PreprintPDF Available
Preprints and early-stage research may not have been peer reviewed yet.

Abstract

In a recent study, Figueiredo & Loures (2016) demonstrate that Mercosur encourages the entry of new products into the export agenda of its member countries. Thus, this paper analyzes whether export experience within Mercosur affects the likelihood of market creation for new non-marketed products, i.e. an effect Spillover for third countries. Using a highly disaggregated database, Base for Analytics du Commerce International (BACI) - HS4 and; an estimation strategy based on probabilistic models, it is found that previous export experiences are associated with a 1.9% market-creation probability for new products. This effect, coupled with the results of Figueiredo & Loures (2016) indicate that Mercosur not only contributes to the expansion of the extensive trade margin within the bloc, but also constitutes a first step for a product to consolidate itself in the exploration of new international markets.
Mercosul e o Efeito Spillover na Criação de Comércio
Alexandre Loures,Erik Figueiredo,Lucas Mariano§
Resumo
Em um estudo recente, Figueiredo & Loures (2016) demonstram que o Mercosul es-
timula a entrada de novos produtos na pauta de exportação de seus países membros.
Diante disso, este artigo analisa se a experiência de exportação dentro do Merco-
sul afeta a probabilidade de criação de mercado para novos produtos fora da área
de comércio, i.e., um efeito Spillover para terceiros países. Usando um banco de
dados com elevada desagregação, Base pour l’Analyse du Commerce International
(BACI) – HS4 e; uma estratégia de estimação baseada em modelos probabilísticos,
constata-se que as experiências anteriores de exportação estão associadas com uma
probabilidade de 1,9% de criação de mercado para novos produtos. Esse efeito,
aliado aos resultados de Figueiredo & Loures (2016) indicam que o Mercosul não
só contribui para a ampliação da margem extensiva de comércio dentro do bloco,
como também constitui um primeiro passo para que um produto se consolide na
exploracão de novos mercados internacionais.
Palavras chave: Mercosul, Comércio internacional, Efeito Spillover.
JEL: C33; C55; F14; F15.
Abstract
In a recent study, Figueiredo & Loures (2016) demonstrate that Mercosur encour-
ages the entry of new products into the export agenda of its member countries.
Thus, this paper analyzes whether export experience within Mercosur affects the
likelihood of market creation for new non-marketed products, i.e. an effect Spillover
for third countries. Using a highly disaggregated database, Base for Analytics du
Commerce International (BACI) - HS4 and; an estimation strategy based on prob-
abilistic models, it is found that previous export experiences are associated with a
1.9% market-creation probability for new products. This effect, coupled with the
results of Figueiredo & Loures (2016) indicate that Mercosur not only contributes
to the expansion of the extensive trade margin within the bloc, but also constitutes
a first step for a product to consolidate itself in the exploration of new international
markets.
Key words: Mercosur, International trade, Spillover effect.
JEL: C33; C55; F14; F15.
Os autores são gratos ao suporte do CNPq por meio do projeto 400216/2017-5.
Universidade Federal da Paraíba, Brasil. Bolsista Pós-doutorado Júnior CNPq. Email:
alexandre.loures@ymail.com.
Universidade Federal da Paraíba, Brasil. Bolsista Produtividade CNPq. Email:
eafigueiredo@gmail.com.
§Mestrando pela Universidade Federal da Paraíba, Brasil. Email: lucasmariano1905@gmail.com.
1 Introdução
Na segunda metade da década de 2000, o Inter-American Development Bank promo-
veu uma série de discussões relacionadas ao futuro do Mercosul. O esforço dos diversos
participantes resultou em uma coletânea de artigos sintetizadas no livro “Deepening In-
tegration in Mercosur: Dealing with Disparities” organizado por Blyde, Fernández-Arias,
& Giordano (2008). O tema central do debate era como um acordo multilateral poderia
sobreviver a disparidades institucionais e de política macroeconômica apresentadas por
seus países fundadores. Em meio a tantas dúvidas, alguns pesquisadores mostravam-se
otimistas quanto ao sucesso da integração desses países. Galvão Jr (2008, p. 255), por
exemplo, classificava o Mercosul sendo um “young and highly asymmetric integration ef-
fort e, como um acordo ‘jovem’, ele teria “time to solve or at least accommodate, within
the integration framework, most of its numerous problems”.
Hoje, quase trinta anos depois de sua fundação, pode-se dizer que as previsões otimis-
tas, como as de Galvão Jr (2008), estavam corretas. De uma forma geral, as evidências
empíricas têm indicado diversos benefícios econômicos do Mercosul sobre os seus paí-
ses membros. Os exemplos são diversos, Yeats (1997), pioneiramente, indentificou um
crescimento expressivo no comércio intra-bloco principalmente em produtos nos quais o
bloco não era competitivo internacionalmente. Cordeiro & Rodrigues Jr (2016) chegam a
conclusões similares, porém, apontando indícios de desvio de exportações industriais em
direção do bloco (“trade diversion”). Usando uma abordagem estrutural, Loures & Figuei-
redo (2017) sugerem que o acordo gera um impacto positivo sobre o bem-estar econômico
dos países membros. Os mesmos autores, Figueiredo & Loures (2016), também demons-
tram que o bloco promove a entrada de novos produtos no mercado, comprovando seu
efeito sobre a margem extensiva de comércio.1
Diante disso, este artigo pretende testar uma hipótese ainda pouco explorada pela
literatura relacionada aos efeitos dos “Regional Trade Agreements (RTAs), qual seja: que
esses acordos são capazes de gerar externalidades positivas na pauta de exportação (efeitos
de Spillover). Mais especificamente, busca-se averiguar se o Mercosul não só promove a
entrada de novos produtos no setor exportador, como constitui o primeiro passo para que
esses produtos sejam ofertados no mercado internacional posteriormente.
