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Uso do ômega 3 no controle da artrite reumatoide

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A artrite reumatoide é uma inflamação das articulações que pode ocorrer por múltiplos fatores. Esta doença pode atingir cerca de 1% da população mundial. O objetivo foi avaliar o uso do ômega 3 no controle desta doença por meio de uma revisão de literatura. Foi possível verificar sua atuação no sistema imune através dos derivados Eicosapentaenoico e Docosahexaenoico que podem diminuir o processo inflamatório. Em contrapartida é necessária cautela com o consumo de peixes e suplementos de ômega 3 que possam conter mercúrio em sua composição, podendo ocasionar danos à saúde, porém não está diretamente relacionado Artrite Reumatoide mas pode agravar a doença. É necessário orientar o paciente a consumir peixes com menor concentração de mercúrio ou suplementar produtos confiáveis.Palavras-chave: ácido eicosapentaenoico, artrite reumatoide, mercúrio, óleos de peixe.
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REVISÃO
Uso do ômega 3 no controle da artrite reumatoide
Use of omega 3 in the control of rheumatoid arthritis
Jennifer Stephanie Xisto*, Tatiana de Lima Brito*, Bruna Raniel Vieira Pinto Cabral**, Drielly
Rodrigues Viudes***
*Acadêmica do curso de Nutrição no Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium de
Araçatuba/SP, **Nutricionista, Pós-graduada em Alimentos Funcionais, Suplementação e
Fitoterápicos pela FAMERP/SP, Orientadora de estágio supervisionado do curso de Nutrição
no Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium de Araçatuba/SP, ***Nutricionista, Pós-
graduada em Nutrição Clínica Funcional pela Unicsul/CVP, mestrado da disciplina de
Gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo UNIFESP, docente do curso de
Nutrição no Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium de Araçatuba/SP
Recebido 22 de janeiro de 2017; aceito 15 de dezembro de 2017.
Endereço para correspondência: Jennifer Stephanie Xisto, rua Euclides de Almeida, 105 Art
Ville Birigui SP, E-mail: jenni_stephanie@hotmail.com; Tatiana de Lima Brito:
tatiana_lima_brito@hotmail.com: Bruna Raniel Vieira Pinto Cabral:
nutricionistabruraniel@gmail.com; Drielly Rodrigues Viudes: driviudes@gmail.com
Resumo
A artrite reumatoide é uma inflamação das articulações que pode ocorrer por múltiplos fatores.
Esta doença pode atingir cerca de 1% da população mundial. O objetivo foi avaliar o uso do
ômega 3 no controle desta doença por meio de uma revisão de literatura. Foi possível verificar
sua atuação no sistema imune através dos derivados Eicosapentaenoico e Docosahexaenoico
que podem diminuir o processo inflamatório. Em contrapartida é necessária cautela com o
consumo de peixes e suplementos de ômega 3 que possam conter mercúrio em sua
composição, podendo ocasionar danos à saúde, porém não está diretamente relacionado
Artrite Reumatoide mas pode agravar a doença. É necessário orientar o paciente a consumir
peixes com menor concentração de mercúrio ou suplementar produtos confiáveis.
Palavras-chave: ácido eicosapentaenoico, artrite reumatoide, mercúrio, óleos de peixe.
Abstract
Rheumatoid arthritis is an inflammation of the joints caused by multiple factors. This disease
can reach about 1% of the world population. The objective was to evaluate the use of omega 3
in the control of this disease through a literature review. It was possible to verify its role in the
immune system through derivatives EPA and DHA and the decreasing the inflammatory
process. On the other hand, caution is needed with the consumption of fish and omega 3
supplements that may contain mercury and may cause health problems, and aggravate the
disease. It is necessary to guide the patients to consume fish with lower concentrations of
mercury or additional reliable products.
Key-words: eicosapentaenoic acid, rheumatoid arthritis, mercury, fish oils.
Introdução
A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença autoimune que causa uma inflamação crônica
nas articulações, e sua origem envolve fatores genéticos e ambientais [1]. A AR é resultante da
ação das células T e B autorreativas, que levam a sinovite, a infiltração celular e a um processo
desorganizado de destruição e remodelação óssea [2].
Entre os possíveis fatores envolvidos na etiologia desta doença pode-se citar a
periodontite, o tabagismo e predisposição genética, que atuam de forma associada ou isolada.
Os fatores genéticos estão fortemente associados à positividade do anticorpo antipeptídio
cíclico citrulinado (anti-CCP) e à resposta do paciente ao tratamento. Diversos fatores foram
relacionados com o desenvolvimento da AR, sendo o alelo HLA-DRB1 a principal associação
genética, também associado ao desenvolvimento de formas mais graves da doença [2].
