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Fitoterapia brasileira: análise dos efeitos biológicos da sucupira (Bowdichia virgilioides e Pterodon emarginatus)

Authors:

Abstract

A Sucupira é uma planta nativa utilizada como medicamentos nas tradições populares para a cura de feridas, para o tratamento de diabetes, de reumatismo, de artrite, de doenças de pele, de faringites, de amidalites, de bronquites e para dores na coluna. A Sucupira é comumente utilizada em garrafadas, como componente de energéticos, juntamente com plantas como catuaba e muirapuama. Apesar de muitas plantas serem utilizadas comumente no tratamento e prevenção de diversas doenças, não há garantia da segurança e eficácia para a grande maioria dos produtos comercializados produzidos a partir destas plantas que estão sendo utilizados por grande parte da população. O presente artigo teve o objetivo de identificar as evidências científicas sobre as propriedades químicas presentes na composição de duas espécies de sucupira, a Pterodon emarginatus e a Bowdichia virgilioides, popularmente mais conhecidas como sucupira branca e sucupira preta, respectivamente, e relacioná-las com os seus efeitos biológicos relatados na medicina popular. Para assim fazer com que Naturólogos e outros profissionais da área da saúde tenham maior segurança e eficácia quando forem indicar a sucupira. Foi realizada uma pesquisa baseada nos Princípios da Revisão Sistemática, sobre os efeitos biológicos de duas espécies distintas de sucupira. Os artigos científicos mostraram que P. emarginatus possui ação: antimicrobiana, leishmanicida e antinoceptiva e a B. virgilioides possui ação: antiinflamatória, antimicrobiana, ansiolítica, hipoglicemiante e cicatricial. Estes resultados estão de acordo com o que foi encontrado na bibliografia sobre a indicação terapêutica da sucupira na medicina popular, como dores de garganta, bronquite, reumatismo, artrite, feridas e diabetes.
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FITOTERAPIA BRASILEIRA: ANÁLISE DOS EFEITOS BIOLÓGICOS
DA SUCUPIRA (BOWDICHIA VIRGILIOIDES E PTERODON
EMARGINATUS)
Marcelle Souza Lima Machado¹; Karen Aparecida Bruno²; Mayara de Oliveira Melo²;
Marcia Kiyomi Koike³.
¹Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Instituto de Assistência Médica do Servidor Público Esta-
dual (IAMSPE), São Paulo, Brasil; ²Curso de Naturologia, Escola de Ciências da Saúde, Universidade Anhembi
Morumbi, São Paulo, Brasil; ³Disciplina de Emergências Clínicas, Departamento de Clínica Médica, Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil. Autor correspondente: Profa. Dra. Marcia Koike:
E-mail: mkoike2011@gmail.com
Resumo
A Sucupira é uma planta nativa utilizada como medicamentos nas tradições populares para a cura
de feridas, para o tratamento de diabetes, de reumatismo, de artrite, de doenças de pele, de faringites,
de amidalites, de bronquites e para dores na coluna. A Sucupira é comumente utilizada em garrafadas,
como componente de energéticos, juntamente com plantas como catuaba e muirapuama. Apesar de mui-
tas plantas serem utilizadas comumente no tratamento e prevenção de diversas doenças, não há garantia
da segurança e ecácia para a grande maioria dos produtos comercializados produzidos a partir destas
plantas que estão sendo utilizados por grande parte da população. O presente artigo teve o objetivo de
identicar as evidências cientícas sobre as propriedades químicas presentes na composição de duas
espécies de sucupira, a Pterodon emarginatus e a Bowdichia virgilioides, popularmente mais conhecidas
como sucupira branca e sucupira preta, respectivamente, e relacioná-las com os seus efeitos biológicos
relatados na medicina popular. Para assim fazer com que Naturólogos e outros prossionais da área da
saúde tenham maior segurança e ecácia quando forem indicar a sucupira. Foi realizada uma pesquisa
baseada nos Princípios da Revisão Sistemática, sobre os efeitos biológicos de duas espécies distintas de
sucupira. Os artigos cientícos mostraram que P. emarginatus possui ação: antimicrobiana, leishmanici-
da e antinoceptiva e a B. virgilioides possui ação: antiinamatória, antimicrobiana, ansiolítica, hipogli-
cemiante e cicatricial. Estes resultados estão de acordo com o que foi encontrado na bibliograa sobre a
indicação terapêutica da sucupira na medicina popular, como dores de garganta, bronquite, reumatismo,
artrite, feridas e diabetes.
