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A alcunha galego no português de Santa Catarina: o que revelam os dados do ALERS / Galego as a Nickname in the Portuguese of Santa Catarina: Findings from ALERS

Authors:
  • Universidade do Estado de Mato Grosso, Sinop, Brasil

Abstract and Figures

Resumo: É conhecida a figura dos galegos no folclore luso-brasileiro. A língua através de suas diversas expressões reflete a Galícia e seus habitantes na memória coletiva dos luso-brasileiros, mesmo que de maneira opaca. O objetivo deste estudo é descrever o uso da alcunha galego no português falado no Estado de Santa Catarina - SC, no sul do Brasil. As perspectivas da onomástica e da geolinguística delineiam as bases teóricas dessa investigação. Por meio dos dados levantados e disponibilizados pelo Atlas Linguístico-Etnográfico da Região Sul do Brasil - ALERS, foi possível analisar a pergunta “pessoa que tem cabelos loiros e tez clara, dizemos que é?” (Questionário 3.3.3 - ALERS). O levantamento lexicográfico dessa forma lexical revelou inicialmente uma diversidade de conteúdos semânticos tanto na Península Ibérica quanto na România Nova. O uso de galego em SC permeia duas importantes áreas geográficas de assentamento luso: a primeira no litoral, conhecida como zona açoriano-catarinense, marcada pela influência da imigração açoriana e a segunda historicamente descrita como rota de passagem de tropeiros e de influência paulista. Encravadas entre essas duas áreas estão as regiões coloniais, majoritariamente, italianas, alemãs e eslavas, para onde o uso da forma galego foi difundido. A acepção “pessoa de cabelos loiros” foi a de maior frequência. A hipótese é que sua origem seja resultado das diferenças fisionômicas entre as regiões sul e norte de Portugal. A carga semântica também poderia ser reflexo da situação dos galegos da Galiza em status de minoria e diáspora em Portugal, considerando-se os seus traços físicos como motivação denominativa. Palavras-chave: geolinguística; antroponímia; léxico; galego; Santa Catarina/Brasil. Abstract: The figure of galegos (Galicians) is well known in the Luso-Brazilian folklore. The Portuguese language reflects, although at times opaquely, how Galicia and its inhabitants are collectively perceived by Brazilians. This study aims to describe the use of the nickname galego in the Portuguese spoken in the southern Brazilian state of Santa Catarina (SC). Onomastics and geolinguistics will provide the theoretical framework for it. The Atlas Linguístico-Etnográfico da Região Sul do Brasil –ALERS included the question “how do you call a pale-skinned person with blonde hair?” (question 3.3.3 - ALERS), whose answers will be here discussed. The lexicographical analysis of the term initially revealed semantic diversity, both in the Iberian Peninsula and in the Romania Nova. The use of galego in SC is spread across two important geographical areas of lusophone settlement: the first one is known as Azorian-Catarinense, in this coastal area immigrants from the Azores settled down leaving a deep influence; the second one has been historically under São Paulo’s influence, since it served as a pass route for cowboys. The use of the term galego was finally spread into the colonial regions (mostly of Italian, Slavonic and German origins), that developed between both regions. The term was mostly applied with the meaning “blonde-haired person”. Our hypothesis is that such meaning originated from the different physical features of the inhabitants of southern and northern Portugal. The semantic loan may also reflect the minority status of Galicians in Portugal, their physical aspect being what would have triggered such denomination. Keywords: geolinguistics; anthroponymy; lexicon; Galician; Santa Catarina/Brazil.
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Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
eISSN: 2237-2083
DOI: 10.17851/2237-2083.26.3.1227-1276
A alcunha galego no português de Santa Catarina:
o que revelam os dados do ALERS
Galego as a nickname in the Portuguese of Santa Catarina:
Findings from ALERS
Fernando Hélio Tavares de Barros
Universidade Chistian-Albrechts de Kiel (CAU), Kiel, Schleswig-Holstein / Alemanha
fernando.helio@ufrgs.br
Lucas Löff Machado
Universidade Católica de Eichstätt e Ingolstadt (KU), Eichstätt, Baviera / Alemanha
lucas_loff@hotmail.com
Grasiela Veloso dos Santos Heidmann
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT / Brasil
grasinhavs@hotmail.com
Neusa Inês Philippsen
Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT, Campus Sinop), Sinop, MT / Brasil
Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo / Brasil
neinph@yahoo.com.br
Resumo: É conhecida a gura dos galegos no folclore luso-brasileiro. A língua através
de suas diversas expressões reete a Galícia e seus habitantes na memória coletiva dos
luso-brasileiros, mesmo que de maneira opaca. O objetivo deste estudo é descrever
o uso da alcunha galego no português falado no Estado de Santa Catarina - SC, no
sul do Brasil. As perspectivas da onomástica e da geolinguística delineiam as bases
teóricas dessa investigação. Por meio dos dados levantados e disponibilizados pelo
Atlas Linguístico-Etnográco da Região Sul do Brasil - ALERS, foi possível analisar
a pergunta “pessoa que tem cabelos loiros e tez clara, dizemos que é?” (Questionário
Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
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3.3.3 - ALERS). O levantamento lexicográco dessa forma lexical revelou inicialmente
uma diversidade de conteúdos semânticos tanto na Península Ibérica quanto na
România Nova. O uso de galego em SC permeia duas importantes áreas geográcas
de assentamento luso: a primeira no litoral, conhecida como zona açoriano-catarinense,
marcada pela inuência da imigração açoriana e a segunda historicamente descrita
como rota de passagem de tropeiros e de inuência paulista. Encravadas entre essas
duas áreas estão as regiões coloniais, majoritariamente, italianas, alemãs e eslavas,
para onde o uso da forma galego foi difundido. A acepção “pessoa de cabelos loiros”
foi a de maior frequência. A hipótese é que sua origem seja resultado das diferenças
sionômicas entre as regiões sul e norte de Portugal. A carga semântica também
poderia ser reexo da situação dos galegos da Galiza em status de minoria e diáspora
em Portugal, considerando-se os seus traços físicos como motivação denominativa.
Palavras-chave: geolinguística; antroponímia; léxico; galego; Santa Catarina/Brasil.
Abstract: The gure of galegos (Galicians) is well known in the Luso-Brazilian
folklore. The Portuguese language reects, although at times opaquely, how Galicia
and its inhabitants are collectively perceived by Brazilians. This study aims to describe
the use of the nickname galego in the Portuguese spoken in the southern Brazilian state
of Santa Catarina (SC). Onomastics and geolinguistics will provide the theoretical
framework for it. The Atlas Linguístico-Etnográco da Região Sul do Brasil –ALERS
included the question “how do you call a pale-skinned person with blonde hair?”
(question 3.3.3 - ALERS), whose answers will be here discussed. The lexicographical
analysis of the term initially revealed semantic diversity, both in the Iberian Peninsula
and in the Romania Nova. The use of galego in SC is spread across two important
geographical areas of lusophone settlement: the rst one is known as Azorian-
Catarinense, in this coastal area immigrants from the Azores settled down leaving a
deep inuence; the second one has been historically under São Paulo’s inuence, since
it served as a pass route for cowboys. The use of the term galego was nally spread into
the colonial regions (mostly of Italian, Slavonic and German origins), that developed
between both regions. The term was mostly applied with the meaning “blonde-haired
person”. Our hypothesis is that such meaning originated from the different physical
features of the inhabitants of southern and northern Portugal. The semantic loan may
also reect the minority status of Galicians in Portugal, their physical aspect being
what would have triggered such denomination.
Keywords: geolinguistics; anthroponymy; lexicon; Galician; Santa Catarina/Brazil.
Recebido em 6 de dezembro de 2017.
Aceito em 19 de fevereiro de 2018.
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1 Introdução
Na pacata Barcelos (Portugal), um crime andou preocupando
seus habitantes. Isso até um moço galego, um estranho no local, ser
acusado e condenado à forca. Antes do enforcamento, o rapaz pede para
ir à presença do juiz que o condenara. Chegando à casa do magistrado o
pobre galego roga por sua inocência, conjurando que o galo que, naquele
momento na panela a cozinhar, se levantaria e cantaria na hora de sua
morte provando a injustiça a ser feita. O galo, em alguns instantes antes
do adeus do jovem, sem hesitar, se pôs em pé e o seu estrondoso canto
ensurdeceu as orelhas dos incrédulos. O juiz equivocado levantou-se e
dirigiu-se ao local do ato para corrigir o seu erro. Por sorte, o galego
havia se salvado por um nó mal dado na corda.
Como um dos contos folclóricos portugueses mais populares, o
galo de Barcelos1 é apenas uma das lendas em que a gura do galego
é elemento na imaginação lusitana. O Brasil, como fruto da América
portuguesa, herdou a presença dos galegos em sua expressão popular.
Contudo, pouco ainda se conhece da gura do galego no imaginário
luso-brasileiro. Com o propósito de contribuir para sua descrição
etnográca, apresentamos, como foco nesse artigo, dados inéditos do
Atlas Linguístico-Etnográco da Região Sul do Brasil – ALERS sobre
o uso e o conhecimento da alcunha galego no repertório linguístico dos
habitantes de Santa Catarina.
Iniciamos o texto com algumas noções sobre antroponímia e
o estudo especíco das alcunhas. Após, apresentamos a bibliograa
existente sobre esse apelido popular, em particular, nos poucos registros
em atlas linguísticos e dicionários consultados. Em seguida, nos atemos
ao corpus, tanto quantitativo quanto qualitativo, que produziu a pergunta
19 – De pessoa que tem cabelos loiros e tez clara, dizemos que é – do
Questionário semântico-lexical especíco (3.3.3) de Santa Catarina
aplicado pelo ALERS (KOCH; ALTENHOFEN; KLASSMANN, 2011,
p. 53).
1 A versão contada no texto é uma das existentes na literatura. Ela foi retirada do site
ocial da municipalidade de Barcelos – Portugal. Disponível em:<http://www.cm-
barcelos.pt/visitar-barcelos/barcelos/lenda-do-galo>. Acesso em: 4 nov. 2017.
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2 Antroponímia e o estudo da alcunha
O termo antroponímia (antroponomástica) foi utilizado pelo
lólogo lusitano José Leite de Vasconcelos, em 1887, na sua Revista
Lusitana. Este ramo é uma subdivisão da Onomástica, ciência que se
aplica ao estudo dos nomes, seja da toponímia, onímia, antroponímia
e outros (KREMER, 2006, p. 720). Pela denição de Nunes e Kremer
(1999, p. 5), os três tipos fundamentais de antropônimos constituem-se em
prenomes, nomes de origem e os delexicais. Os prenomes relacionam-se
ao primeiro nome, já os nomes de origem, ao segundo nome (sobrenome,
cognome), este, por sua vez, é mais abrangente e, de certa forma,
identica o indivíduo na sociedade e constitui a base dos nomes de
família. Por conseguinte, os nomes delexicais referem-se aos nomes
tirados do léxico comum ou geral, nessa categoria estão as alcunhas ou
apodos. Para Polanah (1986, p. 142), a alcunha também se classica
como um sobrenome, “visto que se sobrepõe ao nome pessoal”, tanto
nome como sobrenome, “são duas fórmulas que servem para signicar o
indivíduo em dois momentos muito distintos da sua existência: o nome
prognostica;2 a alcunha diagnostica”.
