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Abstract

Objective: To understand the conditions that influence the adherence and application of best practices by nurses in the context of the Nursing care management in the Kangaroo Mother Care in the Neonatal ICU. Method: Study of qualitative approach, whose theoretical and methodological frameworks were Symbolic Interactionism and Grounded Theory, respectively. We used the in-depth interview with 8 nurses from the Neonatal ICU of a public maternity hospital in the city of Rio de Janeiro. Results: The conditions involved in adhering to the best practices of humanization in the Neonatal ICU are related mainly to human resources, interaction among professionals, work processes and leadership strategies; and care management. Conclusion: Professional and institutional challenges have been identified that need to be addressed to improve adherence and implementation of the Kangaroo Mother Care best practices.
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EDIÇÃO TEMÁTICA
:
BOAS PRÁTICAS NO PROCESSO DE CUIDADO
COMO CENTRALIDADE DA ENFERMAGEM
Rev Bras Enferm [Internet]. 2018;71(suppl 6):2948-56.
http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0428
Laura Johanson da SilvaI, Joséte Luzia Leite (In memoriam)I, Thiago Privado da SilvaII,
Ítalo Rodolfo SilvaII, Pâmela Pereira MourãoI, Tainá Martins GomesI
I Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Escola de Enfermagem Alfredo Pinto. Rio de Janeiro-RJ, Brasil.
II Universidade Federal do Rio de Janeiro, Professor Aloísio Teixeira. Macaé-RJ, Brasil.
Como citar este artigo:
Silva LJ, Leite JL, Silva TP, Silva IR, Mourão PP, Gomes TM. Management challenges for best practices of the Kangaroo
Method in the Neonatal ICU. Rev Bras Enferm [Internet]. 2018;71(Suppl 6):2783-91. [Thematic Issue: Good practices
in the care process as the centrality of the Nursing] DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0428
Submissão: 08-06-2018 Aprovação: 29-07-2018
RESUMO
Objetivo: Compreender as condições que infl uenciam a adesão e aplicação de boas práticas por enfermeiros no contexto
do gerenciamento do cuidado de Enfermagem no Método Canguru na UTI Neonatal. Método: estudo de abordagem
qualitativa, cujos referenciais teórico e metodológico foram Interacionismo Simbólico e a Teoria Fundamentada nos Dados,
respectivamente. Utilizou-se a entrevista em profundidade com 8 enfermeiros da UTI Neonatal de uma maternidade pública na
cidade do Rio de Janeiro. Resultados: As condições intervenientes na adesão às boas práticas de humanização na UTI Neonatal
estão relacionadas principalmente aos recursos humanos, interação entre os profi ssionais, processos de trabalho e estratégias
de liderança; e gerenciamento do cuidado. Conclusão: Foram elencados desafi os de ordem profi ssional e institucional que
precisam ser atendidos para melhorar adesão e aplicação das boas práticas do Método Canguru.
Descritores: Enfermagem; Unidades de Terapia Intensiva Neonatal; Método Canguru; Recém-Nascido Prematuro; Administração
de Serviços de Saúde.
ABSTRACT
Objective: To understand the conditions that infl uence the adherence and application of best practices by nurses in the context
of the Nursing care management in the Kangaroo Mother Care in the Neonatal ICU. Method: Study of qualitative approach,
whose theoretical and methodological frameworks were Symbolic Interactionism and Grounded Theory, respectively. We used
the in-depth interview with 8 nurses from the Neonatal ICU of a public maternity hospital in the city of Rio de Janeiro.
Results: The conditions involved in adhering to the best practices of humanization in the Neonatal ICU are related mainly
to human resources, interaction among professionals, work processes and leadership strategies; and care management.
Conclusion: Professional and institutional challenges have been identifi ed that need to be addressed to improve adherence and
implementation of the Kangaroo Mother Care best practices.
Descriptors: Nursing; Intensive Care Units; Kangaroo Mother Care; Infant, Premature; Health Services Administration.
RESUMEN
Objetivo: Comprender las condiciones que infl uencian la adhesión y aplicación de buenas prácticas por enfermeros en el
contexto de la gestión del cuidado de Enfermería del Método Madre-Canguro en la UTI Neonatal. Método: estudio de abordaje
cualitativo, cuyos referenciales teórico y metodológico fueron el Interaccionismo Simbólico y la Teoría Fundamentada en
Datos, respectivamente. Se utilizó la entrevista en profundidad con 8 enfermeros de la UTI Neonatal de una maternidad
pública en la ciudad de Rio de Janeiro. Resultados: las condiciones intervinientes en la adhesión de las buenas prácticas
de humanización en la UTI Neonatal están relacionadas principalmente con los recursos humanos, la interacción entre los
profesionales, los procesos de trabajo y las estrategias de liderazgo y gestión del cuidado. Conclusión: Se plantearon desafíos
Desafi os gerenciais para boas práticas do
Método Canguru na UTI Neonatal
Management challenges for best practices of the Kangaroo Method in the Neonatal ICU
Desafíos gerenciales para buenas prácticas del Método Madre-Canguro en la UTI Neonatal
PESQUISA
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Desafios gerenciais para boas práticas do Método Canguru na UTI Neonatal
Silva LJ, Leite JL, Silva TP, Silva IR, Mourão PP, Gomes TM.
INTRODUÇÃO
A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) é um setor
que envolve o cuidado de enfermagem na alta complexidade,
tendo em vista o risco, as vulnerabilidades e as demandas técnicas
e tecnológicas na assistência aos recém-nascidos prematuros e de
baixo peso. Trabalhar com esta população constitui importante
desafio, pois a mesma encontra-se em fase de maturação dos
órgãos em ambiente antagônico às condições uterinas, portanto,
o ambiente da UTIN deve promover a segurança necessária para
o cuidado e a sobrevivência dos recém-nascidos(1).
Assim, a assistência de enfermagem nesse setor necessita da
conciliação dos avanços tecnológicos relevantes, que vêm garan-
tindo o aumento da sobrevivência, com abordagens de práticas de
cuidados humanizados, que se configuram como boas práticas.
Contato pele com pele, controle de ruídos e luminosidade, presença
e participação da família, nutrição adequada, manuseio individu-
alizado e respeito às pistas comportamentais do recém-nascido
são algumas das boas práticas de impacto para a neuroproteção
(2)
.
Tais estratégias compõem o modelo assistencial do Método
Canguru brasileiro, que é composto por três etapas, sendo as
duas primeiras hospitalares e a última ambulatorial em interface
com a Atenção Primária. A UTIN se configura como cenário
principal da primeira etapa e, por ser um espaço densamente
tecnológico, encerra desafios adicionais para a garantia de ações
envolvendo a tríade amor, calor e leite materno, que é base das
ações no Método Canguru. Esta estratégia tem como benefícios:
menor tempo de internação do bebê, melhor estabilidade tér-
mica, diminuição do choro, aumento do aleitamento materno e
ganho ponderal, vínculo afetivo, alívio da dor, dentre outros(3).
Porém, apesar desses benefícios serem evidências já com-
provadas, o desenvolvimento do Método Canguru na UTIN
ainda é desafiador, especialmente no que se refere à adesão dos
profissionais às boas práticas recomendadas nesse programa
(4-6)
.
Além disso, as condições clínicas do recém-nascido e as normas
de algumas unidades, como o horário restrito de visitas, levam
à separação do bebê de sua mãe, pai ou familiar, influenciando
negativamente na adesão ao Método Canguru.
Assim, é relevante o olhar dos gestores em relação à im-
plementação e qualidade da produção de cuidados em saúde
neonatal e das condições de trabalho na unidade, enfatizando
a necessidade de mudança de comportamento da equipe e
filosofia da instituição, a fim de ofertar boas práticas de cuidado
humanizado na assistência ao recém-nascido e sua família(6).
