Conference PaperPDF Available

Sustentabilidade 4.0

Authors:

Abstract

Pretende‐se neste ensaio abordar breves reflexões a respeito da quarta revolução industrial visando explorar seu impacto em sustentabilidade e do que podemos aproveitar desse fenômeno. É analisado o conceito de sustentabilidade e como a revolução 4.0 pode contribuir positivamente a esta área. À medida que novas oportunidades surgem para criar um elo entre sustentabilidade e tecnologia, as empresas aumentam sua lucratividade eliminando ineficiências no processo fabril ao tempo que utilizam de forma otimizada recursos existentes e disponíveis para a criação de maior valor agregado na oferta de serviços e produtos ao consumidor, dando início a desconstrução de que o sustentável é mais caro. Este ensaio está dividido em três partes: na primeira é apresentado alguns aspectos conceituais de sustentabilidade. Na segunda, aborda-se sobre a revolução 4.0, e, na terceira, é abordada a correlação entre a digitalização e a tecnologia como fomentadores da consciência e produção sustentáveis com sua dinâmica sustentado por alguns exemplos práticos.
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
207
SUSTENTABILIDADE 4.0
matHeUs eUrico soar es de noronHa / josé car lo s
rodrigUes / lU ca s lUiz fernan de s valente
VÍDEO
Resumo
Pretende‐se neste ensaio abordar breves reflexões a respeito
da quarta revolução industrial visando explorar seu impacto em susten-
tabilidade e do que podemos aproveitar desse fenômeno. É analisado o
conceito de sustentabilidade e como a revolução 4.0 pode contribuir po-
sitivamente a esta área. À medida que novas oportunidades surgem para
criar um elo entre sustentabilidade e tecnologia, as empresas aumentam
sua lucratividade eliminando ineficiências no processo fabril ao tempo
que utilizam de forma otimizada recursos existentes e disponíveis para
a criação de maior valor agregado na oferta de serviços e produtos ao
consumidor, dando início a desconstrução de que o sustentável é mais
caro. Este ensaio está dividido em três partes: na primeira é apresentado
alguns aspectos conceituais de sustentabilidade. Na segunda, aborda-se
sobre a revolução 4.0, e, na terceira, é abordada a correlação entre a di-
gitalização e a tecnologia como fomentadores da consciência e produção
sustentáveis com sua dinâmica sustentado por alguns exemplos práticos.
Palavras Chave: Revolução Industrial 4.0, Sustentabilidade, Tri-
pé da Sustentabilidade
1. INtRodução
Nós somos o futuro do passado. Essa é uma frase boba e um
tanto quanto óbvia, mas permite expressar um pouco do sentimento que
costuma permear as gerações ascendentes nas últimas décadas, talvez
até séculos. O fenômeno é bastante simples, novas gerações são criadas
em arsenal tecnológico mais desenvolvido que suas antecessoras, razão
pela qual desafiam os modelos de organização, estruturas de informação,
fatores de produção e as próprias engrenagens do convívio social.
Aos classicadores mais inveterados, conhecem-se tradicional-
mente 3 grandes revoluções tecnológicas que afetaram e modicaram fun-
damentalmente esses desaos que as novas gerações se impõem perante
as sucessoras. A esse mesmo grupo pertencem os crentes que vivemos
nesse exato momento a nova grande revolução tecnológica, a chamada
Quarta Revolução ou Revolução 4.0, liderada a partir das novas possibili-
dades que a evolução da informática e inteligência articial nos cria.
Dentre os mais ou menos adeptos dessas nomenclaturas e clas-
sicações, o que nos importa é entender como de fato essas novidades
podem impactar nossa organização social, e para o presente texto, espe-
cialmente como podem afetar o modelo de consumo. De forma alguma nos
pretendemos a um estudo exaustivo de todas correlações vericáveis no
tema, diametralmente, nossa proposta é bem mais positiva do que descri-
tiva. Propomos aqui algumas breves reexões do que podemos aproveitar
desse fenômeno em prol de um objetivo nobre: sustentabilidade.
