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Competência informacional e a missão em bibliotecas universitárias: níveis de integração em bibliotecas universitárias de Moçambique

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Abstract

Trata-se dos resultados da dissertação de mestrado em Ciência da Informação, cujo objetivo foi identificar e mapear os níveis de incorporação da competência informacional nas bibliotecas universitárias de Moçambique, decorrente da contínua ampliação das suas funções educacionais. A pesquisa caracterizou-se por ser descritiva, cuja investigação se deu a partir do levantamento de atividades que, em teoria, podem potencializar a competência informacional dos usuários. O procedimento de coleta de dados foi através da observação direta nos sites das instituições de ensino superior (IES) nacionais e a análise de dados se realizou a partir das abordagens quali-quanti. Os resultados mostraram a incorporação incipiente dos programas de competência informacional nas IES nacionais, tendo como foco a biblioteca como espaço de aprendizagem e investigação. Constatou-se que as atividades de formação de usuários desenvolvidas por essas bibliotecas universitárias se enquadra no modelo tradicional, cujo foco são as fontes de informação e os recursos tecnológicos existentes. Há, por isso, necessidade de aprofundamento teórico e metodológico desses programas, tendo em vista os modelos teóricos definidos por organizações internacionais ligadas à competência informacional, que enfatizam a necessidade de focalizar a formação nos usuários que, em um processo construtivista, apropriam e atribuem significados à informação.
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Apropriação e uso de tecnologias intelectuais: intervenção em uma
comunidade popular urbana
Ilídio Lobato Ernesto Manhique
ilidiolobato@gmail.com
Escola Superior de Jornalismo de Moçambique
Resumo: Apresenta reflexão sobre pesquisa de doutorado em andamento, que está sendo realizada no
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia (PPGCI/UFBA).
A fundamentação teórica está alicerçada na mediação da informação, tendo como objetivo desenvolver
competência informacional nos moradores da Comunidade objeto de estudo. Essas competências serão
implementadas mediante treinamentos em parceria com o Laboratório de Tecnologias Intelectuais – LTi
do Departamento de Ciência da Informação juntamente com o Departamento de Informática da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB) com o PPGCI/UFBA. Adota-se a metodologia da pesquisa-ação,
de modo a promover a rede de cooperação necessária como suporte para elaboração de um modelo de
mediação, apropriação e uso de tecnologias intelectuais, passível de ser aplicado em outras
comunidades. A investigação recorre ao auxílio da observação participante, visando acompanhar a
realidade no campo de pesquisa, fazendo uso do diário de campo. O propósito do projeto é construir
uma rede de cooperação para transformar realidades e ultrapassar fronteiras, promovendo informação
e conhecimento para quem deles necessita.
Palavras-chave: mediação da informação; inclusão social; comunidades; competência informacional.
Abstract: Presents reflections on doctoral research, which is being held at the Postgraduate Program in
Information Science at the Federal University of Bahia (PPGCI/UFBA). The theoretical framework is
based on the mediation of information, aiming at developing information literacy in the Community
residents object of this study. These skills will be implemented through training in partnership with the
Laboratory of Intellectual Technologies - LTi from the Department of Information Science and the
Computer Science Department of Federal University of Paraíba and the PPGCI/UFBA. Will be adopted
the methodology of action research in order to promote cooperation network as necessary to support
development of a mediation model, ownership and use of intellectual technologies, which can be
applied in other communities. The investigation also employ the help of participant observation, to
monitor the reality in the field of research, making use of the field diary. The purpose of the project is to
build a cooperative network to transform realities and cross boundaries, promoting information and
knowledge to those in need in society
Keywords: mediation of information; social inclusion; communities; information literacy.
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1 INTRODUÇÃO
O contexto contemporâneo, largamente, dominado pelas tecnologias de informação
traz para a população desafios marcantes ligados ao aproveitamento dessas possibilidades
tecnológicas para a elevação do seu bem-estar social. As rápidas e contínuas inovações nessa
esfera tornam, rapidamente, obsoletos os conhecimentos adquiridos pelas pessoas ao longo
de vivência social, demandando novo aprendizado para continuarem participantes ativos na
sociedade. Por isso, a competência informacional deve ser assumida como mola propulsora da
aprendizagem na sociedade da informação, pois favorece o desenvolvimento do senso crítico
no uso das tecnologias de informação, sobretudo, no que concerne à busca, ao acesso e ao uso
da informação disponível em diversos meios e canais de disseminação da informação. Pela sua
relevância para a educação e desenvolvimento socioeconômico, esta prática deve ser
fomentada em vários níveis dos subsistemas educacionais, visando promover a inclusão digital
e social através da informação.
No âmbito da educação superior, o desafio é apontado às bibliotecas universitárias,
cujas novas configurações funcionais transformaram-na em entidade voltada, essencialmente,
à promoção da aprendizagem permanente dos usuários. A viabilização pragmática dessa nova
função educacional requer a integração, no âmbito institucional, de programas de
competência informacional, acompanhando, tendencialmente, as teorias e metodologias
adotadas no campo da Ciência da Informação. A partir do levantamento de informação nos
websites das instituições de ensino superior, esta pesquisa tem como objetivo mapear os
níveis de integração da competência informacional no planejamento das IES moçambicanas.