Palavras chave: Sucupira, Sucupira Preta, Sucupira Branca, Bowdichia sp., Pterodon sp., Plantas me-
dicinais, Fitoterapia.
Introdução
A Sucupira é o nome popular de diversos tipos
de Fabaceae, sendo as duas espécies mais comu-
mente utilizadas na medicina popular, a Sucupira
Branca (Pterodon emarginatus) e a Sucupira Preta
(Bowdichia virgilioides).
A Sucupira Branca (P. emarginatus) é uma ár-
vore aromática nativa que ocorre frequentemen-
te no cerrado brasileiro e na sua transição para a
oresta semidecídua, encontrada nos Estados de
Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São
Paulo, podendo atingir 8-16m de altura¹.
A Sucupira Preta (B. virgilioides) é uma árvo-
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re grande e ramosa, com ampla distribuição geo-
gráca ocorrendo desde o Estado do Pará até São
Paulo, empregada no paisagismo em geral e para
fornecimento de madeira².
Na medicina popular, a Sucupira é comumen-
te utilizada em garrafadas, como componente de
energéticos, juntamente com plantas como catu-
aba e muirapuama. Extratos alcoólicos dos frutos
são utilizados na medicina popular como anti-in-
amatório e analgésico. A casca da Sucupira é uti-
lizada na medicina popular para a cura de feridas,
como anti-ulcerativo e anti-diabéticos³. As semen-
tes são utilizadas no tratamento de reumatismo,
artrite e doenças de pele, no tratamento de faringi-
tes, amidalites e bronquites4.
A visão da Naturologia sobre toterápicos bus-
ca integrar totalmente o ser humano, o seu am-
biente e a sua interação. Embasado na pluralidade
de sistemas terapêuticos complexos vitalistas, que
parte de uma visão multidimensional do processo
de saúde-doença, a Naturologia se utiliza da re-
lação de interagência e de práticas integrativas e
complementares para o cuidado e a atenção à saú-
de.
Neste contexto, o embasamento do conheci-
mento aprofundado sobre determinada planta visa
uma garantia de ecácia mais atingível, cando
evidente a importância de se ter uma base cien-
tica sólida respeitando os saberes populares na
utilização de plantas medicinais. Assim, este tra-
balho visa identicar as evidências cientícas das
propriedades químicas presentes na composição
das duas espécies de sucupira, a P. emarginatus e
a B. virgilioides, e sua relação com os seus efeitos
biológicos relatados na medicina popular.
Métodos
A pesquisa de revisão da literatura foi basea-
da nos Princípios da Revisão Sistemática5,6, sobre
os efeitos biológicos de duas espécies distintas de
sucupira. Os princípios da revisão que foram uti-
lizados são: denir com precisão a pergunta de
pesquisa e as informações necessárias para res-
pondê-la; estabelecer a priori os critérios de inclu-
são e exclusão dos estudos; utilizar uma metodo-
logia explícita e reproduzível; realizar uma busca
sistemática e eciente de estudos primários, para
a identicação de todas as pesquisas que podem
preencher os critérios de inclusão; selecionar es-
tudos relevantes e metodologicamente adequados
por meio de uma análise da validade dos achados;
minimizar vieses, através da metodologia sistemá-
tica e explícita; apresentar um resumo estruturado,
com a síntese das características e dos achados dos
estudos incluídos, vantagens e desvantagens; de-
nição clara das conclusões que poderão ser aplica-
das na prática.
Procedimento de coleta dos dados
Data da publicação: Não houve restrição por
ano de publicação.
Locais de pesquisa e coleta de dados: PubMed/
MEDLINE, Scielo e ScopMed.
