máximo 360
min/semana
Grupo Controlo: não desenvolveram nenhuma
atividade física
Na comparação dos resultados do controle
e do grupo de estudo de RANOV :
Sem alterações significativas:
- nos valores médios das medidas
antropométricas utilizando RANOVA (p
<0,05)
- (p <0,05) nos valores médios do controle
glicémico
Com alterações significativas:Diferença
significativa:
- (p < 0,05) nos valores médios de MDNS
-(p <0,05) nas medidas de qualidade de
vida
-(p <0,05) nos valores médios da velocidade
de condução do segmento distal do nervo
fibular (df = 1, 62, F = 5,14 ep = 0,03) e do
nervo sensorial sural (df = 1, 60, F = 10,16 e
p \ 0,001)- para as velocidades de condução
nervosa em dois grupos, houve diferença
significativa entre ambos os grupos (p
<0,05)
Nível Ib
Estudo
aleatório e
controlado
Taylor, J.; et al
2014 (21)
Arkansas
21 pessoas com
diabetes tipo 2 com
idades entre os 18 e
69 anos
10 pessoas no grupo
de treino de
exercício de
intensidade
moderada (grupo
MOD)
11 pessoas no grupo
de treino de
exercício de alta
intensidade (grupo
HIGH).
Investigar os efeitos
do exercício físico
moderado versus de
alta intensidade
sobre aptidão e
condição física em
pessoas com diabetes
tipo 2.
De setembro de 2011 a agosto de 2012.
Grupo MOD:
Treino aeróbio
Modalidade: passadeira
Tipo de exercício: aeróbio
Intensidade: 30% a 45% de reserva da FC
Frequência do exercício: 3 vezes/semana
Volume: Não definido
Duração: 20min
Treino Resistência
Modalidade: máquinas resistência e pesos
Tipo exercício: resistência
Intensidade: 75% das 8-RM
Frequência do exercício: 2 vezes/semana
Volume: 4 series de 8 repetições
Duração: Não definido
Grupo HIGH
Treino aeróbio
Modalidade: passadeira
Tipo de exercício: aeróbio
Intensidade: 50% a 65% de reserva da FC
Frequência do exercício: 3 vezes/semana
Volume: Não definido
Duração: 20 min
Treino Resistência
Modalidade: máquinas resistência e pesos
Níveis médios de glicose antes após o
exercício e após 1 hora após o exercício
Grupo MOD
204,5 mg / dL (DP 92,3), 181,1 mg / dL (SD
84,2) e 172,0 mg / dL (SD 81,3 )
Grupo HIGH
140,0 mg / d SD 34,4), 109,8 mg / dL (SD
17,9) e 118,5 mg / dL (SD 33,2).
Diferenças pouco significativa (mas com
melhorias) entre grupos em relação a:
capacidade de exercício, força muscular e
condição física
Nível Ib
Estudo
aleatório e
controlado
RPER V2N1 06.019
23
Tipo exercício: resistência
Intensidade: 100% das 8-RM
Frequência do exercício: 2 vezes/semana
Volume: 4 series de 8 repetições
Duração: - Não definido
Karimi, Hossein,
et al (22)
2017
Paquistão
102 participantes
Grupo experimental
(n = 51) com média
de idade de 53,74 ±
8,75 anos
Grupo controle (n =
51) com média de
idade de 55,08 ± 7,67
anos
Determinar os efeitos
do programa de
treinamento físico
aeróbico estruturado
supervisionado
(SSAET) sobre a
interleucina-6 (IL-6),
óxido nítrico sintase
1 (NOS-1) e
ciclooxigenase-2
(COX-2) no diabetes
tipo 2.
Durante 25 semanas
De janeiro de 2015 a junho de 2016.
SSAET combinado com medicação de rotina e plano
de dieta foi aplicado no grupo experimental
Grupo controle tratado com medicação de rotina
e plano de dieta
Modalidade: passadeira
Tipo de exercício: aeróbio
Intensidade: Não definido
Frequência do exercício: Não definido
Volume: Não definido
Duração: 30 min na primeira semana aumentando
30 min a cada semana num total 4 semanas
O programa SSAET, medicação de rotina e
plano alimentar melhoram os valores de IL-
6 no grupo experimental, em comparação
com grupo controle controlado por
medicação de rotina e plano alimentar,
onde foi observada deterioração na IL-6
.
