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Abstract

This article analyzes a new framework in the international trade literature, namely: the effects of “Regional Trade Agreements” – RTAs – on the imbalance of bilateral trade, understood as the share of net exports in trade bilateral gross. The results indicate that all types of trade agreements are associated with an average fall of -3:95% in the trade imbalance. In addition, the reported values are in line with the results of Baier, Bergstrand & Feng (2014) that there is an accumulation effect of the impacts of RTAs. Finally, the analyzes considering a generic measure for the RTAs underestimated the effects of the agreements.
XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
Acordos Bilaterais e Desequilíbrios no
Comércio Internacional
Área 4: Teoria Econômica e Métodos Quantitativos
Alexandre Loures
Bolsista Pós-doutorado Júnior do CNPq
Universidade Federal da Paraíba - UFPB
Programa de Pós-Graduação em Economia - PPGE
Email: alexandre.loures@ymail.com
Tel.: (83) 9 9804-1000
Erik Figueiredo
Pesquisador do CNPq
Universidade Federal da Paraíba - UFPB
Programa de Pós-Graduação em Economia - PPGE
Email: eafigueiredo@gmail.com
Tel.: (83) 3216-7482
Leonardo Bornacki
Professor do Departamento de Economia Rural - DER
Universidade Federal de Viçosa - UFV
Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada - PPGEA
Email: lbmattos@ufv.br
Tel.: (31) 3899-2214
XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
Acordos Bilaterais e Desequilíbrios no
Comércio Internacional
Área 4: Teoria Econômica e Métodos Quantitativos
Resumo
Este artigo analisa um novo quadro na literatura de comércio internacional,
qual seja: os efeitos dos “Regional Trade Agreements – RTAs – sobre o dese-
quilíbrio do comércio bilateral, entendido como a participação das exportações
líquidas no comércio bilateral bruto. Os resultados indicam que todos os tipos
de acordo comercial estão associados a uma queda média de -3,95% no desequi-
líbrio comercial. Ademais, os valores reportados coadunam-se aos resultados
de Baier, Bergstrand, & Feng (2014) de que haja um efeito de acumulação dos
impactos dos RTAs. Por fim, as análises considerando uma medida genérica
para os RTAs subestimaram os efeitos dos acordos.
Palavras chave: Regional Trade Agreements, comércio internacional, dese-
quilíbrio comercial.
JEL: C33; C55; F14; F15.
Abstract
This article analyzes a new framework in the international trade literature,
namely: the effects of “ Regional Trade Agreements – RTAs – on the imbal-
ance of bilateral trade, understood as the share of net exports in trade bilateral
gross. The results indicate that all types of trade agreements are associated
with an average fall of -3.95% in the trade imbalance. In addition, the re-
ported values are in line with the results of Baier et al. (2014) that there is an
accumulation effect of the impacts of RTAs. Finally, the analyzes considering
a generic measure for the RTAs underestimated the effects of the agreements.
Key words: Regional Trade Agreements, international trade, trade imbal-
ance.
JEL: C33; C55; F14; F15.
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XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
1 Introdução
Os efeitos dos acordos bi- e multilaterais sobre os fluxos de comércio – e.g. Regio-
nal Trade Agreements”, RTAs – têm sido largamente documentados pela literatura
empírica (Limão,2016). Em resumo, os estudos têm confirmado as predições das
teorias modernas de comércio (cf. Melitz,2003;Chaney,2008), ou seja, têm de-
monstrado que os RTAs são capazes de reduzir os custos comerciais promovendo a
entrada de novas firmas no mercado internacional e, com isso, aumentando as mar-
gens intensiva e extensiva de comércio. Ademais, a literatura aponta para efeitos
expressivos dos RTAs sobre outros agregados econômicos/políticos, tais como, in-
vestimento internacional direto (Baltagi, Egger, & Pfaffermayr,2008), consolidação
da democracia (Liu & Ornelas,2014) e sobre os fluxos migratórios internacionais
(Figueiredo, Lima, & Orefice,2016).
Nessa linha de mensuração dos efeitos diversos dos RTAs, Sokolova (2016) pos-
tula a sua relação com o desequilíbrio comercial. De uma forma específica, são
esperados os seguintes efeitos: a) os países signatários de um determinado RTA po-
dem apresentar menor desequilíbrio comercial, uma vez que a promulgação de um
acordo comercial impactará sobre o fluxo bilateral de comércio aproximando o mon-
tante das exportações e das importações e; b) esse efeito apresentará um padrão
de “aprofundamento”, indo do acordo menos integrado para o mais integrado, ou
seja, acordos com um menor grau de integração terão um menor impacto sobre o
desequilíbrio enquanto que acordos mais profundos resultarão num efeito com uma
magnitude maior.