1Margem extensiva caracteriza-se como sendo o número de produtos comercializados enquanto mar-
gem intensiva a média do valor dos produtos já comercializados no mercado internacional (c.f. Baldwin
& Di Nino,2008;Santos Silva, Tenreyro, & Wei,2014).
2
Essa hipótese está ancorada em desenvolvimentos teóricos recentes e seus mecanismos
causais podem ser classificados em três efeitos distintos: i) a existência de economias de
escala na produção,2ii) a presença de experiência adquirida nas exportações para países
membros do acordo3– “learning by exporting” – e, iii) a ocorrência de economias de escala
na exportação para países não-membros do RTA.4Conforme Krugman (1980) quando um
acordo é formado as firmas conseguem distribuir os custos para um mercado maior, ou seja,
para um maior número de consumidores, o que acaba favorecendo o aumento do comércio
considerando uma situação em que as firmas têm economias de escala na produção e,
assim, aumentando a posssibilidade de exportar para terceiros países. Ademais, após
a promulgação de um RTA, as firmas ficam expostas a um maior mercado exportador
o que poderia aumentar sua produtividade reduzindo seus custos e permitindo que elas
consigam exportar para mercados fora do bloco cujos custos transacionais inviabilizavam
os fluxos bilaterais de comércio anteriormente.
Para este artigo, define-se um novo produto, k, como sendo aquele produto para o qual
não houve exportação em qualquer um dos anos anteriores à promulgação do Mercosul
(1991). Em seguida, verifica-se se esse novo produto foi comercializado primeiramente
entre os membros do Mercosul para, só depois, fazer parte da pauta exportadora dos
membros e não-membros. Em caso afirmativo, tem-se uma evidencia preliminar de que
o Mercosul age como um primeiro passo para a consolidação de um produto no mercado
internacional.
Para fundamentar econometricamente a hipótese do efeito Spillover, este estudo ado-
tará uma estratégia similar a de Molina (2010). Nesse sentido, busca-se analisar o impacto
do acordo de livre comércio para os países do Mercosul sobre a probabilidade das exporta-
ções de novos produtos para terceiros países. Os principais resultados encontrados indicam
que o Mercosul aumenta em 1,9% a probabilidade de se exportar o mesmo produto kpara
países não-membros.
A organização deste artigo tem a seguinte forma. Além dessa seção, encontra-se apre-
2Conforme Moore (1959) economia de escala caracteriza-se como sendo a vantagem de custo que a
empresa obtém devido sua escala de operação em que o custo por unidade de produto diminui com o
aumento da escala.
3Para Molina (2010) a exposição das firmas aos mercados internacionais pode contribuir para que
possam ter acesso a novas tecnologias e expertises contribuindo para melhorar seu processo de produção
e, assim, reduzindo seus custos de produção.
4Destaca-se a existência de um custo de entrada no mercado internacional associado com o estabe-
lecimento de canais de distribuição, mas uma vez estabelecido esses canais o custo médio de exportar o
mesmo produto para destinos adicionais deve ser menor (c.f. Borchert,2007).
3
sentada na Seção 2 a especificação econométrica utilizada para as análises. Já na Seção 3
apresentam-se os resultados e discussões. Por fim, na Seção 4 são feitas as considerações
finais.
2 Dados e especificação empírica
2.1 Dados
Fluxo de comércio bilateral: a principal fonte de dados é consituída por informações
relativas ao comércio bilateral positivo (ausência de zeros) entre os países de origem e
destino, respectivamente, iej. Considerou-se a desagregação do Sistema Harmonizado
de quatro dígitos (HS4), que abrange o maior número de países possível, totalizando, em
média, 1.241 setores para cada país. Os dados são fornecidos pelo Centre D’Estudes Pros-
pectives Et D’Informations Internationales (CEPII), Base pour l’Analyse du Commerce
International (BACI);5
Regional Trade Agreements - RTAs: os dados sobre os RTAs foram obtidas da base
Mario Larch’s Trade Agreements Database;6
Demais variáveis de controle: outra fonte de informação foi a The Database Penn
World Table version 9.0, de onde foram obtidos dados sobre o Produto Interno Bruto
(PIB), taxa de câmbio real e sobre o PIB per capita;7
Período de análise e definição do Mercosul: a análise compreende o período amostral
1989-2010, sendo a amostra composta pelos membros plenos do Mercosul: Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai como países de origem e 183 países como destino,8totalizando
328.140 observações. Destaca-se que, uma vez que a Venezuela atualmente encontra-se
suspensa do acordo bem como se tornou membro pleno do Mercosul9somente em 2012
e o período amostral termina em 2010, este artigo optou por não incluir essa economia
como um país de origem na análise e;
5Disponível em: http://www.cepii.fr/CEPII/en/bdd_modele/presentation.asp?id=1.
