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Panorama do setor de tintas no Brasil: mercado, gestão e tecnologias para o segmento de tintas imobiliárias

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A utilização de tintas e pigmentos tem, ao longo da história, um papel significativo para a expressão, registro e legado da humanidade. Pode-se dizer que este recurso evoluiu conforme o desenvolvimento das civilizações em todo o mundo. Assim, na contemporaneidade, as tintas e pigmentos representam um setor importante para muitas economias, incluindo o Brasil, que é um dos maiores produtores mundiais. As empresas brasileiras, por sua vez, sabem que os usos (e reusos) de tintas são resultados de demandas diversificadas e complexas, a exemplo do ramo imobiliário, que requer pesquisa e inovação na produção e comercialização. Partindo desse contexto, o objetivo deste estudo foi apresentar um panorama do setor de tintas no Brasil com foco no segmento de tintas imobiliárias. Para tal foram realizadas pesquisas bibliográficas e levantamento documental. Foram utilizados dados secundários de fontes da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Também foi realizada pesquisa em bases de dados e livros. A partir da pesquisa foi possível, como resultados: descrever o atual mercado (comercialização) de tintas e revestimentos no Brasil; caracterizar o cenário de produção de tintas imobiliárias, identificando as principais mudanças tecnológicas; discutir as perspectivas da produção de tintas e as tendências no âmbito do objeto de estudo, focando-se nas orientações para o mercado; e elaborar um esquema representativo da cadeia produtiva de tintas, com destaque para as tintas imobiliárias. Esses resultados permitiram compreender as condições de comércio do setor, incluindo suas potencialidades e desafios.
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PANORAMA DO SETOR DE TINTAS NO BRASIL: MERCADO, GESTÃO E
TECNOLOGIAS PARA O SEGMENTO DE TINTAS IMOBILIÁRIAS
AN OVERVIEW OF THE PAINT SECTOR IN BRAZIL: MARKET, MANAGEMENT AND
TECHNOLOGIES FOR THE SEGMENT OF REAL ESTATE PAINTS
Ana Gabriela Rocha de Souza1; Miguelangelo Gianezini2; Melissa Watanabe3
1Curso de Administração Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
anagabrielards@gmail.com
2Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS)
Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
mgianezini@outlook.com
3Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS)
Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
melissawatanabe@unesc.net
Resumo
A utilização de tintas e pigmentos tem, ao longo da história, um papel significativo para a
expressão, registro e legado da humanidade. Pode-se dizer que este recurso evoluiu conforme o
desenvolvimento das civilizações em todo o mundo. Assim, na contemporaneidade, as tintas e
pigmentos representam um setor importante para muitas economias, incluindo o Brasil, que é um
dos maiores produtores mundiais. As empresas brasileiras, por sua vez, sabem que os usos (e
reusos) de tintas são resultados de demandas diversificadas e complexas, a exemplo do ramo
imobiliário, que requer pesquisa e inovação na produção e comercialização. Partindo desse
contexto, o objetivo deste estudo foi apresentar um panorama do setor de tintas no Brasil com foco
no segmento de tintas imobiliárias. Para tal foram realizadas pesquisas bibliográficas e
levantamento documental. Foram utilizados dados secundários de fontes da Associação Brasileira
dos Fabricantes de Tintas e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Também foi realizada pesquisa em bases de dados e livros. A partir da pesquisa foi possível, como
resultados: descrever o atual mercado (comercialização) de tintas e revestimentos no Brasil;
caracterizar o cenário de produção de tintas imobiliárias, identificando as principais mudanças
tecnológicas; discutir as perspectivas da produção de tintas e as tendências no âmbito do objeto de
estudo, focando-se nas orientações para o mercado; e elaborar um esquema representativo da
cadeia produtiva de tintas, com destaque para as tintas imobiliárias. Esses resultados permitiram
compreender as condições de comércio do setor, incluindo suas potencialidades e desafios.
Palavras-chave: Orientação para mercado; Tintas e revestimentos; Cadeias produtivas; Tendências.
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Abstract
The use of paints and pigments has, throughout history, a significant role for the expression, record
and legacy of humanity. This resource evolved as the development of civilizations around the world.
Thus, in the contemporary world, paints and pigments represent an important sector for many
economies, including Brazil, which is one of the largest producers in the world. Brazilian
companies must observe that the uses (and reuses) of paints are the result of diversified and
complex demands (e.g. the ones from real estate sector), which requires research and innovation in
production and marketing. From this context, this study presents an overview of the paint sector in
Brazil focusing on the real estate paints segment. For this purpose, bibliographical researches and
documentary surveys were carried out. Secondary data were collected from sources of the Brazilian
Association of Paint Manufacturers and the Ministry of Development, Industry and Foreign Trade
(MDIC). As results we: describe the current market (commercialization) of paints and coatings in
Brazil; we characterize the scenario of production of real estate paints, identifying the main
technological changes; we discuss the perspectives of paint production and trends, focusing on
market orientation; and we elaborate a representative scheme of the productive chain of paints,
highlighting the real estate paints.
Key-words: market orientation; Paints and pigments; Production Chains.
