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Resumo Este estudo apresenta o tratamento florístico dos táxons de Leguminosae registrados na vegetação de canga da Serra dos Carajás, estado do Pará. Foram inventariados na área de estudo 74 táxons específicos/infraespecíficos, incluindo tanto as espécies nativas como as adventícias já estabelecidas, pertencentes a 34 gêneros, sendo os mais representativos: Mimosa (11 espécies), Chamaecrista (7), Aeschynomene (5) e Senna (5). Mimosa skinneri var. carajarum é considerado o único táxon endêmico das formações rupestres ferríferas dos complexos montanhosos da Serra dos Carajás. São fornecidas chaves para identificação de gêneros e espécies/infraespécies, descrições morfológicas, ilustrações, além de distribuição geográfica, habitat e comentários sobre os táxons tratados. Dados sobre nodulação e potencial de uso em áreas alteradas pela atividade de mineração foram incluídos nos comentários dos táxons ou na introdução dos gêneros.
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Resumo
Este estudo apresenta o tratamento florístico dos táxons de Leguminosae registrados na vegetação de canga da Serra
dos Carajás, estado do Pará. Foram inventariados na área de estudo 74 táxons específicos/infraespecíficos, incluindo
tanto as espécies nativas como as adventícias já estabelecidas, pertencentes a 34 gêneros, sendo os mais representativos:
Mimosa (11 espécies), Chamaecrista (7), Aeschynomene (5) e Senna (5). Mimosa skinneri var. carajarum é considerado
o único táxon endêmico das formações rupestres ferríferas dos complexos montanhosos da Serra dos Carajás. São
fornecidas chaves para identificação de gêneros e espécies/infraespécies, descrições morfológicas, ilustrações, além de
distribuição geográfica, habitat e comentários sobre os táxons tratados. Dados sobre nodulação e potencial de uso em
áreas alteradas pela atividade de mineração foram incluídos nos comentários dos táxons ou na introdução dos gêneros.
Palavras-chave: Amazônia, Fabaceae, FLONA Carajás, florística, taxonomia.
Abstract
This study presents the floristic treatment for the taxa of Leguminosae recorded in the canga vegetation of the Serra dos
Carajás, Pará state. Seventy four specific/infraspecific taxa were inventoried in the study area, this includes both native
and established adventive species, belonging to 34 genera, of which Mimosa (11 species), Chamaecrista (7), Dioclea
(5) and Senna (5), are the most representative. Mimosa skinneri var. carajarum Barneby is considered endemic to the
ironstones outcrops in the mountain range of Serra dos Carajás. Identification keys, morphological descriptions and
illustrations, as well geographical distribution, habitat and comments are provided for all species. Data about nodulation
and potential use in areas altered by mining activities were included either in the taxon or generic commentary.
Key words: Amazon, Fabaceae, FLONA Carajás, floristics, taxonomy.
Flora das cangas da serra dos Carajás, Pará, Brasil: Leguminosae1
Flora of the canga of the Serra dos Carajás, Pará, Brazil: Leguminosae
Cilene Mara Jordão de Mattos2,6, Wanderson Luis da Silva e Silva3, Catarina Silva de Carvalho2, Andressa
Novaes Lima2, Sérgio Miana de Faria4 & Haroldo Cavalcante de Lima5
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
http://rodriguesia.jbrj.gov.br
DOI: 10.1590/2175-7860201869323
1 Parte da dissertação de Mestrado em Botânica do primeiro autor pela Escola Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
2 Escola Nacional de Botânica Tropical, Prog. Pós-graduação em Botânica, R. Pacheco Leão 2040, Horto, 22460-036, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
3 Museu Paraense Emilio Goeldi, Prog. Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia do Norte-Bionorte, Av. Perimetral 1901, Montese, 66077-830, Belém, PA, Brasil.
4 EMBRAPA - Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia, Rod. BR-465, km 7 (antiga Rodovia Rio/São Paulo), Ecologia, 23891-000, Seropédica, RJ, Brasil.
5 Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Diretoria de Pesquisa Científica, R. Pacheco Leão 915, Jardim Botânico, 22460-030, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
6 Autora para correspondência: cilenemara@gmail.com
Leguminosae
Leguminosae é considerada uma das famílias
de maior diversidade com ca. 765 gêneros e 19.500
espécies, atualmente dividida em seis subfamílias e
de distribuição cosmopolita (LPWG 2017). De modo
geral, pode ser caracterizada pela filotaxia alterna,
folhas compostas, presença de estípulas e pulvinos,
ovário súpero, unicarpelar, uni ou pluriovulado,
placentação marginal e fruto do tipo legume (Lewis et
al. 2005; Queiroz 2009). A família se destaca por seu
grande potencial econômico e é conhecida por possuir
uma sofisticada e eficiente associação entre plantas e
bactérias fixadoras de nitrogênio (Dobereiner 1990;
Sprent 2009), que permite o acúmulo de compostos
nitrogenados e um maior êxito na colonização de
solos pobres nestes nutrientes, tornando-se, assim,
muito promissora na recuperação de áreas degradadas
(Lewis 1987; Queiroz 2009; Faria et al. 2011). No
contexto de Carajás, a família vem sendo estudada
quanto à sua capacidade de nodulação e potencial de
uso em recuperação de áreas alteradas pela mineração
(Faria et al. 2011).
No Brasil, Leguminosae reúne em torno de 222
gêneros e 2.800 espécies, estando presente em todos
os biomas e destacando-se como a mais diversa na
Amazônia e na Caatinga (BFG 2015). Na Serra dos
Carajás a família está representada por 34 gêneros e
74 táxons específicos e infraespecíficos, que ocorrem
na vegetação campestre e nas matas baixas sobre
solo de canga.
1148 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
Chave de identicação dos gêneros de Leguminosae das cangas da Serra dos Carajás
1. Folhasbipinadas;oresradialmentesimétricas.
2. Flores com 5 estames e 5 estaminódios .......................................................... 18. Dimorphandra
2’. Flores sem estaminódios
3. Flores com até 10 estames.
4. Estames livres ou conatos na base; fruto craspédio ................................... 26. Mimosa
4’. Estames unidos em tubo; fruto de outros tipos.
5. Folíolos60–100pares;inorescênciapendente,pedúnculocom15–50cmcompr.;
oresheteromórcas ............................................................................ 27. Parkia
5’. Folíolos14–60pares;inorescênciaeretaoupatente,pedúnculocomaté3cm
compr.;oreshomomórcas.
6. Folhas com 10–28 pares de pinas; inflorescência em glomérulos; fruto
folículo .............................................................................. 3. Anadenanthera
6’. Folhascom8–14paresde pinas; inorescência em espiga; fruto legume
nucóide .......................................................................... 31. Stryphnodendron
3’. Flores com mais de 10 estames
7. Plantas inermes; fruto legume bacóide, auriculado ........................... 21. Enterolobium
7’. Plantas armadas com espinhos ou acúleos; fruto legume ou nucoide
8. Ramosaculeados;folhascom10–34paresdepinas;oreshomomórcas;estames
livres; fruto legume, reto ou ligeiramente arqueado ........................ 29. Senegalia
8’. Ramosespinescentes;folhascom6–10paresdepinas;oresheteromórcas;estames
concrescidos; fruto legume nucoide, espiralado ......................... 11. Chloroleucon
1’. Folhaspinadas,uniaplurifolioladas,oresbilateralmentesimétricasouassimétricas.
9. Folhas unifolioladas
10. Arbusto, arvoreta ou árvore; nervação paralelinérvea, pecíolo cilíndrico; flores não
papilionáceas ...................................................................................................... 6. Bauhinia
10’. Trepadeira;nervaçãopeninérvea,pecíoloalado;orespapilionáceas .......... 9. Centrosema
9’. Folhas bi, tri a plurifolioladas.
11. Folhas bifolioladas.
12. Estípulaebrácteacomapêndicebasal;orespapilionáceas;frutodotipolomento .....
....................................................................................................................... 34. Zornia
12.’ Estípulaebrácteasemapêndicebasal;ornãopapilionácea;frutodotipolegume
13. Folíolos 5–8 cm compr.; pétalas brancas; fruto indeiscente 9,2–13,4 × 4,2–5,5
cm ............................................................................................... 23. Hymenaea
13’. Folíolos 0,7–2,2 cm compr.; pétalas amarelas; legume deiscente 2,4–3,7 × 0,3–0,5
cm .............................................................................................. 10. Chamaecrista
11’. Folhas tri a plurifolioladas.
14. Folhas trifolioladas.
15. Folhasdigitado-trifolioladas,raqueausente;frutoinado............. 14. Crotalaria
15’. Folhaspinadas,trifolioladas,raquepresente;frutonãoinado
16. Estípulas adnatas ao pecíolo; flores em espigas ou glomérulos, pétalas
amarelas ............................................................................... 32. Stylosanthes
16’. Estípulasnãoadnatasaopecíolo;oresemracemosepseudoracemos,pétalas
lilás à roxas, esbranquiçadas, azuladas, vermelhas.
17. Flores ressupinadas, o vexilo na porção inferior em relação as demais
pétalas
18. Vexilo calcarado no dorso ....................................... 9. Centrosema
18’. Vexilo não calcarado no dorso
19. Cálice campanulado, pétala vermelha ou azul-violácea, fruto
liso entre as suturas .......................................... 28. Periandra
19’. Cálice tubuloso, pétala branca a branco-amarelada, fruto com
uma costa longitudinal entre as suturas ................ 12. Clitoria
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
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17’. Flores não ressupinadas, o vexilo na porção superior em relação as demais pétalas
20. Erva ou subarbusto, ereto ou prostrado
21. Raque sem nodosidade; cálice 5-laciniado; fruto lomento ................... 17. Desmodium
21’. Raque com nodosidade; cálice 4-laciniado; fruto legume ......................... 22. Galactia
20’. Arbusto escandente ou trepadeira.
22. Trepadeira lenhosa.
23. Flores com pétalas lilás-arroxeadas, vexilo obovado a orbicular; fruto com
espessamento ou dilatação em uma das suturas .................................. 19. Dioclea
23’. Flores com pétalas vermelhas, vexilo oblongo-elíptico; fruto sem a sutura superior
espessada ...................................................................................... 8. Camptosema
22’. Trepadeira herbácea.
24. Flor lilás-rosada, 2–3 cm compr.; carena torcida lateralmente em forma de gancho;
legume linear a toruloso ............................................................. 4. Ancistrotropis
24’. Flor lilás-azulada, 0,9–1,1 cm compr.; carena reta, obovada-falcada; legume
transversalmente sulcado, denso-piloso ...................................... 7. Calopogonium
14’. Folhas tetra a plurifolioladas.
25. Folhas com nectários no pecíolo e/ou na raque.
26. Flores radialmente simétricas; estames numerosos (mais de 10); sementes com tegumento
carnoso-broso(sarcotesta),sempleurograma ........................................................ 24. Inga
26’. Flores bilateralmente simétricas ou assimétricas; estames 10; sementes com tegumento
membranáceo a rígido-coriáceo, com pleurograma.
27. Nectários discóides; androceu com 10 estames, anteras subiguais; frutos deiscentes, com
valvas espiraladas após a deiscência ................................................. 10. Chamaecrista
27’. Nectáriosclavados;androceucom7estamese3estaminódios,anterasdesiguaiseletes
alongados; frutos indeiscentes ou deiscentes, mas com valvas não espiraladas após a
deiscência ...................................................................................................... 30. Senna
25’. Folhas sem nectários no pecíolo e/ou na raque.
28. Flores apétalas; semente com arilo branco ...................................................... 13. Copaifera
28’. Flores com pétalas; semente sem arilo
29. Flores com 3 pétalas; estames 3(–2) .............................................................. 5. Apuleia
29’. Flores com 5 pétalas; estames 9 ou 10.
30. Floresradialmentesimétricas;pétalasliformes;frutocriptosâmara ....................
........................................................................................................... 33. Tachigali
30’. Floresbilateralmentesimétricasouassimétrica,papilionáceas;pétalasnãoliformes;
fruto de outros tipos
31. Folhas paripinadas; estames 9; fruto legume .................................... 1. Abrus
31’. Folhas imparipinadas; estames 10, raro 9; fruto de outros tipos.
32. Folha com raque prolongada no ápice; cálice bilobado, lobos com ápice
arredondado; fruto drupa ................................................... 20. Dipteryx
32’. Folha sem raque prolongada no ápice; cálice 5-laciniado, se bilobado,
loboscomápiceagudo;frutodotipolomentoousâmara.
33. Subarbusto, arbusto ou arvoreta, não lenhoso; corola amarela ou
róseo-lilás; fruto lomento ................................... 2. Aeschynomene
33’. Árvoreouliana,lenhosa;corolacreme,lilásaroxa;frutosâmara.
34. Estamesconcrescidosemtubo;sâmaracomnúcleoseminífero
indistinto e margem superior alada .................... 16. Deguelia
34’. Estames concrescidosem bainhaaberta; sâmaracom núcleo
seminífero distinto ou indistinto, basal ou central
35. Vexilopiloso,anterascomdeiscêncialongitudinal;sâmara
cultriforme ........................................... 25. Machaerium
35’. Vexilo glabro, anteras com deiscência transverso-apical;
sâmaralinear-oblongaasub-orbicular ..... 15. Dalbergia
1150 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1. Abrus Adans.
O gênero Abrus (subfamília Papilionoideae,
tribo Abreae) é caracterizado, principalmente, por
apresentar folhas paripinadas, inflorescências
com pequenas nodosidades, androceu com nove
estames conatos em tubo e fruto do tipo legume. O
gênero possui muitos problemas taxonômicos e os
limites das espécies têm sido muito controversos.
Compreende ca. 17 espécies distribuídas na
África, Ásia e América (Breteler 1960; Verdcourt
1970; Harder 2000; Lewis et al. 2015). No Brasil
são registradas quatro espécies (BFG 2015),
algumas espécies possuem ampla distribuição
e existem dúvidas se foram introduzidas no
Neotrópico. Na Serra dos Carajás o gênero está
representado por uma espécie.
1.1. Abrus melanospermus subsp. tenuiflorus
(Spruce ex Benth.) D. Harder, Novon 10(2): 124.
2000. Fig. 1a-b
Trepadeira herbácea, volúvel; ramos
glabrescentes a pubescentes, inermes; Estípula
linear-lanceolada, 2–3 mm compr., base truncada,
ápice agudo. Folha pinada, 5–9 pares de folíolos;
pecíolo canaliculado, 0,5–1,1 cm compr.; raque
1–5,2 cm compr.; estipela linear-subulada, rígida,
ca. 0,1 cm compr.; folíolos 1,5–2,1 × 0,6–1
cm, oblongo, elíptico ou oboval, ligeiramente
decrescentes, base obtusa ou obtuso-oblíqua,
ápice obtuso, ocasionalmente emarginado,
mucronado, face adaxial glabra a subglabra, face
abaxial setulosa, sericea nos folíolos jovens.
Inflorescência racemosa, terminal ou axilar, raque
com nodosidades; bractéolas da base do cálice
lanceoladas, ca. 0,1 × 0,1 cm. Flor papilionácea,
bilateralmente simétrica; pedicelo 0,1–0,2 cm
compr.; cálice campanulado, tubo 2–3 mm
compr., lacínias subiguais, largo-triangulares,
ca. 1 mm compr.; corola rosa, rósea-alva ou
lilás; vexilo 0,6–0,8 × 0,4–0,5 cm, obovado;
asas 0,7–0,8 × 0,2 cm, semi-elípticas, falcadas;
pétalas da carena 0,8–0,9 × 0,2 cm, semi-elípticas;
androceu monadelfo, 9 estames; ovário oblongo,
seríceo; estigma capitado. Legume elasticamente
deiscente, 2,1–4 × 0,6–0,9 cm, oblongo, cilíndrico,
rostrado, esparso-seríceo. Sementes 4–6, oblongas
a subreniformes, 0,5 × 0,2–0,3 cm, testa marrom
ou marrom-escura, hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás [Parauapebas],
S11A, 6º19’11’’S, 50º26’45’’W, 5.V.2010, fl. e fr., R.D.
Ribeiro et al. 1480 (RB); S11B, 6º21’15’’S, 50º23’28’’W,
27.VI.2009, fr., R.D. Ribeiro et al. 1235 (RB); S11C,
6°20’46”S, 50°24’54”W, 23.III.2016, fl., R.M. Harley
et al. 57445 (MG); S11D, 6º23’56’’S, 50º21’01’’W,
29.IV.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al. 50 (RB).
Parauapebas [Marabá], N1, 17.V.1982, fl. e fr., R. Secco
et al. 210 (MBM, NY); N3, 6º02’19’’S, 50º12’56’’W,
24.II.2010, fl., R.D. Ribeiro et al 1431 (INPA, MG, RB);
N4, 17.III.1984, fl. e fr., A.S.L. da Silva et al. 1849 (INPA,
MBM, NY); N5, 14.V.1982, fl. e fr., R.S. Secco et al. 185
(MG, NY, IPA); N6, 6.III.2010, fl., L.C.B. Lobato et al.
3852 (MG); N8, 6º10’54’’S, 50º08’20’’W, 25.VI.2009,
fl. e fr., R.D. Ribeiro et al. 1175 (RB); Serra da Bocaina,
6º17’03’’S, 49º55’02’’W, 12.XII.2010, N.F.O. Mota et
al. 1926 (BHCB).
Abrus melanospermus subsp. tenuiflorus pode
ser diferenciado das demais trepadeiras herbáceas
ocorrentes em Carajás pelas folhas pinadas com
folíolos geralmente oblongos e androceu com
nove estames. Nas coleções analisadas o material
herborizado foi anteriormente identificado como
Abrus fruticulosus Wight & Arn. Aqui adotamos
a circunscrição proposta por Harder (2000), que
inclui sob sua sinonímia Abrus tenuiflorus Spruce
ex Benth. e Abrus pulchellus subsp. tenuiflorus
(Spruce ex Benth.) Verdc. É distinta de Abrus
precatorius L., espécie que também é amplamente
distribuída no Brasil, pelos frutos mais curtos e
pelas sementes bicolores, vermelho e preto. A.
melanospermus subsp. tenuiflorus é uma espécie
fixadora de nitrogênio em associação com rizóbios,
podendo ser utilizada na recuperação de áreas
alteradas pela mineração (Faria et al. 2011).
Abrus melanospermus subsp. tenuiflorus
possui distribuição pantropical (Verdcourt 1970;
Harder 2000). No Brasil ocorre nas regiões Norte
(AM, PA, RO), Nordeste (MA) e Centro-Oeste
(MS, MG). Serra dos Carajás: Serra Norte: N1,
N3, N4, N5, N6, N8; Serra Sul: S11A, S11B,
S11C; S11D; Serra da Bocaina. Frequentemente
encontrada nas formações típicas de canga, na
beira de lagoas e beira de capão, menos frequente
em campos brejosos.
2. Aeschynomene L.
O gênero Aeschynomene (subfamília
Papilionoideae, tribo Aeschynomeneae) pode ser
reconhecido pelas folhas pinadas, flores geralmente
amarelas, androceu diadelfo (5+5) e fruto lomento
(Rudd 1955; Fernandes 1996). O gênero é
formado por duas seções morfologicamente
distintas, sect. Aeschynomene e sect. Ochopodium
(Vogel 1838; Rudd 1955). Estudos filogenéticos
(Lavin et al. 2001; Ribeiro et al. 2007) apontam
para uma possível parafilia do gênero, estando a
sect. Ochopodium mais intimamente relacionada
aos gêneros Machaerium e Dalbergia. Distribui-
se pelas regiões tropicais e subtropicais das
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
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Figura 1 – a-b. Abrus melanospermus subsp. tenuiflorus – a. hábito; b. inflorescência. c-d. Aeschynomene americana
var. glandulosa – c. flor; d. fruto. e. Aeschynomene sensitiva var. hispidula – flor. f-h. Aeschynomene sp. – f. hábito; g.
flor; h. fruto. i. Ancistrotropis peduncularis – flor. j-k. Bauhinia longicuspis – j. flor; k. fruto. l. Bauhinia pulchella – flor.
Figure 1 – a-b. Abrus melanospermus subsp. tenuiflorus – a. habit; b. inflorescence. c-d. Aeschynomene americana var. glandulosa – c.
flower; d. fruit. e. Aeschynomene sensitiva var. hispidula – flower. f-h. Aeschynomene sp. – f. habit; g. flower; h. fruit. i. Ancistrotropis
peduncularis – flower. j-k. Bauhinia longicuspis – j. flower; k. fruit. l. Bauhinia pulchella – flower.
a b c
e
k
f
l
gh
d
i
j
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Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
Américas, África e Ásia (Lewis et al. 2005).
Compreende ca. 180 espécies (Lewis et al. 2005),
das quais 49 ocorrem no Brasil (BFG 2015). Na
Serra dos Carajás ocorrem cinco espécies, que tem
uso potencial para recuperação de áreas alteradas
pela mineração, pois são fixadoras de nitrogênio
em associação com rizóbios (Faria et al. 1989;
Faria et al. 2011).
Chave de identicação das espécies de Aeschynomene das cangas da Serra dos Carajás
1. Estípula sem apêndice basal; cálice campanulado .............. 2.3. Aeschynomene histrix var. densiora
1’. Estípula com apêndice basal, cálice bilabiado
2. Estípula lanceolada-falcada, subulada; folíolos palmatinérveos; colora rósea a rósea-lilás, com
guia de néctar amarelo ......................................... 2.1. Aeschynomene americana var. glandulosa
2’. Estípula lanceolada ou lanceolada-ovada, folíolos uninérveos; corola amarela, com guia de néctar
vermelho, alaranjado ou marrom.
3. Folíolos esparso-pubescente na face abaxial; lomento 1–2 artículos, semi-orbicular a
elíptico ........................................................................................... 2.2. Aeschynomene losa
3’. Folíolos glabros na face abaxial; lomento 3–7 artículos, subquadrados
4. Ramoglabro,raramenteesparso-glandular-híspido;ores1–2,1cmcompr.;estipedo
fruto sigmóide, 1–1,9 cm compr. ............................................... 2.5. Aeschynomene sp.
4’. Ramodensamenteglandular-híspido;ores0,4–0,7cmcompr.;estipedofrutoretoou
ligeiramente curvo, 0,4–0,7 cm compr. ..... 2.4. Aeschynomene sensitiva var. hispidula
2.1. Aeschynomene americana var. glandulosa
(Poir.) Rudd, Contr. U.S. Natl. Herb. 32(1): 26.
1955. Figs. 1c-d; 2a-b
Erva ou subarbusto ereto, até 1,3 m alt., ramos
híspidos, raro glandular-híspidos, inermes; estípula
com apêndice basal, lanceolado-falcada, subulada,
apêndice basal lanceolado-falcado, subulado, ápice
subulado, 0,7–2 × 0,1 cm (incluindo apêndice
basal); pecíolo cilíndrico, 0,2–0,6 cm compr.;
nectário extrafloral ausente; raque 1,6–5 cm
compr. Folha pinada, (12–17–) 24–37 pares, folíolo
oblongo, oblongo-linear a oblongo-falcado, 0,2–1 ×
0,1 cm, base obtusa-oblíqua, ápice obtuso-oblíquo,
mucronado; ambas as faces glabras; nervação
palmatinérvea, com 3–4 nervuras principais;
estipela ausente. Inflorescência racemosa, axilar;
bractéola da base do cálice lanceolada, 0,3–0,4
× 0,1 cm. Flor papilionácea, 0,7–0,8 cm compr.;
pedicelo 0,3–0,5 cm compr.; cálice bilabiado,
lábio vexilar obtuso, emarginado e carenal trífido,
0,4–0,6 cm compr.; corola rósea a rósea-lilás,
guia de néctar amarelo; vexilo orbicular, 0.6–0,7
× 0,5–0,6 cm; asa obovada, 0,7–0,8 × 0,2 cm;
carena obovada, 0,7 × 0,2 cm; androceu diadelfo
(5+5), 10 estames; gineceu linear-subtoruloso,
glabro, piloso na margem; estigma punctiforme.
Lomento com margem superior reta e inferior
crenada, ca. 2,6 × 0,2–0,3 cm; 3–8 artículos, semi-
circulares, pubérulo, com tricomas híspidos, raro
glandulares, 0,2–0,3 × 0,2–0,3 cm; estipe reto ou
ligeiramente curvo, 0,1–0,3 cm compr.; rostro
filiforme ou setiforme, 0,1 cm compr. Sementes
3–7, subreniforme, ca. 0,2 × 0,1 cm, testa amarelo
a marrom-claro, hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11D,
6°23’43”S, 50°21’50”W, 30.IV.2015, fl. e fr., C.M.J.