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De acordo com dados epidemiológicos, a AR atinge uma em cada mil pessoas (1:1000)
acometendo cerca de 1% da população mundial [3]. Os principais sintomas clínicos observados
para diagnóstico da doença são: o inchaço dolorido, a rigidez muscular, fadiga e perda de peso
[4]. A investigação completa para diagnóstico de AR engloba exames laboratoriais como o
fator reumatoide e anti-CCP (anticorpos contra peptídeos citrulinados cíclicos) [5], radiografia e
provas imunológicas específicas. O tratamento principal é baseado no uso de anti-inflamatórios
não esteroidais, glicocorticóides e imunossupressores, drogas modificadoras do curso da
doença como metotrexato, e agentes imunobiológicos como o adalimumabe [6], com o objetivo
de melhorar a qualidade de vida do indivíduo [7].
Associar agentes farmacológicos com suplementação à base de ômega 3 (-3), um
ácido graxo poli-insaturado essencial que possui a capacidade de modular a resposta
inflamatória [8], pode auxiliar no controle da AR e de outras doenças inflamatórias [9]. Estudo
realizado na University of Massachusetts Medical School mostrou o potencial anti-inflamatório
do -3 em comparação e em associação ao óleo de borragem, para pacientes com AR,
mostrando os benefícios do mesmo para esses indivíduos [10]. O -3 pode ser obtido através
da ingestão de alguns tipos de peixes, suplementos e sementes [11]. Em contrapartida, os
peixes e suplementos que são as maiores fontes desse ácido graxo podem possuir uma
concentração aumentada de mercúrio, um metal pesado e tóxico, relacionado à um mau
prognóstico da AR, além de poder ocasionar danos neurológicos, renais, respiratórios,
cardiovasculares e hepáticos [12].
A atual pesquisa teve como objetivo analisar a implicação do ácido graxo da série -3
no tratamento e evolução clínica da AR e sua contribuição para a melhora da qualidade de vida
e mobilidade desses doentes.
Material e métodos
Para entendimento do assunto e elaboração do trabalho final, por meio da revisão de
literatura foram coletadas informações de artigos científicos clínicos, revisão simples,
experimentais e metanálises. Priorizou-se artigos publicados nos últimos dez anos, em língua
portuguesa e inglesa encontrados nas seguintes bases de dados: Lilacs, Scielo, Bireme e
PubMed. Foram utilizados os seguintes descritores para realização da pesquisa bibliográfica:
ácido graxo (fatty acid), artrite reumatoide (rheumatoid arthritis), ômega 3 (omega 3), ácido
eicosapentaenoico (eicosapentaenoic acid), inflamação (inflammation), sistema imune (immune
system), peixes e mercúrio (fish and mercury), toxicidade do mercúrio (mercury toxicity),
mercúrio e óleo de peixe (mercury and fish oil).
Revisão de literatura
Etiologia e epidemiologia da AR
De acordo com o Consenso da Sociedade Brasileira de Reumatologia 2011, no país
uma prevalência de até 1% da população adulta com AR, gerando uma estimativa de
1.300.000 pessoas acometidas por essa doença. Embora a AR possa ocorrer em qualquer
idade, as mulheres na faixa etária entre 40 e 60 anos são mais afetadas do que os homens. O
potencial genético é uma das principais causas de desenvolvimento da doença, sendo que
indivíduos que tem familiares próximos com AR tem maior predisposição de desenvolver a
doença [5].
O hábito de fumar também é um gatilho para o desenvolvimento da doença ou de
agravamento do quadro clínico quando instalada, devido ao aumento de proteínas
citrulinadas no pulmão [5]. Existem outros fatores ambientais envolvidos na etiologia da AR
como a periodontite ocasionada pela higienização bucal [2].
Para um diagnóstico eficaz de AR são utilizados exames de imagem como radiografia,
ultrassonografia e ressonância magnética que avaliam danos articulares estruturais. Para que o
médico especialista faça um diagnóstico completo, deve se levar em conta alguns exames
como o anti-CCP, fator reumatoide (FR), velocidade de hemossedimentação (VHS), proteína C-
reativa (PCR) e tipificação do antígeno leucocitário humano HLA [13].