1. Introdução
A utilização de tintas e pigmentos tem, ao longo da história, um papel significativo para a
expressão, registro e legado da humanidade. Desde o surgimento da civilizão o homem viu a
necessidade de registrar suas experiências, afinal a comunicação verbal era limitada para transmitir
as atividades diárias, sentimentos, possíveis ameaças e não permitia o registro para posterior
consulta. De fato, este recurso (ou instrumento) tem evoluído conforme o desenvolvimento das
civilizações em todas as partes do mundo. Tal processo teve início artesanal, com a fabricação de
tinta, em aproximadamente 3.500 a.C. (POLITO, 2006).
Os povos pré-históricos fabricavam tintas moendo materiais coloridos como plantas e argila
em pó e adicionando água. A técnica era bem simples, pois utilizavam apenas as mãos ou até pedras
e gravetos. As utilidades iam desde colorir as cavernas até enfeitar os corpos (POLITO, 2006). Uma
das demandas observadas é que a tinta precisava ter certa durabilidade, então os ligantes
começaram a ser inseridos no processo. Os primeiros ingredientes foram o sangue, sebo e seiva
vegetal. Mais tarde, com a civilização Egípcia surgiram os primeiros pigmentos sintéticos,
ferramentas de manuseio e ligantes como a goma arábica e a cera de abelha (ABRAFATI, 2014).
No ápice da Revolução Industrial (final do séc. XVIII e início do c. XIX), os fabricantes
passam a usar as máquinas e incrementar os processos. Os primeiros surgiram na Inglaterra, França,
Alemanha e Áustria, produziam os materiais para as tintas e forneciam para os pintores, que
compunham suas próprias misturas. Em 1867 os fabricantes introduziram as primeiras tintas no
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mercado (POLITO, 2006). Havia total sigilo quanto à divulgação de fórmulas utilizadas na
fabricação, sendo estas tratadas como “tesouros por seus desenvolvedores (HOBSBAWN, 2003).
Os períodos da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, apesar da destruição causada, são
considerados importantes acontecimentos para os cientistas e químicos, pois desenvolveram novos
pigmentos e resinas sintéticas, que foram substitutos dos ingredientes primitivos. Ademais, nesses
momentos históricos registrou-se o início de um processo de inovação no processo de fabricação e
criação dos materiais utilizados na tinta (SALASAR, 2006).
Nos dias atuais (séc. XXI), o nome “tinta”, é utilizado para descrever um produto,
geralmente líquido, com finalidade de embelezar e proteger objetos e superfícies. Este produto está
presente na arte, na indústria, na construção civil, na produção de automóveis, equipamentos,
tubulações e produtos eletroeletrônicos, entre outros.
Por conseguinte, as tintas e pigmentos representam um setor importante para muitas
economias, incluindo a do Brasil, quinto maior produtor global, atrás de EUA, China, Índia e
Alemanha. Em 2012, com vendas de USD 4,28 bilhões o Brasil alcançou esta posição, sendo que o
segmento/linha imobiliária correspondeu a 64% dessa fatia
1
. Importante ainda mencionar que 90%
do volume de tintas produzidas no País atende aos requisitos mínimos de qualidade avaliados pelo
Programa Setorial da Qualidade (FERREIRA, 2013). Além disso, eventos diversos e muitas vezes
não associados campanhas de incentivo à moradia, campeonatos esportivos, eleições e
instabilidade econômica podem interferir nos indicadores de desempenho deste setor.
Essa condição também pode ter se estabelecido, em parte, devido ao aquecido mercado
interno que tem demandado tanto produtos Standard, ou seja padrão, quanto produtos específicos,
seguindo orientações mercadológicas contemporâneas.
1
Adota-se no mercado internacional a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM). A “linha de tintas imobiliárias”,
objeto desta pesquisa, pertence à Seção “Produtos das Indústrias Químicas ou Indústrias Relacionadas”; Capítulo 32
“Extratos tanantes e tintoriais; taninos e seus derivados; pigmentos e outras matérias corantes; tintas e vernizes [...]”; e
Partidas 32.08 “tintas e vernizes, à base de polímeros sintéticos ou de polímeros naturais modificados, dispersos ou
dissolvidos em meio não aquoso” e 32.09 “tintas e vernizes, à base de polímeros sintéticos ou de polímeros naturais
modificados, dispersos ou dissolvidos em meio aquoso, além de suas subdivisões que contemplem os usos imobiliários”
(TRADE NOSIS, 2014). A descrição de tal classificação técnica é relevante, para contextualizar o objeto de pesquisa e
em especial, compreender que o Brasil, apesar de quinto maior produtor, ainda não configura entre os maiores
exportadores (Fig. 1), ao contrário, ainda importa boa parte dos produtos relacionados no “capítulo 32” (supracitado),
mesmo que seja como insumos para fabricação de tintas.
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Figura 1 Gráfico da evolução das Importações / Exportações, Brasil (2009-2014)
Extratos tanantes e tintoriais; taninos e seus derivados; pigmentos e outras matérias corantes;
tintas e vernizes; mástiques; tintas de escrever - Anual FOB USD
FONTE: Trade Nosis, 2013.
De fato, o setor tem perspectivas orimistas e encontra-se em processo de consolidação, com
representatividade significativa no PIB Nacional e expansão de empresas nacionais e internacionais
instaladas. Este contexto denota a importância para estudos aplicados em setores e segmentos
específicos da indústria química (seção), como este, que trata das potencialidades e desafios do
setor de tintas (capítulo), no segmento imobiliário (partida) brasileiro.