Ambas hipóteses foram testadas por Sokolova (2016), no entanto, seu artigo
apresenta uma importante limitação econométrica. Dada a natureza dos dados,
a variável dependente, desequilíbrio comercial, assume apenas valores contidos no
intervalo fechado [0,1]. Diante disso, Sokolova (2016) adota uma regressão para
variáveis limitadas, porém, desconsiderando os valores extremos. Tal procedimento
exclui cerca de 29,72% das observações o que, como será apresentado na seção de re-
sultados, subestima o efeito do RTA em cerca de 26,17%. Sua análise desagregada,
por profundidade do acordo, também é passível de crítica. Uma vez que acordos
mais profundos, tais como uma união econômica, são relativamente recentes, eles
envolvem menos países não apresentando, assim, um número de observações sufi-
2
XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
cientes para uma regressão econométrica. Ao desconsiderar essa característica, a
autora conclui que as uniões econômicas, contribuem para o desequilíbrio comercial
o que configura um resultado não condizente com a teoria.
Diante disso, este artigo propõe uma releitura dos resultados de Sokolova (2016)
avançando em, pelo menos, duas direções. A primeira de natureza econométrica
e a segunda relacionada à construção da variável de interesse, o RTA. O avanço
econométrico reside na adoção do estimador proposto por Santos Silva, Tenreyro,
& Wei (2014), o que permite realizar a análise considerando todas as observações
contidas no intervalo [0,1]. No que se refere à construção dos níveis de profundidade
dos RTAs, será considerado um procedimento padrão da literatura que consiste
em juntar os acordos mais profundos – união aduaneira, mercado comum e união
econômica – em uma única variável binária. Ao fazer isso, torna-se possível observar
que os acordos mais profundos também são capazes de reduzir o desequilíbrio do
comércio, o que difere do resultado de Sokolova (2016).
Os resultados obtidos indicam que todos os tipos de RTAs estão associados a
uma redução do desequilíbrio comercial, sendo que os acordos mais profundos pos-
suem o maior impacto sobre essa variável (efeito cumulativo). Por exemplo, para a
subamostra composta apenas pelas economias em desenvolvimento ou pouco desen-
volvidas, integrações mais profundas reduzem o desequilíbrio em -15,75%. Ademais,
a análise por nível de desenvolvimento dos países indica que os Regional Trade Agre-
ements também possuem um efeito positivo sobre o desequilíbrio comercial, ou seja,
reduzem o desequilíbrio, bem como apresenta o padrão de “aprofundamento” do
efeito tanto para uma subamostra formada por economias em desenvolvimento e
pouco desenvolvidas quanto para um grupo mais restrito composto apenas pelas 15
economias em desenvolvimento que mais importaram em 2015.
Isso posto, além dessa introdução este estudo está organizado da seguinte forma.
Na Seção 2 é definida a medida de desequilíbrio bem como são apresentados os dados
utilizados na análise. Já a Seção 3 traz os resultados bem como as implicações desses
enquanto que a Seção 4 tece as considerações finais sobre o estudo.
3
XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
2 Estratégia empírica e dados
2.1 Comércio internacional e o saldo comercial
O efeito dos RTAs sobre o fluxo de comércio bilateral tem recebido bastante atenção
na literatura gravitacional (Ornelas,2008;Santos Silva & Tenreyro,2010;Cafiso,
2011;Handley & Limão,2015;Figueiredo, Lima, & Schaur,2016), contudo, como
destacado por Sokolova (2016), o efeito dos RTAs sobre o desequilíbrio comercial
ainda não foi uma questão de estudo na literatura, tampouco por tipo de RTA. Ou
seja, os estudos sobre os impactos dos RTAs têm demonstrado que esses resultam
num aumento do fluxo comercial entre seus membros e não-membros (efeito de
terceiros, Bond, Riezman, & Syropoulos,2004), entretanto, ainda não foi investigado
se os RTAs são capazes de diminuir o desequilíbrio da balança comercial para um
par de países qualquer. Dito isso, destaca-se que embora existam diversas medidas
para representar o desequilíbrio da balança comercial dos países este artigo optou
por empregar uma medida usualmente utilizada na literatura e que consiste na
proporção da diferença entre as exportações e importações e o somatório desses
dois fluxos comerciais, ou seja, a participação das exportações líquidas no comércio
bilateral bruto entre iej. Assim, a medida do desequilíbrio comercial possui a
seguinte especificação:
desij,t =|expij,t impij,t|
expij,t +impij,t
,
em que desij,t representa o desequilíbrio comercial entre iejno período te, por
sua vez, expij,t eimpij,t caracterizam-se como sendo as exportações e importações
entre iejno período t, respectivamente. Note que quanto mais próximo de zero
o resultado para o desequilíbrio comercial indica que os valores das exportações e
importações entre iejsão próximos, isto é, há um equilíbrio no comércio bilateral
entre essas regiões. Além disso, destaca-se que as variáveis expij,t eimpij,t tanto
no numerador quanto no denominador representam restritamente o fluxo comercial
entre um único ie um único j, ou seja, não é o comércio entre ie todos seus j’s
parceiros. Por fim, para o numerador assume-se o módulo da diferença.