No Brasil, o termo “apelido”3 é popularmente utilizado no lugar
de “alcunha”. As alcunhas surgem por motivações externas, relacionadas
às vivências das pessoas. Segundo Brito (1998, p. 846), “a alcunha,
nome-outro forjado propositadamente para um indivíduo em concreto,
inscreve-se num discurso de rigor, uma vez que o retrata elmente aos
olhos do grupo e o individualiza, cumprindo exemplarmente a sua função
social”. Ainda, complementa que a alcunha é uma espécie de “batismo
2 Carvalinhos (2007, p. 2) salienta que no começo dos tempos os nomes tinham uma
expressão conotativa que era facilmente decodicável. Modernamente, os nomes não são
mais utilizados como prognósticos, devido ao esvaziamento semântico que passaram ao
longo do tempo. Na população brasileira é notadamente perceptível nomes inspirados,
principalmente, por inuências de meios de comunicação de massa (nomes de heróis
telenovelísticos) e outros.
3 Ramos (1990, p. 23) aponta sinonímias dessa lexia: “anexim, alcunha, mau-nome,
alcunho, cognome, apelido, nomeada, todas essas expressões se referem à mesma
realidade concreta e palpável que povoa o universo linguístico e simbólico de
milhares de locutores que se apoiam na palavra oral como instrumento privilegiado
de comunicação”.
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do povo”; o povo é, nesse caso, o criador e, de certa forma, tem para si
o poder que legitima um apodo no seio do grupo social.
Para a autora, quando o epíteto é aprovado pelo grupo, signica
que há um acolhimento que torna o indivíduo aceitável no seio deste.
No entanto, contrariamente a esta, pensa-se que nem sempre isso se
conrma, pois certas alcunhas originam-se, por exemplo, de situações
constrangedoras e que forçosamente acabam sendo aceitas pelo
alcunhado. Ainda, para a autora, os apodos são espécies de “bilhete de
identidade” que tem no povo a atuação de “artistas da caricatura verbal”.
Ramos (1990), em estudo antroponímico do Alentejo, salienta
que as designações ctícias são mais propensas e produtivas nas aldeias,
“espaço privilegiado do alcunho” (RAMOS, 1990, p. 36), pois “encontram
no meio rural o terreno ideal para se proliferar” (RAMOS, 1990, p. 24).
Assim, pequenas comunidades, vilarejos ou cidades menos populosas,
são espaços de maior proximidade entre as pessoas, diferentemente das
metrópoles, em que o ritmo acelerado do cotidiano diminui as relações
de vizinhança e, consequentemente, há menos relações pessoais, menos
alcunhamento.
Leite de Vasconcelos, em sua obra Antroponímia Portuguesa
(1928, p. 176-178), ressalta que muitos nomes podem originar-se de
alcunhas, revelando o “espírito do vulgo” e as divide em três espécies
principais: as de origem geográcas, étnicas e pessoais. Assim, o autor
apresenta a seguinte divisão: as alcunhas alusivas ao homem (idade,
fases da vida...), estados sociais, cargos, prossões, qualidades físicas e
morais, alcunhas relacionadas a hábitos, vestuários, a ideias mágicas e
religiosas, bem como geográcas. Nesse contexto, o autor cita uma série
de nomes na cultura portuguesa, oriundos de alcunhas, tais como as de
indicação de parentesco, como Sobrinho, Neto, Filho, Furtado (“lho
a furto”, “lho ilegítimo”), entre outras. Isso mostra que a designação
antroponímica tem forte relação com os contextos histórico-culturais
da sociedade.
Semelhantemente a Leite de Vasconcelos (1928), Ramos (1990,
p. 57) dene uma divisão taxonômica das alcunhas e as classica
em quatro macroclasses: Físicas (Perna de Pau, Careca, Gordo...),
Comportamentais (Comunista de Inverno, Mija-mansinho...), Referências
Geográcas (Alemão, Galego, Aldiano...) e Prossionais (Sapateiro, Xico
do Pincel, Sacristão...). Nesse exercício, agrega, ainda, as Astronômicas,
Gastronômicas, Malcriadas, Ornitológicas, Políticas, Vinícolas e
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Zoomórcas (RAMOS, 1990, p. 61-72). Essas divisões por espécies e
de caráter taxonômico ajudam a compreender a origem das alcunhas,
assim como seus aspectos linguístico e sociocultural.
Na mesma esteira, os nomes étnico-geográcos são pistas para se
compreender a origem dos indivíduos e, consequentemente, a história de
um povo. Em Nunes e Kremer (1999, p. 45) encontramos um exemplo
de uso da alcunha galego, para referir-se primariamente a este como
designativo de origem étnico-geográco e que, secundariamente, obteve
usos com extensão de signicados, tal como o de um “homem muito
trabalhador” (aspectos mais especícos sobre esta alcunha encontram-se
mais adiante). Os autores citam também alcunhas como polaco, japonês,
alemão e outras para conotar pessoas que condizem com características
fenotípicas correspondentes à origem geográca ou seus descendentes.
Desse modo, neste trabalho, descrevemos a motivação semântica
da alcunha galego utilizada no Brasil, para designação mais comum
de “pessoa branca e loira”, relacionando-a ao aspecto histórico-
geográco da origem dos galegos e portugueses, ligada às características
sionômicas/fenotípicas (os galegos são loiros) e também metafóricas
(fatores extralinguísticos contextuais, no Brasil, favoreceram o uso e a
disseminação).
3 Galego na literatura, nos registros geolinguísticos e lexicográcos
Galego, do latim gallaecus (CARDOSO, 1510-1569) / gallaecu
(PENA et al., 2005, p. 625), vem do corônimo Callaecia/ Gallaecia,
este que denominava o território onde habitavam os callaeci/ gallaeci
(CAÑADA, ca. 2003, p. 136).
Na Península Ibérica e na América Latina, galego é palavra
utilizada para diversas denominações. Percorremos a lexicografia
peninsular e latino-americana para situarmos sobre os diferentes
empregos dessa lexia, que por vezes atributos neutros, por vezes de
cargas negativa e depreciativa.4
4 Sobre o caráter depreciativo de galego na Literatura ver o estudo de Taboada (1955).
Entre os aspectos salientados, o autor relaciona a emigração galega em massa para
explicar a difamação desse povo nos territórios vizinhos e no além mar. Além disso,
a desinformação e ignorância dos acusadores, e a forte presença dos judeus em certas
regiões fronteiriças da Galiza.
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3.1 Na lexicograa portuguesa
Segundo Leite de Vasconcelos, em Portugal, desde o século
XIII, havia vários documentos de portugueses com o nome de família
Gallecus ou Galego, “às vezes até especicado como alcunha” (LEITE
DE VASCONCELOS, 1958, p. 30). Para o autor,
Hoje não é raro encontrar cá a alcunha de Galego, dada a
indivíduos dessa estirpe: Fulano Galego, Cicrano Galego, lhos
de Galegos (casos que conheço); do mesmo modo conheço numa
das nossas cidades um comerciante com o apelido de Galiza.
Daqui se mostra a existência constante de Galegos em Portugal,
e quase não seria necessário mencionar mais testemunhos dela,
por exemplo: Galegos na Inquisição de Lisboa, no séc. XVI;
um Galego cortador, no séc. XVII. Os galegos, a par com outras
prossões, como a de negociante, padeiro, etc., exercem muito as
de aguadeiro5 e serviçal, nas cidades de Lisboa, Porto e outras. (...)
Esta abundância de gentes da Galiza, que em Portugal tracam,
mourejam, se casam e procriam, deu motivo a que o nome de
<<Galego>> apareça a cada passo na toponímia (LEITE DE
VASCONCELOS, 1958, p. 30-31).
Em Portugal, como em muitos lugares do Brasil, alguns frutos,
legumes, cereais e produtos manufaturados são e foram conhecidos por
sua suposta relação ou origem galega. Eis os casos do limão-galego
(SARAMAGO et al.,6 2012, carta 517), da couve-galega7 (SARAMAGO
et al., 2012, carta 539), do feijão galego (ACL8 – CASTELEIRO, 2001,
p. 1855), da ginja galega (BLUTEAU, 1712-1728), da azeitona galega
(nas Beiras – BARROS, 2010, p. 212), da linhaça galega (BLUTEAU,
1712-1728), do marmelo galego (BLUTEAU, 1712-1728), de um tipo
de trigo arruivado, o trigo galego9 (EÇÃ, 1944-1945, p. 53), da macela
5 Prossão dos carregadores de água, no tempo em que não havia distribuição encanada
nas grandes cidades. Ofício que exigia muito esforço físico, pois se levava os barris
nas costas independente quão distante era a residência do cliente.
6 Atlas Linguístico-Etnográco dos Açores (2012).
7 Também dita na Galícia, assim como a azeitona galega (ESTRAVÍS, 1986, p. 1345).
8 Esta abreviatura, de nossa autoria, é referente ao Dicionário da Língua Portuguesa
Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa (CASTELEIRO, 2001).
9 Conhecido por galego-barbado (Triticumvulgare Host.), tipo de trigo mole “da
variedade ferrugineum, de espiga barbada, glabra, arruivada, fusiforme: grão escuro,
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galega (PEREIRA, 1697), do linho galego (BLUTEAU, 1712-1728), do
cacete galego10 e das variedades de uva galego-de-Montemor11 e galego-
dourado12 (EÇÃ, 1944-1945, p. 53). Ainda, em Trás-os-Montes e Alto
Douro, galega é uma parte do cacho de uva13 (BARROS, 2006, p. 191).
Em Portugal, galego é alcunha frequentemente usada pelos
alentejanos para se referir – de maneira generalizada – aos portugueses
do norte, em particular aos vizinhos da Beira (CASTELEIRO, 2001, p.
1855; BARROS; GUERREIRO, 2005, p. 98; SIMÕES, 1984, p. 216).
Simões (2016, p. 106) também registra a forma com a mesma acepção em
Marvão (leste alentejano). Ramos e Silva (2003, p. 278) registraram essa
acepção para a nomeada popular galego em 20 localidades do Alentejo.
14
Leite de Vasconcelos (1958, p. 32) salienta que no sul de Portugal “dão
ironicamente, e há muito, o apodo de Galego aos habitantes do território
que se estende de Leiria para cima” (itálico nosso). No texto Gallegos
e Ingleses publicado na Revista Lusitana, o mesmo linguista relata que
“no Sul do reino chama-se gallegos em ar de zombaria aos habitantes do
elíptico, pequeno ou mediano (...). É usada em vários locais da Beira, Estremadura,
Ribatejo, Alentejo e Algarve, produzindo boa farinha para pão” (EÇÃ, 1944-1945,
p. 53). Também há o trigo mole galego-rapado (Triticumvulgare Host) da variedade
milturum “de espiga mútica, glabra, arruivada, fusiforme; de grão escuro (...). É também
conhecido pelos nomes de mocho-ruivo e pelão, (...) na Beira meridional e Alentejo,
e nos conc. de Moncorvo, Vouzela, Miranda-do-Corvo, Tomar e Alenquer.” (EÇÃ,
1944-1945, p. 53).
10 Espécie de pão longo e estreito vendido nos supermercados de Lisboa e, de maneira
geral, em Portugal. Na Espanha é conhecido por barra gallega.
11 Variedade de videira europeia (vitis vinífera Lin.), “de bagos miúdos, arredondados,
alourados e lenticulados; (...). É uma casta branca que parece estar pouco espalhada”
(EÇÃ, 1944-1945, p. 53).
12 Variedade de videira europeia (vitis vinífera Lin.), “de bagos medianos, ovado-
arredondados, dourados; (...). É a casta branca que constitui a base do vinho generoso
de Carcavelos” (EÇÃ, 1944-1945, p. 53).
