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A Internet e a Rua: ciberativismo e mobilização nas redes sociais

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Hoje, numa Internet 2.0, um novo ciclo de lutas renasce a partir das ocupações e dos protestos de rua no Brasil e no mundo. As pessoas acampam em praças, acampam em ruas, acampam em assembleias legislativas, ao mesmo tempo tuítam, filmam, postam tais atos, gerando comoção e emoção nos seus seguidores e amigos nas redes sociais. Os protestos no Brasil e no mundo permitiram que a hipótese central deste livro se confirmasse: rua e rede se interpenetram e fazem emergir uma política colaborativa, direta e em tempo real. E possui relação intrínseca com as práticas de compartilhamento peer-to-peer, abertas pelas gerações ciberativistas das comunidades virtuais e grupos de discussão dos anos 80; pela radical cultura hacker do vazamento de códigos e informações que amplia o livre fluxo da informação; e pelas teias das páginas públicas virtuais da WWW. Se a globalidade se definia como a submissão de uma totalidade aberta e irrefreável às regulações conservadoras da preservação e do consenso, a participação e o compartilhamento revelam os novos fundamentos para a construção de uma mundialização ativa e afirmativa das singularidades de sua vasta multidão. A essas mutações - política e midiática - que este livro se dedica.
... Os coletivos de comunicação são influenciados pelas ideias de indymedia -a mídia alternativa que desde o final do século XX acompanhava movimentos sociais e questionava a mídia convencional, o capitalismo e hierarquias, usando as TICs para instituir coberturas paralelas de eventos, com sites abastecidos de forma colaborativa por jornalistas independentes e ativistas (Poell & Borra, 2012;Malini & Antoun, 2013;Rovai, 2018). ...
... Para o autor, midiativismo representaria um laboratório de experimentos de modelos sociais, atuando na construção de subjetividades políticas, com o midiativista sendo uma nova figura social, que experimentaria formas de autogestão de comunicação (Pasquinelli, 2002). Essa experiência traz a potência de "emancipar" a comunicação de mero transporte de informações, permitindo o uso da mídia em defesa de causas que unem os participantes (Malini & Antoun, 2013). ...
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This study investigates actors of media activism movements, with emphasis on communication collectives and Mídia Ninja - acronym for Independent Narratives, Journalism and Action - which erupted in 2013, along with large street demonstrations in Brazil, and became a model for other media activist initiatives. Using as main methodologies in-depth interviews and direct observation, we propose a list of differentials that characterize the collective model of these media agents (collaborative practice, tendency to horizontality, non-neutral narrative), and exclusive aspects of Mídia Ninja (collective houses and funding). It is concluded that these differentials stimulate the emergence of values in those settings, which are important for understanding how these agents act and keep their participants engaged
... Os coletivos de comunicação são influenciados pelas ideias de indymedia -a mídia alternativa que desde o final do século XX acompanhava movimentos sociais e questionava a mídia convencional, o capitalismo e hierarquias, usando as TICs para instituir coberturas paralelas de eventos, com sites abastecidos de forma colaborativa por jornalistas independentes e ativistas (Poell & Borra, 2012;Malini & Antoun, 2013;Rovai, 2018). ...
... Para o autor, midiativismo representaria um laboratório de experimentos de modelos sociais, atuando na construção de subjetividades políticas, com o midiativista sendo uma nova figura social, que experimentaria formas de autogestão de comunicação (Pasquinelli, 2002). Essa experiência traz a potência de "emancipar" a comunicação de mero transporte de informações, permitindo o uso da mídia em defesa de causas que unem os participantes (Malini & Antoun, 2013). ...
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O livro “Organizações e Movimentos Periféricos nas Redes Digitais Ibero-Americanas” é um esforço coletivo para retratar diferentes aspectos da atuação de forças sociais no ambiente virtual, sob o prisma das periferias, conceito em plena construção, como ressalta a investigadora Mara Rovida (2020). Estudos geográficos e sociológicos atrelam periférico/a à regiões e a indivíduos afastados dos centros urbanos e dos equipamentos sociais, marcados pela pobreza e segregação (D’Andrea, 2013). Essa mesma periferia geraria uma noção identitária de quem produz o território (Santos, 2002), a ponto de ser um local em potência, dada a dinâmica social poderosa realizada por seus sujeitos periféricos (D’Andrea, 2020). No que se refere à comunicação social, as periferias deteriam o potencial do que Rovida chama de diálogo social solidário nas bordas urbanas, (2020. 6), uma reinterpretação da Solidariedade Orgânica (Durkheim, 1977, in 2004), em dinâmica de cooperação necessária ou interdependência, e da prática jornalística como forma de interação social, ação coletiva e dependente da interação entre sujeitos (Medina, 2014).
... Os coletivos de comunicação são influenciados pelas ideias de indymedia -a mídia alternativa que desde o final do século XX acompanhava movimentos sociais e questionava a mídia convencional, o capitalismo e hierarquias, usando as TICs para instituir coberturas paralelas de eventos, com sites abastecidos de forma colaborativa por jornalistas independentes e ativistas (Poell & Borra, 2012;Malini & Antoun, 2013;Rovai, 2018). ...
... Para o autor, midiativismo representaria um laboratório de experimentos de modelos sociais, atuando na construção de subjetividades políticas, com o midiativista sendo uma nova figura social, que experimentaria formas de autogestão de comunicação (Pasquinelli, 2002). Essa experiência traz a potência de "emancipar" a comunicação de mero transporte de informações, permitindo o uso da mídia em defesa de causas que unem os participantes (Malini & Antoun, 2013). ...
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O livro “Organizações e Movimentos Periféricos nas Redes Digitais Ibero-Americanas” é um esforço coletivo para retratar diferentes aspectos da atuação de forças sociais no ambiente virtual, sob o prisma das periferias, conceito em plena construção, como ressalta a investigadora Mara Rovida (2020). Estudos geográficos e sociológicos atrelam periférico/a à regiões e a indivíduos afastados dos centros urbanos e dos equipamentos sociais, marcados pela pobreza e segregação (D’Andrea, 2013). Essa mesma periferia geraria uma noção identitária de quem produz o território (Santos, 2002), a ponto de ser um local em potência, dada a dinâmica social poderosa realizada por seus sujeitos periféricos (D’Andrea, 2020). No que se refere à comunicação social, as periferias deteriam o potencial do que Rovida chama de diálogo social solidário nas bordas urbanas, (2020. 6), uma reinterpretação da Solidariedade Orgânica (Durkheim, 1977, in 2004), em dinâmica de cooperação necessária ou interdependência, e da prática jornalística como forma de interação social, ação coletiva e dependente da interação entre sujeitos (Medina, 2014).
... No campo dos movimentos sociais (Gohn, 1995(Gohn, , 2011, a difusão paralela ao redor do mundo das mídias sociais digitais e da agitação social tem suscitado questionamentos sobre a relação delas no desenvolvimento de protestos, dissidências e outras formas de política contenciosa nas redes de comunicação digital distribuída. Uma das discussões trata da nova estrutura de organização social, as comunidades virtuais (Rheingold, 2004), que rompeu com o ativismo social que vinha sendo realizado no campo comunicacional (Malini & Antoun, 2013). ...
... Alguns autores se referem ao ciberativismo como toda ação realizada online por usuários, que visa encaminhar os esforços coletivos para a mudança social (Earl et al., 2010); como a utilização da internet em ações por movimentos politicamente motivados (Vegh, 2003;Denning, 2001), visando ao alcance de metas tradicionais ou o embate com as injustiças que ocorrem na própria rede (Rigitano, 2005); como conjunto de práticas em defesa de causas políticas, socioambientais, sociotecnológicas e culturais que são realizadas nas redes cibernéticas, em especial na internet (Silveira, 2010); como movimentos sociais interconectados em rede (Langman & Morris, 2002); como estratégias de alteração da agenda pública mediante difusão de significados e propagação pelos meios de comunicação e publicação eletrônica pessoal (Ugarte, 2007); como biopolítica da rede (Malini & Antoun, 2013); como net-ativismo, que se articula como maximização de possibilidades de autonomia, processos de sustentabilidade e de criatividade (Di Felice, 2013). ...