Observando este contexto, buscou-se então compreender qual a condição do setor de tintas
no Brasil e como tem se configurado a produção e comercialização no segmento de tinta
imobiliária, no que tange ao atendimento as orientações do mercado para esta cadeia produtiva? A
resposta a esta pergunta levou ao estabelecimento do objetivo, o qual foi o de apresentar um
panorama do setor de tintas no Brasil, com foco no segmento de tintas imobiliárias.
Assim, a importância da realização do estudo se deu inicialmente pela possibilidade de
analisar as transformações que ocorreram na produção e mercado de tintas da linha imobiliária a
partir da mudança nos padrões de moradia no país. Também foi importante para o aprimoramento
dos conhecimentos em estratégia e em comércio exterior, bem como para a área de investigação no
Brasil/MERCOSUL e para as empresas do setor pesquisado.
2. Revisão de Literatura
Esta seção apresentar a revisão de literatura, onde são abordados conceitos e definições da
área de estudo e da temática pesquisada. Optou-se por uma apresentação interpretativa e comentada,
uma vez que alguns dos referenciais são igualmente integrantes dos resultados de pesquisa.
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2.1 O Brasil: expoente na fabricação e fornecimento de tintas
No território brasileiro, a indústria de tinta, começou a se estabelecer no século XX, e os
pioneiros do setor foram Paulo Hering (fundador das Tintas Hering), no estado de Santa Catarina,
em Blumenau-SC e Carlos Kuenerz (fundador da Usina São Cristóvão), no Rio de Janeiro-RJ, que
era então o Distrito Federal, ambos de origem alemã. A partir de então outras empresas começaram
a se estabelecer e desenvolver o setor considerado em intensa expansão (FAZENDA, 1995).
Como já mencionado na parte introdutória, o Brasil é um dos maiores produtores de tintas
do mundo. Em território nacional fabricam-se tintas destinadas as mais variadas finalidades, com
tecnologia e eficiência técnica, podendo ser comparado com a indústria de países desenvolvidos
(ABRAFATI, 2010). Em todo o país existem muitos fornecedores de tintas, entretanto 75% das
vendas ficam concentradas entre os 10 maiores fornecedores. Sendo que esse percentual é dividido
entre os seguimentos: imobiliário, automotivo, industrial.
De acordo com dados da ABRAFATI (2010), o segmento tinta imobiliária representa cerca
de 80% do volume total e 64% do faturamento. A Tinta Automotiva, utilizada pelas montadoras,
correspondem a 4% do volume e 6,5% do faturamento, a utilizada para a repintura automotiva,
representa 4% do volume e 8,5% do faturamento. Por fim, a Tinta Industrial, utilizada para
beneficiamento em eletrodomésticos, móveis, autopeças, naval, aeronáutica, manutenção de modo
geral, representa 12% do volume e 21% do faturamento.
Em pesquisa sobre o setor, Giulio (2007) observou que tal motivação se pelo aumento
das vendas de produtos pintados no Brasil, com destaque para automóveis e eletrodomésticos,
conforme apontado por um de seus entrevistados, o então presidente-executivo da Associação
Brasileira dos Fabricantes de Tintas (ABRAFATI), Dilson Ferreira. Nas palavras do executivo:
No país, fabricam-se tintas destinadas às mais variadas aplicações com tecnologia de ponta.
Grandes fornecedores mundiais de matérias-primas e insumos para tintas atuam aqui, de
modo direto ou através de seus representantes, juntamente com empresas nacionais, muitas
delas detentoras de alta tecnologia e com perfil exportador (GIULIO, 2007, online).
Seguindo essa mesma linha de pensamento, o mercado nacional impulsionado pelo
aquecimento da construção civil, está atualizando sua tecnologia e competência técnica,
espelhando-se nos mais avançados centros produtores do mundo, as maiores empresas do país estão
acompanhando as tendências internacionais investindo na qualidade dos produtos, nas novidades de
mercado, bem como a preocupação com o meio ambiente (ABRAFATI, 2010).
Com foco voltado para a questão da sustentabilidade, as principais indústrias de tintas
radicadas no país vêm investindo em técnicas com o intuito de desenvolver produtos cujo impacto
para o meio ambiente seja reduzido (UEMOTO; IKEMATSU; AGOPYAN, 2006), minimizando as
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quantidades utilizadas de água, energia, resíduos, poluição, e controle da emissão dos compostos
orgânicos voláteis ou Volatile Organic Compounds (VOCs).
Visando fatores como os expostos acima e somado a qualidade do produto, foi lançado no
país no ano de 2002, o programa setorial de qualidade tintas imobiliárias, este que faz parte do
PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat, do Ministério das Cidades)
(SALASAR, 2006).
O objetivo do PBQP-H, é elevar a qualidade e modernização dos produtos que compõe a
cesta da construção civil (EMERIM et al, 2017). Os resultados obtidos até então demonstram
segundos dados da ABRAFATI, que 90% do volume de tintas comercializados no país atendem os
requisitos mínimos de qualidade. Para ilustrar estes dados e informações, são apresentados a seguir
dois gráficos (Figuras 2 e 3), demonstrando volume e faturamento, incluindo o segmento de tintas
imobiliárias.
