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Jiu-jitsu brasileiro: notas sobre a transposição da arte marcial para o esporte espetáculo

Authors:
  • Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro - ISERJ/FAETEC

Abstract

O Jiu-Jitsu tinha a busca pela finalização como tradição. No entanto, com a esportivização busca-se a pontuação. Nesse sentido, o objetivo deste artigo é tecer algumas notas sobre as transformações que perpassam pela história do Jiu-Jitsu brasileiro e a influência dos espetáculos na expansão do esporte. Então, foi realizada uma pesquisa bibliográfica que permitiu tecer algumas notas sobre os desafios que causaram o nascimento do UFC e do Pride, eventos responsáveis pela expansão da modalidade. Sobre influência da mídia o UFC implicou transformações nas regras e pontuações para que o esporte desempenhasse sua função de espetáculo para a população mundial.
http://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/aces
ISSN: 2317-7136 Arq Cien Esp 2018;6(1):11-14
Arquivos de Ciências do Esporte
Archives of Sport Sciences
Artigo de Revisão
doi: http://dx.doi.org/10.17648/aces.v6n1.2241
Jiu-Jitsu brasileiro: notas sobre a transposição da arte marcial para o esporte
espetáculo
Brazilian Jiu-Jitsu: notes on the transposition of martial art for sport spectacle
João Victor de Melo Silva Rodrigues1
Fernando Luiz Menezes Araújo1
Jorge Felipe Columá1
Felipe da Silva Triani2,*
Resumo
Objetivo: Tecer algumas notas sobre essastransformações que perpassam pela história do Jiu-Jitsu
brasileiro e a influência dos espetáculos naexpansão do esporte. Métodos: Foi realizada uma pesquisa
de revisão bibliográfica narrativa. Resultados: O nascimento do UFC e do PRIDE, eventos responsáveis
pelaexpansão da modalidade, foram conquistas que demandaram grandes desafios. Sobre influência
da mídia o UFC implicoutransformações nas regras epontuações para que o esporte desempenhasse
sua função de espetáculo para a população mundial. Conclusão: A família Gracie, a institucionalização
da luta e os eventos UFC e PRIDE, contribuíram para difusão do jiu-jítsu enquanto esporte espetáculo
como hoje se observa.
Palavras-chave: jiu-jitsu, história do esporte, lutas, artes marciais.
Abstract
Objective: To make some notes on these transformations that perpass the history of Brazilian Jiu-Jitsu
and the influence of the spectacles in the expansion of the sport. Methods: A bibliographic review was
carried out. Results: The birth of the UFC and PRIDE, events responsible for the expansion of the sport,
were achievements that demanded great challenges. On the influence of the media the UFC implied
transformations in the rules and scores for the sport to play its role as spectacle for the world population.
Conclusion: The Gracie family, the institutionalization of the fight and the events UFC and PRIDE,
contributed to the diffusion of jiu-jitsu as a spectacle sport, as we can see today.
Keywords: jiu-jitsu, history of sport, fights, martial arts.
Afiliação dos autores
1Centro Universitário Augusto Motta,
UNISUAM, Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, Brasil.
2Faculdade Gama e Souza, FGS,
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
Brasil.
*Autor correspondente
Av. Fernando Mattos, 48, Barra da
Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil.
e-mail: felipetriani@gmail.com
Conflito de interesses
Os autores declararam não haver
conflito de interesses.
Processo de arbitragem
Recebido: 25/07/2017
Aprovado: 08/02/2018
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Introdução
O manuscrito em tela discute o Jiu-Jitsu brasileiro,
originado em Manaus e posteriormente no Rio de Janeiro
desde 1915, tendo com ícones Carlos e Hélio Gracie1, a partir
das transformações que sofreu desde sua origem. No início,
as competições eram realizadas em uma luta de cada vez,
devido ao pouco número de praticantes. No que tange às
regras, não tiveram modificações muito drásticas, pois em
termos de pontuação nada mudou e o que se pode observar é
a forma em que se pontua. Sendo assim, torna-se uma luta de
forma estratégica, na qual se preconiza o ponto conquistado.
O Jiu-Jitsu enquanto arte marciala parece se distanciar da
prática atual nas competições, isto é, do Jiu-Jitsu brasileiro.