... No campo dos movimentos sociais (Gohn, 1995(Gohn, , 2011, a difusão paralela ao redor do mundo das mídias sociais digitais e da agitação social tem suscitado questionamentos sobre a relação delas no desenvolvimento de protestos, dissidências e outras formas de política contenciosa nas redes de comunicação digital distribuída. Uma das discussões trata da nova estrutura de organização social, as comunidades virtuais (Rheingold, 2004), que rompeu com o ativismo social que vinha sendo realizado no campo comunicacional (Malini & Antoun, 2013). ...
... Alguns autores se referem ao ciberativismo como toda ação realizada online por usuários, que visa encaminhar os esforços coletivos para a mudança social (Earl et al., 2010); como a utilização da internet em ações por movimentos politicamente motivados (Vegh, 2003;Denning, 2001), visando ao alcance de metas tradicionais ou o embate com as injustiças que ocorrem na própria rede (Rigitano, 2005); como conjunto de práticas em defesa de causas políticas, socioambientais, sociotecnológicas e culturais que são realizadas nas redes cibernéticas, em especial na internet (Silveira, 2010); como movimentos sociais interconectados em rede (Langman & Morris, 2002); como estratégias de alteração da agenda pública mediante difusão de significados e propagação pelos meios de comunicação e publicação eletrônica pessoal (Ugarte, 2007); como biopolítica da rede (Malini & Antoun, 2013); como net-ativismo, que se articula como maximização de possibilidades de autonomia, processos de sustentabilidade e de criatividade (Di Felice, 2013). ...
... Movimentos, como o das ocupações das escolas, ajudam a observar como os avanços tecnológicos e a ampliação do uso da internet por parte da população têm gerado impactos sobre as relações sociais, políticas e culturais (Antoun & Malini, 2013;Castells, 2013;Lévy, 2000), e contribuído, de maneira especial, aos movimentos sociais do século XXI, para o fortalecimento das articulações e estratégias de visibilidade, na reconfiguração de formas de organização e de ações (Gohn, 2010). ...
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O acesso às redes digitais tem se disseminado pelo mundo, devido à popularização dos aparelhos de comunicação móveis, e não tem sido diferente no Brasil, onde a maioria da população jovem usa a internet diariamente (CEPAL, 2018). Dentro das redes e fora das escolas, parte desses jovens, por outro lado, não tem ingressado ou concluído a universidade ou qualquer outra instituição regular de ensino (IBGE, 2018). Diante desse descompasso entre a presença dos jovens nos ambientes digitais e sua relação com a educação formal, realizamos esta pesquisa bibliográfica, a partir de fontes secundárias, com o objetivo de identificar os usos que os jovens têm feito dos aparelhos digitais conectados, especialmente para analisar os modos como ocupam o ciberespaço para participar, mobilizar, articular e dar visibilidade a suas causas e demandas. A partir daí, buscamos caracterizar o jeito hacker de ser, identificando conexões entre essas formas de participação ciberativista, a cultura hacker e a educação. Como resultados das análises, destacamos que: redes digitais têm sido (também) palco de participação, mobilização e articulação de jovens ciberativistas e vêm sendo utilizadas para confrontar a política partidária tradicional; a atuação ciberativista de jovens e o movimento inspirado pela cultura e ética hacker possuem pontos de conexão, como a autogestão, o compartilhamento, o engajamento, a mobilização, o empoderamento e a apropriação tecnológica. Concluímos que a educação com jeito hacker de ser, inspirada pela atuação ciberativista de jovens, pode fomentar o engajamento e a participação em um contexto educacional mais aberto, criativo, crítico, compartilhado e emancipatório.
... Monteiro (2013) also noted that fans of this band hosted a bazaar to exchange and donate colorful pairs of jeans for people who could not buy it, using Twitter contacts and live meetings. Both examples help us to understand how this kind of negotiations and practices revolving micro-politics and celebrities are still new and underestimated in the country, even though social media networks are highly used in the country as scholars have pointed out such as Malini & Antoun (2013) have pointed out. Brough & Shresthova (2012) highlight four points for understanding fan activism: 1) it lies at the intersection of cultural and political participation; 2) the tension between participation and resistance; 3) affect and its role mobilizing civic participation; 4) the impacts of 'fanstyle' mobilizations. ...
Article
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Fan activism is a form of resistance from a creative and cultural perspective. In this article, we seek to reflect upon the mobilization of these groups of fans in support of their idols, and to discuss how the search for intimacy and closeness in the relationship between celebrities and their fans fosters a number of activities that shape, (re) define and transcend the boundaries of fandom. Based on a theoretical reflection of these phenomena and the discussion of everyday examples, we note how the rich universe of digital practices and its productions-fanfics, fanvids, fanzines, etc.-produce sociocultural events such as the 'rolezinho' (going or hanging out.), crowdfunding, fanmades at demonstrations, offering new meanings to what we understand as resistance and questioning the duality between the 'world of consumption and pop culture' and the 'world of active citizenship'. This paper discusses modes of 'fan activism' as a means of social mobilization (Bennett, 2012) and also political participation (Brough and Shresthova, 2012) in the Brazilian context
... Nas últimas décadas presenciou-se globalmente exemplos de ciberativismo -como o Movimento Zapatista, a Batalha de Seattle, a Primavera Árabe e o 15-M -endossados pela comunicação distribuída em redes. A cibercultura (LEMOS, 2002;LÉVY, 2010) permite o surgimento das comunidades virtuais povoadas por multidões integradas em forma de rede no ciberespaço e, sobre este cenário, é possível o aparecimento de disputas de narrativas com a intenção de conquistar a opinião pública (MALINI, 2013). Contudo, ao mesmo tempo em que induz uma certa emancipação social, a internet passou a significar também o desmantelamento das liberdades, "[...] favorecendo a fragmentação das ideologias, fortalecendo Estados totalitários e lideranças que aspiram a derrocada das democracias, bem como consolidando a supremacia dos mercados sobre a sociedade" (MOROZOV apud SILVEIRA, 2015, p. 214). ...
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Face à emergência de uma categoria cultural que estamos denominando como estudante conectado, refletimos sobre compartilhamento de conteúdo educacional na forma de um novo gênero midiático denominado studygram. Esse fenômeno usa como plataforma o aplicativo para smartphones Instagram, o qual observamos a partir de alguns parâmetros sobre cultura visual pensados por Lev Manovich (2017). Evidenciamos a promoção de certas formas de estudar nesse fluxo de comunicação, sociabilidade e consumo que se complementa ao ambiente escolar. Discutimos como o consumo material se entrelaça ao contexto das práticas de estudar por meio de um formato de marcado apuro estético e ênfase na habilidade manual para a confecção de materiais de estudo. Para embasar a discussão, servimo-nos dos aportes de autores de referência nos estudos do consumo, tais como Featherstone, Douglas e Isherwood; e da comunicação em rede, como Lemos, Primo e Recuero, dentre outros.
... Nas últimas décadas presenciou-se globalmente exemplos de ciberativismo -como o Movimento Zapatista, a Batalha de Seattle, a Primavera Árabe e o 15-M -endossados pela comunicação distribuída em redes. A cibercultura (LEMOS, 2002;LÉVY, 2010) permite o surgimento das comunidades virtuais povoadas por multidões integradas em forma de rede no ciberespaço e, sobre este cenário, é possível o aparecimento de disputas de narrativas com a intenção de conquistar a opinião pública (MALINI, 2013). Contudo, ao mesmo tempo em que induz uma certa emancipação social, a internet passou a significar também o desmantelamento das liberdades, "[...] favorecendo a fragmentação das ideologias, fortalecendo Estados totalitários e lideranças que aspiram a derrocada das democracias, bem como consolidando a supremacia dos mercados sobre a sociedade" (MOROZOV apud SILVEIRA, 2015, p. 214). ...