Figura 2 Volume de produção de tintas no Brasil, 2003-2013 (em Mi de Lt)
FONTE: Elaborado a partir de dados da ABRAFATI, 2013.
Figura 3 Faturamento total da produção de tintas no Brasil, 2013 (em Mi de USD)
Fonte: ABRAFATI, 2013.
Estes números são expressivos, ainda que não se tenham maiores informações sobre outros
elementos, como as dinâmicas do mercado. O Brasil e seus parceiros comerciais têm territórios
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amplos e cada região tem suas peculiaridades, o que implica diretamente na formulação de um
produto que vá atender determinada cultura e clima.
2.2 Fatores de demanda de um produto e o objeto de pesquisa
Existem diversos fatores que podem interferir na demanda de um determinado produto e que
variam conforme a natureza da empresa produtora, a regulação governamental, a concorrência e as
preferências dos consumidores. Ansoff (1990, p. 51) afirma que o relacionamento da empresa com
o meio pode ser estabelecido de duas maneiras distintas:
1) Mediante um comportamento competitivo (ou operacional), que procura obter lucro do
meio ambiente mediante o processo de troca. A empresa consegue isso tentando produzir
da maneira mais eficiente possível e garantir o maior segmento de mercado e os melhores
pregos. 2) Através do comportamento empreendedor (ou estratégico), quando ela procura
substituir os produtos e os mercados obsoletos por novos, que oferecem maior potencial
para os lucros futuros. A empresa consegue isso mediante a identificação de novas áreas de
demanda, do desenvolvimento de produtos aceitáveis, de técnicas de produção e de
marketing mais adequadas, testando o mercado e introduzindo novos produtos.
No caso do objeto deste estudo, o relacionamento do mercado de tintas imobiliárias está
diretamente relacionado à construção civil, sendo que no Brasil esse setor apresenta demanda de
mercado crescente e possui organizações e marcas consolidadas e reconhecidas internacionalmente.
Conforme Kotler e Armstrong (1993), a medida que a sociedade vai evoluindo, os desejos
aumentam e evoluem também. Dado isso as empresas buscam o aperfeiçoamento nos produtos e
serviços que oferecem para atender as expectativas de mercado. Há também outros fatores como a
redução da informalidade no mercado de fabricação de tintas e a evolução dos cuidados urbanos” e
a preocupação ecológica, que elevam as exigências do consumidor (WEBER, 2011).
Por fim, há a inovação tecnológica como uma condição determinante para a criação de
vantagem competitiva e desenvolvimento econômico em longo prazo. As empresas inovadoras são
objetos de pressões competitivas e sabem que seus produtos não são para sempre, e como resultado
elas devem melhorar continuamente (GALBRAITH; KAZANJIAN, 1986; CANTWELL, 2006).
2.3 Orientações para mercado, setor de tintas, segmento imobiliário
Em um cenário contemporâneo, observa-se o surgimento de percepções multidimensionais
sobre temas como sustentabilidade, inovação e tecnologia que têm influenciado na opinião e
hábitos de consumo. Isto impõe desafios para diversos setores que analisam e executam adequações
em cadeias produtivas de acordo com orientações de mercado emergentes (GIANEZINI, 2012).
A concepção de orientação para mercado e sua influência no desempenho organizacional,
têm sido abordadas em estudos que demonstram que organizações alinhadas com seus clientes e
com as demandas de mercado estão mais aptas a prover produtos, serviços e soluções com melhor
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desempenho (NARVER; SLATER, 1990; KOHLI; JAWORSKI, 1990; MICHEEL; GOW, 2008).
Isto pode ser óbvio para alguns setores, onde inclusive há uma proximidade entre o elo
produtivo e o consumidor final, o que não é o caso da indústria química. Portanto a compreensão de
orientação para mercado se faz necessária, em especial o segmento de tintas imobiliárias.
Assim, O termo market-oriented pode ser interpretado de várias formas. Para o setor de
pesquisa & desenvolvimento (P&D), pode significar especificações do produto e características
técnicas; para a manufatura, durabilidade e segurança; para o marketing, os desejos dos
consumidores; e para o planejamento de negócios o termo pode significar ter o produto no
apropriado nicho de mercado (DOUGHERTY, 1992).
Na evolução do conceito de orientação para mercado (market orientation - MO), duas
abordagens têm sido adotadas (HOMBURG; PFLESSER, 2000). A primeira é uma perspectiva
cultural sobre normas e valores organizacionais que incentivam comportamentos coerentes com o
MO (NARVER; SLATER, 1990). Nela o MO é apresentado como conceito criado a partir de três
elementos: Orientação do cliente, com foco das empresas sobre as necessidades do mesmo;
Orientação do concorrente, que analisa a estratégia adversária e movimentos de mercado; e
Coordenação interfuncional, que introduz a cooperação entre os funcionários.
E a segunda abordagem identifica três principais componentes do conceito: A geração das
informações de mercado sobre as atuais e futuras necessidades do cliente e as habilidades para
atendê-las; A integração e divulgação de tais informações entre departamentos e indivíduos dentro
da empresa; e A concepção e execução coordenada de uma resposta de toda a organização para as
oportunidades de mercado (KOHLI; JAWORSKI, 1990; DENG; DART, 1994). Esta perspectiva
comportamental concentra-se em atividades organizacionais e humanas que estão relacionadas com
a criação, propagação e reão da inteligência de mercado (KIRCA; JAYACHANDRAN;
BEARDEN, 2005).