13 Na localidade de Pinelo-Vimioso.
14 Conforme os autores, o apelido popular galego(a) é “designação atribuída a homens
e mulheres que são naturais do Norte” (RAMOS; SILVA, 2003, p. 278). Em Montemor-
o-Novo um sujeito era assim denominado, pois seu pai era oriundo do Minho (RAMOS;
SILVA, 2003, p. 278). Em Odemira havia um galeco (corruptela de galego), pois o
mesmo era nascido no norte. Um outro, conhecido por galego maluco, na localidade de
Redondo, era natural do norte e fazia grandes loucuras (RAMOS; SILVA, 2003, p. 278).
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Norte do Mondego” (LEITE DE VASCONCELOS, 1890-1892, p. 72,
itálico nosso).
Sobre esse hábito dos portugueses do sul chamarem os do norte
de galegos escreveu o Padre Monte Carmello em 1767, “sem fundamento
chamam galegos aos povos Transdurienses e Transmontanos” (LEITE
DE VASCONCELOS, 1890-1892, p. 72).
Outras formas documentadas no Alentejo por Ramos e Silva
(2003, p. 278) são galhegas e galhecas (na localidade de Ajustrel),
ambas motivadas pela diculdade do sujeito em se expressar. Em Évora
havia um outro denominado galego por causa de sua gagueira excessiva
(RAMOS; SILVA, 2003, p. 278).
Na Lusitânia, é costume ainda dizer galega para uma terra boa
para semear – nas Beiras – (BARROS, 2010, p. 212), e galego para uma
mesa servida sem pão (na região das Beiras), o vento vindo do norte,15
também como atributo depreciativo de característica rude e grosseira
(CASTELEIRO, 2001, p. 1855; SIMÕES, 1984, p. 216). Seguramente,
essa derradeira acepção tem a ver com a migração dos galegos (da
Galícia – Espanha) para Portugal e seu baixo status social e condição de
forasteiro entre os portugueses.16 Por sua vez, o assentamento dos galegos
em Portugal produziu reexos na antroponímia e toponímia portuguesa17.
É nesse contexto histórico de diáspora que se usa galego, para o
moço dos fretes, o carregador, “pessoa que trabalha muito, que executa
trabalhos pesados; escravo do trabalho” (CASTELEIRO, 2001, p. 1855).
Essa carga social e histórica na gura do galego é, portanto, base para a
15 Em Marvão (Alto Alentejo) galego é “tipo de vento que sopra do lado de Marvão para
Valência de Alcântara e que, por ser fresco, no verão ajuda a criar o milho” (SIMÕES,
2016, p.106).
16 Essas acepções revelam usos da língua que, muitas vezes, têm suas origens em
embates e lutas territoriais. Por isso “essa depreciação das localidades e habitantes
provém d’uma causa geral, pois, assim como cada indivíduo gosta de sobressair aos
mais, assim cada povo” (LEITE DE VASCONCELOS, 1890-1892, p. 70).
17 Beirante (1992, p.103), em seu artigo Onomástica galega em duas cidades do Sul
de Portugal sobre a gura do galego na toponímia portuguesa, cita alguns casos
que observou nas cidades de Évora e Santarém - Alentejo. Como, por exemplo, os
topônimos: Vale dos Galegos, Póvoa dos Galegos e Beco dos Galegos. Leite de
Vasconcelos (1958, p. 31) cita os seguintes designativos de lugares: Vilarinho de
Galegos (Trás-os-Montes), Ribeira de Galegos (Beira Alta), Quintinha dos Galegos
(Beira Baixa), Aldeia Galega da Merceana (Ribatejo).
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forma galeguice, insulto que elucida uma “atitude, comportamento que
manifesta grosseria, indelicadeza, ausência de maneiras” (CASTELEIRO,
2001, p. 1855). Sobre o suposto aspecto sórdido dos galegos, cabe citar
o que escreveu Camões em Os Lusíadas, “tampoco os detuvo, el temor,
oh sórdidos gallegos, duro bando” (TABOADA, 1955, p. 114).
Alguns exemplos da fraseologia portuguesa também expressam
esse desapreço aos vizinhos do norte: “cinquenta galegos não fazem
um homem”; “duzentos galegos não fazem um homem, senão quando
comem”; “guarda-te de cão preso e de moço galego”; “quem faz festas
a galego, mais galego é” (COSTA, 1999, p. 232). Em Trás-os-Montes,
localidade de Moimenta-Vinhais, galego é o mesmo que belouro:
“matéria fecal humana expelida de uma só vez” (BARROS, 2006, p. 64).
Na Terra de Miranda, concelho de Miranda do Douro, a galhega (em
port. galega) é nome para uma “boneca feita de trapos garridos, içada
no topo de uma árvore alta do povoado, para servir de anúncio da Festa
dos Pauliteiros” (PIRES, 2004, p. 283). Em Miranda do Douro se diz
parece que pariu la galhega quando se vê formado “um aglomerado
considerável de crianças ou jovens” (PIRES, 2004, p. 283). João de Eçã
(1944-1945, p. 53) também a registra na Prov. do Alto-Douro, “diz-se
que parece ter parido a galega, em qualquer sítio, quando nesse local
se encontram muitas pessoas”.
3.2 Nas lexicograas espanhola e hispano-americana
No domínio de língua espanhola encontram-se diversos usos.
Na região de Castilha – Espanha, se chama gallego o vento que vem
do noroeste (CASARES, 1942, p. 522). Em Aragão (Espanha), gallego
é qualicativo para “falso, cobarde, que tiene poco valor” (ASSO,
2002, p. 183). Em vários lugares da América Latina, em particular na
Argentina, Uruguai e Cuba, gallego é alcunha coletiva para os espanhóis
(MORÍNIGO, 1993, p. 276-277; PLAGER, 2008, p. 851-852; CRUZ,
1888-1980, p. 274; HAENSCH; WERNER, 2000, p. 271) ou também
para seus descendentes (AAL,18 2008, p. 355-356; CHUCHUY; BOUZO,
1993, p. 289). No México, galego é alguém originário da Galiza (Espanha)
e tudo que se relaciona a ela: “gaita gallega, la marina gallega, mariscos
gallegos, campesinos gallegos” (LARA, 2010, p. 835).
18 Academia Argentina de Letras – Diccionario del habla de los argentinos (2008).
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Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
Na Argentina, ser gallego é “exagerar las proporciones de lo que
narra” (CHUCHUY; BOUZO, 1993, p. 289), em El Salvador é alguém
que sofre de gagueira (ROMERO, 2005, p. 184), e, no Uruguai, é uma
pessoa que “tiene dicultades para entender o asimilar conocimientos”
(MONES, 1993, p. 177). No Uruguai, ainda se usa a palavra galleguito
para um lugar ambulante que vende comida rápida, em particular, os
‘chorizos al pan’ (MONES, 1993, p. 177). Na Argentina, também se diz
gallegada, ora para um grupo de espanhóis, ora, de maneira ofensiva,
para um dito ou feito próprio de uma pessoa pouco inteligente (PLAGER,
2008, p. 851). Outro aspecto moral elucidado na literatura é a covardia,
também relacionada à gura dos galegos na fala popular, como lembra
Taboada (1955, p. 115): “no faltará un gallego a quien echar la culpa”.
Na Costa Rica, a forma denomina um tipo de libélula (QUESADA
PACHEDO, 1991, p. 117) e uma espécie de lagartixa (MORÍNIGO, 1993,
p. 276) “que vive em las orillas de los ríos y nada com mucha rapidez”
(CRUZ, 1888-1980, p. 274), essa última denominação também ocorre
na Nicarágua (DLE-RAE19). Já em Cuba e Porto Rico, ela denomina
uma ave aquática (CRUZ, 1888-1980, p.274; HAENSCH; WERNER,
2000, p.271), em Cuba um tipo de peixe20 (NEVES, 1973, p.272), e no
México é sinônima de preguiça e frouxidão (CRUZ, 1888-1980, p.274).
Em Cuba se diz ainda ‘gallego, -a, por los pies’ para a pessoa que dança
mal (HAENSCH; WERNER, 2000, p.271) e na Bolívia gallega é a pessoa
que “limpia o gana todo a sus compañeros de juego” (REYES; REYES
TABORGA, 1982, p. 211).
3.3 Na lexicograa luso-brasileira
Nos contextos de imigração portuguesa no Brasil, há registros
do uso de galego, tanto para marcar os portugueses21 como um grupo à
19 Diccionario de la lengua española – Real Academia Española (versão on-line).
20 “Pez del género Caranx. Llámese también jurel o jurelete” (NEVES, 1973, p.272,
itálico nosso).
21 Além de galego, se registra na literatura o uso das alcunhas emboaba e labrego para
o imigrante/colono português no Brasil colonial. Entre as formas depreciativas para
os portugueses se registram: abacaxi, bicudo, boaba ou boava, emboada ou emboava,
candango, caneludo, chumbinho, cotruco, cupé, cutruca, jaleco, japona, labrego,
marabuto, marinheiro, maroto, marreta, mascate, matruco, mondrongo, novato, parrudo,
pé-de-chumbo, portuga, puça, sapatão, talaveira (HOLANDA FERREIRA, 1986, p. 829).
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1238
parte dos brasileiros,22 quanto para marcar diferenças regionais (norte
versus sul de Portugal) entre os portugueses no contexto de diáspora
(CÂMARA, 2012; FERRAZ, 2014).
Os registros encontrados nos dicionários regionais brasileiros e
atlas linguísticos consultados apresentam as seguintes acepções:
01. Pessoa com cabelos loiros ou ruivos:
“indivíduo louro ou ruivo. (uso geral)”, Vocabulário de têrmos
populares e gíria da Paraíba (CLEROT, 1959, p. 53).
“qualquer pessoa loira, principalmente estrangeiros”. Dicionário
da Ilha: falar e falares da Ilha de Santa Catarina (GUIMARÃES
DA SILVA, 1994, p. 62).
“mulher e ou homem loiro, de origem portuguesa. Equivale à
polaquinha do Paraná e à italiana do Espírito Santo”. Dicionário
sociolinguístico paranaense (FILIPAK, 2002, p. 188).
02. P
essoa com cabelos ou cor de pele avermelhados (Atlas Linguístico
de Sergipe ALS – FERREIRA et al., 1987, carta 86).
Comentários: “É desses bem vermelhado, a cor de lavareda de
fogo” (ponto 58); “vermelho de cabelo branco” (ponto 60).
03. Indivíduo estrangeiro:
Segundo Borba (2002, p. 755), o apodo é para estrangeiro, entre
as nacionalidades “em particular a portuguesa”. Em Goiás é
denominação para qualquer estrangeiro (ORTÊNCIO, 1983, p.
200). No Dicionário de termos populares registrados no Ceará,
galego é o “indivíduo de nacionalidade estrangeira, não só
português, mas o sírio, o judeu, etc.” (SERAINE, 1958, p. 121).
O mesmo diz Cabral (1972, p. 432), “denominação dada, no sul
do Ceará, não só ao português como a qualquer estrangeiro”. No
Dicionário gaúcho de Oliveira (2003, p. 136), o termo galegada
é denominação para a colônia portuguesa.
22 Neste caso, a alcunha era usada num contexto de antilusitanismo: “galego, pé de
chumbo, /calcanhar de frigideira / Quem te deu a liberdade / De casar com brasileira?
” (FERRAZ, 2014, p. 31).
1239
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04. Expressão para fato extraordinário:
“uso pop. Cor., depreciativo. ‘Aqui não morreu galego – aqui
não ocorreu fato extraordinário”. Dicionário de termos populares
registrados no Ceará (SERAINE, 1958, p. 122). O mesmo arma
Antenor Nascentes (1966). Cabral registra ‘morreu galego?
como “pergunta feita por pessoa aborrecida ante aglomeração
de curiosos” (CABRAL, 1972, p. 432).