6Obtida no endereço: http://www.ewf.uni-bayreuth.de/en/research/RTA-data/index.html.
7Essa base encontra-se em: https://www.rug.nl/ggdc/productivity/pwt/.
8A lista de todos os países de destino encontra-se na Tabela 3 do Apêndice A-1.
9O Mercosul é composto por cinco membros plenos (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela
– atualmente suspensa), cinco membros associados (Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru) e dois
estados observadores (Nova Zelândia e México).
4
Fluxos comerciais iguais a zero: convém ressaltar que a base BACI, utilizada neste
estudo, não reporta a ausência de comércio, ou seja, o fluxo de comércio bilateral igual a
zero. Dessa forma, o presente estudo realizou um procedimento de expansão da base de
tal modo que esse fluxo fosse computado na base.
2.2 Definições: novos produtos e Spillover
Considere a identificação de um novo produto, k, na pauta de exportação do país i, no
tempo t. Assuma ainda que ele não era exportado por ino período tn. Algebricamente,
tal situação pode ser representada da seguinte forma:
NewPik,t =
1se xik,t >0exik,t= 0 para t< t
0caso contrário
(1)
em que xik,t representa o valor exportado do produto kdo país de origem ino período t.
Conforme Molina (2010) o objetivo dessa delimitação para novos produtos se faz neces-
sária para identificar onde a experiência pregressa da exportação ocorreu. Sendo assim,
a fim de determinar se a experiência foi adquirida no comércio intra-bloco ou fora do
bloco, extrai-se dois subconjuntos do conjunto dado na Condição 1. A seguir, tem-se o
subconjunto para as experiências adquiridas através do fluxo bilateral de comércio com
os países não-membros, representados por j:
NewPij k,t =
1se xijk,t >0exij k,t= 0 para t< t
0caso contrário
(2)
Por sua vez, o subconjunto para as experiências adquiridas por meio do comércio entre
os membros do Mercosul, representados por m, é dado por:
NewPimk,t =
1se ximk,t >0eximk,t= 0 para t< t
0caso contrário
(3)
Diante disso, no contexto do presente estudo, define-se a variável que irá capturar o
efeito das experiências anteriores entre os membros do Mercosul por:
5
insideijk,t =
1se xijk,t >0jet[t2; t1]
0caso contrário
(4)
Importante salientar que a construção para a variável que irá capturar as experiências
anteriores entre membros e não-membros, outsideij k,t, é idêntica a da insideijk,t e, por
brevidade, não será mostrada aqui. Ademais, a variável que irá capturar o efeito Spillover
caracteriza-se como sendo uma interação entre uma dummy que assume valor igual a um
se o par de países i, origem, e j, destino, são membros do Mercosul e zero caso contrário,
capturando o efeito do Mercosul – denotada por mercosurij,t , e a variável explicativa
insideijk,t .
Definidas as variáveis centrais do estudo, a subseção seguinte discute a especificação
econométrica adotada para a mensuração do efeito Spillover.
2.3 Especificação empírica
Como já ressaltado, a base de dados utilizada para a construção da variável dependente
deste estudo não reporta os fluxos de comércio bilateral iguais a zero. Portanto, o primeiro
passo será o da expansão da base BACI de modo a reportar os setores inexistentes na
pauta de exportação com valores iguais a zero. Por exemplo, suponha que o Brasil não
tenha exportado soja para os Estados Unidos nos anos de 2000 e 2001, o que não será
reportado na BACI, mas ao expandir essa base, essa ausência de comércio na commodity
soja entre Brasil e Estados Unidos será gerada e reportada com valor zero. Em seguida,
cria-se uma variável indicadora que assume valor 1, se o valor exportado do setor é positivo
e zero caso contrário.
Para identificar o fluxo de novos produtos nos diferentes mercados, serão necessárias
duas definições prévias relativas aos novos produtos e os grupos de destino desses produ-
tos. Em primeiro lugar, um novo produto será aquele que nunca fez parte da pauta de
exportação dos países exportadores no período antes da promulgação do Mercosul. Esse
novo produto poderá ser destinado a dois grupos distintos de importadores: a) os países
membros do Mercosul e; b) para os países não-membros do Mercosul (por vezes chamados
de terceiros países). Dito isso, mesmo que um produto kjá tenha sido exportado para o
grupo “a”, sua primeira aparição na pauta do grupo “b” será definida como “nova”. Usando
uma definição mais concreta: observa-se da base de dados deste estudo, que os produtos
6
classificados no grupo HS4igual a 630810 só passaram a fazer parte da pauta exportadora
no ano de 1992, no comércio entre Paraguai e Alemanha. Ou seja, esse produto não havia
sido exportado nos anos 1989,1990 e1991 e, por isso, é definido como um novo produto.