Mattos et al. 65 (RB). Parauapebas, N1, 6°00’58”S,
50°18’03”W, 25.III.2009, fl., S.M. Faria et al. 2583
(RB); N5, 6°05’05”S, 50°08’36”W, 23.VI.2009, fr., R.D.
Ribeiro et al. 1145 (INPA, RB).
Aeschynomene americana var. glandulosa
distingue-se das demais espécies ocorrentes na
Serra dos Carajás pelos folíolos palmatinervados
e flores róseas a róseas-lilases, com guia de néctar
amarelo.
Este táxon apresenta distribuição Neotropical,
ocorrendo em toda América Central, Argentina,
Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Paraguai,
Peru e Venezuela (Rudd 1955; Fernandes 1996).
No Brasil ocorre nas regiões Norte (AM, PA, RO)
e Nordeste (BA, CE, MA) (BFG 2015). Serra dos
Carajás: Serra Norte: N1, N5, Serra Sul: S11D.
Encontrada ocasionalmente em vegetação de
transição e canga alterada por ações antrópicas.
2.2. Aeschynomene filosa Mart., Fl. bras. 15(1):
61. 1859. Fig. 2c
Erva ereta, até 1 m alt., ramos retos, glabros,
inermes; estípula com apêndice basal, lanceolada,
base lanceolada, ápice agudo, ca. 0,8 × 0,2 cm
(incluindo apêndice basal); pecíolo cilíndrico,
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1153
Figura 2 – a-b. Aeschynomene americana var. glandulosa – a. folíolo; b. estipula. c. Aeschynomene filosa – fruto. d-e. Aeschynomene
histrix var. densiflora – d. estipula; e. cálice e pedicelo. f. Aeschynomene sensitiva var. hispidula – fruto. g-i. Aeschynomene sp. – g.
hábito; h. estípula; i. fruto. j-m. Anadenanthera peregrina – j. folha; k. nectário; l. flor; m. fruto. n-p. Ancistrotropis peduncularis
– n. folíolos heteromorfos; o. estipela; p. estigma posicionado lateralmente. q-r. Apuleia leiocarpa – q. folha; r. fruto. s. Bauhinia
longicuspis – folha. t. Bauhinia longipedicellata – folha. u-w. Bauhinia pulchella – u. folha; v. flor; w. fruto.
Figure 2Aeschynomene americana var. glandulosa – a. leaflet; b. stipule. c. Aeschynomene filosa – fruit. d-e. Aeschynomene histrix var. densiflora – d.
stipule; e. calyx and pedicel. f. Aeschynomene sensitiva var. hispidula – fruit. g-i. Aeschynomene sp. – g. habit; h. stipule; i. fruit. j-m. Anadenanthera
peregrina – j. leaflet; k. nectary; l. flower; m. fruit. n-p. Ancistrotropis peduncularis – n. heteromorphic leaflet; o. stipel; p. stigma positioned laterally. q-r.
Apuleia leiocarpa – q. leaf; r. fruit. s. Bauhinia longicuspis – leaf. t. Bauhinia longipedicellata – leaf. u-w. Bauhinia pulchella – u. leaf; v. flower; w. fruit.
2 mm
2 mm
2 mm
2 mm
2 cm
2 cm
2 cm
2 cm
2 cm 3 cm
3 cm
1 cm
1 cm
1 cm
1 cm
1 cm
0,8 cm
2,5 mm
1 cm
3 mm
3 mm
3 mm
3 mm
a
bd
e
c
h
f
g
t
uvw
s
r
p
q
n
lm
k
o
i
j
1154 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
0,3–0,5 cm compr.; raque 2,9–3,7 cm compr.
Folha pinada, 9–27 pares, folíolo oblongo,
0,1–0,6 × 0,1 cm, base obtusa-assimétrica, ápice
obtuso-assimétrico, emarginado, mucronado;
face adaxial glabra, face abaxial esparso
pubescente, uninérvea. Inflorescência racemosa,
axilar; bractéola da base do cálice lanceolada,
0,1 × 0,1 cm. Flor papilionácea, 0,4–0,7 cm
compr.; pedicelo 0,1–0,3 cm compr.; cálice
bilabiado, ca. 0,3 cm compr., lábio vexilar
bilobado, lobos obtusos, lábio carenal trilobado,
lobos triangulares; corola amarela, guia de
néctar vermelho; vexilo obovado, 0,6 × 0,3
cm; asa obovada-oblíqua, 0,5 × 0,1 cm; carena
falcada, 0,5 × 0,2 cm; androceu diadelfo (5+5),
10 estames; gineceu oblongo, glabro; estigma
penicelado. Lomento com margem superior
levemente crenada e inferior crenada, 0,4–0,8 ×
0,3 cm; 1–2 artículos, semi-orbicular a elíptico,
glabro, 0,4 × 0,3 cm; estipe reto ou ligeiramente
curvo, 0,2–0,9 cm compr.; rostro reto, < 0,1 cm
compr. Semente 1–2, subreniforme, 0,3 × 0,2 cm,
testa marrom-claro, hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra da
Bocaina, 6º18’45”S, 49º53’21”W, 24.VI.2015, fl. e
fr., R.M. Harley et al. 57289 (MG).
Aeschynomene filosa distingue-se das
demais espécies ocorrentes na Serra dos Carajás
pelos ramos paucifólios e lomento com 1–2
artículos, semi-orbiculares a elípticos.
Espécie com distribuição Neotropical,
ocorrendo em Belize, Brasil, Colômbia, Cuba
e Venezuela (Rudd 1955; Fernandes 1996). No
Brasil ocorre nas regiões Norte (AM, AP, PA,
RO), Nordeste (BA, CE, MA,PA, PE, PI, RN),
Centro-Oeste (DF, GO, MS) e Sudeste (MG,
SP) (BFG 2015). Serra dos Carajás: Serra da
Bocaina. Até o momento, A. filosa possui apenas
um registro na Serra dos Carajás, em lagoa
temporária sobre canga.
2.3. Aeschynomene histrix var. densiflora
(Benth.) Rudd, Contr. U.S. Natl. Herb. 32(1):
84. 1955. Fig. 2d-e
Subarbusto ou arbusto ereto, 30–90 cm
alt., ramos retos, pilosos e híspidos, inermes;
estípula sem apêndice basal, lanceolada-oblíqua,
base obtusa, ápice agudo, 0,6–1,4 × 0,2–0,3 cm
(incluíndo apêndice basal); pecíolo cilíndrico,
0,4–0,6 cm compr.; raque 2,5–6 cm compr.
Folha pinada, 11–13 pares, folíolo oblongo,
raramente obovado, 0,8–1,3 × 0,3–0,4 cm, base
obtusa-oblíqua, raramente aguda, ápice obtuso,
mucronado; face adaxial subglabra a pilosa,
face abaxial pilosa; nervação reticulada; estipela
ausente. Inflorescência racemosa, congesta, mais
curta que a folha de inserção, axilar; bractéola
da base do cálice, oblanceolada a lanceolada,
ca. 0,2 × 0,1 cm. Flor papilionácea, ca. 0,4 cm
compr.; pedicelo 0,3–0,5 cm compr.; cálice
campanulado, 0,1–0,2 cm compr., 5-laciniado,
lacínio triangular-obtuso, < 0,1 cm compr.;
corola amarela ou vinosa; vexilo orbicular,
ca. 0,2 × 0,3 cm; asa obovada, ca. 0,2 × 0,1
cm; carena obovada, falcada, ca. 0,3 × 0,1 cm;
androceu diadelfo (5+5), 10 estames; gineceu
linear-subtoruloso, glabro, esparso piloso na
margem; estigma punctiforme. Lomento com
margem superior levemente côncava e inferior
crenada, 0,3–0,5 × 0,2 cm; 2–3 artículos,
semicirculares, hirsutulo, com tricomas hirsutos,
dourados abaixo do primeiro artículo, 0,2–0,3 ×
0,2 cm; estipe curvo, 0,1–0,2 cm compr.; rostro
não observado. Semente 2–3, subreniforme,
0,1–0,2 × 0,1 cm, testa marrom claro a escuro,
hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás
[Parauapebas], Torre do Sossego, 10.VII.2009, fl. e
fr., D.F. Silva & L. Tyski 512 (HCJS, RB); Mina do
Sossego, 25.XI.2009, fl., R.D. Ribeiro et al. 1382
(RB, MG).
Aeschynomene histrix var. densiflora
difere-se das demais espécies ocorrentes na
área de estudo pela inflorescência congesta mais
curta que a folha de inserção e fruto lomento
com tricomas hirsutulosos abaixo do primeiro
artículo.
Aeschynomene histrix var. densiflora
possui distribuição Neotropical, abrangendo
Bolívia, Brasil, Costa Rica, Guiana, México
e Paraguai (Rudd 1955; Fernandes 1996). No
Brasil ocorre nas regiões Norte (AM, PA, RO,
TO), Nordeste (AL, BA, CE, MA, PR, PE, PI,
SE), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MG) e Sudeste
(MG, SP) (BFG 2015). Serra dos Carajás: Mina
do Sossego. Encontrada em vegetação rupestre.
2.4. Aeschynomene sensitiva var. hispidula
(Kunth) Rudd, Contr. U.S. Natl. Herb. 32(1): 54.
1955. Figs. 1e; 2f
Subarbusto, arbusto ou arvoreta ereto, até
4 m alt., ramos retos, densamente glandular-
híspidos, inermes; estípula com apêndice
basal, lanceolada a lanceolada-ovada, caduca,
base obtusa-arredondada, ápice acuminado,
0,4–0,9 × 0,1–0,2 cm (incluíndo apêndice
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1155
basal); pecíolo cilíndrico, 0,3–0,6 cm compr.;
raque 1,2–6,6 cm compr. Folha pinada, 20–30
pares; folíolo oblongo, 0,7–1 × 0,2 cm, base
obtusa-oblíqua, ápice obtuso, mucronado; ambas
as faces glabras; uninérveo; estipela ausente.
Inflorescência racemosa, axilar; bractéola da base
do cálice elíptica, lanceolada ou estreito-ovada,
0,1–0,3 × 0,1 cm. Flor papilionácea, 0,4–0,7
cm compr.; pedicelo 0,2–0,5 cm compr.; cálice
bilabiado, tubo 0,1–0,2 cm compr., lábio vexilar
2-denticulado e carenal inteiro ou 3-denticulado,
0.3–0,6 cm compr.; corola amarela, guia de néctar
geralmente marrom; vexilo suborbicular, 0,5–0,8
× 0,5 cm; asa obovada, 0,5–0,7 × 0,2–0,3 cm;
carena obovada, falcada, 0,4–0,5 × 0,2–0,3 cm;
androceu diadelfo (5+5), 10 estames; gineceu
falciforme, glabro; estigma punctiforme. Lomento
com margem superior reta ou raramente convexa
e inferior crenada, 3,2–4,4 × 0,3–0,5 cm; 3–7
artículos, subquadrados, glabro, 0,4–0,5 × 0,3–0,5
cm; estipe reto ou ligeiramente curvo, 0,4–0,7 cm
compr.; rostro filiforme ou setiforme, 0,1–0,2 cm
compr. Semente 3–7, reniforme, 0,3 × 0,2–0,3 cm,
testa marrom-escuro, hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11A,
6°20’57”S, 50°26’57”W, 30.IV.2015, fl. e fr., C.M.J.
Mattos et al. 81 (RB); S11D, 6°23’56”S, 50°21’03”W,
12.X.2008, fl. e fr., L.V.C. Silva et al. 609 (BHCB).
Parauapebas, N4, 6°06’49”S, 50°11’05”W, 25.VI.2009,
fl. e fr., R.D. Ribeiro et al. 1191 (RB); N7, 6°09’21”S,
50°10’17”W, 25.VI.2009, fl. e fr., R.D. Ribeiro et al.
1189 (RB).
Aeschynomene sensitiva var. hispidula
pode ser reconhecida dentre as demais espécies
ocorrentes em Carajás pelo ramo densamente
glandular-híspido e lomento enegrecido quando
seco. Pode ser confundida com Aeschynomene sp.,
no entanto são facilmente distinguidas pelo ramo
densamente glandular-híspido, o fruto enegrecido e
o estipe reto ou levemente curvo de A. sensitiva var.
hispidula (vs. ramo glabro, fruto verde ou marrom e
estipe sigmóide de Aeschynomene sp.). Foi avaliada
quanto o risco de extinção na natureza, tendo sido
classificada na categoria “Deficiente de Dados”
(DD) (IUCN 2001), devido às dúvidas taxonômicas
quanto ao material tipo (CNCFlora 2015).
Aeschynomene sensitiva var. hispidula
possui distribuição Neotropical, ocorrendo no
Brasil e na Colômbia (Rudd 1955; Fernandes
1996). No Brasil ocorre nas regiões Norte (PA),
Nordeste (PI) e Sudeste (MG, SP) (BFG 2015).
Serra dos Carajás: Serra Norte: N4, N7, Serra
Sul: S11A, S11D. Encontrada ocasionalmente em
campos brejosos e áreas alagadas sobre canga.
2.5. Aeschynomene sp. Figs. 1f-h; 2g-i
Subarbusto ereto, até 1 m alt., ramos retos,
glabros, raro esparsamente -glandular-híspidos,
inerme. Estípula com apêndice basal, parte
superior lanceolada a lanceolada-ovada, base
obtusa a lanceolada, ápice agudo, 0,5–1,9 ×
0,1–0,5 cm (incluindo apêndice basal), pecíolo
cilíndrico, 0,2–0,9 cm compr., raque 0,5–5,5
cm compr. Folha pinada, 8–37 pares, folíolo
oblongo, oblongo-linear, raro estreito-obovado,
0,1–0,7 × 0,1 cm, os do ápice ligeiramente
menores, base obtusa-oblíqua, ápice obtuso,
ambas as faces glabras, uninérveo. Inflorescência
racemosa, axilar; bractéola da base do cálice,
lanceolada, elíptica a ovada, 0,2–0,5 × 0,1–0,2
cm. Flor papilionácea, 1–2,1 cm compr.; pedicelo
0,3–0,5 cm compr.cálice bilabiado, 0,6–1,1 cm
compr., 5-laciniado, lábio vexilar bífido, lobos
obtusos e carenal trifido, lobos triangulares;
corola amarela, guia de néctar alaranjado; vexilo
orbicular-ovado, 1,6–1,7 × 1,2–1,6 cm, asa
obovada-falcada, 1,2–1,5 × 0,7–0,9 cm, carena
falcada, 1,2–1,6 × 0,5–0,6 cm; androceu diadelfo
(5+5), 10 estames; ovário oblongo-falciforme,
estigma penicelado. Lomento com margem
superior reta ou ocasionalmente crenulada e
margem inferior crenulada, 2–3 × 0,4–0,5 cm.;
3–6 artículos, subquadrado, glabro, 0,4–0,6 ×
0,4–0,5 cm; estipe sigmóide, 1–1,9 cm compr.;
rostro reto ou filiforme, < 0,1 cm. Semente 2–7,
reniforme, 0,3–0,4 × 0,2–0,3 cm, testa marrom,
hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11A,
6°20’35”S, 50°25’27”W, 30.IV.2015, fl. e fr.,
C.M.J. Mattos et al. 79 (RB); S11B, 6°20’34”S,
50°25’25”W, 26.VI.2009, fl. e fr., R.D. Ribeiro et
al. 1198 (INPA,RB); S11D, 22.VI.2013, fl., R.S.
Santos & A.E.S. Rocha 7 (MG). Parauapebas, N1,
4.IX.1987, fl. e fr., N.A. Rosa & J.F. Silva 5035 (MG);
N2, 6°03’17”S, 50°15’13”W, 23.II.2010, fl. e fr.,
R.D. Ribeiro et al. 1424 (MG,RB); N3, 6°02’37”S,
50°12’34”W, 2.V.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al.
103 (RB); N4, 6°06’07”S, 50°11’12”W, 26.III.2009,
est., S.M. Faria et al. 2592 (RB); N5, 6°05’45”S,
50°07’27”W, 8.VII.2011, fl., H.C. Lima & D.F.
Silva 7174 (BHCB,HCJS,MG,RB); N7, 6°09’21”S,
50°10’17”W, 25.VI.2009, fl. e fr., R.D. Ribeiro et al.
1188 (RB); N8, 6°11’00”S, 50°08’13”W, 14.V.2010,
fl. e fr., L. Tyski 688 (RB); Serra do Tarzan, 6°20’11”S,
50°09’50”W, 24.V.2010, fl. e fr., M.O. Pivari et al.
1569 (BHCB).
Nome popular: Corticinha.
Aeschynomene sp. pode ser reconhecida
dentre as demais espécies ocorrentes na Serra
dos Carajás pelo lomento com estipe longo e
1156 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
sigmóide. É abundante em áreas alagadas da canga,
brejos e próximo a rios e lagos, estando muitas
vezes com as raízes submersas. Alguns indivíduos
encontrados na Serra Sul apresentam as partes
vegetativas e o fruto de coloração arroxeada e as
estrias alaranjadas das pétalas mais evidentes que as
dos indivíduos coletados na Serra Norte. Além disso,
foi observada uma maior frequência de indivíduos
coletados na Serra Sul com tricomas esparso-
glandular-híspido e as flores e o estipe dos frutos
ligeiramente maiores. Apesar dessas diferenças
terem sido verificadas, no momento acredita-se
que essas características não sejam suficientes para
a separação desses dois grupos, pois a variação
no indumento e tamanho dessas estruturas pode
ser influenciada por fatores ambientais e dentre as
exsicatas examinadas haviam poucos frutos maduros
nas amostras da Serra Sul. No entanto essas serras
estão distantes ca. 50 km uma da outra e separadas
por uma matriz florestal, o que provavelmente já
esteja causando o isolamento reprodutivo entre essas
populações. Nas coleções analisadas, o material
herborizado de Aeschynomene sp. foi anteriormente
identificado como Aeschynomene rudis Benth.
Entretanto, difere por apresentar flores ligeiramente
menores (0,8–1,5 cm compr.), folíolos maiores
(0,8–1 × 0,2–0,3 cm vs 0,1–0,7 × 0,1 cm), lomento
esparso-híspido com 7–12 artículos, ovário seríceo,
estipe curto (0,3–0,6 cm compr.) e normalmente reto
ou ligeiramente curvo.
Aeschynomene sp. é uma possível endêmica
da vegetação rupestre ferruginosa de Carajás. Serra
Norte: N1, N2, N3, N4, N5, N7, N8; Serra Sul:
S11A, S11B, S11D; Serra do Tarzan. Encontrada em
vegetação típica de canga, sendo mais abundante nos
campos brejosos e próximo a rios e lagos, estando
muitas vezes com as raízes submersas.
3. Anadenanthera Speg.
Anadenanthera (subfamília Caesalpinioideae,
Clado Mimosoida, tribo Mimoseae) é um pequeno
gênero Neotropical, formado por apenas duas espécies
(Altschul 1964). Estas espécies são caracterizadas
por apresentar hábito arbóreo, ramos inermes, folhas
bipinadas, com nectário peciolar, inflorescências em
glomérulos, flores brancas radialmente simétricas,
sem estaminódios, frutos do tipo folículo e sementes
plano-compressas com ou sem ala marginal estreita.
Apresençaounãodeglândulanoápicedasanteras
separa as espécies do gênero. No Brasil são registradas
as duas espécies (BFG 2015). Na Serra dos Carajás,
Anadenanthera está representada por somente uma
espécie na vegetação de canga.
3.1. Anadenanthera peregrina (L.) Speg., Physis
(Buenos Aires) 6: 313. 1923. Fig. 2j-m
Árvore, 14–16 m alt.; ramos glabrescentes,
inermes, lenticelados. Estípulas caducas; estipela
ausente, pecíolo 1,5–2,5 cm compr., cilíndrico,
com nectário séssil, discóide ou oblongo, na região
mediana; raque 1,5–2 cm compr., sem nectários.
Folhas bipinadas, 10–26 cm compr., 10–28 pares
de pinas, opostas, 45–56 pares de foliólulos,
opostos; foliólulos 3–8 × 0,5–1,4 mm, retos ou
ligeiramente subfalcados, lineares, ápice agudo
ou obtuso, base assimétrica, glabros em ambas
as faces, membranáceos; uni-nervados, nervura
subcentral. Inflorescência axilar, glomérulos
homomórficos, 0,5–0,7 cm diam, pedúnculo
1,6–3,5 cm compr.; pedicelo 10–15 mm compr.;
bráctea involucral localizada a ca. 6–7 mm abaixo
do glomérulo. Flores radialmente simétricas;
cálice verde, infundibuliforme, 5-laciniado, 0,6–
2,8 mm compr.; corola branca, infundibuliforme,
5-laciniada, 1,9–3,4 mm compr.; androceu
dialistêmone,estames10,anteras semglândula
apical; gineceu subséssil, glabro, estipitado.
Folículo 15–24 × 1,5–2,8 cm, reto ou pouco curvo,
contraídos entre as sementes, plano-compresso,
estipitado, 1,7–2 cm compr, superfície verrucosa.
Sementes 8–20, plano-compressas, orbicular a
ovadas, 1,2–1,8 cm diam., testa castanho-escura.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul,
6°17’05”S, 50°20’13”W, 692 m, 18.XII.2008, fr., H.C.
Lima 7048 (RB; MG). Parauapebas, Serra Norte, N1,
6°17’03”S, 50°20’12”W, 750 m, 27.VI.2009, fr., R.D.
Ribeiro et al. 1228 (RB)
Anadenanthera peregrina é
morfologicamente similar à sua companheira
congenérica, A. colubrina (Vell.) Brenan, sendo
diferenciadas principalmente pela ausência de
glândulasnoápicedaanteraesuperfíciedofruto
verrucosa (vs. glândulas presentes no ápice da
antera e fruto com superfície lisa ou reticulada
em A. colubrina). Espécie com alto potencial
de uso em recuperação de áreas alteradas pela
mineração, pois apresenta rápido crescimento e é
fixadora de nitrogênio em simbiose com rizóbios
(Faria et al. 2011).
Espécie com distribuição ampla na América
do Sul, desde as Guianas ao Paraguai e norte da
Argentina (Altschul 1964). No Brasil, ocorre nas
regiões Norte (AC, AM, PA, RO), Nordeste (BA,
PB), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste
(MG, RJ, SP) e Sul (PR) (BFG 2015). Na Serra
dos Carajás foi coletada na Serra Sul: N1, sempre
associada a bordas de florestas e vegetação
florestal de canga (capão).
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1157
4. Ancistrotropis A. Delgado
Ancistrotropis (subfamília Papilionoideae,
tribo Phaseoleae) é um gênero recentemente
segregado de Vigna Savi, que apresenta morfologia
floral altamente elaborada, restringindo e
direcionando os movimentos dos polinizadores
para acesso ao néctar (Delgado-Salinas et al.
2011). Diferencia-se de Vigna por apresentar
estípula sem a base prolongada abaixo do ponto
de inserção no caule, pelas asas muito maiores
que as pétalas da carena e pelo ápice da carena
torcido lateralmente, em gancho, com apenas uma
volta. Ancistrotropis compreende seis espécies de
distribuição Neotropical, todas ocorrendo no Brasil
(BFG 2015), sendo quatro endêmicas (Delgado-
Salinas et al. 2011). Na Serra dos Carajás ocorre
uma espécie.
4.1. Ancistrotropis peduncularis (Kunth) A.
Delgado, Amer. J. Bot. 98(10): 1704. 2011.