Uma vez de pose da variável de desequilíbrio comercial volta-se agora para a
4
XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
especificação econométrica do modelo de desequilíbrio. Objetivando destacar a he-
terogeneidade do efeito dos diferentes tipos de RTAs sobre o desequilíbrio comercial
e, portanto, a importância de avaliar cada tipo de RTA separadamente, estimam-se
duas especificações para a equação de desequilíbrio.1Inicialmente estima-se uma
especificação considerando uma medida genérica para os RTAs, ou seja, não se dife-
rencia entre as diversas classificações de RTAs. Desse modo, tem-se que a equação
de desequilíbrio será dada por:
desij,t =β0+β1RT Aij,t +β2desij,t1+βχij +γi,t +δj,t +ij,t ,(1)
em que RT Aij,t é uma dummy que assume valor igual a um caso o par de países
possua um acordo comercial e zero caso contrário, capturando o efeito dos acor-
dos comerciais sobre o desequilíbrio comercial, desij,t1representa o impacto do
desequilíbrio comercial passado sobre o desequilíbrio corrente, já βé um vetor de
coeficientes, por sua vez χij representa um vetor com todas as covariáveis gravitaci-
onais padrão,2γi,t caracteriza-se como sendo efeito fixo origem-ano enquanto que δj,t
representa efeito fixo destino-ano. Por fim, ij,t caracteriza-se como sendo o termo
de erro.
A seguir estima-se uma especificação em que cada tipo de RTA é incluído sepa-
radamente na equação de desequilíbrio, capturando os efeitos individuais de cada
um dos RTAs. Logo, essa segunda especificação possui a seguinte estrutura:
desij,t =α0+α1N RP T Aij,t +α2PTAij,t +α3FTAij,t +α4CUCM EUNij,t+
+α5desij,t1+αηij +φi,t +ϕj,t +ξij,t,
(2)
em que N RP T Aij,t representa uma dummy para acordos comerciais preferenciais
não-recíprocos, PTAij,t caracteriza-se como sendo uma dummy para acordos co-
merciais preferenciais recíprocos, já FTAij,t é uma dummy que representa acordos
1Para mais detalhes sobre os tipos de RTAs veja Frankel, Stein, & Wei (1997).
2Logaritmo da distância entre iej,ldistij , capturando o efeito da distância sobre o dese-
quilíbrio comercial, uma dummy que assume um quando o par de países é fronteiriço e zero caso
contrário, cntgij, capturando o efeito da contiguidade, uma dummy que assume um quando o par
de países possua histórico de metrópole e colônia e zero caso contrário, clnyij , capturando o efeito
dos laços coloniais e uma dummy que assume um caso o par de países possua o mesmo idioma e
zero caso contrário, langij , capturando o efeito do idioma sobre o desequilíbrio comercial.
5
XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
de livre comércio, enquanto que CU C M EUNij,t é uma dummy para acordos mais
profundos,3desij,t1representa o efeito do desequilíbrio comercial passado sobre o
desequilíbrio corrente, αé um vetor de coeficientes, ηij representa um vetor com
todas as covariáveis gravitacionais padrão,4φi,t caracteriza-se como sendo efeito
fixo origem-ano, já ϕj,t representa efeito fixo destino-ano e, por fim, ξij,t é o termo
estocástico.
Como supracitado o objetivo de diferenciar por RTA é destacar os efeitos hete-
rogêneos de cada um dos acordos, ou seja, captar os efeitos por grau de integração.
Entretanto, um ponto importante de se salientar é que, uma vez que os RTAs seguem
um padrão de “aprofundamento”, indo do menos para o mais integrado, espera-se
que a magnitude do parâmetro para os acordos mais profundos seja maior dado que
há uma acumulação dos efeitos. Isto é, um MC ou um EUN são promulgados com
bases nos acordos anteriores, FTAs e CUs (Sokolova,2016). Assim como Sokolova
(2016), Baier et al. (2014)eFigueiredo & Lima (2017) também reportam que os
efeitos dos acordos comerciais mais profundos são maiores do que os acordos com
um menor grau de integração, ratificando a percepção de que haja um efeito de
acumulação dos impactos. Assim, uma parcela do efeito dos acordos mais profundos
seria atribuída aos níveis precedentes, cujos valores podem estar subestimados.
