ArticlePDF Available

Abstract

Here, we present the results of a study conducted in six forested areas with different elevations from the municipality of Cataguases, located in the Zona da Mata of Minas Gerais State. Through methods of active search and pitfall traps, we registered a total of 56 anuran species, including new and threatened taxa, and highly dependent of forested habitats. We observed variable environmental impacts in all assessed areas and believe that the species from the lower altitudinal areas are the most vulnerable ones.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
4
Anfíbios do município de Cataguases, Zona da Mata de Minas Gerais
Clodoaldo Lopes de Assis1, 2, Renato Neves Feio1,3
Resumo
Apresentamos os resultados de estudo realizado em seis áreas de mata, com diferentes cotas altimétricas,
no município de Cataguases, na Zona da Mata mineira. Através dos métodos de busca ativa e armadilhas de
interceptação e queda (pitfall), registramos um total de 56 espécies de anuros, incluindo táxons ameaçados,
novos para a ciência, e dependentes de áreas  orestais. Constatamos diferentes impactos ambientais em
todas as áreas amostradas e acreditamos que as espécies ocorrentes nas cotas altimétricas mais baixas
encontram-se mais vulneráveis.
Palavras chave: anfíbios, inventário, espécie ameaçada, Mata Atlântica.
Abstract
Here, we present the results of a study conducted in six forested areas with different elevations from the muni-
cipality of Cataguases, located in the Zona da Mata of Minas Gerais State. Through methods of active search
and pitfall traps, we registered a total of 56 anuran species, including new and threatened taxa, and highly de-
pendent of forested habitats. We observed variable environmental impacts in all assessed areas and believe
that the species from the lower altitudinal areas are the most vulnerable ones.
Keywords: amphibians, inventory, threatened species, Atlantic forest
1 Museu de Zoologia João Moojen. Departamento de Biologia Animal. Universidade Federal de Viçosa. Vila Gianetti nº 32, Campus
UFV Viçosa, MG, Brasil. E-mail: clodoassis@yahoo.com.br
2 Mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal de Viçosa.
3 Doutor em Ciências Biológicas (Zoologia) pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 5
Introdução
Os anfíbios estão divididos em três gru-
pos: os Urodela, conhecidos como salaman-
dras, os Gymnophiona, que compreendem
as cobras-cegas e os Anura, que incluem
os sapos, rãs e pererecas (POUGH et al.,
2008). Estes animais possuem caracterís-
ticas únicas, sejam elas morfológicas,  sio-
lógicas e comportamentais, que lhes per-
mitiram ocupar quase todos os ambientes
terrestres, que vão desde a tundra ártica,
até alguns áridos desertos (DUELLMAN &
TRUEB, 1994). Porém, sua maior diversida-
de ocorre nos ambientes tropicais, onde o
calor, a alta umidade e a grande quantidade
de microambientes aquáticos, favoreceram
sua ocupação e diversi cação (DUELLMAN
& TRUEB, 1994; POUGH et al., 2008). Como
exemplo, o Brasil, com toda a sua extensão
territorial, diversidade de biomas e clima tro-
pical na maior parte de seu território, está
entre os países com maior riqueza de an-
fíbios, abrigando cerca de 1026 espécies
(SEGALLA et al., 2014).
Dos biomas brasileiros, o hotspot da
Mata Atlântica aparece em destaque, tanto
pela diversidade deste grupo, quanto pelo
grau de ameaça que estes se encontram.
Mesmo restando 8,5% de sua vegetação to-
tal (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA &
INPE, 2015), o bioma possui cerca de 543
espécies de anfíbios, o que corresponde a
mais da metade do total de espécies regis-
tradas para o país (HADDAD et al., 2013).
E ainda, grande parte dos anfíbios presen-
tes na lista brasileira de espécies ameaça-
das de extinção ocorre na Mata Atlântica
(DOU, 2014), que por sua vez detêm tam-
bém a maior parte dos registros de declínio
de espécies desse grupo no país (SILVANO
& SEGALLA, 2005). Devido à alta permeabi-
lidade de sua pele, dependência de ambien-
tes especí cos para a reprodução e ciclo de
vida com fases aquática e terrestre, esses
animais são extremamente sensíveis às al-
terações em seus ambientes (DUELLMAN
& TRUEB, 1994).
Mesmo com essas informações alar-
mantes, pouco se sabe sobre a maioria de
nossos anfíbios. Existe uma grande neces-
sidade e urgência de estudos populacionais
e monitoramentos de longo prazo, para que
se possa compreender a real dimensão dos
problemas de declínios e de ameaças sobre
estas espécies (HADDAD, 2008). Um pos-
sível re exo de tal fato são os resultados da
recente Avaliação do Estado de Conserva-
ção da Herpetofauna no Brasil. Das espé-
cies de anfíbios avaliadas, 42 foram consi-
deradas ameaçadas e 167 categorizadas
como de cientes de dados (DD), ou seja,
espécies cujas informações como distribui-
ção e historia natural são insu cientes para
uma adequada avaliação de seu risco de
extinção (ICMBio, 2014). Muitas áreas ain-
da necessitam de inventários ou foram sub
amostradas (SILVANO & SEGALLA, 2005),
e mesmo em regiões com um histórico con-
tínuo de degradação, novas espécies vem
sendo descobertas (LACERDA et al. 2012;
SANTANA et al. 2012; ASSIS et al., 2013).
Diante deste quadro, apresentamos par-
te dos resultados de um estudo realizado no
município de Cataguases, Zona da Mata mi-
neira, de forma a disponibilizar informações
sobre a composição e distribuição das espé-
cies de anfíbios na Mata Atlântica em Minas
Gerais.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
6
O município de Cataguases (21° 23’S,
42° 41’W) possui 491,767 km2, está inserido
na bacia do rio Paraíba do Sul, sendo drena-
da através da sub-bacia do rio Pomba (FIG.