Figs. 1i; 2n-p
Trepadeira herbácea volúvel, ramo subglabro,
inerme; estípula ovada-falcada ou lanceolada-
falcata, base truncada-obtusa, ápice agudo, 0,4–0,5
cm compr.; pecíolo cilíndrico, 1,5–4 cm compr.;
raque 0,2–1 cm compr. Folha pinada, trifoliolada;
folíolo heteromorfo, terminal geralmente
lanceolado ou linear, 2,5–7 × 0,4–4,9 cm, lateral
ovado, estreito-ovado ou linear-lanceolado,
frequentemente lobulado-oblíquo, 2,1–6,2 × 0,5–
3,9 cm; base arredondada, arredondada-oblíqua
ou cordiforme-oblíqua, ápice agudo a obtuso,
mucronulado; face adaxial e abaxial subglabra a
puberulenta; nervação peninérvea; estipela ovada
a elíptica, flexível, 0,1 cm compr. Inflorescência
pseudoracemosa, axilar, raque com nodosidade;
pedicelo 0,2–0,3 cm compr.; bractéola da base do
cálice lanceolada, ca. 0,2 × 0,1 cm; botão floral
em formato de gancho. Flor papilionácea, 2–3
cm compr.; cálice campanulado, tubo 0,3–0,4 cm
compr., 5-laciniado, lacínio triangular-obtuso, ca.
0,1–0,2 cm compr.; corola lilás-alvacento a roxo
na antese e rosa, lilás-rosado e rosa-alvacento na
pós-antese; vexilo orbicular-oblíquo, ca. 1,3–2,1
× 1,6–2,2 cm; asa obovado-falciforme, 1,5–2,6 ×
0,8–1,1 cm; carena torcida lateralmente, em forma
de gancho, 0,8–2,9 × 0,6–1,1 cm; androceu diadelfo
(9+1), 10 estames; gineceu filiforme-falciforme,
glabro; estigma capitato, lateral devido à torção
do estilete. Legume elasticamente deiscente,
linear, ocasionalmente toruloso quando imaturo,
ligeiramente falcado no ápice, glabro a puberulento,
4,4–8 × 0,2–0,5 cm; estipe reto, 0,1–0,2 cm;
margem de inteira a sinuosa no fruto jovem e inteira
quando maduro; rostro levemente curvo, 0,2–0,3
cm compr. Semente 8–12, oblonga, 0,3–0,4 ×
0,1–0,2 cm, testa marrom ou marrom-escura, hilo
elíptico a oblongo.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11A,
6º18’47’’S, 50º26’50’’W, 5.V.2010, fl. e fr., R.D. Ribeiro
et al. 1473 (RB); S11B, 6º20’47’’S, 50º24’35’’W,
6.V.2010, fr., R.D. Ribeiro et al. 1514 (RB); S11C,
6º23’20’’S, 50º21’41’’W, 6.V.2010, fl. e fr., R.D.
Ribeiro et al. 1494 (RB). Parauapebas, N1, 6º02’4,5’’S,
50º17’00’’W, 23.VII. 2012, fl., A.J. Arruda et al. 1224
(BHCB); N5, 20.IV.1989, fl., J.P. Silva 453 (HCJS,
MG); N8, 6º10’54’’S, 50º08’20’’W, 25.VI.2009, fl., R.D.
Ribeiro et al. 1180 (RB).
Ancistrotropis peduncularis pode ser
reconhecida entre as demais trepadeiras herbáceas
da Serra dos Carajás pelos folíolos heteromorfos,
vexilo formando um capuz, asas maiores que
as pétalas da carena, bico da carena torcido
lateralmente, em gancho, com apenas uma volta
e pelo estilete prolongado além do estigma. A
variação na forma dos folíolos (lanceolados,
ovados, ovado-deltóides, estreito-ovados a
lineares) é uma característica que se destaca nesta
espécie (Delgado-Salinas et al. 2011). Em material
herborizado, pode ser confundida com Helicotropis
linearis (Kunth) A. Delgado, da qual difere por esta
ter as pétalas da carena espiraladas, com mais de
duas voltas completas. Os exemplares coletados em
floresta e áreas de transição apresentaram folíolos
mais largos que aqueles de vegetação de canga. Foi
ainda observado que a coloração da corola varia
entre lilás-alvacento a roxo na antese e tonalidades
de rosa na pós-antese. É uma espécie fixadora de
nitrogênio em associação com rizóbios, podendo
ser utilizada na recuperação de áreas alteradas pela
mineração (Faria et al. 2011).
Espécie com distribuição Neotropical,
ocorrendo na Argentina, Colômbia, Brasil e
México (Delgado-Salinas et al. 2011). No Brasil
é encontrada nas regiões Norte (AM, PA, RO),
Nordeste (BA), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT),
Sudeste (MG, SP) e Sul (PR, RS) (BFG 2015).
Serra dos Carajás: Serra Norte: N1, N5, N8; Serra
Sul: S11A, S11B, S11C. Encontrada em formações
típicas de canga, campos brejosos sobre canga e
menos frequente em vegetação de transição, capões
florestais e borda de Floresta Ombrófila.
5. Apuleia Mart.
O gênero Apuleia (subfamília
Caesalpinioideae, tribo Cassieae) é monoespecífico
e restrito à América do Sul, de ampla distribuição
1158 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
pelo continente, desde a Amazônia brasileira
e peruana, Bolívia, Venezuela ao Paraguai, até
o nordeste brasileiro e áreas do Brasil Central
(Queiroz 2009; Souza et al. 2010). Até recentemente
eram aceitas três espécies para o gênero [Apuleia
leiocarpa (Vogel) J.F.Macbr., Apuleia molaris
Spruce ex Benth.; Apuleia grazielana Afr.Fern.],
contudo, através da análise morfométrica na forma
dos folíolos e frutos, Souza et al. (2010) verificou
que, embora exista grande variação no gênero,
não foi encontrado um único caráter, ou conjunto
de caracteres, que permitissem a separação das
entidades taxonômicas. Assim, as evidências
morfológicas obtidas suportam Apuleia como gênero
monoespecífico, de ampla distribuição geográfica.
O gênero é caracterizado por apresentar hábito
principalmente arbóreo, ramos inermes, folhas sem
nectários, imparipinadas, inflorescências cimosas
compostas, flores brancas, bilateralmente simétricas
ou assimétricas,hermafroditas e masculinas na
mesma inflorescência, cálice e corola formados
por três verticilos, androceu com três estames, raro
dois em flores hermafroditas, e frutos samaróides,
sementes sem arilo (Souza et al. 2010).
5.1. Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F. Macbr., Contr.
Gray Herb. 59: 23. 1919. Fig. 2q-r
Árvore, 9–25 m alt.; ramos glabros, inermes.
Estípulas ovais, caducas; estipela ausente. Pecíolo
1,1–1,4 cm compr., raque 3,4–4,5 cm compr., não
alada; folhas pinadas, imparipinadas, 4,3–13 cm
compr., 5–15 pares de folíolos, alternos, 2,2–5 ×
1–2,4 cm, ovados a oblongos, ápice agudo, obtuso,
acuminado, base arredondada, nervura principal
proeminente abaxialmente, pubescentes em
ambas as faces, cartáceos. Inflorescência terminal,
cimosa, pedúnculo 0,8–1,2 cm compr.; pedicelo
6–7 mm compr., piloso, 1–2 flores bilateralmente
simétricas, andromonoicas, centrais hermafroditas e
laterais masculinas; brácteas caducas; cálice verde,
campanulado, 3-sépalas, até 4 mm compr., reflexas;
corola branca, 3-pétalas, até 6 mm compr., reflexas;
androceu dialistêmone, estames 3, raro 2, exsertos,
alternipétalo, anteras basifixas, lanceoladas; gineceu
séssil, densamente piloso, estilete curvo, estigma
peltado. Legume samaróide 3,2–8 × 1,8–2,2 cm,
indeiscente, comprimido lateralmente, sub-orbicular
a elíptico, glabrescente. Sementes 1–2, ovadas,
compressas, 5–6 mm compr., testa marrom.
Material selecionado: Parauapebas, Projeto Salobo,
24.X.2007, est., D.F.. Silva 70 (HCSJ).
Apuleia leiocarpa apresenta uma ampla
variação morfológica, principalmente em relação
à forma dos folíolos e dos frutos, contudo a
presença de cálice com três sépalas, corola com três
pétalas e androceu com três estames a diferencia
das demais Leguminosae registradas na Flora
de Carajás. A ocorrência de inflorescências com
flores hermafroditas e masculinas é indicativa
de um sistema de reprodução andromonóico,
como relatado por Souza et al. (2010), sendo este
sistema, responsável pelo assincronismo entre
maturação dos estames e desenvolvimento do
ovário. Em decorrência de sua ampla utilização
na indústria madeireira, A. leiocarpa foi incluída
como espécie vulnerável no Livro Vermelho das
espécies ameaçadas da Flora do Brasil (Martinelli
& Moraes 2013).
Nomes populares: Amarelão, muirajuba.
No Brasil tem ampla distribuição, ocorrendo
em todos os estados, exceto Amapá e Roraima
(BFG 2015). Na Serra dos Carajás, até o momento,
foi registrada em bordo de floresta na transição
com a canga, na mina do Projeto “Salobo” e nas
proximidades do Rio Itacaiúnas.
6. Bauhinia L.
O gênero Bauhinia (subfamília Cercidoideae,
tribo Cercideae) pode ser reconhecido pelo
hábito arbóreo e arbustivo, hipanto desenvolvido
e estreitamente cilíndrico e sépalas soldadas
irregularmente ou formando um cálice espatáceo
(Queiroz 2009; Vaz & Tozzi 2003). Possui
distribuição pantropical, com ca. 157 espécies
(Lewis et al. 2005), destas 57 ocorrem no Brasil,
sendo o Centro-Oeste a região de maior diversidade
do gênero (36 táxons) (BFG 2015). Na vegetação
de canga de Carajás são encontradas três espécies.
Chave de identicação das espécies de Bauhinia das cangas da Serra dos Carajás
1. Folhas até 5 cm compr. .................................................................................... 6.3. Bauhinia pulchella
1’. Folhas de 7–19 cm compr.
2. Lâminainteiraouocasionalmentecurto-bilobada,lobosconcrescidosaté1/4docompr.totalda
folha; fruto 7,5–14 cm compr. .......................................................... 6.1. Bauhinia longicuspis
2’. Lâminabilobada,lobosconcrescidosaté2/4 do compr.totaldafolha;fruto26,5–36,6cm
compr. ....................................................................................... 6.2. Bauhinia longipedicellata
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1159
6.1. Bauhinia longicuspis Benth., Fl. bras. 15(2):
185. 1870. Figs. 1j-k; 2s
Arbusto, arvoreta ou árvore, até 5 m
alt., ramo reto, subglabro a pubérulo, inerme;
estípula triangular-escamiforme, caduca, base
irregular, ápice agudo, ca. 0,2 × 0,1–0,2 cm;
pecíolo canaliculado, 0,9–2,0 cm compr.; nectário
extrafloral intraestipular, cônico-ovóide, 0,1–0,2 cm
compr. Folha pinada, unifoliolada, folíolo ovado-
lanceoladoaoblongo-lanceolado,lâminainteiraou
ocasionalmente curto-bilobada, lobos concrescidos
até 1/4 do compr. total da folha, 7,3–18,8 × 4–8,5
cm, base subtruncada a obtusa ou cordada, ápice
acuminado, agudo, cuspidado ou bífido, raro
emarginado; face adaxial subglabra a glabra,
face abaxial pubérula a vilosa, principalmente
nas nervuras primárias e na margem; nervação
palmatinérvea, com 7 a 9 nervuras principais;
estipela ausente. Inflorescência pseudoracemosa,
terminal, raque sem nodosidade; pedicelo 0,8–1,5
cm compr.; bractéola da base do cálice linear,
caduca; botão floral linear. Flor bilateralmente
simétrica, ca. 8 cm compr.; cálice linear, tubo
1,6–2,1 cm compr. na antese fendido em 2–3
lobos, lineares, espiralados, ca. 5,5 cm compr.;
corolapentâmera,alva;pétalalinear,2,5–4× 0,08
cm; androceu unido na base até 0,7 cm compr., 10
estames; gineceu não visto. Legume elasticamente
deiscente, linear, pubescente, 7,5–14 × 1,4–1,7 cm;
margem sinuosa; rostro reto, 0,1–0,9 cm. Semente
14–19, suboblonga, achatada, ca. 0,9 × 0,5 cm, testa
preta, hilo punctiforme.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11B,
6°20’39”S, 50°24’32”W, fl., R.D. Ribeiro et al. 1510
(RB). Parauapebas, N8, 6°09’44”S, 50°09’53”W, 650
m, est., R.D. Ribeiro et al. 1187 (RB).
Bauhinia longicuspis difere-se das demais
espécies ocorrentes na área de estudo pelo folíolo
ovado-lanceolado a oblongo-lanceolado, com a
lâminainteiraa ocasionalmente curto-bilobada.
Como mencionado por Vaz & Tozzi (2003), B.
longicuspis é muito próxima à Bauhinia dubia
G.Don compartilhando o mesmo tipo de coluna
estaminal, estigma e tamanho dos filetes em relação
às pétalas, deixando dúvidas na delimitação entre
as duas espécies. Na Serra dos Carajás pode ser
confundida com Bauhinia longipedicellata Ducke,
no entanto essa espécie tem os folíolos mais largos
(4,4–13,7 cm larg.) e frutos maiores (26,5–36,6
cm compr.).
Espécie com distribuição Neotropical,
ocorrendo na Bolívia, Brasil, Peru e Venezuela (Vaz
& Tozzi 2003). No Brasil ocorre nas regiões Norte
(AC, AM, PA, RO, TO) e Centro-Oeste (MT) (BFG
2015). Serra dos Carajás: Serra Norte: N8. Serra
Sul: S11B. Encontrada em mata baixa e vegetação
de transição entre canga e floresta.
6.2. Bauhinia longipedicellata Ducke, Arch. Jard.
Bot. Rio de Janeiro 3: 105–106. 1922. Fig. 2t
Arbusto ou árvore, até 8 m alt., ramo
reto, subglabro a esparso-pubescente, inerme;
estípula triangular-escamiforme, caduca, base
irregular, ápice agudo, ca. 0,4 × 0,1–0,2 cm;
pecíolo canaliculado, 1,6–3,4 cm compr.; nectário
extrafloral intraestipular, linear-triangular, 0,3 cm
compr. Folha pinada, unifoliolada, folíolo largo-
oblongo,largo-elípticooulargo-oval,lâmina
bilobada, lobos concrescidos até 2/4 do compr. total
da folha, 7,5–15,9 × 4,4–13,7 cm, base truncada a
cordada, ápice agudo a obtuso, face adaxial glabra,
face abaxial pubescente; nervação palmatinérvea,
com 9 a 11 nervuras principais; estipela ausente.
Inflorescência pseudoracemosa, terminal, raque
sem nodosidade; pedicelo 3–6 cm compr.; bractéola
da base do cálice escamiforme, caduca; botão
floral subclavado, ocasionalmente falcado. Flor
bilateralmente simétrica, 6–8 cm compr.; cálice
linear, tubo 2,4–4 cm compr., na antese fendido em
4–5 lobos, lineares, espiralados, 4–6 cm compr.;
corolapentâmera,amarela-avermelhada; pétala
linear, ca. 5–6 × 0,1–0,2 cm; androceu unido na
base até 0,7 cm compr., 10 estames; gineceu linear,
pubescente, claviforme. Legume elasticamente
deiscente, linear, tomentoso, 26,5–36,6 × 1,7–2
cm; margem levemente sinuosa a inteira; rostro
reto, 0,5–1 cm compr. Semente não vista.
Material selecionado: Canaã de Carajás, Serra Sul,
6°16’55”S, 50°19’22”W, 750 m, fl. e fr., R.D. Ribeiro
et al. 1217 (RB). Parauapebas, N1, fl., M.P. de Lima et
al 99 (MG, RB); N3, 6°05’11”S, 50°10’16”W, fl. e fr.,
H.C. Lima & D.F. Silva 7160 (HCJS, MG, RB).
Bauhinia longipedicellata distingue-se das
demais espécies ocorrentes na área de estudo pelo
folíolo largo-oblongo, largo-elíptico ou largo-oval,
comlâminabilobadaeca.14cmlarguraelegume
com ca. 30 cm compr.
É endêmica do Brasil, com distribuição
restrita à Amazônia (Vaz & Tozzi 2003). Serra
dos Carajás: Serra Norte: N1, N3 e Serra Sul.
Ocasional em bordo de mata em área de transição
com vegetação campestre de canga.
6.3. Bauhinia pulchella Benth., Fl. bras. 15(2):
190. 1870. Figs. 1l; 2u-w
Arbusto ou arvoreta, até ca. 4 m alt., ramo
reto, glabro a pubescente-tomentoso, inerme;
estípula triangular-escamiforme, caduca, base
1160 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
irregular, ápice agudo, ca 0,1 × 0,1 cm; pecíolo
canaliculado, 0,5–1,5 cm compr.; nectário
extrafloral intraestipular, subulado, rudimentar.
Folha pinada, unifoliolada, folíolo largo-oval,
largo-elípticooulargo-oblongo,lâminabilobada,
lobos concrescidos de 1/4 a 1/2 do compr. total
da folha, 0,9–4,1 × 1,2–4 cm, base cordada ou
obtusa-emarginada, ápice obtuso, ocasionalmente
oblíquo, face adaxial glauca, glabra, abaxial
pubescente, tricomas ferrugíneos concentrados
nas nervuras primárias; nervação palmatinérvea,
com 7 nervuras principais; estipela ausente.
Inflorescência pseudoracemosa, terminal, raque
sem nodosidade; pedicelo 0,5–2,5 cm compr.;
bractéola da base do cálice escamiforme, caduca;
botão floral linear, falcado. Flor não ressupinada,
homomorfa, actinomorfa, 4–10 cm compr.; cálice
gamossépalo, linear, tubo 0,9–1,6 cm compr.,
na antese fendido em 2–5 lobos, espiralados
ou torcidos, parcialmente unidos no ápice ou
livres, 4,5–8,5 cm compr.; corola dialipétala,
pentâmera,alva,alva-rosadaoualva-esverdeada;
pétala linear, 2–3,2 × 0,1 cm; androceu unido
na base até 0,8 cm compr., 10 estames; gineceu
linear, tomentoso, glabro na antese, claviforme.
Legume elasticamente deiscente, linear, glabro,
10–17,1 × 0,6–1 cm; estipe reto, 4,1–7 cm compr.;
margem levemente sinuosa a inteira; rostro reto,
0,3–0,5 cm compr. Semente 14–19, suborbicular,
achatada, 0,5–0,6 × 0,4–0,5 cm, testa marrom a
marrom-escuro.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11C,
6°23’33”S, 50°22’39”W, fr., R.D. Ribeiro et al. 1505
(HCJS,MG,RB); S11D, 6°27’27”S, 50°18’48”W, 322
m, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al. 46 (RB). Parauapebas,
N1, fl. e fr., P. Cavalcante & M. Silva 2628 (MG,RB);
N3, 6°02’19”S, 50°12’56”W, 710 m, fl., R.D. Ribeiro
et al. 1430 (RB); N4, 6°04’04”S, 50°11’07”W, fl. e
fr., S.M. Faria & J. Souza 2566 (RB); N5, 6°05’45”S,
50°07’27”W, 700 m, fl. e fr., H.C. Lima & D.F. Silva 7177
(MG,RB); N6, 6°06’55”S, 50°11’22”W, fl. e fr., L.C.B.
Lobato et al. 3835 (MG). Serra do Tarzan, 6°19’58”S,
50°08’55”W, 750 m, fr., H.C. Lima & D.F. Silva 7199
(K,NY,RB). Serra da Bocaina, 6°18’41”S, 49°52’11”W,
fr., H.C. Lima & D.F. Silva 7571 (HCJS,RB).
Nome popular: Pata-de-vaca-da-folha-
miúda, mororó.
Bauhinia pulchella é bem distinta das demais
espécies ocorrentes na área de estudo pelas folhas
glaucas abaxialmente e pequenas, com ca. 4 cm
compr. Silva et al. (1996) e Rayol (2006) destacam
B. pulchella como uma das espécies-chave que
mais caracterizam a vegetação de canga, pela
suaabundânciae alto valor de importância em
todos os estratos da vegetação e sugerem sua
utilização na recuperação de áreas degradadas.
Uma característica importante de B. pulchella, que
reforça sua capacidade de adaptação ao ambiente
adverso da canga, é a tendência para acumular
metais pesados (Silva 1992). No estudo feito por
Silva (1992) na canga N3, foram encontrados
níveis anormais de Fe, Ni e Cr, mostrando a
tolerânciadestaespéciea estes metais, ou seja,
ela pode ser considerada uma espécie metalófila.
O acúmulo de Ni em tecidos vegetais pode reduzir
a transpiração xeromórfica (Severne 1974 apud
Silva 1992), uma estratégia importante no contexto
de Carajás.
Espécie com ampla distribuição no Brasil,
ocorrendo nas regiões Norte (PA, RO, TO),
Nordeste (BA, CE, MA, PE, PI, RN), Centro-Oeste
(GO, MS, MT) e Sudeste (MG) (Vaz & Tozzi 2003;
BFG 2015). Na Serra dos Carajás foi observada
na Serra Norte: N1, N3, N4, N5 e N6; Serra Sul:
S11C, S11D; Serra do Tarzan; e Serra da Bocaina.
Ocorre em vegetação rupestre arbustiva, campo
rupestre sobre canga couraçada e nodular, capão
de mata e mata baixa.
7. Calopogonium Desv.
O gênero Calopogonium (subfamília
Papilionoideae, tribo Phaseoleae) pode ser
diagnosticado pelas flores pequenas em
inflorescência sem nodosidades e pelo fruto
septado internamente, sendo possível distinguir
externamente tais septos como sulcos transversais
nas valvas (Carvalho Okano 1982; Queiroz
2009). Compreende seis espécies de distribuição
Neotropical. No Brasil são registradas quatro
espécies (BFG 2015). Na Serra dos Carajás ocorre
uma espécie.
7.1. Calopogonium mucunoides Desv., Ann. Sci.
Nat. (Paris) 9: 423. 1826. Figs. 3a-c; 4a-b
Trepadeira herbácea volúvel, ramo denso
piloso, inerme; estípula triangular, triangular-
lanceolada a triangular-ovada, base truncada,
ápice agudo, 0,4–0,5 × 0,1–0,2 cm; pecíolo
canaliculado, 2,5–5,8 cm compr.; raque 0,5–1 cm
compr. Folha pinada, trifoliolada; folíolo terminal
trulado, trulado-ovado ou rômbico, raro orbicular,
2,7–6,1 × 1,7–4 cm, base subaguda, raramente
arredondada, folíolo lateral ovado, deltado-ovado,
raro orbicular, oblíquo, 3–5,7 × 2,3–4,2 cm, base
subaguda-oblíqua ou arredondado-oblíqua, ápice
agudo a subagudo, raramente arredondado; face
adaxial e abaxial serícea; nervação peninérvea;
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1161
Figura 3 – a-c. Calopogonium mucunoides – a. folíolo; b. estipela; c. fruto. d-e. Camptosema ellipticum – d. estipela; e.
botão floral. f-g. Centrosema carajasense – f. folha; g. vexilo calcarado. h. Centrosema grazielae – fruto. i-k. Chamaecrista
desvauxii var. langsdorffii – i. folha; j. estípula; k. nectário. l-o. Chamaecrista desvauxii var. mollissima – l. folha; m.
estípula; n. nectário; o. estame. p-q. Chamaecrista diphylla – p. folha; q. nectário. r-s. Chamaecrista flexuosa var. flexuosa
– r. estípula; s. nectário. t-u. Chamaecrista nictitans subsp. patellaria – t. nectário; u. inflorescência. v. Chamaecrista
rotundifolia var. rotundifolia – folha. w-x. Chamaecrista trichopoda – w. nectário; x. inflorescência.
Figure 3 – a-c. Calopogonium mucunoides – a. leaflet; b. estipel; c. fruit. d-e. Camptosema ellipticum – d. estipel; e. flower bud. f-g. Centrosema
carajasense – f. leaf; g. calcarate vexillum. h. Centrosema grazielae – fruit. i-k. Chamaecrista desvauxii var. langsdorffii – i. leaf; j. stipule; k.
nectary. l-o. Chamaecrista desvauxii var. mollissima – l. leaf; m. stipule; n. nectary; o. stamen. p-q. Chamaecrista diphylla – p. leaf; q. nectary.
r-s. Chamaecrista flexuosa var. flexuosa – r. stipule; s. nectary. t-u. Chamaecrista nictitans subsp. patellaria – t. nectary; u. inflorescence. v.
Chamaecrista rotundifolia var. rotundifolia – leaf. w-x. Chamaecrista trichopoda – w. nectary; x. inflorescence.
