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Abstract

Este estudo se refere a uma vertente da pesquisa intitulada "Contexto, situação e perspectivas dos acervos bibliográficos raros pertencentes às bibliotecas gaúchas" e traz as interpretações das questões relacionadas às políticas de segurança e salvaguarda dos acervos raros das bibliotecas universitárias gaúchas (o que constitui o Subprojeto 1-Contexto, situação e perspectivas dos acervos bibliográficos raros pertencentes às bibliotecas universitárias gaúchas, tema deste trabalho).
Universidade Federal do Rio Grande - FURG
17ª Mostra da Produção Universitária - MPU
Rio Grande/RS, Brasil, 01 a 03 de outubro de 2018
ISSN: 2317-4420
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ACERVOS RAROS PERTENCENTES ÀS UNIVERSIDADES GAÚCHAS E SUAS
POLÍTICAS DE SEGURANÇA E SALVAGUARDA
VIAN, Alissa E.
TEIXEIRA, Heytor D.
RODRIGUES, Marcia (orientadora)
alissinhavian@hotmail.com
Universidade Federal do Rio Grande - FURG
Palavras-chave: Acervos raros; Bibliotecas universitárias; Segurança; Salvaguarda;
Rio Grande do Sul.
1 INTRODUÇÃO
Faz parte da missão das bibliotecas universitárias prover infraestrutura
bibliográfica, documental e informacional para apoiar as atividades acadêmicas,
buscando centrar seus objetivos nas necessidades de informação dos indivíduos,
membros da comunidade universitária. Como suportes à produção de conhecimento,
devem, portanto, assumir uma política de preservação dos acervos raros, visto que,
por meio desta documentação, desenvolvem-se pesquisas que trazem benefícios para
o futuro e se resgatam elementos da história cultural de um povo. Portanto, a principal
preocupação da biblioteca universitária, no que diz respeito aos acervos raros, deve
ser a de conservar esta parcela do patrimônio documental bibliográfico, tornando-o
acessível ao público.
Este estudo se refere a uma vertente da pesquisa intitulada “Contexto, situação
e perspectivas dos acervos bibliográficos raros pertencentes às bibliotecas gaúchas”
e traz as interpretações das questões relacionadas às políticas de segurança e
salvaguarda dos acervos raros das bibliotecas universitárias gaúchas (o que constitui
o Subprojeto 1 - Contexto, situação e perspectivas dos acervos bibliográficos raros
pertencentes às bibliotecas universitárias gaúchas, tema deste trabalho).
Percebe-se que existem, no Brasil, universidades preocupadas em
salvaguardar a memória cultural, patrimonial e social presente nas coleções de obras
raras, reconhecendo e valorizando a sua importância histórica. Contudo, a vida útil
destas coleções pode estar comprometida por alguns agentes de risco que colocam
em pauta a segurança desses acervos, sem contar a possível falta de preparo dos
profissionais responsáveis em lidar com materiais especiais.
Para garantir a segurança das coleções de obras raras e na tentativa de
prolongar sua vida útil, encontra-se a necessidade de criação de políticas de segurança
e salvaguarda ou a garantia de permanência destas. Os gestores devem salvaguardar
estas obras contra os riscos de roubo e agentes de deterioração para que continuem
vivas na memória e, principalmente, disponíveis ao acesso e à pesquisa.
Antes da preparação das medidas de segurança, é importante conhecer de
maneira mais completa o prédio físico (edifício) e todas as suas particularidades,
incluindo o espaço da biblioteca e do seu acervo, analisando e reconhecendo os riscos
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do local. Através dessa análise aprofundada, o plano de contenção de riscos, além de
servir para a segurança do patrimônio, serve para a segurança das pessoas, tanto
funcionários, quanto usuários.
A etapa de análise dos riscos permite que os profissionais bibliotecários
construam planos mais efetivos para as suas unidades de informação, especificamente
para a proteção de suas coleções, trabalhando de maneira mais objetiva e atacando
diretamente as fontes dos agentes que põem em risco a preservação do seu acervo.
Segundo Castro (2007, p. 169):
A análise de risco consiste em efetuar uma rigorosa vistoria nas instalações
[...] com o objetivo de serem identificados todos os riscos e vulnerabilidades
existentes no local. Este procedimento proporcionará subsídios consistentes
para a elaboração e proposição de soluções específicas e adequadas para
cada situação. Devem ser observados e analisados nesta etapa, fatores que
venham a inserir riscos ao ambiente físico como, energia elétrica, sistema de
climatização, controle de acesso, sistema de detecção de incêndio [...]
Conforme comentam os autores da área, um plano de emergência e
planejamento são vitais para a salvaguarda do acervo. Sob o ponto de vista
econômico, é coerente identificar as ameaças, pois em decorrência de um desastre,
os prejuízos podem ser maiores, sejam eles financeiros ou humanos.