Por fim, espera-se que os RTAs tenham efeito positivo sobre o desequilíbrio
comercial, o que é equivalente aos parâmetros β1eα1-4reportarem um sinal negativo,
ou seja, a promulgação de um RTA entre iejcontribuirá para reduzir o desequilíbrio
comercial entre essas duas regiões.
2.2 Dados
Os dados sobre o comércio bilateral entre iejforam extraídos da base UN Com-
trade Database - Comtrade, elaborada pela Divisão de Estatística das Nações Uni-
das. Por sua vez, as informações sobre as variáveis gravitacionais padrão (distância,
laços coloniais, contiguidade e idioma) são da Base pour l’Analyse du Commerce
International (BACI), do Centre D’Estudes Prospectives Et D’Informations Inter-
3Uma vez que os acordos mais profundos tais como CM eEUN são recentes e, consequente-
mente, há poucas observações a literatura tem considerado-os como uma única variável (Baier et
al.,2014;Figueiredo & Lima,2017).
4O mesmo conjunto de variáveis da Equação 1.
6
XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
nationales (CEPII). Outra fonte de informação foi a base Mario Larch’s Regional
Trade Agreements Database,5de onde foram obtidos dados sobre os “Regional Trade
Agreements” - RTAs. O período amostral inicia-se em 1962 e termina em 2012, sendo
a amostra composta por 186 países6e 652.771 observações. Dessas 20% e9,71%
caracterizam-se como sendo fluxo bilateral igual a zero, respectivamente, para ex-
portações e importações.
Um desafio econométrico para estudos que utilizam dados em painel foi desta-
cado por Trefler (2004)eCheng & Wall (2005) que afirmam que o regressando e
os regressores, considerando dados agrupados ao longo de anos consecutivos, não se
ajustam perfeitamente em um único ano. Uma vez que a resposta do fluxo de comér-
cio bilateral a mudanças na política de comércio, RTAs, não ocorre instantaneamente
(Piermartini & Yotov,2016). Dessa forma, para evitar tal crítica este estudo ado-
tou o mesmo procedimento utilizado por Trefler (2004), Baier & Bergstrand (2007)
eAnderson, Larch, & Yotov (2015b) e que consiste em estimar o modelo gravitacio-
nal empregando-se intervalos de anos, neste artigo utilizou-se um intervalo de cinco
anos.7Como demonstrado empiricamente por Olivero & Yotov (2012) as estima-
tivas realizadas com intervalos de três ou cinco anos são muito similares, todavia,
estimativas considerando todo o período amostral reportam duvidosos parâmetros
para os custos comerciais. Anderson et al. (2015b) realizam suas análises utili-
zando um intervalo de três anos e, como um teste de robustez, empregam intervalos
de quatro e cinco anos e verificam que os valores reportados foram muito próximos
aos de três anos.
Com relação a variável dependente destaca-se que, uma vez que essa caracteriza-
se como sendo uma proporção deve-se ter a preocupação em empregar um estimador
que leve em consideração tal característica e, nesse sentido, este estudo investigou,
empiricamente, a questão do desequilíbrio comercial utilizando o estimador Flex pro-
posto por Santos Silva et al. (2014), diferentemente de Sokolova (2016) que utilizou
o modelo de regresão beta proposto por Ferrari & Cribari-Neto (2004). Essa escolha
se justifica uma vez que a análise naquele estimador é realizada no intervalo [0,1]
enquanto que no modelo de Ferrari & Cribari-Neto (2004) essa é feita considerando-
5Disponível em http://www.ewf.uni-bayreuth.de/en/research/RTA-data/index.html.
6A lista completa dos países encontra-se na Tabela 3 do Apêndice A-1.
7Considerando o período amostral deste estudo tem-se os seguintes anos: 1962, 1967, 1972,
1977, 1982, 1987, 1992, 1997, 2002, 2007, 2012.
7
XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
se o intervalo (0,1) e, portanto, excluindo as observações iguais a zero bem como
as unitárias, que neste estudo totalizaram 193.982 (29,72%) valores iguais a um.
Como consequência, espera-se que os valores reportados pela beta regressão sejam
subestimados uma vez que se exclui informações da análise.
Por fim, importante salientar que dada a estrutura da variável de desequilíbrio
algumas observações reportaram valores negativos (aproximadamente 55,84%) e,
portanto, neste artigo optou-se por trabalhar com o módulo dessas observações, mais
uma vez diferentemente de Sokolova (2016) que descartou tais valores, dado que o
interesse primário é o impacto dos “Regional Trade Agreements sobre o desequilíbrio
do comércio bilateral para o par de países ieje não se o país de origem é um
exportador líquido ou um importador líquido.