Para avaliar se a promulgação do Mercosul é capaz de criar mercado para novos pro-
dutos para terceiros países deve-se ter o cuidado de trabalhar somente com produtos que
não faziam parte do fluxo de comércio bilateral antes da entrada em vigor do Mercosul
(em t2et1),11 assim, o segundo filtro a ser aplicado na base trata-se da exclusão
daqueles produtos para os quais já existiam comércio antes da promulgação do Mercosul,
nos anos de 1989 e1990.
Contudo, após esse segundo filtro o regressando será composto tanto por produtos que
começaram a ser comercializados após a instituição do Mercosul bem como por produtos
que mesmo após a entrada em vigor desse acordo não foram incluídos na pauta de expor-
tação. Sendo assim, o terceiro filtro aplicado à variável dependente foi a exclusão desses
produtos que mesmo após a criação do Mercosul não passaram a ser exportados.
Assim, o efeito do Mercosul sobre a probabilidade da criação de um novo mercado
para o produto kpode ser medido pela seguinte expressão:
P r(newpij k,t) = β1lgdpi,t +β2lgdpj,t +β3lxri,t +β4insideij k,t +β5outsideijk,t +
+β6mercosurij,t +β7spilloverijk ,t +β8lmoduleij,t +γt+ij k,t
(5)
em que P r(newpij k,t)assume valor 1 se um novo produto kfor exportado pelo país i,
membro do Mercosul, para um país jfora do acordo comercial pela primeira vez no
período t;lgdpi,t caracteriza-se como sendo o logaritmo do Produto Interno Bruto (PIB)
do país de origem enquanto que lgdpj,t o PIB do país de destino; lxri,t representa
o logaritmo da taxa de câmbio real do país de origem; insideijk,t 12 caracteriza-se como
sendo uma dummy que assume valor igual a um se o produto kera exportado, antes da
promulgação do Mercosul (no caso em análise os anos de 1989 e1990), apenas para países
membros do acordo e zero caso contrário, outsideijk,t12 é uma dummy que assume um se
o produto kera comercializado apenas entre membros e não-membros em qualquer dos
10Compreendendo: têxteis, sortidos de tecidos e fios, com ou sem acessórios, para confecção de tapetes,
tapeçarias, bordados, guardanapos e semelhantes, em embalagens para venda a retalho.
11Em que trepresenta o ano da entrada em vigor do Mercosul, 1991.
12Note que um novo produto exportado para um terceiro país pode apresentar uma experiência anterior
para um país membro ou para outro mercado não-membro ou para ambos bem como não possuir nehuma
experiência anterior.
7
dois anos anteriores a promulgação do Mercosul, ou seja, nos anos de 1989 e1990, e zero
em caso contrário; por sua vez mercosurij,t representa uma dummy que assume um se o
país exportador ifazia parte do acordo de comércio e zero caso contrário; caracterizando
o módulo da diferença entre os PIBs per capita do país de origem e de destino tem-se
lmoduleij,t , sendo uma proxy para a similaridade entre os países com o intuito de capturar
a proximidade de gostos e preferências dos consumidores. O coeficiente β7é de maior
interesse já que representa o efeito do termo de interação entre insideijk,t emercosurij,t13
que determina a ocorrência do Spillover do Mercosul. A variável γtdenota os efeitos fixos
de tempo e ijk,t o termo de erro não-observável.
Salienta-se que a inclusão das variáveis lgdpi,t elgdpi,t no modelo econométrico tem
como finalidade observar se acordos comerciais com países desenvolvidos possuem uma
maior probabilidade de exportação para terceiros países. Quanto a inclusão do regressor
lxri,t justifica-se uma vez que apreciações (depreciações) real do câmbio poderiam diminuir
(aumentar) a probabilidade de exportar um novo produto, portanto, essa variável controla
para qualquer mudança na competitividade dos exportadores. Por sua vez, as variáveis
insideijk,t eoutsideij k,t objetivam capturar, respectivamente, os efeitos de uma experi-
ência anterior dentro e fora do Mercosul. Ou seja, se experiências anteriores possuem
efeitos positivos sobre a probabilidade de se criar mercado para esses mesmos produtos,
confirmando ou rejeitando a hipótese da existência de um mecanismo de aprendizagem –
learning by exporting – ou de uma economia de escala na exportação, respectivamente.
Para determinar a existência do efeito Spillover do Mercosul inclui-se a variável de
interação spilloverij k,t na especificação econométrica. Importante salientar que se o pa-
râmetro dessa variável reportar um sinal positivo, significa que a experiência anterior dos
membros do Mercosul possui um efeito adicional para a criação de mercado para novos
produtos exportados para os não-membros. A Tabela 1 apresenta as principais variáveis
incluídas no modelo e uma síntese dos sinais esperados.
Destaca-se ainda que neste tipo de análise existe o risco da sobreposição de efeitos dos
acordos comerciais assinados e, sendo assim, o intervalo de tempo entre cada “Regional
Trade Agreement” é de fundamental importância para a identifição do efeito Spillover
“puro” do acordo em análise, isto é, independente de quaisquer efeitos de outros acordos.
