ArticlePDF Available

Linhas Criticas: uma década no cenário da edição científica em Educação

Authors:
EDITORIAL
183
LINHAS CRÍTICAS: UMA DÉCADA NO CENÁRIO DA
EDIÇÃO CIENTÍFICA EM EDUCAÇÃO (1995-2005)
O lançamento deste número constitui um marco histórico na evolução da nossa
revista: 10 anos de publicação ininterrupta. Criado em 06 de julho de 1995, sob a
inspiração de Paulo Vicente Guimarães, Diretor da Faculdade de Educação da
Universidade de Brasília, o Caderno Linhas Críticas entrou em circulação em março
do ano seguinte. Em consonância com o “sonho” de seus fundadores, o periódico
comprometia-se, então, com os ideais de produção e divulgação do conhecimento na
área. Estabeleciam-se como metas: dinamizar e divulgar a pós-graduação, estimulan-
do a produção de textos elaborados pelos docentes do programa. Engajaram-se
nessa proposta Iria Brzezinski, Jerusa Maria Figueiredo Rego Neto, Maria Rosa Abreu
de Magalhães e Moaci Alves Carneiro, constituindo o primeiro Conselho Editorial, o
qual considerou três modalidades diversas de publicação: série (artesanal), revista
(nacional) ou caderno (conjugação das duas anteriores). Optou-se pela terceira alter-
nativa, ainda que a publicação de uma revista de alto nível constituísse um importante
objetivo a médio prazo (MATOS, 1995). Assim, nos dois anos subseqüentes, foram
lançados seis números, sob a coordenação de Bráulio Tarcísio Pôrto de Matos, o
primeiro editor do Caderno Linhas Críticas, a saber: 1-2, contendo 12 artigos não
temáticos; 3-4, intitulado “Faculdade de Educação da UnB: um ideário pedagógico à
altura do Brasil”; e 5-6, sobre “Filosofia para crianças”.
Em 1998, um segundo Conselho Editorial foi nomeado, reunindo os professores
Antônio Villar Marques de Sá, Bráulio Tarcísio Pôrto de Matos, Messias Costa, Rita
Carolina Vereza Bruzzi, Virgílio Álvarez Aragon e Walter Omar Kohan. Em razão do
crescimento do projeto inicial, o Caderno foi transformado em revista Linhas Críticas,
com periodicidade semestral e vocação de divulgar não apenas a produção local, mas
também regional, nacional e internacional. Naquela gestão, foram lançados mais seis
números: 7-8, abordando o psicodrama; 9, 10 e11, não temáticos; e 12, voltado para
a formação de professores e financiamento internacional.
Em 1999, foi produzida a home page <www.fe.unb.br/linhascriticas> para auxiliar
na articulação entre os diferentes setores do processo editorial – autores, leitores,
conselheiros e técnicos –, promovendo o acesso às principais informações, oferecendo
textos integrais dos números esgotados e os resumos dos volumes já editados.
Em 2002, uma vez mais em função da contínua progressão do periódico e da
complexidade crescente de tarefas requeridas, foi criado o Comitê Editorial – Célio
da Cunha (Unesco), Ilma Passos Alencastro Veiga (UnB), Regina Vinhaes Gracindo
(UnB) e Walter Esteves Garcia (ABT) – visando estabelecer as diretrizes da revista e
coordenar as atividades do Conselho Editorial Nacional (2002-2004) – Bráulio
Tarcísio Pôrto de Matos, Graça Aparecida Cicillini, Iria Brzezinski, Isaura Belloni,
Linhas Críticas, Brasília, v. 11, n. 21, p. 183-186, jul./dez. 2005
LINHAS CRITICAS 21:LINHAS CRITICAS 21 March/3/11 6:55 PM Page 183
Lea da Cruz Fagundes, Luiz Basilio Rossi, Luiz Fernandes Dourado, Magda Becker
Soares, Márcia Ângela da Silva Aguiar, Messias Costa, Rita Carolina Vereza Bruzzi e
Stella Maris Bortoni Ricardo. Na ocasião, instituiu-se em caráter experimental uma
versão reduzida em braile (ISSN 1806-3462) e uma versão completa em cd-rom
(ISSN 1806-3454), no intuito de propiciar às pessoas cegas e deficientes visuais o
acesso aos conhecimentos teóricos e práticos sobre educação. Durante essa nova gestão,
foram lançados oito números: 13, 14 e 19, não temáticos; 15, sobre “Criatividade”;
16, enfocando “Educação especial”; 17, discutindo “Novas tecnologias”; 18, sobre
“Gestão na educação” e 20, destinado a “Políticas públicas para a educação”.