Ambas as abordagens de orientação para mercado são complementares para explicar o
comportamento das empresas, de acordo com pesquisa de Vieira (2010), que tratou dos
antecedentes e resultantes da orientação para Mercado no Brasil.
Observando a teoria de orientação para mercado e o objeto de pesquisa deste estudo
Panorama do setor de tintas no Brasil: mercado, gestão e tecnologias para o segmento de tintas
imobiliárias percebe-se que para compreensão do contexto brasileiro é necessário relacionar os
dois primeiros elementos (cliente e concorrência) propostos na primeira abordagem e três
componentes da segunda abordagem (geração das informações, integração e divulgação de tais
informações e concepção e execução organizacional coordenada) para uma resposta as demandas e
tendências apresentadas na seção 4.
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3. Procedimentos metodológicos
A escolha do tema surgiu da observação de que o uso de tintas imobiliárias teve nas últimas
décadas um aumento expressivo em sua demanda, seja pelo setor da construção civil, seja pelo setor
varejista. As estratégias para fabricação e comercialização de produtos neste segmento, carecem de
estudos que auxiliem na compreensão deste contexto aplicado a realidade brasileira (TESIS, 2013).
Quanto aos fins o estudo tem caráter exploratório e descritivo, com proposta de aplicação
conforme os objetivos específicos. Com relação aos meios de investigação, optou-se pelos seguintes
procedimentos: a) Pesquisa Bibliográfica, que conforme Lakatos e Marconi (1993) abrange oito
fases: Escolha do tema; Elaboração do plano de trabalho; Identificação; Localização; Compilação;
Fichamento; Análise e Interpretação e Redação; e b) Pesquisa Documental, realizada com análise de
documentos utilizados com o objeto de investigação. Tais documentos não são somente escritos,
sendo considerados como documentos mídias como slides, fotos e videos (SÁ-SILVA et al., 2009).
A área ficou delimitada como o território nacional brasileiro e em alguns aspectos
relacionado com seus parceiros comerciais. A delimitação temporal ficou circuscrita anos 20 anos
(1995-2015) de maior crecsimento da indústria brasielira desde a abertura comercial dos anos 1990,
sendo que a revisão bibliografica e levantamento documentual foram condizidas em 2015. O estudo
teve finalidade qualitativa, por se tratar de uma pesquisa exploratória e descritiva. A revisão
bibliografia foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), e portal
Google Scholar (Google Inc.). Em seguida procedeu-se o levantamento e pesquisa documental, para
obtenção e informações de dados junto à Associação Brasileira dos Fabricantes de Tinta
(ABRAFATI)
2
e do MDIC.
Os dados utilizados tiveram origem secundária, representados pelas informações coletadas
nos documentos, publicações, estudos históricos e estatísticas, além de dados da ABRAFATI, onde
foram coletadas informações essenciais para a pesquisa. Após a coleta, o conteúdo dos documentos
foi analisado em busca de informações e dados acerca da gestão na cadeia produtiva, mercado,
legislaçao, tecnologias e tendências no segmento de tintas imobiliárias.
A partir da pesquisa bibliográfica e do levantamento documental foi possível, como
resultados: descrever o atual mercado (comercialização) de tintas e derivados no Brasil; caracterizar
o cenário de produção de tintas imobiliárias, identificando as principais mudanças tecnológicas
(inovações); discutir as perspectivas da produção de tintas e as tendências no âmbito do objeto de
estudo, focando-se nas orientações para o mercado; e elaborar um esquema representativo da cadeia
produtiva de tintas, com destaque para as tintas imobiliárias, apresentados na seção a seguir.
2
Cabe mencionar que a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas, foi fundada em 1985 a fim de defender os
interesses das empresas associadas para o desenvolvimento setorial.
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4. Resultados e Discussão
4.1 O mercado de tintas e revestimentos no brasil
O Brasil é atualmente um dos principais produtores e igualmente um dos principais
mercados consumidores de tintas e revestimentos do mundo. Pode-se considerar que o setor se
encontra consolidado e conta com mais de quatrocentas empresas. A cadeia produtiva de tintas no
Brasil (ver Fig. 6) emprega diretamente 16 mil pessoas e conta com cerca de 300 fabricantes, de
grande, médio e pequeno porte. Os dez maiores respondem por 65% a 70% do total das vendas.
Esse panorama vem se estabelecendo a quase uma década, quando em 2006, a comercialização
havia atingido 968 milhões de litros de tinta, com um faturamento equivalente a US$ 2,05 bilhões,
sendo que desse montante, perto de 5% foi gerado pela exportação.
Cabe aqui mencionar que um dos setores mais relevantes da economia brasileira dos últimos
anos e que colabora para a importância da indústria de Tintas e revestimentos, com cerca de 172 mil
empresas atuantes no mercado, é o da Construção Civil, cuja evolução pode ser observada na Fig. 4.
Na prática, os elementos teóricos observados ao final da Seção 2 podem contribuir
igualmente para entender as orientações provenientes do atacado, ou seja, das construtoras que
buscam atender as demandas e tendências, em especial nos últimos anos nos quais o Brasil
experimentou um crescimento sem precedentes do setor de construção civil, ainda que com o PIB
considerado moderado ou fraco.