Nível Ib
Estudo
aleatório e
controlado
Schreuder, TH;
et al (23)
2014
Inglaterra e
Holanda
15 pessoas do sexo
masculino com
diagnóstico de
diabetes tipo 2 há
pelo menos 2 anos
-Exercício físico com
bloqueador duplo
(EX-ET)
- Exercício físico com
placebo (EX +
placebo)
Avaliar aptidão física
em pessoas com
diabetes tipo 2
Durante 8 semanas. Todos participantes
preencheram um questionário sobre o seu médico
e uso de medicação.
Todos os individuos foram submetidos aos mesmos
exercícios:
Modalidade: Bicicleta e máquinas com resistência
Tipo exercício: aeróbio e circuito de exercícios de
resistência
Frequência:3 vezes por semana
Intensidade: moderada
Volume: Não definido
Duração: 60 minutos
Não foi encontrado efeito da intervenção
de 8 semanas na homeostase da glicose.
Nível Ib
Estudo
aleatório e
controlado
Leehey, DJ; et
al
2016 (24)
USA
36 pacientes do sexo
masculino
Idade entre os 49-81
Grupos:
- Exercício + gestão
da dieta (n = 18)
- Dieta sozinho (n =
18).
Determinar os efeitos
do exercício
estruturado
aptidão física,
função renal, função
endotelial,
inflamação,
e composição
corporal nesses
pacientes.
Durante 12 semanas
Grupo Exercício + gestão dieta
Modalidade: passadeira
Tipo Exercício: Aeróbico e Resistência
Frequência: 3 vezes por semana
Intensidade: Não definido
Volume: Não definido
Duração: Não definido
Grupo Controlo: apenas a dieta, sem exercício
físico
Sem alterações significativas na:
- taxa de albumina na urina para
creatinina,
- taxa de filtração glomerular estimada,
- função endotelial, inflamação ou
composição corporal entre os grupos.
O exercício controlado melhorou a
capacidade de exercício na pessoa
diabética obesa com DRC mas não a
composição corporal ou a função renal.
Nível Ib
Estudo
aleatório e
controlado
Otten,Julia; et
al(25)
2017
Suécia
32 pessoas com
diabetes tipo 2
(idade 59 ± 8 anos)
seguiram uma dieta
paleolítica por 12
semanas.
2 grupos:
Dieta paleolítica e
recomendações de
exercício de cuidados
padrão (DP)
Dieta paleolítica com
sessões de exercício
supervisionado de 1 h
três vezes por
semana (PD-EX)
Avaliar os feitos de
uma dieta paleolítica
com e sem exercício
supervisionado sobre
a massa gorda,
sensibilidade à
insulina e controle
glicêmico
Grupo (DP)
Modalidade: caminhada rápida
Tipo Exercício: aeróbio
Frequência: diário
Intensidade: moderada
Volume: Não definido
Duração: 30 minutos
Grupo (PD-EX)
Modalidade: caminhada rápida, sprints,leg press,
extensões de pernas sentadas, flexões de pernas,
elevações de quadril, supinos planos e inclinados,
fileiras sentadas, fileiras de haltere, pull-downs lat
ombro levanta, extensões de volta, burpees, sit-
ups, step-ups e tiros de bola de parede
Tipo Exercício: aeróbio e de resistência
Frequência: 3 vezes/semana
Intensidade: moderada
Volume: no treino resistência 10 a 15 repetições
cada exercício 2 a 4 séries
Duração:60min
Diminuição:
- Massa de gordura :5,7 kg (IQR: -6,6, -4,1;
p <0,001);
- da Leptina em 62% ( p<0,001);
- Pressão Arterial
- Triglicéridos
- HbA 1C em 0,9% (-1,2, -0,6; p <0,001);
Melhoria:
- Sensibilidade à insulina e controle
glicémico
- Participantes sexo masculino diminuíram a
massa magra em 2,6 kg
Nivel IB
Estudo
aleatório e
controlado
Vlaar MA,
et al (26)
(2017)
Holanda
536 sul-asiáticos de
18 a 60 anos com
risco para diabetes
Grupo intervenção (n
= 283): entrevista
motivacional, sessão
familiar, aulas
culinária, programa
de atividade física
supervisionada
Grupo controle (n =
253)- receberam
concelhos genéricos
de estilo vida
Investigar a eficácia
de uma intervenção
intensiva
culturalmente
direcionada ao estilo
de vida para prevenir
DM2 e fatores de
risco cardiovascular
entre Surinameses do
Sul da Ásia na
atenção primária.