2 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL: CONCEPÇÕES TEÓRICAS
A expressão competência informacional (uma das traduções aplicáveis a information
literacy) tem a sua origem na década de 1970, cujos créditos de pioneirismo são atribuídos a
Paul Zurkowski. Contudo, foi na década seguinte que a prática ganhou importância significativa
nas bibliotecas, pois a introdução das TIC permitiu a instalação de sistemas de gerenciamento
da informação. A terminologia usada nesta época foi também influenciada pelo uso das TIC,
tendo surgido a expressão Information Literacy Tecnology, que lhe atribuía uma ênfase
instrumental (DUDZIAK, 2003). Foi nesta década que surgiu o trabalho de Carol Kuhlthau
(1987) Information skills for an information society: A review of research, que lançou as bases
para a educação da competência da informacional. Na sua abordagem a autora defendia a
integração da competência informacional nos currículos educacionais, destacando a
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necessidade de um sistema de educação, radicalmente, diferente, que enfatizasse as
condições de aprendizagem, bem como a integração efetiva das instituições de educação
dentro das comunidades. Portanto, a autora considerava ideal a aprendizagem baseada nos
recursos de informação do mundo real, pois enfatiza o processo de construção de
conhecimentos a partir da busca e uso da informação de maneira integrada com o currículo,
cuja filosofia via na biblioteca como o elemento-chave na educação. (KUHLTHAU, 1987;
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 1989; DUDZIAK, 2003).
Para Carol Kuhlthau, a competência informacional não se resume ao conhecimento das
fontes, não é exclusivamente dependente da biblioteca como único recurso de informação,
não se resume apenas à localização da informação demandada, mas também envolve a
compreensão e resignificação da informação (KUHLTHAU, 1987). Portanto, Carol Kulhthau
situa a competência informacional no processo construtivista de busca do conhecimento dos
indivíduos, sendo que uma das suas contribuições reside no fato de deslocar a competência
informacional de uma abordagem, puramente, instrumental para centrá-la nos aprendizes que
atribuem significado à informação.
A mesma perspectiva foi partilhada pela American Library Association (ALA) que, em
1989, publicou o Presidential Committe on Information Literacy: Final Report preparado por
um grupo de bibliotecários e de educadores, ressaltando a competência informacional como o
diferencial para a aprendizagem na sociedade da informação e no processo de construção da
cidadania para a participação na sociedade democrática. O relatório da ALA (1989) considerava
que os indivíduos usufruam dos benefícios trazidos pelas tecnologias de informação devem ser
informacionalmente competentes, isto é, devem ser capazes de:
[...] reconhecer as suas necessidades de informação e ter habilidade de
localizar, avaliar e usar efetivamente a informação demandada. [...] pessoas
competentes em informação são aquelas que aprenderam como aprender.
Elas aprenderam como aprender, porque sabem como o conhecimento se
encontra organizado, como encontrar a informação e como usar a
informação de modo que outros possam aprender deles. São pessoas
preparadas para a aprendizagem ao longo da vida, porque elas sempre
encontram a informação que precisam para qualquer tarefa e tomada de
decisão. (AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 1989)
.
Até a década de 1990 o foco das pesquisas e práticas se mantinha no comportamento
informacional e nas atividades de busca e uso da informação (DUDZIAK, 2003; 2007). Nesse
período, a ALA implantou vários programas de desenvolvimento de competência
informacional, particularmente nas bibliotecas universitárias. Várias organizações se
estabeleceram nos anos 90, e a competência informacional ganhou dimensões universais,
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disseminando-se nos vários continentes, havendo uma busca constante pela elucidação do
conceito, procurando torná-lo acessível a um número cada vez maior de pessoas. (DUDZIAK,
2003, p.29).
Em seu estudo sobre a evolução do conceito information literacy, Dudziak (2003)
caracterizou a competência informacional em torno de três concepções, nomeadamente:
A concepção da informação, que prioriza a abordagem do ponto de vista dos sistemas
de informação, tendo como foco o acesso físico da informação. Neste contexto, o profissional
da informação assume o papel de intermediário da informação. O paradigma informacional e
educacional reproduzido é o tradicional, apesar do aporte tecnológico. (DUDZIAK, 2003).
A concepção do conhecimento: relaciona a competência informacional aos processos
de busca da informação para construção de conhecimento com o foco no indivíduo em seus
processos de compreensão e resignificação da informação. Nesta concepção, a biblioteca
aparece como espaço de aprendizado e o profissional da informação desempenha duas
funções: de gestor do conhecimento e de mediador nos processos de busca da informação. O
paradigma educacional que suporte a esse modelo de information literacy é o alternativo,
que privilegia o processo de ensino/aprendizado, tendo o foco no indivíduo/aprendiz.
(DUDZIAK, 2003).
A concepção da inteligência: engloba, além de uma série de habilidades e
conhecimentos, a noção de valores ligados à dimensão social e situacional. Nesta concepção, a
biblioteca aparece como espaço de expressão do sujeito e o profissional da informação
transforma-se em agente educacional, ativamente envolvido com a comunidade, exercendo
sua função de mediação do aprendizado. (DUDZIAK, 2003).