3 Resultados
Inicia-se esta seção destacando que como observado por uma parcela da literatura de
comércio internacional bem como salientado acima nota-se pela Tabela 1 o efeito de
uma acumulação dos impactos dos diferentes tipos de RTAs resultando que acordos
comerciais mais profundos reportem parâmetros com magnitudes maiores aos acor-
dos com um menor grau de integração. Como discutido na Subseção 2.1 na Tabela
1reportam-se tanto os resultados para uma especificação em que se considera uma
medida genérica para os RTAs quanto para uma estimação em que cada tipo de
acordo é incluído separadamente na equação, objetivando capturar os efeitos hete-
rogêneos de cada um dos tipos de RTAs. Ademais, destaca-se que os coeficientes
para os efeitos fixos origem-ano e destino-ano não serão reportados nas Tabelas de
resultados bem como que tanto os parâmetros do Flex quanto da beta regressão por
si só não possuem informação nenhuma, a não ser a sinalização da relação entre
o regressando e os regressores, e, portanto, os valores apresentados nas Tabelas a
seguir dizem respeito aos efeitos parciais, calculados após a estimação dos referidos
parâmetros.
Nota-se pela Tabela 1 que como se esperava os valores reportados pela beta re-
gressão proposta por Ferrari & Cribari-Neto (2004) foram subestimados em ambas
as estimações sendo que no caso dos acordos não-recíprocos reportou-se um valor
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XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
insignificante. Todavia, esse resultado talvez se justifica uma vez que as observa-
ções excluídas representavam aproximadamente 20% desses acordos. Já no caso do
estimador Flex percebe-se pela Tabela 1 que um acordo comercial não-recíproco
está associado a uma redução de aproximadamente -1,6% no desequilíbrio comer-
cial entre iej. Embora esse resultado pareça paradoxal, dada a especificidade dos
acordos não-recíprocos, este artigo o considera plausível. Não é difícil perceber que
para a economia favorecida com um acordo não-recíproco o que se observará como
resultado é uma redução do desequilíbrio comercial. Todavia, para a economia que
concede o benefício é mais sutil essa percepção, mas para este artigo a promulgação
de um acordo não-recíproco envolve mudanças estruturais e institucionais (tradução
de documentos por parte da economia favorecida, do estabelecimento de órgãos para
intermediar as negociações, etc.) que acabariam por facilitar as importações do país
que concedeu o benefício. Assim como para os acordos preferenciais não-recíprocos
o coeficiente para os acordos de comércio preferenciais recíprocos reportou um valor
negativo e estatisticamente significante implicando que a promulgação de um PTA
reduz o desequilíbrio do comércio em -2,06%.
Já os acordos de livre comércio estão associados a uma queda de -3,08%, uma
vez que o coeficiente para FTA reportou um valor negativo e estatisticamente signi-
ficante. Ademais, como era esperado a entrada em vigor de acordos mais profundos
estão associadas a parâmetros de maiores magnitudes e, assim, o coeficiente para
CUCMEUN reportou um valor negativo e estatisticamente significante implicando
que acordos com maiores graus de integração estão associados a uma redução do
desequilíbrio comercial igual a -9,10%. Contudo, a informação mais importante a
ser extraída da Tabela 1 é que uma medida genérica para os RTAs está associada
a uma redução do desequilíbrio igual a -2,70% enquanto que a média de cada um
dos tipos de acordos está associada a uma queda de -3,95%. Ou seja, os efeitos
dos RTAs sobre o desequilíbrio do comércio são subestimados ao se considerar uma
medida genérica para os “Regional Trade Agreements”, ratificando a percepção de
uma parcela da literatura de comércio para a qual diferentes tipos de acordos comer-
ciais apresentarão efeitos também diferentes. Além disso, percebe-se que tanto para
a estimação empregando uma medida genérica para RTA quanto para a estimação
com cada tipo de RTA separadamente o coeficiente para a variável de desequilíbrio
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XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
defasada reportou um valor negativo significando que essa diminui o desequilíbrio
contemporâneo.
Tabela 1. Desequilíbrio do comércio.