2 mm
2 mm
2 mm
2 mm
2 mm
2 mm
2 mm
2 mm
2 mm
2 mm
2 cm
2 cm
2 cm
1 cm 1 cm
1 cm
1 cm
1 cm 1 cm
1 cm
1 mm
1 mm
1 mm
1 mm
abd
e
c
h
f
g
t
p
q
u
vwx
s
l
j
n
m
r
k
o
i
1162 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
estipela lanceolada a linear, flexível, 0,4–0,5 cm
compr. Inflorescência pseudoracemosa, axilar;
pedicelo 0,1 cm compr.; bractéolas da base do
cálice linear a estreito-lanceolada, 0,4–0,5 ×
0,1 cm; botão floral linear-oblongo. Flor não
ressupinada, papilionácea, 0,9–1,1 cm compr.;
cálice campanulado, tubo 0,2–0,3 cm compr.,
5-laciniado, lacínio linear-subulado, 0,4–0,5 cm
compr.; corola lilás-azulada; vexilo obovado,
emarginado, 0,8–0,9 × 0,6 cm; asa obovada,
falcada, 0,8–0,9 × 0,2 cm; carena obovada,
falcada; 0,6 0,7 × 0,1 cm; androceu monadelfo
(9+1), 10 estames; gineceu oblongo, seríceo;
estigma capitado. Legume elasticamente deiscente,
toroso-compressado, internamente septado entre as
sementes, denso piloso, 3–3,9 × 0,4–0,5 cm; séssil;
margem reta; rostro reto ou levemente curvo, 0,1
cm compr. Semente 6, oblonga, ca. 0,3 × 0,2 cm,
testa amarela, hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11D,
6°23’43S, 50°21’50”W, 30.IV.2015, fl. e fr., C.M.J.
Mattos et al. 66 (RB). Parauapebas, N1, 6°00’59”S,
50°17’58”W, 2.V.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al. 116
(RB); N5, 6°05’05”S, 50°08’36”W, 23.VI.2009, fr., R.D.
Ribeiro et al. 1144 (RB).
Calopogonium mucunoides diferencia-se
das demais trepadeiras herbáceas da Serra dos
Carajás pelos folíolos trulados, rômbicos ou
deltado-ovados, cálice campanulado com lacínios
linear-subulados e legume denso piloso com sulcos
transversais externamente. É uma espécie invasora
bastante agressiva e fixadora de nitrogênio em
simbiose com rizóbios (Faria et al. 2011).
Espécie com ampla distribuição Neotropical,
ocorrendo do México ao Paraguai (Carvalho
Okano 1982). No Brasil ocorre nas regiões Norte
(AC, AM, AP, PA, RO, RR, TO), Nordeste (AL,
BA, CE, MA, PB, PE, PI, RN, SE), Centro-Oeste
(DF, GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e
Sul (PR, RS, SC) (BFG 2015). Serra dos Carajás:
Serra Norte: N1, N5, Serra Sul: S11D. Encontrada
ocasionalmente em canga alterada por ações
antrópicas.
8. Camptosema Hook. & Arn.
O gênero Camptosema (subfamília
Papilionoideae, tribo Phaseoleae) pode ser
diagnosticado pela inflorescência pseudoracemosa,
corola vermelha, androceu pseudomonadelfo,
ovário estipitado e frutos deiscentes (Queiroz
1999). A delimitação do gênero ainda é incerta
e as espécies aparecem relacionadas aos gêneros
Cratylia Mart. ex Benth., Galactia P.Browne,
Collaea DC. e Lackeya Fortunato, L.P.Queiroz &
G.P.Lewis (Queiroz et al. 2003). Compreende ca.
10 espécies, distribuídas no Brasil, Argentina,
Paraguai e Uruguai (Lewis et al. 2005). No Brasil
ocorrem seis espécies (BFG 2015). Na Serra
dos Carajás, Camptosema está representado por
uma espécie.
8.1. Camptosema ellipticum (Desv.) Burkart,
Darwiniana 16: 210, 1970. Figs. 3d-e; 4c
Trepadeira volúvel, ramo sub-glabro a
pubescente, inerme; estípula triangular, base
truncada, ápice agudo-subulado, 0,1 × 0,1
cm; pecíolo cilíndrico, 1,2–4,6 cm compr.;
raque 0,3–1,5 cm. Folha pinada, trifoliolada;
folíolo terminal elíptico ou elíptico-lanceolado,
3–7,6 × 0,8–2,8 cm, lateral elíptico, elíptico-
lanceolado ou ovado-elíptico, 2,9–5,3 × 1,1–2,2
cm, base obtusa, obtusa-oblíqua, raro aguda ou
arredondada, ápice obtuso, agudo ou acuminado,
mucronado, raro emarginado ou arredondado;
face adaxial subglabra, face abaxial esparso a
denso serícea; nervação peninérvea; estipela
subulada, rígida, 0,1 cm compr. Inflorescência
pseudoracemosa, axilar, raque com nodosidade;
pedicelo 0,3–0,4 cm compr.; bractéola da base
do cálice lanceolada, 0,1–0,2 × 0,1 cm; botão
floral lanceolado, ápice falcado-apiculado. Flor
não ressupinada, papilionácea, 2,2–3 cm compr.;
cálice campanulado; tubo 0,5–0,7 cm compr.,
5-laciniado, lacínio lanceolado, os laterais
falcados, 0,4–1,2 cm compr.; corola vermelha,
com guia de néctar branco; vexilo oblongo a
elíptico, reflexo, 2,4–3 × 1,2–1,4 cm; asa estreito-
elíptica a lanceolada, ca. 2,7 × 0,5 cm; carena
estreito-elíptica, subfalcada, ca. 2,7 × 0,5 cm;
androceu pseudomonadelfo, 10 estames; gineceu
linear, seríceo; estigma subcapitado. Legume
elasticamente deiscente, linear a linear-falcado,
pubescente a piloso, 5,6–9,1 × 0,6–0,9 cm.;
estipe reto, 0,1 cm compr.; margem sinuosa;
rostro curvo, 0,2–0,4 cm compr. Semente 7 a 12,
reniforme a globosa, 0,3–0,4 × 0,2–0,4 cm, testa
lisa, marrom a marrom-escuro, ocasionalmente
marmorada, hilo oblongo, embrião com eixo
hipocótilo-radícula curvo, plúmula pouco
desenvolvida, uni-segmentada.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11A,
6º21’04’’S, 50º26’13’’W, 25.IV.2012, fl., A.J. Arruda
et al. 1112 (BHCB); Parauapebas, S11B, 6º20’39’’S,
50º24’32’’W, 6.V.2010, fl., R.D. Ribeiro et al. 1513
(RB); S11C, 6º23’20’’S, 50º21’41’’W, 6.V.2010, fl.,
R.D. Ribeiro et al. 1493 (RB); S11D, 6º23’56’’S,
50º21’01’’W, 29.IV.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al.
55 (RB). Parauapebas, N1, 6º02’31’’S, 50º17’13’’W,
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1163
Figura 4 – a-b. Calopogonium mucunoides – a. flor; b. fruto. c. Camptosema ellipticum – flor e fruto. d. Centrosema carajasense
– hábito e flor. e. Centrosema grazielae – flor. f. Chamaecrista desvauxii var. mollissima – ramo e flor. g. Chamaecrista
flexuosa var. flexuosa – g. ramo e flor. h. Chamaecrista nictitans subsp. patellaria – flor. i. Chamaecrista trichopoda – flor.
Figure 4 – a-b. Calopogonium mucunoides – a. flower; b. fruit. c. Camptosema ellipticum – flower and fruit. d. Centrosema carajasense – habit
and flower. e. Centrosema grazielae – flower. f. Chamaecrista desvauxii var. mollissima – branch and flower. g. Chamaecrista flexuosa var.
flexuosa – branch and flower. h. Chamaecrista nictitans subsp. patellaria – flower. i. Chamaecrista trichopoda – flower.
a b c
e
f
g
h
d
i
1164 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
24.VI.2009, fl. e fr., R.D. Ribeiro et al. 1157 (RB);
N3, 6º02’38’’S, 50º12’41’’W, 2.V.2015, fl., C.M.J.
Mattos et al. 108 (RB); [Marabá], N4, 30.V.1986, fl.
e fr., M.P.M. de Lima et al. 38 (RB); N5, 6º05’05’’S,
50º08’36’’W, 23.VI.2009, fl., R.D. Ribeiro et al. 1141
(RB); N6, 6.III.2010, fl. e fr., L.C.B. Lobato et al. 3851
(MG); N8, 6º09’44’’S, 50º09’53’’W, 25.VI.2009, fl.
e fr., R.D. Ribeiro et al. 1184 (RB); Serra do Tarzan,
6°19’58”S, 50°08’55”W, 8.VII.2011, fl. e fr., H.C.
Lima & D.F. Silva 7194 (RB); Serra da Bocaina,
6º18’41’’S, 49º52’11’’W, 25.IX.2012, fr., H.C. Lima
& D.F. Silva 7561 (RB).
Nome popular: Mucuna-da-flor-vermelha.
Camptosema ellipticum diferencia-se
das demais trepadeiras lenhosas ocorrentes na
Serra dos Carajás pelas flores papilionáceas de
corola vermelha com vexilo reflexo, dispostas
em nodosidades dos ramos da inflorescência. O
posicionamento filogenético entre C. ellipticum
e as demais espécies do gênero é incerto
e as análises moleculares indicam que esta
espécie é mais relacionada com Galactia sect.
Collearia, devendo futuramente ser transferida
para este gênero (Queiroz 1999; Queiroz 2009). C.
ellipticum é fixadora de nitrogênio em associação
com rizóbios (Faria et al. 2011).
Espécie com distribuição Neotropical,
ocorrendo no Brasil, Bolívia e Paraguai (Queiroz
1999). No Brasil ocorre nas regiões Norte (PA,
RO), Nordeste (MA), Centro-Oeste (DF, GO, MS,
MT), Sudeste (MG, SP) e Sul (PR) (BFG 2015).
Serra dos Carajás: Serra Norte: N1, N3, N4, N5,
N6, N8; Serra Sul: S11A, S11B, S11C, S11D;
Serra do Tarzan; Serra da Bocaina. Encontrada
frequentemente em formações típicas de canga,
em margem de lagoas e na transição da canga
para floresta.
9. Centrosema (DC.) Benth.
O gênero Centrosema (subfamília
Papilionoideae, tribo Phaseoleae) pode ser
reconhecido pelo cálice campanulado, vexilo
calcarado no dorso e flores ressupinadas, ou seja,
que sofrem uma torção no pedicelo, deixando o
vexilo em posição inferior em relação às demais
pétalas (Barbosa-Fevereiro 1977; Queiroz 2009).
Tem semelhanças morfológicas com os gêneros
Periandra Mart. ex Benth. e Clitoria L. pelas
flores ressupinadas, mas difere por apresentar
o vexilo calcarado. Possui 36 espécies de
distribuição Neotropical (Lewis et al. 2005) e
para o Brasil são registradas 31 espécies (BFG
2015). Na Serra dos Carajás, Centrosema está
representada por duas espécies, que são capazes de
fixar nitrogênio em simbiose com rizóbios, tendo
potencial uso em recuperação de áreas alteradas
pela mineração (Faria et al. 2011).
Chave de identicação das espécies de Centrosema das cangas da Serra dos Carajás
1. Folhaunifoliolada;pecíoloalado;lacínioinferiormediano(carenal)0,5–0,7cmcompr.;orróseaa
róseo-lilás ................................................................................................ 9.1. Centrosema carajasense
1’. Folhatrifoliolada;pecíolonãoalado;lacínio inferior mediano (carenal) 0,2–0,4 cm compr.; or
violácea ....................................................................................................... 9.2. Centrosema grazielae
9.1. Centrosema carajasense Cavalcante, Bol.
Mus. Paraense “Emílio Goeldi”, n.s., Bot. 37: 1-4,
f. sn. 1970. Figs. 3f-g; 4d
Trepadeira herbácea volúvel, ramo glabro
a subglabro, inerme; estípula triangular, base
truncada a subconvexa, ápice agudo, 0,4–1,3 × 0,1–
0,3 cm; pecíolo alado, 1–5,2 cm compr.; nectário
extrafloral ausente. Folha pinada, unifoliolada;
folíolo cordado-ovado a cordado-oblongo, 5,5–13,2
× 2,1–5,5 cm, base cordada, ápice acuminado;
ambas as faces glabras, com esparsos tricomas
na nervura principal e nas margens; nervação
peninérvea; estipela linear-lanceolada, flexível,
0,3–0,4 cm compr. Inflorescência racemosa,
axilar; pedicelo 0,6–0,7 cm compr.; bractéola da
base do cálice elíptica a ovada, 1–1,2 × 0,5 cm;
botão floral semi-elíptico. Flor ressupinada na
antese, papilionácea, ca 4,5 cm compr.; cálice
campanulado, tubo 1 cm compr., 5-laciniado,
lacínio carenal lanceolado, demais triangulares, o
carenal 0,5–0,7 cm compr., os superiores 0,2–0,3
cm compr., os laterais 0,4 cm compr.; corola rosa ou
rósea-lilás, guia de néctar branco; vexilo calcarado
no dorso; asa, carena, androceu e gineceu não
vistos. Legume elasticamente deiscente, linear,
compresso, glabro, 11,5 × 0,8 cm; margem inteira;
rostro reto, ca 1,2 cm compr. Semente 0,5 × 0,4 cm,
oblonga, testa marrom, hilo oblongo.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11A,
6º18’47’’S, 50º26’50’’W, 5.V.2010, fr., R.D. Ribeiro et
al. 1471 (RB); S11B, 6º20’39’’S, 50º24’32’’W, 6.V.2010,
fl., R.D. Ribeiro et al. 1512 (BHCB, MG, RB); S11D,
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1165
6°23’32”S, 50°22’20”W, 12.IV.2016, fl.e fr., B.F. Falcão
et al. 329 (MG); Serra da Bocaina, 6°18’40”S, 49°52’10”
W, 19.IV.2016, fl. e fr., B.F. Falcão et al. 433 (MG).
Parauapebas, N1, 6º02’31’’S, 50º17’13’’W, 24.VI.2009,
R.D. Ribeiro et al. 1159 (RB); N4, 17.III.1984, A.S.L. da
Silva et al. 1848 (INPA, MG, NY); N5, 14.V.1982, R.S.
Secco et al. 189 (MG, NY).
Centrosema carajasense pode ser reconhecida
dentre as demais trepadeiras herbáceas ocorrentes
na Serra dos Carajás pela folha unifoliolada,
pecíolo alado e flor papilionácea ressupinada.
Assemelha-se à Centrosema sagittatum (Humb.
& Bonpl. ex Willd.) Brandegee e Centrosema
fasciculatum Benth. (que não ocorrem na região de
Carajás) pelas folhas unifolioladas e pecíolo alado,
no entanto, tais espécies apresentam os lacínios
laterais e vexilar do cálice lanceolados, além de C.
sagittatum possuir os folíolos de sagitados a ovados-
sagitados. Consta na lista de espécies ameaçadas de
extinção do Pará (Albernaz & Avila-Pires 2009).
Na lista vermelha de espécies ameaçadas da flora
do Brasil, foi avaliada na categoria da IUCN como
“Vulnerável” (VU) (IUCN 2001), pela ocorrência
em área explorada pela mineração no Pará e pela
perda de habitat devido à expansão agrícola no
Mato Grosso (Martinelli & Moraes 2013).
Centrosema carajasense é endêmica do
Brasil, ocorrendo no Pará e Mato Grosso (BFG
2015). Na Serra dos Carajás foi observada na Serra
Norte: N1, N4 e N5; Serra Sul: S11A, S11B; e
Serra da Bocaina. É de ocorrência rara, encontrada
em campo rupestre sobre canga nodular, próximo
às lagoas ou córregos e em transição da floresta
para canga.
9.2. Centrosema grazielae V.P.Barbosa, Bol. Mus.
Bot. Munic. Curitiba 16: 1. 1974. Figs. 3h; 4e
Trepadeira herbácea volúvel, ramo
piloso, inerme; estípula ovada-acuminada, base
subconvexa, ápice agudo, 0,3–0,4 × 0,2 cm; pecíolo
canaliculado, 1–5,1 cm compr.; nectário extrafloral
ausente; raque 0,6–1,5 cm compr. Folha pinada,
trifoliolada; folíolo terminal ovado, ovado-elíptico,
elíptico-lanceolado, largo-ovado ou largo-elíptico,
raro lanceolado ou oblíquo, de 3–7,1 × 1,2–3,9
cm, lateral ovado, elíptico, ovado-elíptico, largo-
elíptico, raro orbicular, de 2,4–5 × 1,4–3,2 cm, base
obtusa ou arredondada, raro aguda ou oblíqua, ápice
acuminado ou agudo, raro obtuso ou arredondado;
ambas as faces subglabra a pilosa; nervação
peninérvea; estipela linear-lanceolada, flexível,
0,3–0,4 cm compr. Inflorescência racemosa, axilar;
pedicelo 0,4–0,6 cm compr.; bractéola da base do
cálice ovada, falcada, 0,5–0,6 × 0,2 cm; botão
floral semi-elíptico. Flor ressupinada, papilionácea,
3–4 cm compr.; cálice campanulado, tubo 0,4 cm
compr., 5–laciniado, lacínio carenal lanceolado,
0,2–0,4 cm compr, os demais triangulares, 0,1–0,2
cm compr.; corola violácea, guia de néctar branco;
vexilo semi-orbicular, calcarado no dorso, ca. 3,2
× 3,8 cm; asa sigmóide, 2,9 × 0,8–1 cm; carena
semi-elíptica, 2,5 × 1,5 cm; androceu diadelfo
(9+1), 10 estames; gineceu linear, pubescente;
estigma truncado. Legume elasticamente deiscente,
linear, compresso, glabro, puberulento nas suturas,
4,2–11,3 × 0,4–0,5 cm; séssil; margem inteira
a levemente sinuosa; rostro reto, 0,6–0,8 cm
compr. Semente reniforme, 0,4 × 0,3 cm, testa
lisa, marrom-escura; hilo oblongo; embrião com
eixo hipocótilo-radícula curvo; plúmula bem
desenvolvida, bi-segmentada.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11B,
6º21’28’’S, 50º23’25’’W, 30.IV.2015, fl. e fr., C.M.J.
Mattos et al. 70 (RB). Parauapebas, N1, 6°02’31”S,
50°17’13”W, 24.VI.2009, fr., R.D. Ribeiro et al. 1151
(RB); N3, 6°02’37”S, 50°12’34”W, 2.V.2015, fl. e
fr., C.M.J. Mattos et al. 101 (RB); N5, 6°05’23”S,
50°08’25”W, 23.VI.2009, fr., R.D. Ribeiro et al.
1138 (RB).
Centrosema grazielae diferencia-se das
demais trepadeiras herbáceas de Carajás pelas
folhas trifolioladas e flores grandes (3–4 cm
diâmetro),ressupinadas de coloração violácea.
Essa espécie é muito semelhante à Centrosema
pubescens Benth., frequentemente encontrada
no material herborizado sob esta identificação,
no entanto C. pubescens possui o lacínio carenal
maior (de 0,7–1,3 cm compr.). Os espécimes de
Carajás apresentam folíolos com margem inteira,
diferente dos folíolos lobulados do espécime-tipo
(RB 54218). Assim como observaram Schultze-
Kraft et al. (1997), nenhum outro espécime foi visto
com estes folíolos. C. grazielae tem a capacidade
deproduzirfrutosaéreosesubterrâneosnamesma
planta (anficarpia), que segundo Schultze-Kraft
et al. (1997), pode ser uma adaptação ao fogo,
pastoreio, seca ou a temperaturas extremas. No
contexto de Carajás, essa condição pode ser
importante na sobrevivência da espécie durante os
períodos de seca.
Espécie com distribuição Neotropical,
ocorrendo no Brasil, Colômbia e Venezuela
(Schultze-Kraft et al. 1997) . No Brasil ocorre nas
regiões Norte (PA), Centro-Oeste (MT) e Sudeste
(MG) (BFG 2015). Serra dos Carajás: Serra Norte:
N1, N3, N5, Serra Sul: S11B. É de ocorrência rara,
coletada em formações típicas de canga, na beira
de lagoas e em transição de canga para floresta.
1166 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
10. Chamaecrista Moench
Chamaecrista (subfamília Caesalpinioideae,
tribo Cassieae) pode ser reconhecido pelo pedicelo
2-bracteolado, próximo ou acima da metade de
seu comprimento total, androceu actinomorfo,
com anteras pubescentes ao longo das suturas e
nectário extrafloral em forma de disco ou taça.
Possui ca. 330 espécies (Queiroz 2009), de
distribuição pantropical e centro de diversidade
na América tropical (Queiroz 2009; Rando et
al. 2013) No Brasil ocorrem 257 espécies (BFG
2015). Na Serra dos Carajás ocorrem cinco táxons,
que possuem potencial para uso em recuperação
de áreas degradadas pela mineração, pois são
fixadores de nitrogênio em simbiose com rizóbios
(Faria et al. 2011).
Chave de identicação das espécies de Chamaecrista das cangas da Serra dos Carajás
1. Folha bifoliolada ou tetrafoliolada
2. Folha tetrafoliolada
3. Estípula com ápice agudo, 0,4–0,6 cm compr.; folíolos lineares-oblongos a estreito-oblongos,
proximais 0,2–0,5 cm e distais 0,2–0,4 cm de larg. ...............................................................
........................................................................ 10.1. Chamaecrista desvauxii var. langsdori
3’. Estípula com ápice arredondado, levemente acuminado, 0,6–1,5 cm compr.; folíolos obovados
ou oblongos, oblíquos, proximais 0,6–1,2 cm e distais 0,6–1,2 cm de larg. ..........................
........................................................................ 10.2. Chamaecrista desvauxii var. mollissima
2’. Folha bifoliolada
4. Folíolospalmatinérveos,com4–5nervurasprincipais;1–2nectárioextraoralpeciolar .....
................................................................................................... 10.3. Chamaecrista diphylla
4’. Folíolospalmatinérveos,com2–3nervurasprincipais;nectárioextraoralausente .............
.................................................................. 10.6. Chamaecrista rotundifolia var. rotundifolia
1’. Folha multifoliolada, de 7–60 folíolos
5. Cauleexuoso;nectárioextraoralpeciolar,curto-estipitado,estipedamesmalarguraquea
superfíciesecretora;inorescênciaaxilar,pedúnculonãoadnatoaocaule ...................................
...................................................................................... 10.4. Chamaecrista exuosa var. exuosa
5’. Caulereto;nectárioextraoralpeciolar,séssiloucomestipemaisestreitoqueasuperfíciesecretora;
inorescênciaaparentementesupra-axilar,pedúnculototalouparcialmenteadnatoaocaule
6. Nectárioextraoralpeciolarséssil;pedicelo0,1–0,3cmcompr. ..........................................
...................................................................... 10.5. Chamaecrista nictitans subsp. patellaria
6’. Nectárioextraoralpeciolarestipitado;pedicelo1,3–1,7cmcompr.....................................
.............................................................................................. 10.7. Chamaecrista trichopoda
10.1. Chamaecrista desvauxii var. langsdorfii
(Kunth ex Vogel) H.S.Irwin & Barneby, Mem. New
York Bot. Gard. 35(2): 879. 1982. Fig. 3i-k
Erva ou arbusto, 30–40 cm alt., ramo reto,
subglabro a viloso, inerme; estípula ovada-
lanceolada, base cordada, ápice agudo, 0,4–0,6 ×
0,2 cm; pecíolo canaliculado, 0,1–0,4 cm compr.;
nectário extrafloral peciolar 1, logo abaixo do
folíolos proximais, discóide, superfície secretora
côncava, séssil; raque 0,1–0,3 cm compr. Folha
pinada, tetrafoliolada; folíolo linear-oblongo a
estreito-oblongos, proximal 0,7–2 × 0,2–0,5 cm,
distal 1–2,5 × 0,2 × 0,4 cm, base truncada-oblíqua,
ápice agudo-obtuso, subfalcado; ambas as faces
glabras; nervação palmatinérvea, com 2–3 nervuras
principais; estipela ausente. Inflorescência axilar,
racemo reduzido ou flores solitárias; pedicelo
0,2–0,3 cm compr., bractéola da base do cálice
elíptica-ovada, 0,5–0,7 × 0,3–0,4 cm; botão
floral lanceolado a ovado. Flor bilateralmente
simétrica, ca. 1 cm compr.; cálice com 5 sépalas,
elípticas, 2 externas ca. 0,6 × 0,3 cm, 3 internas,
ca. 1,3 ×0,3–0,4cm;corolaamarela,pentâmera,
4 pétalas externas, obovais, ca. 1,2 × 0,6 cm, 1
interna, oboval-oblíqua, cuculada, ca. 1,3 × 1,7
cm; androceu dialistêmone, 10 estames; gineceu
linear, seríceo; estigma truncado, ciliado. Legume
elasticamente deiscente, linear, compresso,
estrigoso, 3,2–4,5 × 0,6 cm; margem reta, rostro
reto, < 0,1 cm compr. Sementes ca. 11, oblongo-
falcadas, ca. 0,4 × 0,2 cm, testa marrom-escuro,
hilo punctiforme.