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Face à emergência de uma categoria cultural que estamos denominando como estudante conectado, refletimos sobre compartilhamento de conteúdo educacional na forma de um novo gênero midiático denominado studygram. Esse fenômeno usa como plataforma o aplicativo para smartphones Instagram, o qual observamos a partir de alguns parâmetros sobre cultura visual pensados por Lev Manovich (2017). Evidenciamos a promoção de certas formas de estudar nesse fluxo de comunicação, sociabilidade e consumo que se complementa ao ambiente escolar. Discutimos como o consumo material se entrelaça ao contexto das práticas de estudar por meio de um formato de marcado apuro estético e ênfase na habilidade manual para a confecção de materiais de estudo. Para embasar a discussão, servimo-nos dos aportes de autores de referência nos estudos do consumo, tais como Featherstone, Douglas e Isherwood; e da comunicação em rede, como Lemos, Primo e Recuero, dentre outros.
... Trata-se de uma leitura que enfatiza a política vista do cotidiano do cidadão comum e que está orientada a pensar o ativismo em seu sentido ampliado, como uma forma de interação. Não à toa os autores compartilham referencias com o universo de pesquisas focado nas práticas normalmente descritas como hacktivismo (Wray, 1998;Malini & Antoun, 2013). ...
Conference Paper
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Este trabalho avalia se e em que medida novas formas de engajamento social e político no ambiente das mídias digitais, como os vomitaços-séries de ciberprotestos contra o impeachment ocorridos em 2016-, dialogam com os problemas tradicionais da ação coletiva. Levantamos como hipóteses de pesquisa que estes protestos não apenas se constituiriam como ações coletivas, mas possuem dinâmicas próprias, trazem oportunidades de letramento político aos envolvidos e dificultam a repressão estatal. Para desenvolver estas hipóteses, combinamos dados obtidos através de monitoramento das ações do grupo e das estatísticas de acesso à página a entrevistas com as lideranças do Vomitaço. Palavras-Chave: Internet e política. Ciberativismo. Vomitaço. Abstract: This paper aims to evaluate if and in what sense can new ways of social and political engagement in digital media, like the 'vomitaços'-series of cyberprotests against the impeachment that took place in 2016-, dialogues with traditional problems of collective action. We raised as research hypotheses that these protests not only constitute collective actions, but have some peculiarities, bring opportunities of political literacy to its members and difficult State supression. To develop these hypotheses, we combined data obtained through monitoring the actions of the group and the Facebook fanpage stats with interviews with its leaderships.
... Já investigamos o impacto das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) na atuação do movimento e como a cibercultura transformou a divulgação das problemáticas ambientais, proporcionando mais alcance, notoriedade e imersão em estratégias de ciberativismo e na esfera midiativista. Lemos as práticas ciberativistas enquanto táticas de lutas que usam as ferramentas altamente replicáveis da internet para difusão de informações, que envolvem, por exemplo, petições eletrônicas, culture jamming 1 , artivismo, comunicação de guerrilha, entre outras propostas em que a tônica é difundir as mensagens e subverter os códigos contemporâneos (Malini & Antoun, 2013), em uma ótica de operacionalização das pautas reivindicatórias. ...
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Apresentamos um artigo de natureza reflexiva e factual, em uma circunstância de emergência, que parte de investigações anteriores sobre a comunicação em rede do movimento ambiental, e de uma leitura contemporânea sobre o midiativismo socioambiental, para discutir as estratégias comunicativas frente a um cenário de ataques diretos ao trabalho realizado por organizações ambientalistas. Nesse sentido, propomos uma discussão teórica alinhada a uma pesquisa exploratória sobre as possibilidades midiativistas, ancoradas nas práticas comunicativas de dois atores sociais desse campo ambiental Greenpeace Brasil e Instituto Socioambiental, para avaliar como respondem (ou não) às afrontas governamentais. Para além de entender as transformações dos ativismos, debater as propostas atuais e propor encaminhamentos, ensaiamos o manifesto: o que resta ao midiativismo socioambiental?
... Nas últimas décadas presenciou-se globalmente exemplos de ciberativismo -como o Movimento Zapatista, a Batalha de Seattle, a Primavera Árabe e o 15-M -endossados pela comunicação distribuída em redes. A cibercultura (LEMOS, 2002;LÉVY, 2010) permite o surgimento das comunidades virtuais povoadas por multidões integradas em forma de rede no ciberespaço e, sobre este cenário, é possível o aparecimento de disputas de narrativas com a intenção de conquistar a opinião pública (MALINI, 2013). Contudo, ao mesmo tempo em que induz uma certa emancipação social, a internet passou a significar também o desmantelamento das liberdades, "[...] favorecendo a fragmentação das ideologias, fortalecendo Estados totalitários e lideranças que aspiram a derrocada das democracias, bem como consolidando a supremacia dos mercados sobre a sociedade" (MOROZOV apud SILVEIRA, 2015, p. 214). ...
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In a context of questioning the credibility of media and scientific institutions, characterized by the notion of “Iepistemology” (VAN ZOONEN, 2012), as well as “informational excess” (TANG and LIU, 2015), this article aims to investigate the perceptions of mothers about sources of information they understand to be reliable, based on an empirical exploratory research conducted on an online Facebook group called “Desconstruindo a maternidade” (DAM), translated as “Deconstructing Motherhood”in English. Three axes of discussion are proposed regarding: a) the reasons for creating the group and being part of it; b) the sources of information and reliability criteria for social media and profiles; and c) the sharing of intimate experiences. The findings indicate that mothers' personal narratives are central to creating a sense of trust among the group’s participants, allied with the medical discourse, which is highly valued. It is noted that the sharing of intimacy seems to be a valued capital in the establishment of relationships inside DAM. By selecting which aspects of their maternal experiences they expose and for what purposes, the members of the group build an intimacy that can be understood as partial, negotiated, directed and suspicious. Dynamics that integrate with the cultural, mediatic and historical context in which such narratives are produced. // RESUMO: Em um contexto de questionamento da credibilidade de instituições midiáticas e científicas, marcado pela noção da “eu-pistemologia” (VAN ZOONEN, 2012), bem como o “excesso informacional” (TANG e LIU, 2015), este artigo objetiva investigar as percepções de mães sobre fontes de informação por elas entendidas enquanto confiáveis, tendo como base empírica pesquisa de cunho exploratório realizada em um grupo online do Facebook intitulado “Desconstruindo a maternidade” (DAM). São propostos três eixos de discussão sobre: a) razões de criação e entrada no grupo; b) fontes de informações e critérios de confiabilidade para mídias sociais e perfis; e c) compartilhamento de experiências íntimas. As conclusões indicam que as narrativas pessoais das mães são centrais para criar uma sensação de confiança dentre as participantes do grupo, aliadas ao discurso médico, que possui alto valor. Nota-se, também, que o compartilhamento da intimidade parece ser um capital valorizado no estabelecimento das relações no DAM. Ao selecionarem quais aspectos de suas vivências maternas expõem e com quais fins, as integrantes do grupo constroem uma intimidade que pode ser entendida como parcial, negociada, direcionada e desconfiada. Dinâmica que se integra ao contexto cultural, midiático e histórico em que tais narrativas são produzidas.
... A equipe é formada exclusivamente por profissionais mulheres, dividida em nove regulares -entre diretoras, redatoras e repórteres -e seis colunistas, de diferentes áreas como jornalistas, advogadas e psicólogas.Com campanhas de financiamento coletivo, crowdfundings, colaborações e arrecadações, AzMina insere-se na perspectiva dos novos modelos de negócio dos nativos digitais(Fígaro, 2018). Também se enquadra na corrente midialivrista, na conceituação da mídia enquanto mobilização social(Malini & Antoun, 2013), e por permitir que o público colabore com sugestões de pautas e influencie nas decisões editoriais mediante Conselho Editorial de Leitor@s e outros canais de comunicação. Ademais, observamos que as pautas da Revista tensionam as características do jornalismo tradicional e das revistas femininas especializadas, discutindo assuntos fora da ordem vigente como casamento em comunidades ciganas, saúde sexual da mulher lésbica, o papel da religião na violência doméstica, mães que tiveram filhos mortos pela polícia, debates sobre prostituição, mulheres com deficiência, entre outros. ...