O anticorpo anti-CCP é uma imunoglobulina (IG) produzida na sinóvia reumatoide, com
a presença de proteínas citrulinadas no local que leva a uma resposta imunológica. O anti-CCP
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pode ser detectado em aproximadamente 80% do soro de pacientes com AR, específico em 95%
a 99% dos casos [14]. A ativação de anticorpos IgG na sinóvia, leva a produção de FR de
classe IgM (Imunoglobulina M) superiores a 50 UI/ml, presente na sorologia do paciente,
aumentando o processo inflamatório [2,5].
A PCR é uma proteína de fase aguda do processo inflamatório que é sensível para
acompanhamento da AR. Níveis aumentados de PCR representam um pior prognostico da
doença. A elevação da VHS provoca aumento de proteínas de fase aguda como o fibrinogênio
e imunoglobulinas [15].
O gene HLA está ligado ao risco de desenvolvimento de AR, e associado ao
desenvolvimento de anti-CCP. Indivíduos portadores do alelo HLA-DRB1 estão mais
suscetíveis à doença, e sua presença pode ocasionar mortalidade por patologias
cardiovasculares [13].
Devido ao fato da AR ser uma doença autoimune e multifatorial dificulta a determinação
exata de sua origem. Dessa forma, a prevenção através de um estilo de vida saudável pode
diminuir os riscos ambientais desencadeantes da doença.
Patogênese da AR
Pode-se dizer que o ponto inicial para seu desenvolvimento ainda é incerto, mas
evidências de que a desregulação na ação dos linfócitos T no reconhecimento ou não a um
gene MHC (complexo principal de histocompatibilidade) pode ser um fator desencadeador da
inflamação pelo sistema imune, culminando no desenvolvimento da doença [16]. Na figura 1
pode-se observar a interação entre fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento do
processo inflamatório da AR.
(Imagem ilustrada pelo próprio autor).
Figura 1 Fatores desencadeantes da AR.
Os neutrófilos presentes no sangue têm papel importante na ativação do processo
inflamatório, pois atraem quimiocinas e citocinas. Em um organismo normal eles são
eliminados do sangue por meio do processo de apoptose, em um organismo com doença
autoimune, como é o caso da AR, um distúrbio no processo de apoptose, aumentando no
sangue a circulação de materiais tóxicos que elevam a produção de auto anticorpos [17].
No processo inflamatório os macrófagos ativam os linfócitos T e B, liberando citocinas
pró-inflamatórias como: interleucinas (IL-1, IL-6, IL-12), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α),
interferon gama (IFN-) e quimiocinas. As quimiocinas respondem aos estímulos de inflamação,
contribuindo para a resposta imune adaptativa. Os mastócitos são células CD34+ e estão
presentes no tecido sinovial de uma pessoa saudável, e em maior concentração na de pessoas
que possuem AR com consequente aumento na destruição das articulações e cartilagem. O
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Sistema Complemento (SC) é ativado pelo antígeno-anticorpo chamado imunocomplexo,
levando a inflamação tecidual que resulta na AR [17].
Os linfócitos Th1 estão ligados a patogênese da AR, pois eles aumentam a produção
de citocinas. Estudos recentes indicam o envolvimento dos linfócitos Th17 no processo da
doença por elevarem a produção de IL-22, IL-26 e IL-17 responsáveis por mediar a inflamação,
reabsorção óssea e ativação de osteoclastos [18].
A IL-18, uma citocina pró-inflamatória, eleva os níveis do TNF- podendo ser inibida
através de medicamentos ou fitoquímicos reduzindo ou retardando a inflamação das
articulações. As IL-1 e IL-6 atuam no agravamento das inflamações [19]. No tecido sinovial e
no líquido sinovial também encontra-se a IL-8 [17].
A ausência de células T reguladoras de ocorrência natural, desencadeia a AR,
elevando os anticorpos antinúcleo causando defeitos e alterações funcionais na sinóvia [16].
Em suma, uma resposta imune desordenada pode causar a AR pela elevação do TNF-, IL-1 e
IL-6 e de outras citocinas que caracterizam o processo inflamatório da doença.
Ômega 3 e o sistema imune
O -3 é considerado um ácido graxo de cadeia longa, tendo duas ou até mais duplas
ligações, que possuem 20 carbonos, e uma última dupla ligação no terceiro carbono. Os ácidos
graxos poli-insaturados pertencem à família do -3, que a partir de um processo de
metabolização são transformados em ácido -linolênico (ALA-C - 18:3 - 18 carbonos com 3
insaturações), ácido eicosapentaenoico (EPA - C20:5 - 20 carbonos e 5 insaturações), e o
ácido docosahexaenóico (DHA - C22:6 - 22 carbonos e 6 insaturações), sendo possível a
conversão destes em ácidos graxos essenciais [20,21].