De acordo com Spinelli e Pedersoli Jr. (2010), para combater os riscos, existem
cinco estágios de controle que são capazes de reprimir os agentes de riscos das
bibliotecas, protegendo assim todo o patrimônio social, cultural e histórico presente nas
obras raras. Os cinco estágios são: evitar, bloquear, detectar, responder e recuperar,
e devem ser analisados juntamente com os dez agentes de deterioração, a saber:
forças físicas, criminosos, fogo, água, pragas, poluentes, luz e radiação UV e IR,
temperatura incorreta, umidade relativa incorreta e dissociação; descobrindo assim
qual a capacidade de prevenção e qual a resposta da instituição em uma situação de
desastre, evidenciando quais são as fragilidades da biblioteca.
2 METODOLOGIA
O subprojeto de pesquisa “Contexto, situação e perspectivas dos acervos
bibliográficos raros pertencentes às universidades gaúchas” teve seu início no
segundo semestre de 2017. Trata-se de uma pesquisa do tipo exploratória e descritiva,
de abordagem quanti-qualitativa. Iniciou seus procedimentos metodológicos com o
levantamento da literatura da área da Biblioteconomia de livros raros, sendo este
material primordial para a interpretação das informações provenientes da coleta de
dados. O levantamento das universidades do Estado do Rio Grande do Sul foi
realizado por meio de uma pesquisa na Internet, bem como suas respectivas
bibliotecas centrais e e-mails dos bibliotecários responsáveis. Num primeiro contato,
foi verificada a existência de acervo raro na instituição, bem como a disponibilidade de
participação na pesquisa. Concomitantemente, elaborou-se o instrumento de coleta de
dados: um questionário contendo dezesseis questões semifechadas, sendo algumas
de múltipla escolha. Este foi submetido a teste-piloto e, após ajustes, foi enviado a
todas as instituições que confirmaram dispor de coleções de livros raros em meio aos
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seus acervos. Obtidas as respostas, foi realizada a tabulação das mesmas em software
Excel. Para este trabalho, foram selecionadas as questões referentes às políticas de
segurança e salvaguarda dos acervos (especificamente, as questões 12, 13 e 14 do
questionário).
3 RESULTADOS e DISCUSSÃO
A pesquisa na Internet revelou 19 universidades no Estado do Rio Grande do
Sul, sendo que dessa totalidade, 07 não possuem acervo raro e 12 bibliotecas
universitárias possuem esse tipo de acervo. Quanto às medidas de conservação
adotadas, percebe-se que o controle de temperatura é a medida mais utilizada (06
bibliotecas), seguido do controle de umidade (04) e o controle de pragas e infestações
(04). Chama a atenção o fato de somente 01 instituição ter respondido adotar medidas
de proteção contra incêndio. Dentre as duas instituições que responderam adotar
outros procedimentos além dos elencados, uma respondeu que realiza esterilização
do ar e a outra que mantém a coleção em sala fechada.
Em relação às medidas de segurança adotadas, percebe-se o predomínio na
utilização de dispositivo antifurto pelas bibliotecas (04), seguido de câmera(s) de
segurança (03). Duas instituições relataram não adotar medidas de segurança. Uma
instituição possui seguro contra sinistros e uma relatou utilizar outro tipo de
procedimento: o acervo fica em sala fechada. É necessário salientar, ainda, que três
instituições deixaram a questão em branco.
Quando questionadas sobre a existência de um regulamento que oriente o uso
das coleções de obras raras, observa-se que das 12 bibliotecas universitárias, 06 não
possuem regulamento específico; 05 possuem regulamento para orientação do uso
da coleção de obras raras; e 01 biblioteca não respondeu.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entende-se, ao observar as respostas dadas pelas instituições participantes da
pesquisa, que os responsáveis, muitas vezes pela falta de incentivo por parte das
universidades, adaptam-se e protegem seus acervos de maneira reativa, utilizando o
tratamento de risco mais emergencial para o seu acervo.
Conclui-se que a aplicação dos procedimentos disponíveis para o tratamento de
riscos por parte das bibliotecas, no momento, não é efetiva, uma vez que ficaram
evidentes as lacunas em seus processos de proteção aos acervos de que são
depositárias. Percebe-se que há margem para a manifestação dos riscos onde não há
controle, comprometendo o estado de conservação e a vida útil das coleções.
5 REFERÊNCIAS
CASTRO, A. M. et al. Arquivos: físicos e digitais. Brasília: Thesaurus, 2007.
SPINELLI, J.; PEDERSOLI JR., J. L. Biblioteca Nacional: plano de gerenciamento
de riscos: salvaguarda & emergência. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional,
2010. Disponível em: <https://goo.gl/W8MNBS>. Acesso em: 10 maio 2018.
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