OBJETIVO
Compreender as condições que influenciam a adesão e
aplicação de boas práticas por enfermeiros no contexto do
gerenciamento do cuidado de enfermagem no Método Canguru
na UTI Neonatal.
MÉTODO
Aspectos éticos
O projeto foi submetido à avaliação pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da instituição utilizada como cenário, Maternidade
Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Todos
os participantes aceitaram voluntariamente integrar a pesquisa
e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
sendo-lhes assegurado o anonimato, portanto, os trechos de
falas estão identificados com um código alfanumérico que repre-
senta sua categoria (E de enfermeiro) e a ordem das entrevistas.
Referencial teórico-metodológico
Pesquisa qualitativa, guiada pelo referencial metodológico da
Teoria Fundamentada em Dados. O referencial teórico que per-
mitiu interpretar os dados em profundidade foi o Interacionismo
Simbólico, que concebe a natureza simbólica da vida social, pro-
pondo que as significações sociais são produzidas pelas atividades
interativas dos agentes. Assim, discutir os significados envolve
analisar os processos pelos quais as pessoas determinam suas
condutas, considerando suas interpretações acerca do mundo(7).
Já a Teoria Fundamentada nos Dados, foi adotada por ser
um método com base interpretativista, que possui alto grau de
sistematização e rigor na interpretação dos dados com vistas a
explicitar as estruturas e regularidades dos fenômenos sociais.
Suas raízes estão também no Interacionismo Simbólico e, portan-
to, a compreensão do fenômeno se dá a partir dos significados
envolvidos nas relações sociais e o pesquisador os interpreta a
partir da emergência analítica dos conceitos, que são enraizados
nos dados. Resulta disso o nome em inglês Grounded Theory(8).
Tipo de estudo
Pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa.
Procedimentos metodológicos
Na Teoria Fundamentada nos Dados, a coleta e a análise dos
dados são feitas de forma simultânea, pelo método constante de
comparação entre os dados. Este processo percorreu os meses
de outubro de 2011 a maio de 2013.
Cenário de estudo
Constituiu cenário do estudo uma UTI Neonatal de uma
maternidade pública, da capital do Rio de Janeiro, que possui
o Método Canguru aplicado em suas três etapas desde 2000.
Trata-se de uma maternidade de nível terciário, sendo referência
no atendimento à gestação, parto e nascimento de alto risco,
Laura Johanson da Silva E-mail: lauraenfaunirio@gmail.com
AUTOR CORRESPONDENTE
de orden profesional e institucional que necesitan ser atendidos para mejorar la adhesión y aplicación de las buenas prácticas
del Método Madre-Canguro.
Descriptores: Enfermería; Unidades de Cuidado Intensivo Neonatal; Método Madre-Canguro; Recién Nacido Prematuro;
Administración de los Servicios de Salud.
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Desafios gerenciais para boas práticas do Método Canguru na UTI Neonatal
Silva LJ, Leite JL, Silva TP, Silva IR, Mourão PP, Gomes TM.
especialmente no que se refere ao risco fetal. O atendimento
neonatal deste cenário conta com dezesseis leitos na terapia
intensiva e seis leitos de intermediária. A estrutura conta também
com um Alojamento Mãe-Canguru, para o desenvolvimento da
segunda etapa do método, com três leitos para binômios e um
ambulatório de seguimento de crianças de risco.
Fonte de dados
Utilizou-se a entrevista em profundidade, realizada com oito
enfermeiras da UTIN. Os critérios de inclusão foram: ter mais de
um ano de experiência na área Intensiva Neonatal; ter no mínimo
seis meses na UTIN da instituição e conhecer a primeira etapa
do Método Canguru. Como critério de exclusão, utilizou-se o
afastamento profissional no período da coleta. As entrevistas
foram individuais, previamente agendadas com os profissionais
e realizadas em local reservado, próximo à UTIN. As enfermeiras
foram abordadas através de contato pessoal com a pesquisadora
no cenário de trabalho e a condução das entrevistas foi realizada
por uma pesquisadora capacitada e conhecida pelos profissio-
nais. O roteiro de entrevista contou com as seguintes perguntas
deflagradoras: Quais aspectos do Método Canguru você destaca
como os mais importantes em seu trabalho na UTIN? O que
você consegue desenvolver? O que te motiva? Quais são as
dificuldades? Quais estratégias gerenciais você utiliza?
Foram constituídos dois grupos amostrais, sendo o primeiro
composto por quatro enfermeiras diaristas e o segundo composto
por quatro enfermeiras plantonistas. A busca pelo primeiro gru-
po amostral deste estudo (enfermeiras diaristas) foi guiada em
função de essas profissionais terem frequência e abrangência de
atuação em termos de liderança na UTIN, sendo personagens
importantes na adesão ao Método Canguru na UTIN. A busca
pelo segundo grupo amostral (enfermeiras plantonistas) foi
guiada pelos dados que apontaram a necessidade de se com-
preender as possibilidades e perspectivas de quem gerencia o
cuidado de modo contínuo nas 24 horas do dia.
Coleta e organização
Neste estudo, as entrevistas dos dois grupos amostrais tiveram
duração média de 49 minutos, totalizando 4,8 horas de gravação
de voz. Foram transcritas à medida que foram obtidas para então
serem submetidas ao processamento analítico. A coleta foi en-
cerrada a partir da saturação teórica que no processo de análise
indica a conclusão para uma categoria específica ou mesmo para
o término do estudo. No primeiro nível, o investigador percebe
que um dado adicional não irá alterar a consistência e densidade
dos conceitos obtidos e em nível maior, que as relações entre as
categorias estão bem estabelecidas e validadas(8).
Análise dos dados
A análise na Teoria Fundamentada nos Dados é do tipo
comparativa, e neste estudo seguiram as etapas de codificação
aberta, axial e seletiva. Na primeira etapa, foi realizada uma
microanálise, linha por linha de cada entrevista, em busca de
unidades de análise que deram origem a códigos preliminares.
Estes foram agrupados por similaridades, gerando códigos
conceituais, que por sua vez, quando comparados, geraram
as categorias e suas subcategorias.
Na segunda etapa, a codificação axial, buscou-se uma inte-
gração teórica entre as categorias e subcategorias, com base em
agrupamentos indutivos. Neste estudo, essa integração seguiu
o modelo condicional-consequencial que é formado pelos
seguintes elementos: condições causais, fenômeno central,
contexto, condições intervenientes, estratégias de ação/interação
e consequência. Essa codificação possibilita ao pesquisador
pensar em estrutura e processo para evidenciar o fenômeno
através dos dados(8).
A terceira etapa compreende a emergência da categoria
central através da integração e refinamento das categorias, em
termos de propriedades e dimensões. Destaca-se a importância
de notas em forma de memorandos e confecção de diagramas
como importantes ferramentas analíticas em todas essas etapas.
Por fim, foi realizada a validação desse processo analítico
com 17 profissionais da equipe multiprofissional de saúde (10
enfermeiras, 2 médicas neonatologistas, 2 fonoaudiólogas, 1 as-
sistente social, 1 fisioterapeuta e 1 nutricionista), com o objetivo
de verificar o atendimento de critérios como ajuste, compreen-
são e generalização teórica. Os critérios para inclusão foram:
ser profissional da equipe de saúde atuante na área neonatal,
ter pelo menos um ano de experiência nesta área, conhecer
o Método Canguru, trabalhar num hospital/maternidade onde
seja desenvolvida a primeira etapa do Método Canguru. A
validação consistiu da apresentação grupal da pesquisa e seus
principais achados para os avaliadores, seguida da entrega de
um formulário individual para registro da caracterização do
profissional e seu parecer quanto à nomeação das categorias,
os conceitos apresentados e a representatividade dos diagramas.