A competência informacional é uma prática discutida à luz das políticas e teorias
educacionais vigentes, predominantemente, relacionadas à aprendizagem permanente ao
longo da vida. Essa visão foi tema central de discussão do Colóquio de Alto Nível de
Competência em Informação e Aprendizagem ao Longo da Vida, realizado em Alexandria, no
Egito em 2005. Baseado nos resultados e discussões deste evento definiu-se a competência
informação como um elemento essencial para todas as dimensões da vida e uma das
demandas para o desenvolvimento, prosperidade e liberdade na sociedade da informação.
Segundo este documento, a competência informacional está no centro da aprendizagem ao
longo da vida e potencia as pessoas a buscar, avaliar, usar e criar informação efetiva para o
alcance das suas metas individuais, sociais, ocupacionais e educacionais. É um direito humano
básico no mundo digital e promove a inclusão social em todas as nações.
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3 INTEGRAÇÃO DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
A formação de usuários em competência informacional é uma prática que com as suas
devidas precisões e adaptações nos seus aspectos terminológicos, conceituais e teóricos tem
vindo a desenvolver-se no contexto das bibliotecas, sobretudo universitárias, que é onde em
termos gerais tem havido mais avanços (URIBE-TIRADO, 2012). De acordo com o autor, depois
de duas décadas de imprecisões e adaptações levando a cabo a instrução bibliográfica e
educação de usuários tradicional, chegamos hoje ao paradigma de formação em competência
informacional, que prioriza o aprendizado permanente e ao longo da vida através de
ferramentas e recursos disponíveis para a aprendizagem.
A partir das pesquisas que Uribe Tirado (2009; 2012) vem desenvolvendo no contexto
ibero-americano visando perceber a integração dos programas de competência informacional
nos currículos das universidades, identificou quatro níveis de incorporação da competência
informacional em bibliotecas universitárias:
Comprometidas: são universidades que levam mais de uma década trabalhando com a
competência informacional, em que a competência informacional aparece claramente
definida nos planos estratégicos como resultado da conscientização de sua importância
para aprendizagem ao longo da vida. São universidades que reconhecem a necessidade
colaboração entre diferentes segmentos da instituição (bibliotecários, professores,
investigadores, estudantes). Os programas que se inserem neste nível de competência
informacional apresentam objetivos e metas de aprendizagem claramente definidos;
adotam um modelo específico de formação em competência informacional; se encontra
integrado no currículo ou no plano de estudos na universidade; a avaliação é feita
sistematicamente visando à melhoria ou readequação do programa conforme os
resultados de aprendizagem; contam com recursos financeiros, tecnológicos e humanos
adequados.
Em crescimento: são aquelas que levam entre três e dez anos formando usuários em
competência informacional e começa a haver consciência sobre a transversalidade da
competência informacional na formação e capacitação de distintas populações que
compõem a comunidade acadêmica. Neste nível, os programas de competência
informacional estão em processo de estruturação, definindo objetivos e metas de
aprendizagem, incluindo a busca de um modelo específico de formação. A avaliação
enfatiza aspectos quantitativos, que nem sempre contribuem para o melhoramento do
programa. Estas dependências universitárias contam com recursos tecnológicos, humanos
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e financeiros adequados, mas continuam insuficientes para a formação da comunidade
universitária.
Iniciando: são aquelas que levam entre um e dois anos de formação de usuários, mas
começam a reconhecer a necessidade de reajustes dos programas tradicionais de
formação de usuários, por forma a garantir o aproveitamento das possibilidades
oferecidas pelos recursos digitais. Entretanto, a competência informacional não aparece
definida formalmente entre os objetivos e metas institucionais. Estas atividades são
encaradas como cursos complementares, não curriculares ou de exigência na aquisição de
competências. Os novos cursos estão sendo construídos sobre a base dos programas
tradicionais de formação de usuários, a avaliação é feita esporadicamente, privilegiando
aspectos quantitativos; os recursos disponíveis são escassos. Este nível de formação está
relacionado com instalação de experiência piloto de formação tendo em conta o novo
paradigma.
Desconhecedoras: são universidades onde a temática de competência informacional não
aparece nos seus planos estratégicos e, muitas vezes, se confunde com a competência
digital. Em seus planos, quando se menciona algum aspecto relacionado à temática, está
enfocado nas tecnologias de informação, nas quais a internet é tida como o fim e não
apenas um meio de aprendizagem. As universidades constantes deste nível contam com
programas tradicionais de formação de usuários, cujas metas e objetivos raramente se
encontram definidos nos planos institucionais. Na maioria das vezes, os recursos
financeiros, tecnológicos e humanos são praticamente nulos.
Esta classificação permite analisar, de forma diagnóstica, a inserção prática de atividades de
competência informacional nas universidades, podendo ser aplicada para vários ambientes de
aprendizagem. Alejandro Uribe Tirado torna a presente classificação relevante e pragmática,
porque identifica o tipo de atividades de formação que se inserem em cada nível de formação,
conforme ilustra o quadro que se segue.
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QUADRO 1 – Nível de integração da competência informacional em bibliotecas universitárias
Nível de integração
Atividades desenvolvidas
Comprometidas
Alfabetização informacional: cursos desde a biblioteca para formar em competências
informacionais: o instrumental + aprendizagem para toda vida + pensamento crítico;
cursos/módulos imersos oficialmente nos currículos de distintos programas
acadêmicos para formar de maneira transversal e disciplinar nessas competências.