No primeiro, emergente ainda no Japão enquanto arte marcial
opraticante visava às finalizações, na atualidade, o
brasileiro, por meio da soma de pontuações, é que se obtém a
vitória, e isso conduz a reflexão se a prática ocorre somente
visando à pontuação no esporte.
Na década de 70, quando se realizavam campeonatos
administrados pela família Gracie, o público que assistia as
lutas parecia conseguir entender como os movimentos eram
realizados, devido à forma mais objetiva dos lutadores. Os
golpes evoluíram muito nos últimos anos, as posições ficaram
cada vez mais elaboradas e complexas, deixando um pouco
difícil o entendimento de quem estava começando no Jiu-Jitsu
Brasileiro2.
Com o passar dos anos a modalidade parece vir se
modificando, e na década de 1970 e 1980, houve um marco
histórico para o esporte, foi criada uma finalização chamada
triângulob, realizada na guarda, e fez com que mudasse o
conceito, da luta em si. As passagens de guarda, na qual o
oponente esta entre as pernas do adversário, que podemos
entender como posição inferior, tenta sair desta situação e
ficar superiormente em relação ao outro, e elas foram
adaptadas para que fossem passados com os braços
simultaneamente ou com os joelhos para que leve a uma
posição de conforto. O número de praticantes com o decorrer
dos anos, em nosso país, teve um aumento significativo,
devido ao trabalho incessante da família Gracie, responsável
pela divulgação para outros estados e países do Jiu-Jitsu
brasileiro.
No entanto, a arte marcial Jiu-Jitsu que teve grande
contribuição dos japoneses, é carregada de valores marciais
que implicam a formação da pessoal, isto é, uma ética que
rege a prática da arte. Essa arte pode ser encontrada na
figura do Samurai, o qual seguia um código de ética, o
Bushido, que direcionava sua conduta social3. Contudo, a
partir da esportivização do Jiu-Jitsu e consequentemente a
emergência do Jiu-Jitsu Brasileiro, esses valores parecem ter
sido esquecidos e a prática com ênfase na competição
exaltada. Logo, percebe-se uma tensão entre o Jiu-Jitsu e o
Jiu-Jitsu brasileiro.
Diante desses entendimentos, interessa contribuir com o
conhecimento dos profissionais de educação física e mestresc,
para que venha a acrescentar e expandir o conhecimento da
luta dos praticantes e seus formadores e treinadores,
mostrando que embora o Jiu-Jitsu Brasileiro seja uma nova
luta, seus valores enquanto arte marcial não podem ser
eximidos. Portanto, o objetivo deste artigo é tecer algumas
notas sobre as transformações que perpassam pela história
do Jiu-Jitsu brasileiro e a influência dos espetáculos na
expansão da luta para esporte espetáculo.
Métodos
Para a busca de artigos que compuseram a presente
Pesquisa Bibliográfica foi utilizado como base indexadora o
Google Acadêmico. Essa base foi consultada sem limite de
tempo até dezembro de 2016 e as seguintes palavras chaves
foram aplicadas na busca em diferentes combinações no
aPrática milenar, na qual se tinha a busca de finalizações. As pontuações eram
somente em momentos de desempates, caso a luta chegasse ao final.
bFinalização feita na guarda, onde o oponente esta entre as suas pernas, e é
aplicado um movimento voluntário ou não, utilizando uma das pernas pelo pescoço
e outra abaixo das axilas, formando um triângulo. Pressionando o pescoço para
baixo e impedindo o fluxo sanguíneo, causando o desmaio.
cAssim são chamados professores de Jiu-Jitsu, que não são Profissionais de
Educação Física. Eles são faixas pretas considerando seu grau elevado.
idioma Português: “Esporte”, “Jiu-jitsu”, “Jiu-Jitsu brasileiro”,
„Brazilian Jiu-Jitsu” e “Lutas”. Como critérios de inclusão foram
analisados os seguintes aspectos: a) foram incluídos estudos
originais; b) estudos de revisão; c) estudos com viés social.
Foram excluídos estudos somente de investigação biológica
do esporte.
Os trabalhos tiveram seus títulos e resumos analisados
por dois pesquisadores que realizavam a seleção
individualmente. Após cada um fazer sua seleção os mesmos
se encontravam e os estudos onde ocorreram concordância
de aceitação ou rejeição eram incluídos ou retirados da
composição da revisão respectivamente. Nos estudos em que
ocorreram discordância, os pesquisadores discutiam
exaustivamente e minuciosamente até chegarem a um
acordo. Os estudos incluídos tinham então seus textos lidos
na integra e mais uma vez analisados dentro dos critérios de
inclusão e exclusão. As informações retiradas pontualmente
dos artigos foram: pontos históricos e principais eventos.
