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Abstract

Esse artigo discute as noções de “democracia” e de “golpe”, a partir de uma reflexão sobre a dependência epistêmica – e consequentemente acadêmica – vivenciada pelas ciências sociais na América Latina, particularmente pela ciência política. Isso será realizado partindo-se de uma abordagem baseada na teoria crítica, entendida de forma ecumênica – o que implica em recolher contribuições analíticas de teorias marxistas, dependentistas, pós-coloniais, pós-estruturalistas, decoloniais, entre outras fontes. Lançaremos mão mais especificamente das noções de colonialidade (do saber) e de dependência (epistêmica). A partir delas, tentaremos entender as limitações das ciências sociais latino-americanas e particularmente da ciência política, de seu espaço e de seu poder analítico – em contraposição a um sistema valorativo do conhecimento baseado numa particular localização geopolítica do saber que se apresenta como “universal”. Palavras-chave: Democracia; neogolpe; colonialidade do saber; dependência epistêmica. Colonialidad del saber, dependencia epistémica y los límites del concepto de democracia en América Latina Resumen Ese artículo debate las nociones de “democracia” y de “golpe”, desde una reflexión sobre la dependencia epistémica – y consecuentemente académica – vivenciada por las ciencias sociales en América Latina, particularmente por la ciencia política. Eso será hecho por medio de un abordaje basado em la teoría crítica, entendida de forma ecuménica – lo que implica en recoger contribuciones analíticas de teorías marxistas, dependentistas, postcoloniales, post-estructuralistas, decoloniales, entre otras fuentes. Se utilizarán más específicamente las nociones de colonialidad (del saber) y de dependencia (epistémica). A partir de ellas, tentaremos entender los límites de las ciencias sociales latinoamericanas y particularmente de la ciencia política, de su espacio y de su poder analítico – en contrapunto con un sistema valorativo del conocimiento basado en una particular ubicación geopolítica del saber que se presenta como “universal”. Palabras clave: Democracia; neogolpe; colonialidad del saber; dependencia epistémica. Coloniality of knowledge, epistemic dependence and the limits of the concept of democracy in Latin America Abstract This article discusses the notions of “democracy” and “coup d’état”, from a reflection on the epistemic – and consequently academic – dependence experienced by the Social Sciences in Latin America, particularly by Political Science. This will be done starting from an approach based on critical theory, understood in an ecumenical way – which implies the use of analytical contributions from Marxist, Dependentist, Postcolonial, Poststructuralist, Decolonial and other theoretical sources. More specifically, we will focus on the notions of coloniality of knowledge and epistemic dependence. From these, we will try to understand the limitations of the Latin American Social Sciences and particularly of Political Science, its space and its analytical power – as opposed to a system of knowledge based on a geopolitical location that presents itself as “universal”. Keywords: Democracy; neo-coup d'état; coloniality of knowledge; epistemic dependence.
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Article
Este artigo é um ensaio teórico que propõe a descolonização do pensamento na formação de professores na/da Amazônia, mediante análise crítica do pensamento ocidental hegemônico instituído. A naturalização das diversas práticas de dominação da natureza e do próprio homem precisam ser questionadas. Para isso, consideramos os estudos da colonialidade/decolonidade uma referência para o desvelamento e a resistência aos processos de dominação e de exploração que subalternizam os povos amazônicos e coisificam a natureza.
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Esta obra parte de questionamentos a respeito das razões do surgimento ou da implantação da terapia ocupacional na América Latina e de como as histórias que envolvem tais processos são reduzidas à reprodução simples da história estadunidense, como se suas razões e contextos tivessem sido os mesmos. Assim o objetivo geral deste estudo foi investigar os processos históricos de criação do primeiro programa de formação em terapia ocupacional em cada um dos 14 países que são membros da Confederação Latino-americana de Terapeutas Ocupacionais. Para tanto, os dados aqui apresentados e discutidos foram construídos em quatro principais etapas: a) delineamento dos países participantes da pesquisa; b) identificação dos colaboradores, com a utilização de questionários e a realização de entrevistas; c) busca de registros históricos e produções científicas sobre a história da terapia ocupacional em cada país; d) análise dos dados produzidos pelos questionários, entrevistas e registros históricos. Os resultados a que se chegou se evidenciam na composição dos percursos históricos, desde a criação da terapia ocupacional nos Estados Unidos da América, no início do século XX, até os principais antecedentes históricos que proporcionaram a criação dos primeiros programas de formação profissional nos países latino-americanos, a partir da década de 1950. A análise dessas histórias foi proposta em oito dimensões: 1) a replicação de modelos de formação profissional influenciados por perspectivas de reabilitação dos países do Norte; 2) a conformação de programas subordinados à lógica médica; 3) o público-alvo para a formação nos programas, composto principalmente por mulheres das elites urbanas para a realização de trabalhos de ajuda social e humanitária; 4) a influência da WFOT no