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1167
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11D,
6°23’41”S, 50°21’16”W, 29.IV.2015, fl. e fr., C.M.J.
Mattos et al. 61 (RB); Serra da Bocaina, 6°18’41”S,
49°52’11”W, 25.IX.2012, est., H.C. Lima & D.F. Silva
7559 (RB); Parauapebas, 6°01’28”S, 50°17’22”W,
24.III.2015, fl. e fr., A.E.S. Rocha & S.V. Costa-Neto
1806 (MG).
Chamaecrista desvauxii var. langsdorfii
diferencia-se das demais espécies ocorrentes na
Serra dos Carajás pela folha tetrafoliolada com
folíolos lineares-oblongos a estreito-oblongos, de
0,2–0,5 cm de larg. e estípulas pequenas (0,4–0,6
cm compr.) com ápice agudo. Dentre as espécies
ocorrentes na canga, pode ser confundida com
Chamaecrista desvauxii var. mollissima (Benth.)
H.S. Irwin & Barneby, pela folha tetrafoliolada e
nectário extrafloral peciolar discóide, no entanto
esta espécie apresenta as estípulas maiores (0,6–1,5
× 0,3–0,9 cm), folíolos mais largos (proximal 0,6–
1,2 cm e distal 0,6–1,2 cm) e pedicelo de 0,7–2,1 cm
compr. A circunscrição de Chamaecrista desvauxii
é muito controvérsia, existindo uma grande
variedade morfológica, difícil de ser delimitada
até mesmo por estudos filogenéticos ou de genética
de população (Rando, comunicação pessoal 2015).
Neste trabalho adotamos a circunscrição de Irwin
& Barneby (1982), que inclui 17 variedades.
Chamaecrista desvauxii var. langsdorfii
possui distribuição Neotropical, ocorrendo no
Brasil, Colômbia e Paraguai (Irwin & Barneby
1982). No Brasil ocorre nas regiões Centro-Oeste
(DF, GO, MT), Sudeste (MG, SP) e Sul (PR) (Irwin
& Barneby 1982). Serra dos Carajás: Serra Norte:
N1; Serra Sul: S11D; Serra da Bocaina. É pouco
frequente, tendo sido coletada apenas duas vezes,
até o momento, em vegetação rupestre arbustiva.
10.2. Chamaecrista desvauxii var. mollissima
(Benth.) H.S.Irwin & Barneby, Mem. New York
Bot. Gard. 35: 868. 1982. Figs. 3l-o; 4f
Arbusto ou arvoreta ereto, até 3,5 m alt.,
ramo reto, hirsuto, inerme; estípula ovada, largo-
elíptica ou oblonga, base cordada-auriculada,
ápice arredondado, levemente acuminado, 0,6–1,5
× 0,3–0,9 cm; pecíolo canaliculado, 0,3–0,6 cm
compr.; nectário extrafloral peciolar 1, discóide,
superfície secretora côncava, séssil ou curto-
estipitado, estipe da mesma largura da superfície
secretora; raque 0,2–0,4 cm compr. Folha pinada,
tetrafoliolada, folíolo obovado ou oblongo,
oblíquo, glauco, proximal 0,1–3,2 × 0,6–1,2 cm,
distal 1,9–4,3 × 0,6–1,2 cm, base truncada-oblíqua,
ápice arredondado; ambas as faces glabras e
glaucas; nervação palmatinérvea, com 4–5 nervuras
principais; estipela ausente. Inflorescência axilar,
racemo reduzido ou flores solitárias; pedicelo
0,7–2,1 cm compr.; bractéola da base do cálice
ovada-triangular, 0,3–0,4 × 0,3–0,4 cm; botão floral
ovado-acuminado. Flor bilateralmente simétrica,
2–2,5 cm compr.; cálice com 5 sépalas, ovais-
elípticas, 2 sépalas externas 0,7–1,1 × 0,4–0,6
cm, 3 sépalas internas 1–1,9 × 0,5–0,6 cm; corola
amarela,pentâmera,4externas,obovais,1,2–2,2
× 0,9–1,6 cm, 1 interna oboval-oblíqua, cuculada,
1,1–2 × 2,1–2,5 cm; androceu dialistêmone, 10
estames; gineceu linear, falcado, seríceo; estigma
terete. Legume elasticamente deiscente, linear,
compresso, pubescente, piloso a esparso-seríceo,
4–5 × 0,6–0,7 cm; margem reta, rostro reto, ca. 0,1
cm compr. Semente 10–12, oblongo-falcada, 0,3–
0,4 × 0,2 cm, testa marrom-escuro, hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11A,
6°19’09”S, 50°26’44”W, 5.V.2010, fl., R.D. Ribeiro et al.
1479 (RB); S11B, 6°20’33”S, 50°25’25”W, 26.VI.2009,
fl. e fr., R.D. Ribeiro et al. 1197 (RB); S11C, 6°22’43”S,
50°23’08”W, 25.VII.2012, fl. e fr., H.C. Lima & D.F.
Silva 7510 (RB); S11D, 6°23’38”S, 50°22’29”W,
30.IV.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al. 68 (RB); Serra
do Tarzan, 6°19’58”S, 50°08’55”W, 9.VII.2011, fr., H.C.
Lima & D.F. Silva 7193 (RB).
Chamaecrista desvauxii var. mollissima
diferencia-se das demais espécies ocorrentes
na Serra dos Carajás pela folha tetrafoliolada,
folíolos glaucos e estípula ovada, largo-elíptica
ou oblonga, com ápice arredondado, levemente
acuminado. Dentre as espécies ocorrentes na
canga pode ser confundida com Chamaecrista
desvauxii var. langsdorfii (ver comentário desta
espécie). Assemelha-se também à Chamaecrista
desvauxii var. latistipula (Benth.) G.P.Lewis (que
não ocorre nas cangas) pelo formato das estípulas,
mas diferem pois esta variedade apresenta ramos
e frutos glabros. O morfotipo coletado na Serra
dos Carajás compartilha com C. desvauxii var.
mollissima o porte ereto, o tamanho dos folíolos,
os ramos hirsutos e o tipo de indumento do fruto,
no entanto o ápice da estípula é arredondado
(vs. agudo em C. desvauxii var. mollissima).
Este morfotipo também compartilha com C.
desvauxii var. malacophylla (Vogel) H.S.Irwin &
Barneby (que não ocorre em Carajás) os folíolos
glaucos, mas difere no hábito prostrado e pedicelo
longo (2,4–5 cm compr.). Dado esse conjunto
de características compartilhadas, é possível
que este morfotipo encontrado em Carajás seja
resultado de hibridização com outras variedades
de Chamaecrista desvauxii, fator comum entre
indivíduos desta espécie (Irwin & Barneby 1982).
1168 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
Sendo C. desvauxii var. mollissima a variedade que
mais compartilha caracteres, divergindo apenas
pelo ápice da estípula, o morfotipo coletado na
Serra dos Carajás foi posicionado sob esse táxon.
Chamaecrista desvauxii var. mollissima
possui distribuição Neotropical, ocorrendo na
Argentina, Belize, Brasil, Colômbia, Guatemala,
Guiana, Guiana Francesa, México, Paraguai e
Venezuela (Irwin & Barneby 1982). No Brasil
ocorre nas regiões Norte (AM, PA, RO, RR, TO),
Nordeste (BA, CE, PE, PI), Centro-Oeste (DF, GO,
MS, MG), Sudeste (ES, MG, SP) e Sul (PR e SC)
(BFG 2015). Serra dos Carajás: Serra Sul: S11A,
S11B, S11C, S11D; Serra do Tarzan. Encontrada
frequentemente em vegetação rupestre arbustiva
ou mais raramente sobre canga nodular, algumas
vezes formando grandes populações.
10.3. Chamaecrista diphylla (L.) Greene, Pittonia
4(20D): 28. 1899. Fig. 3p-q
Erva ou subarbusto, prostrado ou decumbente,
ca. 50 cm, ramo reto, glabro, inerme; estípula
lanceolada a ovada, base cordada-auriculada, ápice
agudo, 0,2–1,9 × 0,1–0,7 cm; pecíolo canaliculado,
0,2–0,7 cm compr.; nectário extrafloral peciolar
1–2, discóide, superfície secretora côncava,
distal estipitado, estipe da mesma largura da
superfície secretora, proximal séssil. Folha
pinada, bifoliolada; folíolo obovado, 0,7–2,4 ×
0,4–1,6 cm, base truncada-oblíqua, ápice obtuso-
oblíquo; ambas as faces glabras; nervação
palmatinérvea, 4–5 nervuras principais; estipela
ausente. Inflorescência axilar, geralmente flores
solitárias; pedicelo 1–2,8 cm compr.; bractéola da
base do cálice lanceolada, 0,2–0,3 × 0,1 cm; botão
floral lanceolado. Flor bilateralmente simétrica,
0,8–1 cm compr.; cálice com 5 sépalas, lanceoladas,
2 sépalas externas 0,5–0,6 × 0,1 cm, 3 sépalas
internas 0,7–0,9 × 0,1–0,2 cm; corola amarela,
pentâmera,pétalasexternas2obovais,2oblongas,
0,7–0,9 × 0,2–0,3 cm, 1 interna, obovada-oblíqua,
0,6 × 0,7–0,8 cm; androceu dialistêmone, 10
estames; gineceu linear, seríceo; estigma truncado,
ciliado. Legume elasticamente deiscente, linear,
compresso, estrigoso, frutos imaturos de 2,5–3,7
× 0,4–0,5 cm; margem reta, rostro reto, < 0,1 cm
compr. Semente não vista.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Mina do
Sossego, 6°27’32”S, 50°04’25”W, 25.XI.2009, fl. e fr.,
R.D. Ribeiro et al. 1383 (MG, RB). Parauapebas, N1,
6°03’49”S, 50°15’44”W, 28.I.2002, est., S.M. Faria et
al. 2338 (RB); N4, 19.III.1984, A.S.L. da Silva et al.
1885 (MG, NY). N5, 6°03’13”S, 50°07’39”W, fl. e fr.,
C.M.J. Mattos et al. 90 (RB).
Chamaecrista diphylla distingue-se das
demais espécies ocorrentes na Serra dos Carajás
pela folha bifoliolada e presença de nectário
extrafloral no pecíolo. Essa espécie é facilmente
confundida com Chamaecrista rotundifolia (Pers.)
Greene var. rotundifolia pelo hábito prostrado
ou decumbente, folhas bifolioladas e folíolos
obovados, porém difere pela ausência de nectário
extrafloral em C. rotundifolia.
Espécie com distribuição Neotropical,
ocorrendo em Belize, Brasil, Colômbia, Cuba,
Guatemala, Guiana, México, Panamá e Porto Rico
(Irwin & Barneby 1982). No Brasil ocorre nas
regiões Norte (AM, AP, PA, RO, RR, TO), Nordeste
(AL, BA, CE, MA, PA, PE, PI, RN, SE), Centro-
Oeste (GO, MS, MG) e Sudeste (ES, MG, RJ) (BFG
2015). Serra dos Carajás: Serra Norte: N1, N4, N5.
É pouco frequente, ocorrendo em vegetação rupestre
ferruginosa, borda de floresta e capoeira.
10.4. Chamaecrista flexuosa (L.) Greene var.
flexuosa, Pittonia 4(20D): 27. 1899.
Figs. 3r-s; 4g
Erva ou subarbusto, prostrado ou
decumbente, até 80 cm alt., ramo flexuoso,
subglabro a vilosulo, inerme; estípula ovada, base
cordada-amplexicaule, ápice acuminado, 1–1,6
× 0,3–0,6 cm; pecíolo canaliculado, 0,4–0,8
cm compr.; nectário extrafloral peciolar 1–2,
discóide, superfície secretora côncava, curto-
estipitado, estipe da mesma largura da superfície
secretora; raque 3,1–12 cm compr. Folha pinada,
multifoliolada, 22–59 pares de folíolos; folíolo
linear, mucronulado, 0,7–1,5 × 0,1–0,2 cm,
base obtusa-oblíqua, ápice obtuso, subfalcado,
mucronulado; ambas as faces subglabra a esparso-
pilosa; nervação palmatinérvea, 3–4 nervuras
principais; estipela ausente. Inflorescência axilar,
racemo reduzido ou flores solitárias; pedicelo 1,6–3
cm compr.; bractéola da base do cálice lanceolada,
0,2 × 0,1 cm; botão floral ovado-acuminado. Flor
bilateralmente simétrica, 2 cm compr.; cálice
campanulado, 5 sépalas, elípticas-agudas, 1–1,5 ×
0,3–0,5cm;corolaamarela,pentâmera,4pétalas
externas, orbiculares a obovais, 1–1,9 × 0,6–1,1 cm,
1 interna, orbicular a obovada-oblíqua, cuculada,
0,9–1,8 × 1–1,5 cm; androceu dialistêmone, 10
estames; gineceu linear, pubescente; estigma terete.
Legume elasticamente deiscente, linear, compresso,
subglabro a esparsamente estrigoso, 4,7–6,3 ×
0,3–0,5 cm; margem inteira; rostro reto, curvo, ca.
0,1 cm compr. Semente 10–13, rômbico-quadrada,
0,3–0,4 × 0,2 cm, testa marrom, hilo orbicular.
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1169
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11A,
6°19’07”S, 50°26’36”W, 5.V.2010, fl. e fr., R.D. Ribeiro
et al. 1475 (RB); S11D, 6°23’41”S, 50°21’16”W,
29.IV.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al. 60 (RB).
Parauapebas, N1, 31.V.1986, fl. e fr., M.P.M. Lima
& G.M. Barroso 48 (RB, MG); N2, 30.V.1983, fl. e
fr., M.F.F. Silva et al. 1337 (MG); N3, 6°02’31”S,
50°12’26”W, 24.II.2010, fl., R.D. Ribeiro et al. 1435
(RB); N4, 14.III.1984, fl. e fr., A.S.L. Silva et al. 1784
(RB, MG); N5, 12.V.1982, fl. e fr., R.S. Secco et al. 113
(MG); N8, 6°09’48”S, 50°09’48”W, 25.VI.2009, bot.,
fl. e fr., R.D. Ribeiro et al. 1181 (RB);
Chamaecrista flexuosa var. flexuosa é
facilmente reconhecida dentre as demais espécies
ocorrentes na área de estudo pelos ramos flexuosos,
além da estípula cordada-amplexicaule e presença
de dois nectários extraflorais curto estipitados no
pecíolo. Pode ser confundida com Chamaecrista
parvistipula (Benth.) H.S.Irwin & Barneby e
Chamaecrista swainsonii (Benth.) H.S.Irwin &
Barneby (que não ocorrem na Serra dos Carajás)
pelos os ramos flexuosos, porém diferem no número
menor de estames em C. parvistipula (5) e pelo ápice
dos folíolos espinescente em C. swainsonii.
Chamaecrista flexuosa var. flexuosa possui
distribuição Neotropical, ocorrendo na Argentina,
Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, México, Paraguai
e Venezuela (Irwin & Barneby 1982). No Brasil
ocorre em todos os estados do país (BFG 2015).
Serra dos Carajás: Serra Norte: N1, N2, N3, N4,
N5, N8; Serra Sul: S11A, S11D. Encontrada
frequentemente em vegetação rupestre ferruginosa,
em vegetação secundária e menos frequentemente
em áreas alagadas.
10.5. Chamaecrista nictitans subsp. patellaria
(DC. ex Collad.) H.S. Irwin & Barneby, Mem. New
York Bot. Gard. 35: 814. 1982. Figs. 3t-u; 4h
Erva ereta, ramo reto, viloso, inerme; estípula
lanceolada a ovada, base obtusa-oblíqua, ápice
agudo, 0,5–1 × 0,1–0,2 cm; pecíolo canaliculado,
0,3–0,6 cm compr.; nectário extrafloral peciolar 1–2,
discóide, superfície secretora côncava, séssil; raque
1,5–5,2 cm compr. Folha pinada, multifoliolada,
7–20 pares de folíolos; folíolo linear-oblongo
a oblanceolado, 0,6–1,3 × 0,1–0,2 cm, base
obtusa-oblíqua, ápice obtuso, falcado, apiculado;
face adaxial glabra, face abaxial subglabra a
esparso-pilosa; nervação palmatinérvea-dimidiada,
nervura principal excêntrica; estipela ausente.
Inflorescência aparentemente supra-axilar, racemo
reduzido, pedúnculo total ou parcialmente adnato
ao caule; pedicelo 0,1–0,3 cm compr.; bractéola da
base do cálice lanceolada-triangular, 0,2 × 0,1 cm;
botão floral ovado-acuminado. Flor bilateralmente
simétrica, 0,4–0,5 cm compr.; cálice com 5 sépalas,
lanceoladas-elípticas, ca. 0,4–0,5 × 0,1–0,2 cm;
corolaamarela, pentâmera, 4 pétalas externas,
obovais, 2 maiores 0,4 × 0,2 cm, 2 menores 0,3–0,4
× 0,1 cm, 1 interna, oboval-oblíqua, cuculada, 0,4 ×
0,4 cm; androceu dialistêmone, 10 estames; gineceu
linear, seríceo; estigma truncado, ciliado. Legume
elasticamente deiscente, linear, compresso, piloso
a esparso-seríceo, 2,2–3,6 × 0,3–0,4 cm; margem
reta, inteira; rostro reto, < 0,1 cm compr. Sementes
10–12, rômbico-quadrada, marrom, 0,3–0,4 × 0,2
cm, hilo punctiforme.
Material selecionado: Parauapebas, N4, 6°04’03”S,
50°09’53”W, 26.I.2002, fl. e fr., S.M. Faria et al. 2312
(RB); N5, 6°05’05”S, 50°08’36”W, 23.VI.2009, fl. e fr.,
R.D. Ribeiro et al. 1142 (RB).
Chamaecrista nictitans subsp. patellaria
distingue-se das demais espécies ocorrentes na
Serra dos Carajás pelas folhas multifolioladas,
folíolos palmatinérveos-dimidiados com a nervura
principal excêntrica, nectário extrafloral peciolar
séssil e inflorescência aparentemente supra-axilar
com o pedúnculo total ou parcialmente adnato ao
caule. Apresenta similaridades morfológicas com
Chamaecrista trichopoda (Benth.) Britton & Rose
ex Britton & Killip, como folhas multifolioladas,
tipo de nervação e a inflorescência aparentemente
supra-axilar. No entanto diferem pois C. trichopoda
apresenta nectário estipitado e pedicelo maior
(1,3–1,7 cm compr.).
Chamaecrista nictitans subsp. patellaria
possui distribuição Neotropical (Irwin & Barneby
1982). No Brasil ocorre nas regiões Norte (AM,
AP, PA, RO, TO), Nordeste (AL, BA, CE, MA,
PA, PE, SE), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT),
Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e Sul (PR, RS, SC)
(BFG 2015). Serra dos Carajás: Serra Norte: N4,
N5. É considerada uma espécie invasora (Queiroz
2009), pouco frequente em áreas de canga e mata,
alteradas por ações antrópicas.
10.6. Chamaecrista rotundifolia (Pers.) Greene
var. rotundifolia, Pittonia 4(20D): 31. 1899.
Fig. 3v
Erva decumbente, ramo reto, piloso, inerme;
estípula ovada, base cordada-oblíqua, ápice agudo,
0,4–1 × 0,2–0,4 cm; pecíolo canaliculado, 0,3–0,5
cm compr.; nectário extrafloral ausente; Folha
pinada, bifoliolada, folíolo obovado, 0,7–2,2 × 0,4–
1,4 cm, base truncada-oblíqua, ápice arredondado;
face adaxial glabra, face abaxial pubescente;
nervação palmatinérvea, 2–3 nervuras principais;
1170 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
estipela ausente. Inflorescência axilar, geralmente
flor solitária; pedicelo 2,5–2,7 cm compr.; bractéola
da base do cálice linear, 0,1–0,2 cm; botão floral
ovado. Flor bilateralmente simétrica, 0,5–0,6 cm
compr.; cálice com 5 sépalas, lanceoladas, 0,4 ×
0,2–0,3cm;corola amarela, pentâmera, pétalas
obovadas, 4 externas, 0,4–0,5 × 0,3–0,4 cm, 1
interna, 0,5 × 0,4 cm; androceu dialistêmone, 10
estames; gineceu linear-oblongo, seríceo; estigma
terete. Legume elasticamente deiscente, linear,
compresso, pubescente, 2,4–3 × 0,3–0,4 cm;
margem reta, inteira; rostro punctiforme, < 0,1 cm
compr. Semente não vista.
Material selecionado: Parauapebas, N5, 6°03’13”S,
50°07’39”W, 2.V.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al.
91 (RB).
Chamaecrista rotundifolia var. rotundifolia
diferencia-se das demais espécies ocorrentes na
Serra dos Carajás pela folha bifoliolada, estípula e
bractéola sem apêndice basal e ausência de nectário
extrafloral no pecíolo. Espécie frequentemente
confundida com Chamaecrista diphylla (ver
comentários dessa espécie).
C. rotundifolia var. rotundifolia possui
distribuição Neotropical, ocorrendo na Argentina,
Colômbia, Costa Rica, Cuba, Estados Unidos,
Guiana, Jamaica, México, Panamá, Paraguai,
Porto Rico, Venezuela e Uruguai (Irwin & Barneby
1982). No Brasil ocorre nas regiões Norte (RO,
TO), Nordeste (BA, CE, MA, PA, PE, PI, RN),
Centro-Oeste (DF, GO, MS, MG), Sudeste (ES,
MG, RJ, SP) e Sul (PR, RS) (BFG 2015). Serra
dos Carajás: Serra Norte: N5. É pouco frequente
na Serra dos Carajás, ocorrendo em áreas de canga
alteradas por ações antrópicas.
10.7. Chamaecrista trichopoda (Benth.) Britton
& Rose ex Britton & Killip, Ann. New York Acad.
Sci. 35(3): 185. 1936. Figs. 3w-x; 4i
Erva ou subarbusto, prostrado ou decumbente,
até 80 cm alt., ramo reto, hirsuto, inerme; estípula
lanceolada, base obtusa, ápice agudo, 0,6–1,1
× 0,1–0,2 cm; pecíolo canaliculado, 0,2–0,3 cm
compr.; nectário extrafloral peciolar 1, discóide,
superfície secretora côncava, estipitado, estipe
delgado; raque 1,2–4,3 cm compr. Folha pinada,
multifoliolada, 17–26 pares de folíolos, folíolo
linear-oblongo, 0,4–0,8 × 0,1–0,2 cm, base
obtusa-oblíqua, ápice obtuso, falcado, apiculado;
face adaxial glabra, face abaxial pilosa, esparso-
pilosa a esparso-serícea; nervação palmatinérvea-
dimidiada, nervura principal excêntrica; estipela
ausente. Inflorescência aparentemente supra-axilar,
racemo reduzido ou flores solitárias, pedúnculo
total ou parcialmente adnato ao caule; pedicelo
1,3–1,7 cm compr.; bractéola da base do cálice
linear, 0,1 × 0,1 cm; botão floral ovado-acuminado.