Resultados e Discussão
Alguns apontamentos sobre o Jiu-Jitsu Brasileiro
No início, enquanto arte marcial, o Jiu-Jitsu era
conhecidopor meio dos monges, como uma prática corpo a
corpo, sem a utilização de socos, chutes ou pontapés, o
contato era direto e ganhava superioridade com o outro. A
prática favorecia as pessoas fisicamente mais fracas, pois era
baseado em chaves articulares (alavancas), submetendo o
oponente ao solo5.
No entanto, já no Brasil, a prática passou por um processo
de ressignificação por Carlos Gracie e Hélio Gracie. Esse
processo implicou a emergência do Jiu-Jitsu Brasileiro. Nele,
campeonatos foram organizados e aparentemente vieram
crescendo no decorrer dos anos com a institucionalização de
confederações e federações, cursos para árbitros e ranking de
atletas.
A família Gracie que tinha Carlos Gracie como principal
responsável, poiscriou o centro de lutas em Botafogo, no Rio
de Janeiro, e seu irmão Hélio Gracie foi um dos grandes
mestres, pois assistia às aulas do irmão mais velho, e quando
surgiu uma oportunidade, ministrou sua aula colocando
algumas coisas diferenciadas na aplicação da luta. Com isso
ele se tornou um dos grandes nomes no Brasil junto com seu
irmão.
O Jiu-Jitsu brasileiro também era confundido como vale-
tudod e/ou desafios antes das instituições, campeonatos, pois
era uma luta sem regras. Há muita dificuldade de determinar
ou encontrar o primeiro campeonato no Brasil, apesar de que,
em 1925, Gracie já divulgava sua academia nos jornais com o
marketing de que: “se quisesse ter um braço quebrado,
procure a academia Gracie.”, além de participar de
competições5.
Carlos Gracie foi precursor da luta no país, sendo
fundamental para que houvesse a instalação da federação e
da confederação que fossem responsáveis pela prática,
organização e formação de novas academias e centros de
lutas, além de caracterizar a luta como esporte, pois houve um
processo de institucionalização com a criação dessas
entidades. Ele se tornou presidente nas duas entidades.
Sendo a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, a CBJJ, a mais
expressiva.
É de grande ressalva a participação do seu irmão Hélio
Gracie na difusão Jiu-Jitsu no Brasil, pois segundo Maçaneiro7
ele foi aprendendo as técnicas e modificando para que fosse
adaptado ao seu tipo físico e facilitado seus movimentos na
luta. Essas alterações causaram uma forma diferente de se
praticar, algo caracterizou um novo modelo de prática,
intitulado como Jiu-Jitsu brasileiro.
De acordo com Rufino e Martins8, o Jiu-Jitsu brasileiro foi
se desenvolvendo no Brasil, com os desafios propostos pela
Família Gracie aos lutadores de outras modalidades, realizado
assim uma mistura de modalidades, surgindo assim o MMA
(Mixed Martial Arts). O MMA popularizou o Jiu-Jitsu brasileiro,
tornando assim uma das principais lutas na prática e, sendo
assim, novos adeptos foram conquistados.
d Competições onde só se ganhava através de finalizações e não havia regras, por
isso os desafios eram chamados assim.
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Os indicadores de campeonatos de Jiu-Jitsu no Brasil
vêm, de acordo com Rufino e Darido4, a participação e a
importância da CBJJ, para a popularidade, e divulgação do
esporte, sendo criado o campeonato Mundial de Jiu-Jitsu em
1996, na cidade do Rio de Janeiro. Em 2007 teve sua primeira
edição realizada nos Estados Unidos. Nos anos de 2008 e
2010 foi disputado em Long Beach, na Califórnia, Estados
Unidos. A CBJJ criou juntamente com o campeonato mundial,
no mesmo ano, o campeonato Brasileiro, que é realizado até
hoje, sendo o mais importante no país depois do Mundial.