2. A susteNtAbILIdAde
Em um cenário de digitalização de processos e revolução tecno-
lógica, pode-se notar uma crescente tendência, pelo menos do ponto de
vista do discurso, sobre o frenesi de organizações em busca da eficiência
produtiva, muitas vezes através de apostas na criação de startups e/ou
aplicativos de celulares que permitam propostas inovadoras de compor-
tamento, consumo, práticas com base na utilização dos mesmos recursos
SUMARIO
CAPA
FICHA CATALOGRAFICA
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
208
já existentes e disponíveis para criar produtos e serviços com maior valor
agregado (THURNER, 2015, p.24). A chamada economia do compartilha-
mento é que inimaginável há alguns anos, parece ter chegado pra ficar,
inclusive, criando leviatãs do mundo corporativo, e.g., UBER, AirBNB,
Blablacar, etc.
Essa primeira constatação nos permite afirmar que os processos
de inovação tecnológica e digitalização trazidos com essa nova onda tem
forte potencial para contribuir em esferas econômicas, sociais e ambien-
tais. Soluções que trazem visível benefício nessas esferas são às que
podemos atribuir o caráter sustentável.
Para Portilho (2005, p. 36) e Jacobi (2003, p. 203), a sustenta-
bilidade pode ser praticada como um exercício político e de cidadania
entre as pessoas e organizações. A sustentabilidade é constituída por
um tripé, assim representada por ter 3 dimensões; social, econômica e
ambiental (ELKINGTON, 2001). Esse tripé tem o objetivo servir como
parâmetro para que empresas, pessoas, agentes de forma geral possam
avaliar suas contribuições individuais e coletivas para um efetivo desen-
volvimento que proporcione dignidade humana com isonomia a todos os
cidadãos, garanta a produção de riquezas presentes e não prejudique o
acesso de gerações futuras a recursos naturais.
Nesse sentido, Barbosa (2007, p.14) explica que além do tri-
pé da sustentabilidade, as práticas sustentáveis nas empresas envolvem
discussões como desenvolvimento sustentável, cidadania corporativa,
responsabilidade social corporativa, performance social corporativa, in-
clusão social, entre outros.
Nakagawa (2012, p.47) ilustra que as organizações que perse-
guem o bom desempenho nas ações de sustentabilidade devem estar
prontas para apresentar os resultados de suas práticas para a sociedade
e o mercado, e que o mecanismo utilizado pelas corporações é o relató-
rio anual de sustentabilidade. Por meio de indicadores, os relatórios de
sustentabilidade apresentam o resultado das empresas nas dimensões
social, econômica e ambiental. Este tipo de documento contribui para a
ampliação do diálogo e relacionamento entre os principais participantes
do ambiente de negócios que a empresa atua.
Do ponto de vista do indivíduo, praticar a sustentabilidade pode
envolver diversas ações que estão no cotidiano de pessoas como: preser-
vação de áreas de vegetação, utilização de energias limpas e renováveis,
mecanismos de eficiência energética, reciclagem e utilização de materiais
e exploração de recursos minerais de forma controlada. Conforme Kotler
(2010, p. 122), essas práticas sustentáveis impulsionam as organizações
a tornarem seus processos de produção voltados para preocupações de
cunho social e ambiental com finalidade de auxiliar os problemas globais.
3. a revOLuçãO industriaL 4.0
Fazendo uma digressão na linha de pensamento dos chamados
classificadores, podemos verificar que eles entendem que as transfor-
mações das sociedades industriais dos séculos XIX e XX culminaram na
atual sociedade informatizada (CAPURRO, 2010), cuja estrutura social
se forma graças às tecnologias de comunicação e informação (FLORIDI,
2001).