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A internet chegou para ficar. Aquilo que há anos se via em perspectiva como algo distante hoje começa a consolidar-se. Há exatamente 25 anos, os cibermeios ibero-americanos davam os seus primeiros passos. O ciberjornalismo trazia consigo a promessa de uma informação melhor e diversa, onde o usuário era quem decidia que informação consumir e compartilhar. No período, o ciberjornalismo conseguiu assentar bases que foram aproveitadas pelos cibermeios e os usuários da rede a nível mundial. O jornalismo criou, com o passar do tempo, estratégias de acordo com as características da nova era. Atualmente, os meios que podem ser observados estão trabalhando na organização, gestão e tratamento da informação, com olhares a contemplar conteúdos que respondam às necessidades dos usuários e aproveitar as ferramentas que a internet oferece. Uma tendência notável neste novo cenário é a criação de cibermeios especializados. Generalizou-se a participação dos usuários e se incorporou recursos multimídia e alguns meios anunciaram processos de convergência.
... Nas últimas décadas presenciou-se globalmente exemplos de ciberativismo -como o Movimento Zapatista, a Batalha de Seattle, a Primavera Árabe e o 15-M -endossados pela comunicação distribuída em redes. A cibercultura (LEMOS, 2002;LÉVY, 2010) permite o surgimento das comunidades virtuais povoadas por multidões integradas em forma de rede no ciberespaço e, sobre este cenário, é possível o aparecimento de disputas de narrativas com a intenção de conquistar a opinião pública (MALINI, 2013). Contudo, ao mesmo tempo em que induz uma certa emancipação social, a internet passou a significar também o desmantelamento das liberdades, "[...] favorecendo a fragmentação das ideologias, fortalecendo Estados totalitários e lideranças que aspiram a derrocada das democracias, bem como consolidando a supremacia dos mercados sobre a sociedade" (MOROZOV apud SILVEIRA, 2015, p. 214). ...
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Partindo de premissas da Internet Studies, o artigo mergulha nas motivações estratégicas por trás da criação de perfis para fi- lhos de influenciadores nas plataformas digitais sociais, especifi- camente no Instagram. Esses “influenciadores por herança” nas- cem com uma base de seguidores formada por milhares de pes- soas, com alto engajamento e até com parto patrocinado por marcas de grande porte. O recorte investigado, por meio de aná- lise de conteúdo, envolve publicações no feed de Instagram de dois perfis - @Gael e @babyzion. Estes perfis são de filhos de dois influenciadores digitais – do youtuber Christian Figueiredo e da Instagramer de lifestyle Jade Seba, respectivamente. O período de publicação dos conteúdos analisados é desde o lançamento dos perfis (final de 2018) até 16 de Junho de 2019 - que corres- ponde ao meio da gravidez até as primeiras semanas de vida das crianças. PALAVRAS-CHAVE: influenciadores digitais; Instagram; Mar- keting de Influência; estratégias narrativas.
... Além disso, Think Olga explora as características da ubiquidade e da instantaneidade através da utilização de lives, vídeos transmitidos em tempo real, de seus debates e entrevistas, além de coberturas de manifestações. A prática de compartilhamento ao vivo, reconhecida dentro da abordagem midialivrista (MALINI, ANTOUN, 2013), procura transmitir conteúdos com realidades mais cruas e sem edição. Já a hipertextualidade, como possibilidade de visão sistêmica, é utilizada pelos dois portais; a partir dos links inseridos nos finais de cada texto, é possível acessar outros conteúdos referentes às matérias produzidas, continuando a informação dentro das possibilidades da memória do site. ...
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Composto por 24 capítulos, o e-book "Desigualdades, Relações de Gênero e Estudos de Jornalismo" resulta de uma chamada para seleção de trabalhos feito pelo Grupo de Pesquisa em Teorias do Jornalismo da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e está alinhado com o tema do 41º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, que ocorreu em Joinville, Santa Catarina, em setembro de 2018. O objetivo deste dossiê, produzido por 46 pesquisadoras e 12 pesquisadores, foi congregar reflexões e contribuições a respeito da interlocução das questões das relações de gênero com os estudos teóricos do jornalismo. A perspectiva teórica desta publicação parte do princípio de que as desigualdades sociais – econômicas, étnicas, geopolíticas e, especialmente, de relações de gênero, tema do dossiê – tencionam e se manifestam no jornalismo de modo muito mais complexo do que as mazelas que cotidianamente são apresentadas (e representadas) nas pautas noticiosas. Entendemos que esta é uma questão ontológica para o campo jornalístico. As desigualdades estão na organização da esfera profissional, nas linguagens constitutivas da prática jornalística, nas características estético-expressivas e ético-políticas do modo particular de narração dos fatos pelas notícias e por outros formatos jornalísticos. Em um sentido mais amplo, a desigualdade remete à ideia de dessemelhança, diferença; em última instância, ao universo da alteridade, condição sine qua non na democracia, desde que respeitada, para o desenvolvimento de uma sociedade dialógica e tolerante. Por seu turno, a ideia de relações de gênero, como conceito e/ou noção, remete a diferentes interpretações no terreno das teorias sociais. Em suma: os textos publicados, embora concentrados no campo dos Estudos de Jornalismo, destacam os Estudos das Relações de Gênero como campo do conhecimento dotado de iminência e urgência no atual estágio da sociedade democrática.
... Nas últimas décadas presenciou-se globalmente exemplos de ciberativismo -como o Movimento Zapatista, a Batalha de Seattle, a Primavera Árabe e o 15-M -endossados pela comunicação distribuída em redes. A cibercultura (LEMOS, 2002;LÉVY, 2010) permite o surgimento das comunidades virtuais povoadas por multidões integradas em forma de rede no ciberespaço e, sobre este cenário, é possível o aparecimento de disputas de narrativas com a intenção de conquistar a opinião pública (MALINI, 2013). Contudo, ao mesmo tempo em que induz uma certa emancipação social, a internet passou a significar também o desmantelamento das liberdades, "[...] favorecendo a fragmentação das ideologias, fortalecendo Estados totalitários e lideranças que aspiram a derrocada das democracias, bem como consolidando a supremacia dos mercados sobre a sociedade" (MOROZOV apud SILVEIRA, 2015, p. 214). ...
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“Fluxos em redes sociotécnicas: das micronarrativas ao big data” é a primeira obra coletiva do Grupo de Pesquisa (GP) “Comunicação e Cultura Digital” da Intercom. Com organização de Beatriz Polivanov, Willian Araújo, Caio C. G. Oliveira e Tarcízio Silva, a coletânea é composta por prefácio de Sandra Montardo e Adriana Amaral e 14 artigos cujas versões iniciais foram submetidas e apresentadas no GP no ano de 2019 e posteriormente revisadas, a partir das sugestões dos pareceristas e debates ocorridos no encontro em Belém do Pará. A publicação reúne textos que abordam as múltiplas implicações que a circulação de narrativas e grandes dados gera no contexto das redes sociotécnicas em termos de fluxos comunicacionais, buscando explorar conflitos e negociações emergentes dentre diversos agentes e instituições. O livro está dividido em quatro partes: 1) “Narrativas pessoais, práticas de consumo e disputas de sentido na cultura digital”; 2) “Epistemologias decoloniais”; 3) “O que fazem as máquinas e como pesquisá-las? Reflexões sobre plataformas e seus algoritmos” e 4) “Política e opinião pública em um Brasil (des)conectado”. Os autores são de distintas instituições de ensino brasileiras e apresentam referencial teórico e metodológico, bem como objetos empíricos de análise variados, trazendo contribuições diversas para o campo da Comunicação e, mais especificamente, para os estudos que se voltam para a cultura digital.
... Na análise desse corpus -extraído, minerado e processado com o emprego de meios e técnicas da Ciência de Dados -, utilizamos como suporte os pressupostos teórico--metodológicos dos Estudos Críticos do Discurso (Tomazi e Cabral, 2017;van Dijk, 1980van Dijk, , 2016van Dijk, , 2017avan Dijk, , 2017b) e da Análise de Narrativa em Rede (Malini, 2013(Malini, , 2020a(Malini, , 2020b(Malini, , 2020c, mobilizando a interface desses conhecimentos tanto na parte descritiva como no exame das estruturas discursivas identificadas nos textos apurados. ...