Nesse sentido, Molina (2010) destaca que adotar uma janela de setes anos (três anos
13Essa interação dá origem à variável denominada de spilloverijk,t .
8
Tabela 1. Descrição das variáveis independentes.
Variáveis Sinal esperado Efeito sobre a variável dependente
lgdpi,t > 0 Impacto do PIB do país exportador
lgdpj,t > 0 Impacto do PIB do país importador
lxri,t > 0 Controlar mudanças de competitividade do ex-
portador
insideijk,t > 0 Indica se a experiência de exportação prévia
para países membros afeta a exportação de no-
vos produtos
outsideijk,t > 0 Controlar o efeito de haver exportação para um
país não-membro antes ao acordo comercial
mercosurij,t 0 Denota a influência de fazer parte do acordo
sobre as exportações para países não membros
spilloverij k,t > 0 Indica a existência do spillover devido ao
acordo comercial
lmoduleij,t 0 < Expressa o efeito da similaridade de renda dos
países do fluxo de comércio
antes, t3, e três anos depois, t+ 3), centrada em torno da data da entrada em vigor
do Mercosul – assim t, neste estudo, corresponde ao ano de 1991 – parece ser razoável
para contornar o problema da sobreposição e, dessa forma, uma vez que o Mercosul foi o
único acordo assinado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai dentro desse intervalo
temporal, janela de sete anos, pode-se dizer que os resultados reportados por este artigo
não apresentam o problema da sobreposição de efeitos.
Além disso, objetivando filtrar para outros efeitos,14 este artigo considera a criação de
mercado para novos produtos para terceiros países apenas aqueles produtos que passaram
a ser exportados nos cinco anos seguintes à promulgação do Mercosul (t+ 5).15 Con-
tudo, como um teste de robustez este artigo adotou um intervalo temporal maior entre
a promulgação do Mercosul e a exportação de novos produtos para países não-membros,
ou seja, considerou como novos produtos exportados para terceiros países aqueles que
passaram a ser exportados ao longo de todo o período amostral após a implementação
do Mercosul (t+ 19). Sendo assim, este artigo estimou dois modelos distintos em que,
primeiramente, analisou o efeito Spillover do Mercosul considerando apenas a criação de
mercado para novos produtos durante os cincos anos posteriores (t+ 5) à implementação
do Mercosul, definido como Modelo Restrito, e, posteriormente, realizou-se uma outra
estimação considerando a criação de mercado para novos produtos ao longo de todo o
período após a constituição do Mercosul (t+ 19), denominado de Modelo Irrestrito.
14 Conforme Molina (2010, p. 85) “os produtos exportados para não-membros em t+6 ou mais períodos
não podem ser observados, mas aumentar o lapso temporal poderá capturar outros efeitos de demanda
ou oferta”.
15O que corresponde aos anos de 1992,1993,1994,1995 e1996.
9
3 Resultados e Discussões
ATabela 2 sintetiza os principais resultados do estudo. Na primeira coluna de cada
modelo, Restrito e Irrestrito, apresentam-se os resultados para os parâmetros e seus des-
vios padrão. A segunda coluna, destina-se a expor os efeitos marginais. De uma forma
geral, não há diferença expressiva entre os dois modelos apresentados.16 Contudo, essa
similaridade é justificável dado que o Mercosul estabelece um compromisso entre os Esta-
dos signatários que os proíbe de negociarem acordos bilaterais de livre-comércio de forma
independente, sem os outros membros do bloco. Em outras palavras, estabelece o compro-
misso dos membros do Mercosul de negociarem de forma conjunta os acordos comerciais
que incluem preferências tarifárias com terceiros países. Sendo assim, e ciente de que
a diferença principal entre os modelos restrito e irrestrito se dá no intervalo temporal
considerado para observar um novo produto é natural que os resultados sejam próximos.
Via de regra, todos os coeficientes estimados apresentaram os sinais esperados e signi-
ficância estatística. Os sinais positivos para lgdpi,t elgdpj,Tabela 2, sugerem que países
participantes de acordos com economias desenvolvidas possuem uma maior probabilidade
de exportarem para terceiros países. Já para a variável lxri,t o sinal negativo implica
que quanto menos apreciado estiver o câmbio maior a probalidade de se exportar para
um país fora da área do Mercosul. As experiências anteriores dentro da área do Mer-
cosul, insideijk,t , reportaram um sinal positivo, porém, não significativo. Já a variável
outsideijk,t , foi positiva e estatisticamente diferente de zero, demonstrando que experiên-
cias anteriores fora da área do Mercosul possuem um efeito positivo sobre a probabilidade
de exportação desse mesmo produto para não-membros. Esse último resultado ratifica a
hipótese da existência de uma economia de escala na exportação.