Assim, atualmente nos encontraríamos na era e na sociedade
da informação, o que pode ser entendido pelo papel crucial que a conec-
tividade e consequente fluxo de informações desempenham nos serviços
(negócios, comunicação, finanças), administração pública (educação,
saúde) e questões intelectuais intangíveis (economia baseada no conhe-
cimento), no que Floridi (2001) denominou infoesfera, a necessidade do
entendimento do ambiente ao redor, processando as informações dispo-
níveis e respondendo adequadamente.
Tal conectividade foi predecessora do que se cunhou como “Re-
volução Industrial 4.0”, o termo utilizado para caracterizar um conjunto
de processos tecnológicos ligados a autonomia, eficiência, digitalização
e customização de cadeias de valor e ciclos de vida de produtos (KA-
SUMARIO
CAPA
FICHA CATALOGRAFICA
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
209
GEMANN, 2011). Nisto, incluem-se inovações tecnológicas relacionadas,
por exemplo, à robotização e otimização autônoma de processos, internet
das coisas e digitalização de máquinas (MANYKA, 2013, p.7).
Essas transformações revolucionam as formas de comercializa-
ção e promovem mudanças de comportamentos nas esferas de produção
e consumo, e para o que nos interessa, podendo contribuir para a estru-
turação e formação de modelos de negócios mais sustentáveis (STOCK,
T.; SELIGER, G, 2016, p. 536). As novas tecnologias impactam de forma
recorrente setores como saúde, energia e construção, e se configuram
em uma soma de processos inteligentes que originam produtos e serviços
cujo objetivo é gerar conforto e qualidade de vida associada à gestão de
recursos existentes.
O processo de digitalização desencadeia uma formatação nos
modelos industriais levando a criação de novas formas de fazer negócio
por meio de mecanismos de inteligência artificial, automação industrial e
diferentes formas de armazenamento de dados. Desta maneira, o proces-
so de inovação tecnológica por meio da digitalização tem a possibilidade
de desconstruir e reformular modelos de negócios obsoletos, onde estão
incluídos aqueles que não estabelecem um equilíbrio sustentável entre
a produtividade e o uso inteligente dos recursos humanos e ambientais
para seu fim produtivo. (DIAMANTOULAKIS, KAPINAS & KARAGIANNI-
DIS, 2015, p. 5)
4. A dIgItALIzAção e A teCNoLogIA Como FomeNtAdoRes dA
CoNsCIÊNCIA e PRodução susteNtáveIs
Tecnologias em geral não podem ser consideradas apenas fer-
ramentas, mas também formas de receber e prover à sociedade valo-
res e interpretações da realidade. Sua relação com sustentabilidade nem
sempre foi necessariamente positiva. A visão que balizou as primeiras
chamadas revoluções industriais renegou a segundo plano os impactos
dessa tecnologias na utilização de recursos escassos, implementação
de dignidade ampla e com isonomia às pessoas (nesse sentido fica aqui
uma dica cinematográfica, Germinal) e por vezes até a própria viabilidade
econômica das empreitadas (o que modernamente muito se explica por
aquilo que, em economia comportamental, é chamado de sunk cost falla-
cy, ou falácia dos cursos irrecuperáveis).
Não muito diferente, coloca DiFelice (2013):
“Na época industrial, com o advento da máquina a va-
por, da eletricidade e da produção de massa, a análi-
se da função social da mídia se deteve principalmente
nos estudos dos processos de distribuição e reprodu-
ção da ideologia dominante e do modo de produção
capitalista, subordinando a função social da comuni-
cação à logica produtiva.”
Tal foco na produção – em detrimento de questões sustentáveis
em seu sentido tridimensional – perdurou pelas ditas três primeiras re-
voluções industriais, desde o início da mecanização, com as máquinas a
vapor do século XVIII, passando pelas linhas de montagem e transforma-
ção da energia mecânica em elétrica dos séculos XIX e XX, chegando até
mesmo à tecnologia de automação do século XX.