RESULTADOS
Todos os participantes eram do sexo feminino, com idade
variando entre 30 e 45 anos, sendo a média de 39 anos. O
tempo de formação variou de 04 a 19 anos, com uma média
de 11 anos. Em relação ao tempo de atuação na área materno-
-infantil, o mesmo variou entre 3 e 10 anos, com uma média
de 6 anos. No que se refere à especialização, apenas uma
enfermeira declarou não ter cursado pós-graduação, as demais
(87,5%) referiram ter cursado especialização em áreas afins. Em
relação à escala e função, quatro participantes eram diaristas,
desenvolvendo atividades de supervisão e gerência, e quatro
eram plantonistas, desenvolvendo atividades de supervisão e
liderança de equipe. Todas relataram ter treinamento teórico
e/ou prático no Método Canguru.
Da análise dos dados, emergiu o fenômeno central: Sendo
um multiplicador de valores e práticas para a (des)continui-
dade do Método Canguru na UTIN, que trata da adesão dos
enfermeiros ao Método Canguru em sua primeira etapa. O
presente artigo trata da quarta categoria Deparando-se com
desafios para a adesão e aplicação do Método Canguru, que se
apresenta como condições intervenientes, no modelo teórico
que emergiu dos dados.
A relevância de destacar essa categoria neste artigo está em
sua densidade teórica representada em onze subcategorias,
conforme representado esquematicamente na Figura 1. O dia-
grama que ilustra o impacto da gota d’água sobre uma superfície
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Desafios gerenciais para boas práticas do Método Canguru na UTI Neonatal
Silva LJ, Leite JL, Silva TP, Silva IR, Mourão PP, Gomes TM.
líquida busca destacar que a adesão às boas práticas do Método
Canguru envolve o impacto da teoria com a realidade complexa
e multidimensional do trabalho da Enfermagem na UTIN, o que
implica em um diagnóstico situacional da realidade e o deline-
amento das estratégias gerenciais para melhoria das práticas.
tempo, como, por exemplo, os cuidados voltados à amamen-
tação do prematuro.
Às vezes, a gente tenta fazer tipo um estímulo de sucção,
um carinho, tentamos colocar no colo da mãe, dependendo,
mas está tão corrido hoje em dia que não dá tempo. [...] Eu
acho que a dinâmica aumentou, tem mais coisas burocráticas
quanto à papelada (E6).
Então, a sobrecarga de trabalho tem sido absurda, [...]. A gente
tem que priorizar o atendimento, [...] então, vou fazer dieta
em todos, mas não vou poder fazer com aquela qualidade
que a gente fazia antes. (E10)
Na subcategoria Precisando de conhecimento teórico e
prático, as enfermeiras relataram que apesar de conhecerem a
fundamentação científica do Método Canguru, ainda se con-
sideram pouco capacitadas e inexperientes na aplicação. A
insegurança técnica e a falta de conhecimento prejudicam a
adesão do profissional às boas práticas neonatais.
[...] Uma capacitação só, não transforma a pessoa. Eu acho
que o que transforma é a prática mesmo, é ver dando certo,
é você realmente colocar aquilo em prática. [...] não adianta
dar um curso de aleitamento se a pessoa não pratica aquilo,
ela não vive situações do dia a dia que são diferenciadas. (E1)
Porque eu acho que até a teoria as pessoas têm, [...] mas agora
eu acho que a prática real do Método Canguru as pessoas
não conhecem muito bem não, porque não conseguem de-
senvolver isso direito. (E5)
Diante disso, reforçam a necessidade de um programa de
Educação Permanente que promova sensibilizações e treinamen-
tos contínuos para qualificação da equipe no Método Canguru.
As pessoas que fizeram o curso anteriormente, muitas já não
estão mais, aí chegam outras equipes, então acho que esse
treinamento tem que ser contínuo também. Quando você
tem uma equipe mista, que muda muito, seu treinamento
não pode parar porque senão não resolve. (E2)
Neste contexto, o conhecimento prático do Método Canguru
foi apontado como um fator positivo e na subcategoria Precisan-
do mudar visões e concepções, as enfermeiras destacaram que a
resistência está relacionada a pouca experiência e, portanto, as
vivências práticas no Método Canguru é que permitem ressig-
nificar o cuidado na UTIN e conferir mais valor às tecnologias
relacionais e mudar as atitudes no cuidar.
Acho que quando a pessoa é um pouco resistente, a pessoa
não teve aquela experiência real mesmo. [...] A pessoa passa a
ter mais experiência, aí ela começa a ver que não é bobagem
dar banho e pesar embrulhado, diminuir o som, ela vê que
o comportamento da criança muda. (E8)
As enfermeiras afirmaram que uma visão limitada e redu-
cionista impossibilita o trabalho integrado com o bebê e sua
família, e culmina em uma prática mecanizada, ultrapassada e
centrada no profissional.
Fonte: Silva LJ. Sendo um multiplicador de valores e práticas para a (des)con-
tinuidade do Método Canguru na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal: subsí-
dios para a gerência do cuidado de enfermagem. Tese (Doutorado em Enferma-
gem). Rio de Janeiro: UFRJ / EEAN, 2013.
Figura 1 – Diagrama
Diagnosticando a realidade da
primeira etapa na UTIN
Precisando de estratégias gerenciais
Deparando-se
com desafios
para a adesão
e aplicação do
Método Canguru
Precisando
mudar visões
e concepções
Precisando garantir
continuidade das
práticas
Precisando
modificar o
ambiente de
cuidados
Precisando
trabalhar em
equipe
Precisando de
conhecimento
teórico e
prático
Precisando de
autonomia e apoio
multiprofissional
Precisando de
melhores atitudes
no cuidado
Precisando
de liderança
Precisando
de gente e
tempo
Na subcategoria Diagnosticando a realidade atual da primeira
etapa na UTIN, as enfermeiras referiram dificuldades materiais,
estruturais e operacionais para um desenvolvimento integral da
primeira etapa do Método Canguru, especialmente pela adesão
à prática do contato pele com pele.
Esse contato pele a pele é de extrema importância e isso é uma
coisa que também me entristece porque não tem sido feito lá
na primeira etapa. [...] Eu vejo cada vez menos a posição. (E1)
Hoje em dia eu estou vendo um método técnico, também
não se deixa de cuidar da temperatura, do aquecimento, do
calor, mas falta aquela coisa humanizada. Vai se descuidando
um pouquinho. (E6)
Na subcategoria Precisando de gente e tempo, a falta de
tempo foi destacada como fator limitante para a prática do Mé-
todo Canguru. A dinâmica imposta pelo ambiente intensivo, a
rotina, a sobrecarga de trabalho, aliados à escassez de recursos
humanos geram limitação da disponibilidade do profissional
para se fazer presente e dedicar-se em cuidados que demandam
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Desafios gerenciais para boas práticas do Método Canguru na UTI Neonatal
Silva LJ, Leite JL, Silva TP, Silva IR, Mourão PP, Gomes TM.
Algumas pessoas, mesmo trabalhando muito tempo em UTI,
eu acho que a prática elas têm, mas é uma prática infelizmente
mecanizada e ultrapassada. [...] As pessoas infelizmente não
querem se apegar a práticas novas, a coisas novas que chegam
para melhorar a vida desse bebê. (E5)
Na subcategoria Precisando de melhores atitudes no cuidado,
as enfermeiras destacaram a necessidade de maior sensibilidade
e atitudes de disponibilidade para estar com a mãe e realizar
o Método Canguru.