Sobre o uso dessa expressão popular “morreu o galego” Câmara
Cascudo (1971, p. 113), em seu capítulo Presença galega no
folclore brasileiro, relata seu uso no sertão do Rio Grande do
Norte para dias fora do período invernal de céu nublado, sem
chuva e sem sol. A expressão se assemelha ao contexto da “parece
que pariu a galhega”, essa registrada em Miranda do Douro,
Portugal (PIRES, 2004, p. 283).
05. Qualicador de nome abstrato: crasso, profundo (BORBA, 2002,
p. 775).
06. Moça atraente: galega bonita (ALTENHOFEN; KLASSMANN,
2011, p. 933, ALERS, QSL637, ponto 144 – Araruna, PR).
07. Alcunha para os legalistas:
galego era apodo para os legalistas, que eram os opositores
aos farrapos durante a Revolução Farroupilha no Rio Grande
do Sul em 1835. “O mesmo que absolutista, camelo, caramuru,
restaurador corcunda” (NUNES; NUNES, 1993, p. 202). A
mesma acepção se encontra em Oliveira (2003, p. 137)
No estudo de Tavares de Barros, Löff Machado e Philippsen
(2017), os autores analisam o uso do referido apodo em nomes de
candidatos políticos das eleições municipais brasileiras de 2016. O
corpus reúne dados do Tribunal Superior Eleitoral brasileiro (TSE), de
domínio público.23
As formas galego(a) coletadas possuem diversas naturezas
antroponímicas. Parte delas está relacionada à prossão ou com o meio
23 Disponível em: <http://divulga.tse.jus.br/ocial/index.html>. Acesso em: 15 out.
2017.
Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
1240
ou local de trabalho do denominado. É o caso de galego mototáxi (Itambé,
BA), galego da farmácia (Serrinha, BA), galego borracheiro (Vitória da
Conquista, BA), galego do pão (Penedo, AL), galego da padaria (São
Paulo do Potengi, RN), galego do leite (Campina Grande, PB), galega
da verdura (Porto Real do Colégio, AL), galega manicure (Bodocó, PE),
galega do cartório (Bodocó, PE), galega do posto (Simões Filho, BA),
Gil, galega da xerox (Arcoverde, PE), Nilzete, a galega da feira (Santo
Amaro, BA), galega do porco (São Cristóvão, SE), galego da patrola
(Cariri do Tocantins, TO), galego da ambulância (Porto Ferreira, SP),
Teodolindo, galego do chup-chup24 (Timóteo, MG), galego da relojoaria
(Januária, MG), galego da auto ascola (Santo Antônio do Descoberto,
GO), galego da melancia (Aragoiânia, GO), galego mecânico (Coelho
Neto, MA), galego do peixe (Sousa, PB), galego da Lan House (Água
Branca, PB), galego da castanha (Serra Branca, PB), galego da
lanchonete (Icó, CE), Jotinha, galego da funerária (Bom Jardim, PE),
Zé, galego da rodoviária (Palmares, PE), galego dos correios (Jaboatão
dos Guararapes, PE), galego do mercado (Aracaju, SE), galego da
bicicletaria (Estância, SE), galego da polpa (Mutuípe, BA), galego do
cuscuz (Feira de Santana, BA).
O parentesco e a associação aos membros mais importantes dos
clãs familiares parece ser mais uma das motivações na constituição das
formas antroponímicas. Essa tradição remete a algo típico de localidades
pequenas, em que os mais velhos (pais, avós etc.), geralmente, possuem
o papel de referentes. Salvo os cenários em que o esposo ou a esposa
servem de referência na composição do apodo do(a) cônjuge.
Na taxonomia de Ramos e Silva (2003) esse tipo de apodo é
categorizado como alcunhas referenciais, uma vez que elas “associam a
identicação de um visado ao nome próprio ou alcunha de um familiar,
ou o referenciam a um objeto, situação e acontecimento” (RAMOS;
SILVA, 2003, p. 20).
Eis o caso, portanto, de Meirinha do galego (São Félix do Coribe,
BA), Fabricio de João de galego (Jaborandi, BA), galego Zé da Gina
(Jaguari, BA), Eliene de galego (Jitaúna, BA), galego de Santino (Rio
do Antônio, BA), Ailda de galego (Andaraí, BA), Guilherme de galego
24 Chup-chup denomina um tipo de iguaria congelada tanto à base de leite como de
suco de frutas. Regionalmente conhecida no Brasil por geladinho, gelinho, dindin,
sacolé, entre outras.
1241
Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
(Nossa Senhora de Lourdes, SE), galego de Zequinha (Gararu, SE),
galego de Zeca (Tacaimbó, PE), galego de Antônio de Roque (Jataúba,
PE), galego de Zé Santana (Nazaré da Mata, PE), galego de Toinho
(Palmeirina, PE), galego de Ivo (Vitória de Santo Antão, PE), galego de
Manoel de Heleno (Ibimirim, PE), galego de Zé Rocha (Chã Grande, PE),
galego de Mané Gildo (Águas Belas, PE), Neide de galego (Tuparetama,
PE), Maria de galego (Baraúna, RN), galego de Zé Regis (Serrinha, RN),
galego de Tiano (São Tomé, RN), galego de Venilza (São Gonçalo do
Oeste, RN), Laercio de galego dos Motores (João Câmara, RN), galego
de Seu Assis (Extremoz, RN), galego de Chiquinho (Santo Antônio,
RN), galego de Justino (Campo Grande, RN), Luis de Zé galego (Orós,
CE), galego de Gerso (Itatuba, PB), Neidinha de Zé galego (Alagoinha,
PB), galego de Ademar (Assunção, PB), galego de Aristides (Alcantil,
PB), galego de Lô (Teixeira, PB), Lô de galego (Teixeira, PB), Cí do
galego da areia (Mamanguape, PB), Sandro de galego da Loto (Lagoa
de Dentro, PB), galego de Lourdes (Araçagi, PB), galego do Miguelzinho
(Alto Alegre do Pindaré, MA), galego do Edmar (Itaipava do Grajaú,
MA), galego do Valdomiro (Cachoeira Dourada, MG), Marquinho de Zé
galego (Buenópolis, MG), Zezinho do galego (Pedregulho, SP), Fabiana
do galego (Quatis, RJ), Ailton do galego (Ivatuba, PR), galego de Lorim25
(Cariri do Tocantins, TO), Valmor do galego (Rio Crespo, RO), galega
de Nilza (Ribeira do Pombal, BA), Léo de galega (Abaré, BA), galega
de Ismar (Luís Gomes, RN), galega de Ulissinho (Parelhas, RN), galega
de João da Água (Patos, PB), José Carlos da galega (São Vicente, SP),
Tuita de galegão (Nova Floresta, PB), Mara de galeguinho (Central, BA),
Alex Filho de galeguinho (Escada, PE), galeguinho de André (Paulistana,
PI), Francisco de galeguinho (Lastro, PB), galeguinho de Silvio Bezerra
(Currais Novos, RN).
Um caso em Itu – São Paulo chamou-nos a atenção, a forma
galego alemão (Itu, SP). Uma interpretação possível seria a que
o candidato é conhecido na localidade por meio dos dois apodos
(antroponímia paralela), pois ambos são usados nesse contexto para
denominar pessoas com traços sionômicos de estrangeiro.
Os resultados desse referido corpus mostraram que a região
nordeste é a que apresenta maior porcentagem de uso da alcunha, seguida
25 É possível que Lorim seja variante de lourinho, alternância de morfema que se
documenta em várias áreas do português falado no Brasil.
Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
1242
das regiões sudeste e sul.26 Salientamos que a Paraíba se destaca por haver
a frequência absoluta da variante. Salvo o Estado de Goiás, apareceram
apenas alguns casos esparsos no centro-oeste e norte brasileiros.
Os mapas 1 e 2, além de disporem a área de ocorrência dessa
lexia e o caráter heterogêneo das nomeadas,27 salientam o principal
ponto de interesse da Dialetologia e áreas ans: o de visualizar diversos
fenômenos da variação da língua. Esse é o caso do uso ou da ausência do
artigo denido diante de nome próprio, em construções que estabelecem
relação de pertencimento familiar, como nos casos de alcunhas compostas
Maria de galego (Maria, a esposa do galego) ou galeguinho de João
(galeguinho, o lho do João). Nesse tipo de sintagma nominal ora a
preposição de é exionada (da / do), ora não (de).
Ambos os mapas mostram, na região nordeste assim como
no restante do Brasil, a ocorrência da exão (da/do) com o símbolo
hachurado de vermelho, como também sua ausência (de) com o símbolo
hachurado de preto. O tipo apresentado, galego d_ Maria, é apenas um
exemplo de alcunha composta, que pode variar em gênero. Nesse tipo28
galego d_ está a abstração de uma gama de formas, da qual pertencem
as variantes galega d_ ou ____ d_ galega, galego d_ ou ____ d_ galego,
galegão d_ ou ____ d_ galegão e galeguinho d_ ou ____ d_ galeguinho.
Os casos de alcunhas simples (galega, galego, galegão ou galeguinho)
foram cartografados com o círculo de um quarto preenchido.
26 Esse dado encontra subsídios em estudos como o do IBGE (2008 apud PETRUCCELLI,
2013) sobre a autoclassicação da população brasileira segundo o próprio fenotípico.
Daqueles que se consideram ‘brancos’, 2,7% se classicaram espontaneamente como
galego nos dados referentes à Paraíba (cf. PETRUCCELLI, 2013, p. 41).
27 “Recolher e analisar as nomeadas de uma tão vasta região geográca é, justamente,
um projecto ambicioso; de facto, pretender cobrir uma ‘área cultural’, supostamente
uniforme, tem como resultado uma profunda heterogeneidade, profundamente rica de
diversas tonalidades diferenciadoras locais”. (RAMOS; SILVA, 2003, p. 5).
28 Nesse estudo entende-se tipo como referência à forma guarda-chuva para as variantes
da alcunha galego (galega, galego, galeguinho e galegão).
1243
Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
MAPA 1 – Flexão da preposição de em alcunhas compostas
Fonte: Elaborado pelos autores. Base cartográca: IBGE (2010).
MAPA 2 – Flexão da preposição de em alcunhas compostas
Fonte: Elaborado pelos autores. Base cartográca: IBGE (2010).
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1244
4 O ALERS: aspectos históricos e metodológicos
O Atlas Linguístico Etnográco da Região Sul (ALERS), o
primeiro no Brasil a englobar três estados federativos brasileiros, teve por
base metodológica os princípios da Dialetologia tradicional, que detém
sua atenção à variação diatópica, geralmente, entrevistando 1 informante
por ponto, de preferência homens, com pouca escolaridade, nascidos na
localidade e de origem rural.
O método empregado no ALERS é diferente da vertente mais
moderna da Dialetologia, a pluridimensional e relacional. Essa que
amplia sua zona de interesse por meio da inclusão de outras dimensões.
Referimo-nos à diastrática, registrando a fala de jovens e velhos; à
diassexual, de homens e mulheres; à diatópico-cinética, entrevistando
informantes estáveis e móveis; à diarreferrencial, por meio do tratamento
e controle do status das formas linguísticas através da recolha de
comentários metalinguísticos; entre outras dimensões e seus parâmetros.
Apesar do homem ser o informante principal do ALERS, não
poucas vezes, no momento da entrevista, a mulher (a lha, a esposa, a mãe
ou a avó) é convidada a opinar e expressar seu conhecimento. Contudo,
essa diferença no repertório linguístico entre homens e mulheres não foi
um critério metodológico (ou seja, dimensão de análise) contemplado
pelo atlas.