Em crescimento Alfabetização informacional: cursos a partir da biblioteca para formar em
competências informacionais: aprendizagem instrumental + aprendizagem ao longo da
vida + pensamento crítico.
Iniciando
Formação de usuários: capacitação em serviços gerais da biblioteca e alguns cursos –
muito instrumentais – para a busca de informação: utilização de catálogos/bases de
dados, no entanto começa-se a analisar a necessidade de mudança da formação
tradicional e trabalhar as demais competências.
Desconhecedoras Formação de usuários: somente capacitação para o uso do catálogo. Não há presença
de qualquer tipo de formação/capacitação (treinamento).
Fonte: Uribe Tirado (2009; 2012).
Bruce (2004) afirma que um programa de formação em competência informacional
funda-se em torno de quatro elementos fundamentais, a saber: a) a existência de recursos
para facilitar a aprendizagem de habilidades específicas, tais como habilidades de busca de
informação na web; b) um currículo que fornece oportunidades de habilidades específicas
quer no início da formação, quer relativas à satisfação das suas necessidades; c) um currículo
que demanda o engajamento em atividades de aprendizagem que requerem interação com o
ambiente informacional e; c) um currículo que fornece oportunidades de reflexão e
documentação das experiências de aprendizagem através das práticas afetivas de informação.
A competência informacional ocorre em diferentes estágios do processo educacional e
em diferentes contextos sociais, econômicos e culturais. A forma de torna-la em amplo
conceito educacional, mais do que simples instrução bibliográfica é integra-la no currículo e
em todo o programa de ensino. (LUPTON, 2002; DUDZIAK, 2003; JOHNSTON; WEBBER, 2007).
Johnston e Webber (2007) defendem que a competência informacional deve se constituir
numa disciplina aplicada, mais do um simples conjuntos de habilidades individuais e
argumentam que a sua relevância social vai além das preocupações bibliotecárias e
acadêmicas. Como disciplina emergente e fundamental na sociedade da informação.
4. INICIATIVAS DE COMPETÊNCIA INFORMACIONAL NA ÁFRICA E O CONTEXTO DE
MOÇAMBIQUE
Nos últimos anos a UNESCO vem promovendo o conceito de sociedade do conhecimento, na
qual a competência informacional desempenha um papel fundamental na construção de
sociedades inclusivas, pluralistas e participativas. No caso do continente africano, um dos
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maiores desafios para os programas de competência informacional reside no seu caráter
recente, aliado a um conjunto de entraves relacionados à escassez de recursos humanos,
técnicos e econômicos. Mutula (2004) pondera que a ausência de iniciativas de competência
informacional em África se deve, parcialmente, à subutilização das tecnologias de informação
e outros recursos informacionais, aliado à ênfase instrumental atribuída às TIC no âmbito dos
programas de massificação e uso das tecnologias digitais.
Fidzani (2006) mapeou os estudos de competência informacional na África
subsaariana, com particular destaque para os países de língua inglesa. Na sua revisão de
literatura, a autora constatou que o conceito information literacy aparece em diferentes
países, mas seu nível de desenvolvimento, embora diferente de país para país, tem maior
visibilidade no âmbito universitário. Esse esforço teve início a partir da década de 1980 com os
programas de educação de usuários tradicionalmente desenvolvidos pelas bibliotecas
universitárias, que consistiam basicamente na instrução de biblioteca e orientação
bibliográfica.
A partir de estudos de caso de oito países africanos, Fidzani (2006) constatou que a
maior parte das instituições ainda não desenvolveu um referencial teórico-conceitual próprio.
Tais instituições usam a definição da American Library Association (ALA), que considera
a competência informacional como habilidade de reconhecer a necessidade de informação,
capacidade de localiza-la, avaliar e usar efetivamente a informação. Igualmente, as
universidades africanas ainda não desenvolveram modelos específicos locais de formação em
competência informacional. Adotam as normas e padrões da ALA e da Australian and New
Zealand Institute for Information Literacy (ANZILL) para fomentarem e desenvolverem
programas de competência informacional. Tais programas tomam diferentes formas de acordo
com as necessidades de cada instituição. Assim, ao nível dos países da África subsaariana,
podem-se diferenciar três categorias de programas de competência informacional: a) Cursos
acreditados, em que a competência informacional faz parte de um curso de habilidade de
comunicação, desenvolvimento de habilidades de informação e computadores; b) Programas
de educação de usuários, na sua concepção tradicional; c) Cursos de instrução integrados, que
contam com a colaboração entre bibliotecários e as faculdades, que desenvolvem cursos com
abordagem integrada, nos quais as habilidades de informação e de resolução de problemas
são integradas nos programas de ensino e aprendizagem. (FIDZANI, 2006).
Os esforços da integração da competência informacional como elemento constitutivo
da aprendizagem em África vêm sendo desenvolvido pelas associações de bibliotecas, que
fornecem uma plataforma para a discussão da competência informacional em níveis nacional e
regional. O evento mais importante foi a Conferência Permanente de Bibliotecas Nacionais e
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Universitárias da África Oriental, Central e Austral (SCANUL-ECS) sobre a competência
informacional realizada em Kampala, Uganda, em 2004. O encontro recomendou aos membros
da SCANUL-ECS que fornecessem estudos de caso do desenvolvimento da competência
informacional em suas instituições. Tais estudos buscavam informação acerca do nível de
incorporação da competência informacional nas bibliotecas nacionais e universitárias e
identificar os desafios que seriam abordados em conjunto em nível nacional e regional.