1). Possui cotas altimétricas que vão de
aproximadamente 170 a até 1200 metros,
com precipitação média anual em torno de
1200 mm, tendo uma estação chuvosa que
vai de outubro a março e uma estação seca
que vai de abril a setembro. O clima pre-
dominante é o Aw, tropical quente e úmido
(KÖPPEN, 1948), com temperatura média
anual de 24,5º e variações entre 18° e 31°C.
Material e método
Área de Estudo
FIGURA 1 - Mapa de localização do município de Cataguases,
Zona da Mata de Minas Gerais.
Fonte: Base Cartográ ca IBGE (2010), adaptado pelos autores.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geogra a e Estatística. Bases e referenciais. 2010. Disponível em:
http://mapas.ibge.gov.br/bases-e-referenciais.html. (último acesso em 19/08/2016).
Cerca de 9% da área do município é
composta por remanescentes de Mata Atlân-
tica (SOS Mata Atlântica & INPE, 2015), que
pode ser caracterizada como Floresta Esta-
cional Semidecidual Montana e Submonta-
na (VELOSO et al. 1991). A matriz é formada
por pequenas áreas de culturas, plantações
de eucalipto e em grande parte predominam
as pastagens. Chama a atenção, aqueles
fragmentos abaixo de 300 metros, onde são
raros os estudos com anfíbios nessa cota al-
timétrica em áreas de Mata Atlântica de inte-
rior, e também o histórico de exploração, na
qual algumas matas que restaram, sofreram
apenas corte seletivo de madeira, não per-
dendo totalmente sua vegetação arbórea.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 7
Os estudos iniciaram em janeiro de
2007, e continuam até a data atual, totalizan-
do cerca de 290 campanhas de campo. Fo-
ram investigadas somente localidades com
fragmentos de mata (TAB. 1, FIG. 2 e 3),
onde foram aplicados os métodos de busca
ativa e armadilhas de interceptação e que-
da (pitfalls). Espécimes testemunhos foram
coletados (licenças IEF nº 102/08, 073/11
e SISBIO n° 26008-1, 26008-2, 26008-4,
26008-5, 52251-1) e depositados na Cole-
ção de Anfíbios do Museu de Zoologia João
Moojen, da Universidade Federal de Viçosa,
Minas Gerais (MZUFV). A nomenclatura ta-
xonômica adotada segue Frost (2016).
Coleta de dados
TABELA 1
Locais amostrados e os respectivos métodos aplicados ao longo do estudo no município de Cataguases,
Minas Gerais
Localidade Altitude (m) Coordenadas
Método aplicado
Busca
ativa
Pitfall
Serra do Sapecado 750 21º14’S 42º44’O x x
Serra da Neblina 1010 21º12’S 42º45’O x x
Sinimbú 304 21º20’S 42º45’O x x
Santa Maria 420 21º14’S 42º41’O x
Estação Ecológica Água Limpa 240 21º22’S 42º42’O x x
Fragmento de mata 230 21º25’S 42º42’O x
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
8
FIGURA 3 - Fragmento de mata amostrado na comunidade do Sinimbú, município de Cataguases, Zona da Mata de Minas Gerais.
FIGURA 2 - Fragmento de mata amostrado na Serra do Sapecado, município de Cataguases, Zona da Mata de Minas Gerais
Foto: Clodoaldo L. Assis
Foto: Clodoaldo L. Assis
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 9
As amostragens através de busca ativa
foram realizadas mensalmente, ao longo de
alguns anos e, em outros, concentraram-se
nos períodos chuvosos. Cada campanha
teve a duração de 1 a 4 dias sendo que a
maior parte iniciava às 16:00 h e terminava
aproximadamente às 00:00 h (desconside-
rando o horário de verão). Foram amostrados
diferentes ambientes favoráveis à ocupação
de anfíbios, como riachos, brejos, lagoas,
poças, a oramentos rochosos, bromélias e
serrapilheira. Os ambientes amostrais foram
percorridos em transectos, e os animais ob-
servados foram fotografados, coletados e
quando possível tiveram suas vocalizações
gravadas, para auxiliar nas identi cações.
Estes procedimentos metodológicos foram
adaptados do Complete Species Invento-
ries, Visual Encounter Surveys e Audio Strip
Transects (HEYER et al., 1994).
O método de amostragem utilizando
armadilhas de interceptação seguiu adap-
tações propostas por Cechin & Martins
(2000). Foram instaladas entre 5 e 6 linhas
de armadilhas as quais possuíam 6 baldes
de 65 L, distantes 10 metros entre si, en-
terradas no solo até a boca e interligadas
por uma cerca-guia de lona plástica na altu-
ra de 50 cm do chão. As campanhas foram
realizadas mensalmente ao longo dos anos
de 2011, 2012 e 2013, onde as armadilhas
permaneceram abertas por um período de
cinco a sete dias.
Resultado e discussão
Foram registradas 56 espécies de anfí-
bios anuros para Cataguases (TAB. 2), indi-
cando que o local apresenta uma alta rique-
za deste grupo em comparação com outras
áreas já estudadas na Mata Atlântica de Mi-
nas Gerais. Como exemplo, foram registra-
das 20 espécies no município de Rio Novo
(FEIO & FERREIRA, 2005), 38 no Parque
Estadual do Rio Doce (FEIO et al., 1998),
41 na Serra de Ouro Branco (SÃO PEDRO
& FEIO, 2011), 41 na região do alto rio Mu-
riaé (SANTANA et al., 2010) e 57 no Parque
Estadual da Serra do Brigadeiro (MOURA et
al., 2012). Mesmo não considerando o tem-
po de estudo e tamanho das áreas amostra-
das nos demais trabalhos, a acentuada dife-
rença no gradiente altitudinal encontrada em
uma área relativamente pequena (município
de Cataguases), pode ser um dos principais
fatores deste elevado número de táxons.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
10
(Continua...)
