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Formação e aprendizagem: desafios permanentes em educação

EDITORIAL
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FORMAÇÃO E APRENDIZAGEM:
DESAFIOS PERMANENTES EM EDUCAÇÃO
Projeto original do educador Anísio Teixeira, elaborado, em 1963, para integralizar
o Plano Orientador da Universidade de Brasília, a Faculdade de Educação foi efetivamente
implantada três anos após, oferecendo o curso de graduação em Pedagogia. Assim, por
ocasião da comemoração de 40 anos de funcionamento, celebra-se, igualmente, seu
indiscutível papel na sociedade brasileira. Marco histórico da modernização do ensino
superior do País, sua proposta visava, desde os primórdios de criação, assessorar os
poderes públicos, cultivar as ciências da área educacional e “formar professores e espe-
cialistas em administração escolar, em currículos e programas, testes e medidas etc., para
o ensino elementar e médio” (NEVES, 1962, p. 36)*.
Considerando, então, esse contexto histórico, Linhas Críticas dedica o número 22,
referente a jan.-jun. 2006, a dois temas constitutivos da proposta inicial da nossa instituição:
Formação e Aprendizagem. Questões centrais do sistema educacional, elas continuam a
impor desafios aos teóricos, pesquisadores, técnicos, educadores e educandos. Intrinse-
camente relacionadas, ambas são elementos essenciais do processo ensino-aprendizagem.
Aliás, é consenso de grande amplitude que a formação dos futuros mestres condiciona
a concretização de seus projetos em sala de aula. É durante o percurso na instituição
de formação que se interiorizam valores e normas que serão transmitidos socialmente.
É nessa etapa que se adquirem as competências metodológicas e práticas que serão
aplicadas e aprimoradas ao longo da carreira desses educandos, seja no trabalho com
crianças, jovens ou adultos.
No Brasil, em razão das dívidas seculares com os oprimidos, um trabalho pedagógico de
qualidade representa fator crucial para o alcance urgente de mais igualdade e cidadania.
Para que mudanças profundas na sociedade brasileira ocorram, serão fundamentais a
articulação minuciosa da teoria e da prática, a construção coletiva dos conhecimentos,
a formação de qualidade e a aprendizagem significativa para os atores desse processo.
Visando uma educação transformadora, não apenas nas escolas, mas também nas
famílias e nas organizações, Linhas Críticas participa desse debate com oito artigos.
Ilan Gur-Ze’ev (Universidade de Haifa, Israel), a partir da rearticulação com os
pensadores críticos da Escola de Frankfurt, reconstrói uma importante discussão: como
resistir ao processo de alienação e de desumanização da era pós-moderna decorrente da
educação padronizadora? Para tanto, discute conceitos de grande relevância: reflexão,
emancipação, transcendência, utopia, diálogo, contra-educação, amor, Bildung.
Linhas Críticas, Brasília, v. 12, n. 22, p. 3-4, jan./jun. 2006
* NEVES, Artur (Org.). Plano Orientador da Universidade de Brasília. Brasília: Edunb, 1962.
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Décio Azevedo Marques de Saes (Universidade Metodista de São Paulo) investiga as
razões históricas da defasagem entre o direito universal de ingresso e a permanência dos
alunos no sistema escolar. O texto de elevado interesse acadêmico, fundamentado do
ponto de vista sociológico, evidencia as dificuldades de superação dessa defasagem enquanto
a sociedade brasileira estiver subjugada pelo modelo sócio-econômico capitalista.
Iza Rodrigues da Luz (Universidade do Estado de Minas Gerais) analisa a história da
educação infantil, desde sua origem, e denuncia que os avanços da Constituição Federal
(1988) e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996) ainda não se refletem na situação
atual da criança brasileira, pois uma rede satisfatória de instituições de atendimento não
foi implementada até hoje.
Selva Guimarães Fonseca (Universidade Federal de Uberlândia, MG) e Regina Célia
do Couto (Universidade Federal do Pampa, RS) enfatizam a permanente necessidade de
revisão dos currículos universitários nos campos disciplinares da educação e da história.
Os resultados da pesquisa indicam importantes reorientações de um fazer pedagógico
sintonizado com a abordagem multicultural, incluindo as perspectivas de Edgar Morin.
Benigna Maria de Freitas Villas Boas (Faculdade de Educação da UnB) propõe uma
visão original da avaliação a que são submetidos os estudantes em seus cursos de
formação. Com o intuito de assegurar que o processo de aprendizagem duradoura seja
genuinamente inclusivo, enriquece o conceito de avaliação formativa, analisando três
de seus componentes básicos: feedback, avaliação informal e auto-avaliação.
Mirian Barbosa Tavares Raposo e Diva Maria Moraes Albuquerque Maciel (Instituto
de Psicologia da UnB) fundamentam uma proposta de formação docente nos pressu-
postos de Piaget e Vigotski, e, coerentes com uma concepção de aprendizagem com base
na abordagem sociocultural construtivista, utilizam categorias como o exercício reflexivo,
o papel ativo do aprendiz e o papel do outro.
Elizabeth Tunes, Maria Carmen Villela Rosa Tacca e Albertina Mitjáns Martínez
(Faculdade de Educação da UnB), partindo da perspectiva histórico-cultural da psicologia,
contribuem para o debate sobre as teorias clássicas da aprendizagem, suas convergências
e limitações no âmbito escolar. Também instigam a realização de projetos específicos
voltados para a aprendizagem escolar.
Francisco Sacristán Romero (da Universidade Complutense de Madri, Espanha), em
seu artigo intitulado “Plataformas de aprendizaje: ¿herramientas técnicas o psicológi-
cas?”, discute os designs apropriados para plataformas de aprendizagem on-line e sugere
o desenvolvimento de linhas de pesquisa mediadas pelas tecnologias da informação e
comunicação (TIC), abrangendo tanto experiências escolares quanto interações livres.
Compõem, ainda, a presente publicação duas Resenhas: Aprendizagem e trabalho
pedagógico, preparada por Carmen Tacca (UnB) e Professora, sim; tia, não (de Paulo Freire),
elaborada por Maria Izete de Oliveira e Cândida Ferreira da Silva (Unemat, MT). Duas
obras temáticas sobre Formação e Aprendizagem que completam esse número comemorativo.
Antônio Villar Marques de Sá
Editor
4Linhas Críticas, Brasília, v. 12, n. 22, p. 3-4, jan./jun. 2006
A. V. M. Sá
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