Critério de Inclusão: Artigos que tenham sido
publicados em revistas indexadas; incluir um gru-
po de intervenção e um grupo controle; ser um es-
tudo clínico randomizado ou com animais ou com
cultura de células; um n>5 em cada grupo, relatos
de caso e artigos em inglês e português. Alguns li-
vros didáticos foram utilizados para consulta so-
bre a Medicina popular.
Critério de Exclusão: Artigos descritivos; resu-
mos ou comunicações em congressos; estudos sem
um grupo controle; dissertações, teses e artigos de
revisão.
Para pesquisa foram utilizados os nomes cien-
tícos da Sucupira Preta (Bowdichia virgilioides) e
da Sucupira Branca (Pterodon emarginatus).
Os artigos pesquisados foram catalogados no
Google Forms, ocorrendo, nesta etapa o descarte
dos artigos repetidos e fora dos critérios de inclu-
são. Os dados agrupados em tabela foram sepa-
rados conforme: base pesquisada, dados referen-
ciais, título, autor, ano, país em que o estudo foi
realizado, nome cientíco da planta, experimento
com animais ou células, objeto de estudo, parte
utilizada da planta, tipo de extração, substância
extraída, objetivo do estudo, protocolo, via de ad-
ministração, frações ativas, resultado e conclusão.
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Resultados
Foram obtidos quinze artigos cientícos sobre
a sucupira das espécies B. virgilioides e P. emar-
ginatus, dos quais onze foram utilizados para
esta revisão: cinco artigos cientícos referentes à
B. virgilioides e seis artigos cientícos referentes
à P. emarginatus. Outros quatro artigos da espé-
cie P. emarginatus foram descartados no critério
de inclusão e exclusão, pois dissertavam sobre a
germinação, anatomia da semente e variabilidade
química do óleo essencial. Os resultados foram
apresentados de acordo com a ação relatada:
1. Atividade antiinamatória
Pesquisas em ratos indicaram que o extrato eta-
nólico da casca do caule da B. virgilioides, exer-
ce ação anti-inamatória via inibição da síntese e
secreção de prostaglandinas7. Apenas este artigo
descreveu o efeito anti-inamatório da planta.
2. Atividade antinoceptiva
Os dados obtidos em estudos de DUTRA et
al (2012)8 revela que o óxido de etileno obtido a
partir das sementes da P. emarginatus apresenta
menor citotoxicidade em células normais e maior
atividade citotóxica em células cancerosas. E, além
disso, revela que o óxido de etileno pode atuar,
pelo menos parcialmente, na inibição da morte ce-
lular por apoptose.
3. Atividade cicatricial
O extrato aquoso da B. virgilioides melhora a
cicatrização cutânea em ratos quando utilizado de
forma tópica por nove dias. Esta melhora na cica-
trização se deve possivelmente devido ao aumento
da atividade de broblastos9.
4. Atividade antimicrobiana
De acordo com ALMEIDA et al. (2006)10, o
óleo inibiu o crescimento de bactérias Micrococ-
cus luteus e de várias cepas de fungos testadas:
Candida albicans, Candida guilliermondii, Candi-
da stellatoidea e Trichophyton rubrum, sendo C.
guilliermondii o microrganismo mais sensível.
O estudo feito por BUSTAMANTE et al (2010)11
vericou a presença de avonóides, heterosídeos,
saponínicos, resinas e traços de esteróides e triter-
penóides no pó da casca da Pterodon emarginatus
e concluiu que o extrato etanólico bruto apresentou
atividade antimicrobiana contra bactérias Gram
-positivas esporuladas: Clostridium sporogenes,
Bacillus cereus, Bacillus subtilis, Bacillus stearo-
thermophylus e não esporuladas: Staphylococcus
aureus, Rhodococcus equi, Micrococcus luteus e
Micrococcus roseus; Gram-negativas: Escherichia
coli, Agrobacterium tumefaciens, Salmonella cho-
leraesuis, Salmonella typhymurium, Salmonella
sp., Enterobacter aerogenes, Enterobacter cloacae,
Serratia marcescens, Pseudomonas aeruginosa e
contra o fungo C.albicans.