Contudo, a natureza do que é tido como 4ª revolução industrial,
onde há maior integração entre o físico/biológico e o virtual/artificial, ali-
nhado com um ambiente concomitante de maior difusão de informação,
acesso à informação, traz consigo a busca não apenas de um aumento
produtivo, mas que este exista de forma que não atormente a consciência
dos utilizadores do produto.
Veja, em tempos de controle da informação o que era permitido
chegar ao consumidor sobre os benefícios de um determinado produto
eram limitados ao que os meios disponíveis de informação a seu tempo
lhe queriam mostrar. Esse mesmo produto, no mercado atual, deve se
mostrar para consumidores com consciência muito mais ampla do que o
SUMARIO
CAPA
FICHA CATALOGRAFICA
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
210
que lhe é comercialmente mostrado, mas com potencial de a baixíssimos
custos obter inúmeras informações sobre o produto que consome.
As pesquisas de Schules e Cleto (2017, p.7) demonstram que
essa revolução tecnológica tem contribuição direta nas três dimensões
da sustentabilidade (tripé da sustentabilidade): econômica, ambiental e
social. Na dimensão social pode-se ilustrar essa conexão na criação de
novas profissões e na qualificação dos profissionais, maior autonomia e
flexibilidade em relação à vida social e profissional, passando até mesmo
pela inclusão de gênero e classes sociais no mercado de trabalho. Na
dimensão econômica um aumento na produtividade e receitas das orga-
nizações, investimento em pesquisas e desenvolvimento, maior partici-
pação do consumidor nas cadeias de valor e eficiência produtiva. Na di-
mensão ambiental, uma utilização mais eficiente no consumo energético,
mitigação de poluentes e resíduos ao meio ambiente, reutilização de re-
cursos naturais, contribuição para as agendas globais e metas climáticas.
A revolução 4.0 também pode ser articulada como ferramenta fa-
cilitadora para os debates de cunho social, político, ambiental, ampliando
e transformando as oportunidades de mercado com função de modificar a
forma de consumir e produzir, e auxiliar os diferentes tipos de público em
suas escolhas como consumidor.
É neste contexto que o avanço tecnológico pode ajudar a atender
a demanda de um consumo responsável; entendido como uma prática de
consumo que evita explorar a sociedade e os recursos do meio ambien-
te. O consumo responsável se consolida como uma forma de resposta a
pressões de grupos ambientalistas, movimentos sociais, governamentais
e midiáticos (FONTENELLE, 2017, p. 142).
O compartilhamento de carros, a escolha de um tipo de energia
renovável, aplicativos de brechós online, impressões 3D são ações deri-
vadas de processos de digitalização e tecnologia que impulsionam natu-
ralmente o caminho para um consumo mais responsável e em linha com
uma maior autonomia dos consumidores sobre suas escolhas em dife-
rentes mercados. Essa autonomia reverbera em diversas possibilidades
de escolha de serviços mais customizados, mais engajados em assuntos
de caráter tecnológico, social e ambiental (MANYKA, 2013, p. 14), onde
as marcas e organizações que cumprem os critérios de desenvolvimento
tecnológico e de sustentabilidade passam a conquistar a confiança de
seus consumidores.
A título de exemplo, a Nike por meio de um aplicativo nomeado
como Making of Making, desenvolveu um Índice de Sustentabilidade de
Materiais (MSI), que serve como um guia de referência, apresentando os
insumos como energia utilizada e consumo de água para a criação de
produtos com o objetivo de inspirar empreendedores a escolher materiais
mais sustentáveis e que causam menos impacto ao ambiente.
Este movimento tecnológico impulsionou as empresas de dife-
rentes setores a buscarem um melhor desempenho econômico e sus-
tentável, consolidando práticas nos negócios por meio da tecnologia que
buscam o equilíbrio entre a gestão de recursos naturais e a obtenção de
lucros para as empresas.