Variáveis
Flex Beta
(1) (2) (1) (2)
RT Aij,t
-0,0270a
(0,0030) --0,0214a
(0,0030) -
N RP T Aij,t --0,0155a
(0,0043) --0,0049
(0,0042)
P T Aij,t --0,0206a
(0,0046) --0,0156a
(0,0045)
F T Aij,t --0,0308a
(0,0046) --0,0405a
(0,0045)
CU CM EU Nij,t --0,0910a
(0,0072) --0,0597a
(0,0063)
desij,t1
-0,0081a
(0,0014)
-0,0083a
(0,0013)
0,0059a
(0,0015)
0,0058a
(0,0015)
ldistij
0,0947a
(0,0020)
0,0910a
(0,0020)
0,0600a
(0,0014)
0,0542a
(0,0015)
cntgij
-0,0508a
(0,0067)
-0,0525a
(0,0068)
-0,0301a
(0,0058)
-0,0296a
(0,0058)
langij
-0,0676a
(0,0029)
-0,0663a
(0,0028)
-0,0394a
(0,0028)
-0,0381a
(0,0028)
clnyij
-0,0496a
(0,0062)
-0,0529a
(0,0063)
-0,0461a
(0,0059)
-0,0491a
(0,0059)
Constante 0,1989a
(0,0305)
0,1280a
(0,0302)
0,5919a
(0,0008)
-0,5920a
(0,0008)
Amostra 144.986 101.482
Notas: Erro padrão entre parênteses. Significância estatística: a1%,b5% ec10%.
3.1 O impacto por nível de desenvolvimento
Após a estimação considerando os 186 países – desenvolvidos, em desenvolvimento e
pouco desenvolvidos – este artigo fez duas outras estimações. Na primeira considerou-
se uma subamostra de economias em desenvolvimento e pouco desenvolvidas (de-
nominada Grupo 1)8e na segunda trabalhou-se com um grupo de economias em
desenvolvimento (denominado Grupo 2): China, Hong Kong, Coreia, México, Índia,
Singapura, Emirados Árabes Unidos, Vietnã, Rússia, Malásia, Turquia, Tailândia,
Brasil, Arábia Saudita e Indonésia, pois segundo a World Integrated Trade Solution
8Identificadas com um símbolo de asterisco na Tabela 3 do Apêndice A-1.
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XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
esses foram os quinze maiores importadores em 2015. Ademais, esse grupo de países
representou 37,75% do volume (exportações mais importações) mundial comercia-
lizado em 2015 bem como 29,85% do PIB mundial em 2014. Nota-se pela Tabela 2
que todos os coeficientes reportaram os sinais esperados bem como foram estatisti-
camente significantes, sendo a única exceção os acordos não-recíprocos na estimação
para os 15 maiores importadores, bem como a presença do efeito de acumulação no
sentido dos acordos menos profundos para os mais profundos.
Tabela 2. Desequilíbrio para subamostras.
Variáveis Grupo 1 Grupo 2
N RP T Aij,t -0,0131b
(0,0057)
0,0073
(0,0135)
PTAij,t -0,0290a
(0,0059)
-0,0511a
(0,0149)
FTAij,t -0,0229a
(0,0063)
-0,0470a
(0,0147)
CUCM EUNij,t -0,1575a
(0,0114)
-0,0638b
(0,0267)
desij,t1
-0,0275a
(0,0017)
0,0730a
(0,0039)
ldistij 0,0898a
(0,0023)
0,0713a
(0,0053)
cntgij -0,0386a
(0,0078)
-0,0338b
(0,0153)
langij -0,0661a
(0,0033)
-0,0455a
(0,0091)
clnyij -0,0450a
(0,0105)
-0,0692a
(0,0201)
Constante 0,0921b
(0,0425)
0,0392
(0,2436)
Amostra 91.251 17.063
Notas: Erro padrão entre parênteses. Significância estatística: a1%,b5% ec10%.
Assim, para a subamostra de economias em desenvolvimento e pouco desenvol-
vidas, primeira coluna de resultados da Tabela 2, a entrada em vigor de um acordo
preferencial não-recíproco resultaria em uma redução do desequilíbrio comercial en-
tre iejde -1,31% enquanto que um PTA teria um impacto de -2,90% de queda
do desequilíbrio. Outro RTA que está associado a uma queda do desequilíbrio do
comércio bilateral entre iejsão os acordos de livre comércio, isto é, a promul-
gação de um FTA reduziria o desequilíbrio em -2,29%. Já para os acordos mais
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XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
profundos, CUCMEUN, tem-se que a entrada em vigor desses resultaria na queda
do desequilíbrio em -15,75%. Com relação as quinze maiores economias em desen-
volvimento importadoras, terceira coluna da Tabela 2, o coeficiente para os acordos
não-recíprocos reportou um valor positivo, entretanto, não significativo. Por sua
vez, para os acordos bilaterais recíprocos nota-se que os efeitos desses sobre o de-
sequilíbrio comercial são de uma relação inversa e cujos percentuais, aproximados,
de redução são os seguintes: PTA (-5,11%), FTA (-4,70%) e CUCMEUN (-6,38%).
Como última observação destaca-se que o coeficiente para o desequilíbrio defasado
reportou um sinal negativo no caso das economias em desenvolvimento e pouco de-
senvolvidas e, portanto, reduzindo o desequilíbrio contemporâneo. Por sua vez, para
as economias em desenvolvimento o desequilíbrio defasado impacta positivamente
sobre o desequilíbrio corrente, ou seja, eleva o desequilíbrio.