Flor bilateralmente simétrica, 0,4–05 cm compr.;
cálice dialissépalo, 5 sépalas, lineares, 0,4–0,5 ×
0,1cm;corolaamarela,dialipétala,pentâmera,4
pétalas externas, obovais, 2 maiores 0,4–0,5 × 0,2
cm, 2 menores 0,2–0,3 × 0,1 cm, 1 interna, oboval-
oblíqua, cuculada, 0,5–0,6 × 0,4–0,5 cm; androceu
dialistêmone, 10 estames; gineceu linear, seríceo;
estigma terete. Legume elasticamente deiscente,
linear, compresso, pubescente a estrigoso, 2,1–5,1
× 0,2–0,3 cm; margem reta; rostro reto, < 0,1
cm compr. Semente 10–12, rômbico-quadrada,
orbicular, ca. 0,1 × 0,1 cm, testa marrom,
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11B,
6°20’41”S, 50°24’26”W, 6.V.2010, fr., R.D. Ribeiro et al.
1507 (RB). Parauapebas, N1, 6°00’59”S, 50°17’58”W,
2.V.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al. 115 (RB); N3,
6°02’42”S, 50°12’31”W, 24.II.2010, fl., R.D. Ribeiro et
al. 1440 (RB); N4, 15.III.1984, fl. e fr., A.S.L. Silva et
al. 1818 (MG,NY,K,UEC); N8, 6°09’44”S, 50°09’53”W,
25.VI.2009, fr., R.D. Ribeiro et al. 1186 (RB).
Chamaecrista trichopoda pode ser
diferenciada dentre as demais espécies que ocorrem
na Serra dos Carajás pelas folhas multifolioladas,
folíolos palmatinérveos-dimidiados com a nervura
principal excêntrica, inflorescência aparentemente
supra-axilar e nectário extrafloral longo estipitado.
Em material herborizado foi frequentemente
identificada como Chamaecrista nictitans subsp.
patellaria (ver comentários dessa espécie). Também
foi identificada como Chamaecrista serpens (L.)
Greene, mas difere desta por apresentar flores
menores e maior número de pares de folíolos
( vs. flor de 0,7–0,9 cm compr. e 3–9 pares de
folíolos em C. serpens). Em listas florísticas
anteriores da Serra dos Carajás (Silva et al. 1996)
foi identificada como Cassia calycioides DC.
Apresenta capacidade de fixar nitrogênio em
simbiose com rizóbios, podendo ser usada em
recuperação de áreas degradadas pela mineração
(Faria et al. 2011).
Espécie com distribuição Neotropical,
ocorrendo na Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana
Francesa e Venezuela (Irwin & Barneby 1982). No
Brasil ocorre nas regiões Norte (PA, TO), Nordeste
(BA, CE, MA, PA, PE, PI, RN), Centro-Oeste
(DF, GO, MS, MG), Sudeste (MG, RJ, SP) (BFG
2015). Serra dos Carajás: Serra Norte: N1, N3, N4,
N8; Serra Sul: S11B. É de ocorrência ocasional na
vegetação rupestre ferruginosa, próximo a lagos e
em área de transição de vegetação.
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1171
11. Chloroleucon (Benth.) Britton & Rose ex
Record
Chloroleucon (subfamília Caesalpinioideae,
clado Mimosoida, tribo Ingeae) é um pequeno
gênero segregado de Pithecellobium Mart. e
colocado na “Chloroleucon-alliance” por Barneby
& Grimes (1996), que se distingue principalmente
pelo hábito arbustivo ou arbóreo, perda de folhas
durante a frutificação, ramos espinescentes com
gemas florais dormentes protegidas por catáfilos
escamiformes, inflorescências em glomérulos com
flores brancas e frutos indeiscentes. Diferencia-
se de Leucochloron Barneby & J.W. Grimes
principalmente por esta apresentar ramos inermes,
folhas com parafilídios e frutos deiscentes. A
presençadegemasoraisdormentes,protegidas
por catáfilos, possibilita uma rápida capacidade
de florescimento assim que iniciada uma estação
chuvosa (Queiroz 2009).
Chloroleucon compreende 11 espécies,
distribuídas nos trópicos americanos, México,
Antilhas, Bolívia até o sul do Brasil e norte da
Argentina, comum em ambientes sazonalmente
secos costeiros, savanas, caatinga ou base
montanhosas semiáridas de altas temperaturas
(Barneby & Grimes 1996; Silverstone-Sopkin
2015). No Brasil são registradas sete espécies,
sendo três endêmicas (BFG 2015). Na Serra dos
Carajás, o gênero é representado por apenas uma
espécie na vegetação de canga.
11.1. Chloroleucon acacioides (Ducke) Barneby
& J. W. Grimes, Mem. New York Bot. Gard. 74(1):
141. 1996. Fig. 5a-b
Árvore, até 3 m alt.; ramos espinescentes,
espinhos presentes nos ramos mais velhos e
ausentes nos ramos distais, 1–1,5 cm compr.,
glabros. Estípulas oblanceloladas a lineares, 7–10
× 1,5–3 mm, caducas; estipela ausente. Pecíolo
0,7–2,3 cm compr. Nectários peciolares sésseis,
cupulares, a ca. 5–8 mm da base do pecíolo,
raque 2–7,5 cm compr.; folhas bipinadas, 4,5–7
cm compr., 6–10 pares de pinas, opostas, 20–42
pares de foliólulos, opostos, nectários ocasionais
nos últimos pares de pinas e de foliólulos;
foliólulos 2,6–7,8 × 0,3–1 mm, membranáceos
a cartáceos, lineares a linear-oblongos, ápice
agudo, base assimétrica, glabros em ambas as
faces, pubescentes na margem, nervura principal
subcentral. Inflorescência axilar, glomérulos
heteromórficos, pedúnculo 0,4–1,5 cm compr.,
piloso; brácteas oblanceoladas, 1–4 mm compr.
Flores centrais sésseis e periféricas curtamente
pediceladas; cálice verde, campanulado,
5-laciniado, lacínias deltoides, agudas, 0,8–2
mm compr.; corola branca, infundibuliforme,
5-laciniado, 3–6,5 mm compr.; androceu
polistêmone, monadelfo, tubo estaminal curto
e incluso na corola, 3–8 mm compr., estames
10–18, filetes livres, 8–12 mm compr.; gineceu
séssil, glabro, estilete filiforme, excedendo os
estames, estigma não peltado. Legume nucóide
3–4,5 × 1–1,8 cm, espiralado, margem delgada e
ondulada, valvas plano compressas, elevadas na
região das sementes, deiscente, glabro, coriáceo,
curto estipitado. Sementes 8–10, 4–5 × 2–3 mm,
elipsóides, compressas, testa lisa, pleurograma
aberto em “U”, marrons.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul,
S11A, 6°20’41”S, 50°24’50”W, 10.VI.2010, fl. e fr.,
D.F. Silva 681 (HCSJ); S11B, 6°24’41”S, 50°31’50”W,
750 m, 26.VI.2009, fr., R.D. Ribeiro 1196 (HCSJ, MG,
RB, INPA).
Chloroleucon possui taxonomia complexa
quando as amostras estão sem frutos, sendo muito
comum C. acacioides ser confundida com C.
foliolosum (Benth.) G.P. Lewis, principalmente
pela semelhança no número de pares de pinas e
pelas inflorescências heteromórficas. Contudo,
podem ser diferenciadas principalmente pela
presença de foliólulos lineares e frutos espiralados
em C. acacioides (vs. foliólulos oblongos a
obovais e frutos falcados em C. foliolosum).
Essa espécie é capaz de se associar com rizóbios
e fixar nitrogênio atmosférico, sendo por isso
recomendada para plantio em áreas alteradas pela
mineração (Faria et al. 2011).
Espécie com distribuição desde o norte da
América do Sul (Suriname, Guiana Francesa) até
o Brasil (Barneby & Grimes 1996). No Brasil,
ocorre nas regiões Norte (AM, PA, TO), Centro-
Oeste (GO, MT) e Nordeste (BA, CE, MA, PB,
PE, PI, RN) (BFG 2015) e, de acordo com Ducke
(1949), na Amazônia é frequente nas áreas mais
secas e com verão mais rigoroso, em matas
vizinhas aos campos arenosos. Serra dos Carajás:
Serra Sul: S11A, S11B. Na Serra dos Carajás, é
registrada de forma comum nas áreas de canga,
seja em áreas abertas quanto nas bordas de capões,
principalmente da Serra Sul.
12. Clitoria L.
Clitoria (subfamília Papilionoideae, tribo
Phaseoleae) pode ser diagnosticado pelas flores
ressupinadas e cálice tubuloso (Fantz 1977).
Distribui-se nas Américas Central e do Sul,
Caribe, México, África, Madagascar, Indo-China,
1172 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
Figura 5 – a-b. Chloroleucon acacioides – a. ramo e espinhos; b. fruto. c-d. Clitoria falcata var. falcata – c. cálice;
d. fruto. e-g. Copaifera martii – e. folha; f. inflorescência; g. fruto. h-l. Crotalaria maypurensis – h. folha; i. folíolos
heteromorfos; j. detalhe do peciólulo curto; k. cálice; l. fruto. m-o. Deguelia amazonica – m. ramo com inflorescência;
n. flor; o. fruto. p-q. Desmodium barbatum – p. folha; q. fruto. r-t. Desmodium incanum – r. folha; s. estípula; t. fruto.
u. Desmodium triflorum – ramo com fruto.
Figure 5 – a-b. Chloroleucon acacioides – a. branch and spine; b. fruit. c-d. Clitoria falcata var. falcata – c. calyx; d. fruit. e-g. Copaifera
martii – e. leaf; f. inflorescence; g. fruit. h-l. Crotalaria maypurensis – h. leaf; i. heteromorphic leaflet; j. detail of short petiolule; k.
calyx; l. fruit. m-o. Deguelia amazonica – m. branch and inflorescence; n. flower; o. fruit. p-q. Desmodium barbatum – p. leaf; q. fruit.
r-t. Desmodium incanum – r. leaf; s. stipule; t. fruit. u. Desmodium triflorum – branch with fruit.
2 mm
2 mm
2 mm
2 mm
2 cm
2 cm 5 cm 3 cm
2 cm
2 cm
2 cm
2 cm
1 cm
1 cm
1 cm
3 cm
1 cm
1 cm
1 cm
1 cm
1 cm
a
b
d
e
c
h
f
g
j
l
tu
s
q
p
n
m
r
k
o
i
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1173
Malásia e Austrália (Lewis et al. 2005). Apresenta
ca. 62 espécies (Lewis et al. 2005), 28 delas
ocorrendo no Brasil (BFG 2015). Na Serra dos
Carajás, Clitoria está representado por uma espécie.
12.1. Clitoria falcata Lam. var. falcata, Encycl.
2(1): 51. 1786. Figs. 5c-d; 6a-b
Trepadeira herbácea volúvel, ramo glabro a
piloso, inerme; estípula triangular a ovada, base
subconvexa, ápice acuminado, 0,3–0,6 × 0,3–0,4
cm; pecíolo canaliculado, 2–5,9 cm compr.;
nectário extrafloral ausente; raque 0,7–3 cm
compr. Folha pinada, trifoliolada; folíolo terminal
elíptico, ovado, ovado-elíptico, raro elíptico-
lanceolado, de 3,4–7,2 × 1,2–3,6 cm, lateral
ovado-elíptico, raro elíptico-lanceolado, de 2,6–7
× 1–3,5 cm, base obtusa ou obtuso-oblíqua, ápice
acuminado, raro oblíquo; face adaxial glabra,
abaxial de esparso a denso serícea; nervação
peninérvea; estipela linear ou lanceolada, flexível,
0,3–0,7 cm compr. Inflorescência racemosa,
axilar; raque sem nodosidade; pedicelo 1,2 cm
compr.; bractéola da base do cálice elíptico-
acuminada, 0,7–0,9 × 0,2–0,3 cm; botão floral
linear-oblongo. Flor ressupinada, homomorfa,
zigomorfa, 4–4,5 cm compr.; cálice gamossépalo,
tubuloso, tubo 1–1,8 cm compr., 5-laciniado,
lacínio lanceolado, 0,9–1,1 cm compr.; corola
dialipétala, branca a branca-amarelada e de
amarelo pálido a intenso quando seca; vexilo
obovado, emarginado, 3,5–5,5 × 2,7–4 cm; asa
obovada, prolongada além da carena, 1,4–2,6 ×
0,4–0,8 cm; carena falcada, 0,6–1 × 0,3–5 cm;
androceu diadelfo (9+1), 10 estames; gineceu
falciforme, pubescente; estigma capitado. Legume
elasticamente deiscente, oblongo, cilíndrico, com
uma costa longitudinal entre as suturas, glabro a
puberulento, 3,8–5 × 0,7–1,1 cm; margem inteira;
rostro levemente curvado no ápice, 0,1–0,4 cm
compr. Semente 4–6, globosa, marrom, 0,4–05 ×
0,3–0,4 cm, hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11A,
6°20’57”S, 50°26’57”W, 30.IV.2015, fl. e fr., C.M.J.
Mattos et al. 80 (RB); S11B, 6°22’05”S, 50°23’06”W,
6.V.2010, fr., R.D. Ribeiro et al. 1518 (MG,RB); S11C,
6°22’18”S, 50°23’05”W, 8.XII.2007, fl. e fr., P.L. Viana
et al. 3389 (BHCB,MG); S11D, 17.II.2010, fl. e fr.,
L.V. Costa et al. 796 (BHCB,RB); Parauapebas, N1,
6°01’49”S, 50°17’27”W, 12.III.2009, fl., P.L. Viana
et al. 3794 (BHCB), N2, 6°03’21”W, 50°15’13”W,
26.III.2015, fl., P.L. Viana et al. 5618 (MG); N3,
6°02’42”S, 50°12’31”W, 24.II.2010, fl., R.D. Ribeiro
et al. 1439 (RB); N4, 19.III.1984, fl., A.S.L. da Silva
et al. 1901 (INPA,MG,MO,NY); N5, 6°05’23”S,
50°08’25”W, 23.VI.2009, fr., R.D. Ribeiro et al. 1139
(RB); N6, 6°06’49”S, 50°11’05”W, 26.III.2009, fl.,
S.M. Faria et al. 2591 (INPA,RB); N7, 6°09’21”S,
50°10’17”W, 25.VI.2009, fl., R.D. Ribeiro et al. 1190
(MG,RB); Serra da Bocaina, 6°19’41”S, 49°56’02”W,
17.XII.2010, fl., N.F.O. Mota et al. 1932 (BHCB).
Clitoria falcata var. falcata pode ser
reconhecida dentre as demais trepadeiras
herbáceas da Serra dos Carajás pela flor
ressupinada de cor branca a branco-amarelada,
cálice tubuloso e legume com uma costa
proeminente entre as suturas. Fantz (1977)
reconhece oito infraespécies, mas apenas duas
ocorrem no Brasil: Clitoria falcata var. latifolia
(Rizzini) Fantz e Clitoria falcata var. aurantiaca
(Benth.) Fantz. C. falcata var. falcata diferencia-
se destas variedades por apresentar folíolos mais
estreitos que os de C. falcata var. latifolia (5–8
cm larg.) e flores menores que C. falcata var.
aurantiaca (5,5–7,5 cm compr.). C. falcata var.
falcata é fixadora de nitrogênio em simbiose com
rizóbios (Faria et al. 2011).
C. falcata var. falcata possui distribuição
pantropical (Fantz 1977). No Brasil ocorre nas
regiões Norte (AC, AM, AP, PA, TO), Nordeste
(Ceará), Centro-Oeste (GO, MT), Sudeste (MG,
RJ, SP) e Sul (PR) (BFG 2015). Serra dos Carajás:
Serra Norte: N1, N3, N4, N5, N6, N7; Serra Sul:
S11A, S11B, S11C, S11D; Serra da Bocaina.
Encontrada frequentemente em vegetação rupestre
arbustiva e menos frequente em beira de lagoas
e vegetação de transição entre canga e floresta.
13. Copaifera L.
Copaifera (subfamília Detarioideae) é
um gênero caracterizado, principalmente por
apresentar hábito arbóreo ou arbustivo, ramos e
troncos aromáticos, folhas pinadas, paripinadas,
sem nectários no pecíolo e/ou na raque,
inflorescências em panículas, flores brancas,
bilateralmente simétricas ou assimétricas,
apétalas, formando um tubo adnato a um disco,
10 estames, dimórficos, e frutos suborbiculares
a triangulares, estipitados, com apenas uma
semente arilada. É um gênero com taxonomia
complexa, apresentando limites infragenéricos
imprecisos. Compreende aproximadamente 46
espécies, distribuídas nos trópicos americanos,
África e possivelmente na Ásia (Lewis et al.
2005; Martins-da-Silva et al. 2008). No Brasil
são registradas 27 espécies, distribuídas em todo o
território, sendo 15 delas endêmicas (BFG 2015).
Na Serra dos Carajás, o gênero está representado
por somente uma espécie na vegetação de canga.
1174 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
Figura 6 – a-b. Clitoria falcata – a. hábito; b. flor. c-d. Crotolaria maypurensis – c. hábito; d. inflorescência. e. Desmodium
barbatum – ramo e inflorescência. f. Desmodium triflorum – hábito. g-i. Dioclea apurensis – g. hábito; h. flor; i. inflorescência
e fruto. j. Galactia jussiaeana – flor.
Figure 6 – a-b. Clitoria falcata – a. habit; b. flower. c-d. Crotolaria maypurensis – c. habit; d. inflorescence. e. Desmodium barbatum – branch and
inflorescence. f. Desmodium triflorum – habit. g-i. Dioclea apurensis – g. habit; h. flower; i. inflorescence and fruit. j. Galactia jussiaeana – flower.
abc
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g
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Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
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13.1. Copaifera martii Hayne, Getreue Darstell.
Gew. 10: tab. 15. 1827. Fig. 5e-g
Árvore ou arbustos, 1–6 m alt.; inermes,
casca estriada. Estípulas caducas; estipela ausente.
Pecíolo 1–2,5 cm compr., raque 3–7,5 cm compr.;
folhas pinadas, paripenadas, 9,5–14,5 cm compr.,
3–4 pares de folíolos, opostos, 3,3–9 × 1,8–4 cm,
coriáceos, oblongo-ovados, elípticos, orbiculares,
retos a subfalcados, de ápice arredondado a
acuminado, base obtusa, margem revoluta, glabros
em ambas as faces, nervura principal proeminente
adaxialmente. Inflorescência em panícula, axilar,
pedúnculo 1,6–2,5 cm compr.; pedicelo 7–13 cm
compr., 8–10 flores por eixo lateral secundário,
dispostas disticamente; bráctea única 1,8–2,8
× 1,4–2,2 mm, ciliada. Flores monoclamídeas,
radialmente simétricas, sésseis; cálice branco,
imbrincado, formando um tubo 4-sépalas,
3–3,5 × 0,9–2,5 mm; corola ausente; androceu
dialistêmone, estames 10, heteromórficos,
anteras dorsifixas, oblongas; gineceu unicarpelar,
oblongo-elíptico ou sub-orbicular, comprimido
lateralmente, estipitado, piloso, estilete filiforme,
recurvado, estigma papiloso. Legume, sub-
orbicular, comprimido lateralmente, de base e
ápice arredondado, com apículo, verde (imaturo)
e vermelho amarronzado (maduro), glabrescente,
estipitado, 1,5–2,5 × 1,5–2 cm. Sementes 1,
pendula, oblongo-globosa a elipsóide, 1–1,2 ×
0,9–1 mm, testa castanho-escuro, arilo branco.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra
Sul, S11B, mata baixa, 6°21’19,1”S, 50°23’27,4”W,
17.II.2010, fl. e fr., L.V.C. Silva 782 (MG); S11A,
6°18’46,1”S 50°26’48,8”W, 750 m, 26.VI.2009, fl.,
R.D. Ribeiro 1202 (RB); Parauapebas, Serra Norte, N4,
5.III.2010, fl., L.C.B. Lobato 3834 (MG); N5, área da
torre de TV, 20.IV.1989, fl., J.A.A. Bastos 178 (HCSJ);
N8, 6°06’20,2”S 50°04’54,5”W, 25.II.2010, fl., R.D.
Ribeiro 1442 (INPA; RB). Serra do Tarzan, 6°19’58”S,
50°08’55”W, 9.VII.2011, fr., H.C. Lima & D.F. Silva
7201(MG, RB).
Nas cangas de Carajás, Copaifera martii
caracteriza-se e distingue-se das demais espécies
pela inflorescência em panículas, com flores
sésseis monoclamídeas. Em nível intraespecífico,
C. martii apresenta uma taxonomia confusa,
especialmente na delimitação de suas variedades,
que são diferenciados por caracteres foliares
variáveis e muitas vezes sobrepostos. Assim,
adotamos aqui a circunscrição proposta por
Martins-da-Silva et al. (2008). Na Amazônia,
Copaifera martii é morfologicamente similar a
C. pubiflora Benth., principalmente na forma
dos folíolos e pelas sementes com arilo branco.
Contudo, são diferenciados principalmente pelos
folíolos opostos, coriáceos e de margem revoluta
em C. martii (vs. folíolos opostos, cartáceos e de
margem reta em C. pubiflora.).
Copaifera martii até o momento é restrita
ao Brasil, principalmente nas regiões Norte (AM,
PA, TO) e Nordeste (CE, MA, PI), ocorrendo em
matas de terra firme e de várzea, mas também
em matas de transição, capoeiras, campos,
campinaranas e até mesmo dunas de restingas
(Martins-da-Silva et al. 2008; BFG 2015). Serra
dos Carajás: Serra Norte: N2, N4, N5, N8, Serra
Sul: S11A, S11B; Serra do Tarzan. Na Serra dos
Carajás é bastante representada em número de
amostras, sendo comumente registrada em áreas
de canga, principalmente associada às áreas de
capão florestal e matas de transição na canga.
14. Crotalaria L.
Crotalaria (subfamília Papilionoideae, tribo
Crotalarieae) é um dos cinco maiores gêneros
de Leguminosae, com ca. 690 espécies (Lewis
et al. 2005). Estão distribuídas nos trópicos e
subtrópicos do mundo, principalmente na África,
Madagascar e Índia (Lewis et al. 2005). O gênero
Crotalaria pode ser diagnosticado pelas folhas
digitado-trifolioladas, unifolioladas ou simples,
androceu monadelfo aberto na base, anteras
dimorfas e legumes inflados (Flores 2004). No
Brasil ocorrem 30 espécies (BFG 2015). Na Serra
dos Carajás ocorre uma espécie.
14.1. Crotalaria maypurensis Kunth, Nov. Gen.
Sp. (quarto ed.) 6: 403-404. 1823[1824].
Figs. 5h-l; 6c-d
Subarbusto, ereto ou decumbente, até de 1
m alt.; ramo reto, subglabro a seríceo, inerme;
estípula linear, base aguda, ápice subulado,
0,1–0,2 cm compr.; pecíolo canaliculado, 1–5
cm compr.; nectário extrafloral ausente; raque
ausente. Folha pinada, digitado-trifoliolada,
folíolo obovado, oblanceolado, estreito-obovado
ou linear, terminais 0,9–5,6 × 0,2–0,8 cm, laterais
1,1–2,7 × 0,1–0,6 cm, base aguda, ápice agudo
ou obtuso, raramente emarginado, face adaxial
glabra a subglabra, face abaxial subglabra a
serícea; nervação peninérvea; estipela ausente.
Inflorescência racemosa, terminal, raque sem
nodosidade; pedicelo 0,4–0,7 cm compr.; bractéola
da base do cálice linear-subulada, 0,2 × 0,1 cm;
botão floral ovado-acuminado. Flor papilionácea,
1,1–1,6 cm compr.; cálice campanulado, tubo
0,7–1,2 cm compr., 5-laciniado, lacínio triangular-
1176 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
lanceolado, os laterais unidos no ápice, de 0,4–0,6
cm compr.; corola amarela; vexilo orbicular, 1,3–1,7
× 1,2–2 cm; asa oblonga, 1,5–1,7 × 0,9 cm; carena
falcada, ápice curvado, 1,6–1,7 × 0,6 cm; androceu
monadelfo, 10 estames; gineceu oblongo, seríceo;
estigma capitado. Legume elasticamente deiscente,
oblongo, inflado, seríceo, 1–3 × 0,6–0,7 cm; margem
reta; rostro curvo, 0,4–0,8 cm compr. Semente 7–10,
reniforme oblíqua, compressa, 0,3–0,4 × 0,2–0,3 cm,
testa marrom a marrom-escuro, hilo punctiforme.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11A,
6°19’18”S, 50°27’02”W, 30.IV.2015, fl. e fr., C.M.J.