De 18 de maio de 2009 e 11 de outubro de 2010
Grupo Intervenção:
Modalidade: Qualquer atividade física;
Tipo Exercício: Não definido
Intensidade: Moderada a Intensa
Frequência: - Não definido
Intensidade: Não definido
Volume: - Não definido
Duração: Não definido
Grupo Controlo: receberam diretrizes atuais para
dieta e atividade física
Uma intervenção de estilo de vida
culturalmente direcionada na atenção
primária não alterou o comportamento
alimentar e a atividade física de um grupo
de pessoas do sul da Ásia sob risco de
diabetes tipo 2
Ib
Estudo
aleatório e
controlado
Tabela 5: artigos incluídos
RPER V2N1 06.019
24
DISCUSSÃO
As modalidades de exercício físico mais aplicadas nos
estudos abordados foram: a caminhada (18,20-21,23-24)
máquinas de resistência e peso livre (22,25) e bicicleta(24).
O tipo de exercício físico recomendado para a pessoa
diabética vai depender de alguns fatores
nomeadamente a sua condição física basal,
preferências, meios disponíveis ou presença de
limitações físicas(19).
Os estudos analisados recorreram essencialmente a
exercícios aeróbios com a exceção de (22-25) que
combinaram exercícios aeróbios e de resistência.
Alguns estudos realizados referem que a combinação de
exercício físico aeróbico em complemento com treino
de resistência pode ser melhor que qualquer um deles
separadamente (20).
A frequência do exercício evidenciada nos estudos
variou entre 2 vezes por semana(19) e 5 a 6 vezes por
semana(20) e teve uma duração entre os 30 minutos(22) e
os 60 minutos(24-25) por cada sessão de exercício. A
frequência mínima de exercício recomendada pela
American Diabetes Association é de 150 minutos por
semana de exercício físico aeróbio moderado ao longo
de pelo menos três dias para a semana; já a Sociedade
Espanhola de Diabetes recomenda sessões de exercício
com a duração de pelo menos 45 minutos, três vezes
por semana, divididas em pré-aquecimento, fase
principal e por fim o relaxamento(20).
A intensidade do exercício não foi avaliada de igual
forma nos artigos analisados e nem todos faziam
referência a este parâmetro. Asuako e colaboradores(18)
avaliaram a intensidade recorrendo à frequência
cardíaca máxima, valor este obtido através de um
oxímetro de pulso versão 803, China, colocado aquando
do exercício e através da aplicação online Pace
Calculator.
Nos estudos realizados por Dixit e colaboradores(20) e
Taylor e colaboradores(21), a intensidade do exercício
foi avaliada com recurso a fórmula de Karvonen
(Frequência cardíaca treino = Frequência cardíaca
Repouso +(Intensidade) x (Frequência cardíaca máxima
- Frequência Cardíaca em repouso). Dixit e
colaboradores(20) recorreram a monitor de frequência
cardíaca (Polar Electro Oy, Kempele, Finlândia) e
usaram-no para monitorizar a frequência cardíaca
continuamente durante o exercício aeróbico.
De salientar que nos estudos analisados nem sempre a
caracterização do exercício estava completa
(modalidade, tipo exercício, frequência, intensidade,
volume e duração) o que limitou a análise limitando de
alguma forma a generalização dos resultados.
Na análise realizada, apenas dois artigos combinaram o
estudo do exercício com um tipo de dieta específica(25-
26).
Otten e colaboraores (25) combinaram o exercício físico
com dieta paleolítica, dieta esta baseada no consumo
de carne magra, peixe, frutos do mar, ovos, legumes,
frutas, frutas vermelhas e nozes e excluindo cereais,
produtos lácteos, leguminosas, gorduras refinadas,
açúcares refinados e sal. Em estudos já realizados
anteriormente a dieta Paleolítica teve efeitos
metabólicos benéficos sobre a obesidade e no tipo de
diabetes(25).