[...] já aconteceu da mãe ficar lá horas e horas com o bebê e
poderia fazer [o canguru]. Acho que falta essa disponibilidade,
essa percepção, sensibilidade de proporcionar à mãe isso. (E7)
A colega que é mais experiente chega para a gente e fala
‘gente não é assim não’ e a gente como já tem muitos anos
de UTI, acha que sabe tudo [...], mas tem profissional que
faz isso [canguru] e realmente se sente gratificado até profis-
sionalmente, enquanto pessoa. (E5)
Na subcategoria Precisando modificar o ambiente de cui-
dados, as enfermeiras apontaram que a sonoridade e clima de
agitação da UTIN alteram as percepções, atitudes e comporta-
mentos dos profissionais. Assim, reconheceram que existe uma
influência mútua entre o comportamento do profissional e a
atmosfera do ambiente de cuidados.
O ambiente da UTI é muito agitado e por si só, ele determina
sim conduta. As pessoas ficam muito agitadas, com certeza
determina, fica todo mundo agitado, só aquelas bombas e
oxímetros apitando... (E2)
Quando você experimenta trabalhar em um ambiente agitado,
com esse excesso de estímulo, mas você tem outra vivência
em outro ambiente, aí que você começa a perceber o quanto
é bom estar em um ambiente mais ameno, um ambiente
mais tranquilo, com menos estímulos. O quanto é bom para
você profissional e muito mais para o bebê e o familiar. (E8)
Foi destacada também a necessidade do trabalho em equipe
para dar conta da aplicação do Método Canguru em sua primeira
etapa. Assim, códigos, como o respeito entre os membros, a
comunicação, a responsabilização, a articulação e um bom clima
relacional compuseram a subcategoria Precisando trabalhar em
equipe, podendo ser observados na fala a seguir:
[...] Quando a gente trabalha em equipe a gente consegue
enxergar esse todo e é isso que as pessoas às vezes não
entendem. Acham que um quer passar por cima do outro o
tempo todo e trabalhar em equipe não é isso. (E2)
Na subcategoria Precisando de autonomia e apoio multi-
profissional, as enfermeiras relataram que têm a decisão e a
atuação limitadas por restrição médica, enfrentando críticas e
resistências na prática do Método Canguru na UTIN.
Eu estranho quando eles [referindo-se aos médicos] não deixam,
quando a gente pede ‘posso botar no colo?’. Porque para mim
o Método Canguru é nosso posicionamento, mas aí quando
você pede para colocar no colo você avalia achando que ele
[bebê] é capaz, não vai ter nenhum risco e a medicina coloca
algum empecilho ‘não pode porque está com cateter’. (E3)
Já a subcategoria Precisando garantir continuidade das prá-
ticas trata da preocupação das enfermeiras em garantir uma
aplicação contínua dos cuidados previstos pelo Método Can-
guru e que são considerados como boas práticas neonatais.
Nos depoimentos, destacaram-se relatos de descontinuidade
dessas práticas entre os profissionais e os plantões, com especial
atenção para o plantão noturno.
Em relação à posição canguru e a explicar a mãe que ela pode
tocar o bebê, que ela pode ficar perto do bebê, a questão do
aleitamento e tudo, é muito inconstante ainda. Tem equipes
que fazem e outras que não fazem, tem equipes que gostam
e outras que não gostam. (E2)
[...] geralmente falam ‘à noite é para se fazer o básico e por
ter o descanso a gente não pode ficar perdendo tempo’. E
nessa também depende do grupo e do enfermeiro porque
não é por ter o descanso que a gente vai deixar de fazer, vai
deixar de colocar quando a mãe está presente. (E6)
Algumas vezes consigo colocar essa mãe no Método canguru e
tal, mas, às vezes, eu não consigo dar continuidade. E isso é o
mais difícil, acompanhar aquela mãe no processo inteiro. (E4)
Diante dessa realidade, a subcategoria Precisando de liderança
constituiu-se da necessidade ressaltada pelas enfermeiras de maior
envolvimento, interação, supervisão e incentivo por parte dos
gerentes e líderes para a adesão da equipe ao Método Canguru.
[...] e que parta isso também da coordenação, porque se a
coordenação não tem esse pensamento, ela não se envolve
com isso, é claro que a equipe não vai se envolver, pois não
vai ser cobrada disso. (E1)
Acho que precisa mais de motivação por profissionais que
são mais esclarecidos quanto a essas técnicas, práticas, enten-
deu!? [...] Temos as chefias mais próximas, temos supervisores
diaristas que poderiam nos ajudar mais porque a nossa vida
lá na UTI às vezes é uma correria danada. (E5)
Ainda neste contexto, as enfermeiras relataram dificuldades
para gerenciar o Método Canguru na UTIN e assumem a ne-
cessidade de estratégias para uma liderança mais segura, maior
motivação da equipe, enfrentamento de conflitos e supervisão.
Elas consideram necessárias a obrigatoriedade das práticas do
Método Canguru e a padronização das mesmas através da ro-
tina e plano de cuidados na UTIN. Tais códigos compuseram
a subcategoria Precisando de estratégias gerenciais que está
representada nos trechos a seguir:
Acho que se tem treinamento para isso, se todo mundo já
sabe da importância e não está sendo feito, é uma questão
de virar ordem mesmo. [...] eu acho que é o único jeito. (E2)
O que eu tenho aprendido é isto: Com a rotina você cria hábito
e o hábito vira estilo de vida. É isso que precisa ter na UTI,
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Desafios gerenciais para boas práticas do Método Canguru na UTI Neonatal
Silva LJ, Leite JL, Silva TP, Silva IR, Mourão PP, Gomes TM.
aquela rotina, todo dia tem que fazer isso. Banho, se não der
para dar banho embrulhado, então não dá. Seria assim uma
imposição, ‘vai dar banho, é banho embrulhado, pesar, pesar
enrolado ou então não pesa’, porque aí obriga tanto você a
fazer isso que depois você não consegue fazer sem isso. (E10)
Com base no exposto, as subcategorias apresentadas retratam
os desafios relacionados à estrutura, dinâmica e processos de
trabalho nas dimensões individuais e coletivas para a adesão
às boas práticas no contexto do Método Canguru na UTIN.
DISCUSSÃO
Uma das importantes ferramentas de gestão é o diagnóstico
situacional que envolve a análise operacional de funciona-
mento de um processo, sistema ou modelo, para possibilitar
o planejamento de atividades estratégicas. Neste estudo, foi
evidenciada a necessidade de um diagnóstico situacional para
o conhecimento do contexto, recursos, processos, estrutura
e resultados do Método Canguru. Através de um diagnóstico
situacional, é possível estabelecer prioridades para intervenções
que sejam necessárias para a qualidade da assistência, como é
encontrado em experiências relatadas na literatura em outros
contextos assistenciais e de ensino(9-10).
Esse diagnóstico relacionado ao desenvolvimento de boas práticas
na UTIN deve considerar de forma prioritária a relação quantitativa
entre profissionais de enfermagem e pacientes neonatais, no contexto
da complexidade. Frequentemente, observa-se um desencontro entre
as necessidades do bebê e sua família, e a capacidade efetiva de
produção de cuidados da equipe, ficando, portanto, a oferta aquém
da demanda. O equacionamento desta relação é determinante para
o fator do tempo para o cuidado, que foi destacado nesta pesquisa
e encontra ressonância em outros estudos(11-12).
O ambiente da UTIN neste estudo se revelou como um de-
safio, pois sua própria estrutura tecnológica impõe dificuldades
para se promover um ambiente neuroprotetor para o prematuro.
Os alarmes e a tensão característicos deste ambiente acabam
por interferir no comportamento do bebê, dos familiares e
dos profissionais. Estudos também identificam as condições
ambientais como um dos principais fatores desfavoráveis para
a promoção do Método Canguru(13-14).