Família
Espécie
Leptodactylidae
Leptodactylus latrans (Steffen, 1815)
Adenomera gr. marmoratus
Adenomera thomei (Almeida e Ângulo, 2006)
Leptodactylus cf. furnarius
Leptodactylus labyrinthicus (Spix, 1824)
Leptodactylus fuscus (Schneider, 1799)
Leptodactylus aff. spixii
Leptodactylus mystacinus (Burmeister, 1861)
Physalaemus cuvieri Fitzinger, 1826
Physalaemus feioi Cassini, Cruz e Caramaschi, 2010
Physalaemus signifer (Girard, 1853)
Pseudopaludicola giarettai Carvalho, 2012
Pseudopaludicola cf. mystacalis
Microhylidae
Elachistocleis cesarii (Miranda-Ribeiro, 1920)
Chiasmocleis cf. lacrimae
Myersiella microps (Duméril and Bibron, 1841)
Bufonidae
Rhinella gr. crucifer
Hylidae
Hypsiboas pardalis (Spix, 1824)
Hypsiboas semilineatus (Spix, 1824)
Hypsiboas albopunctatus (Spix, 1824)
Hypsiboas albomarginatus (Spix, 1824)
Hypsiboas faber (Wied-Neuwied, 1821)
Hypsiboas crepitans (Wied-Neuwied, 1824)
Hypsiboas polytaenius (Cope, 1870)
Dendropsophus elegans (Wied-Neuwied, 1824)
Dendropsophus branneri (Cochran, 1948)
Dendropsophus minutus (Peters, 1872)
Dendropsophus decipiens (Lutz, 1925)
Dendropsophus bipunctatus (Spix, 1824)
Bokermannohyla caramaschii (Napoli, 2005)
Aplastodiscus cavicola (Cruz e Peixoto, 1985)
Scinax crospedospilus (Lutz, 1925)
Scinax eurydice (Bokermann, 1968)
Scinax cf. cardosoi (Carvalho-e-Silva e Peixoto, 1991)
Scinax fuscovarius (Lutz, 1952)
Scinax aff. perereca
Ololygon carnevallii (Caramaschi e Kisteumacher, 1989)
Ololygon flavoguttata (Lutz e Lutz, 1939)
Ololygon aff. carnevallii
Ololygon cosenzai (Lacerda, Peixoto e Feio, 2012)
Ololygon argyreornata (Miranda-Ribeiro, 1926)
Aparasphenodon pomba Assis, Santana, Silva Quintela e Feio, 2013
Cycloramphidae
Zachaenus carvalho Izecksohn, 1983
Thoropa sp. n.
Proceratophrys boiei (Wied-Neuwied, 1824)
Thoropa miliaris (Spix, 1824)
Craugastoridae
Haddadus binotatus (Spix, 1824)
TABELA 2
Anfíbios registrados no município de Cataguases, Zona da Mata de Minas Gerais
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 11
As espécies registradas estão distri-
buídas em 24 gêneros e dez famílias, Bu-
fonidae (1), Hylidae (25), Phyllomedusidae
(1), Leptodactylidae (13), Microhylidae (3),
Cycloramphidae (4), Craugastoridae (1),
Brachycephalidae (6), Hylodidae (2) e Rani-
dae (1). A família Hylidae obteve uma diver-
sidade maior de espécies, fato comum em
estudos realizados em outras localidades
neotropicais (BERTOLUCI et al., 2009; SÃO
PEDRO & FEIO, 2011, MOURA et al., 2012).
As espécies desta família tem a capacida-
de de explorar os estratos verticais dos am-
bientes que ocupam (FIG. 4 e 5), devido à
presença dos discos adesivos, o que as tor-
nam mais plásticas no uso do micro-habitat
(CARDOSO et al., 1989; KOPP & ETEROVI-
CK, 2006). Dentre os Hylideos, Aparasphe-
nodon pomba (FIG. 6), encontra-se na Lista
Vermelha da Fauna Brasileira Ameaçada de
Extinção, categorizado como “Criticamente
em Perigo – CR” (DOU, 2014). Este anu-
ro foi descrito em 2013, e só é encontrada
em um único fragmento de mata próximo às
margens do rio Pomba na localidade do Si-
nimbú (ASSIS et al., 2013).
FIGURA 4 - Exemplo de Hylideo (Hypsiboas semilineatus) utilizando estrato vertical.
Foto: Clodoaldo L. Assis
(Conclusão)
Família
Espécie
Brachycephalidae
Ischnocnema izecksohni (Caramaschi e Kisteumacher, 1989)
Ischnocnema sp. 1 (gr. parva)
Ischnocnema sp. 2 (gr. parva)
Ischnocnema cf. oea
Ischnocnema verrucosa Reinhardt and Lütken, 1862
Ranidae
Lithobates catesbeianus (Shaw, 1802)
Phyllomedusidae
Phyllomedusa burmeisteri Boulenger, 1882
Hylodidae
Crossodactylus sp.
Hylodes lateristrigatus (Baumann, 1912)
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
12
Uma outra espécie foi considerada nova
para a ciência e está em fase  nal de des-
crição. Após comparações morfológicas,
larvais e acústicas de Thoropa sp. n. (FIG.
7) com populações de espécies semelhan-
tes dos estados do Rio de Janeiro e Espírito
Santo, vimos que as populações regionais
deste anfíbio se tratava de um novo táxon.
Esta espécie foi coletada durante os me-
ses chuvosos nos a oramentos rochosos
na Serra do Sapecado, onde foi observada
em simpatria com sua congênere T. miliaris
(FIG. 8). Assim como todas as espécies do
gênero (BOKERMANN, 1965), Thoropa sp.
n. utiliza as lâminas de água que escorrem
nas pedras durante o período de chuva para
a reprodução. Destacamos ainda outras es-
pécies com identi cação incerta (“cf.”, “gr.” e
Foto: Clodoaldo L. Assis
FIGURA 5 - Exemplo de Hylideo (Hypsiboas pardalis) utilizando estrato vertical.