As entrevistas do ALERS em Santa Catarina se deram entre os
anos de 1989 e 1991. Os principais inquiridores desse Estado foram o
Prof. Osvaldo Antônio Furlan e a Profa. Hilda Gomes Vieira. A rede
de pontos catarinense é composta por 80 localidades, totalizando 80
entrevistas, uma em cada ponto. A pergunta 19 – ‘De pessoa que tem
cabelos loiros e tez clara, dizemos que é?’ – do Questionário semântico-
lexical especíco (3.3.3) de Santa Catarina aplicado no ALERS (2011b,
p. 53) pertence a um conjunto de dados inéditos que caram de fora do
volume 2, ALERS – Cartas Semântico-Lexicais, publicado em 2011
(ALTENHOFEN; KLASSMANN, 2011).
5 Breves considerações sobre a inuência dos povoadores no falar
catarinense
Para compreendermos os usos da alcunha nas regiões apontadas
pelos dados do ALERS, faz-se necessária uma breve incursão sobre
alguns aspectos relacionados ao falar dessas regiões e de suas possíveis
1245
Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
inuências: na parte litorânea, de forte presença açoriana, alcançando
as regiões de povoamentos étnicos alemão, italiano e eslavo e na parte
serrana com inuência luso-brasileira, de herança tropeira gaúcha e
paulista.
Furlan (1995, p.165), em estudos sobre o falar açoriano-
catarinense, destaca que, dos séculos XVII a XIX, levas de açorianos
dispersaram-se em vários pontos do Brasil. Com o estímulo da Coroa
Portuguesa, em 1748/1756 chegaram muitos imigrantes para o país,
sendo que 6.071 de insulares vieram para o litoral de Santa Catarina.
Essa região teve então uma elevação na população, pois era composta de
4.197 habitantes oriundos, desde meados do século XVII, de São Vicente
(São Paulo). Segue um mapa que ilustra essa ocupação:
MAPA 3 – O falar açoriano-catarinense
Fonte: Furlan (1998a, p. 24).
Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
1246
Alguns linguistas se dedicaram a compreender a inuência dos
Açores no português de algumas regiões do Brasil, sobretudo o de Santa
Catarina e Rio Grande do Sul. No entanto, para Furlan (1995, p. 165),
nenhum dos autores que cita têm se preocupado em denir com maiores
critérios o que se entende por “inuência açoriana”. Nas pesquisas que
empreendeu, tem levado em conta critérios mais elaborados que vão desde
a pesquisa de campo até a consideração e comparação entre dados açorianos
e portugueses, em perspectivas diacrônica, diatópica e diastrática.
O autor defende a hipótese do falar açoriano-catarinense atual ser
um encadeamento de vários fatores, dos quais citam-se: (i) o caldeamento
de vários grupos étnicos advindos no século XVII, de São Vicente, de
açorianos e madeirenses no século XVIII, e outros grupos menores
advindos de Portugal continental, bem como de outras áreas brasileiras;
(ii) a evolução natural desse caldeamento deu origem a uma coiné,
nesse ponto, o isolamento contribuiu para a sua manutenção (grupos
etnolinguísticos formados principalmente por paulistas, açorianos e
outros); (iii)a inuência de outros falares brasileiros até 1970, por via
marítima ou portuária com outras regiões.
Furlan (1995, p.168) aponta também para um aspecto anterior
à chegada dos açorianos no Brasil, ou seja, à própria composição do
território das ilhas dos Açores. Segundo o autor, o povoamento dos
Açores teve presença de Portugal continental, sobretudo do Algarve e
Alentejo. Destaca, ainda, a presença dos amengos, no grupo central
(Terceira, São Jorge, Pico, Faial), sendo que 90 % dos que imigraram
para Santa Catarina 29 são desse ponto e cujo padrão é semelhante ao
falar continental de hoje.
Nos aspectos linguísticos analisados, o autor chega à conclusão
de que algumas características que outrora poderiam ser atribuídas
como especícas do falar açoriano-catarinense, na verdade, também
são encontradas em outras variedades do português brasileiro, bem
distantes desse ponto. Destaca-se o reforço de falares portugueses, como
a predominância do tuteamento (tu familiar), com verbo na segunda
pessoa do singular, em decorrência do conservadorismo que ascende à
Portugal continental.
29 A xação em Santa Catarina se deu no litoral, na faixa que compreende Laguna ao
rio Camboriú, vindos dos seguintes pontos: São Miguel, Terceira, Faial, Graciosa,
Pico, São Jorge e Madeira.
1247
Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
Outros aspectos fônicos são ressaltados, pelo autor, como
coincidentes em outras áreas do Brasil e em alguns não há segurança
quanto a sua determinação, tal como a palatalização do /s/ em coda
silábica (falar dos Açores de 1748) e que pode ter a mesma origem de
outros falares, como os do Rio de Janeiro, Lisboa etc.
No nível lexical, as possibilidades de inuência açoriana são mais
produtivas, no entanto, “ascende, salvo exceções, a Portugal continental
e que a inuência açoriana em SC se efetuou no sentido de revigorar o
léxico que dele herdou”30 (FURLAN, 1998b, p. 35). Desse modo, ca
claro que a inuência portuguesa é preponderante em todo o Brasil e que
o grupo açoriano é uma soma que se presentica nessa faixa catarinense.
Altenhofen (2002, p. 122), ao tratar de um conjunto de hipóteses
sobre a delimitação de áreas linguísticas, que retratam a variação
diatópica do português falado na região sul do Brasil, aponta também
para a atividade tropeira. Esta possibilitava o “contato entre paulistas
e gaúchos em dois uxos migratórios opostos e o papel das rotas dos
tropeiros paulistas, no comércio do gado,” era um possível inuenciador
em algumas regiões do sul do Brasil. Além desta, apontam-se outros
determinantes elencados por Koch (2000, p. 59):
a presença de açorianos, chamados para áreas especícas, como
o leste de Santa Catarina;
a existência de fronteiras políticas (historicamente oscilantes) com
países de fala hispânica, no extremo sul, e o contato português-
espanhol derivado dessa situação;
a existência de áreas bilingues significativas, originadas do
assentamento, nas (antigas) zonas de oresta, de imigrantes não-
lusos a partir do século XIX.
Altenhofen (2002, p. 122) acresce a esses fatores a relevância
das migrações internas nas áreas ditas mais novas, a partir do século
XIX (consideração topodinâmica da variação e mudança). No entanto,
considera-se aqui o papel das rotas tropeiras que atravessaram também
30 O autor apresenta a análise de três lexias a partir de dados do ALERS não ascendentes
a Portugal continental: chimarrita (dança de roda), gueixa (potranca) e bernúncia
(bicho-papão), como exemplos provenientes do léxico açoriano e que tomaram aqui
no Brasil, inclusive, outras acepções.
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o Estado de Santa Catarina a partir do contato paulista-gaúcho antes da
chegada dos primeiros imigrantes alemães (1824) e italianos (1875) no
Rio Grande do Sul.
Esse contato originou rotas comerciais que seguiam um trajeto
fundado pelos lusos nos antigos povoamentos no processo de condução
do gado e de mercadorias, e outro por campos, orestas e contorno
de rios.31 Ao analisar fotograas geolinguísticas de dados do ALERS,
Altenhofen (2002, p. 129) verica a hipótese de que algumas isoglossas
do português rural do Rio Grande do Sul seguiram em parte essas rotas
mais antigas. Assim, um dos caminhos que chegam até os campos de
Lages, em Santa Catarina, é resultado de uma bifurcação que tem sua
origem em Rio Grande e Pelotas.
MAPA 4 – Origem dos povoadores de Santa Catarina
Fonte: Furlan (1998b, p. 50).
31 Dal Corno (2010) descreve que a atividade dos tropeiros “pode englobar tanto o
tanger do gado das planícies litorâneas para engorda nas pastagens do planalto, quanto
o transporte de gado, cavalos e mulas do Rio Grande do Sul à feira de Sorocaba, em
São Paulo, através de diferentes rotas ao longo dos anos” (p. 2).
1249
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Para representar a arealidade dessa condição diatópica, no
nível lexical, Altenhofen (2002, p. 130) cita o uso do germanismo
lusitanizado chimia (do ale. dialetal Schmier) para designar “a pasta de
frutas para passar no pão”. Para o autor (ALTENHOFEN, 2002), chimia
é a variante predominante no Rio Grande do Sul, e a sua concorrente,
o lusismo geleia, se encontra nas rotas de tropeiros de assentamento
luso-brasileiro.
Cabe salientar que outros grupos compõem o falar catarinense
e permeiam essas duas áreas citadas anteriormente, para as quais o
uso da forma galego foi difundida, cita-se a presença dos povoadores
alemães, italianos e eslavos como grupos majoritários. Os alemães
se estabeleceram no Estado primeiramente na Colônia de São Pedro
de Alcântara (1829), posteriormente vieram os italianos (1836), na
colônia Nova Itália, e mais tardiamente os eslavos, em particular
os poloneses (1869) que se estabeleceram na colônia Príncipe Dom
Pedro. Consequentemente, para estes grupos étnicos, outras fases de
povoamento e formação de colônias se deram ao longo dos anos e novos
espaços geográcos tomaram os imigrantes para compor o cenário
territorial catarinense.
6 Galego e sua realização em Santa Catarina
Com o auxílio da plataforma digital Google Maps, não foi difícil
encontrar exemplos do uso do apelido popular galego e suas variantes
(galega e galegão) na paisagem linguística de Santa Catarina.
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FIGURA 1 – Galego na paisagem linguística de Santa Catarina
1- Rua das Flores, Palhoça – SC; 2 – Rua Antônio de Oliveira, Joinville – SC; 3-
Rua Francisco Vahldieck, Blumenau – SC; 4- Estr. Geral da Prainha, Imaruí – SC;
5 – Rua Santos Saraiva, Florianópolis – SC.
Fonte: Dados retirados da plataforma Google Maps (<https//:maps.google.br>)
O emprego da alcunha com propósitos comerciais é, em parte,
um recurso que o denominado pela população local utiliza para nomear
seu estabelecimento e disso obter seu sucesso prossional. Sua presença
numerosa na paisagem linguística elucida, além disso, o seu caráter de
uso corrente na fala popular local.
Em Santa Catarina, galego é conhecido desde a região litorânea,
identificada por Furlan (1986), Altenhofen (2002) e Silva Neto
(1958), pela faixa de inuência açoriana, estendendo-se pelos vales de
colonização italiana, alemã e eslava e chegando até a região de cima da
serra, conhecida por sua ocupação luso-brasileira (paulista-bandeirante)
e originada nas rotas do tropeirismo. No mapa 5, que apresenta esse
uso diatópico de galego, a linha tracejada em vermelho representa
uma isoglossa que demarca a separação de uma zona compacta de
conhecimento ativo da forma (símbolo cheio) de uma zona que oscila
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entre o conhecimento passivo (símbolo parcialmente preenchido) até o
total desconhecimento da alcunha (símbolo vazio). Esse desconhecimento
tem seu grau mais acentuado no extremo oeste catarinense, região de
colonização sul-rio-grandense em que a maioria étnica é alemã, italiana
e eslava.
MAPA 5 – Graus de status da lexia galego nos dados do ALERS de SC
Fonte: Elaborado por Tavares de Barros e Löff Machado, com observações técnicas32
32 A documentação de galego é de 69% de dados válidos no total 100% (que equivale
aos 80 pontos de inquérito). Observamos no mapa 05 uma área compacta de dados sem
resultados. Trata-se dos pontos próximos ao litoral, entre eles a capital Florianópolis. Esta
lacuna se produziu por falta da execução do quest. ALERS SC 3.3.3 nessas localidades.