A aquisição de conhecimentos foi apontada nesta pesquisa
como um processo fundamental para o desenvolvimento de uma
visão contextualizada, favorecendo, desse modo, a implemen-
tação de boas práticas do Método Canguru. O conhecimento
teórico possibilitará ao profissional desenvolver um arsenal cog-
nitivo de julgamento das situações de cuidado para a tomada de
decisões. No entanto, é a confluência de um processo contínuo
de construção de conhecimentos teórico-práticos que possui
maior potencial de melhorias nos resultados assistenciais. Estudos
corroboram com a ideia de que o conhecimento teórico precisa
estar articulado com a mudança comportamental da equipe,
trabalhando cuidadosamente na implementação de estratégias
gerenciais que facilitem a adesão na prática clínica(6,15).
Estudos ressaltam que a capacitação dos profissionais é uma im-
portante estratégia gerencial para melhorar a adesão às boas práticas,
mas não deve ser isolada de um gerenciamento da prática clínica
(16-18)
.
É relevante a incorporação de conhecimentos e habilidades aplicadas
na prática assistencial para fortalecer o desenvolvimento do Método
Canguru, além de um processo permanente de levantamento de
demandas de educação para aperfeiçoamento profissional.
Os resultados aqui obtidos refletem que a vivência do Método
Canguru é solo fértil para a aquisição de habilidades e segurança
técnica, mas também para a sensibilização do indivíduo, pois
as situações de interação com o bebê e sua família geram, me-
diante reflexão, a transformação da visão e do agir profissional.
A sensibilização é, portanto, um processo que beneficia tanto
o bebê e sua família quanto o profissional na autonomia e de-
senvolvimento das boas práticas. Assim, no gerenciamento do
cuidado, a valorização de experiências prévias do indivíduo
contribui para a transformação e anula a reprodução acrítica(19-20).
Ao vivenciar inúmeras situações de cuidado ao bebê e sua família
na UTIN, o profissional vai organizando as informações adquiridas
ao encontro de um conjunto de valores, crenças, expectativas e
necessidades individuais e coletivas, que lhe permitem assumir uma
atitude. Neste sentido, a atitude humana é bastante complexa, pois
envolve aspectos cognitivos, comportamentais, afetivos-emocionais
e volitivos. São as relações sociais estabelecidas para o cuidado
que proporcionam aos profissionais de enfermagem a aquisição
de novas informações e a vivência de diferentes sentimentos. É
neste contexto que o profissional, através dos significados, confere
um sentido ao cuidado do recém-nascido na UTI Neonatal(21).
Neste estudo, os resultados apontaram para a necessidade de
mudança de concepções e atitudes. Estas são influenciadas pelo
contínuo processo de significação do indivíduo na interação
simbólica consigo mesmo e com os outros, num dado contexto
histórico-social. No Método Canguru, a prática dos enfermeiros
sofre influências importantes da cultura organizacional, do
modelo assistencial e da interação complexa entre crenças,
normas e evidências. Assim, há uma ambivalência nas atitudes
dos enfermeiros na prática do contato pele com pele entre os
pais e o bebê prematuro na UTIN, no sentido de promover o
máximo possível ou nem sempre facilitar as melhores condições
de cuidado por questões multidisciplinares, ser um apoiador da
participação dos pais ou praticar o Método Canguru como uma
rotina sem muito conhecimento e sensibilidade relacional(14,16).
No contexto das relações multiprofissionais, outro desafio desta-
cado pelas enfermeiras neste estudo foi a autonomia para a tomada
de decisões relacionadas especialmente ao contato pele com pele
e amamentação em bebês prematuros. No entanto, muitas vezes,
existe uma falsa interpretação do termo “autonomia” como total
independência e autossuficiência para decidir e agir sozinho. Ao
contrário, a verdadeira autonomia é conquistada quando o pro-
fissional age num contexto de interdependência entre os diversos
profissionais com quem trabalha, respeitando os limites de suas
atribuições, cumprindo acordos, resolvendo situações e atuando
de forma segura e eficaz
(22-23)
. Sendo assim, a autonomia é também
uma postura profissional que reflete maturidade e autocrítica perma-
nente e um padrão de relacionamento construído para o trabalho.
A este respeito, os estudos registram que o comprometimento
da visibilidade e a falta de reconhecimento da profissão por
parte dos demais trabalhadores da equipe de saúde refletem nas
dificuldades de estabelecimento de laços de confiança, com
resultados negativos na efetivação das boas práticas(24-25). Para
Rev Bras Enferm [Internet]. 2018;71(suppl 6):2948-56. 2954
Desafios gerenciais para boas práticas do Método Canguru na UTI Neonatal
Silva LJ, Leite JL, Silva TP, Silva IR, Mourão PP, Gomes TM.
que haja qualidade, é necessário que os membros da equipe
de saúde reconheçam a importância de compartilhar e lutar
pelo alcance das metas coletivas estabelecidas. Mas na prática,
o trabalho em equipe não é uma tarefa fácil, especialmente
porque envolve as interações pessoais e atitudes de cooperação,
respeito e comunicação entre os profissionais.
O trabalho em equipe é, talvez, uma das características mais
importantes do trabalho em saúde que está diretamente vinculada
com o desenvolvimento pessoal e profissional dos indivíduos e
com o avanço das boas práticas. O modelo assistencial do Método
Canguru exige um trabalho em rede onde a preocupação central
seja a integralidade das ações. No entanto, o que se observa na
prática é uma desintegração entre as várias categorias que com-
põem a equipe de saúde atuante na UTIN, resultando em ações
desarticuladas e pontuais. Daí a necessidade destacada nesta
pesquisa de que os gerentes de enfermagem e gestores atentem
para a estruturação das equipes e façam investimentos para uma
interação sinérgica entre as pessoas, que lhe proporcionem o
sentimento de pertencimento e o reconhecimento do outro(26).
A questão da descontinuidade das práticas foi evidenciada
neste estudo como reflexo das dificuldades no gerenciamento
do cuidado e na sistematização da assistência, bem como na
articulação entre as equipes, plantões e turnos. Neste contexto,
outro desafio destacado nesta pesquisa foi a necessidade de
liderança para motivação das equipes e continuidade das práti-
cas no Método Canguru. É fundamental que os profissionais de
enfermagem e gerentes estejam envolvidos em um movimento
de melhoria da qualidade, onde as práticas e processos na UTIN
sejam continuamente revisados em busca de segurança do
paciente e humanização. Isto, por sua vez, exige mapeamento
das dificuldades e limitações no trabalho para planejamento e
intervenções que promovam a continuidade(27-28).
A crescente complexidade do trabalho em saúde tem exigido
das enfermeiras cada vez maiores habilidades gerenciais, uma vez
que ocupam posição de destaque na organização do processo de
cuidado nos diferentes contextos assistenciais. As estratégias auxi-
liam ao gerente na tomada de decisões, na motivação da equipe,
no estabelecimento de metas, na concentração de esforços para re-
sultados e na definição dos recursos necessários. Então, a estratégia
refere-se a uma diretriz, uma ferramenta que orienta ou padroniza
o processo de gerenciamento do cuidado, conferindo coerência e
melhores resultados no processo decisório e avaliativo(29-31).
Limitações do estudo
Considerando-se que o Método Canguru apresenta diferen-
tes níveis de implementação programática nas maternidades
e hospitais, a limitação deste estudo consiste no fato de ter
sido desenvolvido em um único cenário, não sendo possível
generalizar os resultados.
Contribuições para a área da Enfermagem
Este estudo proporciona subsídios para o gerenciamento do
cuidado de enfermagem no Método Canguru, ao evidenciar
a interação entre os profissionais para o trabalho em equipe
como uma importante área de investimento gerencial, a fim
de se obter melhor adesão às boas práticas na UTIN. Oferece
também contribuições para dar maior visibilidade ao Método
Canguru como um conjunto de boas práticas que apesar de
fortalecer os valores humanísticos no cuidado neonatal, ainda
enfrenta resistências e limitações no que se refere à adesão
dos profissionais.