Mattos et al. 78 (RB); S11B, 6°21’05”S, 50°23’44”W,
27.VI.2009, fr., R.D. Ribeiro et al. 1232 (RB); S11C,
6°22’43”S, 50°23’08”W, 25.VII.2012, fl. e fr., H.C. Lima
& D.F. Silva 7512 (RB); S11D, 6°23’57”S, 50°21’01”W,
29.IV.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al. 51 (RB).
Parauapebas, N1, 2.IV.1977, fl. e fr., M.G. Silva & R.
Bahia 3005 (MG,NY); N2, 6°03’22”S, 50°15’00”W,
2.V.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al. 117 (RB); N4,
6°04’04”S, 50°11’07”W, 24.III.2009, fl. e fr., S.M. Faria
& J. Souza 2570 (RB); N5, 13.V.1982, fl. e fr., C.R.
Sperling et al. 5638 (K,MG,MO,NY); N6, 6°06’06”S,
50°11’11”W, 26.II.2010, fl., R.D. Ribeiro et al. 1457
(RB); N8, 6°09’48”S, 50°09’48”W, 25.II.2010, fl. e fr.,
R.D. Ribeiro et al. 1448 (INPA, MG, RB).
Nome popular: Crotalaria-da-canga.
Crotalaria maypurensis diferencia-se das
demais espécies ocorrentes na canga pelas folhas
digitado-trifolioladas, cálice com as lacínias laterais
geralmente unidas no ápice e legume inflado.
Windler & Skinner (1982) estabelecem Crotalaria
maypurensis var. depauperata (Mart.) Windler
como distinta de Crotalaria maypurensis Kunth.
var. maypurensis, principalmente, pela forma
e tamanho dos folíolos que são estreitos, quase
lineares. No entanto, Flores (2004) considera que a
espécie é polimórfica neste caráter, não necessitando
de categorias infraespecíficas. Neste trabalho
foi adotada a circunscrição de Flores (2004). Os
espécimes ocorrentes na canga também apresentam
essa variação no formato dos folíolos, que podem se
apresentar de obovados a oblanceolados ou lineares.
Espécie recomendada para a cobertura de solo após
mineração por ser rústica e fixadora de nitrogênio em
associação com rizóbios (Faria et al. 2011).
Espécie com distribuição Neotropical,
ocorrendo em toda América do Sul e em Cuba
(Flores 2004). No Brasil ocorre nas regiões Norte
(AC, PA, RO, RR, TO), Nordeste (BA, CE, MA, PI),
Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (MG, RJ,
SP) e Sul (PR) (BFG 2015). Serra dos Carajás: Serra
Norte: N1, N2, N4, N5, N6, N8; Serra Sul: S11A,
S11B, S11C, S11D. Encontrada frequentemente
em formações típicas de canga, menos frequente
sobre campos brejosos e na transição da canga para
floresta.
15. Dalbergia L.f.
Dalbergia (subfamília Papilionoideae, tribo
Dalbergieae) é um gênero pantropical com ca. 250
espécies (Klitgaard & Lavin 2005), sendo que para
o Brasil foram registrados 41 táxons específicos/
infraespecíficos (Carvalho 1997) Consiste de
árvores, arbustos e lianas, com folhas pinadas,
pluri a unifolioladas, flores papilionáceas e frutos
dotipo sâmara ou núcula. Tradicionalmentetem
sido reconhecido como afim de Machaerium Pers.
(Bentham 1860; Polhill 1981), mas distingue-se
principalmente pelas características das flores (vexilo
glabroeanterasbasifixas)edosfrutos(sâmaraou
núcula, com núcleo seminífero central). Nas Serras
de Carajás foram registradas três espécies para o
gênero, sendo que apenas duas são confirmadas com
ocorrendo em áreas de vegetação de canga, que são
fixadoras de nitrogênio em simbiose com rizóbios
(Faria et al. 2011).
Chave de identicação das espécies de Dalbergia das cangas da Serra dos Carajás
1. Árvore; folíolos 11–19; corola lilás a violácea, cálice com lacínia carenal com comprimento muito mais
longo que as demais; fruto linear-oblongo, glabro ......................................15.1. Dalbergia spruceana
1’. Arbusto escandente; folíolos 5–7; corola branca ou creme, cálice com lacínia carenal do mesmo tamanho
que as demais; fruto sub-orbicular, esparso-pubescente ............................ 15.2. Dalbergia subcymosa
15.1. Dalbergia spruceana Benth., J. Linn. Soc. 4,
Suppl. 35. 1860.
Arvoreta a árvore, (3–)6–25 m alt.; tronco
com casca lisa ou escamosa, pardo-acinzentada,
DAP até 80 cm.; ramos estriados-lenticelados,
glabros. Estípulas 1,2–1,8 × 0,8–1,4 mm, ovado-
cuneadas, caducas. Folha pinada, 11–17 folioladas;
pecíolo 1,3–2,5 cm compr., glabro; raque 7,5–13
cm compr., glabro; peciólulos 2–3 mm compr.
Folíolos (1–)1,8–4 × (0,8–)1,2–2 cm, alternos,
elípticos, ovado-elípticos ou ovados, papiráceos
a cartáceos; ápice obtuso a agudo, às vezes
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
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ligeiramente emarginado, base arredondada a
obtusa, margem plana; face adaxial e abaxial glabras,
venação inconspícua na face abaxial. Inflorescência
10–17 cm compr., paniculada, terminal ou axilar;
bractéolas 1,3–1,5 × 1–1,2, largo-ovadas fusco-
tomentosas. Flores papilionáceas, 11–13 mm compr.;
pedicelos 1,5–2 mm compr.; cálice 6–7 mm compr.,
turbinado-campanulado, fusco-tomentoso, lacínias
diferentes em tamanho, lacínia carenal mais longa;
corola lilás a violácea, vexilo 7–8 × 6–7 cm, obovado
a sub-orbicular, glabro, ápice emarginado; alas
5,5–6,5 × 2,5–3 mm, ovado-auriculadas, glabras;
pétalas da carena 5,5–6,5 × 3–3,5 mm, lateralmente
fundidas, obovado-auriculadas, glabras; androceu
com 10 estames, diadelfos (5+5), anteras basifixas,
sub-orbiculares; ovário piloso nas margens, 10–12
óvulos.Sâmara4,5–8× 1,4–1,7 cm, linear-oblonga
a oblonga, reticulada, glabra. Sementes (1–)2–3.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul,
S11C, 6.V.2010, fr., R.D. Ribeiro 1500 (RB, HCSJ);
Serra da Bocaina, 25.IX.2012, est., H.C. Lima & D.F.
Silva 7585 (RB).
Dalbergia sprucena é reconhecida pelo porte
arbóreo e pelas flores com 11–13 mm compr., lilás a
violáceas, que é uma trepadeira com flores menores
e de coloração branca ou creme.
Espécie com distribuição ampla na Amazônia
Central, mas foi ainda registrada na Venezuela Peru
e Bolívia. No Brasil ocorre nas regiões Norte (AC,
AM, AP, PA, RO) e Nordeste (MA), principalmente
em florestas estacionais e áreas de vegetação
campestre (Campina e Savana Amazônica) (BFG
2015). Serra dos Carajás: Serra Sul: S11C; Serra
da Bocaina. Na Serra dos Carajás habita os capões
de mata no interior das cangas e áreas de transição.
15.2. Dalbergia subcymosa Ducke, Arch. Jard. Bot.
Rio de Janeiro 3: 144.1922.
Arbusto escandente; ramos estriados-
lenticelados, ferrugíneo-viloso a glabrescente.
Estípulas 4–6 × 3–3,5 mm, ovadas, caducas.
Folha pinada, (3–)5–7 folioladas; pecíolo 0,9–2
cm compr., ferrugíneo-viloso; raque 3–6,5 cm
compr., ferrugíneo-viloso; peciólulos 1,5–2 mm
compr. Folíolos 2,5–6 × 1,5–2,8 cm, alternos,
ovado-elípticos a elípticos, cartáceos; ápice agudo
ou acuminado, às vezes ligeiramente emarginado,
curto mucronado, base arredondada a obtusa,
margem plana ou levemente revoluta; face adaxial
glabrescente, face abaxial pubescente e ferrugíneo-
vilosa sobre as nervuras, venação conspícua na face
abaxial. Inflorescência 5–8 cm compr., fasciculada-
escorpioide, axilar; bractéolas 0,9–1,2 × 0,6–0,7,
ovado-lanceoladas, ferrugíneo-vilosas. Flores
papilionáceas, 6–7 mm compr.; pedicelos 1–1,5
mm compr.; cálice 2–2,2 mm compr., campanulado,
ferrugíneo-viloso, lacínias subiguais em tamanho,
lacínia carenal pouco mais longa; corola branca
ou creme, vexilo 4,5–5 × 3–3,3 cm, sub-orbicular,
glabro, ápice emarginado; alas 4,5–5 × 2–2,5 mm,
ovado-auriculadas, glabras; pétalas da carena 4–4,5
× 2,5–3 mm, lateralmente fundidas, obovado-
auriculadas, glabras; androceu com 9 estames,
monadelfos, anteras basifixas, sub-orbiculares;
ováriodensamenteviloso,1óvulo.Sâmara1,8–2,5
× 1,2–1,6 cm, suborbicular, reticulada, esparso-
pubescente. Semente 1.
Material selecionado: Parauapebas, Serra Norte, N3,
31.VIII.2010, fl. e fr., D.F. Silva 745 (RB, HCSJ); N4,
25.VI.2009, fr., R.D. Ribeiro 1168 (RB, HCSJ).
Dalbergia subcymosa é bem distinta pelo
hábito escandente e pelas flores menores (6–7 mm
compr.) com corola de coloração branca ou creme
e frutos sub-orbiculares.
Espécie de ampla distribuição na Bacia
Amazônica, com extensão de ocorrência no Brasil,
Peru, Bolívia, Guiana Francesa, Guiana Suriname e
Venezuela (Carvalho 1997). No Brasil é encontrada
na região Norte (AM, AP, PA) (BFG 2015). De
acordo com Ducke (1949) é exclusiva das matas
e capoeiras das matas de terra firme, entretanto
Carvalho (1997) ressaltou que esta espécie habita as
margens de rios em áreas periodicamente inundadas,
onde os seus frutos são predominantemente
dispersos pela água. Serra dos Carajás: Serra Norte:
N3, N4. Na Serra dos Carajás foi coletada no interior
das cangas e nas áreas de mata de transição.
16. Deguelia Aubl.
Deguelia (subfamília Papilionoideae, tribo
Millettieae) é um gênero com histórico taxonômico
complexo (Camargo & Tozzi 2014), sendo
restabelecido por Geesink (1984), reconhecendo-o
como sendo distinto de Derris Lour. e Lonchocarpus
Kunth, principalmente por apresentar frutos com
margens nerviformes não aladas ou ala estreita a
levemente dilatada. Atualmente é caracterizado
por ter hábito lianescente, inflorescência em
pseudoracemos com eixo secundário reduzido,
nodoso, formando braquiblasto curto de cinco ou
mais flores lilás-rosado a roxo, frutos indeiscentes,
raro deiscentes com presença ou ausência de
ala vexilar, comumente com 1–12 sementes. O
gênero possui 21 espécies neotropicais, ocorrendo
principalmente no norte da América do Sul, contudo
com ocorrências na América Central (Guatemala,
1178 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
Nicarágua, Costa Rica e Panamá), sendo a Bacia
Amazônica o centro de diversidade do grupo,
tendo habitat preferencial as áreas florestais ou
até mesmo savana amazônica, cerrado e Mata
Atlântica(Camargo&Tozzi2014;BFG2015).No
Brasil ocorrem 16 espécies, sendo sete endêmicas
(BFG 2015). Na Serra dos Carajás, Deguelia está
representado por somente uma espécie.
16.1. Deguelia amazonica Killip, J. Wash. Acad.
Sci. 24: 48. 1934. Fig. 5m-n
Trepadeira lenhosa, geralmente de grande
dimensão; ramos glabros a glabrescentes,
lenticelados. Estípulas reduzidas, <3 mm compr.,
escamiformes. Pecíolo 5,5–8,5 cm compr., estriado,
raque 9–14 cm compr., estipelas ausentes; folhas
pinadas, paripinadas ou imparipinadas, 7,5–12
cm compr., 7–9 folíolos, opostos, oblongos a
oblongos ou elíptico-oblongos, 6,5–14,5 × 3,5–6,5
cm, levemente assimétricos, de ápice cuspidado,
base truncada, margem revoluta, densamente
ferrugíneo-seríceo e lustrosos abaxialmente,
nervura principal não proeminente em ambas as
faces. Inflorescência pseudoracemosa, axilar, raque
com nodosidades e eixos secundários reduzidos
em curtos braquiblastos, pedúnculo 4,5–6 cm
compr.; pedicelo 5–7 mm compr.; 5–8 flores
por eixo lateral secundário; brácteas ausentes,
bractéolas caducas. Flores papilionáceas; cálice
campanulado, 5 laciniado; corola lilás-rosado a
roxo; vexilo suborbicular, 12–14 × 15–16,5 mm,
com nervuras muito evidentes, glabras; asas 12–13
× 2,3–2,8 mm, levemente adnatas à quilha; pétalas
da quilha 14–15 × 4–6 mm, não torcida, glabras;
androceu monadelfo, 10 estames, anteras dorsifixas,
suborbiculares; gineceu com ovário séssil, 2–3
óvulos, estilete filiforme, glabro, estigma capitado.
Legume 7–12 × 2–2,5 cm, oblongo, obtuso no
ápice e na base, compresso, coriáceo a sublenhoso,
indeiscentes, alas marginais presentes, cálice
geralmente persistentes. Semente 1–3, oblongas
a orbiculares, 0,6–0,8 × 0,3–0,4 cm, testa marrom
claro, hilo orbicular.
Material selecionado: Parauapebas: Serra Norte: N3,
estrada para área de avanço do estéril, 7.VII.2011, est.,
H.C. Lima 7156 (RB); N8, 6°06’20,2”S 50°04’54,5”W,
650 m, 25.VI.2009, fl., R.D. Ribeiro 1169 (RB, HCSJ);
Serra do Tarzam, Topo da Serra, 8.VII.2011, est., H.C.
Lima 7195 (RB).
Deguelia amazonica é reconhecida facilmente
reconhecida pelos folíolos oblongos ou elíptico-
oblongos e com densa pilosidade ferrugíneo-
seríceo e lustrosa na face abaxial, sendo esta
pilosidade importante na identificação de materiais
vegetativos, pelo vexilo suborbicular glabro e frutos
indeiscentes geralmente coriáceo a sublenhoso com
alas marginais. Estas características principais
a diferenciam de D. nitidula (Benth.) A.M.G.
Azevedo & R.A. Camargo, espécie comum em
vegetações não florestais na Amazônia e Cerrado,
que apresenta vexilo piloso e frutos deiscentes sem
alas marginais. Espécie fixadora de nitrogênio em
simbiose com rizóbios (Faria et al. 2011).
Espécie com distribuição restrita a norte da
América do Sul (Bolívia, Colômbia, Guianas, Peru,
Suriname e Venezuela (Camargo & Tozzi 2014).
No Brasil ocorre principalmente na região Norte
(AC, AP, AM, PA, RO), com registros também no
Centro-Oeste (MT) (Camargo & Tozzi 2014; BFG
2015). Serra dos Carajás: Serra Norte: N3, N8 e
Serra do Tarzan. Na Serra dos Carajás é registrada
em vegetação de canga, sempre associada a
vegetação graminóide em ambiente úmido ou até
mesmo borda de mata alta ao redor das cangas.
17. Desmodium Desv.
Desmodium (subfamília Papilionoideae,
tribo Desmodieae) caracteriza-se, principalmente,
pelo hábito subarbustivo ou arbustivo, folhas
geralmente trifolioladas, flores de corola rósea a roxa,
inflorescência pseudorracemosa ou paniculada e fruto
lomento, frequentemente com tricomas uncinados
(Queiroz 2009; Lima et al. 2014). Compreende ca.
275 espécies ocorrentes em todo o mundo, com os
principais centros de diversidade nas áreas tropicais
do sudeste da Ásia, México e Brasil (Lima et al.
2005). No Brasil são registradas 34 espécies (BFG
2015). Na Serra dos Carajás, Desmodium está
representado por três espécies, que são fixadoras de
nitrogênio em associação com rizóbios e possuem
potencial para uso em recuperação de áreas alteradas
pela mineração (Faria et al. 2011).
Chave de identicação das espécies de Desmodium das cangas da Serra dos Carajás
1. Estípulas parcialmente unidas entre si; lomento com 5–6 artículos .......... 17.2. Desmodium incanum
1’. Estípulas livres entre si; lomento com 3 a 4 artículos
2. Folíolos oblongos à ovados, de 1,1–3,2 × 0,6–1,2 cm compr. ......... 17.1. Desmodium barbatum
2’. Folíolos orbicular-cordado, de 0,3–0,6 × 0,3–07 cm compr. ............. 17.3. Desmodium triorum
Leguminosae de Carajás
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17.1. Desmodium barbatum (L.) Benth., Pl.
Jungh. 1: 224. 1852. Figs. 5p-q; 6e
Erva ereta ou com crescimento radial, ca.
30 cm, ramo reto, seríceo a piloso ou subglabro,
inerme; estípula triangular-linear, livres entre si,
base truncada-oblíqua, ápice subulado, 1–1,4
× 0,2–0,3 cm; pecíolo canaliculado, 0,9–1,5
cm compr.; nectário extrafloral ausente; raque
0,5–0,9 cm compr. Folha pinada, trifoliolada;
folíolo terminal e lateral de oblongo a obovado,
terminal 2,1–4,1 × 0,9–1,4 cm, lateral 1,1–3,2
× 0,6–1,2 cm, base aguda a obtusa, ápice
obtuso, mucronulado, raramente agudo; face
abaxial seríceo e face adaxial glabra a esparso
seríceo; nervação peninérvea; estipela linear,
flexível, 0,3–0,5 cm compr. Inflorescência
pseudoracemosa, axilar e terminal, menor que
o comprimento da folha de inserção; pedicelo
ca. 0,6 cm compr.; bractéola da base do cálice
lanceolada-subulada, ca. 0,6 × 0,2 cm; botão
floral obovado-papiforme. Flor papilionácea,
0,4–0,5 cm compr.; cálice campanulado,
hirsuto, tubo 0,1 cm compr., 5-laciniado, lacínio
lanceolado-subulado, 0,3–0,4 cm compr.; corola
lilás; vexilo obovado a obovado-orbicular, ca.
0,5 × 0,4 cm; asa obovada-oblíqua, ca. 0,4 × 0,2
cm; carena obovada, subfalcada, 0,4 × 0,1 cm;
androceu diadelfo (9+1), 10 estames; gineceu
linear, seríceo; estigma dilatado, truncado.
Lomento 0,6 × 0,2–0,3 cm; margem superior
subconvexa, inferior crenada, 3–4 artículos,
quadrangulares ou oblongos, subglabros,
0,2–0,3 × 0,2–0,3 cm; rostro reto, até 0,1 cm
compr. Semente 3–4, reniforme, ca. 0,1 × 0,1
cm, testa amarela com manchas vináceas ou
marrom, hilo orbicular.
Material selecionado: Parauapebas, N1, 6º00’58’’S,
50º17’58’’W, 2.V.2015, fr., C.M.J. Mattos et al. 109
(RB); N5, 6º03’10,3’’S, 50º04’46,2’’W, 13.V.2010, fl.
e fr., L. Tyski & D.F. Silva 650 (HCJS, RB).
Desmodium barbatum pode ser diferenciado
das demais espécies trifolioladas ocorrentes na
Serra dos Carajás pelo folíolo oblongo a obovado,
pela inflorescência menor que o comprimento da
folha de inserção e fruto lomento.
Espécie com distribuição pantropical
(Lima et al. 2014). No Brasil ocorre em todos
os estados (BFG 2015). Serra dos Carajás: Serra
Norte: N1, N5. Espécie introduzida na região
de estudo, representada por dois registros de
margem de floresta e transição de vegetação
rupestre arbustiva e campo rupestre sobre canga
nodular.
17.2. Desmodium incanum (Sw.) DC., Prodr. 2:
332. 1825. Fig. 5r-t
Erva ereta, ca. 20 cm alt., ramo reto,
subglabro, pubescente a piloso, inerme; estípula
triangular, ocasionalmente triangular-falcada,
parcialmente unidas entre si, base truncada,
ápice agudo, 0,3–0,9 × 0,1–0,2 cm; pecíolo
canaliculado, 0,6–2,3 cm compr.; nectário
extrafloral ausente; raque 0,3–0,8 cm compr.
Folha pinada, trifoliolada; folíolo terminal e
lateral elíptico, obovado, oblongo, raramente
largo-obovado ou orbicular, terminal 1,5–5,5
× 0,7–3,4 cm, lateral 1,2–4,4 × 0,8–1,8 cm,
base obtusa ou arredondada, ápice obtuso,
arredondado, ocasionalmente agudo; face
adaxial glabra a subglabra ou esparso-estrigosa,
face abaxial serícea a pubescente; nervação
peninérvea; estipela linear ou lanceolada, 0,1–0,5
cm compr. Inflorescência pseudoracemosa,
terminal; pedicelo 0,2–0,5 cm compr.; bractéola
da base do cálice lanceolada, ca. 0,2–0,3 cm
compr.; botão floral ovado-elíptico. Flor não
ressupinada, homomorfa, zigomorfa, 0,5 cm
compr.; cálice gamossépalo, campanulado; tubo
0,1 cm compr.; 5-laciniado, lacínio triangular,
0,1 cm compr.; corola dialipétala, roxa a rósea;
vexilo obovado-emarginado, 0,6–0,7 × 0,5 cm;
asa obovada, 0,6 × 0,2 cm; carena obovada,
0,6 × 0,2 cm; androceu diadelfo (9+1), 10
estames; gineceu linear, seríceo; estigma
capitado. Lomento ca. 3,2 × 0,2–0,3 cm; margem
superior reta, inferior crenada; 5–6 artículos,
quadrangulares ou oblongos, tomentoso a
pubescente, uncinado, 0,4–0,5 × 0,2–0,3 cm;
rostro filiforme, curvo, < 0,1 cm compr. Semente
5–6, reniforme, 0,2–0,3 × 0,2 cm, testa marrom-
avermelhada, hilo elíptico.
Material selecionado: Parauapebas, N1, 6º00’58”S,
50º18’03”, 25.III.2009, est., S.M. Faria et al. 2587 (RB);
N5, 6º03’57”S, 50º07’46”W, 26.I.2002, fl. e fr., S.M.
Faria et al. 2324 (RB).
Desmodium incanum diferencia-se das
demais espécies trifolioladas ocorrentes na
Serra dos Carajás pelas estípulas parcialmente
fundidas e lomento densamente uncinado. Pode
ser confundido com Desmodium affine Schltdl.
(não ocorre na região de estudo), no entanto essa
espécie possui as estípulas livres entre si e flores
róseas a esbranquiçadas.
Espécie com distribuição pantropical (Lima
et al. 2014). No Brasil ocorre em todos os estados
(BFG 2015). Serra dos Carajás: Serra Norte: N1,
N5. Espécie introduzida na região de estudo,
1180 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
representada por dois registros coletados em área
de canga alterada por ações antrópicas.
17.3. Desmodium triflorum (L.) DC., Prodr. 2: 334.
1825. Fig. 5u
Erva prostrada, ca 35 cm compr., ramo reto,
glabro a piloso, inerme; estípula oval, livres entre
si, base subconvexa, ápice acuminado, 0,3–0,4
× 0,1–0,2 cm; pecíolo canaliculado, 0,4–0,6 cm
compr.; nectário extrafloral ausente; raque 0,1–0,2
cm compr. Folha pinada, trifoliolada; folíolo
terminal e lateral orbicular-cordado, terminal
0,3–0,6 × 0,3–07 cm, lateral 0,2–0,5 × 0,3–0,4
cm, base obtusa, ápice emarginado ou obtuso; face
adaxial glabra, face abaxial glabra a subglabra,
raro esparso-pilosa; nervação peninérvea; estipela
subulada, 0,1 cm compr. Inflorescência fasciculada,
axilar; pedicelo 0,3–0,4 cm compr.; bractéola
da base do cálice ovada, oblíqua, 0,2 × 0,3 cm;
botão floral obovado. Flor não ressupinada,
homomorfa, zigomorfa, 0,2–0,3 cm compr.;
cálice gamossépalo, campanulado, tubo 0,1 cm
compr., 5-laciniado, lacínio lanceolado, ca. 0,1 cm
compr.; corola dialipétala, lilás arroxeada; vexilo
obovado-cordado, emarginado, ca. 0,4 × 0,3 cm;
asa obovada, ca. 0,3 × 0,1 cm; carena obovada,
ca. 0,3 × 0,1 cm; androceu diadelfo (9+1), 10
estames; gineceu linear, pubescente; estigma largo.