Para este artigo, essa diferença no sentido do efeito talvez esteja relacionada ao
índice de importância do comércio intraindústria.9Pois, observando a média da va-
riável de desequilíbrio para cada um dos grupos, Tabela 4 do Apêndice A-1, nota-se
que, quando o índice de importância do comércio intraindústria sinaliza um comércio
intraindústria observa-se que o desequilíbrio defasado afeta positivamento o desequi-
líbrio contemporâneo. Por sua vez, para o comércio interindústria o desequilíbrio
defasado impacta negativamente sobre o desequilíbrio corrente.
Por fim, importante destacar que os sinais reportados para as variáveis gravita-
cionais padrão, em todas as estimações, foram inversos aos encontrados nas análises
sobre o fluxo de comércio bilateral. Entretanto, esses resultados eram esperados
dado a natureza da variável dependente deste artigo: desequilíbrio comercial. As-
sim, um sinal positivo para o logaritmo da distância implica que quanto maior a
distância entre iejmaior será o desequilíbrio do comércio entre essas regiões. Coe-
rente com a interpretação dada ao sinal negativo desse parâmetro nas análises sobre
fluxo bilateral de comércio, ou seja, quanto maior a distância entre iejmenor será
o fluxo de comércio entre essas regiões. Por outro lado, um sinal negativo para as va-
riáveis de custo de comércio: contiguidade, idioma e laços coloniais indica que esses
regressores possuem um efeito positivo sobre o regressando e, portanto, reduzirão o
9O índice de importância do comércio intraindústria é dado por: I= 1 |expij,timpij,t |
expij,t+impij,t em que
um índice próximo a um indica um comércio intraindústria enquanto próximo a zero um comércio
interindústria (cf capítulo 6 de Krugman, Obstfeld, & Melitz;2015).
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XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
desequilíbrio do comércio entre os parceiros comerciais.
4 Conclusão
Este artigo analisou os impactos dos “Regional Trade Agreements”, tanto conside-
rando uma medida genérica para os RTAs quanto para cada uma das diferentes
classificações dos RTAs, sobre o desequilíbrio do comércio bilateral no período 1962-
2012. A adoção de uma equação gravitacional robusta teoricamente bem como do
estimador Flex, demonstrou que os resultados obtidos na literatura empregando-se
o modelo de regressão beta subestimou os efeitos dos RTAs. De uma forma geral,
os resultados demonstraram que a promulgação de um RTA reduz o desequilíbrio
do comércio. De uma forma mais específica, os principais resultados indicaram que
uma medida genérica para os RTAs está associada a uma redução igual a -2,70%
enquanto que a média para os RTAs está associada a uma queda igual a -3,95%. Isto
é, as análises através de uma medida genérica subestimaram os efeitos dos RTAs.
Por fim, os resultados ressaltam um efeito de acumulação dos impactos dos RTAs,
acordos mais profundos apresentaram maiores efeitos.
Importante destacar que, os fluxos de comércio bilateral inferiores a US$ 1.000
não são contabilizados no comércio internacional e, assim, o impacto dos RTAs so-
bre a variável do desequilíbrio do comércio bilateral podem ser maior ainda dos
reportados por este estudo. Recomenda-se a aplicação do índice de importância
do comércio intraindústria em trabalhos futuros objetivando identificar padrões de
desequilíbrio no fluxo bilateral entre os países no comércio intraindústria e interin-
dústria. Os resultados reportados por este estudo demonstraram a importância dos
acordos mais profundo para redução do déficit comercial sinalizando que políticas
de comércio internacional voltadas para a formação de acordos comerciais com uma
maior integração entre as economias podem melhorar o bem-estar dos países mem-
bros do acordo à luz do modelo de comércio e crescimento proposto por Anderson,
Larch, & Yotov (2014,2015a).
Referências
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XXIII Encontro Regional de Economia - ANPEC Nordeste
APÊNDICE A-1
Tabela 3. Lista dos países.