Casos de dados duvidosos: O inquiridor não espera a resposta do informante e comenta
que o informante não conhece a lexia (415, Maravilha). Não se escuta o informante
armar conhecer a forma, apesar do inquiridor comentar que o entrevistado a conhece
(433, Chapecó). O inquiridor não espera a resposta do informante, apesar de relatar
que o entrevistado conhece a lexia (467, Canoinhas). O único dado existente é o relato
do inquiridor feito após a entrevista. Nesse relato, arma-se que o informante conhece
a forma (501, Luís Alves). O inquiridor não espera a resposta do informante; contudo
comenta que o entrevistado conhece a forma (514, Itajaí).
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7 Os comentários metalinguísticos dos informantes
A dimensão diarreferencial é, entre outras funções, considerada
pela Dialetologia contemporânea uma ferramenta para medir o status de
uma forma, tanto em seu uso nos âmbitos diatópico e diastrático quanto
dialingual, ou seja, nas variedades de uma mesma língua em contato, como
o português de substrato açoriano/tropeiro versus o português de substrato
alemão/italiano/polonês, ou de línguas diferentes, como o português e o
alemão. Nesse último aspecto, os comentários metalinguísticos servem
para observar a expansão do uso e do conhecimento da forma galego
para além de regiões de maioria luso-brasileira.
Nas entrevistas do ALERS, a formulação geral partiu da
abordagem semasiológica, ou seja, perguntava-se, na maioria dos casos,
“O que vocês entendem por galego?” ou “Ele é um galego, vai lá com o
galego’ o que signica?”. Pelo fato das questões envolverem um interesse
etnográco, aplicaram-nas em todo o Estado de Santa Catarina, mesmo
em zonas de minoria luso-brasileira.
O inquérito do ALERS tende a ser similar ao modelo francês
(tradicional) da Dialetologia, ou seja, sem retoque. Pouco se oportunizava
ao informante tecer comentários sobre o elemento linguístico indagado,
prejudicando, de certa forma, a produtividade da dimensão diarreferencial
no corpus. Essa inuência do método francês é lembrada na introdução
do vol. 2 do ALERS – Cartas Semântico-lexicais (ALTENHOFEN;
KLASSMANN, 2011, p. 25).
A aplicação de um longo questionário e a inquietação dos
informantes são, em parte, fatos que diminuem a predisposição a tecer
longos comentários. Apesar dos entraves e do controle rigoroso dos
entrevistadores, os informantes, por vezes, conseguiam driblar a postura
severa do inquiridor e falar de suas impressões sobre um elemento
linguístico, mais abundantes que um simples ‘sim, é isso’.
Reunimos em forma de tabela os dados qualitativos da questão
19 (Quest. 3.3.3 ALERS), organizada por ponto (P), município, símbolo
(sím.)33 cartografado no mapa 5, seguido do comentário metalinguístico.
Optamos por não transliterarmos todas as marcas dialetais de cunho
33 Considerando que o símbolo cheio representa casos de uso ativo da forma galego
e o símbolo preenchido pela metade para conhecimento passivo. No que concerne à
cartograa, utilizamos a fonte de símbolos do método de cartograa pluridimensional
e relacional (THUN, 2010).
1253
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fonético presentes no corpus analisado, pois nosso interesse se centra na
variação do conteúdo semântico da forma lexical.
TABELA 1 – Comentários metalinguísticos
Ponto Município Sím. Comentário metalinguístico
409 Abelardo Luz Inq. Uma pessoa loira, chamam de galego aqui?
Info. (mulher). Já ouvi!
Inq. É? Um loiro chama de galego aqui?
Info. (homem). É!
438 Treze Tílias Inq. Galego, e o que é pra você galego, ‘aquele homem é
um galego’, o que é?
Info. Um loiro, né.
Inq. Cabelos claros?
Info. Cabelos claros!
Inq. Se usa aqui a expressão?
Info. Usa, galego!
441 Caçador Inq. Se alguém diz, ele é um galego, o que vocês entendem?
Info. (mulher). Galego é um pequeno, né.
Inq. Pequeno, né?
Info. (mulher). Nãoo! Galego é um loiro!
Inq. Mas aqui o povo sabe o que quer dizer galego?
Info. (mulher). É, galego.. Não muito, não se usa muito,
muito pouco essa palavra.
Inq. A senhora ouviu por aqui?
Info. (mulher). Sim, é.
448 Concórdia Info. ‘Oh, que galega bonita ali’!
Inq. Galega é uma loira?
Info. É uma loira, é, é, tem muito rapaz que diz isso.
452 Peritiba Inq. Se dizem, ‘ele é um galego’, vocês entendem o quê?
Info. Galego? Eu sei o que é uma galega.
Inq. O que é uma galega?
Info. Galega é que nem uma loira morena. Ela é pele
morena, mas o cabelo dela é loiro.
Inq. Mas o povo daqui usa essa palavra?
Info. 01. Muito pouco.
Info. 02. Muito pouco!
470 Monte Castelo Inq. Galego, o que quer dizer galego?
Info. Galego é um cara loiro, esse é um galego!
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471 Papanduva Inq. Galego, o que é um galego?
Info. Galego é porque ele é loiro!
Inq. Branco?
Info. É.
Inq. Loiro, é galego?
Info. É.
Inq. Ela é galega?
Info. É, mas eu não uso essa palavra.
473 Mafra Inq. Galego?
Info. Galego deve ser uma .. eu digo.. uma pessoa que vem
lá de fora, né, talvez é galego, né.
Inq. O que você entende por galego?
Info. Galego é uma raça, né, uma raça de pessoa.
Inq. Ela é galega?
Info. Sim.
Inq. Por que ela é galega?
Info. Galego vem lá de baixo, lá da serra, né (risos).
Inq. Alemão é galego?
Info. Tem limão galego também. (risos) [incompreensão do
informante].
477 Garuva Inq. E galego, o que quer dizer galego?
Info. Galego é uma pessoa clara, assim, tipo alemão, polaco.
485 Barra Velha Inq. O que quer dizer galego para vocês?
Info. Uma pessoa clara!
Inq. Cabelos brancos?
Info. É!
Inq. Ou a pessoa também de pele branca?
Info. É, de pele branca, isso.
486 Lebon Régis Inq. ‘Ele é galego’, o que vocês entendem por aqui quando
alguém diz isso?
Info. Ele é loiro.
Inq. Loiro?
Info. Isso, loiro!
Inq. Mas o povo usa essa expressão por aqui?
Info. Sim, sim!
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488 Curitibanos Inq. E se diz ‘aquele rapaz, aquele galego, vai chamar
aquele galego lá!’, o que vocês entendem por galego?
Info. Pessoa bem clara.
Inq. Bem clara?
Info. É!
Inq. Cabelo loiro?
Info. Isso!
490 Anita
Garibaldi Inq. ‘Ele é galego’, o que quer dizer isso, ‘ele é um galego’?
Info. É uma pessoa loira.
491 Campo Belo
do Sul Inq. Se alguém diz, ele é um galego’, o que quer dizer isso?
Info. É loiro!
495 Otacílio Costa Inq. Se eu digo, ‘ele é um galego’! O que você entende por
galego, hein?
Info. Por galego entendo ‘um alemão’!
496 Massaranduba Inq. ‘Ele é um galego’, me disseram que ele é um loiro, é?
Info. Isso!
497 Benedito
Novo Inq. Galego, ele é um galego’, o que quer dizer isso?
Info. Galego seria um alemão, um loiro.
504 Rio do Campo Inq. E galego, ‘ele é galego, vai lá com aquele galego’. O
que quer dizer isso pra vocês aqui?
Info. Um claro!
Inq. Um claro?
Info. Isso.
509 Rodeio Inq. Galego, ‘ele é galego’, o que vocês entendem se é
galego’?
Info. Se ele é ‘galego’, é porque ele é descendente de
alemão.
Inq. Loiro?
Info. Loiro, e é ‘galego’, mas é alemão.
511 Blumenau Inq. ‘Ele é galego’, o que os senhores entendem, ‘vai falar
com o galego!’, o que vocês entendem?
Info. Galego? Ele é loiro!
512 Gaspar Inq. O que é um galego para vocês?
Info. Um galego é tipo um alemão assim, né.
Inq. Loiro?
Info. Isso, loiro.
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519 Ibirama Inq. Ele é galego, o que quer dizer isso?
Info. Ele é um loiro!
Inq. Loiro! Isso.
523 Rio do Sul Inq. Como se chama o moço loiro de cabelos e claro de tez
e de pele?
Info. Galego!
536 Ituporanga Inq. Ele é galego, vocês disseram que ele é um loiro, né.
Sim ou não?
Info. Sim!
537 Presidente
Nereu Inq. Ele é um galego, quer dizer o quê, ele é um loiro, né?
Info. É, cabelo loiro!
541 Nova Trento Inq. Galego, ele é galego, o que é galego para vocês?
Info.01. Ele é galego, branco, loiro!
Info.02. Loiro!
545 Governador
Celso Ramos Inq. Galego, “vai lá com aquele galego”, o que quer dizer
isso?
Info. Galego é um.. um alemão, né.
548 Antônio
Carlos Inq. O que se entende aqui, “ele é um galego”, o que quer
dizer isso?
Info. 01. Aqui é que ele é um alemão.. ele é um alemão.
Info. 02. Loiro, cabelo vermelho!
559 Paulo Lopes Inq. “Ele é galego”, o que quer dizer isso, “ele é galego”?
Info. 01. É o do cabelo vermelho!
Info. 02. Cabelo vermelho!
561 Lages Inq. E se aqui alguém diz, “ah, ele é galego, vai lá dizer pro
galego que é pra avisar (...)”. O que o senhor entende?
Info. É, cabelo ruivo, né. Um branco, né.
Inq. O povo daqui usa a palavra galego?
Info. Sim, um cara bem branco, bem loiro.
Inq. Bem loiro?
Info. É!
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562 São Joaquim Inq. E o galego, “vai lá chamar o galego!”, o que quer dizer
isso?
Info. 01. É um bem branco!
Inq. Branco ou..ou..
Info. 02. Louro! Louro!
Inq. Louro!
Info. 02. Louro!
Info. 01. Aham, é!
564 Urubici Inq. E “ele é um galego”, o que os senhores entendem?
Info. 01. Galego é um bem branco, né, pessoa bem branca!
Inq. Loiro?
Info. 02. Loiro, é! Claro!
565 Bom Retiro Inq. Ele é galego, o que quer dizer “ele é galego”?
Info. Ele é claro, né, é alemão!
587 Criciúma Inq. Galego?
Info. Galego é uma pessoa que tem o cabelo branco, loiro,
branco.
589 Timbé do Sul Inq. E ele é galego, “vai lá falar com o galego”, o que quer
dizer isso aqui?
Info. É um cara de cabelo claro, loiro, né.
593 Araranguá Inq. E pra você o que quer dizer galego?
Info. Galego é uma pessoa clara, pra nós, um pessoa clara,
um cabelo louro.
Inq. Pessoa que tem o cabelo loiro é um galego?
Info. Loiro. Ele é claro, é um galego. É isso pra nós aqui.
594 Jacinto
Machado Inq. Galego é ruivo, né, loiro?
Info. É! Sim!
595 Sombrio Inq. E o que se diz aqui por um galego? Ele é um galego? A
palavra o galego?
Info. 01. É uma pessoa bem lourinha.
Info. 02. Louro!
596 Praia Grande Inq. O que você entende por “ele é um galego”?
Info. Galego é um claro, uma pessoa loira, né.
Fonte: Dados do ALERS questão 19, questionário 3.3.3.
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Para melhor compreensão da frequência de cada conteúdo
semântico da alcunha galego, agregamos, na tabela 2, a quanticação
dos dados diarreferenciais. A tabela se constitui de três colunas, na
primeira com uma descrição breve da carga semântica, na segunda o
total de ocorrências, organizadas decrescentemente, e na última o ponto
de inquérito do ALERS (SC) onde se registrou o comentário.