Focando no efeito Spillover, ambos os modelos reportam coeficientes positivos e sig-
nificativos. Nota-se ainda que quanto maior a similaridade entre as duas economias
(lmoduleij,t ), maior será a probabilidade de criação de mercado para novos produtos para
terceiros países. Dito isso, nota-se que após controlar para outros fatores que possam
impactar sobre a probabilidade da criação de mercado para novos produtos para não-
membros a variável de interesse spilloverij k,t possui um efeito positivo e estatisticamente
significante sobre essa probabilidade sendo que, experiências anteriores de exportação para
16Por brevidade não foram reportados na Tabela 2 os valores para os coeficientes dos efeitos fixos ano.
10
Tabela 2. Probabiliade de criação de novos mercados para não-membros.
Variável Modelo Restrito Modelo Irrestrito
Coeficiente Efeito Marginal Coeficiente Efeito Marginal
lgdpi,t 0,0950a
(0,0062)
0,0097a
(0,0006)
0,0955a
(0,0061)
0,0098a
(0,0006)
lgdpj,t 0,0793a
(0,0031)
0,0081a
(0,0003)
0,0788a
(0,0030)
0,0081a
(0,0003)
lxri,t -0,0259a
(0,0025)
-0,0027a
(0003)
-0,0257a
(0,0025)
-0,0026a
(0,0003)
insideijk,t 0,0022
(0,0146)
0,0002
(0,0015)
0,0101
(0,0144)
0,0010
(0,0015)
outsideijk,t 0,3481a
(0,0257)
0,0318a
(0,0021)
0,3329a
(0,0254)
0,0306a
(0,0021)
mercosurij,t 0,8029a
(0,0218)
0,1002a
(0,0032)
0,7703a
(0,0215)
0,0955a
(0,0031)
spilloverijk,t 0,1757a
(0,0261)
0,0190a
(0,0030)
0,1847a
(0,0256)
0,02004a
(0,0029)
lmoduleij,t -0,0620a
(0,0047)
-0,0064a
(0,0005)
-0,0621a
(0,0046)
-0,0064a
(0,0005)
Amostra 328.140 338.822
Notas: Erros padrão entre parênteses. Significância estatística: a1%,b5% ec10%.
o produto kdentro da área do Mercosul implicaria em uma probabilidade de 1,9% desse
mesmo produto ser exportado para países fora da área desse bloco.
Embora não configure um impacto expressivo, pode-se entender esse resultado como
um efeito ignorado pela literatura pregressa. De uma forma geral, os estudos concentram-
se no impacto direto do Mercosul sobre as exportações. A variável mercosurij,t, por
exemplo, mensura o efeito do bloco sobre a margem extensiva (novos produtos) – em média
10%. Esse resultado é similar ao reportado por Figueiredo & Loures (2016). Contudo,
também deve-se considerar os efeitos sobre o grupo de países não-tratados. Nesse sentido,
pode-se dizer que o Mercosul está associado a uma probabilidade de aproximadamente
12% de criação de margem extensiva de comércio.
4 Considerações finais
Este artigo se concentrou em uma área ainda pouco explorada pela literatura empírica de
economia internacional, qual seja: a captação dos efeitos indiretos dos “Regional Trade
Agreements”. Para tanto, definiu-se efeito Spillover como a capacidade de criação de
11
mercado para novos produtos fora do bloco comercial. Concentrando-se no Mercosul,
observou-se que o seu efeito direto – criação de mercado para novos produtos dentro do
bloco – situa-se próximo de 10%. Adicionalmente, seu efeito Spillover foi de cerca de 2%.
A captação desse efeito adicional constitui a principal contribuição deste artigo, abrindo
espaço para investigacões futuras voltadas para mensurações mais precisas envolvendo o
efeito do Mercosul e indicadores de crescimento e bem-estar dos países membros.
Referências
Baldwin, R., & Di Nino, V. (2008). The newly-traded goods hypothesis: evidence from
the trade data. In R. E. Baldwin, V. Di Nino, L. Fontagne, R. A. De Santis, &
D. Taglioni (Eds.), Study on the impact of the euro on trade and foreign direct
investment. SSRN Electronic Journal. doi:10.2139/ssrn.1163774
Blyde, J. S., Fernández-Arias, E., & Giordano, P. (2008). Deepening integration in
Mercosur: Dealing with disparities. Inter-American Development Bank.
Borchert, I. (2007). Preferential trade liberalization and the path-dependent expansion
of exports. University of St. Gallen, Department of Economics, Discussions Paper
No. 2007-06 . doi:10.2139/ssrn.975655
Cordeiro, B. F., & Rodrigues Jr, M. (2016). Os impactos do Mercosul sobre o comércio:
uma abordagem gravitacional (Unpublished master’s thesis). University of São Paulo
(FEA-USP).
Figueiredo, E., & Loures, A. (2016). O efeito do Mercosul sobre a comercialização de
novos produtos. Revista Brasileira de Economia,70 (3), 305–314. doi:10.5935/0034-
7140.20160015
Galvão Jr, R. F. (2008). Regional competitiveness policies for deeper integration in
Mercosur. In Deepening integration in Mercosur: Dealing with disparities. Inter-
American Development Bank.
Krugman, P. (1980). Scale economies, product differentiation, and the pattern of trade.
The American Economic Review ,70 (5), 950–959.