Em contraste, FERREIRA et al. (2014)12 obser-
vou que o óleo essencial das sementes P. emargina-
tus não possui atividade antimicrobiana contra S.
aureus, P. aeruginosa e E. coli. Os autores sugerem
que a amostra das sementes testadas não apresen-
tou as substâncias químicas potencialmente ativas
sobre as linhagens analisadas, o que explica a au-
sência de ação.
5. Atividade leishmanicida
O óleo essencial das sementes de Pterodon
emarginatus inibiu o crescimento de S.aureus
ATCC 25923 e as frações hexânica e butanólica
apresentaram expressiva atividade in vitro para
L.amazonensis. Estes resultados indicam que mo-
léculas bioativas nas sementes de Pterodon emar-
ginatus podem ser utilizadas como protótipos para
o desenvolvimento de novos fármacos e/ou como
fonte de matérias-primas farmacêuticas antimi-
crobianas e leishmanicidas13.
6. Atividade ansiolítica
Em seu estudo, VIEIRA et al (2013)14 arma-
ram que a B. virgilioides tem efeitos agudo e sub-
cronico similares ao ansiolítico sem comprometer
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a atividade motora. Eles demonstram em camun-
dongos tratados com doses de extrato aquoso da
casca da Bowdichia virgilioide administradas agu-
da ou cronicamente apresentam resultados de tes-
tes comportamentais próximos aos tratados com
diazepam. Os autores acreditam que o extrato
aquoso apresenta substancias tais como alcalói-
des, avonóides e saponina, que por ação sinérgi-
ca atuam com ansiolíticos. Foi a primeira vez que
foi relatado o uso do extrato aquoso da Bowdichia
virgilioides, com efeito do tipo ansiolítico, e que
não afetou a atividade locomotora.
7. Atividade hipoglicemiante
O extrato da raiz da B. virgilioides promove um
efeito anti-hiperglicêmico agudo em ratos diabéti-
cos que ocorre provavelmente através de uma ini-
bição da absorção intestinal da glicose15.
8. Ação de hepatotoxicidade
Não foi encontrado na literatura nenhum artigo
descrevendo especicamente a hepatotoxicidade
das duas espécies da sucupira. Porém, dois artigos
relatam um surto de intoxicação e mortalidade de
bovinos nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul e Goiás por terem ingerido folhas da espécie
P emarginatus16,17. Sugere-se que novas investiga-
ções precisam ser desenvolvidas para caracterizar
se a presença das lesões encontradas nos animais
tem relação realmente com o consumo da Ptero-
don emarginatus.
Discussão
A teoria das racionalidades médicas abriu um
campo de conhecimento que permite estudar as
relações entre distintos sistemas médicos e suas re-
presentações de corpo, saúde, doença e tratamento
e a aplicabilidade das práticas integrativas18. Estas,
por sua vez, possuem uma abordagem altamente
subjetiva que considera outros fatores além do bio-
lógico, como emocional, social e energética, quan-
do se busca validá-las por estudos clínicos rando-
mizados esvazia-se toda sua lógica de fundamento
e os resultados são oscilantes e discordantes.
Pesquisas em práticas integrativas na saúde exi-
gem uma pluralidade cientíca que valide outros
modos de saber, como, por exemplo, a pesquisa
qualitativa que inclui a experiência subjetiva do
indivíduo. O que condiz com a etnobotânica, que,
segundo AMOROZO (1996)19, é o estudo do co-
nhecimento e das conceituações desenvolvidas por
qualquer sociedade a respeito do mundo vegetal,
englobando tanto a maneira como o grupo social
classica as plantas, como os usos que dá a elas.
Ela inclui todos os estudos relativos à relação entre
populações tradicionais e as plantas20.
A etnobotânica recebeu destaque com o passar
dos anos, e passou e passa cada vez mais a aumen-
tar o interesse de pesquisadores sobre o assunto.
Derivado de uma visão interdisciplinar permite
agregar colaboradores de diferentes ciências, com
enfoques diversos como o social, cultural da agri-
cultura, da paisagem, da taxonomia popular, da
conservação de recursos genéticos, da linguística
e outros21.