Foto: Clodoaldo L. Assis
FIGURA 6 - Espécie ameaçada de extinção Aparasphenodon pomba.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 13
“aff.”) ou sem identi cação especí ca (“sp.”),
que já se encontram em estudos e podem
vir a ser consideradas novas, aumentando a
Apesar de se localizar em uma região
mais interiorana da Mata Atlântica, a com-
posição de anfíbios deste município sofre
in uências de taxocenoses não só de maio-
res altitudes da Serra da Mantiqueira, mas
também de áreas litorâneas. Espécies como
Ololygon argyreornata (FIG. 9), Dendropso-
phus bipunctatus (FIG. 10), Dendropsophus
branneri e o gênero Aparasphenodon, são
típicas das  orestas ombró las do litoral do
Rio de Janeiro (IZECKSOHN & CARVALHO-
E-SILVA, 2001). Os locais de menor altitude
ao longo da calha do rio Paraíba do Sul e
seus a uentes, como o rio Pomba, podem
funcionar como corredores a estas espécies
costeiras, o que explica suas ocorrências
em áreas mais continentais. Esta hipótese
já foi levantada em estudos realizados em
Minas Gerais ao longo dos rios Doce (FEIO
et al., 1998), Jequitinhonha (FEIO & CARA-
MASCHI, 2002) e Novo (FEIO & FERREI-
RA, 2005).
FIGURA 7 - Espécie do gênero Thoropa em fase de descrição.
Foto: Clodoaldo L. AssisFoto: Clodoaldo L. Assis
FIGURA 8 - Thoropa miliaris.
importância taxonômica e conservacionista
dos fragmentos  orestais de Cataguases.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
14
FIGURA 10 - Dendropsophus bipunctatus.
FIGURA 9 - Ololygon argyreornata.
Foto: Clodoaldo L. AssisFoto: Clodoaldo L. Assis
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 15
Uma espécie da Família Hylidae teve sua
distribuição ampliada. Pererecas do gênero
Bokermannohyla (FIG. 11) foram coletados
em um riacho no interior de mata na Serra da
Neblina durante o mês de outubro de 2013
e, após análises morfológicas, constatamos
que se tratava de B. caramaschii, uma vez
que os mesmos não apresentavam fendas
vocais, principal característica para identi -
cação do táxon (NAPOLI, 2005; NAPOLI, et
al., 2011). Esta espécie ocorre nos estados
de Minas Gerais e Espírito Santo, habitando
orestas em áreas de altitude da porção se-
tentrional da Serra da Mantiqueira (NAPOLI
et al., 2011). A ocorrência de B. caramaschii
no município de Cataguases (cerca de 265
km da localidade tipo em Santa Teresa no
Espírito Santo) con gura-se no limite sul de
ocorrência da espécie (FIG. 12), e amplia
sua distribuição cerca de 45 km a partir de
um registro feito no Parque Estadual do Bri-
gadeiro, no município de Ervália em Minas
Gerais (MOURA et al., 2012).
Foto: Clodoaldo L. Assis
FIGURA 11 - Bokermannohyla caramaschii.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
16
Muitas espécies registradas dependem
especi camente de ambientes  orestais
ou locais próximos a estas áreas  oresta-
das. Algumas, como as dos gêneros Isch-
nocnema (FIG. 13), Myersiella (FIG. 14),
Haddadus (FIG. 15), vivem exclusivamen-
te na serapilheira de áreas de mata e pos-
suem desenvolvimento direto (sem fase de
girino), onde a larva desenvolve-se den-
tro do ovo saindo dele já uma pequena rã
(HADDAD & PRADO, 2005; HADDAD et al.,
2013). Outras, como Hylodes lateristrigatus
(FIG. 16), Crossodactylus sp. (FIG. 17) e
Chiasmocleis cf. lacrimae (FIG. 18), depen-
dem de riachos e poças em interior de mata
em bom estado de conservação para se re-
produzirem. Estas espécies  orestais pos-
suem modo reprodutivo mais especializado
e adaptado a microambientes especí cos
para a reprodução, permanecendo restri-
tas a áreas de mata preservada devido a
ausência destes microambientes em áreas
alteradas, sofrendo com maior intensidade
aos efeitos das alterações em seus habi-
tats (HADDAD, 1998).
FIGURA 12 - Municípios de ocorrência da perereca Bokermannohyla caramaschii nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo:
1 - Cataguases; 2 - Ervália; 3 - Araponga; 4 - Fervedouro; 5 - Alto Caparaó; 6 - Simonésia; 7 - Santa Bárbara do Leste;
8 - Ibitirama; 9 - Alegre; 10 - Cachoeiro de Itapemirim; 11 - Vargem Alta; 12 - Castelo; 13 - Marechal Floriano; 14 - Domingos
Martins; 15 - Cariacica; 16 - Santa Maria de Jetibá; 17 - Fundão; 18 - Santa Teresa (localidade tipo).
Fonte: Base Cartográ ca IBGE (2010), adaptado pelos autores. IBGE – Instituto Brasileiro de Geogra a e Estatística.
Bases e referenciais. 2010. Disponível em: http://mapas.ibge.gov.br/bases-e-referenciais.html. (último acesso em 19/08/2016).
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 17
FIGURA 13 - Ischnocnema verrucosa.
Foto: Clodoaldo L. AssisFoto: Clodoaldo L. Assis
FIGURA 14 - Myersiella microps.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
18
Foto: Clodoaldo L. AssisFoto: Clodoaldo L. Assis
FIGURA 15 - Haddadus binotatus.
FIGURA 16 - Hylodes lateristrigatus.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 19
Foto: Clodoaldo L. Assis
Foto: Clodoaldo L. Assis
FIGURA 17 - Crossodactylus sp.