CONCLUSÃO
No contexto hospitalar, os desafios estão presentes em qual-
quer etapa de um modelo assistencial, desde a elaboração,
passando pela implantação e desenvolvimento até a avaliação,
num ciclo de continuidade e retroalimentação. No contexto do
Método Canguru, a presente pesquisa evidenciou importantes
desafios que envolvem a adesão e, portanto, o desenvolvimento
das boas práticas propostas nesse modelo perinatal.
Nesta pesquisa, as enfermeiras referiram dificuldades em
aplicar de forma integral a proposta do Método Canguru na
UTIN, denotando um distanciamento das metas do programa
nacional. O principal motivo foi o declínio ou abandono das
práticas pelos profissionais, refletindo a baixa adesão ao mo-
delo. Foram elencados desafios como necessidades de ordem
profissional e institucional que precisam ser atendidas para
melhorar a adesão e a aplicação do Método Canguru.
Os desafios de ordem profissional surgem quando o enfermei-
ro confronta seus recursos (conhecimentos, vivências, concep-
ções e atitudes) com as demandas assistenciais de tecnologias
relacionais para um cuidado de qualidade na UTIN. Por sua vez,
os desafios de ordem institucional para a adesão e aplicação do
Método Canguru referem-se à estrutura e processo de trabalho
na UTIN, delineados especialmente pelas diferentes instâncias
deliberativas que compõem a gestão dos serviços e unidades.
Neste sentido, as enfermeiras elencaram como principais
necessidades a adequação de recursos humanos, trabalho multi-
profissional, programas de Educação Permanente e humanização
do ambiente da UTIN. Depreende-se então que, institucio-
nalmente, o investimento em melhorias para a aplicação do
Método Canguru depende do significado e da dimensão que
a experiência com o modelo tem para os gestores e líderes.
FOMENTO
Esse artigo obteve apoio da Fundação Carlos Chagas Filho
de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).
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... A transformação da concepção desse modelo de cuidado biomédico foi processual e lenta. No Brasil, a implantação desse modelo busca associar o uso dessa tecnologia leve com as tecnologias duras da terapia intensiva neonatal (3)(4)(5) . ...
... Com o intuito de intensificar a implantação do Método (ano 2000) em todo o território nacional, considerando os diferentes cenários culturais, sociais e econômicos do país, foram criados Centros Nacionais de Referência (CNR (9) . A literatura aponta um cenário de resistência, observado, na prática, para a implantação do método no país, como barreiras geradas pela própria equipe, processos de trabalho, gestão, falta de recursos, entre outras (3,4,5) . ...
Article
Full-text available
Objective to analyze the power relations and knowledge among health teams that permeate the Kangaroo Mother Care implementation and dissemination in the state of Santa Catarina. Method socio-historical qualitative research, carried out in the state of Santa Catarina, from January to November 2019, based on interviews with 12 health professionals. Data were analyzed in the light of Foucault’s genealogical proposal, with the help of Atlas.ti Cloud®. Results the relationships of neonatal team members strengthened Kangaroo Mother Care actions in the state, articulating services and favoring health professionals’ autonomy. However, Kangaroo nurses stand out in this process, and the hegemonic medical discourse often still represses the other professional categories. Conclusion professionals develop strategies to negotiate changes in the practice of care, moving between the plots of power and knowledge, sometimes exercising it, sometimes being passive to it. DESCRIPTORS Patient Care Team; Kangaroo-Mother Care Method; Infant, Newborn; Health Policy; Power, Psychological; Neonatal Nursing
... This allowed the articulation of services with important characters, such as MS consultants. A study carried out in Rio de Janeiro also points to positive influence of interaction between professionals for compliance with good practices of humanization in NU (17) . ...
... Lack of teamwork makes it difficult to implement the (24,25) method. Each team professional has a role of multiplier, potentially influencing (dis)continuity of KMC (17) . A team that is safe and aware of KMC more easily overcomes the barriers related to the weaknesses experienced in most hospitals to work in KMC (3,6) . ...
Article
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Objective to analyze the power relations and knowledge among health teams that permeate the Kangaroo Mother Care implementation and dissemination in the state of Santa Catarina. Method socio-historical qualitative research, carried out in the state of Santa Catarina, from January to November 2019, based on interviews with 12 health professionals. Data were analyzed in the light of Foucault’s genealogical proposal, with the help of Atlas.ti Cloud®. Results the relationships of neonatal team members strengthened Kangaroo Mother Care actions in the state, articulating services and favoring health professionals’ autonomy. However, Kangaroo nurses stand out in this process, and the hegemonic medical discourse often still represses the other professional categories. Conclusion professionals develop strategies to negotiate changes in the practice of care, moving between the plots of power and knowledge, sometimes exercising it, sometimes being passive to it. DESCRIPTORS Patient Care Team; Kangaroo-Mother Care Method; Infant, Newborn; Health Policy; Power, Psychological; Neonatal Nursing
... Some attitudes of adherence to the KM cited by nurses are: having a new look; believing; participating and interacting as a team; paying attention to affinities for the type of work that has been fundamental to the practice of humanized care (10) . Moreover, another study highlights that both continuing education and the adequacy of human resources, multi-professional work, and humanization of the environment are factors that facilitate the implementation of the KM (8) . ...
... Another study has shown that the difficulties pointed out for nurses to implement the KM were: lack of adherence of professionals to the practices of the method; need for professional and institutional organization to avoid the lack of resources; problems in the structure and work process of professionals in the institution; and lack of professional autonomy (8) . ...
Article
Full-text available
Objective: To identify the potentialities, barriers and difficulties for the implementation of humanized care from the perspective of the Kangaroo Method. Methods: Integrative literature review with a time cut from 02/01/2015 to 06/01/2019, totaling ten articles in the final sample. Results: The findings were categorized into two categories: Potentialities for humanized care from the perspective of the Kangaroo Method; Barriers or difficulties to the implementation of the Kangaroo Method. Several potentialities for humanized care allied to technology and continuing education were identified, as well as several barriers to the implementation of the Kangaroo Method, such as lack of physical space, lack of professionals and team training, lack of knowledge, lack of adherence and professional demotivation. Final considerations: There are still few studies that address the potentialities, barriers and difficulties for the implementation of humanized care from the perspective of the Kangaroo Method, and most of those included in this review were conducted in Brazil and present a qualitative approach.
... 14 It should also be borne in mind that the NICU is a sector where highly complex services are provided and that there must be a reconciliation of technological resources, with respect to instruments and equipment, as well as new techniques, and also the proper management of human resources, avoiding overloading professionals, encouraging training and continuing education. 2 Concomitant to what is described in the literature, we see the perceptions of the interviewees regarding the management of resources and their influence on good practices, revealing that the lack of equipment limits its practice, as well as an uncomfortable environment for mothers that hinders the application of the Kangaroo Method and discourages their interaction with the baby. All this translates the idea that without resources, or with poor management of these resources, the assistance is compromised and this directly harms the patient. ...
Article
Objetivo: compreender como a equipe de enfermagem de uma terapia intensiva neonatal organiza seu trabalho baseando-se em boas práticas. Método: pesquisa qualitativa utilizando a Teoria Fundamentada nos Dados para a interpretação de 18 entrevistas semiestruturadas realizadas com 9 técnicos de enfermagem e 9 enfermeiros de uma Unidade Neonatal de um Hospital Universitário Público Federal do Sul do Brasil. Resultado: foi possível inferir que o cuidado ao neonato em unidade neonatal é complexo, singular e dinâmico, exigindo constante especialização, sistematização e humanização. Conclusão: a gestão do cuidado ao neonato baseada em boas práticas garante uma melhor assistência de enfermagem e a segurança e satisfação do paciente, equipe e demais atores envolvidos.