Em 2003, o projeto visual foi modernizado, incluindo nova capa e aprimorando
a diagramação do miolo. Para favorecer o intercâmbio com a comunidade interna-
cional, foram introduzidos resumos em francês e espanhol, possibilitando uma circulação
em quatro línguas e incrementando a indexação nacional e internacional já obtida
junto à BBE, Clase, Dare, Francis e Latindex.
Entre 2004 e 2005, Linhas Críticas avançou em sua perspectiva de internacionalização,
por intermédio da participação de Conselheiros afiliados a importantes instituições
de ensino e pesquisa estrangeiras – Licínio Carlos Lima (Universidade do Minho,
Portugal), Terezinha Nunes (Universidade de Oxford, Inglaterra) e Louis Marmoz
(Unesco, França) –, trabalhando em associação com novos membros integrantes
nacionais – Benigna de Freitas Villas Boas, Jacques Velloso e Vani Moreira Kenski.
Cabe comentar que, ao longo desses anos, foram criadas seções especiais para atender
necessidades diferenciadas da publicação em educação, complementando a difusão de
Relatos de pesquisa e Estudos teóricos (categorias básicas da publicação): Relatos de
experiência, Atualidades, Resenhas de livros e Divulgação de eventos. Buscando facilitar
a consulta ao material publicado, foram elaborados Índices remissivos de autores e de
títulos para a composição dos números 10 e 20.
Mais recentemente, com a finalidade de clarear a comunicação entre nossos
autores, consultores ad hoc e conselheiros e agilizar o processo editorial, foram detalhadas
as Normas para publicação tanto em português como em espanhol, do mesmo modo que
se atualizou o “formulário de avaliação de trabalhos” utilizado durante os procedimentos
de revisão pelos pares.
Completada uma década de circulação, Linhas Críticas vem atendendo aos critérios de
qualidade editorial do Comitê Qualis (Anped e MEC) em seus eixos de normalização,
publicação, circulação, autoria e gestão. Foram publicados 223 artigos de 307
pesquisadores de 10 países (Brasil, Portugal, Argentina, Estados Unidos, Espanha,
México, Cuba, França, Canadá e Timor-Leste).
Compõem o vigésimo primeiro número da nossa revista oito artigos, um relato
de experiência, duas resenhas de livros e a lista de consultores ad hoc de 2005.
Inicialmente, propomos a contribuição de Mary Rangel, da Universidade Federal
do Rio de Janeiro, que denuncia a burocracia e a padronização que determinam a
aquisição de livros e apresenta uma relevante análise sobre o Programa Nacional do
Livro Didático.
184 Linhas Críticas, Brasília, v. 11, n. 21, p. 183-186, jul./dez. 2005
A. V. M.
LINHAS CRITICAS 21:LINHAS CRITICAS 21 March/3/11 6:55 PM Page 184
Em seguida, Wilson Alves de Paiva, da Universidade Estadual de Goiás, relaciona
o papel das festas populares e das escolas públicas aos estudos de Filosofia e História
da Educação, à luz dos ideais defendidos por Jean-Jacques Rousseau.
Maria das Graças Viana Bragança e Zélia Maria Freire de Oliveira, da
Universidade Católica de Brasília, discutem o conceito de escola inclusiva e propõem
ações para uma educação que adote efetivamente essa perspectiva.
A avaliação no ensino superior da educação física é repensada por Wanderson
Ferreira Alves, da Universidade Federal de Goiás, em um inovador artigo que aponta
novos caminhos para os cursos de formação de professores.
A teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas é o ponto de partida de Arilene
Maria Soares de Medeiros, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, para
empreender uma análise crítica das dificuldades de reestruturação da administração escolar.
Maria Abádia da Silva, da Universidade de Brasília, desvela os planos e as intervenções
neoliberais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional direcionados
para a privatização da educação brasileira a partir dos anos 1990.
A concepção de gestão subjacente ao Plano de Desenvolvimento da Escola é
criticada por Luís Gustavo Alexandre da Silva, da Universidade Federal de Goiás, que
expõe as fragilidades e contradições de um modelo capitalista e pouco democrático
de organização da escola pública.
Marcelo Giordan e Jackson Góis, da Universidade de São Paulo, criam e apresentam as
primeiras aplicações de um construtor de objetos moleculares para a representação de
partículas na educação científica, em especial no ensino fundamental e médio de química.