Os eicosanoides são provenientes dos ácidos graxos essenciais (AGE), sintetizados a
partir do ácido araquidônico (AA) que se converte em prostaglandinas e tromboxano (PGE2 e
TXE2), e agem imediatamente no local afetado, ocasionando várias ações principalmente a
resposta inflamatória e autoimune [9-8]. Sua formação se através da metabolização dos
ácidos graxos por ciclooxigenase (COX), em consequência desta via ativada aumento de
prostaglandinas (PGs), tromboxanos (TXs) e prostaciclinas (PCI). também outra via de
formação de eicosanoides, a lipooxigenase (LOX) que faz a síntese de leucotrieno A (LTs) e
ácido hidroperoxieicosanóico [21]. Com o aumento do consumo de -3 as prostaglandinas e
tromboxanos são convertidos em segunda série e os leucotrienos em quarta série, tendo efeito
anti-inflamatório [22].
Na AR ocorre um processo de estresse oxidativo relacionado a produção de
prostaglandinas, citocinas, espécies reativas de oxigênio (ROS) e radicais livres (RLs) que leva
a inflamação. Uma célula para ser oxidada é ativada pelo NADPH (fosfato de dinucleótido de
nicotinamida e adenina) e induzida por citocinas, IFN-, IL-1 e TNF-. Eicosanoides são
liberados e induzirão o aumento dos níveis de AMPc (adenosina 3’, 5’- monofosfato cíclico),
dessa forma a cascata de mediadores inflamatórios será ativada [21,23].
Uma dieta com aumento da ingestão de EPA e DHA pode diminuir a formação de
eicosanoides de origem inflamatória e ativar eicosanoides anti-inflamatórios [8].
Ômega 3 e AR
A AR é caracterizada pela produção de citocinas e eicosanoides provenientes do AA
como, PGE2, leucotrieno (LTB4) e hidroperoxieicosatetraenoico (5-HPETE), que culminarão no
quadro inflamatório e consequente surgimento de sintomas de dor, vermelhidão e rigidez.
Quando surge esse quadro no local inflamado (sinóvia), ocorrerá a ativação das linhas de
defesa com o surgimento de macrófagos, monócitos, granulócitos e linfócitos, com o objetivo
de reparar o tecido destruído [24].
As principais fontes de EPA e DHA são encontradas normalmente em peixes marinhos
de água fria: atum, sardinha, arenque, salmão, bacalhau e linguado (126 a 3725 mg/100g de
peixe), também em óleos de fonte vegetal como linhaça e canola, bem como a ingestão de
suplementação por cápsulas. De acordo com as DRIs (Dietary reference intakes) a
recomendação de -3 é de 1,6 g por dia para homens e 1,1 g por dia para mulheres [25].
O -6 é de origem do AA, encontrado principalmente em óleos vegetais de milho, soja
e girassol. O seu consumo eleva a produção de eicosanoides inflamatórios (PGE2 e LTB4).
Uma dieta rica em -3 diminui a produção de PGE2, porém eicosanoides derivados do EPA
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são menos ativos do que os provenientes do AA, mas associados podem inibir a produção de
TNF- por monócitos [26]. Para que haja um equilíbrio nas funções do -3 e -6 é necessário
fazer uma dieta com balanço entre suas proporções que fica em torno 1-2:1 e atualmente é de
15-17:1 devido a ocidentalização da dieta [27].
Foram acompanhados 34 pacientes com AR por 6 meses. Os mesmos foram divididos
em 3 grupos, sendo o grupo I com 2 g suplementação de -3 em duas capsulas por dia (460
mg de EPA e 380 mg de DHA); o grupo II iniciou uma dieta mediterrânea rica em peixes e
fontes vegetais de -3; e por fim o grupo III que continuou com a dieta habitual. Os resultados
mostraram que a suplementação com o -3 reduziu a VHS nos doentes e diminuiu a ingestão
de anti-inflamatórios não esteroides [28].
Em uma pesquisa realizada em pacientes com AR, mantidos em tratamento com anti-
inflamatórios não esteroides, e submetidos a intervenções com peixe e óleo de linhaça em
forma líquida ou em cápsulas, com doses que variaram de 1,7 a 9,6 g, com duração de até 15
meses, apontou em 3 meses de estudo que a suplementação com -3 de peixe e óleo de
linhaça melhorou o quadro de dor dos pacientes comparado com o grupo placebo [29].