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Este estudo analisa como atores sociais em rede resistiram e reagiram discursivamente ao abandono das comunidades quilom-bolas pela União na gestão da pandemia do novo coronavírus. Tendo como base os pressupostos da abordagem sociocogni-tiva dos Estudos Críticos do Discurso (Tomazi e Cabral, 2017; van Dijk, 1980, 2016, 2017a, 2017b), em diálogo com as ciências sociais (San-tos, 2020; Mbembe; 2018; Oliveira, 2016) e com propostas teórico-metodológicas que se ocupam de fenômenos inatos ao ambiente digital (Santaella, 2016; Malini e Antoun, 2013; Malini 2020a, 2020b e 2020c; Mintz, 2019; Paveau, 2017), exa-minamos de que forma as estruturas dis-cursivas como macroproposições, léxico, tópicos discursivos, transitividade verbal, multimodalidade, argumentação e quan-tificação (jogo dos números), impactadas por estruturas tecnológicas, foram mobili-zadas pelo (e no) discurso para a resistência à necropolítica praticada pelo Estado brasi-leiro. A partir dos exames de postagens realizadas na pla-taforma Facebook foi possí-vel identificar, por exemplo, que as estruturas discursivas supracitadas atuaram na estratégia de denúncia dos males causados pela necropolítica ao tempo que reforçaram os argumentos em favor da proteção especial aos quilombolas. Ademais, identificamos nas interações estudadas a performatividade como elemento característico desses contradiscursos.
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Apesar da profunda aversão à gordura corporal experimentada pelos sujeitos nas sociedades ocidentais contemporâneas, verificou-se a emergência de ativismos como o body positive, especialmente nas redes sociais, que busca promover a positividade e a autoaceitação corporal, independente de formas e tamanhos corporais. Buscou-se, nesta pesquisa, analisar a retórica do discurso body positive no YouTube, nos canais “Tá Querida” (de Luiza Junqueira) e “Alexandrismos” (de Alexandra Gurgel). Foram selecionados dezesseis vídeos nos quais as YouTubers Luiza e Alexandra abordam temas relacionados ao body positive, às suas vidas pessoais e/ou exibem seus corpos gordos seminus. As questões de pesquisa foram: quais as lições são ensinadas pelas YouTubers sobre amor-próprio e autoaceitação? Quais estratégias representacionais são acionadas e utilizadas, pelas YouTubers, para ensinar sobre amor-próprio e autoaceitação? E, por fim, quais representações de corpo gordo são constituídas e disputadas nos comentários dos vídeos analisados? A pesquisa localiza-se dentro do campo dos Estudo Culturais em Educação, sendo as metodologias de análise estruturadas a partir dos conceitos de Pedagogia Cultural, de Tomaz Tadeu da Silva (2010), Viviane Castro Camozzato (2012) e Paula Deporte de Andrade (2016); Representação, de Stuart Hall (2016); Estatuto Pedagógico de Mídia, de Rosa Maria Bueno Fischer (1997) e Análise Cultural, de Ana Luiza Coiro Moraes (2016). Considerou-se, também, as teorizações de Charlote Cooper (2010), Esther Rothblum e Sondra Solovay (2009) sobre os Fat Studies. Os resultados mostram que as YouTubers valem-se de, pelo menos, duas estratégias de aproximação com os públicos: a) pela construção de certo sentido de pessoalidade e a ênfase no cotidiano (as YouTubers interpelam diretamente o espectador e respondem perguntas pessoais do público e realizam tarefas triviais, como suas refeições); b) pelo modo de enquadramento da câmera, das luzes e da escolha dos cenários que são, geralmente, espaços domésticos. Quanto às lições, a primeira – “Se perceba: conheça seu corpo!” – consiste em convidar o espectador a conhecer o próprio corpo através do toque e da auto-observação; na segunda lição – “Não há nada de errado com seu corpo: é normal, é natural!” –, as YouTubers convidam o espectador a encarar as marcas fisiológicas de seus próprios corpos como “normais” e “naturais”. Ambas as lições visam instar os sujeitos a aceitarem seus corpos do modo como são, produzindo representações de corpos gordos belos, desejáveis e saudáveis. Já os comentários feitos pelos usuários do YouTube nos vídeos analisados mostram, de modo geral, três representações: a de “gorda doente”, quando o corpo gordo é considerado doente devido a sua condição física; a de “gorda feia, nojenta e repulsiva”, comparando-o, eventualmente, à animais e objetos; e, por fim, a de “gorda ‘falsiane’”, ao afirmarem que, por serem gordas, as YouTubers seriam incapazes de se aceitarem e amarem a si mesmas, logo, estariam mentindo em seus vídeos.
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Este trabalho realiza uma análise exploratória da ciberpublicidade sob a égide de Erving Goffman em Gender Advertisements. Pressupunha-se que o ambiente digital, ao permitir a amplitude de vozes reprimidas anteriormente pelos meios de massa; disponibilizar artifícios para o ciberativismo, sobretudo em relação à representatividade; e ainda fazer emergir uma publicidade com efeito de realidade, pudesse revelar resultados imagéticos significativamente diferenciados daqueles encontrados por Goffman nos anúncios impressos de revista na década de 70. Percebeu-se, no entanto, uma continuidade expressiva das concepções goffmanianas, revelando a urgência de pesquisas futuras que busquem o mapeamento das hiper-ritualizações de gênero na publicidade contemporânea.
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Este artigo busca relacionar o conceito de jornalismo de soluções (Wenzel, Gerson e Moreno, 2016) com o debate da cobertura jornalística sobre uma das formas de enfrentamento às mudanças climáticas, a mitigação. Para isso, além de pesquisa bibliográfica, faz um levantamento das matérias sobre o assunto publicadas no site G1, o mais acessado no Brasil. Por meio de uma análise categorial inspirada na Análise de Conteúdo (Bardin, 2014), objetiva detectar a frequência com que aparecem aspectos sobre a mitigação em termos de escala, explicação, responsabilidade e tempo. Dentre os resultados, destacam-se o pouco espaço dado ao tema, a responsabilização de instituições e governos, assim como a falta de uma explicação mais relacional sobre a diminuição das emissões de gases de efeito estufa com o estilo de vida das pessoas. Embora a mitigação seja uma resposta para o enfrentamento das mudanças climáticas, verificam-se nas notícias analisadas um jornalismo ‘automatizado’ e pouco preocupado com o engajamento do público – distante da proposta do jornalismo de soluções.
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El cambio climático (CC) es la mayor amenaza a la civilización y a todas las especies que viven en el planeta tierra. Para poder contener el impacto de este cambio es necesario acometer los objetivos de París 2015 y llevar a cabo una rápida descarbonización de la economía para 2050. El Panel Intergubernamental de Expertos sobre el Cambio Climático (IPCC) advierte que los efectos de sobrepasar dos grados de anomalía en las temperaturas supondrán un grave peligro a miles de millones de habitantes del planeta. Es, por lo tanto, necesario poner en marcha una importante transformación de la economía y establecer políticas agresivas que permitan evitar daños sin precedentes a las sociedades. La educación debe jugar un papel central en esta transformación, pero la definición de sus objetivos y la estrategia para llevarlos a cabo no están bien definidas. En este trabajo analizamos las dos importantes tareas que debe llevar a cabo: La creación de una competencia climática y la creación de una concienciación crítica que permita al ciudadano valorar las políticas públicas sobre este tema. Esta definición de objetivos es esencial para avanzar esta importante agenda de cambio global.
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Discutindo sob o viés interseccional, o artigo busca expor a problemática da invisibilidade midiática das mulheres negras youtubers dentro do contexto da cultura participativa. Identificamos e observamos canais de mulheres youtubers a partir do recorte das temáticas do feminismo e empoderamento feminino, e realizamos um estudo descritivo com abordagem quanti-qualitativa, analisando as aproximações e distanciamentos dos canais a partir das categorias de alcance, interação e temática. Conclui-se que as youtubers negras interagem de forma mais significativa do que as youtubers não negras, o que não interfere no alcance dos canais, visto que as youtubers negras possuem dados de alcance inferior às youtubers não negras. Observamos que mesmo podendo atingir todas as mulheres, as falas das youtubers negras podem ser entendidas com enfoque na questão racial, enquanto isso, identificamos um discurso universal do ‘ser mulher’ nas falas das youtubers não negras, fator que pode contribuir para o alcance expressivo.