Vlaar e colaboradores(26)combinaram o exercício físico
com a dieta saudável baseadas nas diretrizes
alimentares nacionais do sul da Asia e que inclui 2
pedaços de fruta/dia, vegetais (200g/dia), trigo
integral (exclusivamente produtos de trigo integral),
arroz (unicamente arroz integral) e 3 refeições por
dia/horário regular.
Na análise dos artigos, verificamos que existem ganhos
importantes na saúde da pessoa com diabetes associada
à prática de exercício físico. As variáveis mais utilizados
na maioria dos estudos e que evidenciam esses ganhos
foram a glicose(20), a HbA1c(19-25), o peso corporal(18-25) e
o colesterol(18-19).O exercício físico controlado está
associado a valores da hemoglobina glicosada mais
controlados e menor risco cardiovascular, melhorando
também o estado de saúde psicossocial e diminuindo os
gastos farmacêuticos (19).
Implicações Práticas
O exercício físico tem um efeito positivo na saúde da
pessoa diabética, contudo, o tipo de exercícios,
duração, frequência e intensidade para utilizar na
redução da glicemia devem ser clarificados em futuros
estudos experimentais.
O sedentarismo e a obesidade na pessoa com diabetes,
são fatores, que marcam a aptidão física. Neste
sentido, enfermeiros, médicos e outros cuidadores
devem promover um maior incentivo e
acompanhamento (inter e extra-hospitalar) de modo a
melhorar a adesão destas pessoas à atividade física em
geral e ao exercício físico em particular. Salientando-
se que a atividade física é definida como qualquer
movimento corporal produzido pela contração muscular
que resulte num gasto energético acima do nível de
repouso e o exercício físico é caraterizado por
movimentos corporais planeados, organizados e
repetidos, tendo como objetivo, manter ou melhorar
uma ou mais componentes da aptidão física(27).
A Enfermagem de Reabilitação pode ter um papel
determinante no aumento da prática de exercício físico
em pessoa com diabetes. E os enfermeiros especialistas
em enfermagem de reabilitação devem participar na
produção de evidências neste âmbito, participar nas
tomadas de decisões relacionadas com a saúde, assim
como na construção de políticas de saúde que visem a
adoção de estilos de vida saudáveis relacionados com a
prática de exercício físico em pessoas com diabetes.
Limitações do estudo
Os estudos que integraram esta RSL apresentaram
algumas limitações, nomeadamente: o tamanho
reduzido da amostra, limitando a generalização dos
resultados, nem todos os artigos analisados
caracterizavam o exercício físico e os que o faziam, não
abordavam todos os critérios, especificamente,
frequência, volume, duração e intensidade.
Relativamente à intensidade, poucos estudos
recorreram a escalas para descrever a intensidade
RPER V2N1 06.019
25
como baixa, moderada ou vigorosa, o que torna esta
avaliação pouco objetiva. Além disso, existe uma parca
produção científica sobre este tema, o que foi um
obstáculo à realização desta RSL. Por fim, refere-se o
número reduzido de bases de dados acedidas assim
como à língua e horizonte temporal utilizado, que pode
contribuir para o reduzido número de estudos
identificados e incluídos na última etapa.
CONCLUSÃO
Com esta RSL e após a análise dos 9 estudos, podemos
concluir que o exercício físico traz benefícios na pessoa
com diabetes nomeadamente a nível da redução da
glicose plasmática em jejum, valores da hemoglobina
glicosada, redução do peso corporal e colesterol, assim
como melhorar a qualidade de vida da pessoa.
Este estudo permitiu aumentar o conhecimento em
enfermagem de reabilitação, bem como, contribuir
para avaliar os benefícios do exercício físico
estruturado na pessoa com diabetes. No entanto,
verificaram-se lacunas na descrição dos exercícios ao
nível da modalidade, frequência, intensidade, volume,
duração e progressão. Recomendam-se mais estudos,
com amostra mais robustas, onde sejam descritas de
forma mais objetiva as intervenções no âmbito do
exercício físico, assim como, os instrumentos de
avaliação que permitam não só definir a intensidade do
exercício, como demonstrar os ganhos sensíveis à
prescrição de exercício realizada por enfermeiros
especialistas em enfermagem de reabilitação.