De acordo com Rufinoe Martins8 os eventos esportivos
são importantes para promover a modalidade e isso faz com
que seja um dos esportes que mais crescem, mas alguns
campeonatos internacionais como Campeonato Mundial
Profissional ou World Professional Jiu-Jitsu Cup promovido
pelo Sheik Tahnoon Bin ZayedAl-Nayan, dos Emirados
Árabes Unidos, além do ADCC, o Abu Dhabi Combat Club,
promovido pelo mesmo Sheik, oferecem financeiramente uma
premiação considerável.
Segundo o site da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsue,
foram organizados bastantes campeonatos durante o ano de
2016, afirmando assim, a ascensão do Jiu-jitsu no Brasil e no
mundo tendo em média mais de 4 competições por mês,
sendo internacional ou nacional, organizados todos pela CBJJ
e a IBJJF (International Brazilian Jiu-Jitsu Federation).
Eventos e Patrocínios: A Emergência do Esporte Espetáculo
De acordo com Rufino e Martins8 os desafios passaram
por um processo de grande popularidade, propostos pela
família Gracie e lutadores de modalidades diferentes. A
proporção deles foi aumentando, tendo uma popularização no
mundo, e realizadas e diversos países, tornando um atrativo
muito grande aos competidores, pois era oferecida uma
quantidade alta de dinheiro aos participantes.
O mais famoso destes desafios, é conhecido como
Ultimate Fighting Championship, ou como popularmente é
chamado de UFC, que surgiu a partir da ideia de Helio Gracie
eRorion Gracie. Segundo Vasques6, Helio Gracie foi morar
nos Estados Unidos da América, e continuando sua prática e
ensinamentos, desafiou qualquer outro lutador, de qualquer
modalidade, oferecendo-os 100 mil dólares para aquele que
conseguisse derrota-lo. A luta desenvolvida pelos brasileiros
atraiu o interesse do público, e logo um grupo de transmissão
de pay-per-view juntamente com os produtores de Hollywood.
Nesse contexto,Rorion Gracie inscreveu seu irmão mais novo,
Royce, no evento. Como a modalidade brasileira era
desconhecida, Royce ganhou as três dos quatros primeiros
UFC.
O sucesso causado de imediato do UFC no mundo, fez
com que o Japão criasse a PRIDE, em 1997, que contou com
a queda do UFC, pela inclusão de algumas regras, forçado
pela opinião pública, o evento no Japão teve seu auge e seu
sucesso pelo mundo5.
O grande número de pessoas que comercializaram o
produto, como ele é tratado, nunca tinha se visto antes, com
transmissões televisivas para vários países. Essa expansão
mundial tornou de grande valor comparado ao nível de outros
esportes que são mais popularizados. Segundo Vasques6 um
passo importante para o UFC torna-se um esporte global,
após os seus donos realizarem a compra do PRIDE,
padronizando as regras e fazendo a aquisição dos pequenos
eventos.
Com o tempo, regras foram criadas e o evento passou a ser
mais aceito pelas pessoas e a ser exibido pelo pay-per-view
na televisão americana, que, em um ano, foi vendido para
sete milhões de pessoas. Para popularizar ainda mais o
esporte, foi criado pela Spike TV um reality show com os
lutadores. Com isso, um grande número de pessoas passou a
comprar o programa e, também, a assistir os demais que
tratavam do esporte, gerando cifras extraordinárias da
exibição desta modalidade esportiva7.
O crescimento do UFC gerou um aumento no número de
atletas profissionais e comercialização nas competições
ocorridas na “era da globalização”, de acordo com Vasques4,
fez com que desenvolvesse um projeto de marketing que
e Disponível em: www.cbjj.com.br.Acesso em 07/11/2016.
definiu novas diretrizes de organização e financiamento dos
esportes.
As lutas de artes marciais mistas (MMA) vem sendo
regularmente transmitidas na TV aberta brasileira desde
meados de 2011, alcançando milhões de telespectadores no
país. Desde então, têm feito regularmente parte da
programação de uma das principais emissoras do país. Além
das lutas, essa emissora produz um reality show, em que
lutadores são confinados em uma casa e lutam entre si para
que vencedores ganhem contratos profissionais; exibe
frequentemente reportagens e programas dedicados à
compreensão do MMA e a vida dos atletas como atores dos
espetáculos; e já incluiu um personagem lutador de MMA em
uma novela, com a clara intenção de popularizar essa luta10-16.
