Abstract

Estamos lançando o dossiê nº 52 da Revista da FAEEBA – Educação, Ecossocioeconomia e Turismo de Base Comunitária –, que apresenta aos seus leitores, com a assinatura de pesquisadores nacionais e internacionais, temas instigantes que desafiam a educação do século XXI, relacionados à necessidade premente de construirmos uma sociedade sustentável e mais justa na contemporaneidade, haja visto as mazelas do padrão capitalista. Ecossocioeconomias, tema privilegiado neste dossiê, tratam-se de dinâmicas societárias contemporâneas que enfrentam problemas sistêmicos que são recorrentes às pessoas que vivem em comunidades, organizações, unidades de conservação, microrregiões e demais espaços territoriais. Esses criam de maneira inovadora arranjos socioprodutivos entre atores interessados em enfrentar tais desafios, valendo-se de conhecimentos produzidos e compreendidos a partir do senso de lugar, e que também reverberam em demais espaços diante do que se vive em um mesmo planeta.
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Rev. FAEEBA – Ed. e Contemp., Salvador, v. 27, n. 52, p. 11-12, maio/ago. 2018
Autores da apresentação
APRESENTAÇÃO
Educação, Ecossocioeconomia e Turismo de Base Comunitária
Estamos lançando o dossiê nº 52 da Revista da FAEEBA – Educação, Ecossocio-
economia e Turismo de Base Comunitária –, que apresenta aos seus leitores, com a
assinatura de pesquisadores nacionais e internacionais, temas instigantes que desaam
a educação do século XXI, relacionados à necessidade premente de construirmos uma
sociedade sustentável e mais justa na contemporaneidade, haja visto as mazelas do
padrão capitalista.
Ecossocioeconomias, tema privilegiado neste dossiê, tratam-se de dinâmicas
societárias contemporâneas que enfrentam problemas sistêmicos que são recorrentes
às pessoas que vivem em comunidades, organizações, unidades de conservação, mi-
crorregiões e demais espaços territoriais. Esses criam de maneira inovadora arranjos
socioprodutivos entre atores interessados em enfrentar tais desaos, valendo-se de
conhecimentos produzidos e compreendidos a partir do senso de lugar, e que também
reverberam em demais espaços diante do que se vive em um mesmo planeta.
A Revista se inicia com o artigo Ecosocioeconomías: um concepto em contrucción,
de Carlos Alberto Cioce Sampaio, Christian Henriquez Zuñiga e Felix Fuders, dois
autores chilenos e um brasileiro que estão na ponta desta questão, até porque pertencem
ao restrito grupo daqueles que estão desenvolvendo o conceito inovador, que propõe
trabalhar em três dimensões: economia, sociologia e ecologia, para que se obtenham
soluções sociais sustentáveis para problemas comuns às pessoas.
A abordagem parece somar-se ao artigo seguinte, Aprendizagem Expansiva e
Ecossocioeconomias na Prática Artesanal da Feira de Arte e Artesanato do Largo da
Ordem, em Curitiba-PR, no qual Fabiola Zdepski, Isabel Grimm e Mario Procopiuck
estudam a formação em ecossocioeconomia, potencializada pelo que conceituam como
a aprendizagem expansiva, que acontece quando a formação de artesãos, participantes
de feiras e outros agentes populares incorporam em suas práticas mestre/aprendiz as
questões próprias da ecossociocidadania.
Outro tema, o Turismo de Base Comunitária (TBC), que privilegia a autonomia e
emancipação das comunidades, aparece na Revista como um caso particular, e am-
pliado pelo foco que temos na Bahia com esta forma de prática ecossocioeconômica.
O TBC é caracterizado por um modus operandi comunitário, baseado em princípios
da economia solidária, comércio justo e autogestão, e organização em redes que
privilegiam ações coletivas colaborativas. Nestas práticas têm-se a cultura como ali-
cerce do processo de construção de conhecimento, organização e gestão do turismo
de base comunitária.
Luciana Martins, Francisca de Paula e Alfredo Matta apresentam sua constru-
ção de História Pública, permeada de solução prática desenvolvida cienticamente
com metodologia DBR, ao escreverem Museu Virtual Quilombo Cabula: educação
dialógica para o turismo de base comunitária, artefato educacional produzido do
diálogo de pesquisadores com a comunidade, construção mediada pelos princípios
ecossocioeconômicos, e de pluralidade cultural, próprios do projeto TBC na região
do Cabula, miolo de Salvador, Bahia, Brasil.
Na mesma direção, Giovanna Del Gobbo, Eduardo Nunes e Anaie Morais desen-
volvem o estudo Círculo de Estudos, Observatório de Educação e Turismo de Base
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Apresentação
Comunitária: contribuições de metodologias participativas para o desenvolvimento
local, no qual o diálogo com a sustentabilidade, a ação pública e dos cidadãos é es-
tudado na forma como acontece no TBC Cabula.
O dossiê segue apresentando estudos que se relacionam ao TBC e à Ecossocioeco-
nomia em outras partes do Brasil, revelando a potencialidade da abordagem. É assim
em Educação para o Ecodesenvolvimento no Ensino Básico sob a Perspectiva da
Ecossocioeconomia, de Diego dos Santos e Cristiane Souza, no qual a pesquisa-ação
é utilizada para resultar em inovadora abordagem pedagógica focada na sustentabi-
lidade em Blumenau-SC.
Gercton Coutinho, Maria Geralda de Miranda e Reis Friede, por sua vez, mostram
os impactos socioambientais do turismo da Ilha Grande, Rio de Janeiro, apresentando
os problemas causados pelo turismo convencional na Ilha, praticado desde a década de
1980, e a perspectiva de mudança, caso se construa um turismo protagonizado pelos
ilhéus, bem como defende o Turismo de Base Comunitária. O artigo em questão é
Impactos Socioambientais do Turismo na Ilha Grande-RJ.
O Ceará vem desenvolvendo experiência de Turismo Comunitário há bastante
tempo, e é de onde provém o estudo de Luzia Neide Coriolano e Maria Fernanda
Pereira, no texto Turismo Comunitário na Busca do Desenvolvimento à Escala Hu-
mana em Icapuí, Ceará.
Fora os trabalhos selecionados para o dossiê, a Revista da FAEEBA mantém uma
seção dedicada a estudos. Dois artigos foram selecionados para esta edição.
Em Infância no Contexto Prisional: reexões sobre processos educativos e dig-
nidade humana, de Marilúcia Peroza, trabalha-se sobre a humanitária questão da
educação de crianças, lhas de mães que vivem em situação de cárcere. E ainda, Po-
líticas Públicas e Estudos sobre o Espaço Físico para a Educação Infantil, de Liana
Sodré e Djanira Santana, que estuda a questão do espaço físico e sua importância
para a educação infantil.
Ao nalizarmos essa apresentação, identicando a pluralidade das reexões que
foram trazidas pelos distintos pesquisadores sobre os temas abordados, acreditamos
que foram deixadas muitas inquietações, algumas certezas e, seguramente, dúvidas,
que os leitores, poderão aprofundar na interlocução com cada um dos autores deste
número da Revista da FAEEBA.
Queremos igualmente agradecer a todos aqueles que contribuíram para tornar re-
alidade essa edição, Educação, Ecossocioeconomia e Turismo de Base Comunitária,
aos autores que tiveram seus artigos publicados ou não, aos pareceristas e a toda a
equipe editorial da Revista.
Carlos Alberto Cioce Sampaio
Francisca de Paula Santos da Silva
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