Por meio de inteligência articial, algumas companhias identica-
ram nichos de mercado e formas para contribuir com a sustentabilidade e
um consumo responsável dos recursos naturais. Recentemente a empresa
Microsoft criou o programa de inteligência articial chamado AI for Earth
que fornece recursos computacionais a partir da nuvem para organizações
que buscam transformar a forma de gerir os recursos naturais da terra. A
ferramenta pode ser utilizada para diagnosticar condições da água, ar e
solo capturando dados e informações para o desenvolvimento de soluções
mais sustentáveis, tendo como frentes de atuação, a princípio, quatro prin-
cipais áreas: agricultura, água, biodiversidade e mudanças climáticas.
No setor de energias renováveis no Brasil, a partir de sistemas
inteligentes de informação e big data, tem sido possível contribuir para
assuntos como geração distribuída, mercado livre e uma matriz energéti-
ca mais diversificada mirando contra um modelo centralizado e obsoleto
SUMARIO
CAPA
FICHA CATALOGRAFICA
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
211
de geração, transmissão e distribuição de energia. Essas inovações dis-
ruptivas estão ligadas diretamente aos conceitos ordinários da sustenta-
bilidade; ter o menor impacto ambiental, proporcionar um bem social e
ser economicamente viável.
Apesar do avanço tecnológico ainda há resistência de certos se-
tores consumidores e algumas indústrias e cadeias de produção. Segun-
do o Instituto Akatu (2013, p.79), 45%, maior parte das pessoas que fo-
ram questionadas sobre produtos sustentáveis, afirmaram que consumir
este tipo de produto é mais caro e que seus orçamentos não comportam
o gasto. Adicionalmente, 42% também afirmaram que consumir de forma
mais responsável é consumir menos. Mas soluções para esses vieses
também estão brotando.
Algumas organizações desenvolvem soluções para orientar seus
consumidores a comprar de forma mais racional e com melhor custo be-
nefício, a GoodGuide é uma plataforma que disponibiliza dados e infor-
mações a respeito de diversos tipos de produtos, onde é possível aces-
sar, por exemplo, a existência de substâncias tóxicas ou o impacto socio
ambiental de uma determinada marca, impactando na tomada de decisão
do consumidor e estimulando um consumo mais responsável.
Por meio da revolução tecnológica e criação de aplicativos, há
o início da desconstrução de que o sustentável é mais caro, visto, por
exemplo, na economia do compartilhamento, cenário onde insumos são
compartilhados entre consumidores, reduzindo o tempo de uso ocioso.
Serviços de compartilhamento de veículos (car-sharing) ou viagens (ride-
-sharing) otimizam a ocupação dos veículos enquanto reduzem o custo
da ociosidade (de espaço ou de uso) e, consequentemente, reduzem o
consumo subutilizado de outro veículo. Uma carona compartilhada, por
exemplo, colabora para a redução de custos dos motoristas e passa-
geiros, diminuição de carros nas ruas e mitigação de poluentes que são
emitidos por esses automóveis. Ao não terem que arcar com o custo da
ociosidade, o custo total é reduzido (RODRIGUES, 2018).
5. CoNCLusões FINAIs
O objetivo central do ensaio que aqui produzimos é demonstrar
a janela de oportunidades que se encontra, desde que se direcionando
esforços a objetivos, ditos, nobres.
Ao passo que surgem oportunidades para criar um elo entre sus-
tentabilidade e tecnologia, também se identifica uma série de desafios
fundamentais para o avanço industrial sustentável. Os desafios deste ce-
nário tecnológico incluem entraves na regulação de mercado, custo de
tecnologia, capacitação técnica e modelos obsoletos de negócios que
impossibilitam o avanço da digitalização nos diferentes setores em que a
sustentabilidade permeia.
Com base no conceito da indústria 4.0, as organizações têm
oportunidade de aproveitar os recursos existentes e disponíveis para a
criação de maior valor agregado na oferta de serviços e produtos ao con-
sumidor. Alugar um carro compartilhado por um aplicativo, reservar um
hotel ou apartamento online e até vender e comprar a energia que se usa
em casa pelo celular são soluções de caráter tecnológico que proporcio-
naram uma economia de eficiência com a utilização dos mesmos recur-
sos para a criação de maior valor colaborando com as questões sociais,
econômicas e ambientais ligadas a sustentabilidade.