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http://hdl.handle.net/10400.17/2154
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Introduction: The interest of nursing in the methodology of the literature systematic review has been increasing, since it constitutes a method that allows a practice based on scientific evidence with scientific accuracy. Objective: To characterize the different types of literature review and to describe the main steps of a systematic review of the literature Material and methods: Narrative review of the literature. Database search on the following platforms: Google Academic, Scientific Electronic Library Online (SciELO), EBSCO Host, and Virtual Health Library (VHL). Keywords: meta-analysis; evidence-based medicine; review literature as topic; methodology, in the English and Portuguese languages. Results: fourteen types of reviews were described and analyzed according to the type of research, evaluation of the methodological quality of the articles included, synthesis of the information collected and global analysis of the data. The advantages and disadvantages of each type and the main steps of a systematic review of the literature were presented. Conclusions: A systematic review of the literature is the foundation for evidence-based practice, since it aggregates a large amount of information in a single study.
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Introdução: A revisão integrativa da literatura é um método que permite a síntese de conhecimento e a incorporação dos resultados de estudos significativos na prática. É objetivo apresentar os conceitos gerais e as etapas para a elaboração de uma revisão integrativa da literatura, com base na mais recente evidência científica. Material e Métodos: consiste numa revisão narrativa da literatura em bases de dados: BDENF, Portal de Revistas de Enfermagem; SCIELO; LILACS; MEDLINE; INI e CINAHL. Resultados e Discussão: Apresentam-se as seis fases do processo de elaboração da revisão integrativa: identificação do tema e elaboração da questão de pesquisa, amostragem ou pesquisa da literatura, colheita de dados, análise crítica dos estudos incluídos, interpretação e discussão dos resultados e apresentação da revisão/ síntese de conhecimento. Conclusões: A revisão integrativa da literatura tem sido apontada como uma ferramenta importante na síntese das pesquisas disponíveis sobre determinada temática e direciona a prática fundamentada em conhecimento científico, ou seja, para a prática baseada na evidência. Introduction: the integrative review of the literature is a method that permits the synthesis of knowledge and the incorporation of the results of significant studies in practice. The objective of this article is to present the general concepts and stages for the elaboration of and integrative review of the literature, based on the most recent scientific literature. Materials and Methods: Consists of a study performed through the review of the literature in the following data bases: BDENF, Portal de Revistas de Enfermagem; SCIELO; LILACS; MEDLINE; INI and CINAHL. Results and Discussion: Six phases of the process of performing an integrative review are present: identification of the theme and elaboration of the orienting question, search or sampling in the literature, data collection, critical analysis of the studies included, interpretation and discussion of the results and presentation of the integrative review/synthesis of knowledge. Conclusions: The integrative review of the literature has been pointed as an important tool in the synthesis of the research available on a specific subject and directed towards a practice based on scientific knowledge, in other words, permits practice based on evidence.
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Atualmente, práticas e condutas de saúde devem embasar-se na melhor evidência disponível, assunto enfatizado no meio acadêmico de diversos países. O objetivo deste artigo é refletir acerca da Prática Baseada em Evidências no processo de trabalho da enfermagem. Trata-se de estudo teórico-reflexivo, baseado na literatura científica e análise crítica dos autores. A Prática Baseada em Evidências surge como um movimento para uso criterioso de resultados de pesquisas científicas na tomada de decisão clínica. O principal desafio para o cuidado baseado em evidências é a sua implementação, pois traduzir o conhecimento em ação é processo complexo. Esta reflexão nos coloca à frente do desafio da atuação de profissionais da saúde na transformação e adequação de sua prática clínica. É fato que as últimas décadas foram marcadas por um aumento na produção de pesquisas científicas nacionais para subsidiar a Prática Baseada em Evidências, entretanto a lacuna entre pesquisa e prática ainda prevalece. É preciso conscientizar os profissionais, gestores, e principalmente usuários e pacientes sobre a importância de combater as barreiras para a incorporação desta prática, buscando a melhoria dos processos de trabalho em todas as suas dimensões de atuação.