Uma experiência em educação matemática no Timor-Leste é descrita por Cleonice
Fernandes, Eliana Moreira, Luiz Silva, Raimundo Castro, Sandra Sá e Saulo Furletti,
da Missão Brasileira de Cooperação Técnico-Educacional da Capes (MEC), em um
relato sobre riquezas e vicissitudes de uma capacitação multicultural de professores.
Duas resenhas dos livros Ensaios pedagógicos: como construir uma escola para
todos? (de Lino de Macedo) e Redes de aprendizagem: um guia para o ensino e a
aprendizagem on-line (de Linda Harasim, Lucio Teles, Murray Turoff e Starr Hiltz).
Ambos insistem na democratização da participação do processo educacional, seja ele
presencial ou a distância, e são resenhados, respectivamente, por Margarita Victoria
Gómez, da Universidade Vale do Rio Verde (MG), e Leda Maria Rangearo Fiorentini,
da Universidade de Brasília (DF).
Por fim, antes das Normas para publicação em português e em espanhol, relaciono
os Consultores ad hoc que participaram na avaliação dos artigos em 2005.
Em suma, classificado como periódico Nacional pela Comissão de Avaliação
Anped/Capes, o impacto atual de Linhas Críticas no campo da comunicação científica
pode ser melhor dimensionado ao se constatar que a revista reúne aproximadamente
300 assinantes, permuta com cerca de 100 de periódicos, assegura mais de 200
doações e totaliza 40.000 visitas em sua home page.
185
Linhas Críticas, Brasília, v. 11, n. 21, p. 183-186, jul./dez. 2005
Linhas Críticas: uma década
LINHAS CRITICAS 21:LINHAS CRITICAS 21 March/3/11 6:55 PM Page 185
Ao completar uma década de atuação no cenário da edição científica em educação,
agradecemos o apoio da Universidade de Brasília, em especial aos diretores da FE
Genuíno Bordignon (1998-2002) e Erasto Fortes Mendonça (2002-2006), e a
Ariadna Aparecida Rodrigues Nunes e Maria Edelzita Moreira Costa, da Diretoria de
Desenvolvimento Social (DDS). Aos membros do Corpo Editorial (Comitê e
Conselho), aos consultores ad hoc e aos pesquisadores. Aos editores convidados Iria
Brzezinski (3-4), Walter Omar Kohan (5-6), Paulo Sérgio de Andrade Bareicha (7-8),
Adriana Mabel Fresquet (15), Amaralina Miranda de Souza (16), Marília Fonseca
(18) e Regina Vinhaes Gracindo (20). Aos nossos imprescindíveis colaboradores técnicos
Adonias Rosada Malosso (home page), Armando de Morais Veloso e Juliana Vizeu
Calvo (fotografias), Brício Tadeu Pôrto de Matos, Edson Fogaça e José Roberto
Cardoso (capas), Kleber Lima, Paulo Selveira e Wilson Queiroz Pessoa (diagra-
mações), Alexandre Augusto Martins Lima, Alexandre Silva Habib, Hélène Leblanc,
Marilia Barros e Patrícia Neves Raposo (revisões), Josélia de Carvalho Costandrade
Civiletti e Maria Carmen Tacca (divulgação). Aos funcionários Irene de Jesus
Rodrigues, José Antonio dos Santos, Marinez Alves de Sousa Trece e Mônica da Costa
Braga (secretaria). Aos bolsistas da DDS Antônio Elder Galvão de Carvalho Lima,
Clésio Soares de Moura, Elaine Lucas, Geiza Garcia Lopes Gonzaga, José Henrique
Araújo de Oliveira, Maria Cristina Siqueira Mello e Wagner Vidal Menezes. Aos
bolsistas do Laboratório de Atendimento ao Deficiente Visual da FE: Gustavo de
Castro Annes, Jefferson dos Santos Cruz, Luiz Ricardo Rodrigues de Almeida e Sinval
José Lemes Júnior. Às nossas estimadas estagiárias, pelo incansável envolvimento:
Lijerka dos Santos Rodrigues e Márcia Chang Tsi Shya.
Antônio Villar Marques de Sá
Editor
Referências
MATOS, Bráulio Tarcísio Pôrto de. Projeto do Caderno “Linhas Críticas”. Brasília: Faculdade de
Educação da Universidade de Brasília, ago. 1995. Mimeografado.
186 Linhas Críticas, Brasília, v. 11, n. 21, p. 183-186, jul./dez. 2005
LINHAS CRITICAS 21:LINHAS CRITICAS 21 March/3/11 6:55 PM Page 186
ResearchGate has not been able to resolve any citations for this publication.
ResearchGate has not been able to resolve any references for this publication.