Todavia, a experiência histórica nos mostra que o mero avanço
tecnológico não é por si causa de desenvolvimento de soluções susten-
táveis, essas soluções nascem efetivamente a partir da consciência do
consumidor a fim de criação de demanda junto ao mercado produtor por
tais soluções.
A oferta de soluções sustentáveis é sim cada vez mais possível
e pode ser infinitamente beneficiada por uma correlação positiva com as
chamadas tecnologias da revolução 4.0, basta que sejamos efetivamente
conscientes dos erros do nosso passado e produzamos um presente, fu-
turo do passado, sem ignorá-los e/ou repeti-los.
SUMARIO
CAPA
FICHA CATALOGRAFICA
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
2018

´
    
8 ª EDIÇÃO
  
212
6. ReFeRÊNCIAs
ELKINGTON, J. Sustentabilidade Canibais Com Garfo e Faca: Triple bot-
ton line. 2001.
MANYIKA, James, et al. Disruptive technologies: Advances that will trans-
form life, business, and the global economy. San Francisco, CA:
McKinsey Global Institute, 2013.
NAKAGAWA, Marcus Hyonai, et al. A sustentabilidade na estratégia de
negócio das empresas brasileiras. 2012.
PORTILHO, F. Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania. Cortez,
2005.
RODRIGUES, J. C. Autonomous cars, from “ownership” to “usage”: how
autonomous vehicles might corrupt automotive industry’s busi-
ness model. Gerpisa colloquium, São Paulo - Brasil. GERPISA
- The International Network of Automobile. École Normal Supé-
rieure Paris-Saclay. 2018.
AKATU, Pesquisa. Rumo à Sociedade do Bem-Estar: Assimilação e Pers-
pectivas do Consumo Consciente no Brasil–Percepção da Res-
ponsabilidade Social Empresarial pelo Consumidor Brasileiro.
Textos de Aron Belinky e Helio Mattar. São Paulo: Instituto Akatu,
2013.
BARBOSA, P. R. A. Índice de sustentabilidade empresarial da bolsa de va-
lores de São Paulo (ISE-BOVESPA): exame da adequação como
referência para aperfeiçoamento da gestão sustentável das em-
presas e para formação de carteiras de investimento orientadas
por princípios de sustentabilidade corporativa. PhD Thesis. Dis-
sertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal
do Rio de Janeiro–UFRJ, Instituto COPPEAD de Administração.
2007
CAPURRO, R. Desafíos téoricos y practicos de la ética intercultural de la
información. Conferencia inaugural en el I Simpósio Brasileiro de
Ética da Informação, João Pessoa. 18 2010
DIAMANTOULAKIS, P. D.; KAPINAS, V. M.; KARAGIANNIDIS, G. K.
Big data analytics for dynamic energy management in smart
grids. Big Data Research, v. 2, n. 3, p. 94-101, 2015.
DI FELICE, M. Ser redes: o formismo digital dos movimentos net-ativis-
tas. Matrizes, 2013
FONTENELLE, I.A. Cultura do consumo: fundamentos e formas contem-
porâneas. FGV, 2017.
FLORIDI, L. Information ethics: an environmental approach to the digital
divide. Philosophy in the Contemporary World, v. 9, n. 1, p. 39-
45, 2002.
JACOBI, P.R. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cader-
nos de pesquisa, 2003, 118: 189-205
KAGERMANN, H.; LUKAS, W.; WAHLSTER, W.: Industrie 4.0 - Mit dem
Internet der Dinge auf dem Weg zur 4. industriellen Revolution.
In: VDINachrichten, Issue 13, (2011)
KOTLER, P. Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marke-
ting centrado no ser humano. Elsevier Brasil, 2010.