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Objective: This study presents the effects of aerobic exercise training on fasting plasma glucose and lipid profiles (FPG/LP) of diabetic patients in Kumasi. Design: A randomised experimental with control design. Setting: The study was conducted at the diabetic unit of KATH in Kumasi, Ghana. Participants: Twelve diabetic patients [grouped into intervention (IG) and control (CG)] attending the diabetic unit of KATH with diabetes diagnosis durations less than fifty years, ambulant status/age of 20-68years, sedentary and free from complications. Interventions: Eight weeks aerobic exercise training between August 2015 and March 2016. Main outcome measures: Body weight (BW), Body mass index (BMI), fasting plasma glucose (FPG), high density lipoprotein cholesterol (HDL-C), low density lipoprotein cholesterol (LDL-C), triglycerides (T) and total cholesterol (TC). Results: Body weight (4.85kg, 7.0%), body mass index (4.08kg/m2, 7.3%), FPG (5.28mmol/L, 43.5%), LDL-C (.33mmol/l, 11.9%), TC (.47 mmol/l, 5.3%) and T (.48mmol/l, 29.4%) profiles of the patients in IG declined while HDL-C (.11mmol/l, 7.1%) increased. IG patients improved significantly in FPG [6.27 ± 0.91 < 8.00 ± 0.96; t=-52.00, P = 0.000], BW [58.60 ± 15.34 < 75.35 ± 22.00; t= 3.29, P = 0.040] and BMI [23.45 ±5.03<27.04 ±4.78, t=4.24, P = .050] compared to CG. Conclusion: Patients in IG, in addition to conventional care, experienced non-significant decline in LDL-C, TC, T, increase in HDL-C and significant reduction in FPG, BW, and BMI over those receiving conventional care only. Exercise Scientists are recommended to handle exercise sessions for healthcare prevention and management routines of diabetic patients. Funding: Not declared.
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Exercise is typically one of the first management strategies advised for patients newly diagnosed with type 2 diabetes. Together with diet and behavior modification, exercise is an essential component of all diabetes and obesity prevention and lifestyle intervention programs. Exercise training, whether aerobic or resistance training or a combination, facilitates improved glucose regulation. High-intensity interval training is also effective and has the added benefit of being very time-efficient. While the efficacy, scalability, and affordability of exercise for the prevention and management of type 2 diabetes are well established, sustainability of exercise recommendations for patients remains elusive.
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Objectives In South Asian populations, little is known about the effects of intensive interventions to reduce the risk of type 2 diabetes on health behaviour. We examined the effectiveness at 2 years of a culturally targeted lifestyle intervention on diet, physical activity and determinants of behaviour change among South Asians at risk for diabetes. Design Randomised controlled trial with de facto masking. Setting Primary care. Participants A total of 536 18- to 60-year-old South Asians at risk for diabetes (ie, with impaired glucose tolerance, impaired fasting glucose or relatively high insulin resistance) were randomised to the intervention (n=283) or a control (n=253) group. Data of 314 participants (n=165 intervention, n=149 control) were analysed. Interventions The culturally targeted intervention consisted of individual counselling using motivational interviewing (six to eight sessions in the first 6 months plus three to four booster sessions), a family session, cooking classes and a supervised physical activity programme. The control group received generic lifestyle advice. Outcome measures We compared changes in physical activity, diet and social-cognitive underlying determinants between the two groups at 2-year follow-up with independent-sample t-tests, chi-square tests and Fisher’s exact tests. Results At the 2-year follow-up, participants in the intervention group were more moderately to vigorously active than at baseline, but compared with changes in the control group, the difference was not significant (change min/week 142.9 vs 0.5, p=0.672). Also, no significant difference was found between the two groups in changes on any of the components of the diet or the social-cognitive determinants of diet and physical activity. Conclusions The culturally targeted lifestyle intervention led to high drop-out and was not effective in promoting healthy behaviour among South Asians at risk for diabetes. Given the high a priori risk, we recommend to develop new strategies, preferably more acceptable, to promote healthy behaviour. Trial registration NTR1499; Results. www.trialregister.nl/trialreg/admin/rctview.asp?TC=1499
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The adoption and maintenance of physical activity are critical foci for blood glucose management and overall health in individuals with diabetes and prediabetes. Recommendations and precautions vary depending on individual characteristics and health status. In this Position Statement, we provide a clinically oriented review and evidence-based recommendations regarding physical activity and exercise in people with type 1 diabetes, type 2 diabetes, gestational diabetes mellitus, and prediabetes.