Em um estudo feito com 18 ratos durante 20 dias, os animais foram divididos em 3
grupos. No grupo I (Grupo controle), os animais receberam 0,2 ml de soro fisiológico; no grupo
II (Grupo tenoxicam) receberam 1 mg/kg de tenoxicam (anti-inflamatório); e no grupo III (Grupo
ômega 3) foram suplementados com 200 mg/kg de -3, sendo 180 mg/g de EPA e 120 mg/g
de DHA. O tratamento foi realizado uma única vez ao dia por 20 dias. Foi aplicada formalina no
dorso da pata para verificar a dor, sendo realizado em duas fases de tempos distintos.
Observou-se que os grupos GT e GC iniciaram com o peso de 389,8 g e 384,0 g e ao final
pode-se verificar o aumento de peso 72,03 g e 39,01 g totalizando 461,83 g e 423,01 g, GO
iniciou com peso 411,0 g e teve ganho de 24,16 g finalizando com 435,16 g. Os autores deste
estudo concluíram que o tenoxicam por ser um anti-inflamatório pode apresentar efeitos
colaterais como a retenção de sódio e água podendo ocorrer devido ao aumento de peso que
pode ocasionar doenças crônicas não transmissíveis. O efeito do -3 é semelhante ao
tenoxicam, mas com menor efeito colateral [22].
Por fim, o -3 produz eicosanoides de série ímpar (PGE3, TXA3 e LTB5) que possuem
atividade anti-inflamatória que auxiliam no equilíbrio do sistema imune e menor formação de
citocinas pró inflamatórias [4].
Mercúrio e ômega 3 impacto imunológico
O mercúrio pode ser encontrado na natureza nas formas líquida, gasosa e sólida sendo
dos tipos metálico ou elementar. Pode ser inorgânico nas formas de mercúricos e mercurosos,
e orgânico como metilmercúrio e etilmercúrio [30].
De todas as formas existentes deste metal, o metilmercúrio é o mais tóxico sendo
encontrado principalmente no sistema aquático. É um metal tóxico que pode atingir o
organismo de várias formas [12], conforme pode-se observar na figura 2.
O metilmercúrio pode ter concentrações muito elevadas em peixes de água doce e
salgada [31] e, consequentemente, nos seres humanos por ser de fácil absorção e difícil
eliminação [30]. No Brasil, mais precisamente em Belém, três espécies de peixe foram
analisadas em relação ao teor de mercúrio em diferentes períodos do ano. Os resultados
encontrados indicaram que nenhuma das espécies analisadas ultrapassaram o limite permitido,
entretanto na espécie Brachyplatystoma rousseauxii (dourada) o valor da concentração de
mercúrio se aproximou do limiar de 1 µg/g para peixes predadores e 0,5 µg/g para peixes não
predadores, sendo necessário cuidados em relação ao consumo frequente desta espécie [32].
Estudo semelhante realizado em Portugal observou que a maioria dos peixes
analisados se enquadra dentro do limite estabelecido, com apenas duas espécies
apresentando valores mais elevados. Ainda, foi realizada uma avaliação com a população para
identificar grupos de risco de intoxicação por mercúrio com o alto consumo de peixes. Os
resultados apontaram as lactantes como o maior grupo de risco [12].
indícios de que a idade, peso e tamanho do peixe possam influenciar na quantidade
de mercúrio que ele contém. O ciclo de contaminação do mercúrio pode ocorrer de várias
formas, sendo a aquática a mais exposta a contaminação, por isso os peixes, principalmente
os de grande porte, podem ter altas concentrações de mercúrio [30,33].
O mercúrio não tem efeitos diretos na AR, mas pode agravar o estado da doença
devido aos efeitos colaterais e tóxicos quando em excesso [31]. Este metal toxico é difícil de
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ser encontrado em suplementos de -3, mas são necessários certos cuidados na escolha do
produto optando-se pelos que possuem laudos técnicos que indicam a isenção deste metal [34].
1 - As industrias utilizam o mercúrio para diversas finalidades liberando gases ricos em metais pesados na atmosfera. 2
- O mercúrio contamina o solo através da chuva que contém o mercúrio presente no ar. 3 - Os garimpeiros utilizam
mercúrio na limpeza do ouro e com consequente contaminação dos rios. 4 - Os peixes são contaminados por mercúrio
presente na água, e o homem se contamina ao consumir peixes, principalmente os grandes que concentram maior
quantidade deste metal. (Imagem ilustrada pelo próprio autor)
Figura 2 - Ciclo de contaminação do mercúrio.
Conclusão
Com base no exposto pode-se concluir que o -3 é efetivo no auxílio ao controle da AR
e na prevenção da mesma por sua ação imunomoduladora. O consumo de forma adequada de
fontes de -3 como os peixes, associado ao uso de medicamentos pode trazer melhorias na
qualidade de vida e diminuição dos sintomas da doença, como a dor e a degeneração articular.