Loures, A., & Figueiredo, E. (2017). Uma nota sobre o impacto do comércio internacional
no crescimento de economias em desenvolvimento. Revista Brasileira de Economia ,
71 (4), 453–461. doi:10.5935/0034-7140.20170022
Molina, A. C. (2010). Are preferential agreements stepping stones to other markets?
IHEID Working Papers 13-2010, Economics Section, The Graduate Institute of In-
ternational Studies.
Moore, F. T. (1959). Economies of scale: Some statistical evidence. The Quarterly
Journal of Economics,73 (2), 232–245. doi:10.2307/1883722
Santos Silva, J. M. C., Tenreyro, S., & Wei, K. (2014). Estimating the ex-
tensive margin of trade. Journal of International Economics ,93 (1), 67–75.
doi:10.1016/j.jinteco.2013.12.001
12
Yeats, A. J. (1997). Does Mercosur’s trade performance raise concerns about the effects
of regional trade arrangements? (Policy Research Working Paper Series No. 1729).
The World Bank. Retrieved from https://elibrary.worldbank.org/doi/abs/
10.1093/wber/12.1.1
13
APÊNDICE A-1
Tabela 3. Lista dos países de destino.
África do Sul Croácia Islândia Quênia
Albânia Cuba Israel Reino Unido
Alemanha Dijibuti Itália Rep. Centro-Africana
Andorra Dinamarca Jamaica Rep. Checa
Angola Dominica Japão Rep. Dominicana
Antígua e Barbuda Egito Jordânia Rep. Quirguiz
Antilhas Holandesas El Salvador Kuwait Ruanda
Arrábia Saudita Emirados Árabes Reunidos Laos Rússia
Argélia Equador Letônia Samoa
Argentina* Eritreia Líbano Santa Helena
Armênia Eslováquia, Rep. Libéria Santa Lúcia
Aruba Eslovênia Líbia São Cristóvão e Nevis
Austrália Espanha Lituânia São Tomé e Príncipe
Áustria Estados Unidos Macau São Vicente e Granadinas
Azerbaijão Estônia Macedônia, FYR Seicheles
Bahamas Etiópia Madagascar Senegal
Bangladesh Fiji Malásia Serra Leoa
Barbados Filipinas Malaui Singapura
Barém Finlândia Maldivas Síria
Belize França Mali Sri Lanka
Benin Gabão Malta Sudão
Bermudas Gâmbia Marrocos Suécia
Bielorrússia Gana Maurícia Suíça
Bolívia Geórgia Mauritânia Suriname
Bósnia e Herzegovina Gibraltar México Tailândia
Brasil* Granada Moçambique Taiwan
Brunei Darussalam Grécia Moldávia Tajiquistão
Bulgária Guatemala Mongólia Tanzânia
Burquina Faso Guiana Montserrat Togo
Burúndi Guiné Myanmar Tonga
Butão Guiné-Bissau Nepal Trinidad e Tobago
Cabo Verde Guiné Equatorial Nicarágua Tunísia
Camarões Haiti Níger Turquemenistão
Camboja Honduras Nigéria Turquia
Canadá Hong Kong Noruega Ucrânia
Catar Hungria Nova Caledônia Uganda
Cazaquistão Iêmen Nova Zelândia Uruguai*
Chile Ilhas Cayman Omã Vanuatu
China Ilhas Malvinas Países Baixos Venezuela
Chipre Ilhas Marianas do Norte Panamá Vietnã
Colômbia Ilhas Marshall Papua-Nova Guiné Zâmbia
Comores Ilhas Virgens Britânicas Paquistão Zimbabué
Congo, Rep. Dem. do Índia Paraguai*
Coreia, Rep. da Indonésia Peru
Coreia do Norte Irã, Rep. Islâmica do Polinésia Francesa
Costa do Marfim Iraque Polônia
Costa Rica Irlanda Portugal
Nota: O símbolo de asterisco indica os países de origem, i, mas que também são destino, j.
14
ResearchGate has not been able to resolve any citations for this publication.
Article
Full-text available
This paper investigates the impact of international trade on the economic growth of a group of developing countries. For this, the structural model proposed by Anderson et al. (2014) is used. The results indicate that growth is stimulated by bilateral trade. Counterfactual exercises suggest that trade liberalization, whether it results from reduced NAFTA costs or a hyperglobalization process, has a significant and positive impact on social welfare for some of the countries analyzed. In the case of Brazil, the improvement in welfare is 0.25% and 9.13%, respectively. Overall, the results demonstrate that international trade can be used as a tool to leverage GDP growth and the welfare of countries.
Article
Full-text available
This article uses a database with a high level of disaggregation in order to measure the impact of Mercosur on the improvement of the new business relationships. So that, it will consider the extensive margin definition of trade developed by Baldwin & Di Nino (2008), namely: the number of products that did not belong to export products before signing the bilateral agreement. The results indicate that Mercosur has a positive impact on the probability of a new class of product to be traded (around 1.87%). It was also noted that Paraguay and Uruguay were the most benefit countries with the agreement.