(FIDZANI, 2006).
Entretanto, conforme afirma Fidzani (2006) a associação de bibliotecas ainda não
estabeleceu um órgão ou comissão para lidar especificamente com a competência
informacional nos âmbitos nacional e regional.
Contrário à tendência camaleônica” da maioria dos países africanos, incluindo
Moçambique, a África do Sul é o país africano com mais pesquisas e iniciativas voltadas para a
competência informacional, seja no contexto da educação universitária, quer no contexto da
vida laboral. Em 1995, o governo sul-africano iniciou o programa de competência
informacional (INFOLIT), cujo objetivo era promover o conceito, valores e importância da
competência informacional no contexto da globalização, lançar uma série de projetos pilotos
que explorassem e estabelecessem vários meios de disseminação da competência
informacional na região, investigar os modelos de competência informacional, programas e
iniciativas que seriam adaptáveis às condições locais. (FADZINI, 2006).
Os objetivos de INFOLIT foram globalmente alcançados, tendo como evidência o nível
de integração da competência informacional nas universidades e no local de trabalho e pelo
aumento do número de pesquisas sobre a temática. Conforme afirma Dudziak (2003) a partir
da década de 90, período em que se estabeleceram várias organizações ligadas à competência
informacional, a África do Sul foi um dos países que mais publicaram sobre a temática.
Paradoxalmente, os restantes países da África Austral, incluindo Moçambique, as
pesquisas nesta área continuam invisíveis, apesar de alguns esforços que se verificam na
prática profissional dos bibliotecários na educação superior. Em todo mundo as instituições de
ensino superior vêm definindo um conjunto de habilidades genéricas expectáveis para os
graduados e alguns atributos que apoiam a aprendizagem ao longo da vida. Vários países
criaram instituições de controle de qualidade, que desafiam as IES a modernizar os seus
processos de aprendizagem e ajusta-los às necessidades da sociedade atual. Em Moçambique
foi criado pelo Decreto nº 64/2007, de 31 de Dezembro o Sistema Nacional de Acreditação e
Garantia de Qualidade no Ensino Superior (SINAQES), que tem a função de criar um quadro
normativo de avaliação de qualidade e harmonização do ensino superior.
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O grande desafio consiste na criação de políticas em nível nacional e institucional, que
conduza a integração efetiva da competência informacional como parte constitutiva da
aprendizagem na contemporaneidade. Contrariamente a alguns países africanos, caso da
África do Sul, Nigéria, Gana, Botsuana e Quênia que observaram avanços significativos rumo à
institucionalização da competência informacional, em Moçambique, tais atividades se
desenvolvem apenas no campo das bibliotecas universitárias e com pouca clareza conceitual e
metodológica.
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A presente pesquisa teve como objetivo identificar e analisar os níveis de integração
dos programas de competência informacional em bibliotecas universitárias de Moçambique.
Para tal, o primeiro marco metodológico e contextual desta pesquisa consistiu na busca de
referencial teórico em artigos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais. Nas
buscas sobre Moçambique foram encontrados trabalhos científicos tratando das Tecnologias
de Informação e Comunicação e da inclusão digital. Nenhum dos artigos encontrados trata,
especificamente, da competência informacional como seu objeto de pesquisa. A expressão
competência informacional aparece de forma “intermitente” em nos trabalhos tratando das
políticas de informação em Moçambique e os desafios da construção de uma sociedade global
da informação. Esta constatação justifica o caráter exploratório deste trabalho, em virtude da
invisibilidade das pesquisas e das práticas da competência informacional em Moçambique. O
segundo momento da pesquisa consistiu na identificação e busca nos sites de todas as IES,
públicas e particulares, moçambicanas de atividades que, em teoria, podem contribuir para o
desenvolvimento de competência informacional dos usuários. Para efeito desta pesquisa as
atividades mapeadas foram: ser visitas guiadas, treinamento de uso de catálogo eletrônico,
acesso às bases de dados e teses e dissertação, acesso aos periódicos eletrônicos, cujo objetivo
é descrever o panorama da competência informacional nas bibliotecas universitárias
moçambicanas. A adoção dessa técnica para coletar dados resulta do fato de a internet ser
uma das ferramentas mais importantes para veicular e divulgar informações relativas às
atividades e serviços oferecidos pelas organizações.
Entretanto, conforme esclarece Uribe Tirado (2012, p.43) este tipo de análise constitui
apenas uma fotografia num determinado momento e, a partir de um determinado ângulo de
visão, serve como aproximação da realidade. Para uma visão mais integral e holística da
realidade dessas universidades em relação à incorporação da competência informacional seria
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necessário fazer um processo de recompilação de informação que implicasse a triangulação de
fontes que permitam visualizar outros ângulos dessa realidade.