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Diabetes mellitus is one of the most important public health challenges of the twenty-first century. Until the past decade, it has been seriously underrated as a global health threat. Major gaps exist in efforts to comprehend the burden nationally and globally, especially in developing nations, due to a lack of accurate data for monitoring and surveillance. Early attempts to obtain accurate data, discussed in this article, seem to have been cast aside so, at present, these needs remain unmet. Existing international efforts to assemble information fall far short of requirements. Current estimates are imprecise, only providing a rough picture, and probably underestimate the disease burden. The methodologies that are currently used, and that are discussed in this Perspectives article, are inadequate for providing a complete and accurate assessment of the prevalence of diabetes mellitus. International consensus on uniform standards and criteria for reporting national data on diabetes mellitus prevalence as well as for common complications of diabetes mellitus and mortality need to be developed.
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Background: Patients with type 2 diabetes mellitus (DM), obesity, and chronic kidney disease (CKD) are generally physically inactive and may benefit from exercise. Our objective was to determine the effects of structured exercise on physical fitness, kidney function, endothelial function, inflammation, and body composition in such patients. Methods: In this randomized, controlled trial, 36 male patients (age 49-81) were randomly assigned to exercise + diet management (n = 18) or diet alone (n = 18). Participants were eligible if they had type 2 DM, body mass index >30 kg/m2, CKD stages 2-4, and persistent proteinuria (>200 mg/g creatinine for >3 months). The exercise intervention was a 12-week (3 days per week) program of aerobic and resistance training followed by 40 weeks of home exercise. The primary outcome measure was change from baseline in urine protein to creatinine ratio (UPCR) at 12 and 52 weeks. Results: Thirty-two participants completed the study (14 exercise + diet, 18 diet-alone group). The change from baseline in UPCR was slightly greater in the diet-alone group at 12 weeks but not at 52 weeks. Changes in both symptom-limited and constant-workrate treadmill times were significantly higher in the exercise + diet group at 12 weeks but not at 52 weeks. There were no significant differences in urine albumin to creatinine ratio, estimated glomerular filtration rate, endothelial function, inflammation, or body composition between the groups. Conclusions: In obese diabetic subjects with CKD, structured exercise improved exercise capacity but not body composition or renal function. This is a work of the US Government and is not subject to copyright protection in the USA. Foreign copyrights may apply. Published by S. Karger AG, Basel.
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Background: Means to reduce future risk for cardiovascular disease in subjects with type 2 diabetes are urgently needed. Methods: Thirty-two patients with type 2 diabetes (age 59 ± 8 years) followed a Paleolithic diet for 12 weeks. Participants were randomized to either standard care exercise recommendations (PD) or 1-h supervised exercise sessions (aerobic exercise and resistance training) three times per week (PD-EX). Results: For the within group analyses, fat mass decreased by 5.7 kg (IQR: -6.6, -4.1; p < 0.001) in the PD group and by 6.7 kg (-8.2, -5.3; p < 0.001) in the PD-EX group. Insulin sensitivity (HOMA-IR) improved by 45% in the PD (p < 0.001) and PD-EX (p < 0.001) groups. HbA1c decreased by 0.9% (-1.2, -0.6; p < 0.001) in the PD group and 1.1% (-1.7, -0.7; p < 0.01) in the PD-EX group. Leptin decreased by 62 % (p < 0.001) in the PD group and 42 % (p < 0.001) in the PD-EX group. Maximum oxygen uptake increased by 0.2 L/min (0.0, 0.3) in the PD-EX group, and remained unchanged in the PD group (p < 0.01 for the difference between intervention groups). Male participants decreased lean mass by 2.6 kg (-3.6, -1.3) in the PD group and by 1.2 kg (-1.3, 1.0) in the PD-EX group (p < 0.05 for the difference between intervention groups). Conclusions: A Paleolithic diet improves fat mass and metabolic balance including insulin sensitivity, glycemic control, and leptin in subjects with type 2 diabetes. Supervised exercise training may not enhance the effects on these outcomes, but preserves lean mass in men and increases cardiovascular fitness.