SHULES, M.V., CLETO, Marcelo Gechele. Impactos da Indústria 4.0 em
sustentabilidade: uma revisão da literatura. Artigo apresentado e
publicado nos anais do VII Congresso Brasileiro de Engenharia
de Produção. Ponta Grossa, Brasil, 6 a 8 de Dezembro de 2017.
STOCK, T.; SELIGER, G. Opportunities of sustainable manufacturing in
Industry 4.0. Procedia CIRP, v. 40, p. 536-541, 2016.
THURNER, B., et al. Empreendedorismo e inovação: a influência das
startups no crescimento econômico. 2015.
SUMARIO
CAPA
FICHA CATALOGRAFICA
ResearchGate has not been able to resolve any citations for this publication.
Conference Paper
Full-text available
This theoretical paper identifies variables that endorse the impact of autonomous vehicles (AVs) in the migration from an individual transportation consumption (ownership) to Mobility-as-a-service usage mindset, futurelly, autonomous, through a literature review that analyses usage time of a vehicle throughout a day, costs associated to the ownership of a vehicle compared to MaaS options and the acceptance of Mobility-as-a-service (MAS), resulting on a causal model that relates AV MAS to parking lot distribution, total mobility cost, practicality, vehicle miles driven, demand and reaction time as well as potential variables among innovation adoption and difussion models that might encourage or discourage AVs willigness to use. The outcome based on the literature review suggests that funtional usage of AVs under MaaS model should face no barriers once innovation adoption and difusion elements that could disparage AVs willigness to use are surpassed; indeed, the advantages of autonomous driving are an incentive for MaaS to early adopt the technology. In order to make it popular, Autonomous MaaS will require a fine tunning on balancing variables such as response time, availability (versus demand) and vehicle-anchorage on different geographic regions in order to gain efficiency of their vehicle fleet while satisfactorily attending their customers. Nevertheless, the existent emotional conection between drivers and their vehicles, whether as a symbolic public display of status and self-identity or as a hedonistic tool should be a challenge for both ownership and usage models. Social motivations could be attended by owned-AVs while MaaS may encounter more challenges; personal (hedonistic) motivations for car usage, on the other hand, compromises both approaches. Albeit no studies were found confronting adoption and difussion of inovation models (and its variables) and AVs, this paper hypothetizes a combined model may be specifically suitable having 'perceived usefulness', 'attitude toward behavior', 'social influence', 'inovativeness' and 'effort expectancy' as AVs willingness-to-use catalysts, while 'joy', 'control / safety / discomfort', 'age/gender' and 'ease of use' may generate an opposite effect.
Article
Full-text available
The current globalization is faced by the challenge to meet the continuously growing worldwide demand for capital and consumer goods by simultaneously ensuring a sustainable evolvement of human existence in its social, environmental and economic dimensions. In order to cope with this challenge, industrial value creation must be geared towards sustainability. Currently, the industrial value creation in the early industrialized countries is shaped by the development towards the fourth stage of industrialization, the so-called Industry 4.0. This development provides immense opportunities for the realization of sustainable manufacturing. This paper will present a state of the art review of Industry 4.0 based on recent developments in research and practice. Subsequently, an overview of different opportunities for sustainable manufacturing in Industry 4.0 will be presented. A use case for the retrofitting of manufacturing equipment as a specific opportunity for sustainable manufacturing in Industry 4.0 will be exemplarily outlined.
Article
Full-text available
As a full expression of techne, the information society has already posed fundamental ethical problems, whose complexity and global dimensions are rapidly evolving. What is the best strategy to construct an information society that is ethically sound? This is the question I discuss in this paper. The task is to formulate an information ethics that can treat the world of data, information, knowledge and communication as a new environment, the infosphere. This information ethics must be able to address and solve the ethical challenges arising in the new environment on the basis of the fundamental principles of respect for information, its conservation and valorisation. It must be an ecological ethics for the information environment.