FIGURA 18 - Chiasmocleis cf. lacrimae.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
20
Ao longo do estudo observamos que,
mesmo sob a proteção da legislação am-
biental vigente, áreas naturais do município
vêm sofrendo impactos que colocam sua
anurofauna em constante ameaça. Dentre
estes, podemos citar as atividades mine-
rárias, o mau uso do solo por proprietários
rurais, e a supressão de áreas úmidas em
obras públicas e privadas que eliminam
ou comprometem a qualidade dos corpos
d’água próximos, essenciais para a repro-
dução dos anfíbios. A retirada seletiva de
madeira e a invasão de gado nos fragmen-
tos  orestais também são constantemente
observadas. Estes dois impactos alteram a
estrutura da  oresta e consequentemente o
seu microclima (BARLOW & PERES, 2004;
BROWNING & ARCHER, 2011), afetando
principalmente as espécies que vivem no
chão da mata (ROGOWITZ et al., 1999).
Uma questão que chama a atenção são
as presenças constantes de cães e gatos
domésticos nos fragmentos  orestais do
município. Os cães têm um impacto signi-
cativo nos vertebrados em áreas naturais,
predando diversas espécies silvestres, in-
cluindo os anfíbios (GALETTI & SAZIMA,
2006). O mesmo acontece com os gatos.
Somente durante um período de cinco me-
ses, foram registrados 14370 animais preda-
dos por 986 gatos domésticos na GrãBreta-
nha, onde 590 eram anfíbios (WOOD et al.,
2003). Considerando que o Brasil é um país
megadiverso, esse tipo de impacto deve
ser muito mais signi cativo em locais como
na Mata Atlântica. Durante os trabalhos de
campo,  zemos uma observação casual de
uma predação feita por um gato domésti-
co sobre uma rã da espécie Leptodactylus
latrans. O exemplar fêmea foi avistado du-
rante o período noturno, transportado o an-
fíbio, para a residência onde encontravam-
-se seus  lhotes, e ao amanhecer a presa
já estava quase que totalmente consumida
(FIG. 19). Outro impacto que merece des-
taque é a presença da espécie exótica in-
vasora Lithobates castebeianus (rã touro)
no município (FIG. 20). Esta espécie, nati-
va da América do Norte, possui uma grande
capacidade de adaptação, e foi introduzida
no Brasil para  ns comerciais (VIZZOTO,
1984). No entanto, quando estabelecida em
ambientes naturais, causa sérios danos às
espécies nativas de anuros, através da com-
petição e predação (BATISTA, 2002; SILVA
et al., 2011). Seu registro foi feito na locali-
dade tipo de A. pomba, e certamente repre-
senta um possível impacto à esta espécie já
ameaçada.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 21
Foto: Clodoaldo L. AssisFoto: Clodoaldo L. Assis
FIGURA 19 - Leptodactylus latrans predado por gato doméstico (Felis catus) no município de Cataguases, Minas Gerais.
FIGURA 20 - Lithobates castebeianus (rã-touro), registrada na localidade tipo da espécie ameaçada Aparasphenodon pomba.
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
22
Considerações ¿ nais
Apesar de encontrar-se com sua vegeta-
ção nativa fortemente impactada, o município
de Cataguases possui uma importância ecoló-
gica e conservacionista em relação à sua anu-
rofauna, abrigando um número elevado de tá-
xons, incluindo espécies novas para a ciência,
dependentes de áreas  orestais, ameaçadas
e táxons com identi cação incerta. Merece
destaque o fragmento de mata no povoado de
Sinimbú que, além de ser a localidade tipo de
Aparasphenodon pomba, possui ambientes
como lagoas temporárias e brejos em inte-
rior de mata, onde espécies ainda em fase de
identi cação, como Chiasmocleis cf. lacrimae
e Scinax cf. cardosoi, se reproduzem.
É de extrema importância, a proteção
destes fragmentos  orestais restantes,
principalmente aqueles em cotas altimétrica
mais baixas, próximos à calha do rio Pom-
ba. Essas áreas, por possuírem terrenos
mais planos, foram as primeiras a serem co-
lonizadas na região, e historicamente vem
passando por um processo agressivo de
exploração e ocupação (VALVERDE, 1958),
ainda hoje observado. Dessa forma, acredi-
tamos que as espécies dependentes destes
ambientes de baixada, estão sobre um risco
maior, e devem ser priorizadas quanto à to-
mada de estratégias para sua conservação.
Referências
ASSIS, C. L.; SANTANA, D. J.; SILVA, F. A.; QUIN-
TELA, F. M.; FEIO, R. N. A new and possibly critically
endangered species of casque-headed tree frog Apa-
rasphenodon Miranda-Ribeiro, 1920 (Anura, Hylidae)
from southeastern Brazil. Zootaxa, v. 3716, p. 583-
591, 2013.
BARLOW, J.; PERES, C. A. Ecological responses to
El Niño-induced surface  res in central Amazonia:
management implications for  ammable tropical fo-
rests. Philosophical Transactions of the Royal So-
ciety of London B, v. 359, p. 367-380, 2004.
BATISTA, C. G. Rana catesbeiana (Bullfrog). Effects
on native anuran community. Herpetological Re-
view, v. 33, p. 131, 2002.
BERTOLUCI, J.; CANELAS, M. A. S.; EISEMBERG,
C. C.; PALMUTI, C. F. S.; MONTINGELLI, G. G. Her-
petofauna of Estação Ambiental de Peti, an Atlantic
Rain Forest fragment of Minas Gerais State, southe-
astern Brazil. Biota Neotropica, v. 9, n. 1, p. 147-
155, 2009.
BOKERMANN, W. C. A. Notas sobre as Espécies
de Thoropa Fitzinger (Amphibia, Leptodactylidae).