A identificação das IES foi realizada por meio de consultas exaustivas ao site do
Ministério da Educação de Moçambique (MINED), suplementada pela pesquisa documental
sobre o ensino superior devido da falta de atualização permanente ao site do MINED. A partir
dos sites, foram identificados e examinados os sites de cada uma das bibliotecas universitárias,
visando o levantamento de informação sobre o objeto e objetivos da pesquisa.
Para analisar a informação disponível na Web sobre as bibliotecas universitárias
moçambicanas adotou-se o referencial teórico de Uribe Tirado (2009, 2012) que considera a
existência de quatro níveis de incorporação da competência informacional nas instituições de
ensino superior, conforme indica o quadro 1 descrito na segunda sessão deste trabalho.
6 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A partir do levantamento feito, foram encontradas 44 IES existentes em Moçambique
(dados do MINED de 2010), das quais 18 são públicas e 26 são particulares. Uma das principais
características é a sua distribuição desigual nas diversas regiões do país, com a capital do país a
concentrar cerca de 40% do universo das IES existentes do país. Esse fato pode ser associado
ao fato da Capital (Cidade de Maputo) ser o centro do poder político e econômico do país e,
desde a independência (1975) até a década de 1990, ter concentrado todas as IES, fato apenas
interrompido devido ao processo de liberalização política e econômica do país, que permitiu o
surgimento de novas IES (públicas e privadas), incluindo a respectiva expansão decretada pela
Lei n.1/93.
No que concerne à busca de informação nos sites das IES, observou-se que algumas IES
não possuem um website. Esse fato evidencia a relativa negligência das IES moçambicanas
sobre a importância e papel transformador que as TIC desempenham para disseminação,
divulgação e visualização dos serviços institucionais.
TABELA 1 – Instituições de Ensino Superior com Website
Instituições de ensino superior
IES com website IES sem website
N % N %
Públicas 12 40 06 42.8
Particulares 18 60 08 57.1
Total 30 100 14 100
Fonte: dados da pesquisa
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A análise dos sites das IES torna-se mais complexa quando se trata de analisar os
conteúdos difundidos nas suas plataformas web. Nas IES com website, em alguns casos, a
biblioteca e seus serviços não aparecem na sua pagina web (tabela 2), demonstrando, por
conseguinte, certo nível de secundarização da biblioteca universitária no contexto da IES. Este
fato indicia a localização periférica reservada à biblioteca no âmbito do planejamento
organizacional das IES moçambicanas, incluindo a ausência de políticas que visam transformar
a biblioteca universitária como instituição que contribui para a materialização da
aprendizagem nas universidades e/ou IES.
TABELA 2 – Instituições de Ensino superior que divulgam os serviços da biblioteca na Web
Instituições de ensino superior
IES com website IES sem website
N % N %
Públicas 07 23.3 05 16.7
Particulares 11 36.6 07 23.3
Sub-Total 18 59.9 12 40.0
Total 100
Fonte: dados da pesquisa
Entre as instituições de ensino superior que divulgam os serviços da biblioteca nos seus sites,
constatou-se que apenas seis (06) possuem programas e/ou atividades de formação de
usuários que, em tese, podem contribuir para potencializar a competência informacional dos
usuários, conforme a tabela 3.
TABELA 3 – IES com programas de formação de usuários
Instituições de ensino superior
IES com website IES sem website
N % N %
Públicas 03 16.6 04 22.2
Particulares 03 16.6 08 44.4
Sub-Total 06 33.3 12 66.6
Total 100
Fonte: dados da pesquisa
Considerando o conceito de competência informacional e tendo em conta os dados da
tabela 3, foi possível obter os seguintes dados ligados à competência informacional nas
bibliotecas universitárias de Moçambique:
ARTIGOS
RICI: R.Ibero-amer. Ci. Inf., ISSN 1983-5213, Brasília, v. 7, n. 1, p. 17-31, jan./jul. 2014.
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QUADRO 2 – Natureza de atividades de formação de usuários nas IES moçambicanas
IES com programas de
formação de usuários
Natureza das atividades
IES 1
Visita guiada, treinamento do uso do catálogo eletrônico, usa de
repositórios de informação, acesso à base de dados de periódicos
eletrônicos; apresentação de serviços da biblioteca;
IES 2
Treinamento de uso do catálogo eletrônico, acesso às bases de dados de
periódicos eletrônicos, acesso à informação na biblioteca virtual e nos
repositórios de informação de universidades com as quais tem parceria ou
convênio;
IES 3
Treinamento no uso de catálogo eletrônico, acesso às bases de dados de
periódicos eletrônicos, uso de ferramentas de aprendizagem e-learning,
como por exemplo, a plataforma Moodle
IES 4 Visita guiada e uso da biblioteca, treinamento de uso de base de dados de
periódicos eletrônicos;
IES 5 Vistas guiadas e uso da biblioteca e seus recursos informacionais
IES 6
Treinamento no uso de catálogo eletrônico, apresentação de serviços da
biblioteca, acesso às bases de dados de periódicos eletrônicos.
Fonte: dados da pesquisa
O QUADRO 2 mostra que as atividades desenvolvidas por maioria das IES
moçambicanas se circunscrevem no primeiro nível de competência informacional voltado para
a recuperação da informação em meios eletrônicos e digitais. Esse enfoque se enquadra na
concepção de informação descrita por Dudziak (2003), cujo enfoque está voltado para as
tecnologias de informação e não para o aprendizado. Quer dizer, as atividades de formação de
usuários existentes na maioria das bibliotecas universitárias moçambicanas centram-se na
concepção tradicional, enfatizando aspectos instrumentais que não contribuem para o
desenvolvimento cognitivo do sujeito. A mesma constatação foi observada por Varela et. al.