O consumo de -3 deve ser estimulado por meio da ingestão de alimentos de origem
vegetal ou animal fontes desse nutriente, além da suplementação que deve ser indicada por
profissional capacitado quando se fizer necessário. Não doses estabelecidas de ingestão de
-3 para portadores de AR, dessa forma o profissional deve-se atualizar constantemente visto
as inúmeras publicações sobre este assunto na literatura científica.
Por fim, o mercúrio não está diretamente relacionado a AR, mas a intoxicação por este
metal pode agravar o estado geral do paciente. Portanto, é necessário orientar o consumo de
peixes com menor concentração de mercúrio e, se necessário, realizar a suplementação de -
3 com produtos idôneos.
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RESUMO O sistema imunológico é constituído por uma intrincada rede de órgãos, células e moléculas e tem por finalidade manter a homeostase do organismo, combatendo as agressões em geral. A imunidade inata atua em conjunto com a imunidade adaptativa e caracteriza-se pela rápida resposta à agressão, independentemente de estímulo prévio, sendo a primeira linha de defesa do organismo. Seus mecanismos compreendem barreiras físicas, químicas e biológicas, componentes celulares e moléculas solúveis. A primeira defesa do organismo frente a um dano tecidual envolve diversas etapas intimamente integradas e constituídas pelos diferentes componentes desse sistema. A presente revisão tem como objetivo resgatar os fundamentos dessa resposta, que apresenta elevada complexidade e é constituída por diversos componentes articulados que convergem para a elaboração da resposta imune adaptativa. Destacamos algumas etapas: reconhecimento molecular dos agentes agressores; ativação de vias bioquímicas intracelulares que resultam em modificações vasculares e teciduais; produção de uma miríade de mediadores com efeitos locais e sistêmicos no âmbito da ativação e proliferação celulares; síntese de novos produtos envolvidos na quimioatração e migração de células especializadas na destruição e remoção do agente agressor; e finalmente a recuperação tecidual com o restabelecimento funcional do tecido ou órgão. Palavras-chave: imunidade inata, inflamação, autoimunidade, PAMPs, receptores toll-like.
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Objective To analyze and compare quality of life (QoL) in adults and elderly patients with rheumatoid arthritis (RA). Methods This was a cross‐sectional quantitative study. The tools include the Medical Outcomes Study Short Form‐36 (SF‐36), the Disease Activity Score 28 (DAS‐28), the Assessment Health Questionnaire (HAQ), the Beck Depression Inventory (BDI) and the 6‐Minute Walk Test (6 MWT). Data analysis was done by descriptive statistics, Student's t test and linear regression test, with significance level of p <0.05. Results The sample consisted of 99 patients diagnosed with RA, divided into adults and elderly. Those considered adults were 18‐59 years‐old and those with 60 years or older where considered elderly. In SF‐36, the groups showed the pain domain as the most compromised and the emotional aspects domain as the less compromised. Both showed moderate level of disease activity and mild disability. Applying the t test, it was found that there was no significant difference between groups with respect to QoL, functional ability, depression and disease activity. The difference was significant in the 6 MWT, in which the elderly achieved an average of 330.8 m, and the adults, 412.2 m (p=0.000). In linear regression, a significant correlation (r=‐0.31) between the 6 MWT and increasing age was noted. Conclusion QoL and functional capacity in RA were affected in adults and the elderly. How‐ever, the results showed no significant difference between groups, with the exception of the 6 MWT.