Figura 4 Evolução do PIB e Construção Civil, Brasil (2000-2011)
3
Fonte: CIBIC, ANAMACO, BACEN, IBGE.
Por conseguinte, outro fator fundamental é a mudança de perfil do consumidor de imóveis
no Brasil. Atualmente há investidores (Pessoa Física) e Fundos imobiliários (Pessoa Jurídica), além
3
http://www.evef.com.br/estudo%20espm%20-%20tecnisa%20-%20inovando%20e%20encontrando %20oportunidades.php
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é claro de moradores que tem cada vez maior poder de consumo e escolhas, que impactam para a
indústria química, setor de tintas e segmento imobiliário.
Esta condição pode ser observada em um trecho de estudo da Kantar Worldpanel, uma
divisão da WWP (World Without Poverty) especializada na gestão de investimento em informação
e uma das maiores empresas do mundo de informação e consultoria:
O perfil do consumidor brasileiro mudou. Um dos aspectos que explica esta transformação
é o fortalecimento da economia brasileira, que trouxe um novo poder aquisitivo à classe C e
junto com ele, exigências muito maiores por parte dos consumidores. No tocante a indústria
química a exigência não é apenas por questões ambientais mais sim por produtos de
atendam novas necessidades de moradia, alimentação e lazer.
4
Contudo, é preciso observar também os obstáculos e limites desta demanda. Deretti (2005),
em um estudo mais crítico, chama a atenção para o fato de que os dirigentes do setor de tinta no
Brasil acreditam que ainda há uma estratégia de inserção internacional, na qual o governo brasileiro
deveria proporcionar um ambiente econômico, jurídico e logístico que permita a formação de
competências no setor privado para facilitar o esforço do exportador brasileiro.
No ambiente interno, o exportador brasileiro, apesar das linhas de financiamento à
exportação com taxas de juros um pouco menores, ainda convive com uma cadeia
produtiva onerada por altas taxas de juros e impostos municipais, estaduais e federais
(DERETTI, 2005).
4.2 A evolução da tecnologia, normatização, orientações de mercado e perspectivas
Nesta seção, buscou-se reunir os principais resultados da pesquisa realizada. Inicialmente,
aborda-se a evolução da tecnologia, que foi tratada desde o início do referencial teórico. Quando
observado o objeto de pesquisa, destaca-se o papel da ABRAFATI, uma vez que praticamente todas
as informações sobre evolução de setor estão concentradas em seus documentos.
No início desta década esta associação, lançou um número especial de sua revista
5
, na qual 6
empresas de destaque no setor elencaram os elementos de inovação e tecnologia que permitiram sua
consolidação no mercado. Outro canal importante para consulta e atualização são as feiras de
negócio que podem ser acessadas em portais de feiras
6
nacionais e internacionais, onde se observam
as tendências e novidades do segmento de tintas imobiliárias.
Para que se pudesse atender a esta demanda, não somente em termos de volume de produção
mas também de diferenciação de produtos de novas tecnologias e de uma demanda dentro do setor
aqui estudado, a indústria nacional de tintas e derivados tem buscado produzir com maior emprego
e tecnologias, muitas vezes resultantes de inovações dentro do setor (TALBERT, 2008).
Depois de caracterizado o cenário de produção de tintas imobiliárias, um primeiro elemento
4
http://umv.com.br/index.php/supermercados/10016-perfil-do-consumidor-brasileiro-esta-mudando
5
Na integra: http://www.tintadequalidade.com.br/wp-content/themes/tintad/files/revista_abrafati_ed_especial.pdf
6
http://www.feirasbrasil.com.br e http://www.biztradeshows.com/btspot100 respectivamente.
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foi identificado, o qual trata do uso de determinados tipos de substancias diferenciadas na fabricação
de tintas. E outro elemento importante são as parcerias do setor com universidades e institutos em
busca desta diferenciação. Estudos de quase uma década (MIRON; CAVALCANTI;
WONGTSCHOWSKI, 2005), já indicavam a importância das parcerias no processo de inovação da
Indústria química.
Os projetos em parceria com Universidades visam a prospecção de novas tecnologias e a
capacitação em áreas de conhecimento novas para a empresa, fundamentais nos projetos de
longo prazo. A título de exemplo, CENPES, COPPETEC, EPUSP, IPT, IQ-USP, ITAL,
UFBA, UFRGS, UFSCar, UNESP e UNICAMP atuaram e atuam como parceiras nos
projetos de inovação (MIRON; CAVALCANTI; WONGTSCHOWSKI, 2005, p. 90).
Por conseguinte, destaca-se a questão da regulação e normatização, haja vista que
atualmente o setor conta com legislação e Instruções Normativas, as quais afetam diretamente as
atividades produtivas, de distribuição, comercializão e aplicação dos produtos, cujas principais
foram resumidas na Tabela 1.
Tabela 1 Legislação e normas que impactam no setor de tintas e segmento imobiliário
Lei nº 12.794, em substituição à Medida Provisória nº 582, que estabelece o recolhimento do
equivalente a 1% do faturamento bruto de empresas de diversos setores, em lugar da contribuição de
20% sobre a folha de pagamento ao INSS.
Resolução nº 63 da Camex (Câmara de Comércio Exterior), redução da alíquota de importação do
dióxido de titânio (TiO2) de 12% para 2%.