Anais da Academia Brasileira de Ciências, v. 37,
p.525-537, 1965.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente - MMA. Porta-
ria nº 444, de 17 de dezembro de 2014. Reconhecer
como espécies da fauna brasileira ameaçadas de ex-
tinção aquelas constantes da “Lista Nacional O cial
de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção”. Di-
ário O¿ cial da União, Brasília, 18. dez. 2014, seção
1. p.121-130
BROWNING, D. M.; ARCHER, S. R. Protection from
livestock fails to deter shrub proliferation in a desert
landscape with a history of heavy grazing. Ecologi-
cal Applications, v.21, n. 5, p. 1629-1642, 2011.
CARDOSO, A.J., ANDRADE, G.V. & HADDAD,
C.F.B. Distribuição espacial em comunidades de an-
fíbios (Anura) no SE do Brasil. Revista Brasileira de
Biologia. v. 49, p. 241-249, 1989.
CECHIN, S. Z.; MARTINS, M. E ciência de Arma-
dilhas de Queda (pitfall traps) em Amostragens de
Anfíbios e Répteis no Brasil. Revista Brasileira de
Zoologia, v. 17, n. 3, p. 729-740, 2000.
FEIO, R. N.; FERREIRA, P. L. Anfíbios de dois frag-
mentos de Mata Atlântica no município de Rio Novo,
Minas Gerais. Revista Brasileira de Zoociências, v.
7, n. 1, p. 121-128, 2005.
FEIO, R. N.; CARAMASCHI, U. Contribuição ao co-
nhecimento da herpetofauna do nordeste do estado
de Minas Gerais, Brasil. Phyllomedusa, v. 1, n. 2, p.
105-111, 2002.
FEIO, R. N.; BRAGA, U. M. L.; WIEDERHECKER,
H.; SANTOS, P. S. Anfíbios do Parque Estadual do
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017 23
Rio Doce (Minas Gerais). Viçosa: Universidade Fe-
deral de Viçosa, Belo Horizonte: Instituto Estadual de
Florestas, 1998. 32 p.
FROST, D. R. Amphibian Species of the World:
Online Reference. Version 6.0 Disponível em:
http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/
(Acesso em 12/08/2016).
FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA; INSTITUTO
NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE.
Atlas dos remanescentes À orestais de Mata
Atlântica: período 2013 a 2014. São Paulo, 2015.
Disponível em: <http://mapas.sosma.org.br/>
GALETTI, M.; SAZIMA, I. Impacto de cães ferais em
um fragmento urbano de Floresta Atlântica no sudes-
te do Brasil. Natureza & Conservação, v. 4, n. 1, p.
58-63, 2006.
HADDAD, C. F. B.; TOLEDO L. F.; PRADO, C. P. A.;
LOEBMANN, D.; GASPARINI, J. L.; SAZIMA, I. Guia
dos anfíbios da Mata Atlântica - diversidade e bio-
logia. São Paulo: Anolis Books, 2013. 542 p.
HADDAD, C. F. B. Uma análise da lista brasileira de
anfíbios ameaçados de extinção. In: MACHADO, A.
B. M.; DRUMMOND, G. M.; PAGLIA, A. P. (Eds.), Li-
vro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de
Extinção. Brasília/Belo Horizonte, MMA/Fundação
Biodiversitas, p. 287-295, 2008.
HADDAD, C. F.B; PRADO, C. P. A. Reproductive mo-
des in frogs and their unexpected diversity in the Atlantic
Forest. BioScience, v. 55, n. 3, p. 207-217, 2005.
HADDAD, C. F. B. Biodiversidade dos anfíbios no Es-
tado de São Paulo. In: CASTRO, R. M. C. (Ed.). Bio-
diversidade do Estado de São Paulo, Brasil. São
Paulo: FAPESP, 1998. p.15-26.
HEYER, W. R., DONNELY, M. A., MCDIARMID, R.
W., HAYEK, L. C.; FOSTER, M. S. Measuring and
monitoring biological diversity: Standard metho-
ds for amphibians. Washington: Smithsonian Insti-
tution Press, 364 p., 1994.
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiver-
sidade - ICMBio - Lista de espécies quase amea-
çadas e com dados insu¿ cientes. Brasília, 2014.
Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/portal/fau-
nabrasileira/lista-de-especies-dados-insu cientes>.
Acesso em: 20 de agosto 2016.
IZECKSOHN E.; CARVALHO-E-SILVA S. P. Anfíbios
do município do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro:
Editora URFJ, 147 p., 2001.
KOPPEN, W. Climatologia: con um estúdio de los
climas de la tierra, México, Fondo de Cultura Econô-
mica 1948. 479 p.
KOPP, K.; ETEROVICK, P. Factors in uencing spatial
and temporal structure of frog assemblages at ponds
in southeastern Brazil. Journal of Natural History, v.
40, p. 1813-1830, 2006.
LACERDA, J. V. A.; PEIXOTO, O. L.; FEIO, R. N. A
new species of the bromeligenousScinax perpusillus
group (Anura; Hylidae) from Serra do Brigadeiro, Sta-
te of Minas Gerais, Southeastern Brazil. Zootaxa, v.
3217, p. 31-42, 2012.
MOURA, M. R.; MOTTA, A. P.; FERNADES, V. D.;
FEIO, R. N. Herpetofauna da Serra do Brigadeiro,
um remanescente de Mata Atlântica em Minas ge-
rais, Sudeste do Brasil. Biota Neotropica, v. 12, n.
1, p.1-27, 2012.
NAPOLI, M.; ENCARNAÇÃO, L.; CUNHA, M.;
ABREU, R.; HERRERA, J. Paradoxial geographic
distributions, new record, and corrections of Boker-
mannohyla circumdata (Cope, 1870) and B. cara-
maschii (Napoli, 2005) (Amphibia: Anura; Hylidae).
