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Avanços e desafios da formação profissional e tecnológica em uma crise global

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Avanços e desafios da formação profissional e tecnológica em uma crise global

AVANÇOS E DESAFIOS DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL
E TECNOLÓGICA EM UMA CRISE GLOBAL
EDITORIAL
Linhas Críticas,Brasília, DF, v. 16, n. 30, p. 3-4, jan./jun. 2010. ISSN 1516-4896 3
A crise econômica e financeira mundial tem provocado um crescimento
recorde de desemprego entre os jovens. As conseqüências sociais deste cená-
rio são tão preocupantes que a Organização das Nações Unidas (ONU) ins-
tituiu 2010 como o Ano Internacional da Juventude e a Organização
Internacional do Trabalho (OIT) acrescentou um alerta: “Mais de 80 milhões
de jovens entre 15 e 24 anos estavam desempregados ao final de 2009. [...]
A taxa de desemprego juvenil atingiu seu maior nível já registrado e deverá
aumentar” (ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 2010).
Nessa conjuntura global – talvez a mais desfavorável desde a grande crise
de 1929 –, dentre os jovens economicamente ativos, 13% estão apartados de
uma vida digna pois se encontram excluídos do mercado de trabalho. Já entre
aqueles que obtiveram um emprego, 28% (ou seja, um contigente de 152
milhões de jovens trabalhadores) estão em situação de extrema pobreza, vivendo
em famílias que sobrevivem com menos de US$ 1,25 por pessoa por dia.
Portanto, com a intensificação do desemprego e dos riscos associados à
inatividade prolongada, ao subemprego, aos empregos informais e à pobreza,
é fundamental a ampliação dos debates sobre Trabalho e Educação. Com esse
intuito, Linhas Críticas apresenta o dossiê Formação Profissional e Tecnológica,
reunido pela editora convidada Olgamir Francisco de Carvalho.
Então, este número 30 publica oito artigos científicos, uma atualidade, uma
homenagem, as normas para publicação e um índice remissivo dos 339 autores
que veicularam seus trabalhos desde o primeiro fascículo do periódico.
Assim, inicialmente, Richard Gagnon situa as especialidades técnicas
enfocadas pela formação profissional e explora seus limites epistemológicos.
Para tanto, analisa as divergências fundamentais entre conceitos de tradição
(corpo) e tecnociência (mente), sendo o primeiro considerado concreto,
temporal, espacial e o último, abstrato, amoral, mortal.
No artigo seguinte, Silvia Maria Manfredi retoma as políticas inclusivas
de certificação profissional do Ministério do Trabalho e Emprego (2003 a 2007),
as quais foram um contraponto significativo às orientações hegemônicas, e,
de acordo com a autora, ainda necessitam ser ampliadas em prol da qualificação
social de jovens e adultos.
Visando contribuir para a reflexão a respeito das políticas públicas em
implantação no Brasil, Olgamir Francisco de Carvalho e Bernardo Kipnis
examinam conceitos e experiências de reforma dos sistemas de educação
profissional e tecnológica na Austrália, Canadá, Coreia do Sul e Portugal.
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Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, criados em 2008,
são analisados por Eliezer Moreira Pacheco, Luiz Augusto Caldas Pereira e
Moisés Domingos Sobrinho, que abordam os aspectos históricos, políticos,
curriculares, assim como sua contribuição para o fortalecimento da cidadania.
Lucília Regina de Souza Machado desvela as razões e as implicações
enfatizadas pelo Ministério da Educação e pelo Conselho Nacional de Edu-
cação para a alteração da organização da oferta da educação profissional e
tecnológica, que deixou de ser apresentada por áreas profissionais e passou
a ser configurada por eixos tecnológicos.
Partindo dos dados do Censo Escolar, Remi Castioni e Maria Célia Costa
Andrade discutem o impacto do ensino médio integrado à educação profis-
sional. Analisam, também, se as mudanças no marco legal foram seguidas de
uma efetiva ampliação da oferta de vagas pelas redes federal, estadual e privada.
Anita Handfas propõe uma leitura crítica das investigações submetidas ao
grupo Trabalho e Educação da Anped. Tomando por base teórica Marx e Althus-
ser, argumenta que esses estudos não avançaram em direção aos fundamentos
do materialismo histórico.
Os aspectos teóricos e as contradições inerentes à formação do trabalhador,
no movimento da economia solidária, são abordados por Ronalda Barreto
Silva e Alessandra Bandeira Antunes Azevedo, privilegiando a reflexão sobre
autogestão, cidadania e emancipação em situação de vulnerabilidade social.
Martha Pacheco, ao divulgar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio,
propostos pela OIT, destaca o compromisso de trabalho digno e diálogo social
expressos na Carta de Brasília (2009) e dá ênfase às metas do Centro Interame-
ricano para el Desarrollo del Conocimiento en la Formación Profesional (Cinterfor).
Concluindo este número, compartilho o discurso proferido por Ilma Pas-
sos Alencastro Veiga por ocasião da cerimônia de outorga de seu Título de
Professora Emérita, no dia 15 de março de 2010. Cabe explicitar que, ao longo
dos 44 anos da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, essa foi
a primeira homenagem de tamanha relevância acadêmica prestada a um dos
nossos docentes.
Por fim, comemorando 15 anos ininterruptos, Linhas Críticas passa a cir-
cular com novo formato, layout e capa, frutos da arte de Edson Fogaça, e uma
aprimorada diagramação, recriada por Paulo Selveira, ambos dedicados co-
laboradores da equipe Unesco de Brasília.
Antônio Villar Marques de Sá
Editor
Referência
4Linhas Críticas,Brasília, DF, v. 16, n. 30, p. 3-4, jan./jun. 2010. ISSN 1516-4896
* ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Tendências globais de emprego para a juventude
– 2010. Disponível em: <http://www.oitbrasil.org.br>. Acesso em: 17 set. 2010.
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