Lomento 1,3–1,6 × 0,3–0,4 cm; margem superior
reta, inferior crenada; 3–4 artículos quadrangulares,
piloso-uncinado, 0,2–0,3 × 0,3–0,4 cm; rostro reto
ou curvo, 0,1 cm compr. Semente 3–4, reniforme,
ca. 0,1 × 0,1 cm, testa marrom-claro, hilo orbicular.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, S11D,
6º23’42’’S, 50º21’49’’W, 742 m, 30.IV.2015, fl. e fr.,
C.M.J. Mattos et al. 67 (RB).
Desmodium triflorum distingue-se das
demais espécies trifolioladas ocorrentes na Serra
dos Carajás pelos folíolos orbiculares-cordados,
pequenos (0,2–0,6 cm compr.) e fruto lomento. Na
área de estudo pode ser confundida com Galactia
jussiaeana Kunth pelo formato dos folíolos, no
entanto essa espécie é mais robusta, com folíolos
maiores (1,1–2,9 cm compr.) e fruto do tipo legume.
Espécie com distribuição pantropical (Lima
et al. 2014). No Brasil ocorre nas regiões Norte
(AM, AP, PA, RR), Nordeste (BA, CE, MA, PB,
PE, PI, RN, SE), Centro-Oeste (RS, MT), Sudeste
(ES, MG, RJ, SP) e Sul (SC) (BFG 2015). Serra
dos Carajás: Serra Sul: S11D. Espécie introduzida
na região, representada por um espécime coletado
na margem da estrada, em canga arbustiva alterada
por ações antrópicas.
18. Dimorphandra Schott
O gênero Dimorphandra (subfamília
Caesalpinioideae, tribo Caesalpinieae) é
caracterizado por apresentar o hábito arbóreo,
folhas bipinadas, inflorescência espiciforme,
geralmente reunidas em panículas ou racemos,
flores actinomorfas ou ligeiramente zigomorfas
com prefloração da corola imbricada, cinco estames
e cinco estaminódios e fruto linear-oblongo,
deiscente ou tardiamente deiscente. Compreende
atualmente 26 espécies e seis subespécies,
amplamente distribuídas no neotrópico, porém com
maior diversificação na região amazônica (Silva
1986). No Brasil até o momento foram registradas
21 espécies, sendo oito endêmicas (BFG 2015).
Na Serra dos Carajás, o gênero está representado
por somente uma espécie na vegetação de canga.
18.1. Dimorphandra gardneriana Tul., Arch. Mus.
Hist. Nat. 4: 185. 1844.
Árvore pequena ou mediana, 3–5(–8) m
alt.; casca espessa e rugosa; ramos glabrescentes,
lenticelados. Estípulas caducas, estipelas ausentes.
Folhas bipinadas, 30–40 cm compr., 5–8(–9)
pares de pinas, 10–20 pares de foliólulos; pecíolo
8–12 cm compr., canaliculado; raque 15–22 cm
compr., canaliculado; foliólulos 2–2,5 × 1,2–1,8
cm, cartáceos, oblongos a ovado-oblongos, ápice
emarginado e base cordada, margem ligeiramente
revoluta, face adaxial glabrescente, face abaxial
serícea; venação peninérvea, nervura principal
central, nervuras secundárias inconspícuas.
Inflorescência paniculada-corimbosa, 15–20 cm
compr.; espigas longo-pedunculadas, 5–6 cm
compr., pedúnculo 2–3 cm compr.; brácteas e
bractéolas não vistas. Flores radialmente simétricas,
3–4 mm compr., sésseis; cálice 1–1,5 mm compr.,
campanulado, 5-laciniado; corola creme ou
amarelada, prefloração imbricada, pétalas 2–3 mm
compr., oblongas, levemente espatuladas, glabras;
androceu com 5 estames e cinco estaminódios,
estames 4–5 mm compr., anteras oblongas com
base sagitada, estaminódios filiformes, ápice
dilatado; gineceu oblongo-fusiforme. Legume
nucóide, indeiscente, 8–15 × 2,5–3 cm, linear-
oblongo, reto ou levemente recurvado, plano-
comprimido, estipitado, superfície glabra e rugosa.
Sementes ca. 10–20, oblongas, 1,2–1,6 × 0,5–0,7
mm; testa dura e nítida.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul,
Águas Claras, 26.XI.2009, est., R.D. Ribeiro 1418 (RB);
Serra da Bocaina, 25.IX.2012, est., H.C. Lima & D.F.
Silva 7566 (RB).
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1181
Dimorphandra gardneriana é a única espécie
do gênero registrada para Serra dos Carajás e, na
área, até o momento, só é conhecida por amostras
estéreis. Os dados morfológicos complementares
das flores e dos frutos foram obtidos na literatura e
de amostras adicionais procedentes de outras áreas.
É muito próxima de D. mollis Benth., outra espécie
ocorrente em formações de Cerrado, mas se separa
pelas folhas com número menor de pinas e foliólulos
maiores e glabrescentes. D. gardneriana é fixadora de
nitrogênio e ainda não testada em reflorestamento de
áreas impactadas pela atividade de mineração (Faria
et al. 2011).
Espécie com ampla distribuição no Brasil
Central e Bolívia, sempre associada às áreas de
Cerrado e matas de galeria (Silva 1986). No Brasil
ocorre nas regiões Norte (PA, TO), Nordeste (BA, CE,
MA, PE, PI), Centro-Oeste (GO, MT) e Sudeste (MG)
(BFG 2015). Serra dos Carajás: Serra Sul e Serra da
Bocaina. Na Serra dos Carajás foi registrada em áreas
de mata de transição no bordo da canga (Serra Sul) e
em áreas de savana no entorno da Serra da Bocaina.
19. Dioclea Kunth
O gênero Dioclea (subfamília Papilionoideae,
tribo Phaseoleae) possui ca. 40 espécies, 32 delas
ocorrendo no Brasil (Queiroz 2009). Estão distribuídas
na América do Sul, América Central, Caribe, México
e Ásia (Lewis et al. 2005). Pode ser reconhecido pela
inflorescência com nodosidades, vexilo com calo
e aurícula na base, pétalas da carena concrescidas,
androceu pseudomonadelfo e hilo geralmente linear
circundando 1/2 a 2/3 da semente. Os frutos variam
desde legume com valvas elasticamente deiscentes,
parcialmente deiscente em apenas uma das suturas a
indeiscentes. Na canga ocorrem quatro espécies, que
são fixadoras de nitrogênio associadas aos rizóbios
com alto potencial de uso para a recuperação de
áreas alteradas pela atividade da mineração (Faria
et al. 2011).
Chave de identicação das espécies de Dioclea das cangas da Serra dos Carajás
1. Anteras uniformes; bractéolas da base do cálice ovado-elípticas com 4–6 mm compr.; vexilo
puberulento,nãocalosonabase,pétalasdacarenaretascommargemsuperiormbriada;cálicecom
lacínia superior fundida; frutos 8–9,5 cm compr.; sementes oblongas, marmoradas, hilo até ca. 1/2
da circunferência ........................................................................................ 19.1. Dioclea apurensis
1’. Anterasalternadasdistintamentedimorfas;bractéolasdabasedocáliceovadasaabeladas,1–3mm
compr.; vexilo glabro, caloso na base, pétalas da carena encurvadas com margem superior ligeiramente
lobada; cálice com lobo (lacínia) superior incompletamente fundido e ligeiramente marginado; frutos
maiores que 10 cm compr.; sementes orbiculares, castanhas, hilo até 2/3 da circunferência.
2. Bractéolas com ca. 20 cm compr.; folíolos pubescentes a esparsamente-velutíneos na face abaxial;
fruto deiscente apenas pela margem inferior, constricto entre as sementes ...................................
............................................................................................................... 19.3. Dioclea megacarpa
2’. Bractéolas com até 6 mm compr.; folíolos glabros, pubescentes ou esparsamente seríceos na face
abaxial; fruto indeiscente ou deiscente pelas duas margens, não constricto entre as sementes.
3. Estípulaspeltadas;orescom2,5–3cmcompr.;frutoindeiscente .......................................
...................................................................................................... 19.4. Dioclea sclerocarpa
3’. Estípulasnãopeltadas;orescomaté2cmcompr.;frutodeiscente .....................................
.............................................................................................................. 19.2. Dioclea bicolor
19.1. Dioclea apurensis Kunth, Nov. Gen. Sp.
(quarto ed.) 6: 438–439. 1823. Figs 6g-i; 7a
Trepadeira herbácea, caule com até ca. 1
cmdiâm.;ramos pubescentes a glabrescentes.
Estípula triangular, não peltada, 3 mm compr.;
estipela setiforme, 0,5–,5 mm compr. Folha
3-foliolada; pecíolo 2,5–4 cm, raque 0,3–0,5
cm; folíolos papiráceos a cartáceos, nervuras
laterais 5–6 pares, face adaxial glabra, face
abaxial pubescente a glabrescente; terminal ca.
3 × 1,9–3,5 cm, elípticos, ápice agudo e base
obtusa a arredondada; laterais 2,7–5,7 × 1,2–3,2
cm, ovados a ovado-elípticos, ápice agudo e
base arredondada a subcordada, ligeiramente
assimétrica. Inflorescência pseudoracemosa, axilar,
ereta, raque com nodosidades; braquiblastos sésseis
ou curto-pedunculados; brácteas triangulares, 1–1,5
mm compr., caducas; bractéolas da base do cálice
ovado-elípticas, 4–6 mm compr. Flores 25–27 mm;
cálice campanulado, glabro externamente e fusco-
1182 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
Figura 7 – a. Dioclea apurensis – botão floral e bractéola. b-d. Enterolobium schomburgkii – b. folha; c. inflorescência;
d. fruto. e-f. Galactia jussiaeana – e. detalhe da inflorescência; f. cálice. g-h. Hymenaea courbaril – g. folha; h. fruto.
i-j. Inga alba – i. folha; j. nectário. k-n. Inga capitata – k. folha; l. nectário; m. flor; n. fruto. o-p. Inga heterophylla – o.
folha; p. nectário. q-r. Inga thibaudiana subsp. thibaudiana – q. folha; r. nectário.
Figure 7 – a. Dioclea apurensis – flower bud and bract. b-d. Enterolobium schomburgkii – b. leaf; c. inflorescence; d. fruit. e-f. Galactia
jussiaeana – e. inflorescence detail; f. calyx. g-h. Hymenaea courbaril – g. leaf; h. fruit. i-j. Inga alba – i. leaf; j. nectary. k-n. Inga capitata – k.
leaf; l. nectary; m. flower; n. fruito o-p. Inga heterophylla – o. leaf; p. nectary. q-r. Inga thibaudiana subsp. thibaudiana – q. leaf; r. nectary.
2 mm
2 mm
4 mm
2 mm
2 mm
2 cm
2 cm
3 cm
3 cm
2 cm
2 cm
4 cm 1 cm
3 cm
1 mm
1 cm
1 cm
6 cm
a
b
d
e
c
h
f
g
j
l
q
p
n
m
r
k
o
i
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1183
velutíneo internamente, tubo 5–6 mm compr.,
lacínia superior fundida; corola lilás-arroxeada,
vexilo 22 × 20 mm, , obovado, externamente
puberulento, ápice emarginado, não caloso na base;
asas 22 × 8 mm, pétalas da carena 17 × 8 mm,
obliquamente oblongas, fimbriadas na margem
superior; androceu com 10 estames, anteras
uniformes; ovário seríceo-piloso, estilete dilatado
no ápice. Fruto legume, 8–9,5 × 1,6 2 cm, oblongo,
achatado, glabrescente, apiculado no ápice, sutura
superior com ala longitudinal. Sementes 5–10,
oblongas, 8–11 × 5–7 × 1,5–2 mm; testa lisa,
marmorada; hilo linear, circundando ca. 1/2 da
semente; embrião com eixo hipocótilo-radícula
curvo, plúmula rudimentar.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra Sul, S11A,
30.IV.2015, fl. e fr., C.M.J. Mattos et al. 77 (RB); S11C,
6.V.2010, fl. e fr., R.D. Ribeiro et al. 1502 (RB); S11D,
10.X.2008, fr., L.V. Costa et al. 513 (BHCB). Parauapebas,
Serra Norte, N1, 18.IV.1970, bot., fl. e fr., P.B. Cavalcante
& M.G. da Silva 2627 (MG); N2, 1.I.1984, fl. e fr., A.S.L.
Silva et al. 1999 (INPA, MG); N3, 24.II.2010, bot. e fl., R.D.
Ribeiro et al. 1432 (RB); N4, 29.III.1977, bot. e fl., M.G.
Silva 2928 (MG, NY Foto!); N6, 26.II.2010, fl., R.D. Ribeiro
et al. 1451 (MG, RB); N5, 12.V.1982, fl. e fr., R.S. Secco et
al. 130 (MG); N8, 25.II.2010, bot. e fl., R.D. Ribeiro et al.
1443 (RB); Serra do Tarzan, 14.III.2009, bot., V.T. Giorni
et al. 156 (BHCB); Serra da Bocaina, 25.IX.2012, fr., H.C.
Lima & D.F. Silva 7564 (RB).
Nome popular: Mucuna-da-canga e mucuna-
do-campo.
Entre as espécies de Dioclea ocorrentes na
canga é a única apresentando o hábito trepadeira
herbácea,comcauleatéca.1cmdediâmetro,flores
com vexilo puberulento e androceu com anteras
uniformes. O fruto possui uma ala longitudinal
na sutura superior e as sementes com hilo linear,
circundando ca. 1/2 da semente. A planta que ocorre
nas cangas da serra dos Carajás foi por muito
tempo confundida com Dioclea virgata (Rich.)
Amshoff, mas foi posteriormente reconhecida
como D. apurensis por L.P. Queiroz, especialista
na taxonomia do gênero. As duas espécies são
muito parecidas, no entanto D. virgata possui as
folhas maiores, vexilo com guia de néctar roxo,
bractéolas maiores geralmente cobrindo o cálice
no botão e caducas antes da antese, enquanto em
D. apurensis o guia de néctar é branco e muito
pequeno e as bractéolas são geralmente persistentes
e não chegam a cobrir o cálice no botão . Há uma
ampla variação no tamanho dos folíolos, mais foi
constatado que os espécimes rupícolas possuem
folíolos menores que aqueles ocorrentes nos
ambientes mais úmidos ou em bordo de floresta.
Espécie com distribuição na região
amazônica, já registrada para a Venezuela,
Suriname e Brasil (Maxwell 1999). No Brasil
ocorre nos estados do Pará, Amazonas e Roraima,
habitando principalmente os campos amazônicos
(Campinas, Cerrado e Canga) e áreas do bordo
de floresta (BGF 2015). Serra dos Carajás: Serra
Norte: N1, N2, N3, N4, N5, N6, N8; Serra Sul:
S11A, S11B, S11C, S11D; Serra da Bocaina e Serra
do Tarzan. É muito comum na canga arbustiva e
graminóide, raramente em canga inundada.
19.2. Dioclea bicolor Benth., Comm. Legum. Gen.
69. 1837.
Liana, caule lenhoso; ramos pubescentes a
glabrescentes. Estípula triangular, não peltada,
caduca; estipela setiforme, caduca, 3–4 mm
compr. Folha 3-foliolada; pecíolo 5,5–7 cm, raque
1,5–2,5 cm; folíolos cartáceos, nervuras laterais
6–7 pares, face adaxial glabra, face abaxial serícea
a esparsamente pubescente; terminal e laterais
subiguais, 4,5–12 cm × 5–8 cm, lanceolados a
ovados, ápice abruptamente acuminado e base
arredondada a ligeiramente cordada. Inflorescência
pseudoracemosa, terminal ou axilar, ereta, raque
com nodosidades; braquiblastos pedunculados;
brácteas triangulares, 1,5–2 mm compr., caducas;
bráctéolas da base do cálice ovadas a flabeladas,
1–2 mm compr. Flores 15–16 mm compr.; cálice
campanulado, seríceo-pubescente, tubo 5–6 mm
compr., lacínia superior ligeiramente emarginada
a fundida; corola roxa, vexilo 13–15 × 15 mm, ,
obovado a orbicular, glabro, ápice ligeiramente
emarginado a inteiro, não caloso na base; asas
10–11 × 0,6–0,7 mm, pétalas da carena 7–9 ×
9–10 mm, semi-lunadas, lisas na margem superior,
terminando em rostro truncado; androceu com 10
estames, anteras dimórficas; ovário fulvo-piloso,
estilete dilatado no ápice. Fruto legume, 15–19 ×
3,5–4 cm, oblongo, achatado, viloso, apiculado no
ápice, margem superior espessada. Sementes 2–3,
oblongas, 12–14 × 7–9 × 2–2,5 mm; testa lisa,
castanho escuro; hilo oblongo.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra
Sul, S11A, 11.VI.2010, fl. e fr., D.F. Silva 694 (RB).
Parauapebas, Serra Norte, N1, 24.VI.2009, fl., R.D.
Ribeiro 1158 (RB); N3, 7.VII.2011, fl, H.C. de Lima 7155
(RB, MG); Serra da Bocaina, estrada de acesso às cangas,
25.IX.2012, fl. e fr., H.C. Lima & D.F. Silva 7563 (RB,
HUEFS, MG); Serra do Tarzan, entre 1,5–3 km antes do
Alojamento da Prospecção Mineral, 8.VII.2011, fl., H.C.
de Lima 7187 (RB)
Dioclea bicolor é uma trepadeira lenhosa
e robusta que se distingue principalmente pelas
1184 Mattos CMJ et al.
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
estípulas não peltadas, flores pequenas, com 15–16
mm compr., e frutos do tipo legume com deiscência
elástica.
Espécie amplamente distribuída na região
amazônica, já registrada para a Venezuela, Suriname
e Brasil (Maxwell 1969). No Brasil ocorre nas
regiões Norte (AC, AM, PA), Nordeste (CE, MA) e
Centro-Oeste (GO, MT), habitando áreas de Floresta
Ombrófila, Floresta Estacional, Caatinga e Cerrado
(BFG 2015). Serra dos Carajás: Serra Norte: N1, N3;
Serra Sul: S11A; Serra da Bocaina e Serra do Tarzan.
Encontrada em áreas de transição entre a mata e a
canga, sendo mais comum em trechos de bordo de
mata e capão. Observada com flores de dezembro a
julho e com frutos de janeiro a outubro.
19.3. Dioclea megacarpa Rolfe, Bull. Misc.
Inform. Kew 1901: 139. 1901.
Liana, caule lenhoso; ramos ferrugíneo-
pilosos a glabrescentes. Estípula lanceoladas,
peltadas, 15–22 mm compr.; estipela setiforme,
caduca, 3–4 mm compr. Folha 3-foliolada;
pecíolo 9–12 cm comp., raque 1–3 cm comp.;
folíolos papiráceos a cartáceos, nervuras laterais
8–10 pares, face adaxial pubescente a glabra, face
abaxial pubescente e esparsamente velutíneos sobre
as nervuras; terminal e laterais distintos, 8,5–11 ×
6–8,5 cm, terminal oblongo a obovado, laterais
ovados a ovado-oblongos, ápice abruptamente
acuminado e base arredondada a ligeiramente
cordada. Inflorescência pseudoracemosa,
terminal ou axilar, ereta, raque com nodosidades;
braquiblastos sésseis; brácteas linear-lanceoladas,
16–20 mm compr.; bráctéolas da base do cálice
flabeladas, 2–3 mm compr. Flores 20–25 mm
compr.; cálice campanulado, ferrugíneo-pubescente
externamente e ferrugíneo-velutíneo internamente,
tubo 7–10 mm compr., lacínia superior levemente
emarginada; corola lilás-arroxeada, vexilo 15–18
× 17–20 mm, , obovado-orbicular, glabro, ápice
emarginado, não caloso na base; asas 15–18 × 0,6–
0,7 mm, pétalas da carena 10–13 × 9–10 mm, semi-
lunadas, lisas na margem superior, terminando em
rostro truncado; androceu com 10 estames, anteras
dimórficas; ovário fulvo-piloso, estilete dilatado
no ápice. Fruto folículo, tardiamente deiscente
na margem inferior, 17–19 × 6–8 × 2–3 cm,
oblongo-falcado, achatado e ligeiramente túrgido,
ferrugíneo-pubescente, margem superior arqueada
e inferior sinuosa. Sementes 3–4, sub-orbiculares,
30–40 × 25–30 × 15–20 mm; testa lisa, castanho
escuro; hilo linear, circundando 2/3 da semente.
Eixo hipocótilo-radícula e plúmula indistintos.
Material selecionado: Canaã dos Carajás, Serra do
Tarzan, Topo da Serra, 8.VII.2011, fr., H.C. de Lima 7197
(RB, HUEFS). Parauapebas, Serra Norte, 16.I.1980, fl.,
C. Pereira 916 (RB, HB, HUEFS).
Espécie bem distinta pelas bractéolas grandes,
ca. 20 cm compr. e pelos frutos lenhosos, levemente
túrgidos, deiscente apenas pela margem inferior e
constricto entre as sementes.
Amplamente distribuída desde a América
Central (Costa Rica e Caribe) até o Norte (AM, PA)
e Nordeste (CE, PI) do Brasil, ocorrendo em áreas
de Floresta Ombrófila e de Floresta Estacional
(Maxwell 1999, BFG 2015). Serra dos Carajás:
Serra Norte e Serra do Tarzan. Encontrada em
bordo de mata e áreas de canga.
19.4. Dioclea sclerocarpa Ducke, Arch. Jard. Bot.
Rio de Janeiro 3: 169-170. 1922.
Liana, caule lenhoso; ramos esparsamente
pubescentes, cano-tomentosos nas partes jovens.
Estípula lanceoladas, peltadas, 6–7 mm compr.;
estipela setiforme, caduca, 2–4 mm compr. Folha
3-foliolada; pecíolo 8–13 cm, raque 2,5–4 cm;
folíolos papiráceos a cartáceos, nervuras laterais
7–12 pares, face adaxial glabra, face abaxial
pubescente, cano-velutíneos na fase jovem;
terminal e laterais distintos, 7–15 × 4–9 cm,
terminal sub-orbicular a elíptico, laterais ovado-
oblongos, ápice abruptamente acuminado e base
arredondada a ligeiramente cordada. Inflorescência
pseudoracemosa, terminal ou axilar, ereta, raque
com nodosidades; braquiblastos pedunculados;
brácteas lanceoladas, 3–6 mm compr., caducas;
bráctéolas flabeladas, 1–2 mm compr. Flores
25–27 mm compr.; cálice campanulado, fulvo-
pubescente externamente e flavo-velutíneo
internamente, tubo 8–10 mm compr., lacínia
superior emarginada; corola lilás-arroxeada,
vexilo 16–20 × 17–21 mm, obovado-orbicular,
glabro, ápice ligeiramente emarginado a inteiro,
não caloso na base; asas 16–18 × 0,7–0,8 mm,
pétalas da carena 11–14 × 10–11 mm, semi-
lunadas, lisas na margem superior, terminando em
rostro truncado; androceu com 10 estames, anteras
dimórficas; ovário flavo-piloso, estilete dilatado
no ápice. Fruto indeiscente, 15–18 × 4,5–6 ×
2–3 cm, linear-oblongo, achatado e ligeiramente
túrgido, glabro, margens levemente dilatadas.
Sementes 4–6, sub-orbiculares, ligeiramente
comprimidas, 30–35 × 28–34 × 15–20 mm;
testa envolvida por tecido esponjoso-fibroso;
hilo linear, circundando 2/3 da semente. Eixo
hipocótilo e plúmula indistintos.
Leguminosae de Carajás
Rodriguésia 69(3): 1147-1220. 2018
1185
Material selecionado: Parauapebas, Serra Norte, N3,
16.I.1980, fr., H.C. Lima 7154 (RB, HUEFS); Serra da
Bocaina, estrada de acesso às cangas, 25