Herpetology Notes, v. 4, p. 105-109, 2011.
NAPOLI, M. A new species allied to Hylacircumdata
(Anura: Hylidae) from Serra da Mantiqueira, Southe-
astern Brazil. Herpetologica, v. 61, n. 1, p. 63- 69,
2005.
POUGH, F.H.; HEISER, J.B.; MCFARLAND, W. N. A
vida dos vertebrados. 4. ed. São Paulo: Atheneu,
2008.
ROGOWITZ, G. L., RIVERA, M. C.; PUIGDOLLER,
K. N. Water loss, cutaneous resistance, and effects of
dehydration on locomotion of Eleutherodactylus fro-
gs. Journal of Comparative Physiology B, v. 169,
n. 3, p. 179-186, 1999.
SANTANA, D. J.; FONSECA, E. M.; NEVES, M. O.;
CARVALHO, R. M. H. A new species of Adelophryne
(Anura: Eleutherodactylidae) from the Atlantic Forest,
southeastern Brazil. Salamandra, v. 48, n. 4, p. 187-
192, 2012.
SANTANA, D. J.; SÃO-PEDRO, V. A.; HOTE, P. S.;
ROBERTI, H. M.; SANTANNA, A. C.; FIGUEIREDO-
-DE-ANDRADE, C. A.; FEIO, R. N. Anurans in the re-
gion of the High Muriaé River, state of Minas Gerais,
Brazil. Herpetology Notes, v. 3, p. 1-10, 2010.
SÃO-PEDRO, V.A.; FEIO, R. N. Anuran species com-
position from Serra do Ouro Branco, souther Espi-
MG BIOTA, Belo Horizonte, V.10, n.2, jul./set.2017
24
nhaço Mountain Range, state of Minas Gerais, Brazil.
Check List. v. 7, p. 671-680, 2011.
SEGALLA, M.; CARAMASCHI, U.; CRUZ, C. A. G.;
GRANT, T.; HADDAD, C. F. B.; LANGONE, J. A.;
GARCIA, P. C. A. Brazilian amphibians: List of spe-
cies. Herpetologia Brasileira, v. 3, p. 37- 48, 2014.
SILVA, E. T.; FILHO, RIBEIRO, O. P.; FEIO, R. N.
Predation of Native Anurans by Invasive Bullfrogs in
Southeastern Brazil: Spatial Variation and Effect of
Microhabitat use by Prey. South American Journal
of Herpetology, v. 6, p. 1-10, 2011.
SILVANO, D. L.; SEGALLA, M. V. Conservação de
anfíbios no Brasil. Megadiversidae, v. 1, n. 1, p. 79-
86, 2005.
VELOSO, H. P.; RANGEL FILHO, A. L. R.; LIMA, J.
C. A. Classi¿ cação da vegetação brasileira adap-
tada a um sistema universal. Rio de Janeiro: IBGE,
Departamento de Recursos Naturais e Estudos Am-
bientais, 1991. 124 p.
VALVERDE, O. Estudo regional da Zona da Mata, de
Minas Gerais. Revista Brasileira de Geogra¿ a, v. 1,
p. 3-82, 1958.
VIZOTTO, L. D. Ranicultura. Ciência e Cultura, v.
36, n. 1, p. 42-45, 1984.
WOODS, M.; MCDONALD, R. A.; HARRIS, S. Pre-
dation of wildlife by domestic cats Feliscatus, Great
Britain. Mammal Review, v. 33, p. 174-188, 2003.
Agradecimentos
À Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela
bolsa de mestrado a Clodoaldo Lopes de
Assis. A Felipe Eugênio Parizzi, Sebastião
Vieira de Jesus, Alberto Félix Iasbik e ao
Instituto Estadual de Florestas (IEF) pela
licença concedida e apoio nas campanhas
realizadas na Estação Ecológica de Água
Limpa em Cataguases. Ao Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio) e ao Centro Nacional de Pesquisa
e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN)
através de seus servidores Tatiana Rezende
Rosa, Rayldo Reis e Isaias José Reis, pela
presteza e clareza na obtenção das autori-
zações para atividades de pesquisa. A José
Lopes de Assis e Isabel O. Lopes de Assis
pelo apoio e incentivo. A Hermelindo Rodri-
gues dos Santos, Luzia Rita Santos, José
Geraldo Soares, Inácio Cardoso, Dineia
Martins Teixeira, José Brás Teixeira, Otoni
Machado, Wanderlan Santos, Maria Hele-
na, Gilberto Norato, Walter Nunes, Cleide
Furtado e Verônica Rodrigues dos Santos
pela receptividade em suas propriedades.
A Vinícius de Avelar São Pedro, Diego José
Santana, Emanuel Teixeira Silva, Jussara
Santos Dayrell, João Victor Lacerda e Mar-
co Antônio Peixoto pelo auxílio nas identi -
cações ao longo do estudo.
ResearchGate has not been able to resolve any citations for this publication.
Article
Full-text available
The following list includes all recognized species of amphibians, known by vouchers or published information to occur within the political borders of Brazil (until February 26th, 2019). The taxonomy follows Frost (2019). The known amphibian fauna of Brazil comprises 1136 species. The vast majority of species are anurans, including 1093 species (2 exotic invasives) representing 20 families and 105 genera, followed by caecilians, with 38 species in four families and 12 genera, and salamanders, with five species in a single family and genus.
Article
Full-text available
This study provides for the first time a detailed list of anuran species from Serra do Ouro Branco, southernmost Espinhaço Mountain Range, state of Minas Gerais, southeastern Brazil. We present data from monthly field surveys made between 2006 and 2007 and data from sporadic surveys conducted between 2003 and 2006. We recorded 47 species, corresponding so far to one of the highest frog richness known for a single location in Minas Gerais. We recorded typical species from the Atlantic Forest (19) and Cerrado (6) morphoclimatic domains; species restricted to the Espinhaço Range (8); or opened areas in mountainous regions (4); and widely distributed species (10). The Serra do Ouro Branco corresponds to the southernmost record of six species, besides holding important populations of other species with restricted geographic distributions. The high richness of frog species and the actual threats to which species are subject make the adoption of conservation measures in the region an emergency action.