Essa espetacularização dos eventos de MMA,
representados pelo UFC no mundo, atraindo a população
acompanhar as lutas, aos atletas em suas mídias sociais e
tendo em vista o poder de capitação de patrocínios para o
evento, a empresa e aos atletas de se profissionalizarem e
alcançarem uma boa estabilização financeira.
De acordo com Vasques6, para ocorrer uma
espetacularização dos esportes em geral, eles sofre
mudanças à pedido das mídia, para que eles possam ser
consumidos pelos seus telespectadores, que nas lutas fosse
diminuídos os tempos sem açãof, adequar o tempo de luta,
inserir durante o eventos comerciais televisivos que para
veicular mensagens dos patrocinadores.
A divulgação e o crescimento desta modalidade e do Jiu-
Jitsu principalmente, tem a percepção, da total influencia
deste momento da espetacularização do esporte, onde os
grandes eventos, junto com a mídia consegue trazer o
telespectador a consumir, com a venda de canais fechados,
artigos esportivos relacionados as modalidades.
Regras
De acordo com Rufino e Martins8, a finalidade da criação
do Jiu-Jitsu, deu-se pela grande necessidade dos guerreiros
se utilizarem de praticas sem armas como uma forma de se
defenderem, caso por algum acontecimento ficassem sem
suas armas ou acessórios de batalha, utilizando o método de
defesa pessoal. As regras eram simples e a luta só terminava
com uma finalização, e elas eram longas, até que o oponente
batesse três vezes com a mão no chão, desistindo e dando a
vitória ao oponente. Segundo Maçaneiro7, a influência de
Hélio, por mais que não haja como saber exatamente, Gracie1
diz que o mesmo aplicou desenvolveu três diretrizes ou
princípios para a seleção e desenvolvimento das técnicas do
Jiu-Jitsu Gracie: aplicabilidade na rua, uso eficiente de
energia, movimentos naturais do corpo. Com os desafios
lançados e com a criação das confederações e federações há
uma necessidade de controle aparente, e com toda história de
técnicas que o Jiu-Jitsu Brasileiro implantou, deu-se início a
criação das regras, pois as lutas tinham que ter um fim,
diferenciando-se assim do Jiu-Jitsu enquanto arte marcial.
Com a necessidade de se ter grandes eventos, vamos
buscar entender mais pra frente o que eles trouxeram ou não
de mudanças, e da busca de patrocínio e parceiros para que
os atletas possam vir a ter bom rendimento financeiro. Hoje
segundo as regras da CBJJ, o vencedor da luta e aquele que
finalizar o oponente, ou que tiver maior pontuação no final do
tempo. Os pontos são divididos da seguinte maneira: 4 pontos
para montadas e pegadas pelas costas; 3 pontos passagem
de guarda; 2 pontos para queda, raspagem, e joelho na
barriga; 1 ponto punições e vantagens.
A criação das regras pela CBJJ gerou uma proibição de
alguns golpes, preservando a integridade física dos atletas e
praticantes. Com a inicialização das divisões porcategorias, os
golpes são proibidos de acordo com a idade dos praticantes,
apesar de que a precaução com a integridade física dos
atletas alguns golpes não podem ser executados na fase
adulta, diferente de quando o Jiu-Jitsu teve sua inicialização.
Conclusão
f Tempo onde não enfrentamento entre os lutadores
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Em vista dos argumentos apresentados neste estudo, é
possível entender os aspectos que puderam contribuir com as
transformações ocorridas no decorrer dos anos sobreo Jiu-
Jitsu enquanto arte marcial e que, implicaram a emergência
do Jiu-Jitsu Brasileiro. Dessa maneira, há de se perceber o
quanto a família Gracie, a institucionalização da luta para
esporte e eventos como UFC e PRIDE contribuíram para
ressignificar a prática do Jiu-Jitsu e criar uma nova luta, o Jiu-
Jitsu Brasileiro.
Portanto, este estudo é importante para que os
profissionais de educação física e mestres na lutaconheçam
essa trajetória, a fim de refletir que embora a luta tenha
passado por um processo de ressignificação e a competição
seja o grande atrativo da prática enquanto esporte espetáculo,
não se deve perder a perspectiva formativa que está presente
nos valores da prática, pois ainda que seja uma nova prática,
suas raízes se encontram nas artes marciais.
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