(2012) no trabalho apresentado no XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da
Informação (ENANCIB) que aponta o desenvolvimento incipiente da competência
informacional nas bibliotecas universitárias brasileiras. A conclusão das autoras, aplicável ao
contexto desta pesquisa, é de que:
[...] a biblioteca universitária brasileira apresenta tímidas e fragmentadas
ações no que se refere á formação do usuário, em decorrência,
provavelmente, da falta de políticas ministeriais e acadêmicas que
contemplem a biblioteca como mola propulsora da atividade acadêmico-
científica, essencial à inovação e criação e valorização do conhecimento.
(VARELA et. al., 2012).
Retomando a teoria, tendo como base Uribe Tirado (2009, 2012) que considera a
existência de quatro níveis de incorporação da competência informacional nas bibliotecas
universitárias, pode se concluir que nas IES moçambicanas estas atividades se encontram em
ARTIGOS
RICI: R.Ibero-amer. Ci. Inf., ISSN 1983-5213, Brasília, v. 7, n. 1, p. 17-31, jan./jul. 2014.
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dois níveis: nível macro de desconhecimento e nível intermediário de iniciação, conforme
ilustra a tabela.
7 CONCLUSÕES
Os resultados evidenciaram a integração incipiente de atividades que, teoricamente,
podem contribuir para o desenvolvimento da competência informacional. Esta constatação
pode ser associada à inexistência de pesquisas relacionadas com esta temática em contexto
nacional, que pudessem influenciar a mudança de paradigma de formação de usuários no país.
No entanto, a situação do país deve ser analisada tendo em conta o contexto global dos países
africanos, sobretudo, os da África Lusófona, cujas atividades de formação em competência
informacional se encontram em nível de desconhecimento e iniciação conforme a classificação
de Uribe Tirado.
As atividades existentes incidem sobre o aspecto instrumental das tecnologias de
informação, que está, intrinsecamente, relacionado à Política de Informática, documento
oficial com o qual o governo de Moçambique apresenta as diretrizes de inserção do país na
sociedade da informação. A aplicação acrítica dessas diretrizes tende a obscurecer outras
questões prementes da sociedade contemporânea ligadas à aprendizagem permanente ao
longo da vida, sobretudo a competência informacional, que potencializa dos sujeitos de senso
crítico e ético para uso das tecnologias de informação. Esta prática carece de aprofundamento
teórico e metodológico, através da integração dos princípios teóricos norteadores da
competência informacional. A integração destas atividades no currículo dos vários cursos das
universidades seria de mais valia, pois limitaria o isolamento institucional em que a biblioteca
se encontra. Ademais, pode contribuir para a colaboração contínua entre os bibliotecários e
professores no processo de aprendizagem do alunado da universidade.
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Full-text available
Thesis
The information society is a context caracterized by the production and exponential availabil-ity of information. This phenomenon requires that individuals develop informational compe-tence as a fundamental learning that enables the critical, ethical and reflective use of infor-mation. Librarians are an essential part of this process, and must be properly prepared for the dissemination of this topic.Tresearch aimed to investigate the different qualitative ways in which undergraduate students in Library and Information Science in Mozambique conceive information literacy in their academic activities and in their daily life. From a methodological standpoint, the study is descriptive and qualitative, and adopts phenomenography, which is a research approach that is concerned with mapping the people's conceptions about a particular phenomenon, so that they are organized into categories of description and into an space re-sults. This type of research follows an inductive logic, according to which, the categories of description emerge from the raw data of the research. Data collection was carried out based on an in-depth interview with students (22) from the fifth to the eighth semester of graduation in Library and Information Science at the Journalism Superior School (ESJ) and the School of Communication and Arts of the Eduardo Mondlane University (ECA / UEM), which are the two higher education institutions that offer such courses in Mozambique. Document analysis was also carried out, which consisted of the analysis of the Pedagogical Projects and curricu-lar plans of both institutions to analyze the integration of this topic in the curricula of these courses. From the interviews applied to the students, five qualitative ways (conceptions) were identified by which these students conceive information literacy, namely: i) Access and re-trieval of textual information in traditional environment; ii) use of ICT to access and retrieve information in digital context; iii) Selection and filtering of information; iv) information liter-acy as knowledge construction; v) information literacy as ethics and responsibility in the use of information. The document analysis showed the absence of specific disciplines or content of information literacy in curricular plans of both institutions. Thus, it was concluded that the conceptions that were expressed by the students can be fundamental to assist the insertion of information literacy in the curricula of Library and Information Science courses of both insti-tutions. On the other hand, it is believed that these results can contribute to the identification of the gaps in the philosophical formulation in political and pedagogical projects, and may help to reformulate them.