Article
Full-text available
Os cães ferais domésticos são um dos principais predadores da vida selvagem nativa em áreas protegidas em todo o mundo. Entretanto, o número de presas caçadas por cães ferais não é registrado de maneira precisa. Foram encontradas, em um fragmento urbano de 250 hectares de Floresta Atlântica na Região Sudeste do Brasil, 46 carcaças de no mínimo 12 espécies de vertebrados, caçadas pelos cães ao longo de 44 meses. Os cães ferais não demonstraram qualquer seleção aparente em relação às diferentes espécies de presa, matando desde veados a pequenos sapos. Os mamíferos foram a presa mais freqüentemente encontrada (75%). Nossos dados indicam que os cães ferais têm um grande impacto sobre a vida selvagem da Floresta Atlântica, especialmente em áreas onde os animais silvestres precisam mover-se entre os fragmentos florestais. Os programas de erradicação, embora controversos, são a única maneira de reduzir a predação da vida selvagem por cães ferais.
Article
Full-text available
A new species of the bromeligenous Scinax perpusillus group is described from Serra do Brigadeiro, state of Minas Gerais, southeastern Brazil (20º43'13.5´´S; 42º28'48.7´´W). Scinax cosenzai sp. nov. is diagnosed by a combination of traits: moderate-size within the group (17.29–20.97 mm in males and 22.65–24.02 mm in females); head longer than wide; snout protruding in lateral view and slightly acuminated in dorsal view; prominent medial process between the nostrils; few tu-bercles scattered throughout the dorsal surface, including the head; ventral skin granulated, more intensively near the clo-acal region; dorsum different tones of gray with dark bands; transversal dark bars along limbs; gular region with irregular dark pigmentation; in life, hidden portion of the thigh and tibia region with some irregular bright yellow colored patches; and a distinct advertisement call with 2–14 notes/call, call duration 177.62–2066.75 ms, 1–33 pulses/note and dominant frequency of 3375.91–4571.21 Hz. Additionally, notes on natural history are provided.
Article
Full-text available
We describe a new species of Adelophryne from the Parque Municipal da Lajinha in Juiz de Fora, Minas Gerais state, southeast Brazil, constituting the southernmost record of the genus. Adelophryne meridionalis sp. n. is differentiated from other Adelophryne mainly by the presence of only two phalanges in finger IV, finger I being smaller than or equal to finger IV in dorsal view, and by having the terminal phalanges of its toes less developed. This new species is probably related to A. pachydactyla given that (1) both species have only two phalanges in Finger IV, and (2) a phylogenetic study demonstrated that A. pachydactyla belongs to a Southern Atlantic Forest clade along with at least three undescribed species.
Article
Full-text available
The region of the High Muriaé River belongs to the Atlantic Forest domain, located in the Mantiqueira mountain complex, identified as one of the priority areas for studies related to amphibians in Brazil. Collections and observations were made aiming to investigate the anuran fauna from March 2005 to September 2007 in many locations in the region. We found 41 species of amphibians belonging to ten families: Brachycephalidae (3), Bufonidae (2), Craugastoridae (1), Cycloramphidae (2), Hylidae (19), Hylodidae (1), Leiuperidae (5), Leptodactylidae (6), Microhylidae (1) and Ranidae (1). This number of species corresponds to 27.3 % of the species known from the Atlantic Forest of the state of Minas Gerais. It can be considered a very significant number, considering the high environment degradation degree of the region.
Article
Full-text available
Anuran assemblages were studied regarding species composition, microhabitat partitioning, temporal distribution, and spatial distribution in three natural ponds. Twenty‐two species belonging to four families (Bufonidae, Hylidae, Leptodactylidae, and Microhylidae) were recorded, 11 of these also in the larval stage. Month of occurrence, height above ground, and type of substrate were the most important variables discriminating among adult anuran microhabitats, whereas position in the water column, water depth, and presence of aquatic vegetation were the most important ones to discriminate among tadpole microhabitats. The total number of species and the number of species with calling males recorded were positively correlated with mean monthly rainfall and temperature. Tadpole species richness was not related to the number of types or abundance of potential tadpole predators in ponds. In the studied anuran assemblages, environmental and stochastic factors are more likely to produce the observed patterns of species distribution than biotic interactions.
Article
Abstract. Surveys of amphibians in a coastal Atlantic Rainforest remnant in southern Bahia, north-eastern Brazil, known as Serra Bonita, resulted in the collection of specimens of Bokermannohyla circumdata, which is the first record of the species for the State of Bahia, and the northernmost record for the coastal Atlantic Rainforest. Our results also reject the occurrence of B. caramaschii in the Serra Bonita Mountain, and the occurrence of B. circumdata in the northern sector of the Serra da Mantiqueira mountain range.
Article
This manual details standard field methods for qualitative and quantitative sampling of amphibian biological diversity. An introductory chapter is followed by an overview of amphibian diversity and natural history. Essentials of standardization and quantification are then covered. Next research design for quantitative amphibian studies is outlined. Chapter five looks at project planning and data acquisition and handling. Chapter six covers standard techniques for inventory and monitoring. Supplementary approaches are examined in the next chapter: artifical habitats; acoustic monitoring; tracking; night driving; GIS; and group activities/field trips. The ninth chapter looks at mark-recapture and removal sampling as methods of population estimation, followed by a chapter on data analysis. A conclusions and recommendations chapter is followed by seven appendices: handling live amphibians; techniques for marking amphibians; recording frog calls; specimen preparation; collecting tissue for biochemical analysis; vendors; and random number table. -S.R.Harris