Afeganistão* Costa Rica* Islândia Polônia
África do Sul* Croácia Israel* Portugal
Albânia Cuba* Itália Quênia*
Alemanha Dijibuti* Jamaica* Quiribáti*
Angola* Dinamarca Japão Reino Unido
Antígua e Barbuda* Dominica* Jordânia* Rep. Centro-Africana*
Arrábia Saudita* Egito* Kuwait* Rep. Checa
Argélia* El Salvador* Laos* Rep. Dominicana*
Argentina* Emirados Árabes Reunidos* Lesoto* Rep. Quirguiz
Armênia Equador* Letônia Romênia
Aruba* Eritreia* Líbano* Ruanda*
Austrália Eslováquia, Rep. Libéria* Rússia
Áustria Eslovênia Líbia* Samoa*
Azerbaijão Espanha Lituânia Santa Lúcia*
Bahamas* Estados Unidos Luxemburgo São Cristóvão e Nevis*
Bangladesh* Estônia Macau* São Marino
Barbados* Etiópia* Macedônia, FYR São Tomé e Príncipe*
Barém* Fiji* Madagascar* São Vicente e Granadinas*
Bélgica Filipinas* Malásia* Seicheles*
Belize* Finlândia Malaui* Senegal*
Benin* França Maldivas* Singapura*
Bermudas* Gabão* Mali* Síria*
Bielorrússia Gâmbia* Malta Somália*
Bolívia* Gana* Marrocos* Sri Lanka*
Bósnia e Herzegovina Geórgia Maurícia* Suazilândia*
Botsuana* Granada* Mauritânia* Sudão*
Brasil* Grécia México* Suécia
Brunei Darussalam* Gronelândia Micronésia* Suíça
Bulgária* Guatemala Moçambique* Suriname*
Burquina Faso* Guiana* Moldávia Tailândia*
Burúndi* Guiné* Mongólia* Tajiquistão
Butão* Guiné-Bissau* Myanmar* Tanzânia*
Cabo Verde* Guiné Equatorial* Namíbia* Togo*
Camarões* Haiti* Nepal* Tonga*
Camboja* Honduras* Nicarágua* Trinidad e Tobago*
Canadá Hong Kong* Níger* Tunísia*
Catar* Hungria Nigéria* Turquemenistão
Cazaquistão Iêmen* Noruega Turquia*
Chade* Ilhas Cayman* Nova Caledônia* Ucrânia
Chile* Ilhas Faroé Nova Zelândia Uganda*
China* Ilhas Marshall* Omã* Uruguai*
Chipre Ilhas Salomão* Países Baixos Uzbequistão
Colômbia* Índia* Panamá* Venezuela*
Comores* Indonésia* Papua-Nova Guiné* Vietnã*
Congo, Rep. Dem. do* Irã, Rep. Islâmica do* Paquistão* Zâmbia*
Coreia, Rep. da* Iraque* Paraguai*
Costa do Marfim* Irlanda Peru*
Nota: O símbolo de asterisco indica os países pertencentes ao Grupo 1.
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Tabela 4. Estatística descritiva.
Grupo Variáveis Média Max Min SD
Grupo 1
Desequilíbrio 0,7312 1 4.82e-07 0,3261
RTA 0,2204 1 0 0,4145
NRPTA 0,1155 1 0 0,3196
PTA 0,0375 1 0 0,1900
FTA 0,0407 1 0 0,1976
CUCMEUN 0,0267 1 0 0,1613
cntg 0,0228 1 0 0,1493
lang 0,1727 1 0 0,3780
clny 0,0195 1 0 0,1384
ldist 8,6501 9,8858 4,5462 0,8100
Grupo 2
Desequilíbro 0,8004 1 8,65e-06 0,2933
RTA 0,2546 1 0 0,4356
NRPTA 0,1671 1 0 0,3731
PTA 0,0419 1 0 0,2004
FTA 0,0305 1 0 0,1719
CUCMEUN 0,0151 1 0 0,1218
cntg 0,0253 1 0 0,1572
lang 0,2145 1 0 0,4105
clny 0,0116 1 0 0,1070
ldist 8,7077 9,8858 4,5462 0,7889
Grupo 3
Desequilíbrio 0,6186 1 0,000474 0,3403
RTA 0,1682 1 0 0,3741
NRPTA 0,1037 1 0 0,3048
PTA 0,0271 1 0 0,1623
FTA 0,0312 1 0 0,1740
CUCMEUN 0,0062 1 0 0,0787
cntg 0,0313 1 0 0,1742
lang 0,1081 1 0 0,3105
clny 0,0148 1 0 0,1209
ldist 8,8983 9,8858 5,8867 0,6735
Notas:
Grupo 1: Amostra completa.
Grupo 2: Economias em desenvolvimento e pouco desenvolvidas.
Grupo 3: As 15 maiores economias importadoras.
RTA: Acordos Regionais de Comércio.
NRPTA: Acordos de Comércio Preferenciais não recíprocos.
PTA: Acordos de Comércio Preferenciais recíprocos.
FTA: Acordos de Livre Comércio.
CUCMEUN: União Aduaneira, Mercado Comum e União Econômica.
cntg: Contiguidade.
lang: Idioma.
clny: Laços coloniais.
ldist: Logaritmo da distância.
Max: Valor máximo.
Min: Valor mínimo.
SD: Desvio padrão.
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