Full-text available
Article
Comenzamos nuestro viaje con la visión de Bush de un científico liberado de la sobre-carga de información y estimulado hacia nuevos y creativos descubrimientos: “Sus manos están libres, no está atado. Mientras se desplaza y observa, toma foto-grafías y comenta... Si sale al campo puede estar conectado por radio a su graba-dora. Al repasar sus notas por la noche, vuelve a grabar sus comentarios en la grabadora” (Bush, 1945). Hemos señalado que la solución de Bush ha sido hecha realidad, pero no sólo para los científicos sino para muchos ciudadanos. Sin embargo, las nuevas tecnologías han traído consigo nuevas necesidades y responsabilidades. El agobiado ciudadano de hoy día sabe que con la libertad del Internet móvil, el podcasting y el moblogging, llega también la obligación de comunicarse adecuadamente en diferentes medios, mantenerse en contacto, actualizarse y responder con acierto. Hemos justificado que el reconocimiento y la aceptación de la alfabetización informacional en términos de un conocimiento base y un currícu-lum es un modo necesario de apoyar a los ciudadanos en la sociedad de la información. Si esto es una utopía, creemos que es una utopía necesaria. Nota: Este trabajo esta basado en trabajo básico enviado por los autores a la conferencia de WILU que tuvo lugar en Canadá, en mayo de 2005: <http://dis.shef.ac.uk/literacy/adelaidewebber-johnston.pdf>.
Article
A atuação do bibliotecário como líder, agente de transformação e promotor da competência em informação é explorada neste trabalho. Também são examinadas as questões em torno da importância da ciência, tecnologia e inovação como fatores decisivos ao desenvolvimento sustentável das nações, em uma realidade cada vez mais complexa. O despertar da consciência do bibliotecário refere-se a uma mudança em seus modelos mentais rumo a uma atuação de liderança social e educacional relativa ao emponderamento das pessoas, com base na competência em informação (information literacy), o aprender a aprender (learn to learn) e o aprendizado ao longo da vida (lifelong learning). O papel social e educacional do bibliotecário que promove a competência em informação torna-se a chave ao desenvolvimento sócio-econômico sustentado porque está diretamente ligado à inclusão social. A incorporação e mobilização de atitudes, conhecimentos e habilidades direcionadas ao exercício pleno da cidadania é o coração da inclusão social e da sustentabilidade. Também inclui a aceitação das diferenças, a valorização da diversidade, o direito de pertencer e buscar a constante melhoria de si mesmo e da sociedade. Os bibliotecários tornam-se mediadores pedagógicos e agentes educacionais de transformação social. Palavras-chave: competência em informação; bibliotecário; inclusão social; complexidade.
Article
The shift in focus from teaching to learning in higher education can be paralleled in the shift from bibliographic instruction to information literacy. This move has resulted in a change of role from librarians as service providers to educators. This paper argues that in order to facilitate students' ?getting of wisdom?, librarians who design and deliver information literacy programs should see themselves as teachers rather than trainers. It compares the role of the school teacher-librarian with that of the academic teaching librarian. The implications of a dominant training paradigm result in the reduction of information literacy to lower order surface learning. Support for teaching librarians is crucial in changing roles and self-image.
Article
This review of the research literature describes and discusses functional/information literacy in the age of computers and the resulting "information explosion," together with means by which students can become competent information users in the future and be enabled to lead productive, meaningful lives. Defined as comprising library skills and computer literacy, information literacy is discussed in relationship to school media centers, which have become key places for integrating skills and resources with subjects across the curriculum, and allowing students to develop proficiency in inquiry. This study summarizes information technologies useful in schools and reviews international information literacy programs to provide insights into ways that administrators, teachers, and library media specialists can work together to prepare students to meet the challenges of the information age. Included in the discussion are (1) definitions and characteristics of information literacy; (2) the library media center as information center; (3) integrating information skills with the curriculum; (4) information technologies in schools; and (5) means of achieving information literacy. It is concluded that competent use of information can offer beneficial results to society-at-large, and that, conversely, information illiteracy can cause harm to individuals and to society. (75 references) (CGD)
URIBE TIRADO, Alejandro. La alfabetización informacional en la universidad: Descripción y categorización según los niveles de integración de ALFIN -Caso Universidad de
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Potencializando a atitude científica mediante o desenvolvimento de competências informacionais: missão da biblioteca universitária
  • Aida Varela
  • Varela
VARELA, Aida Varela et al. Potencializando a atitude científica mediante o desenvolvimento de competências informacionais: missão da biblioteca universitária. In ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 13, Rio de Janeiro, 2012. Anais... ENANCIB, Rio de Janeiro, 2012.
Sub Saharan Africa Information Literacy State-of-the-Art Report
  • Fidzani
  • T Babbakisi
FIDZANI, Babbakisi T. "Sub Saharan Africa Information Literacy State-of-the-Art Report". In Jesus Lau. Information literacy: an international state-of-the-art report. Boca del Rio: UNESCO, 2006.
Boletim da República nº 052, I Série, 8º Supl. de 31 de Dezembro de
  • Moçambique
  • Decreto
MOÇAMBIQUE. Decreto n° 64/2007. In: Boletim da República nº 052, I Série, 8º Supl. de 31 de Dezembro de 2007, pág. 786 -(104) a 786 -(106). Maputo: Imprensa Nacional, 2007.
  • American
  • Association
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Presidential Comittee on Information Literacy. Final report. Chicago, 1989. Disponível em: http://www.ala.org/acrl/publications/whitepapers/presidential> Acesso em: Set. 2012.