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O Sistema Único de Saúde (SUS) tem por uma de suas diretrizes a participação da comunidade, correspondente ao processo e aos mecanismos de influência da sociedade sobre o Estado. Constituindo-se como espaço de debates complementar às arenas formais de negociação integrantes da institucionalidade de governo/Estado, a internet renovou as perspectivas para a comunicação em saúde ao ampliar as arenas de lutas sociais. Na sociedade em rede a política passa a ser inserida na mídia, alterando-se o perfil dos participantes dos movimentos sociais de militantes para ativistas. Considerando este contexto, o presente estudo analisa as narrativas produzidas na rede social Facebook por portadores de diabetes (doença crônica com prevalência crescente no mundo) brasileiros, buscando entender como articulam suas experiências de convívio com a doença na luta política por direitos relacionados à saúde e como se constituem enquanto atores sociais da saúde. Foram encontrados como tipos de atores sociais do diabetes: usuários da saúde, organizações de saúde, mídia, profissionais de saúde, comércio e academia. Apesar das ressalvas que vem sendo levantadas em relação ao controle do acesso aos conteúdos produzidos nas redes sociais pelos administradores das plataformas, é preciso reconhecer estes espaços como arenas de disputa onde os usuários da saúde tem participação relevante na discussão da política pública de saúde como produtores legítimos de conhecimentos em saúde por meio de suas experiências práticas da vida cotidiana.
Conference Paper
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A internet proporciona aos cidadãos uma interação mais democrática com a informação, permitindo não apenas um acesso dinâmico a fontes de variadas vertentes, mas a possibilidade de dialogar com e dar maior alcance às que julgue mais apropriadas e de, ainda, atuar na rede também como narrador e divulgador de fatos e pensamentos. Essa característica transforma a rede em face visível das micropolíticas do mundo da segmentação e levanta questões quanto à possibilidade de organização de redes coletivas, sem uma força modularizante, para produção política ou de outras formas de narrativas. O movimento Mídia Ninja apresenta características semelhantes a essa forma de organização coletiva, tornando-se objeto de estudo deste artigo. Para isso, foram analisados a história do movimento, as atividades de sua página oficial no Facebook durante sua explosão na rede e o consequente surgimento de novos focos do movimento, com a emergência de narrativas territorializantes em diferentes cidades e estados do país, extremamente importantes para o entendimento de sua trajetória enquanto consolidação de um modelo de mídia configurada a partir de narrativas independentes. Palavras-chave: mídia ninja, redes sociais, jornadas de junho, protestos. 1. Introdução "Compartilhando dores e esperanças no livre espaço público da internet, conectando-se entre si e concebendo projetos a partir de múltiplas fontes do ser, indivíduos formaram redes, a despeito de suas opiniões pessoais ou filiações organizacionais. Uniram-se" (CASTELLS, 2013, p.11) No momento atual em que o trabalho configura-se não só no ambiente fabril mas inunda todas as outras esferas da sociedade, através do trabalho imaterial, o indivíduo social surge enquanto suas condições e situações relacionais, com o outro, 1 Trabalho apresentado no Grupo de Trabalho Novos Meios e Novas Linguagens, do VIII Simpósio Nacional da ABCiber, realizado pelo ESPM Media Lab, nos dias 03, 04 e 05 de dezembro de 2014, na ESPM, SP.
Conference Paper
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Este artigo objetiva propor uma reflexão sobre o surgimento da tática black bloc no Brasil e analisar os vínculos estabelecidos entre usuários da mídia social Twitter em relação aos protestos ocorridos no Brasil no dia 7 de setembro de 2013. A pesquisa inicial deu-se pela busca e armazenamento de mensagens publicadas na rede social contendo o termo black bloc; a seguir, de forma a analisarmos o grande volume de dados obtido, desenvolvemos a esquematização de imagens e grafos representativos das redes, visando compreender a natureza de suas interações e, principalmente, como estas se estruturaram ao longo do tempo. PALAVRAS-CHAVE: análise de redes sociais; black bloc; manifestações; protestos. I-INTRODUÇÃO E OBJETIVO Por mais de duas décadas, os protestos no Dia da Independência do Brasil vinham sendo organizados pelo Grito dos Excluídos, sindicatos e movimentos sociais em defesa da justiça social. No ano de 2013, porém, vários outros grupos convocaram protestos pela internet com demandas políticas tanto imateriais (como o fim da corrupção) quanto situacionais (como contra a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil). Entre estes atores, estavam os autodemonimandos black blocs: indivíduos adeptos de uma tática de guerrilha cujas origens remontam ao movimento autonomista de 1970 e 80, onde vários protestos eclodiram contra o governo e suas políticas nuclear e habitacional. De origem ideológica majoritariamente anarquista-mas com a participação de marxistas, ambientalistas e feministas radicais-os Schwarze Bloc nasceram como tática de resistência à violência do aparato policial alemão. Com o objetivo de garantir o anonimato 1 Trabalho apresentado no IJ7-Comunicação, Espaço e Cidadania do XIX Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste, realizado de 22 a 24 de maio de 2014. 2 Orientador do trabalho, professor e Doutor em Comunicação pela UFRJ e coordenador do
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Resumo O presente artigo tem por objetivo investigar o poder dos movimentos sociais como atores não-estatais emergentes na sociedade em rede e estudar o conceito de ciberativismo. Para isso, propedeuticamente, analisa os atores estatais e não-estatais clássicos e define os movimentos sociais como atores emergentes. Além disso, analisa os contornos do surgimento da sociedade em rede e sua conexão com o ciberativismo. A conclusão é no sentido de que a sociedade em rede modificou substancialmente os movimentos sociais e suas práxis no mundo atual, utilizando-se da internet como poderosa ferramenta para sua organização e autogestão. PALAVRAS-CHAVE: Sociedade em Rede, Atores Não-Estatais, Movimentos Sociais, Poder, Ciberativismo. Abstract This article aims to investigate the power of social movements as non-state emerging actors in network society and to study the concept of cyber-activism. It initially analyses state and non-state classic actors, and defines social movements as emerging actors. The article also brings the main lines of the network society emergence and its connections with cyber-activism. The conclusion is that network society substantially modified the social movements and their practice in today's world, using the Internet as a powerful tool for their organization and self-management. Diante do nascimento da sociedade em rede, os fluxos de comunicação e de saber foram redefinidos, desconfigurando-se a própria lógica tradicional das relações de poder, que passaram a ser identificáveis tanto em relações conflituais quanto naquelas consensuais. Essa revolução tecnológica remodelou a sociedade e estabeleceu mecanismos de conexão entre os diferentes atores estatais e não-estatais, que mantêm uma interdependência no âmbito econômico, social, político e jurídico. A partir dessas premissas, verifica-se que a tecnologia, além de trazer às relações sociais os benefícios da adaptação e da flexibilidade, influiu estruturalmente em atores não-1 Graduando do curso de Direito da Unochapeco.
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Ante los diversos problemas ambientales que se presentan en la región norte, en México, emerge la necesidad de un cambio de trasfondo en la arista de la educación. Es la educación ambiental una clave, si no la más importante, sino esencial para lograr cambios conductuales en los niños y niñas que estudian en educación básica. Asimismo, se puede visualizar si, en realidad, los recursos didácticos, el apoyo institucional y los materiales empleados por los docentes logran ser efectivos en la percepción ambiental y se relacionan con un contacto frecuente con la naturaleza, en los niños de educación primaria. En el presente trabajo se tuvo una muestra a conveniencia de 215 estudiantes, 102 mujeres y 113 hombres, de sexto grado de primaria durante el periodo de agosto-diciembre 2019, con edades oscilantes de 11 y 12 años de edad. A los estudiantes se les solicitó contestar bajo un acuerdo de confidencialidad firmado por ellos mismos y las autoridades educativas, una escala de educación ambiental con las dimensiones de apoyo institucional, recursos didácticos y materiales didácticos, así como la nueva escala de autoeficacia, percepción ambiental y de frecuencia de contacto con la naturaleza. Los resultados encontrados nos llevan a reflexionar sobre la importancia que tiene el quehacer del docente para fortalecer la percepción ambiental positiva y de promover el contacto frecuente con la naturaleza, en niños y niñas.