... In this sense, neonatal hospitalization represents a major challenge for professionals, since the environment of a highly complex NU is one of intense pressure and stress, consequently interfering with the organization of PTNBs, either by the environment itself or by the routine of care practices. Improving the quality of practices within the NICU, through humanization, is essential for the survival and neuroprotection of these individuals (21) . Therefore, in this study, the signs of approach had a significant difference between the weighing. ...
Article
Full-text available
Objective to describe and compare the frequency of neurobehavioral signs in preterm infants in traditional and humanized body weight check. Methods a quantitative, quasi-experimental, cross-over study, carried out in a Neonatal Unit at a university hospital with a sample of 30 preterm newborns, randomly assigned and allocated in control group (traditional) and intervention group (humanized), with collection of general data, vital signs before and after procedures and footage. Results there was a higher frequency of approach signs in humanized weight check compared to traditional check. Moreover, withdrawal signs were more frequent in traditional weight check compared to humanized check. Conclusion in this regard, humanized body weight check provided greater benefits to preterm infants, making it necessary to foster discussions about humanization of care, so that this practice can be performed routinely in health units. Descriptors: Infant; Premature; Neurobehavioral Signs; Humanization of Assistance; Intensive Care; Neonatal; Body Weight
... Nesse sentido, a hospitalização neonatal representa um grande desafio aos profissionais, uma vez que o ambiente de uma UN de alta complexidade é de intensa pressão e estresse, consequentemente interferindo na organização dos RNPTs, seja pelo próprio ambiente ou pela rotina de práticas assistenciais. A melhoria da qualidade das práticas dentro da UTIN, por meio da humanização, é essencial para a sobrevivência e neuroproteção desses indivíduos (21) . ...
Article
Full-text available
Objective to describe and compare the frequency of neurobehavioral signs in preterm infants in traditional and humanized body weight check. Methods a quantitative, quasi-experimental, cross-over study, carried out in a Neonatal Unit at a university hospital with a sample of 30 preterm newborns, randomly assigned and allocated in control group (traditional) and intervention group (humanized), with collection of general data, vital signs before and after procedures and footage. Results there was a higher frequency of approach signs in humanized weight check compared to traditional check. Moreover, withdrawal signs were more frequent in traditional weight check compared to humanized check. Conclusion in this regard, humanized body weight check provided greater benefits to preterm infants, making it necessary to foster discussions about humanization of care, so that this practice can be performed routinely in health units. Descriptors: Infant; Premature; Neurobehavioral Signs; Humanization of Assistance; Intensive Care; Neonatal; Body Weight
... Studies have pointed that the lack of proper knowledge about it, the uncertainty about making the kangaroo position, the work overload combined to the lack of human resources and the automated attitude without an integrated sight to the baby's health are the reasons that explain the problem when trying the proper use of the KMCM. 5,6 In order to make the first moments of a newborn's live full of love, and the potential benefits of the KMCM actually happen it's essential that there is engagement of the institutions and health teams, from the attention on prenatal until the outpatient follow-ups, because the initial emotional bonds will impact on the baby's relations along its life. 7 Finally, if we see a potentially good strategy to child health, we also have its effectiveness as a challenge to managers and health professionals. ...
... Common identified supportive barriers were the workload of nurses working at NICU, shortage of healthcare professionals leading to the lack of attention to kangaroo mother room, and the absence of infrastructure in kangaroo room affecting the routine scale-up of KMC practice. Similarly, a systemic review study investigated the barriers and enablers of KMC implementation from a healthcare systems perspective and reported that the most common barriers for nurses to scale up the practice of KMC were increased workload and insufficient staff, reduced resources, and poor supervision, as well as the absence of professionals' quality training, shortage of space, and the reluctance of management (5,7,9,11). Healthcare professionals spend more time in the NICU than in the KMC room; therefore, most mothers complain that poor supervision and follow-up made them feel ignorance and neglect. ...
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Background: Kangaroo mother care is essential improves outcomes of premature and low birth weight infants. Even though kangaroo mother care is now recognized by global experts as an integral part of essential newborn care, the adoption and implementation of the kangaroo mother care is still challenging. Aim of this study to explore perceived enablers and barriers of kangaroo mother care among mothers and nurses in neonatal intensive care unit. Methods: Descriptive Phenomenological study design was conducted in Tikur Anbessa Specialized referral Hospital at Addis Ababa with 13 mothers and 7 nurses from 10 th May-15 th July, 2020. In-depth interview used with semi-structured questionnaire and data was collected till saturation of information. Thematic analysis was done with ATLAS.Ti software version 7.5.16. Results: Major enablers and barriers of practicing kangaroo mother care among mothers and nurses reported that lack of understanding of KMC, family responsibility and workload, lack of awareness of KMC by community, social practice and traditional adaptation were the barriers to practice of KMC. Poor supervision and follow-up, limited resource especially sanitation resource are the major barriers related to health staff and setting. Nurses reported that scale-up of kangaroo mother care was influenced by absence of training, poor attention given by managers and administrative, shortage of rooms and facilities, workload and time shortage. Conclusion: A complex array of barriers and enablers determine a mother's and nurses ability to provide KMC. Improve the mothers' to practice KMC and to promote the health of preterm infants, supports such as family, community and health professional support needed. Nurses needed in-service education, proper administration and less workload to promote KMC practice.
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Background Despite wide recognition that clinical care should be informed by the best available evidence, this does not always occur. Despite a myriad of theories, models and frameworks to promote evidence-based population health, there is still a long way to go, particularly in maternity care. The aim of this study is to appraise the scientific study of methods to promote the systematic uptake of evidence-based interventions in maternity care. This is achieved by clarifying if and how implementation science theories, models, and frameworks are used. Methods To map relevant literature, a scoping review was conducted of articles published between January 2005 and December 2019, guided by Peters and colleagues’ (2015) approach. Specifically, the following academic databases were systematically searched to identify publications that presented findings on implementation science or the implementation process (rather than just the intervention effect): Business Source Complete; CINAHL Plus with Full Text; Health Business Elite; Health Source: Nursing/Academic Edition; Medline; PsycARTICLES; PsycINFO; and PubMed. Information about each study was extracted using a purposely designed data extraction form. Results Of the 1181 publications identified, 158 were included in this review. Most of these reported on factors that enabled implementation, including knowledge, training, service provider motivation, effective multilevel coordination, leadership and effective communication—yet there was limited expressed use of a theory, model or framework to guide implementation. Of the 158 publications, 144 solely reported on factors that helped and/or hindered implementation, while only 14 reported the use of a theory, model and/or framework. When a theory, model or framework was used, it typically guided data analysis or, to a lesser extent, the development of data collection tools—rather than for instance, the design of the study. Conclusion Given that models and frameworks can help to describe phenomenon, and theories can help to both describe and explain it, evidence-based maternity care might be promoted via the greater expressed use of these to ultimately inform implementation science. Specifically, advancing evidence-based maternity care, worldwide, will require the academic community to make greater explicit and judicious use of theories, models, and frameworks. Registration Registered with the Joanna Briggs Institute (registration number not provided).
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Objective understanding the meaning of managing nursing care for puerperae and newborns in primary healthcare. Methods qualitative study, based on the theoretical framework of Data-based Theory. Participant observation and semi-structured individual interviews were conducted with eleven primary healthcare nurses. The analytical process involved open, axial, and selective coding/integration. Results the central phenomenon, Promoting the management of nursing care in primary healthcare, indicates the leadership of nurses when dealing with challenges in the context of care. That suggests actions and interactions to guarantee autonomy and the quality of care, in addition to empowering the parents. Conclusion the management of care from nurses who participated in the research aims to embrace the mother-child and family particularities since the prenatal, and to promote a singular, multidimensional, continuous, vigilant, and systematized care, which values the subjectivity and the main role of the woman-mother and the care they should have with themselves and the newborn.