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Objective. To determine whether a combination of borage seed oil rich in gamma linolenic acid (GLA) and fish oil rich in eicosapentaenoic acid (EPA) and docosahexaenoic acid (DHA) is superior to either oil alone for treatment of rheumatoid arthritis (RA). Methods. Patients were randomized into a double-blind, 18-month trial. Mixed effects models compared trends over time in disease activity measures. Results. No significant differences were observed in changes in disease activity among the three randomized groups. Each group exhibited significant reductions in disease activity (DAS28) at 9 months (fish: −1.56[−2.16, −0.96], borage: −1.33[−1.83, −0.84], combined: −1.18[−1.83, −0.54]) and in CDAI (fish: −16.95[−19.91, −13.98], borage: −11.20[−14.21, −8.19], and combined: −10.31[−13.61, −7.01]). There were no significant differences in change of RA medications among the three groups. Reduced disease activity in study patients was similar to matched patients from an RA registry, and reduction in DMARD use was greater (P < 0.03) in study patients. Conclusion. All 3 treatment groups exhibited similar meaningful clinical responses after 9 months, improvements which persisted for 18 months, and a response similar to matched patients from an RA registry. Study patients were able to reduce DMARD therapy given in combination with TNF antagonists to a greater extent than registry patients. This paper is dedicated to the memory of Dr. John T. Sharp, M.D., a pioneer and innovator in the field of musculoskeletal radiology
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As espécies reativas de oxigênio (ROS) são produzidas, essencialmente, durante a fosforilação oxidativa e por ativação de células fagocíticas durante uma explosão oxidativa. A produção excessiva de ROS pode levar ao dano em lipídeos, proteínas, membranas e ácidos nucléicos e também serve como um importante sinalizador intracelular que amplifica respostas inflamatórias. Inúmeros estudos demonstram o envolvimento de ROS na patogênese das artropatias crônicas inflamatórias, como a artrite reumatóide. Acredita-se que as ROS possam atuar como segundos mensagei-ros para ativação do fator de transcrição nuclear kappa-B que orquestra a expressão de vários genes que perpetuam a resposta inflamatória. Portanto, o conhecimento da complexa interação entre essas vias poderia ser útil para desenvolver novas estratégias terapêuticas para a artrite reumatóide.
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Pacientes com artrite reumatóide (AR) possuem uma variedade de auto-anticorpos no soro e no líquido sinovial. Entre esses auto-anticorpos, destacam-se aqueles direcionados a proteínas citrulinadas, que são específicos para AR, aparecem precocemente durante a evolução da enfermidade e são bastante úteis para auxiliar no diag-nóstico da doença. Entre os antígenos citrulinados reconhecidos por auto-anticorpos na AR, encontram-se a profilagrina, a filagrina e a vimentina. Células e tecidos ricos nessas proteínas serviram de substrato para os primeiros ensaios laboratoriais para detecção dessa classe de auto-anticorpos. A descoberta de que os epitopos reconhecidos por esses auto-anticorpos eram peptídeos contendo citrulina permitiu o desenvolvimento de uma plataforma baseada em ELISA. O formato de ELISA possibilitou maior padronização e reprodutibilidade dos ensaios, resultando em ampla aceitação mundial como os auto-anticorpos mais específicos e precoces para o diagnóstico da AR. Há controvérsia quanto à capacidade dos anticorpos contra proteínas citrulinadas predizerem a gravidade da doença. O papel dos antígenos citrulinados na fisiopatologia da artrite reumatóide é sugerido pela forte especificidade desses auto-anticorpos para a doença, pelo achado de proteínas citrulinadas na sinóvia inflamada, pela produção intra-articular desses auto-anticorpos e pela extrema afinidade de peptídeos citrulinados por moléculas de HLA-DRB1 que contêm o epitopo compartilhado. Esses achados acenam com a possibilidade de novas e fascinantes descobertas rumo à melhor compreensão da fisiopatologia da AR.
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As avaliações de dietas e o planejamento de consumo são atividades tradicionalmente realizadas por meio da comparação de médias de ingestão contra valores de referência de energia e nutrientes, seja para indivíduos ou grupos. Limitações de ordem técnica devem ser levadas em conta, sem as quais se pode chegar a conclusões equivocadas quanto ao atendimento das necessidades nutricionais. As Recomendações Nutricionais propostas pelo Institute of Medicine dos Estados Unidos, em conjunto com a agência Health Canada, a partir de 1997, conhecidas como Dietary Reference Intakes, representam um novo paradigma para o estabelecimento de indicadores nutricionais de consumo, ao aperfeiçoarem o uso do conceito de risco na avaliação de dietas. Fontes de erro intra ou interindividuais, devidas à variabilidade de padrão de consumo e decorrentes da distribuição das necessidades na população, aliadas a um pequeno número de dias de observação, têm grande impacto sobre a confiabilidade da análise. Por esta razão devem orientar a utilização dos valores, que foram organizados em tabelas com as quatro categorias de nutrientes, publicadas entre 1997 e 2005. O presente trabalho teve por objetivo destacar algumas características de aplicação e consolidar os valores diários de Tolerable Upper Intake Level, Adequate Intake e Recommended Dietary Allowance, facilitando a consulta por parte de profissionais e estudantes da área de nutrição.