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La aparición de las redes sociodigitales a mediados de la primera década de 2000 fue recibida con entusiasmo y recelo por diversos sectores sociales. Los ciudadanos vieron en espacios como Facebook, Twitter y, más recientemente, Instagram, una consolidación de la autocomunicación de masas planteada por Manuel Castells en 1997 que acercaba el poder de la información y la comunicación a las personas del común, mientras los políticos dudaban entre si era un riesgo o una oportunidad en la disputa del poder en la opinión pública. Lo ocurrido en los casi veinte años de vida de las redes sociodigitales ha mostrado su poder de movilización social (Occupy Wall Street, Primavera Árabe, #MeToo) y su impacto político, pero también ha expuesto varios riesgos derivados del uso social y de los algoritmos que controlan la red, entre ellos las cámaras de eco, la espiral de silencio, el contenido engañoso (misinformation), el contenido falso (desinformación), el exceso de información (infodemia) y la presencia de bots que replican información para convertirla en tendencia u ocultar contenidos.
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El enfoque sistémico ha recibido elogios por la lucidez con la que diagnostica uno de los principales problemas de las formas actuales de la democracia deliberativa: la deficiente inserción e integración de los espacios deliberativos en el sistema democrático. No obstante, también ha recibido críticas por la vaguedad de las soluciones propuestas y porque parecen rebajar en exceso los criterios de calidad. El capítulo explora el diseño consciente de un sistema deliberativo impulsado por el gobierno local de Barcelona, una experiencia reciente y todavía abierta, de la que pueden obtenerse algunas lecciones.
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The article reflects about the mediatization of a dispute for environmental legislation and against arboricide in Porto Alegre (Brazil) based on the concept of mediatization (Gomes, 2016), understanding the reference role of digital media in contemporary times. He considers fundamental the protagonism of environmental entities in environmental mediactivism (Moraes; Fante, 2008), in the context of global neoliberalism that has been causing the deregulation of Brazilian environmental policy. These entities participate in debates and forums on a permanent basis, gaining social credibility in relation to issues of public interest. The methodology (Fragoso et. al, 2011) analyzes the news of the Gaucha Association for the Protection of the Natural Environment (Agapan) in its blog and Facebook posts. Agapan's environmental media activism created antagonistic visibility in the power struggle by democratizing the debate, by mobilizing the community to participate and the legislature in Porto Alegre to extend the term of the discussions.
Conference Paper
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Historicamente tem-se observado a inserção das tecnologias nos processos de transformação econômica, social, cultural e política. Neste sentido, este artigo tem como objetivo abordar de que maneiras a tecnopolítica e a comunicação participativa fortaleceram formas de integração comunitária e de mobilização social nos últimos anos. Para tal foram aplicados i) questionários eletrônicos a uma amostra composta por 500 jovens das cinco regiões brasileiras, além de ii) entrevista episódica com 30 jovens e iii) mapeamento de práticas participativas. Os resultados apontam para o desafio no combate da tendência burocratizante e autoritária a ser enfrentada pelas instituições públicas e pelos cidadãos, bem como zelar para fortalecer as participações democráticas utilizando outros recursos e ferramentas coletivas a partir das tecnologias digitais, como, por exemplo, a internet.
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Este artigo reflete sobre a prática e a narrativa vídeo ativista, desenvolvida na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, no contexto dos protestos contra o Mundial de Futebol da FIFA (2014). Para analisar o fenômeno, foi utilizado um modelo de investigação que incorpora métodos qualitativos e quantitativos, aplicados online e off-line: pesquisa participante, entrevistas semiestruturadas e métodos digitais de coleta e análise de dados. O trabalho de campo foi realizado entre 7 de junho e 15 de julho, no Rio de Janeiro, durante o Mundial de Futebol de 2014. Além disso, foi construída uma base de dados de vídeos (173), contendo todas as interações destes materiais nas redes sociais online. Os resultados demonstram que os vídeo ativistas atuavam em grupos, em rede multimodal online e offline; baseando-se seu trabalho, principalmente, na viralização nas redes e mídias sociais. No que se refere à narrativa vídeo ativista construída, a violência destaca-se como a principal temática; sendo os manifestantes os protagonistas desta narrativa.
Thesis
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Nos últimos dez anos, com a popularização do acesso à rede mundial de computadores por parte da população brasileira, as comunidades de tecnologia vêm se multiplicando nas diversas regiões do país, não sendo diferente em Campo Grande, capital do estado de Mato Grosso do Sul-MS. A contribuição das comunidades para o crescimento local na área de tecnologia é altamente relevante para o Desenvolvimento Local, uma vez que minimiza a importação de produtos e serviços especializados. As comunidades de software/hardware surgem como um fortalecimento ao mercado local por meio de novos meios de troca de informações e planejamento de eventos, por exemplo. Além disso, possibilita novos negócios e parcerias entre empresas, fomentando, desse modo, o Desenvolvimento Local. O avanço da tecnologia, sem dúvida, desenvolveu de forma dinâmica o conhecimento, já que ele passou a se propagar rapidamente para todos os lugares do planeta, pelo acesso à internet. O Desenvolvimento Local de determinada localidade se beneficia com as inovações tecnológicas, criando-se comunidades virtuais, locais, regionais e mundiais. As comunidades tecnológicas fazem parcerias importantes com universidades e empresas em prol da evolução tecnológica da localidade; normalmente não têm recursos financeiros próprios, por isso, a importância de parcerias e patrocinadores para elaboração de eventos, workshops e oficinas. Esta pesquisa visa elucidar, com base em dados coletados por meio da aplicação de questionários online e da netnografia, sobre o comportamento das pessoas que participam dessas comunidades e sobre os benefícios que trazem para o desenvolvimento da localidade. A base teórica da pesquisa foi sustentada pela revisão bibliográfica em artigos, livros e conteúdo online. A metodologia previu a observação dos comportamentos nas comunidades tecnológicas locais e suas postagens, a fim de elucidar sobre como elas interagem e trazem impacto ao desenvolvimento local da cidade de Campo Grande–MS. Conclui-se que essas comunidades unem pessoas com objetivos afins, utilizando o meio virtual para troca de conhecimentos e organização de eventos na sua região e comunidade.
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O isolamento social imposto pela pandemia de COVID-19 tem levado a alterações nas formas de ocupação funcional e simbólica do espaço público-privado, em que as projeções mapeadas de imagens e mensagens em fachadas e empenas de prédios emergem como uma nova forma de expressão político-artística e de cidadania. O uso de projeções mapeadas como recurso de intervenção artística em espaços urbanos ao redor do mundo teve início na segunda metade da década passada, em meados de 2007 e, diante do atual cenário pandêmico e politicamente complexo, essas projeções efervescem por meio de coletivos artísticos no Brasil. Sob a luz do direito à cidade e da óptica interdisciplinar entre as disciplinas de ciências sociais, urbanismo e artes. Propõe-se analisar o Coletivo Projetemos, movimento que possui rede de atuação em todas as regiões do Brasil.
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Propomos pensar a constituição do grupo no Facebook Mulheres Unidas Contra Bolsonaro como um ciberacontecimento. Procuramos articular a narrativa a partir dos sentidos que emergem nas redes digitais e daquilo que a imprensa produz de sentidos em torno do acontecimento, amparados em perspectivas teóricas feministas. O modo como o grupo surge e repercute, tornando-se notícia e potencializando diferentes narrativas no universo online. Percebe-se uma articulação em rede que pauta o jornalismo, mas que pelas forças de um embate polarizado, muitas vezes invisibiliza questões de importância política e social.