Decreto nº 6.890, as tintas à base de água pagam IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) zero
e os indutos para pintura têm alíquota de 2%.
Resolução Camex nº 09, que aprovou a redução permanente da alíquota de importação do
monômero de acetato de vinila (VAM) de 12% para 2%.
Portaria nº 470, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, que substitui a
Portaria nº 190, torna mais claras regras para indicação, nas embalagens, do conteúdo nominal das
tintas e produtos correlatos.
Lei nº 11.762, que na prática bane o uso de pigmentos e secantes à base de chumbo em tintas
imobiliárias.
Lei nº 12.408, que proíbe a comercialização de tintas spray a menores de 18 anos.
Resolução nº 40 da CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), que reduz a alíquota do Imposto de
Importação do diisocianato de tolueno (TDI) de 14% para 2%. O produto, que tem o código da
Nomenclatura Comum do Mercosul NCM 2929.10.21
Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo determinou, a partir de 01/06/2014, que a Margem de
Valor Agregado (MVA) aplicada na substituição tributária nas saídas de tintas, vernizes e
complementos destinados a estabelecimentos localizados no território paulista seja de 38% (Port.
CAT 52/2014).
Fonte: Dados da pesquisa.
Ainda que o autor tenha coletado as informações em estudos de quase uma década, muitos
de seus apontamentos permanecem válidos e atuais a exemplo, como se pode constatar na fala do
diretor da ABRAFATI, Dilson Ferreira:
Aqui se fabricam produtos com tecnologia de ponta e grau de competência técnica
comparável aos mais avançados centros mundiais. Isso é resultado dos investimentos dos
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fabricantes e do trabalho em colaboração com os fornecedores de matérias-primas [...] esse
esforço em favor da evolução tecnológica passou a incorporar a preocupação como a
sustentabilidade, que se tornou uma das principais demandas da sociedade e do mercado.
Foi por isso que, em 2009, introduzimos o conceito de Tinta do Futuro [...], a partir do qual
a pesquisa e o desenvolvimento de soluções sustentáveis ganharam ainda mais evidência no
nosso setor, com a participação decisiva dos fornecedores (FERREIRA, 2013)
7
.
Diante disso outra perspectiva foi identificada: a questão ambiental. Em especial a
preocupação com a emissão de carbono. Em âmbito mundial, a figura a seguir representa isso.
Figura 5 Representação das emissões de CO2 no setor de tintas
8
Fonte: AkzoNobel, 2011.
De fato, o impacto ambiental das tintas imobiliárias também é uma precuapação crescente
desde a última década (UEMOTO; IKEMATSU; AGOPYAN, 2006). Portanto, identifica-se aqui
outra possibilidade que coloca o Brasil na vanguarda da produção de tintas, haja vista o seu
potencial para uma produção mais limpa, quando comparado com concorrentes como China e Índia.
4.3 Esquema e representação da cadeia produtiva de tintas
A partir da leitura, do levantamento documental, da discussão da seção anterior, ilustra-se na
Figura 6 a cadeia produtiva de tintas e revestimentos, com destaque para o segmento das tintas
imobiliárias. Para tal, foi elaborado um esquema (Fig. 6) que se encontra a seguir:
7
http://www.abrafati.com.br/noticias-e-artigos/o-mercado-de-tintas-no-brasil-e-suas-perspectivas
8
http://pt.slideshare.net/gntewari/g-4-global-scenario-in-paint-industry-amit-jain?qid=3afd7b54-6474-4eff-9b40-92
b4536002c5&v=default&b=&from_search=1
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Figura 6 Esquema da cadeia produtiva de tintas, com foco nas tintas imobiliárias
Fonte: Adaptado de Gianezini (2012).
Este esquema é resultante da pesquisa bibliográfica e do levantamento documental que
permitiu descrever o atual mercado (comercialização) de tintas e revestimentos no Brasil;
caracterizar o cenário de produção de tintas imobiliárias, identificando as principais mudanças
tecnológicas; discutir as perspectivas da produção de tintas e as tendências no âmbito do objeto de
estudo, focando-se nas orientações para o mercado; e identificar elementos como inovação,
sustentabilidade, competitividade e qualidade na cadeia produtiva de tintas.
5. Considerações Finais
Constatou-se com a análise da pesquisa bibliográfica e levantamento documental, que a
Indústria Brasileira de Tintas teve um avanço significativo na sua produção, em especial nos
últimos dez anos. O crescimento ultrapassou a casa dos cinquenta por cento. Em 2010 o volume
atingido foi de 653 milhões de litros e em 2013 a produção foi de 1.141 bilhões de litros.
Observou-se que o mercado de tintas tem se modificado e o setor no Brasil, a exemplo das
principais economias produtoras mundiais, se molda para atender às necessidades do consumidor,
que está cada vez mais cercado de informações sobre os produtos e serviços que deseja adquirir.
Com isso as empresas passaram a investir em inovação e pesquisa fazendo parcerias com
universidades e institutos para “chegar mais próximo” do seu público-alvo.