A medicina popular em conjunto com a medi-
cina vitalista enxerga o ser humano em sua relação
com seus pares e seu meio buscando a promoção
do equilíbrio dinâmico de sua energia vital, que
varia de acordo com os sentimentos/pensamentos,
as relações familiares e sociais e os comportamen-
tos do indivíduo, estando embasados, por tanto,
no chamado paradigma vitalista, que enxerga o
corpo como uma totalidade bioenergética.
Tanto as racionalidades médicas quanto a me-
dicina vitalista e o conceito de etnobotânica, tem
ideias similares com o que a Naturologia agrega
em sua losoa. Assim como Adriana Elias Magno
da Silva (2012)22 descreve:
A Naturologia é um conhecimento caracteri-
zado pela mescla de racionalidades médicas, de
losoas e de técnicas de cura orientais e ociden-
tais, modernas e tradicionais. Apresenta-se como
um conhecimento transdisciplinar liado a mo-
delos integrativos e complementares de atuação
e atenção em saúde. Vericou se e como ocorre,
na produção acadêmica brasileira de Naturologia,
a incorporação dos princípios da transdisciplina-
ridade, da complexidade e da integralidade que
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a caracterizam. A análise da empírica conrmou
a hipótese de que o saber e o fazer naturológico
está ligado a princípios e paradigmas críticos do
conhecimento com a transdisciplinaridade, com-
plexidade e integralidade.” (SILVA, 2012, p. 7)
O presente artigo, assim como a Naturologia,
teve o intuito de promover a integralidade do cui-
dado e a pluralidade dos saberes, neste caso unin-
do conhecimento popular e o conhecimento cien-
tíco na indicação de um toterápico. É relevante
ressaltar a importância que as pesquisas cientí-
cas têm dentro do âmbito prossional, onde da-
rão base a uma indicação terapêutica cautelosa e
ecaz. Estes dois conhecimentos farão da postura
prossional, mais completa, tendo como reper-
tório o máximo de informação sobre a planta. E
então unir os saberes dessas duas racionalidades
médicas, a cientíca e a popular brasileira.
Este artigo teve como proposta analisar através
do efeito biológico das duas espécies da sucupira,
Bowdichia virgilioides e Pterodon emarginatus, se
este tem relação com a descrição do uso da planta
medicinal no contexto da medicina popular, por
meio da revisão de artigos cientícos que discor-
rem sobre as mesmas, resultando em uma compa-
ração na qual, observou-se que as indicações na
medicina popular têm uma ligação com os efeitos
biológicos descobertos de pela ciência.
De acordo com FERREIRA et al (2004)12, a po-
pulação faz uso da casca da sucupira para tratar
feridas, por ser anti-ulcerativa e anti-diabética. E
isto pode ser visto no artigo de AGRA et al (2013)9,
onde arma depois de experimentos que a planta
realmente tem efeito cicatricial, por conta do au-
mento da atividade dos broblastos. E ação hipo-
glicemiante pode ser esclarecida de acordo com a
descrição de SILVA (2014)15 sobre sua ocorrência
através de uma inibição da absorção intestinal da
glicose.
CRUZ (1965)4 diz que as sementes são utili-
zadas de forma popular no tratamento de reuma-
tismo, artrite e doenças de pele. E a pesquisa de
BARROS (2010)7 vem de encontro dizendo que
quer pela inibição da síntese, libertação ou a ação
principalmente das prostaglandinas, as sementes
de sucupira têm um efeito anti-inamatório, por
isso pode ajuda nas doenças citadas acima.
O efeito ansiolítico encontrado por VIEIRA et
al (2013)14 em seu artigo revela a ação do extrato
aquoso da casca da B. virgilioides, mas os auto-
res não foram a busca de qual dos componentes
explicaria esta ação. Na medicina popular, a ação
ansiolítica não foi relatada. No quadro 1, observa-
se os achados cientícos relacionados à medicina
popular.
Considera-se que seja de fundamental impor-
tância que os prossionais da área da saúde que
indicam toterápicos tenham conhecimento da
composição química e efeitos biológicos que cada
planta medicinal possui. No entanto, sem perder
também conhecimento vindo do próprio popular,
que inclui a visão sobre a planta como um todo.