Thesis
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O tema desta pesquisa são as disputas travadas por veículos midiáticos na cobertura a ações de movimentos sociais. Busca-se, empiricamente, identificar os enquadramentos interpretativos construídos por três jornais (Zero Hora, Diário Gaúcho e Sul21) sobre o ciclo de protestos de 2013, em Porto Alegre/RS, em especial no que se refere às interações entre manifestantes e aparato policial. Metodologicamente, foi construído um banco de dados com todas as publicações de cada jornal, na cobertura ao ciclo de manifestações, bem como foram entrevistados(as) jornalistas responsáveis pela produção do conteúdo dessas publicações. Após a organização e a quantificação do corpus de dados, com a identificação de tendências de cobertura, foram selecionados eventos específicos de protesto (ocorridos em 27 de março, 04 de abril, 13 de junho e 20 de junho), bem como as “retrospectivas” de final de ano, para análise de conteúdo. A convergência entre o material empírico e os referenciais teóricos resultou em três dimensões centrais: a identidade dos(as) manifestantes; a caracterização da(s) reivindicação(ões) do protesto; as interações entre manifestantes e policiais. A partir de tais dimensões construiu-se um modelo analítico para operacionalização do estudo. Os resultados da pesquisa indicam que a construção de enquadramentos interpretativos por Zero Hora, Diário Gaúcho e Sul21 foi caracterizada pela multiplicidade de esquemas interpretativos. Essa multiplicidade diz respeito a diferenças (a) entre os conteúdos de cada jornal e a (b) transformações de enquadramento no curso das mobilizações. Zero Hora e Diário Gaúcho produziram enquadramentos similares. Inicialmente, as coberturas de ambos os jornais centraram-se na identificação de repertórios de dano a patrimônios por manifestantes, tomando-se a manifestação (denominada “baderna”) como ilegítima. Ao longo do ano, Zero Hora e Diário Gaúcho delimitaram uma distinção entre “manifestantes pacíficos” e um grupo específico - qualificado pelo termo “vândalos” -, o qual foi considerado responsabilizável pela realização de repertórios de dano a patrimônios. A referida transformação de enquadramento denotou uma autonomização deste repertório específico (tomado como ilegítimo) em relação à manifestação (considerada legítima). O Sul21 caracterizou-se, diversamente, pela ênfase, desde o início do ano, no questionamento à ação policial de repressão às mobilizações. Os protestos, por outro turno, foram invariavelmente considerados legítimos pelo Sul21. Por fim, as “retrospectivas” de final de ano indicaram similaridades no enquadramento de todos os jornais, com a construção de uma síntese interpretativa hegemônica a respeito do ciclo de protestos. A partir da análise de dados, formulou-se a seguinte tipologia dos enquadramentos interpretativos adotados em diferentes momentos do ano: “Manifestação como afronta à ordem”; “Polícia como instituição violenta”; “Maioria de manifestantes pacíficos em oposição à minoria de manifestantes violentos”; “Maioria de manifestantes pacíficos em oposição à minoria de manifestantes violentos e a uma polícia violenta”. A análise cronológica denotou disputas entre esses diferentes modelos de cobertura, com a constituição de um “campo de batalha” interpretativo
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No contexto das eleições municipais brasileiras deste ano, a situação enfrentada por mulheres candidatas é inédita: enfrentam não só as disparidades de número de candidatas e investimentos dos partidos em suas campanhas, mas também o cenário mundial de pandemia provocada pelo novo coronavírus, que muda drasticamente as campanhas políticas e dá ainda mais espaço para as atividades políticas voltadas às mídias e às tecnologias digitais. Sendo assim, este artigo tem como objetivo propor discussões acerca da participação das mulheres na política no contexto brasileiro, a partir de resultados obtidos na pesquisa de doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), financiada pela CAPES. Para tanto, é apresentado um levantamento das principais conquistas em busca da igualdade de gênero na política nos últimos anos. Além dessa recuperação histórica, os resultados da aplicação de questionário e realização de entrevista episódica com as mulheres que compõem a amostra da pesquisa apontam a questão de gênero como um condicionante da participação político-cidadã no Brasil. Os resultados apontam que as principais modalidades de participação desempenhadas pelas mulheres estão vinculadas aos usos e apropriações de tecnologias digitais, apontando para a centralidade da discussão das tecnologias digitais como condicionante da democratização da participação. Gênero; participação política; tecnologias digitais In the context of this year's Brazilian municipal elections, the situation faced by female candidates is unprecedented: they face not only the disparities in the number of candidates and investments of the parties in their campaigns, but also the world scenario of a pandemic caused by the new coronavirus, which changes dramatically political campaigns and gives even more space to political activities focused on media and digital technologies. Therefore, this article aims to propose discussions about the participation of women in politics in the Brazilian context, based on results obtained in the doctoral research carried out in the PostGraduate Program in Media and Technology of the Universidade Estadual Paulista (Unesp), funded by CAPES. To this end, a survey of the main achievements
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Comunicar em tempos de pandemia. Foi este o tema proposto para a edição 2020 da Revista Comunicando, pensada essencialmente para o período atípico que atravessamos. Com o surto da Covid-19 a nível mundial alteraram-se as formas de ensinar, de aprender, de investigar e, acima de tudo, de comunicar. As relações entre os meios de comunicação e a sociedade tornaram-se mais complexas, o que levou à elaboração dos mais diversos estudos. Universidades e institutos politécnicos, políticos, unidades de saúde e até mesmo instituições religiosas tiveram de aprender ou readaptar, em pouco tempo, as mais diversas estratégias de comunicação de crise. Na altura em que lançamos esta edição já é possível apresentar os resultados de alguns estudos que se foram desenvolvendo nos últimos meses. Partilhamos, assim, o olhar de investigadores que observaram diferentes realidades de países e de meios de comunicação.
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The main objective of this paper is to analyze, from a linguistic perspective and more specifically from discourse theories, the contemporary political claims that take place in the intense traffic between the internet and the urban space. The hashtag #elenão was selected as the place of observation, collection and analysis of the corpus, both for its relevance in the Brazilian context and for its functioning, which provides an understanding of the various manifestations of the corpus established between the utterance and the enunciation. We understand that the tension caused between online and offline, addressed by the language sciences based on the concept of “digital dualism”, can promote relevant theoretical and methodological, as well as political and social discussions.
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La cuestión fundamental que se debate en este trabajo es el futuro del presupuesto participativo, como práctica política y gubernamental con casi 30 años de experimentación, en Brasil y en el mundo. Esta práctica que se inició con mucha euforia y esperanza (algo que se apreciaba incluso en las reflexiones académicas sobre ella) ha ido perdiendo a lo largo del tiempo impulso y adhesión en Brasil, donde surgió. Incluso se ha paralizado, aduciendo problemas económicos por la crisis, su experiencia referente: la de Porto Alegre, y también se lo está planteando la de Belo Horizonte. También recientemente ha comenzado a cuestionarse su efectividad e impacto. Aunque ello no se ha planteado todavía en España, país que junto con Portugal tiene, en estos momentos, el mayor número de experiencias en marcha, creemos necesario reflexionar sobre los obstáculos y dificultades de su implementación.
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El libro que hemos elaborado –contando con la colaboración de académicos brasileños y españoles– se sitúa en este punto de inflexión. No somos aún capaces de vislumbrar el futuro, pero sí podemos apuntar elementos de análisis sobre lo que ha sucedido durante estas tres décadas de crisis del modelo representativo y de emergencia de formas democráticas alternativas. Se trata, pues, de un texto que se sitúa en tiempos de transformación
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A questão fundamental em debate neste trabalho é o futuro do orçamento participativo, enquanto prática política e governamental com quase trinta anos de experimentação, no Brasil e no mundo. Essa prática, que começou com grande euforia e esperança (apreciada mesmo nas reflexões acadêmi-cas), foi perdendo força e aderência gradualmente no Brasil, onde surgiu. Até mesmo as experiências de OP mais mencionadas, de Porto Alegre (RS) e de Belo Horizonte (MG), declinaram e perderam importância. Também come-çou-se recentemente a questionar a eficácia e o impacto da metodologia participativa na gestão orçamentária. Embora isso ainda não tenha sido con-siderado na Espanha, um país que, junto com Portugal, atualmente, possui o maior número de experiências em andamento. Segue sendo necessário, por-tanto, refletir sobre os obstáculos e dificuldades de implementação e obten-ção de resultados nas tentativas remanescentes e por vir.
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