TABELA 2 – Quanticação dos comentários metalinguísticos
Comentário metalinguístico ΣPonto – ALERS/Santa Catarina
Uma pessoa de cabelos loiros. 30 409, 438, 441, 448, 470, 471, 486,
488, 490, 491, 496, 497, 509, 511,
512, 519, 523, 536, 537, 541, 548,
561, 562, 564, 587, 589, 593, 594,
595, 596.
Uma pessoa de pele (bem) branca, clara. 13 471, 477, 485, 488, 504, 523, 541,
561, 562, 564, 565, 593, 596.
Galego é alguém de origem alemã. 08 477, 495, 497, 509, 512, 545, 548,
565.
Uma pessoa de cabelos avermelhados (ruivo). 04 548, 559, 561, 594.
Uma pessoa de cabelos claros. 04 438, 485, 587, 589.
A palavra é (bastante) usada aqui. 04 438, 486, 561, 593.
A palavra é pouco usada aqui. 02 441, 452.
Galego é alguém de origem polonesa. 01 477.
Uma pessoa pequena. 01 441.
Galego é um “tipo de raça de pessoa”. 01 473.
Só conheço a palavra galega, que é uma moça
morena, de pele morena, mas de cabelo loiro.
01 452.
Conheço, mas não uso a palavra. 01 471.
Galego é um forasteiro, alguém de fora. 01 473.
Galego é alguém que veio lá de baixo, da região
serrana.
01 473.
Galego é um tipo de limão. 01 473.
Fonte: Dados do ALERS questão 19, questionário 3.3.3.
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Apesar de ser a primeira acepção na maioria dos grandes
dicionários de língua portuguesa, nenhum dos informantes catarinenses
do ALERS arma usar ou conhecer a forma galego para uma pessoa
nascida ou que vive na Galiza - Espanha.
Com 30 ocorrências, o uso de galego para uma pessoa de cabelos
loiros é o mais frequente. Pessoa com pele branca ou de sionomia clara
reuniu 13 comentários. Cabelos claros e avermelhados congregou, cada
acepção, 4 ocorrências. Em 08 pontos do ALERS (SC) galego é alcunha
para um alemão, ou seja, uma pessoa de origem alemã. E apenas 01 para
os descendentes de poloneses (popularmente polacos34).
MAPA 6 – Uso de galego para denominar os descendentes de alemães
Fonte: Elaborado por F.H. Tavares de Barros e L. Löff Machado.
34 Ver discussão sobre o uso dessa alcunha em Tavares de Barros, Löff Machado e
Philippsen (2017).
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Em 08 pontos do ALERS (SC), como supracitado, galego é
alcunha para um alemão, ou seja, uma pessoa de origem alemã. Os
descendentes de alemães, por serem um grupo muito representativo
no Estado de Santa Catarina, costumam reunir pelo menos uma das
acepções relacionadas à sionomia: cabelo loiro ou ruivo, tez e pele
(bem) branca. Como mostra o mapa 6, o uso da forma para o vizinho
alemão é registrado desde pontos catarinenses da colônia portuguesa no
litoral (477, 545 e 548), até em pontos mais interioranos e próximos do
contato com a colônia alemã (497, 509, 512, 495, 565).
8 Por que os galegos no Brasil são loiros e brancos? Hipóteses de
sua etimologia
Os cabelos, a pele e os olhos claros são características particulares
das populações caucasianas. Na maioria dos caucasoides, os cabelos
podem “ser loiros (dourados) ou de diferentes tons de ruivo (coloração
vermelha); os olhos azuis, cinza, cor de amêndoa ou um indeterminado
azul ou cinza-esverdeado”35 (BEALS; HOIJER, 1965, p. 212). As
populações caucasianas do noroeste da Europa (nórdicos) possuem uma
alta porcentagem de pessoas altas, cabelos claros, olhos azuis e fenótipos
claros, em comparado às outras variedades desse tipo racial (BEALS;
HOIJER, 1965, p. 216).
Não é difícil escutar dos espanhóis e dos portugueses o imaginário
que os galegos, e de maneira geral, as populações do norte da Península
Ibérica possuem a pele mais clara. Até nas especulações da etimologia
do nome Galiza, esse clichê se sobressai. Como exemplo, já havia no
séc. VII d.C a hipótese de Isidoro de Sevilha36 (Santo Isidoro, c560-636),
segundo a qual Galiza (lat. Gallaecia) originava do grego gala (port.
leite), denominação motivada por, aparentemente, os galegos terem a
pele branca, ou seja, “brancos de corpo e os galleci mais que o resto
dos hispanos” (CAÑADA, ca. 2003, p. 140). Assim também armava o
lexicográfo espanhol (séc. XV) Alfonso de Palencia (1490): “galeci, del
35 “Golden, or various shade; the eyes blue, gray, hazel, or an indeterminate blue- or
gray-green.” (BEALS; HOIJER, 1965, p. 212, tradução nossa).
36 Isidoro de Sevilha foi um bispo espanhol (600-636) conhecido por sua obra
Etymologiae, uma obra erudita reunida em 20 livros com um número imenso de étimos
(VIARO, 2011, p. 35).
1261
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blancor se dizen segund que los galos, por que son más blancos que las
otras gentes delas Españas” (NIETO JIMÉNEZ; ALVAR EZQUERRA,
2007, p. 5012).
Como o uso de galego em Santa Catarina se encontra
principalmente entre as zonas de colonização açoriana e luso-brasileira, se
faz necessário compreender na historiograa, nos estudos antropológicos
e de geograa humana, a descrição da sionomia dos portugueses.
Principalmente quando se considera que na lexicograa portuguesa se
registra o uso de galego entre os portugueses do sul (os alentejanos, em
particular) para denominar os do norte.37 De acordo com a descrição do
respeitado geógrafo português Orlando Ribeiro:
A população portuguesa compõe-se, como a maior parte dos
povos da Europa Ocidental, de três elementos: o mediterrâneo,
largamente preponderante em todo o País, caracteriza-se pelos
traços morenos – pele, cabelo, olhos –, estatura meã a baixa, crânio
alongado, face média ou estreita, constituindo o tipo mais comum
do português; o alpino distingue-se do anterior principalmente
pelo crânio mais curto e pela face mais larga e a sua inuência
parece mais sensível no Sul; o nórdico, com olhos, pele e cabelos
claros e estatura mais elevada: embora bastante generalizada, a sua
inuência é mais forte em Entre Douro e Minho, onde se encontra
excesso signicativo (entenda-se: em relação à média do País) de
olhos azuis, cabelos loiros, peles rosadas e estaturas mais elevadas.
(RIBEIRO, 1987, p. 17).
Segundo a interpretação do geógrafo alemão Hermann
Lautensach, os antropólogos portugueses costumam classificar os
“tipos raciais” lusitanos em 4 categorias. Três delas (tipo 01, 02 e 04)
compartilham características mais mediterrâneas: cabelos pretos (tipo 01),
estatura média (tipo 04) e pequena (tipo 01), sionomia morena (tipos
02 e 04), por vezes muito morena (tipo 04). O tipo racial 01, conhecido
como mediterrâneo, constitui maioria da população portuguesa atual
“já que tanto a dominação romana como a invasão árabe introduziram
sangue do tipo” (LAUTENSACH, 1989, p. 712). Os portugueses mais
morenos de “queixo saliente, nariz aquilino encurvado e grandes olhos
37 Cabe lembrar que parte considerável do norte de Portugal formava o antigo território
da Galiza.
Revista de Estudos da Linguagem, v. 26, n. 3, p. 1227-1276, 2018
1262
em forma de amêndoa” (LAUTENSACH, 1989, p. 712), para Lautensach,
estão no Algarve (sul de Portugal), entre a população pescadora e no
litoral noroeste. Apenas o tipo 03 possui estatura elevada, tez branco-
avermelhada, olhos claros, cabelo louro ou arruivado.
O tipo 03 é classicado por Lautensach (1989, p. 713) como
advindo do substrato nórdico.38 O sangue nórdico, segue o autor, “não
foi só introduzido pelos suevos e visigodos; existia já anteriormente, pois
foram encontrados esqueletos de tipo nórdico nos túmulos de Cascais,
de idade lusitano-romana”. De acordo com Lautensach (1989, p. 713),
ainda não é certo dizer que “foram os celtas que trouxeram pela primeira
vez sangue nórdico para Portugal”. O que arma o autor é que os de
características nórdicas acentuadas estão espalhados entre a gente de
sionomia morena em diversos lugares de Portugal. Contudo, segundo
observações próprias desse pesquisador, uma frequência maior no
Minho (norte de Portugal), tanto no litoral Minhoto quanto nos vales do
rio Minho, citando, como exemplo, as localidades de Melgaço e Monção.
Para Lautensach (1989, p. 713), a sionomia mais comum entre os
portugueses é a denominada tipo misto: que dos traços nórdicos herdam
apenas a cor avermelhada do rosto e a estatura, pelo menos média, sendo
as restantes características de origem mais mediterrânea.
38 É importante salientar que o conceito ‘nórdico’ usado na antropologia portuguesa se
remete aos povos originários das terras para lá do norte da Península Ibérica (os celtas,
suevos etc.), e não particularmente dos países escandinavos.
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MAPA 7 – Porcentagem e frequência de cabelos claros na Europa
Fonte: Beals e Hoijer (1965, p. 214).
Mais especicamente com relação à lexia galego, como já vimos,
a lexicograa brasileira costuma apontar duas acepções mais frequentes.
A primeira que o uso de galego é para designar os portugueses, e a
segunda para denominar pessoas de cabelos loiros e pele clara. Esta última
acepção, porém, não serve para descrever a primeira, se considerarmos o
que dizem Ribeiro (1987) e Lautensach (1989), ou seja, os portugueses
possuem características sionômicas bem contrastantes. Apesar do
senso comum brasileiro tratar os europeus como brancos, e, por vezes,
loiros e de pele clara, esses traços físicos não retratam por completo a
realidade sionômica dos imigrantes portugueses e de seus descendentes.
Já havia uma diversidade de tons de pele, estaturas, olhos, cabelos entre
os lusitanos antes da onda imigratória para o Brasil.
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O que não podemos responder é se essa percepção interna no
grupo imigratório existia e teria, portanto, originado esse conteúdo
semântico – pessoa loira e de pele clara – antes de se assentarem no
Brasil. Apesar desta se constituir uma hipótese. O que podemos armar
é que entendê-la como originada na percepção de tons diferentes de pele
e cabelo entre os luso-brasileiros e os portugueses é uma interpretação
supercial do caso.
MAPA 8 – Distribuição da cor dos olhos em Portugal
Fonte: Adaptado (réplica) de Amorim Girão (1960, p. 236).
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Vale ressaltar ainda que, a lexicograa portuguesa não aponta
vestígios sobre a segunda acepção, o que não nos auxilia na sustentação
dessa hipótese. O que se soma a essa interpretação é que os cabelos
loiros na Península Ibérica, não só em Portugal, são uma característica
minoritária, e provinda dos povos nórdicos. Além disso, é conhecido
o aspecto intrínseco da alcunha em denominar minorias pela maioria.
Assim, ser loiro e ter olhos e pele de tons mais claros é, nesse caso, um
traço minoritário no contexto ibérico e, hipoteticamente, pode estar
relacionado a uma região geográca. O mapa 7 apresentado pelos
antropólogos Beals e Hoijer (1965, p. 214), por meio de anotações de
campo de Frederick Hulse, apontam a região da antiga Galícia como a que
possui maior porcentagem de pessoas com cabelos claros na Península
Ibérica. A Galiza é cartografada com 20 a 49% da característica citada,
em contraste com o restante da Península inserida na menor parcela, de
1 a 19%. A região da Europa com maiores índices de cabelos claros é a
Escandinávia.