sentido de determinar diretrizes para os currículos dos novos programas de formação; 5) os projetos de cooperação internacional para o desenvolvimento da América Latina, principalmente levados por organizações internacionais como ONU, OMS, OPAS e OIT, que contribuíram para a criação de respostas padronizadas para as demandas de reabilitação; 6) as cooperações regionais, também mediadas por agências de cooperação internacional, oferecendo auxílio para a graduação de profissionais vindos de outros países latino-americanos; 7) os professores desses primeiros programas serem, para além dos médicos e das terapeutas ocupacionais vindas de outros países, terapeutas ocupacionais recém egressos, quase sempre dos próprios programas de formação; 8) a relação da criação dos primeiros programas de formação com a conjuntura política, econômica e social de cada país, o que, em determinados momentos, fez com que os programas de formação fossem impulsionados ou recebessem poucos investimentos, principalmente pelo interesse dos Estados em desenvolver, ou não, estratégias de cuidado para os sujeitos e grupos, em geral, não prioritários. As principais conclusões permitem apontar para a análise da terapia ocupacional, ao menos no âmbito dos programas de formação profissional, como produto da articulação entre Estados-nação, pela lógica do capital articulada à Colonilidade
Thesis
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A tese aqui formulada parte de questionamentos a respeito das razões do surgimento ou da implantação da terapia ocupacional na América Latina e de como as histórias que envolvem tais processos são reduzidas à reprodução simples da história estadunidense, como se suas razões e contextos tivessem sido os mesmos. O pressuposto que nos guiou foi buscar pelas razões próprias nos diferentes países do continente, no recorte latino-americano. Assim o objetivo geral da pesquisa que integra esta tese foi investigar os processos históricos de criação do primeiro programa de formação em terapia ocupacional em cada um dos 14 países que são membros da Confederação Latino-americana de Terapeutas Ocupacionais. Para tanto, os dados aqui apresentados e discutidos foram construídos em quatro principais etapas: a) delineamento dos países participantes da pesquisa; b) identificação dos colaboradores, com a utilização de questionários e a realização de entrevistas; c) busca de registros históricos e produções científicas sobre a história da terapia ocupacional em cada país; d) análise dos dados produzidos pelos questionários, entrevistas e registros históricos. Os resultados a que se chegou se evidenciam na composição dos percursos históricos, desde a criação da terapia ocupacional nos Estados Unidos da América, no início do século XX, até os principais antecedentes históricos que proporcionaram a criação dos primeiros programas de formação profissional nos países latino-americanos, a partir da década de 1950. A análise dos dados foi proposta em oito dimensões: 1) a replicação de modelos de formação profissional influenciados por perspectivas de reabilitação dos países do Norte; 2) a conformação de programas subordinados à lógica médica; 3) o público-alvo para a formação nos programas, composto principalmente por mulheres das elites urbanas para a realização de trabalhos de ajuda social e humanitária; 4) a influência da WFOT no sentido de determinar diretrizes para os currículos dos novos programas de formação; 5) os projetos de cooperação internacional para o desenvolvimento da América Latina, principalmente levados por organizações internacionais como ONU, OMS, OPAS e OIT, que contribuíram para a criação de respostas padronizadas para as demandas de reabilitação; 6) as cooperações regionais, também mediadas por agências de cooperação internacional, oferecendo auxílio para a graduação de profissionais vindos de outros países latino-americanos; 7) os professores desses primeiros programas serem, para além dos médicos e das terapeutas ocupacionais vindas de outros países, terapeutas ocupacionais recém egressos, quase sempre dos próprios programas de formação; 8) a relação da criação dos primeiros programas de formação com a conjuntura política, econômica e social de cada país, o que, em determinados momentos, fez com que os programas de formação fossem impulsionados ou recebessem poucos investimentos, principalmente pelo interesse dos Estados em desenvolver, ou não, estratégias de cuidado para os sujeitos e grupos, em geral, não prioritários. As principais conclusões permitem-nos apontar para a análise da terapia ocupacional, ao menos no âmbito dos programas de formação profissional, como produto da articulação entre Estados-nação, pela lógica do capital articulada à Colonilidade.
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La tesis principal de este estudio es que en las regiones afectadas por la expansión europea y su poder, durante los últimos siglos, se produjo una reacción que comportó dos formulaciones alternativas y en permanente discusión: quienes imaginaron que la mejor solución para sus sociedades consistía en tomar lo más posible desde los saberes del centro (centralitarios), y quienes imaginaron que, en cambio, era necesario profundizar en la propia identidad para encontrar allí soluciones a los nuevos desafíos (identitarios). En ambos casos su referencia era al centro: ser como el centro versus ser nosotros mismos, distinguiéndonos del centro. Por esta referencia permanente al centro, lo definí como “pensamiento periférico, propiamente tal”. Ello no agota, por otra parte, las expresiones del pensamiento del Sur y a esto he preferido llamarle “pensamiento de las periferias o pensamiento del Sur”.