Article
Full-text available
Understanding and quantifying the determinants of the number of sectors or firms exporting in a given country is of relevance for the assessment of trade policies. Estimation of models for the number of exporting sectors, however, poses a challenge because the dependent variable has both a lower and an upper bound, implying that the partial effects of the explanatory variables on the conditional mean of the dependent variable cannot be constant. We argue that ignoring these bounds can lead to erroneous conclusions and propose a flexible specification that accounts for the doubly-bounded nature of the dependent variable. We empirically investigate the problem and the proposed solution, finding significant differences between estimates obtained with the proposed estimator and those obtained with standard approaches.
Article
I. Statement of the problem, 232. — II. The evidence from some previous studies, 233. — III. The “.6 factor” rule and its application, 234. — IV. Specific evidence in a selection of metal processing and chemical industries, 236. — V. Studies of selected mineral industries, 239. — VI. Conclusions, 242.
Article
In this paper, the authors discuss the deepening of MERCOSUL's integration in the context of enhancing regional competitiveness. The paper focuses on regional policies related to the trade flows, creating a united area for investment and common competitiveness policies, and regional cohesion funds for MERCOSUL. The authors argue that the road to a common market appears appears only after abiding by a strong comprehensive strategy and implementation.
Article
In the presence of sunk costs to exporting, preferential tari liberalization may have a prolonged, dynamic eect on the pattern of a beneficiary country's exports. In particular, preferential tari liberalization might trigger a geographic spread of exports to third markets outside the preferential trading area. I test this hypothesis for the pattern of Mexican exports after the inception of NAFTA to several Latin American trading partners. After controlling for product specific shocks and the overall trend in export growth, the evidence is consistent with the hypothesis that initial exports to the United States further prompted exports to third markets. The results suggest a significant impact on exports to large or geographically proximate countries (Argentina, Brazil, Peru, Costa Rica, Guatemala, Honduras and Panama). The stunning growth in the extensive margin as a count measure owes much to rather simple goods, while more sophisticated goods exert a substantial impact on the value of Mexican exports. The findings also document the existence of considerable tari-induced trade diversion for goods with little skill or technology content.
Article
This study employs a new methodological approach that measures production efficiency in changing trade patterns. It shows that the most rapidly growing products in Mercosur's intratrade generally are goods in which members do not have a comparative advantage and have not been able to export competitively to outside markets. This is consistent with substantial trade diversion within the arrangement. Mercosur's discriminatory tariffs against nonmembers, which are four to six times higher than those in arrangements such as the European Union, European Free Trade Area, or North American Free Trade Agreement, are likely the cause. Recent further increases in Mercosur's tariffs against nonmembers are likely to exacerbate the magnitude of trade diversion.
Article
For some time now there has been con- siderable skepticism about the ability of comparative cost theory to explain the ac- tual pattern of international trade. Neither the extensive trade among the industrial countries, nor the prevalence in this trade of two-way exchanges of differentiated prod- ucts, make much sense in terms of standard theory. As a result, many people have con- cluded that a new framework for analyzing trade is needed.' The main elements of such a framework-economies of scale, the pos- sibility of product differentiation, and im- perfect competition-have been discussed by such authors as Bela Balassa, Herbert Grubel (1967,1970), and Irving Kravis, and have been "in the air" for many years. In this paper I present a simple formal analysis which incorporates these elements, and show how it can be used to shed some light on some issues which cannot be handled in more conventional models. These include, in particular, the causes of trade between economies with similar factor endowments, and the role of a large domestic market in encouraging exports. The basic model of this paper is one in which there are economies of scale in pro- duction and firms can costlessly differenti- ate their products. In this model, which is derived from recent work by Avinash Dixit and Joseph Stiglitz, equilibrium takes the form of Chamberlinian monopolistic com- petition: each firm has some monopoly power, but entry drives monopoly profits to zero. When two imperfectly competitive economies of this kind are allowed to trade, increasing returns produce trade and gains from trade even if the economies have iden- tical tastes, technology, and factor endow- ments. This basic model of trade is pre- sented in Section I. It is closely related to a model I have developed elsewhere; in this paper a somewhat more restrictive formula- tion of demand is used to make the analysis in later sections easier. The rest of the paper is concerned with two extensions of the basic model. In Sec- tion II, I examine the effect of transporta- tion costs, and show that countries with larger domestic markets will, other things equal, have higher wage rates. Section III then deals with "home market" effects on trade patterns. It provides a formal justifica- tion for the commonly made argument that countries will tend to export those goods for which they have relatively large domestic markets. This paper makes no pretense of general- ity. The models presented rely on extremely restrictive assumptions about cost and util- ity. Nonetheless, it is to be hoped that the paper provides some useful insights into those aspects of international trade which simply cannot be treated in our usual models.
The newly-traded goods hypothesis: evidence from the trade data
  • R Baldwin
  • V Di Nino
Baldwin, R., & Di Nino, V. (2008). The newly-traded goods hypothesis: evidence from the trade data. In R. E. Baldwin, V. Di Nino, L. Fontagne, R. A. De Santis, & D. Taglioni (Eds.), Study on the impact of the euro on trade and foreign direct investment. SSRN Electronic Journal. doi:10.2139/ssrn.1163774