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Objective to compare the social representations of professional nurse autonomy produced by first and last-period undergraduate nursing students. Method qualitative, descriptive and exploratory study, based on the structural approach of social representations, the Central Core Theory, carried out with 171 students from three federal public universities, using the free association technique on the object “professional nurse autonomy”. The data were submitted to EVOC 2005 software and to similarity analysis. Results care was the central core of the representational structure identified among the students of the first period. Among last-period students, knowledge stood out as a core element. The term responsibility was identified as common to both central cores. Conclusion regarding professional autonomy, the results point to an overlapping process of the reified and consensual universes during the undergraduate course. However, responsibility, inherent in the profession, remains cross-sectional. For the first period students, autonomy is resignified in a practical and attitudinal way, whereas for the last period students, the knowledge acquired stimulates them to assign meaning to professional autonomy with a cognitive and attitudinal representation. The data can support the use of innovative teaching practices in nursing undergraduate courses.
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Background: Less than 20% of the 996 NICUs in the United States routinely practice kangaroo care, due in part to the inadequate knowledge and skills confidence of nurses. Continuing education improves knowledge and skills acquisition, but the effects of a kangaroo care certification course on nurses' knowledge and skills confidence are unknown. Method: A pretest-posttest quasi-experiment was conducted. The Kangaroo Care Knowledge and Skills Confidence Tool was administered to 68 RNs at a 2.5-day course about kangaroo care evidence and skills. Measures of central tendency, dispersion, and paired t tests were conducted on 57 questionnaires. Results: The nurses' characteristics were varied. The mean posttest Knowledge score (M = 88.54, SD = 6.13) was significantly higher than the pretest score (M = 78.7, SD = 8.30), t [54] = -9.1, p = .000), as was the posttest Skills Confidence score (pretest M = 32.06, SD = 3.49; posttest M = 26.80, SD = 5.22), t [53] = -8.459, p = .000). Conclusion: The nurses' knowledge and skills confidence of kangaroo care improved following continuing education, suggesting a need for continuing education in this area. J Contin Educ Nurs. 2016;47(11):518-524.
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Objective to analyze the strategies used by nurses to promote teamwork in a hospital emergency room. Method qualitative case study research with 20 nurses in the emergency unit of a university hospital in southern Brazil. Data were collected between June and September 2009 through participant observation and semi-structured interviews, and analyzed using thematic analysis. Results the strategies used by the nurses to promote teamwork in the emergency unit were articulating professional actions; establishing relationships of cooperation; building and maintaining friendly ties; and managing conflict. Conclusion nurses notably make the connections between the practices of the health teams and mediate the relationships established between health professionals to improve care practices.
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A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é a sede terapêutica de maior complexidade em uma unidade hospitalar, onde se centram o máximo de esforços humanos e tecnologias de cuidado visando o pleno reestabelecimento do individuo à sua condição normal ou ao menos a redução do agravo que o conduziu a hospitalização. Vivenciar a internação de um parente em uma UTI requer dos familiares a capacidade de compreender seus próprios sentimentos e elaborar estratégias para o enfrentamento do problema. Este estudo tem o objetivo de conhecer a produção científica acerca da humanização na visita de UTI, reconhecendo como se estabelece a comunicação entre a equipe de enfermagem e os pacientes e seus familiares para desenvolver um relacionamento interpessoal com efeito terapêutico. Trata-se de uma revisão integrativa, método que permite sintetizar o conhecimento produzido e identificar lacunas para fundamentar melhor investigações científicas futuras. Nos resultados foram encontrados oito artigos que abordam a temática, estes concentrados na região sudeste e sul. As categorias temáticas extraídas dos artigos foram concepção e vivência de familiares sobre humanização na visita de UTI, concepção dos profissionais sobre humanização na visita de UTI e estratégias de acolhimento. Concluímos que com esta revisão reitera-se a importância de implementar de forma mais efetiva a Política Nacional de Humanização em níveis mais complexos de atenção. Os estudos mostraram realidades adversas, mas embasadas praticamente no mesmo problema estrutural, a falta de comunicação.
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Relato de experiência vivenciado pela equipe interdisciplinar da unidade neonatal de um hospital universitário do sul do país, na implementação da Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru. Atualmente, um dos cinco Centros de Referência Nacional do Ministério da Saúde. A proposta baseada no Método Canguru começou a ser introduzida em 1996, incorporando os serviços de enfermagem, medicina, psicologia, serviço social, nutrição, fonoaudiologia e fisioterapia. Neste estudo apresentamos e discutimos as ações desenvolvidas, organizadas em sete tópicos: 1) Atendimento às Gestantes de Alto Risco; 2) Grupo de Mães e Pais de Recém Nascidos internados; 3) Grupo Interdisciplinar da Neonatologia; 4) Gestão em Saúde; 5) O ensino no processo da humanização; 6) Cursos de Capacitação; 7) Produção do conhecimento. A interdisciplinaridade fortaleceu o conhecimento, a experiência profissional e pessoal, interagindo no universo das vivências, recriando a educação em saúde, resultando em um cuidado acolhedor, e fortalecendo a tecnologia diferenciada.
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construct an explanatory theoretical model about nurses' adherence to the Kangaroo Care Method at the Neonatal Intensive Care Unit, based on the meanings and interactions for care management. qualitative research, based on the reference framework of the Grounded Theory. Eight nurses were interviewed at a Neonatal Intensive Care Unit in the city of Rio de Janeiro. The comparative analysis of the data comprised the phases of open, axial and selective coding. A theoretical conditional-causal model was constructed. four main categories emerged that composed the analytic paradigm: Giving one's best to the Kangaroo Method; Working with the complexity of the Kangaroo Method; Finding (de)motivation to apply the Kangaroo Method; and Facing the challenges for the adherence to and application of the Kangaroo Method. the central phenomenon revealed that each nurse and team professional has a role of multiplying values and practices that may or may not be constructive, potentially influencing the (dis)continuity of the Kangaroo Method at the Neonatal Intensive Care Unit. The findings can be used to outline management strategies that go beyond the courses and training and guarantee the strengthening of the care model.
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Objetivo: Identificar a percepção de enfermeiros atuantes na Unidade de Terapia Intensiva acerca do processo de Educação Permanente com vista a sua posterior implementação no serviço.Métodos:Pesquisa exploratória, descritiva de abordagem qualitativa, realizada de junho a agosto de 2013, com cinco enfermeiros atuantes em uma unidade de terapia intensiva de um hospital de médio porte da região central do Rio Grande do Sul. A coleta de dados ocorreu por meio de um questionário contendo questões abertas e o tratamento dos dados por meio da análise de conteúdo. Resultados: Emergiramduas categorias:O Enfermeiro em Unidade de Terapia Intensiva: percepções e atribuições; Delineando estratégias para a qualificação do processo de trabalho. Conclusão: Foi possível identificar que a Educação Permanente é um processo lento e progressivo que não pode perder o foco principal que visa à qualidade do cuidado, pois apresenta significativo resultado de transformação.
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Kangaroo Mother Care (KMC) is an evidence-based nursing practice with many benefits for children and parents. The purpose of this study was to describe mothers’ and fathers’ experiences of information and communication from the staff in connection with KMC and their experiences during the application of KMC. A qualitative study with semi-structured interviews was performed. The sample consisted of 12 families (n = 20). The results show that the information and communication was experienced as both optimal and suboptimal including following themes: safe and confusing, satisfactory and unsatisfactory and enhanced self-esteem and lack of self-esteem. The experiences during application of KMC included belonging and alienation as well as happiness and anxiety. The overall theme showed that information and communication of KMC is both crucial and not crucial for parents to experience KMC as optimal nursing care. The conclusion is that staff in neonatal units, where the KMC is implicated, should review their practices regarding the process of information and communication between parents and staff. This requires further research into the implementation of communication theories for the staff in neonatal units in a satisfactory way for the parents.