Quando se equilibrar a pluralidade dos saberes
populares e cientícos, uma indicação muito mais
abrangente, segura e ecaz poderá ser obtida com
a indicação de plantas medicinais.
Diferentes efeitos foram encontrados nos arti-
gos cientícos, tais como efeito ansiolítico, anti-ul-
cerativo, leishmanicida e contra células cancerosas.
Porém ca evidente a necessidade de mais estudos
sobre tais ações, além de um estudo que abranja e
evidencie a posologia adequada do uso da planta,
juntamente com a possível toxicidade da sucupira.
Conclusão
Este presente artigo mostrou que a utilização
da sucupira das espécies Bowdichia virgilioides e
Pterodon emarginatus tem relação com a indica-
ção terapêutica encontrada na medicina popular
por meio da literatura bibliográca.
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Quadro 1: Efeitos biológicos encontrados na Medicina Popular e em Artigos Cientícos sobre a su-
cupira das espécies Pterodon emarginatus e Bowdichia virgilioides.
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Pterodon emarginatus Vogel, Fabaceae, is a native aromatic tree distributed by central region of Brazil. Hydroalcoholic infusions of the seeds are used in folk medicine for their anti-rheumatic and anti-inflammatory properties. The objective of this work was identified the chemical components and verify the cytotoxic effect of the essential oil (EO) from P. emarginatus seeds. Thus, the EO of P. emarginatus seeds was analyzed by GC/MS analysis followed by brine shrimp lethality test and cytotoxic activity against tumor cell lines and human peripheral mononuclear blood cells (PBMC). The cancer cell lines tested were C6 (rat glioma), MeWo (human melanoma), CT26.WT (mouse colon carcinoma), MDA (human breast cancer), A549 (human lung carcinoma), B16-F1 (mouse melanoma), CHO-K1 (hamster ovary cell) and BHK-21 (hamster kidney fibroblast). Eleven compounds were identified by GC and CG/MS analyses. The main compounds with concentrations higher than 5% were β-elemene (15.3%), trans-caryophyllene (35.9%), α-humulene (6.8%), germacrene-D (9.8%), bicyclo germacrene (5.5%) and spathulenol (5.9%). The EO of P. emarginatus seeds showed toxicity to Artemia salina (LC50 1.63 µg/mL) and was active against all the cell lines tested. The potent cytotoxic activity had IC50 values ranging from 24.9 to 47 µg/mL. However, EO (1-100 µg/mL) had less cytotoxicity in PBMCs isolated from a healthy subject. In summary, the present study showed the potential antiproliferative of the EO of P. emarginatus seeds.
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RESUMO.-Descreve-se um surto de intoxicação por Ptero-don emarginatus em bovinos no Estado de Goiás. De um lote de 84 bovinos que comeram avidamente folhas e os frutos da planta após a queda acidental de uma árvore, todos os animais adoeceram e sete morreram. Os sinais clínicos ob-servados foram eriçamento dos pelos, retração do flanco, apatia profunda, prostração, tremores musculares, resse-camento do focinho, tenesmo, incoordenação, relutância Intoxicação espontânea por Pterodon emarginatus (Fabaceae) em bovinos no Estado de Goiás 1 ABSTRACT. 2012. [Spontaneous poisoning of cattle by Pterodon emarginatus (Fabaceae) in Goiás, Brazil.] Intoxicação espontânea por Pterodon emarginatus (Fabaceae) em bovinos no Es-tado de Goiás. Pesquisa Veterinária Brasileira 32(6):485-489. Laboratório de Patologia Ve-terinária, Campus Jataí, Universidade Federal de Goiás, Jataí, GO 75801-458, Brazil. E-mail: santanafjf@yahoo.com An outbreak of poisoning by Pterodon emarginatus in cattle in Goiás, Brazil, is descri-bed. Eighty four cattle that accidentally consumed the leaves and fruits from a P.
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A systematic review is an overview of primary studies that used explicit and reproducible methods. A meta-analysis is a mathematical synthesis of the results of two or more primary studies that addressed the same hypothesis in the same way. Although meta-analysis can increase the precision of a result, it is important to ensure that the methods used for the review were valid and reliable.
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