Como já vimos, uma característica do substrato nórdico é
a pigmentação clara dos olhos, em particular os olhos que tendem
ao tom azulado. No mapa 8, apresentado pelo conhecido geógrafo
português Amorim Girão (1960, p. 236) através das 11.601 anotações
do antropólogo Eusébio Tamagnini, se observa uma divisão clara na
distribuição da coloração dos olhos em Portugal. O norte lusitano de
fenótipo mais nórdico (coloração mais clara) e a parte sul de fenótipo
mais mediterrâneo (coloração mais escura). Entre os rios Tejo e Douro há,
ainda, uma zona geográca de transição, na qual a coloração majoritária
é média. Com o detalhe que, ao norte e leste do vale do Rio Mondego,
há uma preponderância de olhos de cor mediana e clara.
Seriam, portanto, os galegos39 os mais loiros na Península
Ibérica?40 Aparentemente os estudos de antropologia e de geograa
humana indicam que sim.
Assim sendo, a questão do conteúdo semântico – pessoa loira e
clara – pode ter suas raízes num estágio anterior da língua portuguesa,
39 Compreendendo o sentido dessa alcunha como aquele que engloba todos os povos
que estão acima do Alentejo (norte de Portugal e a Galícia atual).
40 Outro aspecto que deve ser tomado em consideração é como os portugueses e os
brasileiros consideram uma pessoa loira ou morena, e os graus dessa percepção. Cabe
ressaltar que, não encontramos pesquisas sobre esse tema especíco.
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portanto, anterior às levas de imigração portuguesa ao Brasil. Seria, dessa
forma, um caso de arcaísmo semântico uma vez que em Portugal, até onde
se sabe, não se conhece e tão pouco se usa esse sentido para a alcunha
galego. A falta de registros na lexicograa portuguesa, no entanto, exige
estudos mais aprofundados para conrmar tal hipótese.
O mapa 9, a seguir, mostra a arealização da acepção “pessoa de
cabelos loiros” e “pessoa de cabelos ruivos/ avermelhados”. Resolvemos
abstrair as duas acepções no mapa por meio do símbolo hachurado
em vermelho. Isso pelo fato que ambas tonalidades de cabelos são
por vezes confundidas e tratadas como semelhantes. Eis o caso dos
comentários metalinguísticos nos pontos 548, 561 e 594. O símbolo
hachurado em preto é empregado tanto para os casos de respostas que
não apresentaram uma especidade semântica, quanto para os que o
conteúdo semântico era outro. Como nos mapas 5 e 6, o símbolo vazio
representa o desconhecimento da forma por parte do informante e o traço
vertical para sem resultados no ponto de inquérito.
Como se pode ver no mapa 9, em Santa Catarina, a carga
semântica – pessoa loira ou ruiva – está presente em toda região de
ocorrência da forma galego. Sem formar, portanto, uma isoglossa
especíca dentro da diatopia de uso e conhecimento da mesma. Esse
sentido corresponde a 58% dos casos registrados para a referida lexia,
ou seja, o de maior ocorrência. Portanto, para onde a forma foi difundida
se encontra também seu conteúdo semântico majoritário.
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MAPA 9 – Uso de galego para denominar pessoas loiras ou ruivas
Fonte: Elaborado por Tavares de Barros e Löff Machado.
Considerações nais
Como os dados do ALERS revelaram, o uso da alcunha galego
parece ser elemento léxico próprio da colônia portuguesa e das regiões
luso-brasileiras em Santa Catarina. O seu uso se expandiu tanto da
faixa açoriana para o interior catarinense de colonização alemã, italiana
e eslava, quanto da faixa luso-brasileira (na rota dos tropeiros) para o
interior de substrato linguístico em que o elemento luso é minoritário.
O uso de galego para alcunhar os descendentes de alemães
foi uma das acepções documentadas (8 ocorrências). Aqui, pode estar
relacionada à experiência dos portugueses com os antigos vizinhos na
Península Ibérica, os galegos. Os galegos são, às vezes, loiros, e, por essa
percepção, opera-se a generalização “todos os loiros são galegos”. No
novo contexto, já do outro lado do Atlântico, os loiros, geogracamente
mais próximos, são, em sua maioria, os vizinhos teuto-brasileiros. Em
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vista disso, o uso de galego para denominar os alemães pode aludir uma
memória coletiva dos lusitanos cristalizada no emprego da alcunha.
Considerando que os Açores têm nas suas raízes de povoamento
(a partir de 1400) diferentes grupos vindos de Portugal continental,
existe uma certa probabilidade de que o antropônimo galego em Santa
Catarina tenha origem desse translado linguístico41. Por sua vez, não se
pode descartar que o conteúdo semântico “pessoa loira e clara” tenha
procedência das relações entre o sul e o norte português, justamente
por haver uma diferença significativa na fisionomia advinda dos
substratos dos antigos povoadores. Em Portugal os aspectos “alourado” e
“arruivado” só aparecem com o denominativo galego nas características
de alguns frutos e plantas, como o caso do trigo galego-barbado e galego-
rapado (ou mocho-ruivo) e das variedades de uva galego-dourado e
galego-de-Montemor (EÇÃ, 1944-1945, p. 53). Se seria um caso de
relicto semântico relacionado à acepção “pessoa loira e clara” em Santa
Catarina, cabe às futuras investigações armarem.
Como a alcunha galego historicamente é usada no sul de Portugal
com ar de zombaria (LEITE DE VASCONCELOS, 1890-1892, p. 72)
para se referir aos portugueses do norte, tanto a cor da pele, como também
dos cabelos e dos olhos poderiam ter motivado o uso desse apodo, quando
as mesmas características fossem motivo de riso e chacota.
A Galiza e os galegos são elementos muito frutíferos na
Antroponímia e Toponímia Ibérica e da România Nova. Apesar dos
tantos registros encontrados na Lexicograa, é perceptível os mistérios
que o apodo galego ainda esconde nas manifestações da Lusofonia. Os
dados do ALERS somente revelam parcialmente essa multiplicidade de
cargas semânticas que a forma denominativa produz. O presente estudo
foi uma contribuição para que a Filologia Histórica, a Dialetologia e
a Onomástica compreendam melhor a gura folclórica do galego na
expressão etnográca luso-brasileira e na cultura portuguesa do Brasil.
41 Cabe aqui ressaltar que, entre os portugueses assentados por meio da onda imigratória
para o litoral de Santa Catarina, não havia apenas açorianos, senão também, em número
menor, imigrantes da Madeira e de Portugal continental.
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Agradecimentos
Agradecemos ao Prof. Dr. Cléo Vilson Altenhofen (UFRGS – Porto
Alegre, Brasil) pela conança em nos ceder os dados do ALERS para esta
pesquisa; ao Prof. Dr. Henrique Monteagudo (Real Academia Galega),
por suas contribuições da literatura do folclore galego português; à Alma
Sánchez Núñez, leitora de língua e cultura galega na Universidade de
Kiel, pelo auxílio prestado, e à colega Amalia Pérez Valiño pela boa
vontade em ajudar; aos colegas Luana Cyntia dos Santos Souza (UFRGS
– Porto Alegre), Mario Ruíz Moreno (Universidade de Hamburgo),
Selmo Figueiredo Júnior (Universidade de São Paulo), Facundo Reyna
Muniain (Universidade de Bremen / Universidade de Kiel) por seus
auxílios, a Rebecca Borges e Silva (Universidade de Bremen) e Fabiana
Santos Zebner (Universidade de Hanover) pela “sabedoria cearense e
pernambucana”; e a Mailson dos Santos Lopes (UFBA), pela colaboração
com referências bibliográcas. Também exprimimos nossa gratidão ao
Prof. Dr. Harald Thun (CAU, Kiel- Alemanha), pelos comentários e
observações metodológicas; à Profa. Dra. Maria Cândida Trindade Costa
de Seabra (UFMG, Belo Horizonte, Brasil), pela atenção e contribuição
com referências lexicográcas, e por m, aos pareceristas anônimos desse
trabalho que nos trouxeram importantes apontamentos.
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VIARO, M. E. Etimologia. São Paulo: Editora Contexto, 2011.
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En este trabajo se hace una rápida presentación del Nuevo Tesoro Lexicográfico del Español (s. xiv-1726), que es un diccionario de diccionarios. En primer lugar, se habla de los repertorios de léxico que se han tenido en cuenta para su elaboración, con una especial atención sobre Nebrija, por su importancia dentro de la lexicografía del español. Después, se presentan las decisiones más importantes adoptadas para la recogida de los materiales, así como algunos de los problemas surgidos para su lematización, y las soluciones adoptadas en la presentación de las informaciones.
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Contextos de multilinguismo e plurilinguismo na sociedade se manifestam, entre outras formas, através do ato de nomear. A alcunha é uma das manifestações mais espontâneas desse fenômeno e constitui um dos interesses da Antroponomástica (disciplina afiliada à Onomástica). Sua função é identificar um indivíduo no interior de um grupo de acordo com determinadas características. No presente trabalho, foram enfocadas as alcunhas étnicas (galego, polaco, alemão, entre outros) a partir de nomes de candidatos políticos (prefeitos e vereadores) nas eleições realizadas no ano de 2016 no território da Amazônia meridional, considerada pela dialetologia tradicional como incaracterístico (NASCENTES, 1950). O mapeamento das alcunhas teve como objetivo identificar comportamentos sociais em um espaço multilíngue. As alcunhas expressam percepções sociais originadas em movimentos de (i)migração e contato linguístico e resguardam, por vezes, funções do contexto anterior ou, conforme o espaço em que se estabelecem, sujeita a processos de relexificação de seu conteúdo semântico.
Book
The Handbook of Language Mapping aims to explore the core methodological and theoretical approaches of linguistic cartography. In both empirical and theoretical linguistics, the spatial variation of language is of increasing interest and the visualization of language in space is therefore also of growing significance. It is the precondition for correct data interpretation. But how does it work? What has to be considered when drawing a map? And how has the problem been tackled so far? This book provides answers to such questions by taking a closer look at the theoretical issues surrounding cartography and at the concrete practice of mapping. The fundamental issues raised are addressed particularly well, since linguistic geography is not only one of the domains with a lengthy tradition, it is also one of the most progressive fields in linguistics. At the same time, because of their visual primacy, linguistic maps directly confront the challenges of human perception and aesthetics. In this context, envisioning the fruits of language mapping is a fascinating and inspiring endeavor, not just for experts. With its accessible texts and wealth of full-color images, the handbook not only represents a comprehensive manual serving the interests of a variety of readers, it also fills a gap in the ongoing linguistic discourse.
Alemão é galego? Info. Tem limão galego também. (risos)
  • Inq
Inq. Alemão é galego? Info. Tem limão galego também. (risos) [incompreensão do informante].
Galego é uma pessoa clara, assim, tipo alemão, polaco
  • Info
Info. Galego é uma pessoa clara, assim, tipo alemão, polaco.
Dicionário de Falares do Alentejo. Porto: Campo das Letras
  • V F Barros
  • L M Guerreiro
BARROS, V. F.; GUERREIRO, L. M. Dicionário de Falares do Alentejo. Porto: Campo das Letras, 2005.
An introduction to Anthropology. 3 ed. Toronto; Canadá: The Macmillan Company
  • R L Beals
  • H Hoijer
BEALS, R. L.; HOIJER, H. An introduction to Anthropology. 3 ed. Toronto; Canadá: The Macmillan Company; 1965.