Article
Full-text available
A reflexão sobre as práticas sociais, em um contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, cria uma necessária articulação com a produção de sentidos sobre a educação ambiental. A dimensão ambiental configura-se crescentemente como uma questão que diz respeito a um conjunto de atores do universo educativo, potencializando o envolvimento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacitação de profissionais e a comunidade universitária numa perspectiva interdisciplinar. O desafio que se coloca é de formular uma educação ambiental que seja crítica e inovadora em dois níveis: formal e não formal. Assim, ela deve ser acima de tudo um ato político voltado para a transformação social. O seu enfoque deve buscar uma perspectiva de ação holística que relaciona o homem, a natureza e o universo, tendo como referência que os recursos naturais se esgotam e que o principal responsável pela sua degradação é o ser humano.
Article
The smart electricity grid enables a two-way flow of power and data between suppliers and consumers in order to facilitate the power flow optimization in terms of economic efficiency, reliability and sustainability. This infrastructure permits the consumers and the micro-energy producers to take a more active role in the electricity market and the dynamic energy management (DEM). The most important challenge in a smart grid (SG) is how to take advantage of the users' participation in order to reduce the cost of power. However, effective DEM depends critically on load and renewable production forecasting. This calls for intelligent methods and solutions for the real-time exploitation of the large volumes of data generated by a vast amount of smart meters. Hence, robust data analytics, high performance computing, efficient data network management, and cloud computing techniques are critical towards the optimized operation of SGs. This research aims to highlight the big data issues and challenges faced by the DEM employed in SG networks. It also provides a brief description of the most commonly used data processing methods in the literature, and proposes a promising direction for future research in the field.
Índice de sustentabilidade empresarial da bolsa de valores de São Paulo (ISE-BOVESPA): exame da adequação como referência para aperfeiçoamento da gestão sustentável das empresas e para formação de carteiras de investimento orientadas por princípios de sustentabilidade corporativa
  • P R A Barbosa
BARBOSA, P. R. A. Índice de sustentabilidade empresarial da bolsa de valores de São Paulo (ISE-BOVESPA): exame da adequação como referência para aperfeiçoamento da gestão sustentável das empresas e para formação de carteiras de investimento orientadas por princípios de sustentabilidade corporativa. PhD Thesis. Dissertação (Mestrado em Administração) -Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, Instituto COPPEAD de Administração. 2007
Ser redes: o formismo digital dos movimentos net-ativistas
  • M Di Felice
DI FELICE, M. Ser redes: o formismo digital dos movimentos net-ativistas. Matrizes, 2013
Artigo apresentado e publicado nos anais do VII Congresso Brasileiro de Engenharia de Produção
  • M V Shules
  • Marcelo Cleto
  • Gechele
SHULES, M.V., CLETO, Marcelo Gechele. Impactos da Indústria 4.0 em sustentabilidade: uma revisão da literatura. Artigo apresentado e publicado nos anais do VII Congresso Brasileiro de Engenharia de Produção. Ponta Grossa, Brasil, 6 a 8 de Dezembro de 2017.
A sustentabilidade na estratégia de negócio das empresas brasileiras
  • Marcus Nakagawa
  • Hyonai
NAKAGAWA, Marcus Hyonai, et al. A sustentabilidade na estratégia de negócio das empresas brasileiras. 2012.
FONTENELLE, I.A. Cultura do consumo: fundamentos e formas contemporâneas. FGV, 2017. FLORIDI, L. Information ethics: an environmental approach to the digital divide
  • J Elkington
  • Sustentabilidade Canibais Com Garfo E Faca
ELKINGTON, J. Sustentabilidade Canibais Com Garfo e Faca: Triple botton line. 2001. FONTENELLE, I.A. Cultura do consumo: fundamentos e formas contemporâneas. FGV, 2017. FLORIDI, L. Information ethics: an environmental approach to the digital divide. Philosophy in the Contemporary World, v. 9, n. 1, p. 39-45, 2002.