Essas parcerias têm inegavelmente propiciado avanço tecnológico, que por sua vez tem
colaborado para o surgimento de novas matérias primas, utilizadas na fabricação de produtos para o
segmento de tintas imobiliárias. Como resultado é possível adquirir hoje tinta com funções de
redução térmica e acústica, redução da absorção de água, resistência à abrasão, entre outros
benefícios que indicam novas possibilidades, mercados e demandas para o setor.
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Devido à dinâmica do mercado e os recentes avanços tecnológicos que tem impulsionado a
pesquisa e aprimoramento da indústria de tintas em todo o mundo, com destaque para novos
players, cabe ressalvar que as constatações apresentadas ao final desta pesquisa são gerais e alguns
dados já carecem de atualização.
Por fim, entende-se que estas são limitações do estudo, mas que podem ser sanadas por
novas pesquisas complementares, bem como propostas de aplicação com outro recorte espacial
(região, estado ou município) ou recorte por setor (tintas automotivas, construção civil, tintas para
indústria e outras), que deem conta de tendências das dinâmicas em um mercado cada vais mais
diversificado.
Agradecimentos: Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) e Grupo de Pesquisa em Estratégia,
Competitividade e Desenvolvimento (GEComD).
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Recebido: 23/03/2017
Aprovado: 24/06/2018
Article
Full-text available
O estudo traz à mesa o chamado contrato “build-to-suit”, uma estrutura jurídica estrangeira concebida para aumentar a eficiência e geração de valor de imóveis onde são exercidas atividades econômicas. Para conferir legitimidade às conclusões, emprega-se pesquisa empírica sobre contratos build-to-suit celebrados no Brasil por conglomerados economicamente relevantes. O escopo do artigo é: (i) apresentar as suas vantagens econômicas do build-to-suit em comparação à compra ou locação de imóvel não residencial típica; (ii) demonstrar as estruturas adotadas para captar os recursos necessários ao empreendimento – principalmente ofertas públicas de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI); (iii) explicar a sua estrutura contratual e habituais obrigações/responsabilidades das partes; (iv) mapear a trajetória do contrato no Brasil desde que se tornou prática habitual na última década do século XX e teve a sua validade constantemente reafirmada pela jurisprudência; e (v) compreender os efeitos da sua tipificação pela Lei no 12.744/12 e interpretação pela própria jurisprudência.
Article
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Market orientation has emerged as a significant antecedent of organizational performance and is presumed to contribute to the long-term success of a firm. The growing number of academic studies on market orientation and the mixed findings they have reported complicate the efforts among managers and academics to identify the real antecedents and outcomes of this construct. We have conducted a Brazilian meta-analysis, aggregating a sample size of 4,537 in 27 papers. The findings suggest that the relationship between market orientation and business performance is positive and strong (r = .39). We have also conducted an international mega-analysis, aggregating a sample size of seven meta-analyses on market orientation. The results show that there is a positive, strong and consistent international relationship between market orientation and performance across countries (r = .33).
Article
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Innovation is the main tool for competitiveness and growth in the chemical sector and the main factors for innovation activities in industry as well as the innovation dynamics are discussed in this paper. Success indicators of innovation in Oxiteno are the following: 54% of the current production derives from RD&E projects, 11% of the gross margin in the internal market is due to new products, the company is a technology licensor, holding 17 patents and keeping a strong participation in the production and service sales in the high technology catalysts area, beyond its core petrochemicals and surfactants area.
Article
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The marketing literature reflects remarkable inconsistency in defining two of its most frequently used terms, “the marketing concept” and “market orientation”. Through a critical review of the marketing literature and an empirical analysis of data collected from 248 Canadian firms, the authors established a four‐component measure of “market orientation”. The resulting multi‐factor, multi‐item instrument provides a foundation for future studies.
Article
Full-text available
The authors conduct a meta-analysis that aggregates empirical findings from the market orientation literature. First, the study provides a quantitative summary of the bivariate findings regarding the antecedents and the consequences of market orientation. Second, the authors use multivariate analyses of aggregate study effects to identify significant antecedents of market orientation and the process variables that mediate the relationship between market orientation and performance. In addition, using regression analysis, the authors find that the market orientation-performance relationship is stronger in samples of manufacturing firms, in low power-distance and uncertainty-avoidance cultures, and in studies that use subjective measures of performance. The authors also find that the market orientation-performance correlation is stronger for both cost-based and revenue-based performance measures in manufacturing firms than in service firms. On the basis of the findings, the authors conclude with a discussion of the implications for practice and further research.
Article
textlessptextgreaterThe literature reflects remarkably little effort to develop a framework for understanding the implementation of the marketing concept. The authors synthesize extant knowledge on the subject and provide a foundation for future research by clarifying the construct's domain, developing research propositions, and constructing an integrating framework that includes antecedents and consequences of a market orientation. They draw on the occasional writings on the subject over the last 35 years in the marketing literature, work in related disciplines, and 62 field interviews with managers in diverse functions and organizations. Managerial implications of this research are discussed.textless/ptextgreater
Article
textlessptextgreaterMarketing academicians and practitioners have been observing for more than three decades that business performance is affected by market orientation, yet to date there has been no valid measure of a market orientation and hence no systematic analysis of its effect on a business's performance. The authors report the development of a valid measure of market orientation and analyze its effect on a business's profitability. Using a sample of 140 business units consisting of commodity products businesses and noncommodity businesses, they find a substantial positive effect of a market orientation on the profitability of both types of businesses.textless/ptextgreater