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El trabajo tiene como objetivo analizar las caracteristicas que asumen los golpes de Estado de comienzo del siglo XXI, ejecutados contra presidentes legitimos, elegidos democraticamente. Desde la perspectiva de la sociologia historica, comparar tres experiencias: Haiti (2004), Honduras (2009) y Paraguay (2012) indagando en los actores –nacionales como internacionales- como en la emergencia de nuevos mecanismos golpistas puestos en practica en America Latina. Finalmente se arriba a una propuesta conceptual minima de golpes del estado en el siglo XXI.
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América Latina formó parte del proceso de internacionalización de la ciencia y se consolidó como circuito de investigación social y enseñanza universitaria a comienzos de los años 60, cuando se modernizaba el sistema de educación superior, se creaban agencias públicas de fomento de la investigación científica y se extendían los centros regionales. Este circuito regional atravesó etapas de expansión, así como períodos de contracción de la autonomía académica, como resultado de la desinstitucionalización perpetrada en el Cono Sur por las dictaduras militares y de los violentos ajustes ejecutados durante los años noventa en los sistemas científico-universitarios de la región. En este trabajo se analizan las nuevas tensiones que surgieron en las últimas dos décadas a partir de la estructura desigual de un Sistema Académico Mundial (SAM) que se ha configurado sobre la base de la “universalización” de la bibliometría como herramienta de evaluación de la ciencia, la supremacía del inglés y la concentración del capital académico en determinados polos. Todo lo cual plantea importantes desafíos a un circuito que publica básicamente en español/portugués, y que viene haciendo enormes esfuerzos para consolidar sistemas regionales de publicaciones científicas de acceso abierto.
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Archaeology has travelled many roads; some of them do not diverge but converge (they are changes of notation, not of content). An exercise on extreme simplification would posit that two of those roads, may be the most visible ones in the last years, lead to distant loci: (a) to the reproduction of epistemic violence against other societies and their histories (a modern project, to be sure, but also multicultural); and (b) to interdiscursive understanding. This paper is a sketch of the findings that anyone venturing into those roads could eventually make.
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Este artigo propõe uma redescrição dos princípios fundamentais da democracia de modo a abrir espaço para o conflito, a paixão e o político. Em um primeiro momento, criticam-se as versões mais propagadas da democracia deliberativa, em sua neutralização e redução do pluralismo político e abuso dos propósitos democráticos de legitimidade e racionalidade. Em seguida, analisam-se os insights de Carl Schmitt em sua compreensão do conceito do político. Finalmente, o conceito do político é apropriado de modo crítico no âmbito de uma proposta de modelo agonístico de democracia, em que se deve renunciar à naturalização das fronteiras da democracia e dos embates entre seus atores – os que eram tidos como inimigos, no interior de uma sociedade democrática, devem assumir o papel de adversários que compartilham um conjunto de valores e princípios ético-políticos, cuja interpretação está em disputa.
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This article explores the problem of conceptualising and measuring the quality of democracy in Latin America. The first part discusses the use of the concept and the need for an operational measure. It explores three dimensions of the quality of democracy: civil rights, participation and effective competition. The second part develops an indicator of effective competition, one of the key dimensions of the concept. The third part analyses the empirical relationship between all three dimensions in 18 Latin American countries between 1978 and 1996. The study constructs summary measures of the quality of democracy in several ways, and show that the ranking of the cases is highly consistent no matter the procedure applied. The final section tests the validity of the measure and discusses its limitations.
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p>La crisis de las “democracias” representativas en Centroamérica marca el final de un escenario en donde las fuerzas de derecha empezaron a perder el control y la hegemonía de nuevos procesos políticos protagonizados por sectores sociales movilizados en demanda de ampliación de su base de derechos y de participación política. El golpe militar en Honduras es el corolario de un esfuerzo mayor por provocar una nueva correlación de fuerzas en América Latina. Tiene como telón de fondo el reciente triunfo electoral de una fuerza política de izquierda en El Salvador. Realidad: Revista de Ciencias Sociales y Humanidades No. 121, 2009: 699-707</p
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Na primeira parte do ensaio, argumenta‑se que as linhas cartográficas “abissais” que demarcavam o Velho e o Novo Mundo na era colonial subsistem estruturalmente no pensamento moderno ocidental e permanecem constitutivas das relações políticas e culturais excludentes mantidas no sistema mundial contemporâneo. A injustiça social global estaria, portanto, estritamente associada à injustiça cognitiva global, de modo que a luta por uma justiça social global requer a construção de um pensamento “pós-abissal”, cujos princípios são apresentados na segunda parte do ensaio como premissas programáticas de uma “ecologia de saberes”.