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Long chain fatty acids influence inflammation through a variety of mechanisms; many of these are mediated by, or at least associated with, changes in fatty acid composition of cell membranes. Changes in these compositions can modify membrane fluidity, cell signaling leading to altered gene expression, and the pattern of lipid mediator production. Cell involved in the inflammatory response are typically rich in the n-6 fatty acid arachidonic acid, but the contents of arachidonic acid and of the n-3 fatty acids eicosapentaenoic acid (EPA) and docosahexaenoic acid (DHA) can be altered through oral administration of EPA and DHA. Eicosanoids produced from arachidonic acid have roles in inflammation. EPA also gives rise to eicosanoids and these often have differing properties from those of arachidonic acid-derived eicosanoids. EPA and DHA give rise to newly discovered resolvins which are anti-inflammatory and inflammation resolving. Increased membrane content of EPA and DHA (and decreased arachidonic acid content) results in a changed pattern of production of eicosanoids and resolvins. Changing the fatty acid composition of cells involved in the inflammatory response also affects production of peptide mediators of inflammation (adhesion molecules, cytokines etc.). Thus, the fatty acid composition of cells involved in the inflammatory response influences their function; the contents of arachidonic acid, EPA and DHA appear to be especially important. The anti-inflammatory effects of marine n-3 PUFAs suggest that they may be useful as therapeutic agents in disorders with an inflammatory component.
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The aim of this study was to determine the total mercury (THg) concentration in marketable fish at Ver-o-Peso market in Belém, Pará State, Brazil. The selected fish species for this study were Brachyplatystoma rousseauxii, Brachyplatystoma filamentosum and Schizodon fasciatum. Ten samples of each species were acquired in May 2011 (less rainfall) and November 2012 (the rainiest season). Analyses of THg were performed by atomic absorption spectrophotometry Hg201 in the Laboratório de Toxicologia Humana e Ambiental do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Pará. The averages in the first and second collections of B. rousseauxii were 0.45 µg/g and 0.09 µg/g of THg, respectively. Among the samples of B. filamentosum, the average was 0.31 µg/g and 0.30 µg/g. In specimens of S. fasciatum, only in the first period was observed a concentration of 0.01 µg/g. While the connection between THg concentration and Balanced Nutrition Index™ of species, only in samples of B. rousseauxii were found moderate positive correlation (r = 0.6, p> 0.05 for the two periods listed) no correlations were observed in other samples. Although no species has reached values beyond Brazilian Health Surveillance Agency recommendations, it is important to consider the cumulative effect of mercury in the body. The absence or moderate correlation found suggests the need for further studies to a better understanding about the nutritional index of fish and mercury contamination.
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A artrite reumatoide (AR) e considerada uma doenca inflamatoria cronica, de origem auto-imune, mas de etiologia ainda desconhecida, que causa dano progressivo no sistema musculoesqueletico. Com a progressao da doenca, os pacientes com AR desenvolvem incapacidade para realizacao de suas atividades, com impacto economico significativo para o paciente e para a sociedade. Nas ultimas decadas, houve significativa evolucao na forma de abordagem e na terapeutica da doenca. Metodos laboratoriais e de imagem foram desenvolvidos, contribuindo para diagnostico mais precoce e determinacao de prognostico. Tais mudancas motivaram esta revisao da literatura. Para tanto, foi realizada uma revisao formal da literatura sobre o tema, atraves de um levantamento bibliografico, a partir de mecanismos de busca eletronica. Foram consultadas as bases de dados Scielo, Google Academico, PubMed, Medline e ScienceDirect e outros sites de pesquisa cientifica disponiveis na rede, acessando artigos cientificos publicados ate o ano de 2011. Descritores: artrite reumatoide, diagnostico, tratamento
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Os ácidos graxos poliinsaturados abrangem as famílias de ácidos graxos ômega-3 e ômega-6. Os ácidos graxos de cadeia muito longa, como os ácidos araquidônico e docosaexaenóico, desempenham importantes funções no desenvolvimento e funcionamento do cérebro e da retina. Esse grupo de ácidos graxos não pode ser obtido pela síntese de novo, mas pode ser sintetizado a partir dos ácidos linoléico e alfa-linolênico presentes na dieta. Neste artigo são considerados os principais fatores que podem inibir a atividade das enzimas dessaturases envolvidas na síntese dos ácidos graxos de cadeia muito longa. São apresentadas as recomendações da razão ômega-6/ômega-3 na dieta, propostas em diversos países, sendo verificada a convergência para o intervalo de 4 a 5:1. São relacionados alimentos que podem contribuir para aumentar a ingestão do ácido alfa-linolênico e dos ácidos graxos de cadeia muito longa. A essencialidade dos ácidos graxos de cadeia muito longa é muito dependente do metabolismo do indivíduo, sendo que a razão n-6/n-3 da dieta exerce grande influência nesse sentido.